segunda-feira, 10 de maio de 2021

Odisseia (Homero) - Ciclope Polifemo (IX)



Refeição Cultural

"    Renovo a taça ardente, que três vezes
Néscio esgotou. Sentindo-o já toldado,
Brando ajunto: 'Ciclope, não me faltes
À promessa. Meu nome tu perguntas?
Eu me chamo Ninguém, Ninguém me chamam
Vizinhos e parentes'. O ímpio e fero
Balbuciou: 'Ninguém, depois dos outros
Último hei de comer-te; eis meu presente'.
" (LIVRO IX, v.276-283, p. 183)


Manhã de segunda-feira, 10 de maio. Antes de lidar com as coisas do cotidiano de uma vida obreiro-retirada brasileira, daqui de minha Osasco-Ítaca, leio o Canto IX da Odisseia, de Homero.

Nos primeiros quatro cantos da epopeia homérica, a "Telemaquia", tomamos conhecimento do que se passa em Ítaca, terra de Odisseu (Ulisses em latim), guerreiro grego que enfrentou os troianos e muitos anos após a vitória ainda não havia retornado para sua esposa Penélope, seu filho Telêmaco e seu reino. Telêmaco sai em busca de notícias de seu pai. Ver postagem sobre essa leitura aqui.

Nos cantos seguintes, de V a VIII, soubemos de Ulisses, cativo da ninfa Calipso. Em uma assembleia dos deuses do Olimpo, decide-se que a ninfa deve deixar o grego partir. Em uma jangada ele parte, Netuno (Poseidon) fica puto com tudo isso e dificulta as coisas para o herói. Mas ele é salvo de novo pela deusa Palas Atena (Minerva). O herói vai parar na ilha dos Feácios, donde está agora nos cantos que começo, do IX adiante. Fiz uma postagem sobre essa leitura: ver aqui.

O canto IX é uma das passagens mais empolgantes da Odisseia porque os gregos irão enfrentar o gigante ciclope Polifemo. A coisa é violenta e sanguinária. As cenas nada ficam a dever em relação ao anime Ataque dos Titãs (Shingeki no Kyojin). Esse ainda não assisti, mas está na fila dos animes a ver.

As cenas são fortes... (tirem as crianças da frente da postagem).

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"Ei-lo, sevo e em silêncio, a dois agarra,
No chão como uns cãezinhos os machuca,
E o cérebro no chão corre espargido;
Os membros rasga, e lhes devora tudo,
Fibra, entranha, osso mole ou meduloso,
Qual faminto leão...
" (LIVRO IX, v.218-223, p. 181)

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É forte a cena, heim! (No vídeo, no final, eu confundi e falei "Canto V", mas na verdade é Canto IX, sorry!)

Depois, quando Ulisses usa de suas artimanhas para enfrentar o gigante, vamos ver outra cena forte. O ciclope ficou bêbado após Ulisses lhe oferecer vinho e ao dormir assim chapadão soluça e vomita pedaços dos guerreiros comidos. Amig@s, isso foi escrito há milhares de anos!

Enfim, estou lendo a Odisseia em versos, na tradução fantástica do maranhense Odorico Mendes, em edição belíssima a cargo do professor Medina, da FFLCH, mestre já falecido, mas que tive o privilégio de ser aluno nas aulas de literatura grega.

Leiam, amigas e amigos leitores, porque leitura é uma forma de alimento d'alma, de nosso ser, já que nossa essência está na absorção das experiências que acumulamos ao longo da vida. Minha leitura da Odisseia é motivada pela minha releitura de Ulysses, de James Joyce, já que o clássico da Literatura Irlandesa tem como referência o clássico grego.

William



Bibliografia:

HOMERO. Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes. Edição de Antonio Medina Rodrigues. - 2. ed. - São Paulo: Ars Poetica: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. - (Coleção Texto & Arte; 5).

domingo, 9 de maio de 2021

27. Decamerão - Giovanni Boccaccio



Refeição Cultural - Cem clássicos

INTRODUÇÃO

Algo sobre o Dia das Mães e o viver sob pandemias

Domingo, 9 de maio de 2021, Dia das Mães. Estou longe de minha mãe, estamos separados pela pandemia mundial de Covid-19. Não dou um abraço nela faz tempo. Estando no Brasil da morte, da bandidagem da casa-grande e da demência coletiva, nem sei se podemos nos dar ao luxo de falar "feliz dia das mães" para as mulheres mães. 

- Mãe, te amo! Mães, muita força pra vocês, gratidão a vocês!

Estar vivo tem sido algo de privilégio. Chega a constranger estarmos aqui. Vivo sou uma espécie de privilegiado, como aqueles que não morrem em campos de batalha em meio a bombas que caem e como aqueles prisioneiros que foram ficando na fila da morte e algo aconteceu antes de sua vez chegar.

Hoje, mais de 420 mil famílias brasileiras têm ausências por causa do regime da morte, regime responsável pela maior parte das mortes causadas pelo vírus Sars-Cov-2, o vírus da pandemia de Covid-19. No século XIV, uma peste dizimou parte da população da Europa. Naquela época era difícil responsabilizar alguém porque não havia conhecimento científico suficiente para se conhecer causas e formas de se evitar a morte das pessoas. Hoje, se morre de Covid-19 no Brasil por opção dos humanos no poder. Seria um genocídio? Narrativas...

Acordei cedo e com palpitações e logo medi minha pressão arterial. Estava um pouco alta, mesmo tomando o comprimidinho antes de dormir. Com o passar do tempo, cada pessoa acaba conhecendo melhor a si mesma, pelo menos parte das pessoas. Leio muita coisa em mim... deitei de novo e tentei dormir mais uma hora - não deu certo. Vi meu filho por uns instantes antes dele dormir. Não falei nada, só lhe dei um leve afago com a mão.

DECAMERÃO

Contando meus cem clássicos da literatura mundial, o Decamerão ou Decameron, de Giovanni Boccaccio, foi um dos primeiros livros que li durante a pandemia mundial do novo coronavírus. Fiz a leitura em cem dias, lendo uma novela ou narrativa por dia. Foi legal! 

Reli a biografia do autor disponível no início de minha edição e fiquei pensando - que vida! - esses caras tinham séculos atrás. É impressionante como alguém conseguia escrever livros séculos atrás! 

Quando lemos sobre a vida de Miguel de Cervantes, por exemplo, ficamos estupefatos em imaginar como, de uma vida como aquela, nos chegaram obras, séculos depois, como Dom Quixote de La Mancha. É incrível!

Boccaccio viveu e sobreviveu à Peste Negra que assolou a Europa. Escreveu Decameron entre 1348 e 1353. A introdução da obra é impressionante, ela descreve motivações para reunir as narrativas e conta sobre a Peste e a forma como as pessoas morriam e como aquilo alterou os costumes da sociedade em relação a tudo, exatamente como aconteceu com o mundo após a pandemia de Covid-19 no século XXI.

No livro, no volumoso livro, sete moças e três rapazes se afastam de Florença e buscam lugares nas imediações, tipo casarões abandonados após a morte de seus proprietários, para ficarem juntos e deleitarem o que a vida tem de melhor. São pessoas de posses, têm alguns serviçais à disposição e a vida deles durante os dez dias reunidos é comer, dormir, narrar estórias, apreciar a natureza, e satisfazer seus desejos.

É isso. Foi um grande feito para mim ler o Decameron, de Boccaccio.

William


sábado, 8 de maio de 2021

À la Benjamin Button... (15)



Refeição Cultural

Olhar para trás...


Noite de sábado, 8 de maio de 2021. Noite fria em Osasco, São Paulo. 

Estou olhando para trás em minhas postagens em redes sociais. Não podemos voltar no tempo como o personagem Benjamin Button. Pelo menos não voltamos o relógio biológico para trás. Envelhecemos a cada instante.

O passado e o futuro não existem, o que existe é o instante, o presente. Mas o passado existe à medida que trazemos para o presente eventos passados e os ressignificamos. O futuro será o presente no instante seguinte, a partir do ponto de vista do observador da realidade, porque nela ele está, nela ele é. O real só existe sob a ótica do observador, porque o mundo exterior é interpretado por cada cérebro humano existente no planeta Terra.

PANDEMIA - O "NORMAL" PASSOU DE MIL PARA MAIS DE DUAS MIL MORTES/DIA 

Escrevi no dia 16 de agosto do ano passado que já haviam falecido 107 mil pessoas no Brasil, vítimas da Covid-19. Estava indignado pelo fato de se ter normalizado nos meios de comunicação e manipulação de massa cerca de mil mortes por dia (a imprensa golpista nunca quis tirar o genocida do poder porque apoia a agenda de privatizar tudo). Não era nada demais as mil mortes diárias. A estatística das mortes era noticiada como acidente entre dois carros com uma vítima fatal. Hoje, são mais de duas mil mortes por dia e é mais normal ainda... (e a imprensa golpista segue sem querer tirar o genocida do poder, só quer domá-lo, mas quer manter a agenda dele). 420 mil pessoas morreram de Covid-19 no país.

