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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

5. A guerra-relâmpago



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


5. A guerra-relâmpago

* Blitzkrieg na Holanda, Bélgica e França

No dia em que Winston Churchill assumiu como primeiro-ministro, Adolf Hitler determinou o início da guerra-relâmpago (blitzkrieg) contra o Reino Unido e a França. Ao mesmo tempo, caças e bombardeiros alemães atacavam as bases aéreas holandesas e belgas.

* A França entra na luta

Em 25 de maio de 1940, a situação da Força Expedicionária Britânica e do 1º Exército Francês era desesperadora. Os alemães haviam ocupado o porto de Boulogne, isolado Calais e os britânicos foram forçados a recuar até o porto de Dunquerque.

* O incrível coronel Doolittle

Os cidadãos japoneses mal podiam acreditar ao ver os aviões norte-americanos sobrevoando Tóquio. Era o primeiro ataque, sob o comando de James Doolittle.

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COMENTÁRIO

Enquanto assistia ao documentário sobre os ataques dos Aliados ao território japonês, fiquei me lembrando do livro "Era dos extremos", do historiador marxista Eric Hobsbawm, na parte que ele fala das mudanças de alvo nas guerras contemporâneas, saindo dos campos de batalha e tendo como foco a destruição e morte das cidades e da população civil. O que pode ser mais bárbaro que isso?

O experimento na cidade de Guernica, na Espanha, em 1937, virou a referência no ataque aéreo às cidades dos países adversários.

O documentário do DVD, do tal Doolittle, aborda essa temática. Os aviões foram a tecnologia humana utilizada para ampliar a escala de morte e destruição de cidades e população civil durante uma guerra.

Dessa nova metodologia de matar - jogar zilhões de toneladas de bombas sobre as cidades e civis -, chegamos ao experimento "Faixa de Gaza" no primeiro quarto do século seguinte à 2ª GM. 

Os palestinos do século XXI, vítimas das decisões imperialistas dos vencedores da guerra mundial entre 1939-45, viviam espremidos na pequena Faixa de Gaza após o roubo de suas terras, cercados pelo exército de Israel, quando foram dizimados pelas bombas dos sionistas no ano de 2025. Ali viviam dois milhões de pessoas... dezenas de milhares foram trucidados pelas bombas e não sobrou nada em pé naquela parte da Palestina.

A estratégia nazista das guerras-relâmpago virou referência na forma de invadir e tomar territórios pela força das bombas. Diplomacia pra quê? Os EUA de Trump estão no presente momento atuando pelo "espaço vital" do Reich que o novo führer quer estabelecer no século XXI.

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A coleção de DVDs sobre a II Guerra Mundial é do ano de 2009, da Abril Coleções. Um vizinho do condomínio iria se desfazer do material e decidi pegá-lo para ver e aprender um pouco mais sobre aquele período da história humana.

William

05/02/26

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Instantes (11h59)



Refeição Cultural

"Proclama Empédocles: 'Não há nascimento para nenhuma das coisas mortais; não há fim pela morte funesta; há somente mistura e dissociação dos componentes da mistura. Nascimento é apenas um nome dado a esse fato pelos homens'." (Pré-Socráticos - Vida e Obra. Ed. Nova Cultural, 1999. Pág. 27)


Mistura e dissociação... é o que todos nós somos, mistura e dissociação, como disse Empédocles. 

No subitem sobre Empédocles, li também sobre amor e ódio. 

Amor e ódio... talvez os animais humanos se movam pela Terra, pela natureza, e como natureza, por causa desses dois sentimentos: amor e ódio. 

Este animal que registra palavras nas nuvens virtuais e passageiras da globosfera adquiriu com a experiência de sobreviver dezenas de outonos uma compreensão melhor sobre a vida, essa mistura e dissociação de elementos da natureza.

Compreender um pouco melhor porque as coisas são como são não é aceitar as coisas como são. Hobsbawm alertou sobre isso ao tentar compreender o nazismo (Era dos Extremos).

Um homem dar 61 socos no rosto de uma mulher; os sionistas matarem de fome milhares de palestinos; ainda encontrar uma pessoa bolsonarista... 

Minha caminhada pela Terra nesses outonos todos me faz compreender melhor hoje por que essas coisas acontecem... 

Esses eventos que citei não são naturais, apesar de serem naturalizados pelos meios do mundo incivilizado do animal humano. Não são naturais.

Se não são naturais, podem ou poderiam ser alterados pelos animais humanos. Educação e cultura adequadas podem mudar os animais humanos. 

Não vejo essa possibilidade acontecer neste momento da história humana. 

Mas que é possível mudar a realidade, isso é. 

Will i am

31/07/25

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 4 de julho de 2024. Madrugada de quinta-feira.


PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

Enquanto revia o documentário sobre a 1ª Guerra Mundial - da Coleção História Viva -, refletia sobre a possibilidade de novas guerras no presente da sociedade humana. Guerra é uma merda! E além das que já estão em andamento - inclusive com a prática de genocídio do povo palestino -, outras estão por vir.

O documentário da série "Grandes Dias do Século XX" é extraordinário! Eu realmente tenho mídias muito boas sobre história e cultura. O material traz imagens da época, dos anos dez do século passado, das frentes de batalha entre alemães de um lado e aliados do outro.

Sinopse:

O século XX começou de forma trágica. Em 1914, as potências europeias se lançaram em um enfrentamento que plantou as sementes de todos os grandes conflitos posteriores. Oficialmente, o estopim da guerra foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do Império Austro-Húngaro, mas vários outros fatores contribuíram para desencadear o conflito que matou mais de 10 milhões de pessoas. O episódio analisa antecedentes e interesses econômicos que levaram ao embate inaugural da Era dos Extremos.

O episódio está dividido nos seguintes capítulos: "O início da guerra", "Vivendo nas trincheiras", Guerra industrial" e "Esgotamento".

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O CAPITALISMO VAI NOS MATAR A TODOS

Um dos livros que mais me ensinaram história do mundo foi Era dos Extremos, do historiador marxista Eric Hobsbawm. Tenho muitas postagens sobre o livro aqui no blog.

Do meu ponto de vista, o cenário mundial é desafiador para a continuidade da sociedade humana no planeta. Culpa central do capitalismo como sistema de organização da sociedade.

A privatização da Sabesp tem relação com o capitalismo. O bolsonarismo tem relação com o capitalismo. A destruição dos biomas brasileiros - Amazônia, Pantanal, milhares de quilômetros de litoral - tem relação com o capitalismo. A necessidade de explorar petróleo para abastecer o mundo de plástico tem relação com o capitalismo. O evento trágico do Rio Grande do Sul, que afetou a quase totalidade das cidades do Estado, tem relação com o capitalismo.

A putaria dos juros altos para foder com 200 milhões de brasileiras e brasileiros e o governo do presidente Lula tem relação com o capitalismo e com os fdp do 1% que conspiram contra o mundo.

É lógico que as pessoas não fazem guerra só por causa do capitalismo. Mas o capitalismo não sobrevive sem guerras. Entendem? As guerras mundiais que tivemos no século passado foram uma salvação para o capitalismo. Destruíram o mundo para os Estados Unidos reconstruírem o mundo. E virar potência imperialista.

Como nossa geração está buscando soluções em meio a tantas crises? Com guerras, guerras locais, guerras civis, guerras entre nós amigos vizinhos famílias, guerras entre países irmãos, guerras por procuração... essas as mais modernas. É só olharmos a da "Ucrânia".

Estamos fodidos. Vão tentar derrubar o Lula aqui no Brasil. Os Estados Unidos estão sem solução com um daqueles dois sujeitos que vão governar a máquina de guerra a partir do ano que vem. São dois dementes. Os países da Europa viraram estados norte-americanos. Os States agora têm 51, 52, 53, 54... os países da velha Europa viraram reles estados norte-americanos...

