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terça-feira, 26 de maio de 2026

Livro: Sussurros Metropolitanos - Sandro Sedrez dos Reis



Refeição Cultural

LITERATURA BRASILEIRA 


"Todas as histórias passam por términos..." (Sandro Sedrez)


Após ler dois livros de não ficção, leituras que considerei exigentes e cansativas, dei-me o direito ao prazer das estórias ficcionais. 

Em literatura, estórias ficcionais nos colocam em contato com histórias de personagens que poderiam ser qualquer um de nós, leitores do mundo.

Peguei na estante o livro Sussurros Metropolitanos (2024), de Sandro Sedrez dos Reis. 

O autor é meu amigo, trabalhamos juntos na área de gestão de saúde, e após uma vida de serviços prestados à comunidade do Banco do Brasil, Sandro está se dedicando a nos presentear com suas narrativas marcantes. 

Logo após a aquisição do livro, li os três primeiros contos, da primeira parte da obra, e gostei muito das estórias: "Uma História de Café da Manhã ", "Visitas, Mimos & Segredos" e "Tá descendo?".

Depois, me envolvi com as outras diversas leituras que faço ao mesmo tempo e guardei os Sussurros Metropolitanos

Recentemente, decidi mudar um pouco minha estratégia de leituras: vou ler um livro de cada vez ou, no máximo, dois livros com temáticas bem diferentes. 

Foi com essa nova estratégia de leituras que escolhi retomar e terminar o livro Sussurros Metropolitanos

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Almas e Rodas (p. 93)

Uma delícia de narrativa! A personagem Lúcia é encantadora. O nosso mundo está carente de lúcias e beatrizes.

- Ninguém solta a mão de ninguém, não é, Nina?

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Memória (p. 125)

Que diferença um gesto pode fazer na vida de alguém?

Narrativa incrível! O final da estória é de arrepiar!

Ao que parece, ao nos apresentar personagens como Lúcia ("Almas e Rodas") e Vicente, o autor nos lembra que a esperança no ser humano pode estar ao redor de cada um de nós, nas pessoas comuns do cotidiano. 

Assim seja, Sandro!

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Voz nos Trilhos (p. 153)

Para alguém que cresceu em cidades do interior como eu (Uberlândia, MG), causos como o investigado por Walter e Werner são comuns. 

Cantos, becos e passagens entre um lugar e outro são locais propícios para os sussurros da noite. 

Narrativa envolvente!

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Desfolha Outonal (p. 179)

Amig@s leitores, esse escritor, Sandro Sedrez, sabe pegar a gente de jeito...

Nossa! Essa estória bateu fundo neste leitor que vos escreve...

Após o término do conto, só foi possível enxugar a lágrima, calçar o tênis e sair para caminhar... respirar entre as árvores. 

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Invisível (p. 197)

Uma estória dramática a do personagem Joaquim, ou Quincas.

O autor nos coloca em enredos nos quais poderíamos figurar como personagens principais. 

A identificação do leitor com os personagens, os acontecimentos e os sentimentos amplia muito a experiência da leitura. 

Torci muito por Joaquim nesta narrativa. 

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Um dia de (Ro)Tina(S) (p. 213)

Sandro tem uma habilidade incrível de nos transportar para a história que nos conta, para nos colocar ao lado dos personagens e de seus dramas e sentimentos. 

Ao lado de Tina, vivi por instantes os desafios de milhões de mães solo no Brasil e no mundo. Refleti sobre muita coisa. 

Literatura também é isso.

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Conexão (p. 241)

O autor fechou com chave de ouro o livro através deste conto.

Haveria um destino desenhado para cada pessoa ou ser vivente? Como compreender os acasos e as veredas que a vida nos apresenta?

A história de Endrigo nos põe a pensar...

De fato, os aeroportos são lugares cheios de histórias...

Assim como a vida da gente.

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COMENTÁRIO FINAL 

O escritor Sandro Sedrez dos Reis é escritor refinado, criador de textos bem escritos e muito reflexivos.

As narrativas que nos conta trazem questões muito contemporâneas, tanto pessoais quanto coletivas, da vida em sociedade. 

Sandro tem a habilidade de colocar os leitores no cenário das histórias que conta, nos vemos nas cafeterias, nas ruas, ao lado das personagens. 

Seus textos nos dão prazer, algo raro hoje em dia, um prazer intelectual e popular, pois suas personagens são gente como a gente.

Valeu muito a leitura! Estou pensativo por causa de várias histórias que vivi com os Sussurros Metropolitanos

William 

26/05/26

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Instantes (16h22)



Refeição Cultural

"Tipo mofino era o velho Quinca Epifânio, ossudo, inquieto, cara de fome, sovina até nas palavras. Guardava a despensa na loja: barricas bem cobertas, defendidas contra os ratos. De manhã um moleque se chegava ao balcão, a cesta pendurada no braço. O avarento destapava os esconderijos, pesava e media longamente a ração miserável: duzentos gramas de charque, dois dedos de toicinho, um pires de feijão. Privava-se disso e despedia o portador, gaguejando." (G. RAMOS. Infância, 1995, p. 49)


A cena me lembrou a infância, mesmo tendo sido criança nos anos setenta e oitenta, quase um século depois da infância do personagem, Graciliano Ramos, na virada do século XIX para o XX.

Antes dos dez anos, vivi numa cidade grande, São Paulo, e a padaria Cinco Quinas, no Rio Pequeno, nos anos setenta, era mais moderna que a mercearia do cenário. 

Ao chegar ao bairro Marta Helena, em Uberlândia, nos anos oitenta, me vi no cenário da infância de Graciliano Ramos: no balcão do Seu Walter ou Seu Pedro, se comprava tudo a granel, pesado na hora; o moleque ia com a listinha da mãe ou da avó e voltava com as compras na cesta.

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"O tilintar de xícaras em pires e o baque suave de pratos com lanches parecem soltar mais os corações e abrir melhor os ouvidos da alma. Ou, ao menos, o fazem em simplicidade e velocidade maiores do que todos os esboços de conselhos que o proprietário da panificadora já experimentara fazer." (S. SEDREZ. Sussurros metropolitanos, 2024, p. 18)


Fechando o primeiro quarto do século XXI, estive dias atrás numa padaria semelhante à descrita por Sandro Sedrez, soltando o coração e abrindo os ouvidos da alma, ao tomar um café com um grande amigo.

A literatura tem dessas belezas: das palavras às imagens, das imagens às memórias, e daí aos sentimentos. A vida!

Sigamos lendo para nos mantermos humanos. 

William 

27/10/25

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Jornada nas Estrelas (Star Trek) - 1ª Temporada (1966-67)



Refeição Cultural

Após uma vida sem ter conhecido os episódios da clássica série Jornada nas Estrelas (Star Trek) que fez sucesso e marcou o mundo da cultura de ficção científica antes de eu nascer, acabei motivado a conhecer as aventuras da tripulação da USS Enterprise.