PAÍS MILICIANO

Mensagens de celulares de milicianos para o "homem da casa de vidro" não despertaram interesse da grande imprensa (PIG). Milicianos mataram a vereadora e líder negra Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes em 14/3/18 e nunca quiseram divulgar os mandantes do crime. Em qualquer lugar sério do planeta, os indícios de crimes graves envolvendo autoridades no poder já teriam mudado a situação política do país, mas aqui é o país jabuticaba, o país da casa-grande e senzala. Nesta semana a polícia chacinou 29 pessoas na favela do Jacarezinho (RJ): um banho de sangue! Esse é o país das milícias, do crime organizado. Caminhamos para ser a Colômbia gigante do continente sul-americano.

Vamos olhar para trás, momentos iniciais da pandemia mundial de Covid-19 no mundo. O novo coronavírus chegou ao Brasil entre fevereiro e março de 2020 e as primeiras vítimas começaram a morrer logo depois. Nós entramos em quarentena a partir do dia 18 de março, quando nosso filho voltou da cidade onde fazia faculdade e passamos a sair de casa só para as coisas mais essenciais, na verdade eu saía. Minha esposa e filho ficaram meses sem pôr os pés para fora de casa em 2020.

Comecei a ler mais a partir daquele momento. Um dos primeiros livros que li durante a pandemia foi o Decameron, de Giovanni Boccaccio, um livro clássico cujo pano de fundo da estória é o isolamento de dez jovens da bela Florença para narrarem novelas durante os 10 dias em que estiveram juntos. Eles fugiam da pandemia de peste negra que assolava a Europa e a Itália no século XIV.

Vamos olhar para trás. Eu li uma narrativa por dia, foram 100 dias de Decameron. Durante a leitura diária eu torcia para sobreviver e chegar ao fim das 100 narrativas. 

Ainda estou por aqui.

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30/4/20

Decameron, 29 dias, 29 novelas

Uma mulher enfrenta todo tipo de humilhação por parte daquele que a toma por esposa. A novela evidencia o tempo todo o quanto é absurda a condição das mulheres ao longo da história das sociedades machistas e misóginas.

Poderia ser diferente séculos depois... poderia. No entanto, num país jabuticaba, lá no século 21, dezenas de mulheres brancas, pretas, pardas, amarelas, votaram num monstro a favor do estupro, da tortura, que entende que mulher deve ter menos direitos e que seres humanos do sexo feminino são frutos de fraquejadas.

Que dizer sobre essa decisão de milhões de mulheres do país jabuticaba?

O monstro eleito diria: E DAÍ?


29/4/20

28ª novela do Decameron

Eu cheguei a rabiscar no canto da página que a estória não tinha verossimilhança... mas no parágrafo seguinte, me lembrei do Brasil dos bolsonaristas, dos pastores evangélicos mancomunados com o bolsonarismo, das bestas chamadas de "gado" que acreditam em qualquer absurdo e pensei... se eu lesse no futuro sobre esse momento do Brasil e dos brasileiros, eu acharia que a história não teria verossimilhança.

A NOVELA - Um marido é enganado por um abade, que faz ele achar que morreu e foi para o Purgatório por ser ciumento, o abade fica com a mulher dele por 10 meses, engravida ela, tira o trouxa do quarto escuro que se fazia de limbo, e o bolsonarista (ops!) acredita que foi ressuscitado e fica de bem com a vida, com o abade, com o filho do outro, com a santa esposa...

Post Scriptum:

Qual seria ficção, o Brasil ou o Decameron?

Ao ler Sapiens de Yuval Harari, imagino que ele responderia na lata: - os dois!


28/4/20

27ª decamerada (faltam só 73 agora...)

Tebaldo, amante de uma jovem esposa, é repelido por ela por causa de uma sessão de confidência a um frade. Anos depois, Tebaldo volta, salva o marido dela, desvenda um crime, e faz todo mundo viver feliz pra sempre, inclusive com os amantes voltando a se encontrarem. Foi uma das novelas com melhor estrutura romanesca até agora.

Instantes... li cansado, pois foi dia de limpeza em casa (segue amanhã).

A estória foi longa, mas o enredo ajudou.

O jovem amante, Tebaldo, faz um longo discurso falando da safadeza dos frades daquela época, que não eram mais santos como antes. Que agora só queriam saber de roupas de luxo, arrancar dinheiro de pobres, mulheres e homens (ele disse "uns bestas").

Caraca! O personagem nos descreveu os canalhas dos tais "bispos" e "pastores" de hoje, que ajudaram a f... o Brasil, transformando pessoas simples e honestas em bestas... (Decameron é tão atual...)


(ainda 28/4/20)

Instantes...

Li um conto pela manhã. Vários interesses na fila de leitura. Mesmo sendo um à toa hoje, o tempo não tá prestando pra nada, quando vê é tarde, quando vê é noite, quando vê não fizemos o que queríamos. O tempo psicológico é muito mais cruel que o tempo da física do universo. É porque estamos caminhando pro fim desde que nascemos. Uns tão mais adiante, outros mais atrás. E ainda me vem essa merda de Covid-19. A vida não tem graça sem sair à rua; pior ainda ter que usar aquelas merdas na cara. E lavar tudo que entra em casa, então? Que saco, que merda! E ainda tem o mundo destruído pelos golpistas; tem a miséria geral do povo no mundo; uns desgraçados no bem bom f... o povo. Que preguiça desgraçada de lavar o banheiro e limpar a casa, mas a gente tem que fazer o que tem que ser feito. E eu fico me perguntando pra que isso, pra que aquilo, se ao final é tudo uma solidão só do existir, mesmo acompanhado, mesmo na multidão. E ainda tem a pressão alta, e o cuidar-se pro corpo não explodir ou falhar... casa pra limpar, isolamento social por fazer, coisas pra ler sem ler. E as memórias que poderiam ser escritas pra ninguém ler... quanta inutilidade, nem sabemos que mundo vai ter. Saco, saco com tudo isso! Que se fodam ao menos os desgraçados que causaram o mal generalizado, porque do lado de cá, do povão, o sofrimento é cotidiano mesmo, com ou sem pandemia, com ou sem bico sem direitos trabalhistas (trabalho intermitente, precário).

Post Scriptum:

O sofrimento é sério, mesmo com direitos sociais de "classe média", mas sem direito à felicidade, sem ser feliz, ou por não ter direito ou por não saber mesmo como abstrair de tudo que infelicita. Como ser feliz em meio a tanta miséria alheia, ao redor, tendo consciência que isso é projeto, é proposital, planejado por uns desgraçados?


27/4/20

26ª decamerada

A jovem Catella é enganada por um homem ao aproveitar-se do ciúme dela em relação ao marido. Achei o final da estória absurdo e sem verossimilhança. Nenhuma pessoa traída (e que ama de verdade) se comportaria - a personagem - passando a ser amante do fdp que a sacaneou.

A não ser, é claro, que todo o enredo se passasse no país jabuticaba, mais irreal que qualquer terra do nunca, onde preto é racista, funcionário público é contra empresa pública, religioso é o diabo e defende o ódio... onde elegem aquilo que elegeram... mas numa boa ficção há que se ter verossimilhança... SÓ O BRASIL É INVEROSSÍMIL!


26/4/20

Decameron, 25 novelas lidas

25° dia de decamerendas... marido avarento deixa um jovem falar a sós com sua mulher em troca de um belo cavalo... mulher ficou p. da vida com isso e marido encontrou o que procurou...

Faltam 75 dias para terminar as 100 novelas decamerônicas. A pandemia avança fazendo vítimas, o vírus procura corpos em todo canto... além do risco virótico de morrer, ainda temos o risco de morrer de tristeza tendo um treco fatal no corpo sofrido... 75 dias parecem uma eternidade... mas hoje estive vivo.


25/4/20

24 estórias do Decameron

A jovem Isabetta trai o marido, frade Puccio, com o monge dom Félix. O tom provocativo e irônico da novela me fez imaginar como seria ler tal estória na Idade Média...

Enquanto isso no Brasil... Moro trai Bolsonaro, que trai Moro, que trai a deputada que é o demônio... a traição, a mentira e a sacanagem se transformam em instrumentos de gestão do cabaré Brasil... coitado do Boccaccio, nem ele conseguiria criar na ficção a realidade dessa desgraça que PIG, Lava Jato e casa-grande nos colocou...

(Segue o enterro... sem velório! Tá proibido por causa da pandemia das pestes)


24/4/20

23 dias de novelas do Decameron

Uma esposa usa um padre para atrair um amante ao leito assim que o marido viaja (fazendo-se de honesta...)

