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segunda-feira, 20 de maio de 2019

200519 - Diário e reflexões - Visão do Paraíso


Natureza morta - adormecida  - e céu azul.
Foto de William Mendes, 03/7/16, DF.

Refeição Cultural

"Não se quis, com efeito, mostrar o processo de elaboração, ao longo dos séculos, de um mito venerando, senão na medida em que, com o descobrimento da América, pareceu ele ganhar mais corpo até ir projetar-se no ritmo da História..." (sobre o mito de um suposto Paraíso Terreal, Holanda explicando sua obra)


Li o prefácio à segunda edição, de 1968, e o primeiro capítulo "Experiência e fantasia", da obra "Visão do Paraíso", de Sergio Buarque de Holanda, publicado pela primeira vez em 1959. Estou coletando informações para escrever um trabalho de faculdade sobre as manifestações e pontos de vista dos ibéricos, sobretudo os espanhóis, em relação ao período de conquista das Américas.

Texto muito interessante o de Holanda. Para mim, foram esclarecidas algumas dúvidas. Eu achava que Colombo não havia feito referências textuais em seus escritos de viagens a um suposto Éden ou Paraíso Perdido na terra. É que não acabei de ler ainda os textos relativos às quatro viagens. O primeiro é gigante e de leitura meio chata e repetitiva. Holanda diz que na terceira viagem Colombo faz referência a esse Paraíso das escrituras sagradas da fé católica.

"Ao chegar diante da costa do Pária, esse pressentimento, que aparentemente animara ao genovês desde que se propusera alcançar o Oriente pelas rotas do Atlântico, acha-se convertido para ele, e talvez para os seus companheiros, numa certeza inabalável que trata de demonstrar com requintes de erudição. Assim, na carta onde narra aos Reis Católicos as peripécias da terceira viagem ao Novo Mundo - 'outro mundo', nas suas próprias expressões, propõe-se seriamente, logo que tenha mais notícias a respeito, mandar reconhecer o sítio abençoado onde viveram nossos primeiros pais."

O ensaio de Holanda é muito interessante em diversas questões como, por exemplo, ao explicar a relação mais pragmática dos navegadores e escritores portugueses em relação ao maravilhoso, ao suposto evento metafísico. Os portugueses já tinham no século XV longa experiência em se lançarem ao mar rumo ao desconhecido, sendo os continentes africano e asiático os objetivos daquelas décadas do século XV.

"O gosto da maravilha e do mistério, quase inseparável da literatura de viagens na era dos grandes descobrimentos marítimos, ocupa espaço singularmente reduzido nos escritos quinhentistas dos portugueses sobre o Novo Mundo. Ou porque a longa prática das navegações do Mar Oceano e o assíduo trato das terras e gentes estranhas já tivessem amortecido neles a sensibilidade para o exótico, ou porque o fascínio do Oriente ainda absorvesse em demasia os seus cuidados, sem deixar margem a maiores surpresas, a verdade é que não os inquietam, aqui, os extraordinários portentos, nem a esperança deles..."

Enfim, conhecimentos interessantes adquiridos nessas leituras que estou fazendo nesta semana.

William

segunda-feira, 13 de maio de 2019

130519 - Diário e reflexões - Cristóvão Colombo


Flores nas veredas uspianas.
Foto: William Mendes.

Refeição Cultural

Literatura Hispano-Americana: conquista e colônia

"La nacionalidad es un destino: un destino cargado de penas que han de purgarse y de glorias que han de ganarse, de dejaciones que duelen como pecados y de irredentismos que chisporrotean como esperanzas." (Ignacio B. Anzoátegui)


Um dos eixos temáticos da matéria é conhecer e analisar os documentos existentes - cartas, diários, relatos - sobre o período das invasões europeias às Américas, conhecidas por nós como período dos "descobrimentos". Cristóvão Colombo é um dos personagens que estudamos.

Colombo realizou quatro viagens às Américas. A epígrafe que coloquei na abertura está no prólogo de uma edição que apresenta as quatro viagens de Colombo, e o organizador da edição - Ignacio B. Anzoátegui -, nos informa que há dúvidas sobre a origem do navegador, se de Gênova ou da Galícia, mas que diz importar pouco a questão da origem para as façanhas que o destino reservou a Colombo.

O começo do relato é como um termo de compromisso. Colombo diz aonde vai e o que pretende, demonstra sua lealdade aos reis de Espanha e parte com três embarcações - Santa Maria (a Galega), Pinta e Niña.

"Vine a la villa de Palos, que es puerto de mar, adonde armé yo tres navíos muy aptos para semejante fecho, y partí del dicho puerto muy abastecido de muy muchos mantenimientos y de mucha gente de la mar, a 3 días del mes de agosto del dicho año en un viernes, antes de la salida del sol con media hora, y llevé el camino de las islas de Canaria de Vuestras Altezas, que son en la dicha mar océana, para de allí tomar mi derrota y navegar tanto que yo llegase a las Indias, y dar la embajada de Vuestras Altezas a aquellos príncipes y cumplir lo que así me habían mandado; y para esto pensé de escribir todo este viaje muy puntualmente de día en día todo lo que hiciese y viese y pasase, como adelante se verá..."

Minha leitura a respeito das viagens de Colombo está sendo feita em duas edições diferentes. Uma organizada por Consuelo Varela e outra por Ignacio B. Anzoátegui. Os textos são gigantes, é claro. Minha leitura está baseada em algumas passagens dos diários. É possível sentir o que foram as expedições e os eventos de chegada e permanência às terras desconhecidas a oeste da Europa a partir do século XV.

