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segunda-feira, 4 de março de 2024

Vendo filmes (XIV)



Refeição Cultural

Caminhos e veredas na eterna busca pela liberdade


Quem não está em busca da tão sonhada liberdade? Eu estou.

Ainda hoje sigo tentando me libertar do sofrimento que sinto pelo cancelamento e desprezo por parte da entidade sindical para a qual dediquei minha vida. 

O conceito de liberdade ou libertação é amplo, aberto, difuso. No momento, gostaria de me libertar do sofrimento que ainda sinto por questões de relação política e sindical. Não consegui apagar meus sentimentos não correspondidos pelo movimento ao qual fiz parte a maior parte de minha vida. Tenho avaliado que esse sofrimento é causado por vaidade. Ou seja, ainda não consegui me libertar da vaidade, esse pecado capital que dizem ser o preferido do Diabo para tentar os pobres mortais. Ainda não consegui me libertar...

Os três filmes que vi recentemente têm de alguma forma a questão da liberdade como pano de fundo. Se não têm de maneira formal, eu posso fazer a ligação com o tema usando a capacidade que os escritores devem ter de completar as lacunas que faltam numa história qualquer. Afinal de contas, quando a gente conta alguma coisa e não conhece tudo sobre ela - e ninguém conhece toda a história das coisas - a gente pode inventar um pouco, preencher as lacunas. Isso é ficção. Isso somos nós, humanos, animais que contam coisas. Ficção não é mentira, ficção é criação e arte, quando se deixa isso claro, quando não se conta ficção como se verdade fosse.

O primeiro filme é sobre um roteirista que gostaria de ser escritor. Viajando por Paris, ele tem a oportunidade de se libertar de um destino mais ou menos programado e daí temos um filme encantador. Adorei o filme de Woody Allen "Meia-noite em Paris" (2011).

O segundo filme é pesado, mas é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos sobre Batman. A ficção poderia ser considerada um filme sobre o Coringa, extraordinária interpretação do jovem Heath Ledger. A estória é sobre a busca da comunidade de Gothan City pela liberdade, pela libertação do povo do crime organizado, que tomou conta da cidade. Cara, como não gosto de filmes de super-heróis, me surpreendi!

O terceiro filme é a pura busca pela liberdade, pela libertação daquilo que a pessoa nem sabe direito o que é, mas quer se libertar daquilo que vai dentro dela. E cada um busca de sua maneira as formas de se encontrar, de se libertar de algo que vai n'alma. O filme "Livre" tem esse enredo. Se eu parar para pensar, minhas longas caminhadas há décadas têm um pouco dessa forma de busca por autoconhecimento e libertação de algo que queima dentro e não sabemos como nos livrar daquilo.

Enfim, gostei dos filmes que cito abaixo, vistos em contextos distintos, em casa por escolha aleatória, num voo atravessando o continente e num horário de jogo de futebol para não sofrer com os gritos da vizinhança (risos).

Todos os caminhos e veredas levam a destinos procurados ou ignorados. Seguimos caminhando. Sigo buscando a liberdade.

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FILMES

Meia-noite em Paris (Midnight in Paris, 2011) - Direção: Woody Allen. Com Owen Wilson, Rachel McAdams e um elenco de excelentes atores e atrizes. Sinopse: Gil (Owen Wilson) sempre idolatrou os grandes escritores e artistas das primeiras décadas do século XX, gostaria de ser um escritor, mas acabou se tornando um roteirista de sucesso em Hollywood, o que lhe traz certa frustração. Por acaso, acaba indo a Paris com sua noiva Inez (Rachel McAdams) e lá Gil volta a se questionar sobre os rumos de sua vida.

COMENTÁRIO: Eu quase não conheço os filmes de Woody Allen. Esse filme fez sucesso e me lembro de me sugerirem vê-lo à época. Pois é, só agora fui conhecer a estória. Adorei! No enredo, Allen nos coloca em contato com diversas personalidades daquela época e o filme é muito divertido. Imaginem se eu não fiquei encantado com Ernest Hemingway (Corey Stoll)! É um filme leve, que nos apresenta de forma elogiosa a cidade de Paris e o personagem principal, Gil, se verá numa condição de decidir sobre seguir o roteiro definido para sua vida ou alterá-lo encarando alguma nova vereda que se apresente a ele.

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Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008) - Direção: Christopher Nolan. Com Christian Bale no papel de Bruce Wayne/Batman, Heath Ledger no papel do Coringa. O filme tem um super elenco que inclui Morgan Freeman, Gary Oldman, Aaron Eckhart como Harvey Dent/Duas-caras, Michael Cane como o mordomo e Maggie Gyllenhaal como Rachel Dawes, amiga de infância de Bruce Wayne e uma das poucas pessoas que sabe quem é o Batman. 

Sinopse: O filme é uma continuação de Batman Begins (2005). Após o surgimento de Batman, os criminosos de Gothan City passaram a ter dificuldades para dominarem a cidade. Com a ajuda do tenente Gordon (Gary Oldman) e do promotor público Harvey Dent (Eckhart), Batman luta contra o crime organizado. É neste cenário que aparece um novo criminoso mascarado, o Coringa, que se oferece aos criminosos para eliminar Batman.

COMENTÁRIO: Não tenho muita afinidade com filmes de super-heróis. Estava em um voo de várias horas e, apesar de cansado, decidi escolher um filme para ver. Era a oportunidade de assistir ao famoso Batman, de Nolan. Amig@s, que filme! Nem vi passar o tempo de duas horas e meia de filme. Cenas icônicas do início ao fim! Eu já estava fascinado com o Coringa, de Joaquin Phoenix (2019), e então conheço o famoso Coringa interpretado por Heath Ledger. Cara, ele rouba a cena do herói no filme! Olha, não fiquei tão interessado em conhecer as outras versões de Batman, mas quero ver as outras interpretações do personagem Coringa, a começar pela de Jack Nicholson.

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Livre (Wild, 2014) - Direção: Jean-Marc Vallée. Com Reese Witherspoon. Sinopse: Cheryl Strayed vive momento conturbado em sua vida após a morte de sua mãe, um divórcio e uma fase de autodestruição repleta de drogas e promiscuidade. Para se libertar dessa bad toda, ela decide fazer uma imersão na natureza selvagem e parte para uma trilha gigantesca de milhares de quilômetros pela costa do Pacífico nos Estados Unidos.

COMENTÁRIO: Fiquei dias vendo esse filme disponível na Netflix. Me lembro de quando meu filho chegou em casa com o livro no qual o filme é baseado. A história de Cheryl Strayed me chamou a atenção porque essa temática das longas caminhadas faz parte da minha vida desde sempre. Para se ter uma ideia, sempre que o coração aperta, que algo me faz mal e me deixa nervoso ou irritado, a primeira solução é sair e caminhar, caminhar até cansar, até esgotar o que vai queimando por dentro. Não li o livro do meu filho, mas assisti ao filme com Reese Witherspoon. Gostei da interpretação e da história. Evidente que não recomendaria isso para ninguém (essas porraloquices). Mesmo sendo um andarilho, não recomendaria para ninguém essas longas caminhadas.

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É isso! Essas foram as reflexões a partir de filmes que vi recentemente.

Caso haja interesse de ver outras postagens desse tema, é só clicar aqui e ver a anterior.

Abraços e vejam filmes!

William Mendes


segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Vendo filmes (X)



Refeição Cultural

Reflexões a partir do contato com filmes e documentários.


