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segunda-feira, 27 de abril de 2020

Estudo de línguas - Língua Japonesa (III)



Hiragana

No curso pago que faço na internet os professores dizem que temos que ter paciência e aprender uma coisa de cada vez na Língua Japonesa. Desde o início deste ano, estou fazendo uma matéria optativa de Língua Japonesa em minha graduação em Letras na USP. (ver postagem anterior aqui)

A rede mundial de computadores tem muita coisa interessante quando o interesse do internauta é estudar e buscar conhecimento gratuito. Eu, por exemplo, gosto da Wikipedia desde que foi criada. Como ela é uma fonte livre, uso com frequência em algumas coisas que pesquiso.

Vejamos abaixo, um trecho da Wikipedia sobre os sistemas de escrita e pronúncia do Japonês:

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O japonês faz uso de cinco sistemas de escrita diferentes: Rômaji, hiragana, katakana, kanji e os algarismos indo-arábicos.


漢字 Kanji são os caracteres de origem chinesa, usados em:

- substantivos;
- radicais de adjetivos e verbos;
- nomes de locais e de pessoas.


仮名 Hiragana são caracteres fonéticos japoneses usados em:

- terminações flexionais de adjetivos e verbos (送り仮名 okurigana);
- partículas gramaticais (助詞 joshi);
- palavras para as quais não há kanji;
- palavras cujo autor preferiu não escrevê-las em kanji (por motivo de legibilidade, comodidade, hábito, etc.);
- forma de indicar a leitura de kanji (振り仮名 furigana);

- onomatopeias.

片仮名 Katakana são caracteres fonéticos japoneses usados em:

- palavras e nomes estrangeiros, excluindo aquelas que originaram-se no kanji;

- onomatopeias;
- palavras cujo autor quis destacar (da mesma forma que se escreve em português em tipos itálicos);
- nomes científicos de animais e plantas.


ローマ字 Rômaji são os caracteres latinos, que são usados em:


- acrônimos, por exemplo ONU;
- palavras e nomes japoneses usados em outros países, como em cartões de visita e passaportes;
- nomes de firmas e produtos que necessitem ser lidos tanto no Japão como em outros países como, por exemplo, empresas japonesas: SONY, Panasonic, Pioneer (empresa), Aiwa (que pertence à SONY), etc.


インドアラビア数字 Numerais indo-arábicos


- números árabes (em oposição aos algarismos tradicionais de kanji) são comumente usados para escrever números em texto horizontal. Veja também os numerais japoneses.

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Palavras com os sons das primeiras famílias de katakana que aprendemos em sala de aula. Elas foram ditadas e não peguei o significado de todas elas. Para algumas palavras utilizei o Google Tradutor.

a - i - u - e - o

あい (ai) - amor 
いえ (ie) - casa
いう (iu) - falar 
あお (ao) - azul
うえ (ue) - em cima
おい (oi) - sobrinho
いいえ (iie) - não
おおい (ooi) - bastante

ka - ki - ku - ke - ko 

kaki - ostra (google)
koke - musgo (google)
kiku - ouça (google)
kuko - 
かけ (kake) - 
くき (kuki) - caule
ここ (koko) - aqui
あか (aka) - vermelho


Fontes:

Google
Sala de aula
Wikipedia

domingo, 26 de abril de 2020

Estudo de línguas - Língua Japonesa (II)



Amor (あい)

Nas primeiras aulas que tivemos na matéria de língua japonesa que estou fazendo como optativa na graduação de Letras, nos foi ensinado os dois kanas, o Hiragana e o Katakana. Assim que aprendíamos cada símbolo fonográfico (por famílias "a", "ka", "sa" etc), já éramos testados com ditados. É uma forma do ouvido se acostumar com o som do Japonês, que é diferente do Português em diversos fonemas.

Outra coisa estimulante é sermos convidados a irmos até o quadro escrever as palavras ditadas em sala de aula. Essa é uma forma prática de treinar a memorização do som e do desenho dos kanas. Nós tivemos umas cinco ou seis aulas antes da pandemia do novo coronavírus interromper tudo no mundo.

Se não quisermos perder o que já aprendemos, temos que dar um jeito de rever e memorizar as palavras, as frases de cumprimento e os fonogramas, mesmo que seja na forma de "romaji", ou seja, com o uso do alfabeto romano porque eu não sei utilizar no computador os kanas. No caderno em casa, eu tenho copiado e desenhado os símbolos dos sons.

SAUDAÇÕES (AISATSU)

dô itashi mashite = de nada!

arigatô = obrigado!

onegai shimasu = por favor!

sayônara = adeus! (demorar pra ver ou não ver mais)

ohayô gozaimasu = bom dia! (mais formal)

konnichiwa = boa tarde!

oyasumi nasai = tenha uma boa noite!

ogenki desu ka? = como você está?

genki desu. Anata wa? = estou bem. E você?


OBSERVAÇÃO: como disse na postagem anterior, aqui, essas postagens são registros de estudos meus. Elas não são ideais para outra pessoa estudar o tema porque eu não tenho conhecimento técnico sobre a língua japonesa.


sábado, 25 de abril de 2020

Estudo de línguas - Língua Japonesa



Hiragana.

Neste blog registro alguns estudos que realizo sobre línguas, literatura e cultura. Um dos objetivos das postagens é poder voltar aos estudos feitos para revisão e memorização. 

Algumas postagens têm por objetivo compartilhar conhecimento (WIKI - What I Know Is) como, por exemplo, aulas do curso de Letras que reproduzo aqui ou leituras que faço. Outras postagens como esta têm mais relação com registros pessoais para posterior revisão, não sendo ideais para alguém estudar nelas.


Katakana.

