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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Artigo - A Globo odeia o Lula



Refeição Cultural

Uma imagem vale por mil palavras


Opinião


"Não, o efeito mais forte não foi provocado por discursos isolados, nem por artigos ou panfletos, cartazes ou bandeiras. O efeito não foi obtido por meio de nada que se tenha sido forçado a registrar com o pensamento ou a percepção conscientes..." (Victor Klemperer, LTI Linguagem do Terceiro Reich)


A notícia deveria ser positiva: o Presidente Lula teve alta e está liberado por seus médicos para voltar a viajar após sofrer traumatismo craniano em consequência de uma queda.

A informação foi passada ao povo brasileiro pelo programa do Fantástico após uma boa matéria sobre o risco de quedas, principalmente em pessoas acima de 60 anos de idade.

Quem dá a boa notícia da plena recuperação de nosso Presidente Lula após o grave acidente doméstico é a simpática apresentadora Maju Coutinho.

Eu atuei com comunicação e jornalismo quando fui secretário de imprensa da confederação da categoria bancária. Foi uma oportunidade de estudar muito sobre tudo que se relaciona com o tema, inclusive sobre o Partido da Imprensa Golpista (PIG), como dizia o saudoso jornalista Paulo Henrique Amorim.

Acompanhei como dirigente sindical toda a construção do ódio ao Presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores após a chegada do torneiro mecânico e sindicalista à presidência do país em 2002. A construção do ódio e rejeição sempre teve estratégia e método por parte da mídia da casa-grande brasileira. 

Como gosto de História, também sabia da campanha da mídia da casa-grande contra Lula, o PT e a esquerda em geral desde sempre. No caso das Organizações Globo são décadas de construção de ódio e mentiras contra Lula e o PT. A Globo é a mãe das chamadas "fake news".

Uma imagem vale por mil palavras, diz o ditado popular.

Anos de ataques depois das operações midiáticas para tentar exterminar da vida pública Lula e o PT, anos depois do massacre midiático do Jornal Nacional falando sobre nosso presidente e o partido com a imagem de esgotos jorrando dinheiro ao fundo, seguimos na mesma.

Mesmo após Lula ser preso por 580 dias numa operação de lesa-pátria organizada por uma quadrilha e por um juiz suspeito, herói da Rede Globo, mesmo após a destruição do país pela ajuda que o PIG deu ao golpe contra Dilma e pela eleição de Jair Bolsonaro, seguimos na mesma.

A velha e odienta Rede Globo segue fazendo das suas para atacar a imagem do Presidente Lula, única liderança que foi capaz de nos salvar de mais um mandato daquele sujeito que poderia ter acabado de vez com a democracia brasileira caso vencesse as eleições de 2022.

A imagem que a Globo escolheu do Presidente Lula para dar a boa notícia de sua plena recuperação foi essa que ilustra minhas reflexões. Ela não é diferente dos canos de esgoto jorrando dinheiro que a emissora enfiou no subconsciente de dezenas de milhões de pessoas nas últimas décadas.

O mais comum é que a quase totalidade das pessoas veja a questão como minha companheira viu quando falei a respeito: não viu nada demais na imagem escolhida. Não culpo ela nem as pessoas que não atuam na área da comunicação.

Nas eleições de 2018, no auge da operação lesa-pátria orquestrada na República de Curitiba que prendeu Lula e possibilitou a ascensão da extrema-direita no país, me lembro bem de jovens de minha relação dizerem suas intenções de voto à esquerda e muitos não iam votar no PT. Era algo assim: sou de esquerda, mas PT não... Isso foi o processo de ódio e rejeição que explico neste artigo.

Quando li o livro de Victor Klemperer sobre a Linguagem do Terceiro Reich foi que compreendi o que estava acontecendo no Brasil após os primeiros meses do governo Lula a partir de 2003. 

Os principais veículos de comunicação de propriedade da casa-grande brasileira começavam ali uma nova estratégia de comunicação agressiva contra nós da esquerda e nossas instituições e lideranças: o ódio e a rejeição sem explicação racional.

As duas décadas de envenenamento do povo brasileiro contra Lula e os partidos de esquerda, o maior deles o PT, nos foi inoculado como Klemperer explica na linguagem nazista que levou um povo culto e educado a apoiar incondicionalmente um dos maiores genocidas da história. Klemperer como filólogo foca a linguagem, mas o nazismo trabalhou fortemente a estética através das imagens.

