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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Livro: Zé Dirceu - Memórias Volume I



Refeição Cultural

"Quem lê, lê para quê? Para encontrar, ou para encontrar-se? Quando um leitor assoma à entrada de um livro, é para conhecê-lo, ou para se reconhecer a si mesmo nele? Quer o leitor que a leitura seja uma viagem de descobridor pelo mundo do poeta (designo agora por poesia, se me permite, todo o trabalho literário), ou, sem o querer confessar, suspeita que essa viagem não será mais do que um simples pisar novo das suas próprias e conhecidas veredas?" (Último caderno de Lanzarote, José Saramago)


Como quase tudo em minha vida, foi por acaso que topei com essa sabedoria citada acima do grande escritor José Saramago. No fundo, eu quase que não precisaria dizer mais nada sobre a minha relação com o livro de memórias do Zé Dirceu. É tudo isso que Saramago disse... tudo isso. 

José Dirceu terminou a revisão de suas memórias em julho de 2018. Publicou a primeira edição em agosto daquele ano. Já havia enfrentado períodos na prisão. O presidente Lula havia sido preso em abril de 2018, em uma operação criminosa para a tomada do poder no Brasil. Lula ficaria naquela masmorra por 580 dias, até ser solto por ser inocente, assim como José Dirceu.

Eu acabava de voltar para São Paulo em junho de 2018, após trabalhar quatro anos em Brasília. Eu estava vivendo o meu inferno pessoal. Voltei para casa após um processo de lawfare que montaram contra mim para me tirarem da representação política, com mentiras inventadas para destruírem minha história de lutas. Arquivaram aquelas mentiras infundadas quando eu já não era nada, carta fora do baralho. Moramos os primeiros meses em SP entre caixas e sacos de mudanças num apartamento alugado, enquanto reformava nossa casa fechada há anos. 

Minha Via Crucis durou bem menos que a de figuras de grandeza política como Lula, Zé Dirceu, Genoino, Gushiken e Vaccari. Durou menos que a de companheiros do movimento sindical, perseguidos em processos inventados e que passaram anos se defendendo de algo que não fizeram. Após dois anos de martírio, tendo cumprido os prazos legais de tempo de contribuição ao nosso fundo de pensão, saí do banco público para o qual dediquei o melhor de minha vida. Veio a pandemia de Covid, que aumentou o meu isolamento por um longo tempo. Foi difícil retomar a vida. A experiência serviu para admirar cada vez mais lideranças como essas que citei.

Enfim, talvez eu tenha comprado o livro do Zé Dirceu, assim que foi lançado em 2018, com todas aquelas indagações que José Saramago brilhantemente faz em suas reflexões mágicas sobre o que os leitores esperam encontrar nos livros e nas leituras que fazem.

Aquele ano foi tão difícil para mim, para nós que dedicamos a nossa vida para um Brasil e um mundo melhor, mais justo e solidário, com maiores oportunidades para a imensa maioria do povão, as gentes de onde viemos enquanto classe trabalhadora, que tudo que li naquele ano se perdeu, eu não estava prestando para nada vivendo meu pequeno inferno astral. 

Cheguei a ler quase duzentas páginas das memórias do Zé Dirceu. Parei. Li outros livros. Não me lembro de nada que li naquele ano. De vez em quando recebia notícias de que eu iria enfrentar processos também, depois não mais... Veio aquela campanha política fraudulenta, sem Lula que venceria as eleições, e que colocou o clã Bolsonaro no poder. Vieram as destruições de tudo de nosso querido Brasil. Veio a pandemia... Vieram os milhares de mortos diariamente, mortes causadas por aquela gente que tomou o país por golpe.

Eu fui retomar a leitura do livro de memórias do Zé Dirceu anos depois, em 2024, com o Brasil vivendo já outro contexto, um país sobrevivente daqueles quatro anos de desgraça bolsonarista. Mas um país fraturado, cheio de feridas e cicatrizes, com tudo mudado. Li de novo umas cento e cinquenta páginas, fui em um encontro com o companheiro Zé Dirceu no diretório do PT da Lapa. Peguei seu autógrafo. Acabei não dando sequência na leitura, por outros motivos, por estar lendo compulsivamente um monte de livros.

Enfim, semanas atrás, peguei o livro de memórias do Zé e comecei a leitura desde o início, a primeira terça parte do livro eu li três vezes. E fui dando sequência na leitura, fazendo minhas postagens de comentários sobre os fatos narrados de nossa história, pois é a nossa história que está ali registrada no livro do Zé Dirceu. E cheguei ao fim da leitura emocionado. Foi uma grande experiência pessoal ler o livro do companheiro neste momento da história de nosso país e do mundo. E minha também.

Se for comparar com algum outro livro no qual eu tenha refletido e compreendido o que eu era enquanto militante e dirigente político de uma categoria profissional importante da classe trabalhadora brasileira, eu diria que o livro do Zé Dirceu foi para mim como a leitura do livro da Denise Paraná, Lula, o filho do Brasil (Ler comentário aqui). Ali, entendi quem eu era, de onde vim, o que defendia, como fazia política e qual era o meu pertencimento enquanto militante da CUT, do PT e da Articulação Sindical.

Como o livro foi uma verdadeira refeição cultural, tema principal do meu blog, eu fui postando curtas observações, sempre lembrando que o ideal é a leitura integral do livro, amigas e amigos leitores. 

Meus comentários estão nos textos que fui tecendo ao longo da leitura, e o primeiro deles pode ser lido aqui e os seguintes no link de cada postagem. São 16 textos no total. Só não comentei o epílogo e os anexos, que são excelente! Recomendo a leitura.

É isso! Desejo ao companheiro Zé Dirceu sucesso em sua campanha para deputado federal, ele concorre por São Paulo com o número 1368. Fiquei muito feliz com a notícia do resultado positivo em seu tratamento contra um câncer. Saúde e vida longa, grande guerreiro do povo brasileiro!

E sigamos nas lutas para reeleger o presidente Lula e o time do Lula nas duras eleições que estamos disputando contra uma extrema-direita internacional, desejosa que tomar o Brasil de novo, como fez com o golpe de 2016 e com o bolsonarismo.

Não passarão! Vamos vencer e manter a soberania do Brasil!

Dia 4 de outubro É LULA PRESIDENTE!

William Mendes

15/09/26

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (16)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


14/09/26

Faltam vinte dias para as eleições brasileiras. Temos que reeleger o presidente Lula 13 e mudar São Paulo, elegendo Fernando Haddad 13 governador para reverter a trágica gestão de Tarcísio de Freitas. 

Temos que fortalecer a luta das mulheres progressistas, por isso temos que eleger Marina 180 e Simone 400 senadoras por SP.

E é fundamental elegermos a jovem e aguerrida companheira Luna Zarattini deputada federal 1302. O presidente Lula convocou nossa vereadora paulistana Luna para mudarmos a cara do Congresso Nacional, hoje inimigo do povo. 

Também peço votos para nosso companheiro Marcolino a deputado estadual 13310. Trabalhamos juntos pelos bancários e conheço sua capacidade de conquistar direitos para o povo. Marcolino fez excelente mandato e merece ser eleito novamente. 

NOTA DE PESAR: hoje nos despedimos de duas lideranças populares que dedicaram suas vidas ao povo trabalhador e desassistido pelos poderes públicos. Arthur Henrique, ex-presidente de nossa Central Única dos Trabalhadores (CUT), faleceu em Campinas, e Maria do Carmo, a Cacá como era conhecida por nós no PT do Butantã, faleceu em São Paulo. Duas referências de todos nós que lutamos por um mundo mais justo e solidário. Arthur, presente! Cacá, presente!

Sigamos na leitura das memórias do Zé Dirceu, as memórias que ele nos conta são registros das lutas de todos nós, lutas pelo Brasil e pelo povo brasileiro. 

