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terça-feira, 6 de março de 2012

Poema - The end... (this is the end...)


Ouvindo agora a música do The Doors, lembrei-me do poema que fiz certa noite ao som da banda em meu PC. Fica agora aquele momento entregue ao mundo.


The end… (this is the end…)



Segunda-feira... at home.
São onze e trinta e oito...
Som que toca em meu PC...
Som do The Doors.
Skol… shhhiiiiiiii!!!!!

Sombras no quarto...
Sombras…
Somente a luz do PC.

Silêncio... shhhiiiiiiii!!!!
São decisões para se tomar...
Sempre... toda hora!

Sintaxe que nada entendo...
Sintaxe que mais parece física quântica!
Sinto vontade de largar... de novo!

Som que toca em meu PC...
Sempre... The Doors...
São onze e cinquenta…

Soluções para as Letras...
Sem solução... também tenho minhas limitações.
Ser humano... é só o que sou.

Ser um bom sindicalista.
Ser um bom aluno... subsidiariamente!
Sim... assim o defini.

Som... Light my fire...
Sei que o tempo passa…
São onze e cinquenta e nove...

Skol... essa já era!
São zero horas e dez...
Som que toca... L.A. woman...

Sem essa de livre arbítrio.
Sem essa que o ser é livre.
Sem essa... amanhã tenho reunião.
Skol vazia... não vou abrir outra...

Só para terminar...
Sempre cismo com o tempo.
Sempre... são dezoito minutos agora.

Shhhiiiiii!!!!
Som... Pink Floyd...
Só para terminar...

Time... take it away...


Wmofox, 27.4.04
Já às 00:30 h

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sobre erros de grafia - Sírio Possenti

Imagem divulgação.
Quase todos acham que cometer erros de grafia é o fim do mundo, um sinal de ignorância. Mas não são erros mais graves do que outros (os contábeis, principalmente). Além disso, em geral, esses erros são excelentes pistas para aprender sobre a língua e sobre o sistema de escrita.

Primeiro, o sistema de escrita: a chamada escrita alfabética não é nem fonética (um símbolo para cada som) nem fonológica (um símbolo para cada fonema). Em uma escrita fonética, “tio” teria tantas grafias quantas fossem as pronúncias ([t] ou [tch] no começo, [o] ou [u] no final, fora os sons intermediários). Uma escrita fonológica implicaria que escrevêssemos /caza/ (ou /kaza/) em vez de “casa” e /sinema/ em vez de “cinema”.


A escrita fonética de “final” seria [final] ou [finau] (ou [finaw]), conforme a pronúncia, mas a fonêmica seria sempre /final/ (como prova o “l” em “finalidade”).


E como escreveríamos “peixe”? Foneticamente, [pexe] ou [peixe] (ou [peyxe] – estou sem um bom símbolo para o som que escrevemos com “x” ou “ch”). Fonemicamente? Hoje, /peixe/. No futuro, quem sabe seja /pexe/.


Crianças aprendendo a escrever, adultos com pouca escolaridade ou prática e cronistas anteriores às leis ortográficas fazem, todos, o mesmo tipo de escolhas. Digamos, para simplificar, que cometem os mesmos tipos de “erros”. Empregam grafias diversas e juntam palavras que os mais experientes (ou os mais recentes) separam.




Analistas apressados podem chegar a diagnósticos severos (por exemplo, de dislexia) em relação a esses escreventes. Mas, de fato, trata-se apenas de: a) instabilidade do sistema ortográfico (casa / caza; borracha / borraxa); b) de grafias baseadas na pronúncia, que é variável (menino / mininu), em hipercorreção (se “peixe”, por que não “badeija”; se “menino”, porque não “menistro”; se “final”, porque não “degral”?). Para um aprendiz, convenhamos, não é nenhum desastre.

Um aluno que comete estes erros, evidentemente comete erros. Afinal, a grafia correta está definida em lei! Mas seus erros não são devidos à falta de atenção ou a algum tipo de déficit cognitivo. Podem, ao contrário, ser resultado de hipóteses inteligentes, embora erradas, e de generalizações que não deveriam fazer, mas que, na fase de aprendizagem em que estão, são comuns e demonstram independência intelectual e inventividade.


Em um texto famoso de Mattoso Câmara sobre o assunto, uma análise chama particular atenção. O linguista encontrou diversas grafias para a palavra “silvou” (no ditado de “a serpente silvou”). Elas são devidas especialmente à instabilidade do “l” em sua relação com “u” em final de sílaba e de “u” em sua relação com “o” em posição átona: silvou, silvol, siuvou, siovol etc. A pronúncia é sempre a mesma, é importante observar.


O caso mais interessante é silivou. Diz Mattoso Câmara que o acréscimo de “i” depois de “l” é uma manobra do aluno (de 12 anos !!!) para manter o “l”. Sua explicação: como já que o “l” flutua em final de sílaba (é pronunciado [l] ou [u]), mas é fixo no começo, ao colocar uma vogal depois dele, o aluno garante que o “l” esteja em começo de silaba e, assim, não se vocalize (não se “confunda” com u).


Que diferença poder ler uma análise de quem conhece o assunto!!



Fonte: Carta na Escola

sábado, 19 de março de 2011

Drummond estupefato com o que dizem de um poema seu


"Julho, 25 - Aturdido, leio no jornal o artigo em que se analisa um de meus poemas à luz das novas teorias lítero-estruturalistas. Travo conhecimento com expressões deste gênero: "dinamismo dos eixos paradigmáticos", "núcleo sêmico", "invariante semântica horizontal", "forma de referência parcializante e indireta", "matriz barthesiana"... O poeminha, que me parecia simples, tornou-se sombriamente complicado, e me achei um monstro de trevas e confusão."

(Carlos Drummond de Andrade)


COMENTÁRIO:

Quando li esse trecho do diário de Drummond, que está na contracapa do livro "O observador no escritório" da Editora Record, me peguei rindo sozinho.

Ele disse tudo!

Muitas vezes, ao longo de minha vida, me senti um lixo por não entrar em minha mente aqueles nomes horríveis que os "especialistas" inventam para as coisas da gramática.

Cada vez que alguém diz que escrevo bem, fico me perguntando como poderia ser se eu jamais soube aqueles nomes feios de construção sintática ou figuras de linguagem que as gramáticas e gramáticos insistem em dizer que são importantes para alguém que, em tese, lidaria com a confecção dos textos em nossa língua.

Eu escrevo, mas se sei escrever eu não sei. Mas também não tem importância alguma, para mim, o que os "especialistas" pensam das construções gramaticais de meus textos. Se as pessoas gostarem do que leram, já está de bom tamanho.


William

sábado, 10 de julho de 2010

English class 2

(atualizado em 18/7/10)

It was so hard to take my English class last week because the agenda of my job.

I put here what i learned last class.

We made some paragraphs about:

1-personal data:

-my academic studies – accountancy science (NÃO SE USA A PALAVRA SCIENCE PARA CIÊNCIAS CONTÁBEIS)

ACCOUNTANCY OR ACCOUNTING

-i joined the labor movement at 2002 (we say: twenty "O" two)

The text i made at first:

PERSONAL DATA: i was born at 1969 in São Paulo. Live part of my life in MG. Came to SP in 1987. Alone. I'm mariaged. Have one child. A boy with 13 years old.