A imagem que o Fantástico escolheu de nosso Presidente Lula para dar a singela e boa notícia da recuperação plena de sua saúde é da mesma qualidade simbólica dos dutos de petróleo jorrando dinheiro nos JN de sempre: é veneno puro contra nós.

Que merda isso! O povo brasileiro merecia uma imprensa decente e que informasse a população sem canalhice e manipulações. Na verdade, nós que estudamos o Brasil há tempo sabemos que a elite brasileira, a casa-grande que essa imprensa golpista representa, odeia o Brasil e o povo brasileiro.

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O PRESIDENTE LULA TEVE ALTA E ESTÁ BEM

Notícia que a Globo deu neste domingo no programa Fantástico

A emissora não precisaria usar imagem com a logo do partido, mas deveria ser menos canalha e usar qualquer imagem do Presidente Lula como ela faria com qualquer político que ela não odiasse.

Ainda bem que o nosso Presidente Lula está bem, recuperado da queda e do traumatismo craniano, um dos acidentes domésticos mais comuns entre os idosos e segue firme com suas agendas por um Brasil melhor para o povo brasileiro.

William Mendes


sexta-feira, 21 de junho de 2024

Cedoc do Refeitório Cultural (1)



Refeição Cultural

Ao longo de décadas, o autor deste blog de cultura adquiriu diversos materiais de leitura e estudos das mais diversas áreas do conhecimento humano.

Por quase duas décadas, venho publicando com certa regularidade textos em dois blogs, um de cultura e outro sindical. Tenho ainda um terceiro blog focado em imagens, mas neste a frequência das publicações é bem menor.

Avalio que seja interessante organizar o conjunto dos materiais de mídias culturais que acumulei e produzi ao longo da vida de estudos e buscas por conhecimento. 

Boa parte do que tenho de mídia influenciou de alguma forma o que postei no blog Refeitório Cultural, a partir de 2007, e no blog A Categoria Bancária, a partir de 2006. Passar a escrever de forma pública foi uma oportunidade para me desenvolver enquanto pessoa e como dirigente de uma categoria profissional.

Então, agora, é começar a organização do centro de documentação que foi referência e bibliografia básica daquilo que produzo de textos há bastante tempo nestas páginas de cultura, conhecimento e opinião.

William Mendes

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Paulo Henrique Amorim
e "O quarto poder"

FILMES E DOCUMENTÁRIOS 

(Audiovisual)

Vi nestes dias documentários muito bons e alguns deles com histórias incríveis da classe trabalhadora.

1. HISTÓRIAS E SONHOS COM TODAS AS LETRAS

Documentário apresenta o projeto de alfabetização de jovens e adultos "Todas as Letras" entre os anos de 2005 e 2008. Foram mais de 200 mil pessoas beneficiadas pelo projeto.

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2. 1º DE OUTUBRO DE 1981 - DIA NACIONAL DE LUTA (DF)

Documentário produzido pelos companheiros de Brasília sobre a mobilização organizada por integrantes da Comissão Nacional Pró-CUT formada a partir da Conferência Nacional da Classe trabalhadora (Conclat), realizada em agosto de 1981, na Praia Grande, SP. Há no vídeo depoimentos bem legais.

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3. POR DENTRO DO SISTEMA

O vídeo é um documentário sobre o Sistema financeiro do Brasil, passando pelas principais mudanças estruturais e os impactos sobre o mundo do trabalho e a organização sindical até a criação da Contraf-CUT, em 2006. Eu era secretário de imprensa da nossa confederação. 

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4. A GRANDE VIRADA - 30 ANOS DA RETOMADA

Documentário organizado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região para comemorar os 30 anos da vitória da nossa chapa de oposição nas eleições de 1979. O vídeo original foi produzido em 1989 e foi vencedor do prêmio Vladimir Herzog. Eu fazia parte da direção do Sindicato em 2009.

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5. A DÉCADA DA PERVERSIDADE (BRASIL E RS, DE COLLOR A FHC)

O vídeo foi produzido pelo SindBancários em 2010 abordando a terrível década dos anos noventa fazendo um contraponto com a década de oitenta, sendo esta de grandes manifestações e avanços populares conseguidos através de grandes mobilizações do povo brasileiro.