Decidi estudar a língua japonesa neste ano de 2020. Interesse neste idioma eu sempre tive, bem como o interesse na cultura japonesa, que é antigo. Além de me inscrever num curso pela internet em janeiro, me inscrevi também em uma matéria optativa de meu curso de Letras. Até o momento eu aprendi os dois alfabetos fonéticos ou silabários, o Hiragana e o Katakana. E o uso de algumas partículas.

No curso online a metodologia é uma e no curso presencial da USP é outra, completamente diferente. A cabeça e os neurônios estão sendo muito exigidos, o que é muito bom. No curso presencial é lápis na mão e desenho dos fonogramas, e memorizar as palavras. Dá um trabalhão acertar o traço. Na internet é memorizar som, imagem e palavras.

Enfim, estudar línguas é muito interessante e me faz esquecer por algumas horas a realidade desgraçada da política nacional.

William

Post Scriptum (26/4/20)

Uma coisa importante na escrita dos ideogramas e fonogramas da língua japonesa - Kanji, Hiragana e Katakana - é respeitar o sentido em que o lápis ou pincel devem iniciar e terminar o desenho de cada imagem.

Nossos professores do curso de Língua Japonesa Moderna I nos passaram sites em que é possível verificar os traços de cada fonograma. Não consegui abrir as tabelas pelo celular, mas pelo notebook funcionam normalmente. Para ver o Hiragana clique aqui e para ver o Katakana clique aqui.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Leitura II: Poéticas da transgressão (2006), de Viviana Gelado




Refeição Cultural

Clique aqui para ler a primeira parte da síntese que fiz do capítulo que estamos estudando.


Leitura e fichamento de um capítulo do livro "Poéticas da Transgressão: Vanguarda e Cultura Popular nos anos 20 na América Latina", de autoria de Viviana Gelado, leitura que compõe o programa da disciplina "Vanguardias y Contemporaneidad", matéria da graduação de Letras, ministrada pela professora doutora Idalia M. Arnaiz.

O Manifesto como gênero discursivo, manifesto da vanguarda europeia e latino-americana


Caracterização de meios e estratégias utilizadas pelos manifestos e textos programáticos e polêmicos de vanguarda na América Latina

O título

"O título dos manifestos, proclamas, editoriais de revistas, programas estéticos etc. funciona como síntese desse programa, como sua definição ou como um slogan, e adota, na maioria dos casos, uma forma publicitária, à maneira dos panfletos, cartazes ou letreiros."

Geralmente é em letras grandes e com alguma foto ou imagem.

Os títulos gritam - estridentismo - são como gestos extremos: desvairismo, euforismo, ultraísmo, minorismo etc.

A autora nos explica que "O tom predominante é da agressão (acústica, cromática, elétrica, física, atmosférica) e a mofa e questionamento de um sistema de valores culturais e políticos anquilosado."

O grau de violência nos manifestos e proclamas latino-americanos é menor do que os europeus como Dadaísmo, Cubofuturismo russo e Surrealismo francês.

Por quê?

"Com efeito, em uma estrutura social tão fortemente polarizada como a latino-americana, o destinatário privilegiado do discurso vanguardista continuava sendo a mesma 'minoria seleta', letrada, recortada e (in)formada pelo Modernismo em Hispano-América e pelo Simbolismo e o Parnasianismo no Brasil."

O alvo, porém, mais explícito ou menos, é a burguesia letrada, tanto lá quanto cá.

A organização do texto

"Na organização do texto, um dos traços mais evidentes é a sua estruturação na base da enumeração."

Outra forma de organização é a de linhas de filiações ou listas de precursores.

"Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ou Villegaignon print terre. Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução bolchevista, à Revolução surrealista e ao bárbaro tecnizado de keyserling. Caminhamos." (Manifesto Antropófago, 1928, Oswaldo de Andrade)

A autora explica que a repetição anafórica de estruturas precedidas pela preposição 'contra' ou pela locução preposicional 'frente a', assim como a reiteração, a modo de refrão, de asserções que adquirem o valor de slogan, acabam produzindo um efeito estilístico aliado "à une forte pulsion idéologique".

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"Esta estratégia discursiva tem, pois, uma função publicitária e didática - o manifesto deseja divulgar e ensinar a proposta estética que veicula."
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As enumerações sintéticas também são utilizadas na organização. E repetições.

"Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros." (O. de Andrade. Manifesto Antropófago)

Formas de fragmentação

Uso do espaço em branco, as onomatopeias e interjeições, a sintaxe entrecortada etc.

Futurismo

"Outra forma da enumeração reconhecida por Marino é a das fórmulas 'quase algébricas'. Sabe-se que o Futurismo foi o movimento que utilizou mais extensamente esta formulação e também um dos mais conhecidos e de maior poder de deflagração de polêmicas entre os grupos de vanguarda latino-americanos e, antes, entre estes e os assim chamados 'pasadistas'."

No entanto, nos diz Gelado, pela dificuldade da técnica, prevaleceu na maioria dos vanguardistas o uso da sintaxe simples, baseada apenas em sintagmas nominais ou estruturas frasais simples.

O brasileiro Oswald de Andrade é um exemplo do uso de sintagmas nominais e sintaxe simples.

Já Mário de Andrade buscou renovar a estética no movimento modernista. A referência: o diretor de L'Esprit nouveau:

"Lirismo + Arte = Poesia. Fórmula de P. Dermée (N. do A.)"

