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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado (XXXV)

Quinta Parte

Economia de transição para um sistema industrial (século XX)

XXXV. Os dois lados do processo inflacionário


"Vejamos agora alguns dos aspectos básicos do problema da elevação do nível de preços. Assinalamos, em capítulo anterior, a tendência histórica da economia brasileira para elevar o seu nível de preços, tendência essa que refletia o processo pelo qual o setor exportador transferia para o conjunto da coletividade as suas perdas nas baixas cíclicas ou nas etapas de superprodução. Indicamos, demais, como esse mecanismo tendente a fazer subir permanentemente o nível dos preços dificultava o funcionamento do sistema do padrão-ouro..." (p. 237)


Penúltimo capítulo do "esboço" de Celso Furtado. Neste capítulo, o professor nos explica um pouco sobre os processos inflacionários. Que aula! O livro é dos anos cinquenta (escreveu em 1957). Eu fui jovem trabalhador nos anos oitenta. Me lembro da inflação alta, de dois dígitos ou mais.

Comecei a ler este livro entre 2008 e 2009, queria na época me aprofundar em economia, já que era secretário de formação da categoria bancária. Como quase tudo que li naquele período, fui até a metade do livro e deixei de acabar a leitura por outros afazeres.

Ler agora, retirado do movimento e dos mandatos eletivos, tem sua validade pelo puro prazer de estudar e ler e adquirir conhecimento. Que aula de Furtado ao longo de vários capítulos! Relembrei e aprendi noções sobre câmbio, efeitos micro e macroeconômicos de decisões políticas de governo, como o mercado se movimenta de uma ou outra forma etc.

Até a metade do livro, eu achava que ele tinha a mesma pegada do livro de Galeano - As veias abertas da América Latina - que fala das etapas de exploração dos recursos dos povos sul-americanos, mas depois que passei da metade do livro de Furtado vi que as temáticas são diferentes, neste muito mais focado em fundamentos de economia mesmo.

O QUE É INFLAÇÃO? 

Alguns excertos do capítulo nos abrem as portas para o entendimento do que seria inflação. Vale a pena a pessoa ler o capítulo inteiro. Mas duas citações ajudam a iniciar a análise.

"As observações feitas no parágrafo anterior põem a descoberto certas articulações básicas do mecanismo da inflação no Brasil. A inflação é o processo pelo qual a economia tenta absorver um excedente de procura monetária. Essa absorção faz-se por meio da elevação do nível de preços, e tem como principal consequência a redistribuição da renda real. O estudo do processo inflacionário focaliza sempre esses dois problemas: a elevação do nível de preços e a redistribuição da renda..." (p. 238)

Outra citação interessante reforça essa acima. Inflação é luta entre grupos sociais pela redistribuição da renda real.

"As observações que vimos de fazer põem a claro que a inflação é fundamentalmente uma luta entre grupos pela redistribuição da renda real e que a elevação do nível de preços é apenas uma manifestação exterior desse fenômeno." (p. 240)

Eu vivi a vida laboral e de representação sabendo que na inflação quem se ferra é o povo, mas nunca tinha visto um conceito com essa referência na luta pela redistribuição que Furtado explica. Legal!

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CHANCES DE MUDANÇAS PARA O POVO À VISTA...

Como inflação afeta o povo e o povo tá sofrendo com o governo colocado no poder pelas elites e pelos poderosos da casa-grande (através de golpe em 2016 e 2018) neste momento histórico do Brasil, vamos mudar esse cenário no próximo dia 30 de outubro, elegendo o candidato da esperança, Lula.

#LulaPresidente

#HaddadGovernador

William


Clique aqui para ler comentários sobre o capítulo seguinte.


Bibliografia:

FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. Grandes nomes do pensamento brasileiro. 27ª ed. - São Paulo. Companhia Editora Nacional: Publifolha, 2000.


sábado, 9 de janeiro de 2021

Ainda as veias abertas...



Refeição Cultural

"No asistimos en estas tierras a la infancia salvaje del capitalismo, sino a su cruenta decrepitud. El subdesarrollo no es una etapa del desarrollo. Es su consecuencia. El subdesarrollo de América Latina proviene del desarrollo ajeno y continúa alimentándolo." (GALEANO, 2014, p. 363)


Sábado, 9 de janeiro do ano 02 do Covid-19. Osasco, cidade da região metropolitana da grande São Paulo. Brasil, o país transformado em pária do mundo após o suicídio coletivo cometido pelo povo ao colocar no poder um fascista genocida envolvido com milicianos. O único lugar do planeta no qual o governo tem como estratégia de manutenção do poder estimular o avanço da pandemia mundial do novo coronavírus que já matou 1.924.004 pessoas, tendo contaminado até agora 89.516.439 vítimas (dados da Johns Hopkins University).

Meses atrás, terminei a leitura do clássico do escritor Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina, publicado pelo pensador em 1970. Hoje li um anexo ao livro escrito por ele em 1978, "Siete años después". Os acréscimos feitos por Galeano na forma de itens enumerados nos contam, dentre outras coisas, dos golpes de Estado no Chile, na Argentina, no Uruguai, todos eles organizados pelos Estados Unidos da América. Mais ditadores passaram a somar crimes contra os países latino-americanos e seus povos, como já ocorria com o Brasil dos ditadores desde 1964 e diversos outros em Nuestra América.

A leitura do livro de Galeano se deu num dos momentos mais trágicos da história do povo brasileiro. Li a primeira metade de As veias abertas durante o processo de golpe de Estado no Brasil em 2016. A outra metade li em 2020, já com o Brasil sendo desfeito pelo criminoso colocado no poder por fraudes diversas e com o patrocínio da burguesia mais abjeta e lesa-pátria do planeta, a brasileira.

Séculos se passam e os povos latino-americanos não conseguem se libertar da exploração e destruição causadas pelos países imperialistas. Décadas se passam desde que Galeano nos mostrou As veias abertas da América Latina e a gente continua sem conseguir se libertar tanto da elite canalha e vil dos países de Nuestra América quanto do jugo dos países do Norte. 

Cinquenta anos se passaram de minha vida, e neste curto tempo de uma vida humana, vi e vivi a miséria e a violência contra o povo durante a ditadura nos anos 70 e 80, a miséria e a violência da destruição econômica e antinacional do neoliberalismo dos anos 90, disfarçada sob a forma de democracia liberal burguesa e tive um gostinho de viver os anos Lula e Dilma (PT), governos cuja prioridade era o povo trabalhador, incluído no orçamento do Estado, com mais oportunidades para todos os povos excluídos por séculos. Depois tudo voltou ao que era antes: novos golpes de Estado patrocinados pelos EUA, golpes no Brasil e outros países, entrega de patrimônio nacional, povo na miséria sem direito a nada etc.

Como vamos mudar essa história de exploração e expropriação dos povos latino-americanos? 

Uma coisa é certa: 1% dos humanos detém praticamente todos os meios de produção através da ideologia e da força. Os outros 99% chafurdam na lama e disputam entre si os restos dos meios na tentativa de sobreviver, e vivem adormecidos e não têm consciência da realidade. Se tivessem e se organizassem eliminavam o 1% capitalista e mudavam a história dos humanos e da vida na Terra, que caminha para o fim sob a destruição irracional do modo de produção capitalista.