EDIT: i was born IN 1969 in São Paulo. I LIVED part of my life in MG. I CAME to SP in 1987. Alone. I'm MARRIED. I HAVE one child. A boy 13 years old.

PRONOMES - Pronoun (aqui, personal pronoun)
No verbo em inglês é necessário colocar os pronomes pessoais, ou seja, aqueles que designam as pessoas do discurso.

Em português, é comum elidir o pronome pessoal do caso reto, pois o verbo já indica quem está representado no discurso:

Ex: VIVI parte da minha vida em MG. VIM para SP em 1987. TENHO um garoto de 13 anos.

ERRO COMETIDO:
verbo TO MARRY (TO WED) = "I'm married" e não "mariage"

MARRIAGE = NOUN = quer dizer "casamento".

2-English studies:

where, what, how long… + (plus) academic background and schooling

AT FIRST: I studied english in 1990. Made 2 courses: English Center and CCI. I believe it (the school) hasn't exist anymore. After deal with the language for 3 years, i started to work at Banco do Brasil and so almost don't have contact with the language.

EDIT: I studied english in 1990. I ATTENDED 2 English courses in English Center and CCI. I believe THEY (the SCHOOLS) DON'T EXIST anymore. AFTER DEALING WITH the language for 3 years, i started to work at Banco do Brasil and ALMOST DIDN'T HAVE contact with the language.

MORFOLOGICALLY, we have:

AFTER
-preposition: "the day AFTER tomorrow" = O dia DEPOIS de amanhã.
-conjunction: "AFTER i left MG, i moved to SP" = APÓS deixar (eu) MG, mudei para SP.
-adverb: AFTERWARDS = DEPOIS, MAIS TARDE.

O VERBO EM INGLÊS APÓS A PREPOSIÇÃO VAI SEMPRE NO GERÚNDIO = After a preposition use a gerund form.

E.G.
AFTER finishing my course i...
I'm interested IN learning languages...

VERBO FAZER: CONTEXTOS MAIS COMUNS

TO ATTEND
TO TAKE
TO DO = PROCESS (ACTIVITIES)
TO MAKE = PRODUCT as a result

É MAIS USADO os verbos TAKE e ATTEND em relação a fazer um curso

I ATTENDED 2 ENGLISH COURSES.


3-most important jobs/positions and jobs at our confederation - Contraf-CUT or trade union

AT FIRST: I started work at union movement. I joined the labor movement since 2002. Joined at trade union of workers of bank. Nowadays i'm secretary of formation at Contraf-CUT. Before THAT i was secretary of comunications at Contraf-CUT.

Study: I STUDIED accounting, and now i'm studying to obtein another degree in portuguese and spanish language.

EDIT: I started work at THE union movement IN 2002. I joined the labor movement since 2002.

SECRETARY OF EDUCATION e não "formation".

SKILLS, CAPACITY BUILDING, TRAINING, EDUCATION

TRAINING em inglês não tem sentido "pejorativo" como pode parecer em português para o movimento sindical

VOCABULARY:

Um mandato de 3 anos = A TERM OF 3 YEARS / A 3 YEARS TERM
MERRY não confundir com MARRIED/MARRIAGE
MERRY = alegre, divertido, agradavel etc

NÃO ESQUECER OS FALSOS COGNATOS (false cognate):

FRASE em inglês é "SENTENCE"

"PHRASE" é "LOCUÇÃO"
PHRASAL VERB = LOCUÇÃO VERBAL

AT 2 pm...
IN july...
IN 1979...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Mais bem" ou "melhor" informado sobre "mais bem" ou "melhor"


Abaixo, segue texto do professor Sírio Possenti, que me fez entender o que eu não tinha conseguido até então.


Quando "mais" não é "melhor"


Se o ensino separasse a prática linguística da teoria gramatical, poderia esclarecer dúvidas sobre expressões como "mais bem educado" e "melhor educado"

Sírio Possenti*

Discute-se muito (ainda) sobre ensino de gramática na escola. Em geral, entende-se por ensino de gramática um tipo de trabalho que deveria produzir como resultado que "melhorem" a fala e a escrita dos atingidos. Quando se diz que alguém não sabe gramática, em geral se quer criticar o fato de que alguém diz "menas gente", "as pessoa" ou "haviam pedidos".

É claro que casos assim têm relação com gramática, mas, tecnicamente, em sentido mais ou menos indireto, se considerarmos o que se estuda de fato sob esse rótulo - tanto na escola fundamental quanto nos cursos de pós-graduação. Nesses casos, mais do que corrigir, trata-se da análise de fatos, com base em uma metalinguagem (sujeito, predicado, passiva, infinitivo etc.) e por meio de operações de análise, de dissecação (sublinhe o sujeito, qual a função sintática de, como se distingue uma oração explicativa de uma restritiva).

Seria proveitoso dividir mais ou menos claramente a análise gramatical da prática linguística que deve seguir regras. Esta é regida por normas que são gramaticais, por um lado, mas também sociais ou históricas, como é o caso claro das regras e avaliações relativas a construções em desaparecimento e suas substitutas.

Bom exemplo são os usos e as análises do verbo "assistir": considerado só seu uso, não há muito sentido em "defender" as especificações que gramáticas e dicionários fornecem, já que médicos não assistem mais (eles tratam, operam), ninguém mais assiste (mora, trabalha) na rua tal. Em compensação, assistimos os jogos e os jogos são assistidos.


Regras reais

Se aceitássemos claramente tal divisão, poderíamos ter aulas de gramática que analisassem quaisquer construções (e as "erradas" são as que mais permitem aprender gramática, de fato). Poderíamos comparar, por exemplo, regras de concordância em uso efetivo; as diversas formas de orações adjetivas usadas de fato; o sistema pronominal de hoje e do passado; ou a conjugação popular (falada) com a culta (escrita).

Descobriríamos regras, no sentido de leis, como as de física ou genética, e não meros erros, em sequências como "livro pra mim ler" (aqui, "mim" só ocorre após "para", e o verbo que o segue está sempre no infinitivo) ou em construções como "menas gente" e "meia cansada" ("menos" e "meio" são flexionados só antes de termo feminino - talvez estejam mudando de classe gramatical). Fazer isso não implica necessariamente aceitar que essas construções devam ser escritas (em relatórios administrativos, por exemplo). É exatamente a gramática, em outro sentido, que impede que sejam aceitos. Mas então saberíamos analisar...

Esse aprendizado pode ser útil até para corrigir gramáticas. Todas cometem o mesmo erro em análises do adjunto adnominal em grupos como "meu livro velho". Consideram simplesmente que "meu" e "velho" são adjuntos adnominais de "livro", sem considerar que a organização de uma sequência como esta é mais complexa, é hierarquizada. Pode-se discutir se "meu" é adjunto de "livro velho" (há diversos "livros velhos" e "meu" especifica um) ou se "velho" é adjunto de "um livro" (há diversos livros meus, e "velho" especifica um), mas está errado dizer que os dois adjuntos ocupam a mesma hierarquia em relação a "livro".