Mas:

"Quem conhece os estudos de Dermée sabe que no fundo ele tem razão. Mas errou a fórmula. [...] Corrigida a receita, eis o marron-glacé: Lirismo puro + Crítica + Palavra = Poesia." (M. de Andrade. Em: Prefácio interessantíssimo à Pauliceia Desvairada, 1922)

E ainda:

"Necessidade de expressão + necessidade de comunicação + necessidade de acção + necessidade de prazer = Belas Artes." (M. de Andrade)

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"As diversas modalidades de enumeração e a articulação expressa do entimema ao topos dão à retórica do manifesto um caráter de 'continuidade explícita'. Por outra parte, esta ênfase na utilização da enumeração de adversários e novíssimos precursores, de materiais e técnicas novas, de rótulos definidores, de fórmulas que condensam propostas estéticas contribui para polarizar o campo intelectual e para facilitar a apreensão das diversas propostas estéticas."
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A autora também enumera um conjunto de técnicas e estratégias utilizadas pelas vanguardas, além do belicismo: espírito de rebelião e oposição que se traduz na utilização de formas verbais do imperativo, metáforas combativas ou infamatórias, asserções negativas, injúrias, formas de exortação e invectiva, provocações, boutades, toda sorte de paradoxos, advérbios assertivos etc."

Durante algumas páginas, a autora enumera diversos exemplos de movimentos e manifestos de vanguarda latino-americanos: Estridentismo mexicano, Noísmo porto-riquenho, Manifiesto de Martín Fierro, Manifiesto euforista etc.

Contradição nas vanguardas

"Com efeito, ao questionar a arte como instituição e, consequentemente, propor ou adotar toda sorte de estratégias de inversão (discursiva e comportamental ou, pelo menos, performática), muitos destes movimentos (os que desejaram se perpetuar) pagaram o preço de sua contemporaneidade, isto é, caíram em uma das 'armadilhas' da modernidade: a contradição. Cada nova curva na espiral significa construção e destruição e pode não significar nada."

No modernismo brasileiro, a forma corrosiva foi muito utilizada por Oswald de Andrade:

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"Só não se inventou uma máquina de fazer versos - já havia o poeta parnasiano." (Manifesto da Poesia Pau-Brasil, O. de Andrade)
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O texto fala de "Boutade". Como não sei o que é, recorri ao Google, que traz a seguinte informação:

Boutade /bu'tad/ substantivo feminino: 
1. tirada espirituosa ou engraçada. 2. pensamento ou dito sutil, original e imprevisto que freq. contraria propositadamente a verdade.

(ufa! Caminhando para o fim da leitura do capítulo)

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"Como vimos, o discurso polêmico dos manifestos, proclamas e textos programáticos da vanguarda articula uma linguagem violenta e precisa. Segundo Marino, a violência é a que dá o tom a este discurso, enquanto que pela precisão se traduzem os objetivos perseguidos, no entanto, o uso da violência verbal e simbólica pode ter outras funções além das já observadas. Com efeito, pode ser uma maneira de exorcizar o passado, como na proposta antropofágica de retorno às origens indígenas brasileiras para fundar sobre essa base um primitivismo moderno e que supere as contradições da sociedade patriarcal..."
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O grito

"O ápice da disposição ao exagero e ao espetáculo estará constituído pelo grito, forma extrema e elementar da função fática da linguagem. O grito é a hipérbole acústica (e cromática) que os estridentistas escolherão para definir-se."

O humor

"Expressado em diversas modalidades (negro, pseudocientífico, doutrina surrealista do humor objetivo) e figurações (ironia, riso, blague, mofa, sarcasmo, paródia, caricatura, grotesco, boutade), esgrime-se como meio de refutação e negação social e estética. Estratégias que demonstram o espírito lúdico e a vocação espetacular dos movimentos de vanguarda, mas que também são utilizadas como forma de distanciamento (ostranenie) e questionamento dos preceitos estéticos e cujo objetivo é a desautomatização na recepção da obra de arte."

Gelado nos diz que a citação também é uma forma utilizada pelas vanguardas em seus textos.

A busca pelas origens

"Tupy, or not tupy that is the question" (O. de Andrade)

A autora nos diz que esta pergunta pelas origens estará presente na maioria dos movimentos de vanguarda na América Latina. Tanto pelas origens coletivas nacionais quanto pelas do próprio grupo.

"A pergunta pelas origens e a afirmação do novo fundam nos manifestos o uso de um discurso inaugural que não exclui, às vezes, um retorno ao passado."

(Bom texto. Esclarecedor)

Leitura: Poéticas da transgressão (2006), de Viviana Gelado





Refeição Cultural

Leitura e fichamento de um capítulo do livro "Poéticas da Transgressão: Vanguarda e Cultura Popular nos anos 20 na América Latina", de autoria de Viviana Gelado, leitura que compõe o programa da disciplina "Vanguardias y Contemporaneidad", matéria da graduação de Letras, ministrada pela professora doutora Idalia M. Arnaiz.

O Manifesto como gênero discursivo, manifesto da vanguarda europeia e latino-americana

A noção de manifesto como gênero discursivo

"Em sua abarcadora e minuciosa obra, Marc Angenot caracteriza o manifesto como gênero demonstrativo adjacente ao panfleto e à polêmica, escritos com os quais o manifesto compartilha a brevidade e o caráter de interpelação. Neste sentido, são características funcionais comuns a estes três gêneros: a tomada de posição de seu(s) assinante(s); o consequente requerimento perante o público de aderir ou de explicitar o desacordo; o cariz performático do discurso, que significa a assunção de um risco e expressa um juramento ou promessa por parte do(s) signatário(s); e a presença de momentos agonísticos ou refutativos."

Segundo Renato Poggioli, "manifesto" e "programa" seriam diferentes, mas para a autora isso na prática seria de difícil aplicação nas estéticas vanguardistas.

Gelado sobre Poggioli: "Com efeito, alude aos manifestos como 'documentos consistentes en preceptos de índole artística y estética'; enquanto que os programas seriam 'las declaraciones ideológicas más generales y más vastas, visiones de panoramas de conjunto'."

