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segunda-feira, 25 de outubro de 2021

37. Pedro Páramo - Juan Rulfo




Refeição Cultural - Cem clássicos

“... Hacía tantos años que no alzaba la cara, que me olvidé del cielo. Y aunque lo hubiera hecho, ¿qué habría ganado? El cielo está tan alto, y mis ojos tan sin mirada, que vivía contenta con saber donde quedaba la tierra. Además, le perdí todo mi interés desde que el padre Rentería me aseguró que jamás conocería la gloria. Que ni siquiera de lejos la vería... Fue cosa de mis pecados; pero él no debía habérmelo dicho. Ya de por sí la vida se lleva con trabajos. Lo único que la hace a una mover los pies es la esperanza de que al morir la lleven a una de un lugar a otro; pero cuando a una le cierran una puerta y la que queda abierta es nomás la del infierno, más vale no haber nacido... El cielo para mí, Juan Preciado, está aquí donde estoy ahora.”


Conheci as histórias de Pedro Páramo, Susana San Juan, Dolores Preciado, Juan Preciado e outros personagens intrigantes de Comala logo que entrei na Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo. 

Me inscrevi numa disciplina optativa cuja temática era a morte e como os autores hispano-americanos lidavam com o tema em suas diversas formas narrativas no século vinte. Foi um dos livros mais impactantes que já li.

A disciplina era ministrada pelo professor Marcos Piason Natali e lemos diversos contos de autores diferentes e este romance do escritor mexicano Juan Rulfo. Entre os hispano-americanos constava um brasileiro, nosso Guimarães Rosa com o conto "Páramo". A matéria foi incrível! Lemos textos de Sigmund Freud e Karl Marx. Demais! A disciplina coroou minha entrada na Letras, após decidir ser aluno da USP após os trinta anos de idade.

Fiz um trabalho para a disciplina do professor Marcos P. Natali a respeito do romance de Juan Rulfo. O que me chamou muita atenção foram os diálogos entre os mortos ao longo do romance, que inova em outras técnicas também. Meu texto elenca um conjunto de recortes dos diálogos dos personagens que nos fazem refletir muito sobre a situação dos povos oprimidos e explorados. 

O texto se chama "Pedro Páramo - Narrativas da vida e da morte" e está disponível aqui no blog (clique aqui para ler). O lançamento da obra de Rulfo se deu em 1955 e o romance hispano-americano vivia o seu Boom.

É um tremendo clássico da literatura das américas! Ao reler o texto que fiz, vi o quanto o cenário e os personagens retratam toda uma história de misérias e explorações de nossos povos sul-americanos, exatamente como estamos vivendo neste momento no Brasil golpeado e destruído após 2016. Abaixo um excerto do trabalho que fiz:

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Pedro Páramo inova, porém, ao deixar que os mortos falem por si mesmos. Mais que isso: deixa-nos ouvir os murmúrios dolorosos de vidas mal-vividas e de mortes “mal-vividas” pois, agora no reino dos mortos, descobrimos que as almas penam por aí e que não há sequer a salvação esperada, e os sofrimentos seguem até nos corpos, inclusive, com as águas das chuvas:

“...Lo que pasa con estos muertos viejos es que en cuanto les llega la humedad comienzan a removerse. Y despiertan.”
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Enfim, é uma obra para reler sempre! Um clássico que nos põe a pensar sobre a condição humana.

William


Bibliografia:

RULFO, Juan. Pedro Páramo. Edición de José Carlos González Boixo. Catedra Letras Hispánicas. Madrid, 1998.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Leitura: Historia de una mujer... Margo Glantz





Refeição Cultural

A leitura dessa obra da escritora mexicana Margo Glantz se dá no contexto de estudos de graduação em Letras da Universidade de São Paulo. 

Meu contato com a obra de Glantz se deu através da disciplina "Poéticas de autor en la Literatura Hispanoamericana", com a Professora Adriana Kanzepolsky, que definiu a temática e a autora para estudos durante o semestre.

O primeiro texto que lemos e discutimos em sala de aula foi "Zapatos: andante con variaciones", contido neste livro "Historia de una mujer que caminó por la vida con zapatos de diseñador" (2005).

Uma experiência interessante em relação a essa narrativa foi ouvir a própria autora lendo o texto, pois o áudio está disponível na internet. 

Glantz está dentro de um espectro de autores contemporâneos classificados como autores de literaturas não-específicas em relação a gêneros literários mais tradicionais. É possível identificar vários tipos de linguagens discursivas em sua obra.

Ao ouvir pela segunda vez o áudio narrado por ela, percebi um pouco da característica de Glantz de sempre reler e refazer seus textos. A edição que ela leu no áudio tem diferenças e fragmentos inteiros incluídos na narrativa em relação ao texto que tenho em mãos - Editorial Anagrama. Barcelona, edição de 2005.

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Apresentação do livro por parte da Anagrama Editorial, na parte de catálogo das obras:


"Historia de una mujer que caminó por la vida con zapatos de diseñador

Glantz, Margo

Todo acto de escritura es un acto de destrucción, y todo escritor se destruye a sí mismo al cortar paño sobre su propio traje en el acto mismo de la autobiografía. Pero ¿se tratará en verdad de una autobiografía? Nora García, la protagonista de esta Historia, es una mujer que experimenta el mundo a través de su cuerpo, es más, se conecta con él desde la punta de los pies, y si éstos van calzados con zapatos de diseñador, el camino por andar se vuelve menos arduo. El lenguaje es, quizá, otra de las vertientes de esta Historia, una exploración de las palabras que se comportan como un cuerpo femenino degradado. El cuerpo de Nora García es un cuerpo azotado, desecado (la narradora ha experimentado desde su cuerpo el mundo entero) al que se puede doblegar, vaciar, aniquilar, dejarlo listo para una cocina del texto, palabras desplumadas o destripadas como si fueran aves o bestias. La memoria se convierte en una farsa, «cae» en la farsa, en la de fragmentación del cuerpo y de la de la experiencia que posibilita destruir no sólo la historia de Nora García, sino los signos de una existencia previamente delineada, donde sólo los zapatos conectan con la realidad."

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A postagem segue depois com anotações de aulas e ou excertos e destaques de algumas das narrativas do livro.

(...)

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Margo Glantz - Reflexões e memórias de uma época através da ironia de um Eu ficcional


Margo Glantz. Foto Wikipedia, de Aline L. Cámara.

Refeição Cultural

Este artigo é meu trabalho de conclusão de semestre na disciplina que fizemos com a professora Adriana Kanzepolsky. Eu gostei muito da matéria e das aulas da professora. Não consegui fazer o trabalho da forma como gostaria. Faltaram mais leituras críticas. Cheguei a pensar em não fazer o trabalho, mas o fiz de forma honesta e do jeito que foi possível. Dessa forma, sugiro a eventual leitor do texto que o leia de forma crítica, mais como curiosidade e para despertar interesse na escritora e no tema.

William

Margo Glantz - Reflexões e memórias de uma época através da ironia de um Eu ficcional

"Me acuerdo que he escrito varios de estos recuerdos en otros libros. pero los he formulado de manera diferente: el orden de los factores en literatura altera definitivamente el producto." (GLANTZ, 2014, p. 91)

INTRODUÇÃO

A oportunidade de conhecer e estudar a poética da escritora e ensaísta mexicana Margo Glantz foi bastante enriquecedora sob vários aspectos. Alguns deles me agradaram bastante.

Sua obra é um excelente leque de opções para se compreender o conceito atual de literaturas inespecíficas. Em muitos de seus livros e narrativas ficcionais, vemos Eu líricos que apontam e registram com textos argumentativos e ensaios profundos grandes dilemas da atualidade. Suas ficções e contos mesclam autobiografia, histórias coletivas e questões de época e suas pitadas de ironia e humor amenizam o tom narrativo, sem deixar de pontuar as graves denúncias sociais.

A poética e a técnica narrativa de Margo Glantz fazem com que sua leitura seja leve e prazerosa, e suas temáticas lidam muito bem com a questão do texto e do mundo fragmentado de nossa realidade, porém seus textos alinhavam fragmentos sobre as coisas de nosso tempo, unificam e dão sentido aos grandes problemas de nossa época.

Dos conteúdos que vimos durante o semestre de aulas, um dos que mais me identifiquei na temática e poética de Glantz foi o das formas de contar a memória própria, a memória familiar e a memória de uma época. Os livros Las genealogias (1998) e Yo también me acuerdo (2014) me agradaram muito e me fizeram pensar bastante sobre a vida e sobre a nossa realidade.

