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terça-feira, 25 de novembro de 2025

Evocações



Refeição Cultural

Ontem, reli o capítulo 38 de meu livro de memórias sindicais, "Evocações". No texto está a essência de minha história e formação política. 

Aquelas lembranças foram inspiradas nas memórias de Aleida March, companheira de Ernesto Che Guevara. O livro dela me escolheu numa rua de Havana.

Nosso grupo de brasileiros estava andando por Havana Velha com o senhor Luis Caballero quando olhei o livro numa portinha de livros usados. Aquela foto de Aleida e Che me encantou.

No capítulo 38 de "Memórias de um trabalhador politizado pelos bancários da CUT" vou buscando as lembranças assim como fez Aleida depois de décadas de silêncio. O passado sendo tratado com ternura.

A vida humana é definida diariamente, independentemente dos planejamentos que as pessoas fazem em seus sonhos e utopias. Olho para trás e vejo isso claramente. E tudo bem!

As veredas, as veredas da vida. Veredas que definem caminhos, caminhos que determinam a vida vivida. E tudo bem se não rolou o que você queria. Se a vida foi vivida com uma ética humanista, valeu a pena.

As veredas são oportunidades incríveis... quando vi era dirigente sindical. Quando percebi estava mudando o mundo junto com meus companheiros e companheiras, o meu e o nosso mundo do trabalho à época. 

Quando vi, Aleida e Che me encantaram numa rua de Cuba. Do nada, me senta no assento ao lado no ano seguinte, num voo de volta a Cuba, a queridíssima Conceição Evaristo, e passamos horas conversando até Havana.

Falei a ela de Aleida March, disse que lhe daria o livro de presente. Achei agora a versão em português e quero entregar à nossa querida escritora das escrevivências as lembranças de Aleida March. E, modestamente, lhe presentear também com as memórias do bancário.

O capítulo 38 traz lembranças de um fazer sindical com uma ética toda aprendida com lideranças sindicais de grande valor, que me inspiraram e me fizeram ser a pessoa que fui, e que sou.

Espero entregar a Conceição Evaristo as evocações de Aleida March. Espero que minhas evocações testemunhem o efeito revolucionário da formação política e sindical, lições de vida que me trouxeram até aqui.

William 

25/11/25

terça-feira, 18 de julho de 2023

Viagem a Cuba (VIII)

Capitólio Nacional com sol nascendo
atrás do Gran Teatro Alicia Alonso.
 

Refeição Cultural - Cuba (XXVIII)

Osasco, 18 de julho de 2023. Terça-feira.


Estivemos em Cuba por duas semanas neste ano e a experiência foi marcante para nós. Nosso grupo com oito pessoas ficou a metade do período em Havana e a outra metade da viagem deixamos para conhecer três cidades cubanas: Trinidad, Santa Clara e Varadero.

Nossa estadia foi em casas de cidadãos cubanos, num sistema de hospedagem autorizado pelo governo da Ilha. Nossa hospedagem e suporte para todas as demais estadias e viagens pelo país foi a partir da Casa de Isabel, que fica ao lado do Capitólio Nacional, excelente localização em Havana Velha.

Casa de Isabel, azul, ao lado do Capitólio.

Em Havana, nosso grupo teve a oportunidade de fazer um roteiro cultural com o senhor Luis Caballero por Havana Velha e a experiência foi muito legal. Além da simpatia acolhedora de Luis e de Isabel, no roteiro recebemos informações fundamentais para compreender a história de Cuba e da Revolução que libertou o povo da ditadura de Fulgencio Batista e do imperialismo que dominava a Ilha até 1958.

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Escola onde José Martí estudou.

HAVANA VELHA

Antes de irmos ao Museu da Revolução, andamos por ruas diversas de Havana Velha, fomos à escola onde José Martí estudou quando criança: Escuela Primaria Rafael María de Mendive. Estava fechada naquele momento. 

Paseo del Prado.

