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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

6. A Grã-Bretanha em perigo



Refeição Cultural

Coleção 70º Aniversário da II Guerra Mundial (1939-1945)


6. A Grã-Bretanha em perigo

* Os planos de invasão de Hitler

Em junho de 1940, a França já havia se rendido, e Adolf Hitler não duvidava que, muito em breve, a Grã-Bretanha tentaria negociar a paz.

* A batalha da Grã-Bretanha e a blitz de Londres

A Luftwaffe, a Força Aérea Alemã, vinha castigando a Marinha britânica no canal da Mancha desde junho de 1940. O objetivo do marechal do Terceiro Reich, Hermann Göring, era provocar a Força Aérea britânica para que entrasse em combate.

* Os homens que libertaram Belsen

As cenas testemunhadas pelas tropas britânicas no campo de concentração de Belsen, em 1945, causaram enorme impacto. Correspondentes de guerra, como Richard Dimbleby, revelaram ao mundo, em transmissões radiofônicas e numa única sequência filmada, os terríveis crimes cometidos pelos nazistas.

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COMENTÁRIO

Os documentários sobre fatos históricos poderiam servir para que gerações humanas futuras aprendessem com os erros do passado e não os repetissem no presente. 

A sociedade humana do século XXI sabe o que foi a 2a GM? O que a motivou, seus participantes e como ela terminou?

O que e quem define a pauta e a agenda de milhões de pessoas no mundo neste exato momento?

Tenho a impressão que não, que as pessoas não sabem nada disso que perguntei acima. Isso não é o que prevalece no cotidiano das massas.

Não é. 

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Ao ver os documentários da coleção de DVDs sobre aquela guerra e refletir sobre o momento atual do mundo com o conhecimento que tenho, vejo o quão próximo estamos de repetir todo aquele horror.

Os humanos ao meu redor (o mundo) poderiam repetir o que os nazistas fizeram com as pessoas que habitavam a própria Alemanha e as terras que decidiram se apropriar?

Sim.

Pessoas que pensam diferente de mim poderiam fazer comigo o que os nazistas fizeram com suas vítimas?

Sim.

Essa é a realidade no mundo humano em fevereiro de 2026.

Podemos mudar essa realidade? 

Sim.

Sabendo dessa possibilidade por ser consciente, acordo diariamente pensando em como posso contribuir para mudar a realidade. 

Escrever o que sei e penso é uma forma de contribuir com a sociedade humana. 

Sigamos adiante.

William 

09/02/26

sábado, 3 de janeiro de 2026

Acontecimentos imponderáveis apressam mudanças



Refeição Cultural

03/01/26


Opinião

Ao acordar, soube que os Estados Unidos bombardearam a Venezuela e sumiram com o presidente do país sul-americano, Nicolás Maduro. O objetivo do ataque dos norte-americanos é roubar o petróleo e as riquezas minerais do país. 

Anos antes, no Brasil das reservas petrolíferas do pré-sal, um golpe de Estado era executado no país para roubar o nosso petróleo. Os agentes norte-americanos tinham os lacaios necessários por aqui para executar o golpe "com o Supremo, com tudo".

Não foi preciso bombardear e matar brasileiros, pois temos a maior quantidade de traidores da pátria por metro quadrado no mundo. A operação Lava Jato e a casa-grande entregaram tudo, tudo, em troca de uns passeios na Disney.

O presente e o futuro imediato do Brasil, das Américas do Sul e Central e Caribe são incertos em todas as medidas, em todas as dimensões da vida. O imponderável foi causado pelos nossos inimigos de classe como estratégia para a mudança de cenário. 

Este blogueiro terá que ter muito foco e disciplina para levar adiante algumas tarefas que definiu para si. Escrever o que sabe será prioritário quando fazer volume em eventos políticos competir com a tarefa.

A sistematização e encadernação de seus milhares de textos produzidos nas últimas duas décadas deve ser sua prioridade. As big techs serão parte central nas guerras do momento. E as guerras são contra nós. 

Escrever o livro de memórias da CASSI também deve ser parte de seu cotidiano em 2026. Memórias só permanecem no mundo se estiverem registradas e preservadas em meios duráveis. Só nas minhas células não durarão muito. 

William Mendes


Post Scriptum

Horas antes, às 8h56, havia postado a seguinte declaração em meu perfil do Facebook:

SOLIDARIEDADE A VENEZUELA E SEU POVO, NOSSOS IRMÃOS SUL-AMERICANOS

O IMPONDERÁVEL (aquilo que está fora de nosso controle e que pode ser uma ação de nosso inimigo para mudar uma situação ou contexto, mudando um futuro possível e vislumbrado)

O ataque infame sofrido hoje pela Venezuela exige unidade da esquerda, pois nosso futuro está sob ameaça. Hoje Venezuela é bombardeada e recebe a morte através das armas do imperialismo, amanhã seremos nós.

domingo, 21 de setembro de 2025

Diário e reflexões


Bem-acompanhado: a juventude militante de Osasco

Refeição Cultural

Domingo, 21 de setembro de 2025.


O Brasil viveu um dia bom. O povo brasileiro foi para as ruas se manifestar como não fazia faz tempo. Fiquei feliz de ver a participação e a alegria no rosto das pessoas. Senti um clima bom, e digo isso porque sempre participei das movimentações de rua. Conheço manifestações de todos os tamanhos e tipos de público.

Os brasileiros atenderam ao chamado de ocupar as ruas por causa do abuso dos parlamentares canalhas que compõem o Congresso Nacional. Ocuparam as ruas em defesa da soberania nacional, em busca de direitos como a redução da jornada de trabalho e a escala 6x1, por isenção de imposto de renda para quem ganha menos - a imensa maioria do povo ganha até 5 mil reais por mês -, pela tributação dos ricos e para que aqueles canalhas do Congresso não votem anistia para golpistas e impunidade para eles mesmos.

Foi um dia importante para o povo e para o nosso país. Um dia importante para quem preza a democracia e a soberania popular.

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REFLETINDO...

Pensei em escrever várias vezes nos últimos dias e acabei não escrevendo. Não sei, acho que preciso dar um tempo.

São tantas coisas acontecendo no mundo, no Brasil, em minha vida, tantas coisas!

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Hoje foi o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, 21 de setembro. Dias atrás, viemos do interior de SP conversando com o Carlos Eduardo, uma pessoa com deficiência visual, e durante algumas horas pudemos conhecer um pouco da realidade das pessoas com essa deficiência. Carlos é um dos poucos deficientes visuais no Brasil com um cão-guia, o Chicó. Ficamos encantados com eles e eu fiquei pensativo desde aquele dia. Nós temos que fazer algo por milhões de deficientes visuais e pessoas com outras deficiências. Estou com isso na cabeça há dias. 

A política deveria servir para isso, para ajudar as pessoas, e não para uns fdp f... a vida de milhões de pessoas e a natureza em benefício próprio. Que ódio dessa gente canalha e mau-caráter que ocupa o mundo humano prejudicando a vida da maioria e o planeta!

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Ao assistir ao vídeo de despedida do canal Tempero Drag, de Guilherme Terreri, e a pausa nas aulas da personagem drag queen Rita von Hunty, fiquei deprimido, triste de verdade. Guilherme já foi até tema de um capítulo de meu livro de memórias sindicais (aqui) por sofrer os malditos processos de cancelamento na época das eleições de 2022 por se posicionar sobre uma questão básica: votar no primeiro turno em candidaturas que representavam o que ele acredita. Ao falar da questão do genocídio do povo palestino e a continuidade dessa tragédia neste momento da história humana eu também me identifiquei de alguma forma com o que Guilherme partilhou conosco. 