Eu ando olhando meu umbigo. Eu que já fui grande. Hoje olho meu umbigo. Meu ParTido e minha Central têm meu apreço. O sangue que borbulha em minhas veias, mesmo cheio de colesterol e com pressão maior que a ideal, é um sangue que pertence ao PT e à CUT. Nunca flertei com outros amores políticos. Mas não abro mão de ter opinião e posição e meus amores não toleram mais divergência. Sigo na torcida pelo meu país e pelo povo ao qual pertenço.

Vêm guerras por aí. Nós estamos divididos, despreparados. Os inimigos estão bem mais preparados que nós para as guerras. 

ESQUERDA DIVIDIDA E A DIREITA SE JUNTA CONTRA NÓS - Nossos inimigos estão blocados, um bolsonarista pensa como qualquer outro bolsonarista, pode trocar a palavra bolsonarista por outra semelhante, extremistas de direita, dá na mesma. Eles são monotemáticos nas opiniões sobre qualquer tema.

Já nós da esquerda, se formos 1/3 da população, não somos um terço. Não somos. Porque nossa terça parte é dividida em dez, e as dez são divididas em mais dez... cada um de esquerda é a corrente de si mesmo. Sempre terá um pelo em ovo que divide. Não vamos vencer os que nos odeiam assim!

É opinião. É uma ilusão a companheirada do PT achar que vai "humanizar" o capitalismo...

Sigo estudando e escrevendo o que penso.

William


quinta-feira, 23 de junho de 2022

Diário e reflexões (23/06/22)


Refeição Cultural

Osasco, 23 de junho de 2022.


Opinião

OS POLÍTICOS TÊM O DOM DE AFASTAR AS PESSOAS DA POLÍTICA

A cada dia que passa, mais me convenço que os políticos têm o dom de fazer com que as pessoas comuns - que não são militantes políticas e ou que não são politizadas - tenham aversão à política. Isso não seria grave se a consequência do afastamento das pessoas "comuns" da política não desse espaço para o crescimento das forças "políticas" de direita, extrema-direita e extremistas, que atacam a política para dominarem a política. O afastamento da política por parte da classe trabalhadora faz com que os capitalistas nadem de braçada no mar de alienação política do povo.

A cena pública desses dias na qual Eduardo Suplicy (vereador pelo PT em São Paulo) cobra de Aloizio Mercadante (presidente da Fundação Perseu Abramo) respeito a ele e ao que ele significa para o Partido dos Trabalhadores ao se sentir preterido e excluído de fóruns de debate relativos à construção das diretrizes do programa de governo da pré-candidatura de Lula e Alckmin à presidência da república é um exemplo claro do que estou afirmando sobre os políticos afastarem as pessoas da política.

A cena na qual Suplicy interrompe o discurso de Mercadante para questionar por que ele não foi convidado para participar do fórum, por que sua proposta de Renda Básica da Cidadania não havia sido considerada, mesmo ele mandando por e-mail e sendo uma liderança histórica do partido e defensor da proposta há décadas, demonstra como funcionam as coisas nas políticas partidárias, sindicais, estudantis e de qualquer movimento com militância orgânica, ou seja, demonstra como funciona a política.

Uma coisa é eu entender o que aconteceu ali, outra coisa são milhares de pessoas de fora da política entenderem por que aquela cena triste e constrangedora aconteceu... O que vou dizer pra minha esposa e filho e conhecidos do cotidiano a respeito daquela cena? Por que fizeram aquilo com o Suplicy, me perguntam? Na hora, minha esposa foi se lembrando de tudo que o movimento sindical fez comigo nos últimos anos de relação... Por que foi que meu sindicato me excluiu das discussões sobre as eleições de Cassi e Previ em dezembro passado? Por que foi que fizeram isso e aquilo comigo... Mesmo não sendo da política, minha esposa disse que fizeram o mesmo com o Suplicy e ficou com muita raiva do PT e das lideranças que fazem isso com outras lideranças do partido... e ainda disse que para piorar a situação o Suplicy tem mais de 80 anos de vida e uma vida inteira de militância ao partido.

Pois é... é foda! A gente que viveu décadas dentro da política sabe muito bem como as coisas funcionam... tendências e correntes políticas dentro dos partidos e sindicatos etc. Sabe como a política do momento é diferente da política de outras épocas pois tudo muda.

Enfim, compreendo por que aconteceu aquela cena triste entre Suplicy e Mercadante. Compreender a história não é concordar com ela, como nos ensina Eric Hobsbawm no clássico "Era dos extremos". Compreendo por que Suplicy foi até lá no meio daquela reunião e cobrou um pouco mais de consideração. Imagino por que os dirigentes daquele fórum não incluíram o Suplicy e sua proposta. Acho que poderia ser diferente, mas eu não apito nada. Mal consigo explicar para os comuns ao meu redor por que as coisas são sempre assim no movimento político.

Pra finalizar essa reflexão, outro caso que afasta as pessoas da política é o caso de Manuela D'Ávila, grande liderança do Partido Comunista do Brasil. Pelo que pude entender ao ouvir comentaristas políticos, Manuela não será candidata porque a esquerda no Rio Grande do Sul mais uma vez se dividiu em diversas frentes para concorrer às eleições, seriam ao menos 4 candidaturas do mesmo campo, do campo progressista e de esquerda ou centro-esquerda. Difícil, viu! Difícil!

Minha esposa me disse que se lembrou das eleições da Cassi em 2018, quando a esquerda se dividiu toda em 3 chapas e permitiu que a chapa apoiada pelo patrão e pelos gestores do banco vencesse a eleição...

Se a gente olhar pra trás na história, a gente começa a se lembrar que parece que a esquerda não tem jeito...

Mas como somos humanos e são os humanos que constroem a história e a sua história, sempre há tempo de mudar e avançar na luta em defesa de um mundo melhor e mais justo para o povo e a classe trabalhadora e para o próprio planeta Terra, que caminha rapidamente para o fim das diversas formas de vida sob a hegemonia do modo capitalista de coabitarmos o mundo que existe.

William Mendes

Fui diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região por 4 mandatos (2002-2014), fui diretor da Contraf-CUT por 3 mandatos (2006-2015) e fui diretor de saúde da Cassi (2014-2018).


sábado, 6 de março de 2021

Por que ler os clássicos?



(redação melhorada algumas vezes até 14h35, de 7/3/21)

Refeição Cultural

Em um momento deste sábado, 6 de março, comentava com minha esposa sobre uma questão trivial e doméstica: uma suposta diminuição de cabelos e uma tendência a ficar careca, coisa estranha no meu caso porque isso não é um fator genético em minha família e sempre tive muito cabelo. Avaliei que o fato talvez se deva à questão do estresse psicológico que tenho vivido desde o golpe de Estado no Brasil e suas trágicas consequências. 

As pessoas conscientes estão sofrendo tanto com a destruição do Brasil que os efeitos poderiam ser semelhantes a traumas de guerra ou situações de extremo desgaste emocional, e os efeitos no corpo podem ser terríveis em situações assim. 

Na hora do comentário, corri à estante, peguei um livro, abri certa página e li para ela, com lágrimas nos olhos:

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"(Sarajevo, 1946.) Aqui, como em Belgrado, vejo nas ruas um considerável número de moças cujos cabelos estão ficando grisalhos, ou já o estão completamente. Têm os rostos atormentados mas ainda jovens, enquanto as formas dos corpos traem ainda mais claramente sua juventude. Parece-me ver como a mão desta última guerra passou pelas cabeças desses seres frágeis [...]

     Tal visão não pode ser preservada para o futuro; estas cabeças logo se tornarão mais grisalhas ainda e desaparecerão. É uma pena. Nada poderia falar tão claramente sobre nossa época às futuras gerações quanto essas jovens cabeças grisalhas, das quais se roubou a despreocupação da juventude.

     Que pelo menos tenham um memorial nesta notinha. 

