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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Livro: O Hamas conta seu lado da história



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


"Nestas páginas, oferecemos ao leitor um conjunto de documentos e declarações que apresentam de maneira clara o que pensa o Hamas, e a sua versão dos acontecimentos do 7 de Outubro. Trata-se de uma verdade que forças poderosas trabalham para ocultar, para falsear, para distorcer. O resultado dessa operação fraudulenta é o de encobrir o genocídio do povo palestino." (Rui Costa Pimenta, na apresentação do livro)


Adquiri o livro O Hamas conta o seu lado da história (2024) nas manifestações do 30º Grito dos excluídos e excluídas, na Praça da Sé, em São Paulo. O livro foi organizado por Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, e confeccionado pelas Edições Causa Operária.

Logo na apresentação do livro, um conceito importante é dito por Pimenta e vale a pena reproduzi-lo:

"É a opressão que dá legitimidade à luta pela liberdade, e não qualquer característica misteriosa dos que lutam. A luta contra a opressão - e estamos falando de uma das mais brutais e criminosas opressões contra todo um povo - é inerentemente libertária, independentemente de maiores considerações." (p. 13)

Li mais da metade do livro logo nas primeiras semanas de aquisição da obra em setembro de 2024, que é dividida em quatro partes, além da apresentação e prefácio. Naquele momento, o mundo já acompanhava de forma televisionada o bombardeio diário à população da Faixa de Gaza. Era algo indescritível! Milhares de crianças, mulheres, idosos e população civil em geral sendo dizimados diariamente pelas bombas do exército sionista.

Hoje, maio de 2026, praticamente não existe mais nada na Faixa de Gaza, nada, hospitais, escolas, habitações, água, comida, energia, nada. Centenas de milhares de palestinos estão cercados e morrendo porque até ajuda humanitária é proibida quando os povos do mundo tentam socorrer o povo palestino.

Ajuda humanitária através de grupos de pessoas e organizações é impedida de se realizar até com sequestro de embarcações em áreas marítimas internacionais. O mundo viu isso recentemente com o sequestro de pessoas de diversos países em flotilhas cercadas e capturadas pelos sionistas.

"Certamente é uma guerra, uma guerra entre um povo ocupado e os ocupantes. E esses ocupantes, infelizmente, quero dizer, estão todos armados, todos eles. O povo inteiro é um exército e tem um Estado. Ao contrário de todos os países do mundo, em que a norma é que o Estado tenha um exército, 'Israel' é um exército que tem um Estado e tem um sistema." (Dr. Musa Abu Marzuk, p. 38)

Na entrevista cedida a Rui Costa Pimenta, Abu Marzuk, intelectual palestino e dirigente político do Hamas, apresentou os pensamentos e objetivos das lutas lideradas pelo povo palestino em defesa das terras nas quais vivem há centenas de anos.

Cito abaixo um trecho da entrevista que, de certa forma, sintetiza um pouco a luta desenvolvida pelos palestinos há décadas, desde que foram expulsos de suas terras após o fim da 2ª Guerra Mundial.

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"Por que o Hamas considera necessário o recurso da luta armada?

     Acredito que a luta armada é necessária porque nenhuma ocupação no mundo lhe dará sua independência por meio de negociações. Nunca aconteceu na história uma ação política que libertasse um país, ou lhe desse independência. Temos a experiência dos nossos irmãos do Fatá e da OLP, que disseram: 'Não queremos resistência, queremos negociação política'. Então assinaram os Acordos de Oslo, em 1994, que previa sua implantação em cinco anos. O acordo previa, depois de cinco anos, a independência dos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e Al-Quds (Jerusalém) como capital.

     Hoje estamos em 2024, ou seja, já se passaram trinta anos desde esse acordo, e não avançamos um único passo, porque é impossível a ocupação dar, em palavras, um Estado. Por quê? Por que o daria a você, se você não consegue conquistá-lo? É sabido que a liberdade é conquistada, não é dada. Ninguém dá liberdade a ninguém. Ela deve ser conquistada com suas forças e defesas, e continuamos nossa resistência até obter nossa liberdade." (p. 39)

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Comentário do blog:

O povo cubano que o diga em relação a essa afirmação de Abu Marzuk! Para conseguir a liberdade e independência dos impérios que subjugavam a ilha e seu povo - primeiro a Espanha e depois os Estados Unidos -, foram séculos de lutas para a libertação em 1º de janeiro de 1959, através do exército rebelde liderado pelo Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz.

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Em outra entrevista, Rui Costa Pimenta, conversa com o doutor Basem Naim, membro do Birô Político do Hamas. Ele foi ministro da saúde do povo palestino.

Em uma parte da resposta à pergunta se a causa palestina estaria a caminho da vitória, Basem Naim aponta as dificuldades que seu povo vinha enfrentando por trinta anos pela estratégia do chamado "processo de paz", do qual diz que os palestinos foram enganados:

"Esta não é a nossa escolha. Se alguém puder nos ajudar a alcançar nossos objetivos de forma pacífica, por favor! Mas, se não, não podemos continuar a viver nessas condições desumanas. Portanto, quando Smotrich disse que os palestinos têm duas opções, sair ou serem mortos, nós respondemos. Também temos duas opções: viver aqui com liberdade e dignidade, ou morrer aqui de forma livre e digna. não há outra escolha." (p. 60)

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Na parte que trata da "Operação Dilúvio de Al-Aqsa", os leitores vão acessar os motivos acumulados ao longo de, pelo menos, 75 anos de ocupação e abusos que levaram os palestinos ao evento de 7 de outubro.

"A batalha do povo palestino contra a ocupação e o colonialismo não começou em 7 de outubro, mas sim há 105 anos, incluindo 30 anos de colonialismo britânico e 75 anos de ocupação sionista. Em 1918, o povo palestino possuía 98,5% das terras da Palestina e representava 92% da população na terra da Palestina, enquanto os judeus, que foram trazidos para a Palestina em campanhas massivas de imigração, em coordenação entre as autoridades coloniais britânicas e o Movimento Sionista, conseguiram controlar não mais que 6% das terras na Palestina e representavam 31% da população antes de 1948, quando a Entidade Sionista foi anunciada na histórica terra da Palestina. Naquela época, ao povo palestino foi negado o direito à autodeterminação, e as gangues sionistas empreenderam uma campanha de limpeza étnica contra o povo palestino, com o objetivo de expulsá-lo de suas terras e áreas. Como resultado, as gangues sionistas tomaram o controle à força de 77% da terra da Palestina, de onde expulsaram 57% do povo da Palestina e destruíram mais de 500 vilarejos e cidades palestinas, cometendo dezenas de massacres contra os palestinos, culminando na criação da Entidade Sionista em 1948. Além disso, em continuidade à agressão, as forças israelenses, em 1967, ocuparam o restante da Palestina, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém, além de territórios árabes ao redor da Palestina." (p. 65/66)

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Convivência pacífica é possível entre os diferentes?

Acho interessante citar uma passagem do livro que me fez lembrar da convivência entre povos e credos diferentes em outras partes do mundo ao longo da história.