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6. MEMÓRIA SINDICAL - AUGUSTO CAMPOS

O documentário foi produzido por Crivelli Advogados Associados em parceria com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região em 2014 e traz entrevistas com a grande liderança e figura humana Augusto Campos. Muita emoção neste material. A matriz de meu fazer político e sindical na categoria bancária vem de pessoas como Augusto Campos e Luiz Gushiken.

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7. PALESTRA DE PAULO HENRIQUE AMORIM: LANÇAMENTO DO LIVRO "O QUARTO PODER", NO CEARÁ

É um privilégio ter o vídeo do bate-papo do grande jornalista PHA no Ceará, ocorrido em 18 de setembro de 2015. Eu estava na cidade, em Fortaleza, para participar da VIII Conferência de Saúde da Cassi no Estado e após o encerramento de nosso evento, ainda peguei a parte final da apresentação do jornalista.

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8. 30 ANOS DEPOIS LULA RELEMBRA A 1ª CONCLAT

Uma das preciosidades que tenho em meu cedoc é o vídeo com o presidente Lula comentando a 1ª Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, ocorrida em agosto de 1981 na Praia Grande, SP. O documentário foi produzido em 2011 pela CUT e pela Tatu Filmes.

Quando vi pela primeira vez o documentário, senti emoções inesquecíveis. Era secretário de formação da Contraf-CUT e ao ver as imagens e os debates dos trabalhadores que culminaram com a criação de uma Comissão Nacional Pró-CUT, me vi naquelas concepções e práticas sindicais, senti um pertencimento incrível ao que fazia como dirigente de uma categoria nacional 30 anos depois daquele evento divisor de águas no sindicalismo brasileiro.

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Aos poucos, irei organizar o centro de documentação (cedoc) que foi referência e fonte de cultura e informações para o autor dos blogs Refeitório Cultural e A Categoria Bancária.


Post Scriptum: o texto seguinte sobre meu cedoc pode ser lido aqui.


sexta-feira, 19 de julho de 2019

190719 - Diário e reflexões - Perdemos! (até agora)




Refeição Cultural

Ainda não consegui superar a morte de Paulo Henrique Amorim. Parece que perdemos um dos poucos guerreiros da comunicação que parecia que estaria conosco por muito tempo ainda. Por décadas, PHA insistiu em fazer jornalismo peitando os donos do poder. Mais de uma centena de processos por censura, para liquidá-lo, para calar sua voz e sua opinião e ele seguia firme. O coração parou, e ele se foi. Que merda!

A gente tá enfiado num mundo sem esperanças, onde quase ninguém reage mais a toda a prática inversa ao que aprendemos que era certo na existência humana. A ascensão do bolsonarismo na sociedade brasileira como consequência de um processo muito maior de dominação do imperialismo americano, processo planejado pelos donos do poder econômico nacional e internacional, nos deixou na lona, nocauteados. 

Perdemos! Nossa geração que lutou por um mundo mais justo e igualitário nas últimas décadas, e que chegou a vislumbrar esperanças de uma sociedade alternativa ao capitalismo selvagem quando viu por quase duas décadas governos latino-americanos progressistas peitarem o Consenso de Washington e estabelecerem políticas anticíclicas que beneficiaram milhões de pessoas em governos mais populares e nacionalistas, enfim, nossa geração não consegue reagir à destruição total implementada pelo governo americano e seus lacaios colocados nos governos de nossos países. Não estamos conseguindo reagir!

Nossa geração não aprendeu a reagir com nossos corpos, com nossas vidas, ao golpe que sabíamos que viria. Foi só decidirem acabar com a conciliação de classes, que todas as conquistas de décadas se foram, estão indo embora, e nós ficamos catatônicos ao vermos tirarem tudo de uma vez. Como não tivemos a consciência de compreender que as estruturas do Estado burguês são dos burgueses, achamos que era só confiar que os humanos tinham limites éticos, que as instituições burguesas tinham limites éticos, que seriam protetoras dos fracos e oprimidos.

Nós não reagimos a toda a desgraça multidimensional, desgraças de destruição de todos os direitos do povo e destruição do próprio Estado nacional, feitas estrategicamente em todas as áreas e diariamente pelo bolsonarismo e sua laia de apoiadores de merda porque nosso cérebro, nossos corpos, nossa doutrinação "progressista", "esquerdista", "socialista" é uma doutrina estupidamente moralista, como disse o intelectual Jessé Souza, nos faz acreditar que as instituições vão funcionar, que a justiça vai ser justa, que a destruição não vai chegar ao fim etc.

