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sábado, 11 de junho de 2022

Diário e reflexões (11/06/22)


Refeição Cultural

Osasco, 11 de junho de 2022. Sábado frio.


Estava ouvindo Eddie Vedder nesta manhã de sábado. Suas músicas nos levam para a essência do que somos - um universo de possibilidades a partir das projeções de nosso cérebro humano. Músicas melodiosas, suaves acordes de guitarra que nos fazem viajar, letras com substância - amor, natureza, buscas pessoais... Voz inconfundível e potente do cantor. O mundo da cultura nos salva! Ouvi uma playlist vinculada ao filme e à história de Chris McCandless - Na natureza selvagem. Viagem, viagens...

Ao ouvir Eddie Vedder, ao me lembrar de McCandless, me lembrei de Jesse Koz e seu cãopanheiro Shurastey. Ao me lembrar deles, me lembrei do conceito humano "liberdade". E junto com a abstração "liberdade" veio o seu complemento conceitual "felicidade".  Liberdade e felicidade, duas abstrações humanas que preenchem os sonhos de parte considerável dos animais da espécie humana.

Conheci as histórias de McCandless e Jesse Koz após eles viverem suas vidas, após experimentarem o viver de forma muito mais intensa que a amplíssima maioria de nós, animais humanos engaiolados nas selvas de pedra de nossos cotidianos envenenados com as coisas coisas coisas da abstração humana "capitalismo". Dois caras que me fazem pensar muito nos significados da existência humana, da minha principalmente...

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Preciso reencontrar minhas atitudes perdidas. Tenho alguns lugares pra ir. Preciso ver algumas pessoas. Tenho coisas a desfazer. Tenho uma imensidão de coisas pra conhecer, estudar, saber. Cultura pode nos salvar. Como sei que não sei nada! Quero aprender muita coisa ainda. Estou aberto ao novo, ao mundo.

Sigo buscando, procurando...


terça-feira, 7 de junho de 2022

Diário e reflexões (07/06/22)


Refeição Cultural

Osasco, 7 de junho de 2022. Noite chuvosa de terça-feira. 


As lições que aprendi com a militância da esquerda sustentaram a minha existência até aqui

Graças ao Sistema Único de Saúde previsto em nossa Constituição Federal de 1988, tomamos a 4ª dose de vacina contra o Covid-19 e tomei a vacina contra o vírus Influenza por ser hipertenso. Não pagamos por essa proteção vacinal no posto de saúde de nosso bairro, fomos beneficiados por existir ainda neste país um sistema público de cuidados e acolhimento da população que aqui vive. Esse direito só existe porque existem pessoas do campo da esquerda e que defendem direitos universais e um Estado que proveja direitos aos cidadãos. 

Se dependêssemos do que pensam e defendem os capitalistas, liberais e direitistas não haveria direito algum e nada seria público, tudo seria serviços e produtos para quem pudesse comprar e pagar. No entanto, os liberais e direitistas também estavam lá no posto de saúde para tomar as vacinas. São uns filhos da puta hipócritas! Isso sim!

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Dias atrás escrevi um texto onde afirmo que o Mal é a base da cultura do lugar onde nasci (ler aqui). Nele, teço minha opinião pessimista em relação ao presente e ao futuro, falo sobre o ser humano e sobre a história de exploração de nosso país continental. Um colega bancário aposentado me sugeriu em comentário que eu colocasse um pouco de dialética nos textos que faço. Pensei a respeito e ele tem razão. 

Eu deveria ao menos alternar textos onde confesso minha descrença com as coisas com textos que estimulassem os leitores que tenho a terem mais esperança e ânimo para se engajarem nas lutas sociais que caracterizam a nossa espécie. Afinal de contas, enquanto houver humanos, haverá história e a certeza que temos é que a mudança é a realidade material: tudo muda e nada é para sempre.

A grande lição de minha vida foi a convivência com os movimentos sociais e com cada militante de esquerda que trombei nessa vida. Sem essa convivência e aprendizado eu não teria chegado vivo até aqui na jornada de minha vida. Não teria. Por mais que tenha tido meus momentos de felicidade compartilhada antes dos trinta anos, amores, carinhos, amizades, a forma como via a existência não me permitiria chegar vivo até aqui. A esquerda me deu uma ética da vida, da luta, do esperançar. A esquerda me deu um como-fazer, uma prática de viver. E sou grato por tudo isso.

Ou seja, posso até fazer diagnósticos das situações miseráveis e bárbaras que preenchem o nosso mundo atual, mas a lição da esquerda é que além dos diagnósticos, temos que pensar propostas de mudanças e temos que nos envolver de alguma forma nessas buscas por mudanças. Atitude, essa é a lição da esquerda e dos movimentos sociais. Atitude! Essa é A Lição!

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JESSE & SHURASTEY: INSPIRAÇÃO!

Termino esse registro de reflexões falando sobre o jovem Jesse e seu cãopanheiro Shurastey e seu fusca cascudo Dodongo. Eles deixaram para nós uma história inspiradora, de busca da felicidade e da liberdade. E aqui peço licença para deixar a minha opinião sobre uma das principais lições de Jesse: Atitude! Que rapaz de atitude!

Acabei de assistir a primeira temporada da viagem deles, editada por Jesse em seu canal do YouTube. Foram dez vídeos com os melhores momentos de suas aventuras desde a saída de Balneário Camboriú, com destino a Ushuaia, na Patagônia argentina, e depois a volta passando por Chile, Argentina de novo e Paraguai. Que loucura! Que loucura invejável! Estou apaixonado por eles, pelo que eles significaram no mundo! É tudo muito louco, mas tudo muito feliz, de muita liberdade... e muita sorte!

