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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O amor ao meu pai me faz sentir a sua dor



Meu pai querido. Te amo!

Neste domingo (10), dia dos pais, liguei para o meu paizinho e conversamos um pouco, com direito a nos vermos na tela. Disse de meu amor por ele e o quanto eu gostaria de ajudá-lo a resolver seus problemas de saúde, que tanto lhe aborrecem e lhe causam dor.

A saúde de meu pai é um drama que vivemos juntos há muito tempo. Mas a dor física quem sente é ele, apesar de sentirmos juntos a dor que ele sente.

Meus pais nunca tiveram um plano de saúde. Sempre tiveram que se virar no Sistema Único de Saúde. Por diversas vezes nesta vida, foi um drama complicado conseguir atendimento para uma emergência deles, principalmente lá em Uberlândia, onde residem.

Eu acabei virando bancário do Banco do Brasil em 1992 e perante a minha família, passei a ser quase um "privilegiado" por ter um plano de saúde. Nunca alguém me disse isso. Mas sempre me senti mal por isso. Sempre evitei ir ao médico através de convênio porque meus pais não tinham como ter acesso ao mesmo direito. Em décadas de vida, foram dezenas as vezes que estive doente e fiquei em casa até sarar sozinho.

Hoje sou diretor eleito da entidade de saúde de nossos trabalhadores do Banco do Brasil. Começamos faz poucas semanas a participar da gestão.

Ao conversar com meu paizinho neste domingo, falei a ele que eles terão um plano de saúde agora. Vou incluí-los no plano conforme as possibilidades vigentes me permitem para parentes até 3º grau.

Meu paizinho, do alto de sua grande sabedoria de vida (apesar da pouca educação formal) me disse uma verdade impressionante! Ele intuiu que por mais que eu vá incluí-lo num plano, há carências a cumprir nele, e que eu e as demais pessoas da gestão estamos buscando formas de melhorar para o próximo período a entidade de saúde que gerimos, mas que ele sabe que mudanças são de médio e longo prazo.

E... disse que os problemas de saúde na área que lidamos têm dificuldades a serem superadas assim como a saúde pública que está aí.

Por fim, me disse que a dor crônica que ele sente há meses, 24 horas por dia, precisaria ser extirpada agora, ele não tem esse amanhã lá na frente, porque estamos planejando para melhorar e perpetuar nossa entidade por décadas adiante.

Meu pai sente dores hoje. Eu não posso tirar as dores de meu pai. Essa realidade nos dá uma sensação de impotência dolorosa. Nos dá também um senso de humildade e de importância na busca de soluções no agora.

Desejei-lhe forças e disse o quanto eu o amo e o quanto ele é importante pra mim e uma referência de vida.

Obrigado por você estar aqui entre nós meu paizinho, mesmo com seus problemas de saúde. Eu, o senhor e nossa família sabemos que você e a mãe fazem o possível para estarem vivos e alimentarem meu coração pra juntos seguirmos lutando, nós todos, todos nós.

Um beijo meu pai querido.

William Mendes

domingo, 12 de agosto de 2012

Romaria 2012: se ateu, por que caminho?


A família. 

ROMARIA 2012: SE ATEU, POR QUE CAMINHO?

É um tempo tirado para introspecção e oportunidade para testar o quanto ainda carrego de minha gana e persistência


Cheguei da minha caminhada anual bastante estragado neste ano. Meus pés vão dar trabalho por alguns dias. Percorri 85 km em 24 horas. Não fui feliz com a escolha do tênis e me lasquei. Andei uns 30 km pisando bolhas enormes.

Refleti bastante durante a primeira metade da caminhada. A segunda metade é basicamente uma luta consigo mesmo para superar cansaço e dor e chegar onde se tem que chegar.

A pergunta mais comum de conhecidos (e foi minha dúvida por muitos anos também) é por qual motivo faço a romaria se sou ateu e não pratico religião alguma.

