Mostrando postagens com marcador FLM0630. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador FLM0630. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de maio de 2019

090519 - Diário e reflexões - Que aprendi hoje?



Relva florida na USP.
Foto: William Mendes.

Refeição Cultural

Texto e Discurso em Língua Espanhola

Todo dia é dia de aprender algo novo. De reaprender algo, melhorando ou revendo conceitos. De ser menos ignorante que o instante anterior ao aprendizado. E, ao aprender algo novo, sermos mais conscientes e menos manipuláveis. 

Não por acaso, o regime fascista tem na destruição total da educação pública e autônoma um pilar de seu projeto de poder, porque ao eliminar as oportunidades de crescimento intelectual através de uma educação emancipadora, facilita-se a destruição do país e dos direitos do povo pela manipulação e desagregação das classes populares e trabalhadoras: dividir para governar.

Na aula de hoje, lemos um conto argentino para identificarmos as questões de linguagem que estamos estudando neste semestre. A temática desses dias é sobre objetos de discurso, referenciação, correferenciação, categorização e recategorização. 

O tema não é fácil para mim, pois tenho dificuldade em gramática, desde sempre, principalmente sintaxe. Em linhas gerais, nesta questão de rede referencial na linguagem vemos como os objetos de discurso são retomados ao longo do texto a partir de sua primeira aparição, seja por pronomes, por outras palavras, por frases e orações etc.

O conto que lemos é de Rodolfo Walsh - Esa mujer -, publicado pela primeira vez em 1965. O autor foi jornalista e escritor argentino, militante de esquerda, assassinado em 1977 pela ditadura civil-militar em seu país e é dado como desaparecido até hoje (li na Wikipedia sobre ele). Sem citar nome próprio, a personagem de quem se fala nos remete a Eva Perón e, por conseguinte, ao peronismo e ao golpe militar que destituiu Perón em 1955.

Além de aprender um pouco mais sobre o tema das referências textuais e suas retomadas ao longo do texto, o conteúdo da aula aguçou em mim a curiosidade para saber mais sobre o peronismo e Evita. Ademais de gostar muito de história geral e de literatura, tenho bastante afinidade pelas questões do mundo da classe trabalhadora, como o sindicalismo.

Eu não sabia da história do corpo embalsamado de Evita, que estava em exposição na sede da central sindical pela afinidade que ela tinha com a classe operária. O corpo de Evita sumiu após o golpe de Estado, e só se descobriu o paradeiro quase duas décadas depois.

É isso. Todo dia é dia para aprendermos algo novo, mesmo quando já passamos de meio século de existência.

William

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Texto e Discurso em Língua Espanhola (II) - O problema dos gêneros discursivos (Bakhtin)


Mikhail Bakhtin, imagem da Wikipedia.

Refeição Cultural

Leitura do texto de Bakhtin destacando pontos que achei importantes. A postagem contém textos em português e espanhol.

Estou fazendo esta matéria na faculdade com o professor Adrián. O cara é muito bom. Qualquer equívoco conceitual nas postagens é de minha responsabilidade. 

Volto a lembrar o que disse na primeira postagem (ler AQUI) e também o caráter deste blog: meu intuito é partilhar conhecimento dentro do conceito wiki (What I Know is), sem nenhum interesse econômico-financeiro.


El problema de los géneros discursivos

M. Bajtin


1. Planteamiento del problema y definición de los géneros discursivos


- A língua como base das diversas esferas das atividades humanas: 

"Las diversas esferas de la actividad humana están todas relacionadas con el uso de la lengua..."


- Os enunciados como realização das diversas possibilidades de uso das línguas:

"El uso de la lengua se lleva a cabo en forma de enunciados (orales y escritos) concretos y singulares que pertenecen a los participantes de una u otra esfera de la praxis humana."


- Os enunciados refletem: 

"Contenido temático; estilo verbal (recurso léxico, fraseológico y gramatical) y composición o estructuración."


- Gêneros discursivos:

"Cada esfera del uso de la lengua elabora sus tipos relativamente estables de enunciados a lo que denominamos géneros discursivos."


- Por haver infinitos tipos de discursos escritos e orais, poderia-se imaginar não ser possível analisar e definir parâmetros para os tipos de discursos.


