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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Relembrando A Montanha Mágica - Thomas Mann



Refeição Cultural

"O segredo e a existência da nossa era não são a libertação e o desenvolvimento do eu. O que ela necessita, o que deseja, o que criará é: o terror." (Naphta, personagem de A Montanha Mágica)


Eu tive o privilégio de ler entre 2008 e 2009 esta obra monumental do escritor alemão Thomas Mann. A obra foi publicada em 1924, após a 1ª Guerra Mundial, mas o autor começou a escrevê-la no início da década de dez. O livro narra a história de um jovem chamado Hans Castorp, que passa um longo tempo nas altas e nevadas montanhas em Davos, na Suíça, cuidando de uma tuberculose.

Uma das temáticas que mais me chamaram a atenção na obra foi a questão das reflexões a respeito da subjetividade do tempo. Ao longo da minha existência, o tempo tem sido um fator de incômodo ao pensar na existência humana, na vida no planeta, no Universo. O tempo pode ser longo, pode ser curto. Muito mais que o tempo cronológico apurado através das leis da física, o tempo subjetivo é algo que fascina e ao mesmo tempo incomoda e assusta a todos nós humanos.

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"Lia-se avidamente nos alpendres de repouso e nas sacadas particulares do Sanatório Internacional Berghof - sobretudo entre os novatos e os pensionistas de curto prazo, pois os pacientes que ali permaneciam por muitos meses ou mesmo por vários anos, havia muito que tinham aprendido a matar o tempo sem distrações nem esforços intelectuais e a deixá-lo atrás graças a um virtuosismo interior. Declaravam até que era uma falta de habilidade, própria de sarrafaçais, essa de se agarrar à leitura. Quando muito admitiam que um livro repousasse sobre os joelhos ou na mesinha, o que já era suficiente para as pessoas sentirem-se abastecidas..." (p. 366)
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A minha edição da Nova Fronteira (2006) tem quase mil páginas, com tradução de Herbert Caro e apresentação de Antonio Cicero. É fascinante!

O livro tem passagens profundas de debates filosóficos em voga. E tem questões triviais que nos tocam, como a passagem abaixo. Eu não gosto de ler livros emprestados - nem de bibliotecas, nem de conhecidos - porque eu tenho por hábito meter o rabisco e anotações nos livros que leio.

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"Tratava-se de livros de anatomia, fisiologia, biologia, redigidos em vários idiomas - alemão, francês, inglês - e que lhe tinham sido remetidos um belo dia pelo livreiro do lugar, evidentemente porque Hans Castorp os encomendara por sua própria iniciativa e clandestinamente, durante um passeio que dera até 'Platz' (...) Joachim perguntou por que Hans Castorp, se desejava ler esse tipo de literatura, não o pedira emprestado ao dr. Behrens, que certamente dispunha de um rico sortimento. Mas Hans Castorp replicou que preferia possuir os livros, e que a leitura era bem diferente quando o livro lhe pertencia; além disso, gostava de sublinhar e assinalar certos trechos a lápis. Durante horas a fio, Joachim ouvia do compartimento de sacada do primo o ruído da espátula que ia abrindo as folhas." (p. 368)
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Thomas Mann era um homem de seu tempo, um alemão de seu tempo naquele início de século XX. Vemos nas personagens encerradas naquelas montanhas por longo tempo as visões do mundo que surgia do século XIX e que culminariam na destruição total da civilização ocidental através das guerras mundiais. Veja abaixo uma passagem sobre a questão da ciência e da vida:

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"Que era a vida? Ninguém sabia. Ninguém conhecia o ponto donde brotava a natureza, e no qual ela se acendia. A partir desse ponto, nada havia na vida que não estivesse motivado ou o estivesse apenas insuficientemente; mas a própria vida parecia não ter motivo. A única coisa que se podia, talvez, afirmar a seu respeito, era que a sua estrutura devia ser de tal modo evoluída que não tinha, nem de longe, igual no mundo inanimado. Entre o pseudópode da ameba e o animal vertebrado, a distância era insignificante, desprezível, em comparação com aquela que existe entre o fenômeno mais simples da vida e a outra parte da natureza que nem sequer mereceria ser qualificada de morta, uma vez que era inorgânica. Pois a morte não era senão a negação lógica da vida; entre esta, porém, e a natureza inanimada abria-se um abismo por cima do qual a ciência em vão se empenhava em lançar uma ponte..." (p. 370)
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Interessante. Eu peguei o livro na estante porque reli uma curta postagem minha no blog (junho de 2008), onde comentava que estava lendo a obra de Mann. Reli, então, algumas passagens do episódio "Pesquisas", contido no capítulo 5. Reli também a apresentação de Antonio Cicero.

