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segunda-feira, 10 de junho de 2024

16 de 100 dias



16. Fiquei sensibilizado com o depoimento de um amigo escritor ao comentar que seu livro lançado no ano passado teve a tiragem de algumas dezenas de unidades. Muito pouco se avaliarmos a excelência do conteúdo. Foi um livro que me fez rir muito e eu considero o livro uma obra de arte. O trabalho que ele teve de pesquisa para produzir a obra é inimaginável para quem não acompanha o dia a dia da produção de uma obra cultural. É decepcionante isso! Deixa a gente desanimado com relação ao mundo humano. Eu fico desanimado com isso. (estou falando do livro do amigo Roberto Buzzo)

Uma das coisas que tenho refletido para a sequência de minha hipotética existência é justamente atuar com a produção de textos, escrever. E tenho noção da história da leitura no Brasil. Nossos principais escritores não viveram de suas produções de cultura para o povo brasileiro. Eram empregados de repartições públicas ou tinham algum tipo de rendimento que lhes permitiam sobreviver sem precisar de um tostão que fosse de suas criações culturais. Aliás, muitos de nossos escritores bancavam edições de suas obras com recursos próprios para presentearem a um pequeno grupo de amigos. Essa é a realidade tristíssima da produção cultural do nosso país.

Por esse motivo e por outros, não pretendo fazer lançamento nem estardalhaço a respeito de uma edição impressa de minhas memórias sindicais, textos que produzi em um de meus blogs durante a pandemia de Covid-19. Gastei boa soma de recursos próprios para confeccionar a edição em livro. Vou fazer algumas unidades e presentear pessoas que demonstrarem interesse em ler o livro.

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MEU CEDOC

Em relação aos materiais sindicais e de formação que estou organizando para doar às pessoas que demonstraram interesse neles, vi hoje mais um vídeo excelente!

O documentário "Por dentro do $istema", feito pela Contraf-CUT em julho de 2006 é uma aula de história sobre o Sistema Financeiro do Brasil, os bancos que atuaram aqui desde 1808 e sobre as lutas da categoria bancária. Que vídeo legal!

É um material muito bom para ser visto e servir como suporte de formação. Como tenho duas cópias, vou doar uma e deixar a outra em meu cedoc.

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Outro vídeo que assisti é o documentário do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região comemorativo dos "30 anos da retomada" do sindicato das mãos dos pelegos no final dos anos setenta, na eleição de 1979, vencida pela nossa oposição.

Que vídeo bacana! Quanta história!

No vídeo original, feito em 1989, vemos Luiz Gushiken, Gilmar Carneiro, Tita Dias, Lucas Buzato e Luizinho Azevedo falando sobre aquela luta histórica.

Num momento, vemos a companheira Tita Dias falando sobre as intervenções do regime ditatorial nos sindicatos dos bancários de São Paulo, metalúrgicos do Abc, metroviários de São Paulo e petroleiros de Campinas.

Material incrível! 

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Vou doar uma parte dos materiais de história e política que acumulei durante anos de representação sindical.

No entanto, decidi ao começar a manusear o material que preciso guardar uma parte comigo. Nunca se sabe o dia de amanhã. Vou catalogar o material de cultura que tenho, incluindo livros e mídias diversas.

No dia em que faltar, até para se desfazer do material, a família terá um conhecimento melhor do que tem. De repente, alguma entidade de classe ou alguma pessoa receba o material de cultura.

William


quinta-feira, 6 de julho de 2023

Diários com Machado de Assis (XIV)



Refeição Cultural

Osasco, 6 de agosto de 2023. Quinta-feira. 