É a própria representação da realidade da zona do governo no país jabuticaba...


23/4/20

22, 22 (78 faltantes...)

Decamerei mais um dia. Estória meio esquisita, bem ao estilo de tempos loucos, de pandemias viróticas, mentais e morais.

Um sujeito dorme com a rainha através de uma artimanha; a rainha não sabe que transou com outro; o rei descobre, mas se vê impedido de punir o culpado; o culpado sai ileso por usar a inteligência. Fica tudo por isso mesmo...

Pois é... enquanto isso no Brasil... uma sujeita "empresária" de Curitiba "reedita" o decreto de Hitler e sugere marcar com laço vermelho as pessoas que respeitam a quarentena para frear o avanço da pandemia do Covid-19...

Ver essas coisas ficarem impunes fere tanto o ser humano ainda moral que é perigoso ele morrer antes de acabar o Decameron por tristeza e suas consequências corporais... pressão, AVC, infarto, câncer, depressão... difícil ver tanta degradação e destruição do que ajudamos a construir em décadas de lutas coletivas...

Aguenta aí, corpo meu! Por favor! Tem pessoas que precisam de mim...


22/4/20

Instantes... (não vou falar da porcaria do vírus que virou desculpa pra tudo!)

- E o dólar que fechou a R$ 5,41...
- E os mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (tudo combinado naquele endereço famoso no Rio)...
- E a Lava Jato, a destruição das cadeias produtivas no Brasil (tudo combinado com os Estados Unidos)...
- E aqueles procuradores que agiram pra enriquecimento próprio...
- E aquele juiz que virou "ministro"...
- E o PSDB do Aécio, do FHC, do Serra e do Chuchu...
- E a Globo que continua por aí manipulando nós todos...
- E a "Justiça" que não tá nem aí para os crimes diários da milícia no poder...
- E o Temer, nossa!, cadê o Temer...
- E as reformas que acabaram com os direitos trabalhistas e previdenciários e com o orçamento do SUS...
Porra, e os problemas da classe trabalhadora como miséria, fome, morte, desemprego, falta de esperança, falta de tudo e nada de cidadania vão ser atribuídos à pandemia do Covid-19?
Meu, cadê um meteoro pra cair no meio dessa merda toda e acabar com essa espécie animal que não deu certo (como os deuses dos povos maias-quichê fizeram com os homens de barro e madeira nas lendas do Popol Vuh)?
Me ajudem! Me ajudem!


22/4/20

21 dias, 21 estórias do Decameron

A 3ª jornada começou e a lascívia será o carro chefe desta série de narrativas...

Nesta 1ª, um jovem vai trabalhar num convento com 9 mulheres e os pecados da carne vencem as batalhas com o céu.

O besta aqui estava horrorizado pensando no impacto da obra em 1353... os homens e as mulheres são os mesmos de hoje, que votam e apoiam o "messias" defensor da tortura, do ódio e que limpa remela do nariz na mão e pega na mão dos outros na multidão em tempos de pandemia... besta sou eu em achar que os homens são bichos morais...


21/4/20

Lendo Decameron, de Giovanni Boccaccio

"Gente, é isso! Já sobrevivi até aqui. Estou me cuidando e seguindo as recomendações das autoridades de saúde. Vamos ver se sobrevivo mais 80 dias para ler as outras 80 narrativas do clássico..." (trecho de postagem feita no blog no dia que completei a leitura de 20 narrativas)


20/4/20

19 novelas do Decameron (19 dias)

Ao ler hoje a estória de Genebra, esposa honesta de um mercador, que foi enganado e mandou castigar a esposa inocente (a estória tem final feliz), fiquei pensando na ingratidão humana e no quanto às vezes acho que os humanos não valem a pena. As pessoas são facilmente enganadas através de fake news e maledicências e o cotidiano social vira uma merda só. A gente vê gente mal-agradecida em casa, no trabalho, na sociedade ao redor da gente... Saco cheio de tudo e de todos!

Será que duro os 81 dias que faltam pra acabar o Decameron? Se não durar, que se foda também!

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Ulysses - Telêmaco (A Torre)



Refeição Cultural

"- Quanto, senhor? perguntou a velha.
- Um quartilho, Stephen disse.
Ele a observou que vertia na medida e dali para a jarra gordo leite branco, não seu. Peitos velhos mirrados. Verteu de novo uma medida e uma quebra. Secreta e velha, entrara vinda de um mundo matinal, quem sabe uma mensageira. Louvava a virtude do leite, vertendo. Agachada ao lado de uma vaca paciente na aurora do campo opulento, uma bruxa em seu cogumelo, velozes os dedos enrugados nas tetas que espirravam. Mugiam em volta dela, sua conhecida, gado sedosorvalhado. Seda da grei e pobre velhinha, nomes que ganhara nos tempos antigos. Uma velhusca errante, forma rebaixada de um imortal servindo seu conquistador e seu alegre traidor, ambos adúlteros seus, ela, núncio da manhã secreta. Servir ou vergastar, ele não sabia dizer qual: mas desdenhava implorar seu favor.
" (p. 111)


Neste sábado, iniciei minha epopeia joyceana e embarquei no clássico Ulysses (1922). Começamos a vivenciar o dia 16 de junho de 1904 em Dublin, Irlanda, às 8 horas da manhã, junto a Stephen Dedalus, Leopold Bloom e Molly Bloom.

A cena inicial é na torre, vendo a baía de Dublin lá embaixo. Aparecem os personagens Buck Mulligan, Stephen Dedalus e Haines. O último deles, um inglês, curioso com os seus colonizados. Mulligan cita a famosa cena da mãe de Dedalus, que morreu sem ter seu pedido atendido pelo filho, de ajoelhar e rezar junto ao seu leito de morte. Após o café da manhã, sorvido com o bom leite gordo da cena que citei acima, Dedalus vai para seu trabalho, para a escola onde leciona.

Na escola, uma cena chama a atenção dos leitores: a questão judaica, o preconceito e a raiva evidente que se têm dos judeus, vistas durante o diálogo entre Dedalus e o diretor Deasy. (basta lembrarmos que Joyce escreveu Ulysses na década de 1910. A Europa viveu no período o morticínio da 1ª Guerra e a questão antissemita era um forte traço da época e do mundo ocidental)

Que dizer então do preconceito contra as mulheres? A fala de Deasy sobre as mulheres é pavorosa! Todos os males da humanidade seriam por culpa delas.

"O senhor Deasy baixou a cabeça e segurou por um momento as narinas beliscadas entre os dedos. Erguendo novamente os olhos ele as libertou.
- Eu sou mais feliz do que o senhor, ele disse. Nós cometemos muitos erros e muitos pecados. Uma mulher trouxe o pecado ao mundo. Por uma mulher que não valia um merréis de mel coado, Helena, a esposa fujona de Menelau, por dez anos os gregos guerrearam contra Troia. Uma mulher infiel trouxe os primeiros estrangeiros aqui às nossas praias, a esposa de MacMurrough e seu amásio O'Rourke, príncipe de Breffni. Uma mulher também derrubou Parnell. Muitos erros, muitos fracassos mas não o único pecado. Eu sou um lutador já no fim dos meus dias. Mas vou lutar pelo que é certo até o fim.
" (p. 138)

Parei a leitura da manhã para descansar um pouco e tomar um café. Vou terminar ainda neste sábado à tarde o capítulo 3 - "Proteu" - com o monólogo de Stephen na praia. Já li o capítulo 2 - "Nestor" - que se passa na escola.

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Terminei a leitura do Capítulo 3 por volta das 16 horas. O monólogo interior de Stephen Dedalus foi a parte mais difícil da leitura. 

"Será que eu estou caminhando para a eternidade pela praia de Sandymount? Esmaga, esmigalha, estraga, estrala..." (p. 141)

De fato, ao sair para dar uma corrida, fiquei tentando perceber tudo o que pensamos e é uma loucura, desde o momento em que começamos a prestar atenção até o momento em que não conseguimos acompanhar mais o próprio fluxo de pensamento. Nós somos uns bichos muito esquisitos.

"Que saco essa máscara e esses óculos embaçados. Mas elevador é um dos locais com maior risco de se contrair o vírus maldito... Está friozinho... Não acho que vai chover. Vamos pro lado do Parque... Puta trânsito! Meu, e pensar que já estava correndo 15K e agora voltei a custar correr 5K, que merda isso..."

Dedalus anda pela praia, observa o que acontece ao redor, pensa em eventos do trabalho (a carta do diretor), da família (indo à casa da tia Sara), pensa em si próprio. 

