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domingo, 25 de janeiro de 2026

O sentido da vida (19)



Compreender melhor o povo muda alguma coisa?


Envelhecer pode significar o ganho de experiência e sabedoria. Ou não. 

Pode ser que se tenha mais referências para nortear os passos a seguir.

Ao participar de rodas de conversas, sejam elas com conhecidos ou estranhos, percebia-se na prática as teorias do sociólogo Jessé Souza, em sua interpretação do povo brasileiro. 

Os brasileiros são aquilo que Jessé Souza explica em seus livros e palestras, um saber acumulado após décadas de estudos.

Um povo que foi aculturado para ser racista, um tipo de preconceito naturalizado por séculos, a partir da casa-grande. Racismo cultural. 

As diversas formas de preconceito e discriminação são ferramentas ideológicas para encobrir os privilégios dos donos do poder. 

Ele entendia isso claramente naquele momento de sua existência. 

A questão para ele era saber o que fazer com essa compreensão melhor sobre seu mundo e seu povo. 

Compreender como opera o sistema de aculturamento em seu mundo não significa capacidade de alterar aquela situação. 

Como mudar a realidade e salvar a humanidade e a vida no planeta Terra?

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domingo, 16 de fevereiro de 2025

Dom Quixote de La Mancha - Cervantes (4)


Dom Quixote, do Centro
Fidel Castro Ruz, Cuba.

Refeição Cultural

“Y desta manera deshizo el agravio el valeroso don Quijote, el cual, contentísimo de lo sucedido, pareciéndole que había dado felicísimo y alto principio a sus caballerías, con gran satisfacción de sí mesmo iba caminando hacia su aldea, diciendo a media voz:

- Bien te puedes llamar dichosa sobre cuantas hoy viven en la tierra, ¡oh sobre las bellas bella Dulcinea del Toboso!...” (de “El ingenioso caballero don Quijote de la Mancha. Parte 1 [Spanish Edition]” por “Miguel de Cervantes”)


CAPÍTULO 4

"De lo que le sucedió a nuestro caballero cuando salió de la venta"


Seguindo na releitura de nosso cavaleiro andante Dom Quixote de La Mancha, em verdade o senhor Alonso Quijano, que depois de uma aventura futura será também conhecido como Cavaleiro da Triste Figura, neste capítulo vamos ver a primeira aventura do herói.

“No había andado mucho, cuando le pareció que a su diestra mano, de la espesura de un bosque que allí estaba, salían unas voces delicadas, como de persona que se quejaba; y apenas las hubo oído, cuando dijo:”

Mal saiu da espelunca na qual foi sagrado cavaleiro pelo vendeiro, Dom Quixote e seu potente cavalo Rocinante (um pangaré, na verdade) vivenciam sua primeira chance de desfazer agravos e injustiças: encontram no caminho o jovem Andrés sendo açoitado por um vilão, sendo o vilão um lavrador de ovelhas que aplica um corretivo em seu empregado por ser displicente e perder uma ovelha por dia.

“-Gracias doy al cielo por la merced que me hace, pues tan presto me pone ocasiones delante, donde yo pueda cumplir con lo que debo a mi profesión, y donde pueda coger el fruto de mis buenos deseos. Estas voces, sin duda, son de algún menesteroso o menesterosa, que ha menester mi favor y ayuda.”

Dom Quixote agradece aos céus pela oportunidade e intervém naquela cena. Manda o vilão parar com o açoite, pergunta por que o rapaz estava apanhando e após a explicação de cada um deles - o lavrador explica os danos que Andrés lhe causa com o rebanho e Andrés diz que o lavrador não lhe paga sequer o salário em dia -, o cavaleiro fica do lado do mais fraco.

“Y si queréis saber quién os manda esto, para quedar con más veras obligado a cumplirlo, sabed que yo soy el valeroso don Quijote de la Mancha, el desfacedor de agravios y sinrazones; y a Dios quedad, y no se os parta de las mientes lo prometido y jurado, so pena de la pena pronunciada.” 

Nosso herói escolhe a versão de Andrés, dá uma lição de moral no lavrador, que se chama Juan Haldudo, se apresenta como o famoso cavaleiro que é e manda que o lavrador pague o que deve ao rapaz.

Após o êxito de sua missão de desfazer agravos e injustiças, sobe em Rocinante e vai embora...

E aí? Sabem o que aconteceu depois com o pobre Andrés?

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PELA HONRA DA BELA DULCINEA DEL TOBOSO

“Y habiendo andado como dos millas, descubrió don Quijote un gran tropel de gente, que, como después se supo, eran unos mercaderes toledanos que iban a comprar seda a Murcia. Eran seis, y venían con sus quitasoles, con otros cuatro criados a caballo y tres mozos de mulas a pie. Apenas los divisó don Quijote, cuando se imaginó ser cosa de nueva aventura; y por imitar, en todo cuanto a él le parecía posible, los pasos que había leído en sus libros, le pareció venir allí de molde uno que pensaba hacer; y así, con gentil continente y denuedo, se afirmó bien en los estribos, apretó la lanza, llegó la adarga al pecho, y, puesto en la mitad del camino, estuvo esperando que aquellos caballeros andantes llegasen (que ya él por tales los tenía y juzgaba);”

No capítulo, ainda tem a aventura seguinte, Dom Quixote encontra no caminho de volta a sua aldeia um grupo de mercadores de Toledo, exige que eles reconheçam a beleza sem igual de sua amada Dulcinea del Toboso e após um gozador do grupo perceber que o ancião é doido, tira um sarro da cara dele e enfurece o nosso herói.

Ao atacar os vilões, Rocinante escorrega e os dois rolam ladeira abaixo. Um dos empregados dos mercadores aproveita a condição do caído senhor Alonso Quijano e dá-lhe pauladas sem dó... 

O moço quase o mata de pancada, mesmo com os mercadores dizendo que não fizesse aquilo por se tratar de um idoso sem juízo.

Essas foram as primeiras aventuras de Dom Quixote, conhecidas como a primeira saída de nosso cavaleiro andante.

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COMENTÁRIO

Enquanto lia as desventuras do senhor Alonso Quijano, nosso eterno cavaleiro Dom Quixote de La Mancha, cavalgando pela Espanha em busca de oportunidades para desfazer agravos e situações injustas, ouvia as notícias políticas da semana no Brasil e no mundo.

A grande mídia divulgou nesta semana uma pesquisa que aponta queda expressiva na popularidade de nosso querido presidente Lula, uma das figuras mais importantes da história do Brasil e da classe trabalhadora brasileira. 

Lula está em seu terceiro mandato presidencial, após ter sofrido um lawfare criminoso que o deixou preso numa masmorra por 580 dias sem crime algum. Lula é odiado pela casa-grande e seus ideólogos por querer melhorar a condição de vida do povo pobre e trabalhador do Brasil.