(Um dia triste: perdemos duas pessoas do nosso lado na luta por um mundo melhor. Perdas por acidentes domésticos. Zé Celso, grande dramaturgo brasileiro, faleceu em decorrência de um incêndio; e nosso companheiro de lutas Carlos Cremoso, funcionário do Sindicato, faleceu em decorrência de uma queda. Um dia triste! Meus sentimentos aos familiares e amig@s)


Crônicas são textos de um gênero discursivo que depende muito de um certo nível de conhecimento por parte dos leitores - as referências -, ou seja, quando alguém lê uma crônica a pessoa precisa ter um conhecimento mínimo sobre a temática na qual a crônica faz referência, caso contrário o texto fica meio sem sentido.

Para dar um exemplo atual, o livro A bíblia em crônicas livres (2023), do excelente escritor e cronista Roberto Buzzo, faz referências em seus textos a personagens e eventos citados na bíblia, nos livros reunidos no Antigo e Novo Testamento (comentário aqui). 

A pessoa pode nunca ter lido a bíblia na vida, mas no mínimo a pessoa sabe do que se trata, sabe que a bíblia existe, já ouviu falar de fulano ou ciclano citado na bíblia etc. São as referências.

Em geral, tendo a afirmar que textos de crônicas envelhecem mal, justamente porque as referências vão se perdendo ao longo do tempo cronológico. Até nisso o Buzzo foi esperto, porque as referências das crônicas dele me parecem que ainda vão longe no presente e no futuro (risos).

Aí peguei pra ler, meio sem querer, um dos livros de Machado de Assis na estante. Percebi nas primeiras páginas a dificuldade da leitura, dificuldades como descrevi acima. Me faltam as referências. Parte delas por ignorância intelectual, parte por terem sido referências episódicas, coisas do cotidiano de Machado naquela época.

O livro História de quinze dias traz reunidas crônicas do Mestre do Cosme Velho dos anos de 1876, 1877 e 1878, reunidas neste volume de Obras Completas de Machado de Assis, da Editora Globo. Essa coleção é uma preciosidade que tenho em casa.

Vou tecer um elogio ao Roberto Buzzo e inclusive vou tratar de comprar o livro dele impresso, já que o que li foi digital, algo que não existe pra mim. Ele me fez rir. Rio com as crônicas dele.

Peguei as crônicas de Machado e li, li, li, até que as referências foram clareando e eu comecei a rir. O cara é fenomenal! Se Machado não é o pai da ironia, ele é herdeiro direto do deus da ironia. Cada parágrafo tem alguma ironia no que Machado apresenta ao leitor ou leitora da época.

Por que falo do elogio ao Buzzo? Porque o Buzzo me fazia rir sozinho quando lia suas crônicas sobre os (as) personagens e eventos clássicos da bíblia. O velho Machado me faz rir sozinho quando o leio, o Machado que nem era velho quando escreveu essas crônicas, tinha menos de 40 anos. Eu rio muito pouco, sou rabugento (triste eu diria). Buzzo e Machado me fazem rir...

MACHADO TIRA SARRO ATÉ DE SI MESMO

Nas primeiras páginas do livro, Machado tira sarro dos nomes próprios das pessoas. À época era comum meter um monte de nomes e sobrenomes nas pessoas para dar algum grau de nobreza ou origem, verdadeira ou falsa. 

Ele termina falando o quanto é bom as pessoas terem apenas dois nomes, tipo Luís de Camões ou Antônio vieira, e que os grandes acabam tendo um só, tipo Chateaubriand ou Gladstone.

Aí depois ele fala de um correspondente de jornal de outro Estado, e demais profissionais da área, que usam diversas denominações para uma palavra e termina dizendo que as pessoas poderiam usar só a forma padrão ou correta, que as outras são invenções deles, elas não existem.

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"Será preciso observar a todos os cavalheiros que cometem semelhante descuido, que não há chefança, nem chefado, nem chefação, nem chefatura, mas tão-somente chefia?"

