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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Leitura: O encontro - Anne Enright, de 2007



Refeição Cultural

Como tenho um certo fascínio inexplicável pela Irlanda e tudo relacionado a ela, li o livro O encontro de Anne Enright com muita expectativa (ver sobre o livro aqui). Terminei a leitura em dezembro de 2008.

A expectativa, no meu caso, procede, pois para quem já leu Dublinenses e Ulisses, ambos de James Joyce, sempre esperará muito dos irlandeses.

Não gostei muito da leitura, não.

Confesso que não ajudou muito a forma como eu li o livro: lendo-o e parando o tempo inteiro. A leitura foi meio truncada.

Mas isso também não serve de desculpa, pois quase todos os livros que leio são assim, com muitas pausas, porque leio diversos livros ao mesmo tempo. 

Nem por isso, deixo de apreciar boa parte dos livros que leio quando termino a leitura, como aconteceu recentemente com o livro Todos os nomes, de José Saramago. Gastei um século para lê-lo e fiquei fascinado com a obra.

Mas valeu a experiência e futuramente eu o leio de novo.

William

04/06/09

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Livro - A morte de Ivan Ilitch - León Tolstói (1886)



León Tolstói - foto da Wikipedia.

Refeição Cultural

Pois é, poderia parafrasear assim a máxima popular: "preenchendo lacunas culturais por vias tortas".

Comprei em 2008 este livro de Tolstói vendo-o por acaso sobre um dos trocentos balcões da feira de livros da FFLCH na USP.

Por acaso, também fiquei sabendo da existência deste livro através da história de Chris McCandless, personagem real inspirador do livro e do filme Na natureza selvagem. Era um dos livros que ele carregava consigo no Alaska.

"Instalado de novo no abrigo corroído do Fairbanks 142, McCandless retomou a rotina de caçar e colher. Leu A morte de Ivan Ilitch, de Tolstói, e O homem terminal, de Michael Crichton..." (Na natureza selvagem, de Jon Krakauer)

Por se tratar de Tolstói, é um romance bem pequeno - pouco mais de 70 páginas (na verdade podemos dizer que é uma novela). É considerado, no entanto, uma das obras mais perfeitas da literatura mundial.

Eu o achei bem triste. Profundo. Bem real. Bastante atual.

Engraçado! Estava hoje pensando na superficialidade e vazio das pessoas e das relações humanas neste mundo pós-moderno: NÃO GOSTO DO QUE VEJO AO MEU REDOR. NÃO GOSTO!

Ivan Ilitch descobriu isso em um momento crítico de sua vida. Sofreu muito com isso.

Sigo buscando o conhecimento. Tentando encontrar a sabedoria todos os dias...

William


Bibliografia:

TOLSTÓI, Lev. A morte de Ivan Ilitch. Tradução de Boris Schnaiderman. Editora 34. 1ª Edição 2006 (1ª reimpressão 2007)

Leituras sobre Chris McCandless e Tolstói




Refeição Cultural


Ontem, terminei a leitura do livro de Krakauer sobre a aventura de Alexander Supertramp, ou seja, McCandless, o jovem da história "Na natureza selvagem".

Continuo ouvindo a trilha sonora do filme na voz de Eddie Vedder todos os dias.

Fiquei pensando nos livros que ele leu e carregou por suas andanças. Comprei hoje e estou terminando o romance de Tolstói "A morte de Ivan Ilitch", na tradução de Boris Schnaiderman, pela Editora 34.

Tudo bem! Também estou tentando me preparar para a difícil prova de Morfologia que farei em breve (o mesmo que física quântica pra mim).

Também tenho a matéria de Filologia pra fazer um trabalho nos próximos dias.

Estou focando meu objetivo de estar no início de minha caminhada na Espanha em maio do ano que vem.

William


POST SCRIPTUM (2014)

Pois é, a vida e suas surpresas... eu tive que abortar a minha peregrinação no Caminho de Compostela pela 2ª vez. Quem sabe um dia eu a faça... (enquanto isso, vou fazendo a minha caminhada em MG todo ano como fiz novamente em 2014, onde tive a grata surpresa de fazê-la na companhia de meu filho)

As matérias da faculdade em questão foram finalizadas bem. Só descobri agora que o sistema da FFLCH acusa que devo uma matéria de Literatura Portuguesa para completar as duas grades - Português e Espanhol... é mole?

sábado, 11 de outubro de 2008

Livro: O menino no espelho - Fernando Sabino


Fernando Sabino.

Refeição Cultural

O MENINO NO ESPELHO - FERNANDO SABINO

"The answer, my friend, is blowin' in the wind
The answer is blowin' in the wind"
(Bob Dylan)


Buscando alguma sobremesa cultural para dar mais sentido à pasta alimentícia diária e necessária (o trabalho, é o trabalho!), li o livro de Fernando Sabino O menino no espelho (1982), que comprei para meu filho usar na escola no bimestre escolar.

Li o livro no intervalo possível, durante a greve dos bancários. Comecei quinta à noite, depois da assembleia, e terminei agora à noite após a reunião do Comando Nacional dos bancários. (Ao som de Bob Dylan... "It ain't me babe"... "Mr. Tambourine man"... "Like a Rolling Stone"... "I want you"... "Just like a woman"... "Blown' in the wind"... )

Que leitura leve e agradável. Me fez chorar de rir. (e isso é bastante raro!)

Foram tantas lembranças de peraltices de infância, algumas nem tão inocentes, outras até bem maldosas.

"O menino é o pai do homem" (William Wordsworth). De novo esta frase tão aclaradora.

Aliás, já confessei humildemente que, em matéria de literatura brasileira e mundial, sou todo lacunas. Eu nunca tinha lido nada de Fernando Sabino. Nem sabia que ele já havia morrido em 2004.

A vida é uma colcha de retalhos como aquela que uso, feita especialmente para mim por minha avozinha Cornélia. A vida é uma colcha de imagens e instantes que guardamos do ontem.

É impressionante! Nunca me esqueci da cena do Rener, amigo da infância, rindo de chorar com o livro em mãos, citando partes em voz alta de O grande mentecapto (1979) - livro que, por sinal, até hoje não li! (sem dúvida, agora eu quero lê-lo - leitura feita em 2013)

Quem sabe naquele momento em que eu era um moleque maloqueiro em meus 12 ou 13 anos não tive naquela imagem do Rener um empurrãozinho para começar a pegar livros do meu primo Jorge Luiz para ler? Livros tipo best sellers, que a tia Lúcia comprava para ele, afinal, ela era funcionária pública e tinha um pouco mais de recursos que o restante da família. (meu primo me explicou depois que era ele quem comprava os livros porque já trabalhava e gostava de ler)

Durante as aventuras do livro, fui vendo em flash backs as várias cenas que estão em minha colcha de retalhos: o professor de Física Jaime, que era gago e que eu tinha a cara de pau de sacaneá-lo; minha primeira briga na escola, de rolar no chão com outro moleque e depois a libertação, quando bati no moleque que mais aterrorizava a meninada da rua; dos primeiros deslumbramentos com as garotas; das casas que morei e do barracão com trocentas goteiras pingando água da chuva e meus pais correndo com os baldes pra lá e pra cá; lembrança até da única vez em que matei um passarinho, igualzinho ao personagem do livro - até hoje me aperta o peito só de lembrar o caso.

