quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Diário e reflexões - Retrospectiva 2025

(texto em produção...


Refeição Cultural

Quarta-feira, 31 de dezembro de 2025.


Retrospectiva

Ao finalizar o ano, costumo fazer uma retrospectiva nesta página sobre fatos, impressões e acontecimentos que marcaram a vida pessoal do autor do blog e o mundo no qual vivo, um lugar redondo e único para todos os seres viventes.

Ao pesquisar os acessos que o blog teve ao longo do ano que termina, fiquei impressionado com os números, o que me faz seguir tendo muita responsabilidade e honestidade naquilo que escrevo como personagem da sociedade humana. Foram mais de 480 mil acessos no ano. 

Agradeço às leitoras e leitores do blog pela troca de conhecimentos de forma gratuita. Esse é o objetivo do blog desde sua criação no final do ano de 2007. 

Como aprendi com o professor Ladislau Dowbor numa palestra lá no começo de minha jornada, diferente de uma coisa material como um relógio, um tênis ou algum objeto, quando compartilhamos conhecimento, o saber coletivo aumenta, se modifica, e novos conhecimentos brotam. Acredito nisso!

Meus blogs, este de cultura e sua extensão em imagens e o de política sindical - A Categoria Bancária -, são uma espécie de biblioteca deste personagem do mundo humano, uma coleção de textos e saberes, como a Wikipedia. No meu caso é um "What I Know Is" (WIKI) do William Mendes. Por isso, estou sistematizando e encadernando os mais de 6 mil textos produzidos em duas décadas.

O ano de 2025 foi intenso como todo ano é, porque viver é um desafio diário, e ele trouxe mudanças pessoais e coletivas, para mim e para vocês. 

No meu caso, por exemplo, publiquei um livro. Algo novo! O mundo humano e o planeta Terra também experimentaram coisas novas. 

A mudança segue sendo uma realidade da Natureza, tudo muda o tempo todo, seja de forma instantânea, seja de forma lenta, não perceptível em uma vida humana.

Enfim, que fiz ou o que rolou nos últimos doze meses do ano?

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POLÍTICA 

Falo pouco ou quase nada sobre a política em nosso país e no mundo. Não tenho mais importância nessa questão como tive quando era outro ator social. 

O ex-presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, foi processado, julgado e condenado a 27 anos de prisão por tentativa de Golpe de Estado. Ele foi preso, uma notícia boa! Mas segue impune pela morte de centenas de milhares de pessoas durante a pandemia e sua gestão criminosa.

O presidente Lula está bem de saúde e segue melhorando a vida do povo brasileiro. Votamos em Lula, do Partido dos Trabalhadores, para que o pobre fosse incluído no orçamento do Estado. Com todas as críticas que tenhamos em relação ao governo Lula 3, sejamos honestos para afirmar que nas atuais condições políticas do país, o maior estadista do Brasil fez mais do que qualquer outro de nosso campo político faria em seu lugar. Eu não tenho dúvidas sobre isso.

As pessoas que representam o projeto político para o qual me dediquei nos últimos anos, e votei nelas, seguem atuando de forma combativa e ética. 

Fiz campanha e votei nas candidaturas do JuntOz, em Osasco, e Luna Zarattini, em São Paulo. São mandatos que nos dão muito orgulho! Luna, Heber, Gabi e Matheus são inspiração e esperança de renovação do PT. 

Em 2022, votei no presidente Lula, votei no Padilha e no Marcolino. Esses políticos nos honram muito, pois trabalham incansavelmente pelo povo brasileiro e pelo país. 

LITERATURA E LEITURAS

Não li o quanto gostaria, mas li bastante em 2025. Conheci autores novos e poéticas novas. Isso é bom! Os comentários sobre as leituras estão nos links.