- Um dos gêneros que se estuda há muito tempo são os gêneros literários. Mas o enfoque era sempre literário e artístico e não nos tipos de enunciados que têm uma natureza verbal (linguística) comum. Também se estudou desde a antiguidade os gêneros retóricos. Depois passaram a estudar os gêneros discursivos.


- Enfim, faltava-se estudar a natureza linguística comum dos enunciados.


- Gêneros discursivos primário (simples) e secundário (complexos) são bem diferentes:

"(...) tal diferencia no es funcional. Los géneros discursivos secundarios (complejos) - a saber, novelas, dramas, investigaciones científicas de toda clase, grandes géneros periodísticos, etc. - surgen en las condiciones de comunicación cultural más compleja, relativamente más desarrolada y organizada, principalmente escrita: comunicación artística, científica, sociopolítica, etc."


- A natureza dos enunciados é muito importante no estudo dos gêneros discursivos:

"El menosprecio de la naturaleza del enunciado y la indiferencia del discurso llevan, en cualquier esfera de la investigación lingüística, al formalismo y a una abstración excesiva, desvirtúan el carácter histórico de la investigación, debilitan el vínculo del lenguaje con la vida."


-----------------------------
"El lenguaje participa en la vida a través de los enunciados concretos que lo realizan, así como la vida participa del lenguaje a través de los enunciados."
-----------------------------


- Todo enunciado pode refletir a individualidade do falante ou do escritor, mas nem todo gênero consegue absorver essa individualidade. O gênero literário é o mais produtivo nesse sentido.


- Alguns gêneros discursivos requerem padronização na linguagem como documentos oficiais, ordens militares etc.


- O vínculo orgânico e indissolúvel entre o estilo e o gênero:

"El estilo está indisolublemente vinculado a determinadas unidades temáticas y, lo que es más importante, a determinadas unidades composicionales."

"El estilo entra como elemento en la unidad genérica del enunciado."


- História da sociedade e história da língua:

"Los enunciados y sus tipos, es decir, los géneros discursivos, son correas de transmisión entre la historia de la sociedad y la historia de la lengua."


2. El enunciado como unidad de la comunicación discursiva. Diferencia entre esta unidad y las unidades de la lengua (palabra y oración)

- Desde os estudos linguísticos do século XIX adiante se coloca em segundo plano ou como algo acessório a função comunicativa da língua:

"Se propusieron y continúan proponiéndose otros enfoques de las funciones del lenguaje, pero lo más característico de todos sigue siendo el hecho de que se subestima, si no se desvaloriza por completo, la función comunicativa de la lengua que se analiza desde el punto de vista del hablante, como si hablase solo sin una forzosa relación con otros participantes de la comunicación discursiva."


- O processo complexo, multilateral e ativo da comunicação discursiva ainda hoje enfrenta distorções em sua análise:

"En la lingüística hasta ahora persisten tales ficciones como el “oyente” y “el que comprende” (los compañeros del “hablante”), la “corriente discursiva única”, etc. Estas ficciones dan un concepto absolutamente distorsionado del proceso complejo, multilateral y activo de la comunicación discursiva."

"Así, pues, toda comprensión real y total tiene un carácter de respuesta activa y no es sino una fase inicial y preparativa de la respuesta (cualquiera que sea su forma). También el hablante mismo cuenta con esta activa comprensión preñada de respuesta: no espera una  comprensión pasiva, que tan sólo reproduzca su idea en la cabeza ajena, sino que quiere una contestación, consentimiento, participación, objeción, cumplimento, etc. (los diversos géneros discursivos presuponen diferentes orientaciones etiológícas, varios objetivos discursivos en los que hablan o escriben)."


- O enunciado como elo em uma cadeia de enunciados, de declarações:

"Todo enunciado es un eslabón en la cadena, muy complejamente organizada, de otros enunciados."