Olha, o livro me foi muito bem.


O menino no espelho (1982)
Fernando Sabino (1923-2004)
Editora Record - 82a edição


domingo, 5 de outubro de 2008

Sobre lucidez, corporações e o que será de mim...




Refeição Cultural

Acabei a leitura há pouco do livro de José Saramago, Ensaio sobre a lucidez, publicado em 2004. Estou passado até agora pelo final da história.

Ontem, fiquei também muito perplexo pelas verdades que nos são lembradas no filme The Corporation, vencedor do Sundance Film Festival em 2004, filme dirigido por Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan. Saí para dar uma caminhada à noite para aliviar as ideias.



Estou um pouco cansado neste fim de semana. Acabei não correndo e estou meio-que igual ao clima: nublado e cinza.

Do filme, gostei de uma verdade: é preciso impor uma filosofia de futilidade ao consumidor. Não é que as corporações mundiais conseguiram isso!

Estamos vivendo hoje o dia nobre do regime democrático: as eleições. Eu espero que os candidatos e partidos de esquerda e com programas a favor do povo e do bem público sejam os grandes vencedores.

Algo que não consigo deixar de pensar: será que serei alguma coisa diferente de bancário e sindicalista no amanhã? 

Estou bem desanimado para acreditar que ainda serei professor universitário e um conhecedor de literatura, porque comecei muito tarde e não tenho muito tempo hábil para correr atrás do prejuízo.

Sei não. Acho que não serei mais nada além disso que está aí.

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Post Scriptum (26/2/20):

Poxa, que dizer doze anos depois? Os pressentimentos que tinha se realizaram, a respeito da não realização dos meus desejos de mudanças na vida pessoal e intelectual. Não fui nada! Não fui professor. Não fui nada mais que um sindicalista, um bancário. Segui dirigente até o último momento de minha vida nos quadros da ativa do Banco do Brasil. Meu último papel como representante dos bancários foi um mandato eletivo de diretor de saúde na Caixa de Assistência dos Funcionários do BB, a Cassi. Mesmo assim, isso não quer dizer que eu não era um bancário e um sindicalista. E assim terminei minha vida de trabalhador.

A respeito do título da postagem, que fala de lucidez e de corporações, que poderia dizer do contexto em que escrevo, o mais trágico da história do Brasil. As corporações norte-americanas e seus governos, aquelas que o filme aborda, organizaram um golpe de Estado no Brasil (2016) e após a destruição da frágil democracia brasileira chegou ao poder um demente escroto e sua família, gente do submundo do crime organizado. O país está destruído e neste momento caminhamos para um golpe dentro do golpe, com risco de recrudescimento do novo regime e mais quebra das garantias constitucionais mínimas...

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira: frases selecionadas




- Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. (livro dos conselhos)

- É desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade.

- Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira.

- Se queres ser cego, sê-lo-ás.

- O medo cega.

- O medo cega... são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.

- Alguns irão odiar-te por veres, não creias que a cegueira nos tornou melhores, Também não nos tornou piores.

- A cegueira também é isto, viver num mundo onde se tenha acabado a esperança.

- Água mole em brasa viva tanto dá até que apaga, a rima que a ponha outro.

- A força e a natureza das circunstâncias influem muito no léxico.

- Mas quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos.

- Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.

- É que vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos.

- Costuma-se até dizer que não há cegueiras, mas cegos, quando a experiência dos tempos não tem feito outra coisa que dizer-nos que não há cegos, mas cegueiras.

- Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem.


Bibliografia:

SARAMAGO, José. Ensaio sobre a cegueira. Companhia das Letras. 24º reimpressão, 2002.


quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Livro: A importância do ato de ler (1982) – Paulo Freire


Algumas ideias do livro de Paulo Freire

A aprendizagem da leitura e a alfabetização são atos de educação e educação é um ato fundamentalmente político.

A leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo.

Comprometer-se politicamente com a tarefa da recuperação da dignidade do oprimido é papel do educador.

A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a leitura posterior desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele.

“Na medida, porém, em que me fui tornando íntimo do meu mundo, em que melhor o percebia e o entendia na ‘leitura’ que dele ia fazendo, os meus temores iam diminuindo”, Paulo Freire ao falar da leitura de seu mundo em um contexto. Aqui, sua infância.

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“As teses sobre Feuerbach, de Marx, têm apenas duas páginas e meia...”, sobre a confusão que os educadores fazem achando que mandar ler enormes listas de bibliografias é educar, não compreendendo que o adentramento na leitura é mais importante que a quantidade.
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“O processo de alfabetização tem, no alfabetizando, o seu sujeito. O fato de ele necessitar da ajuda do educador, como ocorre em qualquer relação pedagógica, não significa dever a ajuda do educador anular a sua criatividade e a sua responsabilidade na construção de sua linguagem escrita e na leitura desta linguagem”, o educando não é uma folha de papel em branco, isso é fundamental para compreender a educação.

“Palavras do Povo, grávidas de mundo” – Expressão fantástica, que resume a ideia básica de alfabetização de Paulo Freire, sobre usar as palavras carregadas de significação da experiência existencial do educando e não do educador.

A leitura crítica da realidade, dando-se num processo de alfabetização ou não e associada sobretudo a certas práticas claramente políticas de mobilização e de organização, pode constituir-se num instrumento para o que Gramsci chamaria de ação contra-hegemônica. Essa é uma das conclusões do professor Paulo Freire.

William

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Artigo: O intelectual deve combater estereótipos


Edward W. Said. Fonte: Wikipedia.

Refeição Cultural


"Uma das tarefas do intelectual reside no esforço em derrubar os estereótipos e as categorias redutoras que tanto limitam o pensamento humano e a comunicação"

Edward W. Said (do livro Representações do intelectual)


Entre meus alimentos culturais e suas digestões, tenho passado dias de má-digestão neste setembro de 2008. Não pela qualidade do alimento, que tem sido da melhor espécie, mas pelo sofrimento com a percepção da realidade, onde muitas vezes vejo que não concordo com decisões equivocadas dos grupos aos quais me filio na luta pela mudança da realidade, mas vejo que estou só, ou quase só.

Não aceito participar de uma eleição não-transparente porque simplesmente acabaríamos por validar um processo que pode não espelhar a verdadeira vontade dos votantes*. 

Bom, padeço com minhas decepções e sigo adiante...