Fiquei pensando nas personagens Dom Quixote, o jovem Andrés e o patrão que açoitava o empregado displicente. E a forma como se deu a "solução" quixotesca daquela desventura. Pensei no governo Lula no contexto atual.

Dom Quixote teve uma atitude correta, na minha leitura. Ao ver um homem açoitando um rapaz sem camisa, mesmo após o patrão justificar que estava dando um corretivo porque seu empregado estava lhe dando prejuízo, mandou que as chicotadas fossem interrompidas imediatamente.

O cavaleiro estava de passagem, ouviu as duas partes, ficou do lado do mais fraco, mandou que o senhor pagasse o que devia ao empregado, e seguiu seu caminho em busca de mais injustiças a corrigir. 

Dom Quixote confiou "no sistema", na palavra do dono do rebanho de ovelhas ("empresário"), que teria que cumprir com sua promessa. Era uma questão de honra cumprir o apalavrado. Assim mandavam os costumes da cavalaria andante. Eram as regras.

Acontece que assim que virou as costas, o patrão se viu novamente na condição anterior, secular, da lei dos mais fortes e dos donos do poder, ele e o rapaz achariam a solução entre os dois (a livre iniciativa), e Juan Haldudo deu uma sova tão grande no pobre Andrés que este quase morreu... 

Me digam se essa não é a realidade em cada esquina do nosso imenso Brasil. 

De que adianta hoje um governo simpático ao povo trabalhador, que tenta conciliar as relações entre capital e trabalho, um governante que me parece um cavaleiro andante solitário tentando desfazer agravos e injustiças num mundo dominado por um Congresso todo de representantes dos patrões, dos caras das bancadas da bala, do boi e da bíblia, e do agro, sem sensibilidade alguma para os milhões de Andrés? O povo tem conseguido perceber melhorias em sua vida? Como reduzir o preço dos alimentos?

E os milhões de Andrés, como bem explica o sociólogo Jessé Souza, em sua tese sobre o Coringa e a vingança dos humilhados, são os miseráveis ressentidos que só sabem que estão se f... e que querem se vingar das injustiças do sistema que os humilha e derruba... presas fáceis para os manipuladores que conseguem impor suas versões das causas da realidade miserável...

Andrés, o personagem, vai culpar o Quixote por seus infortúnios. Tá na cara isso!

Assim estamos no mundo, independente dos acertos e erros de nosso governo. Temos avanços importantes para o povo e mesmo os avanços não são percebidos porque tem muita sacanagem dos poderosos contra nós. A vida em cada esquina tá uma merda! Estamos sozinhos contra esses fdp da casa-grande e sua violência tanto física quanto psicológica.

Eu tenho escrito sobre minhas impressões de mundo atual pós advento das plataformas das big techs e sua capacidade de manipular sentimentos e comportamentos humanos. Fomos alterados por essas máquinas, não somos mais os mesmos. Pioramos como seres humanos. Pioraram a gente. Para o lucro dos donos das big techs.

Mesmo que Lula entregasse avanços e conquistas como política de governo, a população será levada a sentir-se como se no Haiti estivesse. As plataformas têm poder para isso. Ouçam o que estou dizendo faz tempo! É a pós-verdade!

É isso. É uma leitura minha de leitor e de político.

Faz anos defendo que os países e os governos progressistas criem suas próprias plataformas nacionais de comunicação e também defendo que Lula fale diretamente com o povo diariamente, como AMLO e Claudia Sheinbaun no México.

Nosso governo e a esquerda precisam fazer algo diferente do que faziam antes, os tempos e as condições são outras.

Por fim, precisamos de unidade na esquerda! Unidade! Os inimigos são poderosos! E não estão para brincadeira.

William


Post Scriptum: o texto anterior sobre Dom Quixote pode ser lido aqui.


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

ICL PÓS - A vingança dos humilhados (aula inaugural)



Refeição Cultural


A VINGANÇA DOS HUMILHADOS

Jessé Souza e Renato Janine Ribeiro

13/02/25


Hoje assisti a aula inaugural da 1ª turma do curso de Pós-Graduação do Instituto Conhecimento Liberta - Repensando o Brasil: Sociedade, Política e História. Que delícia de evento! 

Ouvir Jessé Souza e Renato Janine Ribeiro refletirem sobre o Brasil e a sociedade brasileira é uma bela Refeição Cultural

É bem o que pensei quando criei este blog para compartilhar de forma gratuita aulas da universidade e outros conhecimentos que iria adquirir com os estudos.

Amigas e amigos do blog, não percam a oportunidade de participarem do projeto revolucionário do ICL, um instituto que tem por objetivo dar acesso de forma praticamente gratuita às mais diversas áreas do conhecimento humano.

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ENTENDA COMO AS ELITES DO PAÍS CONDENARAM OS MAIS POBRES À AUTODESTRUIÇÃO

Eu acompanho o professor Jessé Souza já faz um tempo. É muito bom vê-lo explicar a questão do racismo, da humilhação, da narrativa falaciosa como a elite vende a ideia de corrupção dos pobres e dos espaços públicos, a forma como a desinformação é utilizada para manipular as classes exploradas etc.

Ouvindo Jessé Souza falar sobre a estratégia das elites dominantes de destruir os sindicatos dos trabalhadores, pensei no nome que escolhi para o meu livro de memórias com referência a minha politização: "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT". 

Ter dado atenção aos sindicalistas é uma das explicações que tenho quando reflito sobre minha vida e vejo que, de dezenas de familiares, fui um dos poucos que acabou escapando da captura das ideologias das classes dominantes. Eu dei ouvido ao Sindicato e isso fez toda a diferença em minha vida.

Enfim, a aula foi de muita reflexão.

O curso será bem legal!

William

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Post Scriptum: após algumas aulas excelentes, avaliei que eu não teria como seguir com o curso e pedi minha exclusão da pós-graduação.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Opinião - O povo não é nem de direita nem de esquerda


Atividade no BB em 2012. Foto: Lazarri.


Refeição Cultural

Opinião


O povo não é nem de direita nem de esquerda

Há um processo de politização do povo pela direita, mas podemos politizar as pessoas também se lutarmos contra o sistema de dominação atual


1. INTRODUÇÃO

Escrevo esta reflexão no momento seguinte ao resultado das eleições municipais do Brasil. O articulista é pessoa com experiência na política: fui dirigente sindical e representei com mandatos eletivos a classe trabalhadora por quase duas décadas. Já fui também líder estudantil, síndico de condomínio, membro de conselhos e gestor eleito de autogestão em saúde.