           Signs by the roadside (Andric, 1992, p. 50)" (in: HOBSBAWM, Era dos extremos, São Paulo: Companhia das Letras, 2006) 

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Se pessoas como eu, com experiência e certo coro grosso - que vivi décadas enfiado nas lutas sindicais e do mundo das guerras entre capital e trabalho - sentem os efeitos psicológicos da destruição total do presente e das perspectivas de futuro, imagino como estão sofrendo e estão perdidos os jovens como nossos filhos e sobrinhos, dos quais "se roubou a despreocupação da juventude", jovens que estavam no meio do caminho em suas graduações universitárias e sentiram na pele toda a destruição causada por esses desgraçados no poder por golpe e por manipulação do comportamento do povo brasileiro através das ferramentas tecnológicas e políticas da atualidade, ferramentas sob o poder da elite porque são necessários recursos financeiros elevados para o efeito desejado em escala.

O ato de ler clássicos como Hobsbawm nos capacita para a argumentação ao obtermos referências sobre a vida como ocorreu comigo no instante em que citei a passagem do livro Era dos extremos. Italo Calvino nos fala sobre isso em seu artigo memorável.


Hoje terminei a leitura de mais um livro clássico da literatura mundial - Madame Bovary, publicado por Flaubert em 1856. Ler os grandes romances, ensaios e textos filosóficos nos faz crescer mentalmente, nos faz ter referências na análise dos diversos contextos da vida e da sociedade humana.

O contexto da pandemia mundial de Covid-19 e a saída da condição de venda de minha força de trabalho para o modo de produção capitalista após quase quarenta anos de trabalho têm permitido que eu tente ler um pouco mais leituras literárias, históricas e filosóficas ao sabor do meu desejo. Não tanto quanto eu imaginei porque minha cabeça política me vincula a todo o sofrimento causado pela destruição do mundo que ajudei a construir nas últimas décadas e isso emperra minha capacidade de leitura.

Italo Calvino enumera um conjunto de conceitos muito interessantes em relação aos motivos para se ler os clássicos. E de fato, se eu pensar rapidamente nos últimos que li, virão em meu auxílio os conceitos que Calvino argumenta em seu artigo. Ganhar experiência e referência é um deles. Veja o que ele diz em relação às leituras na juventude, por exemplo:

"Podem ser (talvez ao mesmo tempo) formativas no sentido de que dão uma forma às experiências futuras, fornecendo modelos, recipientes, termos de comparação, esquemas de classificação, escalas de valores, paradigmas de beleza: todas, coisas que continuam a valer mesmo que nos recordemos pouco ou nada do livro lido na juventude." (CALVINO, Por que ler os clássicos. São Paulo: Companhia das Letras, 2000)

Em tempos de morte como os tempos que vivemos, com um regime genocida no poder e com a pandemia mundial, livros como A Rosa do Povo, de Drummond, nos fornecem dezenas de versos e pensamentos para dizer, escrever, pensar, gritar, sentir, acolher ao próximo, enfim... nesses dias estou dizendo o tempo todo "o essencial é viver!", verso final do poema "Passagem da Noite".

E assim nos lapidamos, crescemos e ganhamos referências novas com os livros recentemente lidos desde o início até o fim e de uma vez, do ano passado pra cá, ou iniciados há muitos anos e retomados e terminados agora, como foram os casos dos livros do Eduardo Galeano, do Hobsbawm, do Boccaccio (mais apropriado para se ler na pandemia, impossível!), dentre outros. Que dizer, então, da releitura de O processo, de Kafka, para se pensar o Brasil, a Lava Jato, o golpe "com Supremo com tudo"? Quem nunca citou um trecho de poemas de Brecht que atire a primeira pedra (rsrs).

E agora, finalizei a leitura sobre a estória de Ema Rouault (Bovary, após se casar com Carlos). Valeu a pena ler esse clássico? Valeu. Impressiona saber que não mudou muito na atualidade a condição da mulher, a visão da sociedade burguesa em meados do século XIX na França, o racismo, a mercantilização de tudo, o embate entre a ciência e a religião, o patriarcalismo, o machismo, tudo tudo é muito atual se pensarmos que o livro foi escrito num contexto de capitalismo e burguesia de 165 anos atrás.

Enfim, em meio a tanta miséria e tristeza por sermos um povo tão bárbaro e ignorante como o Brasil se mostrou ao mundo após o golpe de 2016, é melhor lermos os clássicos do que não lermos, como diz Calvino ao finalizar seu artigo.

Abraços e se cuidem, se puderem, evitem sair nessas semanas em que estamos num crescendo da contaminação e mortes por Covid-19.

William

Post Scriptum:

Por que a cachaça na foto dos clássicos? Porque só tomando uma dose pra comemorar o meu feito literário! Achei que nunca fosse acabar livros como A era dos extremos, Decamerão e Madame Bovary. Viva! Saúde!


domingo, 11 de outubro de 2020

1. Era dos extremos - Eric Hobsbawm



"O dia de hoje pode ser banal e mortificante, mas é sempre um ponto em que nos situamos para olhar para frente ou para trás. Para poder ler os clássicos, temos de definir 'de onde' eles estão sendo lidos, caso contrário tanto o livro quanto o leitor se perdem numa nuvem atemporal. Assim, o rendimento máximo da leitura dos clássicos advém para aquele que sabe alterná-la com a leitura de atualidades numa sábia dosagem..." (CALVINO, 2000, p. 14/15)


Refeição Cultural - Cem clássicos

"Não sabemos para onde estamos indo. Só sabemos que a história nos trouxe até este ponto e - se os leitores partilham da tese deste livro - por quê. Contudo, uma coisa é clara. Se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente. Se tentarmos construir o terceiro milênio nessa base, vamos fracassar. E o preço do fracasso, ou seja, a alternativa para uma mudança da sociedade, é a escuridão." (HOBSBAWM, 2006, p. 562)

 

Foi com lágrimas nos olhos que li na manhã deste domingo a última página do livro Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991, do historiador marxista britânico Eric Hobsbawm, falecido em 1º de outubro de 2012. 

Depois de mais de uma década do início da leitura do livro, comecei a parte três "Desmoronamento" em julho deste ano. A parte dois também foi lida relativamente bem, após retomar a leitura do livro no primeiro semestre. Li "A era de ouro" a partir de meados de maio. O último capítulo do livro (19) se chama "Rumo ao milênio". Hobsbawm escreveu e publicou o livro no início dos anos noventa.

O último capítulo nos faz refletir muito sobre o presente, um quarto de século depois de escrito. O historiador, sem querer fazer previsões, apontava sérios problemas que despontavam no final do século e milênio passados. Ele falou muito de demografia e ecologia. Falou da dificuldade de haver democracia nos Estados e sociedades do século XXI em face das novas formas de conglomerados capitalistas.

Abordou as dificuldades que as sociedades humanas terão de encontrar soluções políticas, econômicas e sociais para as demandas básicas das pessoas através do "mercado" e sem intervenções estatais. Vislumbrou dificuldades de permanência da vida humana no planeta se não mudarmos o sistema hegemônico capitalista.

A LEITURA

Li os primeiros capítulos do livro em 2009. Como disse Italo Calvino, temos que olhar "de onde" o clássico está sendo lido. E ao fazer isso, eu me encontro e me acalmo para lidar com o fato de só ter acabado a leitura tanto tempo depois do início dela.

Em 2009, eu já era um dirigente experiente da classe trabalhadora, mas tinha um grande desejo de conhecimento em diversas áreas, dentre elas História. Eu recém começava um mandato na área de formação na confederação nacional dos bancários e queria muito contribuir para a área sob minha responsabilidade na organização da classe trabalhadora.

Li a parte um do livro diversas vezes - "A era das catástrofes" -, e todos os capítulos duas ou três vezes. A leitura me foi muito importante. Me fez compreender melhor a história em geral e a nossa história de lutas de classe. Após dois mandatos na área de formação, me peguei dirigente de uma das maiores autogestões em saúde do país. Fiz dezenas de palestras Brasil afora e muitas vezes fiz citações de Hobsbawm para iniciar os trabalhos com o público presente. Valeu a pena!