Colombo tinha dois controles de navegação, um com as milhas verdadeiras rumo a oeste, e outro com valores menores para não assustar sua tripulação. Lembramos que ao navegar a oeste depois dos pontos conhecidos por todos o destino era uma aposta.

Li a respeito da história de Colombo na Wikipedia em espanhol, estou lendo os diários da primeira viagem, entre 1492 e 1493 e revi o filme "1492, a conquista do paraíso" (1992), dirigido por Ridley Scott. Além disso, vi um programa espanhol sobre Colombo - "El enigma Cristóbal Colón". Já tivemos aula sobre o tema, no início do curso.

História é sempre um tema instigante, ainda mais no contexto em que estudo Letras, Língua e História.

William

sábado, 30 de março de 2019

Leitura: El Popol-Vuh



Refeição Cultural

El Popol-Vuh - Livro dos conselhos ou Livro da comunidade

A leitura desta obra se dá no contexto de estudos da literatura hispano-americana, com o tema das invasões dos europeus a partir do século XV, sobretudo os espanhóis, e nos leva a uma reflexão amarga sobre a destruição dos povos originários que aqui nas Américas viviam. Eram culturas riquíssimas as dos maias, astecas, incas, dentre outros povos e culturas.

E o que mais nos choca é ver no século XXI a repetição das diversas formas de colonização, exploração e destruição de culturas e povos das Américas Central e do Sul, e também do Caribe, por parte dos norte-americanos sobretudo e também por parte dos europeus.

A leitura aqui na postagem é de estudos, é de aprendizagem. Vamos então reproduzir alguns pontos da obra, encontrada em meio virtual, para que a postagem dê um apanhado geral sobre El Popol-Vuh.

O texto está em espanhol.


Sobre a obra:

Traducción de la versión francesa del profesor Georges Raynaud, director de estudios sobre las religiones de la América Precolombina, en la Escuela de Altos Estudios de París, por los alumnos titulares de la misma MIGUEL ÁNGEL ASTURIAS y J. M. GONZÁLEZ DE MENDOZA

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Instituto Cultural Quetzalcoatl de Antropología Psicoanalítica, A.C.


BREVE NOTICIA

El Popol-Vuh, que puede traducirse Popol, comunidad, consejo, y Vuh, libro, Libro del Consejo o Libro de la Comunidad, fue pintado. Lo dice el texto: “Este libro es el primer libro pintado antaño”. ¿El primer libro? ¿Querrá significarse con esto el más importante, algo así como la Biblia? “Pero su faz está oculta”, sigue el texto. ¿Oculta, por qué? ¿Fue destruido? ¿Fue quemado? ¿Se consumió en la ciudad de Utatlán, entregada a las llamas, reducida a cenizas por el Conquistador? “Su faz está oculta al que ve”, añade el texto, lo que mueve a pensar que no está oculta para el que, sin ver, conserva dicha faz en la memoria y la transmite oralmente. 


Originalmente, el Popol-Vuh fue pintura, memoria, palabra, y en esta forma de tradición oral se conserva hasta mediados del siglo XVI, época en que vuelve a ser escrito, por un indígena, antiguo sacerdote quizá, en lengua quiché, con caracteres latinos. Este manuscrito, que constituye el verdadero original del Popol-Vuh, llega a manos de Fr. Francisco Ximénez, cura párroco de Santo Tomás Chuilá, población guatemalteca llamada actualmente Chichicastenango, a principios del siglo XVIII. Por eso se conoce el Popol-Vuh con el nombre de “Manuscrito de Chichicastenango”.


Descubrirlo el Padre Ximénez, varón versadísimo en lenguas indígenas, y entregarse a su estudio y traducción del quiché al castellano, todo es uno. Pero el perilustre dominico no se contenta con traducir el Popol-Vuh. Para dar testimonio incuestionable de la autenticidad del texto y curarse en salud ante las autoridades religiosas, tal similitud hay entre el Génesis indígena y algunos pasajes de la Biblia, hace algo que la posteridad jamás le pagará bastante: al par de su versión castellana, en columna paralela, copia del texto quiché, es decir, que no sólo nos lega su traducción, sino la transcripción del texto indígena.


El Padre Ximénez realiza dos versiones. Una primera literal, que no le satisface, y una segunda, más cuidada, que incluye en el primer tomo de la “Crónica de la Provincia de Chiapa y Guatemala”, obra monumental que del archivo de los dominicos pasa en 1854 —con otros documentos del Padre Ximénez—, a la Biblioteca de la Universidad de San Carlos Borromeo. A partir de ese momento el libro sagrado de los quichés va a ser traducido a otras lenguas. El Dr. Carl Scherzer copia el texto en la Biblioteca de la Universidad de Carolina, y traducido al alemán lo publica en Viena, en 1857, bajo el título de “Las historias del origen de los indios de esta Provincia de Guatemala”. El abate Carlos Esteban Brasseur de Bourbourg llega a Guatemala, desde Francia, atraído por la luz de ese manuscrito prodigioso, se afinca en el país, estudia y profundiza la lengua quiché y traduce el Popol-Vuh al francés, versión que publica en París, en 1891, con el título de “Popol-Vuh, le livre sacre et les mythes de l”antiquité américaine”.


Varias otras traducciones se han hecho desde entonces, y se han publicado algo más de treinta y dos volúmenes, en todas las lenguas, interés que crece de día en día por tratarse de uno de los documentos milenarios de la humanidad.


