Mostrando postagens com marcador István Mészáros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador István Mészáros. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de outubro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Domingo, 5 de outubro de 2025.


FORMAÇÃO NA UNESP

No sábado, concluímos um curso de extensão universitária que iniciamos em julho. O curso "Como impedir o fim do mundo - Colapso ambiental e alternativas", promovido por IBEC, Unesp e demais parceiros, superou nossas expectativas - minhas e de meu filho.

Como admiro o papel social desempenhado pelas pessoas que se dedicam à educação e cultura! Ensinar e transmitir conhecimentos é uma das funções mais nobres e importantes da espécie humana.

Foram 50 horas de aulas com professoras e professores de altíssimo nível, compartilhando conosco conceitos e conhecimentos das áreas de economia, política e meio ambiente, tendo como referência as obras de Karl Marx e estudiosos marxistas como István Mészáros. Curso espetacular! 

Estou muito reflexivo por causa desse curso.

---

ATO CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO PALESTINO

Estive em diversas manifestações nas últimas semanas, mas estava muito cansado hoje para participar do ato na Avenida Paulista em defesa da causa palestina e pelo fim do genocídio em Gaza. Minhas energias corporais estão diferentes de outras épocas. 

Todo apoio à causa do povo palestino!

---

CADERNOS DOS BLOGS

Não tenho conseguido avançar no trabalho de sistematização de minha produção cultural ao longo das últimas duas décadas. Já fiz bastante coisa, mas estou longe de acabar.

Queria terminar a confecção dos cadernos neste ano, mas não darei conta. São mais de seis mil registros. Pode ser vaidade o desejo de salvar os textos, mas ali contém um pouco de nossa história coletiva também. Tenho dó de deixar se perder tudo que está registrado naquelas páginas digitais. 

MEMÓRIAS

Estava pensando nestes dias: já recebi as unidades que editei de meu livro de memórias sindicais, registros retirados de um dos blogs. Agora que tenho o livro em mãos, estou em dúvida sobre o que fazer com eles. Enviei dois a amigos e presenteei mais dois a pessoas de minhas relações. 

Apesar de conter passagens interessantes da história das lutas da categoria bancária, não sei se alguém perderia tempo lendo isso. Os textos foram escritos no blog durante a pandemia de Covid-19 e uma coisa é disponibilizar minhas memórias num lugar para quem quiser lê-las, outra coisa é dar a alguém um conjunto de textos como se estivesse obrigando a pessoa a ler aquilo...

Enfim, estou cheio de dúvidas meio bestas, que não mudam nada o colapso atual da sociedade humana. 

William 

sábado, 6 de setembro de 2025

Leitura: Artigo "Capitalismo financeiro digital, crise e desigualdade social", de Adilson Marques Gennari



Refeição Cultural

Artigo: "Capitalismo financeiro digital, crise e desigualdade social", de Adilson Marques Gennari. Revista Fim do Mundo, Marília, SP, número 8, 2023. O articulista é economista, doutor em Sociologia, Professor da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP Araraquara.

Leitura para reflexão antes de uma aula sobre o tema (em 06/09/25)

Aula VII (manhã) - Donald Trump, Misérias e Ideias para adiar o fim do mundo

Objetivo: textos de apoio para o curso de extensão "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", organizado e ministrado por IBEC, Unesp e demais parcerias

---

A postagem é uma espécie de fichamento feito pelo autor do blog. Qualquer interpretação divergente do texto original é de responsabilidade deste leitor que comenta o texto.

Abaixo algumas palavras-chave ou ideias que gostei no referido texto.

---

Resumo do artigo que vamos ler:

A sociedade capitalista global vem experimentando transformações determinadas, de um lado pela própria crise estrutural do capital que já vem se desenvolvendo desde o final do século passado na forma de crise econômica, crise ambiental, crise nas relações sociais (do emprego) e até crise de legitimidade; e de outro lado, pelos impulsos causados por revoluções tecnológicas que avançam para sua quarta fase (grundrissização), no contexto de uma fase de desglobalização do capitalismo e mudanças significativas nas relações internacionais com a emergência da Eurásia e dos países dos BRICS, em um novo contexto multipolar e pós-pandemia. O objetivo deste paper é contribuir ao debate sobre as contradições deste processo em relação a crise estrutural e seu impacto na pobreza e desigualdade social.