Dois filmes vistos por mim nestes dias me impactaram bastante. Fiquei muito pensativo ao mergulhar nas histórias e nas reflexões geradas a partir deles.

Um filme de curta-metragem acompanha a fase final de vida de uma pessoa de grande religiosidade, um líder espiritual. Pensei sobre o período de minha vida no qual acreditava nesta forma de concepção existencial.

Outro filme de forte impacto sobre mim foi O leitor, que aborda a questão do Holocausto, as discussões a respeito da culpa e a forma como pessoas e sociedades lidam com isso. 

Muito atual para nós, que estivemos sob o poder de um governo genocida no Brasil. 

E tem ainda o genocídio dos palestinos há semanas... 

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Ram Dass - A caminho de casa (2017) - Direção: Derek Peck. Documentário acompanha o dia a dia do pesquisador, autor e professor espiritual Ram Dass (1931-2019) em sua casa no Havaí, no que parece ser uma espécie de despedida e passagem para outro plano existencial (Home). De fato, ele viria a falecer pouco tempo depois.

COMENTÁRIO: Assisti a esse curta-metragem (30') meio que por acaso. Entrei um dia na plataforma da Netflix e fui pescado pelo fundo musical e pela voz debilitada do personagem real Ram Dass falando sobre a vida e a morte. Acabei vendo até o fim e à medida que o guia espiritual ia desenvolvendo suas teorias sobre espiritualidade, sobre outras formas de existência para além da existência material etc fui relembrando a pessoa que era nas primeiras décadas de minha própria existência. 

Se eu tivesse pertencido às estatísticas de mortes de homens jovens entre os dez e os trinta anos de idade, eu teria morrido acreditando em tudo o que Ram Dass afirmou em suas reflexões e ensinamentos. 

Porém, quanto mais estudo e reflito sobre o mundo e as formas de vida no planeta, mais tenho consciência dos porquês e necessidades do homo sapiens criar teorias que deem algum conforto e organização para a existência, só o ser humano desenvolveu um cérebro como o nosso, e explicações para tudo passou a ser uma necessidade de nossa espécie. 

Enfim, hoje tenho clareza que não existe mistério algum para a morte. A morte não é um mistério. A morte é a morte, é o fim da vida de um organismo que vivia antes de morrer. Lógico que essa é a minha visão e respeito todas as outras. 

E o mistério? Seria a vida um mistério? Essa dúvida é mais real que a dúvida sobre a morte. Sim, porque tem vidas que sobrevivem de forma inacreditável! Às vezes, é um mistério como determinadas vidas seguem...

Sigamos em busca das respostas para os questionamentos que fazemos sobre as coisas. Os elefantes e as lesmas do mar não estão refletindo sobre isso, eles não têm o cérebro que nós temos.

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O leitor (2008) - Direção: Stephen Daldry. Com Kate Winslet, David Kross, Ralph Fiennes, Bruno Ganz e elenco. 

Sinopse da Wikipedia com adaptações: O filme conta a história de Michael Berg (Kross e Fiennes), um estudante alemão que, no ano de 1958, mantém um caso com uma mulher mais velha, Hanna Schmitz (Winslet), até que ela subitamente desaparece de sua vida para ressurgir oito anos mais tarde, no banco dos réus de um tribunal alemão, acusada de ter trabalhado para a SS durante a 2ª GM e de ser uma das responsáveis pela morte de prisioneiras judias. Michael percebe que Hanna guarda um segredo que acredita ser pior que seu passado nazista, um segredo que pode ser crucial para a decisão da corte. O filme é baseado no livro de Bernhard Schlink.

COMENTÁRIO: Quando vi esse filme pela primeira vez, fiquei muito impactado, incomodado. Pensativo. Anos depois, ao rever a história, fiquei do mesmo jeito. Outros contextos, outra época, e a temática do filme segue muito atual. 

A complexidade da personagem Hanna Schmitz (Winslet) é uma metáfora do ser humano atual. O segredo que Hanna guarda consigo é mais importante para ela do que se livrar de uma condenação por crimes de guerra. É uma imagem bem atual do mundo do faz de conta, das aparências que escondem a verdadeira pessoa por trás da apresentação "maquiada" na vida virtual.

O que nos envergonha e nos constrange mais? É uma característica pessoal? É uma habilidade humana que quase todas as pessoas adquiriram e a gente não? É difícil não se sensibilizar com a vergonha de Hanna.

E a temática do Holocausto, então? Minha nossa! Neste momento, o mundo assiste sem saber como parar ao genocídio de um povo por um governo de extrema-direita. O regime sionista de Israel já assassinou desde o dia 7 de outubro de 2023 quase 20 mil mulheres e crianças na Faixa de Gaza, Palestina, e os apoiadores do regime de Netanyahu como os EUA seguem fazendo vista grossa ao genocídio como se ele não estivesse ocorrendo em pleno século 21, ao vivo e televisionado para todos.

A cena do diálogo do aluno de direito revoltado com a hipocrisia daquele julgamento de algumas mulheres que trabalharam para o regime nazista, 6 acusadas sendo julgadas entre 18 mil que trabalharam em Auschwitz como disse o professor de direito interpretado por Bruno Ganz. O aluno aponta a hipocrisia ao dizer que todo o povo alemão e o mundo sabia o que Hitler e os nazistas estavam fazendo nos campos de concentração e não fizeram nada... agora julgavam meia dúzia de mulheres.

Foi inevitável a lembrança do recente regime de lesa-humanidade que tivemos no Brasil, o genocida que ocupou a cadeira de presidente da república foi o responsável direto pela morte de centenas de milhares de pessoas sem atendimento e medidas de governo adequadas ao combate da maior pandemia mundial após um século da peste negra. A Covid-19 matou mais no Brasil que na maioria dos países do mundo por causa do governo do clã miliciano, é o que apontou a CPI instalada para investigar os crimes do governo.

O que estou dizendo é que tem certo sentido a acusação que o aluno de direito faz aos seus concidadãos duas décadas depois do Holocausto - pais, professores, adultos mais velhos - de que eles não reagiram ao que estava acontecendo, foram colaboradores ou no mínimo cúmplices por inação e por fazerem de conta que não sabiam o que estava ocorrendo com as vítimas dos nazistas.

A história do filme vai e volta no tempo, no presente e no passado. A história se passa em 1995, volta a 1958, depois 1966, depois 1976, 1988 e volta ao presente. Enquanto vemos a relação amorosa entre o garoto ("kid") e a mulher mais velha, vamos nos encantando com a temática de o leitor, de alguém que lê para alguém a Odisseia de Homero e outros clássicos da literatura mundial. E no decorrer do filme, a questão da culpa é o que nos toca, é a grande temática na vida dos personagens e da gente.

Como não refletir sobre os bolsonaristas do passado recente, apoiadores incondicionais dos crimes comuns e contra a humanidade praticados pelo governo entre 2019 e 2022? Como lidar com esses mesmos apoiadores que seguem apoiando os malfeitos e as ideias malditas desse regime mesmo após serem descobertas diversas suspeitas de crimes, agora investigadas pela lei? 

Enfim, o filme faz a gente pensar em muita coisa! Muita!


(Post Scriptum na manhã seguinte à postagem: pesquisa Datafolha aponta que 90% dos eleitores de Lula e de Bolsonaro não se arrependeram dos seus votos um ano antes... 90% apoiam o monstro! É sobre isso que estou falando!)

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É isso! Sigamos refletindo e experimentando novas histórias e emoções a partir de filmes e documentários.

O texto anterior sobre filmes que vi pode ser lido clicando aqui.

Abraços amigas e amigos leitores.

William


segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Vendo filmes (VIII)


O sol que dá a vida é o mesmo
que pode causar a morte.

Refeição Cultural

Catarses através da sétima arte...


Nesta postagem faço breves comentários sobre três filmes bem diferentes um do outro. 

Um filme antigão que só fui ver agora e que me impressionou pela ousadia do tema e da produção: O império dos sentidos.

Um filme muito interessante sobre a história de um rapaz com autismo ou Transtorno do Espectro Autista (TEA) em busca de uma realização. Temática atual de O milagre de Tyson.

E um filme encantador e assustador ao mesmo tempo: Finch. Uma história de amor e amizade entre um homem e um cachorro num mundo apocalíptico.

Todos eles me fizeram refletir sobre os temas e sobre a vida.

William

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FILMES

O império dos sentidos (1976) - Japão e França. Direção: Nagisa Ôshima. Com Eiko Matsuda no papel da ex-prostituta Sada e Tatsuya Fuji no papel de Kichizo. Filme conta a história de amor e paixão de Sada e Kichizo no Japão dos anos trinta. É um filme erótico, mas é considerado um filme de arte e marcou época.

COMENTÁRIO: Nos anos oitenta ouvia-se muito falar sobre esse filme japonês, eu era adolescente e fiquei curioso por muito tempo. Acabou que a vida foi passando e eu nunca vi o filme. A cena do ovo na vagina da atriz era uma das referências desse clássico. Dias atrás, acabei conhecendo finalmente O império dos sentidos, dirigido por Nagisa Ôshima e estrelado pela bela Eiko Matsuda no papel de Sada. Que filme doido! Imagino como deve ter causado impacto nos anos oitenta onde pôde ser visto. O casal de amantes vai se entregando compulsivamente aos novos prazeres que o sexo pode proporcionar a eles e a situação vai ficando cada dia mais extravagante. É doido! Finalmente conheci O império dos sentidos! Nunca é tarde para se conhecer coisas velhas (novas)!

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O milagre de Tyson (2022) - EUA. Direção e roteiro: Kim Bass. Com Major Dodson no papel do jovem Tyson Hollerman. Garoto com TEA (Transtorno do Espectro Autista), educado em casa por sua mãe e filho de um famoso treinador de futebol americano do Estado passa a frequentar a escola onde o pai é técnico e após sofrer bullying decide que quer correr e vencer uma maratona para ser aceito pelo pai. Ele contará com o apoio do maratonista Aklilu (Barkhad Abdi).

COMENTÁRIO: Gostei do filme! É mais comum em filmes que apresentam personagens com algum grau de deficiência física ou intelectual abordar as habilidades desenvolvidas pelos PcD em áreas da cultura ou das intelectualidades. Rain Main (1988) foi um dos filmes que marcaram época com a interpretação do autista Raymond por Dustin Roffman. O filme sobre o jovem Tyson Hollerman tem uns clichês básicos como o pai de Tyson querer ser o pai da moral e dos bons costumes, coisa ridícula sendo ele um típico personagem que caracteriza bem o que é o cidadão médio norte-americano. No entanto, acompanhar o dia a dia do garoto superando o bullying e as dificuldades inerentes à sua condição de não atleta de alta performance na corrida de longa distância é emocionante. Vale a pena ver o filme!

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Finch (2021) - EUA. Direção de Miguel Napochnick. Com Tom Hanks. Num futuro pós-apocalíptico, homem doente cria um robô com a intenção de cuidar de seu cachorro. O filme teria outro nome, Bios, quando foi anunciado em 2017 e produzido em 2019, antes da pandemia de Covid-19, e só foi lançado dois anos depois ao ser vendido para uma empresa de streaming, Apple TV.

COMENTÁRIO: Assisti ao filme em um ônibus de viagem. O enredo é excelente! Tom Hanks interpreta Finch, sobrevivente humano de um mundo superaquecido durante o dia por causa da destruição da camada de Ozônio do planeta Terra. O roteiro é muito bem-feito e deixa o telespectador envolvido na trama do início ao fim. O cenário é assustador e muito realista para as pessoas minimamente informadas sobre as consequências da emergência climática vivida por nós nesta quadra da história. É impossível não nos encantarmos com o cachorro Goodyear, companheiro de Finch naquele mundo quase sem vida e o pequeno robô Dewer. E para completar a equipe que luta pela vida temos Jeff, robô criado para cuidar do cachorro na ausência de Finch. É um road movie que nos deixa pensativos. E muito! A história tem amor, amizade, confiança e momentos de suspense e é difícil não se emocionar. Recomendo. Gostei demais e a trilha sonora é espetacular!

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Post Scriptum - Caso tenham interesse em ler comentário anterior sobre filmes é só clicar aqui.


quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Diário e reflexões - Naruto (02/08/23)



Refeição Cultural

Osasco, 2 de agosto de 2023. Quarta-feira.


INTRODUÇÃO

Ao refletir sobre a leitura de mangás e do mangá do personagem Naruto, me lembrei do intelectual Alberto Manguel nos contando sobre a história das leituras no livro fantástico Uma história da leitura, de 1999 (comentário aqui). As leituras têm uma história.

Por que um cara com mais de cinquenta anos está lendo mangás do Naruto? Posso simplesmente dizer que estou lendo porque quero ou porque gosto, por isso ou por aquilo. Na verdade, não é preciso um motivo específico para ler algum tipo de gênero literário. E o contrário também é verdadeiro, pode ser que estejamos lendo algum tipo de literatura por diversos motivos.

De certa forma, comecei a ver animes e a ler mangás por um motivo sim, para ter contato com um tipo de cultura que jovens gostam, porque sou pai e seria legal conversar e trocar impressões sobre Histórias em Quadrinhos (HQ) e animes japoneses. Minha leitura de mangás tem uma história.

Comecei a ver animes com meu filho entre 2016 e 2017. Eu trabalhava em Brasília, longas jornadas, viajava muito, e me sobrava pouco tempo para estar com a família. O contexto familiar foi ficando bem complicado e eu me sentia mal por não poder mudar aquela situação de pouco contato com o filho.

Naquela época, era comum estarmos cada um num lugar durante semanas. Meu filho estudando no interior de São Paulo, minha esposa em Osasco e eu em Brasília. Foi então que pensamos em compartilhar algo que nos colocasse em sintonia, mesmo separados fisicamente. Decidimos ver anime. 

O primeiro anime que vimos em 2016, meu filho e eu, foi Death Note (comentário aqui). Meu filho é quem sempre escolhia os animes que veríamos. Ele é especialista no tema e tem excelentes sugestões para nós. Foi bem interessante a experiência do primeiro anime. 

Além de adquirir um conhecimento novo, os episódios geravam boas discussões entre nós. Quando não estávamos juntos fisicamente, víamos juntos os episódios: cada um no seu notebook dava o "play" no mesmo instante e víamos "juntos" o anime.

Depois passamos a ver alguns animes os três. Chegamos a ver episódios cada um num local diferente, como disse acima: eu em Brasília ou em algum hotel pelos cantos do Brasil, a mãe em Osasco e o filho em Jaboticabal. Família unida, vendo animes no computador ao mesmo tempo.