Pode ser loucura os derrotados escreverem sobre a derrota. Mas acho que temos que escrever. Só conhecemos as histórias dos derrotados ao longo da história humana porque foram encontrados registros desses derrotados. Quando tive acesso ao livro de Victor Klemperer descrevendo todo o período do 3º Reich, sob a ótica da linguagem como filólogo que era, é porque ele registrou tudo de 1933 a 1945. E foi possível sabermos sobre as mudanças na linguagem alemã durante a ascensão e duração do nazismo. O mesmo se dá ao sabermos dos diários da jovem Anne Frank.

Perdemos! Mas por que não reagimos enquanto povo e mudamos essa história brasileira a partir de amanhã, de depois de amanhã? Por quê? Por que não organizamos o povo? Por que não superamos as divisões entre nós do movimento de luta dos trabalhadores e saímos em frente ampla para derrotar os desgraçados que estão nos destruindo, destruindo nossos direitos, destruindo nosso mundo? Por quê?

Por causa de nossa vaidade. Por causa de nosso orgulho. Porque também fomos contaminados com o vírus do ódio. Talvez porque ficamos lassos, burocráticos, crentes nas instituições que não são por nós, são contra nós. Por medo do diferente; por costume e rotina no gostoso automatismo do dia a dia. Por medo da morte. Mas aí vem o minuto seguinte e o coração para, como aconteceu com PHA. E aí, valeu não arriscarmos a luta, a mudança da rotina?

Que mais precisamos para enfrentar o inimigo com as armas necessárias ao contexto em que nos pegamos? Finalizo essa reflexão triste com um ensinamento de Nelson Mandela, justificando eventuais ações do povo negro na luta contra o apartheid:

É O OPRESSOR QUE DEFINE A NATUREZA DA LUTA

"A lição que aprendi com a campanha (contra a remoção do povo negro de Sophiatown em 1955) foi que no final nós não tínhamos alternativa alguma senão resistência armada e violenta. Repetidamente, havíamos utilizado todas as armas de não violência em nosso arsenal - discursos, delegações, ameaças, marchas, greves, ficar em casa, prisões voluntárias - tudo em vão, pois tudo o que fazíamos era respondido com mão de ferro. Um guerreiro pela liberdade aprende da maneira mais difícil que é o opressor quem define a natureza da luta, e ao oprimido frequentemente não se deixa recurso algum senão utilizar métodos que espelham aqueles do opressor. Em certo momento, só é possível lutar contra o fogo usando fogo" (pág. 206. Longa Caminhada até a Liberdade, Nelson Mandela)


- Ai se fôssemos mandelas...

quarta-feira, 10 de julho de 2019

100719 - Diário e reflexões - Luto



Refeição Cultural

Meus blogs já me salvaram de processos de assédio moral e lawfare durante meu mandato na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, quando representava a classe trabalhadora como dirigente eleito. Depois de inventarem mentiras a meu respeito para me prejudicarem, foi através da transparência que mantive de meus mandatos através dos blogs que desfiz as mentiras e maledicências montadas contra mim. 

Neste espaço público - este blog de cultura e o blog que mantinha para prestar contas das lutas bancárias -, registrei ao longo de uma década uma prestação de contas dos mandatos de representação. Onde estava, o que fazia e o que defendia enquanto representante de classe. Por persistência, mantive uma disciplina absurda na confecção de textos e postagens. Para isso, abri mão inclusive de dormir o suficiente por anos de militância. Valeu a pena!

Hoje, este blog é um espaço público que ainda busca um sentido num mundo que mudou completamente. Falo para quase ninguém, mas ao menos posso expressar o que penso ou sinto. Neste sentido, registro agora meu pesar, meu luto, pelas perdas deste dia para o Brasil, para os brasileiros e para a militância social que luta para construir um mundo melhor, mais justo, igualitário, democrático e com liberdade.

A morte do jornalista Paulo Henrique Amorim é um golpe duro para o movimento que luta por liberdade de expressão e por uma regulamentação nos meios de comunicação, monopolizados por alguns barões desde sempre. PHA, será muito difícil não ter você amanhã e depois e depois. Sinto muito! Sinto mesmo! Companheiro Paulo Henrique Amorim, presente! Desejo que a família encontre forças para lidar com a perda.

