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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Vendo filmes (XXI)



Refeição Cultural

Assisti a dois filmes dos anos oitenta bem interessantes. Um de ficção envolvendo extraterrestres e dominação da Terra e dos humanos e outro baseado em obras de Stephen King, mestre do suspense e terror.

A estória do Plymouth Fury 1958, o lindo carro vermelho conhecido como Christine, é um clássico, na minha opinião. Li o romance de King na adolescência e achei a narrativa inesquecível.

Já a estória do mundo dominado por ETs disfarçados de humanos endinheirados ou de gente classe média manipulada pelos donos do capital foi uma sugestão de um amigo que gosta de filmes, o Élcio. 

Achei legal a forma como John Carpenter trabalhou a questão da crença na meritocracia e no self made man, tão centrais na ideologia do imperialismo norte-americano. O personagem principal diz "acreditar na América" e depois percebe o que está por trás da dominação do capital.

Enfim, são filmes dos anos oitenta, ambos dirigidos por John Carpenter, muito diferentes dos filmes atuais em relação à produção. Eu gosto de filmes antigos, tanto dessa época quanto mais antigos ainda, dos anos setenta para trás.

William

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FILMES

Christine, o carro assassino (1983) - Direção: John Carpenter. Com: Keith Gordon, Alexandra Paul, John Stockwell, Harry Dean Stanton.

SINOPSE: o filme conta a história de um adolescente que sofre bullying na escola, Arnie Cunninghan (Gordon), e que tem praticamente um amigo, Dennis Guilder (Stockwell). O garoto vê um carro velho e abandonado e se apaixona na hora pelo carro, um Plymouth 1958. Ele acaba comprando o carro e começa a reformá-lo em um galpão do tipo "faça você mesmo suas reformas". O triângulo "amoroso" se dá quando Arnie começa a namorar a garota mais bonita da escola, Leigh Cabot (Alexandra Paul). O bullying continua na escola e depois que uns valentões destroem Christine, as coisas mudam para todo mundo: Arnie, Leigh, Dennis e os valentões.

COMENTÁRIO: li o livro de Stephen King na adolescência, nos anos oitenta. Achei a estória fantástica! Nunca me esqueci do Plymouth Fury 1958 vermelho. 

Aí veio o filme dirigido por John Carpenter. Também gostei bastante da adaptação dele, apesar de ela ser diferente do livro no final, o que é comum, pois roteiristas e diretores normalmente fazem a versão deles. 

Faz tempo que queria rever o clássico. De repente, achei o filme original na Netflix. Valeu demais rever Christine!!!

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Eles vivem (1988) - Direção: John Carpenter. Com: Roddy Piper, Keith David, Meg Foster.

SINOPSE: John Nada (Roddy Piper) é um trabalhador braçal que chega a Los Angeles e encontra trabalho numa fábrica. Durante uma inusitada operação repressiva, a polícia destrói um quarteirão inteiro do bairro miserável em que vive. Na confusão, Nada encontra um óculos escuro aparentemente comum, mas que o faz enxergar alienígenas vivendo como seres humanos e mensagens subliminares que estão em todo tipo de propaganda da mídia. Nada e seu colega de trabalho Frank (Keith David) decidem se engajar na luta de libertação da humanidade.

COMENTÁRIO: é um desses filmes B com uma história para entreter as pessoas. Mesmo assim, John Carpenter coloca os espectadores a pensarem na questão temática que o filme traz: a manipulação de massas pelos meios midiáticos. 

Os grandes capitalistas donos do poder e seus servidores cooptados estão entre nós, mas são como se fossem alienígenas de tão distantes da realidade eles vivem. 

E tem uma questão a se pensar também, quando Nada precisa sair na porrada com seu amigo Frank só para que ele aceite colocar os óculos para ver a realidade: ou seja, quem quer enxergar realmente a realidade? É bem mais cômodo viver na ilusão e na manipulação na qual a vida se dá no cotidiano.

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Post Scriptum: o texto anterior sobre filmes pode ser lido aqui.


domingo, 23 de junho de 2024

Cedoc do Refeitório Cultural (2)



Refeição Cultural

Nos anos oitenta, em Uberlândia, Minas Gerais, quando cresci no bairro Marta Helena entre os dez e os dezessete anos de idade, tive a oportunidade de ler vários livros de literatura, muitos deles emprestados pelo meu primo Jorge Luiz - que comprava lançamentos no "Círculo do Livro" -, e outros que eu conseguia de alguma forma. Eram livros "best sellers" dos anos setenta e oitenta. 