Vivemos numa época dura em que a velocidade dos acontecimentos, a simultaneidade das coisas e a necessidade de estarmos sempre informados de tudo - como se isso fosse possível - causa tensão e sofrimento aos indivíduos, e a cada amontoado de informações e dados que nos chegam, verdadeiros ou falsos, mais perdidos e desinformados nos sentimos.

Margo Glantz é uma escritora que vale a pena ler e acompanhá-la, pois além de viajar o tempo todo, ela é adepta das redes sociais, não pensa duas vezes antes de expor o que pensa, mantém perfil no Twitter e diariamente opina sobre fatos e acontecimentos, além de compartilhar suas ideias e reflexões.

Apresento abaixo, alguns fragmentos de obras de Margo Glantz com reflexões geradas a partir dos registros feitos pela autora ou, como os críticos apontam após o ressurgimento dos autores - mortos desde Barthes em 1968 (SPERANZA, 2008) -, registros feitos através de Eu líricos que se mesclam com sua criadora.

TODOS OS GÊNEROS VALEM A PENA

Se tomarmos como referência os dois livros que disse sobre a autora, que abordam a memória, o instante que se registra e o passado que vem à tona, podemos citar questões apontadas pela escritora, enquanto exercício de memória, que nos levam a refletir sobre a temática e dela gerar nova reflexão.

Vejamos algumas citações de Yo tambiém me acuerdo:

"Me acuerdo que para Poe la novela moderna es objetable por ser demasiado larga." (GLANTZ, 2014, p.)

"Me acuerdo de Poe e su Teoría de la composición: se inclinaba sin vacilar por el texto breve, por el cuento en prosa, escribió que prefería la narración breve, cuya lectura dura entre una hora y dos."
(GLANTZ, 2014, p.)

Lendo as recordações de Glantz a respeito do que pensava Poe sobre a importância da brevidade dos textos e narrativas, fico pensando até que ponto a humanidade deveria repensar a tendência deste início de século XXI em reduzir, reduzir e reduzir o uso da linguagem como temos visto em ferramentas de comunicação como, por exemplo, o Twitter, ou por "memes" e emojis, ou mesmo se comunicar só por imagens.

Em entrevista recente ao jornalista Luis Nassif, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis aponta dados alarmantes em relação à regressão naquilo que poderíamos chamar de capacidade de comunicação e linguagem humana.

Ao falar sobre a redução da importância da imprensa escrita, Nicolelis comenta que o ser humano está passando por um processo de mutação de sua espécie. O coeficiente de inteligência sofreu redução de 10 pontos nos últimos 20 a 30 anos nas sociedades avançadas; a redução do uso de palavras e do vocabulário dos jovens norte-americanos foi de 30% nos últimos 40 anos; houve redução da compreensão de texto escrito e diminuiu-se a habilidade para escrever e comunicar ideias nos últimos anos.

O cérebro é flexível e realoca energia de áreas que não estão sendo utilizadas para outras áreas do corpo humano. Ou seja, ao se deixar de ler textos complexos, usar o cérebro para criar e resolver problemas, estamos inutilizando o cérebro. É chocante!

Segundo o neurocientista, a longo prazo, poderia estar surgindo uma nova espécie, a homo digital, espécie menos vocal, menos social, menos comunicativa, menos inteligente e menos capaz de desafiar o automatismo e controle que os sistemas políticos poderiam exercer sobre nós.

As informações de Nicolelis só confirmam o que aprendi desde que comecei a estudar, que estudos científicos destacaram a importância da solução de problemas complexos na evolução do cérebro humano, e o uso intensivo do cérebro aumentou nossa inteligência e nossa capacidade de uso da linguagem, nos destacando dos demais animais existentes. A linguagem verbal e escrita teve papel central em nossa evolução.

"Me acuerdo que Poe pensaba que al no poder leerse de un solo impulso la novela se ve privada de la inmensa fuerza que se deriva de la totalidad." (GLANTZ, 2014, p.)

O escritor, contista, poeta e ensaísta norte-americano Edgar Alan Poe, por exemplo, foi um produtor de textos literários do século XIX. Ele nos deixou um patrimônio cultural importante. Acertou em muitas coisas; errou em outras. Ainda bem que outros escritores, de outros gêneros literários, inclusive, também nos deixaram patrimônios culturais com técnicas antagônicas às de Poe.

Se a contradição não fosse possível e se prevalecesse somente a simpatia pelo texto breve por ser aquele que melhor expressaria a totalidade de uma história, não seria no mesmo século XIX em várias partes do mundo que o romance moderno cairia nas graças populares justamente pela técnica de se publicar em capítulos e fragmentos os romances e novelas em jornais e revistas, em folhetins, deixando interrompido o texto num momento importante, para se saber no texto seguinte o que aconteceu na trama.

A estratégia de se publicar romances e novelas em folhetins, além de fixar de vez na cultura popular a leitura de literatura, criou o que hoje conhecemos como leitores de literatura e também fortaleceu um mercado editorial. Que o diga um contemporâneo de Poe, Balzac na França.

Vale destacar que a literatura pode e deve ser uma fonte de prazer. Compartilho do gosto de Margo Glantz pelos contos de Poe, que também me encantam.

"Me acuerdo que me gusta releer los cuentos de Poe, en especial Berenice, enterrada viva y despojada brutalmente de sus dientes por el protagonista." (GLANTZ, 2014, p.)

O REGISTRO DO INSTANTE COMO MEMÓRIA DE UMA ÉPOCA

"Al leer las noticias ¿cómo decidir qué es lo más importante?"
(GLANTZ, 2018, p. 11)

Dentro do tópico de formas de contar a memória, de registrar o instante e evocar o passado, Y por mirarlo todo, nada veia (2018) é outra obra de Margo Glantz muito peculiar em sua estética do fragmento e que aborda a questão da enorme dificuldade que as pessoas têm na atualidade em lidar com a quantidade absurda de informações simultâneas e ininterruptas, gerando com isso algum tipo de sofrimento e dilemas em se definir o que seria relevante ou não nas notícias.

Vejamos o exemplo abaixo do livro de Glantz e o registro comparativo de uma época, que poderíamos fazer a respeito do momento dramático por que passa o Brasil:

"(...) ¿qué policías de Estados Unidos hayan matado a más de mil personas indefensas durante 2015, (...)"
(GLANTZ, 2018, p. 11)

Cito aqui uma notícia comparativa, um dado de nossa realidade brasileira e um registro de época, talvez mais relevante que o exemplo norte-americano, se compararmos o volume de vítimas assassinadas pela polícia dos Estados Unidos em 2015 com o caso da polícia fluminense; lembrando que naquele país vivem mais de 328 milhões de pessoas.

Segundo o artigo do jornalista Eric Nepumoceno, do Jornalistas pela Democracia, a polícia do Estado do Rio de Janeiro matou nos primeiros 10 meses do ano de 2019, o total de 1.546 pessoas. Foram em média 5 pessoas por dia, num Estado que tem uma população de pouco mais de 17 milhões de pessoas (IBGE, 2018).

E pensar que dos milhares de dados e informações pesquisados pela escritora Margo Glantz, chamou atenção dela e mereceu registro em seu livro o grande volume de pessoas mortas pela polícia norte-americana.

Que fique registrado aqui o quanto as coisas no Brasil são exponenciais quando comparamos nossas misérias com as dos países chamados avançados ou desenvolvidos.

CRÍTICA ÁCIDA E BEM HUMORADA

Um dos traços característicos que apreendemos ao ler a poética de Glantz é a forma de tecer crítica a grandes questões da sociedade e da humanidade.

De repente, em meio a descrições de fatos ou nas narrativas ficcionais, surgem as críticas a temas como discriminação, violência, pobreza, crimes diversos, e a escritora tem uma maneira bem peculiar de fazer as críticas, com uma fina ironia ou com certa dose de humor.

Vejamos o exemplo abaixo, em Yo también me acuerdo:

"Me acuerdo de que los arquitectos famosos son buenos diseñadores, pero se olvidan de los usuarios; en la Cineteca Nacional los baños son exiguos y las salas de exhibición no tienen salida de emergencia." (GLANTZ, 2014, p. 87)

"Me acuerdo que cuando diseñan los baños de los edificios públicos a los arquitectos se les olvida que las mujeres necesitamos más espacio para orinar que los varones." (GLANTZ, 2014, p. 87)

"Me acuerdo que en los baños de mujeres siempre se hace cola y que los baños de hombres casi siempre están vacíos." (GLANTZ, 2014, p. 87)

Seu humor e a forma irônica de fazer denúncias sociais ou críticas sobre algum tema são muito refinados em seus textos. Percebi isso nos contos que lemos da autora e também nas entrevistas que li e ouvi na internet ao longo do semestre letivo.

