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sábado, 30 de agosto de 2025

O sentido da vida (8)



"Sentia-me três vezes desgraçado: meu pelo era mosqueado, haviam-me castrado e os homens imaginavam que eu não pertencia a Deus nem a mim mesmo, como é próprio de todo ser vivente, e sim, a um cavalariço." (Kolstomer - História de um cavalo, Tolstói, 1886)


As relações sociais dão sentidos ao viver


Qual seria o sentido da vida, se não há nada dessas abstrações inventivas do animal humano, aquele que dominou a natureza, inventou a linguagem e ao final se perdeu acreditando em suas próprias abstrações?

Passou o dia envolvido com um texto extraordinário do século XIX, criado por um dos maiores escritores da Rússia, Leão Tolstói. No enredo, o narrador nos conta a história de Kolstomer, um cavalo que sofreu preconceito, violência e abandono, algo comum na vida de milhões de pessoas neste mundo cruel.

A leitura definitivamente é uma das invenções humanas que podem contribuir para dar significados à vida das pessoas. Ler literatura, ciências e história permite aos leitores se libertarem da triste sina da ignorância, o principal motivo para milhões de animais humanos serem escravos manipulados por espertalhões. 

Naquele dia, refletiu sobre muitas coisas, todas elas ligadas ao sentido da vida: ao parabenizar seu pai pelo aniversário de 83 anos, agradeceu a ele por tudo que fez para todas as pessoas que ele ajudou a se estabelecerem neste mundo cruel e injusto.

Ainda estava pensativo sobre o sentido da vida do personagem Kolstomer... mas o sentido da vida de seu pai, e de sua mãe, e de sua própria vida era mais compreensível àquela altura da existência. 

É notório o sentido de complementaridade e de interdependência que existe na vida da espécie humana na natureza. A vida de seu pai contribuiu para a existência de muitas pessoas da família, assim como sua própria vida naquele momento. 

O ser humano é um ser social por natureza. As relações nos dão sentido.

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terça-feira, 15 de julho de 2025

Instantes (12h49)



Refeição Cultural

No romance, estou numa parte na qual parece ser o fim para o senhor Barnstaple, ele está numa reentrância na rocha em um penhasco. Abaixo, o desfiladeiro, acima, rochas por onde escorregou até ali, fugindo de seus pares terráqueos. Ele avalia que as opções nessa situação são duas: esperar a morte por inanição ou se jogar para a morte.

Estou com as palavras do professor Domenico de Masi circulando pelas sinapses de meu cérebro criador de tudo. Vi uma aula dele sobre o tema "O ócio criativo" (no ICL). Ele explica sobre o trabalho, seu objeto de análise e estudos por décadas. 

Nas minhas reflexões, me lembrei do sofrimento que o trabalho significou em minha vida. Vejo a trabalhadora limpando a piscina, trabalhando, e me lembro do meu primeiro dia como ajudante de encanador antes dos dezesseis anos... depois me lembro daquelas latas de palmito podres que tinha que abrir pra jogar fora... Temos que trabalhar para sobreviver.

De Masi nos conta que por milênios, o trabalho não tinha essa interpretação recente de "dignificar" o homem (mulher nem era considerada em relação aos direitos nos mundos dos homens). Trabalhar era castigo divino, era para escravizados. Dignificar os homens era através da filosofia, da arte, do belo, dos esportes e da gestão da Pólis

Esse papo de trabalhar dignifica o homem veio dos últimos dois séculos, da era industrial. Locke, Smith e Marx mudaram o olhar sobre o trabalho. Segundo De Masi, desde sempre (milhares de anos de homo sapiens), nosso objetivo foi trabalhar pouco ou não trabalhar. 

Isso me parece ter todo o sentido!

Agora temos máquinas e tecnologias para livrar a espécie humana da maior parte do trabalho ruim, insalubre, de risco e humilhante. E também de trabalhos mais considerados pelas sociedades. Poderíamos viver para o belo, para estudar e criar, para a cultura. Mas 99% estão no "corre" por um trabalho qualquer, até por um prato de comida, e 1% acumula tudo.

Pior: isso é normalizado!

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Confesso que estou tão cansado quanto meu corpo, que cansou de sobreviver dez anos a mil.

Por consciência, busco sentidos. Mas confesso que está difícil encontrar sentidos. 

Me despeço amanhã do paraíso, da singela colônia de férias dos professores na Praia Grande. 

Voltarei para o caos.

Will i am 

15/07/25

domingo, 13 de julho de 2025

Instantes (11h11)



Refeição Cultural

Sempre que penso em parar de escrever, depois de alguns dias volto atrás e venho aqui burilar alguma coisa do que vai em minh'alma. 

A memória é um suporte orgânico de registros de experiências e pensamentos: conhecimentos e culturas. 

Todo organismo morre porque é parte da natureza. Tudo se transforma, muda o tempo todo. Somos parte dos ciclos do Carbono e do Nitrogênio. É o que somos, natureza.

A memória é uma ferramenta essencial dos seres vivos. Nos humanos a memória é seletiva. O animal humano é um contador de histórias, somos todos forrest gumps.

Meus textos têm uma importância para ao menos um leitor: eu mesmo, aquele que fui no momento do registro. 

Já tive a vaidade de todos nós de achar que nossas coisas têm serventia no mundo. Não têm. 

Escrevo hoje e se estiver por aqui amanhã, poderei ver o que escrevi naquele instante, se ainda me lembrar quem sou no amanhã. 

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Incomunicabilidade

Lendo sobre neurociência e tecnologia atual - leio Miguel Nicolelis - compartilho a percepção dele de que o mundo digital pode mudar a espécie humana de forma permanente, uma outra espécie talvez surja, uma espécie de homo digital, que não necessariamente será inteligente como a homo sapiens

Faz tempo que venho lendo e observando o mundo e os humanos ao meu redor... degeneração da espécie não é uma expressão exagerada para denominar o que eu vejo ao meu redor.

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Neste instante, ouvindo música na piscina da colônia de férias dos professores num domingo frio, me sinto verdadeiramente de férias, até de minha casa. Férias de tudo. São só uns dias. O caos está ao redor. O autoritarismo fascista está ao redor... Não estamos preparados. 

No livro de H. G. Wells "Deuses humanos", de 1923, o personagem sr. Barnstaple quer férias e vai parar em Utopia. Até onde li, ele, um liberal, está achando o máximo aquele mundo "perfeito", sem doenças, sem insetos, sem governantes, sem as complexidades do mundo dos humanos. Uma porra de mundo fascista. Todas as facilidades pensadas na sociedade utopiana têm uma coisa meio fascista, a ideia vendida de um mundo perfeito. Do tipo: não quer insetos e sujeira, cimenta o chão que tinha uma floresta e pronto.

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Com o advento das plataformas digitais, algoritmos, IAs, a captura da mente humana por alguns humanos (corporações), a economia da atenção baseada no ódio, seremos bilhões de humanos sem conseguir consenso algum. A tribalização da espécie está acelerada.

Não conseguimos ser ouvidos sequer por nossos pais, filhos, amigos, membros de grupos afins. Discordância é algo impossível. Guerra de todos contra todos. É o que vem por aí. 

Vejam a guerra entre ICL e Brasil247. É só um exemplo.

Eu percebi faz tempo isso na nossa espécie. Discordar ou opinar é a morte em vida, o cancelamento. 

No meu caso: não diga nada sobre a Cassi, o BB, o PT, a CUT, o sindicalismo, a Articulação Sindical... não diga nada que não seja amém aos que estão ao meu redor. Amém!

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Férias de tudo neste momento sozinho no solzinho frio da piscina da colônia de férias dos professores. Férias só estes dias. 

Depois, o caos na minha vida e no meu mundo.

Instantes. 

Este é único. Nunca mais!

William

13/07/25

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Black Mirror T1 - Questões para refletir



Refeição Cultural

T1.E1. Hino Nacional ("The National Anthem") - Dirigido por Otto Bathurst e escrito por Charlie Brooker. Exibido em 04/12/11.

Sinopse da Netflix: O primeiro-ministro Michael Callow enfrenta um chocante dilema quando a amada princesa Susannah é raptada.

Comentário:

As questões colocadas em evidência no episódio de lançamento da série Black Mirror são impactantes, não tem como não ficar pensando a respeito dos dilemas apresentados aos telespectadores. 

O episódio foi exibido há 14 anos e antecipou bastante o mundo das representações que só fez aumentar a cada ano. 