Neste ano, a resposta que costumo dar encaixou-se como uma luva em minha caminhada: é um tempo tirado para introspecção e oportunidade para testar o quanto ainda carrego de minha gana e persistência.


PRIMEIRA PARTE DA CAMINHADA

Saí da casa de meus pais meio-dia e meia de sexta-feira 10/08. Como vinha saindo do trevo da cidade de Uberlândia em outros anos, isso alongou o percurso para uns 85 km.

Nesta época do ano o clima de deserto arrebenta a gente. Peguei um sol fortíssimo durante a tarde e tive que trocar um par de meias antes de chegar ao trevo da cidade. À noite, fez um frio tremendo.


"SOL DE RACHAR BOBINA"

A primeira terça parte da caminhada é até o Rio Araguari - são 27 km. Como era grande a quantidade de romeiros na estrada, coloquei meu toca-fitas Aiwa em ação logo cedo. Minha vida mudou tanto como dirigente sindical que praticamente não ouço mais música.

Toca-fitas dos anos 80. Faz parte do meu kit de romeiro.

Aí está uma oportunidade. Ouvi muita música nestas 24 horas. Não é qualquer tipo de música. São as músicas de rock que eu gravei em rádio lá nos anos 90 e que ainda são aquelas que gosto.

Por que não enfiar milhares de músicas num ipod ou celular? Porque isso também faz com que todos sejam autômatos. Vocês não têm ideia do quanto é importante nas minhas caminhadas o movimento de parar e virar as fitas a cada 30 minutos. Ali eu saio do marasmo do cansaço, do sono, volto ao estado de alerta.

Cheguei à ponte do Rio Araguari às 18h e o entardecer foi fantástico. Não fiz fotos. Neste ano cheguei mais revoltado que o normal e não quis levar máquina fotográfica.


CÉU ESTRELADO E DE LUA MINGUANTE

O segundo terço da caminhada é até a Antena - são mais 32 km. Fiz o percurso das 18h até 3 horas da manhã.

Naquela caminhada no breu sob o céu que nos protege (ou ameaça) com zilhões de estrelas e um som maravilhoso rolando, só refletindo muito mesmo!

Não é fácil aos romeiros decidirem o que é pior. A subida após o rio, pois é dureza subir subir e a subida parecer interminável ou ficar vendo a luzinha vermelha da Antena na madrugada, andar andar e andar e a porcaria da Antena não chegar (onde está a principal barraca de ajuda aos romeiros).


REFLEXÕES E CISMAS SOBRE A VIDA ATUAL

Cismei muito sobre a péssima qualidade de vida que tenho levado. Apesar de dizer para as pessoas não serem e agirem como "manada" e como "autômatos", que vida é essa que estou levando que não posso mais ler, praticar esporte, ouvir música, gozar momentos de ócio para que sua mente possa produzir ideias e conhecimento?

Também pensei muito sobre este semestre terrível que minha família viveu. A morte da minha avozinha querida, o enfarte de meu pai e o agravamento de seus problemas de saúde, a minha mãe acamada por meses por estar com a coluna fraturada, minha relação com meu filho e outras coisas mais... A vida é dura!


PARTE FINAL - TESTAR LIMITES E BUSCAR SUPERAÇÕES

Na barraca de ajuda aos romeiros da Antena, onde cheguei muito cansado, deitei sobre a palha e fiquei ali por mais de uma hora. Foi difícil achar um espaço entre as dezenas de romeiros espalhados pela palha.

Cara, que frio! Como meus pés já estavam doendo e minhas costas estavam pedradas, isso deve ter ajudado na sensação de mal estar geral que eu sentia.

Tomei uma sopa e comi um pãozinho antes de começar a terceira e última parte da caminhada.

Para vocês terem uma ideia de como a gente vai sentindo a quilometragem durante a caminhada, quando estou no início da romaria (até lá pelo quilômetro 50), faço o quilômetro em 10 minutos, ou seja, uma fita de música dos dois lados = 6 km.