- O prof. Adilson começa o artigo citando os principais fatores que demonstram a atual fase do capitalismo e a crise estrutural na qual ele se encontra, com destaque para a decadência do império norte-americano e ascensão da Eurásia e BRICS, a destruição acelerada da natureza e a produção de lixo em escala que coloca em risco a vida na Terra

- Muito interessante a separação em lados antagônicos das forças que estão em disputa no momento: os contrarrevolucionários têm tipos como neonazistas e fascistas, burguesias decadentes urbanas, donos de terras e classes médias ressentidas... e do lado de cá, do meu lado, as forças sociais da revolução, onde cabem comunistas, socialistas, anarquistas, socialdemocratas, feministas...

- Duas crises marcam o fim da fase globalizada do capitalismo: a crise de 2008 do subprime e os movimentos de Trump da atualidade

- No entanto, o articulista nos explica que não é tão simples assim se desfazer no século XXI da cadeia global de produção capitalista como quer Trump

- O "capitalismo da globalização neoliberal" transitou para o "capitalismo global em crise estrutural"

- No trabalho, o autor questiona se há saídas para economias ex-colonizadas e escravizadas para além da subordinação aos centros econômicos hegemônicos do capital

- Celso Furtado é referência do prof. Adilson para explicar nossa desigualdade histórica desses cinco séculos de superexploração


Capital financeiro

- O articulista explica no texto o papel central do capital financeiro na atua crise estrutural do capital

- A mais-valia global vem se concentrando nas mãos dos donos do capital através da financeirização da economia

- Segundo Adilson, "A economia do capital é uma economia financeira"

- Comentário do blog: tenho achado o conjunto dos textos e aulas dos professores e professora marxistas excepcionais no sentido de trazer para nós a atualidade dos textos de Marx, principalmente de sua obra máxima, O Capital

- Adilson explica em seu artigo a materialidade da teoria de Marx já em início de funcionamento desde o financiamento dos holandeses ao negócio colonial com exploração da mão de obra dos povos africanos e originários das Américas por portugueses e ingleses e suas corporações

- Vemos ali o que já seria o papel do capital financeiro desde sempre nesse modo de produção e exploração que seria definido mais adiante como capitalismo (p. 7 do meu pdf)


A crise estrutural do capital

- Diferente das crises cíclicas, crises NO sistema, a crise estrutural é uma crise DO sistema capitalista

- Em outras dimensões categoriais, pode-se dizer que a "crise estrutural" é uma crise do próprio modo de produção capitalista

- O autor nos cita István Mészáros para elencar os motivos da crise estrutural do capital (obra "Para além do capital"), na p. 8 do pdf

- A destruição acelerada da natureza, a produtividade tecnológica e não necessidade de mão de obra humana e gastos crescentes na área militar com redução nos gastos sociais (subdesenvolvimento forçado) são exemplos claros da crise estrutural do capital

- Está em jogo o papel do trabalho no universo do capital na sociedade humana

- A quarta revolução tecnológica em andamento é tão impactante quanto a primeira lá no século XVIII e suas consequências também (p. 10 do pdf)

- "Chamamos essas mudanças e impactos de grundrissização da sociedade em uma referência direta a Fragmento sobre máquinas do clássico texto de Karl Marx (2011)"

- A máquina do capital possuía 3 partes, mas agora na quarta revolução tecnológica, teria o 4ª órgão (Bacchi), o órgão de controle (a máquina programável)

- Nesta fase científica e tecnológica, se torna cada vez menor a participação do trabalho vivo no processo produtivo das mercadorias


O Brasil nos BRICS na nova fase da (des) globalização multipolar

- O autor nos explica origem e atualidades dos BRICS

- Neste subitem, o prof. Adilson apresenta os novos desafios para o Brasil e demais membros dos BRICS e do movimento Sul-Sul frente ao colapso da velha ordem econômica e política hegemonizada por Estados Unidos e Europa


O trágico legado do Governo de Jair Bolsonaro (2019 - 2022)

- O inominável conseguiu realizar a façanha de derrubar o IDH do país após 3 décadas de governos brasileiros, ou seja, piora das condições de vida do povo como nunca visto

- O Brasil voltou também ao Mapa da Fome, tendo a metade da população vivendo sob insegurança alimentar e 33 milhões passando fome (p. 43 do artigo)

- Entre as causas o articulista cita 8 motivos para tal resultado no período: enviamos 28 bilhões de dólares a remunerar juros, lucros, royalties etc

- Outras causas: concentração de renda, redução de gastos sociais e da transferência de renda, arrocho salarial e no benefício dos aposentados, a inflação do desgoverno Bolsonaro com a reforma trabalhista, a militância bolsonarista com a morte de brasileiros durante a pandemia mundial, e a destruição da natureza e dos biomas, os números citados demonstram a tragédia do período bolsonarista


Considerações finais

- Inexiste a tão falada "concorrência de mercado" na realidade do sistema capitalista, principalmente na fase atual de capitalismo financeiro

- Urge o desenvolvimento de novas formas de produzir os bens úteis aos seres humanos como, por exemplo, as formas cooperativas da economia solidária

- A produção social humana deve focar o valor de uso e não a mais-valia, desenvolvendo forças produtivas em busca de uma sociedade mais solidária e sustentável

- Rússia e China saem na frente em relação à produção social contemporânea, já o Brasil precisa sair do modelo exportador de commodities que o mantém atrelado ao passado na produção mundial econômica

- A desigualdade social no Brasil segue altíssima e um dos motivos é sua forma de produção social atrelada ao passado como colônia exportadora e baixos direitos sociais

- O governo Bolsonaro fez o Brasil regredir em todos os índices que se têm notícias em décadas de história do país

- O autor afirma, observando os processos em andamento no mundo: "nunca a utopia de Marx de uma 'sociedade livre de homens livres conscientemente organizada' esteve tão distante do mundo real"

- A atual crise estrutural do capital é dupla: em Marx vemos a explicação da queda das taxas de lucros e em Mészáros vemos a destruição das relações sociais e do próprio planeta, ameaçando a existência humana

- Adilson levanta questões de difícil resposta em relação aos BRICS e seus membros estendidos, no que concerne às contradições do capitalismo sendo o modo de produção social dessas nações

- Por fim, sem a distribuição dos meios de produção e sem a mudança de relação entre os seres humanos e a natureza, não será fácil mudar a tendência de perspectivas sombrias para as gerações futuras.

---

Leitura feita por 

William Mendes

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ainda a questão Cristianismo e Judaísmo em Mészáros




ORIGENS DO CONCEITO DE ALIENAÇÃO

O lamento por ter sido "alienado com relação a Deus" (ou haver "perdido a graça").

A missão messiânica consiste em resgatar o homem desse estado de autoalienação que ele atraiu sobre si mesmo.

Em sua universalidade, o cristianismo anuncia a solução imaginária da autoalienação humana na forma do "mistério de Cristo".

"O cristianismo é o pensamento sublime do judaísmo. O judaísmo é a aplicação prática vulgar do cristianismo" (Marx)

O ethos do judaísmo, que estimulou esse desenvolvimento, não se limitou à afirmação geral da superioridade do "povo escolhido", determinada por Deus, em seu confronto com o mundo dos estranhos.

INSTANTES... CURIOSIDADE

(aqui eu parei minha leitura de Mészáros. Ao tempo em que fui escrever em meu diário, acabei por ler anotações do diário de Drummond, reunidas no livro O observador do escritório. Quem diria! R$5,00 foi o que custou esse livro usado. Por 5 unidades monetárias acessamos uma quantidade enorme de sentimentos e observações de nosso poeta e cidadão Drummond, exemplo magnífico de homem brasileiro. O mundo é mesmo alternativas!!)


Bibliografia:

MÉSZÁROS, István. A teoria da alienação em Marx. Copyright 1970. Editora Boitempo, 2006. 1a reimpressão 2007.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mészáros falando das origens do conceito de alienação



A ABORDAGEM JUDAICO-CRISTÃ

"O judaísmo e o cristianismo expressam as contradições da 'parcialidade contra a universalidade', e da 'concorrência contra o monopólio'. Isto é, as contradições internas do que ficou conhecido como 'o espírito do capitalismo'."

" 'O espírito do judaísmo', portanto, deve ser entendido, em última análise, como 'o espírito do capitalismo'."


Mas o autor salienta que isso se dá do ponto de vista sociológico apenas (críticas marxistas ao judaísmo são diferentes de antissemitismo).