LEITURAS: VERISSIMO E SARAMAGO

Li O mundo é bárbaro (2008), de Luis Fernando Verissimo. Ele é muito bom. Foi importante para mim a recomendação para lê-lo porque nos últimos anos criei um preconceito injustificado contra escritores e intelectuais que só descem o cacete no Governo Lula, na CUT e no PT. Mas, como diz o intelectual Said, não posso fazer isso. Não está correto.

Acabei jogando todos no mesmo saco. Parti do princípio de que todos que escrevem nos veículos da grande mídia não prestam. Sei que estou errado.

O Verissimo é um caso claro disso. Ele sempre teve espaço na grande mídia e é um excelente escritor e cronista. Fala de todos o que acha que tem que falar. RECOMENDO!

Li Ensaio sobre a lucidez (2004), de José Saramago. Pela leitura feita, pude perceber o quanto o livro é bárbaro (sem trocadilho com o Verissimo! Bárbaro = fantástico).

Sigo tentando ser um intelectual e sobretudo um sábio, pois sou um ser com diversas lacunas culturais e ainda não-realizado. Não sou nada ainda, apesar de sempre sermos algo para alguém.

William Mendes


*Post Scriptum (2013):

Me referia à época a uma eleição em 2008 de uma entidade nacional de funcionários do Banco do Brasil - Anabb.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Livro: Ensaio sobre a cegueira - José Saramago


Imagem do filme

Ensaio sobre a cegueira – José Saramago

CLÁSSICO PORTUGUÊS de 1995

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara” (livro dos conselhos)


Reli a obra de Saramago dias atrás principalmente pelo fato de Fernando Meirelles ter feito o filme baseado nela.

Sempre preferi a arte das Letras em relação às demais. Sempre apostei muito no efeito da leitura de alimentar a mente e a imaginação. A imagem na leitura é sempre a cria subjetiva e insubstituível do leitor.

Bom, quando li o Ensaio em 2003 fiquei impressionadíssimo. Poucos livros me abalaram tanto. Mas, como o mesmo leitor é sempre outro no dia de amanhã, resolvi relê-lo antes de assistir ao filme.

É impressionante! A releitura me deixou novamente tocado. Me peguei a todo instante olhando ao meu redor e imaginando por quê que as pessoas não veem!


Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem


Vejo o que estamos fazendo com o mundo, inquilinos que somos nele - como diz Luis Fernando Verissimo, e penso se teremos que ver “acordar a imunda e rastejante besta do pavor” alimentada pelo remorso tardio, como aconteceu ao ladrão do automóvel do primeiro cego.



(COMENTÁRIO em post scriptum 30.6.10: Acabei de ler a frase acima e fiquei muito tocado por ela. Estou nervoso neste instante e tenho receio que seja aquela besta ali acima... por tudo que foi e que não foi de minha vida)


Outra reflexão profunda que lembrou-me a nossa elite branca, conservadora como poucas no mundo (incluo aqui nossos principais banqueiros), é aquela percebida pelo médico cego ao ser destratado por um funcionário de um órgão que presta serviço público:


é desta massa que nós somos feitos, metade de indiferença e metade de ruindade


As reflexões do narrador de Saramago e as falas de seus cegos dizem mais que qualquer comentário eventualmente feito por nós, leitores. É por isso que jamais uma crítica ou análise de uma obra substituirá a leitura da própria obra.

Vejam o caso Daniel Dantas, que parece ser intocável com sua rede de compras de consciência do Oiapoque ao Chuí. Ou dos banqueiros e capitalistas oligopolistas que fazem do mundo um shopping center onde o que vale é o poder de consumir e não essa “bobagem” de dividir riqueza com quem a produz e respeitar os direitos trabalhistas e humanos. Só reparando mesmo, assim que pudermos ver, é que faremos mudanças.

Deixo aqui algumas frases que nos lembram da nossa cegueira e a tentativa atroz de nos fazerem cegos como ocorre cotidianamente conosco, cidadãos eleitores e trabalhadores do mundo.


quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira


se queres ser cego, sê-lo-ás


o medo cega”, disse a rapariga dos óculos escuros, “são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuarmos cegos


alguns irão odiar-te por veres, não creias que a cegueira nos tornou melhores, Também não nos tornou piores


dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos


costuma-se até dizer que não há cegueiras, mas cegos, quando a experiência dos tempos não tem feito outra coisa que dizer-nos que não há cegos, mas cegueiras


Bom, estreia no Brasil esta semana o filme de Fernando Meirelles. Estou na expectativa de ser um bom filme. Se ele trouxer a catarse que o livro traz, já terá valido a pena para o público cinéfilo.


Comentários dizem que Saramago gostou da interpretação feita por Meirelles.

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Post Scriptum (pós filme): 


Achei o filme bem adaptado. Gostei!

Assim como a história pode nos deixar desiludidos com a natureza humana, ao mostrar em que podemos nos transformar, também nos abre a perspectiva de que podemos fazer as coisas diferentes. Acredito que podemos olhar, e olhando, ver, e vendo, mudar.


Aqui, temos uma imagem do mestre Saramago, após assistir ao filme de Meirelles:



sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Artigo: Preenchendo lacunas culturais


Praça central em Florença - Itália.
Chegada pela estação de trem, em set/2009.
Ir a Florença foi preencher uma lacuna cultural.


Refeição Cultural

Na busca pelo conhecimento e pelo autoconhecimento, tenho dedicado alguns momentos a mim mesmo e ao que gosto como, por exemplo, ler e praticar esporte - mais especificamente correr.

Às vezes, ponho fé que na leitura acharei o que procuro. Quero acreditar que um dia lerei algo que me dará a chave para uma existência menos pesada, menos sofrida e com mais sentido, apesar de saber que não são bem assim que as coisas funcionam.

A erudição é acúmulo de informação. A sabedoria é saber utilizar o acúmulo de informação, de conhecimento. E a sabedoria não está somente nos livros. Está também na percepção do próprio desenrolar da existência de si mesmo e da existência das coisas em geral.

PREENCHENDO LACUNAS CULTURAIS EM 2008

Por estes dias, li vários contos do Dublinenses de James Joyce. Assisti esta semana ao filme Bloom, de 2003, baseado na obra Ulisses de Joyce também. Tenho o privilégio de dizer que já li ambos os livros.

Assisti, finalmente, ao famoso filme Carruagens de Fogo, de 1981. Nossa vida é toda cheia de lacunas culturais, a minha e a de todo mundo. Todos conhecem a famosa música da trilha sonora do filme. Eu precisei esperar 27 anos para assistir a ele. Não sei o porquê. Simplesmente não havia assistido ainda. O filme é belíssimo!

Tenho o hábito de ler várias coisas ao mesmo tempo. Passei hoje da página seiscentos de A montanha mágica de Thomas Mann.

Outro dia, reli alguns capítulos de A odisseia de Homero. Também reli Ensaio sobre a cegueira de José Saramago. Até hoje estou tocado pela releitura.