Quando o corpo já está quebrado e ainda faltam dezenas de quilômetros, os passos começam a ficar menores (ou então, já estamos pisando bolhas). Da meia-noite em diante, eu já estava andando na casa dos 15 minutos o quilômetro.

Eram 6 viradas de fitas (3 horas) para os mesmos 12 km percorridos durante o dia.

Este é o atalho. Daí à cidade são mais 8 km. 
Foto que fiz em 2011.

A DUREZA DOS ÚLTIMOS 14 KM

Do posto Santa Fé (desativado, mas as pessoas usam como parada) até a cidade de Água Suja, passando pelo atalho dos eucaliptos, são mais 14 km.

Neste ano, as dores nos pés me fizeram gastar nesta etapa mais de 20 minutos o quilômetro andado. Minha concentração era toda na forma de pisar e sentir menos dor e evitar estourar as bolhas que tinha nos calcanhares.

Cheguei à cidade de Água Suja ao meio-dia de sábado 11. Acabei tomando todo o sol escaldante da manhã também.

Resumindo, foram us 30 graus de sol na tarde de sexta, uns 10 graus na madrugada da estrada e mais uns 30 graus de sol na manhã de sábado. Afora isso, os últimos 14 km são brindados com aquele terrão vermelho que te cimenta por dentro. Aquela sequidão brava de agosto. Até agora estou mal do nariz.



AINDA AS REFLEXÕES DA CAMINHADA

Eu sou um soldado quando se fala em relação à militância sindical. Já dediquei 10 anos de minha vida à causa da CUT, dos bancários e da Articulação Sindical.

Eu passei a minha vida enfrentando dificuldades. Está no contexto da nossa existência familiar superar problemas.

Nesta década de movimento sindical me esforcei e transpirei muito para ser daqueles imprescindíveis ou, ao menos, necessário (como diz o famoso poema).

A cada ano, me pergunto se vale a pena dedicar minha vida à causa. Se o que conseguimos de bom para o movimento dos trabalhadores vale a pena e se é maior que as tristezas que passamos e geramos na luta por aquilo que acreditamos.

Sei que não podemos avaliar o resultado da luta coletiva por reflexos nas pessoalidades. O país avançou nesta década, mas minha família passa horrores com falta de respeito e de atendimento médico público. Mas os números mostram que a vida melhorou.

Neste domingo dos pais em que publico esta postagem de minha caminhada, tenho minha mãe no corredor do SUS na esperança de ser atendida, pois estava acamada e passou mal hoje de manhã. Já são umas oito horas de espera e não sabemos se e quando vai ser atendida por um médico. Como tem sido hábito, viajo de madrugada para Brasília e deixo minha família nesta situação.

Aí quando me pego dentro do movimento, onde dedico minha vida, preciso desperdiçar parte importante do meu tempo e energia para me proteger dos ataques e puxadas de tapete dentro do próprio movimento (não estou falando de outras correntes de pensamento!). Com a metade do tempo que sobra, a gente organiza a luta contra banqueiros e o capital.

É isso! A reflexão não termina aqui. Até quando valerá a pena dedicar minha vida ao movimento? Até quando o resultado obtido para os trabalhadores será positivo?

domingo, 27 de maio de 2012

REFEIÇÃO CULTURAL - FAMÍLIA (e a saúde no Brasil)

Mãezinha, filho e sobrinha.
Como disse há um mês, tenho tido pouco tempo para postagens onde partilho o conhecimento que adquiro. Mesmo assim, à medida que vou lendo um pouco, escrevo algo a respeito aqui no blog.

Falarei hoje de família. Da minha família querida e das provações que estamos vivendo... e sobrevivendo até agora.

A casa de meus pais conta com três adultos e dois adolescentes. Minha avozinha de 88 anos vive com meus pais desde que minha querida tia Alice faleceu faz poucos anos.

