quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Lula, o filho do Brasil - Honestidade e compromisso com sua classe



Uma referência para mim, representante da classe trabalhadora.

HONESTIDADE

"Porque o Lula toda a vida foi 'bocudo', ele tem aquela personalidade dele e não vai mudar aquilo. O que ele fala, ele não volta atrás. Que nem em 1980, se ele quisesse poderia ter ficado milionário. O que ele teve de oferta para acabar com a greve... E nunca aceitou um nada de ninguém! Nunca aceitou um centavo de ninguém. O Lula é super-honesto, é até demais. O que é dele, é dele, o que não é dele, não é dele. Ele não aceita nada. Naquela época ele teve oferta de firmas aí, ofereceram dinheiro para ele ir para fora do país, mandaram carro novo para ele, na porta da casa dele... mandaram aparelho de som, mandaram tudo. E ele não aceitou nada. Nada, nada, nada, nada..."

(Maria, irmã de Lula - livro de Denise Paraná, capítulo: Eu lembro de tudo, página 269)


FALTA DE OPORTUNIDADE DE ESTUDAR

"A única coisa foi que eu mesmo não pude estudar. Não deu para estudar. Eu fiz até o quarto ano, mas não cheguei a tirar nem o diploma, não tinha condições. Tinha que trabalhar, não dava para estudar. Ou fazia uma coisa ou fazia outra. Então eu tive que trabalhar mesmo, senão eu morria de fome. E a gente não queria roubar, não queria pedir, né?"

(ainda a irmã de Lula, Maria, na entrevista feita em abril de 1994)


COMENTÁRIO

Leitura feita numa noite quente de Brasília (DF).

Eu me dei o direito nesta quarta-feira 24/9/14 de chegar ao apartamento e ler um pouco algo que não fosse relativo aos estudos da Caixa de Assistência (Cassi), entidade de saúde em que sou gestor eleito pelos trabalhadores.

Ler a história de Lula e sua família é ver a história de nossos antepassados, zilhões de pessoas pobres e exploradas pela estrutura de poder secular feita para subjugar e massacrar a classe operária e as dezenas de milhões de pobres à margem dos direitos sociais brasileiros.

Escrevi na aba do livro, ao lado da primeira citação acima, que "a causa é nosso valor! Não o dinheiro!" Quando olho para trás e vejo a trajetória que minha vida tomou, tenho claro que penso assim.

O Partido dos Trabalhadores fez uma verdadeira transformação na educação brasileira. Não que esteja tudo bem porque falta muito a se fazer na área da educação em todos os níveis, mas milhões de marias e silvas têm hoje chance de estudar, após três mandatos presidenciais do PT. Isso é relevante!

Vamos dormir porque estou com sono e bem cansado.

William


Bibliografia:


PARANÁ, Denise. Lula, o filho do Brasil. Apresentação de Antonio Candido. Editora Fundação Perseu Abramo. 1ª edição: dezembro de 2002. 3ª edição, 3ª reimpressão: julho de 2009.


Post Scriptum

Li ao som de Steve Vai, um dos maiores guitarristas de todos os tempos. É muito especial a música - For the love of God, sétima faixa do CD. Que solo de guitarra!



Post Scriptum II (4/03/16):

E então teve início hoje o tão desenhado Golpe de Estado da direita vira-latas brasileira, que aparelhou alguns órgãos da justiça, e agora soma canalhice com os donos da imprensa privada golpista e com os partidos de oposição, liderados pelo PSDB, que não conseguiu mais ganhar eleições porque não tem projetos para o povo.

Alguns funcionários de órgãos da justiça tomaram o país para eles e perderam completamente o limite em seu partidarismo contra o PT e suas lideranças. Transformaram a justiça em órgão de exceção e somam com o totalitarismo midiático de meia dúzia de golpistas seculares.

Isso não vai acabar bem para o povo brasileiro...

domingo, 14 de setembro de 2014

Diário - 140914 (Dinossauros...)



Eu, Noni e o Tiranossauro Rex.

Refeição Cultural

Acabou o fim de semana.

Já saio de madrugada nesta segunda, para voltar ao trabalho em Brasília - DF. Vou dormir menos que o necessário, de novo.

Estou há uma semana com a garganta inflamada. Como me conheço bem, sei que é devido ao excesso de trabalho e falta de dormir o mínimo necessário para o descanso. Eu preciso me cuidar e rever minha rotina porque o corpo está me dando avisos de que assim não dá.

Neste fim de semana, fui com minha esposa ver a exposição de dinossauros no Shopping Anália Franco, em São Paulo. Foi bem legal e cumpri meu compromisso com ela. Ao final, tomamos um delicioso café.

Tentei fazer coisas que me dão prazer como, por exemplo, ler e andar ou correr. Mas estou sem energia devido à inflamação da garganta e só caminhei hoje (me arrastei).

Li o conto "Liliana llorando", do argentino Julio Cortázar, do livro Octaedro (1974). Preciso ficar atento para não perder meu domínio da língua castelhana. Mas foi só isso.

Limpei meu aquário. Cuidei de meus peixinhos velhinhos. Somos responsáveis por aquilo que cativamos... meus tetras, mato-grossos e acarás não são só tetras, mato-grossos e acarás, são os meus tetras, mato-grossos e acarás.

Falei com meus paizinhos por telefone.

É isso.

É necessário que eu fique atento aos sinais de meu corpo. Tenho que dormir mais, senão vou quebrar.