Quero criar o grupo que sempre pensei. Uma espécie de sociedade cultural com encontros periódicos para discutir música, leitura, artes, política, educação, saúde etc. O principal não será o tema debatido e sim a empatia, a afinidade, os laços criados entre o grupo.

Não pensei no nome, mas talvez seja este que bolei hoje: Refeição Cultural ou Refeitório Cultural.

domingo, 31 de agosto de 2008

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Romaria 2008 - Velha caminhada; nova experiência, sempre!


Santuário de N. Sra. da Abadia.

Refeição Cultural - Velha caminhada; nova experiência, sempre!

Mais um ano, mais uma caminhada para Romaria.
Mais velho, mais experiente, e mais preparado.

Como ocorre em certos acontecimentos, a experiência de fazer a caminhada de Uberlândia à cidade de Romaria (ou Água Suja) é sempre diferente a cada ano.

Aliás, posso dizer que, se por um lado o corpo está mais velho e isso poderia ser uma desvantagem, por outro, aprende-se a pisar melhor, economizar energia e se auto preservar.

Bom, para que se tenha uma ideia de como são as distâncias e referências que os romeiros usam quando estão caminhando, apresento abaixo os trechos percorridos para aqueles que saem da cidade de Uberlândia. O que se chama aqui "Rio das Velhas" na verdade é o Rio Araguari.


Da casa de meus pais até o trevo para Araxá....................12,0 Km
Do trevo para Araxá a Olhos D'Água...................................6,7 Km
De Olhos D'Água até a Ponte do Rio das Velhas...................8,1 Km
Da Ponte do Rio das Velhas até o Trevo de Miranda.............3,7 Km
Do Trevo de Miranda até o Posto Triângulo.........................7,8 Km
Do Posto Triângulo até o Trevo para Araguari.....................3,7 Km
Do Trevo para Araguari até a Aliança Agro-Florestal............3,2 Km
Da Aliança Agro-Florestal até o Posto N. Sra. da Guia..........2,8 Km
Do Posto N. Sra. Da Guia até a Antena...............................11,0 Km
Da Antena até o Posto Santa Fé.........................................12,5 Km
Do Posto Santa Fé até o Desvio (Atalho).............................6,0 Km
Do Atalho até o Mata Burro (Córrego).................................3,0 Km
Do Mata Burro até o Pé da Escadaria (Igreja).....................5,0 Km

Total da minha caminhada: 85,5 Km


Este ano fui muito bem novamente, pois fiz o percurso em 21 horas e meia. Saí da casa de meus pais às 11:15h de sexta e cheguei a Igreja às 8:45h de sábado.

Pela primeira vez em todos esses anos, cheguei sem estar com os pés arrebentados. Não tive nenhuma bolha que me trouxesse sofrimento.

Foto de William Mendes com sua querida
mamãe Dirce Mendes.

A SAÍDA

Saí às 11h com Sol forte. Ter usado camisa de manga e calça longa não foi uma boa escolha, pois passei muito calor até o fim da tarde.

Cheguei ao bairro Alvorada às 13:30h. Segui caminhando e fazendo pequenas paradas - mais para trocar meias. Parei um pouco antes dos Olhos D'Água para comer um lanche, ovo e maçã. Eram 15h.

Dessa vez passei direto pelo Rio das Velhas - cerca de 17h - e peguei a grande subida direto.

Escureceu às 18h. Parei no meio da subida. Resolvi esticar até o Posto Triângulo. Não tinha bolhas nos pés e estava bem.

CAMINHANDO AO LUAR 

A primeira parte da noite de lua crescente é clara. Apesar de não se comparar à lua cheia, dá para ver até nossa sombra no chão.

Cheguei ao Posto Triângulo às 20h (ele não funciona mais - antes era um lugar com água, banheiro e comércio).

Saí para andar até o Posto N. Sra. da Guia, uns 10 Km. 


Outra novidade ruim: não estava lá a barraca de ajuda aos romeiros pra tomar aquela sopa maravilhosa. Ainda bem que, antes, tomei um caldo de feijão de uma barraquinha no acostamento. Além de ganhar laranja e banana.

ESTICADA ATÉ A ANTENA 

Cheguei ao Posto às 22:30h. Já havia andado 48 Km e estava muito bem fisicamente. Saí para dar aquela conhecida esticada que nunca chega: a Antena.

São 11 Km e o difícil é que quando você avista aquela luzinha vermelha no meio do nada, acha que está chegando, mas ainda faltam quilômetros e você anda mais de uma hora mirando a tal Antena e ela não chega.

Bom, como faço tradicionalmente, já vinha marcando meu ritmo pelo som de minhas fitas cassete. Apesar de ser antiquado usar aikman ao invés de MP3, o fato de ter que virar a fita a cada 30 minutos me ajuda a espantar o sono (que na madrugada seria terrível!).

Cheguei à Antena às 2h da manhã. Cansado, mas sem bolhas e melhor que usualmente. Finalmente, tomei a reconfortante sopa e comi outro ovo cozido que levei.

Foto de William Mendes, após andar
uns 60 Km direto.

Saí para caminhar mais 12,5 Km até o Posto Santa Fé. Calculei que chegaria às 5h da manhã e cheguei. Outra surpresa ruim: o posto fechou também. Tive que me deitar no chão mesmo pra relaxar uns 20 minutos. 


Passei muito sono nessa caminhada. Dei umas deliradas de sono andando meio dormindo. A madrugada já estava um breu total desde a meia-noite, quando a lua foi embora.

Estava com fome, mas não conseguia comer nada, pois estava com o estômago meio enjoado.


Foto de William Mendes,
na chegada da romaria
e ao lado da igreja local.

EM BUSCA DO ATALHO E DA CIDADE 

Saí para caminhar até o Atalho. Cheguei às 7h da manhã.

Comi umas frutas que estavam distribuindo na estrada e decidi só parar na escadaria da igreja - 8 Km à frente, após passar pelo eucaliptal, descida de pó e cascalho e subida animal rumo à entrada da cidade.

Cheguei às 8:45h e muito contente, apesar do cansaço, pois não cheguei estragado fisicamente.

COMENTÁRIO FINAL

Fazer essa Romaria é bem diferente de caminhar os 900 Km que farei na Espanha um dia. Mas é sempre um aprendizado. Um momento de introspecção. Um momento de humildade; de autocontrole e de renovação de você mesmo.

Voltei um pouco mais leve - em relação ao peso que carrego em meus ombros.

Agora, é pensar em minha próxima São Silvestre em dezembro.


William

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Poema - Instantes


Onde ancorar neste mundo?

Cansaço físico... o mental é maior!

A porcaria do ardor eterno nos olhos... é a modernidade!

Ler é difícil... durmo em minutos!

Então, tomei umas brejas... amorteci!

Massagem e cafuné em meu filho... sirvo pra algo!