Ao longo de minha vida alternei visões de mundo diametralmente opostas. Sendo hoje uma pessoa materialista e sem nenhum tipo de fé em explicações místicas da vida humana, já fui católico praticante, uma pessoa movida pela fé cristã. Também frequentei e estudei o espiritismo e o candomblé. Já fiz curso completo de gnose, uma escola de autoconhecimento. Diria que sou, hoje, humanista e anticapitalista.

Já tive os preconceitos comuns da cultura brasileira, preconceitos que perduram há séculos nesta ex-colônia sul-americana. O principal preconceito que tive pela minha ambientação dos anos oitenta adiante, quando me tornei jovem adulto no Brasil, foi o preconceito relativo às diversas formas de amor, orientação sexual e relacionamentos humanos, ignorância que só superei ao ser politizado e educado pelo movimento sindical brasileiro.

Já senti ódio, muito ódio em minha vida, e desde pequeno. Já enfrentei um lawfare, um processo administrativo inventado pelos meus adversários políticos para destruir minha história e minha vida. Acreditem: muitas pessoas podem sucumbir aos processos de destruição e assédio. Ninguém merece ser acusado injustamente de algo que não fez. O lawfare teve seu uso político pretendido e depois do objetivo alcançado foi arquivado por falta de provas e materialidade. Acho que minha saúde nunca mais foi a mesma.

Fiz essa introdução em minha reflexão para situar as leitoras e leitores do texto que não tenham o hábito de ler meus artigos no blog, que talvez não me conheçam há mais tempo. Minha experiência de vida e militância exigem de mim um esforço para compreender as questões das diversas formas de fé das pessoas, os ritos e vícios da política sindical e partidária e as causas e efeitos das ferramentas ideológicas do preconceito, que incluem as novas ferramentas tecnológicas das big techs.

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2. A IMPORTÂNCIA DA SOLIDARIEDADE DE CLASSE

Antes de escrever alguma coisa a respeito do resultado dos processos eleitorais que se encerraram nesta semana - com a prevalência expressiva das candidaturas de direita nas cidades do país -, quero registrar algum comentário a respeito da absolvição pelo Supremo Tribunal Federal do companheiro José Dirceu: fiquei feliz com a absolvição. Que bom que lutadoras e lutadores de nosso lado da classe receberam nossa solidariedade nos momentos mais difíceis de suas vidas! Nossos inimigos de classe não têm solidariedade alguma conosco.

Eu não teria como enumerar as diversas lideranças de nosso lado da classe trabalhadora que foram vítimas de novos métodos de assédio, tortura e eliminação da vida política e, inclusive, da vida biológica por parte dos detentores do poder econômico e político instalado no Brasil há cinco séculos: a casa-grande, para resumir os opressores do povo brasileiro.

Pelos papéis que tiveram nas lutas de libertação do povo brasileiro nas últimas décadas, cito as seguintes lideranças de esquerda que sofreram perseguição política e uso da máquina estatal contra suas vidas e suas liberdades: Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, José Genoino, José Dirceu, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto, com quem militei no Sindicato dos Bancários. Todos foram vítimas de processos de lawfare para destruir suas vidas e de seus familiares e atingir o Partido dos Trabalhadores e, consequentemente, toda a esquerda brasileira.

O presidente Lula foi vítima de mentiras contra si desde os anos setenta, quando se tornou líder sindical. As mentiras foram escalando até que ele fosse preso sem crime e sem provas por 580 dias para que não disputasse as eleições de 2018. A presidenta Dilma Rousseff foi presa e torturada na juventude por lutar contra a ditadura no país. Após ser eleita com 54,5 milhões de votos em 2014, sofreu um impeachment sem crime e sem provas. Sofri muito durante esses processos que acompanhei como dirigente dos bancários! A dor era de adoecer por ver fazerem o que fizeram com nossas lideranças!

O mesmo sofrimento e impotência contra a injustiça sentimos quando a casa-grande condenou e ou prendeu sem crime e sem provas José Genoino, José Dirceu, Luiz Gushiken e João Vaccari Neto. Genoino e Dirceu, lutadores da mesma geração de Dilma e Lula. Gushiken e Vaccari, líderes da categoria bancária do Novo Sindicalismo brasileiro. Acusar lideranças da classe trabalhadora, destruir suas histórias e expô-las à execração pública a partir dos anos dois mil passou a ser a nova ferramenta de tortura e eliminação de lideranças das lutas populares.

Até hoje, temos visto serem inocentadas lideranças populares vítimas de processos de lawfare, como nos casos famosos "Operação Lava Jato" e "Ação Penal 470" (conhecida como "Mensalão" para achincalhar as vítimas). Gushiken foi absolvido por falta de provas pouco antes de falecer em 2013 e a notícia saiu nos rodapés dos jornalões e revistas que o execraram por anos. O mesmo se deu com Vaccari, preso por condenações revistas por falta de provas. Me lembro de ter me posicionado em defesa de Vaccari no auge dos massacres midiáticos que sofríamos em 2015 (ler artigo aqui).

Fico feliz e aliviado pela notícia da absolvição do companheiro José Dirceu neste momento da história brasileira. Sempre suspeitamos das práticas criminosas daquela gente da tal "República de Curitiba". O tempo foi o senhor da razão. Lendo o livro de memórias de Dirceu, temos orgulho das pessoas que ao longo da vida estiveram do lado certo da história, do lado do povo.

Essas revisões tardias de processos criminais inventados contra pessoas que representam a resistência ao avanço das políticas liberais, privatistas e contrárias aos interesses da classe trabalhadora reforçam uma questão central entre nós de esquerda: a necessidade da solidariedade entre nós nos momentos em que estamos sob ataques de nossos inimigos de classe.

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3. NEM DE DIREITA NEM DE ESQUERDA

Tive a oportunidade de participar de reuniões políticas em bases comunitárias nos últimos dois anos. Naqueles espaços de reflexões populares me lembrei muito dos tempos de representação sindical nos bancários e também dos ambientes familiares de muita pobreza e simplicidade.

Sempre que começam as reuniões nas comunidades, as pessoas que se atrevem a se inscrever para falar vão logo marcando suas posições dizendo que não gostam de política, nem dessa coisa de partido A ou B. Aí sim falam da questão do ônibus, do posto de saúde, das carências em casa, da falta de vaga na escola, segurança no bairro etc.

A questão de se classificar alguém como sendo de esquerda ou de direita e outras classificações comuns na boca da militância orgânica dos movimentos sociais ou de acadêmicos e intelectuais passa longe do dia a dia da ampla maioria das pessoas. O povo em geral não gosta de gente de esquerda "cagando" regras para ele.

Se voltar ao tempo em que fazia a base do sindicato, visitando locais de trabalho da categoria bancária ou participando de reuniões, plenárias e assembleias, poderia dizer a mesma coisa em relação a classificações de trabalhadores como de direita ou de esquerda.