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32. O MENSALÃO 

Explode uma crise que sinaliza o começo do fim

O capítulo me trouxe muitas recordações daquele ano de 2005. Eu estava representando como dirigente eleito uma grande categoria profissional, os bancários, e senti na pele o clima odioso contra a esquerda, clima criado pela mídia da casa-grande. 

É absolutamente verdadeiro o que Zé Dirceu descreve sobre o papel da imprensa golpista na criação de uma crise para derrubar o primeiro presidente brasileiro oriundo da classe trabalhadora. 

Vivemos uma tentativa de blitzkrieg, uma guerra do PIG e seus comparsas na casa-grande para interromper o governo Lula. O jornalista Paulo H. Amorim lançou a expressão "PIG" para nominar o Partido da Imprensa Golpista. 

Zé Dirceu nos conta sobre as dores imensas que sofreu ao ser massacrado pelas mentiras inventadas por Roberto Jefferson (PTB) e pelo cancelamento que sofreu dentro do próprio partido. Foram tempos duríssimos.

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33. O PAPEL DO JORNAL 

A Folha de S.Paulo quer o impeachment de Lula, mas a oposição prefere deixar Lula sangrar 

Ufa! Que final duro teve este capítulo... Zé Dirceu foi pressionado a renunciar ao mandato parlamentar, eleito por 513 mil eleitores paulistas, e sua companheira Maria Rita o convence a lutar para provar sua inocência. 

Fogo amigo

Entre as páginas 439 e 441, Zé Dirceu descreve fatos que lhe dão o sentimento de que aceleraram seu processo de cassação com alguns apoios do nosso lado, do partido e do governo. 

"Porém, iniciou-se um movimento subterrâneo na Câmara, com sinais perceptíveis vindos do governo, para votar o relatório do Conselho de Ética antes do recesso parlamentar de 15 de dezembro." (p. 441)

Como militante e leitor, fico me perguntando onde Zé Dirceu encontrou e encontra tanta força para superar seus desafios... grande ser humano!

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34. VIVER PARA OUVIR 

"Zé, você foi cassado porque não comprou votos contra sua cassação"

"Era um relatório político sem nenhum fato, nenhuma prova, ato de ofício ou indício. E apenas uma testemunha me acusava, numa peça de ficção: Roberto Jefferson. 

     A Câmara me cassou sem o inquérito policial estar concluído, sem o procurador-geral da República me denunciar, e sem provas..." (p. 444)

Zé Dirceu conta aos leitores a jornada que iniciou para provar sua inocência, luta que levou vários anos para se alcançar justiça e inocência. 

Fala também sobre os ministros do Supremo, as indicações de Lula e Dilma, suas divergências e opiniões. É muito atual para o que estamos vendo na crise do STF neste momento, às vésperas das eleições de 2026.

Nosso companheiro anuncia que vai escrever um segundo livro de memórias para retratar suas lutas a partir de 2007.

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COMENTÁRIO FINAL 

A leitura das memórias do companheiro Zé Dirceu não poderia ser uma leitura rápida de minha parte. 

Vivi no mesmo Brasil descrito por ele, fui um agente político e liderança da classe trabalhadora na mesma época de parte dessas lutas descritas pelo líder político Zé Dirceu. 

Faltam agora umas 30 páginas pra finalizar esses registros da história do grande Zé Dirceu. 

Para ler um comentário geral sobre a leitura do livro é só clicar aqui.

William Mendes

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (15)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


Quinta-feira chuvosa. Estou firme na leitura das memórias do companheiro Zé Dirceu. 

Quero acabar a leitura. Sempre que lemos grandes livros, no tamanho e no conteúdo de qualidade, chega um momento no qual queremos terminar a tarefa empreendida.

Vamos lá!

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27. QUEDA DE BRAÇO 

No meio de uma reunião convocada pelo presidente Lula, uma briga: José Dirceu versus Antônio Palocci

Primeiro ano de governo Lula e Palocci e Meirelles (BC) propõem autonomia do Banco Central. Defendiam mais juros e mais superávit.

Zé Dirceu afirma que "O poder da Fazenda era total e Palocci o exercia com maestria..." (p. 361)

As prioridades da Casa Civil eram o Bolsa Família e o Desmatamento Zero (p. 362). Informa que o Pronaf iria crescer dez vezes (p. 363).

Fortalecer o mercado interno:

"Lula foi tecendo um caminho do meio para evitar o custo social do ajuste e engendrar uma política anticíclica de novo tipo, criando demanda via Bolsa Família, crédito consignado, salário mínimo e benefícios da assistência social e previdência. Quer dizer, induzindo na prática a retomada do investimento, apesar dos altos juros e do baixo investimento público." (p. 363)

Lula forçou os bancos públicos a atenderem o pequeno, o pobre, o excluído, o trabalhador. (p. 364)

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28. DO BRASIL PARA O MUNDO 

Contra a vontade da Globo e da oposição, o Bolsa Família é um sucesso e vira notícia mundial 

Neste capítulo, Zé Dirceu relembra fatos importantes do primeiro governo Lula, com destaque para a efetivação do Bolsa Família, muito atacado pela Globo e pelas elites. 

Uma questão complexa foi a reforma da Previdência. O foco do governo era a aposentadoria dos servidores públicos, principalmente as altas aposentadorias do legislativo, do judiciário e dos militares: 

"Salta à vista a iniquidade, afora o fato de que, no INSS, são 22 milhões de beneficiados enquanto no serviço público não alcançam 2 milhões." (p. 368)

Mesmo com o foco descrito acima, Zé Dirceu afirma nas memórias que é irreal pedir uma Previdência Social sem déficit no Brasil por diversos fatores econômicos que beneficiam o andar de cima.

"Faço essa observação para me posicionar perante a reforma da Previdência do governo Lula, que encontrou forte resistência no partido, nas bancadas, na esquerda, nos sindicatos, nas universidades e no serviço público." (p. 370)

A política de aumento real do salário mínimo foi outro grande acerto do governo Lula. Participei das marchas sindicais cutistas dessa luta histórica!

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29. É GUERRA 

Os tucanos iniciam uma caminhada para desestabilizar o Governo Lula 

Zé Dirceu descreve as armações dos adversários nos primeiros anos do governo Lula. 

Destaque para a Gtech na Caixa Econômica Federal. O autor apresenta dados revelados uma década depois, aponta envolvimento de Veja (da Abril) e o bicheiro Carlos Cachoeira e Demóstenes Torres.

Também fala das contas CC5 do escândalo do Banestado. O responsável já naquela época era um tal de Sérgio Moro... não sei se vocês já ouviram falar nele... a CPI do Banestado virou pizza.

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30. O RACHA

Dividido, o Partido dos Trabalhadores perde a presidência da Câmara 

Dois petistas, Eduardo Greenhalgh (SP) e Virgílio Guimarães (MG) disputaram a presidência da Câmara na sucessão de João Paulo Cunha (PT-SP). Deu uma merda generalizada. Severino Cavalcanti (PP) foi eleito. 

Outro destaque do capítulo: o exército afronta o governo enaltecendo o golpe e a ditadura:

"Uma nota do exército, já em outubro, com uma atitude inacreditável, justificava o golpe em nome da defesa da democracia, falseando a história, como se a ditadura tivesse sido reação a um levante armado comunista. Era a volta da doutrina da segurança nacional, do inimigo interno a serviço do movimento comunista internacional, pretexto para a tortura, crimes e violação dos direitos humanos." (p. 402)

No final do capítulo, Zé Dirceu informa que saiu do governo em novembro de 2005.

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31. "NÃO SABIA QUE TINHA TE NOMEADO MINISTRO DA DEFESA"

O dia em que ouvi essa frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de uma palestra 

Amigas e amigos leitores, o mais espantoso deste capítulo está em seu final, em uma lembrança de Zé Dirceu sobre a visita de Fidel Castro à casa de Lula em 1989. O líder revolucionário cubano, que sobreviveu a mais de 600 tentativas de assassinato, quase se complicou com um bife a rolê... a cena é desesperadora!