Vejamos abaixo mais um exemplo da técnica através de uma passagem no livro Las genealogías, em uma frase dela quando o pai conta que levou umas bofetadas quando foi cobrar uma dívida de pães e confeites de um cliente mexicano:

"Así cumplió mi padre con los preceptos bíblicos y gano el pan con el sudor de su frente" (GLANTZ, 1998, p. 105)

POLÍTICA, ECONOMIA E HISTÓRIA

Margo Glantz faz registros de acontecimentos e fatos da época que estamos vivendo. O fechamento de livrarias como consequência do capitalismo e da tecnologia; as lutas de emancipação e igualdade de gênero, sempre aquém do avanço necessário; grandes eventos políticos e sociais que alteram a história. A diferença dos registros dela está na qualidade da escrita: crítica, irônica e reflexiva.

Desaparecimento das livrarias:

"Me acuerdo que hace unos días otra librería desaparecío en París." (GLANTZ, 2014, p. 55)

"Me acuerdo que hace como cuatro años fui a buscar libros y revistas a esa librería: había sido sustituída por una boutique Lévi-Strauss." (GLANTZ, 2014, p. 55)

Direitos das mulheres:

"Me acuerdo de una frase que escribió Simone de Beauvoir en 1980: No olvidar jamás que bastará una crisis política, económica o religiosa para poner en cuestión los derechos de las mujeres." (GLANTZ, 2014, p. 56)

Fim do regime de Stálin:

"Me acuerdo de un titular periodístico mexicano, en marzo de 1953: Alzó los tenis el padrecito Stalin." (GLANTZ, 2014, p. 19)

Questões nacionais do México:

"Me acuerdo que México ya tiene el primer lugar en casos de obesidad, y que, afortunadamente, alcanzamos el tercero en casos de corrupción." (GLANTZ, 2014, p. 62)

"Me acuerdo que las calles de la Ciudad de México se han vuelto intransitables." (GLANTZ, 2014, p. 62)

SOBRE KARL MARX

Um dos maiores filósofos da humanidade é também um homem, nos lembra Margo Glantz, e com isso está sujeito a todas as questões de época, cultura e costumes. Nesta passagem, vemos a questão do machismo e da desigualdade de gênero.

"En un libro recientemente publicado en Francia, las hijas de Karl Marx definen en cartas sucesivas la felicidad desdichada de tener como padre el famoso doctor. Al nacer alguna de ellas, Eleanor, Marx le anuncia a su fiel Engels: 'Desgraciadamente es del sexo por excelencia.' Puede absolverse a Marx quizá si se piensa que uno de sus hijos ya había muerto por entonces y el otro estaba agonizando y que el único vástago de Marx que sobreviviera fue el que tuvo con la sirvienta, hijo que, como amigo entrañable, por no decir otra cosa, Engels adoptó como suyo y que las hijas de Marx ignoraron hasta la muerte del barbudo compañero de su padre..."
(GLANTZ, 1998, p. 76)

RESMUNGANDO UMA LÍNGUA QUE NÃO É SUA

Nas obras de Margo Glantz vemos o tempo todo algumas questões relativas a certas hierarquizações de estratos sociais - pessoas e grupos que se colocam acima dos outros -, e isso se dá como algo cultural.

Falar uma língua que não é sua, por exemplo, pode fazer com que você se sinta excluído, diminuído em certos ambientes que utilizam isso para classificar pessoas e grupos. Não por parte do falante estrangeiro, mas por preconceito do ouvinte nativo.

Ela usa o verbo "mascullar" para apresentar o contexto em que um personagem tenta se comunicar em uma segunda língua, em um mundo que não é o seu mundo de origem.

"El señor Filler le prestó a mi mamá 50 pesos, mismos que sirvieron para pagar la cuenta del hospital. Mientras mi padre estaba enfermo, mi madre salía a vender el pan con Serafín, el muchacho oaxaqueño, bajito y fornido, que se reía todo el tiempo cuando oía a mi papá mascullar el español. Toda la gente veía a mi mamá como si fuera marciana, vestida muy elegante, vendiendo pan de casa en casa."
(GLANTZ, 1998, p. 110)

UN RATO* CON LAS RATAS

Momento em que o pai de Margo foi preso nos anos vinte por ser de esquerda (e ser confundido com anarquistas) e protestar contra as injustiças do governo no México.

"Y no es juego de palabras, pero ese rato se convertía en ratas que de tamaño descomunal se paseaban sobre la cama y sobre el preso..." (GLANTZ, 1998, p. 113)


* Em espanhol "un rato" é um instante, um tempo curto, um momento.

CRISTÓVÃO COLOMBO OU HERNÁN CORTÉS?

"Todo emigrante que viene a América se siente Colón y si viene a México quiere ser Cortés. Mi padre prefirió a Colón y, como Carpentier, escribió un poema épico lírico sobre el navegante genovés..."
(GLANTZ, 1998, p. 136)

O senhor Glantz extraía dentes para sobreviver. Mas não gostava nem um pouco da atividade "sangrenta". Também não gostava de fazer obturações porque era algo chato. Nas horas vagas escrevia poesia, era o que gostava e preferia.

"Sacar muelas era menos aburrido pero más sangriento, lo único que importaba era leer y hacer poesía. Por eso escribió Banderas ensangrentadas, en 1936, poema político en honor de los republicanos españoles, y luego, en 1938, su gran poema dedicado a Colón..." (GLANTZ, 1998, p. 137)

OVELHA NEGRA E FILHA PRÓDIGA

"Kzaid es el pedazo de pan que se arranca de la hogaza antes de bendecir el sábado. Luego escribió otro gran poema, Nizaión (Prueba), dedicado a mí, cuando traicioné al pueblo elegido. Fue traducido por los 50 como Cantares de ausencia y de retorno. Allí, aparezco como oveja negra, y luego, quizá también, como Hija Pródiga." (GLANTZ, 1998, p. 138)

A MEMÓRIA PODE NOS TRAIR (OU PODE SER CONVENIENTE)

"Repetir un acto mil vezes condensa el recuerdo, pero los recuerdos traicionan aunque se recuerden mil veces en la mente. Jacobo niega ciertas minucias que antes recordaba y los calzones con encaje se transforman simplemente en encaje suizo, maravilloso, delicado, pero aún suelto, sin ropa que decorar. Mi padre dice que cada vez recuerda mejor las cosas de su infancia y que casi todo lo demás se borra: a veces resucita y yo lo aprovecho como buitre."
(GLANTZ, 1998, p. 103)

Interessante essa reflexão sobre nossas memórias e suas seletividades. O que antes era calcinha com renda, artefato talvez inapropriado para pessoas de certa religião ou visão conservadora de comportamento individual, se transforma por um misterioso ato da memória em renda suíça, sem ligação com a calcinha que adornava.

Se pensarmos bem, nossa memória faz isso o tempo todo, quando lhe é conveniente.

Fim

BIBLIOGRAFIA

GLANTZ, Margo. Las genealogías. Alfaguara, México, 1998.

GLANTZ, Margo. Y por mirarlo todo, nada veía.
Editorial Sexto Piso, Espanha, 2018.

GLANTZ, Margo.
Yo también me acuerdo. Editorial Sexto Piso, Espanha, 2014.

SPERANZA, Graciela. ¿Dónde está el autor?, en Otra parte. Revista de letras y artes, nº 14, outono de 2008.

NEPOMUCENO, Eric. Jornalistas pela Democracia, no site Brasil247, em 25 de novembro de 2019: https://www.brasil247.com/blog/o-genocida-wilson-witzel-e-sua-policia-assassina

NICOLELIS, Miguel. Entrevista a Luis Nassif, no site GGN, em 12 de julho de 2019: https://jornalggn.com.br/novademocracia/nova-democracia-tv/uma-entrevista-imperdivel-com-nicolelis-por-luis-nassif/

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Margo Glantz - Poéticas de autor


Livro de Margo Glantz, de 2018.

Refeição Cultural

Estamos estudando neste semestre a poética da escritora mexicana Margo Glantz. Impressiona constatar que uma autora de carreira reconhecida internacionalmente como ela não tenha obras publicadas no Brasil. É impossível comprar um livro dela, seja editado em língua portuguesa, seja na língua espanhola. Dureza, viu!