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Ao pesquisar sobre essa temática dos animes no blog, encontrei uma postagem saudosa dessa época. Estava sozinho em Brasília, família distante, fim do dia de trabalho na Cassi, passaria o fim de semana sozinho em casa, aí peguei um dos livros de ficção do filho para ler - O azarão, de Markus Zusak (ler comentário aqui). A postagem de 2017 me fez recordar essas lembranças que estou registrando aqui. 

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NARUTO - MASASHI KISHIMOTO


ANIME

Meu primeiro contato com o anime Naruto se deu em 2017. Como expliquei acima, estávamos assistindo animes como forma de nos mantermos unidos mesmo estando distantes uns dos outros.

No final daquele ano, já tínhamos visto 40 episódios do anime. Escrevi à época:

"Para dizer da impressão ou da mensagem que mais me chamou atenção até agora na história do garoto sem família, e que sofre com a forma como as pessoas de sua aldeia o tratam - com preconceito e discriminação - foi que ele não vive de chororô pelos cantos e não deixa que nada o impeça de olhar para a frente e seguir com determinação seu objetivo de ser o melhor ninja da aldeia." (ver postagem toda aqui)

O garoto Naruto é órfão e sua atitude perante a vida é de determinação na busca de seus objetivos. Ele não é um garoto que fica pelos cantos se lamentando pelos infortúnios da vida.

Na época, vimos toda a primeira parte de Naruto, quando ele deixa a Aldeia Oculta da Folha com Jiraiya para um treinamento que durará mais de dois anos.

Naruto Uzumaki é um dos três membros da "Equipe 7", treinada pelo sensei Kakashi Hatake. Seus companheiros de equipe são Sasuke Uchiha e Sakura Haruno.

A experiência de ver o anime Naruto é ampliada pela trilha sonora, que é fantástica. As músicas de determinados momentos da história já fazem parte de nossa experiência com Naruto.


MANGÁS

Agora, muitos anos depois, resolvi ler os mangás que deram origem ao anime e a experiência é bem diferente, e ambas são muito interessantes.

A edição brasileira da coleção de mangás do Naruto saiu pela Panini e contém 72 volumes, sendo a primeira parte até o volume 27, capítulos 1 a 244 e a segunda parte vai até o capítulo 700.  

Levarei muito tempo para ler todos os volumes do mangá, mas tudo bem. E para ficar melhor ainda, estou revendo os animes à medida que avanço nos volumes do mangá.

Nos 4 primeiros volumes, revi a apresentação dos personagens principais: Naruto, Iruka sensei, Sasuke, Sakura e Kakashi, dentre outros da Aldeia Oculta da Folha. É bom citar também Konohamaru, o garotinho neto do Terceiro Hokage.

Os ninjas desenvolvem habilidades a partir de treinamento intensivo e uso de energia vital, seus chakras, e alguns ninjas trazem habilidades especiais herdadas de família ou adquiridas como é o caso do garoto Naruto, que traz em si a Raposa de Nove Caldas, derrotada numa batalha e selada dentro do garoto recém-nascido.

Após Naruto ser admitido na escola de formação de ninjas, eles saíram numa primeira missão com o sensei Kakashi e tiveram que lidar com vilões muito poderosos: Zabuza e Haku. 

Neste momento inicial, Naruto já desenvolveu seu principal jutsu, o Jutsu Clone das Sombras. Ele também tem um jutsu que causa sensação (risos), o Jutsu Sexy, que deixa qualquer homem no chão.

Post Scriptum: meu filho me lembrou de uma questão interessante no jutsu dos clones usado por Naruto: ele nunca teve família e ao criar clones de si mesmo acaba sendo uma habilidade que dialoga com a solidão que o acompanhou ao longo da infância. Tem um sentido psicológico aí...

Enfim, seguimos em contato com todas as formas de cultura e conhecimento. Animes e mangás são de uma riqueza cultural imensa e eu recomendo a experiência para todas as pessoas.

William


domingo, 11 de junho de 2023

Leitura: A bíblia em crônicas livres - Roberto Buzzo



Refeição Cultural

Osasco, 11 de junho de 2023. Domingo.


Opinião

Ao saber da publicação do novo livro do Roberto Buzzo - A bíblia em crônicas livres (2023), soube na hora que viria coisa boa por aí. O cara é muito bom com as palavras, com os textos e com a forma de expor e narrar causos. Basta ler seus textos de olhares cotidianos - crônicas - em seu perfil de rede social para ver o quanto o escritor é bom. 

No finalzinho do livro, Buzzo nos conta que anda uns 10 Km por dia em São Paulo... demais isso! Bem característico de um andarilho e de um cronista dos bons.

O tema do livro é um tema bem delicado de se abordar - a bíblia -, por tudo que significam as religiões e as crenças ao longo da história de todas as sociedades humanas do passado e do presente. É foda falar sobre religiões e fé. E o Buzzo decidiu ler a bíblia inteira, o Antigo e o Novo Testamento, mais de 2.200 páginas, para nos contar de forma humorada passagens clássicas deste clássico dos clássicos.

Quando ele disse em sua rede social durante a pandemia que iria ler a bíblia assim como nós leitores e leitoras estávamos lendo livros e mais livros - eu li dezenas de obras durante a pandemia -, fiquei imaginando a empreitada ousada que o Buzzo iria fazer... me deu até vontade de incluir a bíblia entre os ulisses, moby dicks e os decamerãos da vida (rsrs). Mas não fui tão ousado assim.

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"Fico pensando. Como fazer esse povo incréu acreditar em Deus sem deixá-lo com medo? Aliás, isso é mais fácil do que chuchu na serra. Porque coisa mais fácil é amedrontar ignorante. E a nossa ignorância do mundo é incrível. Incrível de admirável, de notória. Assim como é notória nossa incredulidade." (from: "A BÍBLIA EM CRÔNICAS LIVRES" by: Roberto Buzzo)

Aliás, ousadia é a primeira impressão que temos ao pegar pra ler o livro do Buzzo. O cara é corajoso! Eu não sei se teria coragem de narrar com ironia e humor os textos sagrados como ele faz... não, não teria coragem. 

Se não teria coragem hoje que não acredito em religião alguma, imagina se teria coragem quando tinha muita fé e medo mortal dos pecados todos que nos freiam na religião... já estaria me persignando só de ter pensado nisso.

Neste mundo no qual vivemos hoje, em que não se sabe quase nada e não se separa mais ficção de realidade, que não se sabe mais o que é referência científica e histórica e o que não é, ficou difícil a vida de escritores em geral, já que a desinformação fez com que seja comum humanos de verdade acharem que é mentira que voamos até o espaço, que a Terra não é plana e que a gravidade nos segura nela quando estamos de "cabeça pra baixo" etc.

Eu fui muito religioso durante a metade de minha vida humana. Conhecia bastante a parte da bíblia mais usada na religião dos cristãos católicos apostólicos romanos: os Evangelhos, os Salmos, Atos dos Apóstolos, Cartas de São Paulo, e também conhecia o principal do Antigo Testamento, os livros do Pentateuco, por exemplo. 

Ainda sobre religiões e mitos da fé, li livros sobre Paulo de Tarso e Lucas - o médico, e um dos livros de ficção - que o autor jura não ser ficção - que mais me encantaram até hoje foram os livros da série Operação Cavalo de Tróia, do J. J. Benítez, li até o 4º volume. 

Enfim, chegando aos trinta anos de idade, as abstrações mentais e culturais que coordenam nossas vidas humanas foram mudando para mim. Outras referências de vida passaram a balizar minha caminhada pela existência. Cada pessoa tem seu tempo e seu percurso. Deixei de acreditar nesses mitos da religião e passei a ter outras abstrações humanas como balizadoras da vida e do mundo. 