Me lembro de um ensinamento de Hobsbawm que me marcou muito para toda a vida:

"A principal tarefa do historiador não é julgar, mas compreender, mesmo o que temos mais dificuldade para compreender. O que dificulta a compreensão, no entanto, não são apenas nossas convicções apaixonadas, mas também a experiência histórica que as formou. As primeiras são fáceis de superar, pois não há verdade no conhecido mas enganoso dito francês tout comprendre c'est tout pardonner (tudo compreender é tudo perdoar). Compreender a era nazista na história alemã e enquadrá-la em seu contexto histórico não é perdoar o genocídio. De toda forma, não é provável que uma pessoa que tenha vivido este século extraordinário se abstenha de julgar. O difícil é compreender." (HOBSBAWM, 2006, p. 15)

E aí, passadas as duas primeiras décadas do novo milênio, temos grupos e líderes de extrema direita chegando ao poder em seus países; presidentes e vice-presidentes defendendo torturadores publicamente; líderes nacionais negando a ciência e atacando educação e cultura. Vemos parte da população mundial vivendo delírios negacionistas como acreditar que o planeta Terra é plano e bobagens do tipo. E olha que o mundo chegou ao ponto de quase todo o conhecimento humano estar disponível na internet com um clique no teclado de qualquer aparelho! Como diz Hobsbawm, o difícil é compreender por que as coisas estão assim.

A leitura das partes dois e três do clássico Era dos extremos se deu num contexto que dificilmente esperava acontecer neste momento de minha vida, aos 51 anos de idade. Nas cinco décadas de vida, vi e vivi muita coisa na vida de nosso país. Fui criança durante a ditadura civil-militar; adolescente sem direitos trabalhistas no país miserável dos anos oitenta. Bancário de banco público nos anos neoliberais de Collor e FHC. Dirigente nacional dos trabalhadores durante os governos democráticos do Partido dos Trabalhadores. Como dirigente de saúde, vi acontecer o golpe de Estado e o início do desmonte do país. E agora sofremos ao vivermos o caos e a destruição sob o bolsonarismo.

É isso. Obrigado por tanto ensinamento, mestre Eric Hobsbawm! Obrigado! Aprendi muito e continuo aprendendo com referências intelectuais como o senhor.

William


Bibliografia:

CALVINO, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991. São Paulo, Companhia das Letras, 2006.


sábado, 19 de setembro de 2020

Sábado de histórias


Leituras de história do Brasil e do mundo.

Refeição Cultural

Hoje é dia 19 de setembro do ano da desgraça da pandemia de Covid-19. Ano sob a influência das desgraças de trumps e bolsonaros. Ano de 2020, um ano para entrar para a história do planeta Terra e da sociedade humana. O necrocapitalismo já era no início de 2020 uma desgraça para a classe trabalhadora mundial, concentrando quase toda a riqueza do mundo nas mãos de 1% de humanos. Com a pandemia do novo coronavírus, o que já era ruim ficou ainda pior para os 99% de humanos. A natureza está sendo destruída rapidamente e a vida na Terra está fadada a se tornar inviável.

Estudar história é importante por causa dessas coisas que descrevi acima. Toda essa desgraça poderia ser evitada porque ela não é natural, ela é uma opção da humanidade que, sozinha, sem catástrofes naturais, resolveu inviabilizar a vida por pura burrice e egoísmo. E assim caminhamos para o fim. O aparecimento do vírus pandêmico até pode ser natural, mas a forma como cada país e seu povo e cada governo lidou com ele é opção, é política, é visão de mundo.

Na Era dos extremos (1994), de Eric Hobsbawm, li a respeito da China. Quase nada sabia sobre o que li a respeito da história do povo chinês. A leitura de hoje me ajudou a entender um pouco o motivo de a China de hoje ter o número de vítimas que teve em relação à pandemia de Covid-19. Neste momento, o mundo contabiliza 30.666.122 pessoas contaminadas pelo vírus e 954.905 pessoas morreram. Desse número absurdo, temos 90.324 chineses contaminados e 4.737 cidadãos chineses mortos pelo vírus. Estudar história me permite compreender um pouco melhor a forma como o governo chinês lidou com a pandemia de Covid-19.

Conhecer um pouco de história e política me permite também compreender um pouco melhor porque que das 954.905 vítimas fatais 335.790 são norte-americanos e brasileiros (199.258 e 136.532, respectivamente). Esses dois países governados por dois extremistas de direita contabilizam 12.072.383 contaminados pelo vírus. Ou seja, sozinhos, os dois países governados por fascistas e suas não-medidas para combater o avanço da pandemia do novo coronavírus concentram 39,37% dos contaminados por covid-19 no mundo. Vale lembrar que só a China concentra 1,4 bilhão de pessoas, enquanto Estados Unidos e Brasil têm juntos 541 milhões (329,6 e 211,7 milhões, respectivamente). Repito, na China morreram 4.737 cidadãos e nos Estados Unidos morreram 199.258. No Brasil morreram 136.532. Isso é política, não é coisa da natureza. Não é natural.

É isso. Como escrevo praticamente para mim mesmo, como registro de um tempo, de uma vida, a minha própria, por exemplo, não vou me alongar não. A leitura de Hobsbawm me trouxe muito conhecimento até agora sobre o povo chinês, ao ler o capítulo 16 - "Fim do socialismo". 

Aliás, neste capítulo, o historiador nos conta sobre um correspondente do Times de Londres (Wu Han) que surpreendeu estudiosos com sua opinião: "na década de 1950, ao afirmar, chocando os que o ouviram na época, como este autor, que não restaria comunismo algum no século XXI a não ser na China, onde sobreviveria como a ideologia nacional" (HOBSBAWM, 2006, p. 451).

Sobre história do Brasil, li matérias interessantes também, mas não carece de mencionar aqui.

Ao olhar para trás na rede social onde tenho um perfil, escrevi nos meses passados comentários sobre história e sobre a pandemia de Covid-19 (logo abaixo).

William

Bibliografia:

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991. Companhia das Letras, São Paulo, 2006.

Informações sobre Covid-19: Johns Hopkins University.

Informações sobre países e populações na Wikipedia: aqui.

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12/6/20

POR QUE LER HISTÓRIA?

Porque temos que lembrar que o nazismo e o fascismo de Hitler e Mussolini existiram e fizeram o que fizeram por causa do cotidiano de ódio na Alemanha e na Itália que permitiu a eles se beneficiarem daquele "clima", daquela barbárie que passou a ser o "normal" como disse Eichmann ao mundo em depoimentos em seu julgamento em Israel. 

Ontem, ao ver bolsonaristas desrespeitando um ato pacífico nas areias do Rio de Janeiro, retirando as cruzes em homenagem aos mortos pela Covid-19 eu dei um meio grito em casa de raiva, de indignação. Em mais de 20 anos de movimento social eu nunca tinha visto adversários passarem dos limites assim, de desrespeito aos outros. Quem estimula isso é o líder fascista deles. À noite, soube que esse desgraçado inflamou seu bando de seguidores fascistas a invadir hospitais... Francamente! 

E relembro aqui, como deve acontecer aos que respeitam a história, que o fascista inumano e o ódio e o bolsonarismo são frutos e consequências do processo de ódio criado no Brasil para interromper os mandatos populares (democráticos) e mais voltados ao povo brasileiro que democraticamente vinha elegendo o Partido dos Trabalhadores para governar o país. As emissoras e jornais e revistas dos barões e suas ferramentas criminosas de fake news e interferência na política incentivando o processo de destruição de mandatos e governos via lawfare (tipo Lava Jato) são as responsáveis por esse mal que enfrentamos e que pode não ter mais volta antes de uma guerra ou destruição do que era o antigo país chamado Brasil. A extração do ódio que existe nas pessoas foi um projeto da elite tacanha e desgraçada deste país. A consequência está aí, um novo regime de ódio nazifascista em pleno século 21.