Post Scriptum (4/01/16):

Pois é, relendo este diário, chateou-me lembrar que meu corpo estava me avisando que eu estava exagerando na agenda e no estresse. Faz dois meses que descobri a alteração em minha pressão arterial, que está alta e isso é bem perigoso para vários órgãos internos como rins, coração, artérias, olhos. Que merda! Eu nunca tive medo de morrer, mas não esperava ficar doente crônico...

Hoje, minha pressão está 12,2 x 9,2.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Diário - 120914 (Voos e devaneios)





Refeição Cultural


Silêncio no apartamento. Primeiros minutos da madrugada de sexta-feira 12. Hoje, ouvi o CD Legião Urbana (o nº 1). Teve um momento em que tocava a música "Por enquanto" e eu me peguei na janela olhando as ruas por onde a Legião tanto andou naqueles anos de banda em Brasília.

Cheguei de Goiânia nesta quinta-feira 11. Estive lá a trabalho. Como não havia almoçado, comi no aeroporto de Brasília e fiquei por lá, na praça de alimentação, até umas sete horas da noite, lendo e escrevendo.

Cheguei bem cansado e estou com a garganta inflamada. Encostei no sofá e apaguei mais ou menos uma hora. Pela manhã, vou para São Luiz, Maranhão, também a trabalho. Chegarei em Osasco no sábado, pela manhã.


PARAQUEDISMO - FUI UM DELES, EU VOEI SEM ASAS

Vi um programa na TV, com o brasileiro Sabiá fazendo saltos de wingsuit. São saltos de paraquedas com a roupa de morcego, que permite voos a cem quilômetros por hora.

Comecei a lembrar de tanta coisa...

Quando eu voltei de Uberlândia (MG) para morar em São Paulo, após 1987, vi, certa vez, uma reportagem de paraquedistas malucos que estavam surfando no ar. Eu fiquei tão impressionado com a capacidade dos seres humanos de superarem o impossível, que senti o desejo de saltar de paraquedas também.

Anos mais tarde, apareceu a oportunidade e fui fazer meu salto em 2002. Eu não fiz o salto acoplado, aquele em que a pessoa é levada por um profissional. Eu fiz o curso pela manhã e saltei sozinho. Detalhe: eu nunca havia voado em minha vida e meu primeiro voo foi entrar em um monomotor e saltar dele pendurado na asa.

Naquele dia, eu me senti um ser diferente. Fiz algo incomum. A sensação foi de super-homem.

Depois do primeiro salto, fiz mais treze saltos nos meses seguintes. Mas não acabei o curso, que era calculado em 35 saltos.

Eu cheguei a ficar entre 8 e 9 minutos planando nos céus de Piracicaba, vendo os pássaros abaixo de mim. Era a cidade lá embaixo, o barulho do vento nos velames, eu e o céu.

Nestes dias, ando pensando muito na tal lista de desejos ou objetivos, que boa parte das pessoas fazem ou já fizeram alguma vez na vida. Eu tenho (ou tinha) a minha desde a adolescência. Realizei algumas coisas. Outras se tornaram obsoletas para a pessoa que sou hoje. Outros objetivos estão lá...

Saltar de paraquedas foi um dos grandes momentos da minha vida.

Se eu não estivesse onde estou hoje e fazendo o meu papel social que tenho que fazer, vai saber se eu não iria realizar o restante das maluquices daquela lista...

São devaneios...

Fui...

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Biografias que são referências para mim: Lula e Mandela



Grandes líderes que mudaram a história de seu povo.

Refeição Cultural


"NÃO CONSIGO DEFINIR COM PRECISÃO o momento quando me tornei politizado, quando eu soube que passaria minha vida na luta pela libertação. Ser um negro na África do Sul significa que se é politizado desde o momento do nascimento, quer a pessoa reconheça isso ou não. Uma criança negra nasce em um hospital Apenas para Negros, levada para casa em um ônibus Apenas para Negros, mora em uma área Apenas para Negros e frequenta escolas Apenas para Negros, se é que vai para a escola...

(...) Não tive uma epifania, nenhuma revelação, nenhum momento da verdade, mas um acúmulo constante de milhares de ofensas, milhares de indignidades, milhares de momentos não memoráveis, que produziram em mim uma cólera, uma rebeldia, um desejo de lutar contra o sistema que aprisionava o meu povo. Não houve um dia em particular no qual eu falei, 'deste momento em diante vou me devotar à libertação do meu povo', em vez disso, simplesmente me vi fazendo isso, e não conseguiria agir diferentemente..." (pág. 117, Longa caminhada até a liberdade)


Apesar de minha vida ter tomado um rumo diferente daquele que cheguei a vislumbrar em relação à ter uma carreira acadêmica voltada à educação e formação, estou dando meus pulinhos e lendo alguma coisa por prazer, além das leituras profissionais e voltadas para meu papel de representação dos trabalhadores.

Nossa vida humana tem algo de imponderável, e isso faz com que a existência possa ser uma surpresa a cada dia. Tenho jornadas de trabalho diárias que variam entre dez e quatorze horas. Isso há anos. E é engraçado porque não sou workaholic

Aliás, quando cheguei ao movimento sindical e vi os grandes líderes com dedicação de 24 horas, pensei comigo que nunca gostaria de ser um deles... Mas o envolvimento de coração com a luta faz com que isso acabe sendo meio inevitável.