- As fronteiras, os limites, de um enunciado enquanto unidade de comunicação discursiva se definem pela entrada do outro sujeito discursivo, seja ele quem for:

-----------------------------
"Las fronteras de cada enunciado como unidad de la comunicación discursiva se determinan por el cambio de los sujetos discursivos, es decir, por la alternación de los hablantes. Todo enunciado, desde una
breve réplica del diálogo cotidiano hasta una novela grande o un tratado científico, posee, por decirlo así, un principio absoluto y un final absoluto; antes del comienzo están los enunciados de otros, después del final están los enunciados respuestas de otros (o siquiera una comprensión silenciosa y activa del otro, o, finalmente, una acción respuesta basada en tal tipo de comprensión). Un hablante termina su enunciado para ceder la palabra al otro o para dar lugar a su comprensión activa como respuesta. El enunciado no es una unidad convencional sino real, delimitada con precisión por el cambio de los sujetos discursivos, y que termina con el hecho de ceder la palabra al otro, una especie de un dixi silencioso que se percibe por los oyentes [como señal] de que el hablante haya concluido."
-----------------------------

- Diferença entre oração e enunciado:

"(...) es necesario explicar previamente el problema de la oración como unidad de la lengua, a diferencia del enunciado como unidad de la comunicación discursiva."


"(...) La oración como unidad de la lengua carece de todos esos atributos: no se delimita por el cambio de los sujetos discursivos, no tiene un contacto inmediato con la realidad (con la situación extraverbal) ni tampoco se relaciona de una manera directa con los enunciados ajenos; no posee una plenitud del sentido ni una capacidad de determinar directamente la postura de respuesta del otro hablante, es decir, no provoca una respuesta. La oración como unidad de la lengua tiene una naturaleza gramatical, límites gramaticales, conclusividad y unidad gramaticales. (Pero analizada dentro de la totalidad del enunciado y desde el punto de vista de esta totalidad, adquiere propiedades estilísticas.) Allí donde la oración figura como un enunciado entero, resulta ser enmarcado en una especie de material muy especial. Cuando se olvida esto en el análisis de una oración, se tergiversa entonces su naturaleza (y al mismo tiempo, la del enunciado, al atribuirle aspectos gramaticales)."


- Características constitutivas dos enunciados como unidades da comunicação discursiva que os diferenciam das unidades da língua (palavra e oração):

1. A alternância dos sujeitos discursivos

"Así, pues, el cambio de los sujetos discursivos que enmarca al enunciado y que crea su masa firme y estrictamente determinada en relación con otros enunciados vinculados a él, es el primer rasgo constitutivo del enunciado como unidad de la comunicación discursiva que lo distingue de las unidades de la lengua."

2. A conclusividade do enunciado

"El carácter concluso del enunciado representa una cara interna del cambio de los sujetos discursivos; tal cambio se da tan sólo por el hecho de que el hablante dijo (o escribió) todo lo que en un momento dado y en condiciones determinadas quiso decir. Al leer o al escribir, percibimos claramente el fin de un enunciado, una especie del dixi conclusivo del hablante. Esta conclusividad es específica y se determina por criterios particulares. El primero y más importante criterio de la conclusividad del enunciado es la posibilidad de ser contestado."

E mais:

"Este carácter de una totalidad conclusa propia del enunciado, que asegura la posibilidad de una respuesta (o de una comprensión tácita), se determina por tres momentos o factores que se relacionan entre
sí en la totalidad orgánica del enunciado: 1] el sentido del objeto del enunciado, agotado; 2] el enunciado se determina por la intencionalidad discursiva, o la voluntad discursiva del hablante; 3] el enunciado posee
formas típicas, genéricas y estructurales, de conclusión."

3. As formas estáveis de gênero do enunciado:

"Pasemos al tercer factor, que es el más importante para nosotros: las formas genéricas estables del enunciado. La voluntad discursiva del hablante se realiza ante todo en la elección de un género discursivo
determinado. La elección se define por la especificidad de una esfera discursiva dada, por las consideraciones del sentido del objeto o temáticas, por la situación concreta de la comunicación discursiva, por los participantes de la comunicación, etc. En lo sucesivo, la intención discursiva del hablante, con su individualidad y subjetividad, se aplica y se adapta al género escogido, se forma y se desarrolla dentro de una forma genérica determinada. Tales géneros existen, ante todo, en todas las múltiples esferas de la comunicación cotidiana, incluyendo a la más familiar e íntima."