Como vamos interromper esse processo rumo ao fim da humanidade e dos seres vivos? O que eu posso fazer neste momento? O que podemos fazer, pergunto a vocês que leem minhas postagens?

William


Post Scriptum:

É tão revoltante e humilhante a impotência que sentimos ao ver as injustiças cotidianas no Brasil. Mortes e mais mortes, miséria e mais miséria e tudo responsabilidade do regime fascista no poder... 202.631 pessoas mortas pelo Covid-19 e 8.075.998 infectadas com risco de morte ou com sequelas causadas pelo vírus. E o genocida no poder com apoio da elite vil e canalha atuando para que não haja vacina, para que as pessoas não usem máscara e não respeitem as orientações de saúde dos órgãos científicos. 


Bibliografia:

GALEANO, Eduardo. Las venas abiertas de América Latina. 1ª ed. 14ª reimpr. Buenos Aires: Siglo Veintiuno editores, 2014.


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

7. Las venas abiertas de América Latina - Eduardo Galeano



"Es mucha la podredumbre para arrojar al fondo del mar en el camino de la reconstrucción de América Latina. Los despojados, los humillados, los malditos tienen, ellos sí, en sus manos, la tarea. La causa nacional latinoamericana es, ante todo, una causa social: para que América Latina pueda nacer de nuevo, habrá que empezar por derribar a sus dueños, país por país. Se abren tiempos de rebelión y de cambio. Hay quienes creen que el destino descansa en las rodillas de los dioses, pero la verdad es que trabaja, como un desafío candente, sobre las conciencias de los hombres. Montevideo, fines de 1970." (GALEANO, 2010, p. 337)


Refeição Cultural - Cem clássicos

Terminei hoje a leitura desta obra clássica monumental, Las venas abiertas de América Latina (1970), do escritor e jornalista Eduardo Galeano, que faleceu em abril de 2015. A obra tem a idade de uma vida humana, a minha, por exemplo. A leitura é angustiante, apesar de necessária. 

Se eu tivesse que indicar somente um livro para os jovens latino-americanos, um só, eu indicaria este livro. Sem dúvidas, ele despertaria nos jovens com algum grau de consciência política e patriotismo o desejo de lutar por Nuestra América, como dizia José Martí.

Ganhei esta edição de minha companheira em 2015, quando era dirigente nacional de uma entidade de saúde de autogestão, por sinal uma entidade que representa tudo aquilo que Galeano aborda em seu maior clássico: uma associação de trabalhadores sul-americanos que tenta sobreviver de forma sustentável e solidária em meio a um mercado capitalista de saúde, mercado imperialista, com concorrência desleal por parte do setor que tem ainda o apoio dos governantes de plantão.

Como já descrevi nas postagens que faço, o livro de Galeano era mais um dos diversos livros que leio ao mesmo tempo, que inicio e nunca termino. O meu livro tem uma peculiaridade: ele viajou comigo por aí. Foi comigo à terra natal do autor, Uruguai, a Montevidéu e Colônia de Sacramento. 

A leitura havia se dado em 2016, o ano do golpe de Estado no Brasil. Naquele momento, eu havia lido os capítulos um e dois da primeira parte - "La pobreza del hombre como resultado de la riqueza de la tierra" - e a descrição que ele fazia era como se estivesse descrevendo o que estava ocorrendo no Brasil sob golpe com os mesmos atores de sempre, os Estados Unidos e as burguesias vira-latas de séculos. Foi demais pra mim! Era muito deprê... Acabei parando a leitura.

Ao retomar a obra de Galeano agora, com o Brasil e o continente Sul-Americano destroçados por golpes de Estado e sob domínio do império americano, foi necessário resgatar muita força de vontade interior e seguir lendo e estudando; afinal de contas, só o conhecimento nos liberta do jugo da ignorância e nos faz pessoas melhores e mais conscientes, mesmo que não possamos mudar o mundo e a realidade sob domínio da violência do necrocapitalismo.

O livro de Eduardo Galeano é um livro que congrega diversos gêneros discursivos e literários, é um livro de Economia, de História, de Geografia; é um livro de Antropologia e Geologia. Não deixa de ser um romance histórico e uma autobiografia, sobretudo porque é uma autobiografia dos povos originários, de criollos e de latino-americanos. É um senhor clássico da literatura universal.

Antes, eu fazia postagens demasiadamente trabalhosas, com diversas citações da obra lida. Não vejo mais sentido nisso hoje. Está feito o registro do quanto o livro é fantástico e necessário. Aos que se interessarem, leiam e se libertem do jugo ideológico do capitalismo imperialista que nos escraviza e nos destrói.

William


Bibliografia:

GALEANO, Eduardo. Las venas abiertas de América Latina. Siglo Veintiuno Editores, Buenos Aires, 2010.


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

151020 - Diário e reflexões


28/out/18, o dia em que eu e a professora
Ione votamos em um professor para a
Presidência do Brasil. Mas quiseram
um ignorante bárbaro e o caos.

Refeição Cultural

Hoje é dia 15 de outubro, data na qual se comemora no Brasil o Dia d@s Professor@s. Este é um dos piores momentos da história para a educação no Brasil e no mundo se considerarmos os últimos dois séculos, desde que as sociedades humanas decidiram organizar algum tipo de educação pública e extensiva a todas as pessoas. 

O que já era difícil por causa do modo de produção capitalista ser hegemônico no mundo, transformando a educação em mercadoria (serviços) e não mais em um direito universal, ficou pior e mais difícil para crianças, jovens e adultos que deveriam ter acesso à educação e se tornou uma profissão de risco e de contextos muitas vezes dramáticos por causa da pandemia mundial do novo coronavírus neste ano de 2020. 

Antes da pandemia, a educação e os profissionais da área já viviam um drama e era um desafio imenso permanecer na profissão por causa dos ataques das extremas direitas e de grupos fanáticos, que inclusive chegaram ao poder ou influenciam fortemente governos. Já faz alguns anos que esses movimentos tentam acabar com a educação e a liberdade de ensino, através de políticas de cerceamento a autonomia do ensino laico e baseado nas ciências e na história do mundo.

Enfim, os tempos são esses. Eu deixo minha humilde homenagem a todas as pessoas que dedicam suas vidas a transmitir conhecimento e culturas aos outros. Professor@s, sigam firmes em suas profissões. A espécie humana e as demais espécies que vivem no planeta estão sob sério risco e só com um novo ser humano poderemos salvar a vida na Terra. A continuarmos como estamos, a vida estará condenada. O que seria uma pena porque a vida pode ser uma experiência fantástica.

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Registro neste meu singelo diário público que tenho me esforçado para ler e estudar para ver se diminuo a minha ignorância em relação às letras e à história em geral.

Estou fazendo um apanhado, uma espécie de retrospectiva, em relação aos clássicos da literatura universal que já li. A experiência tem sido interessante porque me traz as mais diversas lembranças do momento da leitura e dos contextos em que elas se deram.