Bee Gees cantando... a lágrima não veio... segue o ardor...

Fazer o quê?!


Wmofox

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Artigo - Campanha salarial dos bancários 2008


Sec. de imprensa 2006/09.
Estamos começando as discussões da campanha salarial dos bancários de 2008.

Como ocorre normalmente, é provável que as questões que mais chamarão a atenção de trabalhadores e dirigentes sindicais sejam as cláusulas econômicas, como saber qual é o índice e qual é a PLR – Participação nos lucros e resultados - reivindicados.

A Contraf-CUT tem iniciado as discussões com seus parceiros – federações e sindicatos. Como nas últimas campanhas, achamos que devemos lutar por aumento real no índice, participação maior dos bancários nos lucros e resultados – PLR - com uma regra geral que valha para todos, e com a busca da contratação total daquilo que os bancários recebem ao longo do ano, ou seja, o salário fixo direto, indireto e variável.

Será importante avançarmos na discussão de reivindicar novos patamares de salário para o trabalhador bancário que deve começar por uma discussão efetiva de aumento no piso inicial, além de aumento nos pisos das principais funções. Além disso, precisamos exigir dos banqueiros a criação de planos de previdência complementar, com contribuição paritária, com base em toda a remuneração do trabalhador bancário, para garantir seu poder de compra no futuro.

A Contraf-CUT está buscando este ano, como nos anteriores, construir uma mesa única de bancários para fazer o enfrentamento aos banqueiros e governo. Isso é fundamental para não pôr em risco os direitos gerais e fortalecer a CCT – Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários -, a melhor convenção de uma categoria no país. A tendência é que ocorram mesas específicas concomitantes para assuntos específicos dos bancos públicos.

Essa reflexão é fundamental por parte dos bancários e sindicatos, pois os banqueiros dão sinais de que não lhes interessa mais a CCT da categoria. Alguns bancos têm mostrado resistência a ela e prefeririam isolar seus trabalhadores em Acordos Coletivos – ACT.

Contextualização histórica

Até a década de 80 havia diversos ACT de bancários pelo país. Também o salário mínimo era regionalizado na época, o que ocasionava grandes disparidades e migrações rumo às capitais, principalmente para São Paulo.

Em 1992, os bancários assinaram a 1ª CCT no país. Foi e é a maior conquista de uma categoria profissional: são direitos iguais para todos os trabalhadores (de empresas e regiões). Passamos a ter pisos nacionais. 

Nos bancos públicos federais seguiram os ACT. Na época, o papel dos bancos públicos e suas fontes de recursos eram diferentes e o poder de compra dos salários era bem maior.

Durante a década de 90, com a implantação do neoliberalismo e a ideia de Estado mínimo, começou-se a política de arrocho salarial nas empresas públicas e seus sucateamentos para a privatização e doação do patrimônio público nacional.

Após 2003, com a unidade de bancários de bancos públicos e privados, houve maior correlação de forças entre bancários e banqueiros e também por novas relações de diálogo com o então recém-eleito governo Lula, foi possível trazer os direitos da categoria aos bancos públicos. Por exemplo, o fim do congelamento e reajustes nos salários e comissões, cesta de direitos, aumentos reais de salário, PLR que não havia.

Essa unidade possibilitou também a recuperação de direitos (isonomia) aos pós-98 nos bancos públicos e avanços de direitos novos para todos da categoria como, por exemplo, a 13ª cesta-alimentação.

Mesa única ou várias mesas?

Hoje existem duas mesas de bancários: Contraf-CUT e Contec.

Alguns sindicatos e forças políticas têm tentado criar novas mesas com os banqueiros. Em primeiro lugar, é necessário dizer que eles têm o direito de fazê-lo.

Em segundo lugar, é necessário também perguntar: isso é interessante para os bancários que eles representam e para a categoria em que estão inseridos? Não.

Vamos contextualizar: o que é mais forte? 6 mil bancários de determinada base enfrentando os banqueiros ou 420 mil na mesma luta?

Isolamento é derrota para os trabalhadores. Recentemente, os metalúrgicos (que não têm CCT e sim ACT), tiveram uma redução em seu piso de 1480 reais para 1207 reais. A GM ameaçava fechar a fábrica lá – São José dos Campos – e abrir em um lugar de mão de obra mais barata.

A Contraf-CUT defende que todos os bancários devem ter uma pauta comum da categoria deliberada na 10ª Conferência Nacional dos Bancários, com a participação de todos os sindicatos, federações e centrais. É natural que as representações devem corresponder ao perfil e tamanho de suas bases.

Qual o modelo de remuneração que queremos?

Quando falamos em remuneração do trabalhador bancário, não podemos isolar o tema como se não houvesse relação entre o trabalho realizado e o modo de produção capitalista onde ele se insere.

O que queremos? Maior renda variável ou mais salários?

Mais renda variável focada na “competência” individual ou remuneração baseada em salário-base por função desempenhada mais adicionais por níveis de responsabilidade?

Essa pergunta é fundamental porque os sistemas não convivem juntos.

Os bancos tiram suas diretrizes empresariais e encaminham a sua força de trabalho para seu atingimento. Resta aos trabalhadores, a verdadeira força produtiva, fazer o contraponto quando acharem necessário.

Ou seja, quem administra é o banco. Mas com organização no local de trabalho e correlação de forças, é possível reverter algumas situações e avançar em conquistas.

Remuneração variável e perdas? Variável e metas e assédio? Variável e jornada?

Adianta falar em perdas ou recomposição no índice quando o salário fixo não é mais a remuneração principal? Qual o efeito de reclamar de metas abusivas e assédio se a remuneração principal na estrutura do banco é a remuneração variável? 

Ou ainda, adianta falar em cumprimento de jornada quando a atividade principal do trabalho bancário se transformou em vender produtos? Isso tem efeito inócuo, pois os gerentes de contas começam a atender “seus clientes” às 7h da manhã e lá pelas 22h ainda o estão fazendo.

Os bancários devem lutar por maiores salários, pisos para as principais funções e valores dos adicionais de função baseados em antiguidade e mérito nas carreiras.

PCCS/PCS

Não adianta falar em Plano de Carreira, Cargos e Salários ou Plano de Cargos e Salários se tivermos em mente a imediatez da PLR e da PR (o que é bem pior).

Se os bancários dos bancos públicos acharem que não precisam atender ao povo, receber contas, abrir CPF, pagar saques de FGTS e demais funções do gênero e que devem concordar em SÓ atender cliente “bom” e encarteirado, também estarão dando anuência ao sistema da remuneração variável que pede a meta individual (mas que demite aquele que não cumpri-la).

Devemos reivindicar novos patamares de salários e não utilizar um índice de perdas, porque a produtividade do sistema financeiro dos últimos 20 anos não foi repassada para aqueles que a produziram: os bancários.