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PASSAGENS

Exemplos de passagens de leitura que me fizeram refletir, rir, me incomodaram, me trouxeram memórias do passado etc.

"A primeira coisa que Iahweh fez foi apartar o povo para fazer seu proselitismo sossegado, levando-o para longe dos opositores, do outro lado do Mar Vermelho. Estacionou o rebanho aos pés de um vulcão, para ele ficar amedrontado e aderir com entusiasmo. Então, chamou Moisés lá em cima, só ele, que aquilo não era democracia direta, era teocracia representativa, Ele comandava Moisés, que falava para o povo." (from: "A BÍBLIA EM CRÔNICAS LIVRES", by: Roberto Buzzo)

Em várias passagens, Buzzo faz sua leitura do regime político envolvido na passagem bíblica: democracia, teocracia, ditadura, comunismo, socialismo, liberalismo etc.

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"Até que algum ou muitos gaiatos começaram a questionar: “que que adianta a gente observar direitinho todas as leis de deus se, só por causa de alguns infiéis, que ficam por aí adorando aos ídolos, todos nós nos fodemos?

Nessa passagem do capítulo "O pessimista" os judeus começam a perceber que esse negócio de socializar as consequências das merdas dos outros é uma roubada, que o melhor seria ser julgado individualmente por Iahweh...

Daí a conclusão:

"Foi, portanto, simples acabar com o pessimismo. Foi só trocar o socialismo pelo individualismo."

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"Um detalhe tardio. Gostoso. Fatal. Dalila era linda. Bem, isto não está na história, é dedução minha. É que acho que uma mulher com o nome de Dalila só pode ser linda.

Cara, ri muito nessa passagem! Fala sério!

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"Jesus, além de não ser bobo, era sagaz. Porque, às vezes, a gente não é bobo, mas também não é esperto, sabe como é? Quase todos somos assim, a gente não faz grandes besteiras, só pequenas… Jesus não fazia besteira nenhuma, aí que está a diferença. E, por isso, preencheu os 12 cargos com gente da sua laia, entenderam? (Tudo bem, Paulo tinha instrução e posição social, mas só entrou no partido depois que Jesus morreu. E, vai saber, pode ser que a Igreja resultou mais parecida com Paulo do que com Jesus).

Jesus foi o cara!

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"Acontece que Jesus, sentado à direita do Pai, lá de cima acompanhava a caravana e havia decidido levar Saulo para seu time. Ora, se tá cheio de palmeirense que, mediante um bom contrato, faz muitos gols pelo Corinthians, era possível fazer aquele craque jogar para Ele. Porque craque é craque, não importa a posição nem a agremiação.

Nos dois livros que li sobre Saulo de Tarso que se converteu em Paulo, o evangelista, pude perceber o quanto esse homem foi importante para a expansão do Cristianismo por todas as regiões da antiguidade.

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"Antioquia, então capital da Síria, província romana, às margens do rio Orontes, hoje é a moderna Antáquia, território da Turquia. Era a terceira cidade do Império Romano, depois de Roma e Alexandria. Situava-se no vértice norte do fundão do mar Mediterrâneo, enquanto Alexandria, no delta do Nilo, dominava o vértice sul.

Vejam a erudição e o cuidado com a geografia que o autor tem.

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"Tem fiel que todo domingo pinga na sacola de coleta uma reles nota de dois reais e aí, na hora da precisão, quer exigir. Dá dois reais por semana e, na hora do pedido, pensa como todo pequeno-burguês: “Tô pagando, tenho direito!” Claro que tem direito! Tem direito ao retorno equivalente a dois reais. Não, quatro reais. É que Deus sempre dá em dobro…"

Demais essa passagem! (rsrs)

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"Acontece que no território de Pedro só tinha judeu, enquanto no território de Paulo só tinha gentio. Na época, gentio era tudo que não fosse judeu. Até aí tudo bem, acho que Pedro – assim como Fidel Castro – não botava muita fé no estrangeiro, não estava muito interessado em implantar o comunismo no mundo inteiro e aquele arranjo de manter Paulo fora de Cuba foi bem providencial, aquele chato…

Olha aí a erudição do homem! Conhece a história de Fidel Castro, a Revolução Cubana etc. A todo momento no livro, Buzzo faz diversas referências sobre os mais diversos assuntos do passado e do presente. É de se admirar!

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O PRAZER DA LEITURA

Já na leitura da primeira parte - Antigo Testamento - Buzzo me fez rir várias vezes. E assim se seguiu até o fim.

Amig@s leitores, isso não é uma tarefa fácil! Sou uma pessoa pouco humorada, e tenho um coração amargurado por viver no mundo no qual vivemos. Eu não consigo ser feliz em meio à miséria social que vivemos. Sou um ranzinza.

Mesmo sendo de pouco riso, o autor nos presenteia com uma forma de contar causos de personagens bíblicos de maneira engraçada e diferente daquilo que estamos acostumados.

Outra qualidade que salta aos olhos é a erudição do autor. Mesmo imaginando o quanto deve ter sido difícil a empreitada de ler 2.200 páginas da bíblia para escrever crônicas de algumas passagens, sem dúvida, a erudição do Buzzo deve ter tornado a tarefa mais palatável. Nós que ganhamos com isso.

Fecho a leitura com essa sacada do Buzzo em relação ao Pai e ao Filho, duas figuras centrais da Bíblia, Iahweh e Jesus Cristo. Sempre achei o Deus do Antigo Testamento uma divindade tensa, vingativa, de dar medo. Já Jesus, como não simpatizar com essa figura humana, parceira, compreensível, que transmite bondade e amor?

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"Pelo que vi até agora, o Pai era partidário dos ricos e poderosos, admirava as pessoas bem-sucedidas aqui na Terra e, se preciso, fazia até guerra para conquistar um pedaço de terra. Já o Filho gostava dos pobres e humildes, compreendia os fracassados e não gostava de violência. Se alguém lhe chutava a canela, ele só ficava olhando, com aquele olhar de tristeza. Preferia morrer a fazer uma guerra. Mas mandava Simão Pedro anotar todos os desaforos num caderninho, para cobrar lá na porta do Céu." (from: "A BÍBLIA EM CRÔNICAS LIVRES" by: Roberto Buzzo)

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É isso! É um livro para se abrir e ler trechos sempre que se desejar dar uma descontraída nas tensões vividas e tentar ver a vida de forma mais leve e engraçada.

Roberto Buzzo é um refinado cronista e contador de causos, para nossa sorte.

Este foi meu 15º livro lido no ano. Ler é fundamental para a manutenção e desenvolvimento de nosso cérebro e nossas capacidades humanas.

William


Bibliografia:

BUZZO, Roberto. A bíblia em crônicas livres. 1ª edição. São Paulo, 2023. Livro digital.


terça-feira, 6 de junho de 2023

Viagem a Cuba (VI)


Estación Central Ferrocarriles, La Habana.

Refeição Cultural - Cuba (XXIII)

Osasco, 06 de junho de 2023. Terça-feira.


Estivemos em Cuba por duas semanas, entre abril e maio, e o nosso grupo de oito pessoas do Brasil pôde conhecer um pouco da realidade da Ilha socialista durante a nossa estadia. Como ficamos hospedados em casas de cidadãos cubanos e andamos à vontade por lá, pudemos conversar bastante com as pessoas.