O que descrevo abaixo é muito típico de uma família brasileira humilde, que não conta com plano de saúde, e que só sobrevive se conseguir ser atendida no SUS.

Minha tia e a vovozinha.
Meu paizinho querido tem vários problemas de saúde como, por exemplo, nefrocalcinose nos rins, teve um AVC tempos atrás e controla uma depressão originada por seus problemas. Poderia ter uma saúde melhor em seus quase 70 anos. Para complicar as coisas, ele sofreu um infarto em fevereiro e felizmente está conosco, apesar de estar muito debilitado.

Minha mãezinha, que cuida de minha avó 24 horas por dia, teve que se ausentar uma noite para acompanhar minha sobrinha internada por pneumonia. Neste dia, minha avó foi tentar andar sozinha e caiu fraturando o fêmur.
Minha mãezinha, meu filho e sobrinho.

Naquela semana, ficaram internadas no corredor do SUS minha avó e sobrinha, ambas aguardando atendimento. Minha mãe já não vinha bem de saúde desde o infarto de meu pai.

Minha sobrinha se recuperou, minha avó sobreviveu à cirurgia no osso e conseguiram estar todos em casa no último dia das mães. Eu não pude estar com eles, pois na divisão do parco tempo com a família, fiquei em casa com esposa e filho.

As agruras não acabaram. Na última semana minha avó voltou a ser internada e não está muito bem em sua recuperação. Passou uns três dias no corredor sem atendimento pois havia greve do funcionalismo.

A nova dificuldade veio com minha mãezinha que, após vários dias sentindo muita dor, teve que ser internada ontem e descobriu-se que ela está com a coluna fraturada. Terá um tratamento de meses e com riscos na medula.

Meu querido paizinho resistente.
A coitadinha está arrasada porque não pode mais acompanhar a minha avó internada porque está nas mesmas condições que ela.

Cheguei em Uberlândia hoje às 5 horas da manhã, vindo de um compromisso sindical em Belo Horizonte. Encontrei esta situação, que já vinha acompanhando por telefone nas últimas cinco semanas. É difícil ter cabeça para cumprir todos os meus compromissos como cidadão e militante. Mas estou cumprindo!

Meu pai voltou a sentir dores no peito. Minha mãe estará acamada por meses. Minha avó também. Quem cuida de quem? Eu moro a 600 km de distância.

SAÚDE PÚBLICA

Uma das maiores carências da população brasileira, principalmente a mais humilde, é um atendimento médico de qualidade e com respeito às pessoas. Queriam mandar minha mãe de volta com um analgésico e meu paizinho infartado e minha mãe não aceitaram e brigaram com as estagiárias até tirarem uma radiografia dela e ver que a situação era grave.

Foi uma postagem desabafo.

A situação é tão complicada! A gente sente uma impotência tão grande! Eu nunca liguei pra dinheiro. Mas vejo que essa porcaria faz falta para os meus dependentes e agregados. As coisas serão como normalmente são para o povo sofrido de uma País e um mundo injusto...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Refeição Cultural - Sem Rumo, mas sigo na luta


Desenho 1, wmofox (sem data).

Estou tão, mas tão sem rumo, que não sei nem por onde começar essa reflexão (aliás, pouco cultural).

Começo pelo fim da minha história com o Partido dos Trabalhadores ou com o infarto de meu pai e a sobrevida dele e de minha mãe lá em Minas Gerais?


FAMÍLIA FRÁGIL

Cheguei este fim de semana de Uberlândia. Meu pai teve um infarto agudo do miocárdio no dia 1º de fevereiro. Ele demorou horas para ir ao Hospital de Medicina da UFU/SUS, onde foi muito bem atendido, salvo e recuperado. Apesar disso, parte de seu coração morreu.