Simplesmente,
nos pegamos militantes!
Estou lendo e relendo as biografias de dois líderes mundiais que são referências para mim. Eles mudaram o mundo, mudaram o seu mundo e a vida de seu povo. Cada um a sua maneira, mas ambos com grande espírito de liberdade e foco naquilo que queriam e representavam: transformar a vida de seu povo. Libertar seus representados do jugo de seus opositores.

Na leitura de suas biografias, encontro a todo instante frases, situações ou exemplos que me fazem quedar, cismar e repensar ou lapidar meu comportamento para não desviar de meus objetivos, inclusive adequando minha energia para vencer todo e qualquer obstáculo que eu encontre pela frente.

Para isso, vale suportar dor, traição, golpes baixos, pusilanimidade de meus companheiros, desvios de rotas, dar passos para trás para avançar adiante no projeto que represento; ter paciência com as pessoas e buscar tirar o melhor de cada uma delas. 

Estou em completa transformação diária por causa dos objetivos que tenho que alcançar. E minhas referências serão sempre os grandes líderes que mudaram a vida das pessoas e, também, serão as pessoas humildes que amo e me referencio nelas como meu pai, minha mãe, as falecidas tia Alice, vovós Cornélia e Deolinda.

Eu li a passagem acima, de Nelson Mandela, e me identifiquei imediatamente com ela. Estou lendo nos voos para lá e para cá, quando não durmo prostrado de cansaço. Mas somos lutadores e nos descobrimos lutadores exatamente como Mandela nos descreve ali.

É isso. Vamos dormir porque já é madrugada de novo...

William Mendes

Post Scriptum: hoje escrevi ao som de Queen - A kind of magic

domingo, 7 de setembro de 2014

Bodas de Ouro - Parabéns pais queridos e Obrigado!



Dirce Mendes e Gercir Palmério.
Meus pais queridos nos anos 70.
Eu no colo da tia Lúcia.

Refeição Cultural


Esta foi uma semana muito especial para meus pais, para nós seus filhos, netos e demais familiares, e, de forma muito especial, para mim, que sou o que sou devido aos pais que tenho.

Aliás, é por ser o que sou que não pude estar com eles na semana em que meu pai fez aniversário de 72 anos (em 30 de agosto), minha mãe fez aniversário de 68 anos (em 4 de setembro) e meus pais completaram 50 anos de casados (em 5 de setembro). 

Mesmo estando em férias, a agenda que tivemos não nos permitiu estar em Uberlândia para abraçá-los e beijá-los pessoalmente.


CASAMENTO EM 1964 - BODAS DE OURO DE DIRCE E GERCIR


Minha futura mãe Dirce,
com as irmãs Lúcia e Alice.
Meus pais se casaram no dia 5 de setembro de 1964. Os dois jovens de famílias humildes estavam vivendo num país recém agredido por um golpe civil-militar, financiado pelas elites vira-latas da época em conjunto com os militares brasileiros e com apoio dos norte-americanos. (hoje vivemos uma democracia em construção, mas as elites continuam vira-latas)

Meus queridos pais começaram a viver naquele ano uma vida de amor, de cumplicidade e de muitas dificuldades.


ENTRE 1964 E 1969 CHEGARAM OS FILHOS

Meus pais queriam filhos. Minha mãezinha tinha dificuldades para engravidar. Mas o desejo de dar amor a uma criança levou meus pais a adotarem minha querida irmã Telma em 1967.

Minha mãe teve alguns abortos espontâneos por dificuldades na gravidez. Mas em 1969 a Telma ganhou um irmãozinho, eu. (o ano era de eventos marcantes: a chegada do homem à Lua; o festival de Woodstock, e para meus pais a chegada de um filho).


ANOS 70

Eu não tenho competência nem conhecimento para falar da vida de casal de meus pais e todas as dificuldades que passaram juntos - de relacionamento, financeira etc. 

Lembro-me que nunca foi um mar de rosas. Os primeiros anos de nossas vidas em família, passamos em São Paulo, onde vivemos no Bairro Rio Pequeno, na Rua Um, 156 (ou 166), Jd. Ivana. Era a casa do meio de um conjunto de 5 sobrados alugados. É a rua que desce em frente a padaria Cinco Quinas, que está lá até hoje (acho).

Apesar das enchentes constantes do Córrego do Rio Pequeno durante a década (hoje Avenida Politécnica), eu me lembro que foi o período mais feliz de minha vida.


ANOS 80 E 90

Esse belo casal viveu as dificuldades da vida, comum ao proletariado brasileiro durante os anos de chumbo e depois com o neoliberalismo no Brasil. 

Foram anos de miséria e má distribuição de renda, falta de democracia e violência contra o povo. Esse casal precisou mudar para Uberlândia (MG) nos anos oitenta. Depois precisou mudar para São Paulo de novo nos anos noventa. Nós e a ampla maioria do povo brasileiro vivemos anos difíceis de carestia nestas duas décadas citadas.

Meus pais resistiram a todas as dificuldades e mantiveram o amor que os unia.



Filhos deste casal cinquentenário. Brasília, junho 2014.

OS DIAS QUE CORREM

A vida foi dura para todos nós da família do Gercir Palmério e da Dirce Mendes. Tivemos separações e distâncias entre nós nos anos difíceis dos oitenta e noventa - cada um indo ganhar a vida para um lado, eu e a Telma, e depois nos reencontramos em Amor.