No programa da disciplina "Poéticas de autor na Literatura Hispano-Americana", disciplina ministrada pela Professora Adriana Kanzepolsky, vimos os relatos do livro Historia de una mujer que caminó por la vida con zapatos de diseñador (2005); também vimos o livro Las genealogías (2013); agora estamos vendo Yo también me acuerdo (2014); por fim, foi falado na última aula sobre o livro mais recente dela, Y por mirarlo todo, nada veía (2018).

A estrutura do livro, que já é fora do comum, nos faz sentir um pouco do que o livro retrata: a questão da imensidão de informações e a nossa capacidade ou falta de capacidade em lidar com essas informações. 

"Al leer las noticias ¿cómo decidir que es lo más importante? ¿Que el 31 de enero de 2018 apareciera en el cielo una enorme Luna azul, ensangrentada; que al conocer a Felice, su futura prometida, Kafka escribiera en su Diario: Un rostro vacío que llevaba abiertamente su vacío; que..."

Da pergunta adiante, uma série de "que..." vai colocar lado a lado todo tipo de informação que exista, de amor, ódio, violência, trivialidades, algo fantástico e inédito na ciência etc.

É muito interessante...  

Segue abaixo, a apresentação do livro mais recente dela, que reproduzo a título de informação. É texto de divulgação do livro, da Editorial Sexto Piso.

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"Y por mirarlo todo, nada veía

Uno de los grandes problemas que ha traído consigo la proliferación de discursos en las redes sociales es que pareciéramos vivir en un mundo en el que todos hablan y nadie escucha. El torrente de información que circula frente a nuestros ojos cada día, sea verdadera o falsa, cohíbe la posibilidad para sopesar el contexto, el trasfondo y las implicaciones de aquello que leemos. En este universo colmado de noticias, Margo Glantz realiza un recorrido por el mundo y por sus emociones (tanto las profundas, eco de la memoria, como las banales, prurito cotidiano), y nos muestra a través de un mosaico ora trágico, ora cómico, ora conmovedor, ora espeluznante, la compleja tarea que tiene ante sí el individuo que quiera instalarse en el mundo y, peor aún, comprender lo que sucede en su entorno.

En Y por mirarlo todo, nada veía Glantz recurre a una de las máximas improntas de su obra narrativa: la escritura fragmentaria. Heredera de una tradición que va desde Walter Benjamin hasta David Markson, la escritora mexicana mete en una misma página los horrores del ISIS y las adicciones de Charlie Sheen; el exilio de los colibríes de su jardín y las consecuencias del ecocidio que se lleva a cabo a escala planetaria; aforismos de Kafka y espeluznantes reportes de feminicidios en México y otros países del mundo; el descubrimiento de un sistema solar cercano al nuestro y la extinción de las abejas.

Utilizando su sensibilidad y su erudición como puntas de lanza, Glantz nos regala un collage de emociones, imágenes, datos y reflexiones que en su estruendoso eco nos obliga a hacer un alto en el camino para ponderar la mejor vía para continuar en la cada vez más ardua tarea de andar por este mundo.

Año de publicación: 2018
Coedición: UNAM
Edición: 1ª
Formato: Rústica
Páginas: 168
Tamaño: 15 x 23 cm."

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O livro é bem interessante. Nos coloca a pensar sobre o mundo de hoje...

sábado, 28 de setembro de 2019

Leitura IV: Las Genealogías (1981) - Margo Glantz




Refeição Cultural

A leitura do livro de Margo Glantz, Las Genealogías, faz parte dos estudos de uma disciplina que estamos cursando na graduação de Letras da Universidade de São Paulo. 

A matéria e as aulas da professora Adriana Kanzepolsky são muito legais. Ao lermos os textos da autora e os textos críticos, estamos atentos aos objetivos da matéria (abaixo), e as aulas nos trazem as percepções que muitas vezes não percebemos ao ler os textos.

"Objetivos

Analizar las tensiones que atraviesan una poética articulada en torno de una escritura fragmentaria y hecha de restos y que al mismo tiempo construye una totalidad autocentrada.

Estudiar los procedimientos que en este proyecto escriturario apuntan al borrado de la autoría: la cita, el plagio, la variación, la indicación de fuentes, el armado de tradiciones, la autocita y simultáneamente la persistencia de un yo que retorna de un libro a otro.

Reflexionar sobre un proyecto estético que tempranamente diluye las fronteras entre los géneros textuales y entre las diversas disciplinas artísticas, para insertarse en lo que hoy se conoce como un arte inespecífico.
" (programação desenvolvida pela professora Adriana)


Na internet é possível ver entrevistas com a autora Margo Glantz e acho bem interessante vê-la falando sobre os livros e os temas que discorre em suas obras.

Sigamos com a leitura do livro. Estou fazendo algumas postagens para facilitar minha própria leitura da obra. A primeira postagem com alguns excertos pode ser lida aqui.

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Sigo a leitura a partir do capítulo XXXVIII, na página 124.

O senhor Glantz começa a escrever em yidish quando chega ao México nos anos vinte. Na época já havia cerca de cinco mil judeus por lá. Ele criou uma revista que se chamou La Semana (Die Voj) e durou dois números. 

A autora conta que há no México dois diários para a comunidade israelense - Der Weg (El Camino) e Die Stime (La Voz). Há dois semanários em espanhol também: La Tribuna Israelita e La Prensa Israelita.

O personagem diz à filha que a primeira coisa que os judeus fazem ao chegar a um lugar é construírem uma sinagoga e um panteão.

SENHOR GLANTZ ESCREVEU POR 50 ANOS

"Mientras mi padre escribía poemas, mi madre los oía. Suena raro, pero quiere decir que todos los poemas se los leía en voz alta y ella criticaba duramente, él aceptaba las críticas con 'lágrimas en los ojos'." (p. 126)

A QUESTÃO DO EXÍLIO E A BUSCA DE UM TERRITÓRIO

Ao longo da obra, a autora vai refletindo a partir das histórias de seus pais e demais antepassados a questão sempre presente da territorialidade para os judeus.

"Comunidad judía pequeña, la de México, ni comparación siquiera con la de Nueva York y no digamos con la de Rio de Janeiro o con la de Buenos Aires. ¿Qué mueve a los judiós del exilio a ver y cultivar esas obras de teatro? ¿No será una nostalgia de un territorio que nunca les ha pertenecido, pero que sin embargo en algo fue suyo? ¿Será la creación de un espacio sagrado donde por um momento se vive en un contexto conocido porque se ha recreado en el escenario? ¿Será porque las expresiones de los rostros o el sonido de las voces resume un estremecimiento y figura una corporeidad? El caso es que toda la gente va al teatro, los teatros están llenos. ¿Cuáles?, el que se rentaba, el teatro Abreu, y, más tarde, uno propio en Leandro Valle. Quizás el teatro explique esa necesidad que tenían muchos judíos de sumergirse en un mundo sólo yidish para entenderse, como cuando iban a la casa de mi madre (que apenas sabía yidish pero hablaba en ruso), muchos jóvenes de entonces..." (p. 131)

GUARDAR A MEMÓRIA DO ATO DE RECEBER ALGO E NÃO DO OBJETO QUE RECEBEU

Achei bem interessante essa passagem da memória. A autora guardou que alguém lhe dava algo, mas não se recorda do que era. A memória saudosa é para o ato de receber um presente em si, e não do que recebeu.

"(...) cuya esposa Clara llegaba a visitarnos cuando éramos niñas trayendo siempre un hermoso regalo que aún conservo en la memoria, en su carácter sagrado de regalo y no de objeto, porque no recuerdo en absoluto qué nos regalaba. ¿Serían dulces o chocolates o algún juego? No lo sé, pero no importa, permanece en el recuerdo con la consistencia esponjosa y crujiente de una envoltura delicada y cariñosa." (p. 131/132)

CRISTÓVÃO COLOMBO OU HERNÁN CORTÉS?

"Todo emigrante que viene a América se siente Colón y si viene a México quiere ser Cortés. Mi padre prefirió a Colón y, como Carpentier, escribió un poema épico lírico sobre el navegante genovés..." (p. 136)

O senhor Glantz extraía dentes para sobreviver. Mas não gostava nem um pouco da atividade "sangrenta". Também não gostava de fazer obturações porque era algo chato. Nas horas vagas escrevia poesia, era o que gostava e preferia.

