domingo, 28 de junho de 2026

Meus cem clássicos de literatura universal



Refeição Cultural

Cem clássicos de literatura


Teve uma época difícil de minha existência na qual inventei coisas para me agarrar à vida. Defini, então, algumas coisas materiais que gostaria de adquirir, lugares que gostaria de ir, conhecimentos que desejaria aprender e coisas do tipo. Eram muletas para me apoiar durante a caminhada por caminhos que não existiam, veredas que tomaria para abrir caminhos no viver.

Essa época não é um período curto do meu viver. Pelo contrário, essa busca de sentidos para seguir por esses vales do mundo se estende do início da adolescência, ainda criança diria, e vai até perto de uns trinta anos de idade. É uma longa jornada convivendo com a depressão e o desânimo perante um mundo duro, sem recursos adequados, num país injusto, no qual a impressão que se tem é de que estamos sempre por nossa conta, sós.

Sobrevivi até aqui - sou um homem de sorte - e se passar mais uns três anos nesse mundão em acelerada fase de destruição pela nossa espécie, poderei até me tornar um idoso, conforme define a legislação em vigor no país onde habito.

As muletas que inventei para me apoiar e seguir vivendo foram de grande ajuda, hoje tenho plena consciência disso. Com os objetivos que fui inventando para não desistir de viver, por mais bobos ou difíceis que fossem de se alcançar, peguei uma birra danada de não me deixar morrer porque tinha alguma coisa que estava perseguindo... e eu tenho uma natureza turrona, sou muito obstinado quando encasqueto com alguma coisa.

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"Em lugar de estranha, a conscientização é natural ao ser que, inacabado, se sabe inacabado. A questão substantiva não está por isso no puro inacabamento ou na pura inconclusão. A inconclusão, repito, faz parte da natureza do fenômeno vital. Inconclusos somos nós, mulheres e homens, mas inconclusos são também as jabuticabeiras que enchem, na safra, o meu quintal de pássaros cantadores; inconclusos são estes pássaros como inconcluso é Eico, meu pastor alemão, que me 'saúda' contente no começo das manhãs." (Pedagogia da autonomia, Paulo freire)

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Na medida em que vamos sobrevivendo e vivendo a vida, vamos mudando, vamos nos moldando, e a cada dia podemos ser pessoas melhores, como nos ensina Paulo Freire ao dizer que somos seres inconclusos, não acabados ainda. Lógico que fui sobrevivendo por diversos motivos, inclusive pelas pessoas que nos amam e que amamos, mesmo sendo egoístas como somos às vezes.

Uma das coisas que tinha na minha lista de sobrevivência era ler cem clássicos da literatura universal (risos). Imaginem, o item já era uma sacanagem - ou uma busca por salvação - porque não seria algo a se cumprir num curto espaço de tempo, meses ou anos. Somos humanos e, no fundo no fundo, somos seres de esperança. Só queremos uma coisinha para nos agarrarmos à vida. 

Fui contar e refletir sobre livros que li, dias atrás, e não é que por meus critérios de leitor, por suposto, já li uma centena de obras clássicas em suas áreas de conhecimento humano!

A novidade é que a lista de desejos de leitura é enorme, absurda de grande, teria que viver centenas de anos com condições de ler e isso é uma coisa boa, só possível porque cheguei até aqui.

Quero viver porque a vida é uma oportunidade diária, a cada amanhecer. Quero ajudar as pessoas e a natureza de alguma forma, quero contribuir de alguma maneira para livrar o mundo da destruição em andamento, com o pouquíssimo que sei e aprendi nessas décadas de caminhada pela Terra. 

Eis a lista de meus primeiros cem clássicos da literatura universal. Que venham mais centenas de livros e leituras instigantes e renovadoras.