Fiquei pensando sobre minha própria impotência e a validade das coisas que escrevo. Meus milhares de textos nesta plataforma são só mais uma fonte de dados para serem roubados sem citação para treinar as IA dos desgraçados das big techs que estão acabando com a inteligência humana e a vida na Terra. Leitores de verdade dos meus textos, deve ser uma parcela ínfima dos milhares de acessos mensais nos três blogs nos quais escrevo.

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Como disse, minha cabeça está a mil, a milhão... não quero registrar mais nada por hoje do que vai no meu "coração": o curso sobre o capitalismo e o colapso ambiental, curso fantástico no qual estou participando, me deixou pensativo pra caralho: como impedir o fim do mundo? (sinto que não vai rolar só na "paz e amor" das manifestações de rua); a sempre difícil relação pessoal com meu passado sindical e presente fora da política; as questões de família; minha saúde indo pro beleléu etc.

Chega.

William

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Vendo filmes (XXXI)



Refeição Cultural

Lemon Tree (2008)

Direção: Eran Riklis e co-direção de Ira Riklis.

Com: Hiam Abbass, Ali Suliman, Danny Leshman, Rona Lipaz-Michael, Tarik Kopty, Amos Lavi, Lana Zreik e Amnon Wolf. 

Produção: Israel, Alemanha e França 


Sinopse: 

Uma viúva palestina, Salma (Hiam Abbass), vê seus limoeiros ameaçados quando o ministro da defesa de Israel, Navon, e sua esposa, Mira Navon, se mudam para a casa ao lado do pomar de Salma. A força de segurança israelense logo declara que os limoeiros colocam em risco a segurança do ministro e informa que eles precisam ser derrubados. Salma terá a ajuda do jovem advogado palestino Ziad Daud para ir até o Tribunal Supremo de Israel com a questão. 

Comentário:

Pelo que me lembro, vi este filme pouco depois de seu lançamento no Brasil. Fiquei impactado à época. Queria revê-lo já fazia um tempo.

Assistir ao filme agora, em pleno processo de genocídio do povo palestino, foi muito mais impactante que antes. 

É impossível não se sentir indignado com a injustiça que significa a ação do imperialismo norte-americano e do governo de Israel em relação ao povo palestino espremido na Faixa de Gaza e Cisjordânia após 1948.

Se já não bastasse todo o processo de ocupação da Palestina por israelenses após o término da 2a Guerra Mundial, expulsando o povo árabe que vivia ali há séculos numa divisão pra lá de controversa, e todos os avanços ilegais da ocupação até hoje, agora o mundo assiste à catástrofe humanitária de eliminação dos palestinos de sua terra. 

O filme se passa na fronteira entre áreas ocupadas por judeus em Israel e a Cisjordânia dos palestinos, em meados da primeira década deste século.

Os espectadores verão a tensão cotidiana na convivência entre judeus e palestinos. Há violências simbólicas nos abusos cometidos contra o povo palestino. E contra as mulheres do mundo...

Salma não aceita pacificamente a decisão monocrática do Estado de Israel de eliminar seu pomar de limões. 

No enredo, vamos perceber a questão da violência contra as mulheres, comum aos dois povos: árabes e judeus. 

Salma e Mira, em lados opostos, terão mais coisas em comum do que se poderia imaginar. 

Enfim, o filme é muito bom! Muito atual! E incomoda a gente, incomoda porque põe o dedo na ferida da causa palestina e das causas das mulheres.

Valeu muito rever Lemon Tree, que nos cativa do início ao fim, inclusive pelas cenas amenas que vemos como os momentos regados a limonadas.

William 


Post Scriptum: para ler comentário anterior sobre filmes é só clicar aqui.


quarta-feira, 23 de abril de 2025

Diário e reflexões


Pôr do sol no paraíso: Parque do Sabiá.

Refeição Cultural

Quarta-feira, 23 de abril de 2025.


Ando sem vontade de escrever. O pior é que escrever é um hábito de vida. Ao escrever, existo. Se não registrar alguma coisa, talvez eu nem exista. 

O adoecimento de minha mãe, nesses últimos dias, é um dos motivos de minha apatia. Minha leitura política da realidade do mundo é outro deles. No entanto, existo. Se existo, preciso escrever algo. Penso, logo existo...

Mãezinha dodói. Mas vai melhorar.

Fui a Uberlândia nesse feriado de Páscoa sem ter programado a ida. Minha mãe de 78 anos não estava bem e precisei ir até lá para dividir os cuidados com meus familiares. Ela pegou dengue ao mesmo tempo em que combate uma infecção de urina. E já é uma idosa com comorbidades como boa parte dos idosos. Vários familiares pegaram dengue por lá.

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A PERMANECER O INDIVIDUALISMO DO CAPITALISMO, PERECEREMOS TODOS, OS 99% MISERÁVEIS E O 1% ESTÚPIDO E CAPITALISTA. NÃO HÁ SAÍDA FORA DA COOPERAÇÃO SOCIAL

Por ter formação política e o conhecimento que acumulei na existência, fico refletindo sobre como deveria ser a sociedade humana neste momento da história e os porquês de estarmos cada dia numa condição social pior do que deveríamos estar.

Temos que superar o capitalismo antes que o capitalismo impossibilite a vida na Terra. Não sei se teremos tempo histórico para isso. Tenho dúvidas. Parece que os inimigos estão avançando e o nosso lado com ideais de uma sociedade mais cooperativa e sustentável vai perdendo a batalha pela vida.

A tecnologia que temos criado tende a permitir que os humanos não precisem mais trabalhar na produção de bens materiais necessários à vida. Cada vez menos humanos serão necessários nos cotidianos produtivos do mundo. O desemprego será de 70 a 80% da humanidade. Temos que distribuir a riqueza produzida e dedicarmos nosso tempo à evolução humana, com mais cultura, ciência e sociabilidade.

No entanto, se não mudarmos a forma como o mundo está organizado, pelo capitalismo neoliberal, haverá uma falência da sociedade humana e a destruição do planeta Terra será em um nível sem volta. E quem está discutindo e lutando pelo fim do capitalismo? As "esquerdas" com maiores volumes de militantes e eleitores não discutem mais o fim do capitalismo.

Mais uns anos e serei
mais um idoso do mundo.

A sociedade humana terá cada vez mais idosos, serão números impressionantes nas próximas décadas. Era para os Estados, as comunidades humanas, organizarem sistemas eficientes de assistência e cuidados para grandes grupos que necessitam de estruturas coletivas de apoio como idosos, deficientes e mães com crianças. Seria um dos maiores setores de mão de obra humana das sociedades do presente e futuro. Mas onde estão discutindo e organizando isso?

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Ao ver aquela casa dos meus pais com dois idosos cheios de comorbidades, uma idosa com 78 anos e um idoso com 82, vivendo praticamente sós nos afazeres de sobrevivência diária, e saber que essa já é a realidade da maioria dos domicílios familiares do país - idosos, pessoas com necessidades de auxílio e mães com crianças em milhões de lares -, fico desanimado ao ver que não há projetos para melhorar a vida dos 215 milhões de pessoas que vivem no Brasil.

Óbvio que o nosso governo do presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores tem projetos de melhorias para a vida do povo brasileiro. E poucos partidos políticos têm foco no bem-estar do povo. Poucos e o PT é um deles. O maior deles.

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A gente sente uma impotência grande ao ver a realidade e não conseguir mudá-la.

Eu sei que uma pessoa de esquerda não deve ser pessimista, temos que ter esperança num amanhã melhor porque somos seres históricos e fazemos a história... mas que tá foda, tá foda.