"Sacar muelas era menos aburrido pero más sangriento, lo único que importaba era leer y hacer poesía. Por eso escribió Banderas ensangrentadas, en 1936, poema político en honor de los republicanos españoles, y luego, en 1938, su gran poema dedicado a Colón..." (p. 137)

OVELHA NEGRA E FILHA PRÓDIGA

"Kzaid es el pedazo de pan que se arranca de la hogaza antes de bendecir el sábado. Luego escribió otro gran poema, Nizaión (Prueba), dedicado a mí, cuando traicioné al pueblo elegido. Fue traducido por los 50 como Cantares de ausencia y de retorno. Allí, aparezco como oveja negra, y luego, quizá también, como Hija Pródiga." (p. 138)



Leitura segue depois...

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Las ballenas y las vacas, animales de escritura



Comentário do blog:

Esta entrevista de Tununa Mercado a escritora Margo Glantz tem como fonte a biblioteca virtural Miguel de Cervantes. Estou estudando Glantz neste semestre na faculdade de Letras e a professora nos pediu para lermos e conhecermos várias entrevistas e textos críticos sobre a escritora. 

O compartilhamento de alguns textos de outras fontes neste blog é por motivo puramente educativo e informativo. Caso algum autor se incomode com algum texto compartilhado é só me avisar.

Margo Glantz. Foto da Wikipedia,
de Alina L. Cámara.

Las ballenas y las vacas, animales de escritura

Entrevista de Tununa Mercado a Margo Glantz


Se llama Margo Glantz pero los argentinos que la conocen, arrastrados por la connotación tanguera, insisten en llamarla Margó. Nació en México en los treinta. En el mundo literario latinoamericano hay pocos que hayan podido reunir como ella una obra crítica y académica tan brillante y una obra literaria que por su audacia está fuera de lugar, en una constelación aparte que tolera pocos nombres. Algunos de sus libros son libros-objeto, otros ya son de colección, inhallables. En el transcurso de esta entrevista Margo Glantz traza parte de su propia bibliografía, que alcanza más de treinta títulos. Faltan de esa lista sus dos últimos libros de «ficción», una novela, Apariciones (México, Alfaguara, 1996) y Zona de derrumbe, relatos, que acaba de publicarse en Beatriz Viterbo Editora. Esos títulos, así como sus ensayos literarios, Esguince de cintura, ¿Sor Juana Inés de la Cruz, hagiografía o autobiografía? y Borrones y borradores. Reflexiones sobre el ejercicio de la escritura (Ensayos de literatura colonial. De Bernal del Castillo a Sor Juana Inés de la Cruz) estaban en proceso de escritura o de publicación cuando se hizo esta entrevista.


P) Si algo sorprende en tu obra es la variedad y la versatilidad de sus registros. La mirada erudita se detiene en el detalle, y en éste se solaza una cosmovisión que termina por expandir lo que aparentaba pequeñez. Quisiera poder deslindar el mecanismo de selección que configura finalmente tu singularidad y la singularidad de tus textos. Empecemos por tus objetos imaginarios, acaso los más remotos, los que estaban en el primer orden y en el primer desorden, en el ropero de la infancia.

- Yo no me puedo acordar demasiado de lo que había en mis roperos porque nos mudábamos permanentemente de casa. Había más bien una carencia. Recuerdo haber tenido muñecas hasta los cinco o seis años. Me acuerdo de algunas: una muñeca que me regalaron porque aprendí a leer muy temprano, que tenía un mecanismo muy curioso; era muy antigua, pero hablaba. Tenía una especie de tela adhesiva con agujeritos en la panza. Y yo me metí en la tina con ella y, desde luego, dejó de hablar. Debo haber tenido entonces unos seis años. A partir de ese momento yo no merecí ningún premio, ninguna muñeca. Después, cuando mi hermana Susana se enfermó de tuberculosis ósea y tuvo que usar muletas, mi papá fue a los Estados Unidos y trajo una sola muñeca, una Shirley Temple, con un pijama de seda chino, con unas franjas naranja y un dragón bordado, y se la regaló a ella. Entonces yo entré en una violencia infinita, tomé la muñeca, la metí en la mochila de la escuela que estaba llena de tinta, sucia, porque siempre fui de lo más torpe y descuidada, y me escapé de la casa. Nadie se dio cuenta, estuve varias horas fuera. Recuerdo también que una amiga de mi mamá tenía una hija, que tenía una colección de muñecas de papel. Siempre me han fascinado. Un día me fui de mi casa, no con la intención de escaparme sino de llegar a la casa de esta señora, con esa niña, y ver las muñecas; eran de ésas a las que se le superponían los vestidos, una colección impresionante, y yo me pasé toda la tarde vistiendo muñecas. Y mi mamá enloquecida, ese día sí se dio cuenta de que faltaba. Era una casa que quedaba por la antigua Facultad de Química. Había habido un asesino que se llamaba Chucho o Pipo Cárdenas que había matado cerca de diez mujeres, se decía que prostitutas, y las había enterrado en el jardín. Mi mamá estaba aterrada, porque suponía que yo podía estar por esos rumbos. Hasta que por fin dieron conmigo y, por supuesto, me dieron una paliza.

P) Siempre deseando las muñecas de otras.

- Pues sí, yo era la segunda de cuatro hermanas. Me acuerdo de una muñeca que tuve -a lo mejor me acuerdo por el retrato que tengo con ella y no por la muñeca-, en el que estoy con mi hermana Lily, mi papá y mi mamá, cargando la muñeca. Las dos estamos vestidas de niñitas marineras, con esos vestiditos azul marino, con botones dorados, y cada una con un sombrero diferente. Pero para mí eran también importantes los libros y el piano. Mi papá tenía miles de libros. En una de las múltiples mudanzas vivíamos en el cuarto piso y me acuerdo de los cargadores, bajando cajones inmensos, llenos de libros, que pesaban como demonios, y ellos con unos mecapales en la cabeza, a lomo, bajaban pisos y pisos ese montonal de libros y ese piano.

P) Eran ustedes trashumantes...

- ¡Uh! vivimos en todas partes. En La Merced, en La Lagunilla, en Cuauhtemotzin, en Niño Perdido, en Zaragoza, en la colonia Guerrero, en Amsterdam, en Hipódromo, en Anzures, en la Calzada México Tacuba, en la colonia Juárez, en la colonia Roma, vivimos en todo México.

Nunca supe por qué se cambiaban tanto mis padres. Se lo pregunté a mi madre antes de que muriera, pero ella no dio razones. Tal vez porque quebraban y no les alcanzaba para pagar la renta, o porque ponían un negocio e iban cerca del negocio, no lo sé, pero nos cambiábamos. Cada negocio que tenía mi padre quebraba; tenía negocios de peines de acero, de peines de madera, de cajas de cartón, tuvo un café que cerró, una imprenta; fue dentista, antropólogo, vendía pan, era impresionante. Y mi mamá, cuando éramos muy niñas se ocupaba de nosotras, mucho; de repente tuvo que ganarse la vida porque mi papá era absolutamente imprevisible. De pronto, como se aburría de vender pan de casa en casa, se puso a estudiar odontología en la Libre y se volvió dentista. Después le dio asco sacar muelas, se aburrió de nuevo y decidió estudiar antropología; entonces, como de antropólogo no vivíamos, empezó a descender y nosotras con él.

P) ¿De todos esos oficios, con cuál te identificabas más?

- De todas las ocupaciones de mi padre yo me identificaba con la lectura. Leer, leer y leer y leer y leer y pensar. Mi padre me dejaba leer todo lo que había en la casa. Tenía todo: Shakespeare y Calderón, mitología griega, novelas pornográficas, novelas de folletín, novelas rosa, que yo leía al mismo tiempo; aventuras de exploradores por el Polo Norte y exploradores por el Polo Sur, descubridores desde Colón, y más atrás aún, desde los argonautas. A mí todo eso me fascinaba.

P) ¿Recuerdas cuál fue el primer libro que leíste?

- Mi padre tenía un libro muy curioso, que ahora lo tengo yo: Florilegio de poesías varias o quizás de varia poesía, un libro que traducía al español poesías de los poetas jónicos, de Safo, Anaximandro, Anaxímenes, de Catulo, Virgilio, Leopardi, Rubén Darío. Y yo me aprendía de memoria los poemas. Creo que leí, siendo muy chica, el Rey Lear; leí muchas veces Los hijos del capitán Grant, Un capitán de quince años, Dos años de vacaciones de Verne. Como a los catorce empecé a leer literatura norteamericana, Faulkner, Dos Passos, Sherwood Anderson. Muchas cosas las leía sin entenderlas.

P) Tu padre escribía poesía. ¿Te leía sus cosas?

