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sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 31 de outubro de 2025. Sexta-feira.


OUTUBRO

Um mundo bárbaro! Um mundo em colapso. É o sentimento que sintetiza a realidade que vejo. E com isso não quero dizer que devemos desistir de viver, sequer de lutar para mudar o mundo. Por isso mesmo é que devemos viver e atuar para mudar a realidade, porque viver é bom e a vida vale a pena.

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"O horror, o horror!"

Rio de Janeiro - Toda pessoa humanista ou ao menos com caráter que exista no Brasil deve estar se sentindo triste e compadecida com as famílias das vítimas da chacina policial promovida pelo governador do RJ nesta semana ao realizar uma operação nos complexos da Penha e do Alemão, que resultou no assassinato de mais de uma centena de pessoas (121 vítimas até o momento). Ainda há pessoas desaparecidas.

O horror, o horror!, como disse o personagem Coronel Kurtz no livro "Coração das trevas", de Joseph Conrad.

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Memórias

Meus registros dos fatos e acontecimentos, assim como dos sentimentos sobre as coisas do mundo, vão ganhando importância para mim à medida que o tempo passa e nossas mentes vão se transformando em outra coisa, diferente das mentes que tivemos ao longo de séculos, até milênios. As big techs estão modificando de forma proposital a mente humana e estamos perdendo as qualidades animais que nos fizeram sermos seres humanos inteligentes.

O ser humano está colapsando assim como o planeta Terra está à beira de um colapso por causa dos animais humanos vivendo sob a hegemonia do modo de produção social capitalista, modo focado no lucro e na acumulação de uns poucos em prejuízo do restante das pessoas e formas de vida no ambiente terrestre.

Desde que surgiram as tecnologias de comunicação atuais, a internet e as redes sociais, a lógica de capturar a atenção dos usuários - a economia da atenção -, a utilização de aparelhos eletrônicos com algoritmos e IA que fazem com que as pessoas percam a capacidade de concentração, reflexão, memorização e criação de soluções para a vida cotidiana, há uma preocupação crescente de estudiosos em relação ao risco de o homo sapiens deixar de ser a espécie animal que criou o mundo como nós o conhecemos, para citar uma expressão do neurocientista Miguel Nicolelis, quando fala do cérebro humano, "O verdadeiro criador de tudo".

Por isso acho que as memórias são importantes, o passado coletivo é fundamental para entendermos o presente e definirmos o futuro, e fui convencido que a vida vale a pena através de um processo dialético do viver.

Cadernos dos blogs: estou num longo processo de sistematização de toda a minha produção textual de duas décadas. Dei uma cansada. Mas preciso seguir até terminar o trabalho. Sinto que só vou me sentir livre para iniciar um projeto qualquer após terminar isso.

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Curso de extensão

Terminei o curso de extensão "Como impedir o fim do mundo - Colapso ambiental e alternativas", com 50 horas de duração e ministrado por professoras e professores excepcionais. O curso foi realizado pela Unesp e IDEC, e organizado através da Coordenadoria de Desenvolvimento Profissional e Práticas Pedagógicas da Unesp (CDeP3).

Tivemos entre julho e outubro 12 aulas com uma equipe de docentes marxistas com temáticas que nos fizeram refletir muito sobre a atual crise estrutural do capitalismo e alternativas para uma nova sociedade global. Relembrei minhas noções de economia e outras áreas do saber humano.

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O alimento cultural

Durante o mês, procurei me alimentar culturalmente com novos conhecimentos nas mais diversas áreas do saber.

Reli e resenhei no blog as entrevistas do livro "Leituras da crise" (2006) com Marilena Chaui (aqui), Leonardo Boff (aqui), João Pedro Stedile (aqui) e Wanderley Guilherme dos Santos (aqui). O livro foi central em minha formação política logo no início de minha jornada como dirigente sindical da categoria bancária.

Ganhei de presente do companheiro Luizinho Azevedo seu livro "Desafios do Sindicalismo no Brasil Contemporâneo" (comentário aqui). Gostei da abordagem do tema. Luizinho foi dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região nos anos oitenta e pertencemos ao mesmo grupo político, o Coletivo BB, da Articulação Sindical da CUT. Fui dirigente do Sindicato entre 2002-2014.