Nestes oito dias em que esteve hospitalizado, fiquei ao lado dele todas as noites. Minha avó passou mal e quase morreu na mesma semana e minha mãe também foi internada uma tarde e uma noite lá no mesmo hospital, também por estar em seu limite físico e psicológico com tudo isso.

Vim embora para casa com o coração apertado. Vai ser assim daqui adiante, sempre a espera de um telefonema. Que agonia!


ORFANDADE POLÍTICA

Eu voto no Partido dos Trabalhadores desde que tirei meu título de eleitor em 1987. Comecei votando na Luíza Erundina para a Prefeitura de São Paulo e em Lula da Silva na primeira eleição presidencial em 1989, após quase três décadas sem democracia no Brasil.

Só me filiei ao partido depois que entrei para o movimento sindical há dez anos. Mas minha relação política com o PT é de toda uma vida.

O PT privatizou os aeroportos rentáveis do Brasil na semana passada. Para mim foi a gota na semelhança de gestão com os partidos socialdemocratas e liberais.

Minha história com o PT acaba justamente nos dias em que o Partido comemora seus 32 anos de existência. Uma bela história, na verdade. Mudou a história do Brasil e da classe trabalhadora e do povo mais humilde. O Brasil é hoje um dos países mais importantes do mundo e que mais tem avançado na inclusão social.

Estou triste e perdido.

Percebo que a grande maioria das pessoas do meio político em que vivo não está tão chocada e indignada com os rumos da gestão liberal do Governo Federal e do Partido.

Ou seja, o problema sou eu. Eu não caibo mais nesse meio político. Estou deslocado. Estou órfão politicamente.


SIGO NA LUTA

Não sei o que fazer nos amanhãs quando pensar em termos políticos. Apenas sei que devo seguir a vida sindical de forma combativa e engajada como sempre fiz.

Quando olho para trás e vejo minha vida e a vida de meu querido pai, compreendo muito melhor como foi o meu caminho até chegar ao movimento sindical.

Meu pai é um velho homem cheio de problemas de saúde, mas um batalhador que sempre brigou sozinho contra as injustiças e coisas erradas do mundo e do Leviatã - o Estado. É um homem com o terceiro ano primário que anda com a Constituição Federal embaixo do braço e luta por tudo que acha que tem direito como cidadão e ser humano.

Quando vejo que fui representante de salas de aula desde o ginásio, tanto em MG como em SP; que estive na organização de uma grande greve de alunos na faculdade do ITO em Osasco em 1992; que estive na organização de uma das maiores greves de alunos da história da FFLCH - USP em 2002, quando começamos uma greve na Letras e estendemos para as outras faculdades, greve por falta de professores e sucateamento total da USP e após 104 dias conseguimos a contratação de 99 professores - praticamente os novos que dão aula até hoje lá; quando vejo tudo isso, vejo que acabei seguindo meu pai.

A diferença das lutas que fiz até 2002 e após esse ano, quando virei representante dos bancários paulistas, é que antes eu não era militante orgânico de nenhum partido, corrente sindical ou coisa do gênero. Me engajava e iniciava lutas por aquilo que achava justo.

Se um dia eu deixar de pertencer a uma organização, não acredito que deixarei de seguir na luta como sempre fiz, assim como meu querido pai segue fazendo.

É isso.


William

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Post Scriptum (20/6/18):

No dia 10 de fevereiro de 2012, havia postado algumas fotos da família após o drama do infarto do meu pai e em comemoração aos 88 anos de minha avozinha. Abaixo, duas delas, com o comentário que postei:

"Se eu contar fica difícil de acreditar, mas para essas fotos do aniversário de 88 anos de minha vovó serem tiradas ontem, antes de voltar para SP, foram 8 dias de salvamento de meu pai infartado, minha mãe internada por horas também e... minha avó que precisamos correr com ela para o hospital. Tudo nesses oito dias. Mas hoje está tudo bem... CARPE DIEM!!!"