Por falar em clássicos, também estou tentando retomar e acabar as dezenas de livros que já deixei pelo caminho após iniciar a leitura. Nesta semana, peguei o Eduardo Galeano para dar sequência na leitura de sua obra mais conhecida, As veias abertas da América Latina. Me agarrei à leitura com firmeza, em duas sentadas li 50 e depois 40 páginas. Pretendo terminar a leitura até o fim de semana. Que leitura necessária! Talvez mais aos outros que a mim. 

É uma pena que pouca gente jovem esteja lendo um livro como esse de Galeano! Poderíamos mudar a história da América Latina se as pessoas tivessem noção do quão explorados e sacaneados somos pelos impérios do Norte.

Enfim, seguirei nas leituras. Elas entristecem, mas são necessárias. É melhor termos consciência e conhecimento do que sermos ignorantes e facilmente manipuláveis pela infinidade de canalhas que infestam esse mundo em que vivemos.

William


segunda-feira, 26 de junho de 2017

"Me dei conta de que era um caçador de palavras" - Eduardo Galeano



Obrigado, Eduardo Galeano, pelo
produto de sua "caça de palavras".

Refeição Cultural

"Después me levanté y caminé. Sentía la arena en las plantas de los pies descalzos y las hojas de los árboles me tocaban la cara. Había salido del hospital hecho un trapo, pero había salido vivo, y se me importaba un carajo el temblor del mentón y la flojera de las piernas. Me pellizqué, me reí. No tenía dudas ni miedo. El planeta entero era mi tierra prometida.

Pensé que conocía unas cuantas historias buenas para contar a los demás, y descubrí, o confirmé, que escribir era lo mío. Muchas veces había llegado a convencerme de que ese oficio solitario no valía la pena si uno lo comparaba, pongamos por caso, con la militancia o la aventura. Había escrito y publicado mucho pero me habían faltado huevos para llegar al fondo de mí y abrirme del todo y darme. Escribir era peligroso, como hacer el amor cuando se lo hace como debe ser.

Aquella noche me di cuenta de que yo era un cazador de palabras. Para eso había nacido. Ésa iba a ser mi manera de estar con los demás después de muerto y así no se iban a morir del todo las personas y las cosas que yo había querido.

Para escribir tenía que mojarme la oreja. Yo sabía. Desafiarme, provocarme, decirme: 'No podés, a que no'. Y también sabía que para que nacieran las palabras yo tenía que cerrar los ojos y pensar intensamente en una mujer"

(Os sublinhados são destaques feitos pelo Blog)


Li pela manhã esse excerto de Eduardo Galeano, em seu livro "Días y noches de amor y de guerra" (1986) e fiquei emocionado.

Saí para o trabalho. Voltei para casa no fim da tarde e estava lendo até agora há pouco (depois das 22h) a grande quantidade de textos técnicos da área de gestão em saúde que compõem as deliberações de minha reunião de Diretoria Executiva de amanhã cedo.

Peguei novamente o livro de Galeano e reli o trecho. Que coisa linda! Em suas reminiscências, o escritor uruguaio lembrou de uma de suas mortes - "Mi segunda muerte fue así" - quando teve duas malárias em um mês, estando como exilado em um país sul-americano. Os tempos eram de ditaduras militares sangrentas nas Américas.

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"Aquella noche me di cuenta de que yo era un cazador de palabras. Para eso había nacido"
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E que belo escritor nos saiu Eduardo Galeano!

Estou lendo seus livros agora, já entrando minha madurez. Galeano tem me inspirado muito com suas palavras.

E tenho pensado muito na militância, na vida, na dedicação às causas e nos sacrifícios que impomos a nós mesmos e nossos entes queridos.

Aprendi com a frase famosa de Galeano que a Utopia serve para seguirmos sempre em frente, por mais que andemos e a Utopia se afaste do mesmo tanto.

É isso! Obrigado por sua vida dedicada à caça das palavras, Eduardo Galeano!

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"Escribir era peligroso, como hacer el amor cuando se lo hace como debe ser"
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Fecho a refeição cultural com a frase do excerto comparando o perigo em escrever e fazer amor. Genial!

E por falar em amor, eu diria nos diversos amores:

- Filho, eu te amo! Sinta meu amor e meu apoio mesmo estando longe de ti no dia a dia. Tamo junto!

William
Um leitor

sábado, 23 de julho de 2016

José J. Veiga e o choque cultural no estranho que chega



Literatura - leitura necessária a nós que queremos
pensar o mundo e a vida, sem conformação.

Refeição Cultural - Literatura Brasileira


"Eu estava quase perdendo a esperança de voltarmos à vida antiga, e já não me lembrava mais com facilidade do sossego em que vivíamos, da cordialidade com que tratávamos nossos semelhantes, conhecidos e desconhecidos. Quando eu pensava no passado, que afinal não estava assim tão distante, tinha a impressão de haver avançado anos e anos, sentia-me velho e deslocado. Para onde nos estariam levando? Qual seria o nosso fim? Morreríamos todos queimados, como tantos parentes e conhecidos?(A usina atrás do morro, conto do livro Os Cavalinhos de Platiplanto)


O ano de 2016 foi aquele em que finalmente li e conheci um de nossos grandes escritores brasileiros, José J. Veiga. Em janeiro, me dei o direito de ler o seu livro de estreia - Os Cavalinhos de Platiplanto, de 1959 - e, dias atrás, o seu segundo livro se ofereceu a mim, quando olhava estantes de livros em uma livraria de Osasco - A Hora dos Ruminantes, de 1966. Gostei muito do estilo do autor.

Tanto em seu primeiro romance quanto nos contos, há uma temática que me envolveu sobremaneira e me fez lembrar a temática que autores das primeiras décadas do século 20 abordaram em suas obras: a chegada da "modernidade", da tecnologia em seus mundos, o choque da cidade grande com a tranquilidade das pequenas cidades e vilas do interior, e a chegada do estranho, do de fora, como algo que ora animava pela perspectiva de trazer coisas boas à localidade, ora assustava pelo próprio susto da novidade ou porque efetivamente chegava mudando tudo no local, e não para melhor, mas com um quê de destruição de algo benfazejo - a paz, a tranquilidade, o lado bom e tradicional no local.

Drummond e Manuel Bandeira abordaram muito essa temática em seus primeiros livros de poesia modernista nos anos vinte e trinta do século 20.

Lendo os contos d'Os Cavalinhos de Platiplanto e o romance A Hora do Ruminante (comentário da leitura AQUI), fiquei arrepiado e assustado ao pensar o quanto são atuais no contexto em que eu leitor e nós brasileiros vivemos neste momento de nossas vidas.


A cada página, mais fico pensando na obrigação de nossos
jovens brasileiros e latino-americanos de lerem essa obra e

se libertarem do jugo da dominação ideológica dos de fora,
que só querem nosso tudo.

Para me colocar mais pensativo ainda, também estou lendo a obra máxima de Eduardo Galeano, As Veias Abertas da América Latina (de 1971), que também trata da temática do estrangeiro que chega, com a novidade que destrói e arrasa o local em benefício do estranho e de seu mundo lá fora. 