(postei o comentário acima após ver um vídeo do youtuber Henry Bugalho. O vídeo, com o título de "O vídeo mais difícil que já fiz" (12/6/20) é muito tocante para qualquer pessoa que ainda tenha traços humanos e não inumanos como estão se tornando os zumbis do novo fascismo)

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7/6/20

ERA DOS EXTREMOS

Ler a Era dos extremos é uma viagem ao passado pra um cinquentenário que estudou nos últimos 35 anos... (o ser humano não aprendeu nada com a história).

A leitura é triste. No meu caso, me deixa deprê...

Se um dia acabar esse livro, vou beber algo pra comemorar a missão, uma garrafa de vinho, cachaça, sei lá...

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5/6/20

COVID-19

1.473 pessoas mortas em 24h... quanto sofrimento! E pensar que se o governante fosse outro, se os brasileiros não fossem o povo mais ignorante do planeta Terra, as coisas seriam completamente diferentes. Povo e país miseráveis! (e neste país único, a curva de contágio e morte está em ascensão e os miseráveis no poder vão flexibilizar a quarentena para matarem os miseráveis miseráveis)

Mesmo sendo as vítimas dessa miséria toda as responsáveis por essa miséria toda, eu me compadeço com elas e conosco. Meus sinceros sentimentos pelas mortes ocorridas e pelas que virão nos próximos minutos horas dias semanas meses... anos (o que vocês fizeram ao votarem e colocarem no poder essas centenas de canalhas não se desfaz em um ou dois anos. Vocês estragaram tudo!)

4/6/20

COVID-19

Instantes... meus sentimentos sinceros pela morte de mais 1.349 brasileir@s vitimados pela pandemia de Covid-19. Essa tragédia era evitável, não fosse a pandemia de ódio bolsonarista no seio do povo brasileiro. Isso também era evitável, não fosse o Partido da Imprensa Golpista (PIG) ter estragado o povo brasileiro, feito ele um povo vil, como disse Pulitzer sobre o risco de uma imprensa canalha e vil.

Seguimos na resistência do sobreviver, pois tem horas que é o que podemos fazer.

29/5/20

COVID-19

País jabuticaba e a pandemia de Covid-19

Mortes e contaminação em crescimento, hospitais lotados, muita morte a caminho, e o almofadinha de SP vai flexibilizar a partir de agora... tudo respeitando a "ciência"... deve ser a merda da ciência olavista-bolsonarista... (você venceu, presidente!).

Vamos ter que ver cansativamente mortes mortes mortes...

Isso porque testamos menos pessoas que o Iraque e Ruanda, segundo o jornal local de agora.

Povo e país miseráveis!

27/5/20

COVID-19

MAIS 1.086 vítimas fatais do vírus Covid-19. A tragédia está só começando. Cada brasileiro vai sofrer com alguma morte por causa da expansão do vírus. A expansão e as mortes de pessoas de nossa relação é porque o povo brasileiro colocou o MAL no poder. Todo ato e toda decisão na vida têm consequência. Vai morrer muita muita gente. E pior: vem algum tipo de guerra civil por aí. Nós pacifistas estamos desarmados. Os que estão do lado do MAL estão armados até os dentes e estão CUSPINDO ÓDIO.

Povo e país miseráveis!

MEUS PÊSAMES aos familiares das mais de 25 mil vítimas da pandemia do vírus. 

MEUS PÊSAMES aos familiares do jovem David Nascimento dos Santos, 23 anos, que saiu pra receber a entrega de comida aqui na região do Jaguaré SP, foi levado pela polícia e morto. Era preto. MEUS PÊSAMES aos familiares do jovem João Pedro, 14 anos, morto no Rio de Janeiro, em evento que também envolveu a polícia. Era preto.

Estamos morrendo, não de morte morrida. De morte matada, de uma vez ou de forma lenta. A morte está nos comendo por dentro ao ver tudo isso que fizeram com a nossa vida, com o nosso mundo. Pode ser morte por vírus. Pode ser por bala. Pode ser por ódio gratuito de algum zumbi desses que andam babando por aí e que agora estão ou ainda estarão armados, incentivados por aqueles que foram colocados nos poderes do Estado.

Morremos, é verdade. Mas temos que dizer isso, nem que seja pra uma ou duas pessoas que nos leem. Morremos.

Não há nada, NADA na história que vá apagar, limpar, desinfetar as mãos cheias de morte de cada pessoa que votou ou que se omitiu de evitar que O MAL chegasse ao poder. O MAL não vai querer sair de lá.

Nossos conhecidos que fizeram isso em outubro de 2018 destruíram nosso mundo e nossa vida. Alguns dos que já sentem na pele os ataques do MAL, também foram responsáveis por tudo isso, como os grandes veículos de comunicação, os jornalistas deles, e os isentões, zilhões de "isentões" são responsáveis por tirar o partido que fez o povo brasileiro viver a melhor fase de sua história.

Chega por hoje. A verdade é que morremos, estamos morrendo...

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Nos meses anteriores, podíamos ver que a desgraça iria longe no Brasil, estando nós sob golpe de Estado e estado de exceção...


quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Revoluções ainda são possíveis?





Refeição Cultural

Se revoluções ainda são possíveis, eu não sei. Mas sei que elas são necessárias.

Eric Hobsbawm escreveu o clássico Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991 em 1994. A edição que tenho foi impressa pela Companhia das Letras em 2006. Os primeiros registros de minhas leituras no livro foram feitos em março de 2009. O historiador faleceu em 2012. Eu nunca li o livro até o fim. Sempre fiquei nas releituras da primeira parte "A era da catástrofe". Estamos em 2020 e o mundo está o caos.

Terminei a leitura do capítulo "Terceiro mundo e revolução", já na terceira parte do livro. A descrição dos fatos ocorridos no mundo da segunda metade do século XX por Hobsbawm é incrível. A parte que ele descreve dos anos 70 e 80 já aparece na minha memória de infância. E as palavras dele ao se referir ao final do século e o que poderia vir no seguinte são impressionantes. Não viria nada de bom para nós...

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"Revoluções continuarão ocorrendo? As quatro grandes ondas do século XX, de 1917-20, 1944-62, 1974-8 e 1989- , poderão ser seguidas de outras rodadas de colapso e derrubada? Ninguém que olhe em retrospecto um século em que não mais que um punhado de Estados hoje existentes passou a existir, ou sobreviveu, sem passar por revolução, contra-revolução armada, golpes militares ou conflito civil armado apostaria seu dinheiro no triunfo universal da mudança pacífica e constitucional, como previsto em 1989 por alguns eufóricos crentes na democracia liberal. O mundo que entra no terceiro milênio não é um mundo de Estados ou sociedades estáveis." (HOBSBAWM, 2006, p. 446)
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O historiador marxista não era vidente ou astrólogo, era simplesmente uma pessoa inteligente, preparada e acostumada a fazer leituras da história, era alguém que sabia de causas e consequências de atos e fatos políticos e sociais. 

Os 25 anos que separam a publicação da Era dos extremos e o momento atual estão vivos em minha memória de cidadão militante social. Vivi o boom de governos democráticos populares na América Latina do final do século passado em diante, vi governos que tiveram um olhar para as classes populares em quase toda a América do Sul e vi todos serem derrubados por golpes de Estado com o apoio dos Estados Unidos e suas agências. 

Os processos de desestabilização dos governos não alinhados ao império foram fundamentais para os golpes por lawfare ou revoltas populares manipuladas por meios de comunicação de massa. Sites e jornalistas hoje perseguidos implacavelmente denunciaram ao mundo os métodos de espionar, desestabilizar e derrubar governos não alinhados ao Norte.

Vi entrar em ação uma nova forma de derrubar governos populares, uma forma com menos sangue espirrando em paredes brancas. Lawfare e manipulação maciça de populações através de ferramentas de redes sociais são as novas balas de fuzis e canhões. Uns bostas engravatados com diplomas de direito e colocados nos locais adequados substituem os aviões bombardeiros que matam presidentes como no caso chileno do Palácio de La Moneda (11 de setembro de 1973).