Meu primo Jorge, seu genro Marcos, minha mãe e pai
e minha sobrinha Stefani.
O primo Vinícius, minha mãe e avozinha e meu tio Léo.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Se ateu, por que fazer romarias?


Igreja de N. Sra. da Abadia, Água Suja (MG).

Estou em Uberlândia para fazer minha romaria deste ano. Pego a estrada nesta sexta-feira 12 e pretendo chegar em meu objetivo cerca de 21 horas depois. Pretendo fazer um percurso de uns 75 km.

O que os amigos e conhecidos mais perguntam é por que faço romarias se sou ateu. É interessante poder explicar que se caminha por vários motivos. Vários.

Já me acostumei a ter certa ansiedade quando vai chegando a época de vir a Minas Gerais e pegar a estrada. É um momento de introspecção muito grande. É um momento de humildade, de perseverança e de restabelecimento de forças e energias internas.

Para mim não é esporte. Não é pagamento de promessa. Não é fé em nenhum deus. Para a grande maioria dos romeiros é tudo isso - promessa, fé, religiosidade.

É um momento de fé na capacidade de superação do ser humano, de fé em minha mente, em meu corpo, em meus objetivos.

A caminhada é muito difícil. É dolorosa, sofrida, em alguns anos mais que outros. Não tenho a mínima ideia de como será neste ano. Só sei que é muito difícil. Mas acredito que chegarei lá.


PAI E MÃE - REFERÊNCIAS DE VIDA

Hoje, saí com meu velho e querido pai de 68 anos (e pouca saúde) para acompanhá-lo em alguns dos locais onde ele busca por seus direitos - juizados gratuitos, defensoria pública etc - pois ele não desiste de lutar pelo que acha correto e justo. Meu pai tem a terceira série primária, mas é um homem que nunca deixou de buscar os seus direitos quando entende que os tem. Obrigado pai, por você ser assim.

Minha mãezinha é outra pessoa simples e forte. Sofre suas dores, cuida da mãe sem ter condições físicas, mas cuida, com tanto amor que nos deixa meio envergonhados, por sermos mais jovens e mais moles. Meus pais não conseguem sequer serem atendidos em nosso SUS com a decência que todo brasileiro mereceria.

Talvez eu caminhe para tentar buscar anualmente a força de vontade e perseverança em viver e lutar pelas coisas que amo e que acho correto. Eu sou um filho que sei que meus pais se esforçam em estar vivos porque sabem o quanto isso é importante para mim. Eles são meu vínculo mais forte com a vida.

Talvez eu caminhe para relembrar durante um dia inteiro, sozinho na estrada, vários momentos de minha longa vida já vivida em um curto espaço de tempo. Minhas alegrias passadas, minhas perdas passadas, minhas oportunidades e escolhas nas veredas da vida. Há vidas bem mais longas e bem mais curtas. A minha é a minha.

Talvez eu caminhe para me testar, física e psicologicamente, se ainda posso alguma coisa. Se ainda me aguento. Se meu corpo aguenta meus excessos. Se eu aguento sacrifícios e dificuldades. Se eu não estou lasso. Às vezes, tenho a impressão que as gerações depois da minha estão meio lassas.

"Caminante, no hay camino. Se hace camino al andar" (António Machado)

Seguimos caminhando...

William Mendes


Post Scriptum (9/08/15):

Neste dia dos pais, estou em Uberlândia com meus queridos pais. Não escrevi texto novo sobre o tema, somente disse de meu amor pessoalmente.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Acabou o fim de semana que fiquei em casa.

Domingão que acabou.


Depois de três semanas viajando muito e não tendo nenhuma rotina de atividade física, consegui andar e correr ontem e hoje. É impressionante o quanto perdemos o condicionamento físico rapidamente depois de certa idade.


Consegui ler muito pouco. Mas li. Li algumas páginas do "Utopia" de Thomas More e li um pouco também do livro "Cuadernos de infancia" de Norah Lange.