Sequência

A tese fica mais clara em construções como "carne suína moída congelada": não é verdade que carne tem três adjuntos. O que ocorre é que carne é qualificada como suína, a carne suína é qualificada como moída e a carne suína moída é qualificada como congelada. Uma teoria que não consegue fazer isso não vale a pena! As gramáticas gerativas mostravam essa hierarquia em árvores, mas pode-se fazê-lo em construções parentéticas, que mostram bem essa hierarquia: [[[[carne] bovina] moída] congelada] - [meu [livro [velho]]] ou [[meu [livro]] velho].

Uma boa teoria gramatical, capaz de permitir observações adequadas, não pode decidir (porque esta decisão é social) se se deve dizer "melhor educados" ou "mais bem educados". Gramáticas e manuais ensinam que se deve dizer preferencialmente "mais bem" antes de particípios (mais bem treinados etc.).

Mas é relativamente fácil mostrar que a questão real não é essa. Que a construção não tem a ver (ou a questão não é decisiva) com a categoria à qual pertence a palavra seguinte. A verdadeira questão é a hierarquia interna da construção, a relação entre essas palavras.

Quem diz "melhor preparados" toma como base a construção: [[mais bem] preparados], em que "mais" modifica "bem": "mais bem" = "melhor".

Quem diz "mais bem preparados" toma por base outra construção: [mais [bem preparados]], em que "mais" modifica "bem preparados".


Escopo

Dada esta segunda organização, "mais" não pode afetar "bem"; apenas afeta "bem preparados". Por isso, não pode gerar "melhor", porque "melhor" parafraseia "mais bem", que aqui não existe.

Os linguistas dizem que, em um caso, "bem" está no escopo de "mais", e "mais bem" se transforma em "melhor". Em outros termos, "mais bem" é um constituinte. No outro caso, "bem" não está no escopo de "mais". O que está no escopo de "mais" é "bem preparados". Não sendo "mais bem" um constituinte, não há como surgir a forma "melhor".

Em um sentido de gramática, alguém poderia dizer que uma das construções está certa (porque algum escritor a usou) e que a outra está errada (porque só o povo e os distraídos usam). No outro sentido de gramática, diríamos que se trata de duas estruturas gramaticais diferentes, cuja natureza poderia ser mostrada. O uso de uma ou de outra terá ou não apoio das autoridades...


*Sírio Possenti é professor associado do departamento de linguística da Unicamp e autor de Os Humores da Língua (Mercado de Letras)

Fonte: Revista Língua Portuguesa

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A questão do "Erro" na línguagem

Podemos analisar uma forma de fala ou escrita não-padrão sob o ponto de vista linguístico ou sob o ponto de vista social.

A expressão "eles jogam" ou "eles joga" não afeta a compreensão da mensagem. Nenhuma delas é superior à outra do ponto de vista linguístico.

No entanto, a expressão "eles jogam" é mais prestigiada do ponto de vista social.

A violação de algumas regras do sistema produz o que chamamos de agramaticalidade. O erro é intralinguístico.

Ex: abacaxi o dentro apodreceu carro do.

Isto não é uma frase ou oração, é um amontoado de palavras.

Uma AGRAMATICALIDADE na língua é quando não se respeita a construção sintática, quando faltam termos essenciais na produção da frase, quando o uso de conectores argumentativos é inadequado (agramaticalidade discursiva).

ERROS de naturezas diferentes:
a) desvio da norma adequada a uma dada situação de comunicação;
b) agramaticalidade da estrutura da frase ou do período;
c) violação de relações discursivas.

Outro tipo de erro linguístico que podemos considerar é o erro de ortografia. "As normas de ortografia são coercitivas para todos os falantes" (apostila de Francisco Savioli e José Luiz Fiorin).

COMENTÁRIO: Pelos exemplos de erros linguísticos que vi na leitura de hoje, alguns são perceptíveis com mais ACUIDADE. Outros, porém, são de ordem mais teórica e exige conhecimentos de gramática que ainda não tenho.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Raízes do Brasil - Sérgio Buarque de Holanda



Refeição Cultural

O volume não é denso como em Os donos do poder, de Raymundo Faoro. Mas acho que densa é a história e a referência, que já virou uma obrigação para aqueles que querem o conhecimento do Brasil. É isso que é denso, pesado e intimidador. Tentar conhecer e estudar o Brasil.

Li ontem e hoje o prefácio de Antonio Candido, escrito em 1967 - trinta anos depois do aparecimento do ensaio de Sérgio Buarque de Holanda. O professor Candido nos dá um apanhado geral do que será debatido em cada um dos capítulos. Boa apresentação. 

SINTAXE - Uma frase de Candido me chamou a atenção: "Há trinta anos atrás". Os gramáticos querem morrer ao ver tal redundância. Eu acho a coisa mais natural do mundo. É a língua rica do povo, é a Língua Brasileira.

terça-feira, 24 de março de 2009

O não emprego do hífen - Evanildo Bechara



Refeição Cultural

(os sublinhados são para meu estudo pessoal)


Publicado originalmente em: O Estado de S. Paulo (SP) 8/3/2009

Dirige-se a esta seção o leitor a quem começamos a responder no último artigo, preocupado em saber por que colocar hífen em pé-de-moleque e não colocá-lo em pai dos burros, expressão popular referida a "dicionário".

O acordo ortográfico ensina-nos que as locuções de qualquer natureza devem ser usadas sem hífen, incluindo as duas locuções lembradas: pé de moleque e pai dos burros. A lição vem pôr ordem em matéria que corria indisciplinada em sistemas ortográficos oficiais anteriores, já que as locuções pronominais (cada um, ele próprio, nós mesmos, quem quer que seja, etc.), as prepositivas (abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, a par de, a partir de, apesar de, aquando de, debaixo de, enquanto a, por baixo de, por cima de, quanto à, etc.), as conjuncionais (a fim de que, ao passo que, contanto que, logo que, visto que, etc.) eram usadas normalmente sem hífen, as demais locuções pareciam pertencer a terra de ninguém. Se fim-de-safra e fim-de-século eram contempladas com hífen, fim do mundo e fim de semana, também locuções, não gozaram do privilégio de ostentar o hífen.

Ainda neste terreno, tínhamos de exigir de quem escrevia saber distinguir um à-toa hifenado, se era locução adjetiva (Trata-se de um problema à-toa) de um à toa, não hifenado, se locução adverbial (Este trabalhou à toa). Ou ainda um dia-a-dia, locução substantiva com o sentido de "cotidiano" (Meu dia-a-dia é agradável), de dia a dia, locução adverbial, valendo por "diariamente" (A criança cresce dia a dia).

Com a lição do acordo de 1990 desaparecem tais incoerências, e todas as locuções passam a não precisar desse sinal diacrítico. Quando escrevemos, nosso texto não representa diretamente ideias, senão palavras, e estas é que representam ideias num segundo momento dessa operação lógico-simbólica, auxiliada pelos saberes de que dispomos todos os falantes de uma língua. Nós não falamos só com o conhecimento das regras elementares do pensar e do conhecimento de mundo (saber elocutivo); usamos do conhecimento da construção do texto, por isso que quando de manhã auguramos a alguém Bom dia!, não aludimos a condições atmosféricas (pode até estar chovendo a cântaros!), mas sabemos que estamos usando um texto de saudação matinal (saber expressivo). Também contamos com a situação e o contexto em que se desenvolve nossa fala. Por tudo isso e por mais alguns fatores é que nem o freguês nem o doceiro irão ter dúvida diante do pedido de um pé de moleque, sem hífen.