"O povo palestino sempre se posicionou contra a opressão, a injustiça e a prática de massacres contra civis, independentemente de quem os comete. E, com base em nossos valores religiosos e morais, afirmamos claramente nossa rejeição ao que os judeus sofreram nas mãos da Alemanha nazista. Aqui, lembramos que o problema judaico, em essência, era um problema europeu, enquanto o ambiente árabe e islâmico foi, ao longo da história, um refúgio seguro para o povo judeu e para outras pessoas de outras crenças e etnias. O ambiente árabe e islâmico foi um exemplo de convivência, interação cultural e liberdades religiosas. O conflito atual é causado pelo comportamento agressivo sionista e sua aliança com as potências coloniais ocidentais; portanto rejeitamos a exploração do sofrimento judaico na Europa, para justificar a opressão contra nosso povo na Palestina." (p. 75)

Como aceitar a situação na qual se encontra o povo palestino em Gaza?

"(...) No curso da agressão em Gaza, a ocupação israelense privou nosso povo em Gaza de alimentos, água, medicamentos e combustível, privando-os simplesmente de todos os meios de vida..." (p. 75)

Na parte três os leitores têm acesso a documentos formais do Hamas e na parte quatro há um conjunto de artigos e reportagens sobre o evento de 7 de outubro e o período posterior.

Há diversas matérias de inúmeras fontes que alegam que parte das mortes de judeus ocorreu por ataques das próprias forças militares de Israel naquele dia 7 de outubro.

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LER PARA COMPREENDER

Enfim, a leitura do livro com a versão do povo palestino no conflito trágico da ocupação da Palestina desde 1948 agrega informações a qualquer pessoa que queira compreender melhor a questão.

Sigamos lendo, estudando e tentando compreender o mundo para influir nele e modificá-lo em busca da justiça, da verdade e da possibilidade de convivência sustentável, igualitária e pacífica entre todas as pessoas e demais formas de vida.

A vida na Terra pode ser melhor.

William

27/05/26


Bibliografia:

O Hamas conta o seu lado da história. Edição geral Rui Costa Pimenta. São Paulo: Editora Democritus, 2024. 

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Diário e reflexões - Fevereiro



Refeição Cultural

Sábado, 28 de fevereiro de 2026.


FEVEREIRO

AGENDA POLÍTICA

Passei a semana em Brasília, capital federal do país. 

Minha estadia na cidade foi para participar do processo eleitoral do Sindicato dos Bancários. Vim contribuir com o debate na base social da entidade e ao longo da semana fiz campanha nos locais de trabalho do Banco do Brasil, junto com outros companheiros e companheiras. Nós apoiamos a chapa 1, liderada por Rodrigo Britto, a chapa cutista que representa a unidade nacional.

Quando cheguei, no início da semana, estava cheio de expectativas e incertezas. Eu tinha receio se ainda conseguiria fazer o que fiz boa parte de minha vida: conversar com a categoria bancária, desenvolver boas falas nos locais de trabalho e ter alguma atenção dos trabalhadores. Após reflexões coletivas com a militância que apoia a chapa 1, posso concluir que deixei a minha contribuição para o processo democrático. Fico feliz por isso.

Por ter sido convidado, participei de algumas reuniões do movimento sindical bancário no mês de fevereiro, assim como ocorreu em janeiro e dezembro. Tenho o compromisso ético com o movimento sindical cutista de estar sempre à disposição, porque a CUT influenciou decisivamente na formação política que tenho hoje.

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CULTURA

Li apenas um livro no mês de fevereiro, o livro "Fidel Castro, comandante invicto", de Norberto Escalona Rodríguez (comentário aqui). O escritor e jornalista cubano nos conta a respeito da participação dos músicos do Quinteto Rebelde na luta de libertação do povo. Também aborda a participação das mulheres na Revolução Cubana: o Batalhão das Marianas fez história e influenciou as políticas de igualdade que fizeram parte da construção da República Socialista de Cuba.

Estou editando um livro com as poesias que escrevi ao longo da vida. O manuseio do material textual do livro foi um processo interessante. A editora Cleusa Slaviero está me ajudando com o material. 

Encadernei poesias, crônicas e textos da professora e amiga Marili Santos. Foi um processo prazeroso de leitura. Presenteamos a escritora e passamos um dia delicioso com a família dela. 

FILMES - Vi alguns filmes no mês e só não escrevi as minhas impressões e sentimentos sobre eles porque não tive tempo e os textos que faço dão muito trabalho. 

Vimos "Sonhos de trem" (2025, EUA), de Clint Bentley; "A vida invisível" (2019, BRA), de Karim Aïnouz; "O agente secreto" (2025, BRA), de Kleber Mendonça Filho; "Hamnet: a vida antes de Hamlet" (2025, Reino Unido e EUA), de Chloé Zhao. 

Todos os filmes são excelentes e me deixaram pensativo. Todos! Hamnet me fez chorar.

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A VIDA E O MUNDO

A notícia do último dia do mês de fevereiro foi o bombardeio do Irã e o assassinato de dezenas de crianças. Os assassinos são os estados terroristas Estados Unidos e Israel. Eles não vão parar, assim como Hitler e a Alemanha nazista não pararam no passado.

Os terroristas dos Estados Unidos atacaram no início do ano a Venezuela e sequestraram seu presidente e a esposa. Mataram dezenas de pessoas. Vergonhosamente, nenhum dos principais países do mundo exigiram a libertação imediata de Nicolás Maduro e Cilia Flores. Nem o meu país, o Brasil. Sinto vergonha e uma decepção indescritível por essa atitude brasileira.

O império fascista do Norte está matando a população de Cuba de fome, falta de medicamentos e itens básicos para a subsistência. Os genocidas do Norte querem que Cuba vire uma estância balneária dos ricos norte-americanos, o mesmo projeto que têm para a Faixa de Gaza, na Palestina.

Estava olhando da janela do quarto do hotel a bela imagem da cidade de Brasília e pensando a respeito das consequências de ninguém reagir e fazer nada contra os fascistas de Israel e EUA. Eles podem decidir bombardear nosso país, matar nosso presidente e invadir nossa terra para tomarem os recursos naturais que temos. Ninguém vai fazer nada a respeito. Nada.

Esse é o valor da vida humana e dos seres vivos neste momento da história, dia 28 de fevereiro de 2026, pelo Calendário Gregoriano.

Isso não é natural e não deveria ser aceito por nós. Se é para sermos assassinados e explodidos por bombas a qualquer momento, deveríamos ter as nossas bombas para persuadirmos os fascistas a não nos atacarem e para nos defendermos caso nos atacassem para roubar os nossos recursos naturais.

William

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

7. Pelo mar e pelo ar



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


7. Pelo mar e pelo ar

* A linha de suprimentos transatlântica

Após a Batalha da Inglaterra, as linhas marítimas de abastecimento da Grã-Bretanha passaram a ser alvos constantes de bombardeios noturnos. Só um país seria capaz de socorrer as ilhas britânicas: os Estados Unidos.

* Desvendando o código da Máquina Enigma

Em meados dos anos 30, os alemães desenvolveram uma máquina para codificar suas mensagens. Em julho de 1939, os poloneses decidiram organizar uma equipe de matemáticos para decifrar o código.

* O homem que salvou Londres

Para localizar o alvo exato à noite, os alemães valiam-se de emissões de rádio. Um integrante do serviço de inteligência britânico idealizou algo para a defesa: as contraemissões de rádio.