Eu estava lendo Galeano no momento em que estive no país dele, dias atrás, e ele me explicou aquele bairro de mansões vazias e inúteis de Punta del Este, no Uruguai. 

Estava lendo Galeano ontem no voo que me trazia de três dias de estadia a trabalho em Manaus, no meio da Floresta Amazônica, e em Roraima, e Eduardo Galeano me contava em seu livro do que os estrangeiros fizeram, fazem e agora estão se programando para fazerem mais ainda com nossa terra, nosso solo, nossas riquezas e fodam-se todos nós povos aqui das américas-quintais de exploração de itens básicos e primários para norte-americanos e europeus produzirem em seus países as bombas, as armas, os foguetes, os bens de consumo etc, para eles, só para eles. Se for para importarmos, são dezenas de vezes mais caros que as matérias primas de nossos solos.


Conto "A Usina Atrás do Morro" e "A Hora dos Ruminantes"

"Lembro-me quando eles chegaram. Vieram no caminhão de Geraldo Magela, trouxeram uma infinidade de caixotes, malas, instrumentos, fogareiros e lampiões, e se hospedaram na pensão de D. Elisa. Os volumes ficaram muito tempo no corredor, cobertos com uma lona verde, empatando a passagem..." (Os Cavalinhos de Platiplanto)

Assim começa o conto. O desenrolar da estória é impressionante. Todos os dias em nossos países, cidades, Américas do Sul e Central, acontece, aconteceu, e vem acontecendo isso com a chegada de empresas estrangeiras (corporações) que não nos amam, que não nos consideram, que são extremamente racionais no que vieram fazer aqui séculos atrás, dezenas de anos atrás e não sinto que isso mude hoje e no amanhã. Essas empresas hoje estão com os mesmos projetos exploratórios de sempre, e não é para benefício algum de nossa gente e de nosso país. Que merda isso!

E deixo claro que estou falando sob a ótica da exploração das corporações capitalistas donas do mundo e não dos seres humanos e trabalhadores que são as vítimas exploradas por elas em qualquer país. Eu sou amplamente favorável à liberdade de trânsito dos cidadãos do mundo para escolherem onde viver e trabalhar. Acho um absurdo a xenofobia que volta a se espalhar pelo mundo em crise capitalista.


"A noite chegava cedo em Manarairema. Mal o sol se afundava atrás da serra - quase que de repente, como caindo - já era hora de acender candeeiros, de recolher bezerros, de se enrolar em xales... 

(...)

Os cargueiros vinham descendo a estrada, quase casados com o azul geral. Mas uns homens que estavam na ponte tentando retardar a noite perceberam o sacolejo das bruacas, o plincar dos cascos nas pedras, se interessaram..." (A Hora dos Ruminantes)


Em ambas estórias, estranhos chegam chegando, mudando, causando o caos na vida das comunidades, trazendo mistério pelo que vieram fazer. Com o tempo, a vida vai ficando pior para os moradores das comunidades, bem pior. A novidade desencanta e é uma merda só...

Personagens locais antes dóceis, bonzinhos e respeitados, de repente, viram a casaca e passam a ser agentes dos estranhos e de suas empresas. Assédios descontrolados sobre as populações e nada nem ninguém para protegê-los... nem a porcaria da lei, da justiça etc...

Catarse. Sentido de que não tem mais jeito, era boa a vida, mas agora já era. Não dá mais pra mudar, então é conformar e esperar o fim...


E hoje?

Quando olhamos nossa vida real hoje, hoje, a sensação acaba sendo a mesma, igualzinho. Olha o papel de seres da política como os porta-vozes dos exploradores seculares de fora de nosso mundo... olhe os desgraçados dos senadores e políticos entregando o nosso pré-sal e nossas empresas e riquezas para algumas corporações estrangeiras ou "nacionais" com capital estrangeiro, que já fizeram isso conosco nesses séculos todos.

E parece que ninguém nem nada pode nos salvar. Não tem reação nas ruas, praças, logradouros em nosso mundo afora, um mundo continental. Tem reações episódicas, em nossos lares e fragmentos de mundo. Resmungos.

É tão igual a realidade com a ficção que a lei, justiça, agentes, estão todos contra nós, o povo invadido. Os nossos lesas-pátrias estão tão com eles de fora, que, inclusive, estão mudando "as leis" para tudo ser legal, a entrega de nossas coisas e a nossa exploração.

Chega! Queria dizer o quanto as estórias de José J. Veiga são reais, fazem a ponte com o real. Os finais são bem abertos. Quiça para nos dar alguma esperança ao ler a ficção e nos atrevermos a pensar a nossa realidade... quem sabe ter esperança como numa das estórias ou só o lamento como na outra.

Eu recomendo a leitura de literaturas de qualidade como essas de José J. Veiga e Eduardo Galeano.



Fecho meu comentário e texto, me referindo ao epigrama que citei no início. Não parece que faz tanto tempo, foi durante os anos anteriores, quando estávamos vivendo uma brasilidade enaltecida, interna e externamente, quando estávamos conduzidos pelo governo Lula.

Olha só como estamos hoje, quando a burguesia tupiniquim, mancomunada com agentes e empresas do estrangeiro, avisou ao longo de 2013 e 2014 que não aceitaria mais nenhuma eleição do PT e nenhum vigor em projetos nacionais, e que os avanços deveriam ser freados e destruídos de qualquer maneira... e os desgraçados destruíram a economia do país em dois anos, com o apoio eterno dos meios midiáticos corrompidos de sempre e com parte dos agentes públicos do aparelho do Estado agindo de forma parcial e sem nenhuma dó das empresas nacionais e do emprego nacional.


Abraços, leitores amig@s.

William Mendes
Cidadão brasileiro

sábado, 16 de julho de 2016

Diários de viagem e reflexões (Uruguai)


Portal da cidadela antiga, com Palacio Salvo
e monumento a Artigas ao fundo.

Refeição Cultural - Uruguai

A seguir, registro como memória, alguns dias que passamos no Uruguai.

070716 - quinta

Saímos de Guarulhos, em São Paulo, para passearmos alguns dias no Uruguai. Eu já havia estado no país a trabalho certa vez, quando fiquei na Capital.

Nosso pacote de viagem nos levaria a Montevidéu, a Punta del Este e a Colônia de Sacramento. A ideia era desligar um pouco do trabalho e da política, se bem que desta última, a tarefa é mais difícil. A cabeça dos pais, principalmente da mãe, estaria dividida entre o passeio e a preocupação com o filho, que já segue sua vida de jovem longe dos pais, lá no interior de São Paulo, onde estuda.

A viagem pela companhia aérea Gol foi tranquila. Saímos do Brasil quase às onze horas e chegamos à Montevidéu pouco depois das treze horas. Em homenagem ao Uruguai e pensando o contexto político em meu país e na América Latina, fui acompanhado das palavras de Eduardo Galeano, grande escritor e intelectual uruguaio.

Mensagem da juventude uruguaia para o sujeito
interino na presidência de nosso país.