Enfim, em tempos de governos bárbaros, de canalhas e bandidos no poder, termino com as palavras de Hobsbawm sobre o que poderia vir no início do século XXI. Até parece profecia, mas não é.

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"O mundo do terceiro milênio portanto quase certamente continuará a ser de política violenta e mudanças políticas violentas. A única coisa incerta nelas é aonde irão levar." (HOBSBAWM, 2006, p. 446)
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Os novos golpes de Estado através de lawfare podem até não estar espirrando sangue nas paredes, mas estão derramando muito sangue das classes populares, como sempre foi. Mas o derramamento de sangue popular através do assalto ao Estado e aos direitos dos cidadãos é invisibilizado pelos meios de comunicação dos golpistas, a classe dominante que detém todos os meios.

Como disse no início, as revoluções seguem mais necessárias que nunca!

William


Bibliografia:

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991. Companhia das Letras, São Paulo, 2006.

domingo, 13 de setembro de 2020

À la Benjamin Button... (7)


Era dos Extremos, Hobsbawm.

Refeição Cultural

Olhar para trás...


Domingo, 13 de setembro. O mal avança no país, avança das mais diversas formas. Amazônia e Pantanal queimam, acabam. Pandemia de Covid-19 contamina e mata brasileiros com incentivo do novo regime nazifascista - já são 4,3 milhões de infectados e 131.210 mortos. Entramos na fase das censuras e bloqueios formais, por parte do Estado, aos oponentes do regime. Popularidade do líder fascista aumenta e bolsonarismo vai longe.


Apesar disso, vamos olhar para trás, mesmo sabendo que o tempo não volta mais e caminhamos para o fim e não para o começo. Mas como tudo começou? Onde foi que erramos e permitimos este estado de coisas?


Postei na rede social em julho de 2020:

14/7/20:

"INSTANTES COM A HISTÓRIA

Reforço a importância da história e do conhecimento para a formação de cidadãos conscientes: hoje dediquei algum tempo do dia à história. Fiz um breve artigo para lembrar da importância das lutas sindicais na defesa dos direitos dos trabalhadores, como é o caso dos bancários da comunidade do Banco do Brasil. 

Finalizei a leitura de mais um capítulo do livro de Hobsbawm, A era dos extremos (1994). Foi um capítulo que retratou os anos de crise após o período de maiores conquistas para a classe trabalhadora mundial, período que durou cerca de 3 décadas após o fim da 2ª GM - o egoísmo foi um dos fatores do período de cisões e secessões ocorridas em diversos países e comunidades após os anos 70 (a gente não aprende mesmo!). 

Li também sobre história do Brasil, leitura feita através de uma revista editada pela Biblioteca Nacional; eu adquiri a coleção que tenho entre 2003 e 2006, comprei as primeiras 36 revistas. Ler história é sempre algo proveitoso. A gente pelo menos fica mais consciente e menos ignorante. Chega por hoje.

PS: hoje faltei pela 1ª vez em minha aula (virtual) de língua japonesa, matéria que faço na USP. Não entrei na aula online por vergonha de não ter conseguido fazer todas as tarefas e sentir que estou atrasado com a disciplina. Nos últimos dias tenho estado com a cabeça voltada para as questões da política (como sempre). Durante toda a minha vida sindical, carreguei um certo sentimento de culpa em relação à faculdade de Letras porque a prioridade era sempre o compromisso com a militância sindical... por isso fiquei tanto tempo deixando matérias no meio do caminho na graduação, principalmente as matérias de 2º semestre, período das campanhas dos bancários. Nossa cabeça e nossa atenção não mudam em relação a isso. Mesmo retirado, somos pessoas preocupadas com as coisas do mundo do trabalho e do povo trabalhador, somos militantes de esquerda... (vida que segue)"


07/7/20:

"COVID-19 E O SUJEITO QUE OCUPA A CADEIRA DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Soube que o sujeito inumano que colocaram por fraude na presidência do nosso país está com o coronavírus.

Expresso meu desejo de pronta recuperação desse senhor e que não fique nenhuma sequela em sua saúde. É o que desejo a todas as pessoas vítimas desta doença terrível e pandêmica.

Registro aqui que desejo com toda a minha energia que esse senhor esteja bem vivo e que um dia ele possa responder por todos os crimes que comete diariamente contra o povo brasileiro e a humanidade. 

#ForaBolsonaro


05/7/20:

O CAPITALISMO É INCOMPATÍVEL COM A VIDA


"Os seres humanos não foram projetados para um sistema capitalista de produção..."

Escrevi isso ao lado da página em que Hobwbawm disse:

"(...) De qualquer modo, o custo do trabalho humano não pode, por nenhum período de tempo, ser reduzido abaixo do custo necessário para manter seres humanos vivos num nível mínimo aceitável como tal em sua sociedade, ou na verdade em qualquer nível. Os seres humanos não foram eficientemente projetados para um sistema capitalista de produção. Quanto mais alta a tecnologia, mais caro o componente humano de produção comparado com o mecânico." (HOBSBAWM, 2006, p. 404)


03/7/20:

"Era dos extremos (1994), Hobsbawm, cita o Brasil como um dos países mais desiguais do mundo. A melhora só ocorreu durante os governos do PT, o Índice de Gini avançou de 58,6 para 52,9 (entre 2002 e 2013, segundo matéria que havia lido. Quanto menor, melhor, como me alertou o mestre Carlindo R. de Oliveira, em seu comentário)... por isso o GOLPE de 2016... e o bolsonarismo..."

William


Bibliografia:

HOBWBAWM, Eric. Era dos extremos - O breve século XX, 1914-1991. Companhia das Letras, São Paulo, 2006.

sábado, 30 de maio de 2020

Instantes (16h30)




No sábado, ele se levantou cedo, com a ajuda do despertador do celular, para descer até a portaria do condomínio e receber os pães que haviam sido encomendados no dia anterior. Que preguiça levantar cedo depois de mais uma madrugada fria, coisa de onze graus. Feito isso, preparou o café para o filho e para ele e ficou na mesinha da cozinha lendo um pouco. Viajou até o passado. Foi para os anos setenta, oitenta, foi para a sua infância e para os tempos de seus pais e tios. Hobsbawm contou um pouco mais, foi até os anos cinquenta e sessenta. 

O historiador relembrou a ele que o Brasil e o México se industrializaram naquele período com patrocínio do Estado. O Brasil chegou a ser a 8ª economia mais industrializada num certo período da história, mas o desenvolvimento da indústria em parceria com o Estado (uma ditadura) foi com base em burocracia, corrupção e desperdício (o leitor pensou: e o crescimento econômico favoreceu a classe dominante às custas da miséria e exploração do povo pobre e trabalhador). Os dois países citados tinham população suficiente para garantir demanda e mercado interno, a demanda da população mais a demanda da máquina governamental garantiam o crescimento econômico. Hobsbawm contou também, e não era novidade, que naquele período após as grandes guerras e durante a Guerra Fria, bastava algum grupo pedir apoio aos Estados Unidos dizendo que no seu país ou novo país havia risco de ascensão do comunismo que os norte-americanos apoiavam o grupo ou ditador local para tomar o poder ou mantê-lo contra revoltas populares. Foi assim que aquela potência do Norte apoiou um monte de ditaduras corruptas e sanguinolentas naquelas décadas. Essa viagem ao passado foi através da leitura do capítulo "Terceiro mundo", do livro Era dos Extremos

O leitor decidiu ainda ler alguma coisa que o levasse mais para trás no passado, e leu um capítulo do livro Sapiens, de Yuval Harari. Aí sim, sua viagem no tempo foi bem para trás. Harari contou a ele sobre as desvantagens dos homo sapiens terem deixado a vida de caçadores-coletores para se transformarem em agricultores. Foi uma péssima escolha, em alguns sentidos que o historiador descreve no capítulo chamado "A maior fraude da história", que está na segunda parte do livro, "A Revolução Agrícola". Não foi o homem que dominou o trigo, foi o trigo que dominou o homem, diz ele. Antes, os humanos eram livres, se alimentavam de forma variada e até nos conflitos entre um grupo e outro, as chances de sobrevivência eram maiores, com os derrotados indo embora para outro lugar. Ao se estabelecerem em algum lugar, e passarem a depender de algum tipo de planta, trigo, por exemplo, a vida passou a ser em função do trigo. Se desse algum problema na colheita, as chances de fome e morte eram grandes. Se a terra fosse disputada por outro grupo, as chances de morte também eram grandes, porque o grupo "proprietário" preferia morrer a deixar sua terra e colheita... 

