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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Livro: Cassems 15 anos - autogestão em saúde: um sonho possível



Refeição Cultural

Reli o livro comemorativo dos 15 anos de existência da Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul. Eu o ganhei do presidente da autogestão, o dr. Ricardo Ayache, em 23/08/17, quando visitei o Hospital Cassems Campo Grande. Naquela data, estava cumprindo agenda como diretor de saúde da nossa autogestão dos funcionários do Banco do Brasil, a Cassi (ler aqui).

Antes de 2017, eu já vinha acompanhando a Cassems por estudar sistemas de saúde, sobretudo os modelos de autogestão. Os servidores de Mato Grosso do Sul criaram a Caixa de Assistência em 2001, pois o Previsul havia falido e os servidores estavam sem plano de saúde. A sugestão e o incentivo foram do governador à época, Zeca do PT, e de Gleisi Hoffmann, que trabalhava em seu governo (ler aqui).

Um dos motivos para reler o livro sobre a história da autogestão dos servidores de Mato Grosso do Sul foi voltar a ter algum contato com as lideranças sindicais do Banco do Brasil e tomar conhecimento das questões em debate relativas a autogestão dos funcionários do BB, a Cassi. Uma das pautas debatidas pela comunidade de associados ativos e aposentados e o patrocinador é o déficit atual e alternativas de custeio. O tema é recorrente na Cassi desde sua criação há oito décadas.

Quando participei da gestão da Cassi, como diretor de saúde eleito, entre 2014 e 2018, o déficit do Plano de Associados era uma das questões centrais no dia a dia da autogestão e do funcionalismo do banco. Ao estudar a história de nossa Caixa de Assistência, vi que a questão sempre esteve presente na agenda.

Como gestor da Cassi, tratei de estudar o mercado onde as operadoras e autogestões atuam e passei a conhecer como funciona o setor de saúde, inclusive conheci um pouco a respeito de nosso Sistema Único de Saúde (SUS) e as regulações vigentes.

A Cassems surgiu em 2001 após o Previsul ter falido e os servidores de Mato Grosso do Sul ficarem sem plano de saúde e de previdência. O livro conta detalhes da história da autogestão. 

Uma das questões que mais me chamaram a atenção quando era gestor da Cassi e ainda hoje, quase uma década depois, é a opção das direções da Cassems pela verticalização, por investir em estruturas próprias de saúde para enfrentar o agressivo mercado privado de venda de serviços de saúde - a chamada "rede credenciada" -, nome mais conhecido pelos usuários de planos de saúde.

Enfim, é sempre bom reler livros que nos trazem novos conhecimentos e que nos fazem refletir sobre as coisas. A Cassems e seus associados acertaram muito com suas escolhas em relação a criarem estrutura verticalizada de saúde. 

A autogestão vai completar 25 anos em 2026 e pelo que percebo estão no caminho correto. São quase 200 mil beneficiários, em números contidos no livro. É muita gente! São 10 hospitais e uma estrutura robusta de atendimento em saúde.

Autogestões como a Cassi e outras entidades de saúde de trabalhadores deveriam estudar a história de sucesso da Cassems, que, aliás, se inspirou na Cassi para ser criada.

É isso! Sigamos lendo, estudando e diminuindo nossa incompletude.

William

23/12/25

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Leitura: Educação ambiental anticapitalista - Henrique Tahan Novaes



Refeição Cultural

Livro: Educação ambiental anticapitalista: produção destrutiva, trabalho associado e agroecologia, de Henrique Tahan Novaes

Leitura de excertos: Prefácio, Apresentação e Conclusões do livro para aula em 26/07/25

Aula I (manhã) - Colapso ambiental e fim do mundo?

Objetivo: textos de apoio para o curso de extensão "Como impedir o fim do mundo: colapso ambiental e alternativas", ministrado pela Unesp e demais parcerias

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A postagem é uma espécie de resenha ou fichário do leitor do texto, o autor do blog. Qualquer equívoco na interpretação é de inteira responsabilidade do blog.