Amig@s leitores, é impressionante a sensação nítida de déjà vu que senti ao refletir que vivemos hoje o clima de intolerância e ódio estimulado que o mundo viveu nas décadas iniciais do século XX, e que levou à guerra que destruiria a Europa e mataria milhões de pessoas.

O final da história de Hans Castorp me levou à catarse, fiquei emocionado e arrepiado de forma que nunca me esqueci. Só de manusear a obra novamente, senti a mesma coisa.

O mundo em que vivemos hoje, o mundo da mentira que passou a ser a forma de vivência, que passou a ser aceita pelas pessoas de forma cínica, de forma burra, de forma inocente e o fim do papel das instituições políticas, sociais e estatais que regularam o mundo do pós guerras mundiais, como a ONU e um determinado estado de bem estar social, com respeito à alteridade e com freios e contrapesos, vai nos levar a uma terceira guerra envolvendo diversos países e povos, e creio que o mundo humano não sairá o mesmo como ainda saiu das duas primeiras guerras.

É isso! Quem não tiver lido ainda A Montanha Mágica, o momento mundial é muito propício para o contato com a obra de Thomas Mann, que é um romance de ficção, mas que nos leva a reflexões profundas sobre a realidade material.

William
Um leitor

sábado, 9 de abril de 2016

Diário - 090416 (E Post Scriptum)



Meus acarás, sobreviventes das mudanças em minha vida.

Post Scriptum (domingo, 10/4/16, 23:40h):

Estou em Brasília. Cheguei há pouco, vindo de Uberlândia. No fim de semana revi meus pais, sobrinhos e alguns familiares queridos. Foi a formatura de minha sobrinha Stefani, nova cidadã brasileira formada em Letras pela Universidade Federal de Uberlândia.

Fiz minha obrigação de limpar meu aquário com os acarás. Precisei deixá-los com minha mãe desde que comecei meu mandato na Cassi, passando a morar em Brasília, porém viajando muito o tempo todo.

Após um dia tranquilo na companhia da família, bateu um grande desejo de ir ao Parque do Sabiá me despedir daquele lugar que tanto gosto. Meu pai foi solícito e me deu carona pra lá novamente.

Apesar de termos almoçado tarde, e eu ter pouco tempo antes de pegar o voo para Brasília, fui fazer nova corrida no Parque. Desta vez, fui bem leve, trote sem compromisso com o tempo e fiz os 5 km em 34'. Foi uma das corridas em que mais namorei as árvores e os pássaros ao redor. Sem contar os lagos.

Enfim, agora de noite, vi um programa de literatura falando sobre A Montanha Mágica, de Thomas Mann. Emocionante! Eu li o livro e ele é de uma grande mensagem que vale para os dias atuais pré colapso de nossos sistemas democráticos e da política como solução pacífica das controvérsias, e não a intolerância e a guerra.

Acabou meu final de semana. Minha família está lá em Minas. Minha família está lá em São Paulo (esposa e filho). Eu cá a trabalho.

A vida e as lutas seguem.

William


Parque do Sabiá. Melhor lugar do mundo para corridas.
Foto de dezembro de 2015.

Sábado de forte calor em Uberlândia, Minas Gerais. Depois de meses, pude vir à casa de meus pais visitá-los. Também é data especial porque minha querida sobrinha Stefani tem festa de formatura. Parabéns garota!

Se tem uma coisa que não posso deixar de fazer em Uberlândia, é ir ao Parque do Sabiá. Um dos locais mais agradáveis que eu conheço no mundo para correr e andar em meio à natureza, lago, pássaros e muito verde.

Fiz uma corrida deliciosa com Sol a pino de meio-dia. Corri 5 km em 29'20". Foi a primeira vez que faço o percurso em menos de meia hora. É o local que favorece tanto.

No almoço feito pela mama, comi um arroz com feijão, frango cozido, milho refogado e alface que... minha nossa! Vai tá bão assim lá no céu!