Além do piso maior, também devemos ter um PCS padrão na CCT. Os aditivos se encarregam da especificidade.

Piso inicial do Dieese

Como nosso objetivo é contratar de fato, podemos até assinar o piso do Dieese na CCT de forma a atingirmos em duas campanhas seu valor. Ou seja:

Ao piso da categoria será acrescido 50% da diferença entre o piso bancário em 2008 e o piso do Dieese de setembro/2008. Em 2009 será efetivado na data-base o piso do Dieese definitivamente.

PLR OU PR

As maiores conquistas de PLR são frutos de coletividade e generalidade.

A PLR de 1995 foi conquistada com regras claras para todos com % de salário + valor fixo. Com limites mínimos e máximos para banco e bancários (tetos estabelecidos pelos patrões).

Os bancos públicos federais desde o início (1998-2002) só tiveram programas de PR, sem acordos coletivos. Milhares de bancários ficavam sem receber nada e as diferenças entre base e topo dos valores chegavam a 100 vezes.

Em 2003, com as greves históricas nos bancos públicos federais exigindo o cumprimento da CCT da categoria, os bancários começam a trazer a PLR nos moldes da CCT da Fenaban. BB e Caixa Federal são obrigados a distribuir mais de 6,25% (limite do Dest) do lucro líquido. Bancários unidos começam a lutar por uma PLR maior para todos.

Em 2005, na conferência nacional da categoria, tiramos uma proposta de PLR mais ousada: pagar um acréscimo de valor linear, além da regra geral que já existia. Avançamos somente no BB e tivemos um modelo de valor adicional proporcional à rentabilidade nos privados.

Os bancos agora estão focando os acordos próprios e isso enfraquece os bancários. É muito importante lutarmos por uma PLR coletiva na CCT para não perdermos direitos como o fato dela ser universal.

Algumas proposições e percepções minhas para debate

Devemos caminhar para só discutirmos as cláusulas econômicas e sociais da CCT e da PLR geral durante a data-base (setembro).

Exemplos de direitos que precisam ser estendidos a todos os bancários: 5 dias de abono-assiduidade e porcentagem de pagamento linear (PLR como no BB) nos demais bancos.

Sou contrário às mesas concomitantes durante a data-base. Fortalecer a CCT deve ser a prioridade. Os direitos específicos são ADITIVOS a CCT.

Deve haver congressos dos bancos em outro período (por exemplo, março). O congresso viria seguido de todo o rito com pauta entregue, calendário de luta, mesa de negociação, assembleias, aceitação de avanços ou greve por banco.

Deve-se valorizar as mesas de negociação permanente com a estrutura que lhes acompanham, ou seja, os sindicatos (com OLT e mobilização) organizados nas federações, que indicam os membros das COE (Comissão Organizativa dos Empregados), que assessoram a Contraf-CUT nas negociações.

Direito de greve: devemos exigir e processar os bancos que não respeitarem seus funcionários colocando códigos de falta sem justificativa. É direito do bancário fazer greve e os bancos são obrigados a tipificar a falta corretamente.

William Mendes
Secretário de Imprensa da Contraf-CUT

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Livro: São Bernardo (1934) - Graciliano Ramos




Leitura do livro de Graciliano Ramos e do ensaio de Lafetá sobre o livro

Análise crítica e discussão do ensaio “O mundo à revelia”, de João Luiz Lafetá (sobre São Bernardo, de Graciliano Ramos)


Introdução

Uma das principais questões a respeito da crítica literária é definirmos qual seria sua principal função. Ao longo de sua história – do século XIX até nossos dias – ela já serviu para discutir qual o papel da literatura, serviu para debater a própria arte literária, serviu para justificar alguns autores e obras e rejeitar outros (sob a ótica do status quo), teve o importante papel de exegese, instigou grandes debates sobre a obra ser fechada em si mesma ou ter relação com o mundo exterior e seu contexto e, nos dias atuais, já é confundida como apresentadora de bons ou maus produtos para o consumidor de livros.

Acredito que um dos papéis da crítica literária seja o de facilitar a leitura de uma obra, de modo a fazer o leitor chegar o mais próximo possível daquilo que o autor procura transmitir. É evidente que a leitura, do ponto de vista de cada leitor, sempre terá algo de subjetivo. Porém, uma boa crítica literária pode ajudar sobremaneira no percurso da leitura de uma obra. Essa ajuda ao leitor pode ocorrer antes, durante ou após a leitura da obra.

Com a mercantilização capitalista da literatura contemporânea, a crítica literária ficou um pouco prejudicada, pois o que mais temos hoje são resenhas e resenhistas ao invés de críticos literários. Passou-se a confundir resenhas e indicação de livros para aquisição nas mega livrarias com análise da obra e técnicas literárias envolvidas em sua confecção.


O ensaio de Lafetá

O texto do autor é dividido em cinco partes.

1. Dois capítulos perdidos

Lafetá se desculpa da paráfrase longa (justificada pela fascinação ao estilo) e destaca a qualidade da técnica narrativa:

“o que ressalta primeiro, naturalmente, é a maneira direta de tratar o assunto. Há algo para ser dito e se vai até lá sem rodeios, há um projeto a ser cumprido e se tenta cumpri-lo de imediato” - e observa adiante:  “energia – é o que ressuma destas três primeiras páginas”.

O leitor é jogado “diretamente na ação, no meio dos fatos”.

Lafetá explica que o personagem narrador Paulo Honório surge quase por inteiro no primeiro capítulo, sem dizer explicitamente ao leitor que é “um homem empreendedor, dinâmico, dominador, obstinado, que concebe uma empresa, trata de executá-la, utiliza os outros para isso e não se desanima com os fracassos”.

Ou seja, leitor, esse é o “eu” da história: “à imagem de seu estilo, é direto e sem rodeios, concentrado sobre si mesmo e sobre seu trabalho, decidido, brusco”.

Ao contrário da opinião do narrador da história, o crítico afirma não terem sido os dois capítulos perdidos:

Sua figura dominadora e ativa está criada. Fomos já introduzidos em seu mundo... um mundo que se curva à sua vontade”.

Conclui a primeira parte do ensaio destacando a coesão da técnica narrativa “totalmente imbricados surgem, à nossa frente personagem e ação. Paulo Honório nasce de cada ato, mas cada ato nasce por sua vez de Paulo Honório... este caráter compacto e dinâmico, esta ligação íntima entre o homem e o ato (espelhada pela linguagem direta, brutal, econômica, pelo ritmo rápido dos dois capítulos), esta interação entre o ser e o fazer vão compor a construção do romance”.


2. A posse de São Bernardo

Explicando a distinção teórica entre “sumário narrativo” e “cena”, os dois modos básicos de narrar, Lafetá relaciona o uso do sumário inicial não para destacar vários eventos em um tempo vasto e sim para marcar a atitude do narrador “sem nenhuma análise psicológica, mas graças à modulação do tom narrativo, ficamos conhecendo o caráter violento e maciço do herói”.