O que somos neste momento da sociedade humana? Somos de fato aquilo que conseguimos representar ao público de nossas bolhas virtuais? Eu existo caso não seja validado pelos outros?

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T1.E2. Quinze milhões de méritos ("Fifteen Million Merit") - Dirigido por Euros Lyn e escrito por Charlie Brooker e Kanak Huq. Exibido em 11/12/11.

Sinopse da Netflix: Após fracassar em um concurso como cantora, uma mulher tem que escolher entre praticar atos humilhantes ou voltar a viver praticamente como escrava.

Comentário: 

O episódio apresenta pessoas numa condição quase de escravidão. Todos os dias, cada pessoa precisa ficar o dia todo pedalando em bicicletas fixas, tipo ergométricas, para ganharem créditos (méritos) como nos jogos eletrônicos do tipo fliperama ou videogame. Quanto mais pedalam e fazem o que as máquinas pedem e pontuam por aquilo, mais acumulam "méritos" para adquirir de tudo, pois os "méritos" são o dinheiro daquele mundo. 

Mesmo quando não estão pedalando, os cubículos onde descansam e dormem são câmaras de paredes-televisores para se seguir pontuando ou gastando os méritos. 

É possível sair desse mundo e ser alguém mais que o avatar digital? Dá para se libertar e viver num mundo real? 

O final da trama é a única saída?

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T1.E3. Toda a sua história ("The Entire History of You") - Dirigido por Brian Welsh e escrito por Jesse Armstrong. Exibido em 18/12/11.

Sinopse da Netflix: No futuro, todos têm acesso a um implante de memória que grava tudo que os seres humanos fazem, veem e ouvem.

Comentário:

Difícil decidir qual episódio é mais provocador e causador de reflexões a respeito de nossas vidas e das tendências que podem vigorar na sociedade humana. 

Esse com a gravação digital de tudo que vivemos é chocante!

O que nos torna únicos no mundo? Nossa individualidade, história, desejos, nossos pensamentos e realizações. Nossos segredos!

De certa forma, o que o episódio lançou como ideia de memória individual gravada em ferramentas que outros podem ver já é realidade: as plataformas digitais. 

Boa parte da humanidade tem contas em plataformas digitais e nelas estão todos os nossos dados, até aquilo que esquecemos que fizemos, dissemos e vimos de forma compartilhada.

A realidade é pior do que a ideia do episódio. Um canalha qualquer está olhando a minha vida ou a sua atrás da tela da plataforma na qual temos perfis e contas.

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Há saídas para as situações apresentadas?

Uma linha unifica os três episódios de estreia de Black Mirror (2011): os dilemas enfrentados pelos personagens nos são apresentados como problemas sem saída, ou pior ainda, com uma saída: a não saída do sistema que os aprisiona.

Essa é a questão que me chamou a atenção. 

Há saídas para nós em relação à tendência de fim de mundo com a destruição causada pelo capitalismo, de fim da natureza por causa da emergência climática, de fim da sociabilidade humana por causa da ideologia do "todos contra todos"?

Como ser humano consciente, entendo que há saídas porque somos seres históricos e fazemos a nossa história humana tomando decisões diariamente. Podemos mudar o rumo das coisas que nós mesmos fizemos.

A hegemonia do capitalismo neoliberal, o individualismo estúpido de nossa sociedade humana e a forma destruidora da natureza na atual relação entre humanos e planeta Terra podem mudar, pois somos dotados de inteligência, ainda.

Mas... sempre tem um senão, temos que ter objetivos claros, estratégias, táticas, e unidade daqueles e daquelas que querem mudar a tendência de fim do mundo.

Tic-tac, tic-tac, tic-tac. O relógio do fim do mundo segue correndo...

Uma das soluções passa pela educação. Paulo Freire nos ensina: só se educa gente!

William 

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 27 de junho de 2025. Sexta-feira.


Enquanto aqueles jovens avaliavam minha boca hoje pela manhã, eu fiquei pensando naqueles momentos do passado, quando estudava corpos humanos nas aulas de anatomia na graduação de Educação Física no Náutico Mogiano. Me lembrei de algo que queria à época e avaliei que até hoje seria uma ideia interessante: doar meu corpo para ser utilizado por estudantes de medicina. Por dois anos, tratei com muito respeito todos os corpos nos quais aprendi noções sobre o corpo humano.

Se devemos esperançar, nos jovens devemos depositar nossas esperanças. O presente da sociedade humana e do planeta Terra insiste em nos deixar sem esperança alguma porque "tá difícil" ter esperança num amanhã melhor! Mas estamos aqui, a humanidade ainda está aqui, e na humanidade tem muita gente correta, muita gente lutando por mudar a tendência de fim do mundo ou pelo menos estudando e aprendendo coisas novas diariamente, e ler e estudar já abre portas, já gera oportunidades de conscientização de pessoas. Paulo Freire nos lembra que "só se ensina gente!".

Minha passagem pela comunidade humana nessas décadas de existência me faz acreditar nas premissas que a esquerda e os segmentos progressistas afirmam ao longo da história social dos homo sapiens, que as oportunidades mudam a vida das pessoas. Olhando em retrospectiva as etapas de minha vida, vejo o quanto fizeram diferença as oportunidades que foram aparecendo nas veredas por onde caminhei. Ao ver jovens que estão em suas jornadas, me vejo em vários exemplos comuns de todos eles.

Trabalho infantil e desgastante, morar em casebres e lugares ruins, ambientes repletos de baratas e inadequados, ódio do mundo e da vida, humilhações impostas por pessoas em posição de poder, tudo que vejo no dia a dia de milhões de jovens e adultos em nosso país e no mundo fez parte de minha jornada pela sobrevivência até aqui. Por isso avalio que sou um homem de sorte, a Lucky Man.

Durante um período da vida, tive até a felicidade de ser útil coletivamente aos meus irmãos e irmãs da classe trabalhadora. Foi outra oportunidade que a vida me deu que me moldou decisivamente na pessoa que sou hoje e isso após quase três décadas de uma existência mais focada em mim mesmo e não na coletividade de nossa espécie. A Lucky Man.

O mundo tá foda, é verdade! No entanto, a inteligência humana e as possibilidades que a educação e a cultura criam em nossa espécie não me permitem desistir de acreditar na capacidade humana de mudar o mundo e de ainda construirmos uma sociedade global mais solidária e justa para todas as espécies que habitam o único planeta no universo com condições tão diversas de abrigar formas de vida. E os jovens podem nos ajudar a mudar o mundo.

A vida pode ser melhor coletivamente!

William Mendes

27/06/25 (13h51)

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Poema 30: Oração como utopia


ORAÇÃO COMO UTOPIA


Enquanto me banhava

meus pensamentos oravam

pedindo ajuda e proteção:

aos palestinos violentados,

aos viciados em drogas, 

aos imigrantes sem chão, 

às mulheres sem liberdade, 

às vítimas da depressão, 

aos odiados e perseguidos,

a quem falta o pão. 


Ateu não fala com deuses,

mas a razão consciente

sabe ser possível a mudança 

pela inteligência humana. 


Falemos de mudança!

Sejamos sonhadores!

Esperancemos!

Utopia, já!

Amém!


William 

28/05/25


domingo, 11 de maio de 2025

Poema 28: Igualdade às mães e mulheres do mundo


IGUALDADE ÀS MÃES E MULHERES DO MUNDO


O domingo foi de homenagem às mães

em várias comunidades humanas do mundo.

As homenagens são justas e necessárias

e deveriam vir com mudanças culturais.

Só existimos por causa das mães do mundo:

somos todos filhos das mães, filhos das mulheres. 

Do passado remoto aos dias atuais da humanidade,

toda cria humana foi cuidada pelas mulheres

e muitas vezes, criadas só pelas mulheres.

E até hoje a manutenção da espécie humana

não é reconhecida economicamente

pelas sociedades dos machos ignorantes.

Dizem por aí que "não fazem nada" as mães dos lares.

Toda a produção de riqueza humana deve ser

distribuída igualitariamente entre mulheres e homens.

E todos os direitos civis, sociais e políticos

criados pela espécie humana em sociedade

devem ser absolutamente iguais entre as pessoas,

sejam elas mulheres ou homens na biologia

e ou nas suas diversas identidades de gênero.

A desigualdade entre mulheres e homens

não pode seguir existindo na humanidade.