Fiquei pensando também na questão do tempo na literatura. O primeiro capítulo se passa a partir das 8 horas da manhã. Stephen toma café, sai para a escola, dá aula, conversa com o diretor e recebe seu pagamento, e anda pela praia. Iria à casa da tia, mas quando dá por si, já tinha passado do ponto andando pela praia, divagando em seus pensamentos.

Em literatura temos técnicas que aceleram e que retardam o tempo nas narrativas, temos cenas e sumários, temos reminiscências etc. E temos autores que inovam em técnicas narrativas. O monólogo interior ou fluxo de pensamento é uma técnica bastante sofisticada.

"Depositou a meleca seca retirada da narina em uma ponta de pedra, cuidadosamente. De resto olhe quem quiser." (p. 159)

Enfim, o capítulo termina com Stephen tirando meleca do nariz. E disse que não ligava se alguém visse, mas olha imediatamente pra trás preocupado com alguém ver o que acabara de fazer.

Odisseia em andamento (a minha), já que as duas odisseias estão em andamento, a do Odisseu grego (Ulisses) e a do Odisseu irlandês.

William


Post Scriptum: a sequência da leitura está na postagem aqui.


Bibliografia:

JOYCE, James. Ulysses. Tradução de Caetano W. Galindo. 1ª ed. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2012.


sexta-feira, 7 de maio de 2021

À la Benjamin Button... (14)



Refeição Cultural

Olhar para trás...


Reflexões e instantes registrados por mim em rede social. Eu avalio que as anotações desses últimos 3 anos não tiveram relevância social, coletiva. São momentos de um ser humano situado em um certo tempo e lugar na breve história humana.

Ao olhar para trás em minha vida, avalio honestamente que minhas contribuições para a sociedade humana foram basicamente realizadas durante os mandatos que exerci na Cassi e no movimento sindical. 

Após as funções sociais de representação que exerci até 2018 minha existência voltou a ser uma busca pessoal por sentidos e significações. Busca muito mais difícil porque ela é de natureza egocêntrica. 

Se conseguir olhar bem para trás na memória e nos registros - muitos e muitos anos - talvez eu encontre até os caminhos que me levaram a ser o que fui nas 4 décadas juvenis e adultas que vivi.



26/3/21

3650

1. Não são 3650 bolsas de doutorado e mestrado em benefício da educação e cultura.

2. Não são 3650 armas recolhidas junto à população em alguma campanha pela paz e pela vida.

3. Não são 3650 novas vagas de bancári@s para atender melhor a população brasileira.

4. Não são 3650 famílias da agricultura familiar beneficiadas com financiamentos subsidiados, nem são 3650 famílias beneficiadas com um quinhão de terra de reforma agrária.

5. Não são 3650 coisas positivas para o povo brasileiro. Não são.

São 3650 mortos pelo vírus que Bolsonaro adotou como principal ferramenta de seu governo de morte. 

Ele queria 30.000 mortos no Brasil. Agora ele tem o poder e o apoio de gente pra conseguir 30.000 mortos em uma semana...

3650.

PS: não me surpreendo pelo fato desse sujeito ser o mito da parte mais escrota, canalha e psicopata da população brasileira (uma minoria, pois a humanidade tem muita gente boa).


23/3/21

1. O fascismo no poder, com apoio da casa-grande que deu o golpe. 2. As milícias do regime armadas até os dentes e espumando escrotices. 3. Quando vier o terror ou a guerra civil, só eles estarão armados. 4. A única chance de o totalitarismo fascista não vencer e vigorar por décadas, eliminando quem for oposição é a parte civil contrária ao fascismo se armar e se defender, como a lei do regime no poder define. 5. O povo contrário ao regime (a outra terça parte) deve se armar e aprender a se defender... não há mais saída institucional para a democracia brasileira. 6. É o que concluo vendo a realidade ao meu redor.


17/3/21

MOBY DICK - Ler e ficar em casa é um ato de cidadania para aqueles que não precisam sair para trabalhar ou trabalham em casa.

(Nem sei o que dizer ao ver o Datafolha dizer que 50% do povo não quer o impeachment de Bolsonaro... que decepção com o ser humano... mas quero sobreviver.)


14/3/21

MARIELLE VIVE!

Passei o dia longe de redes sociais. Peguei pra ler um livro de Conceição Evaristo - Becos da Memória. 200 págs. Quero terminar ainda hoje.

3 anos que assassinaram Marielle Franco e Anderson.

Marielle vive porque seus ideais são nossos ideais.

(horas depois, acabei a leitura do livro):

LITERATURA E A CONDIÇÃO DAS MULHERES

Conceição Evaristo é uma leitura profunda, impossível não mergulharmos em nós mesmos e nos problemas do Brasil ao lermos esta fantástica mulher intelectual brasileira e a questão das negras e negros em seus romances. Aliás, desta obra tiro a dor que sinto no peito já faz algum tempo... BANZO...


13/3/21

LUGAR DE GOLPISTAS E GENOCIDAS É NA CADEIA

Li na imprensa golpista (PIG) que a líder do golpe na Bolívia, Jeanine Añez, foi presa. O golpe lá teve apoio do PIG daqui... desejo que ela tenha um julgamento justo.

Nós ainda vamos ver os milicianos genocidas daqui presos também. Não faltam provas. Aqui faltam convicções. (sabe como é, ainda tem patrimônio público pra roubar e direitos sociais a destruir, por isso os bandidos ainda estão no poder)

Nada como um dia após o outro...


12/3/21

JÁ PENSOU SE...

Eu fico imaginando, só imaginando, se um dia vier à tona novas informações sobre a fakeada igual veio à tona a farsa da Lava Jato, com diálogos e o escambau, seria mais uma tramoia dentro da série de tramoias feitas em 2018 para entregar as riquezas do Brasil aos gringos (petróleo) e jogar no lixo os direitos do povo. Pensa se um dia vier à tona mais informações da tramoia... sumiram com todas as imagens gravadas no dia assim como sumiram as mensagens dos trocentos celulares do miliciano Adriano...


11/3/21

(VIAGEM) 4º DIA DE MOBY DICK

PLR... acreditem, fui encontrar remuneração por resultados (PLR) na embarcação baleeira Pequod, do capitão Acab e de seus demais proprietários... Que coisa, heim (1851)!


07/3/21

LITERATURA: fiz no blog postagem sobre leitura final de Madame Bovary.

"O destino da filha dos Bovary é o retrato ainda atual do capitalismo e da burguesia. Esse sistema não nos serve! Não nos serve! É assim que fecho essa postagem sobre o clássico de Flaubert."


06/3/21

INSTANTES

Sábado 6 de março. Após ver o instante de algumas pessoas na rede social, me levantei. O algoritmo do Facebook me mostrou pessoas queridas do Norte (Belém), do Centro-oeste (Brasília) e outras regiões do país. Vi o instante de algumas pessoas queridas e de visão de mundo semelhante a minha, de esquerda e socialista. É como o algoritmo separa o que vemos, por bolhas de afinidades.

Neste instante em que escrevo (11h32) ouço Kitaro, tomo uma vitamina de banana e mamão. Me programei pra acabar mais um livro que nunca terminei de ler (estou fazendo isso nesta pandemia, são vários livros iniciados há anos: nunca se sabe se estou com o vírus e desapareço dali a dias).

Tenho que fazer uma conversa sem perspectiva com um idoso de quase oitenta anos, pedir pra ele ficar em casa nas próximas semanas de mortes da pandemia. Mas acho que ñ vai dar em nada a insistência. É duro isso. O mundo é complicado. As pessoas são como são. Se ele pegar o vírus, podem morrer pessoas queridas.

Sei que isso está acontecendo com milhares de famílias neste Brasil destruído pelo golpe e por um genocídio regido pela elite que adotou o mal para ampliar sua acumulação capitalista se apropriando da coisa pública e dos direitos dos povos. (E as consequências do regime fascista mantido pela elite ficam dentro dos lares e nas ruas lotadas de gente sem nada)

Desejo um dia fecundo aos amig@s que lerem esse instante. Nem queria escrever, mas a gente tem uma coisa que faz a gente gastar um tempão escolhendo palavras pra registrar o sentimento.

Espero que vcs e seus entes querid@s sobrevivam ao vírus, às mortes várias, ao fascismo que avança.


05/3/21 (é desse dia a foto que ilustra a postagem)

INSTANTES (PERFUME DA DAMA DA NOITE)

Sabemos que há um genocídio em andamento onde vivo. As mortes de milhares de pessoas nos trazem muita dor. Mas o poeta Drummond termina o poema "Passagem da noite" dizendo assim "o essencial é viver!".

Estou tentando. No silêncio da noite, saí para correr. Me senti vivo. Conversei comigo mesmo. Mesmo na escuridão, sei que passei embaixo de flamboyants, quaresmeiras, ipês, patas de vaca e, especialmente, passei algumas vezes ao lado de damas da noite... O PERFUME ME ENCANTOU! Foi tanto encanto que até dobrei o percurso para sentir duas vezes o perfume. Com isso, corri 10K. Que cheiro delicioso da dama da noite! 