Trabalhei com um grande gestor em saúde que é apaixonado pela série Star Trek. Falo de meu amigo Sandro Sedrez, que também é escritor. Fomos funcionários do Banco do Brasil, a "comunidade imaginada" que nos uniu por pertencimento. (Comunidade imaginada é um conceito de Benedict Anderson)

Conheci neste ano de 2024 outras pessoas que adoram a série, os professores Enrique e Marili. Estivemos juntos na Praia Grande por alguns dias em janeiro na Colônia de Férias do Sinpro São Paulo. Entre os diversos intercâmbios de cultura, falamos sobre Star Trek como uma série que marcou gerações de pessoas.

Como disse, nunca assisti Jornada nas Estrelas, sou leigo na questão. Por ter amig@s que falam tão bem da série, e por ela estar disponível em um dos streaming que assino - a Netflix -, decidi ver alguns episódios da primeira versão dos anos sessenta. 

São bem interessantes, ainda mais quando penso como deve ter sido a repercussão dos temas tratados para aquela época.

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PRIMEIRA TEMPORADA (1966-1967)

Pelo que já consegui de informação, a primeira temporada foi exibida entre os anos de 1966 e 1967. 

O que a Netflix apresenta como 1º Episódio "Pilot: The Cave" foi um episódio gravado bem antes, em 1965, e que não foi aprovado à época. Ele foi apresentado bem depois, nos anos oitenta.

O que ficou sendo um segundo "piloto" foi o "Where No Man Has Gone Before", que está como o 4º episódio na Netflix e já com a equipe da USS Enterprise liderada pelo Capitão James T. Kirk. 

Mas na numeração da série Star Trek em outras fontes, o episódio "Onde nenhum homem jamais esteve" seria o 3º em 29 episódios daquela 1ª temporada dos anos sessenta.

Então, em respeito ao local onde assisti e conheci a série clássica Star Trek, vou manter a numeração da Netflix, sabendo que em outras fontes há um episódio a menos na numeração: são 29 episódios da 1ª temporada, sendo 30 na Netflix por incluir o piloto "The Cave" como nº 1.

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EPISÓDIOS DA 1ª TEMPORADA

1. PILOTO: A JAULA ("THE CAVE")

Assisti em 22/3/24

SINOPSE: O Capitão Christopher Pike é preso e submetido a testes por alienígenas que têm o poder de projetar ilusões incrivelmente realistas.

COMENTÁRIO: Durante a Guerra Fria o tema do controle da mente era algo muito falado quando se pensava em temáticas científicas. Queiramos ou não, as big techs acabaram por conseguir parte desse poder no primeiro quarto do século XXI. Poucos humanos donos dessas empresas podem manipular o comportamento de bilhões de seres humanos... (perdemos?)

Neste primeiro episódio, não é o Capitão Kirk que atua ainda. Este piloto não foi aprovado pela produção e só viria a público nos anos oitenta.

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2. O SAL DA TERRA ("THE MAN TRAP")

Assisti em 23/3/24

SINOPSE: A Enterprise chega ao planeta M-113 para procedimentos de rotina e contatos com o casal Crater. O Dr. Leonard McCoy teve um relacionamento antigo com Nancy Crater. Os tripulantes são perseguidos por uma criatura mutante que mata os humanos sugando todo o sal de seus organismos. A criatura é trazida à bordo acidentalmente e o Dr. McCoy terá de tomar uma decisão difícil em relação a ela. 

A partir desse 2º episódio da Netflix (que é considerado o 1º em outras fontes), o capitão da USS Enterprise passa a ser James T. Kirk (William Shatner).

COMENTÁRIO: Como no 1º piloto da série, a ideia de um ser com capacidade de iludir a visão e a mente das pessoas é tema do episódio. Imaginem como essa questão era desejo naquela época! Hoje, os algoritmos dos conglomerados donos de todos os meios (mídias) de comunicação (as big techs) conseguem fazer milhares de pessoas verem coisas que só elas veem e nem adianta querer convencê-las do contrário. (perdemos?)

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3. O ESTRANHO CHARLIE ("CHARLIE X")

Assisti em 24/3/24

SINOPSE: O poderoso vidente adolescente Charlie sobe à bordo. Embora queira agradar, o jovem começa a atacar a tripulação e só será detido se o Capitão Kirk descobrir o segredo de seus poderes.

COMENTÁRIO: O episódio aborda a questão de um jovem que não aprendeu a conviver com a negativa para seus desejos. Um "não" pode ser fatal para a pessoa que o desacatou porque ele tem poderes paranormais muito poderosos. Eu diria que a temática da ficção é a mesma: controle da mente e do desejo das pessoas, só acrescentando o poder de destruir coisas por parte do "vilão" da história.

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4. ONDE NENHUM HOMEM JAMAIS ESTEVE (PILOTO 2: "WHERE NO MAN HAS GONE BEFORE")

Assisti em 26/3/24

SINOPSE: Enquanto Spock e Kirk investigam uma tragédia, um amigo do Capitão Kirk, tripulante na USS Enterprise, adquiri poderes divinos. Para detê-lo, Kirk apela para um plano arriscado.

COMENTÁRIO: A pouca variação no tema de controle da mente das pessoas e poderes paranormais de interferir no mundo físico com o poder telecinético demonstra a fixação da época. Os cientistas já haviam criado bombas com poder de destruição em massa, mas ainda não sabiam como manipular milhões de pessoas. Era um desejo de Estado do período da Guerra Fria. O episódio repete a temática.

A questão das mulheres: nos primeiros episódios, fica evidente a forma como os homens tratam as mulheres de maneira chula, machista e sexista. Não é sem motivo a cultura do estupro ser tão antiga. Pelo que se percebe nos roteiros, as mulheres são coisas, corpos a serem apreciados e talvez abusados pelos homens. Foda isso!

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5. TEMPO DE NUDEZ ("THE NAKED TIME")

Assisti em 28/3/24

SINOPSE: Um vírus faz com que a tripulação da USS Enterprise perca o autocontrole. Por causa disso, Sulu ameaça os colegas com uma espada, enquanto Dr. McCoy corre atrás de um antídoto.

COMENTÁRIO: Primeira variação de tema, desta vez não é um ser consciente que domina o comportamento das pessoas, mas um vírus, que faz a mesma coisa, como as drogas que liberam os sentimentos reprimidos que cada pessoa tem, que tira a máscara social. O episódio é humorado. Veremos também um planeta próximo do fim.

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6. O INIMIGO INTERIOR ("THE ENEMY WITHIN")

Assisti em 11/4/24

SINOPSE: Com defeito, o transportador da USS Enterprise leva à bordo da nave uma versão maligna do Capitão Kirk. Sulu e outros tripulantes estão presos em um planeta congelante e o tempo está correndo para salvar a vida da tripulação em solo.