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COMENTÁRIO

Os tópicos acima são os assuntos tratados no 7º DVD da coleção sobre a II Guerra Mundial, da Abril Coleções, de 2009. Um vizinho doou o material a quem o quisesse, e fui o interessado.

As cenas dos bombardeios da força aérea alemã (Luftwaffe) sobre as cidades inglesas, com o objetivo de matar civis e destruir as cidades, é chocante! O ano daquela tragédia foi 1940. As guerras naquele momento não se davam mais em campos de batalha com um exército contra o outro. O objetivo dos senhores da guerra era matar civis e inviabilizar a vida daquela população.

Quem diria que 85 anos depois, em 2025, veríamos o mesmo processo e os mesmos objetivos dos senhores da guerra: bombardear cidades, matar a população civil e inviabilizar a vida daquele povo vitimado. O Estado de Israel, apoiado pelos Estados Unidos, fez isso com os palestinos na Faixa de Gaza: bombardeio, destruição e morte de civis. Dois milhões de pessoas sendo expulsas de suas terras e aqueles que ficaram sendo eliminados com bombas e com a fome e miséria geral.

Na Inglaterra, milhares de civis foram mortos durante os bombardeios nazistas em 1940. Na Faixa de Gaza, Palestina, morreram dezenas de milhares de crianças, mulheres e idosos durante os bombardeios de 2025. Pela imprensa dos capitalistas, os ingleses eram as vítimas, e os alemães os bandidos. No caso atual, os palestinos são as vítimas que não são vítimas pela narrativa da imprensa, e os bandidos não são os bandidos. Palestinos são árabes, chamados de terroristas; os israelenses são os mocinhos, estão sempre defendendo "seu" território e "seu" povo dos bárbaros terroristas.

Os episódios do DVD destacam a importância da ciência no desenvolvimento da guerra de conquista e extermínio entre os adversários. 

Os alemães durante o nazismo (1933-1945), em busca de seu "espaço vital", desenvolveram a ciência para matar em escala industrial e invadir territórios, tomar terras de outros povos e ampliar seu domínio, tudo isso em benefício de seu povo de "raça superior", e dane-se quem estivesse em seu caminho.

Na atualidade, os EUA de Trump e seus apoiadores e exércitos, estão bombardeando países, sequestrando presidentes (da Venezuela, Nicolás Maduro), estabelecendo bloqueios para matar de fome e miséria mais de 8 milhões de cubanos, ameaçando tomar a posse de outros países como Canadá e Groelândia, perseguindo e prendendo cidadãos e crianças em solo americano e o mundo não reage, não faz nada concreto para deter isso.

Estudar história serve ao menos para demonstrar aos leitores de textos como este para onde podemos estar caminhando neste momento. A história registra eventos que poderiam educar e nos fazer impedir a repetição de tragédias. 

Vamos deixar as coisas seguirem como estão? Entre 1933 e mais ou menos 1940 os países e líderes do mundo ficaram assistindo passivamente as arbitrariedades de Hitler e não fizeram nada. Fizeram de conta que não estavam vendo...

É impressão minha ou é exatamente o que está acontecendo agora em relação ao Trump?

William

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

5. A guerra-relâmpago



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


5. A guerra-relâmpago

* Blitzkrieg na Holanda, Bélgica e França

No dia em que Winston Churchill assumiu como primeiro-ministro, Adolf Hitler determinou o início da guerra-relâmpago (blitzkrieg) contra o Reino Unido e a França. Ao mesmo tempo, caças e bombardeiros alemães atacavam as bases aéreas holandesas e belgas.

* A França entra na luta

Em 25 de maio de 1940, a situação da Força Expedicionária Britânica e do 1º Exército Francês era desesperadora. Os alemães haviam ocupado o porto de Boulogne, isolado Calais e os britânicos foram forçados a recuar até o porto de Dunquerque.

* O incrível coronel Doolittle

Os cidadãos japoneses mal podiam acreditar ao ver os aviões norte-americanos sobrevoando Tóquio. Era o primeiro ataque, sob o comando de James Doolittle.

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COMENTÁRIO

Enquanto assistia ao documentário sobre os ataques dos Aliados ao território japonês, fiquei me lembrando do livro "Era dos extremos", do historiador marxista Eric Hobsbawm, na parte que ele fala das mudanças de alvo nas guerras contemporâneas, saindo dos campos de batalha e tendo como foco a destruição e morte das cidades e da população civil. O que pode ser mais bárbaro que isso?

O experimento na cidade de Guernica, na Espanha, em 1937, virou a referência no ataque aéreo às cidades dos países adversários.

O documentário do DVD, do tal Doolittle, aborda essa temática. Os aviões foram a tecnologia humana utilizada para ampliar a escala de morte e destruição de cidades e população civil durante uma guerra.

Dessa nova metodologia de matar - jogar zilhões de toneladas de bombas sobre as cidades e civis -, chegamos ao experimento "Faixa de Gaza" no primeiro quarto do século seguinte à 2ª GM. 

Os palestinos do século XXI, vítimas das decisões imperialistas dos vencedores da guerra mundial entre 1939-45, viviam espremidos na pequena Faixa de Gaza após o roubo de suas terras, cercados pelo exército de Israel, quando foram dizimados pelas bombas dos sionistas no ano de 2025. Ali viviam dois milhões de pessoas... dezenas de milhares foram trucidados pelas bombas e não sobrou nada em pé naquela parte da Palestina.

A estratégia nazista das guerras-relâmpago virou referência na forma de invadir e tomar territórios pela força das bombas. Diplomacia pra quê? Os EUA de Trump estão no presente momento atuando pelo "espaço vital" do Reich que o novo führer quer estabelecer no século XXI.

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A coleção de DVDs sobre a II Guerra Mundial é do ano de 2009, da Abril Coleções. Um vizinho do condomínio iria se desfazer do material e decidi pegá-lo para ver e aprender um pouco mais sobre aquele período da história humana.

William

05/02/26

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Vendo filmes (XXXI)



Refeição Cultural

Lemon Tree (2008)

Direção: Eran Riklis e co-direção de Ira Riklis.

Com: Hiam Abbass, Ali Suliman, Danny Leshman, Rona Lipaz-Michael, Tarik Kopty, Amos Lavi, Lana Zreik e Amnon Wolf. 

Produção: Israel, Alemanha e França 


Sinopse: 

Uma viúva palestina, Salma (Hiam Abbass), vê seus limoeiros ameaçados quando o ministro da defesa de Israel, Navon, e sua esposa, Mira Navon, se mudam para a casa ao lado do pomar de Salma. A força de segurança israelense logo declara que os limoeiros colocam em risco a segurança do ministro e informa que eles precisam ser derrubados. Salma terá a ajuda do jovem advogado palestino Ziad Daud para ir até o Tribunal Supremo de Israel com a questão. 

Comentário:

Pelo que me lembro, vi este filme pouco depois de seu lançamento no Brasil. Fiquei impactado à época. Queria revê-lo já fazia um tempo.

Assistir ao filme agora, em pleno processo de genocídio do povo palestino, foi muito mais impactante que antes. 

É impossível não se sentir indignado com a injustiça que significa a ação do imperialismo norte-americano e do governo de Israel em relação ao povo palestino espremido na Faixa de Gaza e Cisjordânia após 1948.