As perdas de pessoas que contribuíam para um mundo melhor, através de suas áreas de atuação foram impactantes para nós. Faleceu o professor Chico de Oliveira, sociólogo aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Passei a ouvir e ver o professor Chico de Oliveira, logo depois que entrei na Faculdade de Letras, da FFLCH, em 2002. Me lembro das posições firmes dele nos debates no auditório da História/Geografia sobre a reforma da previdência levada adiante pelo governo do PT em 2003. Grande pensador! Perdemos muito com sua ausência. 

Nestes dias, perdemos também o cantor e compositor João Gilberto e o ex-guerrilheiro Carlos Eugênio da Paz, conhecido como comandante Clemente, último líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), militante que assumiu o comando após o assassinato de Carlos Marighella pelo regime de exceção que vigorou por duas décadas no Brasil, antes do atual regime de exceção, com o golpe de 2016.

E para completar as perdas por morte de cidadãos que honraram a raça humana, os canalhas no Congresso Nacional, com o apoio de seus asseclas nas demais instâncias do poder estatal, passaram por cima de qualquer garantia de bem estar-social que fora conquistada na Constituição Federal através das lutas populares nos anos oitenta e liquidaram a previdência social brasileira e a aposentadoria de dezenas de milhões de pessoas. Essa traição ao povo brasileiro equivale a assassinar milhares de pessoas a partir de agora e pelos próximos anos. Essa terra miserável pode se igualar em miséria à grande maioria dos países do continente africano.

O Brasil nunca mais será o mesmo. Algumas poucas pessoas conseguiram destruir a vida de milhões de pessoas. Eu cheguei aos 50 anos de idade sem entender por que as pessoas de minha classe são tão alienadas, tão manipuláveis, e tão passivas frente à humilhação de poucos seres humanos que são mortais como nós, mas que conseguem subjugar a massa idiotizada e bovina.

Morte a todos nós, que permitimos nos tirarem tudo sem lutar, sem nenhuma reação à altura nas ruas e praças do país. Derrubaram uma presidenta eleita por 54,5 milhões de votos e não fizemos nada. Acabaram com os direitos trabalhistas e com todos os avanços dos governos do PT para milhões de pessoas e não fizemos nada. Prenderam o presidente Lula numa masmorra, e mesmo com toda a comprovação (já sabíamos) das fraudes processuais através das matérias do The Intercept, que vem divulgando há semanas que os sujeitos responsáveis pela Lava Jato montaram toda a fraude e que o processo contra Lula foi para destruir o país e os direitos do povo, não fizemos nada!

Não fizemos guerra alguma. Não reagimos. Seguimos passeando nos shopping centers da vida, assistindo futebol e televisão, seguimos nos mi-mi-mi de nossas redes sociais imbecilizantes. O fim dos direitos do povo e da soberania do país, levados adiante por poucos seres humanos, mortais como nós, só nos enche de vergonha - quem a tem -, e nada mais! Eu não sei como aguentamos tudo isso, como não explodimos ainda. Alguns corações, e artérias e veias, estão explodindo, na verdade...

Estou de luto neste dia 10 de julho de 2019 pelas perdas de grandes combatentes por um mundo melhor como Paulo Henrique Amorim e Chico de Oliveira. Estou oco e sem sentimento em relação ao fim da previdência e do sistema de seguridade brasileira. O povo não fez nada para manter esse direito básico à vida, não fez nada! Acho que merecemos o fim de tudo. 

Viva a lei dos mais fortes e mais adaptados.

William

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Leitura: Manual Inútil da Televisão (2016) - Paulo Henrique Amorim





"Esse Conselho não vai se instalar.
Se for instalado, não vai funcionar."
"Por quê?", perguntei.
"Porque a Globo não quer."
Antonio Carlos Magalhães sobre
o Conselho de Comunicação Social
para vigiar a televisão, criado pela
Constituição de 1988.
Instalou-se.
E não funcionou.

(Manual Inútil da Televisão, PHA)


Refeição Cultural

Hoje é um dia triste. Esta semana foi uma semana de tristeza. Neste sábado, Dona Marisa Letícia Lula da Silva foi velada na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Faleceu em decorrência de um AVC hemorrágico. Seu companheiro de décadas de lutas pelo povo e pelo Brasil, o ex-metalúrgico e sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, nosso eterno Presidente, em ato de grandeza e em defesa da vida, autorizou a doação dos órgãos de Dona Marisa.