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A morte do Papa Francisco foi uma grande perda para nós neste momento da história do mundo. Falei a respeito semanas atrás (ler aqui).

Eu poderia escrever sobre alguns temas que estão em evidência na política geral e na questão particular do movimento sindical e da comunidade do Banco do Brasil. 

Minhas memórias - Acho que vou utilizar meu tempo para falar de coisas mais pessoais. Vou seguir sistematizando os milhares de textos que fiz nas últimas duas décadas. 

Pensamentos de meus pais - E vou organizar textos de meu pai e de minha mãe, ambos escreveram muita coisa e esses documentos são a nossa história, a história de uma família brasileira.

William


sexta-feira, 4 de abril de 2025

Livro: Cachorro Velho - Teresa Cárdenas



Refeição Cultural 

Abril de 2025


"Até parecia que todos queriam lhe tirar alguma coisa: o senhor o arrebatara à sua mãe; o fogo levara Aroni, a contadora de histórias; sua memória perdia pedaços de Ulundi; o vento lhe roubara a manta e o chapéu; e agora a vida ou a morte, ainda não sabia ao certo, estava lhe tirando pouco a pouco os sentidos. Nesse passo, não levaria para o além nada que prestasse. Mas também, no lugar para onde iria, nada lhe faria falta." (Cachorro Velho, Teresa Cárdenas, 2021, p. 100)


Que história! Que retrato da nossa história! Somos todos nós descendentes da invasão ("colonização") europeia violenta, genocida e bárbara!

Na gênese dos povos das Américas e Caribe existe um passado comum, uma espécie de pecado original: a escravidão. 

A origem de nossas comunidades atuais está marcada com o sangue, o suor e as lágrimas dos povos africanos sequestrados e seus afrodescententes escravizados.

A escritora cubana Teresa Cárdenas é muito habilidosa na sua técnica narrativa. O livro Cachorro Velho (2006) é envolvente da primeira à última página. Difícil largar a leitura antes do fim.

A história de Cachorro Velho, de Beira, Aísa e todas as pessoas escravizadas naquela Cuba do século XIX é duríssima, é de cortar o coração dos leitores.

Livro indispensável nos tempos atuais. História comovente.

Ganhei o livro de presente de aniversário de esposa e filho.

Recomendo muito a leitura.

William 

 

segunda-feira, 3 de março de 2025

Poema 20: Ainda estou aqui


AINDA ESTOU AQUI


Eunice Paiva vê notícias de Rubens na TV,

seu olhar antes distante, reconhece o instante. 

Marcelo percebe o momento de Eunice:

ainda estou aqui.


Há dez anos, Marcelo dividiu conosco

a história de Eunice e de sua família.

Graças à Comissão da Verdade e Dilma

as novas gerações puderam saber

a verdade da ditadura que não passou na TV.


Fernanda Torres e Selton Mello deram vida

nas telas do cinema à história de Eunice,

Rubens, Marcelo Paiva e família.

Na direção, Walter Salles mostrou ao mundo

os olhares de nossas divas fernandas.


Agora o mundo conhece 

Fernanda Torres e Eunice Paiva.

Através da leitura, cultura e pela sétima arte,

fica o alerta ao perigo da atualidade:

Ditadura nunca mais! Sem anistia pra golpista!


William 

03/03/25

(Uma homenagem a Eunice e família e ao cinema brasileiro pelo Oscar)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Poema 18: Canalhas não merecem viver


CANALHAS NÃO MERECEM VIVER


Canalha, o dicionário ensina

é gente vil, escória social, ralé,

é pessoa infame, um biltre, um patife.

Completo: um ser que não merece viver.


A cena do ciclista morto por nada...

A idosa sendo mordida e chutada...

O fardado matando o jovem na calçada...

Canalhas! Essa gente não merece viver.


Canalha rentista, que manipula a bolsa;

que bate em frentista; de fala racista;

que agride e humilha o entregador.

Essa ralé que usa talher, viver não merece. 


Por culpa desses patifes, tá foda a vida.

Tem canalha fardado, pé de chinelo, 

canalha eleito, canalha padre, pastor,

canalha de Porsche, jatinho, rolex.


Canalha que rouba orçamento público,

que só faz lei que fode o povão,

que corta direitos, que impede o pão.

Canalhas, repito, não merecem viver.


Tem canalha cheio da grana, ladrão!

Que só rouba pobre, seus irmãos.

Que maltrata idoso, mulher e criança.

Que destrói a natureza, nossa mãe.


Tem canalha que mata e mutila

em ritmo de indústria... genocida!

Gente vil, sofistas! Que só fazem sofrer.

Canalhas, concluo, não merecem viver.


(Defendam a democracia! Em regime autoritário prevalece o arbítrio do canalha)


William

18/02/25


quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Livro: Ainda estou aqui - Marcelo Rubens Paiva



Refeição Cultural

Janeiro de 2025


"No entanto, enquanto seu raciocínio está confuso, ela pega a minha mão esquerda, mais fechada do que a direita, e a abre com carinho, dedo a dedo, para alongá-la. Como faz há trinta e cinco anos, desde os primeiros dias em que me viu numa UTI paralisado. Seguindo uma recomendação da fisioterapia: alongar sempre que der a mão do filho tetraplégico, para não atrofiá-la. Um instinto materno poderoso atravessa o choque e o caos em que vive, e ela faz aquilo que rotineiramente foi parte da vida, cuida do filho." (p. 250)


Terminei a leitura do excelente livro de Marcelo Rubens Paiva - Ainda estou aqui, publicado em 2015. Uma história tocante, que nos leva às lágrimas em alguns momentos. Eu me emocionei muito.

Comprei o livro por causa do filme homônimo, dirigido por Walter Salles, e protagonizado por Fernanda Torres (Eunice Paiva), Selton Mello (Rubens Paiva) e Fernanda Montenegro, no papel de Eunice Paiva na fase final da doença Alzheimer. Fiquei impactado pelo filme (comentário aqui).

Busquei no livro que deu origem ao filme mais detalhes e pormenores sobre a tragédia vivida pela família Paiva.

Marcelo Rubens Paiva nos apresenta sua mãe, Eunice Paiva, e os leitores vão conhecendo todo o drama que a família viveu ao ter a rotina quebrada abruptamente num dia de verão de janeiro de 1971 após agentes da ditadura entrarem em sua casa e sequestrarem Rubens Paiva.

No meu caso, me impactou muito a questão da doença enfrentada por Eunice Paiva e a família anos depois de viverem o drama dos anos de chumbo e as consequências oriundas da desorganização da vida de todos eles por causa da ausência de Rubens Paiva.

A questão da memória e a perda da memória, e nossa própria identidade, me deixou muito pensativo. Tenho enfrentado essa questão do apagamento da memória, não por doença, mas de forma proposital no mundo da política, e ando sensível ao tema.

Em um dos últimos capítulos, a gente percebe o quanto o destino foi ingrato com Eunice, se podemos dizer algo assim, pois quando a vida parecia entrar naquela fase de aproveitar a aposentadoria, vem o Alzheimer e tudo se altera novamente. 

E, no entanto, Marcelo aborda a doença da mãe de uma forma tão sensível e amorosa que nos emociona o tempo todo.