Retornando à pergunta do consulente, pai dos burros, locução substantiva para aludir familiarmente a "dicionário", não terá hífen. Levando em conta uma tradição ortográfica refletida nos dicionários, o acordo abriu exceção a um pequeno grupo de locuções que, fugindo à nova orientação, ainda serão hifenados: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao deus-dará, à queima-roupa.

Pelo que se vê, não estão arroladas nas exceções explicitamente indicadas no acordo as locuções substantivas pé de moleque e pai dos burros. O Dicionário Escolar da ABL registra as locuções sem hífen pé de atleta, pé de boi, pé de cabra, pé de chinelo, pé de galinha, pé de moleque, pé de pato, pé de vento. Respeitando a exceção do acordo, acolhe pé-de-meia, com hífen.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Novas regras ortográficas (que não concordo)




Entenda as principais regras do novo Acordo Ortográfico 

Documento unifica a Língua Portuguesa em todos os países que a adota e começa a valer no dia 1º de janeiro de 2009 

Brasília - Pelo novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa essas são as novas formas de se escrever. O documento unifica o idioma em todos os países que o adota e começa a valer na quinta, dia 1º de janeiro, no Brasil. Até dezembro de 2012, a forma atual também é aceita. O resumo tem como colaboradora a professora Stella Bortoni, linguista da Universidade de Brasília (UnB): 

ALFABETO - Hoje tem 23 letras, agora passa a ter 26. O k, w e y voltam ao alfabeto oficial, porque o Acordo entende que é um contrassenso haver nomes próprios e abreviaturas com letras que não estavam no alfabeto oficial (caso de Kg e Km). Além disso, são letras usadas pelo Português para nomes indígenas (as línguas indígenas são ágrafas, mas os linguistas estudiosos desses idiomas assim convencionaram). Na prática: nenhuma palavra passa a ser escrita com essas letras - "quilo" não passa a ser "kilo" - por serem "pouco produtivas" ao português, na opinião da linguista. 

TREMA - somem de toda a escrita os dois pontos usados sobre a vogal "u" em algumas palavras, mas apenas da escrita. Assim, em "linguiça", o "ui" continua a ser pronunciado. Exceção: nomes próprios, como Hübner. (ACHO ISSO UM ABSURDO! NÃO VOU ADOTAR) 

ACENTO DIFERENCIAL - também desaparece da escrita. Portanto, pelo (por meio de, ou preposição + artigo), pêlo (de cachorro, ou substantivo) e pélo (flexão do verbo pelar) passam a ser escritos da mesma maneira. Exceções: para os verbos pôr e poder - do contrário, seria difícil identificar, pelo contexto, se a frase "o país pode alcançar um grande grau de progresso" está no presente ou no passado. (ESSE FIM DO ACENTO DIFERENCIAL É O MAIOR DOS ABSURDOS!) 

ACENTO CIRCUNFLEXO - Desaparece nas palavras terminadas em êem (terceira pessoa do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo de crer, ver, dar...) e em oo (hiato). Caso de crêem, vêem, dêem e de enjôo e vôo. 

ACENTO AGUDO 

1 - Nos ditongos abertos éi e ói, ele desaparece da ortografia. Desta forma, "assembléia" e "paranóia" passam a ser assembleia e paranoia. No caso de "apóio", o leitor deverá compreender o contexto em que se insere – em "Eu apoio o candidato Fulano", leia-se "eu apóio", enquanto "Tenho uma mesa de apoio em meu escritório" continua a ser escrito e lido da mesma forma. 

2 - Desaparecem no i e no u, após ditongos (união de duas vogais) em palavras com a penúltima sílaba tônica (que é pronunciada com mais força, a paroxítona). Caso de feiúra. 

HÍFEN - Deixa de existir na língua em apenas dois casos: 

1 - Quando o segundo elemento começar com s ou r. Estas devem ser duplicadas. Assim, contra-regra passa a ser contrarregra, contra-senso passa a ser contrassenso. Mas há uma exceção: se o prefixo termina em r, tudo fica como está, ou seja, aquela cola super-resistente continua a resistir da mesma forma. 

2 - Quando o primeiro elemento termina e o segundo começa com vogal. Ou seja, as rodovias deixam de ser auto-estradas para se tornarem autoestradas e aquela aula fora do ambiente da escola passa a ser uma atividade extraescolar e não mais extra-escolar. (ACABOU-SE A DÚVIDA COM AUTOATENDIMENTO) 

PORTUGUAL - Caem o "c" e o "p" mudos, como "óptimo" e "acto". Passam a ser grafadas como o Brasil já fazia. Palavras como "herva" e "húmido" também passam a ser escritas como aqui: erva e úmido. 

Fonte: SEEB SP/André Rossi - 02/01/2009

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

A língua escrita deve servir à língua oral, viva




Com reforma ortográfica ou não, sou defensor da linha que acredita que a língua escrita e suas regras não pode se sobrepor à língua oral, à língua que cria, recria e transmite a mensagem exatamente como o emissor pretende. 

Existe um exagero em querer regrar e dizer que o falante da língua não fala a língua por não saber como grafá-la. EXISTE UM EXAGERO ENORME NISSO! 

Veja o exemplo que eu postei em meu blog de agenda sindical: 

"Expediente na Contraf-CUT 

A Contraf-CUT não terá expediente nesta quarta, dia 31, e na sexta-feira, dia 2. 

Retórno na segunda-feira, dia 5 de janeiro de 2009." 

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EU TOMEI A LIBERDADE DE COLOCAR ACENTO AGUDO NA PALAVRA "RETÓRNO" porque é isso que eu quero dizer. Sem o acento (e não há regra formal que me autorize a colocá-lo) a mensagem ficará dúbia, pois o leitor pode tomá-la por "retorno" (substantivo) ou por "retorno" (verbo de 1a pessoa, singular, modo indicativo). 

Se ele tomar o sentido do substantivo, pode significar que o expediente da Contraf-CUT retornará na segunda e não necessariamente o emissor da postagem no blog. 

ISSO É UTILIZAR-SE DA LÍNGUA PARA DIZER EXATAMENTE O QUE SE DESEJA. NÃO POSSO SER ESCRAVO DE REGRAS.

William

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Domingos Paschoal Cegalla - In: Aliás - Estadão




Voz ativa

Aos 88 anos, o pioneiro da gramática brasileira quer mais ousadia na reforma ortográfica

Mônica Manir - O Estado de S.Paulo

Marcos D'Paula/AE

In medio virtus. Em outras palavras, nem muito ao mar nem muito à terra. Eis a cordilheira sobre a qual se instala Domingos Paschoal Cegalla, gramático que atravessou quase cinco gerações de estudantes brasileiros, quando avalia o caminho que traçou para chegar ao Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa: "Nem demasiada condescendência com os desvios da boa norma, nem caturrice vernaculista".