COMENTÁRIO: Achei o episódio interessante. Ao duplicar o ser que passou pelo transportador - um animal local e o Capitão Kirk - a cópia concentrou as características mais selvagens e agressivas do ser. Com o passar das horas, Spock percebe que o Capitão Kirk original, o bom, está perdendo o poder de liderança e de decisão. A teoria de Spock é que um líder precisa conciliar os dois grupos de caracteres que estão separados nas duas pessoas: os bons e os ruins. Achei uma ideia boa para reflexão.

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7. AS MULHERES DE MUDD ("MUDD'S WOMEN")

Assisti em 17/4/24

SINOPSE: O Capitão Kirk e sua tripulação resgatam Harry Mudd e três mulheres muito bonitas de seu serviço de casamento. Mudd tenta evitar que Kirk o entregue à justiça.

COMENTÁRIO: É o segundo episódio desse primeiro ano de Jornada nas Estrelas que traz no roteiro algum tipo de poção que deixa as pessoas com aparências diferentes das reais. As três "beldades" do episódio são três mulheres lindas, mas cujas personagens são tratadas como mercadorias para comércio por parte do tal Mudd. Um episódio desses hoje pegaria muito mal porque todos os personagens masculinos da tripulação da USS Enterprise se portam como uns idiotas, tarados, homens fora de controle por verem mulheres bonitas. Enfim...

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8. E AS MENINAS, DO QUE SÃO FEITAS? ("WHAT ARE LITTLE GIRLS MADE OF?")

Assisti em 21/4/24

SINOPSE: À procura do noivo da enfermeira Chapel - renomado exobiologista Roger Korby -, no planeta deserto Exo III, o Capitão Kirk e sua equipe correm perigo após descobrirem que as duas pessoas que estão com o cientista são robôs e que Korby pode duplicar pessoas.

COMENTÁRIO: Este episódio abordou temática interessante sobre androides, tema que viria a ser destaque nas décadas seguintes em ficções como o filme "Blade Runner" (1982). Seria possível migrar uma consciência humana para um robô? Robôs podem ter sentimentos? É o que veremos na estória.

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9. MIRI ("MIRI")

Assisti em 25/4/24

SINOPSE: Depois de descobrir o que parece ser uma duplicata do planeta Terra, o Capitão Kirk e seu grupo de desembarque encontram uma população devastada por uma doença, que parece afetar somente adultos.

COMENTÁRIO: Vendo o episódio, fiquei pensando que Star Trek deve ter influenciado muito os roteiros do cinema nos anos posteriores à série. Nesta estória com as crianças, fiquei me lembrando do filme "Mad Max III - Além da Cúpula do Trovão" (1985). Bom roteiro.

SONOPLASTIA

Observação sobre todos os episódios: a sonoplastia é a essência da série. Praticamente todos os efeitos futuristas são feitos simplesmente com sons: o raio das armas, as portas e movimentos das coisas, e o suspense de cada episódio.

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10. O PUNHAL IMAGINÁRIO ("DAGGER OF THE MIND")

Assisti em 07/05/24

SINOPSE: Durante uma missão de abastecimento, um médico louco foge de uma prisão planetária e acaba na USS Enterprise. Ao investigar, o Capitão Kirk sofre uma lavagem cerebral do diretor maníaco da colônia.

COMENTÁRIO: O episódio trabalha o tema do apagamento da memória das pessoas. Para não sair do comum, temos a questão da mulher vista de forma inadequada, como objeto do desejo de algum personagem masculino, no caso o próprio Kirk.

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11. O ARDIL CARBOMITE ("THE CARBOMITE MANEUVER")

Assisti em 20/05/24

SINOPSE: A USS Enterprise é ameaçada por uma nave alienígena gigante, cujo comandante condena a tripulação à morte. A nave inimiga parece superpoderosa e seu comandante recusa qualquer tipo de negociação e contato, forçando Kirk a utilizar uma estratégia pouco ortodoxa para salvar sua nave.

COMENTÁRIO: Spock não consegue achar soluções lógicas do jogo de xadrez na batalha com a espaçonave adversária de Balok que aprisionou a USS Enterprise, mas o Capitão Kirk usa outro estratagema, as técnicas do jogo de pôquer: blefar. Há uma lição moral no episódio: os humanos são de paz e querem resolver os conflitos sem guerra e sem eliminar o inimigo... (seria ótimo se fosse verdade!)

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12. A COLEÇÃO - PARTE 1 ("THE MENAGERIE")

SINOPSE: Spock sequestra a USS Enterprise para levar seu desabilitado antigo capitão, Christopher Pike, para o planeta proibido de Talos IV. Ele então enfrenta uma Corte Marcial onde usa os eventos do episódio "The Cage" para contar a história de como Pike foi prisioneiro no planeta anos antes.

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13. A COLEÇÃO - PARTE 2 ("THE MENAGERIE, PART II")

Assisti ao episódio duplo em 11/06/24

SINOPSE: Spock continua detalhando no tribunal os acontecimentos no planeta Talos IV. Ele se diz testemunha dos poderes mentais de ilusão dos talosianos. O Capitão Kirk percebe que Spock quer retornar Pike para Talos IV, onde poderá viver o restante de sua vida com saúde (ele perdeu todos os movimentos do corpo e está em um aparelho).

COMENTÁRIO: Mais um episódio envolvendo extraterrestres com poderes de ler a mente e iludir os humanos. Era uma obsessão dos humanos à época: manipular a mente das pessoas. Já é possível isso hoje em dia. Os negacionistas acreditam em qualquer maluquice ou informação mentirosa que digam a eles. Chegamos ao futuro.

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14. A CONSCIÊNCIA DO REI ("THE CONSCIENCE OF THE KING") 

Assisti na madrugada de 03/07/24

SINOPSE: (essa e outras são mesclas de informações da Wikipedia e Netflix, com alterações do blog): enquanto visita um velho amigo, o Capitão Kirk suspeita que um ator shakespeariano possa na verdade ser Kodos, assassino procurado por massacre na Colônia de Tarsus IV. Kirk é uma das poucas testemunhas da época que poderiam identificar Kodos. O Capitão convida a companhia de teatro para se apresentar a bordo da USS Enterprise para poder investigar. Porém, tentativas de assassinato começam a ocorrer na nave.

COMENTÁRIO: Episódio bem desenvolvido! Gostei da trama. As ações levam os telespectadores a pensarem numa solução para o caso e ao final surpresas acontecem. Óbvio que não poderia faltar a porção machista insuportável de se colocar mulheres deslumbrantes (neste episódio, a atriz Barbara Anderson no papel de Lenora, filha de Kodos). Repito, a estória foi uma das melhores até agora.