Para Gelado, "na práxis escriturária vanguardista, manifesto e programa se articulam, na maioria dos casos, indissoluvelmente."

- Ready mades, assinados por Duchamp: "caracterizando-os como produtos nos quais 'el acto de provocación mismo ocupa el puesto de la obra'."

Esta mesma afirmação acima "poderia fazer-se com relação aos manifestos da vanguarda, posto que se os manifestos são interpretados apenas como declaração de princípios ou enumeração preceptiva dos valores estéticos defendidos por um grupo ou autor individual, perdem boa parte do seu poder questionador da instituição social da arte."

Antes de Bürger, Mario de Micheli: "ao referir-se aos manifestos dadaístas, já apontava que, posto que o dadaísmo surgiu no cenário artístico após o cubismo, o futurismo e o abstracionismo, são reconhecíveis em sua 'arte' elementos dos movimentos precedentes, no entanto, estes elementos são utilizados como materiais para o exercício de uma crítica de base negativista (contra o positivismo em que ainda apostavam os movimentos precedentes)."

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Segundo de Micheli, os dadaístas "'no crean obras': fabrican objetos".
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A contribuição do dadaísmo estaria menos na "obra" e mais no "significado polémico del procedimiento", constante no Manifeste Dada 1918.

Diz a autora: "Da mesma maneira, o manifesto constitui-se em obra de vanguarda por excelência na medida em que articula uma proposta estética crítica (a antiarte) e, ao mesmo tempo, é sua práxis (gesto polêmico e contestatário)."

Gelado sobre Claude Abastado: "Estritamente no que diz respeito à extensão, formato, circulação, teor discursivo e destinatário(s) deste escrito, Abastado considera que

'le terme [manifeste] s'apllique [...] à des textes, souvent brefs, publiés soit en brochure, soit dans un journal ou une revue, au nom d'un mouvement politique, philosophique, littéraire, artistique.'..."


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Tradução do google: 'o termo [manifesto] é [...] aplicado a textos, geralmente curtos, publicados em panfletos ou jornais ou revistas, em nome de um movimento político, filosófico, literário e artístico.'

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Destinatário do manifesto

"(...) no próprio enunciado do manifesto aparecem claramente definidos como interlocutores os perfis de (id)entidades literárias e artísticas, muito mais do que a construção discursiva representativa de um público receptor mais amplo; o destinatário por excelência do manifesto é a arte como instituição."

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A autora nos lembra no texto que há um esforço de caracterizar o manifesto enquanto gênero discursivo.
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Em relação ao manifesto, Abastado "o define por contraste tipológico e funcional com o prefácio e o relato". Mas ele admite que por funcionalidade, alguns prefácios têm características semelhantes aos manifestos.

Manifesto e prefácio

"(...) a referida funcionalidade explica que incluamos em nosso corpus textual prefácios de obras individuais e coletivas, por considerar que, estrategicamente, acabaram desempenhando a função programática e polêmica reservada ao manifesto."

Manifesto e relato

"(...) o relato seria o lugar privilegiado de leitura do imaginário de uma cultura, enquanto que o manifesto seria o lugar de leitura da pragmática de uma sociedade, na medida em que expressa suas tensões ideológicas, suas relações polêmicas e as lutas pela conquista do poder simbólico."

Manifesto e relato utópico

Têm em comum "o amálgama de projetos filosófico, político e estético: o desejo de instaurar uma nova vida, alterar a ordem social e praticar novas formas de arte ou, em outras palavras, o desejo de conquista do poder simbólico, o domínio político e a hegemonia estética."

Manifesto e o mito

Teria em comum "o tratamento maniqueísta da temporalidade, estreitamente relacionado com a noção do novo como absoluto. Neste sentido, o passado aparece caracterizado no manifesto como tempo da não-vida ou como tempo de gestação da verdadeira vida (...), ou ainda, dentro de uma visão cíclica da história, como um tempo de inocência e pureza primitivas que o futuro deve reconquistar (seria o caso do Manifesto antropófago)."

A leitura e o fichamento continuam em outra postagem.

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Teoria do romance I - A estilística (Bakhtin)





Excertos

"O romance é um heterodiscurso social artisticamente organizado, às vezes uma diversidade de linguagem e uma dissonância individual. A estratificação interna de uma língua nacional única em dialetos sociais, modos de falar de grupos, jargões profissionais, as linguagens dos gêneros, as linguagens das gerações e das faixas etárias, as linguagens das tendências e dos partidos, as linguagens das autoridades, as linguagens dos círculos e das modas passageiras, as linguagens dos dias sociopolíticos e até das horas (cada dia tem sua palavra de ordem, seu vocabulário, seus acentos), pois bem, a estratificação interna de cada língua em cada momento de sua existência histórica é a premissa indispensável do gênero romanesco: através do heterodiscurso social e da dissonância individual, que medra no solo desse heterodiscurso, o romance orquestra todos os seus temas, todo o seu universo de autor, os discursos dos narradores, os gêneros intercalados e os discursos dos heróis são apenas as unidades basilares de composição através das quais o heterodiscurso se introduz no romance; cada uma delas admite uma diversidade de vozes sociais e uma variedade de nexos e correlações entre si (sempre dialogadas em maior ou menor grau). Tais nexos e correlações especiais entre enunciados e linguagens, esse movimento do tema através das linguagens, sua fragmentação em filetes e gotas de heterodiscurso social e sua dialogização constituem a peculiaridade basilar da estilística romanesca, seu specíficum."

Os destaques em itálico são do próprio livro.


Bibliografia

BAKHTIN, Mikhail. Teoria do romance I - A estilística. Tradução, prefácio, notas e glossário de Paulo Bezerra. Organização da edição russa de Serguei Botcharov e Vadim Kójinov. Editora 34. 1ª edição 2015, 1ª reimpressão 2017.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

090519 - Diário e reflexões - Que aprendi hoje?