COMENTÁRIO:

- Em sala de aula, o professor levanta uma reflexão entre os alunos a respeito de uma afirmação de Bakhtin, de que todo falante da língua utilizaria com seguridade e destreza os gêneros discursivos, mesmo não os conhecendo ou tendo estudado eles. (sublinhado do blog)

"Nos expresamos únicamente mediante determinados géneros discursivos, es decir, todos nuestros enunciados posen unas formas típicas para la estructuración de la totalidad, relativamente estables.
Disponemos de un rico repertorio de géneros discursivos orales y escritos. En la práctica los utilizamos con seguridad y destreza, pero teóricamente podemos no saber nada de su existencia. Igual que el Jourdain de Molière, quien hablaba en prosa sin sospecharlo, nosotros hablamos utilizando diversos géneros sin saber de su existencia. Incluso dentro de la plática más libre y desenvuelta moldeamos nuestro discurso de acuerdo con determinadas formas genéricas, a veces con características de cliché, a veces más ágiles, plásticas y creativas (también la comunicación cotidiana dispone de géneros creativos). Estos géneros discursivos nos son dados casi como se nos da la lengua materna, que dominamos libremente antes del estudio teórico de la gramática. La lengua materna, su vocabulario y su estructura gramatical, no los conocemos por los diccionarios y manuales de gramática, sino por los enunciados concretos que escuchamos y reproducimos en la comunicación discursiva efectiva con las personas que nos rodean. Las formas de la lengua las asumimos tan sólo en las formas de los enunciados y junto con ellas. Las formas de la lengua y las formas típicas de los enunciados llegan a nuestra experiencia y a nuestra conciencia conjuntamente y en una estrecha relación mutua. Aprender a hablar quiere decir aprender a construir los enunciados (porque hablamos con los enunciados y no mediante oraciones, y menos aun por palabras separadas)."


- Aqui podemos anotar um exemplo dado em classe, a respeito do enunciado acima, polêmico em parte:

Sobre a suposta habilidade, seguridade e destreza que os falantes da língua teriam mesmo que não soubessem teoricamente disso, não podemos dizer, por exemplo, na área de atividade humana "educação", no gênero "seminário", que a segurança e destreza são as mesmas num seminário proferido pelo professor em comparação a um seminário proferido por um grupo de alunos.


"(...) y al oír el discurso ajeno, adivinamos su género desde las primeras palabras..."

- No rádio, por exemplo, em poucos segundos é possível que o ouvinte perceba de qual gênero se trata na transmissão: futebol, notícias do trânsito, comercial, horóscopo etc.


- Os gêneros dos discursos já estão disponíveis para os falantes de determinada língua, no seu cotidiano. E outros podem surgir com regularidade. Bakhtin ao dizer que os falantes têm a iniciativa da comunicação discursiva, mas que a realização dos enunciados não são pura criação do falante, ele cita Saussure de forma crítica, ao falar sobre isso.

"Toda una serie de los géneros más comunes en la vida cotidiana son tan estandarizados que la voluntad discursiva individual del hablante se manifiesta únicamente en la selección de un determinado género y en la entonación expresiva. Así son, por ejemplo, los breves géneros cotidianos de los saludos, despedidas, felicitaciones, deseos de toda clase, preguntas acerca de la salud, de los negocios, etc."

e

"Así, pues, un hablante no sólo dispone de las formas obligatorias de la lengua nacional (el léxico y la gramática), sino que cuenta también con las formas obligatorias discursivas, que son tan necesarias para una intercomprensión como las formas lingüísticas. Los géneros discursivos son, en comparación con las formas lingüísticas, mucho más combinables, ágiles, plásticos, pero el hablante tiene una importancia normativa: no son creados por él, sino que le son dados. Por eso un enunciado aislado, con todo su carácter individual y creativo, no puede ser considerado como una combinación absolutamente libre de formas lingüísticas, según sostiene, por ejemplo, Saussure (y en esto le siguen muchos lingüistas), que contrapone el “habla” (la parole), como un acto estrictamente individual, al sistema de la lengua como fenómeno puramente social y obligatorio para el individuo. La gran mayoría de los lingüistas comparte -si no teóricamente, en la práctica- este punto de vista: consideran que el “habla” es tan sólo una combinación individual de formas lingüísticas (léxicas y gramaticales), y no encuentran ni estudian, de hecho, ninguna otra forma normativa."


-----------------------------
Gênero discursivo e expressividade: "escogemos palabras según su especificación genérica. El género discursivo no es una forma lingüística, sino una forma típica de enunciado; como tal, el género incluye una expresividad determinada propia del género dado. Dentro del género, la palabra adquiere cierta expresividad típica. Los géneros corresponden a las situaciones típicas de la comunicación discursiva, a los temas típicos y, por lo tanto a algunos contactos típicos de los significados de las palabras con la realidad concreta en sus circunstancias típicas."
-----------------------------


- Aspectos das palavras: a palavra de ninguém, a palavra dos outros e a minha palavra.