O leitor de história viajou algumas décadas com Hobsbawm, depois alguns milênios com Harari. 

Saiu então para correr no estacionamento do condomínio; o sol estava quente e convidativo. Fechou o mês com 50 km corridos naquele pequeno espaço possível. O leitor queria sobreviver, senão pelo prazer pessoal da existência, ao menos porque tinha amor a pessoas que dependiam dele de alguma forma. Finalizou aquela manhã e início de tarde assistindo animes com a família; era uma forma de integração entre o jovem filho e os pais.

Instantes (1h20)




Não foi possível estudar língua japonesa naquele dia. A sexta-feira não foi produtiva em termos de novos conhecimentos. Afazeres diversos o desviaram do desejo de leitura e aprendizado de algo novo. A renovação do seguro do carro teve algum problema e foi preciso tratar do assunto. A bateria do carro arriou por ficar desligado durante a pandemia e foi necessário acionar a assistência para ligar o veículo. Queria correr um pouco no estacionamento do condomínio, mas também não deu certo. 

Leu um pouco de Hobsbawm, mas a leitura foi truncada, toda hora tinha que interromper; nem acabou o capítulo em que estava. Leu mais uma novela do Decamerão, de Giovanni Boccaccio; ele se propôs a ler uma por dia durante cem dias. Leu um pouco a respeito dos povos originários das Américas - Guatemala e México. O texto sobre o México foi um texto de Carlos Fuentes, o prefácio do livro Los cinco soles de México, escrito no ano 2.000. Se não estudou japonês, ao menos leu vinte páginas de língua espanhola moderna. Já é alguma coisa. O texto trouxe um pouco de reflexões a ele também. Leu um pouco do Popol-Vuh, sobre os povos maias-quiché. 

E assim se foi mais um dia em sua vida. As notícias do mundo lá fora foram as mesmas más notícias do novo cotidiano de pandemias. Muitas mortes e contágios causados pelo vírus e o pior momento político da história daquele pedaço de mundo. Ele havia previsto que o dia seria assim, como o famoso romance de Remarque, Nada de novo no front.

terça-feira, 26 de maio de 2020

260520 (d.C.) - Diário e reflexões



Flores e livros.

Refeição Cultural 

Morrer agora, seria uma coisa estúpida, temos que viver e ver o fim dessa desgraça em que nos colocaram


Hoje é terça-feira, dia 26 de maio, do mundo depois do novo coronavírus.

Estou ouvindo a Sinfonia nº 5, de Beethoven, enquanto reflito sobre o momento por alguns minutos aqui neste espaço virtual de escritura. Me pareceu que a 5ª Sinfonia é propícia para o momento.

O país em que vivo, uma das regiões mais privilegiadas do planeta Terra em termos geográficos e geológicos, sofreu um processo complexo de destruição recente, destruição motivada pelo incômodo que os governos do Partido dos Trabalhadores causaram aos homens da casa grande por ter o PT distribuído um pouco da riqueza gerada pelo povo explorado e gerar oportunidades ao povão por pouco mais de uma década. Isso foi imperdoável para a elite e para os manipuláveis da chamada "classe média"! 

Entre 2003 e 2016, ano do golpe de Estado que retirou o PT do governo, vi o processo de destruição do país e da sociabilidade do povo brasileiro porque eu era um dirigente político e estudioso de linguagem e comunicação e das causas populares, e vi em andamento o processo que resultaria no golpe e na tragédia seguinte.

A casa grande não suportou ver de novo o PT no poder pelo voto popular. O partido havia sido eleito democraticamente pela 4ª vez em consulta aos cidadãos brasileiros e o candidato da casa grande, do partido da chamada "social democracia" brasileira, havia avisado que se o povo escolhesse novamente o PT, o partido não governaria mais. Eles cumpriram a ameaça.

Inventaram a Lava Jato, envenenaram o povo com ódio e medo, perseguiram os partidos e lideranças do campo popular, desrespeitaram o voto de 54,5 milhões de brasileiros, e entregaram o Brasil a uma bandidagem e gente má que nunca se viu na história do período republicano do país. Chegamos aonde chegamos. Com um grupo ligado às milícias no poder, nos poderes, e um bando de centenas de homens e algumas mulheres que representa tudo o que não presta nas instâncias do Estado nacional. Perdemos todos.

Eu não aceito em hipótese alguma que se esconda ou esqueça ou releve o que era o Brasil de Bolsonaro e tucanos e destruição total dos direitos civis, políticos e sociais e das instituições do Estado antes da chegada da pandemia de Covid-19 em janeiro deste ano. Se uma fada acabasse com a pandemia hoje, nada mudaria a destruição de nosso mundo, causada pelo golpe de 2016 e pelos agentes que cito aqui. Nada!

CENA DE MATRIX QUE EXPRESSA UM POUCO DA IMPOTÊNCIA QUE SINTO

Tem um momento no clássico Matrix (1999), que nunca me saiu da cabeça, porque me faz pensar que nos encontramos naquela situação de impotência, após tanto lutarmos contra os poderosos e contra o mal. Morrer daquele jeito é muito humilhante, é uma forma muito estúpida de morrer após lutar contra tanta coisa grande e após tanta exposição à morte nas batalhas contra os inimigos.

Cypher decide trair seus companheiros de luta, faz acordo com os agentes do sistema, e chega o momento em que ele está na nave Nabucodonosor e começa a matar um por um, daqueles que estão naquele momento lutando na Matrix. Para matar seus companheiros, ele simplesmente desconecta o cabo que está plugado neles e a pessoa cai morta do outro lado. Ele está falando com Trinity pelo telefone e avisa a ela que vai matar um por um. Eu até me arrepio quando ela olha para Switch, fazendo ela perceber que chegou a vez dela morrer, e ela com olhar desesperado diz antes de cair morta: - não assim...


Belinda McClory como Switch, em Matrix.

Me sentiria como Switch, se morresse por esses tempos, seja de Covid-19, de depressão, de doença me comendo por dentro, enfim, morrer agora, vendo toda a desgraça que nosso mundo se transformou por causa do que nos fizeram os desgraçados da casa grande e seus representantes da grande imprensa e seus partidos de merda. 

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LEITURAS

Além de uma novela por dia do clássico Decameron, já li 54 em 54 dias de quarentena, estou lendo Hobsbawm, A era dos extremos, e estudando língua japonesa.

A leitura de Hobsbawn é difícil e tiro o chapéu para quem conseguiu ler de forma fluente e direta. Não consigo ler mais que 15 ou 20 páginas por dia. Cada página faz você lembrar e relembrar e refletir sobre o ontem e ligar o ontem ao hoje. É leitura que nos traz amargura, porque não aprendemos nada com a história. Que merda somos nós nesse sentido. No ritmo em que estou, e tendo firmeza de propósito, espero acabar a leitura em mais umas 18 sentadas. Coisa de vinte e poucos dias.

Desde que retomei a leitura, já li cerca de 130 páginas. Li os capítulos 6. "As artes 1914-45", 7. "O fim dos impérios", 8. "Guerra fria", 9. "Os anos dourados", e estou terminando o 10. "A revolução social 1945-90".

O capítulo em que estou me lembrou muito os governos do PT no Brasil, ocorridos no início do século XXI, porque as semelhanças em termos de avanços para as classes populares são impressionantes. Os governos de Lula e o primeiro de Dilma foram para os trabalhadores brasileiros o que foram os anos dourados dos países desenvolvidos no pós-guerra em relação aos avanços para a classe trabalhadora.