O corpo de uma mulher pertence a ela

assim como o de um homem a si pertence.

A violência contra as mulheres do mundo

não pode ser tolerada, sequer normalizada.

Compete à política e às leis das sociedades

assegurar condições iguais de existência às mães,

e às pessoas nas suas diversidades humanas.

Igualdade às mães e mulheres do mundo!


William 

11/05/25

sábado, 19 de abril de 2025

Hereges



Umberto Eco ambientou um romance no século XIV, na região de reinos que viria a ser a Itália no século XXI. Falo do livro "O Nome da Rosa", de 1980.

Naquele tempo, se queimavam pessoas em praça pública. Os inquisidores tinham poder de vida ou morte sobre os seres humanos. 

Um dia, no caixa da agência do Banco do Brasil, estava conversando com uma colega de trabalho, quando disse a ela que era ateu (herege). Ela me olhou com os olhos vidrados, estupefata, e depois do choque, me disse que até então eu era uma pessoa muito legal. Era o ano dois mil, fim do século XX.

Da ambiência do romance de Umberto Eco, na idade média, até o século XXI, os seres humanos desenvolveram ciências por quase 700 anos. Criamos tecnologias antes impossíveis sequer de imaginar. 

No entanto, pelas consequências do que fizemos nesses séculos de ciência, e por sermos o que somos, seres dotados de um cérebro altamente desenvolvido, mas crédulos em qualquer abstração inventada por um de nós, vamos desaparecer da Natureza.

As pombas, as galinhas, baratas, quiçá animais mais complexos, que já habitavam a Natureza antes de nós, talvez sigam por aqui, nos destroços que deixarmos.

A Terra voltará a ser habitada somente por hereges. Os deuses já se empapuçaram desses crentes que matam, enganam e destroem em nome deles.

William 


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Poema 8: O Brasil não é um país laico


O BRASIL NÃO É UM PAÍS LAICO

 

          "sob a proteção de Deus..." (CF 1988)


Preâmbulo


Nós, representantes do povo brasileiro,

reunidos em Assembleia Nacional Constituinte

para instituir um Estado democrático,

destinado a assegurar o exercício

dos direitos sociais e individuais,

a liberdade, a segurança, o bem-estar,

o desenvolvimento, a igualdade e a justiça

como valores supremos

de uma sociedade fraterna,

pluralista e sem preconceitos,

fundada na harmonia social

e comprometida,

na ordem interna e internacional,

com a solução pacífica das controvérsias,

promulgamos,

sob a proteção de Deus,

a seguinte Constituição

da República Federativa

do Brasil.


Laico? Em nome de Deus?

O Brasil é uma piada pronta!


William

03/02/25


quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Poema 2: Tem jeito de mudar


TEM JEITO DE MUDAR


Dizem que não tem mais jeito,

que não adianta querer mudar o mundo,

que está sozinho quem quer mudar,

que agora é só esperar tudo acabar.


O ser humano superou ambientes inóspitos,

adversidades impeditivas à vida.

Alguns superaram a ladainha coletiva 

do "não tem mais jeito".

E chegamos até aqui.


Uma pessoa é capaz de mudar o mundo.

Uma criação humana pode alterar tudo.

O imponderável dos eventos naturais muda tudo.


Um evento natural não tem desejo, querer.

Com gana, desejo e método

os humanos mudam tudo que quiserem.


Tem jeito de mudar

a tendência de fim do mundo

porque somos humanos.


O presente (e um eventual futuro)

só depende de você

e de mim.

Basta sermos "nós" e tudo pode mudar.


William 

29/01/25


sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Leitura de poesia (33) - Clareira, Adélia Prado



CLAREIRA - ADÉLIA PRADO


Seria tão bom, como já foi,

as comadres se visitarem nos domingos.

Os compadres fiquem na sala, cordiosos,

pitando e rapando a goela. Os meninos,

farejando e mijando com os cachorros.

Houve esta vida ou inventei?

Eu gosto de metafísica, só pra depois

pegar meu bastidor e bordar ponto de cruz,

falar as falas certas: a de Lurdes casou,

a das Dores se forma, a vaca fez, aconteceu,

as santas missões vêm aí, vigiai e orai

que a vida é breve.

Agora que o destino do mundo pende do meu palpite,

quero um casal de compadres, molécula de sanidade,

pra eu sobreviver.


Do livro Bagagem (1976)

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COMENTÁRIO:

O mundo humano é velho, apesar de ser tão recente na natureza de bilhões de anos do mundo.

Estava pensando nas ideias que movem o mundo dos humanos... só metafísica!

Não à toa todo mundo se baseia nela no viver. Ou, querendo ou não, é afetado por ela no viver.

Antes de ler a poesia de Adélia Prado, que gosta de metafísica, estava lendo a versão do Hamas sobre o que se passa na Palestina... e lá estão os motivos de sempre, a metafísica. 

Eu sei o que sentem as pessoas que creem nas metafísicas... cristãos, judeus, muçulmanos. Vivi décadas sob as abstrações e regras da metafísica. 

Hoje, independente do ódio todo que se sobressai das metafísicas, só queria mesmo uma clareira "pra eu sobreviver".

William 


Bibliografia:

PRADO, Adélia. Bagagem [recurso eletrônico]. 1. ed. - Rio de Janeiro: Record, 2021.

 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Natais - 1979



Refeição Cultural

Osasco, 5 de setembro de 2024. (60 anos depois...)


Hoje poderia ser um dia de festas, de comemorações, de confraternização. Meus pais estão vivos, fizeram aniversário nesta semana, e a vida deles é muito importante para mim. Meu pai completou 82 anos de idade. Minha mãe completou 78 anos de idade. Hoje faz 60 anos que eles se casaram em 5 de setembro de 1964.

Eu parabenizo minha mãe e meu pai pela data, por mais que não tenha surgido clima para comemorar a data, pois as relações humanas têm sido muito difíceis, e não só para eles, para todo mundo... repito: para todo mundo!

Fiquei vendo algumas fotos antigas, daquelas dos anos sessenta, setenta, oitenta. Uma família brasileira. Uma família brasileira a nossa. Uma família como milhões de famílias dessa comunidade humana tão contraditória, uma sociedade humana cuja origem é terrível, violenta, uma comunidade na qual a exploração de alguns homens sobre o conjunto das pessoas foi a marca de séculos de relações humanas. O Brasil.

Uma sociedade humana cuja história das relações entre homens e mulheres, entre pessoas de raças e origens tão diversas - brancos europeus, afrodescendentes, indígenas - nos primeiros séculos de constituição do povo brasileiro, eu sintetizaria com a leitura e reflexão de um conto do nosso maior escritor, Machado de Assis: "Pai contra Mãe", publicado pelo Bruxo do Cosme Velho já em seus últimos anos de vida. Nós somos ainda hoje, um século depois, aquilo do conto no que diz respeito às relações humanas. 

Tenho refletido sobre a minha família nos últimos anos. Tenho me esforçado para olhar de forma fraterna para as mulheres e homens que compõem dezenas de anos daquilo que chamamos de família. Faz alguns anos que tenho me esforçado para pacificar meu coração de maneira que possa fazer a minha parte na tentativa de reaproximação com as pessoas que, de uma forma ou outra, estamos unidos por laços sanguíneos e pelo passado comum. 

Eu sei que para além das futricagens seculares comuns às famílias e relações de convivência, nós todos fomos vítimas de experimentos com manipulação humana por parte dos donos dos meios produtivos, os donos do capital, as plataformas das big techs desgraçaram as relações humanas de forma proposital. Para nos dominar, nos dividiram. Eu estudo e reflito sobre isso já faz alguns anos. E como ser pensante, tento usar essa compreensão para me reaproximar das pessoas.

Já escrevi muito aqui no blog sobre essas conclusões que tenho tido após muita leitura e muita observação da realidade. As pessoas estão modificadas, estão diferentes, mas não porque ficaram mais velhas, porque a vida seguiu seu caminho, estão diferentes porque foram modificadas. Ninguém se escuta, ninguém se tolera, ninguém aguenta uma discordância. Não há família ou relação de amor e amizade que resista a esse sistema de modificação do comportamento humano. Não há!

Some-se a isso que descrevi acima, outras crises: a relação de altos e baixos entre pessoas que conviveram juntas uma vida toda, ou a metade da vida no tempo cronológico, ou ainda um pequeno tempo cronológico, mas com consequências para toda uma vida. As relações humanas nessa quadra da história da sociedade humana neste mundo em séria crise econômica, social, política, ambiental e existencial são desafios dos mais importantes para seguirmos a caminhada de nossa espécie sobre a superfície da Terra.