1. El ingenioso hidalgo Don Quijote de La Mancha - Miguel de Cervantes

2. A montanha mágica - Thomas Mann

3. Ulisses - James Joyce

4. Grande Sertão: Veredas - João Guimarães Rosa

5. Os irmãos Karamazov - Fiódor Dostoiévski

6. Vidas secas - Graciliano Ramos

7. Alguma poesia - Carlos Drummond de Andrade

8. Hamlet, o príncipe da Dinamarca - William Shakespeare

9. Era dos extremos - Eric Hobsbawm

10. Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez

11. O velho e o mar - Ernest Hemingway

12. A viagem do elefante - José Saramago

13. Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

14. Decamerão - Giovanni Boccaccio

15. Razão e sensibilidade - Jane Austen

16. La Celestina - Fernando de Rojas

17. Libertinagem - Manuel Bandeira

18. O vermelho e o negro - Stendhal

19. O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

20. Adeus às armas - Ernest Hemingway

21. Odisseia - Homero

22. Os Lusíadas - Luís de Camões

23. Utopia - Thomas More

24. Macbeth - William Shakespeare

25. Otelo, o mouro de Veneza - William Shakespeare

26. Admirável mundo novo - Aldous Huxley

27. 1984 - George Orwell

28. Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

29. Metamorfose - Franz Kafka

30. A guerra dos mundos - H. G. Wells

31. O Guarani - José de Alencar

32. Senhora - José de Alencar

33. Memórias de um sargento de milícias - Manuel Antônio de Almeida

34. Triste fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto

35. Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

36. Dom Casmurro - Machado de Assis

37. Os sertões - Euclides da Cunha

38. Macunaíma - Mário de Andrade

39. Pauliceia desvairada - Mário de Andrade

40. São Bernardo - Graciliano Ramos

41. Viagem - Cecília Meireles

42. Moby Dick - Herman Melville

43. Bagagem - Adélia Prado

44. As aventuras de Robinson Crusoe - Daniel Defoe

45. Minhas vidas - Shirley Maclane

46. Mar morto - Jorge Amado

47. Las genealogías - Margo Glantz

48. O cemitério - Stephen King

49. A hora da estrela - Clarice Lispector

50. Becos da memória - Conceição Evaristo

51. Operação Cavalo de Troia - J. J. Benítez

52. Eram os deuses astronautas? - Erich Von Däniken

53. O caso dos dez negrinhos - Agatha Christie

54. Pedro Páramo - Juan Rulfo

55. A jangada de pedra - José Saramago

56. Las venas abiertas de América Latina - Eduardo Galeano

57. Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado

58. Nada de novo no front - Rene Maria Remarque

59. Por quem os sinos dobram - Ernest Hemingway

60. A rosa do povo - Carlos Drummond de Andrade

61. As aventuras de Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll

62. O Mágico de Oz - L. Frank Bawm

63. O Pequeno Príncipe - Antoine Saint-Exupéry

64. Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach

65. A revolução dos bichos - George Orwell

66. Capitães da areia - Jorge Amado

67. A volta ao mundo em 80 dias - Júlio Verne

68. A morte e a morte de Quincas Berro d'Água - Jorge Amado

69. O grande mentecapto - Fernando Sabino

70. O menino no espelho - Fernando Sabino

71. Enterrem meu coração na curva do rio - Dee Brown

72. O mundo de Sofia - Jostein Gaarder

73. O apanhador no campo de centeio - J. D. Salinger

74. As aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain

75. Serafim Ponte Grande - Oswald de Andrade

76. Memórias sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade

77. A língua de Eulália - Marcos Bagno

78. O Ateneu - Raul Pompeia

79. Lolita - Vladimir Nabokov

80. Os cavalinhos de Platiplanto - José J. Veiga

81. Romeu e Julieta - William Shakespeare

82. A morte de Ivan Ilitch - Liev Tolstói

83. Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto

84. Crónica de una muerte anunciada - Gabriel García Márquez

85. Madame Bovary - Gustave Flaubert

86. O homem que amava os cachorros - Leonardo Padura

87. Carrie, a estranha - Stephen King

88. Os mortos vivos - Peter Straub

89. O diário de Anne Frank - Otto Frank e Mirjam Pressler

90. As intermitências da morte - José Saramago

91. Nocturno de Chile - Roberto Bolaño

92. O primo Basílio - Eça de Queiroz

93. Dublinenses - James Joyce

94. Fausto - Goethe

95. Sagarana - João Guimarães Rosa

96. Lazarillo de Tormes - Anônimo

97. A mulher de trinta anos - Honore de Balzac

98. Kolstomer (a história de um cavalo) - Liev Tolstói

99. A Ilha - Fernando Morais

100. O caçador de pipas - Khaled Rosseini


Que venham as próximas leituras! Faz um mês que tive um descolamento do humor vítreo do olho esquerdo, uma porcaria que me fez ver pior que antes, mas ainda estou aqui, ainda posso ler, escrever, falar e caminhar.

Seguimos nas lutas! E na defesa dos direitos da classe trabalhadora e do planeta e suas diversidades!


William

28/06/26

Um comentário:

  1. Sua lista de clássicos me envergonha no quesito literatura brasileira. Li poucos autores nacionais dela. Já li mais de 100 clássicos, porém, a maioria dos autores são de outras nacionalidades.

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