Passamos a tarde conversando sobre conhecimentos gerais e decidindo os rumos do mundo.

Agora à noite, tem a festa da menina formanda... vou fazer um esforço e ir algumas horas (eu não sou muito fã de festas).

Amanhã, vou limpar meu aquário. A mama assumiu o cuidado dos nossos três acarás sobreviventes das mudanças em nossas vidas após meu novo trabalho em Brasília, após junho de 2014.

William


domingo, 6 de junho de 2010

Linha reta e linha curva, conto de Machado de Assis

Charuto: Imagem da Wikipedia.

Estou relendo este conto de Machado e cito aqui uma passagem sobre o ato de fumar. Eu já achei até hoje três obras literárias com referência ao tabaco. Um conto de Roberto Bolaño específico sobre o tema, este conto machadiano e a famosa descrição do prazer de fumar do personagem Hans Castorp, na Montanha Mágica de Mann ... sobre o ato de fumar.

“Depois, voltando-se para as senhoras:

-Não as incomoda o charuto?

-Não senhor, disse Emília.

-Então, posso continuar a fumar?

-Pode, disse Adelaide.

-É um mau vício, mas é o meu único vício. Quando fumo parece que aspiro a eternidade. Enlevo-me todo e mudo de ser. Divina invenção!

-Dizem que é excelente para os desgostos amorosos, disse Emília com intenção.

-Isso não sei. Mas não é só isto. Depois da invenção do fumo não há solidão possível. É a melhor companhia deste mundo. Demais, o charuto é um verdadeiro Memento homo: convertendo-se pouco a pouco em cinzas, vai lembrando ao homem o fim real e infalível de todas as cousas: é o aviso filosófico, é a sentença fúnebre que nos acompanha em toda a parte. Já é um progresso... Mas estou eu a aborrecer com uma dissertação tão pesada. Hão de desculpar... que foi descuito.”

Bibliografia
ASSIS, Machado de. Contos Fluminenses. Obras completas. Editora Globo, 1997.

sábado, 9 de janeiro de 2010

A Montanha Mágica, de Thomas Mann

ACABEI a montanha!

Estou emocionado tanto com o feito quanto com o final da história do jovem e singelo, ainda que simpático, Hans Cartorp.

Jamais imaginaria um final desses. Jamais!

Peguei-me pensando em cenas e cenas da vida cotidiana de cada um de nós, em seu tempo e espaço.

Lembrei-me das pessoas comuns do "Nós que aqui estamos por vós esperamos"; pensei que nunca podemos precisar aonde estaremos amanhã... seja nossa vida boa ou má, em ritmo lento ou acelerado... que coisa, heim! Quem pode nos prever o amanhã!

Ainda mais eu que tenho refletido todo dia - nesses dias - de viver hoje o que sobrou de ontem. De viver meus vivos, de ler meus livros, de ver meus filmes.

Na verdade, é uma merda esse pronome possessivo. Não estou necessariamente falando de meus volumes, estou falando desses nossos feitos maravilhosos, feitos humanos tão pouco visitados pelos jovens de hoje...

Feitos como essa Montanha de Thomas Mann. Feitos como aquele que vi outro dia de Giuseppe Tornatore - "Cinema Paradiso".

Fico triste e agoniado ao ver meu filho, nossos filhos, 24 horas por dia, enfiados em computadores, jogos de DS ou coisas similares vivendo (não-vivendo) jogos virtuais e conquistas - NONADAS - quando dizem que ganharam algo.

Não ganharam nada! Perderam vista, coluna, tendões... vida!

Quem sabe o que o amanhã reserva a esses singelos jovens, ainda que simpáticos, como o meu filho e o de todos nós... enfiados em jogos virtuais e não vendo o mundo lá fora... mundo triste e alegre... com belezas e catástrofes tão naturais...

Terminei A Montanha Mágica...

Vai saber se não estarei amanhã aonde foi parar o velho e jovem e singelo, ainda que simpático, Hans Castorp...

Ele e tantos jovens do mundo... ao longo do Breve Século XX... Ao longo do ainda breve e novo e velho século XXI.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Refeição Cultural 43 - Filmes e leituras

Ficando menos ignorante a cada dia...