Buscando na memória lembranças dos ambientes onde nasci e cresci, a parentada toda e os amigos e conhecidos na adolescência e na primeira fase de adulto jovem é a mesma coisa. Ninguém que conheci tinha esses papos de ser de direita ou de esquerda. 

É evidente que identificar fenômenos sociológicos e definir as coisas do mundo humano é importante para nós que nos interessamos em compreender e mudar a realidade social não natural. 

A desigualdade social, a injustiça contra as pessoas, o privilégio de poucos em contraposição à miséria da maioria, tudo isso são fenômenos não naturais. E podemos mudar a realidade porque somos seres históricos e fazemos a história diariamente.

As ciências humanas que se debruçam sobre os fenômenos sociológicos são necessárias, repito. O mestre Paulo Freire diz que só se educa gente. Ou seja, é possível educar e politizar as pessoas.

3.1. ALGUMAS LEITURAS INTERESSANTES

Eu, particularmente, gosto dos estudos e das conclusões do professor e sociólogo Jessé Souza a respeito do comportamento das classes dominantes e das classes subalternas. Concordo que as elites são corruptas e manipuladoras do povo. Entendo os motivos para ele definir um segmento do povo como "o pobre de direita".

Por outro lado, também apreciei as definições que ouvi dias atrás do professor e historiador marxista Valério Arcary, em entrevista ao Mauro Lopes, ao dizer que não concorda em se chamar um segmento do povo como "pobres de direita". 

Ele alegou na entrevista que importantes camadas da população estão em condições tão precárias de subsistência diária que elas não podem se dar ao luxo de recusar uma cesta básica, um telhado novo, alguma ajuda de políticos que lhes pedem o voto em troca de algo essencial.

Aí, penso na análise do professor Alysson Mascaro, jurista e filósofo do direito marxista, que em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, após o primeiro turno das eleições, disse que a direita e a extrema-direita politizaram o povo, que agora teria uma consciência de direita. Já a esquerda fica defendendo o sistema capitalista, a ordem estabelecida e fazendo coraçãozinho. 

Por fim, cito a tese "Os sentidos do lulismo" do professor e cientista político André Singer como um estudo que fez muito sentido para mim. De maneira geral, gostei das reflexões dele sobre as características do povo brasileiro e o comportamento dos diversos estamentos sociais ao longo das eleições para presidente entre 1989 e 2010. Fiz uma leitura do livro com postagens comentadas. (ler aqui)

Entendi que o que menos pesou no voto das pessoas foram questões como "esquerda" ou "direita" em relação aos candidatos Collor e Lula, FHC e Lula, Lula e Serra, Lula e Alckmin, Dilma e Serra. Os eleitores decidiram de forma muito prática seus votos em relação ao que era melhor para eles e da forma como viam o mundo, incluindo crenças, medos, cultura, preconceitos etc.

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4. QUAL A MINHA OPINIÃO SOBRE O CENÁRIO E SOBRE O FUTURO?

Vivemos um momento histórico com ferramentas tecnológicas que não existiam em outras fases da história humana. O ser humano é um animal movido à paixões e sentimentos, uma espécie que organizou o mundo a partir das abstrações criadas pela mente humana. 

O livro "O verdadeiro criador de tudo", do professor neurocientista Miguel Nicolelis, nos explica isso. A comunicação virtual e as redes sociais dominadas por algumas corporações, as big techs, sincronizam milhões de seres humanos em frações de segundos. 

Num mundo plataformizado e baseado na economia da atenção, viramos commodities e não mais seres livres. O professor e sociólogo Sérgio Amadeu, da UFABC, fala bem sobre o tema.

Quando as ideias que nos movem são inoculadas em nossa mente de forma sistêmica e intencional para ditar nosso comportamento como se dá hoje, questiono se ainda temos "livre-arbítrio".

O sistema capitalista está por trás da organização e movimentação da sociedade humana global. Não vou discorrer sobre isso. Seria exaustivo neste artigo que precisa terminar. Conto com o conhecimento que as leitoras e leitores desta reflexão já possuem.

Como identificação de fenômeno social, concordo com os professores Jessé Souza e Alysson Mascaro. A direita tem sido exitosa em estabelecer suas ideias no cotidiano das pessoas em todos os segmentos da sociedade, inclusive entre as classes subalternas e exploradas. Eu entendo que ser proprietária dos meios de produção e de criação de ideias tem peso central na prevalência das ideias de direita no mundo.

No entanto, tendo a concordar com as impressões dos professores Valério Arcary e André Singer em relação ao comportamento prático que as classes sociais têm na hora de se posicionarem em eleições ou na sobrevivência diária. As pessoas se movem à direita, centro ou esquerda de acordo com seus interesses imediatos e não por adesão ou militância a tais conceitos teóricos.

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ELEIÇÕES MUNICIPAIS BRASILEIRAS: baseado no que estou argumentando, fica fácil compreender o resultado das eleições em 2024, com o domínio amplo dos partidos de direita disfarçados sob a alcunha de "Centrão" em milhares de cidades do país. O dinheiro das emendas do orçamento público irrigando as candidaturas contra nós da esquerda mais os preconceitos e mentiras prevalentes nos meios digitais das plataformas somados aos tradicionais meios da imprensa de direita são bases efetivas da vitória da direita nas urnas. Reconheço, também, a incapacidade atual da esquerda de compreender e representar as necessidades e anseios da classe trabalhadora. Estamos distantes das bases. 

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É verdade que o domínio totalitário dos meios de produção por parte da classe dominante tem pesado para que o mundo experimente essa ascensão das ideias de direita, inclusive sobre as classes vítimas da crise do capital. Somos seres movidos pelas paixões e sentimentos: uma abstração divulgada de forma massiva em segundos pelas redes sincroniza milhões de pessoas - sentimentos como o ódio -, por exemplo. E o ódio cega as pessoas e impede o império da razão.

Na guerra de conquista das ideias, os donos dos meios estão vencendo, mas entendo que nós podemos enfrentar o avanço da direita e extrema-direita, que representam os privilegiados do mundo, nos posicionando a favor da mudança e a mudança está em questionar o sistema vigente - o capitalismo - e exigir outra forma de organização da sociedade humana.

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Contestar o capitalismo e a captura dos recursos públicos em prejuízo do povo e em privilégio de poucos é algo básico para uma liderança ou organização de esquerda.

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5. PARTIDOS, SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES

Não acredito em mudanças substantivas e perenes na sociedade humana sem organizações sociais por trás dessas mudanças. Movimentos populares episódicos - uma ocupação, uma greve, uma mobilização por questão A ou B -, por mais que sejam bonitos de se ver, não têm acúmulos crescentes com capacidade de alterar a realidade geral. Eu pensava isso em relação aos Fóruns Sociais Mundiais quando não aceitavam partidos, sindicatos e governos.