Eu olhava as paisagens de Nuestra América na janela do avião e lia as descrições profundas de Galeano sobre as desgraças cometidas contra nós povos das Américas, por séculos, pelos imperialistas brancos europeus e norte-americanos.

Sua obra Las venas abiertas de América Latina, apesar de ter sido escrita e publicada no início dos anos setenta, é extremamente atual. Passamos por um período curto com um pouco mais de perspectivas de soberania nacional em nossos países, entre o final dos noventa e a atualidade, período que havia começado com a eleição de Hugo Chaves na Venezuela, e depois seguimos bem com a eleição de Lula da Silva, os Kirchner e diversos governos populares em nossos países. Este curto período mais popular e propício à soberania nacional está ameaçado com golpes e eleições de governos de direita mais recentemente.

Artigas esteve à frente de uma
das primeiras reformas agrárias
da América Latina, no início da
República Oriental do Uruguai.
Estou amargo, azedo em relação aos mamíferos humanos. O processo de construção do Golpe de Estado em nosso querido Brasil me azedou o espírito por causa da alienação de meus pares proletários, e com a manipulação tradicional das massas pelos mesmos donos do poder secular, corruptores da casa-grande e usurpadores da res pública, num patrimonialismo que podemos ver descrito em Eduardo Galeano, como também em Celso Furtado, usurpação da coisa pública pelos senhores brancos, os imperialistas e seus descendentes europeus desde sempre (criollos ou crioulos). Até quando as Américas serão imensos continentes quintais de exploração e diversão dos brancos europeus e americanos? Seremos eternamente isso?

Na van que levou o grupo de brasileiros aos hotéis em Montevidéu, fiquei calado em nome dos "dias de descanso" ao ouvir um casal e familiares do interior de São Paulo conversando e falando suas abobrinhas e perguntando se no Uruguai também tinha a Dilma ou não... (imbecis). Tenho me esforçado a não comprar discussões políticas gratuitas desde que deixei de ser dirigente sindical e assumi um outro papel de representação social. Mas às vezes essas coisas nos consomem. A vontade era de começar uma discussão dentro da porra da van explicando para aqueles palhaços que no Uruguai não tinha "Dilma" mas tinha seu grande apoiador Mujica, que fez seu sucessor nas eleições presidenciais uruguaias, Tabaré Vásquez. Enfim, mesmo em férias, a gente não deixa de pensar, ver, olhar e refletir.

Após o check in no hotel no centro de Montevidéu, pudemos dar uma andada ao final da tarde. Não estava tão frio quanto poderia estar nesta época do ano. O Uruguai estava lotado de turistas brasileiros.

080716 - sexta

Nosso dia foi marcado por uma saída a passeio para a cidade de Punta del Este. O ônibus nos pegou cedo no hotel e saiu pegando turistas por quase uma hora dentro de Montevidéu.

Casapueblo, idealizada por Carlos Páez Vilaró.

Uma das atrações principais do dia foi a visita a Casapueblo, uma belíssima construção que foi ao mesmo tempo residência e ateliê de seu idealizador, o uruguaio Carlos Páez Vilaró, falecido em 2014, e hoje é museu e hotel. A Casapueblo está em Punta Ballena, que fica a 13 km de Punta del Este, no departamento de Maldonado.

Em Punta del Este, vimos nas areias da praia local a famosa escultura "La mano" ou "Los dedos" ou ainda "Hombre emergiendo a la vida", do artista chileno Mario Irarrázabal, obra feita entre 1981 e 1982. Bem interessante a escultura.

Obra de arte imponente em Punta del Este, Uruguai.

O passeio incluiu uma passagem do ônibus por um bairro de gente rica e famosa, uma "Beverly Hills" de Punta del Este. Essa parte do roteiro me deixou enojado. Fiquei pensando no espírito de vira-latas que faz parte da cultura da burguesia latino-americana, construída a partir da ideologia da classe dominante branca e crioula (os descendentes dos imperialistas e colonizadores desses séculos de destruição de Nuestra América).

Nada seria mais interessante que desapropriar todas aquelas mansões vazias daquele bairro inteiro para transformar aquilo em um bairro para milhares de pessoas da classe trabalhadora...

O passeio durou o dia todo e voltamos a Montevidéu de noite. Almoçamos uma parrilla e tomamos uma Patricia, cerveja uruguaia. Comprei um livro interessante numa livraria local de Punta del Este com os contos completos de Edgar Alan Poe. Paguei algo como 54 reais.

090716 - sábado

O clima do dia contribuiu para que pudéssemos andar à vontade pela cidade de Montevidéu. Fez sol e um friozinho tranquilo. A ideia era tentar fazer uma visita guiada ao edifício mais famoso do país, o Palacio Salvo, construído entre 1923 e 1928 e que foi o prédio mais alto da América do Sul até 1935.

Observando e sendo observados pelo gigante
 de concreto Palacio Salvo, de 1928.

Deu certo e a experiência foi bem legal. Eu gosto de construções engenhosas que ressaltam a capacidade e inteligência humana, quando o quesito é nossa capacidade de alterar a natureza, manusear os elementos constantes dela própria e nossa destreza humana em inventar coisas e resolver problemas. O mamífero humano é capaz das coisas mais extraordinárias possíveis, para o bem e, infelizmente, para o mal também.

Um dos poucos passeios que pude fazer quando estive em Nova Iorque a trabalho, anos atrás, foi encarar a fila gigante para uma visita ao Empire State Building, de 1931, com 102 andares e 381 metros até o telhado. Quando estive em Buenos Aires, na Argentina, não entrei no Palacio Barolo, irmão do Palacio Salvo, mas pude bater umas fotos estando em frente a ele. Assim como no Brasil sou grande admirador do Edifício Martinelli, no centro de São Paulo, também torre mais alta das Américas em seus anos iniciais, inaugurado em 1929, com 39 andares e 130 metros de altura (abriga nosso Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região).


Torre Antel - outro arranha-céu de Montevidéu, abriga
 a empresa estatal de telecomunicações, inaugurada
 em 2002, com 32 andares e 158 metros de altura.

Nosso grupo ganhou um extra raro na visita de sábado porque no momento em que descíamos da torre do Palacio Salvo, o morador do apartamento mais alto, único no andar, estava lá e nos convidou para entrar, o que nos permitiu ir até a sacada de 360º vendo toda a cidade de Montevidéu. Foi bem interessante!

Além disso, no passeio guiado fomos também ao terraço do 10º andar. Hoje, o edifício é residencial e tem centenas de moradores.

Ainda o sábado...

Teatro Solís, obra majestosa de Montevidéu. Tivemos
o privilégio de assistir à peça O Otelo Oriental.

Quando fomos à tarde visitar o belo Teatro Solís, inaugurado em 1856, aproveitamos a oportunidade de haver sessão à noite e voltamos às 21h para assistir a uma peça teatral - O Otelo Oriental. Pudemos conhecer o teatro por dentro da melhor forma possível. É belíssimo! A peça foi interessante e abordou a questão da influência inglesa sobre o Uruguai nos anos vinte do século 19, num enredo em que Brasil e Argentina disputavam espaços comerciais no país e ao final, saiu vencedor um terceiro, os ingleses com um tratado de livre comércio. Ai ai ai..., me lembrei do Eduardo Galeano e d'As veias abertas da América Latina...