Relva florida na USP.
Foto: William Mendes.

Refeição Cultural

Texto e Discurso em Língua Espanhola

Todo dia é dia de aprender algo novo. De reaprender algo, melhorando ou revendo conceitos. De ser menos ignorante que o instante anterior ao aprendizado. E, ao aprender algo novo, sermos mais conscientes e menos manipuláveis. 

Não por acaso, o regime fascista tem na destruição total da educação pública e autônoma um pilar de seu projeto de poder, porque ao eliminar as oportunidades de crescimento intelectual através de uma educação emancipadora, facilita-se a destruição do país e dos direitos do povo pela manipulação e desagregação das classes populares e trabalhadoras: dividir para governar.

Na aula de hoje, lemos um conto argentino para identificarmos as questões de linguagem que estamos estudando neste semestre. A temática desses dias é sobre objetos de discurso, referenciação, correferenciação, categorização e recategorização. 

O tema não é fácil para mim, pois tenho dificuldade em gramática, desde sempre, principalmente sintaxe. Em linhas gerais, nesta questão de rede referencial na linguagem vemos como os objetos de discurso são retomados ao longo do texto a partir de sua primeira aparição, seja por pronomes, por outras palavras, por frases e orações etc.

O conto que lemos é de Rodolfo Walsh - Esa mujer -, publicado pela primeira vez em 1965. O autor foi jornalista e escritor argentino, militante de esquerda, assassinado em 1977 pela ditadura civil-militar em seu país e é dado como desaparecido até hoje (li na Wikipedia sobre ele). Sem citar nome próprio, a personagem de quem se fala nos remete a Eva Perón e, por conseguinte, ao peronismo e ao golpe militar que destituiu Perón em 1955.

Além de aprender um pouco mais sobre o tema das referências textuais e suas retomadas ao longo do texto, o conteúdo da aula aguçou em mim a curiosidade para saber mais sobre o peronismo e Evita. Ademais de gostar muito de história geral e de literatura, tenho bastante afinidade pelas questões do mundo da classe trabalhadora, como o sindicalismo.

Eu não sabia da história do corpo embalsamado de Evita, que estava em exposição na sede da central sindical pela afinidade que ela tinha com a classe operária. O corpo de Evita sumiu após o golpe de Estado, e só se descobriu o paradeiro quase duas décadas depois.

É isso. Todo dia é dia para aprendermos algo novo, mesmo quando já passamos de meio século de existência.

William

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Texto e Discurso em Língua Espanhola (II) - O problema dos gêneros discursivos (Bakhtin)


Mikhail Bakhtin, imagem da Wikipedia.

Refeição Cultural

Leitura do texto de Bakhtin destacando pontos que achei importantes. A postagem contém textos em português e espanhol.

Estou fazendo esta matéria na faculdade com o professor Adrián. O cara é muito bom. Qualquer equívoco conceitual nas postagens é de minha responsabilidade. 

Volto a lembrar o que disse na primeira postagem (ler AQUI) e também o caráter deste blog: meu intuito é partilhar conhecimento dentro do conceito wiki (What I Know is), sem nenhum interesse econômico-financeiro.


El problema de los géneros discursivos

M. Bajtin


1. Planteamiento del problema y definición de los géneros discursivos


- A língua como base das diversas esferas das atividades humanas: 

"Las diversas esferas de la actividad humana están todas relacionadas con el uso de la lengua..."


- Os enunciados como realização das diversas possibilidades de uso das línguas:

"El uso de la lengua se lleva a cabo en forma de enunciados (orales y escritos) concretos y singulares que pertenecen a los participantes de una u otra esfera de la praxis humana."


- Os enunciados refletem: 

"Contenido temático; estilo verbal (recurso léxico, fraseológico y gramatical) y composición o estructuración."


- Gêneros discursivos:

"Cada esfera del uso de la lengua elabora sus tipos relativamente estables de enunciados a lo que denominamos géneros discursivos."


- Por haver infinitos tipos de discursos escritos e orais, poderia-se imaginar não ser possível analisar e definir parâmetros para os tipos de discursos.


- Um dos gêneros que se estuda há muito tempo são os gêneros literários. Mas o enfoque era sempre literário e artístico e não nos tipos de enunciados que têm uma natureza verbal (linguística) comum. Também se estudou desde a antiguidade os gêneros retóricos. Depois passaram a estudar os gêneros discursivos.


- Enfim, faltava-se estudar a natureza linguística comum dos enunciados.


- Gêneros discursivos primário (simples) e secundário (complexos) são bem diferentes:

"(...) tal diferencia no es funcional. Los géneros discursivos secundarios (complejos) - a saber, novelas, dramas, investigaciones científicas de toda clase, grandes géneros periodísticos, etc. - surgen en las condiciones de comunicación cultural más compleja, relativamente más desarrolada y organizada, principalmente escrita: comunicación artística, científica, sociopolítica, etc."


- A natureza dos enunciados é muito importante no estudo dos gêneros discursivos:

"El menosprecio de la naturaleza del enunciado y la indiferencia del discurso llevan, en cualquier esfera de la investigación lingüística, al formalismo y a una abstración excesiva, desvirtúan el carácter histórico de la investigación, debilitan el vínculo del lenguaje con la vida."


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"El lenguaje participa en la vida a través de los enunciados concretos que lo realizan, así como la vida participa del lenguaje a través de los enunciados."
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- Todo enunciado pode refletir a individualidade do falante ou do escritor, mas nem todo gênero consegue absorver essa individualidade. O gênero literário é o mais produtivo nesse sentido.