Zé Dirceu também nos conta sobre o fim da Alca, o velório de Arafat, e sua versão sobre a liderança do Brasil no Haiti. Eu nunca tinha pensado na questão sob a ótica que ele apontou.

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COMENTÁRIO FINAL 

Foram muitas lembranças e novidades advindas com a leitura dos cinco capítulos desta postagem. 

Minha representação política como dirigente da categoria bancária coincidiu com esse período abordado por Zé Dirceu: o primeiro governo Lula e alguns fatos do segundo governo. 

Espero terminar essa aventura histórica em mais um sentada. Faltam algumas dezenas de páginas. Os comentários seguintes estão aqui.

William 

10/09/26

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (14)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


O 7 de setembro na Av. Paulista teve boneco do presidente Trump dos EUA. Há agentes operando o golpe até na Corte Suprema do país. Estamos em pleno processo de Golpe de Estado promovido pelo clã bolsonarista. 

O país do norte, de governo fascista, invadiu a Venezuela, sequestrou seu presidente, se apossou das reservas de petróleo e os países do mundo sequer exigiram a libertação de Maduro. Nem o Brasil (morro de vergonha por isso!). A ONU está desmoralizada, assim como a Liga das Nações no passado.

O bloqueio estadunidense a Cuba está causando um genocídio e uma crise humanitária a ilha com cerca de 9 milhões de habitantes e ninguém faz nada. Nada! O que eu poderia fazer para ajudar o povo cubano? (Impotência...)

Agora vão tomar o Brasil, isso está em andamento, e me parece que ninguém vai fazer ações concretas para impedir isso. O governo brasileiro poderia propor aos seus parceiros do BRICS uma aliança de defesa militar semelhante a OTAN. Pra já!

O risco à nossa soberania é existencial. Mas o que se usa chamar de esquerda ou campo progressista no Brasil jamais pegaria em armas para lutar por nossa existência... somos um povo explorado, trabalhador, mas inculto e sem formação patriótica de verdade. 

Enfim, vou seguir a leitura das memórias do Zé Dirceu. 

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25. A CARTA AO POVO BRASILEIRO 

A convicção de que Lula venceria as eleições presidenciais de 2002, mesmo sem ela

O capítulo nos faz relembrar como é deletério o papel da mídia brasileira golpista e vendida aos interesses da casa-grande e dos EUA. 

Vendo o fim do reinado do príncipe dos sociólogos e do tucanato em 2002, havia uma grande pressão e terrorismo midiático para que Lula e o PT se comprometessem com as bases econômicas dos rentistas. Eles conseguiram. 

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26. A FORMAÇÃO DO GOVERNO LULA 

Quem era quem no novo governo e a história do dia em que dormi com o acordo fechado e acordei com Lula me desautorizando

Interessante a análise de bastidores da montagem do primeiro escalão do governo Lula. Zé Dirceu foi escolhido para a Casa Civil, ele havia sido eleito deputado federal com 513 mil votos. 

Zé Dirceu avalia que a aliança com o PMDB seria melhor para a governabilidade no Congresso do que a aliança com o PTB e o PP.

"Anos depois, o PMDB veio para o governo com os ministérios da Saúde, Previdência e Comunicações em diferentes momentos, mas já havíamos pago um preço - e que preço - com a farsa do Mensalão que, na minha avaliação, teria sido evitada com a aliança prioritária com o PMDB e não com o PTB e o PP, este ainda que por vias indiretas.

     Não deu outra. Ficamos na mão do PTB, PP e de outros pequenos partidos e o resultado foi pior do que se poderia imaginar. Quem pagaria o preço? Eu." (p. 346)

Ao final do capítulo, Zé Dirceu registra a capacidade notável do presidente Lula de governar e administrar conflitos. 

"Lula era o Senhor Presidente. Soube como ninguém, presidir, coordenar, liderar seu gabinete e os ministros do Palácio, a coordenação de governo e o conselho político. Sabia ouvir, buscar consensos progressivos e quando não era possível, decidia!" (p. 354)

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COMENTÁRIO FINAL 

A leitura das memórias do companheiro Zé Dirceu é uma oportunidade excelente de reflexão política, tanto para leitores como eu, com experiência na representação da classe trabalhadora, quanto para pessoas que acompanham menos a política por dentro, nos bastidores. 

É um texto denso. Já revi e descobri grandes acontecimentos da história do Brasil, do partido e dos movimentos de esquerda. 

Já estou ansioso por terminar o livro e ainda faltam 130 páginas... ufa!

No Brasil, estamos no meio de uma tentativa de Golpe de Estado e de interferência nas eleições. 

Um dos ministros do STF indicado por Bolsonaro está executando o projeto da extrema-direita de destruir a instituição por dentro, para facilitar o golpe que falhou no 08/01/23. Contam agora com os EUA. 

O sentimento de impotência me incomoda. O que fazer para interromper o golpe contra nosso país e nosso povo?

Dureza! Mas sigamos com a leitura, os estudos e a vida. Comentários seguintes aqui.

William 

08/09/26

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (13)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


Enquanto sigo na leitura das memórias do Zé Dirceu, a Corte Suprema do Brasil está mergulhada numa crise sem precedentes por causa de uma guerra interna entre ministros. Estamos a 33 dias das eleições no país. 

O sujeito indicado por Bolsonaro, o "terrivelmente evangélico", faz ataque violento contra o sujeito indicado por Temer, o golpista. Nenhum deles é santo... O bolsonarista usou métodos ilegais, como fez aquele juiz de Curitiba na Lava Jato, para contar com o apoio da mídia golpista.

O juiz parcial da Lava Jato se deu bem. Virou ministro de Bolsonaro, depois senador e é candidato a governador. Mostrou que no Brasil vale a pena cometer as ilegalidades que cometeu.

O "terrivelmente evangélico" vai se dar bem também? Aqui nesta ex-colônia de exploração tudo pode essa gente branca da casa-grande. No futuro veremos o que aconteceu com ele, quando olharmos para trás. 

Seguimos lendo as memórias do Zé Dirceu, história pura de nossa gente da classe trabalhadora brasileira, explorada e maltratada há cinco séculos como uma colônia invadida pelos bárbaros da Europa. Os invasores do Norte não aceitam nossa independência e soberania. 

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24. A QUEDA DE ROSEANA SARNEY

A Operação Lunus derruba a candidata do PFL e, no cenário petista, surge um bom candidato para ser vice de Lula 

Capítulo muito interessante com os bastidores da construção da chapa do PT para as eleições de 2002.

Achei legal Zé Dirceu apontar as qualidades e as divergências que ele tinha com o "japonês", nosso querido companheiro Luiz Gushiken (p. 320/321). Como militante sindical formado no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Gushiken é nossa referência de toda a vida.

Zé Dirceu também elogia o político José Sarney, pelo papel leal que teve durante sua presidência do Brasil na transição para a democracia. 

José Alencar 

"Estava certo. No encontro com os militantes do PT, Zé Alencar fez um discurso à altura do momento histórico, demonstrando seu sentido de responsabilidade e de oportunidade. Começou devagar, como que tateando o sentir da militância, desconfiada e arisca, na retranca. Narrou a história de sua vida e, em um crescendo, demonstrou o escândalo dos altos juros e da especulação, exibindo seu conhecimento de economia e sua atitude de oposição ao governo FHC e ao neoliberalismo. Deu um show e conquistou a militância." (p. 322)

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COMENTÁRIO FINAL 

Essa história eu conheço bem, pois já vivi as eleições presidenciais de 2002 como dirigente eleito do Sindicato dos Bancários. 

Amigas e amigos leitores, essas memórias do Zé Dirceu são essenciais para a militância de esquerda e o campo democrático neste momento de ataques da extrema-direita internacional e do bolsonarismo ao nosso país. 

Eleger Lula 13 presidente é defender a soberania do país e os direitos elementares do povo. Lula refez o Brasil após a tragédia de 7 anos do país nas mãos de Temer e Bolsonaro.

Eleger Haddad 13 governador de SP é dar uma chance ao Estado de ser dirigido por um professor com experiência como Ministro da Educação e da Fazenda e prefeito da maior cidade da América do Sul. 

Precisamos de um Congresso que defenda os interesses do povo e dos Estados. Vamos eleger Luna Zarattini 1302, Marina 180 e Simone 400. E Marcolino 13310 deputado estadual. 

Sigamos nas leituras e nas lutas populares. A cultura e a educação podem mudar vidas e o mundo. Ler aqui a postagem seguinte.

William 

02/09/26

sábado, 29 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (12)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


Neste sábado de manhã, participei da campanha de Fernando Haddad 13 e Marina Silva 180, em Osasco. A passeata e os atos de fala foram muito bons.

O companheiro Zé Dirceu iria à tarde ao nosso diretório do PT no Butantã. Acabei não indo a um segundo evento político no dia.

Bom, pelo menos li mais um capítulo de suas memórias no final do dia.

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23. O PT REJEITA O "FORA FHC"

O caminho começa a se abrir para Lula tornar-se presidente da República 

Cada capítulo do livro é uma aula de história do Brasil, incluindo os bastidores do poder, um luxo para os leitores. 

Zé Dirceu nos relembra o Plebiscito Nacional da Dívida Externa, mais de 5 milhões de pessoas participaram e 90% disse não às questões colocadas (p. 305).

O ano de 2001 foi decisivo para o Partido dos Trabalhadores. O 12° encontro e o 2° Congresso definiram o partido para as eleições de 2002 e seguintes.

Os leitores ficam sabendo dos bastidores da construção da chapa Lula e José Alencar, algo possível devido aos eventos citados acima, na direção do partido.

O PT realizou o PED (Processo de Eleições Diretas) e Zé Dirceu foi reeleito presidente do partido. 

"(...) Ganhei com 55% dos votos no primeiro turno. Pela Democracia Socialista, Raul Pont, deputado estadual, federal, ex-prefeito de Porto Alegre, obteve 17,23%; pela Articulação de Esquerda, Júlio Quadros, outro gaúcho, obteve 15,17% e as candidaturas independentes de Tilden Santiago, deputado federal por Minas, 7,6%; Berzoini, futuro presidente do PT, 2,82% e Markus Sokol de O Trabalho, 1,63%." (p. 314)

Zé Dirceu afirma que aquele PED causou uma reviravolta na dinâmica das tendências e no debate petista.

"(...) A verdade nua e crua residia no seguinte: as tendências se opunham e se opõem à eleição direta porque perderam o poder de restringir o PT a um partido exclusivo de militantes, congelando e ossificando a vida partidária. Era a concepção, sempre presente, de partido de vanguarda." (p. 314)

E finaliza o capítulo abordando o resultado do 12° Encontro em Recife, que na minha leitura é ainda hoje a essência do partido. 

"(...) Com maioria segura, aprovamos uma resolução no limite do momento político e histórico. Com o título 'Um outro Brasil é possível', na esteira do Fórum Social Mundial e das lutas antineoliberais, a resolução apontava para uma ruptura necessária com o neoliberalismo, o modelo concentrador de renda, a submissão ao FMI, a dolarização da dívida interna, a desregulamentação financeira, a abertura de mercados. Defendia o controle de capitais externos, o reinvestimento no país, a taxação das remessas e dividendos. Mas não aprovamos duas posições: a suspensão do pagamento da dívida externa e a reestatização das empresas privatizadas." (p. 314/315)

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COMENTÁRIO FINAL 

Essa forma de ler livros e escrever sobre as leituras é bastante trabalhosa. Faço isso neste blog há quase duas décadas. É uma maneira de aprender melhor, para mim mesmo, e uma contribuição aos leitores desta página de cultura. 

Talvez por isso eu tenha tantos livros iniciados e não terminados em minha história de leituras. Tudo bem!

Assim como esse livro fantástico do Zé Dirceu, tenho diversos outros que preciso de muita disciplina e força de vontade para terminar a leitura. 

Enfim, estou meio cansado por esses dias, meu corpo está sem energia. Talvez seja a natureza atuando num corpo com um percurso severo ao longo da existência. 

Vamos encerrar a postagem. Se as leitoras e leitores forem de São Paulo, peço votos para Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310 e em Lula e Haddad, e para Marina 180 e Simone 400,  senadoras.

Se vocês estiverem em outros estados, votem em candidaturas progressistas, que pensem no povo trabalhador e não em seus algozes. Votem na esquerda, em candidaturas ligadas ao projeto liderado pelo presidente Lula. 

A leitura da postagem seguinte pode ser feita aqui.

William 

29/08/26


ELEIÇÕES

Em SP, voto e peço apoio aos (e)leitores do blog a Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Simone 400, Haddad 13 e Lula 13.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (11)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Estamos em período eleitoral no país, em agosto de 2026. O momento é propício para estudarmos um pouco de história do Brasil. 

O companheiro Zé Dirceu viveu intensamente a história política do país nas últimas seis décadas. 

Suas memórias contam aos leitores os bastidores de momentos decisivos da vida de todos nós, membros da classe trabalhadora. 

Vamos para mais um capítulo. 

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22. TEMPOS DIFÍCEIS 

Aliança com Brizola afasta o companheiro Vladimir Palmeira, enquanto o governo FHC começa a derreter

No primeiro mandato, FHC foi um trator em relação a nós da classe trabalhadora. 

Além das questões citadas pelo autor das memórias, incluo a reestruturação do Banco do Brasil, um massacre com dezenas de suicídios e 50 mil trabalhadores na rua.

"(...) A repressão à greve dos petroleiros, o apoio da mídia e a maioria no Congresso propiciaram a FHC uma hegemonia..." (p. 292)

O ano de 1996 ficou marcado pelo Massacre de Carajás, no Pará. A chacina vitimou 19 trabalhadores sem terra. Tanto o governo do estado quanto o federal eram comandados pelo PSDB.

Zé Dirceu aborda o desgaste que ele e a Articulação sofreram ao apoiarem a parceria com Brizola nas eleições do RJ em 1998, indicando Benedita da Silva a vice de Garotinho, do PDT. O diretório do PT no estado queria candidatura própria com Vladimir Palmeira.

Sobre a derrota de Lula para FHC, no primeiro turno, cita o tal "Dossiê Cayman":

"Perdemos as eleições, mas não a dignidade. Lula, Márcio Thomaz Bastos e eu nos recusamos a veicular o chamado 'Dossiê Cayman', um conjunto de documentos comprovadamente falsos criado com o objetivo de atribuir crimes inexistentes a políticos e candidatos do PSDB, nas eleições brasileiras de 1998..." (p. 299)

Comentário: obrigado, PT! Não podemos ser como os outros. 

O PT precisava mudar, diz Zé Dirceu, em relação às 3 derrotas seguidas à Presidência da República.

"Nunca tive ilusões com 1998. O ciclo de FHC não acabara e a hegemonia política e cultural das ideias neoliberais persistia. Após as derrotas de 1989, 1994 e agora de 1998, era o PT que precisava mudar." (p. 300)

Na página 301, Zé Dirceu afirma que Marta Suplicy não foi ao 2° turno em SP em 1998 por manipulação da Rede Globo, que favoreceu Covas e ele disputou com Maluf. Covas seria eleito. 

Eu me lembro disso. Muitos petistas e simpatizantes pregaram voto útil em Covas, manipulados contra Marta. Covas foi ao 2° turno com 74.436 votos a mais que Marta (0,44%)

O capítulo termina com uma lista de crimes da era FHC, todos ficaram sem punição, não deram em nada...