É minha opinião que nós temos que ter partidos políticos, sindicatos e associações que liderem movimentos de massas para questionar e forçar as mudanças necessárias para disputar os rumos de uma comunidade humana. 

Temos que ter atuação constante e não só em períodos eleitorais. Ampliar nossa força nos parlamentos deve ser consequência de trabalhos realizados na base o ano todo e com coordenação local e nacional. Temos que mudar essa lógica personalista de nomes e mandatos prevalecerem sobre projetos e coletivos locais, temáticos e programáticos de esquerda, lutas de classe.

Para isso, as lideranças populares precisam exigir as mudanças necessárias das velhas burocracias encasteladas em partidos, sindicatos e associações que são estratégicos para a classe trabalhadora, mas que têm deixado insatisfeitas as bases sociais por completa ausência nas bases.

Tenho visto surgirem novas lideranças nos partidos de esquerda e nos movimentos organizados. Temos que fortalecer e apoiar essa juventude que está dando as caras. 

Se permitirmos que as ideias da burocracia partidária e sindical prevaleçam - ideias de conciliações improdutivas com adversários e inimigos na atualidade e parcerias ruins com nossos algozes -, não mudaremos a realidade na qual as ideias de direita e extrema-direita estão prevalecendo nas camadas populares que, repito, não são nem de esquerda nem de direita.

Nossos partidos de esquerda, sindicatos e organizações populares podem fazer a diferença, mas para isso é necessário que mudem e ouçam as bases e as novas lideranças que estão chegando para fazer história. Que Brasil e mundo queremos em 2035 e 2050? Para pensar 2026 temos que pensar o que queremos para o mundo.

William Mendes


sábado, 12 de outubro de 2024

ICL - O pobre de direita, curso de Jessé Souza



Refeição Cultural

O POBRE DE DIREITA - JESSÉ SOUZA

Assistir aulas ou palestras do sociólogo Jessé Souza é uma oportunidade única na vida de qualquer pessoa que anseia obter ferramentas e subsídios para compreender o mundo no qual vivemos e a sociedade humana e suas diversas formas de organização social.

O curso no Instituto Conhecimento Liberta (ICL) é dividido em quatro partes e nos esclarece como os donos do poder do dinheiro nos Estados Unidos organizaram um sistema ideológico que naturaliza o domínio de pequenos grupos humanos sobre o conjunto das populações do mundo. 

As explicações do professor são incríveis, Jessé Souza não poupa ninguém na hora de se posicionar em relação aos corruptos da Faria Lima, grupos de latifundiários do "agro pop" etc. O sociólogo explica de forma clara como os poderosos organizam as ideias para manipular os pobres a defenderem que os ricos continuem ricos.

Após conhecer "O pobre de direita" a pessoa terá uma leitura mais clara do racismo brasileiro e da corrupção secular da burguesia canalha do Brasil.

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Apresentação do curso que consta na plataforma de ensino do ICL:

"Nesta série de aulas inspiradas no livro O pobre de direita, o sociólogo Jessé Souza apresenta, inicialmente, o surgimento da extrema direita nos Estados Unidos, país do qual o Brasil importou a mesma lógica política. Jessé traz também uma análise inovadora do fenômeno do apoio popular à extrema direita no Brasil, explorando as complexas intersecções entre estratificações sociais, fervor religioso e regionalismo.

Afinal de contas, por que uma parcela significativa de pobres decide apoiar políticas que contrariam seus interesses? Convidamos você a esta reflexão sobre o desafio de construir um Brasil verdadeiramente democrático e igualitário.

Aulas:

1. As raízes históricas da extrema direita no Brasil são americanas

2. O branco pobre do Sul e de São Paulo e o preconceito regional no Brasil

3. O negro evangélico

4. Considerações finais"

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Amigas e amigos leitores do blog, experimentem participar do ICL, vocês terão muitas oportunidades de conhecimentos novos. 

Abraços,

William


sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Leitura: O genocídio do negro brasileiro - Abdias Nascimento



Refeição Cultural

Osasco, 6 de outubro de 2023. Sexta-feira.



"GENOCÍDIO – geno-cídio: O uso de medidas deliberadas e sistemáticas (como morte, injúria corporal e mental, impossíveis condições de vida, prevenção de nascimentos), calculadas para o extermínio de um grupo racial, político ou cultural ou para destruir a língua, a religião ou a cultura de um grupo. Webster’s Third New International Dictionary of the English Language, Springfield: G&C Merriam, 1967.

GENOCÍDIO – geno-cídio: Genocídio s.m. (neol.). Recusa do direito de existência a grupos humanos inteiros, pela exterminação de seus indivíduos, desintegração de suas instituições políticas, sociais, culturais, linguísticas e de seus sentimentos nacionais e religiosos. Ex.: perseguição hitlerista aos judeus, segregação racial etc. Dicionário Escolar do Professor, organizado por Francisco da Silveira Bueno. Brasília: Ministério da Educação e Cultura, 1963, p. 580." (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado" by: Abdias Nascimento

REFLEXÃO

A leitura do livro O genocídio do negro brasileiro - Processo de um racismo mascarado (1978), do grande intelectual Abdias Nascimento (1914-2011), foi uma leitura que me trouxe grandes reflexões e novos conhecimentos. A obra de Abdias se incorpora aos textos que tenho lido recentemente que têm impactado profundamente minha forma de ver o mundo. 

Ao ler esse texto-denúncia de Abdias, ficou muito mais claro como eu - um branco - fui enganado ao longo de minha vida sobre o mito da "democracia racial" no Brasil. Como nós fomos enganados! Além de denunciar a mentira da "igualdade" de tratamento aos afrodescendentes, Abdias faz propostas de solução para o problema, propostas que seriam abraçadas pelas lutas antirracistas tempos depois. 

Quando leio e ouço os estudos e reflexões do intelectual Jessé Souza, nos explicando sobre o racismo estrutural na sociedade brasileira, compreendo cada dia mais por que as coisas são como são por aqui. Antes de Jessé, Abdias já nos alertava para a mentira da "democracia racial" para os afrodescendentes no Brasil. 

Devo agradecer ao Instituto Conhecimento Liberta (ICL), e especialmente aos professores Lindener Pareto e Suze Piza, a oportunidade que me deram da referência a Abdias Nascimento, pessoa incrível que eu nem conhecia para ser bem sincero como costumo ser. O livro de Abdias fez parte dos "13 livros para compreender o Brasil", curso que fiz no ICL (ler comentário aqui).

A busca pelo conhecimento é muito facilitada quando temos à disposição boas trilhas de estudos, caminhos a percorrer nas leituras e reflexões. É assim quando entramos em uma graduação de nível superior. As disciplinas e os mestres constroem listas e roteiros de leituras para percorrermos e galgarmos novos conhecimentos.