Um dos autores de romances de suspense e terror do qual cheguei a ler alguns livros à época foi o norte-americano Stephen King. Tenho alguns dos livros dele guardados em minha biblioteca até hoje. São edições antigas, amareladas e manchadas pelo tempo. Não consegui me lembrar ainda a origem dos volumes, quais deles ganhei depois de meu primo e quais adquiri em algum sebo por aí.

De uma forma ou de outra, a literatura que tive acesso à época foi essa, de romances de autores estrangeiros, pois me lembro de ter lido poucos autores brasileiros na adolescência. Talvez tenha lido aqueles livros de leitura obrigatória por causa da escola formal, um Machado de Assis ou um José de Alencar, por exemplo.

Os livros que mantenho na estante são livros ou autores que gostei, e não teria por que me desfazer dos livros. O que li nos anos oitenta e noventa fez parte da minha formação literária, mesmo não sendo leituras consideradas engajadas ou de alta cultura. 

Pensando nas lições de Italo Calvino sobre a importância de ler os clássicos da literatura universal, poderia dizer que até a literatura de suspense e terror tem seus clássicos. Stephen King tem os seus. Alguns eu leria novamente, como foi o caso de Carrie.

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LEITURAS DOS ANOS OITENTA E NOVENTA

1. Christine (1983) - Stephen King

O nome original do romance é o mesmo "Christine". Eu considero o romance um clássico. É a história de um triângulo amoroso entre Arnie Cunningham, Leigh Cabot e Christine. Tem ainda o amigo de Arnie, Dennis. 

Christine é um carro, um Plymouth Fury 1958, vermelho. Desde o primeiro momento em que Arnie viu o carro, ficou apaixonado por ele. Quer dizer, por ela, o carro foi nomeado de Christine.

O livro tem 552 páginas. Virou filme à época.

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2. O Iluminado (1977) - Stephen King

O título original do romance é "The Shining" e eu diria que é um dos maiores clássicos de Stephen King. O romance ficou mundialmente conhecido por ter virado filme estrelado por Jack Nicholson e dirigido por Stanley Kubrick.

É a história de Jack Torrance, um homem desempregado e em crise com a sua pequena família, que aceita o emprego de zelador de um hotel nas montanhas do Colorado. O que era para ser um período de tranquilidade e sossego para a família isolada pela neve, se transforma num cenário de suspense e terror que vai deixar leitores e espectadores alucinados do início ao fim.

O livro tem 445 páginas. Esse é um dos livros que comecei a leitura e não terminei. Depois acabei assistindo ao filme. Um dia, vou pegar para ler de uma vez.

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3. O Cemitério (1983) - Stephen King

Com título original "Pet Sematary", esse romance foi um dos quais nunca mais me esqueci. O enredo conta a estória da família de Louis Creed, composta por Rachel, Eileen (Ellie), Gage e Church, o gato de Eileen. O livro também virou um filme clássico.

A cena de Louis Creed voltando cansado do cemitério indígena de animais e caindo na cama todo sujo virou referência de cansaço para mim desde a adolescência.

Minha edição tem 380 páginas com fonte bem pequena. É um livrão, como os outros do autor.

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4. A Incendiária (1980) - Stephen King

O título original do romance é "Firestarter". Uma das lembranças que tenho sobre a leitura desse livro de King é que o li numa sentada, de uma vez. Não sei por que isso ficou na minha memória. Ao ver a grossura do livro hoje, imagino que deve ser uma falsa lembrança, não é possível ler essa estória de 432 páginas com fonte pequena em um dia. Mas devo ter lido em pouco tempo. O enredo é alucinante.

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5. Carrie (1974) - Stephen King

O título original tem o mesmo nome. Foi o primeiro romance de King e foi um sucesso imediato. Conta a estória da jovem Carrie, uma garota com poderes paranormais que sofre em casa com o fanatismo religioso da mãe e sofre na escola, por causa do bullying dos colegas de classe. 

O livro virou filme dirigido por Brian de Palma em 1976 e o destaque vai para a excelente interpretação de Sissy Spacek. Esse foi um dos romances de King que reli após os quarenta anos de idade. O comentário sobre a leitura pode ser lido aqui.

O livro tem 200 páginas.

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6. Zona Morta (1979) - Stephen King

Com o título original de "Dead Zone", esse é o livro de King que eu menos me lembro da estória. Mas eu li. John Smith é um rapaz como tantos outros. Um dia sofre um acidente de carro, ficando longos anos em coma. Ao acordar, percebe que detém o poder de perscrutar as mentes das pessoas.

Minha edição tem 389 páginas.

