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sexta-feira, 28 de junho de 2024

34 de 100 dias



34. Agora à noite, após atividades de organização doméstica, saí para correr. As dores no corpo seguem de forma crônica. Feitos os exames de próstata, agora vou retornar ao especialista em quadril e levar os exames de imagem que fiz. Vamos ver como está a situação de minha estrutura locomotora. Enquanto posso, ando e corro, aproveito essa capacidade humana que nos dá grande liberdade no viver.

Com os objetivos de curto prazo que defini nesses dias, minhas leituras de livros foram interrompidas. Pensei em ler as centenas de páginas que faltavam dos livros sobre a biografia de Frei Betto e as memórias de José Dirceu. É uma coisa ou outra. Ou tento organizar um pouco minha desorganização doméstica de longo tempo ou sigo na baderna em benefício dos estudos.

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OPINIÃO

DIREITO NÃO É ALGO NATURAL, É CRIAÇÃO HUMANA E DEVE SER DEFENDIDO

Nunca mais vou me esquecer da lição do professor jurista e constitucionalista Pedro Serrano, explicando em um artigo na revista CartaCapital, edição 1303 (ler aqui), que direito é criação humana, não é algo natural, e se não defendermos os direitos que criamos ao longo da história da humanidade, os direitos que nos acostumamos a gostar deles deixarão de existir.

A extrema-direita está organizada internacionalmente como nunca esteve antes. A extrema-direita tem estrutura porque ela ou é o próprio 1% dono do poder no mundo ou é financiada pelos homens com mais dinheiro no mundo ou é tudo a mesma coisa, os capitalistas e os endinheirados, os bilionários e seus pau-mandados, ou seja, dane-se esse papo de falar que eles não são bárbaros porque usam as porcarias dos talheres de prata.

Há um avanço acelerado da extrema-direita e os capitalistas nos direitos sociais do povo no mundo todo.

No Brasil, essa gente está destruindo os ambientes todos, desfazendo a Constituição Cidadã de 1988, avançando sobre os corpos das pessoas como fizeram até o século 19 quando a propriedade de pessoas era a lei.

Enfim, ou a maioria que não é a extrema-direita e não é dona do poder político e econômico se organiza e vai pra cima dessa gente ou vamos mergulhar num pântano de ditaduras autoritárias dos bilionários e seus capatazes e capitães do mato nas estruturas dos Estados nacionais.

O que estamos vendo nesses últimos anos é só o começo. Depois dos projetos de "Lei do estuprador", "lei" isso, "lei" aquilo... vamos ter "leis" que impedem a nossa existência e a nossa liberdade. 

Hoje, os extremistas que juntam num mesmo balaio fascistas, nazistas, bancadas da bala, da bíblia, do boi, capachos dos bilionários etc, essa gente tem voto para votar qualquer coisa nos parlamentos, tanto no Congresso Nacional quanto nos Estados e municípios. 

Se votarem uma lei que dá direito a escravizar pessoas com uns 400 votos no Congresso vamos cumprir a lei? Se votarem transformar em pasto e plantio de soja e milho todas as áreas geográficas do Brasil a gente cumpre? 

Se vocês responderem que não, o que a gente faz? Essa gente tem a força repressiva com ela. Vamos enfrentar a repressão dos endinheirados com flores e rezas e passeatas pacíficas? Nossos corpos vão ser os alvos das balas e bombas?

Em São Paulo aprovaram uma "lei" em primeira votação para impedir que qualquer pessoa dê alimento a quem precisa. O doador pode ter que pagar uma multa de 17 mil reais, ou seja, vai ter que vender a moto ou o carro que tem se for pego dando comida a alguém com fome...

Ou a gente vai pra cima desses fascistas de merda ou o mundo será uma desgraça. É a minha opinião, a opinião de alguém que liderou as lutas dos bancários por quase duas décadas. 

Não sou pacifista! Como ensinou Nelson Mandela na p. 206 de sua autobiografia: é o opressor que define a natureza da luta.

Mandela, eu também acho!

William


sábado, 20 de abril de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 20 de abril de 2024. Sábado.


O MUNDO TÁ FODA!

Ao acordar, passei a primeira hora deitado, lendo um pouco de notícias. Fiquei pensando nos acontecimentos de meu cotidiano recente, e naturalmente pensei sobre a política e sobre o nosso país. Mesmo fora do movimento sindical, sou um ser político, não estou alheio aos acontecimentos.

As perspectivas do amanhã, no meu caso particular e no caso de nosso país, são complexas. Digo "complexas" para não dizer que são "ruins". Os otimistas diriam que são "desafiadoras". As maneiras como se dizem as coisas têm objetivos e efeitos específicos nas técnicas de comunicação. No fundo, no fundo, tá foda!

Meus conhecimentos adquiridos durante a jornada da existência me impõem atitudes e comportamentos que não podem ser deixados de lado simplesmente por um desejo imediato de ligar o botão do foda-se. Conheço muita coisa da vida política. Só deixarei de ver o mundo como vejo com uma eventual doença degenerativa do cérebro ou com minha morte.

Enquanto pensava nas coisas recentes, ainda deitado, pensei que tem tanta coisa rolando no meu mundinho e no mundão lá fora, que quase tive vontade de listar coisinhas e coisonas para visualizar melhor as coisas e organizar as ideias.

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LEITURAS

Neste ano, não estou conseguindo escrever sobre minhas leituras. Ruim isso! Quando escrevo aqui no blog sobre um livro ou algo que li, organizo as reflexões advindas com a leitura e acabo memorizando melhor o que a leitura me trouxe de ideias novas. Postando o texto, atinjo meu desejo de compartilhar de forma gratuita cultura e conhecimento humano.

Minha atenção está ruim do ponto de vista dos estudos. Tem muitos fatores externos e psicológicos que estão me impedindo de concentrar-me nos momentos de leitura e estudos. E quando leio, não finalizo o processo de aprendizagem fazendo o texto de comentário e fixação de informações.

Quero terminar algumas leituras iniciadas e escrever algo sobre elas. Li recentemente a tragédia "Ricardo III" de Shakespeare e assim como as duas comédias do autor que li faz poucos meses, acho que a leitura foi sofrível, não li como gostaria. O ideal é sentar-me e ler as três obras de novo. De forma rápida.

As leituras dos livros de Paulo Freire foram melhores, mas não consegui terminar meu texto sobre "Pedagogia da Autonomia". Faltou foco.

Quero terminar o livro do colega aposentado do BB, Onça. Li uma parte dele quando viajei uns dias com a esposa, mas não consegui retomá-lo e finalizar a leitura. É um livro de entretenimento, leve.

Estou lendo uns livros mais complexos e não consegui dar sequência. Um sobre a China, um sobre Marx e um sobre saúde suplementar. As leituras são muito interessantes, não tive dificuldades. É que a cabeça tá com a atenção dividida mesmo.

Após a segunda viagem a Cuba, com a feira do livro de Havana como motivo principal dessa experiência no país socialista, me encantei com Frei Betto, e dos contatos com autores brasileiros que lá estiveram, estou lendo o novo livro da querida Conceição Evaristo e preciso terminar o livrão sobre a biografia do dominicano. Li um livro dele sobre o marxismo e não escrevi a respeito da leitura.

E, lógico, após essas atividades culturais inacabadas, preciso pegar com vigor a leitura de "Os miseráveis", que peguei para ler no semestre passado e parei de novo. Não posso fazer isso. Tenho que ir até o fim do clássico.

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ENVELHECIMENTO DA GENTE

Essa temática é pessoal e coletiva. É a natureza em plena ação. Tudo muda o tempo todo. 

Na família serão tempos de lidar com as mortes das pessoas queridas. Isso acontece de forma mais frequente à medida que vamos envelhecendo e durando mais tempo na Terra.

Como sou uma pessoa de sorte, tive a felicidade de ter meus pais e familiares nucleares presentes até hoje. A boa sorte de tê-los por mais tempo me faz saber que ainda vou ter que lidar com as perdas de pessoas queridas, ou elas terão que lidar com a minha desaparição, ninguém sabe o amanhã. A morte é a certeza que o animal humano já sabe e que os outros animais não, podem até pressentir na hora, mas por instinto. Por isso inventamos a ideia de viver depois de morrer...

O mundo humano que coisificou as pessoas como meras mercadorias e transformou as relações humanas em relações utilitárias, relações que só duram enquanto são úteis de alguma forma para as pessoas (físicas e jurídicas) fez com que a maioria das relações seja de pouca duração e de fácil rompimento. Uma divergência casual de opinião pode encerrar uma relação de toda uma vida. E com isso vamos nos tornando seres solitários, sozinhos mesmo quando acompanhados.

Quando penso em envelhecimento, adoecimento em suas diversas formas, quando penso em necessidade de acolhimento que as pessoas sentirão cada dia mais, e provavelmente estarão por sua conta e risco, penso no conhecimento que adquiri ao ser gestor de uma autogestão em saúde diferente da lógica do mercado da doença (indústria da "saúde"). 

Fico pensando se deveria esquecer o que sei sobre a Cassi ou se deveria escrever com frequência e regularidade tudo que conheci dessa Caixa de Assistência. À época, criei um público leitor que se interessou pelo que escrevia. De certa forma, fiz um papel importante ao dizer aos participantes da Cassi o que o próprio site da autogestão nunca dizia.