Algumas palavras-chave ou ideias que gostei durante a leitura do texto e que me fizeram refletir a respeito:


No "Prefácio" de John Bellamy Foster

- Pedagogia do capital x pedagogia do trabalho: interessante percepção de que há dois projetos educacionais opostos em nossa sociedade humana: uma pedagogia da deseducação x uma pedagogia da emancipação pelo trabalho social

- Travar a luta de classes do ponto de vista ecológico é uma perspectiva necessária para nós das classes oprimidas, sem recursos e periféricas


Na "Apresentação"

- O livro de Novaes socializa com os leitores as experiências bastante exitosas do MST no campo da agroecologia e cooperativismo

- Os resultados das experiências do MST são muito promissores em diversas áreas de interesse social como, por exemplo, soberania alimentar, igualdade de gênero e alimentação sustentável e saudável

- Os objetivos e resultados na forma de utilização do meio ambiente por experiências como a do MST se contrapõem ao modo capitalista do agronegócio destrutivo e com foco no acúmulo de riqueza por parte dos poucos donos das terras

- O domínio econômico e financeiro da questão agrária no Brasil faz com que se pareça impossível escapar da lógica do "sociometabolismo do capital", que apresenta uma suposta "Revolução Verde" como a única forma possível de produção no campo. É como se não houvesse saída ao modelo brasileiro exportador de commodities

- O autor nos apresenta a "Pedagogia da alternância" das escolas do MST, uma lógica alternativa de auto-organização por parte dos alunos, diferente das tradicionais pedagogias das escolas públicas do Estado e das escolas privadas, com suas ideologias ecocapitalistas de "desenvolvimento sustentável"

- Novaes faz um alerta: mesmo nos espaços do movimento agroecológico tem havido a influência das ideias economicistas e burocráticas do modelo hegemônico do capitalismo do agro. Há riscos constantes de cooptação pelos donos do poder do capital

- As condições atuais oriundas da crise climática e das contradições da atual fase do capitalismo podem facilitar a reflexão que contraponha o modelo através do ecossocialismo

- As experiências do MST são importantes para avaliarmos alternativas ao sistema hegemônico, os trabalhos associados e a economia comunal como modelos de produção são experiências exitosas para serem estudadas e praticadas

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"O MST é um dos movimentos sociais mais importantes da atualidade porque consegue combinar inúmeras lutas: a luta pelo direito à terra com as lutas ambientais, as lutas pelo direito ao trabalho não explorado com as lutas pelo direito a vida, as lutas internacionais com as lutas nacionais, a luta imediata com a luta por outra sociedade, a luta de classe com a luta de gênero. Sua defesa da agroecologia se diferencia das propostas ecocapitalistas e das propostas que esbarram no desenvolvimento sustentável. Esperamos, então, poder mostrar aos leitores e leitoras algumas das dimensões dessa luta."

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- Desde os anos sessenta, os ditadores e a casa-grande brasileira se basearam em diversas formas de manipulação comunicacional para avançar na destruição capitalista dos biomas brasileiros: "nova fronteira agrícola" e "Integrar para não entregar" foram motes para destruir as áreas ambientas do Oeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país. A moda atual é a tal "Revolução Verde"...

- O período denominado "redemocratização" foi corretamente (na opinião do blog) chamado por Florestan Fernandes (1986) de "institucionalização da ditadura". Nos governos civis de Collor adiante, o que se vê é violência e morte no campo, incluindo os governos de Lula e Dilma

- Intelectuais como David Harvey (2013) e Jean Ziegler (2013) apontam o Brasil como o maior palco atual de "acumulação primitiva" do capital no cercamento e apropriação de novas terras virgens pelos capitalistas. Além da concentração fundiária, o desemprego no campo chegou a um milhão de pessoas

- A destruição do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) durante os governos Temer-Bolsonaro trouxe consequências drásticas na área da educação no campo

- A batalha ideológica do capital contra a classe trabalhadora ganhou novas ferramentas na atualidade. Além das mídias tradicionais, que já eram todas dos capitalistas, agora temos as plataformas digitais - as big techs -, reforçando a manipulação das massas humanas exploradas

- Contrarrevolução no mundo do trabalho: além das tradicionais formas de exploração, temos a pejotização e a plataformização do trabalho, do tipo uber, que aumentam assustadoramente a acumulação capitalista dos donos dos meios e criam uma multidão de miseráveis sem direito a nada. As pessoas são "empreendedoras" sem recursos para empreender...