Dois postulados do judaísmo basilares para a prática da usura:

"1) A atenuação dos conflitos de classe internos, no interesse da coesão da comunidade nacional em seu confronto com o mundo exterior dos 'estranhos': 'não faltarão pobres na terra; portanto, eu te ordeno, dizendo: abre tua mão para teu irmão, para teu pobre e para teus necessitados, em tua terra (Deuteronômio, XV, 21)

2) A promessa de readmissão na graça de Deus é parcialmente cumprida na forma de garantir o poder de dominação sobre os 'estranhos' a Judá: 'E os estranhos estarão lá para apascentar vossos rebanhos, e os filhos dos estrangeiros serão vossos jornaleiros e vinhadeiros (Isaías, LXI, 5)"


A usura só era permitida nas transações com estranhos, mas não com irmãos, afirma Mészáros. (p.34)

Mais adiante, explica ainda:

"O judeu emancipou-se de uma maneira judaica, não só adquirindo o poder do dinheiro, mas também porque o dinheiro tornou-se, por meio dele e também à parte dele, um poder mundial, enquanto o espírito judaico prático tornou-se o espírito prático das nações cristãs. Os judeus emanciparam-se na medida em que os cristãos se tornaram judeus" (Marx, On the jewish question, p.35)


As modificações protestantes do cristianismo:

CRISTIANISMO "teórico-abstrato" = "CRISTIANISMO-JUDAÍSMO PRÁTICO"


A solução de Marx para a alienação perene do tema parcialidade e universalidade nas reflexões do enfoque judaico-cristão:


"A novidade histórica da solução de Marx consistia em definir o problema em termos do conceito dialético concreto de 'parcialidade predominando como universalidade', em oposição à universalidade autêntica, a única que podia abarcar os múltiplos interesses da sociedade como um todo e do homem como um 'ser genérico'. (Gattungswesen - isto é, o homem liberado da dominação do interesse individualista bruto). Foi esse conceito específico, socialmente concreto, que permitiu a Marx apreender a problemática da sociedade capitalista em toda a sua contraditoriedade e formular o programa de uma transcendência prática da alienação, por meio de uma fusão genuinamente universalizante entre ideal e realidade, teoria e prática" (p.26)

PS: os sublinhados acusando marcações nas citações são originalmente de Mészáros.



Bibliografia:

MÉSZÁROS, István. A teoria da alienação em Marx. Copyright 1970. Editora Boitempo, 2006. 1a reimpressão 2007.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Modernas teorias da alienação


István Meszáros.

Refeição Cultural

(relações com a teoria de Marx)

Cito alguns trechos do debate que Mészáros faz sobre os tipos de teorias da alienação mais conhecidas, ou mais populares, que estão no dia a dia dos cidadãos.

Aqui, ele fala a respeito da religiosidade judaico-cristã.

"A missão messiânica consiste em resgatar o homem desse estado de auto-alienação que ele atraiu sobre si mesmo."

"Em sua universalidade o cristianismo anuncia a solução imaginária da auto-alienação humana na forma do 'mistério de Cristo'. "

"O cristianismo é o pensamento sublime do judaísmo. o Judaísmo é a aplicação prática vulgar do cristianismo." (Marx, in: A questão Judaica, 1843)


Mészáros. A teoria da alienação em Marx.


Post Scriptum (02/04/16):

Releituras

A teoria da alienação em Marx - István Mészáros


István Mészáros.

Refeição Cultural

Cara, tem sido sofrido pra mim a falta de tempo para ler e escrever por estes dias. A leitura é um pouco do meu alimento.

Para piorar a situação, estou sem computador em casa já faz algumas semanas.

Lendo Mészáros, achei interessante a idéia - dizem que agora é ideia - de um PROJETO HUMANO POSITIVO como alternativa salvadora da humanidade.

"Na fase ascensional do desenvolvimento do sistema, o controle do metabolismo social pelo capital resultou num antes inimaginável aumento das forças de produção. Mas o outro lado de todo esse aumento das forças de produção é a perigosa multiplicação das forças de destruição, a menos que prevaleça um controle consciente de todo o processo a serviço de um projeto humano positivo.

O problema é que o capital é incompatível com um modo alternativo de controle, não importando o quanto sejam devastadoras as consequências da imposição de seu próprio projeto fetichista de expansão incontrolável do capital."


OU SEJA, se não houver uma discussão humana acerca do que vale mais para a vida humana, o capital e seus poucos detentores seguirão destruindo o nosso próprio ambiente de vida, o planeta terra.

De todas as minhas lacunas culturais, tenho sentido falta de um pouco de leitura mais engajada como Marx, Gramsci, Mészáros etc.

Vamos aos pouquinhos...


Post Scriptum (02/04/16):

Releituras