Escrevo há quase vinte anos que reconheço a minha ignorância (não saber) em quase todas as dimensões do conhecimento humano. Nunca neguei isso. Sou todo lacunas culturais e por isso leio, estudo e escrevo, para tentar melhorar como um ser vivo na natureza, ser que vive em sociedade, e melhorar como homo sapiens.

Os textos do livro são tão profundos - cada capítulo, cada ideia e cada argumento de Abdias Nascimento - que não adiantaria eu fazer diversas citações aqui no blog. E os textos complementares? Um melhor que o outro. Um dos prefácios, por exemplo, é feito por Florestan Fernandes!

No entanto, para deixar a curiosidade aguçar o desejo de leitura da obra, cito abaixo os capítulos do livro:

I. Introdução

II. Escravidão: O mito do senhor benevolente

III. Exploração sexual da mulher africana

IV. O mito do "africano livre"

V. O branqueamento da raça: uma estratégia de genocídio

VI. Discussão sobre raça: proibida

VII. Discriminação: realidade racial

VIII. Imagem racial internacional

IX. O embranquecimento cultural: outra estratégia de genocídio

X. A perseguida persistência da Cultura Africana no Brasil

XI. Sincretismo ou Folclorização?

XII. A bastardização da Cultura Afro-Brasileira

XIII. A estética da brancura nos artistas negros aculturados

XIV. Uma reação contra o embranquecimento: o Teatro Experimental do Negro

XV. Conclusão


Como nos ensinam os bons mestres, nenhuma crítica ou comentário sobre um livro substitui a leitura do próprio livro. LEIAM essa obra de Abdias, é o que posso deixar como sugestão aos que não desistiram de estudar e buscar compreensão da realidade do mundo.

Deixo abaixo, algumas citações só para instigar leitoras e leitores a lerem a obra de Abdias.

Antes disso, comento que achei emocionante ver que o 3º Governo Lula retomou o programa de bolsas de estudos Abdias Nascimento, criado no Governo Dilma em 2015, antes do golpe de Estado, e sem recursos desde então. Lula retomou o programa em junho de 2023 e hoje há recursos para as bolsas de estudos para afrodescendentes, indígenas e pessoas com deficiência. 

Lindo isso! Fizemos o L para isso, para criar oportunidades para tod@s no Brasil.

William

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A MENTIRA MITOLÓGICA DA "DEMOCRACIA RACIAL"

"O preconceito de cor, a discriminação racial e a ideologia racista permaneceram disfarçados sob a máscara da chamada “democracia racial”, ideologia com três principais objetivos: 1. impedir qualquer reivindicação baseada na origem racial daqueles que são discriminados por descenderem do negro africano; 2. assegurar que todo o resto do mundo jamais tome consciência do verdadeiro genocídio que se perpetra contra o povo negro do país; 3. aliviar a consciência de culpa da própria sociedade brasileira" (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado", by: Abdias Nascimento)

A MENTIRA DA "LIBERTAÇÃO" DOS ESCRAVIZADOS

"Teoricamente livres, mas praticamente impedidos de trabalho, já que o imigrante europeu tinha a preferência dos empregadores, o negro continuou o escravo do desemprego, do subemprego, do crime, da prostituição, e principalmente, o escravo da fome: escravo de todas as formas de desintegração familiar e da personalidade." (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado", by: Abdias Nascimento)

GENOCÍDIOS DE INDÍGENAS E AFRODESCENDENTES TRAVESTIDOS DE NOMES BONITOS

"A sociedade dominante no Brasil praticamente destruiu as populações indígenas que um dia foram majoritárias no país; essa mesma sociedade está às vésperas de completar o esmagamento dos descendentes africanos. As técnicas usadas têm sido diversas, conforme as circunstâncias, variando desde o mero uso das armas, às manipulações indiretas e sutis que uma hora se chama assimilação, outra hora aculturação ou miscigenação; outras vezes é o apelo à unidade nacional, à ação civilizadora, e assim por diante." (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado", by: Abdias Nascimento)

ABDIAS NASCIMENTO E PAULO FREIRE

"Nossa arte negra é aquela comprometida na luta pela humanização da existência humana, pois assumimos com Paulo Freire ser esta 'a grande tarefa humanística e histórica do oprimido – libertar-se a si mesmo e aos opressores'." (from: "O Genocídio do negro brasileiro: Processo de um Racismo Mascarado", by: Abdias Nascimento)


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Bibliografia:

NASCIMENTO, Abdias do. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 1. ed. - São Paulo: Perspectivas, 2016. 232 páginas.

quinta-feira, 14 de setembro de 2023

ICL: 13 livros para compreender o Brasil



Refeição Cultural

Curso do ICL: "13 livros para compreender o Brasil"


Este foi um dos primeiros cursos que fiz no Instituto Conhecimento Liberta (ICL), um projeto revolucionário de compartilhamento de cultura e saber de forma acessível para todas as pessoas. Por estar na grande São Paulo, tive o privilégio de ir às aulas presenciais na sede da instituição.

Antes de comentar abaixo as obras que vimos nas aulas, deixo para as leitoras e leitores do blog a sugestão de avaliarem a possibilidade de se inscreverem no ICL para fortalecerem o projeto e para acessarem uma gama enorme de cursos nas mais diversas áreas do saber. 

Quando vi o projeto do ICL, me lembrei do desejo que tive ao criar este blog lá em 2007 para compartilhar conhecimento de forma gratuita. Se possível, façam a assinatura solidária e ajudem mais pessoas a participarem do projeto e terem acesso ao conhecimento.

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Este curso apresentou a seguinte proposta de estudos:

"O curso apresenta 13 livros fundamentais para a compreensão da história e da sociedade brasileira. Com efeito, a partir de leituras comentadas, os professores Lindener Pareto e Suze Piza irão debater as grandes questões que marcam a cultura nacional. Movimento Negro, História das Mulheres, A questão Indígena e tantos outros temas da vida brasileira a partir de grandes clássicos como Euclides da Cunha, Carolina Maria de Jesus e Jessé Souza. Ao mesmo tempo, o curso apresenta uma proposta de leitura pública, incentivando a participação do público e celebrando a construção coletiva da leitura crítica."

A partir dessa proposta, a cada semana nos encontramos com os professores para refletirmos sobre uma obra e um autor ou autora comentados.

Participei de quase todas as aulas presenciais e já li alguns dos livros comentados no curso. Outros, comprei e ainda não fiz a leitura.

Neste momento da postagem, estou revendo as aulas gravadas e refletindo novamente sobre as obras e as questões debatidas.

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Aula 1: A queda do céu: palavras de um xamã yanomami, de Davi Kopenawa e Bruce Albert

Esta primeira aula não foi presencial em 5/10/22. Adquiri o livro em edição em papel. Ainda não li o livro. 