Andamos pelo Paseo del Prado, belíssimo! Soubemos que o local era bem mais arborizado, de fora a fora, mas as árvores foram escasseando por idade ou por eventos climáticos e hoje existem menos árvores ao longo do passeio. Ele tem um calçamento lindo. 

Saguão do Hotel Sevilla.

A imagem das crianças uniformizadas conversando ou brincando em grupos é encantadora. A educação e a pedagogia em Cuba são centrais na formação de homens e mulheres. Sem dúvida, o sentimento de cubanidad e a cubanía passam pela educação na Ilha. Aprendi isso lendo o livro da professora Maria Leite.

Eusebio Leal, o Historiador.

Nosso guia, o senhor Luis Caballero, nos levou ao Hotel Sevilla, um dos mais antigos de Cuba e vimos a beleza interna do saguão do hotel. Inaugurado em 1908, situado na Calle Trocadero, região do Paseo del Prado, o local já pertenceu à máfia, antes da Revolução. 

Pátio interno do Palacio de los Generales.

Passamos pela Casa de Gobierno y Palacio Municipal (Palacio de los Capitanes Generales), fortaleza enorme que atualmente é o Museu da Cidade, fortaleza na qual temos na frente a estátua do senhor Eusebio Leal Spengler, historiador importante para Cuba e o regime socialista, defensor da manutenção da história arquitetônica da Ilha.

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Museo de la Revolución.

MUSEO DE LA REVOLUCIÓN

O ponto alto de nosso 6º dia em Havana foi o Museo de la Revolución e todo o complexo ao redor. Esse dia, uma terça-feira após o feriado de 1º de Maio, foi o último dia na cidade antes de partirmos para as outras cidades que iríamos conhecer na semana seguinte.

Artefatos de conquista e defesa da Revolução.

Nos dias anteriores, já havíamos conhecido o Capitólio Nacional, já havíamos conhecido a Fortaleza San Carlos de la Cabaña e a cerimônia "Cañonazo de las nueve", e já havíamos andado sob a orientação do senhor Luis pela região central de Havana Velha. Um dos locais que o nosso grupo visitou e que nos impactou muito foi o Centro Fidel Castro Ruz, quanta história ali! Não deixem de visitá-lo quando forem a Cuba.


O Museu da Revolução e os seus anexos são de visita obrigatória. Infelizmente não pudemos entrar no palácio porque está fechado para reforma. Espero conhecê-lo melhor quando voltar a Cuba.

Iate Granma.

O anexo que contém o iate Granma e peças e armas da guerra revolucionária e de defesa da soberania cubana é impactante para os visitantes.

Tanque T-34 usado por Fidel contra os
mercenários na tentativa de invasão (1961)*.

Nosso guia, o senhor Luis Caballero, nos explicou a história de cada artefato presente no pátio do anexo. 

*Tanque T-34 - Considerado el mejor de su tipo en la II Guerra Mundial. Utilizado por Fidel Castro durante las acciones de Playa Girón. Desde él, disparó contra el buque "Houston", una de las naves norteamericanas que dio cobertura a las fuerzas mercenarias. (legenda local)


No Memorial Granma se encontram restos de aparelhos de guerra, inclusive um pedaço de um avião inimigo utilizado na tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em 19 de abril de 1961, invasão com mercenários patrocinada pela CIA e burguesia cubana e rebelada pelos revolucionários com o apoio do povo cubano naqueles dias de luta por sua soberania.


A emoção toma conta da gente ao ver de perto o iate Granma que saiu de Tuxpan no México em 2 de dezembro de 1956 e trouxe 82 combatentes revolucionários para iniciar a vitoriosa libertação de Cuba, conquistada em 1º de janeiro de 1959.

Palácio e museu visto a partir da praça.

Depois conhecemos a praça que fica diante do palácio e que por anos recebeu multidões de cubanos ouvindo seus líderes revolucionários, principalmente o Comandante Fidel Castro.