Casal Dirce e Gercir com filhos
Telma e esposo, Victor e Stefani.
O importante é que hoje meus pais estão vivos, estamos todos unidos em Amor e Amizade, o Palmério, a Dirce, a Telma, o William, a geração que chegou, a Stefani, o Victor Hugo, o Mário. Eu com minha esposa querida, a Ione, e a Telma, com o Túlio. Também estamos unidos em Amor e Amizade a parentes próximos a nós.

A vida nos levou muitos entes queridos, é verdade!


PARABÉNS, OBRIGADO, E ESTEJAM CONOSCO!

Estamos aqui, mamãezinha e papaizinho queridos, com grande energia para mudar o mundo porque sabemos que a luta diária e militante que fazemos é para melhorar o Planeta para pessoas do bem como vocês, a cara do povo brasileiro, que represento como dirigente de esquerda. 


A nora querida do casal e o
neto ao fundo.

Vocês estarem aqui no meu mundo, me dá uma energia imensa para enfrentar qualquer merda contra mim, meus entes queridos, e os projetos de classe que eu represento.

Mais uma vez, feliz aniversário mãezinha, feliz aniversário paizinho e feliz aniversário de 50 anos de casamento.

Nós amamos muito vocês!

William Mendes

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Diário - 020914




Refeição Cultural

Silêncio em meu apartamento. Estou em Brasília (DF).

Acabei de ouvir dois CDs que trouxe de minha casa em Osasco (SP): Nirvana - Acústico MTV e Alanis Morissette - Jagged Little Pill. É o som que gosto dos velhos tempos em que ouvia música. Tomei duas cervejas para dar uma relaxada.

Cheguei hoje de SP e fui direto para o meu trabalho. Na verdade, estou em férias no sistema (como bancário), mas estou trabalhando. Não gosto nem desgosto da situação. As coisas têm que ser feitas. Estou muito focado naquilo a que me dispus. Nunca foi diferente comigo e será assim até o último dia de meu mandato lá em 2018. Procurei fazer bem feito tudo que fiz na vida, até quando trabalhava em construção civil e trabalhos braçais.

Estou lendo e estudando temas da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, entidade de saúde no modelo de autogestão na qual atuo como diretor eleito pelo corpo social. É um mundo de complexidades. É um mundo de embates políticos, circunstanciados por "questões técnicas". Teremos nos próximos três dias, um encontro com gestores para falar de nossos projetos de melhorias e para ouvi-los, algo básico no mundo das corporações que respeitam seus funcionários.

Para cumprir meu papel social, os sacrifícios são imensos. Estou com a minha esposa e filho muito longe daqui. Para afligir mais o coração, hoje a esposa não está passando bem. Essa é a vida que eu levo há muito tempo, focado nos projetos coletivos aos quais me envolvi como militante de esquerda. Assim como eu, existem muitas pessoas engajadas em lutas coletivas. É importante valorizá-las porque vivemos em um mundo onde o que impera é o foco em si mesmo e não nos projetos coletivos.

Segue o silêncio. Vou ler mais um pouco de assuntos de trabalho e depois comer algo para dormir.




Na tentativa de não abandonar de vez meus momentos de prazer nesta vida, tentei nos últimos dias ler um pouco: li o livro autobiográfico de Nelson Mandela - Longa caminhada até a liberdade. Li neste fim de semana o livro da Denise Paraná sobre Lula, o filho do Brasil e li um pouco do livro sobre A era da empatia, de Frans de Waal.

Em relação ao prazer pelo esporte e preservação de minha saúde, as coisas não vão bem. Até corri um pouco no sábado, domingo e segunda, mas não consigo mais manter a atividade que tanto me fazia feliz. Vamos ver se melhora mais adiante isso.

Tchau! Segue a luta, seguimos firmes nos propósitos.

William Mendes

domingo, 17 de agosto de 2014

Romaria 2014 - Tal pai, tal filho! (vídeo)


Este é o vídeo que registra alguns momentos da caminhada de pai e filho entre a cidade de Uberlândia e Água Suja, em Minas Gerais, realizada entre os dias 14 e 15 de agosto de 2014. Foram momentos de concentração, apoio mútuo, resistência à dor e superação. Completamos o percurso felizes e voltamos diferentes, mais fortalecidos.


sábado, 16 de agosto de 2014

Romaria 2014 – Tal pai, tal filho!



Pai e filho na saída para a caminhada de
75 km entre Uberlândia e Água Suja MG.

A vida é uma infinidade de casualidades e oportunidades surgidas a cada segundo na existência das pessoas. A vida também é uma soma constante entre os eventos planejados e os não planejados. As realizações das pessoas podem ocorrer tanto a partir de acontecimentos planejados quanto dos inesperados.

Eu faço uma caminhada anual de dezenas de quilômetros, há muito tempo. É um momento ímpar de introspecção, teste de resistência e obstinação, e de recarregar a bateria para mais um ano com muita energia para alcançar os objetivos aos quais me proponho. Na nossa dura existência, precisamos ter uma energia de super humano para enfrentar as atribulações do mundo hostil em que vivemos e não desistir de nada.

Semanas atrás, em uma conversa de adolescentes, meus sobrinhos e meu filho trataram entre si que iriam participar da Romaria comigo. Por diversos motivos, meus sobrinhos não puderam ir. Meu filho cismou que já que tinha posto na cabeça que iria, não iria mais mudar de ideia.