- Escribía en idisch y le leía sus poemas a mi mamá. Era una lengua importante entre ellos, pero la lengua fundamental, la lengua amorosa, la lengua de la furia, era el ruso, del cual las hijas estábamos todas exiliadas. No nos enseñaron ni el idisch, ni el ruso. A mí me pusieron en el colegio israelita cuando ya era adolescente, a los trece años, porque había tenido un amago de relación amorosa con un vecino, un mexicano que no era judío, y entonces mis padres se aterrorizaron y me mandaron al colegio israelita. Para mí fue como un castigo brutal, pues todos mis compañeros habían estado en ese colegio desde el kinder y todos tenían una identidad judía muy clara. Mi padre era muy judío pero al mismo tiempo le interesaban muchas otras cosas exteriores a ese mundo, no vivía en un ghetto mental; aunque era religioso lo era a su manera, en un sentido cultural, sin apegarse a dogmas.

P) ¿Cuándo empezaste a escribir?

- Empecé a escribir tardísimo, como a los treinta y algo. Tenía una gran fascinación por la literatura. Sabía desde siempre que mi vocación era la literatura. Creo que fui la única de las hermanas que estuvo muy clara desde el principio sobre qué iba a estudiar. Era excesivamente tímida y por lo general no tenía amigos; la lectura era mi refugio, porque en la literatura puedes vivir todo lo que se te antoje y lo vives intensamente, como si fuera parte de tu biografía; te haces una biografía, tan válida como la otra. Para mí era muy importante vivir muchas aventuras, pero desde las orillas de un libro.

En la época en que leía muchísimo Julio Verne y novela rosa estaba muy de moda el tango. Teníamos una recámara para las hermanas y una para mis padres, una sala y un comedor que se guardaban, como en las casas antiguas, cerrados con llave. Yo me metía en la sala con un radio art deco a oír la hora del tango, montonales de tango. Y me compraba bombones rellenos de cereza con aguardiente: la lectura está totalmente asociada al tango y al sabor aguardentoso, pero muy dulce, muy enmielado del chocolate. También me recuerdo que leía y luego con el dedo aplanaba los oritos con que venían envueltos los bombones; además, me robaba el dinero para comprarlos de la caja de la zapatería, donde yo pasaba horas enteras. Teníamos un horario todavía pueblerino, de nueve a una y cuando cerrábamos, me dejaban a mí cuidando la zapatería. Pero cuando yo tenía que atender la zapatería dentro del horario en que abrían, también leía como enloquecida. Me pedían zapatos, yo me subía a la escalera a buscar los zapatos y me quedaba leyendo allá arriba. ¿Qué pasó, señorita, dónde están los zapatos? Entonces yo bajaba con los zapatos. Tenía un radio escondido hasta arriba y empecé a amar también la música clásica. Oía Brahms, en XLA que entonces ya era muy buena radio. Me compraba de esos discos de 78 y tenía Eine kleine Nacht Musik de Mozart, tenía Chaikowsky, los conciertos para violín o piano; el Concierto N.º 3 y la 3ª Sinfonía de Brahms. A mi papá le daba por llevarme los domingos a Bellas Artes. Había programas sinfónicos muy bellos que a mí al principio me aburrían mucho. Y allí iba le tout Mexique: Chávez, Alfonso Caso, Diego Rivera, María Félix, Frida Kahlo, y mi papá conocía a todos y me los presentaba. Un día me presentó a Diego, que estaba vestido de overol -en aquella época la «gente decente» no andaba con overol-, gigantesco, junto a María Félix, vestida con un vestido blanco como para la Ópera en Rusia, con unos collares de diamantes y unos aretes maravillosos. Yo me quedé verdaderamente deslumbrada. Iba escotada, era un día de verano. Pero iba como si hubiera ido a la Ópera en tiempos del zar, y él estaba vestido como un obrero leninista. Era una pareja maravillosa. Y también me acuerdo de Frida, con sus rebozos, sus collares y de todos los viejos mexicanos, patriarcas: Alfonso Caso, el que descubrió la tumba Siete de Montalbán; Chávez, Salvador Novo, Villaurrutia.

P) ¿La relación de esta gente con tu padre era porque él escribía?

- Él era un personaje muy curioso, muy interesante e interesado en la cultura, en la literatura, y sobre todo en la poesía: había aprendido español leyendo poesía española y mexicana. Tenía una biblioteca de poesía en español extraordinaria. Leía toda la generación del 27, García Lorca, Machado, Jorge Guillén. Leía a Nicolás Guillén. Llevaba también a mi casa literatura de América latina. Muchísima. Nosotros recibíamos La Nación, el Billiken, acaso también Leoplán. Bolívar o San Martín eran para mí más importantes que Hidalgo, porque lo había leído en el Billiken. También leíamos el Para ti, que se vendía en los kioscos. Me atraían las modas del Para ti. Me acuerdo también que una vez nos mudamos de casa -de alguna manera estábamos más ricos y prósperos- a la calle de Amsterdam, a un departamento muy lindo. Mi hermana Lily y yo nos metimos en la casa del lado, que estaba vacía, y encontramos un tesoro: había varios álbumes con fotografías de las artistas de cine, las vamps de los años treinta y cuarenta, Greta Garbo, Mirna Loy, Joan Crawford, Norma Shearer, Carole Lombard, Jean Harlow, todas las grandes artistas de la época, vestidas con esos trajes...; fue maravilloso porque, junto con el Para ti ellas eran mi ideal femenino. La obsesión por la ropa creo que me viene de ahí.

P) Tu vocación por los zapatos viene de la zapatería de tu padre. ¿Cómo es tu relación con ese objeto, tan misterioso?

- En la zapatería había unos zapatos, verde y gris, rojo y gris, y negro y blanco, que eran de tiritas, con un tacón muy lindo, ancho, pero no tan ancho como fue en los años setenta. En Londres, en una exposición de la obra de Ferragamo, el zapatero, vi que estaban los mismos zapatos, exactamente los mismos. Yo tenía una fijación impresionante con esos zapatos. Además, había zapatos de glacé, muy suavecitos, abotinados, para las viejitas que venían, casi vestidas como monjas, a comprar zapatos. Yo iba con mi papá al barrio de Tepito a comprarlos, en una época en que Tepito era bravísimo. Acababan de matar a Trotsky y mi papá, pues, era un personaje muy notable, tenía una barba... y entonces la gente decía «Ahí va Trotsky, con su hija». Yo tenía terror. Nosotros vivíamos en Popotla, un barrio de Tacuba, al frente del Árbol de la Noche Triste, a donde llegó Cortés, o sea que yo salía de mi casa y veía el árbol. Una vez hicieron una serie de reformas en el parque, una especie de placita, con una protección de hierro alrededor del árbol, y encontraron muchos objetos prehispánicos y cráneos, y también objetos de los españoles, entonces mi papá, que había estudiado antropología y arqueología, los fue a recuperar y guardó unas calaveras y unos objetos en lo alto de la casa, y eso fue un terror para mí infinito, porque a mi padre le habían dicho que las calaveras eran de una joven de diecinueve años y de un guerrero de unos veinte, y que eran aztecas.

P) ¿Cómo eran esas modas? ¿La ropa se compraba hecha, o se la hacía en la casa?

- Éramos muy pobres. A los quince años yo ya estaba en el colegio israelita, y mis compañeras eran todas muy ricas, o de muy buen pasar, entonces para una fiesta de quince años mi mamá me mandó a hacer un vestido de fondo rojo con unas flores enormes, azules, amarillas, un estampado muy provocador, no sé si de seda o de rayón y para esa época estaba gordísima, pesaba unos 65 kilos. Me veía yo monstruosa. No bailé ni una sola pieza.

P) ¿Qué se bailaba en las fiestas?

- Tango, danzón, rumba, vals, bolero, fox trot, blues. Yo no bailaba. Me quedaba sentada, nadie me hacía caso. A mi hermana la sacaban, porque era guapa. Llevábamos zapatos con tacón, las medias eran de seda, con liga. Yo no usé tacón hasta los treinta años. Siempre usé tacón bajo, zapatos de piso. Se usaban de tacón alto, de medio tacón, y tacón muñeca, que era chiquito. Cuando yo tenía unos 17 años mi papá consiguió un empleo. Luego de las matanzas de los judíos en los campos de concentración, él se dedicó a hacer campañas con los judíos de América latina, de Australia, de Nueva Zelanda, de Canadá, de Estados Unidos, para recolectar fondos y poder rescatar a los judíos que habían quedado vivos. Mi papá ganaba bastante bien y cada vez que regresaba de viaje nos traía cosas muy bonitas. Las primeras que me acuerdo son objetos de plata del Perú, unas pulseras, collares, todavía los tengo.