Nas "Conclusões" (resumo do blog, nas minhas palavras)

- O MST é considerado um movimento bem completo do ponto de vista da Teoria dos movimentos sociais. Busca um outro modo de produção, uma espécie de ecossocialismo, uma alternativa de sociedade humana para além do capital

- A partir da luta pela terra, o MST proporciona outras formas de lutas como, por exemplo, pela igualdade de gênero, por uma educação autônoma e emancipadora, pela soberania nacional etc

- A política de assentamentos também tem suas contradições práticas, tendo como resultado, às vezes, processos de loteamento focados em indivíduos mais que em dinâmicas coletivas de produção, havendo parcerias mais na comercialização dos produtos

- A ideia de agroecologia evoluiu no MST a partir da parceria com a Via Campesina

- O Brasil é um dos países-chave na lógica da "Revolução Verde" desde a ditadura empresarial-militar dos anos sessenta adiante, incluindo o período de "redemocratização". Com as monoculturas de commodities, saem perdendo o meio ambiente e a população com aumento de agrotóxicos, fome do povo e acumulação de riqueza de poucos

- A concepção de agroecologia pode avançar ou pode ser cooptada, ela está em disputa com o grande capital e seus latifúndios

- As escolas de agroecologia são estratégicas para o MST para se contraporem à lógica do "desenvolvimento sustentável" e "Revolução Verde" do modo capitalista. Uma educação para além do capital

- Em relação à educação e escolas de agroecologia, por pressão dos movimentos, no final do governo FHC surgiu o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que foi mantido pelos governos do PT, com recursos públicos. As escolas não receberam mais apoio governamental a partir de Temer e Bolsonaro. No governo Lula 3 as escolas vivem situação bastante difícil, devido à frente amplíssima (segundo o autor)

- A agroecologia é um fenômeno marginal e poderia ser ampliado. Porém "Como não poderia deixar de ser, num país de enorme concentração fundiária – que resulta em enorme poder dos proprietários de terras e das corporações transnacionais da 'revolução verde', a agroecologia como parte das lutas dos movimentos sociais não é bem-vinda."

- Existe forte contradição em relação à produção e consumo dos alimentos da agroecologia: as classes médias consomem os produtos, mas votam na extrema-direita e são contra o movimento MST. As massas populares não consomem os produtos por serem mais caros por falta de escala.

- Temos que acabar com o capitalismo antes que o capitalismo acabe conosco. É uma das conclusões importantes do livro.


Leitura feita por:

William Mendes

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Prof. Henrique Novaes, Ivan Jacob e Paulo Alves

Post Scriptum:

ANOTAÇÕES

Aula: Colapso ambiental e fim do mundo?

A aula presencial foi muito boa! Mais de cem pessoas participaram da aula na unidade do Ipiranga da Unesp.

Algumas anotações e conceitos após a aula:

- Agroecologia = retomar controle do que produzir e como produzir

- Soberania nacional e alimentar = tem relação direta com agroecologia, porque é uma questão de como usar a terra: em benefício do povo do país ou para fora do país em benefício de poucos latifundiários

- Agrotóxicos = as lavouras no país são para a produção de alimentos, sem uso intensivo de agrotóxicos, ou para commodities? De novo, é para benefício do povo ou para os poucos do agro?

- EUA e China disputam quem vai explorar os recursos naturais do Brasil (em benefício deles, lógico!)

- O poder da manipulação pelas palavras: a imprensa da casa-grande há décadas controla a linguagem ao falar sobre o tema: "latifúndio" virou "agronegócio", "agro pop"; "agrotóxico" virou "defensivos agrícolas"; a devastação dos nossos biomas naturais virou "revolução verde"

- O professor citou Caio Prado, Celso Furtado e Octavio Ianni para nos lembrar que o Brasil é determinado de fora, desde sempre. Isso não mudou. Por isso temos aqui a produção destrutiva do meio ambiente. Os exploradores nunca se importaram com o país e com sua gente

- É impossível o capitalismo ser "sustentável"

- Alienação: ao falar de Marx e do capitalismo, o professor citou Mary Shelley (de "Frankenstein"), a criatura que domina o criador. Isso se deu no capitalismo: as mercadorias dominaram seus criadores e isso vai nos levar ao fim pela destruição da natureza

- Na atualidade, a questão das alternativas aos combustíveis fósseis, como o lítio para carros elétricos, vem gerando novas guerras pela exploração das terras onde se encontram esses minerais raros

- ECO 1992 (RJ): centrada nos indivíduos, ofuscando a barbárie do Estado capitalista. É papel das escolas e da educação alertar sobre a questão dos modos de produção capitalista