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O escritor, crítico e jornalista Machado de Assis tira barato dele mesmo ao comentar sobre duas apresentações de teatro que ele não chegou a ver e mesmo assim se mete a comentar... é hilário. Ele se justifica, dizendo que uma pessoa não precisa ir ver alguém imitar um rouxinol cantar se ela já viu o próprio rouxinol cantar.

Enfim, coisas que a gente só para pra pensar ou refletir se a gente pegar o texto pra ler.

É isso! Leiam. (se quiserem ler, é claro)

William


Post Scriptum: para ler o texto anterior dessa temática machadiana, clique aqui.


ASSIS, Machado de. História de quinze dias. Obras Completas de Machado de Assis. Editora Globo. São Paulo, 1997.


domingo, 11 de junho de 2023

Leitura: A bíblia em crônicas livres - Roberto Buzzo



Refeição Cultural

Osasco, 11 de junho de 2023. Domingo.


Opinião

Ao saber da publicação do novo livro do Roberto Buzzo - A bíblia em crônicas livres (2023), soube na hora que viria coisa boa por aí. O cara é muito bom com as palavras, com os textos e com a forma de expor e narrar causos. Basta ler seus textos de olhares cotidianos - crônicas - em seu perfil de rede social para ver o quanto o escritor é bom. 

No finalzinho do livro, Buzzo nos conta que anda uns 10 Km por dia em São Paulo... demais isso! Bem característico de um andarilho e de um cronista dos bons.

O tema do livro é um tema bem delicado de se abordar - a bíblia -, por tudo que significam as religiões e as crenças ao longo da história de todas as sociedades humanas do passado e do presente. É foda falar sobre religiões e fé. E o Buzzo decidiu ler a bíblia inteira, o Antigo e o Novo Testamento, mais de 2.200 páginas, para nos contar de forma humorada passagens clássicas deste clássico dos clássicos.

Quando ele disse em sua rede social durante a pandemia que iria ler a bíblia assim como nós leitores e leitoras estávamos lendo livros e mais livros - eu li dezenas de obras durante a pandemia -, fiquei imaginando a empreitada ousada que o Buzzo iria fazer... me deu até vontade de incluir a bíblia entre os ulisses, moby dicks e os decamerãos da vida (rsrs). Mas não fui tão ousado assim.

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"Fico pensando. Como fazer esse povo incréu acreditar em Deus sem deixá-lo com medo? Aliás, isso é mais fácil do que chuchu na serra. Porque coisa mais fácil é amedrontar ignorante. E a nossa ignorância do mundo é incrível. Incrível de admirável, de notória. Assim como é notória nossa incredulidade." (from: "A BÍBLIA EM CRÔNICAS LIVRES" by: Roberto Buzzo)

Aliás, ousadia é a primeira impressão que temos ao pegar pra ler o livro do Buzzo. O cara é corajoso! Eu não sei se teria coragem de narrar com ironia e humor os textos sagrados como ele faz... não, não teria coragem. 

Se não teria coragem hoje que não acredito em religião alguma, imagina se teria coragem quando tinha muita fé e medo mortal dos pecados todos que nos freiam na religião... já estaria me persignando só de ter pensado nisso.

Neste mundo no qual vivemos hoje, em que não se sabe quase nada e não se separa mais ficção de realidade, que não se sabe mais o que é referência científica e histórica e o que não é, ficou difícil a vida de escritores em geral, já que a desinformação fez com que seja comum humanos de verdade acharem que é mentira que voamos até o espaço, que a Terra não é plana e que a gravidade nos segura nela quando estamos de "cabeça pra baixo" etc.

Eu fui muito religioso durante a metade de minha vida humana. Conhecia bastante a parte da bíblia mais usada na religião dos cristãos católicos apostólicos romanos: os Evangelhos, os Salmos, Atos dos Apóstolos, Cartas de São Paulo, e também conhecia o principal do Antigo Testamento, os livros do Pentateuco, por exemplo. 