"Los significados neutros (de diccionario) de las palabras de la lengua aseguran su carácter y la intercomprensión de todos los que la hablan, pero el uso de las palabras en la comunicación discursiva siempre depende de un contexto particular. Por eso se puede decir que cualquier palabra existe para el hablante en sus tres aspectos: como palabra neutra de la lengua, que no pertenece a nadie; como palabra ajena, llena de ecos, de los enunciados de otros, que pertenece a otras personas; y, finalmente, como mi palabra, porque, puesto que yo la uso en una situación determinada y con una intención discursiva
determinada, la palabra está compenetrada de mi expresividad."



- A oração como unidade da língua possui certa entonação, mas não entonação expressiva, que se dá sempre no nível do enunciado na comunicação discursiva.

"Así, pues, el momento expresivo viene a ser un rasgo constitutivo del enunciado. El sistema de la lengua dispone de formas necesarias (es decir, de recursos lingüísticos) para manifestar la expresividad, pero la lengua misma y sus unidades significantes (palabras y oraciones) carecen, por su naturaleza, de expresividad, son nuestras."



- Aspectos que definem o enunciado, seu estilo e sua composição:

"En resumen, el enunciado, su estilo y su composición, se determinan por el aspecto temático (de objeto y de sentido) y por el aspecto expresivo, o sea por la actitud valorativa del hablante hacia el momento
temático. La estilística no comprende ningún otro aspecto, sino que sólo considera los siguientes factores que determinan el estilo de un enunciado: el sistema de la lengua, el objeto del discurso y el hablante mismo y su actitud valorativa hacia el objeto. La selección de los recursos lingüísticos se determina, según la concepción habitual de la estilística, únicamente por consideraciones acerca del objeto y sentido y de la expresividad. Así se definen los estilos de la lengua, tanto generales como individuales. Por una parte, el hablante, con su visión del mundo, sus valores y emociones y, por otra parte, el objeto de su discurso y el sistema de la lengua (los recursos lingüísticos): éstos son los aspectos que definen el enunciado, su estilo y su composición. Esta es la concepción predominante."


- A questão do discurso distante, já existente, que acaba por gerar um diálogo com os enunciados que alguém faz na comunicação discursiva.

"El enunciado, pues, ocupa una determinada posición en la esfera dada de la comunicación discursiva, en un problema, en un asunto, etc."

e:

"en muchas ocasiones, la expresividad de nuestro enunciado se determina no únicamente (a veces no tanto) por el objeto y el sentido del enunciado sino también por los enunciados ajenos emitidos acerca del mismo tema, por los enunciados que contestamos, con los que polemizamos; son ellos los que determinan también la puesta en relieve de algunos momentos, las reiteraciones, la selección de expresiones más duras (o, al contrario, más suaves), así como el tono desafiante (o conciliatorio), etc."

e mais:

"Por más monológico que sea un enunciado (por ejemplo, una obra científica o filosófica), por más que se concentre en su objeto, no puede dejar de ser, en cierta medida, una respuesta a aquello que ya se dijo acerca del mismo objeto, acerca del mismo problema, aunque el carácter de respuesta no recibiese una expresión externa bien definida: ésta se manifestaría en los matices del sentido, de la expresividad, del estilo, en los detalles más finos de la composición. Un enunciado está lleno de matices dialógicos, y sin tomarlos en cuenta es imposible comprender hasta el final el estilo del enunciado."


- A questão das citações nos discursos:

"La entonación que aísla el discurso ajeno (y que se representa en el discurso escrito mediante comillas) es un fenómeno aparte: es una especie de trasposición del cambio de los sujetos discursivos dentro de un enunciado (...) El discurso ajeno, pues, posee una expresividad doble: la propia, que es precisamente la ajena, y la expresividad del enunciado que acoge el discurso ajeno."


- De certa forma, um enunciado sempre tem uma questão dialógica com um antes, um enunciado anterior.

"En la realidad, todo enunciado, aparte de su objeto, siempre contesta (en un sentido amplio) de una u otra manera a los enunciados ajenos que le preceden."

e:

"El enunciado no está dirigido únicamente a su objeto, sino también a discursos ajenos acerca de este último."