Siempre me gustaron las joyas, los vestidos. Cuando mi papá empezó a ganar dinero mi mamá decidió vender ropa; se iba a los Estados Unidos a comprar ropa para vender, pero la más bonita nos la compraba a nosotras. La gente quería que ella les vendiera la ropa que ella traía para nosotras, y ella no la quería vender. Es para mis hijas, decía. Tenía muy buen gusto. Nos compraba ropa en la Quinta Avenida. A mí me daba la impresión de que la Quinta Avenida era una sola tienda. Nos compraba unos vestidos divinos. Uno de ellos era de una sola pieza pero con un corte en la cintura, la blusa era blanca sin mangas, una falda muy ancha acampanada que había creado Christian Dior en esa época, con un cinturón gigantesco, una banda azul turquesa, muy ancha, muy suave, de la misma lana del vestido y tenía un bolerito, divino. Yo me sentaba entonces en un sillón frente a un espejo muy grande y me miraba la cintura, y el pecho, ¡qué bonito! y después no me atrevía a mirar a los hombres...

P) ¿Quién fue tu primer novio?

- Tuve algunos novios en la secundaria. Pero cuando se acercaban mucho los mandaba por un tubo, me daba miedo. Mi primer novio fue Paco, mi ex marido, que era novio de mi hermana. Mi hermana le decía: «Usted se debería llevar con mi hermana porque es más culta que yo». Cuando mi hermana se casó, con otro, iniciamos una historia amorosa con Paco. Yo tenía 19 años. Él estudiaba filosofía y leyes al mismo tiempo y yo estudiaba letras en la facultad.

P) ¿Cuándo empezaste a escribir?

- En el 63. Escribí algunas cosas de ficción en esa época, creo que muy malas, y las publiqué en la Revista de la Universidad y en El corno emplumado. Escribí ensayos, un libro sobre caminos para la Secretaría de Obras Públicas, Viajes en México, y un estudio crítico sobre Tennesee Williams porque hice una maestría en letras inglesas. Es un libro muy bien escrito, no sé cómo me salió. Literatura, ficción, escribí muchísimo después, en el 78. Mi primer libro fue Las mil y una calorías. Lo escribí por Gilou [se refiere a Gilou García Reinoso, psicoanalista argentina que vivió en México como exiliada política], ella me ayudó a escribir. Escribí como veinte libros desde el 78 hasta el 85. Las mil y una calorías, novela dietética; Doscientas ballenas azules; No pronunciarás, cuentos; Repeticiones, ensayos sobre literatura mexicana, e Intervención y pretexto, ensayos de literatura comparada; Genealogías, novela; El día de tu boda libro que hice en tres días; Síndrome de naufragios; De la amorosa inclinación a enredarse en cabellos; La lengua en la mano; Erosiones. Traduje a Bataille: Lo imposible y La historia del ojo. Ahora estoy escribiendo una novela de zapatos... Tiene un título muy largo, que creo voy a cambiar: Historia de una mujer que caminó el camino de la vida con zapatos de diseñador. [En Zona de derrumbe se incluye un relato «Zapatos: andante con variaciones»]

Cualquiera que ve tus pies calzados se da cuenta que los zapatos son algo más que zapatos para ti. Debes tener una colección única.

Es una relación erótica y al mismo tiempo muy masoquista. Es a través de los zapatos que muchas cosas se han dirimido en mi vida, sobre todo a través de zapatos que me quedan chicos, hasta deformar mis pies. Quizás el periodo más largo, más estable en cuanto a negocios de mis padres fueron las zapaterías. Una vez vi llorar a mi mamá. Estaba muy mal, verdaderamente deshecha, exiliada de sí misma y del mundo, llore y llore y llore, con una tristeza infinita y totalmente silenciosa, de lágrimas nada más. Yo debo haber tenido unos ocho años y la escena fue en la zapatería ésa donde teníamos los zapatos de tiritas. Está muy vinculada con esa idea de desamparo, de desvalidez total de mi madre, que no podía más.

P) ¿Por qué sufría?

- Había muchas escenas de violencia, se peleaba mucho con mi papá, le tenía muchos celos. Mi papá se enojaba y rompía vidrios, mi mamá lloraba y lo acusaba de que andaba con prostitutas, y mi papá se ponía furioso, y mi mamá histérica... Para mi mamá lo más importante de su vida era mi papá. Nosotros contábamos, pero como apéndices. Le hice unas entrevistas a mi mamá y descubrí una cosa muy bonita y muy violenta también, ella nunca quiso aceptar que había perdido todo cuando dejó su país, su familia, sus hermanos, sus tradiciones, su casa, su idioma, y se vino a México con mi papá. Él se convirtió en su territorio, «se territorializó» en él, acomodó su historia a él, su espacio geográfico era mi padre, su historia era mi padre, y cuando él murió volvió a territorializarse en la imagen y el recuerdo de mi padre, un recuerdo que ella volvió impecable, en el que mi padre aparece como un ser extraordinario, perfecto, fiel, que nunca tuvo otras mujeres. Mi madre no sabía dónde pararse. Porque mi padre era loco, se aburría de un negocio y lo botaba, entonces creo que esa relación de la zapatería con el sufrimiento de mi madre tiene que ver con el masoquismo. A cada problema amoroso que yo tenía me compraba zapatos más chicos. Y los pies se me iban haciendo polvo. Por otro lado, si veía yo un zapato que me gustaba, podía quedarme chico pero me lo compraba igual, a fuerza, porque no podía soportar la idea de no tenerlo, y como me lo acababa de comprar, me lo ponía a fuerza, pues, claro, si no me lo ponía, había gastado en balde..., hasta que me echaba a perder el pie y los regalaba. Ahora ya no es así, me compro miles de pares de zapatos, pero que me quedan bien. Si no me quedan bien desde el primer momento no los compro. Iba a operarme un juanete, pero decidí que no, que es como las arrugas, una muestra del sufrimiento.

P) A ti se te atribuyen varios hallazgos importantes como crítica. Te oí hablar recientemente de una literatura, a la que llamas «de intemperie». ¿A qué te referías?

- Lo de la «literatura de intemperie» es una categoría que inventó o bautizó Noé, tu marido, los otros días en casa de Diamela Eltit. Él dijo que había una palabra para definir nuestra literatura la de ella y la mía, que era de intemperie. No sé si realmente es una literatura de intemperie la mía, pienso que es muy bonita la imagen... Creo que mi literatura podría serlo porque no me pliego ni a los géneros habituales; soy incapaz de hacerlo. Alguna vez he ensayado narrar en una manera convencional y lo puedo hacer, pero no me interesa; no puedo escribir una literatura que no plantee de una manera diferente los problemas que me obsesionan. No sé cómo explicarlo... quizás hay un elemento enciclopédico en esto, en el sentido de que desde que tengo memoria, desde los ocho años, he acumulado conocimientos, un conocimiento que de alguna manera está integrado a lo que hago. Lo que trabajo tiene que ver con el conocimiento que he adquirido a lo largo de los años, pero muchas veces se trata de un conocimiento como «de zoológico», de las cosas que te apasiona ver pero que no puedes hacer nada con ellas; entonces lo tienes que poner en pequeños apartados, en una enciclopedia, para que alguien la utilice o la consulte. Porque tú no lo puedes utilizar, tu voracidad es tan enorme que te devora a ti misma. Yo prolifero de tal forma que todo me parece maravilloso, todo me parece interesante, todo me parece necesario para mi escritura...

P) De hecho, eso es tu escritura, ese ensamblaje de conocimiento.