"Ficar ao seu lado é como ficar ao lado de um bebê, mas não é. Ela está lá. Sua história está com ela, foi vivida por ela. Ela é minha mãe, que cuidou dos meus ataques de bronquite, da minha inconsequência juvenil, tratou de mim na UTI, em hospitais, negociou operações, não interferiu nos meus planos ou projetos literários, massageou a minha mão para não atrofiar, fez a revisão dos meus primeiros textos, inclusive dos meus primeiros livros, fez meu imposto de renda por anos, reviu meus contratos, me levou para a AACD, me hospedou no Rio, não perdeu uma estreia de filme, peça ou lançamento de livro meu, deu entrevistas ao meu lado, me ensinou e fez o Brasil repensar." (p. 260)

Enfim, um grande livro, amigas e amigos leitores. Para ler todos os comentários que fiz sobre a obra do autor é só clicar aqui.

Fiquei muito tocado com a leitura. Ainda estou tocado e emotivo com a história de Eunice Paiva e sua família.

William 


Bibliografia:

PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. 1ª ed. - Rio de Janeiro: Alfaguara, 2015.


domingo, 8 de dezembro de 2024

Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva (4)



Refeição Cultural 

"Eu deveria vingar a morte do meu pai? Comprar um revólver e ir, de um em um, atirar na cabeça? Com dezessete, dezoito, dezenove anos eu não era maluco o suficiente para partir pra guerra. Era da paz. Era um pacifista. Alguns nomes dos torturadores envolvidos já tinham sido divulgados nas declarações oficiais do próprio Tribunal Militar. Bastava consultar o catálogo telefônico do Rio de Janeiro e ir de um em um, sabe quem eu sou?, pá, sabe de quem sou filho? pá, olha pra mim, pá. Mas lutar pela democratização seria uma vingança mais efetiva, e esperar que a Justiça numa nova democracia fizesse a sua parte. O que espero até hoje." (p. 194)


Demais essa declaração do Marcelo Rubens Paiva! Tiro o chapéu para ele.

Estou na terceira parte do livro. Marcelo fala bastante de sua mãe, Eunice Paiva. Nessa parte falou também de seu período de estudos universitários. 

Toda vez que é abordada a progressão do Alzheimer em sua mãe, eu fico muito abalado. Acho uma sacanagem da natureza alguém ter essa doença. 

A cada página contando a história de Eunice e Marcelo e suas irmãs, mais aumenta meu respeito e admiração por todos eles.

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Li notícia hoje que está parado há dez anos os pedidos de julgamento dos responsáveis pelo assassinato de Rubens Paiva. Alguns acusados estão vivos, livres, leves e soltos entre nós...

A família espera por justiça até hoje! Todos nós esperamos por justiça para esses casos de crimes praticados pelo Estado brasileiro. 

William Mendes 


domingo, 17 de novembro de 2024

Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva (3)



Refeição Cultural 

"Minha mãe nunca perdoou a incrível falha de segurança, o amadorismo, a imprudência: vir do Chile com uma carta escondida, no avião mais queimado do país, com o telefone do marido escrito no envelope; prepotência e descuido das organizações de esquerda, que colocaram duas famílias com crianças no fogo cruzado, os Viveiros de Castro e os Paiva." (p. 173)


A Parte 2 do livro de Marcelo Rubens Paiva termina com o capítulo "O sacrifício". Os leitores descobrem os motivos pelos quais a ditadura sequestrou Rubens Paiva e o matou sob tortura.

O capítulo é muito difícil de se ler...

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Estou cansado. Cansado de muita coisa. Confesso. 

Assistimos ao filme "Ainda estou aqui", baseado neste livro, esta semana. Extraordinário! Sensível!

Mas ando cansado. A ditadura e a tortura não acabaram. Não acabaram! 

A Globo ainda está por aqui. Faz a mesma merda contra o Brasil e os brasileiros desde 1965.

Biden (EUA) veio ao Brasil hoje autorizar da Amazônia que a Ucrânia use mísseis deles contra a Rússia. Só pra humilhar a gente.

Estamos morrendo envenenados pelos caras do agro e os empresários das igrejas estão bilionários roubando os miseráveis. 

As BETs dominaram tudo. Roubam dos miseráveis o que sobrar dos roubos dos pastores das igrejas. 

A ditadura da Faria Lima (casa-grande) colocou um neto de ditador pra encher o rabo deles com o nosso orçamento público. Para encher o cu deles de grana tem que cortar no social.

A ditadura e a tortura não acabaram no Brasil. 

E eu comendo o veneno do agro! Vamos todos morrer de câncer, se outra morte não nos pegar antes. 

Todos morrendo pelas mãos da ditadura do capital e seus poderosos capitalistas. 

Uns caras mortais, uns merdas, e a gente deixa...

E o Gonet... o Bolsonaro é o sinal de que tá tudo liberado para eles.

Tô cansado! 

E a porra do nosso sindicato que não me deixou sequer falar do centenário da entidade? Que gente mais pequena, mesquinha... 

William 


terça-feira, 12 de novembro de 2024

Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva (2)



Refeição Cultural 

"A suspeita se confirmou. Rubens foi preso. Rubens foi internado. Rubens estava na mira. Todos estavam. Era a ditadura. Já tinham prendido velhos intelectuais, editores, jornalistas, humoristas, professores, sindicalistas, deputados, militares, cantores, músicos, atores, diretores de teatro, de cinema, escritores, estudantes, padres, freiras, juristas, freis. Tinha escuta telefônica por todo lado. Interceptação de cartas e telegramas. O cerco estava apertado. Rubens caiu. Rubens foi internado." (p. 126)


A Parte 2 do livro de Marcelo Rubens Paiva é dura, são lembranças que o escritor compartilha com os leitores de momentos dramáticos na vida da família.

No capítulo "Merda de ditadura" o escritor faz um apanhado do golpe de Estado, antecedentes, atos institucionais, a fuga de Rubens Paiva num primeiro momento e a volta. História do Brasil!

No seguinte, "É a peste, Augustin - Perdão, tenho que morrer", os primeiros anos no Rio de Janeiro, após o golpe.

E no capítulo "O telefone tocou", Marcelo nos conta o sequestro de seu pai pelos "gorilas" em pleno feriado ensolarado da cidade. A descrição dos agentes da ditadura na casa da família é incrível...

REDE DA LEGALIDADE 

A família só descobriu em 2014, por causa da Comissão Nacional da Verdade, uma gravação nos arquivos da Rádio Nacional com a voz de Rubens Paiva em um discurso convidando outras rádios a aderirem ao movimento. (p. 97)

Que história! Nossa história, do povo que sempre lutou por um país mais justo, com distribuição de riqueza e que respeite todas as pessoas. 

Seguimos na leitura.

William Mendes 


Ainda estou aqui, de Marcelo Rubens Paiva (1)



Refeição Cultural 

"A memória é uma mágica não desvendada. Um truque da vida. Uma memória não se acumula sobre a outra, mas do lado. A memória recente não é resgatada antes da milésima. Elas se embaralham..." (p. 18)


A MEMÓRIA É UMA MÁGICA 

Marcelo Rubens Paiva descreve com sensibilidade a questão da memória no começo do livro. Sua mãe, Eunice, está com Alzheimer no momento da enunciação do texto, por volta de 2014.

O escritor me pegou de jeito porque uma das coisas que mais temo é alguma doença ou evento que afete o que sou, um ser humano mortal com uma única vida vivida a partir das experiências de meu cérebro, esse organizador do que sou.

Na primeira sentada para ler, já se foram os primeiros três capítulos: "Onde é aqui?", "A água que não era mais do mar" e "Blá-blá-blá...". 

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CANHOTOS ERAM UMA ABERRAÇÃO 

"(...) ela me contou que na escola seu apelido era Italianinha, o que a deixava furiosa, e que davam reguadas na mão esquerda para forçá-la a escrever com a direita, quando o mundo pedagógico achava que canhotos eram uma aberração e que deveriam ser destros." (p. 46/47)

Cara, a mãe do autor, Eunice, passou pelo mesmo caso que eu! Canhotos que foram impedidos de serem sinistros (rsrs) por serem considerados aberrações...