- Alguns gêneros discursivos requerem padronização na linguagem como documentos oficiais, ordens militares etc.


- O vínculo orgânico e indissolúvel entre o estilo e o gênero:

"El estilo está indisolublemente vinculado a determinadas unidades temáticas y, lo que es más importante, a determinadas unidades composicionales."

"El estilo entra como elemento en la unidad genérica del enunciado."


- História da sociedade e história da língua:

"Los enunciados y sus tipos, es decir, los géneros discursivos, son correas de transmisión entre la historia de la sociedad y la historia de la lengua."


2. El enunciado como unidad de la comunicación discursiva. Diferencia entre esta unidad y las unidades de la lengua (palabra y oración)

- Desde os estudos linguísticos do século XIX adiante se coloca em segundo plano ou como algo acessório a função comunicativa da língua:

"Se propusieron y continúan proponiéndose otros enfoques de las funciones del lenguaje, pero lo más característico de todos sigue siendo el hecho de que se subestima, si no se desvaloriza por completo, la función comunicativa de la lengua que se analiza desde el punto de vista del hablante, como si hablase solo sin una forzosa relación con otros participantes de la comunicación discursiva."


- O processo complexo, multilateral e ativo da comunicação discursiva ainda hoje enfrenta distorções em sua análise:

"En la lingüística hasta ahora persisten tales ficciones como el “oyente” y “el que comprende” (los compañeros del “hablante”), la “corriente discursiva única”, etc. Estas ficciones dan un concepto absolutamente distorsionado del proceso complejo, multilateral y activo de la comunicación discursiva."

"Así, pues, toda comprensión real y total tiene un carácter de respuesta activa y no es sino una fase inicial y preparativa de la respuesta (cualquiera que sea su forma). También el hablante mismo cuenta con esta activa comprensión preñada de respuesta: no espera una  comprensión pasiva, que tan sólo reproduzca su idea en la cabeza ajena, sino que quiere una contestación, consentimiento, participación, objeción, cumplimento, etc. (los diversos géneros discursivos presuponen diferentes orientaciones etiológícas, varios objetivos discursivos en los que hablan o escriben)."


- O enunciado como elo em uma cadeia de enunciados, de declarações:

"Todo enunciado es un eslabón en la cadena, muy complejamente organizada, de otros enunciados."


- As fronteiras, os limites, de um enunciado enquanto unidade de comunicação discursiva se definem pela entrada do outro sujeito discursivo, seja ele quem for:

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"Las fronteras de cada enunciado como unidad de la comunicación discursiva se determinan por el cambio de los sujetos discursivos, es decir, por la alternación de los hablantes. Todo enunciado, desde una
breve réplica del diálogo cotidiano hasta una novela grande o un tratado científico, posee, por decirlo así, un principio absoluto y un final absoluto; antes del comienzo están los enunciados de otros, después del final están los enunciados respuestas de otros (o siquiera una comprensión silenciosa y activa del otro, o, finalmente, una acción respuesta basada en tal tipo de comprensión). Un hablante termina su enunciado para ceder la palabra al otro o para dar lugar a su comprensión activa como respuesta. El enunciado no es una unidad convencional sino real, delimitada con precisión por el cambio de los sujetos discursivos, y que termina con el hecho de ceder la palabra al otro, una especie de un dixi silencioso que se percibe por los oyentes [como señal] de que el hablante haya concluido."
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- Diferença entre oração e enunciado:

"(...) es necesario explicar previamente el problema de la oración como unidad de la lengua, a diferencia del enunciado como unidad de la comunicación discursiva."


"(...) La oración como unidad de la lengua carece de todos esos atributos: no se delimita por el cambio de los sujetos discursivos, no tiene un contacto inmediato con la realidad (con la situación extraverbal) ni tampoco se relaciona de una manera directa con los enunciados ajenos; no posee una plenitud del sentido ni una capacidad de determinar directamente la postura de respuesta del otro hablante, es decir, no provoca una respuesta. La oración como unidad de la lengua tiene una naturaleza gramatical, límites gramaticales, conclusividad y unidad gramaticales. (Pero analizada dentro de la totalidad del enunciado y desde el punto de vista de esta totalidad, adquiere propiedades estilísticas.) Allí donde la oración figura como un enunciado entero, resulta ser enmarcado en una especie de material muy especial. Cuando se olvida esto en el análisis de una oración, se tergiversa entonces su naturaleza (y al mismo tiempo, la del enunciado, al atribuirle aspectos gramaticales)."


- Características constitutivas dos enunciados como unidades da comunicação discursiva que os diferenciam das unidades da língua (palavra e oração):

1. A alternância dos sujeitos discursivos

"Así, pues, el cambio de los sujetos discursivos que enmarca al enunciado y que crea su masa firme y estrictamente determinada en relación con otros enunciados vinculados a él, es el primer rasgo constitutivo del enunciado como unidad de la comunicación discursiva que lo distingue de las unidades de la lengua."

2. A conclusividade do enunciado

"El carácter concluso del enunciado representa una cara interna del cambio de los sujetos discursivos; tal cambio se da tan sólo por el hecho de que el hablante dijo (o escribió) todo lo que en un momento dado y en condiciones determinadas quiso decir. Al leer o al escribir, percibimos claramente el fin de un enunciado, una especie del dixi conclusivo del hablante. Esta conclusividad es específica y se determina por criterios particulares. El primero y más importante criterio de la conclusividad del enunciado es la posibilidad de ser contestado."

E mais:

"Este carácter de una totalidad conclusa propia del enunciado, que asegura la posibilidad de una respuesta (o de una comprensión tácita), se determina por tres momentos o factores que se relacionan entre
sí en la totalidad orgánica del enunciado: 1] el sentido del objeto del enunciado, agotado; 2] el enunciado se determina por la intencionalidad discursiva, o la voluntad discursiva del hablante; 3] el enunciado posee
formas típicas, genéricas y estructurales, de conclusión."