- Educação para além do capital

- Na atualidade há uma onda gigante de ONG e fundação e "3º setor" que "ensinam" como o capitalismo ser "sustentável". A plataformização dos sistemas de ensino acelera esse modelo

- As escolas agroecológicas não têm o dedo do Estado, são baseadas num modelo de auto-organização

- No estado de São Paulo, 70% do consumo de água é direcionado à produção de cana-de-açúcar, é o tal do agro pop

- O professor não tem uma posição de otimismo quando se pensa na possibilidade de utilização da tecnologia para o "bem", principalmente se o modelo de produção é o capitalista

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quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Leitura: Operários Sem Patrão - Lorena Holzmann


 

Refeição Cultural 

"Se havia, em tese, a oportunidade democrática de acesso à palavra para todos os participantes da assembleia, eram poucos os que efetivamente dela se apropriaram. Nas representações dos trabalhadores o discurso era prerrogativa dos que sabiam falar bem, dos que tinham 'coisas certas para dizer'. Era o reconhecimento do discurso competente, 'no qual os interlocutores já foram previamente reconhecidos como tendo o direito de falar e ouvir, no qual os lugares e as circunstâncias já foram predeterminadas para que seja permitido falar e ouvir e, enfim, no qual o conteúdo e a forma já foram autorizados segundo os cânones da esfera de sua própria competência' (Chauí, 1982:2)." (p. 129)


A leitura do livro Operários Sem Patrão: gestão cooperativa e dilemas da democracia (2001), de Lorena Holzmann, me trouxe lembranças de minha jornada de sindicalista e me fez refletir sobre as chances de sucesso nos projetos alternativos à hegemonia do capitalismo como forma atual de produção e distribuição material e intelectual das necessidades humanas. 

A edição do livro que li não é minha, é de um amigo de meu filho. Acabei lendo este estudo - que tem por base uma tese de doutorado - por ter surgido a oportunidade nesta semana ao recebermos a visita do jovem Mateus em casa. O livro nos é apresentado pelo saudoso Paul Singer.

Pertencimento - uma das ideias conceituais que pensei ao ler a história dos trabalhadores das antigas Indústrias Wallig - depois "Cooperativas Wallig" - foi a questão do pertencimento, a importância de ter um sentimento de pertencer a algo quando se engaja numa luta qualquer, principalmente uma luta coletiva. 

Trabalhei com essa ideia-força ao longo de minha vida de organização e representação da classe trabalhadora: pertencimento. 

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RESUMO DO CASO ANALISADO NO LIVRO

"Este estudo primoroso de Lorena Holzmann tem por base tese de doutoramento, aprovada na Universidade de São Paulo, em 1992. O seu objeto é a Indústria Wallig, que chegou a se celebrizar como fabricante do fogão a gás mais prestigioso do Brasil, e foi atingida pela grande recessão de 1981-83. Mas, o seu fechamento enquanto empresa capitalista não foi aceito pelos operários, seu sindicato e a própria opinião pública do Rio Grande do Sul. Os trabalhadores formaram duas cooperativas - uma fundição e uma mecânica - e após muita luta conseguiram alugar as instalações da massa falida para prosseguir as operações da antiga empresa." (Paul Singer, na apresentação do livro)

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CAIXAS DE ASSISTÊNCIA DE TRABALHADORES SÃO MODELOS DE COOPERATISMO

Pensei muito na minha experiência como gestor eleito (2014-2018) de uma associação, uma Caixa de Assistência, da qual quase a totalidade da comunidade envolvida com ela não tem noção alguma do que a Cassi é: uma autogestão em saúde. E a parte que tem noção disso faz de tudo para apagar a característica central do que essa associação é: um modelo assistencial baseado no cooperativismo e na solidariedade. 

Ao ser gestor do modelo de saúde da Cassi, pesquisei a história da associação, o trânsito dela na comunidade ao longo de décadas, desde os anos quarenta até o momento no qual era gestor. Por incrível que pareça, o banco patrocinador, que tem acesso integral ao corpo de associados e poderia educar e orientar os participantes a aderirem ao sistema de atenção primária, fez em uma década de implantação do modelo de Estratégia de Saúde da Família (ESF) um vídeo institucional sobre o que era e como funcionava a ESF. Um vídeo. Enquanto isso, o foco da comunicação era a venda de planos de saúde, ao invés de focar na essência da Cassi: o Plano de Associados. Por quatro anos, viajamos pelo Brasil para falar da ESF. O modelo ganhou credibilidade e aderência como essência de nosso modelo cooperativo e solidário de assistência à saúde.

Após nossa saída, o que vejo é uma Cassi que se apresenta como uma empresa capitalista do mercado de saúde, vendendo inúmeros planos ruins de saúde que não têm a menor relação com o que a Cassi deveria fazer - cuidar da saúde de seus associados - e a ESF foi deixada de lado, e a "empresa" aposta no mercado para tudo. É uma lástima. Essa autogestão com um modelo fantástico de cooperativismo na área da saúde dos trabalhadores terá muitas dificuldades de seguir existindo. Um sistema cooperativo se referenciar na indústria capitalista da saúde é arriscar sua existência.

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CONFRONTO ENTRE CAPITAL E TRABALHO (O DINHEIRO SEMPRE DIVIDE AS PESSOAS)

A distribuição das "sobras" no primeiro ano das cooperativas me lembrou as discussões sobre a PLR dos bancários (Participação nos Lucros e Resultados)

"(...) Desse modo, a ideia inicial de que o empreendimento era de todos, foi se diluindo, solapada pela diferença de interesses que se tornaram manifestas no interior das Cooperativas." (p. 90)

No estudo de Lorena Holzmann, ela tomou conhecimento do quanto a unidade inicial dos cooperados se diluiu assim que entrou em pauta a primeira distribuição das sobras (resultados positivos) das cooperativas.

É justo distribuir de forma desigual os lucros ou sobras?

A justiça ou injustiça dos critérios dividiu os associados para sempre. A PLR da categoria bancária enfrentou o mesmo debate de critérios desde a sua instituição em 1995 nos acordos da categoria: distribuição linear ou distribuição desigual de acordo com salários e funções dos trabalhadores na hierarquia do banco (ou da cooperativa)?

É justo dar cotas maiores do resultado para aqueles que já ganham mais na pirâmide salarial da empresa? Afinal de contas, o esforço para conseguir o resultado positivo não foi de todos? A folha de pagamentos já remunera mais ou menos ao longo do ano de acordo com as habilidades e responsabilidades de cada trabalhador.

Isso aconteceu nas duas cooperativas oriundas das Indústrias Wallig. Uma forma de distribuição se opunha a outra. Cada associado tinha cotas diferentes na cooperativa. Os antigos tinham mais, os novatos quase nada. Aí depois de todo mundo ralar para conseguir o resultado positivo, os caras de cima, da administração, definiram que as sobras seriam distribuídas de acordo com as cotas de cada um... o povo do chão da fábrica viu centavos e os de cima ficaram com todo o resultado... (é foda!)

Participei desses debates por mais de uma década na categoria bancária. Os bancários criaram um critério misto ao longo de quase três décadas. Isso na regra geral, porque os bancos deram um jeito de premiar os de cima ou "mais chegados" com programas individuais não contratados com os sindicatos.

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FÉRIAS ERAM FÉRIAS MESMO

"O sistema de descanso anual implantado era considerado pela direção das Cooperativas como superior ao direito a férias disposto na CLT, pois seu objetivo 'salutar de recuperação e composição de forças' não poderia ser mercantilizado, impedindo o trabalhador de trocar por dinheiro o 'recurso sanitário de restauração de seu desgaste físico e mental', como foi declarado por um entrevistado." (p. 103)

Achei interessante essa questão de forçar que as férias fossem cumpridas em descanso mesmo pelos trabalhadores. (ou seja, que as férias fossem compridas...)

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PARTICIPAÇÃO SOCIAL 

"O 'fim da síndrome de participação' e a autonomização do Conselho fez com que emergisse entre alguns associados a certeza de que tinha havido a apropriação das instâncias decisórias por um pequeno número de associados. Isso teria ocorrido mesmo com a renovação obrigatória de parcelas de cada um dos Conselhos (o de Administração e o Fiscal), já que houvera, no primeiro deles, um processo de cooptação, pelos interesses de associados do setor administrativo..." (p. 135)

Será que essa questão acima não se tornou a realidade em nossas organizações de classe hoje?