Ao refletir sobre a conversa com o médico que atendeu meu pai nesses dias, sobre possíveis doenças que ele tenha, fiquei pensando sobre a questão da sarcopenia que ele vem enfrentando recentemente. Eu conheço sobre o tema desde que estudei Educação Física e sei que também já iniciei meu processo natural de perda de massa e tônus muscular. Sendo consciente sobre o tema, deveria estar mais dedicado a frear seus efeitos e a gente acaba sendo relapso com a própria saúde. Somos animais racionais contraditórios...

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QUEM DEFINE A ARMA DE UM COMBATE É O INIMIGO

Por fim, fecho essas reflexões pensando num acontecimento que me angustia: a ascensão do fascismo e da extrema-direita sem uma capacidade de reação à altura do campo democrático e da esquerda.

De meu mundinho atual, de alguém que já fez parte do mundão da política, sinto uma certa angústia ao ver o nosso lado da classe tão perdido em relação aos objetivos, estratégias e táticas para disputar a hegemonia de nossas ideias na sociedade humana.

Francamente, o mundo e o ser humano mudaram ou foram mudados drasticamente nas duas últimas décadas. Percebem a rapidez da coisa? Duas décadas. Período do boom das tecnologias da informação, internet e redes sociais. Na sociedade humana deste momento histórico, não há mais espaço para conciliar e frear processos com diálogo. Não há diálogo com nazifascistas, trumpistas e bolsonaristas fanáticos. Não há diálogo com armas despejando morte sob nossos corpos.

Esse conceito do subtítulo, sobre quem define a arma do combate ser o inimigo, tirei do ensinamento do grande líder sul-africano Nelson Mandela. Numa derrota fragorosa de seu povo, ele entendeu que não adiantava usar as tradicionais armas pacifistas de combate ao regime do apartheid porque o inimigo estava matando seu povo e não se sensibilizava com nada pacífico.

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É O OPRESSOR QUE DEFINE A NATUREZA DA LUTA

"A lição que aprendi com a campanha (contra a remoção do povo negro de Sophiatown em 1955) foi que no final nós não tínhamos alternativa alguma senão resistência armada e violenta. Repetidamente, havíamos utilizado todas as armas de não violência em nosso arsenal - discursos, delegações, ameaças, marchas, greves, ficar em casa, prisões voluntárias - tudo em vão, pois tudo o que fazíamos era respondido com mão de ferro. Um guerreiro pela liberdade aprende da maneira mais difícil que é o opressor quem define a natureza da luta, e ao oprimido frequentemente não se deixa recurso algum senão utilizar métodos que espelham aqueles do opressor. Em certo momento, só é possível lutar contra o fogo usando fogo" (pág. 206. Longa Caminhada até a Liberdade, Nelson Mandela)

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Vejam o momento atual na Palestina! Observem o que os sionistas decidiram fazer para desocupar as terras da Faixa de Gaza. Metem bombas, eliminam população civil - mulheres, crianças, idosos -, quem está lá, e dane-se o que o mundo pensa.

Adiantaria ao povo árabe-palestino fazer greves, manifestações pacíficas etc etc? Óbvio que não!

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QUEM DEFINE A PAUTA DEFINE A AGENDA... E OS TEMPOS SÃO DE AUTORITARISMO E VIOLÊNCIA DA EXTREMA-DIREITA, FINANCIADA PELO CAPITAL

O 1% dos homens poderosos do mundo decidiu eliminar quem se oponha ao seu poder. Danem-se países, comunidades, biomas, o planeta Terra. Os tempos são de merda! Tempos de violência! 

Os caras não ligam mais para nós, o povo. Nem para sermos explorados como mão de obra barata. Nunca ligaram, mas antes havia certo pudor, certo disfarce do pessoal que comia com talheres de prata... os tempos são outros.

Alguns pensadores já falam que o 1% quer eliminar mais da metade dos humanos, pois estaríamos incomodando e já não precisam mais de nossa mão de obra fabril. As máquinas dão conta da produção.

Aí eu pergunto: vamos dialogar com os fascistas? Vamos conciliar com os extremistas de direita que têm carta branca e financiamento do 1% para barbarizar conosco? 

Os tempos são outros. Nossos corpinhos humanos serão triturados pelas máquinas de extermínio dos donos do poder. 

Se a esquerda ou o segmento que um dia se disse de esquerda não acordar e mudar a postura e mudar as estratégias para enfrentar esses bárbaros fascistas com as mesmas armas que eles nos humilham, nos machucam e nos eliminam não sobraremos nem para contar a história dos povos derrotados. Até porque hoje tudo é "nuvem", nem manuscrito antigo com nossa versão vai sobrar para contar que um dia nós da esquerda existimos... Nossas memórias em "nuvens" serão desfeitas com uma brisa!

Encerro por hoje. Minha solidariedade ao deputado Glauber Braga (Psol-RJ), que reagiu de forma leve à violência do fascista do MBL que o ameaça faz tempo. Na minha opinião, não dá para contemporizar com a violência dos fascistas. Não se dá flores a quem quer nos eliminar.

William Mendes


Post Scriptum: soube do falecimento precoce de um querido militante do Banco do Brasil, o companheiro Sérgio Villaça. Meus sentimentos à família, aos amig@s e à companheira Tina Villaça.


sábado, 3 de junho de 2023

Leitura: A Quinta-Coluna - Ernest Hemingway



Refeição Cultural

Osasco, 03 de junho de 2023. Sábado.


Citações do prefácio

"Todos os dias éramos bombardeados pelos canhões postados à retaguarda de Leganés, nos contrafortes das colinas de Garabitas, e o Hotel Flórida, onde vivíamos e trabalhávamos, foi atingido por mais de trinta e oito projéteis de grande poder explosivo. Por isso mesmo, se não gostarem da peça, posso botar a culpa nesse bombardeio infernal; se a acharem boa, direi que aqueles obuses de certa maneira me inspiraram a escrevê-la."

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"O título da peça tem a ver com a afirmação das forças insurretas de que havia quatro colunas militares avançando na direção de Madri, no outono de 1936, e uma quinta, integrada por simpatizantes, que já se encontrava na capital e atacaria seus defensores pela retaguarda."

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"As forças inimigas que avançavam sobre Madri não tinham o hábito de poupar seus prisioneiros. Da mesma forma, os membros da quinta-coluna que fossem apanhados dentro da cidade nas semanas iniciais da Guerra Civil eram também eliminados sumariamente..."

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Em suma: esta peça se ocupa apenas da contraespionagem em Madri, tem os defeitos de um texto escrito durante os tempos de luta e, se é que tem alguma moral da história, comprova ser impossível para alguém que pertença a determinadas organizações a manutenção de um mínimo de vida particular..."

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INTRODUÇÃO

Não estava em meus planos atuais ler uma obra de Hemingway por estes dias. Já li cinco livros dele. Acho seus textos espetaculares. No entanto, as veredas dos sertões nos levam por vários caminhos, abertos ou a serem abertos com o andar, já que não há caminhos, mas se faz caminhos ao andar...

Visita à finca de Hemingway (Cuba).

Fui a Cuba dias atrás. Experiência que ainda estou digerindo, por isso escrevo meus textos no Refeitório Cultural. Em Havana, no último dia, a última escala de visitas foi a finca onde viveu Ernest Hemingway. Conheci a residência do grande escritor Papa Hemingway... foi emocionante para mim.

Minha esposa me sugeriu assistir ao filme Papa Hemingway in Cuba (2016), desde que soube que eu iria a Cuba e por saber o quanto gosto da obra do escritor. Na internet estava muito ruim de ver o filme, qualidade péssima. Eis que numa madrugada dessa semana ele passou nos canais que assinamos. Foi muito interessante ver o filme gravado em Cuba, na própria finca de Hemingway.

O filme tem como pano de fundo a Cuba pré-revolucionária, retrata o escritor em Cuba entre os anos de 1956 e 1959, quando os jovens liderados por Fidel Castro enfrentam e derrotam a ditadura de Batista, mantida pelos Estados Unidos. O filme é dramático, vemos os últimos anos da vida de Hemingway, com sérios problemas de depressão e alcoolismo. É tocante e o drama de tudo isso nos envolve profundamente.

Foi inevitável olhar na estante e escolher algum volume dele para reler. A Quinta-Coluna (1938) foi uma peça escrita por Hemingway durante a Guerra Civil Espanhola, o escritor e jornalista estava em Madri e viveu os ataques dos fascistas apoiados por Hitler.

Tudo isso me faz pensar em tanta coisa, tanta coisa! Um turbilhão toma conta de minha consciência, do meu ser. Afloram sentimentos que amarguram minha pessoa faz muito tempo, a questão da depressão e alcoolismo em pessoas queridas, a questão do bloqueio genocida imposto pelo império ao povo cubano e muito mais...

A questão do nosso país que amamos e que sofreu em 2016 um golpe de Estado - uma revolução reacionária organizada pela casa-grande, uma quinta-coluna lesa-pátria -, e até hoje sofremos as consequências dessa tragédia porque não vivemos numa democracia, mesmo com Lula eleito presidente somos reféns de ditadores que ocupam o poder real nos legislativos e judiciários, além do 4º poder, a imprensa golpista. Enfim, muita coisa aflora em minha mente...

MINHA LEITURA DO MOMENTO POLÍTICO

Vivemos um contexto de guerra no Brasil e no mundo. As democracias liberais e burguesas estão morrendo mundo afora. O cenário é desalentador em relação ao presente e futuro do planeta Terra e das formas de vida que existem. 

Nenhuma força popular e preservacionista parece poder parar a máquina de destruição do capitalismo. Os papéis da lei capitalista vencem qualquer movimento ou forma de vida que se interponha no caminho do lucro de algum homem do capital.