Ainda sobre religiões e mitos da fé, li livros sobre Paulo de Tarso e Lucas - o médico, e um dos livros de ficção - que o autor jura não ser ficção - que mais me encantaram até hoje foram os livros da série Operação Cavalo de Tróia, do J. J. Benítez, li até o 4º volume. 

Enfim, chegando aos trinta anos de idade, as abstrações mentais e culturais que coordenam nossas vidas humanas foram mudando para mim. Outras referências de vida passaram a balizar minha caminhada pela existência. Cada pessoa tem seu tempo e seu percurso. Deixei de acreditar nesses mitos da religião e passei a ter outras abstrações humanas como balizadoras da vida e do mundo. 

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PASSAGENS

Exemplos de passagens de leitura que me fizeram refletir, rir, me incomodaram, me trouxeram memórias do passado etc.

"A primeira coisa que Iahweh fez foi apartar o povo para fazer seu proselitismo sossegado, levando-o para longe dos opositores, do outro lado do Mar Vermelho. Estacionou o rebanho aos pés de um vulcão, para ele ficar amedrontado e aderir com entusiasmo. Então, chamou Moisés lá em cima, só ele, que aquilo não era democracia direta, era teocracia representativa, Ele comandava Moisés, que falava para o povo." (from: "A BÍBLIA EM CRÔNICAS LIVRES", by: Roberto Buzzo)

Em várias passagens, Buzzo faz sua leitura do regime político envolvido na passagem bíblica: democracia, teocracia, ditadura, comunismo, socialismo, liberalismo etc.

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"Até que algum ou muitos gaiatos começaram a questionar: “que que adianta a gente observar direitinho todas as leis de deus se, só por causa de alguns infiéis, que ficam por aí adorando aos ídolos, todos nós nos fodemos?

Nessa passagem do capítulo "O pessimista" os judeus começam a perceber que esse negócio de socializar as consequências das merdas dos outros é uma roubada, que o melhor seria ser julgado individualmente por Iahweh...

Daí a conclusão:

"Foi, portanto, simples acabar com o pessimismo. Foi só trocar o socialismo pelo individualismo."

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"Um detalhe tardio. Gostoso. Fatal. Dalila era linda. Bem, isto não está na história, é dedução minha. É que acho que uma mulher com o nome de Dalila só pode ser linda.

Cara, ri muito nessa passagem! Fala sério!

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"Jesus, além de não ser bobo, era sagaz. Porque, às vezes, a gente não é bobo, mas também não é esperto, sabe como é? Quase todos somos assim, a gente não faz grandes besteiras, só pequenas… Jesus não fazia besteira nenhuma, aí que está a diferença. E, por isso, preencheu os 12 cargos com gente da sua laia, entenderam? (Tudo bem, Paulo tinha instrução e posição social, mas só entrou no partido depois que Jesus morreu. E, vai saber, pode ser que a Igreja resultou mais parecida com Paulo do que com Jesus).

Jesus foi o cara!

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"Acontece que Jesus, sentado à direita do Pai, lá de cima acompanhava a caravana e havia decidido levar Saulo para seu time. Ora, se tá cheio de palmeirense que, mediante um bom contrato, faz muitos gols pelo Corinthians, era possível fazer aquele craque jogar para Ele. Porque craque é craque, não importa a posição nem a agremiação.

Nos dois livros que li sobre Saulo de Tarso que se converteu em Paulo, o evangelista, pude perceber o quanto esse homem foi importante para a expansão do Cristianismo por todas as regiões da antiguidade.

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"Antioquia, então capital da Síria, província romana, às margens do rio Orontes, hoje é a moderna Antáquia, território da Turquia. Era a terceira cidade do Império Romano, depois de Roma e Alexandria. Situava-se no vértice norte do fundão do mar Mediterrâneo, enquanto Alexandria, no delta do Nilo, dominava o vértice sul.

Vejam a erudição e o cuidado com a geografia que o autor tem.