- Yo empecé a hacer una serie de textos como a los 28 o 29 años y se los enseñé a Henrique González Casanova, y a él le gustaron mucho; me dijo que se parecían a textos de Alloysius Bertrand el de Gaspar de la Nuit, y después se los enseñé a Agustín Yáñez, que me coqueteaba un poco (me invitaba a tomar café y yo le mostraba mis textos), y me dijo que eran como cuentas de un collar que no había sido engarzado. Me quedé siempre con esa idea, que mis textos no eran legítimos. El análisis me hizo entender, como quince o dieciocho años más tarde, que ésa era la única forma que yo tenía de escribir, tan legítima como cualquier otro tipo de elección. En mi análisis trabajé mucho el problema de la escritura y el cuerpo. Mi nariz me parecía monstruosa, sentía que mi cuerpo no merecía la cabeza que yo tenía, que era un cuerpo pegado a una cabeza, una cabeza guillotinada y colocada sobre mi cuerpo de una manera arbitraria. Me parecía que mi perfil era demasiado agudo -porque, claro, yo comparaba mi perfil con el de Jean Harlow...-, no me consideraba legítimamente una mujer guapa. Y sí era una mujer guapa, pero no lo sabía, hasta que tuve un amante, con el que tuve una relación muy completa en todos los órdenes, intelectual y sexual, con el que empecé a escribir también, porque sobre todo le escribía cosas a él y él me hizo entender que mi cuerpo era bello. Ese fue el principio, la entrada: aceptar que era legítimo tanto lo que yo escribía como lo que yo era. Entonces empecé a escribir Las mil y una calorías, en un viaje que hice a los Estados Unidos, a la Jolla, en el que se me dio por comer como desaforada, de una manera compulsiva. Decidí escribir los textos como una forma de dietética, a ver si escribiéndolos podía yo eliminar peso, porque comía hasta casi vomitar, con una voracidad infinita, sobre todo galletas, unas galletas que se llaman Orio cookies, que son negras por fuera y blancas por dentro. (En esa época, en la que ya había pasado el momento más álgido de la lucha de los negros, se decía que los negros que entraban en el establishment eran como Orio cookies, que eran negros por fuera pero con el alma blanca). Entonces empecé a escribir las fábulas, de las cuales yo creo que diez son bonitas y el resto... Fue un libro criticado. A mí me fascinó hacerlo, pero a todo mundo le pareció que era un adefesio.

P) ¿Cómo ves la literatura mexicana actual?

- En México se está exacerbando un fenómeno que ya había empezado a surgir hace varias décadas, que es la institucionalización absoluta de la cultura. Todo pasa por el sistema, y ser escritor significa de alguna manera estar mediatizado por el poder, y al mismo tiempo tener los beneficios del poder. Uno puede gozar de muchos privilegios gracias a la escritura. Uno puede estar en lugares clave en México por el puro hecho de escribir y escribir con cierta repercusión. Un escritor que dice cosas en el periódico que pueden ser temibles, es inmediatamente cooptado por el Estado y pasa a ser parte de él. Sus libros se publican en ediciones muy importantes, se difunden, se los toma en cuenta en la televisión, se le hacen entrevistas, y se adquiere importancia en los medios intelectuales.

Con los escritores sucede lo que sucedió con los hippies y el Estado, una revolución de los jóvenes que en muy poco tiempo fue totalmente asimilada por el Estado; hasta la forma de vestimenta pasó a ser una mercancía del Department Store. Si los jeans se popularizan inmediatamente se vuelven el vestido fundamental; se pierde la formalidad en el vestido, y parecería como que esa ropa aplanara diferencias sociales, pero en realidad no se democratiza nada, se crean jeans de alta costura y jeans para los supermercados. Siempre van a existir las diferencias, y las clases sociales, sólo que con una apariencia democrática que es un espejismo.

P) ¿No te parece paradójico que en un tiempo en el que se habla de la desaparición paulatina del Estado y de privatización y de enajenación de los patrimonios nacionales, sea todavía el Estado el instrumento de captación de esos intelectuales que van a pasar a servir en sus filas?

- No creo que desaparezca el Estado, creo que ha asumido otras formas. Ha privatizado como un proyecto político, se ha desembarazado de una serie de instituciones que en un momento le fueron muy útiles pero que en este momento le son totalmente estorbosas. Se deshace de ellas porque su proyecto no las necesita, pero sigue siendo un Estado regulador, y cada vez más totalitario. Y los intelectuales se han dejado mediatizar de la manera más violenta por este Estado y han permitido que su propia terminología pase a formar parte de la terminología que el Estado utiliza para imponer su ideología. Hay una imposibilidad de disentir, parece que hubiera muchas opciones, pero no las hay. Así como el establishment destruyó a los jóvenes después de la guerra de Vietnam en Estados Unidos, el Estado mexicano está destruyendo a los jóvenes. Hay una especie de polarización entre la gerontocracia y la efebocracia: los viejos definen quiénes son los jóvenes realmente importantes en la literatura, y los castran, porque a los 30 años están acabados, los hacen fundamentales, importantísimos, los inflan tanto que los destruyen. No creo que en México haya Rimbauds. Y los jóvenes se están dejando tragar. Como en la obra de Roberto Arlt, en la que unos capitalistas tienen una máquina que se traga a todos los obreros y una noche traga al hijo del dueño de la fábrica. El Estado ha creado una máquina devoradora que se traga a los propios creadores de la máquina.

P) ¿En que estás trabajando ahora?

- Sor Juana y la Conquista, dos temas muy a la moda que se han manoseado mucho. Escribí el ensayo sobre Sor Juana para la Biblioteca Ayacucho. Es un trabajo profundamente textual, una investigación analógica dentro del corpus de Sor Juana más un análisis del corpus literario de su época, tanto la literatura monacal, como sermones, etc., que me sirve para determinar no quién era Sor Juana, pues no creo que yo pueda hacerlo sola, pero sí una nueva mirada sobre ella, una mujer perteneciente a un mundo muy particular, del que ella ha salido como una mujer extraordinaria, pero formando parte de ese mundo. Muchas veces la crítica es muy generalizadora, no se trabaja el texto de cerca y, a pesar de que no sé muy bien retórica ni sé muy bien métrica, ni cuento con los instrumentos de los filólogos, hay toda una forma de asociación, relacionada con esa forma enciclopédica que siempre he cargado, que me ha servido mucho. Y también he encontrado cosas muy interesantes en las crónicas, el problema del cuerpo, la desnudez, por ejemplo. Trabajo Álvar Núñez Cabeza de Vaca, Cortés, Colón, Fernando Colón, Oviedo, Pané, Bernal Díaz, López de Gómara, Las Casas. Voy a escribir muchos libros, si puedo... Quiero escribir un libro sobre el problema metonímico de la lengua, pero vinculada al cuerpo: al traductor se lo llamaba «el lengua»; la lengua como el cuerpo entero: lo único que se utiliza de ese cuerpo es la lengua, pero, al mismo tiempo, el que traduce tiene que estar bautizado y vestido como español, es una especie de apropiación muy importante del indígena.

P) Uno de tus libros se llama Erosiones.

- Para mí lo más importante de la escritura es la relación con el cuerpo. Erosiones es la relación con Eros, Eros y Iones; Eros, pero también la destrucción del cuerpo, la erosión, y los iones, que son la energía. Y al mismo tiempo, cómo la escritura te erosiona, porque te hace cancelar niveles muy importantes de ti misma. La imagen de las ballenas de uno de mis libros es metáfora de la escritura, ellas son cuerpos gigantescos que navegan y llevan pegado al cuerpo toneladas de plancton, y adentro llevan grasa y grasa, ámbar gris, que es una sustancia fétida que luego produce un perfume exquisito, y también, durante larguísimo tiempo la ballena fue el único combustible que tuvo la humanidad. Son animales enigmáticos, que tardan mucho en hacer el amor, copulan lentamente, largo tiempo, tienen los hijos durante una gestación también larguísima, y luego los hijos andan junto a la ballena madre mamando debajo de ella, lentamente, y tienen una riqueza acumulada inconmensurable, dentro y fuera de sí mismas.

P) Son enciclopedias.

Y animales míticos. Una de las novelas más grandes de la literatura universal es Moby Dick. Melville fue un ballenero, pertenecía a uno de esos pueblos balleneros. La iglesia que él describe en Moby Dick es una iglesia que está totalmente hecha con fragmentos de ballena, iluminada con aceites de ballena, hasta los coros son de ballena. La ballena es mi animal. Y la vaca también. Porque la vaca es un animal paciente, dulce, que rumia, rumia, rumia, toda la vida se pasa rumiando, para poder producir algo. Álvar Núñez Cabeza de Vaca dice que una de sus ocupaciones más extraordinarias que tenía cuando estaba desnudo, era raer cueros, y con un solo cuero se pasaba días enteros, y eso le bastaba para comer y para meditar. Pues esto lo convierto en un palimpsesto, que además se ve: él va haciendo un cuero en el que luego va a inscribir su memoria en capas sucesivas y diversas. El roer y el raer son las formas de la memoria que preparan para la escritura, y al mismo tiempo preparan el papel para la escritura, el pergamino. Y el discurso erótico en Álvar Núñez Cabeza de Vaca, cuyas claves ya encontré; es un discurso soslayado, callado, tácito, inscrito en los intersticios del texto. Deja escapar indicios que, si reconstruyes el texto, son perfectos, preciosos.

Por un lado Sor Juana, la reclusión, por el otro la ballena que es el animal mítico que arrastra y acumula: ése es el tema con el que empezamos la entrevista, la versatilidad, la sorpresa permanente.


Fonte: Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes