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domingo, 5 de janeiro de 2025

Leitura de poesia (35) - Desacordo, Marili Santos



DESACORDO - MARILI SANTOS

 

À revelia

 

dessa nova ortografia

 

para, já disse

 

pára porque eu quero

 

ver o vôo das palavras,

 

com trema e

 

que tremam os gramáticos!

 

Pelo menos largaram

 

o circunflexo da sequência;

 

que faço com as saudades do

 

éi- ói, terrível epopeia;

 

À queima-roupa arrancaram

 

do pé de moleque e do olho da sogra

 

o tal do hífen e a exceção ficou

 

ao deus-dará.


Do blog Valsa Literária (valsaliteraria.blogspot.com)

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COMENTÁRIO:

Completei a leitura das primeiras cem publicações do blog da professora e escritora Marili Santos. Como já comentei em textos anteriores, a autora desenvolve suas criações literárias em diversas formas discursivas.

Gostei bastante dos contos "A espera da personagem" e "A face azul". Os temas foram bem desenvolvidos e a contista consegue manter a curiosidade das leitoras e leitores sobre o que vem no episódio seguinte. Marili publicou na forma de folhetim, capítulo por capítulo.

Lembro aqui aos leitores e leitoras do blog Refeitório Cultural que estou lendo as criações literárias da poeta, cronista e contista Marili Santos desde o início da página dela em 2011.

Me identifiquei com o tema do poema "Desacordo" porque também tive minhas discordâncias com as reformas impostas pelo Novo Acordo Ortográfico. Escrevi sobre isso algumas vezes no blog.

"o tal do hífen e a exceção ficou / ao deus-dará."

Além de muita coisa ter ficado "ao deus-dará" na língua portuguesa, ainda tenho outras teorias sobre a linguagem humana e as consequências das novas tecnologias do século XXI: avalio que a humanidade vai perder parte considerável de sua capacidade de escrever e manter a linguagem escrita.

Enfim, sigamos lendo poesia e outras formas de linguagem literária e de cultura.

William


terça-feira, 26 de novembro de 2024

Diário e reflexões - Ushuaia (ARG)


Vista aérea.

Refeição Cultural

Ushuaia (ARG), 26 de novembro de 2024. Terça-feira.


Impressões

Escrever sobre um lugar que se está conhecendo enquanto a viagem está em curso não é um trabalho simples para mim. Em geral, prefiro estudar um pouco a respeito da geografia do local, da cultura de seu povo e da história daquela comunidade para me sentir mais confiante em não escrever bobagem.

Extremo Sul da Argentina.

Estamos em Ushuaia, na Argentina, a cidade mais austral do país e do continente americano. Mais "austral" significa mais ao Sul. Pelo que ouvimos por aqui, estamos a cerca de mil quilômetros da Antártida. Como estamos em novembro, não está em período de neve, porém, faz frio diariamente. Nesta semana, a temperatura está entre 4 e 5º e chegando a 13º. Anoitece depois das 22h e amanhece lá pelas 5h da manhã. O vento é muito gelado.

Paisagem da janela.

Saímos de São Paulo no sábado de noite e após dois voos ao longo da noite, chegamos a Ushuaia pouco depois das 10h da manhã. Viemos pela companhia aérea Aerolineas Argentinas. Não houve atrasos e correu tudo bem nos voos. São umas três horas até Buenos Aires e mais três horas e pouco até a "Terra do fim do mundo", um dos simpáticos apelidos da cidade. Os assentos dos voos são muito apertados, alguém maior que nós sofreria muito.

Calle San Martín.

Tudo aqui é muito caro, ao fazer o pacote de viagem já sabíamos disso. Achamos melhor contratar os passeios que faríamos com nossa agente de viagem. Querem exemplos de valores em reais na conversão ao pagar com cartão de crédito? Dois pratos de macarrão com refrigerante num mercadinho local: 162 reais (26.800 pesos). Duas garrafas de 1,5L de água: 30 reais (4.800 pesos). Uma refeição pode custar de 10.000 a 35.000 pesos, ou seja, de 60 a 200 reais, uma refeição! Sabem quanto custam duas entradas no museu local? 36.000 pesos cada (uns 450 reais o casal).

Hotel Albatros.

Apesar de apontar essa primeira impressão sobre os preços das coisas e os perrengues comuns de voos como, por exemplo, assentos apertados, a viagem para conhecer a cidade de Ushuaia está valendo muito a pena. É evidente que há nos preços locais um componente relativo às características da cidade: distante de tudo e foco no turismo. 

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Comendo uma pizza.

Viajar é uma experiência incrível e conhecer lugares e culturas diferentes da nossa é algo que nos marca para sempre.

Se conseguir, vou fazer algumas postagens sobre a experiência cultural ao se visitar o "fim do mundo". 

Na extensão do Blog Refeitório Cultural, dedicada a fotos, farei postagens com imagens que tenha gostado (ver aqui).

William Mendes

26/11/24


sexta-feira, 4 de outubro de 2024

ICL - Estudando Língua Portuguesa e Literatura (1)



Refeição Cultural

TIPOLOGIA TEXTUAL, GÊNEROS TEXTUAIS E TEXTOS JORNALÍSTICOS E MIDIÁTICOS

As aulas que estou assistindo do Instituto Conhecimento Liberta são conteúdos formativos da plataforma de estudos e estão disponíveis a todas as pessoas que passam a integrar o projeto se associando ao instituto. Sou associado desde o primeiro ano, renovei minha 4ª assinatura.

O blog Refeitório Cultural recomenda muito a participação e apoio ao projeto de Eduardo Moreira e Jessé Souza e toda a equipe ICL. O conceito é o que pensamos desde o início do blog em 2007, compartilhar conhecimentos de forma gratuita. O blog atua com o conceito WIKI (What I Know Is) e o ICL tem uma mensalidade simbólica para acesso a quase 300 cursos.

As aulas que estou vendo de Português e Literatura da professora Juliana Giannini são de um dos eixos formativos do ICL. Neste caso, do grupo de cursos preparatórios para o ENEM, aulas ministradas em 2021. As aulas são muito didáticas e com muita qualidade.

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LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA

Juliana nas três primeiras aulas traz conceitos de Mikhail Bakhtin sobre gêneros textuais. O linguista russo é um clássico para nós que estudamos Letras. Peço licença à profa para citar essa parte da aula dela.

GÊNEROS TEXTUAIS

* São tipos relativamente estáveis de enunciados, caracterizados por três elementos: conteúdo temático, estilo e construção composicional.

* A escolha de um gênero se determina pela esfera (contexto), pelas necessidades do tema, pelo conjunto dos participantes (falante/escritor e ouvintes/leitores) e pela vontade enunciativa ou intenção do locutor.

GÊNEROS JORNALÍSTICOS

A professora descreve uma série de gêneros textuais encontrados no jornalismo como, por exemplo, notícias, reportagens, charges, tirinhas, artigos, editoriais etc.