O capitalismo neoliberal se impôs no mundo e quem estuda minimamente história, política e ciências sabe que não há expectativa de vida sob a hegemonia do capitalismo. Estamos destruindo o planeta e nada vai parar isso a não ser que paremos o capitalismo e os poucos donos do mundo capitalista.

Não é possível salvar "no diálogo" as florestas, os biomas, os povos originários, os mais de 90% de humanos que passam suas vidas sendo explorados e escravizados miseravelmente pela pequena quantidade de homens que seguem destruindo o mundo e as mais diversas formas de vida no único planeta no universo conhecido com as condições de vida que tem na Terra.

Como estamos presos em estratagemas burocráticos organizados para não serem interrompidos, caminharemos para o fim, a não ser que criemos uma força de enfrentamento real aos bilionários e capitalistas do mundo. Eles vão nos eliminar. Essa força teria que impedir essa pequena porcentagem de homens de destruir tudo.

Só vamos proteger os biomas que restam, só vamos salvar uns 70% dos povos do mundo se derrotarmos alguns milhares de famílias capitalistas donas do mundo. E eles têm todas as forças de repressão e violência sob o comando deles. Teríamos (temos) que armar o nosso lado, que é muito maior que o deles.

Não será por processos de paz que vamos salvar o mundo e as pessoas. Não será com manifestações, greves, abaixo-assinados etc, coisas bonitinhas e sensíveis não sensibilizam homens do capital e seus lacaios, quinta-colunas de merda.

Se meu corpo fosse mais jovem, eu buscaria alguma organização para enfrentar esses destruidores da vida de forma real. As "democracias" morreram. Esses regimes comprados com dinheiro e poder da elite que temos no Brasil, nos Estados Unidos, nos países da Europa são qualquer coisa, menos democracia. 

Mandela e o CNA entenderam que nenhum movimento pacífico mudaria a condição desgraçada que os negros sul-africanos viviam sob o regime fascista da minoria branca. E mudaram a estratégia.

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É O OPRESSOR QUE DEFINE A NATUREZA DA LUTA

"A lição que aprendi com a campanha (contra a remoção do povo negro de Sophiatown em 1955) foi que no final nós não tínhamos alternativa alguma senão resistência armada e violenta. Repetidamente, havíamos utilizado todas as armas de não violência em nosso arsenal - discursos, delegações, ameaças, marchas, greves, ficar em casa, prisões voluntárias - tudo em vão, pois tudo o que fazíamos era respondido com mão de ferro. Um guerreiro pela liberdade aprende da maneira mais difícil que é o opressor quem define a natureza da luta, e ao oprimido frequentemente não se deixa recurso algum senão utilizar métodos que espelham aqueles do opressor. Em certo momento, só é possível lutar contra o fogo usando fogo" (pág. 206. Longa Caminhada até a Liberdade, Nelson Mandela)

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Nenhuma conversa ou boicote impediu Hitler de invadir e tomar todos os países da Europa, um atrás do outro, até que as bombas dos aliados, principalmente do exército vermelho, parassem a megalomania dos nazistas.

É o que penso olhando o mundo.

William


Post Scriptum: li esta peça pela primeira vez em 2017 (ler comentário aqui). Vivia sob fortes emoções. Ainda acreditava um pouco na democracia, mesmo abalado com o impeachment criminoso que Dilma havia sofrido por um bando de canalhas. A revolução reacionária da extrema-direita já estava em andamento no Brasil. Os quinta-colunas daqui já haviam implementado o golpe de Estado. Já haviam imposto a EC 95, fodendo os direitos sociais do povo brasileiro por 20 anos, as reformas da previdência e trabalhista já haviam sido impostas também, a Petrobras vinha sendo entregue aos imperialistas pelos quinta-colunas daqui. Vivemos 7 anos de destruição total do Estado nacional e dos direitos do povo brasileiro e nada deteve os fascistas. Nada... E o voto comprado pelo orçamento secreto e os bilhões ilegais em 2022 fez um Parlamento que não representa o povo e não é democrático. Francamente, não me venham chamar isso no Brasil de democracia. Como vamos salvar nossos biomas e nosso futuro? Com as "leis" criadas por aquela canalha colocada no Congresso em 2022? 


Bibliografia:

HEMINGWAY, Ernest. A Quinta-Coluna. Tradução de Ênio Silveira. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.


domingo, 9 de janeiro de 2022

090122 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Dias atrás, ao pensar no que leria pela manhã, decidindo entre a revista Carta Capital que acabava de chegar e um dos 4 livros que apartei para ler em janeiro, livros iniciados e não finalizados, optei pelo livro da vez: As três irmãs / contos, de Tchekhov. 

A revista de Mino Carta é excelente, mas não ando a fim de me atualizar sobre os acontecimentos da política. De certa forma, não preciso ler a revista para saber o que anda acontecendo na política, no Brasil e no mundo. Eu sei. Mesmo sem esforço, sei mais que boa parte das pessoas ao meu redor. Acho que o povo nunca foi tão alienado na história humana como neste momento de redes sociais idiotizadoras de quase a totalidade da massa humana.

O SILÊNCIO DE SOHRAB

Tenho pensado no silêncio de Sohrab, o garoto afegão do romance de Khaled Hosseini, O caçador de pipas, que li na semana passada. Quase que gostaria de calar, de nunca mais falar, de nunca mais escrever. Óbvio que ando cansado de tudo. Não sou alienado e a realidade desestimula um pouco o desejo de seguir vivendo. E nossas opiniões e experiências NÃO valem nada para as pessoas que amamos, que dirá para os meios aos quais vivemos na política.

Se ainda interajo, ajo de alguma forma - escrevendo no blog, por exemplo -, deve ser porque sou um homem de meu tempo, desse mundo real, material, e com o acúmulo que a própria existência me moldou - inclusive com a responsabilidade de existir, porque não sou só eu no mundo, pessoas de minha relação devem pesar na reflexão sobre meu esforço de permanecer vivo.

Assim como Sohrab, durante um tempo de minha vida havia cansado de viver e mesmo assim fui vivendo e cheguei até aqui. Avalio que valeu a pena seguir vivo. Coisas boas aconteceram para mim e eu participei da criação de coisas boas para a classe a qual pertenço, a classe trabalhadora. As ações positivas que fiz suplantam as ações ruins que fiz, imagino eu.

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ANTON TCHEKHOV

Após ler o 1º dos 4 livros que apartei para finalizar neste mês de janeiro, li o drama As três irmãs (1901), de Tchekhov. O livro que tenho contém essa peça e mais 6 contos do escritor russo. Já havia lido tanto a peça, em 2006, quanto os contos, a maioria no ano passado. De forma que estou basicamente relendo e não lendo pela primeira vez o livro. No entanto, como sou outro, o tempo é outro, a leitura é de novidade, como usa acontecer na releitura de livros e romances.

Li As três irmãs num desses dias em que estava bem azedo, sem graça com as coisas. A leitura foi truncada. Feita a leitura da peça, fui ver alguma coisa a respeito dela na internet. Vi o vídeo de dois jovens leitores, uma menina e um menino, com canais pequenos de resenhas de livros. Achei muito interessante ouvi-los. Como a cultura é algo maravilhoso! Dois jovens me fizeram avaliar minha releitura de As três irmãs.

Minha avaliação de leitor do drama tinha sido fria, automática. Já sabia que Tchekhov criticava a sociedade burguesa russa, o conformismo e a inação de setores das classes médias. Mas ouvir dois jovens aparentemente periféricos falarem do jeito deles sobre o romance, fez-me ver a alegoria do drama de forma clara como a água de Bonito (água clara acabando por causa da soja e do "agro pop").

Aquele núcleo familiar, os Prosorov, e os demais personagens no enredo da estória somos nós no Brasil de Temer, Bolsonaro, Moro e os idiotizados pela grande mídia; somos nós da comunidade de funcionários do Banco do Brasil; aquele núcleo familiar no drama de Tchekhov somos nós da minha "família": essa gente de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, gente de onde vim. Aqueles personagens somos nós que colocamos na Cassi aqueles gestores que estão lá.

Três irmãs - Olga, Maria e Irina - e um irmão, Andrei, que vão dar em nada. As irmãs sonham voltar para a cidade grande, Moscou, porque acham que são infelizes por estarem no interior. Aqui no Brasil dos bolsonários as pessoas querem ir para a Moscou idealizada do romance, ir pra outro país, porque aqui é o atraso bolsonarista e qualquer outro lugar do mundo seria melhor (como se aqui não fosse o tucanistão e o bolsonaroquistão por causa delas mesmas). Nós somos o enredo do drama de Tchekhov. A inação das irmãs é a nossa inação. Natália, a ex-caipira que ascende ao poder ao casar-se com Andrei e agora é a empoderada que manda e humilha etc tem aos quilos ao nosso redor. Parece a massa que aderiu ao bolsonarismo.

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Enfim, vamos reler os contos. Já reli "O beijo" e agora estou no conto cuja personagem principal é a cachorrinha que parece uma raposinha, Kaschtanka.

Na releitura e impressão das 275 postagens de 2021, estou terminando de rever o mês de junho, os textos deste mês são muito pautados pela leitura reflexiva da autobiografia de Nelson Mandela. (ahh... Mandela... que pena que não somos como você e seus companheiros e companheiras do Congresso Nacional Africano - CNA! Que pena!)