Conheci Isaac Asimov, finalmente. Já li quatro contos dele: "Um dia", "Amor verdadeiro", "Estranho no Paraíso" e "O melhor amigo de um garoto". Os textos compõem o livro "Os melhores contos de Isaac Asimov". Estou gostando dos contos do autor.

Estou lendo lentamente o livro "Infância" (1945), de Graciliano Ramos. Cada capítulo é uma espécie de pequeno conto que aborda um evento ou temática da vida do garoto, personagem da história. Ler Graciliano é um privilégio, o escritor é incrível!

Vi dois filmes antigos muito bons e que me deixaram reflexivo: "O Show de Truman: O Show da Vida" (1998), dirigido por Peter Weir e escrito por Andrew Niccol e "O patriota" (2000), dirigido por Roland Emmerich e escrito por Robert Rodat. 

O filme com Jim Carrey antecipou em décadas o fenômeno dos Reality Show e a forma extremada de propagandas e vendas através de uma transmissão pela televisão. As pessoas são coisas, tudo está em função do like e do lucro... incrível como a história é semelhante ao mundo fake no qual vivemos em 2025. 

O filme estrelado por Mel Gibson é interessante porque aborda uma questão histórica, o processo de independência da ex-colônia inglesa. Óbvio que a narrativa tem toda aquela presepada patriótica enfiada goela abaixo dos povos do mundo pela indústria cinematográfica de Hollywood, mas sabendo filtrar essa questão, é possível assistir às quase 3 horas de filme com olhar crítico. Foi o que fiz ao rever a película.

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Livro de memórias sindicais

Durante o período de isolamento da pandemia mundial de Covid-19 e sobrevivendo no Brasil de Jair Bolsonaro, escrevi memórias sindicais em meu blog A Categoria Bancária. Ao longo de quase dois anos fui escrevendo reminiscências dos tempos de trabalhador da categoria bancária que depois virou representante dos colegas em diversos mandatos sindicais.

Os 39 textos de memórias foram importantes para o autor porque o ajudou a atravessar aquela longa noite de terror que o povo brasileiro viveu durante os anos de governo de destruição, o governo do clã bolsonarista e seus asseclas. Cada texto é independente e completo, trata de alguma questão específica. Em essência, os textos lembram ao autor e às pessoas que leram e que venham a ler as concepções e práticas políticas de sindicatos cutistas. O trabalho de base é central nessa experiência.

Após a exposição dos textos no blog, e as postagens tiveram um acesso surpreendente, surgiu a ideia de editar as memórias em livro, e então fiz uma edição impressa para presentear pessoas que fizeram parte de minha formação política ou que estejam atuando na luta incessante da classe trabalhadora explorada pelos donos do poder, os capitalistas.

O mês de outubro foi diferente em relação ao meu cotidiano. Além das participações em eventos políticos que já realizo normalmente, encontrei algumas pessoas queridas para um café ou almoço para presentear o livro de minhas memórias.

A ansiedade de entregar a alguém um livro que você escreveu é algo que jamais pensei sentir. É estranho, confesso! Fiquei relutante desde o início se deveria fazer um livro de minhas memórias. 

Eu adquiri o hábito de fazer textos dizendo o que sinto, penso ou compartilhando algo que aprendi em meus blogs, mas parei de mandar os textos para pessoas e grupos. É uma forma de ficar na minha, e de respeitar o tempo das pessoas. Se alguém quiser saber o que escrevi é só acessar os textos na internet.

Fazer um livro é voltar ao modo antigo, de quando eu tinha a prática de me manifestar porque entendia ser necessário quando representava pessoas e grupos. Ainda me sinto pouco à vontade com relação ao livro, que por sinal ficou muito bonito e bem editado por Cleusa Slaviero e sua Editora ComPactos.

Tive um contratempo com a gráfica, que fez 20% das unidades com erro de impressão nas primeiras páginas, um transtorno indescritível e irreparável, pois posso ter presenteado alguém com uma edição com erro de impressão... foda isso! Os serviços estão muito ruins atualmente. Não culpo a editora, culpo a gráfica, que deveria ter algum controle de qualidade no que faz.

Enfim, minhas memórias estão ganhando o mundo, viajando no espaço e no tempo, sendo preservadas por aí algum tempo a mais que no mundo virtual, da internet e das nuvens.

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Meu corpo segue integrado à natureza 

Finalizo essas reflexões e registros a respeito de meu mês de outubro. 