Achei legal a forma como ela explica as diferenças em dois desses gêneros textuais: 

NOTÍCIAIS E REPORTAGENS, ambas com função social de informar, divulgar e relatar fatos e acontecimentos. No entanto, as reportagens são mais detalhadas, longas e aprofundam mais o tema ou assunto tratado. Elas devem ter um caráter descritivo ou narrativo (e não dissertativo ou argumentativo) e devem estar na 3ª pessoa, evitando-se opinião ou comentários explícitos.

COMENTÁRIO - Percebem como essas características NÃO são respeitadas pela imprensa tradicional brasileira! Nossa imprensa golpista faz exatamente o contrário de tudo que se deveria respeitar em notícias e reportagens.

Depois, Juliana explica os EDITORIAIS e os ARTIGOS DE OPINIÃO. O primeiro expressa a opinião do veículo de comunicação. O segundo expressa a opinião de um articulista. A função social dos dois gêneros textuais é exprimir opinião sobre temas.

Achei interessante a professora Juliana explicar o fenômeno da "pós-verdade", algo muito relevante na atualidade das redes sociais e das mídias digitais. As pessoas precisam estar muito mais atentas hoje e preparadas para saber identificar as fontes de informações e os conteúdos em circulação.

Enfim, mesmo tendo boas noções dos temas Língua Portuguesa e Literatura, gostei muito das aulas, do conteúdo desenvolvido pela professora Juliana Giannini e a didática dela.

Só o conhecimento nos liberta!

William


segunda-feira, 8 de julho de 2024

44 de 100 dias



44. Vendo os materiais antigos de estudos de língua inglesa e espanhola dos anos oitenta e noventa, resolvi preservar aqueles nos quais estudei efetivamente à época. 

O material do English Center - English My Way - eu estudei de verdade no fim dos anos oitenta. Eu tinha vinte anos de idade. 

Depois de completar o curso presencial nas seis apostilas, fiz um curso avançado na mesma rede de idiomas, no CCI, que era na Av. Rebouças. 

Cheguei a trabalhar na escola de idiomas no ano de 1991, não como professor de línguas, trabalhei no escritório. 


Os materiais que não vou preservar comigo foram adquiridos com esforço por aquele rapaz trabalhador, mas não cheguei a utilizá-los. Nem os de inglês e espanhol com CDs, nem o de espanhol da Globo, que adquiri em sebo.

William 



quarta-feira, 3 de julho de 2024

39 de 100 dias



39. Uma das coisas que tenho observado ao ler os materiais de línguas estrangeiras, o de inglês, por exemplo, é o quanto o conteúdo é ideologizado, é o puro suco capitalista, imperialista e colonial. 

É um conteúdo de brancos do norte para adestrar não brancos das periferias do capitalismo. Incrível e nojento isso!

As histórias são binárias, há sempre mocinhos e bandidos. Os mocinhos têm autorização para matar (do tipo James Bond).

Os materiais vendem a ideia de um mundo perfeito, lindo, limpo, fraterno entre as pessoas de posses e bem-comportadas socialmente. 

Os "desajustados", os miseráveis, se não estão presos, estão em vias de serem presos. 

Que dureza isso!

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A PROCURA DA FELICIDADE (NÃO SENTIR DOR)

Dando seguimento à procura de diagnósticos para minhas dores crônicas, retornei ao especialista de quadril e o ortopedista me explicou os desgastes todos que tenho na região... tenho que conviver com isso... (um dia, talvez, terei que operar)

É fundamental tentar recuperar um pouco a estrutura muscular da região... algo que sei que é bem difícil. Ainda mais depois dos 55 anos...

Enfim, é a vida! Somos natureza. Como já sei, cada ser envelhece do seu jeito, de acordo com seu percurso existencial e a genética que carrega dentro de si.

O fato concreto é que as dores estão aumentando. Que treco chato!

Seguimos fazendo o que está ao meu alcance para estar no mundo com as pessoas. E para tentar aprender algo novo e passar adiante. 

William 


terça-feira, 2 de julho de 2024

38 de 100 dias



38. Ao longo da vida adulta, acabei acumulando muito material de estudos de línguas estrangeiras. Acho que realmente tive o desejo de ser um poliglota. 

Tenho materiais de inglês, espanhol, francês, italiano, latim e japonês. Confesso que gostaria de poder ler, escrever, falar e compreender esses idiomas. O espanhol e o inglês até aprendi as quatro habilidades. O inglês está enferrujado, claro! O espanhol, nem tanto.

Mas a maior parte do meu tempo humano foi gasto em tarefas diárias para sobreviver, para me estabelecer na vida: vender meu corpo e meu tempo aos que pagaram por ele. 

Fiquei acumulando coisas com o intuito de utilizá-las um dia, no futuro.

O futuro chegou. O que usei, usei. Muita coisa não usei. Muita coisa não vou usar mais. No momento, estou avaliando o que será daqui adiante. 

Enfim, aos poucos vou avaliando coisas e refletindo sobre tudo. 

Mais um dos 100 dias de organização das coisas e busca de sentidos.

William 


quinta-feira, 27 de junho de 2024

33 de 100 dias



33. Nos anos oitenta e depois nos noventa, queria aprender línguas estrangeiras. 

Voltei a São Paulo com dezessete anos disposto a "vencer na vida", depois dos anos que passei em Uberlândia. Que faria? Trabalhar onde? Não se tinha muitas opções de emprego.

O inglês foi o idioma que decidi aprender por ser a língua que dominava o mundo e que daria as melhores oportunidades de trabalho. Era o que eu imaginava. 

Nos primeiros anos em São Paulo, eu estava disposto a fazer qualquer trabalho, topava até sair do país para trabalhar fora. Pensei nos Estados Unidos, Inglaterra, no Japão como dekasségui ou até no Iraque.

Enfim, a vida seguiu seu curso. Trabalhei em depósito de palmito, lanchonete, escola de idiomas e só depois virei bancário. 

Aprendi um pouco da língua inglesa. Me comuniquei em inglês em situações que precisaram, inclusive quando estive duas vezes nos Estados Unidos, após os quarenta anos de idade, já estabelecido na vida como trabalhador da categoria bancária. 

Agora me pergunto, olhando o monte de materiais de inglês das mais variadas épocas e didáticas diversas: o que essas coisas dos anos oitenta e noventa estão fazendo na minha casa até hoje? O quê? Qual a utilidade de materiais de inglês de tudo quanto é tipo de conteúdo na atual quadra da minha vida?

Três décadas depois, tudo no mundo é instantâneo e virtual. Meu apego a coisas velhas é uma mania que precisa ser mudada. 

Estou nesse momento banal e pouco útil da existência. Após fazer coisas grandes e importantes coletivamente na minha vida adulta como membro da classe trabalhadora, hoje não consigo ser prático nas coisas domésticas, na desorganização da vida privada.