Não consta, face a face, que o professor Cegalla seja um senhor caturra - a não ser que eu escrevesse tête-à-tête agorinha mesmo, como, enfim, acabo de fazer. Para esse catarinense de 88 anos, voz pausada, olhar etéreo e mãos doces, não devemos nos deixar contaminar por termos peregrinos. Por que hall, se temos vestíbulo? Por que trupe se temos elenco? Por que complô se grassa a conspiração? Aos estrangeirismos que se apegaram ao português feito nhacas, ele propõe um reboco na forma vernácula. Recorde, xorte e imbrólio, no seu ângulo de visão, seriam preferíveis a record, short e imbroglio.

Já diante da possibilidade de confusão que se avizinha com o novo acordo ortográfico, previsto para entrar em vigor nos países lusofalantes a partir de 2009, Cegalla reage com certo agastamento. "Essa reforma é muito tímida e superficial." Queria mais punch, ops!, ousadia para atingir não somente os sinais diacríticos (entre eles o trema, o acento agudo de jibóia e o circunflexo de vôo) como também certas incoerências que se notam no sistema ortográfico brasileiro. Uma desumanidade, por exemplo, é escrever desumano sem h e co-herdeiro com o dito cujo". Ninguém hesitaria em pronunciar corretamente co-herdeiro sem este h, que me parece inútil." Pode parecer perseguição, mas lá vai Cegalla propor a guilhotina nas palavras que começam exatamente com essa mísera letra. Hesitaria seria esitaria; hoje, oje. Assim, de supetão, parecem casos de anencefalia. "Grafa-se hoje porque vem do latim hodie." A bem da simplificação ortográfica, portanto, o h etimológico inicial perderia o emprego.

A bem de romper a estranheza com mudanças, o professor lembra o sistema ortográfico de 1943. Iniciativa da Academia Brasileira de Letras, causou rebuliço porque, entre outras medidas, trocou officio por ofício, psalmo por salmo, attento por atento, rhinoceronte por rinoceronte. "Por ter abolido o th, o ph e as consoantes geminadas inúteis, nossa ortografia, com a espanhola, é das mais avançadas no mundo", categoriza. Sobre sua atração pela língua em si, ele bota o indicador na testa para recobrar o que Eça disse ao amigo Eduardo Prado: "Os brasileiros falam português com açúcar".

Cegalla nasceu duplo "l" em Tijipió, com j e acento no ó, distrito de Tijucas, a cerca de 50 quilômetros de Florianópolis. Lidava com cana-de-açúcar na fazenda do pai, mas o apetite voraz pela leitura não teria vindo da sacarose, e sim de um dom inato. Até os 12 anos deu expansão às suas energias. A partir de então foi enviado a Curitiba para estudar no Colégio Santa Maria, dos irmãos maristas, tradicionalmente dedicados ao ensino. Ainda na capital formou-se em Letras Clássicas pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, não sem antes passar pela hedionda tarefa de trancar a matrícula por quase dois anos para servir no Exército, quando esteve cotado para ser pracinha da FEB. Protocolista na ocasião, enviou um pedido de dispensa ao então ministro da Guerra, Eurico Gaspar Dutra, e ganhou o aval para voltar aos estudos.

ESTRANGEIRISMOS

"Por que hall se temos vestíbulo"

Passada a guerra, o Paraná ficou pequeno para suas ambições profissionais. Rasgou então a estrada até São Paulo, onde deu aulas de português no Colégio Marista do Carmo, perto da Av. Rangel Pestana, até 1952. Amante da beleza, seja na mulher, seja na natureza, virou e revirou um mapa do Rio até pontuar a zona sul. Mudou-se em 1953, decidido a ficar. No Colégio Rio de Janeiro, em Ipanema, ensinou latim e português a turmas do ginásio. No Santo Inácio, em Botafogo, foi mestre de português e também de literatura, com um diferencial: passou a usar a si mesmo nas aulas. Explica-se. Angustiado com o material didático disponível na época, limitado e sem ilustrações, recheado de textos arcaicos e enfadonhos, Cegalla organizou as anotações feitas durante anos em cadernos de brochura até chegar à Novíssima Gramática da Língua Portuguêsa, que levava circunflexo na época. Era já uma gramática normativa, publicada pela Companhia Editora Nacional e abonada por trechos de obras de autores modernos, como Drummond, Cecília Meireles e Luís Jardim. "As frases não podiam ser muito longas e tinham de oferecer um conteúdo ideológico, um colorido poético." Nananinanã, portanto, para "A mulher pôs a água no fogão e começou a mexer a comida". Prefere "Obelisco não é mourão em que se amarram cavalos" ou "Não se atravessam oceanos só para dançar valsas", cujas autorias aqui não revelamos para quiçá atiçar a curiosidade do leitor.

Confessa que o Novíssima da gramática foi idéia dele, tão-somente dele, inspirado nos Novíssimos Estudos da Língua Portuguesa, do gramático Mário Barreto. O superlativo absoluto poderia se configurar um tiro no pé, não fosse Cegalla pioneiro na tarefa de promover uma arrumação tranqüilizadora e consistente nos fatos gramaticais. "Considero a obra dele de grande respeitabilidade dentro da época em que trabalhou com isso", afirma Maria Helena de Moura Neves, livre-docente da Unesp e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, autora entre outros de A Gramática Funcional (Martins Fontes) e usuária da gramática de Cegalla quando deu aulas no ensino fundamental e médio há mais de 20 anos.

O sucesso da obra foi tamanho que o professor repousou o giz na lousa após 35 anos de magistério para se dedicar exclusivamente aos pedidos da editora. Além da Novíssima, em sua 47ª edição, assina a Nova Minigramática, o Dicionário Escolar, dois livros de poesia (Canção de Eurídice e Um Brado no Deserto), o Dicionário de Dificuldades (Lexicon Editora) e traduções de Édipo Rei e Antígona diretamente do grego, essa última, premiada com o Jabuti, que Cegalla, aliás, não foi receber. "Estudei grego na faculdade e depois li a gramática grega sete vezes até assimilar a conjugação". No prelo estão os episódios, segundo ele, mais bonitos da Eneida, de Virgílio, dados à luz em português há seis meses por meio do latim. Também está a caminho a Novíssima Gramática já adaptada ao novo acordo ortográfico.

Pelos números da editora, Cegalla vendeu aproximadamente 16 mil exemplares da Novíssima no ano passado, enquanto seu dicionário com mais de 20 mil verbetes, incorporado pelo Programa Nacional do Livro Didático, porém não organizado por ele, chegou a 1,5 milhão de exemplares. Com os direitos autorais acumulados por décadas ele ergueu seu patrimônio, que abraça um imóvel em condomínio fechado no Leblon para uso próprio, da mulher e de um dos quatro filhos, mais apartamentos que aluga a turistas no Rio. Não obstante, ser gramático normativo não lhe rende atualmente verdes louros na academia, avessa a descritivismos tradicionais e defensores arraigados da língua. Seu isolamento também o afastou das rodas lingüísticas, que Cegalla, com toda a delicadeza, considera pouco funcionais. "A prática da língua se aprende na gramática.

"No terceiro andar da casa do Leblon, ele respira imperativos, concordâncias verbais, vozes passivas, sufixos nominais e superlativos absolutos sintéticos eruditos que emanam de aproximadamente 5 mil seletos títulos, a saber, obras completas de Machado, Bandeira, Vinicius, Drummond, Alexandre Herculano e outros que pinça de acordo com a necessidade e o humor. Do último livro que leu, não se lembra. Era autor português novo, e são muitos os autores novos de qual língua quer que seja. As histórias, na verdade, lhe são secundárias.