Se já não bastasse todo o processo de ocupação da Palestina por israelenses após o término da 2a Guerra Mundial, expulsando o povo árabe que vivia ali há séculos numa divisão pra lá de controversa, e todos os avanços ilegais da ocupação até hoje, agora o mundo assiste à catástrofe humanitária de eliminação dos palestinos de sua terra. 

O filme se passa na fronteira entre áreas ocupadas por judeus em Israel e a Cisjordânia dos palestinos, em meados da primeira década deste século.

Os espectadores verão a tensão cotidiana na convivência entre judeus e palestinos. Há violências simbólicas nos abusos cometidos contra o povo palestino. E contra as mulheres do mundo...

Salma não aceita pacificamente a decisão monocrática do Estado de Israel de eliminar seu pomar de limões. 

No enredo, vamos perceber a questão da violência contra as mulheres, comum aos dois povos: árabes e judeus. 

Salma e Mira, em lados opostos, terão mais coisas em comum do que se poderia imaginar. 

Enfim, o filme é muito bom! Muito atual! E incomoda a gente, incomoda porque põe o dedo na ferida da causa palestina e das causas das mulheres.

Valeu muito rever Lemon Tree, que nos cativa do início ao fim, inclusive pelas cenas amenas que vemos como os momentos regados a limonadas.

William 


Post Scriptum: para ler comentário anterior sobre filmes é só clicar aqui.


domingo, 27 de julho de 2025

Diário e reflexões


Breno Altman: aula sobre o sionismo.

Refeição Cultural

Domingo, 27 de julho de 2025.


PELO FIM DO GENOCÍDIO DO POVO PALESTINO

Hoje, participei de um ato emocionante em defesa da causa palestina na Avenida Paulista, uma manifestação de solidariedade aos palestinos e de denúncia do genocídio de um povo massacrado pelo Estado de Israel, controlado pelos sionistas e apoiado pelo imperialismo norte-americano. Tivemos uma aula espetacular do jornalista Breno Altman, que descreveu a história da região desde o século XIX. 

Muitas lições tiramos dos ensinamentos de Altman, uma delas é de questão moral. O que está acontecendo neste momento no mundo nos dá a chance de conhecer qualquer pessoa em relação à sua índole e caráter. Basta perguntar a ela qual sua posição em relação ao genocídio do povo palestino pelos sionistas de Israel. Qualquer pessoa que esteja a favor disso, também estaria do lado da minoria branca no regime do Apartheid na África do Sul e do lado dos nazistas do 3º Reich entre 1933 e 1945. Estaria a favor de supremacistas.

Com o companheiro Kenzo em apoio aos palestinos.

Eu concordo com os participantes da manifestação que pedem que o governo brasileiro rompa relações diplomáticas e comerciais com Israel. O Brasil seria o exemplo para dezenas de países neste momento de genocídio de milhares de crianças, mulheres, idosos e civis através de bombardeios e pela fome.

Até quando o mundo vai assistir a isso sem fazer nada para interromper o genocídio do povo palestino?

William Mendes

terça-feira, 10 de junho de 2025

Instantes (13h13)



Refeição Cultural

No Brasil, a corte suprema está ouvindo neste momento aquela gente que tentou dar um novo golpe de Estado após as eleições de 2022 para se perpetuar também no poder político, já que o poder real - econômico - a casa-grande nunca deixou de ter. 

O PIG (Partido da Imprensa Golpista) tem novos aliados para desinformar e idiotizar o povo: as corporações norte-americanas chamadas big techs. 

O Brasil vai enfrentar uma guerra cognitiva nunca vista. As máquinas de IA farão o diabo com a nossa noção de verdade e realidade. 

A esquerda e as pessoas com alguma ética e vergonha na cara não estão preparadas para essa guerra de agora até outubro de 2026. O pior é que nem se preparando estão para enfrentar nossos inimigos. Será uma tragédia. 

Nossos inimigos estão certos de que a impunidade deles se imporá novamente. São séculos de impunidade. 

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Neste mesmo instante, Israel está eliminando os palestinos para ocupar suas terras. Nos anos 40, o genocídio promovido pelo nazismo era meio oculto. Agora genocídios são transmitidos e tem gente que fica rica com as visualizações e likes (as big techs agradecem).

Neste mesmo instante, Trump segue implantando uma ditadura nos Estados Unidos. Será que parte do povo vai conseguir barrar isso?

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Em minhas reflexões e revisitas aos diários, tenho avaliado minha passagem por este mundo violento da sociedade humana. 

Me doei às lutas sociais por um tempo. Sou um homem de sorte também pela oportunidade do aprendizado na convivência com a militância de esquerda. Minha cabeça precisa funcionar para eu superar o fim daquela convivência. 

Se a vida me der oportunidade de ainda estar por aqui, eu deveria mergulhar nas leituras que nunca fiz. Sempre admirei pessoas com grande conhecimento geral.

Se eu tiver algum juízo, conseguindo terminar a revisão e armazenamento de minha produção textual de milhares de textos nos blogs, pego pra ler tudo que acumulei por desejo de saber. 

Enquanto isso, seguem as coisas que citei acima... que posso eu fazer pela democracia, pelo humanismo, pela educação e cultura?

Escrevendo aqui, partilho o que sei e o que penso.

(Salvem seus textos e produções audiovisuais em mídias próprias, as nuvens vão deixar na mão milhões de criadores de conhecimento. Pensem nisso)

William 

domingo, 18 de maio de 2025

O Hamas conta seu lado da história (3)

 

Refeição Cultural 

Osasco, 18 de maio de 2025. Domingo.


"(...) Hoje é a Palestina, e amanhã será algum outro país ou países, pois o plano sionista não tem limites, e depois da Palestina pretenderão se expandir do Nilo até o Eufrates, e quando terminarem de devorar uma área, estarão famintos por novas expansões, e assim por diante, indefinidamente. O plano deles está exposto nos Protocolos dos Sábios de Sião, e o comportamento deles, no presente, é a melhor prova daquilo que lá está dito." (A Constituição do Hamas, de 1988, um documento histórico, e que foi atualizado em 2017, hoje menos rígido em algumas questões políticas. p. 131)


O exército sionista do Estado de Israel segue com o assassinato e expulsão dos árabes palestinos de suas terras na Palestina. 

É insuportável para qualquer pessoa decente e com princípios éticos aceitar o massacre de um povo com o intuito de roubar suas terras.

O que posso fazer a respeito estando do outro lado do mundo? 

Protestar, denunciar e me indignar a respeito desse crime bárbaro de lesa-humanidade. Não devemos pactuar com aquilo que fazem aos outros que não gostaríamos que fizessem a nós. 

O que os imperialistas dos Estados Unidos apoiadores do regime sionista de Netanyahu estão fazendo pode acontecer a qualquer um de nós. A QUALQUER UM DE NÓS!

Se decidirem roubar à força de armas as terras aqui do Parque Continental (Butantã, São Paulo) e Vila Yara (Osasco), onde estou há 25 anos, estaremos na mesma condição dos árabes palestinos de toda a Palestina, como fizeram em 1948 e seguem fazendo até hoje na Faixa de Gaza e Cisjordânia. 

Pensem nisso! O imperialismo é assim!