Quem descobriu que eu era canhoto foi a Maria Luíza, colega do Banco do Brasil, em meados dos anos noventa, na agência Rua Clélia. Depois, ao indagar sobre a questão, minha mãe me contou que na época era comum a sociedade tentar endireitar um canhoto.

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A PAZ QUE NUNCA MAIS ENCONTREI

"Minha rotina era de uma paz que nunca mais encontrei." (p. 66)

Cara, que descrição de uma época da vida!

Na hora, vi a vida que vivi até os dez anos de idade no Rio Pequeno, em São Paulo... 

Acho que nunca mais encontrei a paz...

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ADOLESCÊNCIAS: DIVERSAS E ÚNICAS, MAS IGUAIS

Os dois capítulos que fecham a Parte 1 do livro - "Cometas da memória" e "Mãe-protocolo" - me lembraram a infância e adolescência. 

Marcelo Rubens Paiva conta a vida dele, de jovem da classe média alta, diria, mas sua história é um pouco o espelho da história de todos nós, independentemente da classe social.

Os amores platônicos da infância e adolescência. Quase toda memória terá dos seus: Valéria, Márcia, Marael, Simone, Eliane, Ione.

O autor foi detido pela polícia numa moto 125 CC sem habilitação em 1976. Eu fui detido numa CG 125 sem habilitação voltando do trabalho de madrugada, mais ou menos no final de 1987. Trabalhava na lanchonete New Dog. 

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CONHECENDO EUNICE E MARCELO

O leitor termina a leitura da Parte 1 conhecendo bem Eunice, mãe de Marcelo Rubens Paiva, um dos cinco filhos do casal.

O pai, Rubens Paiva, desapareceu quando o autor-narrador tinha onze anos (1971), a família teve mudanças radicais na vida até o momento em que Marcelo sofre um acidente e fica tetraplégico em 1979. 

Que leitura até aqui! Me fez reviver minhas lembranças enquanto conhecia as lembranças de Marcelo, e enquanto conhecia também sua mãe, Eunice.

Sigamos na leitura...

William 


sábado, 7 de setembro de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Sábado, 7 de setembro de 2024.


Como planejado, acordei cedo neste sábado e fui para o 30º Grito dos Excluídos e Excluídas na Praça da Sé, em São Paulo. Dia de sol e calor intenso.

No trem e no metrô, observei o que já conheço há décadas. Nos finais de semana e feriados, os passageiros dos transportes públicos não são os mesmos que pegam o trenzão de segunda a sexta. Tem muito mais crianças e famílias. Até os marreteiros do "shopping trem" apresentam produtos diferentes.

Como estava sem celular, não tinha como ser capturado pelas big techs. Meu passatempo foi observar o movimento.

Além de todos os atrativos culturais da grande São Paulo nos finais de semana, três eventos relativos à data atrairiam pessoas neste sábado. O Desfile do 7 de setembro, no Anhembi, o Grito dos Excluídos na Sé e a manifestação golpista convocada pelos bolsonaristas para a Avenida Paulista.

Fossem outros tempos, uma pessoa politizada e progressista não ficaria triste ao ver no trem algumas pessoas claramente das classes exploradas pelas elites vestidas com trajes verdes e amarelos e com bandeirinha do Brasil. Fiquei triste porque parte daquela gente trabalhadora do trenzão provavelmente iria para a Paulista, ouvir as merdas dos extremistas de direita, que manipulam o povo para benefício da casa-grande.

Chegando à Praça da Sé, a primeira coisa que vi foram as filas das pessoas em situação de rua para pegarem lanches de café da manhã fornecidos pela coordenação do Grito dos Excluídos. Dai comida a quem tem fome!

O lema do Grito dos Excluídos neste ano foi "Todas as formas de vida importam. Mas quem se importa?". Segundo matéria na página de nossa central sindical (CUT), o Grito nasceu no Brasil a partir da atuação das pastorais sociais ligadas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e se firmou como um espaço de denúncia das desigualdades sociais.


A manifestação durou cerca de três horas. Encontrei pouquíssima gente conhecida. Me parece que a cada ano diminui a participação de dirigentes sindicais da categoria à qual militei a vida toda. Os pronunciamentos das lideranças foram legais, algumas falas foram potentes. Conversei bastante sobre política e sobre o movimento sindical bancário com os companheiros que encontrei.

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À tarde, já em casa, fiquei aliviado ao descobrir que a participação golpista da Avenida Paulista foi pequena em termos de volume de pessoas. O bolsonarismo não conseguiu colocar muita gente na manifestação. Melhor assim.

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MINISTRO DO GOVERNO DEMITIDO POR ACUSAÇÕES DE ASSÉDIO SEXUAL

Ontem foi um dia muito triste para nós que militamos nos movimentos de esquerda e que lutam por um mundo melhor, mais justo e igualitário. 

Denúncias de assédio sexual vieram a público contra um dos ministros do governo Lula, Silvio Almeida, e o presidente o demitiu, afirmando apoio e solidariedade às vítimas de qualquer tipo de assédio e tomando o cuidado de dizer que a presunção de inocência deve prevalecer durante os processos de investigação. Uma das pessoas apontadas como vítima é também ministra do governo, Anielle Franco. Nossa solidariedade às vítimas de assédio.

Quaisquer que sejam as conclusões das investigações, os danos estão feitos. É tudo muito triste, muito decepcionante. Imagino que boa parte das pessoas de esquerda, progressistas e que militam nas causas que lutamos acordaram bem tristes hoje.

Enfim, temos que seguir. Os seres humanos são únicos na natureza por sua característica contraditória. Mas somos seres históricos e fazemos a história todos os dias.

ELEIÇÕES MUNICIPAIS


Estamos no período eleitoral e o papel de cada um de nós é conscientizar a classe trabalhadora e exercermos a democracia da forma que as condições materiais atuais nos permitem, mesmo sendo aqui uma plutocracia.

Eu apoio e peço voto para as amigas e amigos (e)leitores de São Paulo em Guilherme Boulos para prefeito e em Luna Zarattini 13131 para vereadora. 

Em Osasco, apoio e peço voto a Emídio para prefeito e ao coletivo JuntOz 13713 para a Câmara de vereadores.

Temos muitas candidatas e candidatos progressistas, inclusive de nossa categoria bancária, para melhorarmos a vida nas cidades do Brasil. Participem e conquistem votos para nossas candidaturas progressistas e humanistas.

William Mendes


segunda-feira, 26 de agosto de 2024

93 de 100 dias



DIPLOMAÇÃO DA RESISTÊNCIA

93. Estive hoje em nossa Universidade de São Paulo, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), para uma reparação histórica, a Diplomação da Resistência a 15 jovens estudantes que foram vítimas da ditadura brasileira, a diplomação é um projeto de iniciativa do mandato da vereadora Luna Zarattini (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, em parceria com a USP, em especial com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento e o IGc-USP).

Foi uma data histórica e necessária a Diplomação das jovens mulheres e homens que lutaram pela liberdade de todos nós e não puderam concluir suas graduações por causa da violência da ditadura civil-militar que se instalou no Brasil a partir de 1964. A iniciativa é um resgate da trajetória desses estudantes e contribui para a manutenção da memória coletiva de todos nós.

Linhas de Sampa,
sempre presente!