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Aula 2: O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, de Luiz Felipe de Alencastro

Fui a esta aula presencial em 19/10/22. Não tinha o livro e o adquiri no formato digital. Não o li ainda.

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Aula 3: Liberdade, de Luiz Gama

Participei da aula (26/10/22). Fiquei impressionado com a história de Luiz Gama e com a produção intelectual desse brasileiro extraordinário. Adquiri o livro em formato digital e consegui ler o livro, que faz parte de uma coletânea sobre a vida e obra desse intelectual em diversos volumes. Ler comentário inicial aqui e sobre a leitura aqui.

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Aula 4: Os sertões, de Euclides da Cunha

Participei da aula em 9/11/22. Este livro é um dos livros que comecei a ler faz muito tempo e nunca terminei a leitura. Li a primeira parte "A terra" e a segunda parte "O homem" décadas atrás. Acabei deixando de ler à época a terceira parte "A luta" porque já sabia no que havia dado aquilo: mais uma chacina vergonhosa praticada pelas elites brasileiras contra os movimentos populares. Por causa do curso, acabei retomando a leitura, mas ainda falta o final, a 4ª expedição. Comentários aqui.

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Aula 5: Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus

Participei da aula (16/11/22). Ainda não li este livro, que já adquiri. A leitura coletiva de alguns trechos do diário da autora foi marcada por momentos de emoção, pois os relatos são de fome, de miséria na favela e resistência de uma mulher negra que acorda todos os dias sem a certeza de que conseguirá algum dinheiro catando papel ou outros recicláveis para alimentar seus filhos. (revi a aula na plataforma em 12/9/23).

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Aula 6: Macunaíma, de Mário de Andrade

Participei da aula presencial em 23/11/22 (revi a aula na plataforma em 12/9/23). Já li umas três vezes Macunaíma, a última vez para a aula do ICL. Clique aqui para ler a respeito da última leitura, feita na ocasião do curso. Fiz uma reflexão sobre aquele momento vivido pelo Brasil.

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Aula 7: Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa

Estive na aula em 30/11/22. Tenho uma longa história com este livro. Durante anos tentei ler o romance até o fim e não conseguia. Hoje é um livro que já li e releio sempre. Das várias postagens no blog, esta aqui é após a conclusão da leitura. Revi a aula na plataforma na madrugada de 13/9/23.

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Aula 8: Como o racismo criou o Brasil, de Jessé Souza

Participei da aula em 6/12/22. Temos a edição impressa do livro em casa, mas não o li ainda. Revi a aula na plataforma em 10/9/23.

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Aula 9: Genocídio do negro brasileiro, de Abdias do Nascimento.

Estive na aula em 14/12/22. Não li o livro ainda, mas o adquiri no formato digital no dia que revi a aula na plataforma em 11/9/23. Após a aquisição, já li o Prefácio à Edição Brasileira, por Florestan Fernandes, o Prefácio à Edição Nigeriana, por Wole Soyinka, e o Prólogo: A História de uma rejeição, do próprio Abdias Nascimento. Textos fantásticos!

Post Scriptum (10/10/23): A leitura do livro de Abdias Nascimento foi impactante. A crítica direta e objetiva que ele faz aos intelectuais brasileiros que usaram de suas posições para endossar ou amenizar a tragédia do racismo no país é única. Só fui ver algo parecido em Jessé Souza, décadas depois de Abdias. Ler comentário sobre a leitura aqui. Revi a aula hoje, após ler a obra.

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Aula 10: Insubmissas Lágrimas de Mulheres, de Conceição Evaristo

Participei da aula presencial em 21/12/22. Tenho o livro em formato digital e já li a obra. Ler Conceição Evaristo é um privilégio para qualquer pessoa. Já li algumas obras da autora e ela é fantástica! Ler aqui o comentário que fiz sobre este livro. Revi a aula na plataforma em 13/9/23.

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Aula 11: Brasil - Mito fundador e sociedade autoritária, de Marilena Chauí

Esta aula foi gravada em janeiro de 2023 pela professora Suze Piza. Adquiri a obra pela internet em formato digital e não a li ainda. Assisti à aula pela plataforma em 13/9/23. A professora fez uma explanação sobre o contexto no qual a obra foi lançada pela filósofa Chauí, na virada dos anos dois mil e durante as "comemorações" dos 500 anos do "Descobrimento". Muito esclarecedora a questão do "mito fundador" que nos acultura desde que nascemos no Brasil.

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Aula 12: Torto arado, de Itamar Vieira Junior

Li o livro antes da aula em 24/1/23, mas não consegui chegar a tempo de participar da aula, pois estava na Colônia do Sinpro SP, na Praia Grande. Fiz uma postagem sobre o livro: ler aqui.

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Aula 13: Banzeiro òkòtó, de Eliane Brum

Aula gravada e transmitida pela plataforma. Não li o livro ainda. Revi a aula em 14/9/23. Adquiri o livro no formato digital. Li dois capítulos e fiquei encantado com o conteúdo e a proposta de reflexão da autora. 

Ao ler o capítulo "desestrutura" me senti representado pelas palavras de Brum. Me identifiquei com a descrição de desconforto da escritora por ser uma branca no Brasil. Não é fácil lidar com o fato de ser um branco privilegiado num país racista que desde as invasões europeias define a vida de cada um de nós por sua estrutura racista, violenta e autoritária.

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Aula 14: Roda de conversa sobre leituras públicas e formação de coletividades

Participei desse encontro presencial de fechamento do curso em 30/1/23. Revi a aula na plataforma em 14/9/23. Na exposição de ideias foram feitas reflexões profundas sobre livros e meios de registro e transmissão de informações e conteúdos ao longo da história humana. Fiz intervenção ao final. Tive a oportunidade de expor o que penso várias vezes durante o curso.

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REFLEXÕES

Gostei muito do curso! Ao longo do processo de aprendizagem, acabei lendo livros que talvez não leria se não fosse a referência do curso. Isso é muito bom, a programação organizada pelos professores Suze Piza e Lindener Pareto nos abre novas perspectivas de leitura de mundo.

Foi assim com a leitura sobre Luiz Gama (Liberdade) e o romance de Itamar Vieira Junior (Torto arado). Também acabei lendo um livro que não havia lido ainda da autora Conceição Evaristo (Insubmissas lágrimas de mulheres).

Em relação aos livros e autores que já conhecia, adorei ouvir reflexões novas sobre os temas. Os clássicos de Mário de Andrade (Macunaíma), Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas) e Euclides da Cunha (Os sertões) são parte da história da cultura brasileira, para o bem e para o mal.

E ficam as leituras novas como desafios intelectuais para mim, pois ainda tenho que ler 7 obras abordadas durante o curso. Já as tenho todas e agora é só mergulhar nas leituras nos próximos meses de vida.