Limpei um pouco meus aquários na esperança de meu pangasius voltar a comer, pois há vários dias ele não come. Agora há pouco ele pareceu reagir e comer uns graozinhos de comida.


Assisti a um filme ontem e a outro hoje. Ontem, Capitalismo - uma história de amor, de Michael Moore, muito bom como sempre. Hoje, Mary e Max - uma amizade diferente, filme australiano de 2009, com personagens de massinha. É uma graça o filme. Gostei. Ele aborda grandes temas contemporâneos.


Falei por longo tempo com meus pais por telefone. Eles não estão bem de saúde. Eles dependem do SUS e não conseguem atendimento de jeito nenhum. Sinto uma frustração e impotência imensa com isso. Não me sinto à vontade para usar o meu plano de saúde do banco. Não é justo.


Ouvi um pouco de música, coisa que fiz a vida inteira antes dessa década que virei sindicalista. Foi bom curtir um som.

domingo, 1 de agosto de 2010

Cartas de filho pra pai (2)


Meus queridos pais, dos quais herdei o que há de melhor em mim

Olá querido pai!


Hoje, enquanto corria, refletia muito sobre você e sobre a nossa vida.


Somos feitos do mesmo barro, é verdade! Mas, nós encaminhamos as coisas de formas diferentes, sei lá por que. Acho que é porque eu sou feito do barro de você e de minha mãe, não acha?


Apesar de não concordar com a sua teimosia de querer arrumar um trabalho com a idade já beirando os 70 anos, e ainda com vários problemas de saúde, eu o compreendo. Eu o compreendo, apesar de tudo!


Sinto também um peso de consciência muito grande de ter me encaminhado para a vida adulta e profissional sem pensar em planejar o futuro - que chegou - em relação a ter uma remuneração e condição financeira para prover aos meus agregados e família tudo o que a sociedade contemporânea capitalista cria como necessidades básicas de vida.


Não fiz opção durante minha formação de vida de ir atrás de grandes rendas e altos cargos e agora vocês que me compõem são os que sofrem as consequências.


Pai, estou preocupado contigo e com a sua saúde. Assim como sei das condições precárias de saúde de minha mãezinha e avozinha e quedo apreensivo também.


Não se frustre se o negócio que está tentando fazer atualmente não der certo. Quero ser egoísta de dizer que sua principal ocupação atual é estar entre nós, eu e minha mãe, sobretudo. Nós precisamos que um e outro de nós esteja vivo por aqui nesta terra.


Sempre que vocês precisarem de alguma coisa, ela será provida de uma forma ou de outra. (É verdade que estou exagerando, pois vocês tanto precisam e não têm um plano de saúde, e não conseguem ser atendidos pelo SUS de Uberlândia - e eu, infelizmente, não consegui provê-los com um plano de assistência médica)


Mas, afora a assistência médica tão necessária a pessoas na idade de vocês, eu e mais pessoas da família farão chegar a vocês as demais coisas que precisarem.


Pai, sei que posso perdê-lo a qualquer minuto. É assim com qualquer ser vivo. Mas quero novamente dizer que sou feito do mesmo barro que você e sou o que sou devido a você e a minha mãe.


Amo você pai querido, assim como amo a minha mãezinha.


Queria deixar mais uma vez registrado isso aqui nesta página de caderno-mundo.

William Mendes


Post Scriptum (9/08/15):

O amor segue o mesmo pelo meu pai e por minha mãe. Minha avozinha faleceu. Faz alguns meses que pude incluir meus pais num plano de saúde para, no mínimo, terem portas de entrada para amenizar seus problemas de saúde.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cartas de filho pra pai


Com meu pai em novembro de 2009.

Pois é meu pai querido, cá estamos para uma troca de palavras ou talvez de impressões.

Estou ficando velho. Maduro. Tenho sofrido muito com os problemas que você e mamãe estão enfrentando com a morte recente na família, de nossa tia, e a fragilidade de nossa avozinha.