1. Ainda estou aqui - Marcelo Rubens Paiva (aqui)

2. ¿Por qué la Revolución Cubana? - Org. Juan Carlos R. Luz (aqui)

3. Flores das "Flores do Mal" de Baudelaire - Guilherme de Almeida (aqui)

4. Prufrock e outras observações - T. S. Eliot (aqui)

5. Maiakóvski: poemas - B. Schnaiderman, Augusto e Haroldo de Campos (aqui)

6. El gaucho Martín Fierro - José Hernández (aqui)

7. Bagagem - Adélia Prado (link)

8. Crisálidas - Machado de Assis (link)

9. Ismaelillo - José Martí (link)

10. Poemas - T. S. Eliot (link)

11. Cachorro Velho - Teresa Cárdenas (link)

12. A morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói (link)

13. Papéis Avulsos (I) - Machado de Assis (link)

14. Primeiras Estórias - João Guimarães Rosa (link)

15. Coração de Vidro - José Mauro de Vasconcelos (link)

16. O Picapau Amarelo - Monteiro Lobato (link)

17. Aventuras de Hans Staden - Monteiro Lobato (link)

18. O Saci - Monteiro Lobato (link)

19. Fábulas - Monteiro Lobato (link)

20. Nada mais será como antes - Miguel Nicolelis (link)

21. Deuses humanos - H. G. Wells (link)

22. Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT - William Mendes (link)

23. Desafios do Sindicalismo no Brasil Contemporâneo - Luiz Azevedo (link)

24. Leituras da crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo - Entrevistas de Juarez Guimarães (link)

25. Garimpeiro do cotidiano - Francisco Ferreira Alexandre (link)

26. Cassems 15 anos - autogestão em saúde: um sonho possível - Eronildo B. Silva (link)

27. Pequena coreografia do adeus - Aline Bei (link)


(texto em produção...)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

O sentido da vida (17)



Registrar histórias que vivenciou


Passou os últimos anos somando nas lutas populares como mais um militante, fazendo volume. Isso importa na resistência. Aprendeu isso no sindicalismo. 

Qual seria, entretanto, o sentido de sua vida naquele momento existencial, num ambiente de maior risco de fim ou de perda de sua memória, seus registros?

Já sabia que estar vivo era importante pelo suporte a outras vidas. Já é um sentido da vida.

Talvez outro sentido seja registrar o que sabe ou viveu sobre algo específico da sociedade humana, algo que tenha algum conhecimento a mais que a média das pessoas. 

O mundo pode até acabar, as coisas podem deixar de existir. Mas isso vem ocorrendo há muito tempo no mundo. 

Se sabemos de algo do passado é porque alguém registrou ou porque sobrou por aí na natureza. E outro alguém estudou e pesquisou aquilo.

Suas memórias sobre a Cassi são só suas e talvez ele devesse registrar isso e deixar por aí no mundo. As coisas que fez, que soube, que defendeu, que entregou, deveriam vir a público, porque existiram. 

Seria algo a se fazer ainda, algo que desse algum sentido ao existir, essa coisa instável, efêmera e possível por uma soma de acasos. 

Num instante, não se existe mais. Num instante aquele cérebro colapsa, a memória se perde.

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domingo, 28 de dezembro de 2025

Livro: Pequena coreografia do adeus - Aline Bei



Refeição Cultural

LITERATURA

 

"era um lugar inóspito para você derramar o seu amor

uma terra infértil, não chove

pelo contrário, o sol torra cada pedaço de vida de um jeito

que não sobra nada no horizonte e ainda assim

       eu nasci." (p. 18)


O livro de Aline Bei, "Pequena coreografia do adeus" (2021), é um presente para os amantes da boa leitura. 

Adorei a leitura! Viajei com Júlia!

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"já tentei indicar uns livros pra ele, mas o Vegas me diz que é um homem de ação. respondo que ler é viver muitas vidas além da sua

- e se isso não for ação - termino, depositando a conta em sua mesa -, eu não sei mais o que é.

- ainda vou tentar esse negócio de leitura. por você, hein, Julinha.

- não, Vegas. faça por você. - pisco." (p. 159/160)

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A poética de Aline Bei é única e a escritora está apenas em seu segundo romance com este livro. 

Incrível ela ter um estilo tão seu em tão pouco tempo!

Li o primeiro romance dela, "O peso do pássaro morto" (2017), e também fiquei impressionado com a história e sua linguagem poética (comentário aqui). 

Me peguei várias vezes viajando nas memórias através da personagem Júlia Terra, tão única e tão nós!


"imaginei que 

talvez

o trabalho do Vegas tenha sido tão local que

não era mesmo de se conhecer. 

desde quando sabemos de todas as coisas que acontecem no mundo se mal sabemos o que se passa no fundo do nosso coração?" (p. 213)

Amiga e amigo leitores, o livro da jovem escritora Aline Bei nos enche de esperança...