Escarafuncha a estrutura das frases e, por isso, considera-se moroso na leitura. Leva de uma a duas semanas para terminar um romance médio, também porque as pelejas de futebol roubam algumas de suas noites e tardes. Impossível saber se sempre andou com vagar ou se é a idade que dita seu ritmo. Mas é lépido no gatilho para perceber que alguém se constrange ao se sentar ante um gramático: "Sempre evitei corrigir as pessoas quando falam por outra cartilha". Logo diz para os convivas se acalmarem e conversarem naturalmente, para não terem receio, que não é nenhum bicho-papão. Mas ai de ti se disser cataclisma ou se pedir que coloque menas água no copo. "Aí eu não resisto."

Fonte: O Estado de SP, 5/10/08



Post Scriptum (5/4/20):

Em geral, quando releio textos anteriores ao novo padrão ortográfico da Língua Portuguesa, eu corrijo as palavras. Mas não teria sentido fazer isso neste texto com o Cegalla porque o texto inclusive aborda mudanças que vão ocorrer ou que deveriam ocorrer - na opinião dele - no ano seguinte a esta entrevista. Cegalla faleceu em 2013. 

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Morfologia - A flexão nominal de número




Oposição entre um indivíduo e mais de um indivíduo.


Como diz Saussure (1922) na língua tudo é oposição.

A situação especial fica por conta dos COLETIVOS, em que a forma singular envolve uma significação de plural. Como se trata de uma UNIDADE homogênea, vem no singular.

Mattoso nos diz sobre alguns casos particulares:

Tanto o plural para a indecomposição linguística de uma série de partes componentes (núpcias, exéquias, funerais), como para a expressão da amplitude (trevas, céus, ares) foram reunidos na gramática greco-latina sob a designação de PLURALIA TANTA, ou, menos adequadamente, PLURAL MAJESTÁTICO.


MORFEMA FLEXIONAL DE PLURAL

O morfema flexional de plural, oposto a um zero (0 singular), é fonologicamente o arquifonema /S/ das 4 fricativas não-labiais (sibilantes: /s/-/z/; chiantes: /s'/-/z'/) em oposição pós-vocálica final.

A sua representação fonológica como /S/ corresponde à realização do morfema diante de pausa. Esta posição parece a mais natural, desde que estejamos focalizando o vocábulo formal isolado. Ela está implícita na letra -s como signo de plural na língua escrita.


OU SEJA, o que verificamos é que há dentro de um dialeto regional, três ou pelo menos dois fonemas possíveis para o morfema flexional de plural em português.


O MORFEMA FLEXIONAL DE PLURAL SE REALIZA COM DOIS OU TRÊS ALOMORFES.

ALOMORFIAS:

1- Alomorfe zero (0) para os nomes paroxítonos terminados em /S/.

Ex.:

- flor simples (simples singular), flores simples (simples plural);
- ourives perito (ourives singular), ourives peritos (ourives plural).

2- Nomes terminados por consoantes no singular que seriam formas teóricas com um tema de vogal -e.

Ex.:

- mar(e)s;
- animal(e)> anima(l)es> animais;
- paz(e)s.


3- Caso mais complexo é o dos nomes de singular em -ão, tônico ou átono. O singular neutraliza 3 estruturas radicais distintas, ou antes, uma estrutura de tema em -e e outra, que ora tem o tema em -e, ora tem o tema em -o. Nesta última a forma teórica coincide com a forma concreta singular e o plural se faz regularmente pelo acréscimo de /S/ do plural:

Ex.:

- irmão-irmãos;
- órfão-órfãos.

Já a vogal do tema em -e se combina com uma estrutura terminada em -ã/aN/ e outra terminada em -õ/oN/. A vogal do tema se incorpora como assilábica à sílaba de travamento nasal e este passa a travar o tema:

Ex.:

- pãe/pa'N/ > pães;
- leõe/leo'N/ > leões.

Donde:

1) -ão: -ãos; -ãe: -ães. (só em mãe o tema teórico se realiza no singular: mãe:mães); -õe: -ões.

-ÕE: -ÕES é a estrutura mais frequente, ou antes, a estrutura geral, de sorte que a maioria dos singulares em -ão, sendo teoricamente õe, forma o plural em -ões.

As duas outras estruturas são tão reduzidas que se podem esgotar em pequenas listas.

É bom lembrar que existe variação livre de duas ou três estruturas teóricas para vários nomes:

Ex.:

- aldeão = aldeões, aldeãos e aldeães.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso: Estrutura da Língua Portuguesa, 23ª edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

Regras básicas na descrição do gênero nominal




Um resumo básico de Mattoso Câmara nos ajuda bastante na descrição do gênero nominal:

1) Nomes substantivos de gênero único.

Ex.: (a) rosa, (a) flor, (a) tribo, (a) juriti, (o) amor, (o) livro, (o) colibri, (o) homem, (a) mulher.


2) Nomes de dois gêneros sem flexão.

Ex.: (o,a) artista, (o,a) intérprete, (o,a) mártir.


3) Nomes substantivos de dois gêneros, com uma flexão redundante.

Ex.: (o) lobo, (a) loba, (o) mestre, (a) mestra, (o) autor, (a) autora.


O ARTIGO:

O artigo, que, como partícula pronominal adjetiva, tem uma função significativa bem definida, tem a mais a função de marcar, explícita ou implicitamente, o gênero dos nomes substantivos.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso: Estrutura da Língua Portuguesa, 23ª edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

A flexão de gênero e seus alomorfes




Relembrando...

A flexão de gênero é uma só, com pouquíssimos alomorfes: o acréscimo, para o feminino, do sufixo flexional -a (/a/ átono final) com a supressão da vogal temática, quando ela existe no singular: lob(o) + a = loba; autor + a = autora.


ALOMORFIAS NA FLEXÃO DO GÊNERO:

1- o par opositivo avô-avó.

2- as formas teóricas em /oN/
Ex.: bom /boN/ = boa; leão /leoN/ = leoa.

3- o sufixo derivacional aumentativo /oN/ vai para a sílaba seguinte como consoante /n/ acrescido da desinência –a: valentão /valeNtoN/ = valentona.

4- os radicais em /aN/ com tema em -o suprimem a vogal do tema no feminino: órfão-órfã; irmão-irmã.

5- o sufixo derivacional -eu suprime a vogal do tema -o /u/ e se ditonga ao acrescentar a desinência -a: europeu-europeia.

6- alternância da tonicidade, além do acréscimo da desinência -a:
Ex.: -oso /ôz/ = -osa /óz/ gostoso-gostosa
grosso /ôs/ = grossa /ós/

Segundo Mattoso Câmara, essas alomorfias se resolvem pelo dicionário, em que basta haver uma entrada para a forma teórica, em vez de se averbar simplesmente a forma de masculino.