Também me angustia muito saber de seus problemas de saúde e não ter me preparado na vida para ter suporte financeiro para cuidar melhor de vocês. Talvez tenha feito opções erradas ao não pensar em dinheiro durante a minha vida.

Essa carta é para dizer por escrito a você e ao mundo o quanto vocês são minhas referências e meu cais. Como vivo sem uma âncora rija e sólida, até hoje vocês e minha família de Uberlândia, que está se esfarelando, são o cais mais apropriado para atracar vez por outra de minhas jornadas nesta sobrevida.

Vocês sabem o quanto preciso de vocês vivos. A verdade é que preciso de vocês vivos inclusive de maneira egoísta, é por mim, é para mim mesmo, porque eu levo a minha vida com pouco apego a quase tudo da existência, mas sempre que caio... tenho vocês.

Pai, o que sou hoje em termos de princípios e atitudes de lutar pelo que acho correto e justo, não praticar o mal a ninguém, não querer aos outros o que não quero para os meus é fruto da educação e criação consistentes que você e minha mãezinha me deram naqueles tempos difíceis dos anos oitenta.

Amo você pai, e amo a minha mãe.

Espero longa vida a vocês e soluções para seus problemas de saúde, e de falta de atendimento público para seu tratamento.

Um beijo de seu filho.

William Mendes


Post Scriptum (9/08/15):

Anos depois, felizmente tenho você comigo pai. E tenho minha mãe também. Já não temos a tia Alice e a vovó Cornélia. Os problemas de saúde de vocês, até pela idade que avança, persistem. Felizmente e por uma casualidade, minha nova tarefa de representação dos trabalhadores me permite pagar um plano de saúde para vocês. O Brasil, com toda a crise mundial após 2008 (crise do sub-prime) criou o Programa Mais Médicos, que completou dois anos, e o programa já atende a 67 milhões de pessoas. Mas é evidente que estamos longe do ponto ideal na saúde pública, até porque não se faz mudanças nesta área em curto prazo, ainda mais em um país continental. Enquanto eu puder, investirei na saúde de vocês porque os amo e porque é meu dever de filho.

terça-feira, 9 de março de 2010

A saúde pública no Brasil - e o meu cansaço por excesso de trabalho


Wmofox, desenho 1 (em parede)

Cheguei há pouco em casa. Estive em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, no planejamento de trabalho da minha confederação. Antes, estive em Uberlândia (MG) visitando meus pais e minha família.

Já viajo depois de amanhã para Belo Horizonte (MG), onde ficarei até domingo no Coletivo Nacional de Formação da CUT.

Estou bem cansado. E não tenho nem tempo para pensar nisso.


SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL

Quando estive em Uberlândia, fiquei com minha avó algumas horas no corredor do Hospital Universitário da Medicina - UFU/SUS. Havia dezenas de pessoas internadas nos corredores. Era o caos.

É muito triste ver o tratamento que os cidadãos brasileiros têm na questão da saúde, que deveria ser um dos direitos mais sagrados das pessoas. Eu sei que estava pior antes do governo do PT, mas temos muito que avançar em relação à saúde pública.

Eu sinto muita falta de leitura para ganhar novos conhecimentos culturais. Sei que neste ano será bem difícil conseguir tempo para o meu conhecimento pessoal.


COMENTÁRIO POST SCRIPTUM (12/2/2012):

Passei uma semana com o meu pai internado após um infarto no mesmo hospital, no mesmo local, e posso afirmar que meu velho foi salvo lá e bem atendido pelos médicos e enfermeiras de toda aquela longa semana que tivemos.

Minha mãe ficou no mesmo corredor em que minha avó estava. Precisou ser atendida durante umas seis horas de exames.

O corredor do Pronto Socorro não esteve tão cheio como ocorreu em 2010 em nenhum dos sete dias que estive lá com o meu pai.