E para o sábado ser mais completo ainda...


Una carne ancha y una cerveza Patricia
en el Mercado del Puerto.

Antes da noite teatral, fomos ao Mercado del Puerto comer as famosas carnes uruguaias e tomar uma cerveja Patricia. Enfim, foi um sábado repleto de cultura, diversão e comilança.

100716 - domingo

O domingo foi o nosso último dia em Montevidéu. Como o sábado foi intenso, resolvemos pegar leve. Fizemos o passeio no ônibus que passa pelos principais pontos turísticos da cidade. Mas não descemos em lugar nenhum porque as principais atrações estavam fechadas (ex: Assembleia Legislativa e Estádio Centenário). Foram duas horas de tour.


Assembleia Legislativa, palácio inaugurado em 1925
com arquitetura do neoclassicismo. Não conseguimos
fazer a visita guiada porque era fim de semana.

O passeio no bus turístico foi o que achei mais caro em Montevidéu. Diria que não valeu a pena. Foram 572 pesos cada, ou seja 1.144 pesos, que daria algo como 140 reais o casal. Só para se ter uma ideia do quanto foi caro, o passeio guiado no Palacio Salvo custou 200 pesos cada (algo como 50 reais o casal). E a peça de teatro no Solís custou 300 pesos o casal (uns 36 reais).

Por fim, comemos de novo no Mercado del Puerto e retornamos ao hotel. Fiz fotos bem bonitas em Montevidéu. Li um pouco do livro de Eduardo Galeano, Las venas abiertas de América Latina (1971).

Una calle en julio...
Como disse no início da postagem, estou muito azedo com os mamíferos humanos. Tudo o que vejo e percebo no meio social em que vivo e frequento é o resultado de séculos de exploração dos colonizadores e exploradores imperialistas e seus descendentes criollos sobre nós classe trabalhadora originária dessas terras americanas ou descendentes miscigenados dessa massa explorada que para cá foi trazida como gado para superproduções e acumulação primária do capitalismo europeu e americano. Meu azedume é a tradução de ver novamente o mesmo ciclo de caídas dos governos mais populares e a nova tomada de poder por golpes jurídico-parlamentares ou por manipulação do povo alienado nos processos eleitorais das Américas.

Nos dias seguintes, estivemos na Colônia de Sacramento.

110716 - segunda

Logo pela manhã, demos saída no hotel em Montevidéu e fomos de van para a Colônia de Sacramento, fundada em 1680, distante 177 km da capital uruguaia, indo para o lado ocidental, adentrando ao Río de la Plata. Chegamos quase ao meio-dia.

Um belo Pôr do Sol em Colônia de Sacramento, Uruguai.

Enquanto não podíamos fazer o check in antes das 14h, saímos para andar e já conhecer a parte histórica da Colonia. Almoçamos no centrinho velho e retornamos para dar entrada na pousada que ficamos até quarta-feira. Posada Del Virrey (muito agradável).

Numa única andada, deu para ver as ruínas da antiga cidade, as muralhas, a torre, a igreja principal e os casarões seculares. À noite, saímos para comer.

Ali, pensei comigo, seria boa oportunidade para ler e dormir, andar e refletir um pouco antes da volta à rotina desgastante em que minha vida se transformou nos últimos anos de militância política como representante eleito por trabalhadores, primeiro em entidades sindicais, e agora em entidade de saúde.

120716 - terça

Leseira... leitura pela manhã... Las venas abiertas de América Latina...

Saímos a flanar por las calles da Colônia. Subimos ao topo do farol para ver o Pôr do Sol no Río de la Plata.

Farol de Colônia, erguido sobre
 uma das antigas torres do
Convento São Francisco Xavier.

130716 - quarta

Leseira pela manhã e última saída a caminhar pela Colônia de Sacramento.

Andamos mais de 5 km indo da pousada até a antiga Plaza de Toros, de 1910. Depois pegamos um ônibus local com moradores e trabalhadores, que andou pelos bairros até chegar novamente ao centro histórico. Almoço... um café... e Pôr do Sol no cais local. Imagens fantásticas!

Saímos do Uruguai na manhã de quinta-feira.

Valeu a pena o passeio! Postarei mais fotos no blog anexo a este (clique aqui).

William

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Diário - 150716





Estou em Osasco, São Paulo. Hoje é sexta-feira.

Estive no Uruguai, viajando a passeio com a esposa por alguns dias. Também estive lendo a obra imprescindível do grande escritor uruguaio Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina. Já li a metade do livro escrito e publicano no início dos anos setenta. Gostaria que meu filho e todos os jovens do mundo o lessem, os jovens dos países imperialistas e os jovens dos países vítimas do imperialismo. Gostaria que os adultos e os apoiadores do golpe fascista no Brasil o lessem.

É muito nojento o papel histórico das burguesias latino-americanas vira-latas em intermediar a exploração de nossas gentes a troco de uns vinténs por parte dos imperialistas. Quando vejo em andamento a pauta dos golpistas e lembro o quanto isso é antigo, dá uma revolta, um nojo, que é difícil não ter náuseas. É difícil não ficar triste e revoltado.

Estou reflexivo, cismando com tudo que vivencio e que terei pela frente a partir de segunda-feira, quando voltar para o campo de batalha em que se situa a existência minha e de todos nós da classe trabalhadora mundial, num mundo voltando aos períodos de maiores barbaridades sociais.

Eu me solidarizo com todas as vítimas e entes queridos envolvidos no massacre ocorrido ontem em Nice, na França, quando uma pessoa assassinou dezenas de pessoas com um caminhão. Me solidarizo com gente, com pessoas, mas estou amargo mesmo é com tudo que está acontecendo embaixo de nossos narizes aqui no Brasil e por aí no mundo capitalista "civilizado". 

Como suportar a barbaridade diária de viver sob um Golpe de Estado onde até o mundo mineral sabe a intenção dos desgraçados, da parcialidade contra nós povo trabalhador e movimentos sociais e a favor da cleptocracia secular? Como fazer cara de paisagem para aqueles ao meu redor que compartilham dessa merda toda? Inclusive os pobres, os trabalhadores e os remediados manipulados pela máquina totalitária dos meios de comunicação dos golpistas?

Ao ler a história de nossos países da América Latina, eu fui revendo coisas que já conheço e fui agregando novos conhecimentos sobre a nossa história de explorados, de povos assassinados barbaramente, ao mesmo tempo que também assassinados lentamente pela fome, pela miséria e pela dor invisível de milhões de pessoas, gente insignificante para os meios de comunicação manipuladores de massas, todos todos dos donos do poder capitalista, parceiros dos imperialistas e latifundiários que tudo podem.