Enfim, com os olhos marejados, aqui em Osasco, centenas de quilômetros de distância da casa de meus pais, que completaram hoje 60 anos de convivência em comum, eu os parabenizo, eu os agradeço, pois eu só existo por causa dessa união. Eu só sobrevivi às fases mais duras da minha vida, quando nem viver queria, por causa deles também. Nosso pacto, mesmo sem ser expresso, sempre foi sobrevivermos uns pelos outros.

Parabéns e obrigado por vocês resistirem ao que o mundo vem fazendo com a gente. Somos vítimas, acreditem um pouco no que digo. Somos vítimas do sistema capitalista, dos meios concentrados na mão de poucos humanos que decidiram foder com tudo em prejuízo de nós todos e gozo de uns poucos fdp.

Como nesta série reflito sobre nossos natais, ainda não sei o que faremos no Natal deste ano. Não sei!

William, filho do casal que hoje completa "Bodas de Diamante" num mundo feito para que nada dure mais que algum tempo de meses ou poucos anos...

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NATAL DE 1979

Como terá sido o nosso Natal desse ano? Era o meu 11º Natal como criança. 

No colégio Adolfino, eu tinha feito o 4º ano primário: tirei 3 conceitos "A" naquelas matérias que citei do ano anterior (ler texto aqui). Já sabia ler e escrever; e já tinha tido contato com Estudos Sociais e Ciências. 

Me lembro que lia muito gibi nessa época, Turma da Mônica, Tio Patinhas, Pateta, Pato Donald etc. Eu desenhava também. Tenho alguns desenhos guardados dessa época, desenhei até uns 11 ou 12 anos. 

É impressionante imaginar que eu fiz aqueles desenhos sendo tão novo! Eu fazia cópia de super-heróis e personagens apenas olhando o desenho. 

No Brasil, assumiu a "Presidência" o ditador Figueiredo, aquele que não gostava de gente e preferia seus cavalos a humanos. O ditador assina a Lei da Anistia (6.683). O Mato Grosso do Sul passa a ser Estado nesse ano também. 

No Reino Unido, a senhora "Dama de Ferro" Margaret Thatcher se torna Primeira-ministra. A mulher seria grande inimiga da classe trabalhadora inglesa. 

Saddam Hussein assume a Presidência do Iraque. 

Em minhas guerrinhas infantis, pelas ruas e campinhos do bairro Rio Pequeno, me lembro de ter levado naquele período pedrada, latada e dentada na cabeça (3 cicatrizes), brincando com os amigos e guerreando com os "inimigos" do Morro Branco, o território do outro lado do córrego do Rio Pequeno (rsrs). 

Vale registrar que a banda inglesa Pink Floyd lançou o álbum "The Wall" no ano de 1979. Um clássico para sempre!

William Mendes

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Vendo filmes (XX)



Refeição Cultural

A mente humana... nada na natureza se assemelha à capacidade criativa da mente humana. Nossas ideias e pensamentos podem abrir caminhos que nos levem à glória ou ao fim de tudo


Os dois filmes que comento nesta reflexão me deixaram muito pensativo, avaliando a natureza da nossa espécie humana, a única com um cérebro dotado de razão que nos diferencia de todas as demais espécies que convivem conosco no mesmo ambiente. Jamais me esquecerei dos ensinamentos do neurocientista Miguel Nicolelis em seu livro sobre o cérebro humano (ver aqui).

Por um lado, a inteligência humana nos colocou numa condição de superioridade na luta pela sobrevivência diária na Terra, nós desenvolvemos a técnica e a criatividade, alteramos o meio em nosso benefício. Inventamos a linguagem, inclusive a escrita, e a forma de passar adiante o que cada animal sabia: a cultura.

Por outro lado, a inteligência humana não se confunde com a ética, um dos vários conceitos desenvolvidos pela espécie ao longo da existência. Seres humanos com mentes muito criativas e com muito conhecimento podem fazer as coisas mais terríveis que se possam imaginar, e com efeitos incalculáveis para as outras pessoas e espécies e para o próprio planeta no qual todas as espécies vivem juntas, coabitam. Uma pessoa pode fazer tudo o que quiser? É isso o conceito de liberdade que defendemos?

A sociedade humana, coabitante do mundo com outros milhões de espécies, está num momento decisivo de sua história: vamos mudar a tendência de destruição física do mundo no qual vivemos ou vamos deixar as coisas seguirem como estão, com algumas mentes inteligentes e sem ética alguma controlando um planeta inteiro em benefício e gozo próprio? (como fazem esses bilionários donos de tudo no mundo atual)

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Os dois filmes trabalham com enredos que destacam jogos mentais, pessoas com inteligências destacadas e sem ética alguma, pessoas que usam da inteligência da nossa espécie em benefício próprio e com atos que causam efeitos na vida das outras pessoas. 

Fiquei pensando sobre essas questões de liberdade, ética e limites individuais e empresariais ao ver os filmes "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" (2004) e "A garota exemplar" (2014), filmes com atores e atrizes excepcionais, com atuações destacadas, na minha opinião. Filmes com direção e roteiro muito inteligentes, para ficar na questão que estou abordando.

Em um dos enredos, cientistas inventam máquinas que mapeiam e apagam lembranças de seus clientes. Ao longo do filme os espectadores verão conflitos éticos dos profissionais da empresa de apagamento de memórias.

No outro enredo, uma pessoa de mente brilhante envolve e manipula tanto as pessoas na vida ficcional quanto na vida real, os espectadores. Uma mente brilhante pode atuar sem limite algum? 

O personagem Joel (Jim Carrey) percebe durante o procedimento de apagamento de suas lembranças que ele não quer mais perder aquelas memórias, pois elas fazem parte de sua vida, e eu diria inclusive que fazem parte do que ele é. 

É como nos ensina o professor Antonio Candido: "O que somos é feito do que fomos, de modo que convém aceitar com serenidade o peso negativo das etapas vencidas". Eu e vocês somos esse acumulado de experiências boas e ruins que fizeram parte de nossas vidas.

Essa questão temática do apagamento proposital de lembranças e momentos da vida que em tese nos incomodam em determinado instante da existência podem "desconfigurar" e descaracterizar o que somos. É só pensarmos o que acontece com uma pessoa que sofre uma doença degenerativa e vai perdendo a memória... é triste demais isso! Vamos deixando de ser o que somos.

Atenção: não confundo essa hipótese de apagamento proposital de memórias com o excelente trabalho que profissionais de saúde fazem para auxiliar pessoas a lidarem com seus conflitos psicológicos.

Para finalizar o comentário com uma questão que envolve a ética, eu me pergunto se seria ético uma empresa cobrar por serviços de apagar memórias das pessoas. A inteligência humana sem ética pode nos levar à extinção de nossa espécie e de outras formas de vida por causa do abuso de determinados humanos inteligentes que só pensam o mundo para si mesmos.

Vejam se não é o que estamos vivendo (ou morrendo) neste exato momento em relação à manipulação de milhões de seres humanos (como, por exemplo, por plataformas digitais) com ideologias que beneficiam alguns bilionários e seus ideólogos pra lá de inteligentes, pagos a soldo alto, em prejuízo do bem comum, do uso sustentável dos recursos escassos do planeta e em prejuízo de uma sociedade humana mais justa e igualitária.

A refletir.

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FILMES

Brilho eterno de uma mente sem lembranças (2004). Direção: Michel Gondry. Roteiro: Charlie Kaufman. Elenco: Jim Carrey, Kate Winslet, Kirsten Dunst, Mark Ruffalo, Elijah Wood, Tom Wilkinson.

SINOPSE: O filme retrata o fim da história de amor entre Joel (Jim Carrey) e Clementine (Kate Winslet). Impulsiva como é, Clementine decide apagar todas as memórias de seu relacionamento com Jim através de uma empresa que apaga memórias. Ao saber da atitude de Clementine, Joel se revolta, pois ainda gosta dela, e decide se expor também ao tratamento experimental de apagamento de memória. Durante a aplicação do procedimento, Joel se arrepende e tenta de todas as formas interromper o processo...