Não desisto. Sigo buscando mudanças e sentidos. 

William 


segunda-feira, 1 de abril de 2024

Língua Espanhola I - Ano 2002 (II)



Refeição Cultural

Revisita aos estudos de graduação na FFLCH-USP


Folheando um pouco a apostila do primeiro ano de estudos de idiomas, achei interessante rever o fenômeno do Yeísmo na Língua Espanhola.

Para deixar uma referência atual, cito abaixo a definição do fenômeno do dicionário da Real Academia Española (RAE):

Yeísmo - 1. m. Fon. Desaparición de la diferencia fonológica entre la consonante lateral palatal y la fricativa palatal sonora, de manera que, en la pronunciación, no se distinguen palabras como callado (silencioso, reservado) e cayado (bastón, palo).

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Na apostila, tem uma seção inteira dedicada ao tema. Transcrevo o texto abaixo para fins didáticos.

LL - Y (delante de vocales)

La pronunciación de los fonemas representados por la LL e por la Y (esta con vocales) se hace distintamente en el mundo hispánico.

a) Distinción entre LL / Y: la LL se pronuncia como la LH del portugués y la Y con un sonido consonante. Algunos hablantes de España y de buena parte de América (sobre todo del altiplano andino) distinguen la pronunciación de estos fonemas, pero actualmente hay una fuerte tendencia a igualarlos.

b) El yeísmo: consiste en igualar la pronunciación de la LL a la de Y. El yeísmo está muy difundido en Hispanoamérica, aunque presente diferencias, por exemplo: en la región del Río de la Plata, la LL/Y suenan como la J del portugués, en Chile la pronunciación de estos fonemas es más suave que la pronunciación rioplatense y en el Caribe la pronunciación de la LL/Y se aproxima de una I. En España el yeísmo se está imponiendo a la distinción LL/Y.

Según Manuel Seco, el yeísmo existe hoy en España (ou seja, 2002): en toda Andalucía, en Murcia (sólo en las ciudades), en Extremadura, en Castilla la Nueva (principalmente en Madrid, Toledo y Ciudad Real), en Castilla la Vieja (Ávila, Valladolid), en Cantabria (Santander), en León (Salamanca, capital), en Asturias (Oviedo y Gijón), en Cataluña (Cuencas del Ter y Llobregat) y las Islas Baleares y Canarias.

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COMENTÁRIO:

Como falante de língua portuguesa que aprendeu língua espanhola, posso dar o depoimento de experiências locais ao ouvir falantes de espanhol.

Já estive em Madri e Toledo, na Espanha. Já estive também no Chile, Argentina, Uruguai e em Cuba. Por ter estudado o idioma, fiquei atento aos falares nessas regiões.

De fato, na Argentina e Uruguai é muito claro o Yeísmo com som de J ou CH do português. No Chile é bem suave a pronúncia. Em Cuba eu consegui perceber o som mais próximo ao I. E a fala dos espanhóis de Madri é bem mais "cantada" em relação às falas dos hispano-americanos.

O estudante de espanhol precisa treinar o ouvido para os diversos "acentos" dos falantes da língua.

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LA "LL"

CALLE  VILLA  LLORAR  LLUVIA  CALLISTA  ESTRELLA

No hay pueblo como mi pueblo,

ni valle como mi valle,

ni casa como mi casa,

ni calle como mi calle.


La chiquilla, con la lluvia, a la villa lleva la llave.

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LA "Y"

AYUDAR    YERNO    YA    YO    YUGULAR    HOYO

Ya viene mayo, mayo,

Ya viene el rumbo,

Ya viene la alegría

pa todo el mundo.


¡Ay, mal haya, mal haya

mi cobardía,

que por ser yo cobarde

no eres tú mia!


El yerno del yegüero da yerba a la yeguada.


Referências: Valmaseda Regueiro, 1992.

Textos y grabaciones adaptados de BRUNO, Fátima C. & MENDOZA, Maria Angélica. Hacia el español 1. São Paulo, Saraiva. Unidad 8, Hacia Letras y Sonidos.

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Tradución:

Yerno: genro

Yegua: hembra del caballo

Yerba: erva, capim

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A primeira postagem deste tema pode ser lida clicando aqui.

William


Fonte: Apostila da Faculdade de Letras/USP, 2002.


sexta-feira, 29 de março de 2024

Língua Espanhola I - Ano 2002 (I)



Refeição Cultural

Revisita aos estudos de graduação na FFLCH-USP


Entrei na Universidade de São Paulo no vestibular do ano de 2000 e comecei a cursar a Faculdade de Letras em 2001. Já não era um jovem se comparado com a maioria dos estudantes do curso noturno, que tinham uns dez anos a menos que eu. Fiz o primeiro ano do Ciclo Básico com 32 anos de idade. 

No ano seguinte, comecei a cursar a Língua Espanhola, a habilitação que escolhi durante o Ciclo Básico, juntamente com a habilitação em Português. 

O curso de graduação acabaria por se estender por muitos anos porque eu era sindicalista e todos os segundos semestres eu tinha dificuldades de assistir às aulas porque era o período de data-base da categoria bancária. Com o tempo, até os professores sabiam que eu teria dificuldades em concluir as disciplinas se a campanha dos bancários fosse complicada.

LÍNGUA ESPANHOLA

Estava revendo a primeira apostila de Língua Espanhola e achei interessante o material. Estou falando de um material didático de mais de duas décadas atrás, praticamente não existia a internet como nós a conhecemos hoje. Os estudantes de línguas tinham que ouvir fitas cassete em laboratórios para terem contato com a língua que estavam estudando.

ALFABETO

Na época do curso, o alfabeto espanhol continha 29 letras. Fui consultar agora, no curso de espanhol do ICL e a professora Pilar explicou que o alfabeto contém 27 letras porque o LL e o CH passaram a ser considerados dígrafos desde a Reforma de 2010.

Ou seja, essas mudanças acontecem nas línguas vivas, com o passar do tempo podem ocorrer mudanças nas normas e usos das línguas.

Finalizo esta postagem de revisita aos estudos de Língua Espanhola com um poema de Pablo Neruda, que nós estudamos na aula de idioma para conhecer as diferentes formas de falar LL e Y porque existe o fenômeno do Yeísmo na Argentina e Uruguai, com o som diferente da maioria dos países que falam a língua.

POEMA XV

Me gustas cuando callas

porque estás como ausente

y me oyes desde lejos

y mi voz no te toca.

Parece que los ojos

se te hubieran volado

y parece que un beso

te cerrara la boca.

Me gustas cuando callas

porque estás como ausente,

y estás quejándote,

mariposa en arrullo,

y me oyes desde lejos

y mi voz no te alcanza.

Déjame que me calle

en el silencio tuyo.