De estas traducciones, citaremos las últimas. La del licenciado J. Antonio Villacorta y el profesor Flavio Rodas, publicada en Guatemala, en 1927, con el texto quiché fonetizado; la del licenciado Adrián Recinos, el cual encontró en la Biblioteca de Ewberry, de Chicago, el primer texto del Padre Ximénez, la traducción más literal, pero no la mejor, dado que el mismo autor la mejoró enormemente, y fue su segunda versión, ya más dueño del idioma quiché, la que incluyó en su famosa historia. De ésta, el profesor Georges Raynaud, después de más de cuarenta años de estudio, toda una vida, realizó su versión francesa ajustada al texto con rigor científico, sin restarle por ello su primigenia hermosura, su vuelo poético, su frescor vegetal, su hondura misteriosa. Dos de sus alumnos en la Escuela de Altos Estudios de París, el mexicano J. M. González de Mendoza y el guatemalteco Miguel Ángel Asturias, vierten al español, bajo la dirección del propio profesor Raynaud, la traducción del Popol-Vuh, hasta ahora considerada como la mejor, y la publican en París, en 1927, con el título de “Los Dioses, los Héroes y los Hombres de Guatemala Antigua”, de la que después se han hecho varias ediciones, siendo merecedora de citarse, en primer lugar, la de la Biblioteca del Estudiante Universitario [“El Libro del Consejo”], en las publicaciones de la Universidad Nacional Autónoma de México.


Y es la versión del Profesor Georges Raynaud, la de mayor autoridad científica, la que ahora publicamos, en la traducción al español de González de Mendoza y Miguel Ángel Asturias, seguros de que por igual ha de interesar al investigador, al sociólogo, al poeta, al escritor, al artista y al curioso lector que ame los mitos antiguos, y en este caso, el de cómo los dioses formaron el mundo americano y cómo fue creado el hombre de maíz.


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1. Do que vai tratar o livro

"Aquí comenzaremos la antigua historia llamada Quiché. Aquí escribiremos, comenzaremos el antiguo relato del principio, del origen, de todo lo que hicieron en la ciudad Quiché los hombres de las tribus Quiché."


2. O início, a origem

"He aquí el relato de cómo todo estaba en suspenso, todo tranquilo, todo inmóvil, todo apacible, todo silencioso, todo vacío, en el cielo, en la tierra. He aquí la primera historia, la primera descripción."

"Primero nacieron la tierra, los montes, las llanuras; se pusieron en camino las aguas; los arroyos caminaron entre los montes; así tuvo lugar la puesta en marcha de las aguas cuando aparecieron las grandes montañas. Así fue el nacimiento de la tierra cuando nació por [orden] de los Espíritus del Cielo, de los Espíritus de la Tierra, pues así se llaman los que primero fecundaron, estando el cielo en suspenso, estando la tierra en suspenso en el agua; así fue fecundada cuando ellos la fecundaron: entonces su conclusión, su composición, fueron meditadas por ellos."


3. A criação dos animais, que não veneravam aos deuses

"Estando pues todos terminados, venados, pájaros, les fue dicho a los venados, a los pájaros, por los Constructores, los Formadores, los Procreadores, los Engendradores: “Hablad, gritad; podéis gorjear, gritar. Que cada uno haga oír su lenguaje según su clan, según su manera”.

Mas:

"'En adelante decid nuestros nombres, alabadnos, a nosotros vuestras madres, a nosotros vuestros padres. En adelante llamad a Maestro Gigante [Relámpago], Huella del Relámpago, Esplendor del relámpago, Espíritus del Cielo, Espíritus de la Tierra, Constructores. Formadores, Procreadores. Engendradores. Habladnos, invocadnos, adoradnos', se les dijo. Pero no pudieron hablar como hombres: solamente cacarearon, solamente mugieron, solamente graznaron; no se manifestó [ninguna] forma de lenguaje, hablando cada uno diferentemente. Cuando los Constructores, los Formadores, oyeron sus palabras impotentes, se dijeron unos a otros: 'No han podido decir nuestros nombres, de nosotros los Constructores, los Formadores'. 'No está bien...

(...)

"Nuestra adoración es imperfecta si vosotros no nos invocáis."


4. A criação imperfeita de homens de terra, de barro, que não veneravam os deuses

"De fierra hicieron la carne. Vieron que aquello no estaba bien, sino que se caía, se amontonaba, se ablandaba, se mojaba, se cambiaba en tierra, se fundía; la cabeza no se movía; el rostro [quedábase vuelto] a un solo lado; la vista estaba velada; no podían mirar detrás de ellos; al principio hablaron, pero sin sensatez. En seguida, aquello se licuó, no se sostuvo en pie. Entonces los Constructores, los Formadores, dijeron otra vez: 'Mientras más se trabaja, menos puede él andar y engendrar'. 'Que se celebre, pues, consejo sobre eso', dijeron. Al instante deshicieron, destruyeron una vez más, su construcción, su formación, y después dijeron: '¿Cómo haremos para que nos nazcan adoradores, invocadores?'..."


5. A criação de homens de madeira, que também não veneraram os deuses

"'Que así sean, así, vuestros maniquíes, los [muñecos] construidos de madera, hablando, charlando en la superficie de la tierra'. —'Que así sea', se respondió a sus palabras. Al instante fueron hechos los maniquíes, los [muñecos] construidos de madera; los hombres se produjeron, los hombres hablaron; existió la humanidad en la superficie de la tierra. Vivieron, engendraron, hicieron hijas, hicieron hijos, aquellos maniquíes, aquellos [muñecos] construidos de madera. No tenían ni ingenio ni sabiduría, ningún recuerdo de sus Constructores, de sus Formadores; andaban, caminaban sin objeto. No se acordaban de los Espíritus del Cielo; por eso decayeron."


6. Insatisfeitos, os deuses se livram dos humanos com uma inundação

"En seguida [llegó] el fin, la pérdida, la destrucción, la muerte de aquellos maniquíes, [muñecos] construidos de madera.