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O livro que estou lendo "O Hamas conta seu lado da história" foi adquirido no Grito dos Excluídos, em 7 de setembro de 2024. É bem atualizado e nos conta um pouco da luta de um povo por sua vida e seu lugar no mundo.

A postagem anterior com informações sobre essa história pode ser lida aqui.

William 


quarta-feira, 9 de abril de 2025

Poema 25: A era da autocensura


A ERA DA AUTOCENSURA


Falar mal do Trump gera expulsão nos EUA.

Falar mal de Netanyahu gera expulsão na Alemanha. 

Se criticar o sionismo nas big techs toma suspensão:

é "antissemitismo" criticar Israel.


Não se pode criticar o arcabouço fiscal do Lula.

Divergir de liderança mulher pode ser misoginia.

CBF impôs: é proibido subir na bola...

(fazer embaixadinhas... driblar, talvez).


Pensando bem... 

acho que vou me autocensurar.

Cassi, BB, movimento sindical,

Partido dos Trabalhadores...


E daí que se conhece

um pouco da história?

Cale-se! (afasta de mim esse cálice)


William

09/04/25


quarta-feira, 19 de março de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 19 de março de 2025. Quarta-feira.


"- É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade." (Ensaio sobre a cegueira, José Saramago)


Li um artigo hoje que me deixou reflexivo, artigo anunciando uma grande guerra em breve. De certa forma eu tenho a mesma leitura de cenário, mesmo sem ter o conhecimento que o articulista tem, vivendo na Alemanha. As fábricas de automóveis alemãs estão sendo fechadas por crise econômica e vão virar fábricas de armas para abastecer a guerra adiante.

O artigo "A Europa se prepara para a guerra" é do professor aposentado Flávio Aguiar, que também é jornalista e escritor, e está na página do site Vi o Mundo. Tive algumas aulas de literatura na Universidade de São Paulo com o professor Flávio e gosto muito dele. Leio seus artigos desde a antiga página da Carta Maior.

Aí, lendo a carga de textos da primeira semana de aula da pós-graduação do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), bibliografia da disciplina "Narrativas da História do Brasil", todos os textos versam sobre guerras, pessoas ou escravizadas ou deliberadamente eliminadas para desocupar o espaço onde viviam. 

Aí, os mais sensíveis (os que se importam) têm que lidar com a transmissão diária do extermínio do povo palestino sem que o mundo faça nada a respeito. Se hoje fosse o ano de 1943 ou 1944, com a tecnologia de transmissão ao vivo, estaríamos assistindo aos fornos dos campos de concentração nazista em pleno funcionamento, soltando a fumaça de judeus queimando e estaríamos exatamente iguais estamos vendo Israel explodir e queimar crianças, mulheres e civis palestinos aos milhares. O mundo não tá nem aí!

É isso que somos... é isso que somos enquanto espécie animal! Estou sendo convencido pelos fatos que nós não demos certo enquanto um dos seres vivos que apareceu neste planeta.

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Dilemas

Estou vivendo um dilema nesses dias. Percebi a urgência em sistematizar toda a minha produção textual publicada em blogs, ou seja, de forma virtual em plataformas nada confiáveis que estão se organizando para dominar o mundo e eliminar seus adversários e isso deveria ser feito não só por este articulista, mas por todas as pessoas e instituições que guardam suas produções culturais nas nuvens dessas empresas big techs inimigas da humanidade. Isso é sério e as pessoas e instituições não perceberam ainda que vão perder toda a sua produção.

Aí, por essa coisa minha de querer estudar e aprender, me peguei inscrito na pós-graduação do ICL e bastou regularizar a matrícula e entrar na plataforma de ensino algumas semanas depois do início do curso para ver que a carga de leitura de uma pós é enorme. A pergunta a mim mesmo é: devo seguir ou isso é outra aventura iniciativa e não "acabativa" que me enfiei na vida? A primeira semana da disciplina tem textos ótimos, mas são 150 páginas de leitura densa.

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Tenho outros dilemas...

Todos temos. 

E essa taxa selic de 14,25% pra foder o país, o governo Lula e o povo?

Estamos em guerra...

E nós estamos desarmados...

Que merda!

William 


terça-feira, 18 de março de 2025

Poema 21: Parem de matar palestinos!


PAREM DE MATAR PALESTINOS!


Quatrocentos mortos de uma vez!

Os sionistas do Estado de Israel

desrespeitaram o cessar-fogo

e explodiram quatrocentas

crianças, mulheres e idosos.


Parem de matar palestinos!

Parem de matar crianças!

Parem de matar mulheres!

Parem de matar idosos!

Parem de matar humanos!


Só os nazistas matavam às centenas!

Os nazistas matavam centenas de judeus!

Matavam queimados em fornos...

Judeus estão matando palestinos...

Explodidos e queimados!


Os fornos nazistas são hoje

a Faixa de Gaza queimando

os corpos palestinos.

Assassinos...

Parem de matar palestinos!


William 

18/03/25


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Poema 15: Com a palavra, o Hamas


COM A PALAVRA, O HAMAS


        Princípios e políticas gerais (maio de 2017)


Movimento de Resistência Islâmica, "Hamas".

Movimento de libertação nacional, que

confronta o projeto sionista

e não os judeus e o judaísmo.


A Palestina se estende do Rio Jordão, a Leste,

até o Mediterrâneo, a Oeste.

Desde Ras Al-Naqurah, ao Norte,

até Umm Al-Rashrash, ao Sul,

é uma unidade territorial integral.


Palestinos são árabes que viveram (ou vivem)

na Palestina até 1947, incluídos

os expulsos e seus descendentes. 

A identidade palestina é autêntica e atemporal,

e transmitida de geração a geração. 


A Palestina está no coração da Umá árabe e islâmica.

Umá é a comunidade dos muçulmanos do mundo.

Jerusalém é a capital da Palestina. 

A abençoada Mesquita de Al-Aqsa

pertence aos palestinos e à Umá.


A causa palestina é a causa

de uma terra ocupada 

e de um povo deslocado. 

O direito dos refugiados ao retorno

é um direito natural, por leis divinas,

por princípios de direitos humanos

e pelo Direito Internacional. 


E pra finalizar, é importante frisar:

O conflito do Hamas é contra o sionismo, 

não com os judeus e sua religião.

É uma luta contra a ocupação sionista,

da sagrada terra Palestina. 


William 

13/02/25


(Com informações do livro "O Hamas conta seu lado da história", edição geral Rui Costa Pimenta, 2024.)

sábado, 30 de novembro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 30 de novembro de 2024. Sábado.


NOVEMBRO

Introdução

A intenção é fazer um texto reflexivo que represente o que sinto que sou, uma pessoa de esquerda. Tenho ouvido algumas lideranças de nosso campo dizerem que uma característica importante em alguém de esquerda é não ser pessimista, pois isso poderia passar uma crença de que está tudo perdido e que nada tem solução. Tendo a concordar com esse conceito. Eu não sou determinista, não acho que as coisas já estão dadas e acabou, que não tem mais jeito para as merdas que estão em andamento. Fui determinista quando cria em outras concepções de existência. Não sou mais assim e sei que o ser humano é uma espécie extraordinária e cheia de possibilidades. Temos a capacidade de aprendizagem e somos dotados de sistemas cerebrais evoluídos há milhões de anos. Então, gostaria de tentar ser realista, apontar as merdas pessoais e coletivas, deixar claro que há esperanças e elas estão em nós mesmos, e quem sabe, no texto, eu registre e defina algumas coisas para mim mesmo, pois quando releio meus diários acabo verificando se fiz ou realizei algo que planejei ou se ainda sinto o que sentia no momento da enunciação.