(In: XX poemas de amor y una canción desesperada)


A apostila perguntava para os alunos, após ouvirem o poema declamado por uma pessoa da Espanha e outra da Argentina, qual era a diferença que mais chamava a atenção.

O Yeísmo, um som mais de "lh" na Espanha e mais de "ge" ou "dje" na Argentina. O LL e o Y também podem ter um som mais próximo ao "i" em algumas regiões de fala espanhola como no Caribe, por exemplo.

Fiz uma postagem sobre o fenômeno do Yeísmo, para ler é só clicar aqui.

É isso. As minhas lembranças da Universidade de São Paulo são algumas das melhores de minha vida de estudante. Entrei lá pensando em ser professor, mas as veredas da vida me levaram para outros caminhos.

William


sábado, 4 de novembro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 4 de novembro de 2023. Sábado.


Leio sobre o massacre em Canudos enquanto ouço e leio sobre o massacre de palestinos em Gaza... Ontem e hoje, parece que não aprendemos nunca!

Achei que fosse acabar a leitura do livro de Euclides da Cunha, Os Sertões, e não consegui, mesmo lendo bastante nos últimos dois dias. Ô livro difícil da porra pra ler! 

A começar pela linguagem usada pelo escritor. Em uma frase com dez palavras, muitas são impronunciáveis e de semântica desconhecida para a maioria dos leitores, tanto os de hoje quanto os contemporâneos ao lançamento da obra. Que foda escrever assim!

Querem um exemplo, já da terceira parte "A luta"? Nem estou falando daquelas partes um e dois - "A terra" e "O homem" -, de linguagens pseudotécnicas e indecifráveis.

"Porque a ação se delongava. Delongava-se anormal, sem o intermitir das descargas intervaladas, o tiroteio cerrado e vivo, crepitando num estrepitar estrídulo de tabocas estourando nos taquarais em fogo... " (p. 463, edição Publifolha, 2000)

Aliás, ao falar de linguagem, de escolha de palavras e semântica etc, temos a questão do nome do escritor de Os Sertões: seria Euclydes ou Euclides? A polêmica já se arrasta há décadas entre nós das áreas das Letras. 

Em uma reportagem especial sobre os cem anos de Os Sertões, publicada no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, de 7 de dezembro de 2002, explica-se que a grafia antiga e original era com "y" e que regras da Língua Portuguesa posteriores a 1943 (Reforma Ortográfica) sugerem que palavras com o antigo "y" passem a ser escritas com "i". Na matéria, tem intelectuais que defendem se manter Euclydes e outros que defendem Euclides...

Eu não faço cavalo de batalha nisso não. A vida toda escreveram meu nome do jeito que sempre quiseram, e mesmo com o documento em mãos! Escrevem meu nome errado com a porra do documento em mãos. Com "n" no fim, com "m", mas com um "l" só, com "i" ou com "y", com "w" ou com "u"... Enfim, Euclydes ou Euclides dá na mesma para este blogueiro. Eu tenho edições da obra escritas dos dois jeitos, e aí, qual adoto? Escolhi Euclides de forma aleatória, não foi baseado em nenhum tratado ortográfico.

Enquanto tento acabar a leitura de Os Sertões, leitura que comecei em 2007... juro pra vocês, eu li as duas primeiras partes naquela época, depois me deu uma má vontade do caramba pra acabar o livro, pois eu já sabia do genocídio que a história iria mostrar. 

Francamente, ter lido quase 170 páginas daquela descrição preconceituosa das partes um e dois já foi uma façanha e tanto! Me martirizar lendo quase 300 páginas de genocídio era muito pra mim à época. Parei a leitura. Só fui retomar agora por causa do curso "13 livros para compreender o Brasil", do ICL.

E não é que o livro nos ajuda mesmo a compreender o Brasil! Enquanto leio sobre o genocídio dos favelados em Canudos, leio na imprensa o genocídio do povo palestino na ex-terra deles, a Palestina. Em 1947, os impérios vencedores da 2ª Guerra Mundial decidiram dar a metade da Palestina para os povos judeus e o que era para ser um espaço geográfico com dois povos convivendo juntos se transformou no que vemos hoje. 

Ler sobre o massacre dos miseráveis que viveram no Arraial de Belo Monte em 1896/97 pelo governo brasileiro é entender como governos e donos do poder massacram e eliminam grupos inteiros de pessoas dos espaços geográficos no mundo.

O exército brasileiro usou canhões apelidados de "matadeiras" e um canhão maior, um Withworth 32, para mandar bombas sobre um arraial com mais de 5 mil casebres e com cerca de 20 mil pessoas vivendo de forma comunitária, coletivista, sob a liderança de um beato, Antônio Conselheiro. 

Nestes dias do século 21, um governo despeja bombas em abrigos de refugiados, ambulâncias, hospitais, e demais áreas onde vivem milhões de civis palestinos, na Faixa de Gaza. E hoje, o governo de Israel bombardeou uma universidade... quase 100% dos milhares de mortos na Faixa de Gaza são crianças e mulheres e idosos...

Aff...

Vou me juntar aos povos do mundo que hoje vão se manifestar pelo fim do genocídio, pelo cessar-fogo e por um processo de paz e respeito ao povo palestino. Aqui em São Paulo o ato será na região da Paulista.

Eu estou tão triste, com uma tristeza tão profunda... mas fui triste a vida inteira e isso não me impediu de fazer grandes coisas e coisas importantes coletivamente.

A tristeza não pode ser desculpa para o marasmo e para o conformismo.

William


terça-feira, 3 de outubro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 3 de outubro de 2023. Terça-feira, fim de noite.


Primeiro registro do mês de outubro. Sobre o que poderia escrever e refletir aqui no blog?

SÃO SILVESTRE

Me inscrevi para participar da 98ª Corrida de São Silvestre. Faltam três meses para a prova de 15 Km. Faz alguns anos que não corro a mais tradicional corrida brasileira. 

Depois de dez participações, a inscrição neste ano foi uma ideia que tive para desafiar a mim mesmo depois de conseguir fazer a romaria de quase 80 Km em agosto (ler aqui). Só que a corrida de 15 Km vai ser bem mais difícil que a caminhada da romaria.

Não estou com condicionamento físico adequado para a prova neste momento. Tenho corrido poucas vezes por mês e os percursos são pequenos, de até 5 Km.

Além disso, minha resistência física está ruim. Este mês de outubro será importante para avaliar se meu corpo está em condições de se adaptar para correr 15 Km ou não. 

Minha ideia é correr umas 8 vezes em cada um dos meses de adaptação. O normal é que ocorra uma melhora de condicionamento físico ao treinar, se alimentar e descansar adequadamente. Se isso não ocorrer, algo não vai bem comigo.

Eu não estou velho em termos de idade, mas minha vitalidade mudou nos últimos anos. A natureza segue seu percurso, mudanças diárias.

Hoje corri 4,5 Km em 33' com dia quente e percebi que o treinamento será duro para sair da condição atual para a condição ideal para mim até 31 de dezembro. 