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"Tem fiel que todo domingo pinga na sacola de coleta uma reles nota de dois reais e aí, na hora da precisão, quer exigir. Dá dois reais por semana e, na hora do pedido, pensa como todo pequeno-burguês: “Tô pagando, tenho direito!” Claro que tem direito! Tem direito ao retorno equivalente a dois reais. Não, quatro reais. É que Deus sempre dá em dobro…"

Demais essa passagem! (rsrs)

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"Acontece que no território de Pedro só tinha judeu, enquanto no território de Paulo só tinha gentio. Na época, gentio era tudo que não fosse judeu. Até aí tudo bem, acho que Pedro – assim como Fidel Castro – não botava muita fé no estrangeiro, não estava muito interessado em implantar o comunismo no mundo inteiro e aquele arranjo de manter Paulo fora de Cuba foi bem providencial, aquele chato…

Olha aí a erudição do homem! Conhece a história de Fidel Castro, a Revolução Cubana etc. A todo momento no livro, Buzzo faz diversas referências sobre os mais diversos assuntos do passado e do presente. É de se admirar!

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O PRAZER DA LEITURA

Já na leitura da primeira parte - Antigo Testamento - Buzzo me fez rir várias vezes. E assim se seguiu até o fim.

Amig@s leitores, isso não é uma tarefa fácil! Sou uma pessoa pouco humorada, e tenho um coração amargurado por viver no mundo no qual vivemos. Eu não consigo ser feliz em meio à miséria social que vivemos. Sou um ranzinza.

Mesmo sendo de pouco riso, o autor nos presenteia com uma forma de contar causos de personagens bíblicos de maneira engraçada e diferente daquilo que estamos acostumados.

Outra qualidade que salta aos olhos é a erudição do autor. Mesmo imaginando o quanto deve ter sido difícil a empreitada de ler 2.200 páginas da bíblia para escrever crônicas de algumas passagens, sem dúvida, a erudição do Buzzo deve ter tornado a tarefa mais palatável. Nós que ganhamos com isso.

Fecho a leitura com essa sacada do Buzzo em relação ao Pai e ao Filho, duas figuras centrais da Bíblia, Iahweh e Jesus Cristo. Sempre achei o Deus do Antigo Testamento uma divindade tensa, vingativa, de dar medo. Já Jesus, como não simpatizar com essa figura humana, parceira, compreensível, que transmite bondade e amor?

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"Pelo que vi até agora, o Pai era partidário dos ricos e poderosos, admirava as pessoas bem-sucedidas aqui na Terra e, se preciso, fazia até guerra para conquistar um pedaço de terra. Já o Filho gostava dos pobres e humildes, compreendia os fracassados e não gostava de violência. Se alguém lhe chutava a canela, ele só ficava olhando, com aquele olhar de tristeza. Preferia morrer a fazer uma guerra. Mas mandava Simão Pedro anotar todos os desaforos num caderninho, para cobrar lá na porta do Céu." (from: "A BÍBLIA EM CRÔNICAS LIVRES" by: Roberto Buzzo)

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É isso! É um livro para se abrir e ler trechos sempre que se desejar dar uma descontraída nas tensões vividas e tentar ver a vida de forma mais leve e engraçada.

Roberto Buzzo é um refinado cronista e contador de causos, para nossa sorte.

Este foi meu 15º livro lido no ano. Ler é fundamental para a manutenção e desenvolvimento de nosso cérebro e nossas capacidades humanas.

William


Bibliografia:

BUZZO, Roberto. A bíblia em crônicas livres. 1ª edição. São Paulo, 2023. Livro digital.


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Leitura: Diário de um bandeirante ligeiramente atrasado e totalmente desarmado - Roberto Buzzo



Refeição Cultural

Osasco, 15 de fevereiro de 2023. Quarta-feira de 30º na Grande São Paulo.