Durante os primeiros capítulos, vemos a história do protagonista ser narrada de seu nascimento até a conquista da fazenda São Bernardo, entre os capítulos três a oito, através de maior uso de sumários, onde a velocidade do tempo narrativo é acelerada. Lafetá explica a perfeição do casamento personagem/ação:

Daí a coesão da narrativa, que une indissoluvelmente personagem e ação. Pois Paulo Honório, representante da modernidade que entra no sertão brasileiro, é o emblema complexo e contraditório do capitalismo nascente, empreendedor, cruel, que não vacila diante dos meios e se apossa do que tem pela frente, dinâmico e transformador. ‘A construção de um burguês: eis o conteúdo da primeira parte de São Bernardo’. Observou com acerto Carlos Nelson Coutinho”.

Cabe aqui uma informação importante de Antonio Candido quando diz em seu texto “Crítica e sociologia” que é preciso parcimônia para não exagerar na ideia de que a relação obra e ambiente é indispensável, como também não afirmar o contrário, de que não deve haver vínculo algum:

É o que tem ocorrido com o estudo da relação entre a obra e o seu condicionamento social, que a certa altura do século passado chegou a ser vista como chave para compreendê-la, depois foi rebaixada como falha de visão...”.

Vendo a forma como Graciliano Ramos constrói São Bernardo, é possível perceber o que explica o professor Antonio Candido, pois o contexto externo, social, se transforma em construção interna na obra, o que colabora para a economia da mesma e dá sentido na forma como o personagem-narrador apresenta a sua história:

Hoje sabemos que a integridade da obra não permite adotar nenhuma dessas visões dissociadas; e que só a podemos entender fundindo texto e contexto numa interpretação dialeticamente íntegra, em que tanto o velho ponto de vista que explicava pelos fatores externos, quanto o outro, norteado pela convicção de que a estrutura é virtualmente independente, se combinam como momentos necessários do processo interpretativo. Sabemos, ainda, que o externo (no caso, o social) importa, não como causa, nem como significado, mas como elemento que desempenha um certo papel na constituição da estrutura, tornando-se, portanto, interno”.

Outra técnica narrativa interessante apontada pelo crítico nesta segunda parte são as marcações temporais, como cronômetro, para gerar o efeito de crueldade e frieza com que o personagem alcança seu objetivo de tomar São Bernardo e ser seu novo dono.

Esse momento decisivo no romance é contado em cena com uma forte tensão na hora da negociação entre dívida e preço final da fazenda.

Lafetá cita V. Propp para comparar a primeira parte do romance às técnicas dos contos populares onde temos os heróis com danos a resolver ou carências a suprir. Paulo Honório irá até o capítulo oito para resolver os problemas inerentes a aquisição e estabilização da fazenda São Bernardo.


3. Madalena


Começa outro núcleo do romance. A cena passa a ser dominante. Vem agora a busca de outra posse: Madalena.

A chave do novo núcleo surge de um novo desejo do protagonista: “Amanheci um dia pensando em casar”.

A observação de Lafetá sobre a técnica de trazer o algo a mais, mesmo em uma linguagem precisa e seca, é fantástica: “A comparação entre d. Marcela e Madalena liquida, para Paulo Honório, o valor da primeira... Mas, se d. Marcela foi afastada, é a vez de Madalena penetrar nas suas preocupações; o terceiro olhar (a terceira notação) mostra não apenas a observação fria do primeiro ou a aprovação tácita do segundo, mas um certo grau de envolvimento e de fascinação: ‘A loura tinha a cabecinha inclinada e as mãozinhas cerradas, lindas mãos, linda cabeça.’ O diminutivo (mãozinhas, cabecinha) não descreve apenas, imprime à descrição um certo grau de afetividade que a repetição do adjetivo (lindas, linda) vem reforçar”.

A diferença de interesse do personagem está na linguagem para referir-se às duas raparigas.

Ao final deste objetivo, impera a mesma manipulação para apossar-se das coisas. Tudo se curva às suas vontades. O que seria um ano para o casamento se converte em uma semana.


4. Dínamo emperrado


Lafetá segue explicando a subordinação dos elementos do romance à ação e ao personagem.

Cita Antonio Candido ao lembrar a força do sentimento de propriedade que perpassa pelo enredo do romance: “De fato, o sentimento de propriedade constitui um dos elementos temáticos que unificam o livro. Paulo Honório, afirma Antonio Candido, ‘é modalidade de uma força que o transcende e em função da qual vive: o sentimento de propriedade' ”.

Aqui chegamos onde gostaríamos, que é discutir o que Candido fala a respeito da relação entre texto e contexto em seu “Crítica e Sociologia”. Lafetá observa a analogia inevitável das características internas do romance com as externas contextuais.

Se alinharmos todas as características examinadas – ação, energia, objetividade, dinamismo, capacidade transformadora e sentimento de propriedade – torna-se inevitável o surgimento de uma analogia entre o herói e a burguesia como classe”.

O crítico afirma “que Paulo Honório simboliza, no interior do romance, a força modernizadora que atualiza de forma devastante o universo de São Bernardo”.

A mesma relação de precificação das coisas, das posses de Paulo Honório – São Bernardo, Margarida, Madalena – é “Uma das mais sérias consequências da produção para o mercado (característica do capitalismo) é o afastamento e a abstração de toda qualidade sensível das coisas, que é substituída na mente humana pela noção de quantidade. O valor-de-uso que toda mercadoria possui é distanciado e tornado implícito pela produção de valores-de-troca”. (Ler AQUI sobre essa questão em Marx)

Veja aqui uma cena onde o proprietário fala da aquisição e remessa de Margarida, aquela que fez a vez de sua mãe e que estava desaparecida: “Ó Gondim, já que tomou a empreitada, peça ao vigário que escreva ao padre Soares sobre a remessa da negra... É conveniente que a mulher seja remetida com cuidado, para não se estragar na viagem”.

Lafetá fala da reificação das coisas do mundo na produção capitalista (contexto) e mostra como isso está relacionado ao modo de ver o mundo do personagem Paulo Honório (interno):

O homem reificado é este aleijão que ele (protagonista) nos descreve e vemos por toda parte: o coração miúdo e uma boca enorme, dedos enormes. O sentimento de propriedade, que unifica todo o romance do qual o ciúme é apenas uma modalidade, distorce o homem desta maneira radical. A vida agreste, que o fez agreste, é a culpada por Paulo Honório não ser capaz de enxergar Madalena. A vida agreste são as lutas pela propriedade, pelo rebanho, pelas plantações de algodão e mamona, pelo poder e pelo capital. O homem agreste é aquele ser no qual se transformou Paulo Honório”.

À medida em que o protagonista defende seus interesses econômicos, aumentam os conflitos com Madalena. Ela se espanta com as atitudes dele e ele se surpreende do espanto dela.