Prédio lateral onde um bandido foi
pego com uma bazuca num comício.

Os imperialistas e os burgueses locais planejaram ao longo de décadas centenas de atentados para assassinar o líder cubano Fidel Castro e felizmente nunca obtiveram êxito. Fidel faleceu aos 90 anos de idade, de causas naturais, após dedicar a vida à libertação e soberania de seu país e seu povo.


O senhor Luis Caballero nos contou algumas tentativas frustradas de atentado contra Fidel Castro. Em uma delas, os bandidos estavam no prédio ao lado do Palacio de la Revolución, de onde Fidel fazia um discurso e seria morto por um tiro de bazuca, mas os bandidos foram descobertos e tudo terminou bem.

José Martí, o Apóstolo.

Na praça do Museu da Revolução temos ainda uma imponente estátua de José Martí. Magnífica! Por onde se vá em Cuba, temos ao nosso lado uma estátua ou busto do Apóstolo, símbolo máximo da liberdade e soberania do povo cubano.

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Nosso querido grupo e o senhor Luis.

Após uma manhã repleta de novos conhecimentos a respeito da história inspiradora do povo cubano, almoçamos no restaurante A Prado y Neptuno, um local de comida boa e com preços acessíveis.

Quando fui para Cuba pensei em conseguir correr ao menos um dia em Havana. A agenda de passeios e roteiros a cumprir dificultou a realização de meu trote de meia hora. Minha ideia inicial era correr no calçadão do Malecón.

Atividade física ao redor do Capitólio.

Como não foi possível correr no Malecón, apesar de termos andado por lá duas vezes, meu filho e eu, só consegui realizar meu desejo de correr em Havana na noite anterior de nossa partida para outras cidades.

Imaginem vocês, que coisa gostosa! Corri ao redor do Capitólio Nacional de Cuba. Corri num calor intenso e úmido na noite de 2 de maio de 2023. Foi um instante legal da viagem.

Alvorada cubana.

No dia seguinte, partimos cedo para Trinidad, onde passaríamos dois dias.

SIGO CONHECENDO CUBA E APOIANDO O POVO CUBANO

Aos poucos, sigo estudando sobre Cuba e os cubanos, e revivendo nossa viagem para buscar compreensão. 

Revolução é...

Já li dois dos livros que trouxe de lá: La historia me absolverá, de Fidel Castro (comentário aqui), e Evocación, de Aleida March (comentário aqui). Tenho uma dúzia de livros de lá para serem lidos ainda. 

Estou lendo o livro esclarecedor da professora Maria Leite - Cuba insurgente: Identidade e Educação. Entendi os conceitos de Cubanidad e Cubanía lendo os ensinamentos da especialista da pedagogia em Cuba.

É isso. Deu um trabalhão fazer essa postagem (risos). A anterior pode ser lida clicando aqui. Os textos sobre Cuba são minha contribuição para as pessoas interessadas no tema.

A postagem posterior, a de nº 9, pode ser lida clicando aqui.

- Fim do bloqueio criminoso, já!

William


sexta-feira, 16 de junho de 2023

Leitura: Evocación - Aleida March



Refeição Cultural - Cuba (XXV)

Osasco, 16 de junho de 2023. Bloomsday. (se já não fosse raro ser um leitor de Ulisses, eu o li duas vezes...)


"En Evocación están mis remembranzas, no tengo vocación de escritora, volqué en blanco y negro mis recuerdos más queridos, espero que los que lean mis notas aprecien cuánto esfuerzo y dejación hice de mis cartas, mis poesias que hasta ahora guardaba dentro, muy dentro de mi... Gracias." (Aleida March)


A leitura do livro Evocación (2007), é uma leitura de descobertas e surpresas que deixam o leitor num estado de admiração do início ao fim da história contada a nós pela guerrilheira cubana Aleida March, que após a libertação de Cuba, em 1º de janeiro de 1959, viria a ser esposa e mãe de quatro filhos do grande líder revolucionário Ernesto Che Guevara.