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Brasil

Começo fazendo algum registro sobre o nosso país, o nosso mundo, o lugar no qual a nossa vida se desenvolve. Dediquei pouco tempo à leitura política neste mês, de propósito. 

Até o mês passado, eu estava muito envolvido com as eleições, fiz campanha nas ruas e na internet. Não fugi de minha natureza e formação política, mesmo podendo gozar a vida de outra forma como muitos que conheço fizeram após se desligarem do banco público onde trabalharam e ou do movimento sindical e partidário. Fiz minha parte e tentei contribuir para nossos projetos políticos de esquerda nas eleições municipais.

A esquerda, como sempre, está muito dividida em relação ao governo Lula em seu terceiro mandato presidencial. Eu vejo a esquerda dividida há décadas. Óbvio que o passado é uma referência, mas os contextos são sempre únicos porque as sociedades mudam com o tempo. 

Em linhas gerais, a divisão sempre tem um conteúdo de concepção e prática, de leitura de conjuntura e de onde se quer chegar e como chegar lá. 

Parte de nós acha que o governo deve ir mais para o centro e centro-direita, "governabilidade" e tal; parte acha que o governo deve ir mais para a esquerda. Estou no grupo que acha que deveríamos ir mais para a esquerda, para mim o tempo de negociação e conciliação com os adversários políticos acabou. O que se tem hoje é a ascensão do fascismo. Não são adversários, são inimigos. Não se negocia com fascista, eles te traem e te matam.

Nosso governo de frente amplíssima com direita e ultradireita - os golpistas e bolsonaristas que compuseram com Lula - está executando medidas que agradam a uns e desagradam a outros em nosso próprio campo. Anunciou isenção de imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, medida que atingiria mais de 20 milhões de pessoas, e no ajuste fiscal vai mexer com setores importantes das classes populares alterando direitos sociais históricos de outros tantos milhões de pessoas, as mais necessitadas do Estado. É foda!

Na área diplomática, eu já ando puto com o nosso governo faz tempo (e não me venham com esse papo que não se pode criticar erros de nosso governo!). Na minha leitura, deixamos de ter uma diplomacia "ativa e altiva" e voltamos a ser um país que fala grosso com os países subdesenvolvidos e falamos fino com imperialistas do Norte. O caso da Venezuela é um exemplo: é in-jus-ti-fi-cá-vel vetar o país nos BRICS por causa de umas merdas de atas eleitorais. Por outro lado, o Brasil deixa Israel fazer o que quer conosco e não faz nada. Nosso governo fica lambendo o governo francês que perdeu as eleições parlamentares e deu um golpe nos dias seguintes sem acatar a decisão do povo francês. Cara, puta que pariu esse comportamento na área externa!

Eu sinto que o governo Lula e os outros dois poderes, pensando o núcleo principal de ministros e alguns aliados da frente amplíssima (até os caras do judiciário), estão envidando todos os esforços para que o bolsonario não seja preso, estão pedindo pelo amor de deus para que ele fuja e que as autoridades não precisem prender o canalha. Eu estou falando e escrevendo isso há muito tempo. É uma gente covarde essa nossa! Em qualquer um dos duzentos países do mundo o salafrário já estaria preso preventivamente. O cagão já foi de travesseiro em mãos para uma embaixada e falou de novo em fugir. Eles planejaram matar autoridades de Estado e instalar nova ditadura e já sabem disso faz tempo. Os covardes de todas as instituições responsáveis estão tirando sarro da cara das pessoas sérias do país. Deixaram o inelegível (ainda) fazer campanha Brasil afora. Meu, eu já enchi o saco com isso!

Outra coisa: já deu a paciência para o republicanismo estúpido da esquerda quando chega ao poder. Cara, fala sério! FHC, Temer e bolsonario nunca respeitaram burocracia alguma escrita ou consuetudinária na administração pública, estatal e ou de economia mista. É um republicanismo infantil, idiota, esse nosso! O Lula e o PT indicam quando são governo só porcaria nas instituições - do tipo STF e PGR - que depois vão foder ou eles mesmos ou os servidores públicos e os direitos caros aos trabalhadores. A esquerda precisa deixar de ser besta quando chega ao poder! Caraca, coisa básica isso! 

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ESPERANÇA - Tenho visto muita gente jovem nas manifestações de rua e nos movimentos que estão à frente de pautas importantes para mudarmos o mundo atual hegemonizado pelo capitalismo, consumismo, individualismo e que enaltece a ignorância. Isso é um alento de esperança. A tecnologia que pode ser usada para manipular milhões de pessoas através de algoritmos e sofistas canalhas, também pode ser usada para acessarmos quase todo o conhecimento humano produzido até hoje. Com um pouquinho de interesse e orientação, qualquer pessoa pode ou poderia aprender o que quiser, e em qualquer lugar. Eu tenho 55 anos e quero aprender um monte de coisa e quero passar adiante o que sei. Já que o movimento sindical não quis aproveitar a experiência que acumulei, estou escrevendo para quem quiser ler os temas que escrevo. É o que posso contribuir no momento. Passar gratuitamente o pouco de sei.

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Todo dia é dia para algo novo...

Ainda procuro sentidos

Estou vivo, estou aqui no mundo. Isso é uma oportunidade incrível. Sou um homem de sorte.

Acabei de voltar de Ushuaia, no Extremo Sul da Argentina. A vida é assim, todo dia é dia para algo novo, inusitado. No início deste ano voltei a Cuba, que não conhecia até o ano retrasado. Já conheci países que nunca imaginei pisar como, por exemplo, os Estados Unidos. Nunca se sabe o dia de amanhã. 

Eu havia planejado ainda como jovem adulto que iria fazer o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. Não fiz o Caminho. De repente, a vida me colocou por semanas na Itália e Espanha, a trabalho. 

Se tivesse feito as besteiras que pensei nos tempos de depressão e revolta, não teria sido sequer um militante da classe trabalhadora que liderou lutas e teve sua relevância na construção de um mundo do trabalho mais justo e solidário. Sequer teria desfrutado da convivência de pessoas queridas da família e de pessoas que deixaram lembranças em meus pensamentos.

Fui agraciado pela natureza e pela casualidade e pelos destinos que as veredas que peguei me levaram a ter como, por exemplo, meus pais e familiares mais próximos todo esse tempo, até meus 55 anos de idade. E pelo que sei hoje, não infartei ou tive um tipo de acidente vascular como mais ou menos está na minha genética porque 10 anos antes passei a dar mais atenção à saúde ao ser gestor de uma operadora de saúde. 

Cerca de metade da população do Brasil e do mundo vai morrer ou ficar com sequelas por agravamento de doenças crônicas facilmente controláveis através de atenção primária e acompanhamento por medicina de família, eu fui um sortudo que ganhei 10 anos a mais de vida por isso. É uma pena que a autogestão que administrei deixou de focar o modelo que desenvolvemos por décadas lá. Muita gente como eu vai perder a oportunidade de viver uma década a mais.