Ficamos 6 dias em Havana, depois viajamos pelo país, conhecendo as cidades de Trinidad, Santa Clara e Varadero e retornamos a Havana de onde partimos com novas experiências e sonhos. 

Termos ficado na Casa de Isabel foi um diferencial para nós porque além do acolhimento e apoio em tudo, tivemos o senhor Luis Caballero como guia. Ele é historiador e conhece muito sobre a Revolução. Ainda tivemos o suporte e apoio da professora brasileira Maria Leite, doutora e especialista da pedagogia em Cuba.

Estou refletindo sobre a nossa viagem em postagens abordando a nossa estadia de forma cronológica. Já fiz 5 postagens sobre os primeiros dias em Havana (ver aqui a 1ª delas). Sigo lendo e estudando a respeito da República Socialista de Cuba e também acompanho o que se passa em nosso país capitalista, a República Federativa do Brasil. 

Nesta postagem vou abordar um pouco o nosso dia 1º de maio em Havana, uma segunda-feira de feriado nacional, mas sem a manifestação do Dia dos Trabalhadores, transferida para a sexta-feira 5, devido à forte tempestade ocorrida na véspera do evento.

Ao final do texto, tecerei alguns comentários políticos sobre meu olhar a respeito de Cuba e do Brasil e seus sistemas políticos: poderíamos definir um e outro como ditadura e ou democracia como costuma-se fazer na grande imprensa comercial?

"Contra viento y marea", de la artista
camagüeyana Martha Petrona Jiménez.
Obra lançada na bienal de 2019, dos 500 anos.

FERIADO DO 1º DE MAIO EM HAVANA

Na segunda-feira, um dia bem quente e ensolarado, sem as fortes chuvas que assolaram Havana no domingo, nosso grupo se dividiu para os passeios. O pessoal decidiu ir para a praia em Havana, pegando um táxi logo cedo. Meu filho e eu decidimos andar por La Habana Vieja.

Saímos da Casa de Isabel, que está ao lado do Capitólio Nacional, e fomos no sentido da Estação de Trem que fica na região portuária de Havana, na baía interna que há na Ilha.

Atravessamos a Praça da Fraternidade e pegamos a Calle Factoria até a Estación Central de Ferrocarriles. Já temos ali o início do Malecón, grande estrutura de calçadão com uns 7 Km que circunda Havana com bela vista para o mar.


ESTACIÓN FERROCARRILES E CASA NATAL DE MARTÍ

Paramos uns minutos na pracinha da Estación Ferrocarriles Habana, onde ficam em exposição carros antigos de trens e muita gente sentada na praça, curtindo o feriado. Ao lado da praça, existe uma estrutura da época das Murallas que protegiam Havana, era um posto da guarda.


Pegamos a Av. de Bélgica e fomos até o Museo Casa Natal de José Martí. Como era feriado, não pudemos entrar nos pontos turísticos e históricos porque estavam fechados.


MURALLA DE LA HABANA

Ali na região da estação de trem, vimos uma estrutura conservada da antiga muralha de Havana - a Puerta de la Tenaza - e pudemos imaginar a grandeza da obra quando estava ali no século XVIII.

Achamos bem interessante o mapa em alto relevo demonstrando como era a Muralha na época que cercava e protegia Havana de possíveis piratas e ataques de outras metrópoles colonialistas.


Das muralhas e fortificações da época, ficaram várias estruturas preservadas, testemunhas da história de Cuba e do povo cubano. A cerimônia Cañonazo de las nueve (ver uma postagem a respeito aqui) é um exemplo cultural sobre a história da Ilha.


CENTRO CULTURAL SAN JOSÉ

Ao chegar à região portuária - el Paseo Marítimo Flotante de la Bahía de La Habana - onde se localiza o Centro Cultural Antiguos Almacenes San José, ou seja, mercado de artesanatos, seguimos caminhando pelo Malecón

No feriado o mercado de artesanato estava fechado, mas voltamos a ele outro dia e pudemos comprar alguma lembrança ali.

A região do porto está toda restaurada.

O conjunto arquitetônico ali foi todo restaurado e o lugar está muito bonito e aconchegante. La Alameda de Paula, por exemplo, na Avenida del Puerto, é repleta de bancos à sombra para se avistar o visual da baía, lugar muito agradável!

Passamos pela Sacra Catedral Ortodoxa Rusa e seguimos até a Plaza de San Francisco de Asis

Vale lembrar que em Cuba existe liberdade para cada pessoa professar a fé que quiser e pelo que pudemos apurar são mais de dez matrizes religiosas no país.

Castillo de la Real Fuerza de La Habana.

CASTILLO DE LA REAL FUERZA DE LA HABANA

Terminamos nossa caminhada por Havana Velha na região onde está o forte e museu em forma de estrela do século 16. Estrutura muito bem conservada como as demais que já citamos. 


Cuba trata com muita seriedade seu patrimônio histórico, material e imaterial. O historiador Eusebio Leal Spengler tem muita relação com essa concepção de preservação da história da Ilha.

Restaurante La Flor de Loto.
Bons preços, e tem fila de espera.

BARRIO CHINO DE LA HABANA

Fechamos o feriado indo comer em um restaurante chinês. 

Andamos cerca de um quilômetro ou pouco mais adentro do bairro chinês, lugar simples, sem estrutura urbana adequada, e que pode até assustar turistas como nós que convivemos com violência urbana nas cidades do Brasil. 

Olha aí nosso grupo!

No entanto, apesar das ruas e casas nos lembrarem as comunidades e favelas brasileiras, as pessoas estão brincando e conversando pelas ruas e os turistas caminham por ali sem problema algum.

LA HABANA VIEJA É LINDA

Demos uma bela caminhada no feriado do 1º de Maio por alguns pontos históricos de Havana Velha, lembrando que essa região é uma pequena região da capital de Cuba, a que mais se fala e visita, é uma pequena área de Havana, que é enorme. 

O pessoal curtiu praia em Havana.

Nosso grupo também aproveitou o dia na praia e só nos encontramos para sairmos para jantar à noite. Sim, Havana tem praia, pessoal, não é ali na parte antiga, mas tem.

La Habana Vieja é linda demais!

A cidade de Havana é bem grande e pouco conhecida dos turistas em geral. Normalmente se fala e se mostra muito de La Habana Vieja, que é maravilhosa!

Nos dois últimos dias de viagem, de volta à Havana, pudemos andar por outras áreas e vimos o quanto a Capital é grande e moderna, não à toa temos ali cerca de dois milhões de habitantes.

Fomos à finca onde viveu Hemingway, no Memorial da Denúncia e no bairro onde fica a Fusterlandia, que comento mais adiante em outra postagem.

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As cidades devem ser da classe trabalhadora.

REFLEXÃO: DEMOCRACIA E DITADURA...

Estou na região metropolitana de São Paulo, aqui vivem mais de 12 milhões de pessoas. Vivo num país capitalista. É aqui que ficam alguns dos grandes bilionários do Brasil. É aqui a tal "Faria Lima", nome associado aos banqueiros e rentistas que desgraçam o Brasil. 

É aqui que morreram 4 pessoas nas ruas nos últimos dias, provavelmente de frio, segundo as autoridades públicas e imprensa.

Na República Federativa do Brasil, temos um senhor que determina sozinho a taxa de juros de 13,75% que baliza a economia do país (selic), que paga papéis da dívida pública. O cara não foi eleito por ninguém, é um pau-mandato da casa-grande e dos latifundiários do "agro pop". Ele foi colocado lá por um homem que perdeu as eleições em 2022 e que está às voltas com acusações diversas na justiça. 