COMENTÁRIO: filme excepcional! Envolvente do início ao fim. Além do roteiro ter me deixado bolado por causa da temática desenvolvida - a possibilidade de um procedimento em clínica médica ter a capacidade de apagar memórias ruins que as pessoas avaliem que tenham -, as imagens do filme criadas para reproduzir o que se passava na mente de Joel durante o procedimento são muito bem feitas e criativas. Minha esposa me perguntou por que eu me emocionei com o filme? Porque pensei em muitas coisas com relação à temática de apagamento de nossas memórias, que na essência é o que somos. O filme me deixou muito pensativo.

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Garota Exemplar (Gone Girl), de 2014. Direção: David Fincher. Com: Rosamund Pike, Ben Affleck, Carrie Coon, Tyler Perry, Kim Dickens, Neil P. Harris e elenco.

SINOPSE: no dia de seu quinto aniversário de casamento, Amy Dunne desaparece (Pike). Quando as aparências de uma união feliz começam a desmoronar, o professor universitário Nick Dunne (Affleck), seu marido, torna-se o principal suspeito. O desaparecimento de Amy tem grande cobertura de mídia porque ela é conhecida por inspirar livros infantis cuja personagem é a "Amazing Amy" (algo como garota exemplar), de autoria de seus pais. Nick contrata um advogado especialista nestes casos, Tanner Bolt (Perry) e, com a ajuda de sua irmã gêmea Margo Dunne (Carrie Coon), Nick tenta provar sua inocência, ao mesmo tempo em que investiga o que realmente aconteceu com a mulher. 

COMENTÁRIO: o filme tem uma trama envolvente e o final deixa os espectadores surpresos. Gostei do filme! Os mais antigos acabam se lembrando de filmes como Instinto Selvagem (1992) e Atração Fatal (1987). 

O principal comentário a fazer sobre o filme e o roteiro é que gosto de filmes bem escritos e inteligentes. Nota 10 para esse filme.

Em termos de desempenho, a interpretação de Rosamund Pike é espetacular! Amig@s, que olhar é aquele de Amy Dunne! Que medo! Eu não me atreveria a passar uma noite ao seu lado (risos)...

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É isso!

Sigamos em contato com as culturas e compartilhando nossas reflexões. O texto anterior sobre filmes pode ser lido aqui.

William Mendes


domingo, 11 de agosto de 2024

Natais - 1978



Refeição Cultural 

Uberlândia, 11 de agosto de 2024. Domingo. 


Essas memórias e reminiscências sobre nossos natais em família, que estou produzindo desde 2022, têm um pouco de inspiração na obra da escritora mexicana Margo Glantz. Gosto da poética prosaica dela sobre o passado familiar. 

A obra "Las Genealogías" me abriu novas perspectivas na forma de escrever e contar histórias pessoais e opinativas a partir da história da própria família. A prosa de Glantz é muito interessante. 

Essa informação é só um registro de influência em minha escrita.

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DIA DOS PAIS

No Brasil, é domingo de Dia dos Pais. 

Dias dedicados a mães e dias dedicados a pais são tradições culturais. 

Imagino que o Dia das Mães funcione de forma diferente em relação ao dos pais num país onde mais da metade das famílias são chefiadas pelas mulheres.

O Boletim Especial 8 de Março, Dia da Mulher, feito pelo Dieese em 2023 (fonte: site da CUT) revelou que:

"dos 75 milhões de lares do país, 50,8% tinham liderança feminina, o correspondente a 38,1 milhões de famílias. Já as famílias com chefia masculina somaram 36,9 milhões."

Apesar de vermos movimentações parecidas em redes sociais de apreço e afeto aos pais e às mães, o fato concreto é que cada vez mais aumentam os registros de nascimentos sem constar os nomes dos pais.

O Brasil registrou mais de 172 mil certidões de nascimento sem o nome dos pais em 2023 (aumento de 24,5% em sete anos). 

Comento isso por ser hoje Dia dos Pais e o Brasil ser um país com milhões de pais ausentes. 

Não é o nosso caso, de minha irmã e eu. O pai está conosco e neste fim de semana pudemos confraternizar com ele, apesar de nosso pai ter se tornado uma pessoa de difícil convivência, infelizmente. 

Registro o meu respeito a todos os pais que exercem seus papéis de pais na plenitude.

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NATAL DE 1978

O Natal de todos nós católicos brasileiros e do mundo seria celebrado pelo novo Papa João Paulo II, o polonês Karol Józef Wojtyla. 

Ele foi eleito Papa após a morte de João Paulo I, que morreu após 33 dias de papado. 

Eu estava com nove anos e minha mãe se esforçou para seguir os ritos e dogmas da igreja católica. 

Frequentei o catecismo na igreja São Patrício, no bairro Rio Pequeno onde morava, mas não completei o curso. 

Tenho pouca lembrança sobre isso, mas suspeito que a culpa por não concluir o catecismo tenha sido minha e não da professora. 

Acho que dei trabalho a ela e deixei de fazer o curso. 

No mundo futebolístico, a Argentina foi campeã da Copa do Mundo de Futebol, realizada no próprio país sob ditadura militar. 

Uma das coisas que me lembro é que o título foi muito suspeito, diziam que o time do Peru entregou o ouro (o jogo), perdendo de 6x0 para a Argentina, tirando o Brasil da final por saldo de gols. 


No meu histórico escolar daquele ano constam 3 matérias de Educação Geral e minha avaliação foi até boa: Comunicação e Expressão (B); Estudos Sociais (A); Ciências (B).

Eu estudava no Prof. Adolfino de Arruda Castanho. Passei lá dia desses. Nossa escola pública está resistindo bravamente até hoje, felizmente! São mais de 600 alunos.

William Mendes 


Post Scriptum: o texto anterior desta série pode ser lido aqui.


quarta-feira, 24 de julho de 2024

60 de 100 dias



60. Dia de poucas ações pessoais que pudessem mudar alguma coisa na minha vida. Li uma parte da revista CartaCapital desta semana. A leitura sequenciada de uma revista com a qualidade de Carta nos faz tomar consciência sobre a condição de decadência da sociedade humana. Percebo que o mal está vencendo pelo uso da força e da manipulação, a injustiça vai se impondo sobre as grandes maiorias de miseráveis, a vigarice prevalece e a consequência disso é a destruição do planeta pelo modelo que impera, o capitalismo neoliberal plutocrático, e os direitos criados pelos seres humanos ao longo de milênios vão se desfazendo. O mundo caminha para trás, como se estivéssemos voltando aos tempos das sociedades primitivas, primitivas no sentido de serem sociedades iniciais dos grupos humanos, sem os avanços das ciências tecnológicas, filosóficas e humanistas. Me lembro de um professor da Faculdade de Letras da USP que dizia que ler as notícias dos jornais era o mesmo que ler os grandes clássicos das eras passadas, com a diferença que os clássicos eram melhores pela qualidade da escrita. Ver filmes ou histórias de bárbaros como as criadas por Robert E. Howard (Conan) e ver a realidade bárbara retratada pela revista semanal CartaCapital, vendo a impunidade, a violência e a manipulação prevalecendo no Brasil, um dos países com a elite mais violenta do mundo, uma burguesia bárbara, me faz concordar com o professor da USP. O meu dia passou sem uma grande ideia e uma grande ação. O indivíduo que termina o dia não é muito diferente do indivíduo que começou o dia. Corri um pouco, as dores no quadril seguem. Li a autobiografia do roqueiro Bruce Springsteen. Estou escrevendo no blog sobre os dois filmes do Conan. Sigo tentando resolver os problemas das assinaturas em meu cartão cancelado por ter sido clonado. Essas merdas dão um trabalho da porra! Que será do dia de amanhã? Que será?

William, uma pessoa que escreve algumas coisas hoje em dia (já fiz grandes coisas coletivas, mas o passado não existe, quem prova o contrário?)


domingo, 14 de julho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Osasco, 14 de julho de 2024. Domingo. 


EXTREMO ORIENTE - ÚLTIMOS IMPERADORES 

A história da caminhada da espécie animal homo sapiens é uma história de violência mesclada com solidariedade em gestos individuais. É a impressão que tenho ao estudar a história. Temos em cada ser humano o melhor e o pior de nossa espécie. Um humano é a miniatura da própria natureza física. Somos a possibilidade para coisas extraordinárias, e somos também semente das maiores barbaridades.