Esperança na juventude, na literatura, na mudança, na vida.

William 

28/12/25


Bibliografia:

BEI, Aline. Pequena coreografia do adeus. 1a ed. - São Paulo: Companhia das Letras, 2021.

Dirce Mendes: Creio em Ti



Textos de minha mãe (2)

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CREIO EM TI

Ó Deus, que grande é o Seu poder e a Sua graça!

É maravilhoso, Senhor, crer em Vós. Sem Vós, nada somos, nada temos.

Vejo-Vos, em todas as coisas: do mais pequenino grão de areia ao mais alto pico existente; do menor ao maior pássaro; da mais singela à mais esnobe flor; do menor ao maior ser existente. 

Estás em tudo, com toda perfeição e amor!

Por isso, Vos amo e adoro como meu Mestre e Senhor!

Sua Serva.

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Comentário:

Foi com essa fé e essa cultura de religiosidade que fui criado, aculturado no Brasil dos anos setenta e oitenta. 

Minha mãe deve ter salvado minha vida nos anos de revolta e violência da adolescência com a criação religiosa que me passou.

Muitas vezes, no momento da decisão mais difícil, sozinho, me lembrei dessa cultura de um outro mundo, para não cometer o erro irreversível...

Estou aqui por ti, mãe! Até hoje. 

Palmério: A vida é dura pra quem é mole



Textos de meu pai (2)

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A VIDA É DURA PRA QUEM É MOLE

Eu nunca tive uma vida fácil. Porém, a minha vida sempre foi comandada pela fé e pela esperança, que é a última que morre. Só espero que ela morra primeiro que eu, até mesmo porque eu não tenho pressa para morrer.

Quando você nasce, você recebe um monte de bombas para serem desarmadas ao longo da estrada. Não se pode vacilar no caminho. Cada bomba que encontrar, você deve desativá-la e seguir.

Sabemos que não temos o direito de errar porque se a bomba explodir é o seu fim. Portanto, cada vez que desarma uma bomba, você tem o direito de escolher um novo caminho e tudo dependerá de sua habilidade. 

A sua vida (sua jornada) se inicia no dia que você nasce e termina no dia que Deus determina. Porém, independente de sua idade, praticamente tudo dependerá do que você escolheu durante o percurso de sua vida. Escolha bem!

Quem planta vento, colhe tempestade. 

Palmério. Eu avisei. 

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Comentário:

Percebo nesta reflexão de meu pai a questão das veredas que percorremos na vida, nos levando a destinos diferentes conforme a escolha trilhada. 

Interpreto de forma tranquila o título tirado de uma expressão popular um pouco dura, entendo que meu pai está falando de persistência e força de vontade. Eu tive isso na minha caminhada. 

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Nostalgia

 


1989

Papéis velhos. O ano apontado neles é 1989. Eu morava em Osasco, se não me engano, na casa de fundo de Dona Ivone, e trabalhava no Unibanco da Raposo Tavares. 

Estava fazendo curso de língua inglesa, no English Center, na Avenida Rebouças, em São Paulo. 

Na folha de rascunho com a logomarca do Unibanco, fiz um esboço de carta aos meus pais, que moravam em Uberlândia, MG. 

No esboço, um treino de escrita em inglês, sugiro a meus pais virem a SP em agosto. Meu pai faria 47 anos por aqueles dias e minha mãe 43 anos, no início de setembro.

Eu já namorava a Ione, em junho de 1989, tinha 20 anos de idade, era bancário e morador de Osasco.


Eu gostava de desenhar. Um dom que devo ter herdado de minha mãe, que sempre teve várias habilidades artísticas e manuais. 

Meu pai também foi um inventor de soluções pra tudo. Pra se ter uma ideia, até chuveiro aquecido com cano de PVC ele já fez. Aquecimento solar.

O antigo volante da Sena, da Caixa Econômica Federal, é uma lembrança dos primeiros anos como jovem trabalhador brasileiro, anos oitenta. Quase todo mundo sonhava com um dinheiro fácil para resolver a vida...

É isso! A vida fluiu e os acasos me trouxeram até aqui.