Anoto para eu mesmo ler no futuro, ou alguma pessoa de minha relação, que minha saúde não está lá essas coisas. Sigo disciplinado nas atividades físicas, mas meu corpo cansou da jornada extenuante que percorreu. Percebo isso. Sou natureza.

William

(21h31)

domingo, 19 de outubro de 2025

Instantes (15h36)



Refeição Cultural

LEITURAS


A leitura é um ato humano transformador. É uma das formas de transmissão de conhecimento e de educação. Todas as pessoas no mundo deveriam ter acesso a alfabetização e às diversas opções de meios de leitura. Tive o privilégio de ser um leitor desde muito pequeno. Porém, sei que não li quase nada ainda...

Quando garoto, lendo gibis, aprendi sobre as moscas tsé-tsé que causam a doença do sono. Há 50 anos, começava a ler e aprender...

Mais recentemente, ao ler o livro O verdadeiro criador de tudo, do neurocientista Miguel Nicolelis, compreendi melhor a vida e me livrei de vários questionamentos que fiz por décadas. 

Hoje, sei que muitas coisas são como são. Mas sei que somos sujeitos históricos e podemos mudar o mundo e criar novos mundos.

Leituras... aprendizados...

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ISAAC ASIMOV

"(...) O Sr. Daugherty diz que naqueles dias todos aprendiam a fazer os rabiscos quando eram crianças e como decifrar aquilo, também. Fazer rabiscos era chamado 'escrever' e decodificar os rabiscos 'ler'. Ele diz que havia uma espécie diferente de rabisco para cada palavra e eles costumavam escrever livros inteiros em rabiscos..." (ASIMOV, Isaac. "Um dia" in: Os melhores contos, 2018)


De minhas imensas lacunas culturais, infindáveis, Isaac Asimov era uma delas. Havia chegado a mais de meio século de existência sem ter lido um texto sequer do cientista e escritor.

Neste fim de semana li dois contos de Asimov. Ontem li "Um dia" e hoje "Amor verdadeiro". As estórias são incríveis! Gostei muito!

Seus contos nos apresentam personagens e cenários futurísticos meio impensáveis na vida cotidiana de meados do século passado. Uma máquina eletrônica que cria estórias para contar às crianças ou um computador pessoal inteligente que dialoga com o dono e busca para ele no mundo todo uma namorada ideal.

Perceberam o quanto ele antecipou o que qualquer pessoa tem hoje com essas geringonças de IA?

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GRACILIANO RAMOS

"Ninguém veio, meu pai me descobriu acocorado e sem fôlego, colado ao muro, e arrancou-me dali violentamente, reclamando um cinturão. Onde estava o cinturão? Eu não sabia, mas era difícil explicar-me: atrapalhava-me, gaguejava, embrutecido, sem atinar com o motivo da raiva. Os modos brutais, coléricos, atavam-me; os sons duros morriam, desprovidos de significação." (RAMOS, Graciliano. "Um cinturão" in: Infância, 1995)


Graciliano Ramos é um dos mestres da literatura brasileira para mim, junto com Machado de Assis e João Guimarães Rosa. 

Minha edição do livro Infância (1945) me acompanha há décadas (ela é de 1995), já se mudou comido diversas vezes, e repousa na estante atual de casa.

Li nestes dias os primeiros textos do livro, podemos dizer capítulos, mas são textos independentes, poderíamos chamá-los também de contos porque têm início, meio e fim. Cada texto é uma viagem ao passado de todos nós que fomos crianças no Brasil do século passado.

Os textos são de uma riqueza impressionante! Leio um deles e paro. Aquelas cenas ficam comigo até a próxima leitura.

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MEMÓRIAS DE TODOS NÓS

As leituras devem ser feitas, temos que seguir lendo. Enquanto lemos, aprendemos, conhecemos os mundos, criamos novos mundos.

Até meu livro de Memórias, que está aos poucos indo parar em algumas estantes do mundo, já foi lido por algum leitor ou leitora, e eu mesmo fico relendo os capítulos para me certificar, talvez, de que tenha escrito algo que valesse a pena ser compartilhado.

Cada capítulo é um pequeno conto também, com início, meio e fim, uma lembrança de fazeres sindicais dos trabalhadores da categoria bancária. 

Sigamos lendo e nos esforçando para nos mantermos humanos. A leitura é um ato humano, de humanos e para humanos.