(com o comentário sobre Mandela comprovo que não somos nada diferentes de As três irmãs... sou igualzinho a elas, eu, os meus, as pessoas ao meu redor, os companheir@s do movimento sindical e partidário que se diz de esquerda... somos As três irmãs)

Ixi, alguém vai dizer "fale por você e não por mim, por nós". Tá certo. Sou As três irmãs. O pessoal da esquerda que conheço são pessoas de ação. Tá certo.

William


domingo, 29 de agosto de 2021

À la Benjamin Button... (17)


19/4/20.

Refeição Cultural

Olhar para trás...


A história do personagem Benjamin Button me chamou a atenção na segunda vez que vi o filme. Os tempos eram de guerra e os homens se matavam nos campos de batalha da 1ª Guerra Mundial quando um relojoeiro que perdeu o filho na guerra fez o relógio da estação ferroviária com um mecanismo diferente: os ponteiros andavam para trás. Queria ele que o tempo pudesse voltar e os jovens não tivessem morrido na guerra, sequer ido para a guerra. Nisso, nasceu naqueles dias uma criança com características de uma pessoa muito idosa e, com o passar do tempo, a criança foi rejuvenescendo. Enquanto as demais pessoas envelheciam, Button ficava mais jovem. 

A ideia que mais gostei do filme foi a da possibilidade do tempo voltar, essa fantasia foi a que mais mexeu comigo. Ao ver a que ponto chegamos da estupidez humana nos dias que correm, gostaria que fosse possível voltarmos ao passado e refazer o caminho e não termos a milícia no poder, não termos o Brasil destruído como está após o golpe de 2016 e gostaria, sobretudo, que o povo tivesse tido a oportunidade de estar neste momento trágico de pandemia mundial sob o comando de um estadista como Lula, impedido de ser presidente em 2018. A morte de 580 mil brasileiros pelo Covid-19 equivale a diversas guerras juntas e com um presidente de verdade como Lula estaríamos vacinados e a vida do povo seria o foco do governo do país.

É isso. Olhar para trás no meu perfil na rede social é lembrar como as coisas eram ou estavam e para onde caminhavam até que um golpe interrompeu a nossa vida e pôs tudo a perder para o povo brasileiro. Onde erramos tanto?

William

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AGOSTO DE 2021

Estamos no mês de agosto. O mundo enfrenta uma pandemia mundial de coronavírus desde o início de 2020. A vida mudou drasticamente para os seres humanos. A realidade factual demonstra que os capitalistas ficaram muito mais ricos e bilhões de pessoas tiveram suas vidas pioradas e as perspectivas de um futuro melhor quase desapareceram. O viver para bilhões de seres humanos virou praticamente uma luta diária pela sobrevivência, e só.

No Brasil, uma espécie de suicídio coletivo em 2018 colocou na presidência da república um sujeito demoníaco (expressão estranha para um ateu usar). Digo demoníaco porque a palavra é forte o suficiente para transmitir o que quero dizer, o sujeito equivale a toda a representação do mal, ele é o mal, não só porque seja mau, mas porque é sádico, é um psicopata, representa os interesses do que há de pior no Brasil e, pelo poder que tem um presidente, influenciou e mudou o ambiente no qual vivíamos no país há dezenas de anos. Viver no Brasil para aqueles que têm um mínimo de consciência e formação política se tornou uma tortura, e o sujeito no poder sabe que nos tortura ao fazer o que faz diariamente. Somos vítimas do sadismo do animal humano no poder central.

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JULHO DE 2021

Mês passado, em julho, finalizei a leitura do livro O verdadeiro criador de tudo (2020), do neurocientista Miguel Nicolelis, sobre o cérebro humano. A leitura me transformou, me trouxe respostas para perguntas que nem havia feito. Passei a ver o mundo e a vida de forma diferente. Também terminei a leitura do clássico Odisseia, na tradução em versos de Odorico Mendes.

Mesmo com medo de pegar Covid-19, participei dos dois dias de luta pelo fora bolsonaro - #3J e #24J - e no fim do mês postei o seguinte apelo aos familiares:

"30/7/21

Sobre o brazil do bolsonaro

Como ainda tenho alguns familiares bolsonaristas no Facebook, eu me pergunto e pergunto a eles, de coração (porque eu os amava) se há consciência a respeito do que eles fizeram com o Brasil e o futuro de todos nós ao apoiarem o golpe contra a presidente Dilma, uma cidadã honesta, e ao votarem no bolsonaro em 2018. Não precisa me dizer publicamente, mas gostaria que refletissem a respeito porque a história não acabou, se não interrompermos essa tragédia, coisas inimagináveis podem acontecer conosco, com os bolsonaristas comuns e com o restante do povo.

Pensem e nos ajudem a salvar o Brasil e nossas vidas."

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JUNHO DE 2021

A recuperação do companheiro e amigo Jacy Afonso foi uma das melhores notícias do mês de junho. A Covid-19 quase tirou a vida de nossa liderança. Todos os meses do ano, soubemos da perda de lutadores e lutadoras do povo trabalhador que conviveram conosco por longo tempo.

Depois de muito tempo, eu consegui terminar a leitura do livro autobiográfico de Nelson Mandela. É uma história tão atual! É só olharmos o momento brasileiro após o golpe de 2016 e vermos a situação de dezenas de milhões de pessoas sem direitos, sem nada. Nosso apartheid secular está cada dia mais oficial e formal e estamos sob os ataques aos direitos e abusos de poder por parte dos brancos que articularam o golpe de Estado.

Fiz a minha parte como cidadão e participei das manifestações populares exigindo a saída do genocida da presidência da república. O #19J foi muito bom na Avenida Paulista em São Paulo e em todo o Brasil e demais países do mundo.

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MAIO DE 2021

Feliz por ter participado das manifestações do povo de luta contra o genocida no poder. O #29M reuniu centenas de milhares de pessoas nas ruas e praças do país e do mundo.

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OLHANDO UM POUCO MAIS PRA TRÁS:

ABRIL DE 2020

Dia 20 - VIAJEM COM A IMAGINAÇÃO!

Em tempos de mundo novo pós pandemia Covid-19:

"Quem não há de ir ver as coisas com os próprios olhos da cara, diverte-se ao menos em vê-las com os da imaginação, muito mais vivos e penetrantes." (Uma excursão milagrosa, conto de Machado de Assis)

Dia 19 - AMOR

Nesse domingo de amor às pessoas e à vida no Planeta, estou usando uma camisa com o símbolo de um brasileiro que ama o país e os seres humanos. Ganhei a camisa de presente de meu querido amigo André Machado, em uma visita que fiz ao acampamento da solidariedade ao presidente Lula, em Curitiba. (é a foto que ilustra essa postagem)

Dia 17 - PELO FIM DO CAPITALISMO

A mãe diarista de um garoto que conhecemos foi dispensada... o rapaz que conhecemos de uma empresa de materiais de construção foi dispensado... em breve vão dispensar a garota que conhecemos há anos da empresa de viagens... o véio daquela empresa com a merda da estátua demitindo milhares enquanto seu dinheiro segue intacto (e os impostos que sonegou, ele pode pagar em um século)... banqueiros demitindo, fazendo lobby pra aumentar a jornada dos bancários...

TEMOS QUE FAZER UMA REVOLUÇÃO E ACABAR COM ESSA MERDA DE CAPITALISMO!

#Cooperativismo # Associativismo

Os donos de todas as empresas devem ser os próprios trabalhadores. Fim dos "empresários"... Temos que desapropriar todos eles!!!

Dia 15 - COMO ACREDITAR NA CIVILIZAÇÃO?

Quando as pessoas mais próximas a você afirmam, ainda hoje, que TODOS os políticos são corruptos, o que esperar do presente e do futuro a não ser guerra, barbárie e autoritarismo dos mais fortes? E o império da força, das armas e da violência?

Eu representei pessoas, eleito, por 16 anos! Sendo assim, sou corrupto porque fui político. Lula, Dilma, Genoino, Haddad, Manuela, Flávio Dino etc... todos nós seríamos corruptos, já que políticos.

Meu, acaba logo essa desgraça de mundo cão!

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COMENTÁRIO FINAL

Encerro mais essa postagem de olhar para trás, de memórias e sentimentos vividos nos últimos meses pandêmicos. Sobrevivemos até aqui, somos uns sortudos aqui em casa porque já tomamos a 1ª dose da vacina contra o coronavírus e estamos na expectativa de tomar a 2ª dose nas próximas duas semanas. 

No Brasil dos bolsonaros, só 1/4 da população tomou as duas doses e dessa parcela, a imensa maioria é do topo da pirâmide social, é branca e mora nos melhores bairros do país. Em algumas regiões de pobres, 80% não tomaram vacina ainda... Esse é o Brasil pós golpe de Estado. A imensa maioria dos 580 mil mortos são pobres, são pretos ou mestiços.

William

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

Diários com Machado de Assis (II)



Refeição Cultural

"Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, - algumas vezes gemendo, - mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um - 'ai, nhonhô!' - ao que eu retorquia: - 'Cala a boca, besta!'" (p. 48)


Fico pensando no Machado de Assis escrevendo nas décadas de 1860, 1870, 1880 e daí adiante, até que falecesse já no século XX, em 1908, no período político que conhecemos como Primeira República. Machado nasceu em 1839, descendente de avós paternos negros, e no ano seguinte, 1840, começou no Brasil o Segundo Reinado, com D. Pedro II, que governou o país até 1889, com a instalação da Primeira República.