Estávamos andando pelas ruas de Havana Velha, com o senhor Luis Caballero nos guiando e contando as histórias de Cuba, do povo cubano e da Revolução, quando vimos um pequeno estabelecimento que vendia livros usados. Acabei escolhendo um só livro que estava em exposição porque estávamos cumprindo um percurso programado e não queria atrapalhar o grupo. Escolhi este livro de Aleida, com essa linda foto de capa, ela e o Che. Que sorte a minha!

Eu que conheço tão pouco a respeito de toda essa fantástica história do povo cubano que lutou por séculos por sua independência e liberdade do jugo de países imperialistas, pego por acaso para ler um livro de memórias, confessional, de uma mulher que desde muito jovem se indignou com a exploração e miséria de seu povo, lá na sua modesta Santa Clara (antes Las Villas) e decidiu se unir aos guerrilheiros que viriam a passar mais de dois anos nos altos relevos da Ilha - Sierra Maestra e Montañas del Escambray - até que a Revolução por fim libertasse Cuba da ditadura de Batista, apoiada e financiada pelo império norte-americano. Aleida tinha pouco mais de 20 anos de idade quando se juntou aos guerrilheiros.

Quando o leitor começa a leitura e percebe o tom pessoal no qual Aleida nos conta sua história, o leitor fica grudado na leitura, é difícil parar porque queremos logo ver o que vem a seguir, e ela vai contando sobre sua infância, depois adolescência, as dificuldades do povo perante a miséria e a violência de viver sob a ditadura de Fulgencio Batista, e as notícias que a jovem ia ouvindo davam conta que jovens cubanos estavam se organizando para dar um basta a toda aquela situação... e ela ficou sabendo a respeito do assalto ao quartel de Moncada em 26 de julho de 1953, a prisão do jovem líder Fidel Castro... só de escrever aqui eu já me emociono...

"El año de 1956 fue decisivo para mí. Leí y estudié con pasión las páginas de La historia me absolverá, el alegato de defensa de Fidel en el juicio que lo condenó por las acciones del Cuartel Moncada, y sentí que en ese documento se expresaban todos mis ideales y la ruta a seguir para conquistar la plena dignidad patria." (p. 27)

A menina Aleida March teve acesso à época a um documento que mudou a sua vida... ela leu A história me absolverá, de Fidel Castro, e decidiu que as palavras de Fidel eram tudo que ela sentia e queria para a vida dela e para o povo cubano. E desde então, decidiu que iria se unir aos jovens revolucionários e lutar pela libertação de seu país.


Para minha sorte, além de pegar por acaso o livro de Aleida, ganhei um valioso presente do senhor Luis Caballero, 3 livros fundamentais na formação e politização do povo cubano, e entre eles está La historia me absolverá. Nuestra América e Manifiesto Comunista completam o magnífico presente.

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PASSAGENS

O custo da militância...

"Recomensaba entonces una febril actividade, al enfrentarnos a un enemigo cada vez más enardecido; incluso la violencia se ejercía sin tregua y la experimenté em mi propia familia cuando, a raiz de la huelga del 9 de abril, un primo mío, Laureano Anoceto March e su hijo, Eduardo Anoceto Rega, fueron torturados y asesinados." (p. 41)

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O comunismo já era um palavrão nos anos 50 (havia um esforço de demonizar a palavra), mesmo em movimentos de libertação e independência dos povos explorados pelo imperialismo e capitalismo.

"(...) Más tarde supe que era Sidroc Ramos, incorporado ya a las filas de la Columna. Aquella imagen de Sidroc nunca se me ha borrado de la mente; me pareció un 'ruso blanco', tamaña ignorancia política la mía que contribuyó a 'corroborar' lo que se decía de la filiación comunista del Che. Es justo afirmar que en esa época los que carecíamos de una correcta formación política éramos la mayoría, y los prejuicios contra el comunismo estaban presentes en casi todos, y yo no era la excepción." (p. 46)

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A luta de libertação de Cuba não era uma revolução socialista, era de independência e Fidel era o líder de uma luta que começou bem antes com outras lideranças do passado como José Martí, o apóstolo da independência de Cuba. Podemos retroceder pelo menos a 1868 em relação às lutas libertárias.