Enfim, eu tenho a consciência que preciso viver, e preciso estar bem, até porque sei de minha importância para algumas pessoas queridas. 

Vou me esforçar para manter e se possível melhorar minha condição de saúde. Vou tentar ler e estudar e escrever algo a respeito nos próximos meses, como faço nos blogs. Vou tentar ser mais inteligente e ver o que faço para superar os grandes problemas cotidianos que me deixam descabriado pra caralho.

Minha companheira diz que eu não tenho medo. Eu tenho: tenho pavor de ser acometido por doenças degenerativas de meu cérebro, de minha identidade. Estou estudando para exercitar meus neurônios e fortalecer minha memória. E sei que agravamentos de doenças crônicas também causam riscos de danos nos sistemas circulatórios etc. Isso eu tenho medo. Confesso.

Sigamos lutando por um mundo sem o predomínio do capitalismo, causador da destruição do planeta e ameaça às diversas formas de vida na Terra, incluindo a espécie humana, que pode mudar o mundo para melhor porque conhecimento para isso já acumulamos.

William Mendes


terça-feira, 8 de outubro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (13) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

"Como estava longe dessa imagem grave, atormentada e longínqua que nos transmitem tantos dos livros do século XX... Jesus de Nazaré era uma mescla de menino e general; de ingênuo pastor e compenetrado analista; de homem que vive plenamente cada dia e de prudente conselheiro. Mas, acima de tudo, notava-se que era feliz. Muito mais alegre e despreocupado do que seus próprios amigos e discípulos, visivelmente agitados pelas ameaças do sumo sacerdote." (p. 130)


Essa história de Jesus de Nazaré retratada por J. J. Benítez é muito instigante. Sempre achei isso.

Estou lendo minha velha edição dos anos oitenta, que já foi até emprestada e devolvida em péssimo estado. 

Vejam essa descrição que o Jasão faz de Judas Iscariotes:

"(...) Permaneci como que hipnotizado, a contemplar aquele tipo fraco e esgrouviado, de algo mais de um metro e setenta de estatura e cabeça pequena. Seu nariz aquilino destacava-se sobre a pele pálida, quase macilenta, dando-lhe o clássico 'perfil de pássaro' que eu havia estudado na classificação tipológica de Ernest Kretschmer..." (p. 130)

E o homem de nosso tempo infiltrado entre os discípulos de Jesus terminaria sua análise sobre Judas dizendo que ele seria um grande tímido. 

"A verdade é que, à medida que fui conhecendo o caráter desse homem, ia me convencendo de que se tratava, na realidade, de um grande tímido, que não havia tido oportunidade de desenvolver seu imenso caudal afetivo." (idem)

Parei a leitura do Diário do Major, ou o relato de Benítez, ao final do dia 31, sexta-feira, do ano 30, em Betânia, Judeia.

Seguimos a leitura. 

William 


quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Operação Cavalo de Tróia (12) - J. J. Benítez



Refeição Cultural 

Lendo algumas páginas do livro de J. J. Benítez, fico pensando a respeito do momento atual: a Palestina tomada pela guerra sionista contra os outros povos que habitam a região há séculos... que dureza!

Os homens sempre se mataram justificando as eliminações dos outros através de religiões e deuses. E, no fundo, o extermínio do outro é só porque o homem é um ser que mata seu semelhante por motivos banais.

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No enredo do livro, Jasão amanheceu no dia 31 de março do ano 30 na casa do ressuscitado Lázaro, amigo de Jesus. Tomou seu café composto por leite de cabra, fatias de pão tostado, e generosas porções de queijo e mel. (p. 124)

A casa de Lázaro está agitada naquela manhã. Anunciam que Jesus vem chegando. Ele está a menos de 2 Km de Betânia (a uns dez estádios).

Vejam o que o Major diz em seu Diário:

"Posso jurar que, apesar de minha intensa preparação, dos longos anos de treinamento e da minha condição de cético, a família de Lázaro conseguiu contagiar-me com sua excitação. Sem poder evitá-lo, um calafrio percorreu-me a coluna vertebral..." (p. 126)

E, então, nosso personagem do século vinte, viajante no tempo até os dias de Jesus de Nazaré, nos descreve o primeiro contato visual com o homem, que chamará de "gigante".

"Sua extraordinária compleição - no primeiro momento calculei-lhe a altura em um metro e oitenta centímetros - fazia-o, ao lado da quase totalidade dos circunstantes, um gigante. Vestia um manto de cor bordô que lhe cingia o tórax e cujas extremidades envolviam o pescoço e caíam sobre os ombros largos e poderosos. Uma longa túnica branca, de amplas mangas, cobria-o quase até os tornozelos. Não vi faixa ou cinto algum. Na fronte trazia enrolado um lenço branco que lhe caía sobre os cabelos do lado direito." (p. 127)

Emocionante, não é? Até para um cético!

Seguimos na releitura. 

William 


quarta-feira, 18 de setembro de 2024

O Hamas conta seu lado da história (2)



Refeição Cultural 

"Aqui, lembramos que o problema judaico, em essência, era um problema europeu, enquanto o ambiente árabe e islâmico foi, ao longo da história, um refúgio seguro para o povo judeu e para outras pessoas de outras crenças e etnias. O ambiente árabe e islâmico foi um exemplo de convivência, interação cultural e liberdades religiosas." (p. 75)


O regime político sionista que governa a região da Palestina como ocupante invasor, denominado hoje Estado de Israel, de Benjamin Netanyahu, segue matando diariamente palestinos e árabes dentro e fora da Palestina de todas as formas conhecidas e ainda inovadoras na forma de matar.

Entre ontem e hoje, centenas de pessoas árabes foram vítimas no Líbano de explosões simultâneas de aparelhos pagers e walkie-talkies de membros do Hezbollah. 

Os atentados foram atribuídos pelas vítimas ao governo de Israel. Morreram mais de 20 pessoas, entre elas crianças, e centenas tiveram ferimentos nas mãos, nos rostos e na região do abdômen. 

Semanas atrás, uma das principais lideranças políticas dos palestinos, Ismail Hanié, foi assassinado no Irã. 

Leio as declarações e versões dos palestinos, através de suas lideranças do Hamas neste livro, como alguém preocupado em ouvir os dois lados do conflito. 

Pergunto a vocês, amigas e amigos leitores do blog, se vocês têm facilidade de acesso ao que dizem os palestinos? Sei que não. Só nos chega a voz do colonizador, do invasor, dos donos do poder hegemônico do mundo ocidental, a voz dos capitalistas imperialistas.

Então, é importante a leitura do lado massacrado deste conflito, a versão dos povos árabes e palestinos.

Informa o Hamas:

1. O Movimento de Residência Islâmica "Hamas" é um movimento palestino de libertação nacional e resistência islâmica. Seu objetivo é libertar a Palestina e confrontar o projeto sionista. Sua referência é o Islã, que determina seus princípios, objetivos e meios. O Hamas rejeita a perseguição a qualquer ser humano ou a subversão de seus direitos, por motivos nacionalistas, religiosos ou sectários. (p.74/75)

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Ler e estudar, ouvir todos os lados e pensamentos, é parte da formação política da cidadania de um mundo democrático. 