Ao assistir aos documentários da Coleção História Viva, com imagens de época em cada tema abordado, imagens do início do século passado, passei dias pensando na nossa caminhada humana até o momento em que estamos. Eu diria que não me surpreendo com a atual conjuntura olhando para trás.

Este foi o penúltimo episódio da coleção. Essas preciosidades ficaram guardadas nos meus amontoados de mídia por um longo tempo. Por sorte a pátina do tempo não deteriorou o material e ainda pude vê-lo. O tempo muda tudo, mas o tempo para esse material andou devagar, felizmente.

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Sinopse:

Os dois milenares e tradicionais impérios do Oriente, China e Japão, enfrentaram mudanças políticas radicais no século XX. Guerreando entre si por anos, experimentaram perdas de toda ordem. Não bastasse, o Japão entrou em choque com democracias capitalistas na Segunda Guerra Mundial. Já a China, se viu confrontada com o comunismo, a que aderiu mais tarde. Para as populações de ambos os países, mudar era um imperativo da história. Ou os orientais aprendiam a fazer concessões e a conviver com novos regimes, ou seu fim seria melancólico - como, de fato, foi para extensas linhagens, representantes da nobreza de tempos que jamais retornariam.

Este episódio está dividido nos seguintes capítulos: "O Japão e a China", "Os domínios da China", "A República Popular da China" e "Mao deixa a presidência".

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CENAS DANTESCAS DE VIOLÊNCIA E A HIPOCRISIA DOS HOMENS NAS GUERRAS 

Os japoneses massacraram chineses em 1937 na guerra de invasão... estamos falando de colonialismo. Dezenas de milhares de crianças, mulheres e idosos assassinadas a sangue frio na Batalha de Nanquim. Milhares de estupros. Um horror!

Um tempo depois, os japoneses parceiros dos nazistas e fascistas (o Eixo) são massacrados pelos norte-americanos e ingleses, os aliados. Os EUA lançaram duas bombas atômicas matando quase meio milhão de japoneses e lançaram Napalm em Tóquio, matando novamente centenas de milhares de pessoas. Assim são as guerras... 

Mao Tsé-Tung e os comunistas venceram a guerra civil na China: Chiang Kai-Shek foge para Taiwan. Depois de unir o país, os chineses atuam para libertar os coreanos dos japoneses invasores. Guerra civil na Coreia. Com intervenção de comunistas e capitalistas, coreanos se dividem em Norte e Sul. O saldo em vidas perdidas foi alto: dois milhões de mortes. 

Um tempo depois, para combater o comunismo na Ásia, os Estados Unidos que massacraram os japoneses, mudam a estratégia e voltam a dar poderes ao imperador derrotado Hirohito. O Japão será o grande aliado dos capitalistas norte-americanos para combater chineses e coreanos ao Norte. 

Lá nos anos setenta (fevereiro de 1972), por diferenças entre URSS e China, Mao Tsé-Tung refaz relações diplomáticas e comerciais com norte-americanos e japoneses. Socialismo e capitalismo se juntam por interesses políticos e econômicos. 

Violência e hipocrisia... talvez os principais atributos da espécie humana.

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SEM DETERMINISMOS, SEGUIR ESTUDANDO E FAZENDO HISTÓRIA

Estamos aqui, sou uma unidade dessa espécie contraditória, perversa e destruidora e ao mesmo tempo solidária, criativa, com esperanças no amanhã. Por ser inteligente não posso ser determinista. Sei que somos seres históricos. 

Então, é seguir estudando, compartilhando conhecimento de forma gratuita e fazendo história.

William


sábado, 13 de julho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 13 de julho de 2024. Sábado.


DE GAULLE - A FRANÇA NO MUNDO

Na sexta-feira não consegui ver um episódio da série "Grandes dias do século XX". Ao ver este sobre Charles De Gaulle e a história da França no século passado, eu fiquei pensando o quanto a gente não sabe nada de história. 

Essa nossa ignorância sobre a história do mundo facilita muito a vida da extrema-direita fascista, que atua para desinformar as pessoas e recontar a história com narrativas mentirosas e absurdas. No Brasil, somos todos em geral vítimas de sistemas de educação feitos para não educar as pessoas.

Ao me politizar e me tornar representante eleito da classe trabalhadora no início dos anos dois mil, fui percebendo que uma das minhas tarefas enquanto liderança de um segmento de pessoas era estudar muito sobre a história do Brasil e da classe trabalhadora, sobre quem nós éramos e atuar diariamente para dar noções sobre as coisas para os meus colegas de classe. Noções.

Vivemos num mundo de pessoas sem noções. Não é por maldade ou vontade delas. Ao se mudar a cultura estabelecendo um novo aculturamento sem referências, sem limites, numa total anomia na vida social, as pessoas passam a não ter noção de nada. Vivemos uma desordem social e mundial.

A realidade material e a vida cotidiana impõem às massas uma agenda de consumo de temas focados em prazeres físicos e psicológicos imediatos. Coisas para capturar os desejos das pessoas. No capitalismo isso se intensificou de forma extraordinária. 

Por isso a imprensa tradicional era chamada de 4º poder (talvez fosse o 1º) e por isso as empresas de plataformas digitais conhecidas como big techs são as donas dos desejos e das almas dos bilhões de humanos hoje.

A vida em sociedade é dominada por quem define a pauta e a agenda da comunidade. Já era assim localmente sem a tecnologia de comunicação global (internet), imaginem agora que plataformas como o Google, o Facebook ou o Instagram conseguem invisibilizar um tema importante para a classe trabalhadora e colocar na agenda uma nulidade qualquer que pautará o que todos vão se interessar por horas ou dias ininterruptamente... 

Com essa realidade atual, tenho a impressão que a história (como ciência) e a cultura estão num momento ruim da história humana. Com a pós-verdade, o que será verdade no presente e futuro?  

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Sinopse:

Depois de liderar a resistência francesa contra os invasores nazistas na Segunda Guerra Mundial, Charles De Gaulle desponta como líder do governo provisório com grande popularidade. Era o primeiro passo da trajetória política do homem que se tornaria um dos grandes estadistas do século XX. Com uma gestão forte, nacionalista e conservadora, ele reergueu a economia de seu país e restabeleceu o poder político da França na Europa. Seu legado permanece vivo e sua história se tornou patrimônio do pensamento político contemporâneo.

Este episódio está dividido nos seguintes capítulos: "A trajetória de Charles de Gaulle", "A tragédia argelina", "Europa" e "O direito dos povos".

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SERÁ QUE A FRANÇA DE DE GAULLE NÃO TERIA VERGONHA DA FRANÇA DE MACRON

O episódio sobre a França e De Gaulle foi de descobertas e curiosidades, foi de preencher lacunas culturais, um verdadeiro momento de "refeição cultural" como se pretende o blog.

Apesar de ter noções de história geral, do Brasil, e da classe trabalhadora brasileira, o episódio foi de muitas informações novas.

Conferência de Yalta (Crimeia)

Muito interessante: o episódio começa com cenas da Conferência de Yalta com Churchill, Roosevelt e Stálin, representantes do Reino Unido, Estados Unidos e União Soviética, respectivamente. 

O narrador diz que o insulto jamais será esquecido. De Gaulle (França) não foi convidado para a conferência que poria fim à 2ª Guerra Mundial.

Fatos históricos importantes são citados no episódio: criação da OTAN; Pacto de Varsóvia; a data de referência do documentário é 1° de junho de 1958, De Gaulle volta ao cenário político da França após anos de retiro e silêncio; De Gaulle vira o 1° presidente da Quinta República. 

Descolonização 

Após os conflitos na Argélia, De Gaulle teve de lidar com as lutas de emancipação das colônias francesas. Político experiente, a solução menos sangrenta foi realizar disputas ideológicas através de referendos. 

Enfim, muito conhecimento novo. O documentário serviu para me lembrar da questão das noções. Percebi que não sei quase nada. Só um estudo dedicado me faria conhecer melhor a história da França. 

Hoje, aos 55 anos de idade, tenho algumas noções sobre a França e os franceses. Tenho algumas noções de história e geografia. Noções. 

Fico pensando se os franceses da geração de De Gaulle não teriam vergonha desse golpe mequetrefe que Macron aplicou no povo francês nesta semana que passou, ao não reconhecer sua derrota e de seu partido Juntos nas eleições legislativas nas quais as forças reunidas na agremiação de forças progressistas Nova Frente Popular fizeram a maioria de 182 cadeiras no parlamento, vencendo a extrema-direita de Marine Le Pen. Macron foi um cara de pau ao não reconhecer a derrota e acatar o voto popular.