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7. A Entidade (1978) - Frank de Felitta

Com o título original "The Entity", esse livro foi duro de ler. Me lembro até hoje o quanto fiquei impressionado com a estória de uma entidade diabólica que violentava Carlotta Moran, mesmo diante dos filhos dela e com uma violência cada vez maior. É angustiante imaginar tudo aquilo que o enredo descreve no romance.

O livro é outro bichão de 478 páginas.

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8. Assassinato no campo de golfe (1923) - Agatha Christie

O título do livro é "Murder On The Links". Anotei no livro que o li em agosto do ano dois mil. Já era outro período de minha vida. Havia voltado para São Paulo. Mantive na fase adulta o hábito de leitura. É um romance policial de Christie com o clássico personagem Monsieur Hercule Poirot. Eu não me lembro do enredo. Teria que ler de novo.

O livro tem 215 páginas.

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Enfim, aos poucos vou organizar meu centro de documentação, o que inclui a minha biblioteca.

William


Post Scriptum: o texto anterior sobre meu cedoc pode ser lido aqui.


domingo, 12 de novembro de 2023

Leitura: Os mortos vivos, de Peter Straub



Refeição Cultural

Osasco, 12 de novembro de 2023. Domingo. Um calor de 37º!


Terminei a releitura do clássico Os mortos vivos (1979), de Peter Straub. Esse livro marcou os anos oitenta. Pelo que pude apurar, até o mestre dos livros de suspense e terror, Stephen King, gostou da estória e faz comentários laudatórios a respeito desse livro de Straub.

O nome brasileiro da obra difere um pouco da lógica do título em inglês - Ghost Story - e eu diria que a tradução brasileira para a versão cinematográfica da obra seria melhor para o livro: Histórias de fantasmas (1981), dirigido por John Irvin. Eu não conheço o filme. A estória faz referências tanto a fantasmas e espíritos (Manitu) quanto a mortos vivos.

Nos anos oitenta, li dezenas de livros que saíam pelo Círculo do livro. Algumas leituras da adolescência me impactaram à época. Dos livros de suspense e terror, os de Stephen King eram os preferidos. Li Carrie, A incendiária, O cemitério, Zona morta, Christine, e tenho dele e não li ainda O iluminado

Outros de terror impactantes à época, foram A entidade, de Frank de Felitta, O exorcista, de William Peter Blatty, e os dois de Jay Anson, Horror em Amityville e 666 O limiar do inferno. Estes últimos, reli e comentei aqui no blog (ler aqui). 

Os mortos vivos, de Peter Straub, foi um dos livros que mais marcaram minha leitura de terror. Eu tinha menos de 17 anos quando o li, acreditava em coisas sobrenaturais e fiquei bem assustando durante a leitura da estória. 

Digo que o de Straub é um dos livros marcantes do gênero porque O cemitério também me marcou bastante! Até hoje defino um cansaço indescritível como o do personagem Louis Creed ao voltar do enterro do gato e cair prostrado na cama.

Na minha atual fase de leitor, às vezes pego para reler um livro lido décadas atrás para tentar avaliar como a leitura à época poderia ter impactado aquele leitor jovem com a visão de mundo que eu tinha como jovem no ambiente ao qual eu pertencia. Não é algo simples, mas acho interessante a tentativa de perceber o caminho que trilhei até aqui.

A leitura atual de Os mortos vivos foi absolutamente distinta da lembrança que tinha da leitura da adolescência. Imagino que o tenha lido em pouco tempo naquela época, porque eu lia rapidamente livros grandes. Me recordo que lia até centenas de páginas no mesmo dia. Desta vez, a leitura se arrastou por quatro meses. Lia nas madrugadas. E minha impressão da estória foi outra. Entendo que o livro é para ser lido de uma vez... como não fiz isso, o efeito foi outro.

Avalio que a estória poderia ser escrita em umas duzentas páginas, e olha lá!, e não seria necessário arrastar a estória por mais de quinhentas páginas. Nessa questão de tamanho, Jay Anson acertou nos dois romances demoníacos que fez. Peter Straud e meu saudosismo que me perdoem, mas Horror em Amityville foi mais prazeroso de ler, a parada foi resolvida em 190 páginas. Li em dois dias.

Ainda que eu tivesse lido o romance rapidamente, o efeito gostoso de sentir medo ao ler um livro de terror não seria o mesmo de antes neste leitor que vos fala, porque hoje sou descrente de qualquer coisa mística. Já foi assim na releitura dos livros de Jay Anson. À época, eu acreditava em tudo, em qualquer teoria explicativa de mundo que a mente humana criasse.