A gente carrega tanta responsabilidade nos ombros pelos papéis sociais que exercemos e, ao mesmo tempo, sabemos que podemos fazer tão pouco frente ao massacre das máquinas burocráticas dos endinheirados e seus asseclas e lacaios, colocados nas posições adequadas nas máquinas que tentamos disputar e gerir em nome dos trabalhadores, que vamos sendo consumidos física e psicologicamente quando não aceitamos nos dobrar ao "modus operandi" do patrimonialismo secular que pouco liga e se importa com gente, com trabalhadores, com humildes.

Ainda para piorar, tudo que vemos no campo em que atuamos, o campo popular, dos trabalhadores, da esquerda e dos movimentos sociais, tudo o que vemos é cisão, personalismos, comportamentos não adequados à gravidade que a classe trabalhadora vive, precisando desesperadamente de unidade contra os ataques mais agressivos que já vivemos nas últimas décadas, tanto no Brasil, como nas Américas e também no mundo, ao pensarmos nós povo todo fora do circuito dos 2 a 5% que tudo detém na aldeia global.

Até que ponto podemos lutar contra o sistema hegemônico desses 2 a 5% detentores de tudo, e em pleno movimento de ataque no tabuleiro nacional e mundial, sem remorso algum pelas iniquidades públicas e veladas praticadas, quando o nosso lado está todo esfacelado e desunido?

Este ator social que vos fala, por mais que sinta certa solidão pelas fraturas de meu campo social, vai seguir trabalhando diuturnamente pela Cassi, pelos associados que representa, pelo modelo de saúde que acredita e entende ser o melhor para todo o sistema e, de antemão, peço perdão à minha família pela ausência e falta de tempo que seguirei tendo com eles por causa de meu compromisso com o mandato que exerço. Apenas me dedico do jeito que deveria ser feito por qualquer um em papel de representação semelhante.

William

domingo, 3 de julho de 2016

As veias abertas da América Latina sangram...




Refeição Cultural

"Incorporadas desde siempre a la constelación del poder imperialista, nuestras clases dominantes no tienen el menor interés en averiguar si el patriotismo podría resultar más rentable que la traición o si la mendicidad es la única forma posible de la política internacional..." (Eduardo Galeano)


Está acabando o final de semana. É tão curto que mal dá pra gente descansar um pouco.

Além de ficar quietinho em casa em Brasília com a esposa, e correr um pouco no sábado e pedalar neste domingo (ver AQUI), o que fiz de mais interessante foi pegar o livro de Eduardo Galeano e ler umas sessenta páginas.

A obra fantástica "Las venas abiertas de América Latina" foi publicada em 1971 e sua atualidade nos assusta, nos intimida, nos humilha por saber que, se por um lado, iniciamos um período de enfrentamento soberano ao modo aniquilador de exploração dos imperialismos europeus e americano com governos mais populares da metade dos anos noventa até bem pouco tempo, por outro lado, agora estamos de novo sofrendo uma reviravolta com golpes de estado como em Honduras, Paraguai e Brasil, além da eleição da direita na Argentina e no Peru.

É de dar nojo o que os espanhóis e portugueses fizeram com os povos que aqui estavam e suas nações constituídas há centenas de anos. O massacre e o volume de pessoas exterminadas covardemente, com armas desproporcionais é semelhante ao número de mortos nas guerras mundiais do século XX. Foram exterminados dezenas de milhões de seres humanos. Mas aqui nas Américas não foi guerra de exército contra exército, foi extermínio puro e simples.

Começou aqui faz séculos, nossa história colonial de exploração para acumulação de capitais para europeus e americanos. Passados séculos, havíamos iniciado aqui nas Américas do Sul e Central governos mais progressistas, populares, oriundos do próprio povo trabalhador ou originário da terra, soberanos e focados nos próprios povos, mas durou pouco. Já neste momento os imperialistas retomam suas colônias de exploração através de golpes e intervenções canalhas para derrubar os governos populares.

Quando vejo figuras como essas que estão à frente do Golpe de Estado no Brasil, figuras que já têm em seu currículo crimes de entrega de nosso patrimônio aos estrangeiros a preço de nada, ou corrupção da grossa mesmo, encoberta porque eram eles e eles sempre puderam, com os imperialistas estrangeiros só pagando a eles umas gorjetas, umas propinas como aconteceu nos anos noventa, eu sinto ao mesmo tempo um ódio mortal por esses lesa-pátrias e assassinos de nosso povo, assassinos pelas mortes diárias através da miséria que eles querem ver de volta. Mas sinto também um desprezo tão grande por todos os alienados que de qualquer forma apoiaram o Golpe que aí está...

Pensem vocês que esses desgraçados, passados séculos, estão para destruir os poucos direitos trabalhistas que conquistamos com sangue, suor e lágrimas. Querem foder nossos direitos em aposentadoria, e eles praticamente vivem de nos explorar, sem trabalhar. Querem entregar nossas riquezas de novo para alguns capitalistas estrangeiros. Cortar todas as políticas afirmativas e sociais. Tirar o país do povo novamente.

E por que o povo não se revolta? Porque há um sistema midiático de pão e circo. E esse sistema com meia dúzia de dominadores há décadas segue intocável. Por que aceitamos? Por que milhões deixam que uns poucos nos manipulem, nos coloquem na condição de nada (nihil) contra o sistema hegemônico?

Vou parar por aqui. Estou muito revoltado em ver que não há reação do povo à altura do ataque desferido ao Brasil e ao próprio povo, que segue curtindo o futebol, a Globo, lendo os jornais e revistas dos desgraçados e, se mandarem nos pegar (aqueles que se revoltam ou reagem), é comum que o próprio povo explorado avise aos buldogues da polícia deles onde estamos.

Será que o povo dessas veias abertas da América Latina merece o que os seculares exploradores fazem conosco?

Será que nossa negritude, nossa mestiçagem, nossa origem nestas terras, sem nome difícil de falar, sem termos olhos claros, a pele branquinha com cabelos escorridos loiros, nossa mescla índio negro cafuzo cabelos não lisos sangue e pobreza de origem nos faz piores que esses exploradores europeus e americanos seculares?

William

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

8 de outubro - Los Tres (Eduardo Galeano)


Para pensarmos, deixo esses acontecimentos do dia 8 de outubro, relembrados por Eduardo Galeano em "Los hijos de los días".




Los Tres

En 1967, mil setecientos soldados acorralaron al Che Guevara y a sus poquitos guerrilleros en Bolivia, en la Quebrada del Yuro. El Che, prisionero, fue asesinado al día siguiente.


En 1919, Emiliano Zapata había sido acribillado en México.


En 1934, mataron a Augusto César Sandino en Nicaragua.


Los tres tenían la misma edad, estaban por cumplir cuarenta años.


Los tres cayeron a balazos, a traición, en emboscada.


Los tres, latinoamericanos del siglo veinte, compartieron el mapa y el tiempo.


Y los tres fueron castigados por negarse a repetir la historia.



Eduardo Galeano (1940-2015)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Diário - 120815





Hoje terminaram minhas férias de dez dias. Foram tão curtas!

Não li livro algum, só algumas dezenas de páginas de Las venas abiertas de América Latina, de Eduardo Galeano.