Enfim, chega. Nem sei como tive saco para escrever tanto. 

William
Me sentindo meio Switch. Espero que não morra de forma tão estúpida e inútil como a personagem de Matrix, sobreviver às batalhas e morrer por uma traição.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Por que o fascismo prevaleceu após a 1a Guerra Mundial?


Historiador Eric Hobsbawm.

Frases que nos colocam a pensar:

"O que deu ao fascismo sua oportunidade após a Primeira Guerra Mundial foi o colapso dos velhos regimes, e com eles das velhas classes dominantes e seu maquinário de poder, influência e hegemonia. Onde estas permaneceram em boa ordem de funcionamento, não houve necessidade de fascismo...." (Pág. 129)

(HOBWBAWM, Eric. Era dos Extremos. In: Capítulo 4 - A queda do liberalismo, Companhia das Letras, 2ª Edição, 33ª reimpressão)


Pergunto aos amigos leitores: seriam Trump e Bolsonaro consequências de processos semelhantes um século depois? 


(Além, é claro, das fraudes nos processos "democráticos", pois lá no Norte os sistemas de algoritmos influenciando comportamentos e fake news via Cambridge Analytica foram denunciados após as eleições em 2016 e, aqui no Sul, as castas golpistas de 2016 impediram por zilhões de fraudes processuais o ex-presidente Lula de disputar e vencer as eleições no primeiro turno, e as fake news de Bolsonaro, financiadas por caixa 2, via empresários apoiadores do B17, conforme denúncia da Folha de São Paulo, pesaram decisivamente no resultado do processo eleitoral)


Post Scriptum (pouco depois da postagem inicial):

Vejam aqui mais uma análise de Hobwbawm sobre aquela época que, na minha opinião, muito se assemelha ao contexto dos anos 2016-2018 do século seguinte à 1ª GM:

"As condições ideais para o triunfo da ultradireita alucinada eram um Estado velho, com seus mecanismos dirigentes não mais funcionando; uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não mais sabendo a quem ser leais; fortes movimentos socialistas ameaçando ou parecendo ameaçar com a revolução social, mas não de fato em posição de realizá-la; e uma inclinação do ressentimento nacionalista contra os tratados de paz de 1918-20. Essas eram as condições sob as quais as velhas elites governantes desamparadas sentiam-se tentadas a recorrer aos ultra-radicais, como fizeram os liberais italianos aos fascistas de Mussolini em 1920-22, e aos alemães aos nacional-socialistas de Hitler em 1932-3. Essas, pelo mesmo princípio, foram as condições que transformaram movimentos da direita radical em poderosas forças organizadas e às vezes uniformizadas e paramilitares (squadristi; as tropas de assalto), ou, como na Alemanha durante a Grande Depressão, em maciços exércitos eleitorais. Contudo, em nenhum dos dois Estados fascistas o fascismo 'conquistou o poder', embora na Itália e na Alemanha se explorasse muito a retórica de se 'tomar as ruas' e 'marchar sobre Roma'. Nos dois casos, o fascismo chegou ao poder pela conivência com, e na verdade (como na Itália) por iniciativa do velho regime, ou seja, de uma forma 'constitucional'." (Pág. 130)


Comentário do blog - Há semelhanças impressionantes com o contexto da tragédia farsesca que ocorreu no Brasil nas eleições de 2018.


sábado, 10 de novembro de 2018

Rumo ao abismo econômico e a uma era de extremos



Texto de opinião:

"Mas, à medida que crescia a maré do fascismo com a Grande Depressão, tornava-se cada vez mais claro que na Era da Catástrofe não apenas a paz, a estabilidade social e a economia, como também as instituições políticas e os valores intelectuais da sociedade liberal burguesa do século XIX entraram em decadência ou colapso..."

(Era dos Extremos, Eric Hobsbawm)


O historiador Hobsbawm sempre nos alertou sobre a necessidade que os políticos e economistas teriam de ouvir os historiadores para se evitar as tragédias do passado. Mas não tem jeito. Quase ninguém liga para história.

Eu reli o capítulo "Rumo ao abismo econômico" em 2016, na época da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e do golpe de Estado no Brasil. Depois eu reli o capítulo em 2017, vendo a destruição dos direitos sociais e econômicos dos trabalhadores brasileiros. Hoje reli o capítulo, após a tragédia na forma de farsa das eleições brasileiras.

"(...) embora se deva dizer logo que a quase simultânea vitória de regimes nacionalistas, belicosos e agressivos em duas grandes potências militares - Japão (1931) e Alemanha (1933) - constituiu a consequência política mais sinistra e de mais longo alcance da Grande Depressão. Os portões para a Segunda Guerra Mundial foram abertos em 1931."

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A comparação hoje valeria mais ou menos para Trump - tudo pra nós e dane-se o resto -, mas não para Bolsonaro, que é só belicoso e agressivo, mas entreguista da soberania nacional e que bate continência à bandeira americana, além de o Brasil não ter capacidade de enfrentamento militar com país algum no mundo.
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O capítulo é muito, muito bom. Ele fala de economia, e fala das consequências das decisões políticas e econômicas em relação ao comércio mundial. Fala do entre guerras e a depressão econômica (Crash de 1929). Fala da ascensão do fascismo. A concentração de renda nos anos 20 e 30 às custas de ataques aos sindicatos e direitos dos trabalhadores que impactou muito na depressão econômica e na quebra da bolsa de Nova Iorque, dentre outros panoramas gerais da época.

Amig@s leitores, são cerca de vinte páginas. À medida que vamos lendo, vamos vendo os dias de hoje - Crise do subprime, Trump e a destruição do comércio mundial com mega protecionismo americano; o lawfare chamado de impeachment da presidenta brasileira e a questão da encomenda de destruição da Petrobras e entrega do Pré-sal; as consequências dramáticas aos direitos dos trabalhadores e patrimônio público com a ascensão de Temer e Bolsonaro; o gigante mundial China e a sempre sempre Rússia; o Brexit na Inglaterra e a ameaça de ruptura da comunidade europeia; as "primaveras árabes" para derrubar governos e colocar empresas de petróleo no poder etc.

As questões econômicas dos anos 20 e 30 da Era das Catástrofes são idênticas às das duas primeiras décadas do século XXI. Mama mia! Isso vai dar merda! Sempre deu. A falácia do "livre mercado" que se ajusta sozinho destruiu tanto a economia americana, potência única após a 1ª Guerra Mundial, quanto a economia dos demais países exportadores de commodities do comércio mundial daquela época. 

Foi difícil colocar na cabeça dos economistas e políticos da época as ideias relevantes do Keynesianismo (Teoria geral do emprego, juro e dinheiro), que teria influência por décadas após o Crash de 1929, ideias que contribuíram para os anos dourados da economia mundial até início dos anos setenta.

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É necessário que as pessoas compreendam o que significam as ideias ultraliberais absurdas do suposto futuro super ministro de Bolsonaro -, o que significa o fim dos direitos trabalhistas e da previdência pública, olhando o que aconteceu lá no passado e que levou ao fascismo, ao nazismo e à 2ª Guerra Mundial.
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Eu sugiro que as lideranças populares e cientes da gravidade do momento reúnam as pessoas em sindicatos e movimentos sociais, nos partidos do campo popular e democrático, nas comunidades acadêmicas e leiam juntos este capítulo de Hobsbawm para debate estratégico após tomada de consciência do que está colocado diante de nós e que caminha para uma nova catástrofe social e humana.

Abraços a tod@s, e me coloco à disposição para lermos juntos esse texto. Nos cursos de formação que fizemos por mais de cinco anos na Contraf-CUT, em parceria com a equipe do Dieese, nós fazíamos leitura de textos como esse em voz alta e juntos. É muito bom!

Amig@s progressistas e democratas, nós precisamos salvar o mundo da demência coletiva que tomou conta de nossa época.

William