Eu nasci em 1969, ano seguinte ao Ato Institucional nº 5, que recrudesceu a ditadura civil-militar implantada no Brasil com o golpe de 1964 (golpe apoiado pelos EUA e pela elite branca brasileira: a casa-grande). Nessa mesma década de 1960, as pessoas de pele preta ou parda ou as pessoas negras, mestiças e afrodescendentes de várias partes do mundo lutavam por seus direitos humanos, civis, políticos.

Na África do Sul, os negros lutavam contra a lei, contra o apartheid, há décadas. Nelson Mandela e seus companheiros do CNA queriam um país com direitos iguais para todos os cidadãos, independente da cor de suas peles e demais características pessoais. 

Nos EUA, os negros lutavam pelos mesmos direitos pelos quais lutavam os negros sul-africanos. Acreditem, a lei nos Estados Unidos era como a lei do apartheid dos brancos sul-africanos. Havia espaços para brancos e espaços para negros. Só a partir de 1964 que as leis de direitos civis igualaram brancos e negros.

Na década de 1960 meus pais já eram adultos, já estavam casados (casaram-se em agosto de 1965), e o mundo era racista do mesmo jeito que havia sido por séculos. Enquanto se disfarçava o racismo nas mídias dos brancos, nas rádios e TVs e novelas, e nos veículos impressos, no Brasil, nos EUA e na África do Sul negros eram discriminados e não tinham os mesmos direitos que os brancos. 

RACISMO GERA DESIGUALDADE SOCIAL - Preconceito gera discriminação e discriminação gera falta de oportunidades e desigualdade social. O poder e a riqueza do país estavam nas mãos dos brancos nos anos 1960, nas décadas e séculos anteriores e ainda HOJE.

Meus pais adotaram uma menina negra e eu nasci depois dela. O racismo nunca deixou de existir no Brasil dos séculos de colonização e dominação por parte de europeus brancos. Os negros e afrodescendentes são maioria do povo brasileiro e são uma minoria esmagadora na questão dos direitos humanos, civis e políticos. "Minoria" neste caso vem de "menos", ou seja, são maioria da população, mas têm menos direitos em tudo.

Não é fácil olhar para trás e imaginar em flashbacks como deve ter sido uma negra crescendo e vivendo no meio de um monte de brancos pobres, a família pobre brasileira, essa sim toda miscigenada, misturada, fruto dos cinco séculos de colonização do branco macho de fora com as mulheres índias, negras, mestiças que nos pariram. Faz poucos anos que ouvi um familiar dizer que preto tinha que matar pequeno para não virar bandido quando crescesse... (já estávamos no século XXI, juro pra vocês).

No meu caso, sou branco de cabelo "ruim" porque minha mãe é branca de cabelo "ruim". O cabelo "ruim" é como nós ouvimos falar ao longo de nossas vidas nos anos 1960, 1970, 1980, 1990 etc. Em determinado momento de nossas vidas era politicamente incorreto falar as coisas que os brancos da casa-grande e seus meios de comunicação pensavam do povo brasileiro miscigenado. Era. 

Agora voltamos ao passado. Com o golpe e a "ponte para o futuro" voltamos ao passado escravagista. Com as reformas dos golpistas, tucanos, emedebistas e bolsonaristas, voltamos ao passado. Com o novo golpe de Estado, em 2016, com a manipulação do povo através do ódio e do medo, regredimos até os séculos XX e XIX e os outros pra trás. Podem falar as barbaridades que quiserem de novo. Os tempos são de homens Brás Cubas e milhões de prudêncios!

PAI CONTRA MÃE

Um dos últimos textos de Machado de Assis, publicado em 1906 no livro Relíquias de casa velha, foi o conto "Pai contra mãe". O texto é forte! Meus olhos encheram de lágrimas só de pensar nele para escrever neste instante. (ler o conto aqui)

Esse conto, para mim, resume há mais de um século o que nós somos, nós negros, mestiços e brancos pobres, brasileiros, sem posses; nós somos como aqueles personagens do conto, somos como Cândido Neves, Clara, tia Mônica e Arminda.

Esse conto explica nossa gênese, explica meus familiares e conhecidos brancos, negros, mestiços, pobres ou remediados, cheios de ódio contra todos, contra negros, contra os diferentes, contra os outros. Explica por que somos o que somos.

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Isso foi o que refleti nesta manhã de sexta-feira, 27 de agosto de 2021, ao ler alguns capítulos do Memórias, de Machado de Assis, e ao ver um vídeo do site Meteoro Brasil sobre "Por que hospitalidade não é o forte dos EUA", publicado hoje.

William


Bibliografia:


ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. 1ª ed. - São Paulo: Panda Books, 2018.

domingo, 18 de julho de 2021

180721 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Se cada um só liga pra sua bolha-mundo, como vamos salvar o planeta do capitalismo?

Sigo lendo disciplinadamente. Ler para aprender alguma coisa, para refletir sobre as coisas com algum subsídio de conhecimento, para ser menos ignorante, apesar de saber que a nossa única vida é um tempo curto para saber minimamente sobre o mundo. A cada dia, mais certeza tenho que nada sei, mas ao menos sei que gostaria de saber das coisas, por isso estudo em meus tempos livres.

Estou há vários dias com certo peso na consciência por não escrever nada sobre a Cassi, a Caixa de Assistência dos trabalhadores do BB. Por ter tido oportunidade de participar como representante eleito da gestão da associação, acabei aprendendo alguma coisa sobre o tema gestão e sistemas de saúde. 

No universo de desfazimento do Brasil e dos direitos do povo brasileiro, a Cassi é mais um direito de um segmento da classe trabalhadora que está se desfazendo. É tanta coisa que não sei nem por onde começar a falar. E também tem o fato de saber que falar da Cassi são palavras ao vento e os ouvidos estão surdos para essas coisas do mundo solidário, das questões coletivas, cooperativas, associativas, comuns, comunistas.

Também assumi alguns compromissos com a militância bancária para falar a respeito de algumas temáticas que tenho algum conhecimento. Compromisso é compromisso, então vou fazer o que tem que ser feito. Mas no fundo, alterno dias de desânimo em relação ao mundo humano e dias em que acredito em alguma virada em defesa da vida e da justiça social no mundo. 

A razão tem me impedido de sugerir esperança na vida; a postura de militante de esquerda é a que me impõe sugerir alguma saída através da luta unitária, da inteligência humana e de apostar em alguma forma de força oriunda de uma maioria fraca, desorganizada e ignorante (o povo), mas tá difícil acreditar nisso...

E para nos enfraquecer o moral, ainda temos a condição de isolamento e solidão em que a classe trabalhadora se encontra nessa quadra da história. Com a diminuição do engajamento e da confiança dos trabalhadores formais e informais aos sindicatos, associações e partidos de esquerda, ficamos meio que órfãos de pertencer a algo que nos faça nos sentirmos partícipes de lutas coletivas e "comunidades" para além de nossa própria vida individual. 

No contexto atual, é muito difícil se manterem abstrações humanas como direitos sociais e coletivos em alimentação, moradia, previdência, saúde, educação e cultura (direitos humanos, por exemplo, é uma abstração, uma ideia). Se o que vale na visão humana é só o agora, só o instante, o presente, não há espaço para previdência pública, saúde pública (e preventiva), universidades e espaços culturais. Que dirá caixas de previdência e saúde como Previ, Cassi, Funcef, Saúde Caixa, e direitos coletivos corporativos construídos ao longo de décadas de associativismo solidário. Se a ideia de solidariedade morreu nas massas, evidente que o fruto dela vai morrer também.

Eu percebo que sem lutarmos pelo fim do capitalismo e tudo o que ele significa na destruição da vida no planeta, não temos perspectivas de futuro nem sequer nas próximas décadas, no próximo século, por exemplo. Se destruímos o planeta em dois séculos de capitalismo, com aceleração crescente e exponencial nas últimas décadas, e se seguirmos destruindo tudo não haverá natureza e biodiversidade para seguirmos enquanto espécie. Os oceanos estão morrendo. O meio ambiente terrestre idem. Alguns caras são responsáveis, mas ninguém faz nada para impedi-los. E assim caminhamos até ali no fim.

Não sei vocês, mas tenho a impressão que a gente não consegue sequer convencer a se unir a nós pelo fim do capitalismo e por outra forma de organização humana - socialista, comunista, cooperativista, associativista - as pessoas que conhecem a nossa luta há décadas: esposas - maridos - filhos - familiares - amigos - conhecidos. Que dirá então se estamos conseguindo convencer as demais pessoas fora de nosso círculo de convivência, nossas bolhas sociais.

O tempo que interessa é o agora e o instante, então sem essa de consumir menos, de viver com menos coisas, ver o mundo de uma forma mais sustentável, distribuir a riqueza produzida por tod@s a tod@s e usar a tecnologia para distribuir e não acumular. Se é isso que pensam as pessoas ao nosso redor (ou se elas sequer ligam pra isso - cada uma na sua bolha-mundo), como vamos interromper o impacto desse meteoro no único mundo que existe, nosso mundo?  