William

19/10/25

Domingo

sábado, 31 de maio de 2025

Vendo filmes (XXIX)



Refeição Cultural

Os robôs e nós (ou as máquinas, ou ainda a IA e nós)


"Durante décadas tive receio em relação à Inteligência Artificial. Era uma das pessoas que temia que as máquinas adquiririam vida própria e colocariam sob ameaça as outras espécies animais, sobretudo a humana. Nicolelis me explicou a falácia da 'Inteligência Artificial', algo impossível de se realizar. 

A inteligência é animal, uma máquina não pode ser inteligente no sentido da criação humana. Só nós somos inteligentes, por enquanto (pode ser que fiquemos limitados como as máquinas se não mudarmos o rumo das coisas)." (William Mendes, Blog Refeitório Cultural, 01/07/21 - ler aqui)


Antes da leitura do livro O verdadeiro criador de tudo (2020), do neurocientista Miguel Nicolelis, eu via e compreendia o mundo humano de uma forma e depois da leitura passei a ver e compreender a humanidade e suas criações no planeta Terra de outra forma, bem mais consciente agora.

Até 2021, eu realmente achava ser possível a realização da ideia central de boa parte da ficção científica e das literaturas ficcionais da possibilidade de máquinas se tornarem inteligentes ao ponto de se rebelarem contra a espécie que a criou - os humanos - e tomarem o mundo para si nos eliminando ou nos fazendo de escravos à sua disposição. 

Eu achava possível isso porque não tinha a compreensão de que só seres vivos podem ser inteligentes, já que a inteligência é analógica e não digital. Só organismos vivos podem desenvolver inteligência e criatividade. Máquinas, não.

A ficção a respeito das máquinas é bem antiga. Em relação a filmes já no século XX, o clássico de Stanley Kubrick virou a referência para tudo que veio depois de 1968. O filme WALL-E, por exemplo, é um diálogo com 2001 e seu computador central HAL 9000.

Dos filmes de robôs e IA, a série que mais me deixou pensativo por muito tempo foi a do Exterminador do Futuro e o domínio da Terra pelos robôs da Skynet. 

Só o professor Nicolelis conseguiu me convencer de que isso jamais acontecerá, pois as máquinas não são inteligentes e não têm vida própria. Tem sempre um animal humano por trás delas, pode ser um lunático fdp, mas estamos lidando com programação.

O assunto é complexo e não se esgota num comentário sobre filmes de ficção científica, é claro!

No entanto, fica registrado que esses filmes que revi e comento abaixo são filmes que avalio serem muito visionários e que ainda valem pelo que representam. 

As pessoas com cara na tela, que vimos no WALL-E quase duas décadas atrás, foi uma cena premonitória demais! Hoje as pessoas morrem atropeladas ao atravessar a rua porque não olham para a frente.

A questão da imposição do novo por parte das corporações capitalistas e a transformação de sucata e obsolescência de tudo que vemos no filme Robôs é mais atual que nunca!

E sobre IA e corporações e o risco de dominação dos seres humanos por parte das máquinas, que já está acontecendo, o filme Eu, robô nos traz reflexões pertinentes. Não porque uma IA vai se rebelar contra nós, como a Viki, ou a IA do 2001 ou do WALL-E, mas porque tem uns fdp por trás delas levando ao limite o capitalismo exploratório e predatório em benefício de alguns e prejuízo de bilhões de seres humanos e espécies de vidas.

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FILMES


WALL-E (2008) - Direção: Andrew Stanton.

SINOPSE (DVD):

O aclamado diretor de Procurando Nemo e os criadores de Carros e Ratatouille transportam você para uma galáxia não muito distante dessa aventura interplanetária sobre um robô muito determinado chamado WALL-E. Depois de milhares de solitários anos fazendo o que ele foi construído para fazer, o curioso e adorável WALL-E encontra uma nova razão para viver quando conhece uma robô de busca de alto design chamada EVA. Junte-se ao casal e ao divertido elenco de personagens nessa fantástica viagem pelo Universo.

COMENTÁRIO:

Durante anos, tive no filme WALL-E a referência de acerto visionário a respeito do futuro da humanidade, um filme que apontou para onde estávamos caminhando. As redes sociais e os aparelhos celulares que viriam a capturar os seres humanos estavam em seu começo e o enredo apontava para o que viria a ser a geração cara na tela.