Sobrevivam, amig@s querid@s! (As corridas são momentos solitários, sem aglomeração alguma). Se cuidem! A morte nos ronda por Covid-19 e por fascismo.


03/3/21

TERCEIRIZAÇÃO TOTAL DA CASSI - cada vez que vejo os absurdos que estão em andamento na Caixa de Assistência dos Funcionários do BB, fico desesperado e penso logo em escrever a respeito. No minuto seguinte vem a voz da razão e me cutuca dizendo "- Pra quê?". Passei 4 anos andando o país, envolvendo os participantes do sistema Cassi e politizando as questões de saúde e o modelo assistencial da autogestão com o conjunto das lideranças e representações da comunidade BB pra ver que hoje, nem as entidades sindicais se importam mais com a questão da terceirização total do nosso sistema de saúde Cassi. Já fiz alguns artigos levantando a questão e nas reuniões das entidades com a Cassi e o banco nem tchum... li um longo texto do diretor de saúde atual falando dos projetos de terceirização e assim como eu qualquer pessoa poderia ver o que está ocorrendo. Enfim, que saco tudo isso! É o que temos pro momento...


02/3/21

FICÇÃO E REALIDADE - Fim da leitura sobre a família Corleone e o poder das máfias (O chefão). Que chato! (não o livro, a constatação da realidade) A ficção dos anos 70 nos lembra que a realidade pode ser até pior que as estórias e narrativas ficcionais. O que virou o Brasil? Que tristeza!


28/2/21

INSTANTES

Chove lá fora e aqui... seguimos lendo O chefão, de Mario Puzo... bom domingo e boas leituras. Fiquem em casa e contribuam para evitar a expansão da contaminação do vírus da morte, Covid-19.


24/2/21

INSTANTES

O dia vai terminando. Tive momentos de reflexão sobre o destino da sociedade humana. Sei que é ousado pensar sobre algo tão importante e total como o destino da humanidade. Mas entendo que pensar o mundo é direito e obrigação de alguém politizado (mesmo estando fora das frentes de luta). Confesso que não sei o que fazer para contribuir para a luta social por mudanças que melhorem a vida das pessoas neste momento.

Estive envolvido em projetos coletivos por duas décadas e sei que contribuí de alguma forma para a construção daquele Brasil que avançava lentamente na melhoria da vida do povo durante os governos democráticos e populares do Partido dos Trabalhadores, porque eu era um militante orgânico das lutas sociais com mandatos de representação de trabalhadores.

Hoje, retirado, ainda não encontrei a forma de contribuir para a coletividade. Minha contribuição foi uma oportunidade que tive entre 2002 e 2018. Não me vejo pleiteando funções políticas no movimento social e não tenho a natureza admirável daqueles e daquelas que construíram e lideraram as lutas históricas e diárias da classe trabalhadora brasileira. Fiz o meu melhor enquanto tive papéis a desempenhar no movimento sindical enquanto eu coube nele.

Avalio que meu espaço de contribuição foi possível enquanto o movimento social em geral era mais aberto às divergências. Isso mudou da mesma forma que as pessoas mudaram, da mesma forma que o mundo mudou. As redes sociais e outras questões comportamentais mudaram as pessoas. A política que fazíamos de construir projetos e unidade com debates abertos e de opiniões diferentes não funciona mais, paciência e tolerância eram comportamentos básicos, que não existem mais. Vida que segue... não deixei de ser de esquerda, pelo contrário, a cada dia que passa mais certeza tenho a respeito do socialismo e da necessidade do fim do capitalismo para que a vida continue no planeta.

Continuo preocupado com a vida das pessoas, com o sentimento de indignação com a injustiça social. Mas sei que a esquerda institucional não tem mais espaço para a divergência como aprendi em duas décadas de convivência com o movimento organizado. E sei que todos perdemos com isso. Vejam a realidade ao nosso redor.

Não me encontrei ainda nesses dois anos e meio fora do movimento organizado. Suspeito inclusive que o movimento organizado não se encontrou mais após o golpe de Estado (2016) e após essas mudanças comportamentais que as pessoas e a sociedade sofreram. É duro confessar que estamos perdidos... é mais duro ainda vermos as notícias diárias nos últimos anos e vermos que não existe oposição que inspire simpatia e esperança no combate ao regime neofascista e à onda de extrema direita que tomou conta da sociedade brasileira neste momento da história.

Instantes... fiquei pensando o que poderia ser neste momento de minha vida e da sociedade em que vivemos. Se eu tivesse competência, seria escritor. Não acho que tenha competência para isso. Talvez eu pudesse ser só "blogueiro", mas isso é algo tão vago... sou blogueiro há uns 13 anos, mas tive leitores consideráveis enquanto meu lugar de fala foi de representante formal dos trabalhadores.

Hoje, meus blogs têm um acesso mensal até considerável para espaços de produção de texto, mas é um acesso pequeno comparado a canais de comunicação com áudio e vídeo, porque vídeos e imagens é que chamam atenção (e não tenho saco pra tentar ser um youtuber). Enfim, sigo procurando algo que possa contribuir para mudar o mundo. Pelo meu conhecimento de mundo e de luta contra o capitalismo, sei que manter informações em redes sociais como Facebook é muito complicado porque somos commodities do capitalismo e isso me incomoda muito: ser banco de dados para ser usado pelo sistema é foda. Gostaria de apagar todas as minhas informações em redes sociais, mas isso é difícil de fazer. 

Já os blogs são sites, são um pouco diferentes de redes sociais.

Enfim, ainda estou procurando uma forma de contribuir com o movimento de esquerda, com mudanças do mundo horrível que vemos ao nosso redor. 

Escrevo em blog, mas pouca gente lê blogs hoje.

Abraços aos amig@s que leram minha reflexão desse instante.

William


19/2/21

OVO DA SERPENTE

Nessa madrugada, antes de dormir, vi o vídeo do fascista bolsonarista preso pela suprema corte. Me deu um cansaço... custei ver até o fim. É repugnante. Mas é o mesmo que ouvi nos últimos 15 anos dos apresentadores de TV e meios de comunicação contra a esquerda, inclusive contra autoridades de esquerda no poder como o presidente Lula e a presidenta Dilma. Tudo que ele vomitou de ódio e ameaças é idêntico ao que fizeram contra nós do campo da esquerda. Os adesivos nos carros com preconceito contra a deficiência física de Lula ("nine"), o adesivo asqueroso contra Dilma na entrada de combustível nos carros e as manchetes de jornais, o JN e as capas da revista Veja. Foram mais de 15 anos de linguagem fascista por parte da Globo, Folha, Estadão, Abril, "jornalistas", gente que come de talher e usa roupa de grife. Que cansaço. Destruíram nosso mundo, nossa vida, nossas relações familiares e de convívio com os outros. E os responsáveis por Bolsonaro e esses trogloditas que o apoiam estão todos soltos, livres e sem arrependimento algum do que fizeram com o Brasil e conosco. Que cansaço...


15/2/21

FLORES

Ofereço flores aos que sofrem. Resistam, por favor! Não se envenenem nas drogas como o álcool. Resistam. Precisamos de vcs para vencer os fascistas e a pandemia. Sobrevivam, por favor! (a postagem trazia a foto da nossa linda violeta)


05/2/21

DEATH NOTE

Qual progressista não gostaria de ter um Death Note na mão? Se teríamos ou não diversos Light Yagami nunca saberemos...


070521 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Sexta-feira nublada e fria em Osasco, São Paulo.

Sigo na leitura do livro do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis - O Verdadeiro Criador de Tudo - Como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos (2020). Ontem à noite cheguei à página 298 e agora vou começar o capítulo 11 - "Como abstrações mentais, vírus informacionais e hiperconectividade criam brainets letais, escolas de pensamento e zeitgeist". As teses e argumentações do cientista têm feito com que eu pense muito a respeito da vida e das coisas do mundo.

O livro e as teses de Nicolelis abordam questões que parte de nós pensa a respeito há muito tempo: conceitos de tempo e espaço, o que é a vida, o que seria a verdade, qual o significado das coisas, o que é realidade e o que é imaginação, o que é o ser humano, o universo etc. Quando olho para trás vejo que essas questões me incomodam desde que me entendo por gente. Passei a vida em busca de respostas a perguntas malfeitas ou sequer pronunciadas, mas sentidas dentro de mim. 

Ler ciência é diferente de ler literatura, de ler história, de ler filosofia, de ler poesia. É e não é diferente das outras leituras. Após a leitura de Nicolelis o olhar para as coisas do mundo ficou diferente ou ficou mais claro para o que sou neste instante de minha curta existência. Eu senti algo dentro de mim quando estudei anatomia e outras disciplinas biológicas nos anos noventa. De novo sinto algo diferente ao ler sobre o cérebro humano, o criador de tudo. (parei o texto e fiquei pensando, mas bateu um cansaço danado...)