Neste 18 de julho, digo: 

- Nelson Mandela, presente! (nasceu em 18/7/1918)

- Augusto Campos, presente! (faleceu em 18/7/2017)

William


segunda-feira, 28 de junho de 2021

Mandela - Longa caminhada até a liberdade



Refeição Cultural

"A política de apartheid havia criado um ferida profunda e perene no meu país e no meu povo. Todos nós passaremos muitos anos, senão gerações, nos recuperando daquele ferimento profundo. Mas as décadas de opressão e brutalidade tiveram outro efeito, não intencional, que foi a produção dos Oliver Tambos, os Walter Sisulus, os Chefes Luthulis, os Yusuf Dadoos, os Bram Fischers, os Robert Sobukwes dos nossos tempos - homens de coragem, sabedoria e generosidade tão extraordinárias que iguais a eles poderão não existir novamente. Talvez seja necessária tal profundidade de repressão para criar tais estaturas de caráter. Meu país é rico em minerais e pedras preciosas que estão sob o seu solo, mas eu sempre soube que a sua maior riqueza é o seu povo, mais belo e verdadeiro que o mais puro dos diamantes." (p. 760)

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"Aprendi que a coragem não era a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. Eu mesmo senti medo mais vezes do que posso lembrar, mas eu o disfarcei sob uma máscara de ousadia. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista aquele medo." (p. 761)

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"Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor da sua pele, ou de sua origem, ou de sua religião. As pessoas têm que aprender a odiar, e se elas podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar, pois o amor ocorre com mais naturalidade no coração humano do que o seu oposto." (p. 761)


Ganhei a autobiografia de Nelson Mandela em agosto de 2014, no dia dos pais. Eu recém começava uma nova jornada de lutas em minha vida de representação eleita da classe trabalhadora. Havia começado um mandato na área da saúde em uma entidade dos trabalhadores do Banco do Brasil. Essa jornada de lutas durou 4 anos, foi até maio de 2018.

Durante o mandato na área da saúde, cheguei a ler a autobiografia de Mandela até a Parte Três (175 páginas), pouca coisa, mas minha vida era quase toda de leituras de trabalho. O grosso volume chegou a viajar comigo para alguns estados brasileiros, eu o lia durante os voos. Ao voltar definitivamente para minha casa em Osasco, o livro ficou quietinho na estante, esperando a leitura e o conhecimento completo desta rica história de lutas de um povo e seus líderes.

A VIDA DO POVO É LUTAR AO LONGO DO TEMPO

O tempo é algo muito presente na vida e na sociedade humana, mas pouco percebido. 

DÉCADAS DE LUTAS PARA AVANÇAR - A luta do povo negro sul-africano pelo fim do regime da minoria branca e as leis raciais do apartheid - luta através do Congresso Nacional Africano (CNA) e de outras instituições populares - durou 82 anos, nos conta Nelson Mandela. Ele assumiu a presidência da África do Sul em 1994, aos 76 anos de idade. Mandela ficou preso pelo regime racial dos africâneres, o apartheid, por 27 anos. A maioria da população, de negros e mestiços, mal conseguia sobreviver em seu próprio país sob aquele regime injusto e opressor.

DÉCADAS DE RETROCESSO APÓS O GOLPE - Estamos em 2021 no Brasil. Há 6 anos o Brasil foi impedido, boicotado, assaltado por uma minoria também (como na África do Sul dos brancos). Um grupo de canalhas da casa-grande organizou um golpe para tirar de forma ilegítima a presidenta do país, golpe para destruir as cadeias produtivas do país, para roubar o pré-sal, para interromper os avanços que o povo conquistava, para dilapidar o patrimônio público e retroceder em todas as áreas da cidadania. Foi um golpe reacionário de uma minoria. 

Em 2018, os golpistas ampliaram o processo de tomada do poder por assalto e corromperam o processo eleitoral. Uma operação chamada Lava Jato - um juiz suspeito e membros de órgãos públicos - interferiu nas eleições colocando o povo contra o maior partido de esquerda do país. Esses funcionários públicos suspeitos prenderam a maior liderança popular - o ex-presidente Lula -, que venceria as eleições e recolocaria o Brasil no caminho dos avanços populares e soberanos. E o pior, os golpistas e suas ferramentas de manipulação do processo eleitoral colocaram o pior tipo de gente que já ocupou o Congresso do país, uma alcateia eleita na onda do lavajatismo, e a consequência mais grave de tudo isso foi abrirem espaço para chegar à presidência um sujeito inominável, um ser desprezível, do mal, e agora acusado de diversas ilegalidades e suspeições de crimes, com mais de uma centena de pedidos de impeachment na gaveta do presidente da Câmara.

6 ANOS, em 6 anos o povo brasileiro vivenciou um retrocesso de décadas de avanços em todas as áreas da sociedade e da cidadania. Com o presidente traidor, o do golpe, e com o inominável alçado ao poder com a prisão do candidato Lula, o Brasil foi desmontado em todos os sentidos. 6 anos de destruição. E uma das consequências foi a morte de meio milhão de pessoas por um vírus para o qual há vacinas há quase um ano e a população segue morrendo porque o sujeito na presidência optou por contaminar a população com o vírus mortal. 6 anos...

Não sei, mas talvez tenhamos um processo longo de reconstrução do Brasil e de libertação do povo - a classe trabalhadora brasileira -, não sei se décadas, acho que sim, mas temos pela frente "uma longa caminhada até a liberdade" parafraseando Mandela.

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A AUTOBIOGRAFIA

Voltando à autobiografia de Nelson Mandela, peguei o livro na estante neste ano de 2021 e comecei a ler de novo. São 765 páginas. A história de Mandela e do CNA se confunde com a história do povo sul-africano. 

O livro é dividido em algumas partes: 1."Uma infância no interior", 2."Johannesburgo", 3."O nascimento de um guerreiro pela liberdade", 4."A luta é a minha vida", 5."Traição", 6."O pimpinela negro", 7."Rivonia", 8."Ilha de Robben: os anos negros", 9."Ilha de Robben: o início da esperança", 10."Conversando com o inimigo" e 11."Liberdade".

Ao ler a história de Mandela, me lembrei um pouco do livro sobre Lula, organizado por Denise Paraná. Não são estratégias de produção textual parecidas, mas ambos os livros abordam a vida dos biografados em épocas e fases da vida. Através da história deles, vemos a história do país e do povo naquele período. As biografias acabam antes do período no qual os protagonistas exerceriam mandatos presidenciais.

Sofri demais na leitura do período dos 27 anos de prisão de Nelson Mandela e de seus companheiros de luta. Esses caras são gigantes!

Fiquei descabriado na fase seguinte à libertação dos líderes do CNA. Mandela mal pisou fora da prisão e as tentativas de negociação para se conseguir o fim do apartheid e do regime racial dos brancos africâneres, e os nacionalistas atuaram para dividir os negros e financiaram um grupo rival do CNA para uma guerra tribal com banhos de sangue, chacinas de centenas de pessoas durante todo o processo de negociação entre 1991 e 1994. Haja persistência de Mandela e seus companheiros para não retornarem à luta armada.

Enfim, conheci muito a respeito do processo de luta pela liberdade do povo negro sul-africano. Em vários momentos daquela história, vi semelhanças com o que já vivemos e podemos ter pela frente no Brasil atual.


FUTURO: SERÁ POSSÍVEL RECONSTRUIR O BRASIL SEM CONCILIAÇÃO?

"Foi durante aqueles longos e solitários anos que a minha fome pela liberdade do meu povo tornou-se uma fome pela liberdade de todos os povos, brancos e negros. Eu sabia tão bem quanto sabia qualquer coisa que o opressor tem que ser libertado tão certamente quanto o oprimido. Um homem que tira a liberdade de outro homem é um prisioneiro do ódio, ele está preso por detrás das grades do preconceito e da pobreza de outra pessoa, tão certamente quanto não estou livre quando a minha liberdade é tirada de mim. O oprimido e o opressor igualmente têm sua humanidade roubada." (p. 763)


Estamos presos ao ódio que envenenou a todos nós. Os organizadores do golpe de 2016 nos ensinaram a odiar.

Me parece que não conseguiremos avançar para um futuro brasileiro sem aprendermos a perdoar e amar.

Se quisermos recomeçar, teremos que superar o bolsonarismo, para além do clã desgraçado que está no poder por causa das fraudes diversas que alteraram o processo eleitoral de 2018.

Além de superar e eleger novos representantes para os executivos e os parlamentos, tanto o federal como os estaduais, teremos que superar o ódio que não nos permite sequer amainar a raiva que sentimos dessa gente que descobrimos serem más, repulsivas, hipócritas e preconceituosas a respeito de tudo. Teremos...

Nessa hora é que veremos o quanto um Mandela, um Lula, são as pessoas mais adequadas para nos ajudar no difícil processo de reconciliação, porque esses caras são diferentes, eles conseguem superar os bloqueios que o ódio nos põe em relação aos que temos raiva, rancor, mágoa etc.

É isso! Mais um livro lido, mais conhecimento adquirido.

William


Bibliografia:

MANDELA, Nelson. Longa caminhada até a liberdade. Tradução de Paulo Roberto Maciel Santos. Curitiba: Nossa Cultura, 2012.


sábado, 26 de junho de 2021

260621 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

"Mas ao conversar com esses jovens inteligentes, fiquei sabendo que eles assistiram a minha liberação na televisão e estavam familiarizados com os eventos na África do Sul. 'Viva o CNA!' falou um deles. Os Inuit são um povo aborígine historicamente maltratado pela população de colonizadores brancos; havia alguns paralelos entre as condições dos negros sul-africanos e do povo Inuit. O que me impressionou fortemente foi o quão pequeno o planeta havia se tornado durante as décadas que passei na prisão; era assombroso para mim que um adolescente Inuit, vivendo no teto do mundo, pudesse assistir à liberação de um prisioneiro político na ponta do sul da África. A televisão havia encolhido o mundo, e nesse processo havia se tornado uma arma poderosa para a erradicação da ignorância e promoção da democracia." (MANDELA, 2012, p. 714)


Sábado, 26 de junho. Osasco.