Diz ainda: da mesma sorte, é ao dicionário que cabe informar sobre a chamada heteronímia no gênero, que não é mais do que a restrição a um gênero único de determinado membro de um par semanticamente opositivo. Por exemplo: homem, registrado como masculino, com uma remissão a mulher, por sua vez registrada como feminino.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso: Estrutura da Língua Portuguesa, 23ª edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Morfologia - O nome e suas flexões




(muitas frases aqui são citações do texto do professor Mattoso Câmara)


Relembrando...

Radical e tema são distintos. O tema vem a ser o radical ampliado por uma vogal determinada, que entra na flexão dos nomes e dos verbos.

Além dos verbos em temas 'a', 'e' e 'i', há nos nomes os temas em -a (rosa, poeta, planeta), os temas em -o /u/ átono final (livro, tribo, cataclismo) e os temas em -e /i/ átono final (dente, ponte, análise).

Assim, não se confunde a desinência de feminino -a, que aparece especialmente nos temas em -o (lobo, loba) e a vogal temática em -a, que não é marca de gênero (cf. poeta, masculino; artista, masculino ou feminino, conforme o contexto).


Os NOMES se dividem em SUBSTANTIVOS e ADJETIVOS. O contexto mostra qual é determinado e qual é determinante.

Ex.:
- marinheiro brasileiro = marinheiro (subst.) de nacionalidade brasileira (adj.);
- brasileiro marinheiro = brasileiro (subst.) de profissão marinheiro (adj.).


ADJETIVOS: a maioria tem temas em -o e -e. Os em -o têm a flexão de feminino em -a e os em -e não têm flexão, são neutros.

Ex.:
- homem corajoso, mulher corajosa;
- homem grande, mulher grande.


SUBSTANTIVOS: podem ter feminino em -a quando são de tema em -e ou quando são atemáticos.

Ex.:
- mestre-mestra; autor-autora; peru-perua.


INCOERÊNCIA NA APRESENTAÇÃO TRADICIONAL DAS GRAMÁTICAS

A flexão de gênero é exposta de uma maneira incoerente e confusa nas gramáticas tradicionais do Português. É ruim a forma de associação ao sexo dos seres para se falar da natureza semântica das palavras.

O gênero abrange todos os nomes no Português e não só os nomes de seres e, mesmo nestes, há problemas, pois para os animais temos os chamados substantivos EPICENOS, como cobra, sempre feminino, e tigre, sempre masculino.

Na realidade, o gênero é uma distribuição em classes mórficas, para os nomes, da mesma sorte que o são as conjugações para os verbos.

O mais que podemos dizer, porém, em referência ao gênero, do ponto de vista semântico, é que o masculino é uma forma geral, não-marcada, e o feminino indica uma especialização qualquer (jarra é uma espécie de jarro, barca um tipo especial de barco, como ursa é a fêmea do animal chamado urso)


NÃO É COERENTE confundir com flexão a RELAÇÃO SEMÂNTICA entre as palavras HOMEM e MULHER. Aqui, não se trata de flexão de gênero como afirmam as gramáticas.

O processo nesse caso é lexical ou sintático e não de flexão.


Na descrição da flexão de gênero em português não há lugar para os chamados 'nomes que variam em gênero por heteronímia'. O que há são substantivos privativamente masculinos, e outros, a eles semanticamente relacionados, privativamente femininos.

Nos casos de imperador-imperatriz, galo-galinha, perdigão-perdiz, o que ocorre não é um processo de flexão de gênero e sim um caso de derivação com os sufixos -TRIZ, -INHA, -ÃO.

IMPORTANTE: 

A flexão de gênero é uma só, com pouquíssimos alomorfes: o acréscimo, para o feminino, do sufixo flexional -a (/a/ átono final) com a supressão da vogal temática, quando ela existe no singular: lob(o) + a = loba; autor + a = autora.


Bibliografia:

CÂMARA Jr., J. Mattoso: Estrutura da Língua Portuguesa, 23ª edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Aula de Morfologia do prof. Emilio - Derivação




(eventuais equívocos conceituais são de minha responsabilidade)

DERIVAÇÃO - tipos de situação

1) alteram a categoria da palavra
prefixos: não sufixos: sim

2) apresentam as categorias nominais (gênero/número)
prefixos: não sufixos: sim

3) alteram o acento primário
prefixos: não sufixos: sim

SUBCATEGORIZAÇÃO

verbo: crer (em) descrer (de)
verbo: pensar (em) repensar (vazio)

AFIXOS - são eles que selecionam a base e não o inverso (selecionam adjetivos, substantivos e verbos)

base[categ]x = [afixo + base]y


NOMINALIZAÇÃO

bases: adjetiva, substantiva, verbal

adjetiva: -dade [x]n+dade = [[x]n dade]subst.
ex.: bom + dade = bondade

substantiva: -al [x]n+al = [[x]n al]subst.
ex.: banana + al = bananal

verbal: -ção [x]v+ção = [[x]v ção]subst.
ex.: realizar + ção = realização

ADJETIVAÇÃO

bases: adjetiva, substantiva, verbal

adjetiva: -íssimo [x]n+íssimo = [[x]n íssimo]adjetivo
ex.: bonito - bonitíssimo

nome: -oso [x]n+oso = [[x]n oso]adjetivo
ex.: bom + oso = bondoso

verbo: -vel [x]v+vel = [[x]v vel]adjetivo
ex.: lavar + vel = lavável

VERBALIZAÇÃO

bases: adjetiva, substantiva, verbal

adjetiva: -ec(er)
derivação parassintética, duas partes que fazem parte do mesmo processo: em[branqu]ecer

branqu=branc (a mesma raiz, só mudou a grafia)

en[gord]ar / a[vermelh]ar

substantivas:
cola > colar (subst. criou o verbo. o subst. é mais concreto)
data > datar (idem)

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES DA AULA:

A CLASSE na derivação quem dá é o SUFIXO. Ex.: tudo que tem -OSO é adjetivo.

Substantivo pode ser usado como adjetivo. Veja os exemplos: navio-escola; sofá-cama; couve-flor

Aqui, o segundo qualifica o primeiro.

TOME uma base de natureza nominal, aplique o afixo -OSO e tem-se então um adjetivo. Esta é uma regra de formação de palavras. Alguns sufixos são produtivos (disponível para formar palavras novas). Outros não (ou menos).

Às vezes, os afixos selecionam também por certas características semânticas (além de categoria)

OU SEJA, o sufixo: qual a categoria seleciona? Tem algo mais semântico? Que categoria gera?

Em situações como:
pular > o pulo
comprar > a compra
perder > a perda

Muitos linguistas defendem que o verbo gerou o substantivo e não o inverso. As palavras derivadas manteriam "o processo" contido na palavra primitiva.



terça-feira, 18 de novembro de 2008

Estudos de Português histórico




Leitura do texto "Breve notícia da ortografia portuguesa", de Antonio Martins de Araújo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil. 

1 - Nos labirintos da 'Scriptologia' Medieval 

A existência de grande número de variantes léxicas é fruto dos dilemas dos 'manuscritores' desde 1200. 

Ou se grafava as palavras cunhadas a partir de matrizes da língua-mãe, ou se grafava a partir da impressão auditiva vinda da emissão dos novos vocábulos. 

Só a palavra IGREJA, por exemplo, já conta nas pesquisas filológicas com mais de 50 variantes morfológicas e/ou meramente gráficas. 