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Estou cansado. O cansaço nunca é o mesmo. Me lembro do cansaço dos dias de trabalho na Cassi. Eu trabalhava tanto que achava que iria morrer. Já nos primeiros meses, sozinho em Brasília, achava que o corpo não aguentaria aqueles 48 meses de mandato. Agora sinto um cansaço ao ver a Cassi sendo desfeita pelo poder que lá está...

Mas também me lembro dos cansaços das greves que nós fazíamos na categoria e que éramos responsáveis por aqueles milhares de colegas trabalhadores. Um cansaço incorporado na história de luta da classe trabalhadora. É um cansaço quase santificado, se santificação houvesse. É história humana, das boas!

Nestes dois casos, o cansaço era do peso do mundo em nossas mãos, a vida de dezenas de milhares de pessoas em nossas mãos. Passado não é nada quando não há registro, mas liderei e lidei com milhares de pessoas um dia em minha curta existência.

Lendo sobre o cérebro humano, e compreendendo ele, sou capaz de lembrar do cansaço de trabalhar 3 dias sem dormir naquela lanchonete do Itaim Bibi, o New Dog. 

Me lembro do cansaço das entregas de remédio que fazia de bicicleta em Uberlândia, eu era tão menino e achava que iria morrer de cansaço ao atravessar a cidade gigante para cima e para baixo entregando encomendas da Med Jato Drogarias.

Estou cansado da pandemia. Da banalidade do mal do bolsonarismo. De bolsonaristas filhos de chocadeira que estão ao nosso redor. Cansado de entrar em rede social e na internet. E cansado das notícias. Mas sou legião, todos estamos cansados. (cansado de usar máscara e talvez nunca mais deixemos de usar... que preguiça de sair assim pro mundo)

Não abro mão do existir. Mesmo cansado. Com a ciência aprendi que tudo muda, mudança é o instante que passa. Mesmo que nossa percepção entenda o viver como rotina... não há rotina. O animal que acabou esta postagem não é mais o mesmo.

Hoje sei que meu cansaço não importa. Sou um ser vivo e existir é oportunidade de vida e risco de morte. Não há mistificações. 

Ainda pensando o mundo a partir das explicações do neurocientista Miguel Nicolelis, os bilhões de seres humanos que já passaram pelo planeta participaram de uma espécie de construção coletiva do cérebro que temos hoje. Registros individuais e coletivos, interações coletivas. Brainets. Nossos cérebros são computadores orgânicos que atuam para o corpo sobreviver no meio em que está inserido.

Os registros ficam em nossos corpos, através das interações que ocorrem nos ambientes em que vivemos e que influenciam novamente os cérebros humanos, nossos computadores orgânicos. (fico pensando nos registros humanos que eu possa ter deixado para essa coletividade...)

Fim.

William

quinta-feira, 6 de maio de 2021

060521 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

"Senão quando, estando eu ocupado em preparar e apurar a minha invenção, recebi em cheio um golpe de ar; adoeci logo e não me tratei. Tinha o emplasto no cérebro; trazia comigo a ideia fixa dos doidos e dos fortes. Via-me ao longe, ascender do chão das turbas, e remontar ao céu, como uma águia imortal, e não é diante de tão excelso espetáculo que um homem pode sentir a dor que o punge. No outro dia estava pior; tratei-me enfim, mas incompletamente, sem método, nem cuidado, nem persistência; tal foi a origem do mal que me trouxe à eternidade. Sabem já que morri numa sexta-feira, dia aziago, e creio haver provado que foi a minha invenção que me matou. Há demonstrações menos lúcidas e não menos triunfantes." (ASSIS, 1995, p. 181)


UM GOLPE DE AR? UMA IDEIA FIXA? O VÍRUS COVID?

O defunto autor Brás Cubas nos conta em suas Memórias Póstumas do que morreu. Morreu de uma pneumonia, segundo ele pega ao perseguir uma ideia fixa, a invenção de um emplasto para "aliviar a nossa melancólica humanidade". De repente, veio uma corrente de ar e acabou com tudo. 

"Vinha a corrente de ar, que vence em eficácia o cálculo humano, e lá se ia tudo. Assim corre a sorte dos homens".

Ontem fui dormir preocupado, cismado, e com raiva, estressado. Dei uns dois ou três espirros e já comecei a pensar merda. Às vezes, espirro porque tenho algum cílio ou pelo na garganta, enquanto não sai não paro de espirrar. Era o caso dos primeiros espirros ontem. Só que após tirar o pelinho, espirrei mais uma ou duas vezes. E uma coriza leve apareceu. Estresse!

Estamos vivendo em meio a uma pandemia mundial de coronavírus. Todo dia morrem milhares de pessoas. No momento, nem resfriado nem gripe podemos ter mais porque a primeira coisa que nos vem à cabeça é que pegamos Covid. E se pegarmos Covid pode ser que a vida se acabe dali a alguns dias. Que merda tudo isso! 

No começo da pandemia não tinha vacina. Agora estamos morrendo no Brasil sabendo que poderíamos estar todos vacinados. Isso porque estamos sob um regime psicopata e genocida. Que merda tudo isso!

Me lembrei do defunto autor de Machado de Assis porque até minha esposa usou o argumento de que talvez eu estivesse espirrando por tomar uma corrente de ar gelado da noite, já que estava lendo e escrevendo na pequena sacada de casa. 

Essas argumentações que nós humanos usamos em momentos assim são subterfúgios para aliviar preocupações ou momentos de riscos e coisas ruins. Faz parte do nosso kit sobrevivência, só o animal humano tem essas ferramentas psicológicas.

O engraçado é que minha esposa sempre faz gozação com essa história de "constipar", de resfriar ao receber ar frio no peito ou na cara (rsrs). Mas a peste - a Covid - assusta tanto que faz até quem não acredita em algumas coisas falar aquelas coisas.

Machado de Assis brincou com a ideia do emplasto para curar todos os males e melancolias da humanidade. Na verdade Brás Cubas tinha era sede de nomeada, queria ver seu nome nas caixinhas do remédio milagroso, queria alimentar sua vaidade. O inútil queria deixar algo de seu na história humana.

Fico pensando em Machado de Assis, sua obra é tão vasta e tão abrangente que poderíamos citar temas abordados por ele para qualquer evento de nosso trágico cotidiano de mortes e destruição sob o regime da banalidade do mal.

Pegue a própria "ideia fixa" causadora da morte do defunto autor Brás Cubas. Destruíram nosso país criando ideias fixas para manipular uma massa de gente ignara, miserável, e muito preconceituosa. Trabalharam o pior que existe em cada um de nós através de um massacre midiático totalitário. E acabamos em Bolsonaro.

Enfim, eu estou sentindo cheiros e ainda tenho paladar. Não tenho febre nem estou tossindo. A merda da coriza e alguns espirros podem ser consequências do golpe de ar estilo Brás Cubas, e que espero que não termine numa mortal pneumonia. 

Mas a merda toda é que tem um vírus mortal nos rondando por aí. E não fomos vacinados por causa do regime genocida. Não fomos vacinados por causa dessa gente ignara e miserável que apoia o regime da morte e da destruição. (e pensar que meus familiares e conhecidos fazem parte dessa gente que puxou o gatilho contra nós...)

Se morrer em alguns dias, espero não ter sido um inútil como o Brás Cubas.

William


Post Scriptum: a preocupação da última frase não deixa de ser outra questão machadiana sobre nós mesmos (Machado pensava o mundo de acordo com o seu mundo). Ser ou não ser "útil" na vida foi uma preocupação estúpida de minha parte! Foi uma abstração mental ideológica por ter sido criado e ter vivido sob a égide do sistema capitalista. Que porra é essa de ser "útil"? Pra vocês verem como estamos sujeitos a ideologias... retiro a coisa estúpida que disse. Eu não tenho que ser útil para merda nenhuma. A vida não é isso, a vida apenas é. Vai tentar dizer que uma flor ou uma borboleta são úteis...