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COMENTÁRIO FINAL 

Terminei a leitura do capítulo 22 após ver Lula ser desrespeitado por quarenta minutos na bancada do JN da Rede Globo, rede esgoto. A emissora está entrevistando candidatos à presidência do Brasil. 

O PT e o presidente Lula já sabem o que essa empresa de merda faz há quarenta anos e mesmo assim seguem frequentando os estúdios e concedendo entrevistas para essa instituição porta-voz do fascismo. 

Eu estou muito puto, com raiva desse comportamento do nosso partido. O PT deveria tratar as Organizações Globo pelo que são. Não deveria ter relação alguma com essa instituição mentirosa, manipuladora e que tanto mal já fez ao país e seu povo. 

Essa é minha opinião. A postagem seguinte pode ser lida aqui.

William 

27/08/26

domingo, 23 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (10)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Enquanto leio o capítulo 21 das memórias do Zé Dirceu, reflito sobre a atualidade complexa do calendário eleitoral brasileiro em 2026.

O líder petista está nos contando os bastidores do partido nos anos noventa e quem viveu aquele período como cidadão politizado - letrado politicamente - vai relembrando o quão miserável é esse país da casa-grande e da elite canalha, mancomunada com a imprensa golpista e com um judiciário subserviente aos donos do poder e do dinheiro. 

Isso não muda! Não mudou! Não sei se mudará um dia, pois fazendo as coisas do mesmo jeito, os resultados não serão diferentes. 

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21. LULA TOMA AS RÉDEAS DO PT

A decisão de enfrentar FHC e os escândalos dos tucanos, colocados debaixo do tapete, com a ajuda da mídia 

Zé Dirceu nos conta como se deu o 10° Encontro do partido. Nos revela que Lula chamou ele para se colocar à disposição de ser presidente do PT. 

"Mas qual não foi minha surpresa ao encontrar um Lula decidido a tomar as rédeas da direção do PT. No primeiro momento, ele começou a se explicar ou mesmo a se 'desculpar' sobre a questão Covas e a falta total de apoio à minha campanha, diariamente 'sabotada' pelo entourage lulista (...) Susto maior tomei ao ouvir de Lula a proposta de me apoiar em uma candidatura à presidência do partido..." (p. 273)

Depois, lemos que a direção do PT, após o 10° Congresso, definiu claramente a orientação e os objetivos do partido: "transformar e consolidar o PT como instituição. Afirmar a vocação do partido para o poder, abri-lo para as alianças e para poder governar, assumir nossos governos e conquistar, ao governar, a adesão da maioria do eleitorado e da sociedade..." (p. 276)

Comentário: fica claro para as amigas e amigos leitores, sejam simpatizantes ou não ao PT, que desde essa época, 1995, o partido não é movimento nem frente, não existe só pra marcar posição, como muitos partidos de esquerda. O PT quer governar e entregar direitos à sociedade com a realidade que temos nas bases sociais, o PT compõe e faz alianças, se não fizer isso, não governa.

O capítulo é longo, são vinte páginas de história. Me lembrei de muitas passagens que Zé Dirceu conta no livro. Exemplos: compra de votos para a reeleição de FHC, as privatizações criminosas, o Caso da "Pasta cor-de-rosa", o Caso Sivam etc.

"Era a velha tática tucana - amplamente benéfica aos rentistas e ao capital externo - de juros altos, câmbio valorizado, inflação baixa, déficit público. Privatizações, importações, abertura comercial e financeira. Crescimento medíocre e aumento do desemprego." (p. 289)

Comentário: e antes que os leitores falem do compromisso do 3° governo Lula com a questão fiscal e teto de gastos, insinuando que o Lula seria a mesma coisa que liberais tipo FHC, basta lembrar que os tucanos tinham maiorias no Congresso, assim como os golpistas Temer e Bolsonaro. O PT nunca teve essa condição no parlamento.

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COMENTÁRIO FINAL 

Enfim, já estamos sofrendo interferência violenta nas eleições brasileiras de 2026. 

Além da mídia comercial canalha, temos uma justiça eleitoral parcial, é minha leitura e de boa parte da mídia progressista, e temos interferência pesada das big techs e do governo fascista de Trump.

Está claro que há uma operação Lava Jato 2 em andamento, protegendo o candidato do clã Bolsonaro e uma utilização da justiça para prejudicar Lula, através de uma perseguição escandalosa a seu filho Fábio Luís, apelidado pela mídia golpista "Lulinha".

Enquanto enfrentamos esses desafios de manipulação da opinião pública e eleitores, ainda tem o fogo amigo dos "esquerdistas", como nos ensinou Vladímir Ilitch Lênin, em seu clássico texto de 1920: "Esquerdismo, doença infantil do comunismo" (comentário aqui).

Seguimos nas lutas, não há outra alternativa. Caso haja interesse em ler os comentários seguintes sobre a leitura do livro é só clicar aqui.

ELEIÇÕES 

Em SP, voto e peço votos a Luna Zarattini 1302, Marcolino 13310, Marina 180, Simone 400, Haddad 13 e Lula 13.

William 

23/08/26

sábado, 22 de agosto de 2026

Meu pai e Santos Dumont (1)



Refeição Cultural

Na casa de meus pais, em Minas Gerais, tem um livro antigo, dos anos setenta, sobre Alberto Santos Dumont, uma biografia. 

Perguntei sobre o livro, certa vez, e meus pais me disseram que era para meu pai participar de um programa de TV no qual a pessoa respondia sobre a vida de alguma personalidade. Era no Silvio Santos, se não me engano. 

Já folheei o livro diversas vezes ao longo do tempo. É um catatau, tem 500 páginas. O livro se chama As lutas, a glória e o martírio de Santos Dumont, de Fernando Jorge.

Meu querido pai fará 84 anos nos próximos dias. Ele tem uma história de vida incrível. Dias atrás, li um texto dele muito emocionante, no qual descreve sua vida e da família ao longo de décadas (comentário aqui). 

Enquanto lia o memorial de meu pai, via a história do Brasil desde a década de quarenta e os acontecimentos políticos que impactaram a vida de milhões de brasileiros como ele, gente simples da classe trabalhadora. 

Fiquei pensando dias atrás, quando estive lá em Uberlândia no dia dos pais, o que poderia fazer para estimular a memória e a capacidade cognitiva de meu pai, que já não tem a mesma agilidade que sempre teve na criação e imaginação para as coisas do cotidiano. Meu pai sempre foi um inventor e solucionador de problemas domésticos. 

Sugeri a ele reler o livro sobre Santos Dumont. Na verdade a leitura seria como uma primeira vez, devido ao tempo decorrido após o estudo do livro há tantas décadas. A biografia de nosso grande inventor brasileiro, o pai da aviação, deve ser muito interessante. 

Sempre que lemos um livro lido muito tempo antes, fazemos uma nova leitura, porque somos outra pessoa. 

A ideia seria eu ler também e conversar por ligação com meu pai para comentarmos sobre a leitura. 

Meu pai talvez não leia, alegou dificuldades, mas quem sabe eu consiga ativar um pouco a memória dele lendo aos poucos e conversando com ele.

Enfim, a gente não tem receita mágica para tentar interagir e apoiar as pessoas com mais idade e ou com as dificuldades cognitivas que a vida nos impõe. Mas não custa tentar alguma coisa. 

Vamos ler a biografia do grande brasileiro Santos Dumont. Vamos conversar com o senhor Palmério sobre o inventor do avião. 

William 

22/08/26


domingo, 16 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (9)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Domingo, 16 de agosto. O Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, reuniu uma multidão de gente para marcar o início da campanha de reeleição do presidente Lula. Foi um evento emocionante! Decidi não ir ao ato, vi pela Internet. 