Hoje li mais um capítulo de A montanha Mágica, de Mann. O capítulo trata do "grande tédio" por que passou Hans Castorp após a morte de seu recente amigo - o sr. Peeperkorn - e da partida da russa Mme. Chauchat - a dos "olhos quirguizes". O narrador descreve os vícios em que cada hóspede está metido para passar o tempo lá no alto, no Sanatório Berghof, como o caso do próprio vício de Castorp e as cartas e o jogo de paciência.

Assisti à primeira parte do filme Malcolm X. É muito bom em termos históricos. Para mim é conhecimento novo, pois sou ignorante no tema.

Li reportagens da Revista do Brasil n.42 sobre os campos de concentração nazistas. Eu não sabia o que significava partizans: "membro de uma tropa irregular formada para se opor à ocupação estrangeira de determinada área".

Pela noite, assisti ao clássico Butch Cassidy and Sundance Kid, de 1969. Gosto de conhecer - finalmente - filmes tão famosos que nunca vi. É o velho estilo de faroeste americano. É aquilo que conhecemos do ideário do "homem" americano que tem que ser "macho" e "valentão" (com uma arma na mão). MAS é, no mínimo, muito legal a cena da bicicleta com o casal Newman e Katharine Ross ao som da canção Raindrops Keep Falling On My Head interpretada por B. J. Thomas.

Por fim, e por acaso, assisti à entrevista do presidente Lula da Silva ao jornalista kennedy Alencar, do canal RedeTV! (15.11.09). É sempre um ensinamento de vida ouvir o homem Luiz Inácio Lula da Silva falar. Entrevista maravilhosa!

Hoje aprendi bastante e digeri muita coisa.

PS: chega de não conhecer o filme Cinema Paradiso. Depois de tanta gente falar sobre o filme, o nosso querido presidente o citou como filme marcante para ele. Vou comprar o filme e vê-lo, definitivamente!, chega de enrolação.

PS 7/01/10: então, acabei de assistir ao filme Cinema Paradiso - DEMAIS!.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Refeição Cultural 42

Sábado 2.1.10

Hoje li um capítulo do livro A Montanha Mágica, de Mann. Um capítulo triste. O jovem Hans Castorp perde seu mais novo amigo, o Sr. Pieter Peeperkorn. Ele se suicidou, após perceber que seu estado de saúde piorava a cada dia. Morte no sanatório Berghof.

Li algumas matérias da excelente Revista do Brasil n.42. Vi a matéria sobre o filme Lula, o filho do Brasil; uma entrevista com a atriz Glória Pires, que interpreta a mãe de Lula, dona Lindu; o bom artigo “Valeu a pena” de Mauro Santayana.

Me emocionei de novo ao assistir ao filme Marley e Eu pela segunda vez. Até agora estou com dor de cabeça, pois quando choro gasto as poucas lágrimas que tenho e que serviriam para lubrificar meus olhos por dias (explico: tenho vista seca).

Por acaso, acabei assistindo, à noite, ao filme Linha de Montagem: fantástico! Como não se emocionar de novo vendo Lula e vários companheiros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na luta contra patrão e governo militar com seus mais de 100 mil trabalhadores, na gestão 1978/80.

Vale a mensagem final do jovem Lula da Silva: sindicato é pra melhorar a relação entre capital e trabalho; partido político é para mudar o país através da política.

Por fim, assisti ao episódio 1 do documentário da THC – O mundo sem ninguém, um seriado especulando sobre como seria o mundo após a nossa existência humana. Bem interessante, principalmente em cenário posterior a COP 15 das Nações Unidas, por ela ter sido um fracasso e sabermos que o homem segue destruindo o mundo e a si próprio.

É isso.

sábado, 13 de dezembro de 2008

A morte em Thomas Mann - Definições


A morte e o avarento.
Hieronymus Bosch.
(1485-90)

Refeição Cultural

Leitura de um capítulo de A Montanha Mágica. Foi um capítulo mais de descrição que de reflexão, como o anterior.

O anterior tratou do tema morte, onde Mann faz uma reflexão fantástica sobre ela. Para quem ela existe? Para quem ela é um problema? Quem a sente?

Enquanto sou, não há morte. Há morte quando não sou. A não coincidência dos eventos é reconfortante. Jamais posso sentir a morte porque o sentido, a sensação, só é possível aos vivos. A partir do instante em que eu não for, não ser, não haverá morte para mim.