O evento foi muito emotivo! Como um cidadão paulistano formado pela FFLCH-USP e militante do movimento estudantil e sindical senti fortes emoções durante a cerimônia de reparação histórica e diplomação das guerreiras e guerreiros que lutaram por todos nós. A reparação e o resgate histórico demoraram décadas, mas foi uma homenagem importante aos familiares e amig@s das e dos estudantes.

Conforme informação do site da Universidade (publicação de 12/8/24):

"A iniciativa faz parte de um projeto mais amplo, a Diplomação da Resistência, que busca homenagear ao todo 31 estudantes da USP e é fruto de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), Pró-Reitoria de Graduação (PRG), Gabinete da vereadora e ex-aluna da USP Luna Zarattini e o coletivo de estudantes Vermelhecer. 'Essa homenagem concedida aos ex-estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que foi substituída pela atual FFLCH, tem uma importância simbólica imensa', destaca Paulo Martins, professor e diretor da FFLCH."

Diplomação

Alexandre Vannucchi Leme, Instituto de Geociências (IGc) (dez/2023)
Ronaldo Queiroz, Instituto de Geociências (IGc) (dez/2023)

e hoje:

Antonio Benetazzo, Filosofia
Carlos Eduardo Pires Fleury, Filosofia
Catarina Helena Abi-Eçab, Filosofia
Fernando Borges de Paula Ferreira, Ciências Sociais
Francisco José de Oliveira, Ciências Sociais
Helenira Resende de Souza Nazareth, Letras
Ísis Dias de Oliveira, Ciências Sociais
Jane Vanini, Ciências Sociais
João Antônio Santos Abi-Eçab, Filosofia
Luiz Eduardo da Rocha Merlino, História
Maria Regina Marcondes Pinto, Ciências Sociais
Ruy Carlos Vieira Berbert, Letras
Sérgio Roberto Corrêa, Ciências Sociais
Suely Yumiko Kanayama, Letras
Tito de Alencar Lima, Ciências Sociais
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Como aluno da FFLCH e militante das causas populares, deixo aqui a minha gratidão a cada pessoa que participou dessa luta histórica. Deixo meu agradecimento especial para a companheira Luna Zarattini, que honra a memória de seu avô e todas as lideranças que lutaram pela nossa democracia e liberdade.

William Mendes


Fonte das informações: site da USP e página do mandato de Luna Zarattini

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

89 de 100 dias



ELEIÇÕES MUNICIPAIS

89. A gente procura esperança nas pequenas coisas. No final do dia, ao ir a feira em frente ao condomínio, vi jovens do Partido dos Trabalhadores em campanha para a Câmara Municipal de Osasco. Chegando em casa, fui conferir as propostas de Heber Farias, Matheus Oliveira e Gabi Bueno, da chapa JuntOz 13713, a renovação do PT em Osasco. Adorei esses jovens. Vou ler mais a respeito deles e acompanhá-los. Fiquei feliz em saber da candidatura dessa moçada!

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E vejam o quanto é importante respirar esperança vendo a juventude progressista e humanista se envolvendo com política e se colocando à disposição para ser votada e eleita por nós, a classe trabalhadora. Depois de um tempo sem muito tesão para fazer campanha política conversando com dezenas de pessoas estranhas para convidá-las à participação política, vi o trabalho da jovem mulher Luna Zarattini 13131 e sua garra e firmeza diária me fez esperançar de novo. Às vezes, é quase enxugar gelo lutar contra o dinheiro da plutocracia, mas jovens na política como Luna são a esperança de um presente e futuro melhor. Peço voto e apoio a Luna Zarattini em São Paulo Capital.

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LUTAR CONTRA FASCISTAS E EXTREMA-DIREITA

Se não fossem essas esperanças nas juventudes progressistas, eu não sei se aguentaria tanta injustiça e tanta criminalidade impune como acontece diariamente no Brasil. Canalhas candidatos como um desqualificado condenado por roubar clientes de banco e um embusteiro enganador de pessoas não estarem presos e impedidos de praticar todo o mal que praticam contra milhares de pessoas é desalentador. Antes de ser politizado, eu compartilhava o pensamento comum de fazer justiça com as próprias mãos. Depois me humanizei com o movimento sindical. Mas juro que entendo como as pessoas passam a defender essas ideias de fazer justiça com as próprias mãos ao verem vagabundos como esse "coach" de merda, vagabundos impunes e imparáveis porque o sistema de freios da sociedade não funciona.

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NEM PUBLICO O QUE PENSO DE BANQUEIROS E DA GESTÃO DO GOVERNO PAULISTA

Por fim e ainda na linha de quase não suportar as injustiças, eu nem vou escrever o que penso dos banqueiros e da força de repressão do governo de São Paulo, porque o que eu penso sobre eles é impublicável. Hoje, numa atividade de trabalhadores da categoria bancária aqui em São Paulo, atividade de campanha salarial, a polícia do governador agrediu violentamente nossos companheiros e companheiras, inclusive o nosso deputado estadual Marcolino. Toda a nossa solidariedade ao movimento sindical e à categoria. 

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William Mendes


sexta-feira, 16 de agosto de 2024

83 de 100 dias



ELEIÇÕES 2024

83. Hoje foi dia de lançamento das campanhas das candidaturas a vereadoras e vereadores das câmaras legislativas e para as prefeituras de mais de cinco mil e quinhentas cidades brasileiras. Nossa democracia está ameaçada com o avanço dos autoritários e extremistas de direita, por isso temos que lutar por ela.

Será fundamental que estimulemos a participação massiva das pessoas para fortalecer nossa frágil democracia, que na realidade se comporta como uma plutocracia: o dinheiro e os poderosos são os mais propensos a se estabelecerem nas funções públicas do país. Lutemos contra essa injustiça! Cada dia é dia de politizar as pessoas e a classe trabalhadora.

Democracia de verdade é quando os interesses do povo estão no centro das propostas e debates. Direitos humanos básicos como alimentação, moradia, saúde e educação precisam estar no foco das políticas públicas. Atendidos esses direitos básicos, temos que desenvolver políticas de trabalhos dignos e bem remunerados, sistemas de transporte público de qualidade, segurança, cultura e lazer.

Participei com um grupo de companheiras e companheiros de uma panfletagem em estações de metrô da região do Butantã e o diálogo com a população foi bem interessante.

Estou convencido que a melhor candidatura para a prefeitura de São Paulo é a chapa de Guilherme Boulos e Marta Suplicy, são pessoas e partidos que têm como centro de suas preocupações o que descrevi acima como essência da democracia: mais direitos para o povo!

A apresentação para as pessoas da nossa candidata a vereadora, Luna Zarattini 13131, jovem mulher guerreira e incansável na luta por direitos para o povo paulistano, também foi muito bem recebida pela população. Tive diálogos interessantes com as pessoas.

É isso! Campanha na rua!

Cada um de nós - cidadãos conscientes e politizados - deve contribuir da forma que puder para estimular a participação de todas as pessoas no exercício de seu direito de voto. 

Eu me lembrei da última vez que fiz campanha eleitoral quando era funcionário da ativa no Banco do Brasil. As dezenas de reuniões que fazia sempre enaltecia a importância da participação e do voto, mesmo que não fosse em nossas propostas.

Sigamos politizando as pessoas.

William Mendes


quinta-feira, 15 de agosto de 2024

Artigo de Frei Gilvander sobre analfabetismo religioso


Frei Gilvander está ao centro, entre
companheiras e companheiros em Havana, Cuba.


Apresentação do blog:

Conheci Frei Gilvander Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em uma viagem que fizemos a Cuba no início deste ano. Uma figura extraordinária, um ser humano que ilumina os ambientes por onde passa e nos inspira com seu jeito descontraído e engajado nas causas populares.