3. As formas estáveis de gênero do enunciado:

"Pasemos al tercer factor, que es el más importante para nosotros: las formas genéricas estables del enunciado. La voluntad discursiva del hablante se realiza ante todo en la elección de un género discursivo
determinado. La elección se define por la especificidad de una esfera discursiva dada, por las consideraciones del sentido del objeto o temáticas, por la situación concreta de la comunicación discursiva, por los participantes de la comunicación, etc. En lo sucesivo, la intención discursiva del hablante, con su individualidad y subjetividad, se aplica y se adapta al género escogido, se forma y se desarrolla dentro de una forma genérica determinada. Tales géneros existen, ante todo, en todas las múltiples esferas de la comunicación cotidiana, incluyendo a la más familiar e íntima."


COMENTÁRIO:

- Em sala de aula, o professor levanta uma reflexão entre os alunos a respeito de uma afirmação de Bakhtin, de que todo falante da língua utilizaria com seguridade e destreza os gêneros discursivos, mesmo não os conhecendo ou tendo estudado eles. (sublinhado do blog)

"Nos expresamos únicamente mediante determinados géneros discursivos, es decir, todos nuestros enunciados posen unas formas típicas para la estructuración de la totalidad, relativamente estables.
Disponemos de un rico repertorio de géneros discursivos orales y escritos. En la práctica los utilizamos con seguridad y destreza, pero teóricamente podemos no saber nada de su existencia. Igual que el Jourdain de Molière, quien hablaba en prosa sin sospecharlo, nosotros hablamos utilizando diversos géneros sin saber de su existencia. Incluso dentro de la plática más libre y desenvuelta moldeamos nuestro discurso de acuerdo con determinadas formas genéricas, a veces con características de cliché, a veces más ágiles, plásticas y creativas (también la comunicación cotidiana dispone de géneros creativos). Estos géneros discursivos nos son dados casi como se nos da la lengua materna, que dominamos libremente antes del estudio teórico de la gramática. La lengua materna, su vocabulario y su estructura gramatical, no los conocemos por los diccionarios y manuales de gramática, sino por los enunciados concretos que escuchamos y reproducimos en la comunicación discursiva efectiva con las personas que nos rodean. Las formas de la lengua las asumimos tan sólo en las formas de los enunciados y junto con ellas. Las formas de la lengua y las formas típicas de los enunciados llegan a nuestra experiencia y a nuestra conciencia conjuntamente y en una estrecha relación mutua. Aprender a hablar quiere decir aprender a construir los enunciados (porque hablamos con los enunciados y no mediante oraciones, y menos aun por palabras separadas)."


- Aqui podemos anotar um exemplo dado em classe, a respeito do enunciado acima, polêmico em parte:

Sobre a suposta habilidade, seguridade e destreza que os falantes da língua teriam mesmo que não soubessem teoricamente disso, não podemos dizer, por exemplo, na área de atividade humana "educação", no gênero "seminário", que a segurança e destreza são as mesmas num seminário proferido pelo professor em comparação a um seminário proferido por um grupo de alunos.


"(...) y al oír el discurso ajeno, adivinamos su género desde las primeras palabras..."

- No rádio, por exemplo, em poucos segundos é possível que o ouvinte perceba de qual gênero se trata na transmissão: futebol, notícias do trânsito, comercial, horóscopo etc.


- Os gêneros dos discursos já estão disponíveis para os falantes de determinada língua, no seu cotidiano. E outros podem surgir com regularidade. Bakhtin ao dizer que os falantes têm a iniciativa da comunicação discursiva, mas que a realização dos enunciados não são pura criação do falante, ele cita Saussure de forma crítica, ao falar sobre isso.

"Toda una serie de los géneros más comunes en la vida cotidiana son tan estandarizados que la voluntad discursiva individual del hablante se manifiesta únicamente en la selección de un determinado género y en la entonación expresiva. Así son, por ejemplo, los breves géneros cotidianos de los saludos, despedidas, felicitaciones, deseos de toda clase, preguntas acerca de la salud, de los negocios, etc."

e

"Así, pues, un hablante no sólo dispone de las formas obligatorias de la lengua nacional (el léxico y la gramática), sino que cuenta también con las formas obligatorias discursivas, que son tan necesarias para una intercomprensión como las formas lingüísticas. Los géneros discursivos son, en comparación con las formas lingüísticas, mucho más combinables, ágiles, plásticos, pero el hablante tiene una importancia normativa: no son creados por él, sino que le son dados. Por eso un enunciado aislado, con todo su carácter individual y creativo, no puede ser considerado como una combinación absolutamente libre de formas lingüísticas, según sostiene, por ejemplo, Saussure (y en esto le siguen muchos lingüistas), que contrapone el “habla” (la parole), como un acto estrictamente individual, al sistema de la lengua como fenómeno puramente social y obligatorio para el individuo. La gran mayoría de los lingüistas comparte -si no teóricamente, en la práctica- este punto de vista: consideran que el “habla” es tan sólo una combinación individual de formas lingüísticas (léxicas y gramaticales), y no encuentran ni estudian, de hecho, ninguna otra forma normativa."


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Gênero discursivo e expressividade: "escogemos palabras según su especificación genérica. El género discursivo no es una forma lingüística, sino una forma típica de enunciado; como tal, el género incluye una expresividad determinada propia del género dado. Dentro del género, la palabra adquiere cierta expresividad típica. Los géneros corresponden a las situaciones típicas de la comunicación discursiva, a los temas típicos y, por lo tanto a algunos contactos típicos de los significados de las palabras con la realidad concreta en sus circunstancias típicas."
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- Aspectos das palavras: a palavra de ninguém, a palavra dos outros e a minha palavra.