Gostaria de assistir ao filme de 1981, que contou com a participação de Fred Astaire no papel de Ricky Hawthorne. 

Já escrevi várias vezes sobre meu respeito pela visão de mundo que cada ser humano tem. A concepção mística da vida fez parte da minha percepção de mundo por décadas. Após o meu percurso pela vida, não conseguiria abraçar nenhuma explicação mágica sobre a existência humana e sobre o Universo. No entanto, sei que cada pessoa tem a sua experiência de vida e devemos respeitar isso.

Me lembro perfeitamente da sensação e efeito das culturas místicas na pessoa que era até perto dos trinta anos. Quando assisti no cinema ao filme Ghost - Do outro lado da vida (1990), foi muito impactante aquele momento no qual o público percebe junto com o protagonista o que aconteceu após o assalto.

Enfim, mais um livro lido ou relido. Este foi o 30º livro do ano, sexto ou sétimo de romance ficcional. Deu trabalho a leitura! Achei que não acabaria nunca!

William


Post Scriptum: Fiz postagem sobre a leitura em andamento. Caso tenham interesse em ler, é só clicar aqui.


sábado, 19 de agosto de 2023

54. Os mortos vivos - Peter Straub (1979)



Refeição Cultural - Cem clássicos 


(leitura em andamento)

Uma das lembranças que tenho da leitura deste livro de suspense e terror é que eu sentia medo ao lê-lo. Me lembro do medo. 

Este leitor que vos fala tinha na época da leitura menos de 17 anos e era uma pessoa de seu tempo e ambiente social (anos 80), tinha crença religiosa.

Ainda morava em Uberlândia e a edição que li foi a de meu primo Jorge Luiz, que me emprestava livros de ficção e romances. Era uma edição com capa dura do Círculo do Livro, se não me falha a memória.

Décadas depois, quis ter o livro em casa. Comprei pela internet a edição malconservada que tenho. Quase joguei ela fora quando a recebi. Acabei colocando ela num canto.

Semanas atrás, acabei pegando o velho livro e comecei a ler lentamente a estória, antes de dormir, na maioria das vezes. Já li 200 páginas e agora não paro mais, vou até o fim da ficção de Peter Straub.

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OS MORTOS VIVOS

A impressão que tive até agora, ao ler 2/5 da obra, é que o enredo se desenvolve muito lentamente, ao estilo dos antigos romances. Foram duzentas páginas lidas e me parece que os acontecimentos principais talvez só irão acontecer lá no final, daqui mais duzentas e tantas páginas.

Na cena inicial do prólogo - "Seguindo para o sul" -, um personagem está com uma criança no carro. Tudo indica que ele sequestrou a criança, uma garota. O leitor já viu a criança ser amarrada por Donald Wanderley. Ele até chegou próximo a ela com uma faca, enquanto ela dormia. É assim que temos o contato inicial com a estória. A cena final do prólogo é um diálogo estranho entre a garota e o sequestrador. O leitor vai agora voltar ao começo da estória... o começo foi in media res, como se diz na literatura, no meio da ação.

O prólogo se estendeu por trinta páginas. Agora o leitor chega à Parte Um - "Depois da festa de Jaffrey". Os eventos se passam numa cidade ficcional chamada Milburn. Conhecemos a Sociedade Chowder, cujos componentes são 4 homens idosos - Frederick Hawtorne (Ricky), Sears James, John Jaffrey e Lewis Benedikt - um quinto membro morreu um ano antes de forma estranha - Edward Wanderley -, durante uma festa na casa de Jaffrey.

A Parte Dois se chama "A vingança do Dr. Rabbitfoot". Um dos 4 amigos - o Dr. John Jaffrey - acaba por morrer de forma estranha também. Chega à cidade Donald Wanderley, sobrinho do 5º membro da Sociedade Chowder - Edward Wanderley -, falecido um ano antes numa festa na casa de Jaffrey. Donald chegou à cidade à convite do grupo.

É neste momento da estória em que estou. Minha curiosidade ao reler este livro é tentar voltar no tempo e imaginar como eu era, aquele leitor adolescente que leu o livro em meados dos anos oitenta.

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Me lembrei dos dois livros de terror que reli recentemente do norte-americano Jay Anson: Horror em Amityville, de 1977, baseado num caso real de evento sobrenatural (ler comentário aqui) e 666 O limiar do inferno, de 1981 (comentário aqui). Este último teve um enredo parecido com o do livro de Peter Straub, dezenas de páginas preparativas para um desfecho final.

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Por enquanto é isso. Volto à postagem para comentar o restante da leitura de Os mortos vivos, de Peter Straub.