Fonte: Bakhtin, Mikhail. Estética de la creación verbal. Buenos Aires: Siglo XXI, 2008, (2. ed.) p. 245-290.


COMENTÁRIO FINAL

A leitura e compreensão deste texto foi trabalhosa para mim. Fiz a leitura deste capítulo em espanhol e quase que o capítulo inteiro em outra versão em português.

Os conceitos desenvolvidos aqui por Bakhtin são fundamentais para a primeira unidade da matéria, que é mais geral no programa, pois as outras unidades serão mais focadas na língua espanhola.

Além do estudo de Bakhtin, tivemos também como referência o texto "Tipos e gêneros de discurso" de Dominique Maingueneau (Análise de textos de comunicação), com algumas abordagens distintas e complementares em categorizar e classificar textos e gêneros discursivos.

Passei um bom tempo afastado desta área de conhecimento humano: linguagem, línguas e estudos literários. 

Na última década, o foco de minha atenção cognitiva foi quase todo voltado para as áreas de saúde, direitos sociais e história do mundo do trabalho, sistema financeiro, economia e política em geral.

Não está sendo fácil adaptar meu foco para essa área das letras, principalmente porque não consigo me desligar da visão política e ideológica que tenho do mundo, e sofro muito ao ver a destruição de meu país e da cidadania do povo.

Enfim, estou me esforçando para retomar o estudo das línguas e das literaturas. Se não der certo, não foi por falta de esforço deste cinquentenário que vos fala através deste blog.

William


Post Scriptum:

Clique AQUI para acessar a postagem anterior sobre esta matéria. 

domingo, 7 de abril de 2019

Texto e Discurso em Língua Espanhola (I) - Noções de texto e discurso


Um dia azul em Osasco (SP).
Foto de William Mendes.

Refeição Cultural

Desde a criação do blog Refeitório Cultural, há mais de uma década (criado no final de 2007), um dos objetivos deste espaço de cultura é compartilhar os ensinamentos do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP), por se tratar de uma universidade pública e por querer retransmitir para todos os cidadãos interessados aquilo que tive a oportunidade de aprender através dos recursos do povo.

Entrei no curso de Letras da USP no início dos anos dois mil, mas acabei tendo dificuldades de agenda por causa do meu trabalho e este fato alongou minha permanência no curso para o cumprimento da grade curricular. Com o passar dos anos na graduação em Português-Espanhol, e com a participação em cada uma das muitas disciplinas que fiz, foi ficando impossível postar as aulas, inclusive porque escrevê-las demanda um trabalho imenso de revisão das anotações para não postar coisas sem sentido.

Fui aceito para retornar à graduação e completar alguns créditos para colar grau em uma das duas disciplinas que havia feito. Achei melhor retornar ao curso que colar grau só em uma das graduações feitas.


Esta disciplina abordará aspectos da Língua Espanhola como, por exemplo, os processos de configuração textual em espanhol, incluindo técnicas discursivas, práticas de leitura e escrita e interpretação de sentidos nos textos e discursos.

Vou postar o que for possível sobre as aulas, e sempre com a minha visão e interpretação das anotações da matéria, isentando os professores de qualquer responsabilidade pelo que escrevo aqui. Esta matéria faço com o professor Adrián, que é muito bom.

A parte relativa aos objetivos, programa resumido e programa é uma reprodução do oferecimento da matéria no site da Universidade e é de domínio público.

Abraços aos leitores que se interessarem pelo tema.

William


-----------------------------

Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)

Letras Modernas

Texto e Discurso em Língua Espanhola


Objetivos:


A disciplina abordará aspectos do funcionamento da língua espanhola de especial interesse para o processo de configuração textual e para o reconhecimento das determinações discursivas nesse processo. Visa ainda ao desenvolvimento e consolidação de práticas de leitura e escrita nos alunos e à reflexão sobre sua projeção didática.

Programa Resumido:

Desenvolvimento e consolidação de práticas de leitura e escrita nos alunos e à reflexão sobre sua projeção didática.

Programa:

I. Conceitos e unidades para o estudo do texto e do discurso.
Gêneros de discurso e outros modos de agrupar séries textuais. Tipos de sequência textual.
O paratexto e sua função configuradora.
As vozes no texto. Reconhecimento de marcas de heterogeneidade.

II. Referenciação. A construção e retomada de objetos no texto.
As relações de correferência. O papel das palavras fóricas: demonstrativos, pronomes, artigo.
A correferência lexical e a produção de sentido.
As reformulações, exemplos e definições.