William 

25/12/25

Dirce Mendes: A vida é a razão maior para tudo



Textos de minha mãe (1)

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A VIDA É A RAZÃO MAIOR PARA TUDO

Obrigada, Senhor!


Deus, de infinita bondade e amor, obrigada por tudo que o Senhor nos oferece!

Obrigada por este dia, obrigada pelo sol que nos aquece, obrigada Senhor; por tudo que há de belo na natureza. 

Pelos pássaros que cantam, pelas flores que enfeitam as ruas e os jardins. 

Obrigada pelo ar que respiramos, pelo sorriso de uma criança. 

Obrigada, Senhor! Pelo alimento que todos os dias nos dá.

Obrigada, Senhor! Até pelas lágrimas que derramamos.

Obrigada pelas estrelas, que tornam o céu tão lindo! Fazendo-nos acreditar, cada vez mais, no Seu poder e na Sua graça!

Obrigada pela decadência de um velho, obrigada pela dor de um doente!

Enfim, Senhor! Obrigada por todas as coisas boas e também as que não são boas. 

Isto é vida! Razão maior de agradecimento, tesouro, que todos devemos agradecer e lutar pela sua conservação, razão maior de aceitarmos tudo, com paciência, carinho e abnegação.

A própria vida que Deus nos conserva é a razão: de toda alegria, todo sofrimento e dor, e de tudo o que nos possa acontecer. Isto chama-se vida e é a razão maior para tudo. 

Enfim, Senhor, obrigada por esta razão maior!

Obrigada!

Sua Serva

Dirce Mendes

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Comentário:

Meu pai e minha mãe sempre gostaram de escrever seus pensamentos e percepções da vida e do mundo. Meus pais tiveram poucas oportunidades de formação escolar. Como são muito inteligentes, sempre tentaram exercer seus dons e habilidades pessoais. 

Escrever é apenas uma das características que herdei de meus pais. 

Ao publicar alguns textos deles, farei a adaptação que achar necessária na escrita, pois o objetivo é registrar a essência da reflexão deles, o meu entendimento do conteúdo, a ideia central. 


Palmério: A vida na terceira idade. 75 anos amando a natureza



Textos de meu pai (1)

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A VIDA NA TERCEIRA IDADE. 75 ANOS AMANDO A NATUREZA

Palmério, este cara sorriu pra vida


Para que você conheça a terceira idade, você tem que passar pela primeira e a segunda. Quando você entra na terceira, a sua opinião é descartada porque nesta fase da vida já começam a dizer que você já está gagá.

Feliz daquele que consegue relatar a história de sua vida; no final, dizer que foi muito bom viver intensamente cada momento; se você não tem do que se arrepender, isto significa que a sua média de aproveitamento do que viveu foi ótima.

Se me perguntar qual foi o melhor momento de minha vida, direi todos. Cada um a seu tempo foi ótimo. Tudo que deixou muita saudade foram momentos felizes de nossas vidas. Os que não gostamos de recordar têm que ser apagados. 

A vida mal começa, já se chega ao fim. Portanto, não se deve perder tempo se lamentando. Viva a cada momento de sua vida como se fosse o único. 

O amanhã a Deus pertence, trate as pessoas ao seu lado como gostaria de ser tratado e viverá muito mais feliz.

Palmério

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Comentário:

Meu pai e minha mãe sempre gostaram de escrever seus pensamentos e percepções da vida e do mundo. Meus pais tiveram poucas oportunidades de formação escolar. Como são muito inteligentes, sempre tentaram exercer seus dons e habilidades pessoais. 

Escrever é apenas uma das características que herdei de meus pais. 

Ao publicar alguns textos deles, farei a adaptação que achar necessária na escrita, pois o objetivo é registrar a essência da reflexão deles, o meu entendimento do conteúdo, a ideia central. 

Instantes (11h22)



Refeição Cultural


LEITURAS 

"tirei a roupa

que ficou embolada

num canto

a folha de um texto ruim." (p. 188)


O texto de Aline Bei já me fez viajar nas minhas vidas várias vezes. 

A personagem Júlia é única, como toda vida é, mas Júlia é também cada um de nós, de nossos personagens em nossas vidas passadas e presente. 

Já fui Júlia quando morei nas diversas casas e nas diversas vidas compartilhadas em ambientes opressores tristes inóspitos para uma vida saudável. 