Vejam só a observação de Nelson Mandela em 1990. Ele havia sido liberado da prisão após 27 anos. Estava visitando alguns países e numa passagem pelo Ártico para abastecer o avião, ele foi até a cerca da pista do aeroporto conversar com um grupo de jovens Inuit, mais conhecidos como esquimós.

Tanto Mandela como quase todo mundo achava que as tecnologias da informação e comunicação iriam melhorar o mundo, dentro daquela lógica de se compartilhar mais informação, conhecimento, contato entre as pessoas e povos do mundo e teríamos uma "erradicação da ignorância e promoção da democracia".

O mundo havia ficado pequeno e diminuía a cada dia. 

Uma década depois, em 2001, vimos ao vivo os aviões se chocando contra as torres gêmeas em Nova Iorque. Vimos ao vivo o Iraque ser bombardeado e destruído e a biblioteca de Bagdá desaparecer junto com toda a riqueza histórica que acumulava. 

Ao mesmo tempo, começavam os Fóruns Sociais Mundiais, com milhares de pessoas de todo o mundo se reunindo para discutir "Um outro mundo possível" na "aldeia global".

Em meados daquela década, nasceriam as redes sociais como o Orkut e depois o Facebook, o Twitter e o YouTube. Os blogs começaram a democratizar o espaço de fala na rede mundial de computadores. Nós nos entusiasmamos e achamos que a democracia na comunicação iria fazer a humanidade dar um salto positivo para o futuro. Qualquer pessoa poderia falar livremente, publicar, opinar e partilhar conhecimento.

Pouco mais de uma década depois, as grandes big techs já haviam mudado tudo. Poucas empresas dominaram todas as formas de comunicação no mundo. As informações de bilhões de pessoas passaram a ser utilizadas para manipular o comportamento humano e interferir em gostos, hábitos e na política dos países.

O povo, inocente até não caber mais, achava que poderia jogar fora suas bibliotecas porque qualquer informação que quisesse era só pesquisar no "Google"... doce ilusão! (Somos feitos de idiotas.). As informações virtuais existem hoje nos links e amanhã não existem mais (ERROR). Cadê a informação que estava aqui? O gato comeu! 

Pesquisar no "Google" significa, muitas vezes, que a palavra ou conceito que você pesquisou vai trazer como resposta a informação da empresa ou fonte que pagou mais para aparecer na primeira página e nas primeiras posições. Pesquisar palavras de determinado campo ideológico significa direcionamento proposital para tais fontes e bloqueio de outras. As esquerdas perderam milhões de acessos na última década por causa de programas de algoritmos.

Em muito pouco tempo, o que era uma ideia de "erradicação da ignorância e promoção da democracia", como pensou Nelson Mandela em 1990, se transformou num sistema mundial de divulgação de mentiras, de manipulação e incentivo à ignorância, negacionismo, ódio e desinformação global. Alguns sujeitos conseguem manipular milhões de humanos. Desacreditam a ciência, a geografia, a filosofia, matemática etc; vacina seria ruim, a Terra seria plana e aberrações do tipo. 

Estudos apontam que os seres humanos estão emburrecendo, que pela primeira vez em séculos as gerações seguintes não estão mais desenvolvidas intelectualmente que as gerações anteriores. Vi uma entrevista do neurocientista Miguel Nicolelis em 2020 (para Luis Nassif) na qual ele citava alguns desses estudos: perda de capacidade de comunicação e linguagem nos jovens norte-americanos, diminuição do quociente de inteligência nas gerações atuais etc.

Enfim, quis registrar isso ao ler a observação de Mandela em 1990.

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Um monstro mentiroso, um corrupto empedernido. Um ser com claros sinais de psicopatia. O inominável... 

O Brasil em uma década saiu de governos democráticos e populares, com distribuição de riquezas, oportunidades para todos, crescimento nos direitos do povo, perspectivas de futuro, para um país destruído, governado por hordas de gente racista, elitista, corrupta, um país cujo regime no poder não tem nenhum projeto para a melhoria de vida do povo brasileiro. Pelo contrário, um regime de morte, de banalidade do mal. Um regime de gente mentirosa, sem-vergonha, canalha. Um regime responsável pela morte de mais de meio milhão de pessoas, assassinadas por falta de medidas contra a pandemia mundial de Covid-19.

Nós já perdemos tantas pessoas conhecidas, queridas, de nosso convívio por toda uma vida, que é difícil falar sobre o tema. Do ano passado para cá, a todo momento vemos morrer nossos companheiros e companheiras de lutas pelo povo trabalhador e por um mundo mais junto e solidário. 

Entre as 1.593 pessoas que perderam a vida hoje para o coronavírus por causa do regime genocida que tem a pandemia como estratégia de governo, estava nosso companheiro de lutas Jeferson Boava, dos bancários de Campinas. Estivemos tanto tempo juntos nas lutas do Banco do Brasil... A minha tristeza pela morte de tantas pessoas é uma tristeza que dá uma gana interna de sobreviver a esse regime nazifascista e ver todos esses desgraçados caírem e nós vamos reconstruir nosso mundo após essa gente ser retirada do poder.

Companheiro Jeferson, presente!

(esses inimigos do povo vão cair, vão ter o que merecem. O povo brasileiro vai voltar a construir um futuro melhor para todos e todas)

William



Bibliografia:

MANDELA, Nelson. Longa caminhada até a liberdade. Tradução de Paulo Roberto Maciel Santos. Curitiba: Nossa Cultura, 2012.

sábado, 19 de junho de 2021

190621 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Manhã de sábado, dia frio em Osasco, São Paulo.

Não tive ânimo de registrar os sentimentos e acontecimentos pessoais e os fatos da política no Brasil e no mundo nos últimos dois dias. 

A vida humana na atualidade é marcada pela velocidade das informações, sobretudo pautada pelo tsunami de mentiras disseminadas de forma consciente e racional para manipular o comportamento de multidões de seres humanos como se gado fossem, rebanhos manipulados por berrantes tocando a boiada rumo ao matadouro.

O ministro da economia do regime de destruição do Brasil, o Paulo Ipiranga Guedes, disse nesta semana que a elite, que come bem demais, deveria dar seus restos de comida para os pobres comerem... ele diz isso e ninguém faz nada em relação a isso. Esse sujeito desprezível já disse tanta coisa nojenta a respeito do povo e dos pobres... esse legítimo representante da casa-grande brasileira só diz o que sua turma pensa. Ele tem história, aprendeu a ser o que é na ditadura chilena de Pinochet.

O genocida no poder mostra para todos que não vai sair do lugar onde nunca deveria ter estado porque é criminoso e porque foi colocado lá por diversas fraudes já comprovadas. Ele comete ilegalidades, contravenções, quebras de decoro, crimes e demais arbitrariedades previstas em lei e legislação, di-a-ri-a-men-te, e ninguém faz nada em relação a isso. Ele prepara uma guerra civil de consequências imprevisíveis e nada parece apeá-lo do poder. As instituições que poderiam interromper a tirania e guerra civil em andamento não tomam a atitude por serem covardes ou por serem corruptas e coniventes e se locupletarem com a situação trágica.

498.499 brasileiras e brasileiros morreram em decorrência da estratégia do regime genocida de incentivar que o povo brasileiro se infectasse logo com o Sars-Cov-2, o novo coronavírus. A decisão do regime liderado pelo clã miliciano equivale a fazer uma roleta russa com a vida do povo. Se temos mais de 200 milhões de pessoas, a estratégia equivaleria a morrer de 2 a 3 milhões de cidadãos. O genocida no poder diria: "E daí..." e "não sou coveiro". Essas informações não são coisa da minha cabeça, são informações das audiências da CPI sobre a pandemia de Covid-19, abertas ao público na internet. 

Nossos entes queridos falecidos, os 498.499 mortos - oficialmente - em decorrência dos efeitos da infecção por Covid-19, poderiam estar vivos e com saúde, os estudos apontam que de cada 4 mortos 3 poderiam ter se salvado caso as medidas existentes tivessem sido tomadas: vacinação, auxílio emergencial para o povo e para os micro e pequenos empresários e uma campanha nacional de informação massiva sobre isolamento social, uso de máscara e medidas de higienização. O regime no poder matou mais de 300 mil cidadãos, nossos conterrâneos.

A Covid-19 não é uma infecção por vírus semelhante a uma gripe, o que o genocida chamou de "gripezinha". Os estudos em andamento apontam que 20 a 30% das pessoas infectadas pelo vírus, mesmo quando foram pacientes assintomáticos e com sintomas leves, desenvolvem doenças crônicas e sequelas que podem durar para sempre. O professor e neurocientista Miguel Nicolelis, em seu podcast "Diário do front", episódio nº 9, citou um estudo feito nos Estados Unidos com 2 milhões de infectados pelo vírus que aponta que 23% (ou seja, quase meio milhão de pessoas) tiveram sequelas da doença: desenvolveram sintomas crônicos em órgãos os mais diversos possíveis - algo como uma "Covid crônica" (ouvir a partir do minuto 14 do podcast). A Covid-19 NÃO é uma merda de uma gripezinha!

Enfim, são tantas informações verídicas e factuais de ilegalidades e ações do regime no poder, ações que estão levando o povo brasileiro à morte e à miséria, que sofremos de forma insuportável ao vermos que a situação se perpetua a cada dia. Cada dia é um absurdo!