III. O contraste argumentativo. A contraposição de objetos e perspectivas.
Construções contrastivas e opositivas: coordenação, disjunção, enumeração, paralelismo sintático, formas distributivas, antonímia. Papel contrastivo dos pronomes tônicos.
Construções adversativas e concessivas: os conectivos adversativos e a orientação argumentativa. A factualidade nas concessivas, a alternância de modos e seus efeitos de sentido.

Fonte: Uspdigital.usp.br

-----------------------------

(anotações das aulas em língua espanhola e portuguesa. As incorreções no texto são de minha responsabilidade porque não sou um falante fluente do espanhol)

Texto e Discurso em Língua Espanhola

FLM0630

Clase 1

28 de febrero de 2019.


(aula do professor Adrián. Quando citar partes de textos dados em classe, a referência intelectual e produtiva é de nosso professor. Eventual equívoco conceitual é de minha responsabilidade)


La unidad 1 tendrá como contenidos:

"1. Conceptos y unidades para el estudio del texto y del discurso.

Nociones de texto y discurso. Géneros de discurso y otros modos de agrupar series textuales. Las voces en el texto. Reconocimiento de marcas de heterogeneidad." (programa)


La unidad 1 va a estudiar conceptos más generales y que sirven para muchas lenguas. Las unidades 2 y 3 serán más específicas para el estudio de la lengua española.

Para desarrollar los conceptos de "texto" y "discurso", el profesor trajo algunas reflexiones de autores y especialistas en lenguaje. Reproduzco abajo los extractos con las citas. Los alumnos tuvieron en clase análisis de textos dados como ejemplos por el profesor.


1. Maingueneau, Dominique. Análise de textos de comunicação. 6ª edição ampliada. São Paulo: Cortez, p. 64, grifo no original.

"Texto" emprega-se igualmente com um valor mais preciso quando se trata de apreender o enunciado como um todo, como constituindo uma totalidade coerente. O ramo da linguística que estuda essa coerência chama-se precisamente "linguística textual". Com efeito, tende-se a falar de "texto" quando se trata de produções verbais orais ou escritas, estruturadas de forma a perdurarem, a se repetirem, a circularem longe de seu contexto original.

2. Orlandi, Eni. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, 1988, p. 59.

Um texto, tal como ele se apresenta enquanto unidade (empírica) de análise, é uma superfície linguística fechada nela mesma: tem começo, meio e fim. Como diz Pêcheux (1969) é impossível analisar um discurso como texto, enquanto superfície fechada nela mesma, "mas é necessário referi-lo ao conjunto de discursos possíveis a partir de um estado definido das condições de produção". Ou seja, é preciso tomar o texto como discurso, enquanto estado determinado de um processo discursivo. O conceito de discurso deve aí ser entendido enquanto conceito teórico que corresponde a uma prática: efeito de sentido entre locutores.

3. Fiorin, José Luiz. "Da necessidade de distinção entre texto e discurso". Em Brait, Beth e Souza e Silva, Maria Cecília (orgs.) Texto ou discurso? São Paulo: Contexto, 2012, p. 148.

Há diferenças entre texto e discurso. Este é da ordem da imanência, e aquele do domínio da manifestação. Cabe lembrar, inicialmente que imanência e manifestação pertencem à metalinguagem e, por conseguinte, não portam nenhum índice de valor a eles associados na linguagem-objeto: imanente não é o mais profundo, o mais importante, etc. A manifestação é a presentificação da forma de uma dada substância, o que significa que o discurso é do plano do conteúdo e o texto do plano da expressão. Em outras palavras, este é da ordem do sensível, enquanto aquele é do domínio do inteligível. O texto é a manifestação de um discurso. Assim, o texto pressupõe logicamente o discurso, que é, por implicação, anterior a ele.

4. Possenti, Sírio. "Observações esparsas sobre discurso e texto". Cadernos de Estudos Linguísticos, n. 44, 2003, p. 212.

Um discurso nunca equivale a um texto, seja porque pode "haver" mais de um discurso em um mesmo texto (por efeito do interdiscurso), seja principalmente, porque um discurso se materializa tipicamente em uma dispersão de textos (como assinalou Foucault).

