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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Lúcia Miguel-Pereira sobre Machado de Assis


Lúcia Miguel-Pereira.

Excertos

"Quais eram até a publicação das Memórias Póstumas de Brás Cubas, os pontos culminantes do romance no Brasil? A Moreninha, O Guarani, a Iracema, as Memórias de um Sargento de Milícias, a Escrava Isaura, a Inocência, em que, se se revelavam tendências e ângulos de apreciação diversos, havia um fim comum: o de buscar o homem brasileiro, nas suas origens selvagens, como fez José de Alencar, ou nos aspectos que foi posteriormente assumindo, como fizeram os demais...".

O que distanciou Machado dos demais foi "a direção, o alvo a atingir; o adjetivo brasileiro, limitador, caiu ou passou a segundo plano, permitindo que o substantivo homem se revestisse afinal, pela primeira vez em nossa literatura, de toda a sua significação".

Destaque importante para a mudança de objeto, de perspectiva na literatura de Machado: "A imensa distância que vai no romance, entre fazer ver as pessoas através do ambiente, e deixar perceber o ambiente através das pessoas, Machado de Assis a transpôs serenamente, sem auxílios nem hesitações".

E segue Lúcia dando um bom exemplo: "Será impossível, por exemplo, conceber a Moreninha sem Paquetá, mas Capitu não está em absoluto presa a Matacavalos, nem mesmo ao Rio, embora através dela se sinta a terra carioca".



Fonte: textos de Lúcia Miguel-Pereira (não tenho mais o original)