"Para Ed, essa era a hora mais temida: seu tio voltava para casa. Era um homem barbudo, caminhava pesadamente pela vida, cheirava a álcool e a destruição..." (p. 189)

Houve um tempo no qual eu só encontrava refúgio para ler numa praça de alimentação de algum shopping center... o burburinho era o meu silêncio, meu acalanto... alone in the crowd...

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Incrível sentir às vezes o mesmo sentimento de décadas atrás já embrenhado em veredas que não levarão a novos destinos...

William 

25/12/25

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Livro: Cassems 15 anos - autogestão em saúde: um sonho possível



Refeição Cultural

Reli o livro comemorativo dos 15 anos de existência da Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul. Eu o ganhei do presidente da autogestão, o dr. Ricardo Ayache, em 23/08/17, quando visitei o Hospital Cassems Campo Grande. Naquela data, estava cumprindo agenda como diretor de saúde da nossa autogestão dos funcionários do Banco do Brasil, a Cassi (ler aqui).

Antes de 2017, eu já vinha acompanhando a Cassems por estudar sistemas de saúde, sobretudo os modelos de autogestão. Os servidores de Mato Grosso do Sul criaram a Caixa de Assistência em 2001, pois o Previsul havia falido e os servidores estavam sem plano de saúde. A sugestão e o incentivo foram do governador à época, Zeca do PT, e de Gleisi Hoffmann, que trabalhava em seu governo (ler aqui).

Um dos motivos para reler o livro sobre a história da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul foi voltar a ter algum contato com as lideranças sindicais do Banco do Brasil e tomar conhecimento das questões em debate relativas a autogestão dos funcionários do BB, a Cassi. Uma das pautas debatidas pela comunidade de associados ativos e aposentados e o patrocinador é o déficit atual e alternativas de custeio. O tema é recorrente na Cassi desde sua criação há oito décadas.

Quando participei da gestão da Cassi, como diretor de saúde eleito, entre 2014 e 2018, o déficit do Plano de Associados era uma das questões centrais no dia a dia da autogestão e do funcionalismo do banco. Ao estudar a história de nossa Caixa de Assistência, vi que a questão sempre esteve presente na agenda.

Como gestor da Cassi, tratei de estudar o mercado onde as operadoras e autogestões atuam e passei a conhecer como funciona o setor de saúde, inclusive conheci um pouco a respeito de nosso Sistema Único de Saúde (SUS) e as regulações vigentes.

A Cassems surgiu em 2001 após o Previsul ter falido e os servidores de Mato Grosso do Sul ficarem sem plano de saúde e de previdência. O livro conta detalhes da história da autogestão. 

Uma das questões que mais me chamaram a atenção quando era gestor da Cassi e ainda hoje, quase uma década depois, é a opção das direções da Cassems pela verticalização, por investir em estruturas próprias de saúde para enfrentar o agressivo mercado privado de venda de serviços de saúde - a chamada "rede credenciada" -, nome mais conhecido pelos usuários de planos de saúde.

Enfim, é sempre bom reler livros que nos trazem novos conhecimentos e que nos fazem refletir sobre as coisas. A Cassems e seus associados acertaram muito com suas escolhas em relação a criarem estrutura verticalizada de saúde. 

A autogestão vai completar 25 anos em 2026 e pelo que percebo estão no caminho correto. São quase 200 mil beneficiários, em números contidos no livro. É muita gente! São 10 hospitais e uma estrutura robusta de atendimento em saúde.

Autogestões como a Cassi e outras entidades de saúde de trabalhadores deveriam estudar a história de sucesso da Cassems, que, aliás, se inspirou na Cassi para ser criada.

É isso! Sigamos lendo, estudando e diminuindo nossa incompletude.

William

23/12/25

Instantes (9h41)



Refeição Cultural


Opinião


O imponderável 

Em duas décadas de política brasileira, meus blogs registraram momentos da história do país através do olhar de um personagem da classe trabalhadora, um bancário sindicalista da Articulação Sindical da CUT. Aquele cidadão escrevia com o sentimento dos acontecimentos em sua vida, na sua categoria profissional e em seu país. E no mundo, que é um só e redondo.

O blogueiro vivenciou e registrou os melhores e os piores momentos dos governos do Partido dos Trabalhadores, e os melhores e piores momentos da classe trabalhadora brasileira, que foi beneficiada pelos governos do PT e prejudicada com a queda do partido. 

Viu Lula eleger sua sucessora em 2010, após ter mais de 80% de aprovação. Viu as manifestações de 2013 e tudo começar a mudar. Viu um sujeito do STF impedir Dilma de nomear Lula seu Ministro de Estado. Viu tudo que aquele juiz inepto e sua quadrilha fizeram a partir da República de Curitiba. Viu tudo que a Globo fez.

Nos blogs estão os relatos e sentimentos daquele trabalhador bancário sindicalista, as dores do processo injusto do impeachment da presidenta Dilma. As dores das prisões ilegais de figuras históricas como Dirceu e Genoino. Da prisão do Vaccari. Depois as dores da prisão absurda do presidente Lula. 

Nos textos dos blogs perpassam todas as dores indescritíveis do "governo" do traidor, o da "ponte para o futuro". Todo o sofrimento daquela longa noite de terror do governo Bolsonaro, o genocídio do povo brasileiro durante a pandemia sob governo de um inepto. Ineptos fizeram o que quiseram e tudo começou "com o Supremo com tudo".

O personagem dos blogs sempre falou sobre os imponderáveis que podem mudar tudo, da noite para o dia. Uma morte de ministro do STF de avião que cai. Um lunático que dá facada em alguém etc.

Estamos terminando o ano que antecede 2026 com a máquina midiática de nossos inimigos de classe - os donos do poder (que também são fascistas e extremistas de direita) - apontada para o sujeito da suprema corte apontado até pelos meus colegas de classe como responsável por salvar a república durante a nova tentativa de golpe de Estado em 2023. 

O motivo de eventual queda do sujeito: dinheiro e poder, mel e melado que lambuza gente que gosta de mel e melado.

Na política brasileira, tudo é circunstancial. Pauta e agenda definem a realidade do país em benefício sempre dos privilegiados da casa-grande. Bilhões de dinheiros roubados podem não dar em nada, e um chocolate ou tapioca podem mudar o destino de alguém. Um pedalinho ou uma cota de cooperativa habitacional, idem.

O ano de 2026 para todos nós - todas todxs todes - é completamente imprevisível neste momento, na minha modesta opinião de ex-dirigente político da esquerda brasileira. 

William 

23/12/25

domingo, 21 de dezembro de 2025

Instantes (18h18)



Refeição Cultural

Voltei de uma pedalada pelas ruas do Parque. O cansaço que sinto pode ser de vários tipos. Pode ser o psicológico pelo fim do ano no calendário. Pode ser pela leitura da minha realidade. A impotência claustrofóbica de não conseguir mudar o cotidiano. Caminhei décadas pelo mundo, experimentei muita coisa, conquistei coisas que são consideradas para medir sucesso ou fracasso na vida. Coisas. Tenho muitas coisas. Mais coisas do que preciso. No entanto, olho para trás e vejo que tinha o que talvez quisesse hoje: uma casinha de pobre com pouca coisa, mas limpinha. Um corpo que pudesse sair ao domingo para um trote de 10K. O cansaço que sinto pode ser de vários tipos. Não posso fazer pelos outros algo que eles mesmos não queiram pra si. Não posso. O ser humano é uma espécie animal complexa. Cansaço. Cansado do cotidiano. Cansado de não achar solução para mudar o cotidiano-gaiola.

Post Scriptum: 18h32

Cansado...

21/12/25

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Instantes (20h15)



Refeição Cultural

LEITURAS

"O 'populismo', como noção para explicar a política brasileira de 1930 a 1964, tornou-se uma das mais bem-sucedidas imagens que se firmaram nas Ciências Humanas no Brasil. O ano de 1930 seria o início do 'populismo na política brasileira'; 1945 marcaria rearranjos institucionais que teriam permitido a sua continuidade na experiência democrática; 1964, finalmente, significaria o seu colapso." (Jorge Ferreira, na Introdução de "O populismo e sua história: debate e crítica", 2001)


Li o texto de Jorge Ferreira de introdução aos artigos reunidos no livro "O populismo e sua história: debate e crítica". Achei interessante a abordagem e apresentação de Ferreira aos artigos reunidos em 2001. 

O texto estava em minhas pilhas de papéis velhos. 