O presidente do país, Lula, eleito por 60 milhões de votos, está sofrendo um boicote descarado por parte desse sujeito do Banco Central, boicote para que seu governo não dê certo e a economia não volte a gerar emprego e renda para o povo. É um verdadeiro bloqueo aplicado ao governo brasileiro por parte de um homem do BC, um boicote diferente daquele que Cuba sofre por parte dos Estados Unidos há 6 décadas, mas um tipo de boicote dos capitalistas. É para inviabilizar o país e causar sofrimento ao povo.

Aí dizem que o Brasil é uma democracia. A imprensa da casa-grande não considera ditadura o que vivemos com a taxa de juros determinada por um homem não eleito e que destrói a economia de um país com 210 milhões de pessoas... até gente do meu lado da classe, a dos trabalhadores, acha que aqui vivemos numa democracia. 

O PARLAMENTO BRASILEIRO - Aí temos aqui um legislativo que foi composto nas eleições de 2022 por 513 deputados (poucas mulheres) e 81 senadores, sistema de duas casas - a que representa o povo e a que representa as unidades da federação. Aqui o voto é muito mais que censitário, na prática, pois só são eleitos candidatos com muito poder econômico, é só olhar as bancadas no Congresso.

Desde a eleição de Lula e o fim do mandato daquele genocida e miliciano que ocupava de forma questionável a Presidência da República tem vindo à tona todo o alfabeto de ilegalidades e crimes cometidos pela família de milicianos durante a gestão do líder deles e fraudes, muitas fraudes, durante o processo eleitoral. Digo eleição questionável porque a eleição de 2018 não foi legítima, sofreu intervenção para tirar o candidato que seria eleito e isso interferiu no processo.

O tal orçamento secreto, por exemplo, foi uma das bases do financiamento de campanha para a eleição da imensa, imensa, maioria dos 513 sujeitos que compuseram a Câmara que representaria "o povo". Os votos foram comprados... os bilhões e bilhões foram usados em milhares de municípios de forma "secreta" e é evidente que não temos um parlamento que represente o povo, esses 99% fora do escopo dos bilionários e milionários que compõem o 1% do país.

No Brasil são eleitores habilitados 156 milhões de pessoas. Não participaram do 1º turno 32 milhões de eleitores (21% não votaram).

MARCO TEMPORAL, GENOCÍDIO E DESTRUIÇÃO DOS BIOMAS BRASILEIROS - Nestes dias, aquele Parlamento canalha, vil, que não nos representa, votou às pressas uma lei claramente inconstitucional para colocar em exposição a Corte Suprema do país - que provavelmente julgará a lei ilegal - e expõe também o governo federal eleito, Lula, para criar no povo uma ideia de que o governo eleito está fazendo o contrário do que o povo elegeu.

Para finalizar a respeito da "democracia" brasileira, o atual presidente da Câmara, talvez não devesse sequer ter um mandato, porque concorreu sob liminar após ser condenado por corrupção em seu Estado. Se as Cortes de justiça usassem contra ele as mesmas réguas que usaram contra o cidadão Lula, ele jamais teria concorrido sob liminares. 

No entanto, ele concorreu e tem mandato e após comandar o "orçamento secreto" de bilhões de reais sem clareza no uso do recurso público, o cara chantageia o governo eleito de todas as formas possíveis e tudo parece normal. Não estamos em ditadura... sei!

O PARLAMENTO CUBANO - O povo cubano elegeu em março deste ano os 470 deputados e deputadas da Assembleia Nacional do Poder Popular. Participaram do processo democrático 6,1 milhões dos 8,1 milhões de eleitores possíveis (75,2%). 

Só para dar mais um exemplo de participação popular e democrática na República Socialista de Cuba, 90,15% do eleitorado participou da consulta sobre a atual Constituição do país, de 2019. Em Cuba, o voto não é obrigatório.

Eu vi em Havana muitas pessoas abordando os turistas e oferecendo tudo quanto é tipo de serviço e mercadoria local para complementar suas rendas: corridas de táxi, charutos cubanos etc. Pessoas pedem regalos (presentes) aos turistas. Pelo que nos explicaram, é que depois as pessoas vendem os regalos.

A cidade de Havana Velha é uma cidade em construção, em reforma e em espera de recursos para refazimento da estrutura física da cidade. O bloqueo de décadas deixou a economia da Ilha depauperada. 

Só um país e povo sob embargo sabe o efeito disso. É a bomba atômica atual, efeito mais eficaz que bala de canhão e metralhadora. A ideia é causar a miséria, a fome, o desespero do povo e com isso fazer o povo se revoltar contra seu governo e instituições e causar a ruptura. Bem democrático isso de impor embargo aos outros, né!

Enfim, pelo que pude apurar, os 11 milhões de cubanos têm ao menos uma cesta básica de mantimentos para não morrerem de fome. Se não há recurso econômico do governo, a cesta básica é pior; se há recurso, melhora pra todo mundo a composição da cesta. Como faltam moradias para todo mundo, muitas famílias vivem juntas nas estruturas que existem no momento.

NÃO há em Cuba mais de 30 mil pessoas nas ruas sem casa como em São Paulo, sem comida, sem assistência formal do governo. Não tem! Só tem essa multidão de humanos com fome aqui em São Paulo, no Brasil capitalista.

O QUE É MESMO DITADURA E DEMOCRACIA?

E depois vão dizer que definir o que é democracia e o que é ditadura não é uma questão de narrativa, narrativa bem parcial por sinal, como faz a "imprensa" monopolizada pelo poder econômico do capital e dos bilionários do mundo. É a pós-verdade, o poder de impor a verdade do mais poderoso. 

Para os capitalistas e parte das pessoas de minha classe social, a classe trabalhadora, democracia é o que temos nos Estados Unidos, no Brasil, no Haiti etc. Ditadura é o que temos em Cuba e na Venezuela etc.

Francamente, eu não compartilho dessas leituras de mundo como cidadão. No entanto, respeito a opinião de quem pensa diferente.

Para a leitura do texto anterior sobre esta série da viagem a Cuba, clicar aqui. Para ler o texto seguinte, clique aqui.

William


Post Scriptum: fica para o próximo texto, um comentário que quero fazer sobre as praças e parques em Cuba e em São Paulo e Brasil, e também a questão do novo Plano Diretor da Cidade de São Paulo, cujo interesse absoluto foi favorecer os capitalistas do concreto e aço e prejudicar a população paulistana, que vai perder o resto de praças, parques e áreas públicas que tinham... essa é uma diferença central entre a Havana do historiador Eusebio Leal Spengler e a preservação do patrimônio histórico e foco nas pessoas e a capitalista São Paulo da especulação imobiliária e expulsão das pessoas das áreas nobres da cidade.

Lembremos o que é privatização, é privar, é tirar o acesso de. Privatizar as áreas públicas e as coisas públicas é privar as pessoas do direito a elas. Tão básico e, no entanto, as pessoas não se atentam sequer ao significado da palavra: privatização = privar...



quarta-feira, 24 de maio de 2023

Viagem a Cuba (V)


Cuba: Patria o Muerte!

Refeição Cultural - Cuba (XXI)

Osasco, 24 de maio de 2023. Quarta-feira.


Estou refletindo a respeito da experiência de viajar para Cuba e lá ficar por 15 dias, conhecendo Havana, a capital do país socialista, e mais 3 cidades: Trinidad, Santa Clara e Varadero (ver aqui a 1ª postagem). 