O coração fica apertado, os olhos marejados, a garganta entalada... vinte e poucos anos... um rapaz e seu golden retriever e um fuca 1978...

O tempo todo fico lembrando meus vinte e poucos anos... motos, viagens, acampamentos, estradas, cavernas, cachoeiras, rapel, saltos de paraquedas... 

A felicidade simples e pura, bruta, desses dois, Jesse e Shurastey, são demais! Não quero falar do fim da jornada deles. Quero falar da jornada deles!!! Meus sentimentos aos familiares e amig@s. Jesse, Shurastey, amo vocês!

William


quinta-feira, 2 de junho de 2022

Lembranças (A busca da felicidade)


A busca da felicidade

- Me lembro que uma das coisas que mais me deixou bolado ao tomar conhecimento da história do jovem Alexander Supertramp - o pseudônimo do norte-americano Chris McCandless, que saiu cortando os Estados Unidos como andarilho com o objetivo de chegar ao Alasca - foi a mensagem que ele nos deixou ao final de sua jornada de busca pela felicidade (ele chegou ao Alasca): "happiness only real when shared". Após dois anos perambulando à margem da sociedade, McCandless descobriu que os momentos de felicidade que mais marcaram pra ele foram aqueles nos quais ele estava com outras pessoas. Na época assisti ao filme sobre sua vida - Na Natureza Selvagem (2008) -, li o livro de Jon Krakauer e ouvi por meses a fio a trilha sonora do filme, feita por Eddie Vedder. Fiquei mals por muito tempo com a história de McCandless. Sua aventura se deu entre os anos 1990 e 1992. Em 2008 eu estava perto dos 40 anos e passei um tempo avaliando minha vida, minhas tristezas e infelicidades, e procurando momentos de felicidade e percebi que Chris tinha razão. Os momentos felizes que vinham em minha memória eram momentos de felicidade compartilhada... eu estava com alguém. Estar feliz sozinho é diferente de estar feliz com alguém.

- Me lembro o tempo todo nos últimos dias da história do jovem Jesse Koz e seu fiel amigo Shurastey, seu cão da raça retriever, e também de seu fusca 1978, o Dodongo. Eu não o seguia, não o conhecia, e acabei tomando conhecimento dessa dupla incrível após a notícia do acidente que tirou a vida deles quase chegando ao Alasca, dias atrás (na segunda-feira 23/5/22). Jesse e seu amigo saíram em uma jornada em busca da liberdade e da felicidade em 2017, após o jovem de 24 anos não aguentar mais a rotina massacrante de trabalhador em loja de shopping center em Balneário Camboriú (SC). A dupla e o Dodongo saíram sem destino e assim foram parar no "fim do mundo", em Ushuaia, na Patagônia Argentina, e de lá começaram a aventura pelos Estados brasileiros e pelos países da América do Sul e Central, até que a pandemia de Covid-19 interrompeu a viagem deles. Lá em Ushuaia, Jesse havia definido seu grande objetivo e destino, o Alasca. Nos últimos meses, eles estavam nos Estados Unidos e quase chegaram ao destino final... 

"Life's a Journey, Not a Destination
And I Just Can't Tell Just What Tomorrow Brings
" (Amazing, Aerosmith)

Pois é, após ver diversos vídeos e momentos dessa jornada, a cabeça da gente lida com um turbilhão de pensamentos sobre a vida. Como diz a música da banda Aerosmith "A vida é uma jornada, não um destino...". Tudo que vi até agora me dá a impressão que esse rapaz e seu fiel amigo mostraram ao mundo do capitalismo e da futilidade de tudo o que pode ser a felicidade e a liberdade tão desejadas por quase todo mundo. A vida é a própria jornada, a própria jornada é a vida e ela pode ser feliz. O que mais vi até agora nos vídeos de Jesse e Shurastey é a felicidade pura e simples... eles foram felizes até o último instante de suas vidas, foram 5 anos de felicidade, mais de 80 mil quilômetros de felicidade. Felicidade compartilhada! Compartilhada inclusive com milhares de pessoas que os seguiam.

- Me lembro que ontem passei o dia pensando em uma forma de buscar alguma mudança na vida. Não rolou nada. Faz meses que estou lidando com uma busca por algo. Interessante que essa busca de algo já dura décadas em minha vida. Até adotei quando era jovem o lema da música "I Still Haven't Found What I'm Looking For", da banda irlandesa U2, como uma espécie de metáfora de minha vida: uma busca de algo que ainda não havia encontrado. Na verdade a gente passa a vida em busca da felicidade, da liberdade, da realização de coisas boas para a nossa vida. Olho pra trás e vejo que fiz coisas boas, e fiz coisas ruins também. Mas que foda! As décadas de existência passaram e me pego neste momento com a mesma busca de toda uma vida... e ainda não encontrei a felicidade. Cheguei a achar que havia achado um sentido, um significado para o viver. Até signifiquei mesmo o viver nas últimas décadas. Mas voltei ao início de toda a busca. Lógico que falo da felicidade sem nenhuma ilusão de uma felicidade permanente. Não estou feliz. Muita coisa faz parte desse sentimento. Não conseguiria ser feliz com a cabeça que tenho hoje, com a miséria e a destruição das pessoas e do mundo como estamos vendo neste momento da história do Brasil e do mundo. Cada um, cada um. Estou infeliz ou triste, ou os dois... mas não desisti. Sigo buscando.

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Não sonhei solução alguma para a minha mudança de estado. Aliás, sonhei com os contextos aos quais vivi e pertenci e já não pertenço mais. Jesse e Shurastey são uma das coisas mais fantásticas que poderíamos conhecer neste momento macabro do mundo e do capitalismo que coisifica tudo.