Ex.: ecclesia, egleja, eglesa, eglessa, eglisa (...) eigleja, eygreya, eygreygya, igleja, igrejja, iglisa, igriga. 


2 - O dilema inicial: conservar ou inovar? 

Há posições antagônicas desde os séculos XVI, XVII etc. 

"em guardar a orthographia cõforme à ethymologia & pronunciação dos vocábulos" (Gândavo, Regras que ensinam a maneira de escrever a orthographia da língua portuguesa - 1574

"o escrever como se pronuncia, he com a penna imittar a língua, estampar com letras aquillo, que declaramos com palavras (não acrescentando, nem diminuindo, pois não he necessario, antes fiqua sendo mais perfeito o modo de aquelle, que cõ esta arte imittar a natureza)" (Álvaro Ferreira de Vera, Orthographia ou modo para escrever certo na língua portuguesa - 1631

Outros autores, apesar de irem na linha conservadora e latinista, acabam aceitando mudanças linguísticas como, por exemplo, Bento Pereira em Regras gerais, breves e comprehensivas da melhor orthographia com que se pódem evitar erros no escrever da língua latina, & Portuguesza. Para se ajuntar à Prosodia. Coimbra, Joseph A. da Sylva, 1733. (A 1a ed. é de 1666) 

"Para que guardemos certeza ou verdade em nossa escritura, assim devemos escrever, como pronunciamos, & pronunciar como escrevemos. D'outra maneyra será nosso escrever mentiroso" 

Bibliografia: 

PEREIRA, Cilene da Cunha & PEREIRA, Paulo Roberto Dias. ORG. e COORD. Miscelânea de estudos linguísticos, filológicos e literários in Memoriam Celso Cunha. Ed. Nova Fronteira, 1995, RJ.

Morfologia - Morfemas




MORFEMAS são unidades significativas mínimas. 

Ex.: 'ruas' = 'rua' + '-s' 

Os morfemas podem ser livres ou presos: 

LIVRES - figuram sozinhos como vocábulos. Ex.: 'rua' 

PRESOS - não se encontram isolados e com autonomia vocabular. Ex.: morfema de plural 's' 

Quanto à natureza, podem ser: 

LEXICAIS - significação externa: relação com o mundo extralinguístico. É uma classe aberta, infinita. Ex.: porta; ódio; curupira. 

GRAMATICAIS - significação interna, pois deriva das relações e categorias levadas em conta pela língua. É uma classe fechada. É finito e restrito no idioma. Ex.: artigos, preposições, vogais temáticas, marca de plural '-s'. 

Bibliografia: 

CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley. A nova gramática do português contemporâneo. 3a edição revista. Ed. Nova Fronteira, 2001, RJ.

domingo, 16 de novembro de 2008

O mecanismo da flexão portuguesa (4)




CONCLUSÃO DO ASSUNTO NO TEXTO DE MATTOSO: 

"Uma complexidade da língua portuguesa, que prolonga uma situação latina, é a distinção que convém fazer entre radical e 'tema'. O tema vem a ser o radical ampliado por uma vogal determinada, que entra assim na flexão dos nomes e dos verbos. 

Em vez de CANT-, FAL-, GRIT-, por exemplo, temos os temas em -a: CANTÁ-, FALÁ-, GRITÁ-, que colocam esses verbos numa classe morfológica, dita 1a conjugação. Analogamente, temos a classe dos verbos de tema em -e- (2a conjugação) e a dos de tema em -i- (3a conjugação). 

Não é costume das nossas gramáticas estabelecer a mesma distinção para os nomes. Mas a conveniência de fazê-lo me parece inegável. Há nos nomes os temas em -a (rosa, poeta, planeta), os temas em -o /u/ átono final (livro, tribo, cataclismo) e os temas em -e /i/ átono final (dente, ponte, análise). Assim não se confunde a desinência de feminino -a, que aparece especialmente nos temas em -o (lobo, loba) e a vogal temática -a, que não é marca de gênero (cf. poeta, masculino; artista, masculino ou feminino conforme o contexto). 

Nos nomes, a ausência da vogal temática cria as formas que podemos chamar atemáticas e se circunscrevem, a rigor, aos oxítonos em -á, ou -ê, -ó, ou -ô, -u e -i (alvará, candomblé, noitibó, urubu, tupi). Os nomes terminados no singular em consoante pós-vocálica têm uma forma teórica em -e /i/ átono final, que se deduz dos plurais. Compare-se: feliz - felizes, mar - mares, e assim por diante (nos nomes terminados em /l/ há regras especiais que alteram superficialmente o resultado)." 

Bibliografia: 

CÂMARA Jr., J. Mattoso: 

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.

O mecanismo da flexão portuguesa (3)




A rigor, só se encontram em português SUFIXOS FLEXIONAIS nos nomes e nos verbos. 

NOMES - em GÊNERO e NÚMERO. 


VERBOS - TEMPO E PESSOA GRAMATICAL 


NOMES 

GÊNERO - oposição entre forma masculina e feminina. Flexão básica: um sufixo ou desinência -a (átono final) para marcar o feminino. 

NÚMERO - contraste entre a forma singular e plural. Presença de um sufixo flexional ou desinência /S/ no final da última sílaba. 

"o masculino e o singular se caracterizam pela AUSÊNCIA das marcas de feminino e de plural" (morfena gramatical ZERO - 0) 

O CASO DOS PRONOMES: 

O que diferencia no caso dos pronomes (em relação aos nomes) são 3 noções gramaticais: 

PESSOA GRAMATICAL - referência no âmbito do falante (1a pessoa), no ouvinte (2a pessoa) ou fora da alçada dos dois interlocutores (3a pessoa). A referência também pode ser pra uma ou mais pessoas (4a, 5a e 6a, ou seja, 1a, 2a e 3a do plural) 

Aqui, esta noção não se trata de flexão e sim de vocábulos lexicais. 

GÊNERO NEUTRO para PRONOMES em FUNÇÃO SUBSTANTIVA - referência a coisas inanimadas (isto, isso, aquilo) ou formas específicas para humanos (alguém, ninguém, outrem) 

CATEGORIA DE CASOS para PRONOMES - diversos vocábulos de pronomes para formas retas e oblíquas. 

"As três noções gramaticais características dos pronomes NÃO ENTRAM NO MECANISMO FLEXIONAL da língua portuguesa." 

SÃO EXPRESSAS LEXICALMENTE por mudança de vocábulo. 

"Em relação aos nomes e pronomes, as noções gramaticais que se expressam por flexão são apenas as do gênero masculino e feminino e as de número singular e plural. E tanto para os nomes como para os pronomes, o mecanismo flexional é aí o mesmo." 

VERBOS 

Há duas noções muito diferentes que se completam para flexionar o vocábulo verbal. 

TEMPO - para designar a ocasião da ocorrência do que o verbo refere, do ponto de vista do momento da comunicação. Aqui acumula-se a noção de MODO (indicativo, subjuntivo, imperativo) e ASPECTO completo ou incompleto (perfeito/imperfeito). 

PESSOA GRAMATICAL DO SUJEITO - noção contida no vocábulo formal. 

Bibliografia: 

CÂMARA Jr., J. Mattoso: 

.Estrutura da Língua Portuguesa, 23a. edição, Editora Vozes, Petrópolis 1995.