Gostei da lembrança, nos chamados para a ato em SBC, a respeito da história: é preciso conhecer a história. Aliás, fiquei feliz ao ver, finalmente, Dona Marisa Letícia ser lembrada e homenageada em um evento do PT após o casamento de Lula com Janja. Antes tarde do que nunca, como diz o ditado popular. Afinal, é preciso conhecer e respeitar a história das pessoas que contribuíram com nossas lutas sociais e populares.

Enfim, vamos seguir na leitura das memórias do Zé Dirceu, outro militante histórico que merece todo o nosso respeito e consideração. 

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19. FORA COLLOR 

A grande questão de saber onde o PT deveria se colocar 

Muitas informações de bastidores do período. Bem interessante!

Zé Dirceu nos conta como foi o 1° Congresso do PT, as divisões e dilemas do partido. 

"A Articulação se manteve coerente com o caráter do PT, sua história e suas raízes, evitando a posição leninista e reafirmando-o na condição de partido dirigente aberto à interlocução democrática na sociedade. Mas rejeitando a proposição idealista de partido reduzido à função de disputar projetos na sociedade."

Aqui um ponto importante: vejo companheiros hoje que se afastaram do PT e estão cheios de elogios a partidos como o PSOL, UP etc. Tudo bem! Mas talvez essas pessoas nunca tenham entendido o que é ser o Partido dos Trabalhadores. Como diz o Lula: é preciso conhecer a história!

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20. "LULA, PERDEMOS AQUI AS ELEIÇÕES DE 1994"

Como era admissível o PT, responsável pelo impeachment de Fernando Collor, lavar as mãos?

Capítulo revelador das divisões internas que o partido vivia nos anos noventa, a Articulação, corrente majoritária, passava por um momento delicado. 

"(...) A proposta brotara ainda durante o período de Collor e, para agravar o clima interno no PT, vinha acompanhada da defesa conjunta - PT, PSDB, Lula e FHC - do parlamentarismo." (p. 253)

É mole?

"Era demais para a unidade partidária. A posição da administração Itamar, a relação com o PSDB e a defesa do parlamentarismo implodiram a maioria." (idem)

E mais:

"(...) A defesa do parlamentarismo era um desastre. Lula, eu mesmo, Genoino e outros perdemos feio na consulta interna do PT. Ainda bem. O equívoco era exacerbado pela possibilidade real de Lula vencer as eleições de 1994." (p. 254)

Zé Dirceu nos conta de sua discordância em relação à posição da maioria de defender "Fora Itamar" e "Itamar é igual a Collor".

Articulação defendia o fim das tendências no PT, afirma Zé Dirceu. Ele achava isso um equívoco:

"(...) Se por um lado tencionavam o partido, por outro as tendências eram a garantia do pluralismo democrático, do debate aberto, da disputa política regrada e legalizada, da busca e construção de maioria e, às vezes, de consensos." (p. 256)

O capítulo foi muito revelador para mim, ex-dirigente sindical dos bancários. Zé Dirceu conta que no 8° encontro do partido (1993), a Articulação perdeu a maioria e as outras tendências dominaram a direção do PT.

Depois vem a história das eleições de 1994, o Plano Real e muitas outras passagens de nossa vida política. Não sabia das histórias sobre os bancários e Gushiken, que se opuseram à candidatura do Zé Dirceu a governador em 1994.

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COMENTÁRIO FINAL

Agora que passei da metade do livro de memórias do Zé Dirceu. Como fui dirigente sindical por quase duas décadas, as histórias são as minhas histórias, são as histórias que herdei ao chegar nos anos dois mil ao movimento organizado.

É importante conhecer a história, repito o que Lula disse neste momento de início de campanha eleitoral, eu só compreendi melhor quem eu era como dirigente dos bancários da CUT e da Articulação Sindical após conhecer nossa história e saber o que NÃO éramos. 

Enfim, é melhor saber do que não saber sobre a história. Comentários seguintes podem ser lidos aqui.

William 

16/08/26

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (8)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Hoje é sexta-feira, estamos próximos do início das eleições brasileiras a partir de domingo, 16 de agosto. Apesar de tudo que sei da realidade, um quadro bastante adverso contra nós do campo humanista, devo ser disciplinado naquilo a que me propus: ler diariamente e continuar me fazendo humano, ganhando saberes e tentando ser menos ignorante. 

Viveremos nas próximas semanas um aumento exponencial da destruição da mente humana, já alterada cotidianamente pela captura de máquinas de corporações capitalistas em guerra contra a humanidade: as big techs e os homens por trás delas. As desinformações e dissonância cognitiva em escala industrial estão desfazendo o ser humano em sua essência. 

As pessoas ao nosso redor estão sendo alteradas em suas essências - em todas as idades - e estão se tornando zumbis sob o comando de IAs, algoritmos e criações de inimigos imaginários para serem utilizadas como marionetes em benefício de seus manipuladores. Tudo normalizado como algo irreversível: ideologia da classe dominante. 

Meu corpo dá sinais de que não sou mais a pessoa que fui. Estou avaliando a mim mesmo, o que posso ainda e o que não dou conta mais. Não vou ao lançamento da campanha de Lula e dos candidatos do campo progressista no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Hoje não sei avaliar como estarei daqui alguns meses. Tudo bem. Estou lendo e escrevendo, de forma honesta e militante. Compartilho o que sei e o que estudo, aqui no blog.

Como não sou determinista, faço o que acho que tem que ser feito e o que posso, avaliação só minha e de mais ninguém. Só a pessoa sabe de si mesma. Hoje, por exemplo, consigo imaginar as dores que meu pai dizia sentir vinte anos atrás... ninguém compreendia suas dores e ele sofria sozinho, de mal-humor e escanteado do convívio por ter se tornado "chato". Pois é...

Vamos ler as memórias do Zé Dirceu, ali tem muita história, minha e de todos vocês.

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18. O ERRO DE LULA

O jogo pesado da política brasileira, no inesquecível ano de 1989

"(...) Fora o grave erro nosso de recusar a presença de Ulysses no palanque de Lula. Para além dos votos perdidos, era imperdoável porque, no segundo turno, não se recusa apoios, ainda mais em se tratando de Ulysses e do PMDB que, como o PSDB, nada exigiam de Lula e do PT. Uma tragédia, uma burrice, mais do que um erro político. Até hoje me penitencio de não ter me oposto à decisão de Lula e do partido." (p. 239)

O capítulo é extraordinário! Um filme! Fui lendo e relembrando os acontecimentos relatados por Zé Dirceu. Eu estava em São Paulo, tinha entre 18 e 20 anos de idade. Já era bancário do Unibanco da Raposo Tavares nas famosas greves de 1988/89. Fiz greve e conheci o pessoal do Sindicato. 

É de dar nojo e gera muita indignação conhecer os detalhes contados pelo autor a respeito das manipulações criminosas feitas contra Lula e o PT nas eleições de 1989.

Zé Dirceu relembrou os casos absurdos montados contra Lula/PT (p. 236 e 237):

O de Miriam Cordeiro, que acusou Lula de mandar ela abortar Lurian. O autor afirma que ela recebeu 156 mil dólares para inventar essa história. Tanto a filha quanto a mãe de Miriam, avó de Lurian, desmentiram o caso.

A manipulação do sequestro do empresário Abílio Diniz, tentando vincular os sequestradores ao PT. Zé Dirceu aponta Orestes Quércia, governador de SP, e Luiz Antônio Fleury Filho, Secretário de Segurança, como responsáveis pelas acusações mentirosas. Às vésperas do 2° turno, chegaram a vestir camisas do PT nos bandidos para anunciar em rede nacional a invenção fraudulenta contra Lula e o PT. 

E a manipulação do debate da Rede Globo, entre Collor e Lula. 