Vovô e vovó levam os filhos até o bairro Alvorada.

Eu me peguei num verdadeiro dilema em relação ao respeito pelo livre arbítrio das pessoas, inclusive daquela pessoinha que eu e minha esposa educamos. Durante os dias anteriores à viagem para Minas Gerais, conversamos bastante com nosso filho do quanto era dura a caminhada, em certo sentido perigosa sim - como a mãe afirmava (este ano teve vitima fatal por atropelamento na estrada) e que ele não tinha necessidade de levar adiante o compromisso porque os primos não iriam mais. No fim, tive que conversar com a mamãe dele e decidimos que não era correto proibi-lo de ir comigo nesta caminhada. Eu mesmo a fiz pela primeira vez antes dos 17 anos.

Por fim, chegamos a Uberlândia na noite de quarta-feira 13 (eu vindo de Brasília e meu filho de Osasco SP) para pegar a estrada na quinta-feira 14 rumo a Água Suja, distante 75 km do bairro onde saímos.


A solidão da estrada não foi total, eu tinha meu filho comigo

Eu já havia feito a caminhada com momentos de grande solidão na estrada por sair em horário e dia com poucos romeiros, mas desta vez foi algo totalmente inesperado.

Apesar de fazer a Romaria há décadas, eu não sabia que as pessoas só caminhavam até o penúltimo dia da semana anterior ao dia da festa da santa (15 de agosto). Por coincidência, eu sempre fiz na última sexta anterior ao dia 15. A surpresa desagradável foi que não havia mais barracas de ajuda aos romeiros, não havia mais a multidão de gente que também caminhava, não havia praticamente mais nada.

Imaginem se eu colocaria meu filho numa situação dessas se soubesse de antemão!

Periquitos na estrada.

Pois é, então lá estávamos já caminhando quando "caiu a ficha" da solidão que teríamos pela frente sem ajuda constante de barracas. Por sorte, encontramos ainda a barraca Bethânia e a barraca da Antena, que seria desativada pouco depois do horário que passamos lá. Ainda encontramos algumas boas almas que, de carro, procuravam os últimos romeiros do ano para oferecer uma água, um pãozinho, um café, uma fruta.


A caminhada de 21 horas

Saímos do bairro Alvorada às 13h. Meus pais nos levaram até lá.

A primeira referência do mapa que tenho de distâncias percorridas a partir do Trevo para Araxá é o local chamado Olhos D’água. São cerca de 8,2 Km a partir do bairro Alvorada. Chegamos lá às 14:30h.

A caminhada inteira foi feita com dicas minhas ao meu filho sobre como andar, como pisar e coisas que só romeiros experientes sabem. Eu preparei os pés do meu filho com esparadrapos com o mesmo zelo que preparo os meus. Aprender isso anos atrás equivaleu a separar as romarias entre antes do aprendizado, com bolhas e dores impossíveis, e depois do aprendizado, com os pés que nos levam em boas condições.

Caminhamos até o Rio Araguari (que chamamos de Rio das Velhas). Chegamos bem lá por volta das 16:30h. Meu filho se encantou muito com a paisagem. Durante a caminhada da tarde estivemos sob um sol escaldante e o segredo é o pé resistir sem cozinhar.

Filhão observa a estrada na descida para o Rio Araguari.

Começamos a grande subida para cruzar outros pontos de referência como o Trevo de Miranda (+ 3,7 Km), depois o antigo Posto Triângulo que está desativado (+ 7,8 Km), depois o Trevo para Araguari (+ 3,7 Km), ainda a Aliança Agro-Florestal (+ 3,2 Km) até chegar ao Posto N. Sra. Da Guia (+ 2,8 Km). Em anos anteriores, eu calculava de caminhar do Rio das Velhas até o Posto Triângulo porque era uma esticada de 11,5 Km.

Meu filho curtiu muito o entardecer e a entrada da noite na estrada. Escureceu pouco depois das seis e dez.

Mário Augusto sobre o Rio Araguari.

Descobrimos que não haveria barracas de ajuda até a Antena e nem depois dela, quando paramos na barraca Bethânia, antes do Rio das Velhas. A surpresa e o alerta foram importantes para nós porque passamos a administrar a água e o alimento que levamos para alguma emergência.

Fizemos uma longa caminhada passando direto pela referência do antigo Posto Triângulo. Como estávamos com fome, paramos num local na estrada que tinha uma iluminação (uma escola) e comemos. Ali encontramos a irmã de um dos poucos romeiros que havia na estrada. A senhora estava dando assistência para o irmão (enquanto ele andava, ela ia de carro de tantos em tantos quilômetros acompanhando ele).

Pai e filho no posto N. Sra. da Guia
depois de andar umas 8 horas.

Bem, andamos direto até o Posto N. Sra. Da Guia. Chegamos às 21:30h. Nossos pés estavam em ordem. Achamos até uns rapazes dando um caldo quente e pão aos romeiros remanescentes como nós. Percurso realizado: 37,5 Km.


A longa caminhada até a Antena

Expliquei ao meu filho que teríamos que fazer uma longa caminhada de umas 3 horas até a Antena, onde estava a única barraca remanescente e torcer para ela estar funcionando porque depois dela seria só a cidade de Água Suja.

Meu filho ligou o seu som no celular e eu não comentei com ele minha decisão, mas preferi não ligar o meu naquele momento para me concentrar totalmente nele. Também nos agasalhamos e pegamos a estrada.