Bibliografia:

ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. Imortais da Literatura Universal. Editora Nova Cultural, 1995.


quarta-feira, 5 de maio de 2021

Odisseia (Homero) - Ulisses e os Feácios (V a VIII)



Refeição Cultural

"   'Despede-o já', replica-lhe Mercúrio;
'Nunca irrites a Júpiter, nem queiras
Irado experimentá-lo.' Disse, e foi-se.
     Dócil, a ninfa se dirige à praia
Onde Ulisses longânimo gastava
A doce vida, os olhos nunca enxutos,
Saudoso e enfastiado, pois com ela
Por comprazer dormia constrangido.
E gemebundo, o ponto contemplando,
Passava o dia em litoral penedo.
Rosto a rosto lhe fala a deusa augusta:
'Cesse o pranto, infeliz, não te consuma
Parte, consinto. Abate a bronze troncos
De alto soalho ajeita ampla jangada,
Em que o sombrio páramo atravesses:
De pão te hei de prover e de água e vinho,
De agasalhada roupa; auras favônias
Te levarão seguro à terra cara,
Se esta for dos Supremos a vontade,
Que em saber e juízo me superam'.
" (LIVRO V, v.108-127, p. 128/129)


Nesta quarta-feira, dediquei minhas horas de leitura ao clássico de Homero, a Odisseia. Depois dos primeiros 4 cantos (ler comentário aqui), a "Telemaquia", desta vez li os cantos de V a VIII, que tratam do contato e recepção dos Feácios a Ulisses, após este partir da ilha de Calipso, onde estava retido.

Ao ler a passagem acima, me lembrei da "Introdução" ao Ulysses, de James Joyce, um texto magnífico do intelectual Declan Kiberd, texto que abre a edição que ganhei de meu amigo Sérgio Gouveia. Vamos começar a leitura nos próximos dias. 

O Ulisses grego é o dócil herói que Joyce decidiu ter por modelo para o seu Bloom, um "homem feminil" como diz Kiberd. Nestes cantos que li hoje o Ulisses é um "chorão", alguém emotivo e saudoso de sua bela Penélope, seu filho Telêmaco e sua Ítaca.

À medida que vou lendo o clássico homérico vou me lembrando das aulas que tive na universidade. O papel das narrativas épicas na cultura do povo grego é muito interessante: a forma como os gregos lidavam com os mitos, os deuses gregos com suas características humanas (antropomorfismo), as tradições e costumes, enfim, tudo volta à memória com a leitura da epopeia.

A leitura do clássico grego ao tempo em que vou ler o Ulysses de Joyce é uma estratégia que tende a enriquecer ambas as leituras e torná-las muito mais agradáveis e cheias de sentido.

É isso. Viajar nos clássicos enquanto não podemos viajar na vida real é uma forma de resistência ao momento em que vivemos: um mundo sob pandemia mundial de Covid-19 e o Brasil sob uma pandemia trágica de bolsonarismo, a banalidade do mal.

Se tiverem que preencher seus tempos ociosos, leiam os clássicos, dividam seus tempos dedicados a outras formas de cultura deixando um bocadinho para a leitura de obras que impactaram e influenciaram a história da cultura humana.

William


Bibliografia:

HOMERO. Odisseia. Tradução de Manuel Odorico Mendes. Edição de Antonio Medina Rodrigues. - 2. ed. - São Paulo: Ars Poetica: Editora da Universidade de São Paulo, 1996. - (Coleção Texto & Arte; 5).


terça-feira, 4 de maio de 2021

040521 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

O VERDADEIRO CRIADOR DE TUDO

Quase acabei o capítulo 9 do livro de ciência (um livro revolucionário) do neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. O cientista apresenta uma nova forma de compreender o cérebro - Teoria do Cérebro Relativístico -, visão funcional diferente da visão da ciência nos últimos 200 anos.

Me desliguei de parte do mundo externo por algumas horas, só parte do mundo externo - aquela que nos bombardeia com informações verdadeiras e falsas de eventos do mundo -, e embarquei na leitura sobre o cérebro humano, O Verdadeiro Criador de Tudo.

Incrível! No capítulo 9 - "Construindo um universo com espaço, tempo e matemática" - somos levados através de uma narrativa inteligente a grandes momentos de abstrações humanas que marcaram e mudaram o sentido das coisas na sociedade humana. Abstrações de Ptolomeu, Nicolau Copérnico, Kepler, Galileu Galilei, Isaac Newton, Einstein.

Vamos de uma visão de mundo geocêntrico de Ptolomeu para uma visão de mundo heliocêntrico, com Copérnico. Depois vem o "método científico" de Galilei; o microscópio; o telescópio; o período do renascimento. As células são descobertas. Depois nomeamos as células do cérebro de "neurônios".

Com Newton projetamos a mente humana para o espaço. A "gravidade" chega ao nosso conhecimento. E com as teorias de Newton, vem o "determinismo". Depois vem Einstein e a "Teoria geral da relatividade". 

(e mesmo com toda a ciência em andamento no mundo, décadas depois viriam o trumpismo e o bolsonarismo... o negacionismo... a terra plana...)

Foi inevitável estragar minha postagem com as últimas palavras em parênteses representando fluxo de pensamento. É que ao se reconectar com a parte do mundo exterior da qual nos chegam as informações das merdas do mundo, a gente acaba perdendo o pique até para escrever sobre as maravilhas da leitura.

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O VERDADEIRO DESTRUIDOR DE TUDO

Por alguns momentos nesta terça-feira me permiti procurar sentidos através da leitura, dos estudos e das reflexões sobre a existência.

Voltamos para as coisas do mundo. 

O Brasil tem como presidente um animal humano com as piores características morais dentre as que definem pessoas e grupos na sociedade humana. 

O congresso tem diversos animais da mesma laia daquele que ocupa a presidência. 

Seres humanos estão neste instante morrendo de fome (tendo comida disponível no mundo), morrendo de doenças evitáveis (tendo estratégias para se evitá-las). 

Nosso meio de existência, o Planeta, está sendo destruído por alguns animais humanos e toda a humanidade vai se foder com isso; a vida de todas as espécies estão ameaçadas de extinção.

Fim.


segunda-feira, 3 de maio de 2021

Ulysses - Introdução de Declan Kiberd (III)



Refeição Cultural

"Daí a severa ironia de Joyce sobre todos os modelos de heroísmo antigo, seja gaélico ou grego. Para aqueles que diziam 'Infeliz da pátria que não tem heróis', ele responderia com o Galileu de Brecht: 'Não! Infeliz da pátria que precisa de um herói!' - uma pátria sonhando eternamente com modelos passados de grandeza e aparentemente incapaz de conceber a si mesma." (p. 79)


Ufa! Vencidas as primeiras cem páginas de minha edição de Ulysses, de James Joyce (presente do amigo Sérgio Gouveia). As informações que obtive com Declan Kiberd vão influenciar a minha releitura do clássico de Joyce, sem dúvida alguma. 

Alguns conceitos explorados pelo professor e intelectual irlandês Kiberd foram de muita relevância para mim e me fizeram olhar para trás e relembrar a leitura de Ulysses duas décadas antes. Li Joyce na tradução do professor Houaiss, na bela edição que tenho até hoje.

Com a "Introdução" de Kiberd foi possível até compreender melhor os contos de Dublinenses, de 1914, que já li e reli algumas vezes. Evidente que agora preciso ler O retrato do artista quando jovem (1916), que também tenho na estante e que me espera há um tempão. Só não sei se ainda terei a oportunidade de encarar o Finnegans Wake. Acho que aí já seria audácia demais de minha parte, com tanta coisa a ler antes de deixar de existir.

Cito algumas questões apresentadas pelo professor Declan Kiberd que me fizeram pensar muito a respeito de Leopold Bloom, James Joyce, a Irlanda e os irlandeses, Molly Bloom e Stephen Dedalus:

- As questões relativas à história colonial do país, seu passado e presente com a Inglaterra, Reino Unido e ou Grã-Bretanha;

- A questão dos nacionalistas irlandeses atrelados a um passado de heróis e ou heroísmo;

- A eterna tensão em relação à linguagem entre colônia e colonizados;

- A questão do homem feminino na figura de Leopold Bloom. 

Olha, o texto foi muito bom para mim enquanto leitor que vai embarcar agora na viagem da releitura de Ulysses em um contexto completamente diferente daquele no qual li a obra na primeira vez.

É isso! Leiam clássicos, amigos e amigas de leituras e estudos. É melhor ler do que não ler os clássicos, como já dizia Italo Calvino.

William


Bibliografia:

JOYCE, James. Ulysses. Tradução de Caetano W. Galindo. 1ª ed. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2012.


domingo, 2 de maio de 2021

Ulysses - Introdução de Declan Kiberd (II)



Refeição Cultural

Domingo, 2º dia de contato com a minha edição do livro Ulysses, de James Joyce, na tradução de Caetano W. Galindo (presente do amigo Sérgio). 

Estou lendo a "Introdução" a cargo de Declan Kiberd. O texto é outro livro, um texto profundo, mas muito interessante. Já aprendi muita coisa e já refleti a respeito de várias informações obtidas nele.

A introdução traz as seguintes subdivisões: "O livro", "A estrutura", "A linguagem", "Os personagens", "Ulisses e a escrita irlandesa", "Breve histórico do texto". Faltam as duas últimas partes para ler.