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A DIFICULDADE DE SE ATINGIR A SONHADA IGUALDADE 

"As inúmeras linhas de segmentação da coletividade, opondo seus integrantes a partir do tipo de atividade que exerciam (trabalho na produção x trabalho na administração), antiguidade (fundadores x novatos), propriedade do capital (grandes cotistas x pequenos cotistas) determinaram uma complexa teia de interesses divergentes que, mal equacionados, levaram ao aprofundamento da desigualdade." (p. 148)

Interessante: a leitura desse estudo de caso foi como ver um filme a partir de minhas memórias ainda frescas de décadas de organização da classe trabalhadora, as dificuldades reais e materiais de se alcançar a unidade e a solidariedade de classe etc. Vi um filme de memórias através do livro!

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ALGUMAS REFLEXÕES 

Durante a leitura desse estudo de caso de uma indústria que faliu e da luta de seus trabalhadores para mantê-la por causa de seus empregos, pensei um pouco sobre essa nossa caminhada humana em busca de sobrevivência e de realização.

Fiquei me lembrando das experiências humanas em busca de organizações sociais baseadas em cooperativismo e solidariedade, que tendem a ser mais justas e com melhores oportunidades a todas as pessoas.

Me lembrei de exemplos enormes como o caso da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), experiência da classe trabalhadora que durou décadas (1917-1991) e que mudou o cenário político mundial.

Me lembrei de organizações de trabalhadores como as nossas caixas de assistência e previdência dos trabalhadores do Banco do Brasil: a Cassi e a Previ.

Me lembrei de cooperativismo como aquele que fez o apartamento onde moro, que custou aos associados um valor muito menor do que o valor que seria comprá-lo pelos modelos hegemônicos do capital.

E me lembrei de algumas realidades atuais, me lembrei da China e de Cuba, dois casos alternativos ao modelo hegemônico de organização social no mundo do século atual, o modelo de produção e distribuição de riquezas identificado com os conceitos de capitalismo, neoliberalismo e imperialismo.

Não vou desenvolver uma argumentação ou reflexão sobre isso. Isso não é mais meu papel. Já foi.

A China me impressiona. Cuba e os cubanos têm minha solidariedade fraterna. A lembrança sobre a autogestão em saúde dos funcionários do BB me traz uma certa dor porque gosto dela e lamento ela ser uma oportunidade desperdiçada. A Previ é uma segurança que sua comunidade deve estar alerta, pois a cobiça no patrimônio dela enlouquece até seus associados.

É isso. O livro de Lorena Holzmann foi o 24º livro que li neste ano. Todo dia quando percebo que estou aqui no mundo, penso sobre o que posso fazer para aprender algo novo, e tento, só tento, ficar atento para não fazer mal a ninguém. (gostaria de contribuir para tornar o mundo um lugar melhor, mas hoje não estou fazendo isso)

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Ah, sobre o que disse no primeiro parágrafo do texto, sobre chances de projetos alternativos ao modo capitalista de organizar as sociedades humanas, modelo baseado na religião do dinheiro, na ganância, no egoísmo e no cada um por si, confesso meu pessimismo da razão, apesar de me esforçar para crer no otimismo da ação criadora do ser humano. 

A questão é: quantos jovens estão neste momento focados nas mudanças coletivas inclusivas, solidárias e sustentáveis e não só em seus prazeres pessoais? Ou focados em superar suas dores e angústias pessoais, algo muito real num mundo sem perspectivas? Quantos? Tenho a impressão de que poucos, um número insuficiente para mudar a tendência escatológica dos tempos. 

Estamos sós, todos nós, estamos sós, uma solidão do tamanho da ideia de García Márquez no clássico "Cem anos de solidão". E qualquer saída para a humanidade será uma saída coletiva. Coletiva. Mas estamos sós...

São as minhas impressões. Espero estar errado. Quando era político, acertava mais minhas impressões. Agora, atomizado, espero estar errado em minhas impressões.

William

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Bibliografia:

HOLZMANN, Lorena. Operários Sem Patrão: gestão cooperativa e dilemas da democracia. São Carlos: EdUFSCar, 2001.


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

061021 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 6 de outubro.


VER UM IPÊ BRANCO FLORIDO É COMO A VIDA: UMA OPORTUNIDADE ÚNICA


Que registrar neste blog neste momento?

Enquanto caminho pela manhã, penso um monte de coisas. Depois da caminhada, já era o que refleti. Alguma coisa poderia ser de interesse comum, outras coisas eram de interesse puramente pessoal. 