Entonces fue hinchada la inundación por los Espíritus del Cielo, una gran inundación fue hecha: llegó por encima de las cabezas de aquellos maniquíes, [muñecos] construidos de madera (...) Y su muerte fue esto: fueron sumergidos; vino la inundación, vino del cielo una abundante resina."

No capítulo de destruição dos homens de madeira, há uma descrição forte da vingança dos animais que estavam sob o jugo dos homens, inclusive suas vasilhas se regozijaram sobre a destruição deles. Dizem os antigos que os macacos são os antigos descendentes daqueles homens de madeira.

Havia também um tal Principal Guacamayo (e seus filhos); ele foi derrotado junto aos homens de madeira na inundação. O orgulho era o principal defeito de Principal Guacamayo.


7. Depois nos é contado como Sabio Pez-Tierra, filho de Principal Guacamayo, derrota com estratégia a quatrocentos jovens

"Estando todos ebrios, los cuatrocientos jóvenes no tenían ya Sabiduría; entonces su casa fue derribada sobre sus cabezas por Sabio Pez-Tierra, y acabaron por ser todos destruidos. Ni uno ni dos de aquellos cuatrocientos jóvenes se salvaron; fueron matados por Sabio Pez-Tierra, hijo de Principal Guacamayo. Así murieron los cuatrocientos jóvenes. Se dice también que entraron en la constelación llamada a causa de ellos el Montón, pero esto no es quizás más que una fábula. Aquí contaremos también la derrota de Sabio Pez-Tierra por los dos engendrados Maestro Mago, Brujito."


8. Os capítulos seguintes tratam de histórias de nascimento e morte de personagens da mitologia do povo maia quiché.

A versão que estou estudando tem 91 páginas. A leitura passou a ser cansativa a partir de aqui. São várias aventuras descrevendo personagens que significam origens de alguma coisa, ou que explicam algo.

Estou na primeira terça parte da obra. Vou seguir a leitura depois.

William
Um leitor

quarta-feira, 6 de março de 2019

Literatura Hispano-Americana: Conquista e Colônia (II)




Refeição Cultural

"En una primera aproximación, el restringido ámbito de la 'literatura' en su dimensión de 'bellas letras' resulta ampliamente desbordado por la pluralidad de las práticas discursivas orales y escritas que se pueden observar en el Nuevo Mundo en la doble línea de tradiciones en donde se inscriben: por un lado la oralidad, la plasmación pictográfica, ideográfica e incipientemente fonética, por otro la literatura escrita y en lenguas europeas; por un lado la gestualidade, el códice, la memoria, por el otro la letra, el libro, la lectura; por una parte la pluralidad lingüística y cultural en diversos grados de complejidad, por otra las lenguas europeas apuntando a la homogeneización; por una parte las 'palabras pronunciadas con el corazón caliente', 'la flor y el canto', por el otro la literatura; por un lado los poetas, por el otro los dueños del decir. En ambas tradiciones culturales habrá una reorganización de funciones a partir de 1492, que dará cuenta de su nueva situación: la de literaturas en relación. Es el momento en que surge para el investigador la posibilidad  del análisis comparado en los términos de nuestros intereses actuales; surgen las nuevas fronteras culturales, que delinean el rostro del continente hoy." (Ana Pizarro, in: "Palabra, literatura y cultura en las formaciones discursivas coloniales", na introdução ao livro)


Na aula anterior (ler AQUI), falamos sobre a forma violenta com que se deu o encontro de culturas, sobre as civilizações e as culturas que existiam aqui nas Américas antes da chegada dos europeus e das mudanças radicais advindas da colonização.

Nos foi indicada a leitura de dois capítulos do livro "América Latina - Palavra, Literatura e Cultura, livro organizado por Ana Pizarro. O volume 1 trata da situação colonial. A sugestão é ler o primeiro e o segundo capítulo do livro, textos de Martin Lienhard e Gordon Brotherston.

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(Texto 1 - leitura e destaques ou lembretes - 21 páginas)

A produção textual ameríndia

1. Los comienzos de la literatura "latinoamericana": monólogos y diálogos de conquistadores y conquistados

Martin Lienhard


Marginalización de las literaturas orales


"El continente cuyos habitantes se ven convidados a 'descubrir' a los europeos a partir de 1492 no es, desde luego, ningún vacío sociocultural...".

O autor nos informa nos primeiros momentos do texto que os europeus encontram aqui nas Américas culturas organizadas, principalmente com práticas discursivas orais que poderiam ser chamadas de "literatura" ou "arte verbal".

E mais: "Los 'textos' verbales producidos, a menudo poco 'autónomos', se suelen insertar en unos 'discursos' complejos que combinan los más variados sistemas semióticos: discurso verbal, música, ritmo, expresión facial y corpórea, coreografía, artes plásticas".

Destaca que as transcrições dos textos verbais têm mais um caráter auxiliar, um roteiro a ser preenchido com a performance oral.

"Los textos verbales 'transcritos', en efectivo, exigen la actualización o performance oral - frente a un auditorio colectivo o selecto - para pasar del estado latente a una presencia social concreta".

Já os textos ou discursos dos europeus são o oposto. Qualquer um que saiba ler pode reproduzir aquilo que está registrado, e isso ao longo do tempo, sem sofrer as atualizações e modificações constantes das línguas vivas. Com os textos, vêm as tradições.

E uma das tradições (ideológicas) é sobre a superioridade dos europeus em relação ao resto do mundo: "(...) contienen, en efecto, los fundamentos ideológicos de la pretendida superioridad de los europeos respecto de los demás pueblos del mundo".