O Brasil está hoje sob estado de exceção após golpe de Estado em 2016. Estamos vivendo tempos de tristeza, de sofrimento e de pouca esperança para a classe trabalhadora e para o povo que não se situa naquele seleto grupo de pouco mais de 1% de humanos que detém os poderes do mundo. Humanos capitalistas que detêm as riquezas, as propriedades, as empresas, os meios de produção e de manipulação de massas, detêm o poder do Estado Nacional porque seus capitães do mato estão instalados nos espaços institucionais das estruturas estatais - poderes executivo, legislativo e judiciário. Os tempos são de iniquidades contra o povo, os 99%.

Tenho tentado transitar pela vida buscando estratégias para lidar com o sofrimento psicológico e a dor que adoecem as pessoas que pertencem às lutas coletivas e populares em defesa de um mundo com mais igualdade, justiça distributiva, um mundo com valores mais humanistas, com maior liberdade e tolerância às diferenças, um mundo organizado para a solução pacífica das controvérsias e não pela guerra e extermínio do outro. Pertenço a esta pequena parcela das populações, pessoas militantes que se envolvem com lutas sociais. Que se importam e buscam mudar as realidades através de atitudes e ações. 

O conhecimento e a politização dos cidadãos ao mesmo tempo nos liberta da alienação causada pela ideologia da classe dominante, quanto nos causa sofrimento e dor ao ver tanta iniquidade e manipulação de nossos pares da classe trabalhadora e perceber que somos, muitas vezes, impotentes em não conseguir mudar a realidade.

Estou há quinze anos atuando em nome da classe trabalhadora como representante eleito em algum espaço social.



Ler e buscar o conhecimento segue sendo uma ação libertadora para o ser humano

Uma das estratégias que continuo adotando para atuar como representante de trabalhadores e como cidadão consciente e não alienado politicamente é ler, estudar, buscar bons autores e boas referências para ampliar o nível de conhecimento técnico, em nossa área de atuação, e político, buscando conhecimento laico e não estreito numa única área de saber, para não ser uma pessoa monotemática.

Acabei de ler meu primeiro livro de fevereiro, do jornalista Paulo Henrique Amorim - Manual Inútil da Televisão e outros bichos curiosos (2016). Ganhei o livro de presente de minha esposa em dezembro e entrou na lista de leituras gerais para este ano. A leitura é leve e tenho conhecimento de quase tudo que PHA nos conta em seus mais de quarenta anos de carreira. Conheço a maior parte das coisas por causa de minha atuação como cidadão político há quase duas décadas.

Mas soube de coisas novas do mundo do 4º poder, o poder que acaba sendo o poder único, maior, porque os meios midiáticos e a tecnologia da informação conseguiram dar o poder a poucas pessoas no mundo, de forma diversa de outros séculos e de outras histórias da humanidade. Algumas pessoas detêm todo o poder de informação, e acabam manipulando as massas pela concentração dos meios materiais e provedores de comunicação mundial. Vejam o poder dos irmãos Marinho, das famílias Civita, Mesquita e Frias. Eles são donos das pautas e dos desejos do povo brasileiro. Alguém pode discordar, mas eles mandam no seu desejo, mesmo que você tente evitar.

Em janeiro, mês que estive em férias, consegui ler muito, finalizar alguns livros e ler inteiro outros. Isso foi importante e sem dúvida tem algum efeito positivo sobre o meu ser. Nem que seja para eu poder manter a chama de minha consciência sobre o meu papel social e participante daquele pequeno grupo que citei acima, o dos voluntários e militantes sociais de causas coletivas e populares.

1. LTI A Linguagem do 3º Reich, 1947, do alemão Victor Klemperer

2. Fausto, 1770-1831, do alemão Goethe

3. O Rio, 1953, de João Cabral de Melo Neto

4. O sol também se levanta, 1926, do americano E. Hemingway

5. Mar morto, 1936, de Jorge Amado

6. Libertinagem, 1930, de Manuel Bandeira

7. Estrela da manhã, 1936, de Manuel Bandeira

8. Memorial de Aires, 1908, de Machado de Assis

9. Discurso da servidão voluntária, s. VXI, do francês Étienne de La Boétie

10. Paisagens com figuras, 1954/55, de João Cabral de Melo Neto

11. Morte e vida severina, 1954/55, de João Cabral de Melo Neto

12. Uma faca só lâmina, 1955, João Cabral de Melo Neto


Foram leituras muito enriquecedoras para este cidadão que vos fala.

Seguimos lendo e buscando esperanças para as ações, apesar do pessimismo da razão.

William