Uma das coisas recorrentes quando leio textos de metalinguagem e de crítica literária é sentir aquele sentimento meio humilhante de não ter lido diversos autores e obras citadas pelo crítico. Isso é foda! Me lembro dessa sensação coletiva em sala de aula quando assistia às aulas da USP. Um sentimento meu e dos demais estudantes (eu mais velho que a média).

Anoto aqui algumas citações do texto de Kiberd que me recordaram a sensação terrível das lacunas culturais (aos 52 anos!): nunca li Yeats, Gide, D. H. Lawrence, Virginia Woolf, Jane Austen, Dickens e T. S. Eliot. Quer mais? Não, deixa quieto...

Ao ler sobre Leopold Bloom na parte "O livro" fiquei com a impressão de que o personagem seria algo como o nosso Riobaldo Tatarana, de Grande Sertão: Veredas (1956), de Guimarães Rosa. Não só pela citação abaixo, mas por várias questões apresentadas no texto:

"Em retrospecto, claro está que Leopold Bloom - concebido por seu criador para falar como um homem comum ultrajado pela injustiça do mundo - tinha ultrajado o mundo justamente por ser comum." (p. 22)

Não vou me alongar na postagem. Hoje, ao ler a parte "A linguagem" fiquei pensando a respeito. A questão das línguas e das linguagens e da incapacidade de comunicação humana, mesmo havendo a linguagem, é algo que me instiga há bastante tempo. 

Fui dirigente sindical por 16 anos e vi durante esse período de representação uma mudança significativa no mundo em decorrência dos acontecimentos das últimas duas décadas deste novo século e milênio. As redes sociais, as fake news em escala global, os algoritmos e outras coisas alteraram o comportamento humano.

É isso. Fim do domingo. Seguimos lendo para tentar compreender alguma coisa.

William


Bibliografia:

JOYCE, James. Ulysses. Tradução de Caetano W. Galindo. 1ª ed. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2012.


sábado, 1 de maio de 2021

Ulysses - Introdução de Declan Kiberd



Refeição Cultural

Sábado, 1º de maio. No mundo do trabalho é um dia de lutas e reflexões da classe trabalhadora. Este é um dos piores 1º de Maio do povo brasileiro em sua história. Tragédia total sob o regime fascista e genocida de milicianos alçados ao poder pelos grupos que executaram um golpe de Estado no Brasil em 2016. 

Desemprego, fome do povo, destruição dos direitos sociais e patrimônios públicos, destruição da Amazônia, Pantanal e ecossistemas, aparelhamento do Estado pelo crime organizado, mais de 400 mil mortos por Covid-19. Este é o cenário no qual nos encontramos. Estou em casa, numa condição privilegiada em relação aos meus pares da classe trabalhadora. Sigo focado em ler, obter conhecimento, me tornar uma pessoa melhor, dar significado às coisas.

Vou iniciar a releitura de um grande clássico da literatura mundial, um dos romances mais impactantes do século XX: Ulysses, do escritor irlandês James Joyce, publicado em 1922. Li esta obra aos trinta anos. Agora vou me aventurar nela novamente. Eu sou outro, o mundo é outro, é provável que a obra seja outra, ao menos para mim. 

A leitura será bem interessante. Ganhei de presente a edição que vou ler, traduzida por Caetano W. Galindo e com uma introdução do irlandês Declan Kiberd. O presente foi de meu amigo Sérgio Gouveia, estudamos juntos na USP e hoje ele é professor e mora no interior de São Paulo. Vamos ler juntos o livro nas próximas semanas. Fizemos isso semanas atrás com o Moby Dick, do norte-americano Herman Melville.

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"Em considerações como essas é possível encontrar a resposta para questão tantas vezes feita pelos leitores do Ulysses: se Joyce queria embasar sua narrativa numa lenda antiga, por que se voltou para os mitos gregos, e não para os gaélicos? Cúchulainn já tinha sido apropriado pelos nacionalistas militantes de Dublin, cuja política era incompatível com o pacifista e internacionalista Joyce. Desde sua juventude, ele se sentiu mais atraído pela humanidade calorosa de Ulisses. O herói épico não queria ir à Troia, recordava Joyce, porque considerava que a guerra não passava de um pretexto empregado pelos mercadores em sua busca por novos mercados. A analogia com a Europa contemporânea mergulhada na carnificina para garantir lucro aos barões da indústria do aço não se perderia naquele que se autointitulava um 'artista socialista'." (p. 19)

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A introdução de Kiberd é uma senhora introdução! São quase 90 páginas. Comecei a leitura do livro por ela porque já conheço a obra e não vou me decepcionar com eventual spoiler (e há). As informações e as reflexões do autor a respeito de Joyce, do Ulysses e do contexto da época são simplesmente fantásticas!

Lembra do cenário que descrevi sobre nós, brasileiros: destruição do país, fome e desemprego, 400 mil mortos etc? Joyce escreveu Ulysses entre 1914 e 1921, ou seja, durante a 1ª Guerra Mundial. Ele teve que se deslocar durante a guerra e seguiu escrevendo assim mesmo, em meio ao morticínio que o mundo viveu.

Li umas 30 páginas hoje e as reflexões a partir da leitura foram profundas. Novos conhecimentos após ler Kiberd: a relação entre Ulysses e a Odisseia de Homero; a questão do pacifismo em Joyce, em Leopold Bloom e no Odisseu grego (Ulisses na forma latina). Quanta informação obtive hoje, informação que vai fazer a releitura do clássico ser muito mais proveitosa que a primeira vez!

É isso. Estamos começando essa viagem. Também estou lendo a Odisseia de Homero, só que agora em versos, na "transcriação" do intelectual maranhense Odorico Mendes. São viagens, viagens. É uma das coisas que podemos fazer neste momento de nossas vidas, recolhidas no isolamento social para evitar o contágio e morte pelo novo coronavírus: viajar através da literatura.

Abraços aos leitores e leitoras que por acaso passarem por aqui.

William


Bibliografia:

JOYCE, James. Ulysses. Tradução de Caetano W. Galindo. 1ª ed. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2012.


sexta-feira, 30 de abril de 2021

300421 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Tentei ler nesta sexta-feira mais um capítulo do livro fantástico do neurocientista Miguel Nicolelis - O verdadeiro criador de tudo -, mas não rolou. Acabei dedicando um tempo a escrever sobre a leitura dos primeiros quatro cantos da Odisseia de Homero e depois as horas do dia foram gastas com o gastar da vida atual. Ora ouvindo os absurdos da realidade brasileira, ora fazendo alguma coisa improdutiva; depois correndo 5K para ver se faço a minha parte na manutenção da vida. Mesmo assim, li algumas páginas a respeito de nosso cérebro. Nos põe a pensar a leitura e as explicações de Nicolelis, mesmo sonolento como estava naquela hora vagal.

No capítulo 9 do livro, Nicolelis começou descrevendo uma cena num lugarejo no ano de 1300. Às 6 horas da manhã, os sinos da construção do século VII começaram a badalar blem, blem, blem... com isso, todo e qualquer humano a quilômetros de distância era obrigado a acordar e seguir o ritmo ditado pela igreja, as 7 horas canônicas - 6h, 9h, meio-dia, 3h, por volta das 6 horas e lá pelas 9h da noite, hora de todos dormirem. O tempo, o relógio e o controle do tempo e da vida das pessoas. 

Nicolelis descreve esse cenário e essa ação, essa cultura, como uma brainet humana. Nós nos tornamos homo sapiens assim, nossos computadores orgânicos individuais - o cérebro - se juntaram aos demais e formamos essa sociedade humana na qual nos encontramos neste instante em que escrevo. Uma sociedade que mata tudo que vê pela frente, extermina tudo. E também ama e odeia, inventa deuses, sistemas políticos, transforma tudo em vida e em morte.

O papa Francisco é homo sapiens. Einstein é homo sapiens. Hitler é homo sapiens. Natasha Kinski é homo sapiens (apesar da aparência angelical). Eu sou homo sapiens. Você que lê essa reflexão é homo sapiens. São bilhões de homo sapiens vivendo e morrendo neste exato segundo em que escrevo a postagem. 

Estou ouvindo uma música enquanto escrevo... paro a postagem e vou ver o videoclipe... cara, que saudade das coisas, que vontade de viver tudo tudo tudo que a gente pode viver. Tudo! "Have You Ever Seen The Rain" (Creedance Clearwater Revival)... caralho! Me deu vontade de acampar,,, vontade de jogar sinuca de novo,,, ouvir música com amigos e tomar uma,,, andar pela estrada de noite vendo a lua bem na minha frente,,, ahhhhh!

Eu adoro montanhas, matas, cachoeiras, porra... já fiz muita coisa que meu cérebro contém até o dia em que não mais. Motos, vento. 

Chega, não dá pra postar mais hoje não. Tá bom.

William