Sigamos tentando aprender algo novo todos os dias. 

William 


sexta-feira, 12 de julho de 2024

48 de 100 dias



48. Hoje foi dia de adquirir novos conhecimentos. Participei de uma roda de conversa em nossa associação dos funcionários aposentados do BB sobre as big techs com o professor Sérgio Amadeu, da UFABC. 

A palestra e o debate foram essenciais para compreender melhor as chamadas "IA" e aperfeiçoar minhas impressões sobre o fim das democracias e o risco de transformação dos seres humanos nas baterias dessa matrix global neoliberal. Nós viramos commodities, somos a mercadoria dados, assim como existem as mercadorias soja, milho, minério etc.

Sérgio Amadeu reforça a explicação do neurocientista Miguel Nicolelis e do linguista Noam Chomsky de que não existe "Inteligência Artificial (IA)". Essas plataformas digitais trabalham com bancos de dados, são máquinas que analisam dados e desenvolvem padrões. Isso não tem nada que ver com inteligência. 

Uma criança de dois ou três anos é inteligente, essas "Machine Learning" não são. Uma criança desenvolve padrões com alguns dados, 3 ou 4, e uma IA precisa de milhões de dados para definir padrões. 

Exemplo: mostre 3 ou 4 chupetas a uma criança e ela desenvolverá o padrão sobre aquilo. Se você mostrar uma 5ª chupeta diferente, a criança já saberá o que é aquilo, como funciona e para que serve. 

E uma IA? Precisará de milhares ou milhões de modelos de chupeta (um dado) para compreender e desenvolver padrões, o que a criança faz com poucos dados.

Faz tempo que venho desenvolvendo reflexões sobre esse domínio das big techs sobre países e seres humanos. Algo precisa ser feito para salvar a humanidade e o planeta, pois isso tem relação absoluta com o capitalismo. 

Essas empresas de plataformas estão consumindo água e energia elétrica assustadoramente e vão continuar crescendo porque é da natureza do negócio. Aquilo que se conhece como "informações guardadas nas nuvens" são depósitos gigantes com milhares de computadores que precisam ser resfriados 24h por dia.

Os humanos alimentam essas máquinas com dados e a natureza com seus recursos escassos... e algumas espresas vendem acesso a esses dados (uns 10 humanos por trás). O domínio do mundo hoje pertence a umas 10 pessoas...

William 

terça-feira, 9 de julho de 2024

Diário e reflexões (2)



Refeição Cultural 

Osasco, 9 de julho de 2024. Tarde chuvosa de terça-feira. Feriado em SP.


ÊXODO - NASCIMENTO DE ISRAEL

Ver um documentário produzido em meados dos anos oitenta (1984) sobre uma questão tão atual quatro décadas depois, a questão entre judeus e palestinos, só reforça a importância de se estudar história geral a qualquer época nas sociedades humanas. Para compreender minimamente as causas dos conflitos na disputa pelo território da Palestina é preciso estudar e estudar em materiais com alguma confiabilidade nas fontes.

Neste momento, o exército sionista do Estado de Israel segue bombardeando e matando civis palestinos na Faixa de Gaza, ação que vem realizando desde outubro de 2023, e a consequência prática neste quase um ano de bombardeio e assassinato do povo palestino é a realização antiga da tomada do território da Palestina por parte dos israelenses. É um processo de expulsão de milhões de pessoas que ali existiram por séculos.

É complicado! No documentário, vemos a história do antissemitismo que por séculos perseguiu de diversas formas o povo judeu no continente europeu e asiático. Aí vemos durante a ascensão do nazismo as consequências da política antissemita de Adolf Hitler e os campos de concentração na Alemanha do 3º Reich.

E agora, décadas depois da 2ª Guerra Mundial, vemos as vítimas do nazismo massacrando mulheres e crianças e civis num território semelhante a um campo de concentração de dois milhões de pessoas - a Faixa de Gaza - sem dó nem piedade do povo árabe palestino, como se as pessoas não fossem humanas...

Que merda, isso! Eu fico me perguntando se ainda temos jeito enquanto espécie autodenominada homo sapiens. Tenho minhas dúvidas.

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Sinopse:

O Holocausto na Segunda Guerra Mundial apressou a realização do que havia décadas era uma utopia do povo judeu, o retorno à terra santa. Duas ondas migratórias antecederam o chamado grande êxodo, a partir de 1945, quando levas de sobreviventes do nazismo se estabeleceram na Palestina. Com o fato consumado, o plano de divisão do território entre árabes e judeus foi aprovado pela ONU em 1947. O Estado de Israel foi criado em 1948, e a decisão fez eclodir uma guerra com países da Liga Árabe. A região jamais encontrou o caminho da paz.

O documentário está dividido nos seguintes capítulos: "Palestina", "Kibbutzim", "Os refugiados" e "Invasão árabe".

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FANATISMO RELIGIOSO E GUERRAS, UMA RELAÇÃO ANTIGA NA HISTÓRIA HUMANA

Eu estou há dias tentando finalizar um artigo de contribuição para um livro coletivo sobre democracia e a dificuldade de concluir o texto é porque eu tenho a impressão que não há mais possibilidades de termos democracia nas sociedades humanas do século XXI. Nem mesmo as "democracias" que chegamos a conhecer na história, cheias de defeitos e de pouca gente representada na realidade das experiências onde elas se deram, a base da pirâmide social poucas vezes se viu representada de verdade nas "democracias" liberais ocidentais.

Todos os documentários que assisti até agora da coleção "Grandes dias do século XX" têm guerras e formas de crenças religiosas como temas principais ou como panos de fundos para algum conflito social entre grupos humanos que pensam de forma divergente e que se odeiam a ponto de apostarem todas as suas energias na eliminação um do outro.

As questões de visões de mundo por parte de grupos humanos passam necessariamente por abstrações e ideias abstratas criadas pela mente da espécie animal homo sapiens, tanto as abstrações místicas como as religiões quanto as abstrações inventadas por nós, chamadas de nacionalismo, capitalismo, dinheiro, mercado e outras invenções do cérebro humano para dar sentido e pertencimento aos indivíduos da espécie e organizar o mundo material onde estamos.

Enfim, eu sigo estudando história e processos históricos que envolvem a nossa espécie tida na teoria como racional, mas que na prática é marcada por ações estúpidas e autodestrutivas ao longo de sua história neste habitat onde convivemos com espécies que coabitam aqui há milhões de anos.

Pergunto: alguém consegue nos imaginar aqui no planeta no ano 2124? Um século não é nada quando olhamos a história, nada! Olhem o momento atual da humanidade, as perspectivas e me digam se está fácil imaginar a gente no planeta logo ali cem anos adiante...

William


terça-feira, 14 de maio de 2024

Leituras Capitais - S.O.S.



Refeição Cultural - CartaCapital nº 1310

Osasco, 14 de maio de 2024. Terça-feira.


S.O.S.

O subtítulo da matéria de capa já anuncia a que ponto falimentar chegamos na sociedade humana.

"Na tragédia gaúcha, agravada pelo aquecimento global, o Brasil solidário e consciente se digladia com a parcela negacionista, inconsequente e velhaca"

A reportagem está se referindo aos fdp que estão atuando para piorar a situação de centenas de milhares de vítimas das inundações no Rio Grande do Sul, produzindo e divulgando mentiras em escala industrial (chamadas de fake news) para prejudicar os trabalhos de salvamento e recuperação de 90% das cidades do Estado atingido pela violência climática (consequência da destruição do mundo pelo capitalismo).

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A IMPUNIDADE dos mentirosos é o maior incentivo para se continuar a inventar mentiras! Além dos gabinetes do ódio dos bolsonaristas e extremistas da direita, a imprensa comercial dos barões, velha e canalha, produz mentiras nos jornais e revistas e TVs e rádios e nada acontece a ninguém... Em algumas situações e contextos sociais, na minha opinião, produção proposital de mentiras deveria ser tratada como traição em guerra, com pena capital. Estamos em guerra! Só não vê quem não lê o mundo e só não fala quem acha melhor ficar na moita e se fazer de neutro.

