
No prefácio de Paulo Prado, de 1924, na apresentação da Poesia Pau-Brasil, com vários excertos do "Manifesto da Poesia Pau-Brasil", já se diz aos leitores sobre a radicalidade da obra.
TRECHOS DO PREFÁCIO
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Por ocasião da Descoberta do Brasil
ESCAPULÁRIO
No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia
FALAÇÃO (*este poema-programa é uma redução, com alterações, do "Manifesto da Poesia Pau-Brasil")
História do Brasil
Trecho da seção "Gandavo"
E nenhum pobre anda pelas portas
A mendigar como nestes Reinos
AS AVES
E emas tão grandes como as de África
Umas brancas e outras malhadas de negro
Que com uma asa levantada ao alto
Ao modo de vela latina
Correm com o vento
CIVILIZAÇÃO PERNAMBUCANA
E tão custosas
Que não se contentam com os tafetás
São tantas as joias com que se adornam
Que parecem chovidas em suas cabeças e gargantas
As pérolas e rubis e diamantes
Tudo são delícias
Não parece esta terra senão um retrato
Do terreal paraíso
Trecho da seção "J.M.P.S (da cidade do porto)"
VÍCIO NA FALA
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados
Comentário: Fabuloso! A poesia está nos fatos. Este é nosso retrato. "povo burro" = povo culto, puro e sábio
Poemas da colonização
O GRAMÁTICO
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada
RELICÁRIO
Foi o Conde d'Eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí
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O VIOLEIRO
Tive um gosto singulá
Em frente da casa tua
São vortas que a mundo dá
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rp 1
DITIRAMBO
Como um largo de igreja
Onde não há nem um sino
Nem um lápis
Nem uma sensualidade
Importação e Exportação
Açougue Ideal
Leiteria Moderna
Café do Papagaio
Armarinho União
No país sem pecados
Comentário: um poema substantivos...
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Postes da Light
ANHANGABAÚ
O cow-boy e a menina
Mas um sujeito de meias brancas
Passa depressa
No Viaduto de ferro
E esqueça-se das vicissitudes da vida
Na dura labuta de todos os dias
Não deve ninguém que se preze
Descuidar dos prazeres da alma
Comentário: e eu que deixei de exercer isso, heim!
PRONOMINAIS
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro
Comentário: - Pau-Brasil!!!
BIBLIOTECA NACIONAL
O Doutor Coppelius
Vamos com Ele
Senhorita Primavera
Código Civil Brasileiro
A arte de ganhar no bicho
O Orador Popular
O Pólo em Chamas
Comentário: de novo, substâncias... Pau-Brasil!!! Essas eram as leituras do Brasil de então...
DIGESTÃO
Depois do café e da pinga
O gozo de acender a palha
Enrolando o fumo
De Barbacena ou de Goiás
Cigarro cavado
Conversa sentada
HÍPICA
Cavalos da Penha
Correm jóqueis de Higienópolis
Os magnatas
As meninas
E a orquestra toca
Chá
Na sala de cocktails
Comentário: substâncias... a vida social. Este poema nos lembra o "Rondó dos cavalinhos", de Manuel Bandeira. Perfeita crítica social!
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PAISAGEM
A madrugada desbota
Uma pirâmide quebra o horizonte
Torres espirram do chão ainda escuro
Pontes trazem nos pulsos rios bramindo
Entre fogos
Tudo novo se desencapotando
Comentário: me lembra Drummond
LONGO DA LINHA
Aos dois
Aos três
Aos grupos
Altos
Baixos
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CANÇÃO DE REGRESSO À PÁTRIA
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para São Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo
Comentário: Oswald de Andrade também tem o seu poema "Recife"... ao modo de "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias.
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Enfim, o livro de Oswald de Andrade é tudo de bom!!