A lua apareceu às 22:20h. Esta quinta-feira 14 foi final de lua cheia, mas a dona Lua foi uma graça para nós. Após as 23h nosso chão de estrada ficou mais claro e a sensação melhorou bastante para caminhar na solidão da noite.

Tomando uma sopa na barraca da Antena
depois da 1 hora da manhã.

Meu filho estava super bem e não sofreu tanto quanto os romeiros tradicionalmente sofrem para chegar à famosa Antena, “o ponto que separa os meninos dos homens” como dizem. Chegamos à 1h da manhã. Estava aberta e tinha algumas pessoas lá, umas dormindo na palha de arroz e algumas (menos de 10) tomando uma sopa ou descansando.

Ficamos mais de meia hora lá. Eu deitei uns 20 minutos na palha porque estava com muito sono. Meu filho fez massagem no seu pé esquerdo porque estava com dores. Andamos 48,5 Km.

Apesar da dor muscular no pé e perna esquerda (meu filho pode até ter titubeado, mas deu o ok) seguimos adiante para outra longa esticada de mais 12,5 Km até amanhecer.


Caminhada madrugada adentro: frio, dor e sono

Chegamos ao Posto BR, que eu conhecia como Posto Santa Fé, às 5:10h. Emocionante! Passamos muito frio na madrugada. Eu tive muito sono e ânsia de vômito por forçar o corpo com sono e meu filho tinha muita dor na perna esquerda. Cheguei a ouvir um pouco de música, mas preferi desligar para acompanhar os gemidos e reclamos de meu filho e estimulá-lo a resistir até a chegada.

Chegamos ao Atalho. Grande jovem esse Mário Augusto.

Já teve ano que eu andei delirando noite afora na estrada. Este ano eu tive a companhia de meu filho. Eu o estimulei a seguir firme até a próxima parada e falei o quanto ele estava indo bem. Ele chegou a me puxar algumas vezes quando eu andava sonâmbulo pelo acostamento dormindo andando.

Felizmente o posto estava funcionando e tomamos até um cafezinho com pão de queijo e misto quente. Cochilamos uns 20 minutos para as etapas finais. Saímos do posto às 6h. Meu filho entendeu que ele tinha que terminar porque não tinha como voltar. Andamos até ali 61 Km. Agora era andar até o Atalho, mais 6 Km.


A emoção da chegada

A última etapa da Romaria é feita muito mais com a cabeça do que com os pés. É um momento de superação, de persistência e resistência à dor.

Este ano, a caminhada foi muito diferente para mim. Eu me concentrei tanto no que tinha que fazer ao sair da casa de meus pais com o nosso bem mais precioso, nosso filho, que eu não tive sequer preocupação com o meu corpo. Ainda quando percebi que a experiência seria mais difícil porque não havia as ajudas comuns, foquei completamente em meu filho a ida e a chegada.

O Mário Augusto se mostrou um jovem muito especial. Que coisa encantadora! Reclamou da dor como um fato real e normal, mas seguiu resistindo a ela como alguém especial. Eu conheço muito sobre romeiros. E digo a qualquer pessoa que o comportamento de meu filho foi surpreendente. Ele reclamou que estava difícil, mas foi reclamação leve. Reclamava e andava. Quanta gente desiste e fica pelo caminho... o grande jovem chegou.

Mário Augusto, vitorioso em sua caminhada.
Parabéns meu filho, você é uma pessoa especial!

Saímos andando bem lentamente do Posto BR e chegamos ao Atalho às 8:20h. Paramos uns 10 minutos e seguimos para andar até chegar à cidade de Água Suja.

Meu filho pediu que batesse uma foto dele assim que chegássemos com aquele tradicional gesto de vitória. Lindo!

Chegamos às 10h da manhã de 15 de agosto de 2014. Como era o dia da festa da Santa, foi impossível entrar na igreja. Havia milhares e milhares de pessoas em filas em caracol para entrar nela. Deve ser por isso que os romeiros não vão no dia anterior à festa.

Foram 21 horas de estrada deserta. Chegamos inteiros, felizes, realizados. Acredito que chegamos diferentes. Mais fortes em todos os sentidos.


Algumas lições e sensações finais

- As próximas romarias serão sempre na sexta-feira anterior à festa da Santa porque a estrada está cheia e tem muitas ajudas no caminho. Este fato foi uma casualidade para mim que se transformou num grande problema porque eu tinha a tiracolo meu bem mais precioso, o filho, e o risco foi muito maior desta vez.

Pai e filho, dois caminhantes decididos. Romaria 2014.

- Nunca na minha vida teria imaginado fazer uma caminhada dessas com meu filho. Ainda mais partindo de um desejo dele. Quando meu filho era pequeno, eu sonhava em vê-lo jovem logo para poder conversar com ele, era o desejo inverso da mãe que queria o filho sempre pequeno para o aconchego. Ele se tornou jovem e a conversa com os jovens é rara e difícil. Não é que da forma mais improvável passamos um dia todo nos ajudando e conversando sobre tudo na vida? Foi demais! É de encher os olhos d’água! Muito legal. Obrigado meu filho por sua companhia nesta caminhada!

- Neste momento em que escrevo, meu filho está na sala com o primo assistindo ao filme Na natureza selvagem. Este filme nos marcou muito, tanto a mim quanto ao meu filho e às pessoas que o assistiram. No filme, o jovem Chris McCandles descobre de maneira trágica algo sobre a felicidade: ele diz “Happiness only real when shared” (a verdadeira felicidade é aquela compartilhada). Esta caminhada foi diferente para mim e acredito que para meu filho. Nossa experiência de dor, resistência, superação e alegria na chegada ao objetivo foi compartilhada.