Este artigo sobre analfabetismo religioso me deixou bastante reflexivo e por isso pedi a ele que me permitisse compartilhar com as leitoras e leitores do blog as suas reflexões.

Eu fui muito religioso até perto dos trinta anos de idade. Sei por conhecimento de vida a importância e o poder das religiosidades e da fé das pessoas no cotidiano de vida e nas decisões que as pessoas tomam. Não tenho mais visão religiosa da existência, mas sei o poder da fé, e tenho respeito pela religiosidade das pessoas.

Eu avalio que dificilmente alguém consiga imaginar o poder da fé se nunca tiver tido concepção religiosa da vida. E por isso a gente precisa sempre fazer aquele exercício de se colocar na condição da outra pessoa, se não para concordar com ela, ao menos para tentar entender por que as pessoas agem como agem.

Leiam o artigo didático do Frei Gilvander e reflitam.

William Mendes

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Analfabetismo religioso empurra o povo para a extrema direita

Por frei Gilvander Moreira¹


Em Contagem, MG, de 2 a 4 de agosto de 2024, aconteceu o VII Encontro Mineiro de Fé e Política, melhor dizendo, de Fé Política, com participação de lideranças religiosas e populares de muitos municípios do estado de Minas Gerais. Foi muito bom. Eis uma questão central discutida no Encontro: a questão religiosa no Brasil, especificamente, e de forma geral em todo mundo, se tornou uma brutal questão política que não pode mais ser ignorada, sob o risco de a extrema direita retomar em breve o controle do Poder Executivo federal, nos municípios e nos estados, e abocanhar também o Poder Legislativo nos municípios, nos estados e ampliar ainda mais sua presença hegemônica na Câmara Federal e no Senado. 


Se a parte das Igrejas que buscam ser libertadoras, os Movimentos Sociais Populares, os Partidos Políticos de Esquerda e as pessoas cidadãs, enfim, a militância que luta pela superação da barbárie cada vez mais brutal nos dias de hoje perpetrada pelos capitalistas, não levar a sério os desafios que a Questão Religiosa está nos impondo, estaremos acelerando as mudanças climáticas com eventos extremos cada vez mais frequentes e letais, a “queda do céu” na linguagem do xamã ianomâmi Davi Kopenawa, o Apocalipse final da humanidade será adiantado com muita velocidade, pois o negacionismo e o egocentrismo da extrema direita darão as últimas punhaladas no planeta Terra, que já está quase todo despelado e na UTI por estar sendo sacrificado no altar do mercado idolatrado, puxado pelo ogronegócio que mata indiscriminadamente de muitas formas. 

Atualmente a maioria hegemônica dos mais de 26 mil padres e milhares de pastores (neo)pentecostais existentes no Brasil seguem o paradigma religioso fundamentalista, espiritualizante e moralista, o que na prática nega a encarnação de Deus na história, ignora a dimensão social do Evangelho do mestre Galileu e vira as costas para o ensinamento revolucionário e o compromisso de Jesus Cristo com as pessoas violentadas pelo sistema escravocrata do império romano, pelos saduceus (os ricos piedosos da época) e exploradas pelo legalismo do sinédrio dominado pelos saduceus. 

Eis uma pergunta crucial: Por que e como se construiu este contexto religioso fundamentalista, espiritualista e moralista, que na prática nega os avanços promovidos pelo Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965, sob a liderança dos papas João XXIII e Paulo VI, e ridiculariza a Opção pelos Pobres batizada pelos bispos latino-americanos em Medelín, na Colômbia, em 1968, confirmada em Puebla, no México, em 1979, consagrada em Santo Domingos, em 1992, e referendada em Aparecida, em 2007? 

Também no seio das Igrejas evangélicas, mesmo as históricas, o Conselho Mundial de Igrejas, com sua orientação aberta e na direção da Paz, Justiça e cuidado com a criação, tem sido ignorado e combatido pelos setores mais espiritualistas das Igrejas. 

Estamos vivendo atualmente no Brasil, na América afrolatíndia, na África e no mundo capitalista ocidental as consequências brutais de dois projetos político-religiosos muito bem arquitetados. Um que está muito bem descrito no livro Os Demônios descem do Norte, de Délcio Monteiro de Lima, 1ª edição de 1987. Quando a Teologia da Libertação, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e as Pastorais Sociais estavam de fato sendo sementeiras de Movimentos Sociais Populares e contribuindo decisivamente na construção do Partido dos Trabalhadores (PT, fundado em 10/02/1980), da Central Única dos Trabalhadores (CUT, fundada em 28/08/1983), do sindicalismo combativo no meio do campesinato e nas fábricas nas grandes cidades, contribuindo na criação do Movimento dos Trabalhados Rurais Sem Terra (MST, criado em janeiro de 1984), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI, criado em 1971), fortalecendo a luta por direitos dos Povos Originários (Povos Indígenas), a Comissão Pastoral da Terra (CPT, criada em junho de 1975), animando e assessorando a criação de Sindicatos de Trabalhadores Rurais (STRs) combativos e oposição sindical aguerrida na luta pela terra e Reforma Agrária, em contexto de efervescência de milhares de Movimentos Sociais Populares lutando por direitos dos povos nas periferias das cidades e no campo brasileiro, os ideólogos do imperialismo dos Estados Unidos fizeram análise da conjuntura internacional e alertaram o Governo dos EUA e a elite do capitalismo mundial que se a Teologia da Libertação com a prática das dinâmicas CEBs, em perspectiva libertadora, continuasse se desenvolvendo no Brasil e na América Latina, os povos colonizados da América Afrolatíndia estariam gestando sua emancipação e deixariam de ser colônias, iriam parar de pagar dívida externa e iriam frear a truculência das empresas transnacionais que sufocavam as empresas nacionais. 

Os ideólogos recomendaram aos chefes do imperialismo estadunidense a exportação da Renovação Carismática para o Brasil e América Afrolatíndia. Nos Estados Unidos, assim como na Europa, os movimentos de orientação pentecostal ou carismática faziam uma leitura espiritualista da fé pouco ligada à vida cotidiana e aos desafios sociais e políticos, mas não eram em si parte de uma espécie de Cruzada de direita católica ou protestante. Ao ser exportado para o Brasil com apoio de muitos enriquecidos da elite econômica brasileira, se instalaram na igreja católica e nas igrejas evangélicas, quando as chamadas igrejas eletrônicas já ensaiavam o projeto “pequenas igrejas, grandes negócios”, com Davi Miranda, na Igreja Deus é Amor, Edir Macedo, na Igreja Universal do Reino de Deus, e uma espiral de igrejas pentecostais ou neopentecostais. 

Este modelo fundamentalista, espiritualista e moralista de igreja está funcionando há mais de 40 anos a todo vapor e estilhaçando os esforços de lutas coletivas por direitos no Brasil e na América Afrolatíndia. Há teses de doutorado que demonstram o estrago que estas igrejas (neo)pentecostais têm feito no meio dos Povos Indígenas, Quilombolas e em Assentamentos de reforma agrária, por exemplo. Ao primar pela relação eu-deus, “cada um por si”, individualização da bênção de Deus, o espírito e a mística que anima lutar em conjunto são desvalorizados. Assim, fazem o jogo que interessa aos capitalistas, pois quanto mais individualizadas e isoladas as pessoas, mais os capitalistas exploram a todos/as. Atrair o povo para o interno das igrejas e propor cultos várias vezes por semana é uma forma de impedir a participação do povo sofrido nas lutas coletivas por direitos. Muitos alegam “não posso ir participar de uma reunião, de uma assembleia ou de uma luta concreta por direitos, porque tenho que ir para o culto na minha igreja.”