Ao tentar ler para minha esposa um trecho do capítulo "A apoteose" a voz embargou, os olhos encheram-se de lágrimas e não consegui enxergar as palavras... cada emoção é única, mas como caminhante e romeiro de longa data, pude sentir um pouco do que Roberto Buzzo descreveu da emoção daquele momento em seu diário.

Peguei o livro de Buzzo na estante de casa de forma quase aleatória. Estipulei a mim mesmo que pretendo ler ao menos 3 livros por mês neste ano. Como estou com o projeto de ler e estudar a respeito da história de Cuba e do povo cubano, estou lendo livros enormes, de leituras que vão durar um tempão. Uma forma de descansar dos livrões é lendo livros leves e prazerosos durante o percurso.

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"(...) Antes de dormir, avaliara que o chão não seria tão duro como o da noite anterior. De fato, nem tão duro, nem tão seco. Descobri que não se é simples, leve e chinesa impunemente. O 'chinesa' é um preconceito meu: a barraca foi mesmo produzida na China, mas sob as especificaçoes de uma tradicional fábrica brasileira de equipamentos do gênero, como minha mochila e minha lanterna, que em nenhum momento descumpriram seu papel. Gotejava ao lado da cabeça..." (p. 39)

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Como tenho lido crônicas excelentes do Buzzo na rede social onde ele publica seus textos, decidi ler o livro dele que tenho em minha biblioteca. O cara escreve muito bem e a leitura de seu diário de um bandeirante é espetacular! É uma narrativa leve, tem humor, tem ironia da melhor qualidade e eu não esperava compartilhar também a emoção de nosso escritor peregrino e caminhador.

Buzzo percorreu 640 Km da Grande São Paulo até Fernandópolis, terra natal de sua família e de sua infância. A jornada foi feita por ele aos 50 anos de idade. O caminhante passou por 49 cidades e povoados, dormiu a maior parte dos 15 dias acampando em sua barraca em canaviais, laranjais e que tais. Passou uns perrengues típicos de uma aventura como essa e a leitura de seu diário de viagem em julho de 2004 me trouxe muitas reflexões, lembranças de uma época de minha própria vida e adorei a leitura.

Em algumas passagens, eu ia dialogando com Buzzo, do tipo: também acampei em Cabreúva; acampei e fiz rapel em Brotas; em Piracicaba, fiz 14 saltos de paraquedas e ver o rio lá de cima é um feito inesquecível. Sobretudo, faço a romaria de Uberlândia a Água Suja em Minas Gerais desde adolescente e por duas vezes planejei fazer o Caminho de Santiago e precisei adiar o projeto de quase mil quilômetros de caminhada por compromissos políticos de meus mandatos sindicais.

Vejo as mudanças em meu condicionamento físico neste momento da vida e me pergunto quais caminhos ainda vou percorrer andando ou correndo... não sei. Não sei mesmo! Meu quadril estragou meus projetos de correr uma maratona e fazer longas caminhadas... triste isso, mas a vida é assim, é o viver. Somos natureza!

Prezado Buzzo, obrigado pela publicação de seu Diário de um bandeirante ligeiramente atrasado e totalmente desarmado (2006). Tempos depois de sua viagem, viajei contigo! E só quem caminha sabe que no fundo a gente que caminha meio sem saber o motivo sabe muitas vezes que não estava sozinho, mesmo buscando a solidão momentânea, porque pessoas queridas estavam com a gente em pensamentos. Sempre estive acompanhado em minhas caminhadas solitárias.

Post Scriptum: Uma das cenas mais bonitas do filme Forrest Gump é quando ele conta a sua amada Jenny que ela estava lá ao seu lado enquanto corria por belas paisagens cortando o país do Atlântico ao Pacífico.  

Leitura nota mil!

William


Bibliografia:

BUZZO, Roberto. Diário de um bandeirante ligeiramente atrasado e totalmente desarmado. São Paulo: Com-Arte, 2006.