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É tanta merda que dá até preguiça de comentar. Prefeitos e parlamentares canalhas (todos de partidos de direita e extrema-direita) utilizando o tempo para lacrar em redes sociais, uns fdp mesmo, tempo que seria necessário a salvar vidas e agir para minorar as consequências da tragédia climática anunciada pela ciência há tempos. Tragédia agravada por causa dos neoliberais hipócritas que mudaram as leis de proteção ambiental e que não fizeram investimentos e manutenção em sistemas de contenção que existem há décadas para suportar momentos de grande volume de chuvas. A tragédia tem culpados! A tragédia deve ser politizada porque poderia ser evitada!

E o pior para quem estuda História é que sabemos que situações de miséria e carência não geram consciência política, nunca gerou consciência de classe. Pelo contrário, sem educação e formação política, a tendência é haver movimentos oportunistas à direita, povo sofrendo e sem educação e cultura é povo à mercê de canalhas aproveitadores da fé das pessoas e políticos extremistas pregando fascismo e autoritarismo. E, infelizmente, educação libertadora e formação política são coisas que nossos governos Lula e Dilma perderam a oportunidade de fazer durante os mandatos do Partido dos Trabalhadores desde 2003. Concordo com Frei Betto nessa leitura.

Não seria hora de acordar e começar a politizar a classe trabalhadora? Somos seres históricos, sempre é tempo de mudar. Não existe um futuro pré-determinado, o futuro é uma construção do hoje, construção humana. Podem inventar as explicações mitológicas que quiserem, mas o amanhã bom ou ruim depende do que fizermos ou não fizermos hoje.

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A EDIÇÃO 1310 E SUAS EXCELENTES MATÉRIAS E ARTIGOS

A leitura de uma edição completa da revista CartaCapital é uma oportunidade que seu leitor(a) tem de se atualizar sobre temas diversos e relevantes ocorridos no Brasil e no mundo. A partir dessas informações, é possível formar opinião ou gerar curiosidade de aprofundamento na questão de interesse.

Intelecção - Meu caso de leitor da revista, por exemplo. Ao ler toda a revista consigo ter uma compreensão melhor do mundo da forma como ele é, as coisas todas estão imbricadas umas nas outras, tudo é causa e consequência das decisões que tomamos diariamente enquanto sociedade humana. As matérias das seções "Seu país", "Economia", "Nosso Mundo" e "Plural" se interligam inevitavelmente.

CAPITALISMO, ESTADO MÍNIMO E O EFEITO BORBOLETA

A matéria de capa sobre as consequências das inundações e violências climáticas (p. 16) está conectada com a matéria sobre a privatização dos serviços funerários na cidade de São Paulo (p. 37), sob gestão de neoliberais de merda. Com o foco no lucro de alguns e prejuízo de todos é o povo que se ferra, sempre!

Quando serviços públicos que interferem diretamente na vida de toda a coletividade passam para a mão de algum fdp que vai focar no lucro com aquilo, é óbvio que na outra ponta estão as pessoas, os milhares e milhões de usuários dos serviços ruins das "empresas" de alguns sujeitos que estão em paraísos na terra, cercados de luxo, longe das consequências da falta de Estado na vida de toda a cidadania. 

É o caso dos donos da Enel em São Paulo (que se danem as pessoas sem luz por vários dias!). Será o caso dos futuros donos da Sabesp (que se danem as pessoas sem água...). É o caso dos donos dos serviços funerários na capital paulista. É o caso dos donos das empresas públicas privatizadas no Rio Grande do Sul.

Essa gente que defende ausência de Estado no capitalismo é um misto de pessoas que não têm educação libertadora e formação política porque não tiveram oportunidade (não associam causa e consequência das coisas) com pessoas que estão no topo da hierarquia do poder econômico e político e que não concordam com sociedades igualitárias e mais justas para todas as pessoas. Defendem o privilégio, o privado, privar todos em benefício de alguns...

O caso do Rio Grande do Sul e o povo brasileiro daquela região é um exemplo típico do cenário mundial. Não fosse Lula o presidente do Brasil neste momento, a situação daquelas irmãs e irmãos estaria muito pior do que já está. 

E tem mais: os negacionistas e mentirosos que se aproveitam do caos para lacrar e monetizar suas contas em redes sociais são passageiros em tragédias como essas. O que aconteceu no RS mudou a vida de centenas de milhares de pessoas para sempre. Daqui alguns dias, a comoção nacional vai diminuir, e se não houver ESTADO, órgãos públicos, recursos públicos, agências dos CORREIOS, BANCOS PÚBLICOS, SUS, as pessoas não terão como recomeçar suas vidas. 

Não é o capitalismo neoliberal que vai recuperar a vida de toda a gente do Rio Grande do Sul. É o Estado, é o público, o coletivo, é a solidariedade da coisa pública. Não é o privilégio que salva o povo.

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A ERA DAS CATÁSTROFES - Aldo Fornazieri (p. 21)

"A degradação ambiental, que provoca morte entrópica do planeta, é resultado de uma concepção de mundo, de formas de conhecimento científico, social e religioso com que a humanidade construiu um mundo no qual se destrói a natureza e mantém bilhões de indivíduos na pobreza. O parâmetro principal da medida de todas as coisas não é a vida ou o bem-estar, mas o lucro rápido."

O artigo de Fornazieri é esclarecedor, ele fala sobre a tese do Antropoceno, uma era na qual o ser humano tornou-se a força impulsionadora da degradação ambiental e catalisadora das condições para a catástrofe ecológica.

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MORDOMO DO RENTISMO

Na seção de economia, a matéria sobre o bolsonarista Campos Neto, colocado no Banco Central para bloquear os avanços na economia do país sob gestão de eventual governo progressista (como o de Lula), me deixa pensando muito sobre o que é e o que não é crime... Qual o tamanho da consequência negativa das decisões desse sujeito em manter juros altíssimos (em favor dos bilionários rentistas) na vida de milhões de pessoas comuns em nosso país?

Como medir todo o mal que um sujeito pode fazer ao povo de uma comunidade humana? Um sujeito com o poder de bloquear o crescimento do emprego e renda de mais de uma centena de milhão de pessoas? Na minha opinião, opinião de quem estudou economia por muito tempo, o comando do Banco Central é desastroso, enviesado, e claramente focado no privilégio de alguns em prejuízo de milhões de pessoas.

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IDEOLOGIAS DE CANALHAS

Duas matérias desta edição dão bons exemplos sobre canalhices criadas a soldo, ideólogos que criam teses e ideias para justificar os interesses e os privilégios dos donos do poder em detrimento das massas humanas exploradas.

Na matéria "Traquinagens econométricas", assinada pelo professor Belluzzo e por Nathan Caixeta (p. 43), assino embaixo o que eles denunciam sobre um tal Instituto Fiscal Independente (IFI) e um de seus ideólogos que justificam a importância de um "superávit primário estrutural" e blá blá blá com um objetivo final de dizer que expansão fiscal é uma merda e que austeridade fiscal é a salvação da humanidade... (que nos diga a respeito o povo do Sul, o que pensam os desabrigados sobre isso?)

Na outra matéria "Falsificação histórica", de Will Hutton, à página 54 da seção "Nosso Mundo", vemos outra tentativa de ideólogos, no caso ideóloga (e negra), de negar o peso da escravidão para o sucesso da acumulação capitalista do império inglês ao longo de séculos, séculos de exploração e usurpação de um quarto do planeta Terra. Canalhice... os tempos são de negacionismo, de imposição de pós-verdades por parte dos donos do poder.

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CULTURA

Na última vez que consegui ler uma edição completa de CartaCapital (ver aqui), acabei sendo instado a ler "Ricardo III" de Shakespeare por causa de uma matéria da revista.

Agora, fiquei curiosíssimo com a matéria sobre Caetano Galindo, professor da Universidade Federal do Paraná, autor de dois livros abordados na matéria que chamam a atenção dos amantes da leitura.

Eu gostei muito da versão do Ulisses, de James Joyce, traduzida por Galindo (comentário aqui). Achei o texto diferente em relação à tradução do Houaiss, que já havia lido. Óbvio que o leitor era outro também, duas décadas depois. 

A matéria de Luis Capagnoli, uma entrevista, me instigou tanto que talvez até vá à Feira do Livro em São Paulo neste ano, coisa que não costumo fazer. Galindo será uma das atrações.

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É isso!

A leitura de mais uma edição de CartaCapital me fez pensar e me trouxe de forma organizada um conjunto de informações sobre a atualidade. Valeu a pena a leitura.

Abraços e recomendo o jornalismo da equipe liderada por Mino Carta.

William Mendes