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15. O EQUILÍBRIO DO TERROR ("BALANCE OF TERROR")

Assisti em 18/08/24

SINOPSE: Uma espaçonave romulana destrói bases da Federação, e a USS Enterprise a persegue. Os romulanos têm um dispositivo de camuflagem muito bom. As duas naves entram numa batalha estratégica como num jogo de xadrez. As semelhanças entre os romulanos e os vulcanos acaba provocando preconceito contra Spock.

COMENTÁRIO: O tema da discriminação dos tripulantes em relação a Spock por ter aparência semelhante à dos inimigos foi interessante. Se até hoje o tema é bandeira de luta identitária, imaginem nos anos sessenta, quando até as leis discriminavam as pessoas em países como os EUA e a África do Sul com seu regime de Apartheid.

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16. A LICENÇA ("SHORE LEAVE")

Assisti em 09/09/24

SINOPSE: A tripulação da USS Enterprise vai passar as férias em um belo planeta em tese desabitado no sistema Omicron Delta, mas Sulu e Bones (Dr. McCoy) são atacados por um samurai e um cavaleiro sanguinário. O planeta está sugando a energia da nave.

COMENTÁRIO: Primeiro, tripulantes da nave veem o coelho apressado e a pequena Alice correndo atrás dele. Depois, Don Juan. Um samurai ataca Sulu. Era para ser uns dias de férias para toda a tripulação, mas ao identificar coisas estranhas, o Capitão Kirk interrompe a descida da tripulação. O episódio se desenvolve ao inconfundível efeito das sonoplastias - efeito central na série - e o final surpreende o telespectador. Episódio interessante! 

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17. O PRIMEIRO COMANDO ("THE GALILEO SEVEN")

Assisti em 12/09/24

SINOPSE: Spock e outros tripulantes são atacados por gigantes mortais em um planeta. Spock arrisca a vida de todos por uma chance mínima de resgate.

COMENTÁRIO: Episódio interessante ao abordar o embate entre uma suposta racionalidade sem pitada alguma de emoção - tudo seriam análises probabilísticas -, como seria o caso de Spock, e seu oposto, um cotidiano de decisões humanas normalmente influenciadas por impulsos movidos a paixões e emoções arbitrárias: sentimentos bem típicos dos humanos. (no comando, as decisões que Spock precisa tomar são parecidas com aquelas que socorristas têm que tomar ao escolher quem tem mais perspectivas de salvamento e tempo de vida)

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18. O SENHOR DE GOTHOS ("THE SQUIRE OF GOTHOS")

Assisti em 03/10/24

SINOPSE: Quando um alienígena imaturo e admirador de Napoleão captura a USS Enterprise, o Capitão Kirk oferece a sua vida em troca da liberdade da tripulação.

COMENTÁRIO: Trelane é um excêntrico habitante de um planeta órfão à deriva no espaço. Ele tem poderes incríveis. Ao perceber a proximidade de uma espaçonave, começa a brincar com a tripulação. No final, Kirk sobrevive por interferência dos pais do terrível Trelane, que não passava de um imaturo de uma espécie muito mais poderosa que a dos humanos. Tiveram dó do capitão e sua tripulação: os pais de Trelane disseram que não sabiam que os humanos eram tão frágeis... 

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19. ARENA ("ARENA")

Assisti em 21/12/24

SINOPSE: A USS Enterprise é atacada por alienígenas desconhecidos - os Gorns - enquanto investiga a quase destruição da colônia de Cestus III. Outra raça, os Metrons, captura Kirk e o gorn e obriga que eles lutem entre si para libertar o vencedor e sua nave e destruir o perdedor. Kirk se recusa a lutar nessas condições.

COMENTÁRIO: Episódio interessante. O capitão Kirk está sedento de vingança ao ver que a população de Cestus III foi dizimada pelos Gorns, de forma impiedosa. Como "polícia" do espaço, Kirk está decidido a atacar e eliminar os Gorns para que não cometam mais os atos que cometeram. Spock tentou convencer Kirk a não atacar os Gorns, mas obedeceu ao Capitão. O final traz uma esperança de que num futuro distante, uns mil anos à frente, nós humanos sejamos um pouco menos violentos como espécie que resolve tudo na base da guerra e morte.

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20. AMANHÃ É ONTEM ("TOMORROW IS YESTERDAY")

Assisti em 21/12/24

SINOPSE: Uma estrela negra manda a USS Enterprise de volta à Terra dos anos 60. Antes de voltarem, porém, o Capitão Kirk e a tripulação terão de eliminar todas as evidências de sua visita.

COMENTÁRIO: Achei um dos melhores episódios que vi até o momento. A questão a ser resolvida pelos tripulantes da USS Enterprise foi realmente complexa. Ao serem vistos por uma pessoa dos anos sessenta, e precisar levá-la a bordo, não podiam devolver alguém que soubesse do futuro, pois isso colocaria em risco o próprio futuro. Aí se desenvolve a trama de como fazer para resolver o problema. Muito bom!

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21. CORTE MARCIAL ("COURT MARTIAL")

Assisti em 24/12/24

SINOPSE: Um oficial da USS Enterprise é morto em um acidente estranho, e os registros do computador indicam que o Capitão Kirk é o culpado.

COMENTÁRIO: Um dos melhores episódios da série. Este e o anterior ganharam muito em complexidade e qualidade no enredo. O episódio coloca em debate a questão que seria o futuro da humanidade: o computador erra? Ele é infalível? Pode um homem ser julgado e condenado baseado somente na certeza de uma máquina? E olha que o episódio é anterior ao clássico "2001 - Uma odisseia no espaço", de 1969. Muito bom!

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22. A HORA RUBRA ("RETURN OF THE ARCHONS")

Assisti em 25/12/24

SINOPSE: Ao chegar a um planeta em que uma nave da Frota Espacial desapareceu anos atrás, a tripulação da USS Enterprise descobre um computador tirano que domina o povo.

COMENTÁRIO: Uma sociedade perfeita, que vive em paz e sem conflito. Sem alma. Humanos como autômatos. Neste episódio, Capitão Kirk, Spock e Dr. McCoy tentam enfrentar "Landru", o governo invisível, e libertar o povo. A diversidade ainda é a melhor alternativa para a sociedade, é o que concluo da estória. 

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23. SEMENTE DO ESPAÇO ("SPACE SEED")

Assisti em 26/12/24

SINOPSE: A USS Enterprise encontra uma raça violenta liderada por Khan Noonien Singh, que briga com Kirk pelo controle da nave, colocando um colega de confiança contra a Frota Estelar.

COMENTÁRIO: Episódio tenso. Achei interessante. Sempre que vejo episódios da série, me concentro no fato de saber que foram exibidos nos anos sessenta. Khan é um homem de séculos atrás em relação ao tempo da tripulação da USS Enterprise, dos anos noventa do século XX. Ele é mais forte que os humanos normais porque naquela época, a humanidade estava fazendo eugenia para melhorar a espécie e havia produzido super-homens. Isso deu merda, porque segundo Spock ao se criar homens superiores eles irão querem ser superiores aos demais. A humanidade sucumbiu às guerras e ditadores. Temática bem atual se pensarmos o momento hoje.