- Por falar em natureza selvagem, meu filho e eu pudemos perceber o quanto é prejudicial o avanço das áreas urbanas sobre as regiões que dividiam cidades e onde os animais tinham mais chances de sobrevivência. Além dos diversos cachorros mortos na beira da estrada, vimos animais mortos que nos surpreenderam: gavião, coruja, capivara, um guaxinim. Para não dizer que não falei das flores, vimos muitos ipês amarelos e outras flores.

Ipês amarelos, muitos ipês amarelos no caminho...

- A lição de conviver com a perda também fez parte dessa experiência. Meu filho foi fazendo suas fotos e seus vídeos. Era o seu registro dessa aventura marcante. Tanto ele quanto eu baixamos a guarda na atenção somente no ônibus da volta de Romaria para Uberlândia, porque estávamos cansados, sem dormir a mais de 30 horas. Nesse instante, a atenção baixou. Meu filho perdeu o celular dele no ônibus, quando viemos prostrados. Fiz o possível para recuperá-lo pelo valor pessoal das gravações que o jovem romeiro fez. A alma infeliz que o encontrou não quis devolvê-lo ao dono. Foi uma perda pessoal para meu filho. Mas a vida segue. O mundo é hostil. Essas lições de perdas fazem parte da existência.

- Eu passei este ano por momentos muito duros. Momentos que me fizeram sofrer muito. Não entro em detalhes aqui, mas digo que renasci. Estou firme, forte, focado, não permiti que o ódio me dominasse, estou trabalhando com intensidade para alcançar os objetivos que tenho em meus compromissos profissionais, militantes e de cidadão. Sigo forte e com meus princípios intactos.

- Não poderia deixar de comentar um momento inesquecível de meu dia de estrada com meu filho: os dois cantando a música “Society” do Eddie Vedder, do filme Na natureza Selvagem. Momento único em nossas vidas.

Essa é das antigas - pais e filhos em 2005.

- Vendo meu pai, os problemas que ele tem, e a postura dele no lidar com a vida, não tem como não refletir que algumas coisas nós herdamos de pai pra filho, seja por genética, seja por cultura. Vendo meu pai e meu filho, sigo pensando nisso: tal pai, tal filho!

Assim seja!

William

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Nelson Mandela, uma referência como líder democrático e pacifista



Minha esposa acerta na mosca ao
me presentear com este livro. Ela sabe
 o que tenho vivido este ano na política.

Ganhei um belo presente de dia dos pais de minha esposa e meu filho. A autobiografia de Nelson Mandela - Longa caminhada até a liberdade.

Minha vida atual não me concede o tempo que eu gostaria para ler. Atualmente só leio sobre saúde, gestão em saúde, estatutos, convênios, súmulas, súmulas, súmulas... Mas a gente é insistente. Li algumas páginas de meu presente nos voos por aí.

Estou hoje em Uberlândia (MG). Estou de abono no trabalho hoje e amanhã. Trabalhamos muito internamente nesta semana. Diferente das anteriores, quando viajei a várias cidades trabalhando, esta semana foi intensa e de trabalho e produção intelectual na sede da Cassi em Brasília.

Bom, esta postagem sobre Mandela é para citar um trecho onde o grande líder diz como aprendeu a respeitar a democracia, a ouvir, a construir consensos, na infância em sua aldeia e com os líderes que foram referência para ele. 

Estou vivendo neste ano, um ano de grandes desafios de resistência, de superação, envolto em grandes conflitos, em ódios, mas estou muito focado em ter um papel de liderança porque nossos projetos de trabalhadores precisam de unidade e conquistas.

Tenho me inspirado em líderes como Lula da Silva e Nelson Mandela. Vamos ao trecho que gostei e depois vou pegar a estrada para minha romaria de 75 km.


Nelson Mandela, Parte 1 - Uma infância no interior

"Todos os que desejassem falar o faziam. Era a democracia em sua forma mais pura. Podia haver uma hierarquia de importância entre os oradores, mas todos eram ouvidos, chefe e súdito, guerreiro e curandeiros, comerciante e agricultor, proprietário e trabalhador. As pessoas falavam sem serem interrompidas e as reuniões duravam muitas horas. O fundamento da auto governança era que todos os homens eram livres para expressar suas opiniões e eram iguais em seu valor como cidadãos. (As mulheres, infelizmente, eram consideradas cidadãs de segunda categoria).

Um grande banquete era servido durante o dia, e eu frequentemente ficava com dor de barriga de tanto comer enquanto escutava discurso após discurso. Notei como alguns dos oradores ficavam divagando e nunca pareciam chegar ao assunto. Percebi como outros iam ao assunto em questão, diretamente, e que faziam conjuntos de argumentações sucintas e irrefutáveis. Observei como alguns oradores usavam emoção e linguagem dramáticas, e tentavam comover a audiência com tais técnicas enquanto outros oradores eram sóbrios e equilibrados, até mesmo afastando-se das emoções.

No início, eu fiquei surpreso com a veemência - e franqueza - com a qual as pessoas criticavam o regente. Ele não estava acima das críticas, na verdade ele era quase sempre o principal alvo delas. Mas não importando o quão flagrante era a acusação, o regente simplesmente escutava, não se defendia, sem mostrar emoção alguma.