O alumbramento possível nestes dias foi visitar e conhecer as ma-ra-vi-lho-sas Cataratas do Iguaçu. É algo para poucas palavras e muitas sensações no momento, no instante. Foi uma excelente ideia de minha esposa e companheira. Fui conhecer as Cataratas aos 46 anos de idade. Foram somente 4 dias, mas valeram a pena. Recomendo a tod@s.

Após cumprir neste mês de agosto minha caminhada anual (Romaria) de Uberlândia até Água Suja (75 km) e já ter andado uns 100 km até agora, retomei hoje o treinamento de corrida.

Como é importante termos na vida desafios pessoais no horizonte, para nos ajudar a ter equilíbrio nos problemas do dia a dia, lembrando que temos coisas a cumprir, tanto no campo profissional, de militância, bem como pessoal, me inscrevi para a minha primeira meia maratona neste semestre.

A partir de hoje, tenho dois desafios pessoais a vencer na área das atividades físicas: treinar para conseguir correr 21 km da Meia Maratona Caixa de Florianópolis em outubro e fechar o ano com a participação em mais uma São Silvestre, onde meu objetivo será fazer o melhor tempo em minhas oito participações.

E olha que os desafios como gestor eleito em uma entidade de saúde que vive um momento difícil, como todo o setor de saúde enfrenta, exigirá muito de mim em todos os sentidos. Mesmo assim, eu tenho que cuidar de minha saúde para estar disponível para minhas tarefas como ser humano e cidadão envolvido em muitas frentes.

É isso. Vou buscar equilíbrio na alimentação, nos exercícios físicos sempre que sobrar um tempinho, vou estar muito centrado no emocional e no racional e faremos o bom combate.

William Mendes

domingo, 26 de abril de 2015

Diário - 260415 (Preservando o caráter)





Refeição Cultural - Preservando o caráter

"Como se podem buscar objetivos de longo prazo numa sociedade de curto prazo? Como se podem manter relações sociais duráveis? Como pode um ser humano desenvolver uma narrativa de identidade e história de vida numa sociedade composta de episódios e fragmentos? As condições da nova economia alimentam, ao contrário, a experiência com a deriva no tempo, de lugar em lugar, de emprego em emprego. Se eu fosse explicar mais amplamente o dilema de Rico, diria que o capitalismo de curto prazo corrói o caráter dele, sobretudo aquelas qualidades de caráter que ligam os seres humanos uns aos outros, e dão a cada um deles um senso de identidade sustentável"

(A corrosão do caráter - consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Richard Sennett)


Domingo à noite. Acabou o fim de semana em Osasco SP.

Cheguei muito cansado de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, na sexta-feira à noite. Estive lá para a primeira Conferência de Saúde da Cassi deste ano. A semana foi extremada no trabalho e o desgaste psicológico me exauriu as energias.

No sábado pela manhã foi muito difícil levantar-me. Mas depois o corpo "pegou no tranco" (a frase tende a virar relíquia na língua portuguesa porque não se pode dar tranco nos carros atuais). Encontramos alguns amigos à tarde em um churrasco. Uma das coisas que fiquei pensando após isso foi no livro de Richard Sennett falando sobre a questão do caráter.

SENSO DE IDENTIDADE SUSTENTÁVEL

"O termo caráter concentra-se sobretudo no aspecto a longo prazo de nossa experiência emocional. É expresso pela lealdade e pelo compromisso mútuo, pela busca de metas a longo prazo, ou pela prática de adiar a satisfação em troca de um fim futuro..." (Sennett).

Eu sei que deveria investir um pouco mais na sanidade advinda da convivência social nas horas de lazer. Eu quase nunca vou a eventos sociais porque estou sempre escolhendo o parco tempo que me resta do trabalho (militância) para mim mesmo. Faz muitos anos que tenho jornadas de 12 horas ou mais desde que fui para a Contraf-CUT e atualmente como diretor eleito da Cassi. Quando sobra alguns minutos, durmo... tento descansar em casa com a família.

CORRENDO PARA NÃO ADOECER

Ao correr neste domingo 5 km no Parque Continental, ao lado de onde moro em Osasco, percebi que se eu ficar sem correr algumas semanas ficarei doente. O estresse que tenho durante a semana vai fazendo meu corpo pedrar, cheio de hormônios ruins, e começo a ter dores nos músculos, tendões, costas etc. Ao correr, desopilo o fígado e sai a carga ruim e oxigena a vida. Não dá pra ficar sem correr mais não, com essa vida que estou levando para cumprir até o fim a missão que me designaram...

LEITURAS QUE ALIMENTAM E ENRIJECEM O CARÁTER

Fui ler um pouquinho neste domingo. Além de umas dezenas de páginas do Sennett, li a citação do dia no livro do Eduardo Galeano, "Los hijos de los días", que ganhei do companheiro Carlão.

Vi que neste dia 26 de abril ocorreu em 1986 a catástrofe nuclear em Chernobyl, Ucrânia. Eu me lembro disso e tinha 17 anos de idade. Naquele ano, decidi deixar meus pais em Minas Gerais e voltar sozinho para São Paulo para tentar trabalhar e fazer a minha vida. 

Eu estava cansado de ser trabalhador braçal, de trabalhar sem carteira assinada, fazendo bicos, eu queria um emprego mais estável, queria uma vida que me permitisse uma narrativa, como diz Sennett. Quando passei em dois concursos ao mesmo tempo - Banco do Brasil e CET da Prefeitura de SP -, escolhi o que tinha jornada de 6 horas...

Minha nossa! Nunca quis trabalhar tanto em minha vida... olha como está a minha vida hoje... as coisas são assim!

Todos somos filhos dos dias...

SENSO DE COMUNIDADE (AO VIVO)

"Rico me disse que ele e Jeannette fizeram amizade sobretudo com pessoas que viam no trabalho, e perderam muitas delas nas mudanças dos últimos doze anos, 'embora continuemos em rede'. Ele busca nas comunicações eletrônicas o senso de comunidade  que Enrico (seu pai) mais apreciava quando assistia às reuniões do sindicato dos faxineiros, mas o filho acha as comunicações on line breves e apressadas." (Sennett)

Por fim, queria deixar registrado que foi uma vitória poder falar com quase cinquenta pessoas em Campo Grande sobre a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. O Banco e seus representantes na Cassi não me liberaram a verba para realizar as conferências de saúde. Mas eu não aceitei isso e busquei na persistência pessoal e no apoio das entidades associativas do BB, como a Anabb e o Sindicato local, a forma de realizar o evento. Valeu a pena!

Eu disse para cada um dos colegas lá da nossa comunidade do funcionalismo, que eu posso até entender a importância das redes sociais virtuais, mas que nada substitui o olho no olho, o gesto, o tom de voz, a postura corporal de falar com as pessoas.

A humanidade vai sofrer muito com as consequências do esfriamento humano advindo com a vida virtual e o fim dos abraços, dos falares olho no olho. O mundo vai sofrer nas próximas décadas... (já está sofrendo).

Aos poucos que lerem essas palavras, deem um abraço humano nos seus próximos quando os encontrarem. Olhe para eles, ande olhando para a frente e não para a tela de seu mundo virtual.

William Mendes