A destruição do planeta Terra pela poluição do consumo capitalista e as pessoas que não olhavam mais para a frente e só viam o mundo através da tela em sua cara foram as cenas do filme que nunca mais me esqueci. E aqui estamos nós, dezessete anos depois, nessas condições de destruição do planeta e robotização e desumanização dos humanos por essas máquinas e seus algoritmos.

Ao rever o filme, pude captar muito mais coisas! Que obra extraordinária!

Além do diálogo com o antológico filme de Stanley Kubrick, "2001 - Uma odisseia no espaço" (1968), o filme provoca reflexões sobre amor, amizade, diversidade, o sentido da vida, as consequências da voracidade do capitalismo, e a questão da sustentabilidade. 

O filme é tão incrível que já aponta duas décadas atrás o que os bons neurocientistas como Miguel Nicolelis alertam a respeito da IA, que não é nem inteligente nem artificial.

Se o filme de Kubrick acende o farol vermelho ao apontar que máquina é máquina, que máquina não é inteligente, ela só é programada por mentes humanas, e que o perigo está justamente no fato de não ser possível esperar uma decisão de abortar uma missão porque máquina é máquina, é burra, e nem se os humanos decidirem algo contra o programa, a máquina vai obedecer, WALL-E mostra outra vertente dessas máquinas programadas por nós mesmos.

Por trás da destruição do planeta Terra por falência das condições de abrigo à vida, já que os humanos transformaram nosso mundo num amontoado de lixo proveniente das futilidades do mercado consumidor capitalista, continua na nave Axiom o predomínio do mesmo modus operandi que causou o abandono do planeta: compre, compre, consuma, consuma...

Em 1968, a era do boom espacial, a máquina HAL 9000 decide eliminar a tripulação porque não aceita comandos que abortem a missão a Júpiter. Quarenta anos depois, a IA da nave Axiom desacata o capitão ao se negar a voltar à Terra após os sinais de condições de vida terem sido detectados pelo robô EVA (Examinadora de Vegetação Alienígena). Por trás da IA sempre há um programador, um comando... vimos isso em WALL-E.

Entra década, sai década capitalista, o que está em jogo não é a importância da vida e suas possibilidades infinitas, o que está em jogo é não mudar o rumo das coisas, é deixar tudo como está, já que o mundo e tudo nele contido deve ser apenas um espaço de exploração para os poucos donos dos meios, os capitalistas. Dane-se o planeta, os bilhões de humanos e a infinidade de vida dos ambientes terrestres!

Lógico, o filme tem toda a maravilha dos contos ficcionais, está contratado com os espectadores todas as possibilidades de amor, amizade, humor, drama, tensão e os demais temperos da sétima arte.

Amig@s, vejo esse filme mil vezes!

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ROBÔS (2005) - Direção: Chris Wedge. Roteiro: William Joyce.

SINOPSE (DVD):

Dos criadores de A Era do GeloRobôs é uma nova aventura que irá maravilhar a todos com sua animação computadorizada de última geração. Robôs conta a história de Rodney Lataria, um aspirante a inventor, que viaja para Robópolis para conhecer seu ídolo, o Grande Soldador. Pelo caminho, ele faz muitos amigos e juntos acabam encontrando o malvado Dom Aço. Sob a orientação de sua mãe, Don Aço tomou a empresa do Grande Soldador e decidiu negar acesso aos outros robôs a peças necessárias para sua manutenção. Será que Rodney é feito daquilo que se faz necessário para salvar a todos?

COMENTÁRIO:

O começo da história já é espetacular! Numa comunidade de robôs bem classe trabalhadora, um robô adulto sai gritando pelas ruas que vai ser pai, numa alegria contagiante. Ao voltar para casa, sua companheira diz que ele chegou tarde... já entregaram a encomenda... mas tranquilizou o marido em seguida, lembrando-lhe que o melhor é fazer o bebê juntos! Os dois começam então a montar as peças vindas na caixa e depois de um tempo temos a linda criança robô, batizada pelos pais como Rodney.

O garoto vai crescendo e tomando consciência de seu lugar e de sua família naquela sociedade. Eles são pobres, só usam coisas de segunda mão e seu pai é sempre humilhado pelo patrão em seu emprego de lavador de pratos. O pequeno Rodney é criativo e quer ser inventor. Criou até um robozinho para ajudar seu pai no trabalho. Com o tempo, o jovem se despede da família para ir tentar realizar seu sonho de ser um inventor e poder ajudar as pessoas e a comunidade.