"Tiempo después, el Che me explicó que creía que la dirección del Movimiento de Las Villas, formada en su mayoría por gente de derecha, me había enviado para vigilar sus movimientos y acciones dada su fama de comunista. De ahí su renuencia a que me quedara en el campamento, desconocedor como era de las verdaderas razones que me mantenían fuera de la ciudad." (p. 48)

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A ética e a moral de um grupo revolucionário - Che Guevara sempre acreditou que um grupo de guerrilheiros bem treinados e crentes na causa que defendia teria mais chances de vencer do que um exército maior e sem acreditar na causa a que servia.

"Era alguién que se enfrentaba a un enemigo superior en hombres y en pertrechos, pero carente de moral para vencer a un grupo de rebeldes. Además de su arrojo, los guerrilleros contaban con la conducción de un jefe con extraordinaria capacidad técnico-estratégica, devenido un ejemplo permanente que irradiaba a los demás." (p. 49)

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Quem disse que um revolucionário não pode ser terno e romântico?

"A pesar de lo que estaba ocurriendo a nuestro alrededor, el Che intentaba mostrarme algo de sus sentimientos y lo hacía con la poesía. Después supe que representaba para él una de las formas más hermosas de expresarse." (p. 50/51)

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O Sancho Pança de Che, pelo menos na lealdade e na constância...

"He llegado a pensar que ahí comenzó el Che a conocerme verdaderamente y, sobre todo, a valorar algo que consideraba una de mis mejores cualidades: decir siempre lo que pensaba, aunque supiera que me reprenderían por ello. Al menos por ese lado tenía una compañía que, aunque distaba mucho de ser Sancho Panza en sagacidad y sabiduría, le era leal y constante." (p. 55)

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'Justiçamento" para os crimes de guerra...

"Ante tanta barbaríe había que comenzar a actuar con rapidez. Ya en la Comandancia, Marta Lugioyo, nuestra compañera, abogada de profesión, redactó las órdenes de fusilamiento, acompañadas del listado con los nombres de los que debían ser ajusticiados por haber cometido crímenes atroces." (p. 67)

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La Habana e o deslumbramento... A verdadeira luta revolucionária começou assim que Cuba alcançou a libertação e a independência, ali começava em 1º de janeiro de 1959 a verdadeira batalha para implantar uma sociedade mais justa e solidária para o povo cubano.

"En la mañana el Che trabajó en la casa, en una pequeña oficina, para después retornar a la Jefatura. En el trayecto, los que lo seguimos íbamos curioseándolo todo: los jardins, la vista al mar, maravillados de lo agradable del lugar. Éramos los desposeídos, quienes por primera vez nos sentíamos dueños de nuestro destino. Nos enfrentábamos a las primeras brisas. El Che ya había advertido que a partir de ese instante era que comenzaba la verdadera lucha revolucionaria." (p. 73)

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Che e a importância da educação e formação política, a ética como foco.

"Era um movimiento incesante que perseguía como objetivo central la formación del Ejército Rebelde. Se crearon escuelas de alfabetización y seguimiento, con mucho esfuerzo y tesón porque no pocas veces daban las evasivas e indisciplinas de soldados, que en el combate fueron ejemplo de valentía y coraje y, sin embargo, no eran capaces de entender el porqué de las nuevas exigencias." (p. 78)

E mais, mesmo os soldados das escoltas a ele e nos locais onde tinha que permanecer, não faltava o foco na alfabetização e educação:

"(...) Allí también el Che tenía implantado un régimen de disciplina, con maestro y todo, para que los soldados de la escolta continuaran sus estudios." (p. 86)

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Impessoalidade e sem nepotismo. Che e Aleida eram recém-casados e, mesmo ela sendo secretária particular dele, Che foi incisivo em afirmar que ela não o acompanharia na viagem internacional que Fidel pediu que fizesse. Nem o Comandante em Chefe Fidel Castro o demoveu da ideia...