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LULA NÃO É POPULISTA 

Aí fui reler um excerto de uma entrevista da professora filósofa Marilena Chaui, em meu blog; entrevista concedida à Revista Cult n° 133, de março de 2009 (excerto aqui).

A filósofa explica o uso inadequado do conceito de populismo ao se referirem a Lula, e me encantei mais uma vez com Chaui. Ela é demais!

Leiam o excerto para entenderem.

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O tema populismo foi tratado por Jorge Ferreira e articulistas em 2001 e por Marilena Chaui em 2009.

Imaginem hoje, 2025, após governos como Milei, Trump et caterva, o quanto o populismo poderia ser estudado e debatido para ser combatido por nós, que não somos populistas.

É isso! Sigamos lendo para sermos menos ignorantes.

William Mendes 

16/12/25


domingo, 14 de dezembro de 2025

O sentido da vida (16)



Servir ao próximo e ao planeta Terra


Acompanhar o pai em um procedimento cirúrgico. Acompanhar a esposa num procedimento cirúrgico. Zelar pela vida de entes queridos. Ajudar de alguma forma as pessoas.

Tentar de alguma maneira sistematizar e preservar a história de sua classe, mesmo sendo só alguma coisa de uma imensidão de histórias de lutas, preservar até por amor e por dó de ver tanta coisa bonita se perder, ser apagada.

Fazer um esforço grande e disciplinado para preservar a si mesmo, para poder fazer as coisas que entende que devem ser feitas, por ética e até por amor.

Buscar sentidos até para se manter vivo e assim fazer o que entende ser correto fazer, mesmo vivendo meio que em função das coisas que entende serem necessárias. 

O sentido da vida... tomara que o acaso e a natureza sigam favoráveis à sua existência. E que a sorte lhe traga um fim digno quando chegar a hora

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sábado, 13 de dezembro de 2025

Vendo filmes (XXXIII)


O grito de Crisóstomo.


Refeição Cultural


O DIVERSO É O COMUM

Certa vez, quando era adolescente, cheguei numa madrugada, vindo da rua, e dei um longo grito no quintal de minha avó, onde morávamos, e assustei muita gente. Foi um ato insano. Foi um grito de dor. Não deveria ter feito aquilo, mas fiz. Devia estar numa deprê impossível de suportar.

Ao assistir ao filme "O filho de mil homens" me lembrei na hora desse episódio de minha vida ao ver Crisóstomo gritar em frente ao mar para aliviar sua dor e sua solidão.

Vi por esses dias três filmes que me deixaram pensativo, filmes cuja temática central diria ser as idiossincrasias desse fantástico animal que somos, os seres humanos, únicos na natureza enquanto espécie que cria abstrações que dominam os criadores e únicos no comportamento mesmo sendo bilhões de indivíduos da mesma espécie. 

Os filmes "O filho de mil homens" (2025), "O pior vizinho do mundo" (2022) e "Papai" (2023) se interligaram em minhas reflexões ao me fazerem pensar nas complexidades das relações humanas, nas violências dolorosas dos preconceitos humanos e nas possibilidades de mudança contidas em cada um de nós, enquanto seres incompletos e biologicamente preparados para as adaptações aos ambientes aos quais estamos inseridos como seres vivos e tentando sobreviver. 

Crisóstomo (Rodrigo Santoro), Otto (Tom Hanks), Clark (Sean Penn) e as personagens com as quais interagem e convivem ou por um curto espaço de tempo ou por toda uma vida refletem a questão que me deixou bolado nesses dias: o quanto somos diversos e o quanto a solidão de alguma forma marca a vida de boa parte da sociedade humana, muitas vezes pelo fato de não nos encaixarmos naqueles padrões violentos impostos a nós por outros.

O rapaz que gritou no quintal de casa numa madrugada lá nos anos oitenta sentia uma dor impossível de suportar no peito. Crisóstomo grita quando precisa aliviar a dor que sente no peito. A solidão nesses casos não era solitude, era incompletude. 

Otto encontrou certo dia a cor em sua vida, o motivo de seguir adiante. Depois sua vida ficou cinza, opaca. O rapaz que não se encontrava na vida, que vivia a esmo num mundo cinza, encontrou a cor nas veredas que trilhou, depois encontrou sentidos nas coisas que lhe destacaram para fazer.