(leitura em andamento)

Terminei a leitura do livro em novembro de 2023. Ler comentário final aqui.

William


domingo, 31 de outubro de 2021

Horror em Amityville (1977) - Jay Anson



Refeição Cultural

Casas mal-assombradas, fenômenos poltergeists, deuses e demônios, seres fantásticos, monstros desse e de outros mundos, fenômenos de OVNI e seres extraterrestres, poderes da mente e paranormais etc. Cresci acreditando em tudo isso.

Um casal aproveita uma oportunidade de aquisição de um belo imóvel mesmo sabendo que uma tragédia marca a história do casarão. Um ano antes da compra, uma família foi assassinada brutalmente por um dos filhos no local. Essa é a história de George e Kathy Lutz e seus três filhos ao se mudarem em dezembro de 1975 para a Ocean Avenue, 112, Long Island, Amityville.

Eles só conseguiram ficar no imóvel por 28 dias. Fenômenos estranhos passam a ocorrer desde o dia em que se mudam para a casa até que eles saiam às pressas com as roupas do corpo porque temem pela vida da família.

O romance de Jay Anson, de 1977, fez muito sucesso nos anos oitenta, inclusive após adaptações para o cinema.

Eu li esse livro na adolescência, quando morava no bairro Marta Helena em Uberlândia, Minas Gerais. Li esse e o outro livro do mesmo autor, 666 O limiar do inferno (1981). 

Na época, os livros de suspense e terror me causavam calafrios. Eu me lembro disso. Filmes e livros de demônios, espíritos e almas penadas eram assustadores para mim, faziam parte de minha visão religiosa do mundo.

Reli Horror em Amityville entre ontem e hoje. Leituras assim são muito fáceis. Foram 200 páginas lidas em duas sentadas. Peguei para ler este livro porque me deu vontade de avaliar qual a sensação de ler livros assim hoje em dia, sendo o que sou.

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SERES INFLUENCIÁVEIS, SERES DE CULTURA, PASSÍVEIS DE FORMAÇÃO E EDUCAÇÃO

Uma coisa que fiquei pensando durante a leitura do livro com essa temática é o quanto a mente humana é flexível, maleável e possível de se influenciar. Somos animais altamente influenciáveis, mesmo aquela parcela que acha que não é. Bobagem se achar isento de influências das ideias do meio ao qual se está interagindo! 

Somos seres de cultura e o que somos é fruto de todas as formas de interação que temos com o meio ambiente no qual vivemos.

Eu cresci numa família católica. Minha visão de mundo foi a visão de mundo de meus pais, das pessoas com as quais interagia na infância, depois na adolescência, depois na maturidade. 

Minha forma de ver o mundo foi uma quando o acesso ao conhecimento de mundo que tinha era, por exemplo, as ideias dominantes da casa-grande passadas a mim pelos meios de manipulação de massas. E minha visão de mundo foi mudando à medida que novas fontes de informação e conhecimento foram sendo disponibilizadas para mim.

Em cinco décadas de vida, já acreditei em diversas abstrações da mente e cultura humanas e desacreditei de várias coisas também. 

Se hoje uma ficção do gênero terror e suspense não me afeta como afetava em outras épocas - me causando medo e me deixando impressionado -, mesmo assim a experiência nos mostra que as diversas formas de cultura nos trazem reflexões. 

Eu posso não acreditar mais em deuses e demônios, mas o mundo do século XXI foi altamente influenciado por essas abstrações de religiões conjugadas com política para tomada de poder e o mundo vive tempos terríveis novamente por causa disso.

As pessoas ao meu redor estão sendo manipuladas com ferramentas e técnicas nunca antes desenvolvidas ao longo dos milhares de anos de história do homo sapiens

As big techs criaram redes sociais utilizadas por bilhões de pessoas e os algoritmos das máquinas influenciam o comportamento em escalas nunca vistas na história. Mentiras (fake news) têm velocidade de circulação 6 vezes mais rápida que outros tipos de informações, segundo um testemunho do documentário "O dilema das redes" (2020). A Pós-verdade criou mundos paralelos que alteraram o mundo real.

É isso. Foi interessante rever uma ficção como Horror em Amityville tendo mudado minha visão de mundo como ser humano. O tema traz diversas abstrações da mente humana. 

Existir ou não demônios, fenômenos poltergeists e outras abstrações humanas não é a questão central. A questão que merece reflexão é o poder de influenciar pessoas e o mundo que essas abstrações têm.

O acesso à alteridade, à educação e a formas variadas de cultura mudaram minhas possibilidades de visão do mundo. Sigo aberto a novos conhecimentos.

William