Outro projeto político-religioso, do qual estamos sofrendo as consequências dramáticas aconteceu nos 34 anos de pontificados de João Paulo II e Bento XVI, de 16/10/1978 a 28/02/2013, que foram dois papas que incensaram e fomentaram aos quatro ventos os movimentos religiosos espiritualistas, moralistas, fundamentalistas, tais como Legionários de Cristo, Comunhão e Libertação, Renovação Carismática, que desaguaram na aparição de um grande número de “Novas Comunidades” com estilo medieval e Institutos bancados economicamente por empresários e que se dedicam a fazer apenas caridade aos empobrecidos. Criaram as chamadas “TVs católicas”, como a TV Rede Vida e a TV Canção Nova, que tiveram apoio econômico do banqueiro José Eduardo Andrade Viera, dono do Banco Bamerindus, que chegou a ter mil agências no Brasil. 

Papas conservadores nomeavam padres conservadores para serem bispos, que escolhiam padres conservadores para serem reitores de seminários, que acolhem jovens vocacionados que vêm de famílias integrantes de movimentos espiritualistas e fundamentalistas. Assim, em efeito dominó se disseminou o paradigma religioso fundamentalista, espiritualista e moralista na igreja católica e de modo parecido nas igrejas (neo)pentecostais. 

Nesta aliança não confessada entre o imperialismo dos EUA, os papas João Paulo II e Bento XVI e os grandes bispos das igrejas (neo)pentecostais, o povo chicoteado diariamente pela horripilante injustiça socioeconômica foi empurrado para os braços da extrema direita política, os fascistas. Isto pavimentou o caminho para a eleição de um presidente que “só sabia matar”, não tinha empatia pelo povo que sobrevivia asfixiado pelo capitalismo e pela pandemia da Covid-19. 

Os espertalhões da política profissional asquerosa sabem que a história demonstra que o fenômeno religioso existe e não pode ser ignorado, é ambíguo e “feliz” quem se apropria dele e o canaliza para realizar seus interesses. Como Mussolini e Hitler, que se diziam religiosos e apregoavam “Deus acima de tudo…”, os fascistas no Brasil abocanharam a dimensão religiosa das pessoas e coloram na esquerda a pecha de ser “comunista” e “ateia”. Lutar por direitos e pelo bem comum deixou de ser visto como algo ensinado por Jesus Cristo e que se encontra no coração de todas as grandes tradições espirituais da humanidade: a compaixão no Budismo, a misericórdia no Islamismo e o senso de justiça na espiritualidade afrodescendente, hoje, tão frequentemente vítima de discriminações e violências do racismo religioso.

A esquerda tradicional ou clássica deixou de ser a referência primordial para o povo empobrecido, porque via de regra ignora a dimensão religiosa das pessoas, considerando “religião como ópio do povo” e justifica a luta por direitos apenas com argumentos filosóficos e sociológicos das ciências humanas, mas o povo simples se rege pelas pré-compreensões religiosas que definem grande parte das suas opções na vida.  

Eis dois exemplos concretos: Nas cinco Marchas que fizemos da Ocupação Dandara, na região norte de Belo Horizonte, 28 km a pé até o centro da capital mineira, observei um fato interessante ao animar a Marcha, ao lado do carro do som no microfone; enquanto o povo marchava, mais de 1000 pessoas, eu ia chamando as lideranças das Brigadas Populares, advogados populares, militantes da Rede de Apoio, para se revezar no microfone e animar a caminhada. Enquanto falavam os militantes dos Movimentos Sociais Populares, a argumentação para animar a Marcha de luta por terra e moradia adequada era exclusivamente sociológica, filosófica e jurídica. Diziam “nós estamos na luta por moradia, porque está escrito na Constituição de 1988 que a propriedade tem que cumprir a função social, que temos direito à terra, à moradia e a muitos outros direitos.” Após todas as lideranças falarem no microfone, eu disse: “Povo de luta, irmãos e irmãos, quem quiser usar a palavra aqui no microfone, venha pra cá, por favor.” As pessoas da Ocupação Dandara começaram a falar e o que mais foi ecoado foram hinos religiosos, orações pedindo para Deus impedir o despejo, desabafo tipo “Deus, não aguento mais a cruz do aluguel, tenho quatro filhos para criar e meu companheiro está preso. Deus, socorre-nos! Senhor Deus, toca no coração do juiz para não autorizar o despejo. Senhor, abranda o coração do prefeito”.  

Em uma Assembleia com o Povo na Ocupação Rosa Leão, na Izidora, uma pastora pegou o microfone e começou a cantar: “Quando nós aqui ocupamos, o Senhor já estava na ocupação. Quando nós aqui chegamos, o Senhor já estava passeando na Ocupação… ”Enfim, com profunda fé, o povo animava a luta por terra e moradia. Aprendemos a gritar juntos: “Com luta e com fé as casas ficam em pé!” 

Todas as ciências humanas são imprescindíveis, inclusive a teologia. Em uma sociedade religiosa não dá para ser analfabeto religioso. A Teologia da Libertação já demonstrou que quanto mais a pessoa está sufocada, desempregada, superexplorada, adoecida, quanto mais crucificada, humilhada, mais ela sente a necessidade de recorrer à dimensão espiritual. Os povos indígenas são doutores nesse assunto porque nas lutas eles cantam o tempo todo, invocam seus ancestrais. O cacique Arapowanã do Povo Xukuri-Kariri gosta de dizer: “Lutemos 30%, pois o Grande Espírito lutará os outros 70% por nós”. A mística e espiritualidade das Religiões de matriz africana – Candomblé, Umbanda etc. – reconhecem e celebram a sacralidade da natureza. Mística e espiritualidade animam as lutas dos povos Originários e Tradicionais. 

Ao observar os sinais dos tempos e dos lugares, vejo que este megaprojeto de dominação está todo podre e começando a se desintegrar, porque suas contradições estão vindo à tona. Apenas no primeiro semestre de 2024, mais de 80 pastores foram presos porque tinham cometido crimes: corrupção, pedofilia, feminicídio etc.

Enfim, é hora de superarmos o analfabetismo religioso, o que passa para quem é pessoa cristã por não abrir mão da ética e de nenhum princípio originário libertador ensinado e testemunho por Jesus Cristo, que combateu o bom combate, foi bom samaritano, mas também enfrentou os opressores e os exploradores dos poderes político, econômico e religioso. É assustador e muito preocupante o que está acontecendo por influência das práticas religiosas fundamentalistas, a serviço da extrema direita. Suas lideranças estão ocupando espaços públicos significativos. De fato, não se sustentam. Entretanto, é fato também que a religião é identidade mobilizadora do nosso povo e isso deve ser, de alguma forma, considerado na construção de narrativas, mobilizações no campo popular, a serviço de melhor compreensão do mundo, da história, como alfabetização política mesmo.  

13/8/2024

1)  Frei e padre da Ordem dos Carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese e Hermenêutica Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas. 

Email: gilvanderlm@gmail.com 

www.gilvander.org.br - www.freigilvander.blogspot.com.br - www.twitter.com/gilvanderluis - Facebook: Gilvander Moreira III

2) Unidade de Terapia Intensiva.

3) Comissão Pastoral da Terra (CPT), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Pastoral Operária (PO), Pastoral Carcerária, entre outras.


Fonte: Jornalistas Livres. Pedi autorização de Frei Gilvander para publicar texto aqui no blog (o blog respeita a opinião do articulista, e não necessariamente concorda com todo o teor do texto)