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| Capa de uma edição do livro de Fernando Sabino. |
Refeição Cultural
CLÁSSICOS DE LITERATURA BRASILEIRA
Introdução
Gastei trinta
anos para ler este livro desde o momento em que ele me foi apresentado. É verdade!
Eu tinha
entre doze e treze anos quando o Rener, irmão do Fernando, chorando de rir,
tentava ler em voz alta para mim o episódio do cuspe no sapato. O moleque
tentava ler e começava a rir sem parar. Nós estávamos no quintal da casa dele,
que ficava na rua ao lado de onde eu morava, um barracão de placas de muro no
terreno da minha avozinha Cornélia, falecida em 2012.
Eu nunca me
esqueci daquela cena sobre O Grande Mentecapto.
Algumas pessoas
dizem que não somos nós que escolhemos os livros, e sim o contrário, os livros
que nos escolhem. Não sei dessas coisas, não.
Mas fato é
fato. Eu estava saindo para descer para a Praia Grande - SP, onde estamos
passando alguns dias, e já havia decidido quais livros levaria: Grande
Sertão: Veredas (que estou relendo) e Os cem melhores contos brasileiros
do século, organizado por Italo Moriconi. Já com a porta aberta e
colocando as mochilas no hall, voltei para a estante, olhei para ela e o livro de
Fernando Sabino quase pulou na minha mão. Peguei ele e saí.
Li o livro
com voracidade em “três sentadas” aqui na colônia de férias do Sinpro - SP,
onde me encontro.
Acho que
não chorava tanto de rir desde quando li, faz alguns anos, os livros Dom
Quixote de La Mancha e outro de Fernando Sabino, O menino no espelho.
AVENTURAS E DESVENTURAS DOS
MENTECAPTOS DO MUNDO
Talvez o
gostoso desta obra seja o jeito mineiro de Fernando Sabino contar os causos que
nos faz rir à larga.
Fui buscar
no blog os comentários que eu havia feito quando li, também por acaso, o outro
livro dele – O menino no espelho. Eu havia comprado o livro para meu filho,
a pedido da escola dele. Acabei pegando a obra e lendo antes do garoto.
No meu comentário
sobre a outra obra dele está a observação que o livro me havia feito chorar de
rir. Isto é muito raro em se tratando da pessoa que sou. Ou seja, esse autor
tem o dom de me fazer rir.
O livro
conta a vida do personagem Geraldo Viramundo. O estilo é semelhante aos livros
que narram vidas de personagens “especiais” enquanto representações da espécie
humana como, por exemplo, Lazarillo de Tormes, Dom Quixote, Macunaíma, o
sargento de milícias, dentre outros. Ah, eu não poderia deixar de incluir aqui
o personagem Forrest Gump.
EPISÓDIOS DE UMA VIDA VIRAMUNDO
Eu não vou
colocar aqui as passagens que me fizeram chorar de rir, porque elas têm um
contexto com toda a história de Viramundo. Aos amantes da literatura, recomendo
pegar o livro e ler em um fim de semana.
Além dos
episódios hilariantes, nós também alternamos momentos em que ficamos muito
sensibilizados com os martírios sofridos por Geraldo Viramundo.
Das cenas engraçadas,
eu posso dizer que são inesquecíveis:
- A do cuspe
no sapato;
- A interpretação de Viramundo na encenação da Inconfidência Mineira (essa eu passei
mal);
- A do debate
público entre Viramundo e o professor Praxedes Borba Gato na disputa pela
prefeitura de Barbacena;
- A cena da
merda no ventilador na festa de recepção ao senhor Governador.
Podemos
dizer que em cada um dos oito capítulos, há uma alternância de aventuras e
desventuras do grande mentecapto Viramundo.
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NA LITERATURA ESTÁ O
MELHOR DO MUNDO
Tenho escolhido
os períodos de final de ano e férias para saciar o desejo de degustar grandes
clássicos da literatura mundial.
Foi assim
nos últimos anos que consegui ler A montanha mágica de Mann, Dom
Quixote de La Mancha, Ulisses de Joyce, e clássicos às
vezes não tão volumosos quanto esses, mas que sempre estiveram guardados na
estante à espera deste leitor.
Hoje, me
realizei lendo O Grande Mentecapto. Foi muito prazeroso. Até ri...
Faltam tantos
livros em minha estante à espera para serem lidos... Tantos! E o tempo é tão
escasso!
Eu deveria
ter escolhido uma vida onde pudesse me sustentar e pagar as contas da existência
fazendo o que mais tenho desejo: lendo e estudando.
Minha vida
proletária não caminhou assim. E a culpa não é de ninguém.
Lembrando a
minha vida, posso afirmar que na literatura está uma das melhores coisas do
mundo. Nela está o entendimento e a busca de compreensão do mundo.
Aos que
puderem e tiverem oportunidade, leiam os clássicos da literatura mundial. Neles
estão os segredos, as descrições, as elucubrações, os sonhos e pesadelos mais
reais e irreais da longa caminhada do ser humano por este planeta tão antigo e
tão novo em se tratando da existência de nossa espécie.
É isso! Mais
um clássico desvendado! (fui feliz)
William