Estabelece-se então o predomínio do escrito sobre o oral e isso não se perderá na América Latina mesmo após as independências em relação aos antigos colonizadores.

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Comentário do blog: eu não consigo esquecer, ao ler sobre isso, que a partida final de futebol do principal torneio das Américas, em 2018, cujo nome é "Libertadores da América", ocorreu lá na antiga metrópole colonizadora, a Espanha! É deprimente, é humilhante...
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Una literatura "oficial"

Lienhard nos diz que durante as primeiras décadas da chegada dos europeus nas Américas, os principais textos serão documentos como cartas de navegação, relatos de viagens etc. Quando surge algo literário propriamente, com autores daqui, serão com base em modelos da metrópole, como o poema épico histórico. Mas os relatos de viagem e cartas ainda serão mais marcantes em seus conteúdos.

Teremos dois tipos de estratégias discursivas, uma centrada no "eu" do narrador e uma outra voltada ao diálogo com o "outro". 

Um dos exemplos de documentos marcantes são os diários de viagem de Cristóvão Colombo, entre 1492-1493. Até a chegada à América, o texto segue o rito normal, depois ele vira um relato com imagens literárias tradicionais europeias, inclusive relacionadas com a bíblia, em relação ao paraíso, à inocência humana antes do pecado original etc.

Vejamos um exemplo de relato que Lienhard nos mostra em seu ensaio, sobre Cabeza de Vaca, em meados do século XVI:

"Naufragios (1542), texto sorprendente de Alvar Núñes Cabeza de Vaca, ejemplifica la transformación de un relato de conquista en una novela autobiográfica avant la lettre. En este relato, escrito a raíz de una campaña de calumnias contra su autor, Cabeza de Vaca, uno de los pocos sobrevivientes de una fallida expedición a la Florida (la de Pánfilo de Narváez), trata de justificar, a varios años de distancia, su actuación en los momentos cruciales de la conquista y posterior odisea. Aquí, el conquistador fracasado se autoevoca en tanto que conciencia humana que atraviesa, a menudo solo, una región inhóspita y pobre, poblada por indios que resultan ser sus iguales. A partir del molde 'relato de conquista', Cabeza de Vaca inaugura, en español, la novela autobiográfica moderna con su héroe subjetivo y trágico."

O ensaísta nos chama a atenção para um tipo de texto que vai ocorrer ao longo desse período secular, os relatos seriam supostamente "documentais", mas acabam trazendo traços de modelos de novelas, romances e estilos da época na Europa: "Si la novela, en tanto que género declarado, no aparece en la América colonial sino mucho más tarde, lo novelesco se introduce en muchas crónicas de viaje supuestamente 'documentales'...".

Ao fim desta parte do ensaio, o subtítulo sobre as literaturas "oficiais", Lienhard comenta sobre dois documentos não hispânicos que teriam uma característica distinta daqueles textos castelhanos de relatos, ainda que Lienhard fale mais em uma "etnografia" do que em uma suposta "literatura latino-americana".

"Algunos de los textos que 'informan' acerca de las exploraciones y conquistas americanas no caben en el marco que acabamos de diseñar. Es el caso, por ejemplo, de dos textos 'brasileños'; la carta de Pero Vaz de Caminha (1500) que anuncia al rey portugués el 'descubrimiento' - bien involuntario - de la costa de Brasil, y la Histoire d'un voyage fait en la terre du Brésil (1578) de Jean de Léry, emisario de la Ginebra calvinista. A diferencia de los textos españoles, muy 'comprometidos' con grandes proyectos de expansión colonial (y eclesiástica), estos parecen inaugurar una etnografía moderna más 'desinteresada' o 'autónoma'...".

E termina dizendo:

"(...) estos textos, testimonios del impacto de la experiencia americana en la cultura europea, no inauguran ninguna 'literatura latinoamericana', sino una etnografía europea de índolo más moderna.".


Las literaturas "alternativas"

"(...) El gesto histórico del pobre ermitaño, por imperfecta que sea su realización, inauguró no sólo, como a menudo se afirma, la etnografía americana, sino una nueva práctica literaria que podemos llamar, por un conjunto de razones, 'alternativa'. Ella ofrece, en efecto, un discurso 'nuevo' sobre América (tendencialmente el de las mayorías), una escritura nueva (transcripción o recreación del discurso oral) y un público nuevo (el lector bicultural de un continente multicultural). En un principio, la literatura 'alternativa' se desarrollará a partir de las necesidades muy concretas que impone a los españoles la organización de la colonia...".

Uma das estratégias que os conquistadores vão utilizar para imporem sua cultura é a de se aproximarem de lideranças dos povos a serem conquistados, ensinar a elas a sua língua e tradições e fazer dessas lideranças intermediárias entre os povos americanos e os da metrópole.

"La reorganización y asimilación de la aristocracia autóctona y, especialmente, los trabajos de recopilación suponían un diálogo, una colaboración estrecha entre los funcionarios coloniales y sus 'protegidos' indígenas...".

Essas assimilações dos povos americanos tiveram mais sucesso em algumas regiões do que em outras. Os espanhóis tiveram dificuldades para convencer lideranças dos Incas a fazerem esse papel: 

"(...) Distinto fue el caso del Perú. La larga resistencia indígena, las interminables guerras civiles entre caudillos militares españoles, la ausencia de un poder estable y operativo así como la distancia excesiva que separaba la capital indígena (Cuzco) de la de los españoles (Lima), todos estos factores impedían que se crearan condiciones favorables para una formación a la vez eficiente y centralizada de letrados indígenas 'asimilados'. Estas diferencias entre los contextos mesoamericano y andino explican sin duda las características bastante divergentes de la producción literaria 'indígena' en las áreas mencionadas".