William 


domingo, 8 de setembro de 2024

O Hamas conta seu lado da história (1)



Refeição Cultural 

"Certamente é uma guerra, uma guerra entre um povo ocupado e os ocupantes. E esses ocupantes, infelizmente, quero dizer, estão todos armados, todos eles. O povo inteiro é um exército e tem um Estado. Ao contrário de todos os países do mundo, em que a norma é que o Estado tenha um exército, 'Israel' é um exército que tem um Estado e tem um sistema." (Dr. Musa Abu Marzuk, chanceler do Hamas, p. 38)


Ao participar ontem, 7 de setembro, do 30° Grito dos Excluídos e Excluídas, na Praça da Sé, conversei com diversas pessoas que panfletam e disponibilizam jornais e documentos de causas libertárias e de movimentos que lutam por um mundo alternativo ao qual nos encontramos. 

A causa palestina deve ser abraçada por todos nós que lutamos contra as injustiças e por direitos humanos. 

Adquiri este livro editado e publicado em julho deste ano pela editora do PCO e um dos objetivos do livro é dar voz aos palestinos e suas lideranças, pois o que temos disponível na mídia hegemonizada pelos capitalistas e imperialistas é a versão dos sionistas, grupo político que domina as questões políticas do povo judeu na atualidade.

Li duas entrevistas muito esclarecedoras: uma com o Dr. Musa Abu Marzuk, chanceler do Hamas, e outra com Basem Naim, do Birô Político do Hamas.

"Esta não é a nossa escolha. Se alguém puder nos ajudar a alcançar nossos objetivos de forma pacífica, por favor! Mas, se não, não podemos continuar a viver nessas condições desumanas. Portanto, quando Smotrich disse que os palestinos têm duas opções, sair ou serem mortos, nós respondemos. Também temos duas opções: viver aqui com liberdade e dignidade, ou morrer aqui de forma livre e digna. Não há outra escolha." (Basen Naim, p. 60)

Também li a declaração de Ismail Hanié, líder do Hamas, ao povo brasileiro. 

"O primeiro ponto é que o Movimento de Resistência Islâmica, Hamas, na Palestina, é um movimento de libertação nacional palestino que limita sua resistência e luta dentro da Palestina ocupada, e não fora da Palestina, e contra a ocupação israelense. Não é hostil a ninguém, mesmo que discordemos, mas foca na sua causa, no seu povo, no seu direito firme e inerente, dentro da terra abençoada da Palestina." (Ismail Hanié, p. 27)

A declaração foi feita em um encontro com Rui Costa Pimenta e lideranças do PCO, meses antes do assassinato de Ismail Hanié no último dia 31 de julho, no Irã.

Enfim, sigamos lendo e estudando para compreendermos melhor o mundo e sabermos nos posicionar sobre as questões da sociedade humana. 

William Mendes 


terça-feira, 6 de agosto de 2024

73 de 100 dias


A bomba atômica.

Opinião

73. O dia 6 de agosto é um dia para nunca ser esquecido pela sociedade humana. O dia da infâmia! O dia no qual os Estados Unidos da América lançaram sobre a cidade de Hiroshima, Japão, uma bomba atômica, no ano de 1945, matando imediatamente dezenas de milhares de pessoas e centenas de milhares depois devido às consequências dos efeitos radioativos da bomba. Três dias depois, 9 de agosto, os mesmos EUA lançariam outra bomba atômica sobre Nagasaki. Não podemos esquecer esse ato de lesa-humanidade ao assassinar centenas de milhares de pessoas - crianças, mulheres, idosos, civis, pessoas que não estavam em campos de batalha - para demonstrar o poder de morte de um governo sobre os demais povos em confrontos e guerras.

Terminei recentemente a leitura de um clássico japonês das Histórias em Quadrinhos que me trouxe muitas emoções - Gen Pés Descalços -, de Keiji Nakazawa, um desenhista e criador de mangás (mangaká) cuja história pessoal se confunde com a história do personagem principal, Gen Nakaoka, um garoto de seis anos que sobreviveu à bomba atômica. A leitura das mais de 2000 páginas da obra me proporcionou momentos de muita reflexão, sofrimento e conscientização.


Gen Pés Descalços,
em 10 volumes.

TEREMOS NOVAS BOMBAS E NOVAS GUERRAS DE DESTRUIÇÃO EM MASSA?

O que a humanidade aprendeu com o assassinato de meio milhão de pessoas com os lançamentos das bombas atômicas nos anos quarenta? 

Se pararmos para refletir a partir do cenário mundial neste exato momento, veremos que não aprendemos muita coisa. 

Estamos à beira de uma conflagração de guerras inumeráveis ou de envolvimento de grandes países do mundo em uma guerra polarizando os Estados Unidos e seus vassalos de um lado e seus inimigos escolhidos de outro. Uma espécie de 3ª Guerra Mundial.

A atual guerra na Ucrânia, uma guerra por procuração, provocada segundo muitos analistas de geopolítica internacional pelos movimentos da Otan e pelos Estados Unidos, que desrespeitaram acordos desde os anos noventa e foram convidando e incluindo todos os países vizinhos da Rússia a serem membros da Otan expondo o povo russo a um risco real de ataques a sua soberania.

A guerra de extermínio e expulsão do povo palestino da Faixa de Gaza e da Palestina, promovida pelo governo sionista de Israel, com apoio dos Estados Unidos, guerra que já matou mais de 40 mil palestinos - crianças, mulheres, idosos, civis e pessoas que não estavam em campos de batalha - repete o roteiro das guerras conhecidas pelos historiadores no último século.

A nova tentativa dos Estados Unidos em derrubar o governo da Venezuela, país com as maiores reservas de petróleo do mundo, de forma injustificável, ao declarar que a dupla Edmundo González e Maria Corina Machado são vencedores de uma eleição com números criados da cabeça deles, só na base da narrativa inventada, é um passo perigoso na atual conjuntura global. Será que os países do BRICS e aliados vão aceitar essa provocação e ingerência para tomar os poços de petróleo do povo venezuelano na mão grande?

Poderia ficar aqui citando as provocações dos Estados Unidos a diversos países com o intuito de causar um ambiente de conflito global - Irã, China, Rússia etc.

Esses são os tempos...

Lembrem-se do dia 6 de agosto de 1945!

Lembrem-se do dia 9 de agosto de 1945!

Estamos livres e distantes de novas bombas de destruição em massa?

BLOQUEIOS ECONÔMICOS SÃO COMO BOMBAS ATÔMICAS EM RELAÇÃO AOS SEUS EFEITOS SOBRE AS POPULAÇÕES VÍTIMAS

Estamos livres das bombas de destruição em massa chamadas bloqueios econômicos e comerciais, os tais embargos disparados pelos Estados Unidos a hora que querem e ao país que eles acharem que devem disparar essas bombas de destruição econômica que só causam miséria e mortes às populações civis de seus inimigos? 

(vejam o que o povo cubano sofre há décadas com essa bomba norte-americana chamada "bloqueo". Vejam as consequências para o povo venezuelano...)

Lembrem-se do dia 6 de agosto!

E tenhamos consciência do mal que as guerras e as bombas causam às pessoas.

William Mendes