Quem sente a morte são os outros. Ela é um problema para os outros vivos. De forma egoísta, de não penalização pela dor do outro, não há por que temer a morte. Você não a viverá. Nem irá senti-la.

A morte, enquanto algo real, tangível, não existe para o ser objetivo que a encontrará. Não haverá a "experiência da morte". Trata-se, aqui, da dor da perda do outro. Essa nos é de direito. E aí já é outra reflexão...

Diário do não-temente da morte (d'eu).

William Mendes

domingo, 7 de dezembro de 2008

Corrida de 9 km e leituras


Fotografia: Céu de Osasco com prédio e avião.
Foto de William.

Dia lindo e quente. Acordei às 8:30h e tomei meu leite com Sustagem.

Retomei a leitura de A Montanha Mágica, de Mann, deixada de lado há dois meses devido ao trabalho e à faculdade.

O excerto que li fazia uma profunda reflexão a respeito da morte. Muito interessante. Passei da página 700. Agora embalo até o fim.

Bom, lá pelas 11h da manhã, saí para minha corrida. A intenção era de correr bastante, pois falta pouco para a São Silvestre e eu ainda não estou em condições físicas de correr o percurso da prova.

Tenho feito aquilo que li há pouco tempo de não ficar alongando muito antes da prática esportiva, e sim, após o término dela.

Corri 9k em 54' mas me cansei bastante fisicamente. Preciso focar muito até o fim do mês para conseguir completar o percurso de 15k dia 31/12. Aquele desejo de diminuir o tempo que fiz em 2007 está muito distante de se realizar.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Os juros: exploração nefanda do tempo





"Existia contudo, aos seus olhos, uma exploração mais nefanda ainda: a do tempo, a monstruosidade de se fazer pagar um prêmio pelo simples transcurso do tempo, esse prêmio que são os juros, e de se abusar dessa forma, para vantagem de uns e para prejuízo de outros, de uma instituição divina e geral, o tempo"

Palavras do personagem Naphta, ao falar da ideia asquerosa de um aumento automático do dinheiro.


MANN, Thomas. A Montanha Mágica. Editora Nova Fronteira, 2006, tradução Herbert Caro.

domingo, 12 de outubro de 2008

A Montanha Mágica + Bob Dylan = Emotionally Yours


(atualizado em junho/2012)

Domingão...

Lendo a montanha... A Montanha Mágica...

De novo, curtindo Bob Dylan... Tight connection to my heart... Lay lady lay... Jokerman... Emotionally yours... Knocking on a heavens door...

E, algo mais de bom: sair pra minha corrida (já não corro há dias)...


Emotionally Yours
Bob Dylan


Come baby, find me, come baby, remind me of where I once begun.
Come baby, show me, show me you know me, tell me you're the one.
I could be learning, you could be yearning to see behind closed doors.
But I will always be emotionally yours.

Come baby, rock me, come baby, lock me into the shadows of your heart.
Come baby, teach me, come baby, reach me, let the music start.
I could be dreaming but I keep believing you're the one I'm livin' for.
And I will always be emotionally yours.

It's like my whole life never happened,
When I see you, it's as if I never had a thought.
I know this dream, it might be crazy,
But it's the only one I've got.

Come baby, shake me, come baby, take me, I would be satisfied.
Come baby, hold me, come baby, help me, my arms are open wide.
I could be unraveling wherever I'm traveling, even to foreign shores.
But I will always be emotionally yours.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Artigo: Thomas Mann e reflexões sobre tortura e assassinato estatal


Falando em idade média no post, vejam que
linda foto tirei desta igreja antiga no centro
de Florença, Itália, o berço do Renascimento.


Refeição Cultural

Li mais um capítulo de A Montanha Mágica, de Mann. Leitura extremamente densa. Se trata de um embate filosófico entre o humanista Settembrini e o jesuíta Naphta.

O embate discute vários temas como, por exemplo, a tortura enquanto instrumento oficial - legal - usado durante a idade média para obter a confissão em julgamentos, e também sobre a pena de morte. Os temas são bastante polêmicos.

Lembro-me que fui adepto dessa ideia de olho por olho, dente por dente, enquanto política de Estado e que mudei de opinião depois que entrei para o movimento sindical.

Quando fiz um artigo falando a respeito da pena de morte, li alguns argumentos do professor Hélio Bicudo que balizaram o que tenho como convicção hoje: o Estado não deve assassinar.

