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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Instantes



Sexta-feira. 

9h06. Poderia decidir hoje viajar para a China, em um grupo organizado pelo professor Lejeune Mirhan. O valor investido e a programação estão muito bons. Vi um chamado dele alertando para o prazo final de adesão. Refleti. Não vou pra China.

Estou meio mequetrefe, azedo. Faz quase duas semanas que fiz cirurgia na língua e ainda não consigo comer direito, mastigar coisas sólidas, duras. Que saco! Imagino quem tem problemas mais sérios que esse meu, imagino quem sente dor de verdade, não essa dorzinha incômoda que sinto, que foda deve ser... estou azedo!

Ontem, caminhei 11 Km em ritmo acelerado. Dias atrás, foram 8 Km. Por mais que saiba que meu quadril, meu corpo, estão sofrendo os efeitos da natureza e do tempo, e da genética e do percurso hard que percorri, a natureza da identidade da gente insiste em querer correr, fazer longas caminhadas, desafiar distâncias blá-blá-blá. Insistência também é nosso nome...

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21h48

Li mais um capítulo do livro Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana, da professora de economia Aline Marcondes Miglioli, um capítulo abordando a indústria do turismo sob a ótica do capitalismo (comentários aqui). É encantador ler e sair da leitura com reflexões e novos conhecimentos! Dificilmente verei o turismo que eu e a maioria de vocês fazemos com os mesmos olhos que via antes da leitura da autora.

Comecei a leitura da nova edição da revista CartaCapital, que recebi hoje. É uma leitura triste, são notícias sobre a realidade do Brasil e do mundo. A verdade factual entristece a gente.

Aí, meia hora atrás, estava vendo uma aula de meu amigo professor de português, Sérgio Gouveia, analisando um poema de Drummond, um de meus poetas favoritos, e fiquei admirado com a facilidade com a qual ele interpretava o poema "Elegia 1938", antes de entrar na parte da aula sobre orações subordinadas adjetivas e outras questões gramaticais. Cara, que facilidade o Gouveia tem para ler e decifrar um poema do Drummond, autor cujos poemas considero exigentes, alguns de difícil compreensão.

I'm a lucky man... Refleti que a vida, de certa forma, tratou de abrir veredas e caminhos que eu não planejei. No fim, eu não fui professor de português. Orações subordinadas, metonímias, metáforas... as veredas foram minha salvação. Olhando para trás, imagino que eu não teria dado certo como professor... gramática sempre me pareceu física quântica (que deve ser mais fácil, rsrs). Porém, é certo que tentei ser um sindicalista dedicado à classe trabalhadora que representava. 

Admirável a habilidade humana de educar e transmitir conhecimentos...

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(hoje, efetivamente, estou bolado com a questão da leucoplasia oral que descobri meses atrás e as consequências até agora, duas cirurgias para retirar as lesões na língua. Passei o dia com receios em relação a essa questão...)

domingo, 12 de abril de 2026

Diário e reflexões


"Vas  bien, Fidel!" (Camilo Cienfuegos)*

Refeição Cultural

Osasco, 12 de abril de 2026. Domingo.


"             William

                                       Sérgio Gouveia


Braços e pernas em equilíbrio.

Forte. Firme. Seguro.

Paixão.  Inteligência.


Seus óculos, com lentes sempre limpas,

filtram o que vê.

Sua língua, que também lhe preocupa,

escolhe o que fala.

Aulas. Aulas. Aulas.|


E ele se nos forma."


Tive a honra de ser presenteado com o poema "William", feito por meu amigo professor e poeta Sérgio Gouveia. Também tive a sorte de ser agraciado por uma dessas veredas da vida que nos colocou numa viagem juntos. A vida é oportunidade, é o que venho refletindo nos últimos anos de existência.

Hoje faz uma semana que nossa caravana solidária chegou de Cuba. Ainda estou digerindo as impressões e as experiências que vivenciamos, que vivenciei, nessa nova visita ao país socialista.

O acolhimento que tivemos por parte do povo cubano foi inesquecível, o afeto e a gratidão demonstrados a nós por estarmos lá num momento tão difícil ficará em meu coração. 

Nós do campo da esquerda também somos gratos ao povo cubano pelo exemplo que eles nos dão diariamente e há décadas, de que é possível sair da lógica capitalista e imperialista.

Quero e não quero escrever sobre Cuba... quero e não quero escrever sobre várias coisas que agitam as sinapses de meu cérebro...

Estou meio esquisito, acredito na ciência e não tenho mais encantos por abstrações (religiosas) que nossa espécie cria há milênios para dar sentidos ao mundo e à vida.

Sou um homem de sorte, tenho leitura clara sobre isso. Chegar até aqui na existência foi algo de muita sorte. Acasos e veredas percorridas fazendo caminhos que não existiam. Pegadas ficaram pelos caminhos em solos moles e duros.

Amanhã faço mais um procedimento chato na boca, descobri no ano passado uma leucoplasia na língua e tenho que acompanhar a reprodução irregular de células na região para o resto da vida... 

A ciência fará sua parte, os profissionais de saúde estão lá na Faculdade de Odontologia da USP para cuidar de nós e eu só tenho que agradecer por ter alguém acompanhando o meu caso.

Falar é importante para nós humanos. E olha que eu sempre pensei na importância de meus pés e meus olhos, porque caminhar, correr e ler são atos centrais na minha vida. Mas falar também é de nossa natureza humana... mesmo quando o melhor seja calar.

Sigamos! Vou caminhar ao sol e comer um pão com manteiga hoje. Amanhã e nos próximos dias não farei isso.

William


*Post Scriptum

Sobre a importância da língua e da fala e da comunicação em si, a frase dita por Camilo Cienfuegos a Fidel Castro "Vas bien, Fidel!" tem um contexto central sobre o comunicar-se bem de acordo com cada público ouvinte. 

O Comandante em Chefe Fidel Castro discursava ao povo cubano, já de noite, após a vitória e a marcha até a capital do país, Havana, quando pergunta ao companheiro Camilo Cienfuegos, um campesino revolucionário, se o discurso que ele estava fazendo ao povo simples estava bom, se ele se fazia entender, e Camilo, uma liderança popular, sem formação acadêmica como o próprio Fidel e o médico Ernesto Che Guevara, respondeu ao Comandante que ele estava no caminho certo da comunicação com o povo.

Comunicar-se bem é muito importante!