Estivemos em Cuba entre 27 de abril e 11 de maio. Nosso grupo paulista de 8 pessoas ficou hospedado em casas de cidadãos cubanos e não em hotéis - fomos acolhidos metade na Casa de Isabel e outra metade numa casa próxima -, o que dá outra característica à nossa experiência. Além de tornar a viagem muito mais barata, o contato com as pessoas é de outra natureza.

Nosso domingo começou pegando
o ônibus na Pça. Central, em frente
ao Gran Teatro Alicia Alonso
.

Cada viagem é única e como disse em outras postagens, não acho correto dar hierarquias a viagens e roteiros, dizendo que umas são melhores ou piores que outras. Cada pessoa deve avaliar em qual tipo de roteiro de viagem se sente melhor. 

Eu, por exemplo, não acho que faria hoje uma viagem na porraloquice, sem programação, sem informação alguma, no estilo deixa o vento me levar... viagem assim não é mais pra mim, que já passei dos 50 anos. Acreditem, já fiz muita viagem na porraloquice. Hoje, não mais.

Pai e filho na Praça da Revolução,
La Habana, Cuba.

Nossa viagem a Cuba foi um sucesso, correu tudo como planejado, não passamos nenhum perrengue desses que estragam o passeio, e deu tudo certo porque foi organizada pela companheira Miriam, colega aposentada do BB, e com o suporte da educadora Maria Leite e porque toda a viagem teve a Casa de Isabel como referência em Havana e para as locomoções pelo país. Até o fato de ninguém ter tido nenhum problema de saúde ou alguma ocorrência policial e política tem relação com planejamento. É o que avalio.

Casa de Isabel e Luis, ao fundo em azul,
situada na quadra do Capitólio Nacional.

Eu vejo esses viajantes que têm milhões de visualizações em perfis de YouTube contando suas experiências sobre Cuba e sobre o povo cubano e confesso que fico entre triste e curioso. É triste ver pessoas às vezes despolitizadas e "neutras" igualando as razões ideológicas do governo socialista cubano com os desejos do império de tomar de volta a Ilha para seu bel-prazer e exploração. Fico curioso também para ver o que contam sobre Cuba, afinal sempre tem algo interessante para se saber sobre hábitos e costumes de outros países.

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Monumento a José Martí,
Praça da Revolução, Havana.

30/4/23, DOMINGO, TEMPORAL EM HAVANA

O domingo, véspera do 1er de Mayo em Cuba, foi o dia que o grupo definiu para conhecer a Praça da Revolução, local histórico e conhecido por grandes aglomerações humanas em datas e eventos importantes do país. Discursos históricos já foram proferidos ali pelas lideranças revolucionárias do povo cubano.


Já sabíamos que as atividades do Dia dos Trabalhadores e Trabalhadoras não seriam como nos anos anteriores, com uma manifestação gigante pelas ruas de Havana terminando na Praça da Revolução. 

Dias antes, o governo havia definido que cada província realizaria seu 1er de Mayo porque a questão da falta de combustíveis estava muito séria e o deslocamento de grandes massas para Havana seria muito custoso para a República Socialista. Na capital, o evento seria no Malecón, na avenida beira-mar de Havana. 

(O 1er de Mayo seria transferido naquele domingo 30 para o dia 5, sexta, por questões climáticas e nosso grupo participou dos atos em Trinidad)

Nosso 1er de Mayo foi em Trinidad
porque o governo mudou a data para a
sexta 5, por causa do risco de temporal.

Tomamos o Habana Bus Tour (10 dólares/euro) e descemos na Praça da Revolução. Eu fiquei emocionado por estar lá. Para quem é de esquerda e socialista e estuda um pouco de história, estar na Plaza de la Revolución em Cuba é um momento único na vida. Além das clássicas imagens de Che Guevara e Camilo Cienfuegos (murais), temos o Monumento a José Martí - Torre e Estátua do herói revolucionário. 

Ainda no local, vimos a mudança do tempo, com nuvens negras tomando conta da cidade e meia hora depois caiu uma tempestade imensa. Já estávamos dentro do ônibus na hora da tormenta, para nossa sorte, e ficamos quase duas horas circulando por Havana sob forte tempestade com ruas alagadas e árvores caídas. 

Após a tempestade, almoçamos no La Roca,
restaurante com preços muito bons, perto
do Hotel Nacional de Cuba.

Soubemos após a tormenta que as estruturas no Malecón para o 1er de Mayo foram seriamente comprometidas. O ato do dia seguinte foi transferido para a sexta-feira 5 de maio em todo o país. Em outra postagem falarei sobre a nossa experiência do 1er de Mayo em Trinidad, Cuba. Foi um evento fantástico!

Entrada do Hotel Nacional de Cuba.

Após a tormenta, almoçamos em um dos restaurantes estatais, cujos preços são bem populares e mais baratos em relação aos restaurantes privados. Fomos ao Restaurante-bar La Roca, próximo ao Hotel Nacional de Cuba, que visitamos na parte da tarde. 

Olha o nosso querido grupo voltando
para nossas hospedagens após as
aventuras do dia em Havana.

Terminamos o passeio pegando o ônibus de volta ao Capitólio Nacional, região onde estávamos hospedados.

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Vista do Malecón, a partir do
Hotel Nacional de Cuba.

VIVA A REPÚBLICA SOCIALISTA DE CUBA!

Uma observação sobre o tema comunicação e informação:

Desde o início do ano, tenho lido algumas notícias de Cuba diretamente nas páginas de internet disponíveis para qualquer pessoa no mundo. Sites como Granma.cu e Cubadebate.cu e mais alguns. É notório que o ponto de vista das notícias é o do governo socialista do país.

Se alguém de fora do Brasil der uma "googlada" sobre o nosso país, os algoritmos das big techs disponibilizarão aos leitores as notícias e os pontos de vista dos veículos de comunicação de nossos inimigos de classe, as páginas da mídia empresarial e da casa-grande brasileira, manipuladora e mais canalha que tudo na sociedade humana.

Aí algumas pessoas de boa-fé vão avaliar que em Cuba não há liberdade de imprensa e que no Brasil há... é um longo e legítimo debate a ser feito, diria eu, que já fui secretário de imprensa em confederação de trabalhadores e que mantenho blogs há mais de 15 anos na internet.

Enfim, como disse, tenho lido sobre Cuba e o povo cubano. E me interesso mais a cada dia e torço para que o povo cubano resista aos ataques do imperialismo e do capitalismo. 

O capitalismo está destruindo o planeta Terra e as possibilidades de manutenção da vida humana e das demais formas de vida.

Seguimos refletindo sobre Cuba, o socialismo, o capitalismo, o imperialismo, e o destino dos povos do mundo.

William


Post Scriptum: para ler o texto anterior, é só clicar aqui. O texto seguinte pode ser lido clicando aqui.

Post Scriptum II: um amigo escritor me disse dias antes de ir que se tivesse oportunidade de ir a Cuba iria perguntar ao povo se eles eram felizes. Fiquei pensando nisso... cara, é impossível destrinchar essa coisa de pegar alguém e perguntar "você é feliz?". Quem é feliz? Se sim, em que circunstância, onde, como, por quê? Aliás, qualquer pessoa pode se aproveitar de contextos específicos para conseguir respostas diametralmente opostas, do mais feliz ao mais infeliz momento da vida. Enfim, pensei nisso, mas não rola perguntar algo assim para as pessoas, na minha opinião sincera.