Ninguém pode tirar o meu direito pessoal e subjetivo de revidar e vingar, mas ao fazer isso terei que arcar com as penalidades legais impostas pela sociedade.

DA PENA DE MORTE AOS SEIOS DE DUÍLIA

Reli um conto de Aníbal Machado - Viagem aos seios de Duília. Fica a pergunta: é melhor guardar a imagem de um passado ou instante como saudosa lembrança ou é melhor arriscar-se a buscar um instante que não volta mais e também acabar com aquele alimento da ilusão saudosa?

Para aquele que tem no passado o alimento do prazer é de se pensar...

É isso!

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Post Scriptum:

O ódio que senti na última vez em que fui assaltado me fez regredir aos tempos de adolescência. Não melhorei muito, não. Se eu pudesse, teria matado aquele bando de ladrões que estava na passarela de trem da CPTM assaltando pobres e trabalhadores. Aqueles desgraçados não mereceriam viver. (09/12/09)

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Artigo: Preenchendo lacunas culturais


Praça central em Florença - Itália.
Chegada pela estação de trem, em set/2009.
Ir a Florença foi preencher uma lacuna cultural.


Refeição Cultural

Na busca pelo conhecimento e pelo autoconhecimento, tenho dedicado alguns momentos a mim mesmo e ao que gosto como, por exemplo, ler e praticar esporte - mais especificamente correr.

Às vezes, ponho fé que na leitura acharei o que procuro. Quero acreditar que um dia lerei algo que me dará a chave para uma existência menos pesada, menos sofrida e com mais sentido, apesar de saber que não são bem assim que as coisas funcionam.

A erudição é acúmulo de informação. A sabedoria é saber utilizar o acúmulo de informação, de conhecimento. E a sabedoria não está somente nos livros. Está também na percepção do próprio desenrolar da existência de si mesmo e da existência das coisas em geral.

PREENCHENDO LACUNAS CULTURAIS EM 2008

Por estes dias, li vários contos do Dublinenses de James Joyce. Assisti esta semana ao filme Bloom, de 2003, baseado na obra Ulisses de Joyce também. Tenho o privilégio de dizer que já li ambos os livros.

Assisti, finalmente, ao famoso filme Carruagens de Fogo, de 1981. Nossa vida é toda cheia de lacunas culturais, a minha e a de todo mundo. Todos conhecem a famosa música da trilha sonora do filme. Eu precisei esperar 27 anos para assistir a ele. Não sei o porquê. Simplesmente não havia assistido ainda. O filme é belíssimo!

Tenho o hábito de ler várias coisas ao mesmo tempo. Passei hoje da página seiscentos de A montanha mágica de Thomas Mann.

Outro dia, reli alguns capítulos de A odisseia de Homero. Também reli Ensaio sobre a cegueira de José Saramago. Até hoje estou tocado pela releitura.

Quero criar o grupo que sempre pensei. Uma espécie de sociedade cultural com encontros periódicos para discutir música, leitura, artes, política, educação, saúde etc. O principal não será o tema debatido e sim a empatia, a afinidade, os laços criados entre o grupo.

Não pensei no nome, mas talvez seja este que bolei hoje: Refeição Cultural ou Refeitório Cultural.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Lendo A Montanha Mágica - Thomas Mann



Refeição Cultural

Estou lendo este ano o grosso livro de Thomas Mann. Aliás, estou no ritmo em que ele comenta sobre narrar a história do jovem:

"Não será, portanto, num abrir e fechar de olhos que o narrador terminará a história de Hans Castorp. Não lhe bastarão para isso os sete dias de uma semana, nem tampouco sete meses. Melhor será que ele desista de computar o tempo que decorrerá sobre a Terra, enquanto esta tarefa o mantiver enredado. Decerto não chegará - Deus me livre - a sete anos."

Meu! O livro é fantástico!

Li o episódio "Pesquisas" do capítulo cinco. Fala sobre ciência, sobre a evolução. Questiona o que é a vida. Mesmo estando eu quase um século depois da reflexão e dos dados científicos de então, são fascinantes as elucubrações a respeito.

Sigo viajando nesta montanha...



Post Scriptum:

Terminei a leitura do livro em 09/1/10 (com arrepios no corpo).