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24. UM GOSTO DE ARMAGEDON ("A TASTE OF ARMAGEDDON")

Assisti em 28/12/24

SINOPSE: Ao chegar a um planeta em que a tripulação está condenada à morte, o Capitão Kirk descobre uma guerra virtual em que se comete suicídio para evitar o combate real.

COMENTÁRIO: Um episódio pra lá de interessante! O seriado antecipa em décadas uma possibilidade que viria a ser a realidade no século XXI: um mundo dominado por computadores que simulam a realidade alterando comportamento de populações inteiras. Na estória, dois planetas estabelecem um acordo que já dura 500 anos no qual uma espécie de jogo de batalha naval virtual estabelece que os alvos de um ou de outro planeta foram atingidos e assim, bovinamente, um determinado número de mortos daquele alvo entram em um câmara de desintegração e se suicidam em nome de uma suposta "paz", ou seja, enquanto vão se destruindo alvos virtuais e matando de verdade pessoas em nome desse jogo - 3 milhões de vítimas por ano - se evita uma guerra de verdade nas estruturas dos dois planetas. Uma coisa estúpida, burocrática e que segue por séculos. Bom episódio!

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25. DESTE LADO DO PARAÍSO ("THIS SIDE OF THE PARADISE - FALSCHE PARADIESE")

Assisti em 29/12/24

SINOPSE: A tripulação chega a um planeta em que todos ficam calmos e apaixonados. O Capitão Kirk logo descobre o verdadeiro motivo por trás disso.

COMENTÁRIO: Um planeta inviável para a vida humana e de animais domésticos por causa de um tipo de radiação que mata aos poucos as células. Uma colônia de humanos que vai para esse planeta e de forma inexplicável segue viva. A tripulação da USS Enterprise desce ao local para verificar o que houve e de repente vemos Spock virar um "bicho grilo" apaixonado e sem lógica alguma. Depois a nave inteira fica deserta ao ver a tripulação ir curtir a vida naquele planeta "paz e amor". O segredo era uma planta tóxica que expelia um fungo que alterava o comportamento dos humanos e servia de antídoto aos raios mortais. Episódio doido. Interessante!

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26. O DEMÔNIO DA ESCURIDÃO ("DEVIL IN THE DARK")

Assisti em 30/12/24

SINOPSE: Um monstro mata vários homens em uma mina; Kirk e Spock vão investigar. Spock descobre que a criatura é inteligente e tem um motivo válido para matar.

COMENTÁRIO: Como nos episódios anteriores, a temática foi interessante. Os humanos invadem um planeta para explorar seus minerais colocando em risco uma espécie que vive por lá. Imaginem o que nós humanos fazemos diariamente: destruímos uma Amazônia inteira para uns fdp pegarem um pouco de ouro. A tripulação da USS Enterprise, por ter um ser humano diferente, Spock, que consegue se comunicar com a criatura, consegue firmar uma espécie de acordo, uma convivência entre os colonizadores do planeta e a espécie que lá vive há milhares de anos.

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27. MISSÃO DE MISERICÓRDIA ("ERRAND OF MERCY - KAMPF UM ORGANIA")

Assisti em 30/12/24

SINOPSE: Kirk tenta criar uma base da Federação no planeta dos Organianos. Contudo, quando os Klingons atacam, os Organianos mostram toda a sua evolução.

COMENTÁRIO: O episódio é do final dos anos sessenta, mas a postura imperialista do Capitão Kirk foi a de sempre, os caras se acham donos do mundo, quer dizer, do Universo. A USS Enterprise percebe que um povo guerreiro vai invadir um planeta e decide que os norte-americanos vão intervir e se oferecem para proteger as vítimas, os Organianos (a Federação da série Star Trek é a OTAN da atualidade). Enquanto Kirk insiste com o Conselho dos Organianos para aceitarem a ajuda da Federação, eles dizem que são contra violência e não querem ajuda de ninguém. Episódio muito legal! Ao final, as supostas vítimas são uma raça superior, mais evoluída, e impede os bárbaros da Federação e os Klingons de guerrearem. Kirk faz uma confissão ao Spock, diz que sentiu raiva de perceber que eles não mandam porra nenhuma no Universo, que tem gente bem mais poderosa que eles... (né!!!)

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28. O FATOR ALTERNATIVO ("THE ALTERNATIVE FACTOR - AUF MESSERS SCHNEIDE")

Assisti em 30/12/24

SINOPSE: Kirk conhece Lazarus, um homem que muda constantemente. Lazarus explica que busca constantemente seu eu paralelo no espaço e tempo.

COMENTÁRIO: Episódio fraco e confuso, se pensar os últimos que vi. Quando a estória não ajuda, a gente fica incomodado com as falhas de verossimilhança. Como um sujeito doido, que não pertence à tripulação da USS Enterprise, com crises de doidura, pode ficar perambulando pela nave como o tal Lazarus, que causa curto em painéis de controle, rouba cristais de energia etc. O tema até que era bom, sobre matéria e antimatéria, mas o episódio não foi dos melhores.

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29. A CIDADE À BEIRA DA ETERNIDADE ("THE CITY ON THE EDGE OF FOREVER")

Assisti em 31/12/24

SINOPSE: Bones (McCoy) volta aos anos 30 e, sem querer, destrói o futuro. Para reverter o estrago, Kirk e Spock vão ao passado, e lá, Kirk se apaixona.

COMENTÁRIO: Outro grande episódio envolvendo viagem no tempo. Desta vez, o dilema envolve não interferir no passado na morte de uma pessoa. Esse tema de possibilidade de viagem no tempo foi um sonho dos humanos no auge das descobertas científicas do século vinte. Neste episódio, se uma pessoa não morresse, os EUA teriam adiado a entrada na 2ª GM e Hitler teria vencido a guerra... ou seja, os americanos é que salvaram o mundo... pqp!

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30. OPERAÇÃO: ANIQUILAR ("OPERATION ANNIHILATE - SPOCK AUBER CONTROLLE")

Assisti em 01/01/25

SINOPSE: Alienígenas matam o irmão de Kirk e acabam infectando Spock em outro planeta, mas a tentativa de Bones de curá-lo provoca efeitos colaterais inesperados.

COMENTÁRIO: Um ser que se parece com uma ameba, unicelular, que se apodera das pessoas através de uma dor insuportável que faz a pessoa sucumbir. Em um momento de definição sobre o que fazer para impedir que os organismos tomem outros planetas habitados por humanos - já haviam destruído outras populações -, o Capitão Kirk chega a pensar em eliminar meio milhão de pessoas desse planeta em questão. Felizmente, a última tentativa de eliminar o organismo dá certo...