Na conversa entre Clark e a jovem Girlie vemos os acasos do destino que definem as vidas de todos nós, fuck esse papo furado de controle da situação... controle o cacete! Ninguém controla nada! Assim foi minha vida também... de vereda em vereda...

Quando vi, estava fora de casa. Quando vi, brigava com todo mundo, queria viver, queria morrer, queria amar. Quando vi era pai, aventureiro, sindicalista, tinha emprego fixo quase sob tortura de um governo desgraçado.

Acho que Crisóstomo nunca foi condutor. Otto nunca foi condutor. Incrível, mas Clark não conduziu sua vida, o acaso a definiu. Nunca conduzi minha vida. Ela foi indo, indo, a esmo. Só fiz foi tentar fazer o correto da jornada.

Concluí muita coisa da existência. Vejo o diverso a cada olhar ao redor... Vejo muita dor e solidão também... Queria poder aliviar a dor de muita gente...

Hoje nem gritar eu posso...

Como nos ensina Rubem Alves em seu texto perfeito "O nome" (ler aqui), vivemos numa gaiola, o nosso nome, e já se esperam tudo de mim, e de Crisóstomo, e de Otto, e de Clark, e de cada um de vocês.

O que nos salva das gaiolas dos nomes são os imponderáveis que a existência nos apresenta a cada amanhecer e anoitecer. 

Enfim, as histórias das personagens desses filmes, suas dores, as violências e preconceitos que viveram, os encontros e as descobertas, as relações humanas pelo simples fato de existirem, me fazem encerrar de forma otimista as reflexões.

Amanhã será outro dia, por muito tempo ainda. Não só para mim, um personagem do mundo, mas para todos nós, viventes desse mundo cheio de diversidade. 

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FILMES


O filho de mil homens (2025) 

Direção: Daniel Rezende. Roteiro: Daniel Rezende, Valter Hugo Mãe, Duda Casoni. Com: Rodrigo Santoro, Miguel Martines, Juliana Caldas, Johnny Massaro, Rebeca Jamir, Grace Passô e elenco.

Sinopse (Netflix):

Em uma pequena vila, um pescador solitário (Crisóstomo) com o sonho de ter um filho se conecta, de forma extraordinária, a um grupo de pessoas e seus segredos.

Comentário: 

O filme retrata de forma surpreendente as questões complexas ligadas às relações humanas, abordando o quanto a violência e as diversas formas de preconceitos podem afetar a vida das pessoas, alterando o curso de suas histórias.

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O pior vizinho do mundo (2022)

Direção: Marc Forster. Roteiro: David Magee Com: Tom Hanks, Mariana Treviño, Rachel Keller, Manuel Garcia-Rulfo, Cameron Britton, Juanita Jeannings, Mack Bayda.

Sinopse (Netflix):

Decepcionado com o mundo e cansado da dor do luto, um aposentado rabugento planeja pôr um fim nesse sofrimento, mas tudo muda quando conhece uma família cheia de vida.

Comentário:

Filme muito bom! Otto é o vizinho ranzinza que gosta das coisas certas e das regras respeitadas em seu condomínio de casas, algo muito difícil de se ver. Ao longo da história, vamos conhecendo as particularidades de Otto e fica mais fácil entender como cada um de nós é diferente e único no tecido social chamado sociedade humana.

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Cena do filme "Daddio"

Papai (Daddio), de 2023. 

Direção: Christy Hall. Com: Sean Penn e Dakota Johnson.

Sinopse (Wikipedia):

Após aterrissar no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, uma jovem toma um táxi para regressar ao seu apartamento em Manhattan, Nova York. Durante a corrida, e o trânsito intenso por causa de um acidente, ela e o taxista Clark conversam sobre diversos temas, inclusive os relacionados à vida pessoal deles.

Comentário:

Poderia parecer uma história sem verossimilhança o nível da conversa entre a jovem passageira e o motorista se não tivéssemos o hábito de pegar táxi ou aplicativo e de repente começar a ouvir as histórias mais absurdas ou até mesmo contar a um estranho questões de foro íntimo. Gostei do filme e fiquei pensando também sobre as idiossincrasias de cada ser humano.

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É isso! 

Essa foi mais uma postagem da série sobre filmes.

O texto anterior pode ser lido aqui.

William