Tenho que intercalar uma corrida rápida e uma de resistência semanal com atividade de reforço muscular nas pernas e na estrutura do tronco. E tenho aquele desgaste infeliz no quadril, que me traz dor e limitações.

Vamos ver o que eu arranjo nas próximas semanas... vamos ver onde meus pés me levam...

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CONDICIONAMENTO MENTAL

Além de estabelecer um objetivo esportivo para me disciplinar a ter uma rotina de treinamento para melhorar meu condicionamento físico até o fim do ano, também decidi desenvolver meu cérebro e ver se ainda é possível melhorar meu condicionamento mental.

Sendo assim, decidi estudar por conta própria algumas matérias que exigirão de mim melhora na capacidade de memória e criatividade.

LÍNGUA ITALIANA

Estou estudando um idioma novo, o italiano. Vamos ver se aprendo as quatro habilidades: ler, escrever, falar e ouvir a língua italiana. Trouxe um livro de literatura da Itália, quando estive lá em 2009. 

Se aprender a língua, pretendo visitar a Itália de novo e desta vez quero me comunicar normalmente por lá, como faço quando vou a um país de língua castelhana.

E pretendo ler meu romance I Malavoglia, de Giovanni Verga.

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É isso! 

William


sábado, 30 de setembro de 2023

Diário e reflexões - Setembro



Refeição Cultural - Setembro

Osasco, 30 de setembro de 2023. Sábado.


CENAS COTIDIANAS

Estava neste sábado pela manhã caminhando no parque. Conheço as árvores ali há muito tempo. Aí um senhor de cabelos grisalhos, do alto da sua sabedoria e experiência, explicava ao rapaz de madeixas longas, que aquela vagem com sementes era ingá que não havia "vingado"... o rapaz concordou e a família seguiu andando. O "sábio" explicou para o rapaz que aquela vagem de sementes de ipê amarelo era ingá que não vingou... e quem via o velho explicando poderia jurar que ele sabia o que estava falando!

Outro dia na padaria perto de casa, cheguei e entrei numa pequena fila com umas cinco pessoas na minha frente. Uma das pessoas estava com um carrinho de bebê... Quando a moça foi até o balcão, vi que o carrinho de bebê tinha um cachorro dentro... "filhinha", disse a dona para a cachorra dentro do carrinho de bebê. Eu fico feliz quando vejo que parte da sociedade humana passou a respeitar os demais seres vivos, os animais e plantas etc. Mas a natureza não vai mudar... cachorro é cachorro, cachorro não é ser humano, nunca será.

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SETEMBRO

Comecei o último dia do mês de setembro do jeito que comecei o mês, passando a noite em claro, sem dormir e com as preocupações de quem vive em cidade grande e violenta com filhos pela madrugada bebendo por aí. Pra despertar o cansaço do estresse no corpo, saí com o sol ainda morno para caminhar.

Registro a passagem de mais um mês em minha vida, impressões e sentimentos a respeito da vida, do mundo e de mim, um ser vivo da natureza que lê, pensa e escreve.

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LEITURAS E CULTURA

Ando às voltas com os ensinamentos de Paulo Freire, de Abdias Nascimento e de Eliane Brum. As leituras dos textos desses sábi@s seres humanos nos colocam a pensar, a observar tudo ao redor e dentro de nós, nos colocam a questionar as nossas contradições.

Paulo Freire nos explica sobre sermos pessoas-sujeitos e não objetos. Nos ensina sobre a "Educação como prática da liberdade" e nos alerta que liberdade tem que vir com responsabilidade. Avalio que a nossa geração queria tanto dar liberdade e conforto aos nossos filhos que estamos legando ao mundo uma geração sem responsabilidades. Só liberdade sem a tomada de consciência e a responsabilidade pelo nosso presente e futuro pode representar o fim da humanidade.

Abdias Nascimento escancara os preconceitos e a máquina de matar as pessoas negras e seus descendentes no Brasil, põe o dedo na ferida ao desfazer o mito da democracia racial, cita diversos intelectuais e pessoas influentes de nossa história que a gente nem fazia ideia de que eram pessoas racistas. Ao ler "O genocídio do negro brasileiro" o leitor só seguirá fazendo de conta que existe democracia racial se for muito canalha ou se for analfabeto funcional e político, o que é muito comum no país.

Eliane Brum nos põe em estado de choque a cada página de seu livro "Banzeiro òkòtó - Uma viagem à Amazônia centro do mundo". A leitura me faz refletir o tempo todo sobre o que fazer para impedir a destruição da floresta e, consequentemente, as nossas chances de vida no planeta Terra. 

Os povos-floresta estão lá defendendo a natureza e sendo exterminados e a gente fica aqui no conforto de nossos mundos concretos urbanos arrotando palavras de ordem sobre o meio ambiente... enquanto isso, um ser humano só, com poder econômico e político, destrói tamanhos incalculáveis de floresta e vidas e nós ficamos amortecidos com os blá blá blá das nuvens de imagens e notícias que capturam as nossas atenções... só que a "boiada tá passando" e não vai sobrar nada.

O planeta Terra já está na emergência climática, estamos fritando, estamos vivendo a 6ª extinção em massa e algumas dúzias de fdp seguem curtindo a vida em seus fancy restaurants pagando caro por pratos fru-fru às custas das vidas todas do planeta... (e as pessoas das gerações jovens e adultas seguem cada uma cuidando da sua bolha de interesse pessoal...)

Terminei a leitura de dois livros: Cuba insurgente, da professora Maria Leite (comentário aqui) e Operários sem patrão, de Lorena Holzmann (aqui). Agora são 25 livros lidos neste ano.

Vi alguns filmes interessantes neste mês. Comentários aqui.

Cursos do ICL: também estou pegando firme em alguns cursos do Instituto Conhecimento Liberta.

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LÍNGUAS E LINGUAGEM

Sigo com a ideia de usar a aprendizagem de idiomas como um exercício para meus 86 bilhões de neurônios. À medida que estudo um pouco de línguas, vejo quão fascinante é esta habilidade do homo sapiens.

Ao mesmo tempo que admiro nossa habilidade, quedo impactado pelo processo acelerado de degeneração da capacidade de pensar, criar e usar a linguagem - em especial as línguas - por parte do mesmo homo sapiens deste início de século 21. Minha teoria é que tendemos a perder a habilidade de escrever e registrar nossas línguas. E também percebo que os humanos estão perdendo a grande variedade de palavras que as línguas atuais têm/tinham. Há um claro empobrecimento da língua.