POPOL VUH Y CHILAM BALAM

Lienhard coloca obras importantes da região central das Américas como exemplos de recompilações ao espanhol de histórias e memórias dos povos pré-hispânicos.

"(...) En la mayoría de las entidades 'autónomas' existe - como los tlacuilos o 'caligrafistas' de la época prehispánica - un secretario encargado de transcribir la memoria de la colectividade. Al trabajo de tales especialistas de la escritura se deben, por ejemplo, las grandes recopilaciones como el Popol Vuh o los libros de Chilam Balam, verdaderas enciclopedias del pensamiento mítico-histórico, calendárico, cosmológico, ritual, etc de dos pueblos mayanes..."

O texto termina citando alguns autores que, para ele, vão no futuro fazerem um esforço para criar uma escritura equivalente ao caos social e cultural gestado a partir da colonização das Américas

"(...) Un yo que no acepta pero asume, sin mayores nostalgias, la situación creada por la conquista. En este sentido, Guaman Poma es el antepasado más radical de los escritores contemporáneos más 'radicales' que se esfuerzan - o se han esforzado - por crear una escritura que sea un equivalente del caos (mundo en gestación) cultural y social del subcontinente: J. M. Arguedas, Roa Bastos, Rulfo, Guimarães Rosa, E. Zepeda, Z. Zorrilla.".


Leitura feita. Melhorou minha percepção para os textos que serão analisados na disciplina sobre esse período de nossa história latino-americana.

William
Um leitor


Post Scriptum:

Depois fiz também a leitura do segundo texto sugerido, o texto de Gordon Brotherston, "La visión americana de la conquista" (20 páginas).

sexta-feira, 1 de março de 2019

Literatura Hispano-Americana: Conquista e Colônia (I)



Popol Vuh - Wikipedia.
(atualizado em 9/04/19)

Refeição Cultural

Um dos objetivos do blog Refeitório Cultural é compartilhar os ensinamentos do curso de Letras da Universidade de São Paulo (USP), por se tratar de uma universidade pública e por querer retransmitir para todos os cidadãos interessados aquilo que tive a oportunidade de aprender através dos recursos do povo.

Com o passar dos anos na graduação em Português-Espanhol, e com a participação em cada uma das disciplinas que fiz, foi ficando impossível postar as aulas, inclusive porque escrevê-las demanda um trabalho imenso de revisão das anotações para não postar coisas sem sentido.

Após muitos anos de conclusão da grade obrigatória das duas disciplinas, Português e Espanhol, descobri que havia faltado uma matéria (2 créditos) para completar a grade de Português. Para não colar grau só em Espanhol, fiz o pedido de reingresso à graduação e fui aceito. Estou estudando novamente e terei que fazer mais de 30 créditos para adequar minha pontuação à grade curricular atual. 

Esta disciplina é sobre o período pré-hispânico nas Américas e sobre o período colonial e vai até os séculos XVIII e XIX, período em que ocorreram os processos de independência das metrópoles europeias, Espanha e Portugal. Mas o foco não é o Brasil e sim os países de matriz espanhola.

Vou postar o que for possível, e sempre com a minha visão e interpretação das anotações da matéria, isentando os professores de qualquer responsabilidade pelo que escrevo aqui. Esta matéria de literatura estou fazendo com a professora Laura.

A parte relativa aos objetivos, programa resumido e programa é uma reprodução do oferecimento da matéria e é de domínio público.

Lembro aqui que o interesse deste blog é partilhar conhecimento, sem nenhum objetivo econômico-financeiro. Postamos conteúdo aqui com base no conceito de copyleft e wiki (what i Know is).

Abraços aos leitores que se interessarem pelo tema.

William


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Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP)

Literatura Hispano-Americana: Conquista e Colônia

Objetivos:

1. Estudar as manifestações literárias barrocas e suas implicações na construção de uma forma hispano-americana. 2. Desenvolver a capacidade crítica do aluno pela análise dos aspectos estéticos e ideológicos dos textos mais representativos, relacionando-os com a atualidade. 3. Discutir problemas básicos da formação cultural da América hispânica através de abordagens teóricas contemporâneas sobre os discursos mais representativos do período pré-hispânico e as narrativas do período da conquista, até 1600. 4. Oferecer uma visão histórica do período, embora sempre privilegiando as possíveis abordagens literárias, desenvolvendo a capacidade crítica do aluno pela análise de aspectos estéticos e ideológicos.

Programa Resumido:



Esta disciplina estuda problemas básicos da formação cultural da América hispânica através de abordagens teóricas contemporâneas sobre os discursos mais representativos do período pré-hispânico, da conquista e da sociedade colonial, até 1700. Pretende-se oferecer uma visão histórica do período, privilegiando as possíveis abordagens literárias dos discursos das culturas originárias e da conquista e o estudo das manifestações estéticas barrocas e suas implicações na construção de uma forma hispano-americana. A disciplina visa a desenvolver a capacidade crítica do aluno pela análise dos aspectos estéticos e ideológicos dos textos mais representativos desse período de formação da cultura e da literatura hispano-americana, relacionando-os com a atualidade. O curso contempla, dessa forma, instrumentalizar os futuros profissionais da área no sentido de suas práticas de análise literária e ensino da literatura.