Como anunciado na sinopse, na cidade grande Rodney compreende melhor o mecanismo do sistema capitalista, a criação de necessidades por parte dos capitalistas e o quanto o povão é descartável para os donos do poder.

O filme tem muitas camadas, é muito bem-feito. Tem aventura e graça ao mergulharmos numa cidade com mecanismos incríveis conectados de forma a tudo funcionar perfeitamente como, por exemplo, no transporte público. Tem o aspecto lúdico da luta de classes e dos interesses antagônicos entre os que mandam nos meios de produção e os que dependem dos bens e direitos para sobreviverem.

Olha, amig@s, o filme poderia estrear hoje nos cinemas que seria atualíssimo para pensarmos o mundo e a vida. Incrível um roteiro que tenha envelhecido tão bem quanto esse do filme Robôs.

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EU, ROBÔ (2004) - Direção: Alex Proyas. Inspirado em contos de Isaac Asimov. Com Will Smith, Brigdet Moynahan, Bruce Greenwood, Chi McBride, James Cromwell.

SINOPSE (DVD):

O superastro Will Smith declara guerra às máquinas neste inesquecível suspense de ficção científica que se desenrola em meio à ação alucinante! Quando um importante cientista é encontrado morto, o detetive Del Spooner (Smith), que odeia robôs, desconfia que um avançado modelo de robô é o culpado pelo assassinato. No entanto, de acordo com as Três Leis da Robótica, um robô é incapaz de machucar um humano... mas algumas regras foram feitas para serem quebradas! Brigdet Moynahan co-estreia esta história futurística de suspense que nos leva a questionar se a tecnologia levará o ser humano à salvação... ou à extinção.

COMENTÁRIO:

Duas cenas no filme são bem interessantes para reflexão:

Numa delas, o protagonista - detetive Del Spooner - relembra um episódio doloroso do passado no qual ele ordenou a um robô que salvasse uma garota em um acidente no qual ele também estava envolvido. O robô seguiu a "lógica" e salvou a pessoa que tinha 45% de chances de sobreviver, enquanto a outra tinha 11%. A "lógica" prevalece porque a máquina não pensa, não tem sentimentos, não tem coração. Ela é só um programa.

Na outra cena, o detetive Spooner faz uma pergunta ao robô que se autodenominou Sonny em um interrogatório se ele seria capaz de criar uma música clássica ou de fazer um desenho criado por si, na tentativa de humilhar ou reduzir Sonny à sua condição de máquina e Sonny simplesmente devolve a pergunta a Spooner, deixando ele desconcertado: - você é capaz de fazer uma música clássica ou um desenho?

Daí vemos a importância de se saber fazer as perguntas certas para as mais diversas situações. Pergunta e resposta certa é um dos enigmas que o holograma do Dr. Alfred Lanning, cientista morto, deixa ao seu amigo Spooner.

Sobre perguntas e respostas, nunca me esqueci da lição do professor de química Glicério, quando eu tinha uns doze ou treze anos, na qual ele dizia que os alunos deveriam ler as perguntas com atenção, mais de uma vez, porque muitas vezes a resposta já está indicada na pergunta. Se a pergunta diz qual, quem, o que, como, quando, onde etc, o aluno não vai escolher uma alternativa que não tenha relação com esse pronome interrogativo. Tem uma lógica nisso.

Voltando ao filme, o enredo é uma boa oportunidade ainda hoje, duas décadas depois, para refletirmos sobre a questão da Inteligência Artificial (IA), que evoluiu drasticamente no preenchimento do cotidiano do mundo em 2025. E até um filme como esse é capaz de apontar aquilo que os neurocientistas sérios nos alertam: que IA não é nem inteligente, nem artificial, são programas baseados em dados e velocidade de processamento.

Foi bom rever o filme. Ele tem umas pegadas (sacadas) bem legais!

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COMENTÁRIO FINAL

Esses filmes são bons demais para seres revistos e abrir reflexões sobre o passado, o presente e o futuro da espécie humana e do planeta Terra. Valem a pena!

Para ler outras postagens sobre filmes, é só clicar aqui e ver a anterior desta série.

William