"Fue el momento en que comencé a conocerlo com mayor profundidad, cuando me argumentó que además de secretaria era su esposa y que se vería como un privilegio mi presencia, porque los otros no podian hacerse acompañar de sus compañeras." (p. 95)

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REFLEXÕES APÓS O TÉRMINO DA LEITURA

Durante a leitura das evocações de Aleida March, eu estava viajando na guerrilha ao lado dos revolucionários e revolucionárias e a leitura estava muito fácil e prazerosa. Finda a fase de libertação, começou a fase de construção de uma nova sociedade cubana. E dá-lhe trabalho revolucionário para esta tarefa triunfar...

Uma segunda parte das evocações de Aleida, foi essa da construção da República Socialista de Cuba. Che Guevara foi responsável por grandes tarefas que exigiam um alto nível intelectual. Foi responsável por organizar o sistema financeiro, foi responsável por implantar um sistema industrial no país, e foi uma espécie de porta-voz de Cuba no cenário internacional. Viajou o mundo para isso. 

Ou seja, entre os anos de 1959 e 1965 Che Guevara foi um dos grandes construtores da nova sociedade cubana, um grande parceiro do Comandante Fidel Castro e do povo cubano.

Não teria como citar nesta postagem tanta história sobre tudo isso. Eu recomendo muito às pessoas interessadas na história de Cuba e das lutas por um mundo alternativo ao mundo capitalista que leiam o livro de Aleida March. O livro está disponível em português e vi pela internet que é possível adquiri-lo em sites de livros usados.

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A DESPEDIDA DE CUBA, DE ALEIDA E OS ANOS NO CONGO E NA BOLÍVIA

A terceira parte do livro foi bem mais difícil de ler. Virei um chorão! Já começa pela descrição de Aleida à página 152 e 153 de minha edição em espanhol. 

Além das cartas deixadas, Che deixou fitas cassete com os poemas que eles mais gostavam gravados para a sua amada. As últimas 50 páginas das evocações de Aleida foram muito emotivas. Muito.

Amig@s leitores, por mais que eu tenha lido alguma coisa sobre a história dessa figura lendária, Che Guevara, eu nunca imaginaria tudo que passei a saber após ler as recordações de sua companheira Aleida March.

O período da vida de Che entre 1965 e 1967 me era desconhecido, quer dizer, eu sabia aquilo que já havia lido, de um ou outro escritor, estudioso ou do mundo dos meios de comunicação, sempre enaltecendo ou demonizando o mitológico Che Guevara... mas saber desse período através de sua amada companheira - "mi única el en mundo - como ele a chamava, isso jamais imaginaria saber.

Recentemente, o livro do professor Miguel Nicolelis - O verdadeiro criador de tudo (ler comentário aqui) -, neurocientista que estuda o cérebro humano há 40 anos, me impactou de forma nunca sentida antes ao ler um livro. Encontrei respostas a questionamentos que fazia há décadas na minha vida.

O livro que acabo de ler, de Aleida March, sobre suas recordações pessoais que se dão num período que abrange a Cuba da ditadura de Batista e da guerrilha pela liberdade do país, o encontro e amor vivido com Che Guevara e a construção de uma nova sociedade socialista em Cuba, foi um livro que me impactou muito também. Nem sei explicar o porquê.

É isso! Feita a leitura do 16º livro deste ano. Como nos ensinou Che Guevara e Fidel Castro devemos estudar e ler todos os dias, todos os dias, para criarmos homens e mulheres novos, e uma sociedade nova.

William


Bibliografia:

MARCH, Aleida. Evocación. Fondo Editorial Casa de las Américas, 2008.