5. Orlandi, Eni. Análise de discurso. Princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 2004, p. 63.

O texto é a unidade que o analista tem diante de si e da qual ele parte. O que faz ele diante de um texto? Ele o remete imediatamente a um discurso, que, por sua vez, se explicita nas suas regularidades por referência a uma ou outra formação discursiva, que, por sua vez, ganha sentido porque deriva de um jogo definido pela formação ideológica dominante naquela conjuntura.

6. Agenot, Marc. Interdiscursividades. Hegenomías y disidencias. Cordoba: UNC, 2010.

Convengamos, de manera puramente empírica, em llamar "discurso social" a todo lo que se dice y escribe en un estado de sociedad, todo lo que se imprime, todo lo que se habla y se representa hoy en día en los medios de comunicación electrónicos; todo lo que se narra y se argumenta, si postulamos que narrar y argumentar son los dos grandes modos de puesta en discurso. O mejor, llamemos "discurso social" no al todo empírico, cacofónico e al mismo tiempo redundante, sino a los sistemas cognitivos, a las distribuciones discursivas, a los repertorios tópicos que en una sociedad dada organizan lo narrable y lo argumentable, aseguran una división del trabajo discursivo, según las jerarquías de distinción y las funciones ideológicas que se han de cumplir y preservar.

-----------------------------

Aun la clase 1

28 de febrero de 2019.


Para la clase fue sugerida la lectura de dos artículos para reflexiones a respecto de la temática de la disciplina. Los artículos están citados abajo:

- “Roma”, una película en español subtitulada en español (Fuente: elpais.com/cultura – Madrid/México - 9/1/2019)

- “Manifiesto de la comunidad científica, académica y docente por la paz en Venezuela” (Fuente: eldesconcierto.el – Chile - 5/2/2019)


Yo hice la lectura de los artículos después de la clase porque fue mi primera participación en la disciplina. Los textos son muy buenos y nos llevan a reflexionar sobre las cuestiones ideológicas y discursivas que fueran destacadas en la clase por el profesor.


Apuntamientos hechos en la clase:

- diferencias y relaciones entre “texto” y “discurso”.

- intertextualidad – polifonía – dialogismo


Texto: “Roma” – extractos y comentarios:

“Es parroquial, ignorante y ofensivo para los propios españoles”

- “parroquial” – algo de un territorio pequeño; no tiene referencia con tema religioso; provinciano.

“enciende un debate sobre el español como una lengua común”

- lengua común X algo provinciano – ¿es o no es provinciano “traducir” de español al español? (solamente en España Netflix presentó la película con subtítulo en español de España)


FÍJENSE: términos: presupuesto – implícito – preconstruido

ELEMENTOS DEL DISCURSO EN EL TEXTO 


- oposición global X local – presupuesto de que “global” sería algo mejor que “local”.

- hay otros presupuestos en el texto: “En esa riqueza de la lengua compartida abunda un libro de inminente aparición…” – la lengua española es rica.

Acá tenemos también el mercado como eje. Hay una posición del mercado editorial en el texto al informar que son más de 500 millones de lectores y “apenas 20 de cada 10.000 palabras gráficas son de uso no general”, o sea, no hay necesidad de traducción entre los hablantes del español.

- aun con el eje de mercado: el español es una lengua global; imagen de bajo riesgo al invertir en el mercado editorial en lengua española.


POLIFONÍA

Cuando algo sueña a… es polifonía.

Ej.: el párrafo que dice sobre la vigilancia de la Real Academia: “una entidad que agrupa a las 23 instituciones que vigilan el buen uso del idioma”.


INTERTEXTUALIDAD

Cuando hay citas en los textos.


DIALOGISMO

Algo contra argumentativo; que se anticipa a un argumento.

Ej.: “No es para entender los diálogos; es para colonizarlos”.



Texto 2: “Manifiesto de la comunidad científica, académica y docente por la paz en Venezuela”

Un ejemplo de marca de discurso en el texto:

“Rechazamos decididamente otra intervención militar en nuestro continente. Parece que, como una vez dijera José martí, en Venezuela está llegando ‘la hora de los hornos y no se ha de ver más que la luz’.”

- claramente se ve la referencia al golpe de estado en Chile en los años setenta con apoyo de los EEUU, aunque no esté escrito en el texto. Es una marca del discurso.



(lembrando que o objetivo deste blog é partilhar conhecimento dentro do conceito de copy left)