Imaginem vocês essas manipulações! É incrível como Lula e o Partido dos Trabalhadores resistem a tantos crimes praticados pelas elites e donos do poder nessas décadas de existência! É muito pesado o que fazem contra nós!

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COMENTÁRIO FINAL

É muita história registrada neste livro do Zé Dirceu!

Estou descobrindo detalhes de acontecimentos que já vivi e estudei e nunca soube dos bastidores.

E vamos viver tempos dificílimos nesses meses finais de 2026. Seremos borbardeados impiedosamente pelas mentiras e manipulações dos inimigos do país e da classe trabalhadora. Uma guerra!

Aqui é o palco do destino das Américas e o governo bandido dos Estados Unidos vai fazer o possível para transformar o Brasil num quintal gerido por vassalos do império bárbaro. 

É isso! Leia aqui a sequência de comentários.

William 

14/08/26

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (7)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


É muito interessante ler sobre a nossa história e descobrir coisas do passado que não sabíamos ainda. 

Eu tenho minha formação política a partir dos bancários da CUT. Entrei na categoria em 1988. A politização deste trabalhador que vos fala durou décadas. Só passei a entender o movimento quando virei sindicalista a partir de 2002.

As memórias do Zé Dirceu estão numa parte dos anos oitenta (capítulo 16), uma década de ouro dos movimentos sociais do Brasil. Por mais que tenha estudado o período, descubro novidades na leitura a todo instante. 

Sigamos lendo e aprendendo. Não estamos acabados, somos seres incompletos, nos ensina Paulo Freire. 

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16. ERROS E ACERTOS 

O PT não acreditava na vitória de Luiza Erundina nas eleições para a Prefeitura de São Paulo 

Meu primeiro voto de trabalhador com 18 anos de idade foi em Luiza Erundina. Morava no Rio Pequeno. Foi quando parei de pegar ônibus pendurado na porta.

"Fomos às eleições não sem problemas e divisões na escolha de candidatos. Na cidade de São Paulo, Luiza Erundina, forte liderança popular, ligada às lutas nos bairros, eleita vereadora em 1982 e candidata a vice de Eduardo Suplicy, em 1985, venceu a prévia contra Plínio de Arruda Sampaio, este apoiado por nós, Lula, eu e grande parte do comando da Articulação." (p. 220)

Eu não sabia dessa história. Imagino que o partido parou de realizar prévias, que são mais democráticas, por causa de momentos como esse, nos quais a base diverge da direção. 

Zé Dirceu termina o capítulo (p. 224) abordando a luta contra o desejo de poderes abusivos de promotores e procuradores dos ministérios públicos de investigar e acusar, inconstitucional segundo ele. Os legislativos derrotaram essas pretensões, até que o STF deu esses super-poderes a eles, criando uma casta sem controle de ninguém. 

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17. CAMINHANDO

Prévias, o grande risco no caminho das vitórias eleitorais 

Zé Dirceu nos conta como foram as gestões petistas nas prefeituras eleitas em 1988, equívocos, dilemas e sucessos. Cita POA (RS) como referência no "modo petista de governar", destacando o orçamento participativo.

Também avalia as contradições comuns de governar, as diferenças entre ser partido e ser governo. 

"(...) Mas era preciso distinguir. Governo e PT são ambas instâncias do Estado, mas partem de universos diferentes. O governo representa o interesse da sociedade, de classes, é verdade, enquanto o PT exprime interesse do coletivo, da maioria partidária e de nossa base social, os trabalhadores e excluídos." (p. 229)

Ao falar sobre o risco das prévias, me lembrei dos ensinamentos que tive na Articulação Sindical da CUT, por mais de duas décadas. Se não alcançamos o consenso progressivo e votamos direto, sem tentativas de acordos, todos perdem, porque saímos divididos, rachados. Zé Dirceu aborda um pouco isso no capítulo. 

"Prévias ou encontros? A designação dos nomes para concorrer sempre é traumática quando não há maiorias e principalmente políticas, programas que balizem as escolhas e resoluções. E quando se apresentam interesses de grupos ou de pessoas, tudo fica mais difícil, por mais legítimos que sejam." (p. 229)

Capítulo muito bom!

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COMENTÁRIO FINAL 

Enquanto leio as memórias do Zé Dirceu, vou relembrando uma vida política que tive e vou refletindo sobre o presente e o futuro. 

Eu pensei que ao sair da representação eletiva dos trabalhadores, abrindo mão de disputas de poder e incentivando a renovação, eu teria participação de outras formas nas instâncias, partilhando experiências. Isso não aconteceu. 

Agora invento diariamente algum sentido para mim mesmo. Procuro na leitura e na escritura formas de ser útil à sociedade humana, pois o que aprendo, compartilho de forma gratuita. Dá trabalho manter este blog, acreditem. 

Sigamos lendo e escrevendo. Clique aqui para ler a postagem seguinte.

William 

13/08/26

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (6)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Ler nos dias de hoje exige da pessoa um esforço imenso, uma disciplina quase militar, porque tudo no cotidiano nos desvia do objetivo. Os donos do poder organizaram o mundo para sermos completos ignorantes e imbecis.

Eu desejo ler diariamente textos complexos, estruturados e que exigem concentração e esforço intelectual, pois percebo em mim os efeitos devastadores das big techs, mesmo não sendo um capturado das redes antissociais.

Então, vamos à leitura e ao estudo do dia. 

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14. A ESTRELA COMEÇA A BRILHAR

O manifesto dos 113: o PT é um partido e não uma frente 

O capítulo é excepcional! Zé Dirceu nos conta a respeito dos processos internos decisivos para a consolidação do PT como um partido de massas, organizado, com base social, militância e núcleos.

"(...) o fato é que as tendências eram partidos dentro do PT, e o campo sindical, popular e a esquerda independente não eram." (p. 190)

A Articulação (Manifesto dos 113) foi decisiva na história do Partido dos Trabalhadores. Nosso companheiro bancário Luiz Gushiken estava lá entre as lideranças.

Tendo como foco de mobilização popular as Diretas Já, Zé Dirceu, do Diretório Estadual de SP, ficou responsável pela formação política (p. 192). O informativo Linha Direta e a revista Teoria e Debate surgiram nessa época.

As Diretas Já não foram aprovadas por 10 votos a menos (298 de 308 necessários), com 112 ausências. 

Articulação dos 113

"(...) A articulação pôs fim à dispersão política e orgânica dos sindicalistas, lideranças populares de origem católica e a esquerda independente. (p. 200)

História pura esse capítulo e o anterior. 

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15. O BLOCO DO EU SOZINHO 

O PT rejeita a conciliação por cima, insiste nas Diretas Já e se isola

"A evidência de que algo não corria bem seria a eleição para a Constituinte exclusiva e os governos e assembleias estaduais. E a prova de fogo do partido envolveria uma combinação explosiva: o Plano Cruzado e a eleição de 1986 com um PT, apesar da articulação dos 113 e da vitória em São Paulo, carregando ainda a duplicidade entre movimento e partido, reforma e revolução, partido e frente." (p. 207)

Zé Dirceu destaca a importância do 5° encontro do partido em 1987. Os partidos dentro do partido - os grupos de vanguarda -, estavam dificultando o PT ser o que se esperava dele por parte de lideranças como Lula.

"A Articulação constituiu uma maioria de 59,4%. Elegeu Olívio Dutra como presidente nacional; eu fui eleito secretário-geral. Em 1988, Olívio Dutra elegeu-se prefeito de Porto Alegre, e Luiz Gushiken assumiu a presidência." (p. 212)

O 5° encontro contribuiu bastante para se definir a estratégia do PT para construir e não assaltar o poder, afirmou o socialismo e a conquista de governo pelo voto, de forma pacífica. (p. 211)

O PT defendeu uma Constituinte exclusiva e elegeu uma bancada pequena e combativa. 