Programa:

1. Palavra, gesto, memória: a literatura pré-colombiana e critérios de configuração de uma literatura hispano-americana: Códices, Poesia Nahuatl, Popol Vuh e os Chilam Balam. 2. História e imaginação: os discursos da conquista, as crônicas e a construção de um novo universo: Cristóbal Colón; Hernán Cortés, Bernal Díaz del Castillo, Bartolomé de Las Casas, Alvar Núñez Cabeza de Vaca; Alonso de Ercilla. 3. Sujeitos mestiços e sociedades vice-reinais: Inca Garcilaso de la Vega, Huamán Poma de Ayala, Juan Rodríguez Freyle. 4. O Barroco e sociedades vice-reinais: Sor Juana Inés de la Cruz; A poesia de Bernardo de Balbuena, Sigüenza y Góngora, Domínguez Camargo, Caviedes. 5. O teatro de Juan Ruiz de Alarcón. 6. Ficção e história: a conquista e a colônia na literatura do século XX, Juan José Saer, Antonio Di Benedetto, Alejo Carpentier, Carlos Fuentes, Miguel Angel Asturias. 7. Releituras do barroco: neobarroco e neobarroso; Lezama Lima, Virgilio Piñera, Severo Sarduy, Néstor Perlongher.


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(anotações das aulas em língua espanhola e em português. As incorreções no texto são de minha responsabilidade, pois meu espanhol não é de falante fluente)

Literatura hispanoamericana: Conquista y Colonia

FLM0631

Clase 1

27 de febrero de 2019.



Temas debatidos y referenciales para la disciplina:

- encuentro muy violento de culturas y de discursos;

- el término “conquista” tiene la mirada de allá, el punto de vista de los europeos;

- “el continente vacío” es lo que decían los europeos sobre nuestra América;

- hay en los discursos una cuestión de los malos versus los buenos;

- los científicos europeos tenían dudas si los indígenas eran humanos;

- lenguas dominantes acá: Nahuatl (Aztecas), Quiché (Mayas), Quechua (Incas), además de otras;

- lo que existe hoy de la historia de los pueblos prehispánicos fue una traducción de las lenguas e historias orales para el castellano, pero es necesario acordarse de que “traducir es traicionar”;

- sincretismo cultural, cuando hay una mezcla de culturas, pero es común una cultura ser la dominante sobre la otra. El cristianismo fue determinante en las versiones de las historias de los pueblos precolombinos o prehispánicos.


POPOL VUH

- el “libro de los consejos” o “libro de la comunidad”;

- a pesar de traer trazos del cristianismo, Popol Vuh trae una idea de lo que era acá la cultura anterior. Los frailes, siglos después, introducen trazos de los textos bíblicos, mezclas con pasajes de la biblia (las culturas poderosas son poderosas de verdad…);

- él fue descubierto en el siglo XIX y producido a mediados del siglo XVI. La confección de él es posterior a la llegada de los españoles;

- perpetuación de la cultura oral del pueblo maya en una lengua extranjera. Alguien le puso en una lengua que iba a seguir adelante;

- cultura transmitida por dibujos, jeroglíficos y otros materiales

- los mayas eran pueblos nómades;

- el sincretismo va a ocurrir en todos los textos traducidos de los pueblos precolombinos al español, el cristianismo va a impregnar los textos de las culturas anteriores a la conquista;

- sugestión de lectura: "Serpentes e caveiras" in “Palomar”, de Ítalo Calvino. Para reflexionar sobre la cuestión de como es posible otras posibilidades de lectura y traducción cuando la temática es culturas distintas; (*o texto está nesta postagem, ao final)

- fíjense: no se olviden de que estamos conversando con sujetos de otros tiempos. Muy importante se acordar de eso.

- cuidado con todas las idealizaciones y con todas las demonizaciones que se hacen;

- hay distintas traducciones del Popol Vuh, es decir, versiones del original encontrado en el siglo XIX.

- para reflexionar: “descubrir” es peor que “conquistar”. Descubrir sería para algo que ni siquiera existe. Es una cuestión ideológica;

- versiones del Popol Vuh: años treinta, de Asturias, Guatemala. Años cincuenta, de Emílio Abreu Gomes; y hay otras más;

- los hombres hechos de maíz (Asturias);

- la cultura de los mayas - de los pueblos de América -, no es como la nuestra occidental, ella no es linear, entonces hay otra propuesta del “génesis”, otra cosmogonía; son formas condensadas y no lineares de lectura e interpretación;


CÓDICES

- los primeros “libros” de acá, hechos en cáscaras de árboles. No se olvide de la "contaminación" del sincretismo con los occidentales, sobre todo con los cristianos;

- la traducción para el castellano fue una forma de resistencia, de sobrevivencia de la cultura de ellos porque si no hubieran hecho versiones escritas, su cultura no habría llegado hasta nuestros días;

- por muchos años, siglos, la visión dominante era preconcebida como siendo la cultura de acá inferior, menor que la europea, hasta que empieza a cambiar con Garcilaso, en el siglo XVII.

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* 3.1.2 Serpentes e caveiras, do livro Palomar, de Ítalo Calvino. Tradução de João Reis.


Excerto da nota explicativa no livro: "(...) último livro publicado em vida por Calvino. É uma obra feita de momentos, fragmentos, deslumbramentos, interrogações intermináveis, e que leva à criação de uma personagem, Palomar, que é ao mesmo tempo a ingenuidade em estado puro e a paixão do pensamento ilimitado."


Serpentes e Caveiras

Em viagem pelo México, o senhor Palomar visita as ruínas de Tula, antiga capital dos Toltecas. É acompanhado por um amigo mexicano, conhecedor apaixonado e eloquente das civilizações pré-colombianas, que lhe vai contando as belíssimas lendas de Quetzalcoatl.


Antes de se tornar um deus, Quetzalcoatl foi um rei que teve em Tula a sua corte; dela restam ainda uma série de colunas truncadas, em torno de um implúvio, um pouco à moda dos palácios da Roma antiga.