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CASSI - Outro dia, por exemplo, pensei em criar uma seção WIKI no blog Categoria Bancária para compartilhar gratuitamente o que sei sobre gestão em saúde. Fui gestor por 4 anos de uma autogestão de trabalhadores.

Seria uma seção "What I Know Is" (O que eu sei sobre), mas quando penso em começar os textos já vislumbro que o trabalho será de pouco alcance - desanimei de escrever para dez pessoas -, e qualquer produção de texto dá muito trabalho para quem a cria. Eu aprendi muita coisa sobre a Cassi, modelos assistenciais e autogestão de trabalhadores, mas avalio que o conhecimento valeu mais para aquele momento de luta. Naquela época do mandato eletivo, criei um público leitor. Começamos com alguns leitores e ao final do mandato, os textos eram lidos por centenas e milhares de leitores. Valeu para o momento.

Nesses dias, acabei sendo útil para a coletividade porque estive em algumas conversas virtuais sobre o tema com dirigentes da classe trabalhadora.

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EXPECTATIVA DE VIDA - A expectativa de vida do grupo social ao qual pertenço é alta, é mais alta que a do povo brasileiro em geral. Temos caixas de assistência à saúde e previdência na comunidade BB e isso alonga nossa expectativa de vida. O fato tem suas vantagens e desvantagens. Nos faz arrogantes e privilegiados, uma desvantagem ética. Também nos possibilita uma oportunidade social para demonstrar que associativismo e cooperativismo de grupos humanos podem trazer benefícios coletivos. Isso seria uma vantagem, se não estivéssemos caminhando para o cada um por si, uma estratégia dos nossos inimigos de classe que está dando certo. Azar o nosso!

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A BUSCA DE SENTIDOS - Enquanto caminhava, pensava na busca de sentidos para a vida. Por estarmos vivos temos que dar sentido à vida (opinião minha), ter objetivos e motivações ajudam no viver. O tempo todo temos que significar e ressignificar a existência da vida humana e das coisas. Evidente que essa coisa de significação é uma coisa própria da espécie homo sapiens. A natureza é. Mas os conceitos humanos devem ser lapidados. Ideologia. Narrativas. Passei a vida toda dizendo isso: "a natureza é, as coisas são como são". Ledo engano! Essa narrativa é utilizada por nossos inimigos de classe há milênios. A miséria da maioria humana em detrimento de alguns poucos não é uma coisa natural. É uma coisa construída por nós. O futuro é construído por nós hoje. Se quisermos derrotar o 1% que está inviabilizando a vida no planeta, temos que fazer isso a partir de hoje. O futuro é construído hoje por nós. 

Eu sou minha identidade. Minha identidade está em minha cultura, meu comportamento, meus sentimentos. Está em meu cérebro. Eu sou tudo que se acumulou em meus 86 bilhões de neurônios nesses 52 invernos. Sou o meio onde existi e existo. Não acredito em nada além do mundo material. Já acreditei em tudo além do mundo material. Hoje, não mais. Respeito o tempo de cada pessoa nessa vida, nesse mundo. Sou meu cérebro funcionando bem (ou mal), juntamente com o conjunto dos órgãos do meu corpo de homo sapiens. Um entupimento na corrente sanguínea, o coração parar de bombear o sangue, fígado rins pulmões e hormônios vários colapsarem e já era. Não serei mais nada. Não quero apressar o fim. Por isso ando corro e tento levar uma vida saudável - depois de abusar décadas de meu corpo. Algo dentro de mim não está bem - mas a quilometragem rodada é diferente da idade (já me corroí tanto em ódio e tristeza...). Acho que não duro a expectativa de vida do meu grupo social. Tenho consciência que viver depende também de mim, de meus atos. Alguma coisa faço por minha saúde. Não muito, mas faço. E sei que estar vivo é oportunidade. Viver é oportunidade.

A vida é uma oportunidade como a oportunidade de ver um ipê branco florido. As flores se mostram pra nós e pros polinizadores e duram uns dois dias. E só. E como vale a pena ver um ipê florido! É como a vida. Entendo que vale a pena estar vivo.

É isso!

William


domingo, 18 de julho de 2021

180721 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Se cada um só liga pra sua bolha-mundo, como vamos salvar o planeta do capitalismo?