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CASSI, AUTOGESTÃO DOS TRABALHADORES DO BB

E a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, uma autogestão em saúde, segue numa "boa" (contém ironia), sem enfrentamento nenhum entre patrocinador e associados e seus representantes. Apesar do novo déficit de centenas de milhões de reais, mesmo tendo entrado bilhões de reais em recursos novos nos últimos anos, nossa Cassi parece estar no "caminho certo", o caminho apontado pelas gestões de Temer e Bolsonaro, que apostaram na terceirização de tudo para o mercado privado da saúde e tiraram o foco na Estratégia de Saúde da Família (ESF), com unidades CliniCassi próprias, funcionários próprios ao invés de "parceiros" e programas de saúde próprios. 

Ao apostar no mercado, o foco atual da Cassi me parece seguir sendo a geração de demanda espontânea através do "faz uma chamada telemedicina aí...". O mercado privado vendedor de procedimentos médicos agradece! Haja dinheiro da Caixa para pagar tudo que os participantes quiserem de procedimentos... (a propaganda é a alma do negócio! Faz um procedimento aí...)

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GOSTO DA REGIÃO ONDE MORAMOS

Enquanto caminhava nos arredores de casa, refletia sobre o quanto é bonito o bairro onde moro, arborizado e cheio de pássaros.

Me lembro de quando me mudei para a região, vinte e quatro anos atrás, era tudo bem diferente, o mundo estava surgindo por aqui. Rua de terra, sem árvores, poucas torres de prédios. Sem ligação com o centro de Osasco por avenida etc.

Agora temos vários shopping center ao redor, padaria, mercados e toda estrutura básica do bairro.

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POLÍTICA NO BRASIL

Jamais irei desaprender a política. No entanto, decidi limitar o tempo que dedico a ler e ouvir sobre política nos últimos meses. O tempo economizado com política será utilizado com estudos.

Estamos com 9 meses de governo Lula. O presidente tem o meu apoio. É o nosso governo. Lula fez um discurso histórico na abertura da 78ª Assembleia Geral da ONU. Nossa política externa voltou a ser ativa e altiva com Lula.

Me incomoda muito só ver condenações de "bagrinhos" em relação à tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro. Não tem um fdp financiador julgado e condenado e os caras da família mafiosa sequer estão respondendo a acusações formais. Milhões de dinheiros e imóveis, roubo de joias, e um alfabeto inteiro de suspeitas de crimes e nada de acusações formais.

Na minha leitura, podemos sofrer tentativa de golpe de Estado ainda durante o mandato do governo Lula, que também entendo que pode sofrer ataques parlamentares e ou semelhantes àquela operação farsante da Lava Jato. E também temo por nova investida dos Estados Unidos em patrocinar golpe contra nós brasileiros.

Não confio nem um pouco nos órgãos de justiça do país, tipo STF. Por mais que haja servidores públicos corretos no judiciário, a estrutura favorece uma casta que acaba agindo de maneira corporativa e não com olhar para a coletividade.

Essa é a minha rápida opinião e impressão sobre política no Brasil neste momento do mundo.

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Acho que paro o registro por aqui.

Sigo tentando ganhar novos conhecimentos e procurando ser uma pessoa melhor.

William


Post Scriptum: a postagem de agosto pode ser vista aqui.


quarta-feira, 20 de setembro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 20 de setembro de 2023. Quarta-feira.


Ao estudar algo novo percebemos o quanto sabemos pouco de quase tudo. Eu tenho clareza disso há bastante tempo. Essa consciência de saber que quase nada sei já me acompanha desde a adolescência, lá nos anos oitenta do século passado. O não saber me incomodava e ainda incomoda até hoje.

Como tudo muda o tempo todo, o mundo mudou de lá para cá, a sociedade humana mudou, e muito. Atualmente, há quase um incentivo à ignorância. Tenho a impressão de que as gerações que foram sendo aculturadas nas últimas décadas perderam um pouco do interesse ou desejo de estudar e saber cada dia mais sobre tudo. Pode ser só uma impressão minha.

Ao decidir incluir no meu cotidiano uma carga de estudos de algumas coisas, me lembrei dos ensinamentos que lia quando estudava para concursos públicos. Os professores e especialistas diziam que o conhecimento tende a ir aumentando cada vez mais, à medida que vamos estudando com planejamento e estratégias definidas. Vamos ver...

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CURSOS DO ICL

Estou entrando em meu terceiro ano como membro associado do Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Durante os dois primeiros anos, acabei me inscrevendo mais para contribuir com o sucesso do projeto revolucionário do Instituto. Quase não entrava na plataforma nem via aula alguma. Só de pagar uma mensalidade solidária já me sentia satisfeito.

Agora decidi olhar com mais atenção a plataforma e as opções de cursos disponíveis, principalmente por causa de meu objetivo de provocar e estimular meu cérebro a se exercitar e se manter ativo e funcional. 

Quero postergar ao máximo os eventuais problemas que a natureza me reserva com o passar dos anos de existência. Somos natureza, o tempo é implacável em nossos corpos e o futuro não existe, pois não temos poder sobre o amanhã. O máximo que podemos fazer é a nossa parte para estarmos bem. E significar ou dar sentidos ao viver.

Dos poucos cursos que já fiz no ICL, um deles me estimulou a ler diversos livros profundos e que nos fazem pensar o Brasil, o povo brasileiro e a vida (comentário aqui). Tenho ainda uns sete livros pra ler somente pela referência desse curso. Estou lendo agora os livros de Abdias Nascimento e Eliane Brum. Demais demais!

Estou fazendo um curso sobre o nosso mestre Paulo Freire. Cada aula faz a gente pensar tanto e tanta coisa, que a vontade que temos é de lermos todos os livros citados no curso. É muita coisa, é verdade! 

Compartilho com vocês que eventualmente leem o blog um sentimento que sempre tive: estudar e ler é algo muito gostoso, é trabalhoso, mas é muito gratificante saber coisas novas!

ITALIANO - Até agora, assisti a cinco aulas de Língua Italiana na plataforma do ICL. Que curso legal! A professora Linda Riolo é a simpatia em pessoa e sua didática é fantástica! Foram cinco aulas com muito conteúdo, mas me parece que vou aprender Italiano, mesmo o tiozinho aqui estando com mais de 50 anos de idade.

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NÃO ACRESCENTO MAIS NADA FALANDO DE POLÍTICA

Tenho pensado muitas coisas em minhas caminhadas também. O ímpeto de minha natureza e o cacoete de décadas de representação política me cutucam para falar e escrever sobre diversas questões políticas que estão acontecendo neste exato momento.

O presidente Lula na ONU e seus desafios atuais e os passos já dados pelo nosso governo... achei o discurso do Lula na ONU ousado e histórico. Talvez eu até guarde no blog o discurso do nosso estadista porque os temas tratados por Lula são essenciais para o planeta e a humanidade neste momento da história humana.

A Cassi que apresentou um déficit gigante em seus resultados econômico-financeiros... A Cassi é a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, uma autogestão em saúde. É uma das poucas coisas que posso dizer que conheço muito porque fui gestor e devo ter sido uma das pessoas que mais estudou a Cassi na história da gestão da entidade. Pois é... a vontade de falar o que penso é enorme, mas isso não faz diferença alguma. Tenho que seguir a minha vida.