"Los significados neutros (de diccionario) de las palabras de la lengua aseguran su carácter y la intercomprensión de todos los que la hablan, pero el uso de las palabras en la comunicación discursiva siempre depende de un contexto particular. Por eso se puede decir que cualquier palabra existe para el hablante en sus tres aspectos: como palabra neutra de la lengua, que no pertenece a nadie; como palabra ajena, llena de ecos, de los enunciados de otros, que pertenece a otras personas; y, finalmente, como mi palabra, porque, puesto que yo la uso en una situación determinada y con una intención discursiva
determinada, la palabra está compenetrada de mi expresividad."



- A oração como unidade da língua possui certa entonação, mas não entonação expressiva, que se dá sempre no nível do enunciado na comunicação discursiva.

"Así, pues, el momento expresivo viene a ser un rasgo constitutivo del enunciado. El sistema de la lengua dispone de formas necesarias (es decir, de recursos lingüísticos) para manifestar la expresividad, pero la lengua misma y sus unidades significantes (palabras y oraciones) carecen, por su naturaleza, de expresividad, son nuestras."



- Aspectos que definem o enunciado, seu estilo e sua composição:

"En resumen, el enunciado, su estilo y su composición, se determinan por el aspecto temático (de objeto y de sentido) y por el aspecto expresivo, o sea por la actitud valorativa del hablante hacia el momento
temático. La estilística no comprende ningún otro aspecto, sino que sólo considera los siguientes factores que determinan el estilo de un enunciado: el sistema de la lengua, el objeto del discurso y el hablante mismo y su actitud valorativa hacia el objeto. La selección de los recursos lingüísticos se determina, según la concepción habitual de la estilística, únicamente por consideraciones acerca del objeto y sentido y de la expresividad. Así se definen los estilos de la lengua, tanto generales como individuales. Por una parte, el hablante, con su visión del mundo, sus valores y emociones y, por otra parte, el objeto de su discurso y el sistema de la lengua (los recursos lingüísticos): éstos son los aspectos que definen el enunciado, su estilo y su composición. Esta es la concepción predominante."


- A questão do discurso distante, já existente, que acaba por gerar um diálogo com os enunciados que alguém faz na comunicação discursiva.

"El enunciado, pues, ocupa una determinada posición en la esfera dada de la comunicación discursiva, en un problema, en un asunto, etc."

e:

"en muchas ocasiones, la expresividad de nuestro enunciado se determina no únicamente (a veces no tanto) por el objeto y el sentido del enunciado sino también por los enunciados ajenos emitidos acerca del mismo tema, por los enunciados que contestamos, con los que polemizamos; son ellos los que determinan también la puesta en relieve de algunos momentos, las reiteraciones, la selección de expresiones más duras (o, al contrario, más suaves), así como el tono desafiante (o conciliatorio), etc."

e mais:

"Por más monológico que sea un enunciado (por ejemplo, una obra científica o filosófica), por más que se concentre en su objeto, no puede dejar de ser, en cierta medida, una respuesta a aquello que ya se dijo acerca del mismo objeto, acerca del mismo problema, aunque el carácter de respuesta no recibiese una expresión externa bien definida: ésta se manifestaría en los matices del sentido, de la expresividad, del estilo, en los detalles más finos de la composición. Un enunciado está lleno de matices dialógicos, y sin tomarlos en cuenta es imposible comprender hasta el final el estilo del enunciado."


- A questão das citações nos discursos:

"La entonación que aísla el discurso ajeno (y que se representa en el discurso escrito mediante comillas) es un fenómeno aparte: es una especie de trasposición del cambio de los sujetos discursivos dentro de un enunciado (...) El discurso ajeno, pues, posee una expresividad doble: la propia, que es precisamente la ajena, y la expresividad del enunciado que acoge el discurso ajeno."


- De certa forma, um enunciado sempre tem uma questão dialógica com um antes, um enunciado anterior.

"En la realidad, todo enunciado, aparte de su objeto, siempre contesta (en un sentido amplio) de una u otra manera a los enunciados ajenos que le preceden."

e:

"El enunciado no está dirigido únicamente a su objeto, sino también a discursos ajenos acerca de este último."


Fonte: Bakhtin, Mikhail. Estética de la creación verbal. Buenos Aires: Siglo XXI, 2008, (2. ed.) p. 245-290.


COMENTÁRIO FINAL

A leitura e compreensão deste texto foi trabalhosa para mim. Fiz a leitura deste capítulo em espanhol e quase que o capítulo inteiro em outra versão em português.

Os conceitos desenvolvidos aqui por Bakhtin são fundamentais para a primeira unidade da matéria, que é mais geral no programa, pois as outras unidades serão mais focadas na língua espanhola.

Além do estudo de Bakhtin, tivemos também como referência o texto "Tipos e gêneros de discurso" de Dominique Maingueneau (Análise de textos de comunicação), com algumas abordagens distintas e complementares em categorizar e classificar textos e gêneros discursivos.

Passei um bom tempo afastado desta área de conhecimento humano: linguagem, línguas e estudos literários. 

Na última década, o foco de minha atenção cognitiva foi quase todo voltado para as áreas de saúde, direitos sociais e história do mundo do trabalho, sistema financeiro, economia e política em geral.

Não está sendo fácil adaptar meu foco para essa área das letras, principalmente porque não consigo me desligar da visão política e ideológica que tenho do mundo, e sofro muito ao ver a destruição de meu país e da cidadania do povo.

Enfim, estou me esforçando para retomar o estudo das línguas e das literaturas. Se não der certo, não foi por falta de esforço deste cinquentenário que vos fala através deste blog.

William


Post Scriptum:

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