Teremos apagão. O povo ficará sem luz e sem água. O povo do Amapá foi salvo do apagão - após semanas de caos - pela nossa Eletrobras, que vai ser privatizada (dada) pelo regime nazifascista aos abutres que apoiam o projeto em andamento de destruição do Brasil. Não teremos luz, água, internet. Mas teremos um povo revoltado, com raiva, fome e medo. A parte que apoia o regime do mal está armada e é perigosa, é irracional e ignorante. As forças de repressão talvez matem mais ainda o povo, que já morre como nunca por ser povo, de pele parda ou escura, preta, marrom.

Como eu poderia comemorar ter chegado a minha faixa etária da vacina contra a Covid-19 em Osasco nesta semana? Eu e a esposa fomos vacinados. Mesmo esperando a nossa vez, eu me sinto um privilegiado ao lembrar de dezenas de pessoas que conhecia que já faleceram porque não tiveram essa chance básica de serem vacinadas pelo Estado. E as trabalhadoras da padaria aqui do lado? Que pegam ônibus lotado todo dia e ficam o dia inteiro atendendo gente sem estarem vacinadas?

Estou nas últimas partes do livro autobiográfico do líder negro sul-africano Nelson Mandela. São quase 800 páginas. Vi Mandela descrever mais de 75 anos de lutas do povo por sua liberdade e por seus direitos à igualdade. O regime no poder era uma minoria branca - os africânderes -, mas tinha o poder da força armada do Estado. O CNA e os negros lutaram décadas através das diversas formas de protestos e mobilizações não violentas enquanto entenderam que elas tinham algum efeito. Os nacionalistas reagiam com violência armada do Estado (o apartheid era lei). Mandela nos ensina que É O INIMIGO OPRESSOR QUEM DEFINE AS ARMAS. A liberdade do povo negro sul-africano só veio depois de mais de duas décadas de enfrentamento armado, da forma que dava, é claro (atentados contra estruturas do governo e guerrilhas)! Lutar contra as forças letais do Estado não é fácil. A África do Sul é um exemplo a ser estudado pelos povos do mundo que lutam por liberdade, justiça e igualdade.

É isso o que tinha para registro neste modesto blog de um ex-dirigente sindical. Sou um cidadão e tenho meus direitos humanos, direitos civis, políticos, sociais.

Mandela, quando começou o período de diálogo com o inimigo, tinha como uma de suas premissas para a deposição do enfrentamento armado uma sociedade não racial, na qual todos tivessem direitos políticos iguais: um homem, um voto. Até o golpe de Estado em 2016, eu acreditei na democracia mequetrefe que o Brasil tinha. As elites nunca perderam o poder, mesmo quando perdiam algumas eleições. Depois do golpe que interrompeu o melhor momento do povo brasileiro na história, eu não acredito mais na democracia que o Brasil tinha. Não acredito. "Cada pessoa, um voto" não funciona mais aqui, nem em outros lugares do mundo. As formas de manipulação de massas já superaram isso. Não sei mais em que acreditar. Não sei mesmo! O regime criminoso no poder já deixa claro que não vai sair do poder, independente do número apurado de votos em eventual eleição... como vamos resolver isso? A democracia não existe mais.

William


sábado, 12 de junho de 2021

120621 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

"Eu não estava interessado nos Hell's Angels, mas a questão mais ampla que me preocupava era se nós tínhamos, como Strini havia sugerido, nos prendido a uma forma de pensar que já não era mais revolucionária..." (MANDELA, 2012, p. 612)


Temos que pensar de forma revolucionária, temos que ter utopias!

Sábado, 12 de junho. Quando me levantei pouco depois das 6 horas da manhã, o dia estava com uma neblina rara de se ver. Queria terminar mais um capítulo da autobiografia de Nelson Mandela e às 7h já estava no texto.

Ontem, ouvi também um bate papo entre o jurista Pedro Serrano, o historiador Fernando Horta e o linguista Gustavo Conde que me deixou muito pensativo. Ouvir Pedro Serrano não é qualquer coisa para um militante de esquerda e para alguém que luta por justiça social. 

Serrano disse em suas reflexões que o tempo atual é de completa superficialidade nos pensamentos e nos conceitos, nos objetivos e nas questões contemporâneas. A esquerda e a direita são extremamente superficiais. E ele tem razão, na minha opinião. As causas são sempre focadas nas questões emergenciais e não há projetos com engajamentos para médio e longo prazo.

Ao ouvi-lo argumentando sobre a superficialidade das pessoas e dos projetos e objetivos das forças políticas e sociais, concordei com ele que precisamos recuperar os projetos e causas que nos norteiem o futuro coletivo, que nos apontem caminhos para salvar a humanidade e o mundo onde vivemos. Estamos falando em utopias! O que nos move? A que mundo pertencemos? 

Aí pego os exemplos tirados da leitura da autobiografia do líder negro sul-africano Nelson Mandela. A libertação do povo negro sul-africano e o fim do regime racial do apartheid só foi possível porque havia um projeto de futuro, coletivo, de todo um povo, que sofria e que queria mudar aquilo, queria a liberdade, a igualdade, queria usufruir tudo o que a terra pode oferecer a um povo e tudo o que a humanidade criou. E a luta em busca desse sonho, desse objetivo, durou décadas.

Repito a preocupação de Mandela, que citei acima: será que nossa forma de pensar já não é mais revolucionária? Nos acostumamos às merdas com as quais estamos lidando? Não sonhamos mais mudar a realidade?

Isso é sério! Temos que pensar a respeito disso, avaliar com franqueza qual tem sido o sentido de nosso viver e tomar decisões sobre o que queremos pessoal e coletivamente, para nós e para o mundo no qual vivemos.

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Tenho pensado a respeito disso, mesmo aos 52 anos de idade, mesmo fora do movimento organizado de lutas sociais ao qual participei por duas décadas. Avalio que estamos pensando de forma superficial, sim. Todos nós da esquerda. E não acho que vamos mudar a nossa história se não tivermos um projeto de mundo, de humanidade, de vivência para as próximas décadas e estratégias e táticas desenvolvidas para chegarmos lá; o "nós" aqui, o plural majestático, é porque estou falando de nós, nós humanos, nós humanidade, nós seres vivos.

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METÁFORA DA HORTA

"Uma horta era uma das poucas coisas na prisão que se podia controlar. Plantar uma semente, observá-la crescer, cuidar dela e então colhê-la, proporcionava uma satisfação simples, porém duradoura. A sensação de ser o zelador de um pequeno pedaço de terra oferecia um pequeno gosto de liberdade.
  De certa forma, eu via a horta como uma metáfora para certos aspectos da minha vida. Um líder também deve cuidar da sua horta; ele também planta sementes, e então observa, cultiva e colhe o resultado. A exemplo do jardineiro, um líder deve se responsabilizar pelo que cultiva; ele deve ocupar-se com seu trabalho, tentar repelir os inimigos, preservar o que pode ser preservado, e eliminar o que não pode prosperar.
" (p. 597/98)


Profunda essa metáfora que Mandela usa. Em certas situações na vida temos pouca ou nenhuma capacidade de controlar os acontecimentos. Mas sempre há coisas que podemos controlar minimamente, como nosso comportamento, por exemplo. Nossas atitudes são provocadas pelo mundo exterior a nós, é verdade, mas desenvolver técnicas e capacidade de controlar nossas atitudes é algo fundamental para um militante de esquerda e um lutador das causas sociais. Soube que isso é possível ao ser dirigente e líder das lutas dos bancários, negociador e gestor de entidades de classe.


O ENSINAMENTO EM "GUERRA E PAZ"

"Um livro que li muitas vezes foi o grande trabalho de Tolstói, Guerra e Paz (apesar de o título conter a palavra guerra, este livro era permitido). Fiquei particularmente fascinado pela descrição do General Kutuzov, a quem todos na corte russa subestimaram. Kutuzov derrotou Napoleão precisamente porque não foi seduzido pelos valores superficiais e efêmeros da corte, e tomou suas decisões com base em uma compreensão visceral de seus homens e seu povo. Isso me lembrou novamente que, para realmente liderar o seu povo, a pessoa deve também verdadeiramente conhecê-lo." (p. 601)


Outro grande momento do livro de Mandela foi essa passagem na qual ele cita uma obra clássica da literatura mundial, seus personagens e a vida real. Aliás, a citação fala da superficialidade da vida na corte, assim como Pedro Serrano dos tempos que correm.

"para realmente liderar o seu povo, a pessoa deve também verdadeiramente conhecê-lo"

Amig@s, essa é uma questão crucial. Por quase duas décadas fui dirigente sindical e por esse mesmo período de militância fiz trabalho de base junto aos trabalhadores que representava. Nunca deixei de estar nos locais de trabalho porque não conseguiria realizar nada das lutas que empreendi se não estivesse em relação aberta e franca com as pessoas que representava e, é claro, se não tivesse objetivos e utopias a perseguir e nortear meu caminho.

É isso.

Temos que ter utopias, temos que deixar de sermos superficiais, temos que desenvolver projetos e estratégias para salvar o planeta Terra e a humanidade. Entendo que essa é uma tarefa da esquerda. É uma tarefa que não vai a lugar algum sem o engajamento dos jovens e a participação das demais gerações que aqui estão.

William


Bibliografia:

MANDELA, Nelson. Longa caminhada até a liberdade. Tradução de Paulo Roberto Maciel Santos. Curitiba: Nossa Cultura, 2012.