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AVALIAÇÃO GERAL DA PRIMEIRA TEMPORADA

Ao ver séries do passado nos tempos atuais, é necessário, na minha opinião, um esforço para se colocar ou imaginar como as pessoas daquela época receberam os episódios.

A primeira temporada de Jornada nas Estrelas se deu nos anos sessenta, momento de grandes embates políticos no mundo. Só para lembrarmos algumas questões na pauta dos países e das pessoas: 

- Os jovens revolucionários de Cuba, liderados por Fidel Castro, colocaram para correr o ditador bancado pelos EUA;

- URSS e EUA disputavam corações e mentes no mundo, a tal Guerra Fria entre o socialismo real e o capitalismo; e a Guerra do Vietnã;

- Os jovens do mundo impulsionavam uma revolução cultural com a invenção da pílula anticoncepcional, os shows de Rock and Roll, a luta pelos direitos civis e políticos;

- Os EUA financiavam golpes de Estado e ditaduras sanguinárias em toda a América do Sul e Central;

- URSS e EUA estavam na corrida armamentista e de conquista do espaço. Os soviéticos já haviam mandado para o espaço naves que conseguiram voltar como, por exemplo, a nave Sputnik 2 com a cachorrinha Laika.

- Os EUA investiam pesado na indústria cultural para manipular os desejos e o imaginário dos povos do mundo através do "American Way of Life". Hollywood era parte dessa indústria da narrativa dos norte-americanos.

Enfim, eu imaginei esse cenário ao ver cada episódio de Star Trek. Ao tecer comentários após cada episódio, me lembrei dessas coisas. 

São muito American Way of Life: a forma machista e sexista como se tratava (ainda se trata) as mulheres, a predominância de homens brancos nas posições de poder, a forma arrogante e opressora na qual o Capitão James T. Kirk se apresenta nos episódios etc.

Por outro lado, a série antecipou várias tecnologias que se tornariam realidade no cotidiano das pessoas no mundo. O telefone celular é um exemplo. Transmissões por satélite e instantâneas em qualquer parte do mundo é outro exemplo.

Gostei de ter assistido e conhecido a famosa série Jornada nas Estrelas. Claro que agora vou ver as outras duas temporadas. É inevitável a referência da série quando se fala em ficção científica no mundo do cinema. Vi episódios que anteciparam "2001: Uma odisseia no espaço" e "Blade Runner".

Sigamos conhecendo coisas novas, ainda que as novidades sejam coisas velhas... (rsrs)

William


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Leitura: A estranha vontade de um morto (2022) - Sandro Sedrez



Refeição Cultural

Osasco, 13 de janeiro de 2023. Sexta-feira.


"'Você faz um plano pra vida, mas a vida faz outro plano pra você', murmura para si, repetindo a fala favorita de sua mãe." (Fred, o advogado e contador contratado pelo milionário falecido)


O romance escrito por meu amigo Sandro Sedrez dos Reis foi o primeiro texto de literatura que completei neste ano. Não tenho lido muito romance e poesia. E como faz falta ler boa ficção para podermos abstrair um pouco das leituras políticas que nos conscientizam da dura realidade.

A trama de A estranha vontade de um morto (2022) é muito bem escrita. Que bom que ainda temos pessoas que escrevam bem! Eu já havia me deliciado com a leitura do primeiro livro de Sandro - A carruagem dos espelhos (2019), livro de contos e uma novela, e o autor seguiu escrevendo com criatividade e qualidade no texto. Ler comentário aqui.

Aliás, tenho uma teoria triste a respeito da linguagem humana da atualidade: a seguirmos a tendência atual das redes sociais e da linguagem por vídeo e áudio, ícones e memes, linguagem cada vez mais pobre de conteúdo e particularizada a grupos, vamos nos tornar uma sociedade humana ágrafa, sem textos escritos, o signo linguístico vai acabar morrendo. As pessoas aprendem a ler e escrever a língua pátria ou padrão na escola e assim que passam a viver na realidade virtual esquecem como se escreve o mais básico do idioma pátrio. É o que vejo da realidade social.

O enredo do romance se desenvolve a partir da morte de um milionário que deixa o testamento a cargo de um advogado e contador para que ele diga aos herdeiros o que o falecido quer que eles façam para terem direito a uma herança polpuda. Eles aceitam o compromisso de cumprir o que o morto determinou se quiserem, têm livre-arbítrio. Daí adiante vamos acompanhar as histórias de cada um deles.

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"Mas na vida, nada é dado. Tudo é conquista, construção. Aprendizado. Ato e consequência. As consequências têm um poder curioso, sabem? Elas afetam outras vidas. Às vezes as interrompem. Às vezes deixam pendências." (Palavras de Aderbal, dirigidas aos herdeiros) 

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Ao longo do romance vamos conhecer a vida e a história de Felipe, Laís, Lana, Amaro e Emílio, herdeiros de Aderbal. Também vamos conhecer a história do próprio advogado e contador Fred e de Leyko, assessora do falecido. Além dessas histórias, vamos conhecer a história das pessoas que estiveram vinculadas de alguma forma às vidas dos personagens principais. 

Como disse, é uma trama muito bem escrita, detalhista e toda estruturada para um final muito bom.

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SOBRE O AMOR

"- Vejo as coisas de outro modo quando se trata de amor. Eu sei que será inevitável a despedida entre quem ama e quem é amado, algum dia. Isso é regra do jogo. Não controlamos o fim da história. Mas podemos controlar se haverá ou não história. É uma decisão tomada só em parte pela cabeça. O coração precisa dar seu voto, e isso significa aceitar haver perda um dia. E dor." (Maura, amiga de Laís)

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Gostei do romance. A leitura só não foi mais prazerosa do que poderia ser para mim porque o meu momento de leitor não anda dos melhores. Problemas familiares azedando o cotidiano, o fascismo insistindo em golpear o país mesmo após as eleições mais guerreadas de nossa história e meu momento pessoal fizeram com que eu lesse o romance mais lentamente do que pretendia. Mas a leitura foi uma fuga, um respiro quando me sentei pra ler.

Uma questão que é abordada no enredo do romance A estranha vontade de um morto e que traz reflexão aos leitores é a noção verdadeira de que as nossas vidas podem ser oportunidades constantes de recomeços, enquanto estamos vivos e participando da sociedade humana sempre podemos mudar a realidade que vivemos, seja corrigindo uma escolha ruim que fizemos, seja criando novos desafios para o amanhã. 

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"- Querida Maura, acabo de concluir importantes lições sobre a busca da felicidade. E acho que tenho sua concordância quando digo: ela não vem pela obra dos outros, mas por nossa disposição em não desistir de buscá-la. A obra dos outros pode, quando muito, ser um obstáculo a menos, um incentivo a mais." (Laís, filha do falecido Aderbal)

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Não estou no testamento de nenhum milionário excêntrico com desafios a vencer para receber heranças, mas estou num momento de olhar para trás, avaliar o presente e definir desafios para o viver. Bem o que os personagens tiveram que fazer a partir d'A estranha vontade de um morto.