O templo da Estrela da Manhã é uma pirâmide em degraus. No alto elevam-se quatro cariátides cilíndricas, ditas "atlantes", que representam o deus Quetzalcoatl como Estrela da Manhã (por causa de uma borboleta que trazem nas costas, símbolo da estrela) e quatro colunas esculpidas, que representam a Serpente Emplumada, ou seja, sempre o mesmo deus, sob a forma de animal.

Tudo isto deve ser tido por verdadeiro sem quaisquer provas; por outro lado, seria difícil demonstrar o contrário. Na arqueologia mexicana, cada estátua, cada objecto, cada baixo-relevo, significam alguma coisa que significa alguma coisa que por sua vez significa alguma coisa. Um animal ou, um deus que significa uma estrela que significa um elemento ou uma qualidade humana e assim sucessivamente. Estamos no mundo da escrita pictográfica, os antigos Mexicanos, para escreverem, desenhavam figuras e, mesmo quando desenhavam, era como se escrevessem: cada figura apresenta-se como um enigma a decifrar. Até mesmo os frisos mais abstratos e geométricos que se encontrem na parede de um templo podem ser interpretados como setas se neles se puder ver um motivo de linhas partidas, ou como uma sucessão numérica, de acordo com a maneira como esses mesmos frisos se sucedem. Aqui em Tula os baixos-relevos repetem figuras animais estilizadas: jaguares, coiotes. O amigo mexicano detém-se em cada pedra, transformando-a em relato cósmico, em alegoria, em reflexo moral.

Uma turma de estudantes desfila entre as ruínas: rapazotes com feições de índio, provavelmente descendentes dos construtores daqueles templos, vestidos com uma simples farda branca tipo boy-scout, com lenços azuis. Os rapazes são guiados por um professor que não é muito mais alto do que eles e pouco mais adulto, que apresenta a mesma cara morena, redonda e imóvel. Sobem os altos degraus da pirâmide, detêm-se sob as colunas, o professor diz a que civilização pertencem, a que século, em que pedra estão esculpidas e em seguida conclui: "Não se sabe o que querem dizer" e o grupo de alunos desce atrás dele. Ao pé de cada estátua, ao pé de cada figura esculpida sobre um baixo-relevo ou sobre uma coluna, o professor fornece alguns dados factuais e acrescenta invariavelmente: "Não se sabe o que querem dizer."

Encontram agora um chac-mool, tipo de estátua bastante comum: uma figura humana semiprostrada segura um tabuleiro; era sobre aquele tabuleiro, dizem unânimes os peritos, que eram apresentados os corações ensanguentados das vítimas dos sacrifícios humanos. Estas estátuas, por si só, poderiam igualmente ser vistas como bonacheirões e atarracados bonecos; mas o senhor Palomar, cada vez que vê uma delas, não consegue deixar de sentir calafrios.

Passa a fila dos estudantes. E o professor: Esto es un chac-mool. No se sabe lo que quiere decir. E passa à frente.

O senhor Palomar, apesar de seguir as explicações do amigo que o guia, acaba sempre por se cruzar com os estudantes e ouvir as palavras do professor. Fica fascinado pela riqueza das referências mitológicas do amigo: o jogo do interpretar, a leitura alegórica, sempre lhe pareceu um soberano exercício da mente. Mas sente-se igualmente atraído pela atitude oposta do mestre-escola: aquilo que lhe parecera no início uma expedita falta de interesse vai-se revelando aos seus olhos como uma postura científica e pedagógica, uma opção metodológica deste jovem grave e consciencioso, uma regra a que não quer renunciar. Uma pedra, uma figura, um sinal, uma palavra, que nos chegam isolados do seu contexto, são apenas aquela pedra, aquela figura, aquele sinal ou palavra: podemos tentar defini-los, descrevê-los enquanto tais, e basta; se, para além da face que nos apresentam, têm também uma face escondida, não nos é dado sabê-lo. A recusa de conceber mais do que aquilo que estas pedras nos mostram é talvez o único modo possível de demonstrar respeito pelo seu segredo; tentar adivinhar é presunção, uma traição àquele autêntico significado perdido.

Atrás da pirâmide passa um corredor, uma espécie de trincheira de ligação entre dois muros, um de terra batida, outro de pedra esculpida: o Muro das Serpentes. É talvez a mais bela peça de Tula: no friso em relevo sucedem-se as serpentes, cada uma das quais tem uma caveira nas mandíbulas abertas, como se estivesse para a devorar.

Passam os rapazes. E o professor: "Este é o muro das serpentes. Cada serpente tem na boca uma caveira. Não se sabe o que significam."

O amigo de Palomar não se contém: "Ai isso é que sabe! É a continuidade da vida e da morte, as serpentes são a vida, as caveiras são a morte; a vida que é vida porque traz consigo a morte e a morte é morte porque sem morte não há vida..."

Os rapazotes ouvem de boca aberta, os olhos negros brilham atônitos. O senhor Palomar pensa que toda a tradução requer uma outra tradução e assim sucessivamente. Pergunta a si mesmo: "Que significa morte, vida, continuidade, passagem, para os antigos Toltecas? E que pode querer dizer para estes jovens? E para mim?" E no entanto sabe que nunca poderá sufocar em si a vontade de traduzir, de passar de uma linguagem para outra, de figuras concretas para palavras abstractas, de símbolos abstractos para experiências concretas, de tecer e retecer uma rede de analogias. Não interpretar é impossível, tal como é impossível impedir-se de pensar.

Assim que os estudantes desaparecem atrás de uma esquina, a voz obstinada do pequeno professor faz-se ouvir de novo: "No es verdad, não é verdade aquilo que vos disse aquele señor. Não se sabe o que significam."

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