As reuniões continuavam até que alguma espécie de consenso fosse atingida. Ou elas terminavam em unanimidade, ou não terminavam. Unanimidade, no entanto, podia ser uma concordância em discordar, esperar por um momento mais propício para propor uma solução. Democracia significava que todos os homens deviam ser ouvidos, e uma decisão era tomada juntamente como um só povo. A regra da maioria era uma noção estranha a nós. Uma minoria não devia ser esmagada por uma maioria.

Apenas no final da reunião, quando o sol se punha, o regente falava. Sua intenção era resumir o que havia sido dito e formar um consenso entre as diversas opiniões. Mas nenhuma conclusão era imposta para as pessoas que discordassem. Se um acordo não pudesse ser atingido, outra reunião aconteceria. Bem no final do conselho, um cantor ou um poeta faria um panegírico aos reis antigos, assim como uma mistura de cumprimentos para a sátira sobre os chefes tribais atuais, e a audiência, liderada pelo regente, caía na gargalhada.

Como líder, eu sempre segui os princípios que me foram demonstrados pelo regente no Grande Local. Sempre procurei ouvir o que todas as pessoas, em uma discussão, tinham a dizer antes de dar a minha opinião. Muitas vezes, a minha opinião simplesmente expressava um consenso do que ouvi na discussão. Eu sempre me lembro do axioma do regente: um líder, ele falou, é como um pastor. Ele fica atrás do rebanho, deixando os mais ágeis seguirem adiante, e então os outros seguem, não compreendendo que durante todo o tempo estavam sendo guiados por trás..." (pág. 25-27)


COMENTÁRIO

Achei esse trecho maravilhoso!

A minha história política mais recente, desde que aprendi a ser dirigente e representante dos trabalhadores, tem muito do conteúdo dessas frases citadas na infância formativa de Mandela: ouvir as pessoas, construir consensos, não esmagar minorias...

Minha nossa! Onde estão estas atitudes nos dias que correm entre nós da militância? Não sei!

Mas eu não esmoreço! Sigo fazendo a política do jeito que aprendi.

Abraços e vamos para a estrada refletir muito andando umas vinte e tantas horas...

William


Bibliografia:

MANDELA, Nelson. Nelson Mandela - Longa caminhada até a liberdade. Editora Nossa Cultura. 3ª Edição.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O amor ao meu pai me faz sentir a sua dor



Meu pai querido. Te amo!

Neste domingo (10), dia dos pais, liguei para o meu paizinho e conversamos um pouco, com direito a nos vermos na tela. Disse de meu amor por ele e o quanto eu gostaria de ajudá-lo a resolver seus problemas de saúde, que tanto lhe aborrecem e lhe causam dor.

A saúde de meu pai é um drama que vivemos juntos há muito tempo. Mas a dor física quem sente é ele, apesar de sentirmos juntos a dor que ele sente.

Meus pais nunca tiveram um plano de saúde. Sempre tiveram que se virar no Sistema Único de Saúde. Por diversas vezes nesta vida, foi um drama complicado conseguir atendimento para uma emergência deles, principalmente lá em Uberlândia, onde residem.

Eu acabei virando bancário do Banco do Brasil em 1992 e perante a minha família, passei a ser quase um "privilegiado" por ter um plano de saúde. Nunca alguém me disse isso. Mas sempre me senti mal por isso. Sempre evitei ir ao médico através de convênio porque meus pais não tinham como ter acesso ao mesmo direito. Em décadas de vida, foram dezenas as vezes que estive doente e fiquei em casa até sarar sozinho.

Hoje sou diretor eleito da entidade de saúde de nossos trabalhadores do Banco do Brasil. Começamos faz poucas semanas a participar da gestão.

Ao conversar com meu paizinho neste domingo, falei a ele que eles terão um plano de saúde agora. Vou incluí-los no plano conforme as possibilidades vigentes me permitem para parentes até 3º grau.

Meu paizinho, do alto de sua grande sabedoria de vida (apesar da pouca educação formal) me disse uma verdade impressionante! Ele intuiu que por mais que eu vá incluí-lo num plano, há carências a cumprir nele, e que eu e as demais pessoas da gestão estamos buscando formas de melhorar para o próximo período a entidade de saúde que gerimos, mas que ele sabe que mudanças são de médio e longo prazo.

E... disse que os problemas de saúde na área que lidamos têm dificuldades a serem superadas assim como a saúde pública que está aí.

Por fim, me disse que a dor crônica que ele sente há meses, 24 horas por dia, precisaria ser extirpada agora, ele não tem esse amanhã lá na frente, porque estamos planejando para melhorar e perpetuar nossa entidade por décadas adiante.

Meu pai sente dores hoje. Eu não posso tirar as dores de meu pai. Essa realidade nos dá uma sensação de impotência dolorosa. Nos dá também um senso de humildade e de importância na busca de soluções no agora.

Desejei-lhe forças e disse o quanto eu o amo e o quanto ele é importante pra mim e uma referência de vida.

Obrigado por você estar aqui entre nós meu paizinho, mesmo com seus problemas de saúde. Eu, o senhor e nossa família sabemos que você e a mãe fazem o possível para estarem vivos e alimentarem meu coração pra juntos seguirmos lutando, nós todos, todos nós.

Um beijo meu pai querido.

William Mendes