É isso! Boa leitura! Recomendo! Deixo mais uma reflexão interessante do romance, sobre o perdão, algo que deveremos exercitar neste momento tão conturbado do Brasil e do mundo.

PERDOAR É: "- Esse é um engano bastante comum. Perdoar não é esquecer, não é autorizar que nos machuquem outra vez. Perdoar é sair da vibração ruim desse mal-feito; é deixar de ficar preso àquele momento, para seguir adiante; construir uma nova história, mesmo nunca mais havendo aproximação entre ofendido e ofensor. Mas eles deixam de se reduzir a apenas isso. Nenhum ser é só o autor de uma ofensa ou o seu alvo." (Leyko Wu Kim, ex-assessora de Aderbal)

A questão do perdão é central no presente momento do nosso viver. É o que eu penso. Sem anistia aos criminosos, mas o perdão aos comuns ao nosso redor é algo a se pensar. 

Afinal de contas, o personagem Riobaldo Tatarana (G. Rosa) nos alerta que o ódio e a sede de vingança nos fazem prisioneiros do alvo odiado e isso só nos paralisa e derrota... penso assim. Quero liberdade até em relação aos bolsonaristas aloprados que nos cercam.

Bom ano pra vocês, leitores e leitoras!

William Mendes


Bibliografia:

REIS, Sandro Sedrez dos. A estranha vontade de um morto. São Paulo: Recanto das Letras, 2022.


terça-feira, 12 de maio de 2020

Leitura: A carruagem dos espelhos (2019) - Sandro Sedrez dos Reis




Refeição Cultural

"- Mesmo que isso doa, ninguém deveria acusar o espelho de ingratidão. Ao contrário, é por estar muito agradecido que ele não poderia agir de outra forma, senão nos mostrando o que temos feito de nossas vidas. Até porque não é pelas coisas terem saído diferente do pretendido que elas não valem. O que não vale é querer prender o mundo e nós mesmos em uma imagem congelada. Isso cabe à fotografia. E serve para lembrar. O espelho precisa mostrar as verdades de nossa vida em movimento. E serve pra ensinar, alertar e, às vezes, fazer-nos tomar decisões." (p. 211)


A leitura do livro A carruagem dos espelhos, do amigo e colega da comunidade Banco do Brasil, é um ato de prazer. A leitura é leve, as personagens são gente como a gente, as estórias são como as nossas histórias de vida.

O início do livro traz narrativas deliciosas como a do garoto Alessandro e a professora Dona Dalva ("A queda"). Algumas nos emocionam muito como as estórias de Mayumi em "Voo cego" e de Aurora em "Quebra-cabeça". Os contos todos são muito bons. Nos envolvem bastante.

A novela, então, é uma surpresa muito agradável. Uma trama que não nos deixa parar de ler do início ao fim. Durante a leitura, pude descansar meu coração apertado e amargurado pelo contato permanente com a desgraça lá fora, num mundo com pandemias várias, a da Covid-19, a da ignorância bárbara bolsonarista que infectou o nosso país, a do necrocapitalismo que destrói vidas e o mundo.

Descansei coração e mente durante a leitura das narrativas que Sandro nos presenteou com A carruagem dos espelhos. Recomendo a leitura! É uma terapia de prazer pela leitura e uma oportunidade de algumas viagens ficcionais em tempos de quarentena e recolhimento.

William
Um leitor

REIS, Sandro Sedrez dos. A carruagem dos espelhos. São Paulo: Recanto das Letras, 2019.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Livro: Discurso da Servidão Voluntária (s. XVI) - Étienne de La Boétie



Refeição Cultural

"E quando vemos, não cem, não mil homens, mas cem países, mil cidades, um milhão de homens se absterem de atacar aquele que trata a todos como servos e escravos, que nome poderemos dar a isso? Será covardia? Todos os vícios têm naturalmente um limite, além do qual podem passar..." (La Boétie)


Ganhei de presente do amigo Sandro Sedrez, companheiro de lutas em defesa da Cassi, autogestão baseada na Atenção Primária e Estratégia de Saúde da Família, este pequeno livro de Étienne de La Boétie (1530-63) - Discurso da Servidão Voluntária -, obra marcante e de grande influência no mundo da política desde quando começou a circular de forma não oficial já no século XVI, a partir dos anos 1550.

Eu tenho grandes lacunas culturais e literárias. Nunca neguei isso porque somos o resultado do percurso de nossas vidas, e a minha foi de trabalho braçal na infância e adolescência até virar bancário e tive pouca oportunidade de leitura durante vários anos centrais da formação de um jovem. Mesmo assim, sempre corri atrás das leituras nas poucas horas livres que pude ter ao longo da vida subproletária e proletária.

As leituras que faço na minha vida têm origens variadas. Tenho centenas de livros que sonho ler e estudar. Quando dá, pego eles para ler. Tem as leituras que vão sendo obrigatórias por razões diversas. E tem as leituras que aparecem pela convivência em sociedade. Agora, conheço mais uma obra clássica, que influenciou a forma de pensar das sociedades contemporâneas ocidentais.

Eu comparo esta obra em importância e influência a outras como Utopia (1516), do inglês Thomas More (ler comentário AQUI) e O Príncipe (1513), do italiano Maquiavel (ler comentário AQUI). Li ambas em 2011.

Não poderia ter lido obra mais condizente com a realidade política de nosso País do que esta sobre a servidão voluntária, pois sofremos um golpe de Estado em 2016 e estamos sob um regime de exceção, com o poder na mão de uma camarilha de corruptos que tomaram conta das instituições estatais do Estado, em conluio com empresários da comunicação e parcelas de capitalistas nacionais e imperialistas norte-americanos.

Das teses apresentadas por La Boétie justificando os porquês das pessoas se submeterem à servidão voluntária, acrescento uma de conceito mais recente em relação ao século XVI: a ideologia.

Gostaria que todas as pessoas envolvidas com os movimentos sociais e lideranças populares lessem esse pequeno texto, que é possível ler em um dia, para reavivarem suas naturezas e sentirem o instinto de liberdade que nos baliza e norteia e, assim, começarem a organizar a resistência e reversão da servidão voluntária aos golpistas tiranos, que destroem tudo em nosso País a cada semana que passa, desde maio de 2016.

Apresento abaixo alguns excertos do livro e, logo depois, uma síntese que está na enciclopédia livre (Wikipédia) e está muito boa.

William

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Excertos

- "Eu não lhe pediria tão vivamente para recuperar a liberdade se lhe custasse alguma coisa. Não existe nada mais caro para o homem do que readquirir o seu direito natural e, por assim dizer, de animal voltar a ser homem..."