O percurso de leitura será extraordinário para mim por causa do leque de conhecimento contido nas obras: A queda do céu, de Kopenawa; O trato dos viventes, de Alencastro; Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus; Como o racismo criou o Brasil, de Jessé Souza; Genocídio do negro brasileiro, de Abdias Nascimento; Brasil - Mito fundador e sociedade autoritária, de Marilena Chauí; Banzeiro Òkòtó, de Eliane Brum.

Deixo meu agradecimento aos professores Suze Piza e Lindener Pareto pela oportunidade e ao ICL.

Sigamos estudando e aprendendo sobre nós mesmos, a vida, o Brasil e o mundo.

William


segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Leitura: A guerra contra o Brasil - Jessé Souza



Refeição Cultural

Osasco, 21 de novembro de 2022. Segunda-feira.


"O bolsonarismo utiliza as contradições sociais para manter o clima de guerra social constante – precisamente o modus operandi miliciano: ameaçar e chantagear o tempo todo para extorquir o máximo possível. Ele coloniza a opressão e o ressentimento popular contra as classes “superiores” em sua luta contra tudo que represente o “espírito”: artes, ciência, universidades, cultura, livre pensamento. Como o conhecimento e a cultura foram utilizados muitas vezes como uma “carteirada” contra os mais pobres, a memória dessa humilhação sobrevive no apoio a esse tipo de destruição do patrimônio simbólico do país empreendido por Bolsonaro." (de: "A guerra contra o Brasil - Como os EUA se uniram a uma organização criminosa para destruir o sonho brasileiro" por Jessé Souza)


Enfim, consegui ler o primeiro livro do sociólogo Jessé Souza, grande estudioso do Brasil e do povo brasileiro. Tenho vários livros do autor, mas ainda não havia conseguido ler uma obra dele do início ao fim. Aliás, A guerra contra o Brasil (2020) é um dos primeiros livros que li através do Kindle. Temos ele impresso, minha preferência, mas eu o li na ferramenta virtual.

O que poderia comentar a respeito do livro de Jessé Souza? O subtítulo é autoexplicativo e diz tudo o que significa esta denúncia do sociólogo para nós brasileiros: "Como os EUA se uniram a uma organização criminosa para destruir o sonho brasileiro". O estudioso esclarece aos leitores e leitoras como os ricos dos EUA procederam para dominar a ampla maioria do povo norte-americano e como eles fizeram para estender seu domínio imperialista ao restante do mundo, e lá estamos nós, a ex-colônia Brasil.

VALE A PENA LER ESTE LIVRO DE JESSÉ SOUZA?

Ao fazer uma postagem no blog, preciso sempre pensar um motivo para tal coisa. Por que falar a respeito do livro de Jessé Souza que acabei de ler? O livro acrescentou alguma coisa para mim? Eu recomendaria a leitura do livro para as pessoas que por acaso leiam esta postagem aqui neste blog de cultura? Tenho um compromisso com os milhares de leitores e leitoras do blog e me esforço para ser honesto em tudo o que escrevo aqui.

De cara, diria que recomendo muito a leitura do livro para as pessoas jovens que têm carência de conhecimentos de história, para a militância de movimentos sociais que já têm um sangue borbulhante nas veias (sangue vermelho!) ao lutarem diariamente contra as injustiças e abusos das elites contra a grande maioria do povo humilhado e sem oportunidades de ascender na vida.

Além dos mais jovens e com pouco acúmulo de experiências de vida, eu diria que esse livro traz muita informação para os adultos que tiveram formações escolares tradicionais porque os currículos escolares seguem o cânone construído pelas elites para nos fazer repetir a história brasileira através do viés deles, da casa-grande. 

Esse cânone inclui a leitura de Brasil e de povo brasileiro de Gilberto Freyre, S. B. Holanda, Raymundo Faoro, FHC e outros intelectuais que criaram leituras de brasis cordiais, mestiços, da bela democracia racial, da igualdade entre todos, da falsa meritocracia, da invenção vira-lata de que somos corruptos por gênese blá blá blá. Leiam Jessé Souza!

E para mim, um militante político com mais de cinquenta anos e que passou quase duas décadas na representação da classe trabalhadora e que já se dedicou bastante aos estudos de nossa história do Brasil? Valeu a pena a leitura do livro? A leitura me trouxe informações novas e reflexões novas? Sim!

Valeu muito a leitura! Aprendi muito e relembrei muita coisa importante para entender o que somos, por que as coisas são como são e como poderíamos mudar as coisas, através da educação e da informação ao nosso povo. Valeu muito a leitura.

O RACISMO, BASE DE TODA EXPLORAÇÃO CAPITALISTA

O livro se divide em 3 partes e a primeira delas eu gostei muito por aperfeiçoar meu entendimento a respeito da história norte-americana.

- A construção da ideologia do imperialismo informal americano

- A elite colonizada brasileira e sua estratégia: a transformação do racismo em moralismo

- As metamorfoses do neoliberalismo

Através da leitura dessas 3 partes do livro, fica muito mais fácil entender as pessoas ao nosso redor. Sério mesmo! Consigo ver meus familiares e o comportamento deles através do livro de Jessé Souza. Vejo os bancários da ativa e aposentados que representei por tanto tempo. Olho meus vizinhos e os vejo dentro das descrições do comportamento do povo brasileiro pobre e de classe média baixa em cada um deles. É impressionante!

Jessé Souza nos mostra como se comportou o capitalismo norte-americano ao longo do século XX, os efeitos do New Deal durante algumas décadas e as mudanças a partir dos anos 70 finalizando uma fase de conciliação de classes entre os trabalhadores e os donos do poder. Depois vemos como o domínio sobre a classe trabalhadora dentro do próprio país se expandiu para o domínio do mundo com o poder imperialista sobre dezenas de países das Américas e dos outros continentes. É foda!

Por fim, a 2ª parte deixa muito claro o que somos. A forma como o racismo "racial", como diz Jessé Souza, nos afeta desde a origem do Brasil. Como os donos do poder transformaram o racismo em moralismo, um moralismo canalha, corrupto, de gente picareta. São os nossos conhecidos que roubam o dia inteiro, que são corruptos em tudo o que fazem e pensam, e arrotam um moralismo para julgar os outros. Leiam Jessé Souza e entendam aquele seu familiar e conhecido corrupto e mau caráter que se diz moralista e "pessoa de bem".

É isso!

Livro esclarecedor de um grande estudioso brasileiro que nos dá muito orgulho por nos fazer pensar e por nos fazer rever dogmas pseudocientíficos enfiados goela abaixo nos currículos escolares por décadas e gerações.

William Mendes


Bibliografia:

SOUZA, Jessé. A guerra contra o Brasil - Como os EUA se uniram a uma organização criminosa para destruir o sonho brasileiro. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2000.