É isso. Seguimos estudando e buscando evoluir de alguma forma. 

William


sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Diário e reflexões - Linguagem III



Refeição Cultural

Osasco, 1º de setembro de 2023. Sexta-feira.


O quanto posso aprender ainda?

O desafio que vou lançar ao meu cérebro por um certo tempo é um desafio gostoso: estudar línguas, linguagens e culturas diferentes das quais estou mais familiarizado. Algumas das culturas que quero estudar um pouco são as culturas orientais, asiáticas: China e Japão.

Em relação às línguas, vou tentar recuperar um pouco do que já soube de Inglês e de Espanhol, pois já estive nos Estados Unidos e consegui me comunicar com as pessoas. Também já estive em alguns países de Língua Espanhola e foi bem tranquila a comunicação com falantes nativos. 

As línguas são ferramentas de comunicação humana. Podemos nos comunicar de forma oral com outras pessoas, através de conversação, e também podemos desenvolver e manter as habilidades de comunicação de outras formas, em outras mídias.

Os ensinamentos do professor Miguel Nicolelis sobre o cérebro humano mudaram minha forma de ver o mundo e a vida. Hoje tenho uma consciência maior sobre o que somos enquanto animais humanos.

O cérebro humano é muito plástico e flexível, se adapta o tempo todo às necessidades que identifica serem as com melhores perspectivas de sobrevivência no meio ambiente no qual a pessoa está.

Quero recuperar as habilidades comunicativas que já tive e desenvolver novas habilidades, conhecer novas línguas. Entender novamente músicas e falas cotidianas em Inglês, por exemplo. 

Fiz graduação em Letras, habilitações em Espanhol e Português na Universidade de São Paulo, sou oriundo da FFLCH. Quero retomar a capacidade de escrever em Espanhol.

Um dos desafios novos para meu cérebro, para estimular meus neurônios, será aprender o idioma Japonês, que comecei a estudar no início de 2020, durante a pandemia mundial de Covid. O curso do professor Luiz, do "Programa Japonês Online" é excelente! O pouco que estudei, aprendi. Eu o recomendo para todas as pessoas interessadas na Língua Japonesa.

Quero aprender o idioma Italiano também. Certa vez comecei a estudar por conta própria e parei. Quando fui à Itália, não entendi nada que os italianos falavam. Foi frustrante. Quando voltar lá, quero me comunicar em Italiano.

Todas essas possibilidades de estudos que estou citando são possíveis porque sou aluno do Instituto Conhecimento Liberta (ICL). O projeto é simplesmente revolucionário! Por alguns reais a pessoa tem disponíveis mais de 230 cursos, incluindo os idiomas Inglês, Espanhol, Francês, Italiano, Alemão, Japonês e Mandarim. Acreditem!

China 

Sobre a cultura chinesa e o país, estou fazendo um curso no ICL do professor Elias Jabbour: "Compreendendo a China". Já fiz 3 aulas e o curso é muito bom!

Uma das atitudes que preciso refletir a respeito em relação ao estudo é a atitude que ouvi hoje do professor Jabbour, em uma de suas aulas sobre a China. Ele diz que temos que estudar com prazer, o Carpe Diem é importante nos processos de estudos. Ele tem razão!

Talvez uma das questões que tenham influenciado na minha incapacidade de aprender a gramática da Língua Portuguesa tenha sido a falta de gosto e prazer durante os anos escolares de aprendizagem no ciclo básico da educação. 

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Enfim, vamos estudar e exercitar meu cérebro e minha inteligência.

Post Scriptum: quis ser professor e não fui. De certa forma, quando era sindicalista eu ensinava o que sabia para meus pares, os trabalhadores, eu fazia formação política. 

Tenho que aprender algo novo que possa ensinar às pessoas, isso dá um certo sentido na existência. 

William


Post Scriptum: o texto anterior sobre linguagem pode ser lido aqui.


quinta-feira, 31 de agosto de 2023

Diário e reflexões - Agosto



Refeição Cultural - Agosto

Osasco, 31 de agosto de 2023. Quinta-feira.


Introdução

Criei neste ano aqui no blog uma categoria de postagem de final de mês para registrar alguma coisa que tenha me chamado a atenção naquele período. Quando olhar para trás relendo o blog, terei a memória registrada sobre minhas impressões do mundo no qual existo.

Vai terminando o mês de agosto. Pensando sobre o que me chamou a atenção, ou que fatos marcaram a minha vida ou a vida do mundo onde habito, ou ainda decisões que eventualmente tenha tomado, posso deixar registrado o seguinte:

1. 

É no mês de agosto que os sabiás aqui da região onde moro começam a sinfonia de cantos nas madrugadas afora. É algo fantástico! Mesmo estando numa zona urbana, ouvimos durante semanas a cantoria dos sabiás. Some a esse espetáculo a beleza da floração dos ipês rosas, amarelos e brancos, que se juntam às patas-de-vaca para deixarem nosso ambiente humano mais bonito. Nossos agradecimentos aos sabiás, aos bem-te-vis e aos joões-de-barro de nossa região!

2. 

Fiz a romaria entre Uberlândia e Água Suja neste mês de agosto. Deu tudo certo. Completei o percurso de quase 80 Km em 25 horas, e de forma admirável não tive nenhuma bolha nos pés, mesmo sem usar esparadrapos como faço há anos. Foi a 1ª vez que usei um aparelho que marca distâncias (um Huawei Band 8). Minha última romaria havia sido feita em 2019, antes da pandemia mundial de Covid. Cheguei a Uberlândia com muitas dúvidas na minha capacidade de ainda fazer a romaria. Tive medo de não conseguir. Meu corpo já não é o mesmo de antes. No entanto, o treinamento que fiz semanas antes da caminhada e a concentração no que estava fazendo durante o percurso foram fundamentais para que meu corpo ainda respondesse aos meus comandos. Mais uma vez, contei com a assistência de meu cunhado na estrada: ter alguém acompanhando o romeiro é um diferencial positivo na realização do projeto. A romaria foi um fato intenso em minha vida neste mês de agosto. Clique aqui para ler a postagem sobre essa experiência de peregrino.

3.