O crítico destaca bem as três partes da história com forte marcação temporal: a compra de São Bernardo; a conquista de Madalena; o diálogo final na capela antes da morte de Madalena.


5. Narrativa e busca

Análise esplêndida fez Lafetá neste desfecho onde a perda do controle do mundo por Paulo Honório (com a morte de Madalena e a revolução) se mostra até na forma com que narra sua história.

O protagonista, ao final de sua narrativa, não manda em mais nada. Até o rumo de seus passos é decidido por suas pernas e não por ele mesmo:

E os meus passos me levavam para os quartos como se procurassem alguém”.

Como diz o crítico: “É, enfim, o mundo à revelia, fora de seu controle”.

Lafetá explica a duplicidade temporal que marca o romance: os capítulos um, dois e trinta e seis (e também o dezenove) estão no tempo da enunciação; os demais estão no tempo do enunciado (os eventos que ocorreram).

Fica evidente a diferença de velocidade e a linguagem dos tempos distintos: linguagem seca e tempo rápido no tempo do enunciado; linguagem de lamentação elegíaca e compasso lento no tempo da enunciação.

O que seria a busca? Como diz Lukács sobre o romance “é a história da busca de valores autênticos por um personagem problemático, dentro de um universo vazio e degradado, no qual desapareceu a imanência do sentido à vida”.


Bibliografia

CANDIDO, Antonio. “Crítica e Sociologia”, in: Literatura e Sociedade. Coleção grandes nomes do pensamento brasileiro. Publifolha, 2000.

RAMOS, Graciliano. São Bernardo. 74ª edição. Editora Record, RJ 2002.


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Post Scriptum (14/4/19):

No fim de semana de 13 e 14 de abril, reli esta postagem, que me levou a reler o livro pela terceira vez - li entre a manhã e a noite de sábado 13. Fiz postagem a respeito do livro (ler AQUI) e reli o texto de Lafetá, estudando com atenção; e revisei esta postagem de crítica. O processo me gerou bastante reflexão.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Artigo: Pra que serve o Banco do Brasil?


Secretário de Imprensa
 entre 2006/09.
Por William Mendes*

Quem deve responder a essa pergunta é o funcionário e a sociedade porque se depender do Conselho de Administração e do Conselho Diretor do Banco e, consequentemente, do governo federal, não serve pra nada mais a não ser encher o bolso das empresas privadas que usam a estrutura do Banco (como a Brasilcap, Brasilveículos, Brasilprev e outras do gênero), além de gerar superávit primário a custo de fraude trabalhista e exploração dos funcionários e clientes com taxas e tarifas escorchantes.

Devemos refletir sobre o papel do Banco do Brasil porque a cada 4 anos entra o debate das eleições majoritárias e naturalmente vem a discussão de privatizar ou não o que ainda resta de coisa pública ou estatal.

Quando faço reuniões com os colegas em agências e departamentos levanto a questão porque ela é decisiva para o corpo funcional:

- O Banco do Brasil deve transformar suas agências em lojinhas de venda de Ourocap, Brasilprev, Seguros, CDC crédito consignado a taxas de 1,75 a 3,10% ao mês para extorquir a população, e metas e metas e metas de cheque especial, cartão de crédito dentre outros "produtos"?

Ou 

- O Banco do Brasil deve ter agências com estrutura adequada para cada região com o intuito de ter bons profissionais recebendo bons salários - pisos maiores, adicionais de função adequados ao cargo e um plano de carreira, cargos e salários que lhes permitam pensar no futuro profissional?


- Deve ser um banco que atenda à sociedade não só em suas demandas diárias de pagamentos de contas, empréstimos pessoais e cartões, MAS SOBRETUDO, que ofereça crédito para projetos regionais (DRS), Proger e Finame a profissionais liberais e empresas que queiram expandir seus negócios a taxas de longo prazo competitivas?

Ou

- O BB deve concorrer com a Caixa Federal no crédito imobiliário ou ser o banco financiador da agricultura familiar para que o país consiga conter os riscos inflacionários puxados pelo preço dos alimentos e das commodities?


Estamos em campanha desde o início do ano por melhores condições de trabalho, mais contratações, volta do pagamento das substituições e menos metas e fim do assédio moral. No entanto, apesar da autorização do Dest na possibilidade de ter mais 2500 funcionários no teto nacional e de conseguirmos que o Banco chame algumas centenas de aprovados de 2006 em Brasília e São Paulo, o BB anuncia que seguirá reestruturando e copiando o que há de pior no mercado bancário.

O Conselho Diretor anunciou esta semana que vai aumentar a centralização dos serviços no CSO, pois diz que testou em São Paulo, Belo Horizonte e Natal e que isso melhora as condições de trabalho (!!). O BB está brincando com a inteligência das pessoas?

É chegada a hora de cada funcionário refletir se deve participar da luta para mudar os rumos do Banco ou deixar que caminhemos para uma futura privatização.

Quem vai a uma agência do BB e vê durante 30 minutos o descaso e humilhação por que passa um cidadão quando quer ou precisa utilizar o Banco, sabe que o governo e a atual diretoria estão criando uma bronca, um ranço contra nós como ocorreu na década de 90 quando havia uma estratégia de sermos odiados por todos para sermos privatizados.

Da parte do funcionalismo, o que percebemos ao conversar com nossos colegas é um desânimo total. NINGUÉM AGUENTA MAIS tanto assédio e pressão, tanto abuso como, por exemplo, trabalhar e não receber pela função exercida ou hora-extra realizada.

Quando superintendentes como o sujeito da SPI tira de sua imaginação brilhante que os gerentes de contas vendam R$ 50 mil em 8 dias úteis de BB Crédito Veículo, alegando que quem não cumprir tem que escrever dizendo o porquê, será que alguém lembra que a Brasilveículos é só 40% do Banco do Brasil e que o restante é de empresas privadas como a Sul América Seguros?

Volto a insistir com meus colegas que é preciso que os comissionados se envolvam nessa luta dos sindicatos contra os abusos e desgoverno deste Banco do Brasil 200 anos. A gerência média é linha de frente do Banco e com a mobilização de todos - escriturários, caixas, gerência média de varejo e atacado -, podemos chamar a atenção do Governo Federal para ver que seu maior banco estatal está tomando um rumo sem volta no sentido de não servir pra nada à sociedade brasileira.

Bancário do BB, discuta com seus colegas e seu sindicato da necessidade de fazer uma forte mobilização no próximo dia 25/06, dia de luta no BB.

Banco do Brasil 200 anos - terceirizado, fraudulento, sem papel social e que expulsa o cidadão de suas dependências... Fica a velha pergunta da música: "POIS É, PRA QUÊ?

* William Mendes é secretário de Imprensa da Contraf/CUT (2006/09) e funcionário do Banco do Brasil

Fonte: Contraf-CUT