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COMENTÁRIO FINAL

Em 1987, eu tinha acabado de voltar para São Paulo, ainda com 17 anos, vindo de Uberlândia (MG). É muito interessante ler sobre os acontecimentos políticos que estavam se desenvolvendo enquanto minha vida de trabalhador braçal apenas seguia seu curso.

Em 1988 eu entrei no Unibanco, votei na Luiza Erundina para prefeita de São Paulo e em 1989 votei no Lula para presidente. 

O Brasil que Zé Dirceu nos mostra em suas memórias é o nosso país, é o mundo que vivi.

Comentários da leitura seguinte podem ser lidos aqui.

William 

12/08/26

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (5)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Estamos em 2026, um mundo distante meio século daquele descrito por Zé Dirceu em seu livro de memórias. 

Entretanto, aquele mundo e este atual estão marcados pelo mesmo cenário ameaçador de nossa existência: a maior potência bélica do planeta, os EUA, planeja o domínio completo de todas as Américas.

Os métodos meio século atrás e agora são os mesmos: estabelecer governos vassalos para explorar os recursos de todo o continente. Contam sempre com quinta-colunas nos países sob ataque. Ontem e hoje, a mesma situação. 

Será que desta vez vamos resistir à tomada de poder por um governo vassalo aos EUA e de entrega de nossas riquezas? Serão semanas e meses de eleições no Brasil com uma interferência norte-americana nunca vista...

As veias da América Latina estão abertas, como nos ensinou Eduardo Galeano. O Brasil é o principal e maior alvo neste momento de luta existencial.

É preciso ter consciência e responsabilidade nesta guerra existencial para o Brasil e para os povos latino-americanos. 

Vamos ler e estudar. 

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13. NASCE UMA ESTRELA!

O ex-guerrilheiro assina a ata de fundação do Partido dos Trabalhadores 

Este capítulo é muito importante para leitores militantes que queiram entender o que é o PT e por que o partido nasceu diferente dos outros partidos e movimentos de esquerda tradicionais. 

Eu levei muito tempo já como sindicalista para entender. O livro de Denise Paraná "Lula, o filho do Brasil" foi fundamental para minha compreensão sobre o PT, a CUT e o Novo Sindicalismo. Também para entender o que era o consenso progressivo na Articulação Sindical. 

Zé Dirceu nos conta que no início ou o PT freava os diversos grupos, movimentos, frentes e partidos vanguardistas e revolucionários abrigados dentro da estrutura ou o PT jamais seria o partido que se tornou nesses mais de quarenta anos de existência. 

Só lendo para entender, nem vou fazer citações aqui.

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COMENTÁRIO FINAL 

Estou revendo e aprendendo muita coisa através das memórias do companheiro Zé Dirceu. 

Recomendo muito a leitura do livro. 

Sigamos desenvolvendo nosso cérebro e ampliando nosso conhecimento. 

Clique aqui para ler os comentários seguinte da leitura.

William 

10/08/26


domingo, 9 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (4)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Hoje é domingo, dia dos pais. Estou em Uberlândia, visitando meus queridos pais. Estou reflexivo, tentando pensar soluções para questões levantadas por mim em relação ao cotidiano de minha própria existência. 

Ainda não tenho sabedoria suficiente para resolver muitas coisas. Devo perseverar nas leituras e estudos, não há outra forma prática de tentar avançar como ser humano. 

Vamos ler...

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12. O SEGREDO DE CARLOS 

Chegou o dia. "Eu não sou eu", disse o ex-guerrilheiro para a mulher 

"Ao abraçar meus pais e irmãs, uma sensação única apoderou-se de mim. Pensei: agora sim, estou em casa, na minha pátria." (p. 168)

Zé Dirceu é um escritor habilidoso. Sua narrativa nos coloca dentro da história do personagem e do próprio país. Ler suas memórias é um momento de aprendizado, sem dúvidas. 

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COMENTÁRIO FINAL

Após ler este capítulo do livro de memórias do Zé Dirceu, acabei relendo um dos capítulos de meu livro de memórias sindicais, o capítulo 38. Avalio que seja um dos melhores textos do livro. 

O capítulo e as minhas memórias foram inspirados na leitura do livro de Aleida March, companheira de Ernesto Che Guevara. 

O livro "Evocación" me tocou profundamente e com ele acabei trazendo lembranças de minha própria formação política e ética aprendida da luta sindical. 

Textos como esses de Zé Dirceu e Aleida March, até o meu de memórias sindicais, são registros de ações, sentimentos e acontecimentos de pessoas envolvidas em processos históricos e isso é vida, é a nossa vida. 

Sempre se aprende com essas leituras. 

Os comentários seguintes podem ser lidos aqui.

William 

09/08/26

sábado, 8 de agosto de 2026

Lendo as memórias do Zé Dirceu (3)



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


Sigo lendo o livro de memórias do companheiro Zé Dirceu. E sigo na torcida por sua plena recuperação do câncer descoberto recentemente. 

A morte repentina do professor Lejeune Mirhan (1956-2026), na quinta-feira 6, me deixou com uma tristeza imensa. 

Conheci pessoalmente Lejeune na Afabb-SP em dezembro, lhe dei meu livro de memórias sindicais e até conversamos sobre a possibilidade de imprimir meus livros com ele. 

Que figura inspiradora o professor Lejeune! Queria contribuir com as causas do povo como ele fez a vida toda. E que humanista! Um homem otimista e que sempre acreditou na humanidade. 

Professor Lejeune Mirhan, estará sempre presente entre nós!

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9. CLANDESTINO!

A volta ao Brasil, a angústia e o temor de passar os dias sabendo que pode ser capturado a qualquer momento 

"Repito: não foi sem sentido histórico e sem memória que elegemos a resistência armada. Foi sem sentido temporal e sem a compreensão dos erros de 1935 e dos acertos de 1961, esta é a questão." (p. 121)

Zé Dirceu avalia que sempre houve rebeliões e insurreições populares no Brasil. Cita várias no capítulo. O relato sobre os assassinatos de quase todos os companheiros é duríssimo. Volta a Cuba em 1972. 

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10. SIM, EU VOLTEI

Uma nova temporada em Cuba e a volta ao Brasil como clandestino e dono de uma alfaiataria 

Zé Dirceu nos conta a respeito de sua volta ao Brasil para viver com outra identidade até 1979. Ele viveria no Paraná como Carlos Henrique.

Ele também fala de Ana Corbisier, que viveria clandestina como Maria, em Salvador. Li o livro dela "Clandestina" e vi sua palestra ano passado.

O capítulo é um retrospecto da história do Brasil nos anos setenta. Percebe-se os cem livros que Zé Dirceu estudou para escrever suas memórias. Erudição incrível!

Até essa parte do livro, foi minha terceira leitura: 2018, 2024 e agora. 

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11. PEQUENOS NEGÓCIOS, PEQUENAS EMPRESAS 

Como o dono do Magazine do Homem virou o "Carlos da Clara"

Zé Dirceu se torna pai, nasce em 1978 José Carlos, Zeca, filho de Clara Becker. 

Ele se reaproxima de São Paulo através da família Abramo, que não via há dez anos. 

Com o fim do AI-5, a sociedade civil avança nas lutas pelo fim da ditadura, que ainda duraria muitos anos, até 1985.

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COMENTÁRIO FINAL

As memórias do Zé Dirceu são as nossas memórias, vejo ali a vida de muita gente como a gente, vejo meus pais ali nos anos sessenta e setenta, vejo amigas e amigos do movimento sindical. Me vejo nas memórias como personagem que deu sequência às lutas do povo brasileiro nos anos oitenta, noventa e neste início de século. 

Sigamos lendo, estudando e pensando formas de contribuir para as causas coletivas e populares. 

O mundo pode ser diferente, pode ser melhor. 

Os comentários seguintes da leitura estão aqui.

William 

08/08/26