Aceitei neste agosto o fato de que algumas lideranças atuais da direção não me queriam mais na Articulação Sindical, tendência política da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Dediquei a maior parte de minha vida à militância política no movimento sindical bancário. Ao olhar para trás e ver as lutas realizadas e as etapas vencidas pela categoria, sei que deixei a minha contribuição em momentos importantes e decisivos de nossa história de luta de classes. Quanto mais estudo e busco conhecimento, mais claro fica para mim por que as coisas são como são e hoje tenho uma ideia melhor dos porquês de meu apagamento e cancelamento por parte de algumas lideranças da corrente política que ajudei a construir e fortalecer por cerca de três décadas - a CUT fez 40 anos e a Articulação quase isso, sou cutista há uns 35 anos. Fiz um texto de reflexões sobre essa decisão (ler aqui), aliás, as postagens sob a categoria "Memórias" é praticamente um livro publicado. É um momento de luto para mim, apesar de não significar nada para a corrente e a política atual. Nunca consegui colocar nada pessoal nas minhas prioridades, as prioridades do meu viver sempre foram as causas sociais e políticas que o movimento dos trabalhadores tinha na agenda. É um luto. Mesmo vivendo um duro processo de cancelamento por quase 5 anos, reconhecer o fim de meu pertencimento à Articulação é um desafio pessoal. Vou sobreviver a isso e vou me reinventar.

4.

O que sou no mundo neste momento, neste agosto? Não tem sido fácil viver sem função social definida. Se é frescura ou cacoete ser "útil" no mundo, não sei, mas o aculturamento enfiado em meu cérebro cobra que alguém seja algo. Apesar de nunca ter exercido profissão nas graduações que fiz - Ciências Contábeis e Letras - até pouco tempo eu era um "trabalhador", vendia meu corpo - as horas de meu dia - e minha força de trabalho para sobreviver, era bancário, era dirigente político, e isso alimentava minha psique formada através das décadas de existência num canto do mundo chamado Brasil... De repente, entre 2018 e 2019, me peguei sem resposta ao ser questionado sobre o que andava fazendo, quem eu era e coisas do tipo. "E aí, tá onde? Que anda fazendo? O que você faz? Qual sua ocupação?". O que sou no mundo neste momento? Nem "aposentado" sou, haja vista que pagarei a previdência pública até a morte pelo andar da carruagem. Avaliei que talvez seja razoável preencher essa resposta com algo parecido à função de "escritor". Eu escrevo. Estudo e escrevo a partir das reflexões que faço sobre o que leio e estudo. Eu escrevo. Em tese, quem escreve pode ser considerado um "escritor". Não tenho nenhum livro publicado. Mas poderia dizer que existem alguns livros nas quase duas décadas de textos publicados em meus blogs. São mais de 5 mil postagens e mais de 2 milhões de acessos. Talvez eu possa me identificar como um escritor...

5.

Tive um agosto de poucas leituras. Este foi o primeiro mês do ano no qual não li um livro por inteiro. Estou lendo alguns livros, dentre os quais cito Os miseráveis - Victor Hugo, Os mortos vivos - Peter Straub, Cuba insurgente - Maria Leite, Vaga Música - Cecília Meireles, mas as leituras seguem em ritmo lento. Sendo assim, li até o momento 23 livros no ano. As leituras que fiz até agora me fizeram refletir muito sobre a vida e o mundo. Isso é bom. Calculo que diminuirei o ritmo de leitura de livros nos próximos meses. Decidi lançar novos desafios ao meu cérebro, já que tenho andado preocupado com a alta incidência de problemas mentais na população mundial. As doenças degenerativas do cérebro têm aumentado assustadoramente. O que posso fazer para postergar alguma doença ou falência de meu cérebro eu tento fazer. Atividade física aeróbica, atenção no que como com frequência, e estímulos ao cérebro. Vou fazer um experimento comigo mesmo: vou adicionar uma carga diária de estudos de línguas e linguagem para estimular meu cérebro, ver se recupero e melhoro minha memória, e ver se realizo um sonho juvenil de saber algumas línguas. Aliás, gostaria de saber a gramática de nossa língua, pois nunca soube. Escrevo desde jovem com qualidade razoável por causa daquilo que chamamos de gramática internalizada da língua, por ser leitor e escritor praticante. Em resumo, vou ler menos livros e estudar linguagem e línguas.

6.

O mês de agosto na política pode ter sido bom ou pode ter sido ruim, depende do ponto de vista do observador. Decidi já faz algumas semanas usar menos tempo de meu tempo ocioso com o acompanhamento da política nacional. Eu não sou mais dirigente político e não consegui entender isso nos últimos cinco anos. O que falo ou penso ou escrevo sobre política não tem relevância alguma, sou um nada nessa área da política e não quis entender isso. O mundo atual vive uma esquizofrenia total. Um sujeito ou uma sujeita qualquer abre um perfil em alguma rede social, faz alguma coisa que dê relevância a ele ou ela, passa a ter milhões de seguidores e vira influenciador(a), e sem saber tecnicamente nada de porra nenhuma passa a ser a pessoa que faz milhões de pessoas pensarem como ele ou ela. Enquanto isso, um cientista ou profissional com uma vida de dedicação e estudos a determinada área de saber não consegue ser visto nem por centenas de pessoas, não influencia ninguém e ainda pode ser cancelado se contrariar um mané desses com milhões de seguidores. Uma esquizofrenia total. Postar opinião sobre as merdas de decisões do novo ministro do STF indicado por Lula? Falar da eterna impunidade dos caras que destruíram o país e o povo? Comentar sobre uma pauta política bombando na semana? Que diferença faria um comentário meu sobre isso? Se eu tiver o cuidado necessário, me informo rapidamente sobre as coisas e foco meu tempo ocioso em estudar algo que definir como relevante a mim. Tenho que ter a sabedoria de me colocar no meu lugar no mundo neste momento da vida e da história.

7.

E assim, fecho o registro do mês de agosto. Neste último item coloco um desafio que seria bobo anos atrás, mas que agora é um desafio grande para mim. Me inscrevi na 98ª Corrida de São Silvestre. Depois de 10 participações, não corro a prova faz alguns anos. Neste momento, não tenho condições de correr 15 Km, não tenho condicionamento físico para isso. Tenho 4 meses para me preparar. Minha condição de saúde atual para correr um percurso desses é ruim. Ontem mesmo, fiz um trote de 5K e sempre fico com dores no dia seguinte, principalmente nas minhas estruturas musculares e esqueléticas. Vamos ver o que programo para esses meses. Enquanto estiver treinando e me preparando, estarei ajudando meu coração e meu sistema respiratório e circulatório. Meu cérebro também agradece por isso.

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O que é a vida?

A vida é oportunidade. Estar vivo é estar no mundo e estar no mundo é uma chance de poder aprender algo novo e criar e estar sob o imponderável a cada momento, a cada manhã que acordamos. Então, felizes ou tristes, com muitas ou poucas dificuldades, penso que temos que viver, e penso que temos que viver não de qualquer jeito, temos que viver com ética, com caráter, com solidariedade, com humanismo e com consciência social de que não somos nada sozinhos, somos seres sociais e precisamos das pessoas que estão no mundo como nós estamos. Somos natureza! Somos parte da natureza, não estamos acima dela em escala hierárquica. Nossa potência de fazer esbarra na impotência de não poder intervir em tudo. É isso que penso neste momento do meu viver.

William


Post scriptum: minha reflexão sobre julho pode ser lida aqui.