- "Para conseguir o bem que deseja, o homem ousado não teme nenhum perigo, o homem prudente não regateia nenhum esforço. Só os covardes e os preguiçosos não sabem suportar o mal nem recuperar o bem. Limitam-se a desejá-lo e a energia de sua pretensão lhes é tirada por sua própria covardia..."


- "É incrível ver o povo, quando é submetido, cai de repente num esquecimento tão profundo de sua liberdade, que não consegue despertar para reconquistá-la. Serve tão bem e de tão bom grado que se diria, ao vê-lo, que não só perdeu a liberdade, mas ganhou a servidão..."


- "Se todas as coisas se tornam naturais para o homem quando se acostuma a elas, só permanece em sua natureza aquele que deseja apenas as coisas simples e não alteradas. Assim, a primeira razão da servidão voluntária é o hábito..."


- "Os homens livres, ao contrário, disputam a preferência em lutar pelo bem comum, porque associam a ele seu interesse particular: todos esperam ter sua parte no mal da derrota ou no bem da vitória. Mas os homens submissos, desprovidos de coragem guerreira, perdem também a vivacidade em todas as outras coisas, têm o coração tão fraco e mole que não são capazes de qualquer grande ação. Os tiranos sabem muito bem disso. Por isso, fazem o possível para torná-los ainda mais fracos e covardes."


Bibliografia:

LA BOÉTIE, Étienne de. Discurso da Servidão Voluntária. Texto integral. Edição bilíngue. Tradução: Casemiro Linarth. Martin Claret.


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Wikipédia 

Étienne de La Boétie (Sarlat, 1 de novembro de 1530 - Germignan, 18 de agosto de 1563) foi um humanista e filósofo francês, contemporâneo e amigo de Michel de Montaigne (este que em seu ensaio "Sobre a Amizade" faz uma homenagem a La Boétie). Poucos anos antes de morrer, aos 32 anos, Étienne de La Boétie deixou em testamento seus escritos a Montaigne, o qual, mais tarde, destacou os méritos nos Ensaios e em várias cartas, apontando este autor como um importante homem daquele século.

Traduções de obras clássicas greco-romanas eram comuns entre os studia humanitates, por isso entre os trabalhos de Étienne de La Boétie estão as traduções do grego para o francês de obras de Xenofonte e Plutarco - Étienne escreveu também algumas obras originais, a sua obra mais famosa é seu "Discurso da Servidão voluntária", escrita no século XVI, depois da derrota do povo francês contra o exército e fiscais do rei, que estabeleceram um novo imposto sobre o sal. 


A obra se mostra como uma espécie de hino à liberdade, com questionamentos sobre as causas da dominação de muitos por poucos, da indignação da opressão e das formas como vencê-las. Já no título aparece a contradição do termo servidão voluntária, pois como se pode servir de forma voluntária, isto é, sacrificando a própria liberdade de espontânea vontade? 

Na obra, o autor pergunta-se sobre a possibilidade de cidades inteiras submeterem-se a vontade de um só. De onde um só tira o poder para controlar todos? Isso só poderia acontecer mediante uma espécie de servidão voluntária. Ele afirma então que são os próprios homens que se fazem dominar, pois, caso quisessem sua liberdade de volta, precisariam apenas de se rebelar para consegui-la. 

Étienne afirma que é possível resistir à opressão, e ainda por cima sem recorrer à violência - segundo ele a tirania se destrói sozinha quando os indivíduos se recusam a consentir com sua própria escravidão. Como a autoridade constrói seu poder principalmente com a obediência consentida dos oprimidos, uma estratégia de resistência sem violência é possível, organizando coletivamente a recusa de obedecer ou colaborar.

Graças a suas reflexões profundas sobre a condição humana e a liberdade, La Boétie é considerado um filósofo de tradição libertária e um precursor do pensamento anarquista.

Discurso sobre a Servidão Voluntária

O "Discurso da Servidão Voluntária", escrito em 1548 quando Étienne de La Boétie tinha 18 anos, é uma crítica à legitimidade dos governantes, chamados por ele de “tiranos”. La Boétie explica de que maneira os povos podem se submeter voluntariamente ao governo de um só homem: em primeiro lugar, pelo hábito, uma vez que quem está acostumado à servidão tende a não questioná-la; em seguida, pela religião e pela superstição que se cria em torno da figura do líder. 

No entanto, não são apenas esses dois métodos os elementos necessários para criar a servidão voluntária: o segredo da dominação consiste em envolver o dominado na própria estrutura da dominação, a saber, uma pirâmide de poder: o tirano domina meia dúzia, essa meia dúzia domina seiscentos, esses seiscentos dominam seis mil, e abaixo desses seis mil vêm todos os outros. Para dominar a meia dúzia, ou seja, os seus cortesãos, o tirano atira-lhes migalhas, e estes, gratos, aceitam a submissão. Essa estrutura de domínio é repetida, então, nos demais níveis: a meia dúzia em relação aos seiscentos; os seiscentos em relação aos seis mil; os seis mil em relação a todos os outros. 

Para La Boétie, os que estão em volta do tirano são os menos livres de todos, pois, se as outras pessoas estão obrigadas a obedecer, esses, além disso, querem antecipar os desejos do tirano, escolhendo, com essa atitude, livremente a própria servidão. Portanto, os que estão na base da pirâmide, os camponeses e artesãos, são, em certo sentido, mais livres e mais felizes, pois após obedecerem a uma ordem, podem gastar o resto do tempo com o que quiserem; já os cortesãos, por estarem próximos ao tirano, estão afastados dessa liberdade. 

O autor quer levar seus leitores a refletir sobre uma questão que está na base da política: o motivo que leva as pessoas a obedecerem. Concretamente, o que está por trás dessa questão é entender a causa que pode levar uma pessoa a abrir mão de sua própria liberdade, já que, para obtê-la, o homem precisa apenas desejá-la. Assim, a servidão voluntária, em La Boétie, se refere à perda do desejo de liberdade, uma vez que, “os homens, enquanto neles houver algo de humano, só se deixam subjugar se forem forçados ou enganados”. Para ele, é possível que os homens percam a liberdade pela força, mas o que surpreende é o fato de não lutarem para reconquistá-la. 

No livro, são descritos três tipos de tiranos: os que chegam ao poder pela eleição do povo, pela força ou pela sucessão de raça. Mas, independentemente da forma como o tirano tenha chegado ao poder, o que intriga é o fato de as pessoas continuarem a obedecê-lo mesmo quando prejudicadas por ele. O autor defende ainda a igualdade de todos os homens na dimensão política: “Uma coisa é claríssima na natureza, tão clara que a ninguém é permitido ser cego a tal respeito, e é o fato de a natureza, ministra de Deus e governanta dos homens, nos ter feito todos iguais, com igual forma, aparentemente num mesmo molde, de forma a que todos nos reconhecêssemos como companheiros ou mesmo irmãos”.

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