Sigo lendo disciplinadamente. Ler para aprender alguma coisa, para refletir sobre as coisas com algum subsídio de conhecimento, para ser menos ignorante, apesar de saber que a nossa única vida é um tempo curto para saber minimamente sobre o mundo. A cada dia, mais certeza tenho que nada sei, mas ao menos sei que gostaria de saber das coisas, por isso estudo em meus tempos livres.

Estou há vários dias com certo peso na consciência por não escrever nada sobre a Cassi, a Caixa de Assistência dos trabalhadores do BB. Por ter tido oportunidade de participar como representante eleito da gestão da associação, acabei aprendendo alguma coisa sobre o tema gestão e sistemas de saúde. 

No universo de desfazimento do Brasil e dos direitos do povo brasileiro, a Cassi é mais um direito de um segmento da classe trabalhadora que está se desfazendo. É tanta coisa que não sei nem por onde começar a falar. E também tem o fato de saber que falar da Cassi são palavras ao vento e os ouvidos estão surdos para essas coisas do mundo solidário, das questões coletivas, cooperativas, associativas, comuns, comunistas.

Também assumi alguns compromissos com a militância bancária para falar a respeito de algumas temáticas que tenho algum conhecimento. Compromisso é compromisso, então vou fazer o que tem que ser feito. Mas no fundo, alterno dias de desânimo em relação ao mundo humano e dias em que acredito em alguma virada em defesa da vida e da justiça social no mundo. 

A razão tem me impedido de sugerir esperança na vida; a postura de militante de esquerda é a que me impõe sugerir alguma saída através da luta unitária, da inteligência humana e de apostar em alguma forma de força oriunda de uma maioria fraca, desorganizada e ignorante (o povo), mas tá difícil acreditar nisso...

E para nos enfraquecer o moral, ainda temos a condição de isolamento e solidão em que a classe trabalhadora se encontra nessa quadra da história. Com a diminuição do engajamento e da confiança dos trabalhadores formais e informais aos sindicatos, associações e partidos de esquerda, ficamos meio que órfãos de pertencer a algo que nos faça nos sentirmos partícipes de lutas coletivas e "comunidades" para além de nossa própria vida individual. 

No contexto atual, é muito difícil se manterem abstrações humanas como direitos sociais e coletivos em alimentação, moradia, previdência, saúde, educação e cultura (direitos humanos, por exemplo, é uma abstração, uma ideia). Se o que vale na visão humana é só o agora, só o instante, o presente, não há espaço para previdência pública, saúde pública (e preventiva), universidades e espaços culturais. Que dirá caixas de previdência e saúde como Previ, Cassi, Funcef, Saúde Caixa, e direitos coletivos corporativos construídos ao longo de décadas de associativismo solidário. Se a ideia de solidariedade morreu nas massas, evidente que o fruto dela vai morrer também.

Eu percebo que sem lutarmos pelo fim do capitalismo e tudo o que ele significa na destruição da vida no planeta, não temos perspectivas de futuro nem sequer nas próximas décadas, no próximo século, por exemplo. Se destruímos o planeta em dois séculos de capitalismo, com aceleração crescente e exponencial nas últimas décadas, e se seguirmos destruindo tudo não haverá natureza e biodiversidade para seguirmos enquanto espécie. Os oceanos estão morrendo. O meio ambiente terrestre idem. Alguns caras são responsáveis, mas ninguém faz nada para impedi-los. E assim caminhamos até ali no fim.

Não sei vocês, mas tenho a impressão que a gente não consegue sequer convencer a se unir a nós pelo fim do capitalismo e por outra forma de organização humana - socialista, comunista, cooperativista, associativista - as pessoas que conhecem a nossa luta há décadas: esposas - maridos - filhos - familiares - amigos - conhecidos. Que dirá então se estamos conseguindo convencer as demais pessoas fora de nosso círculo de convivência, nossas bolhas sociais.

O tempo que interessa é o agora e o instante, então sem essa de consumir menos, de viver com menos coisas, ver o mundo de uma forma mais sustentável, distribuir a riqueza produzida por tod@s a tod@s e usar a tecnologia para distribuir e não acumular. Se é isso que pensam as pessoas ao nosso redor (ou se elas sequer ligam pra isso - cada uma na sua bolha-mundo), como vamos interromper o impacto desse meteoro no único mundo que existe, nosso mundo?  

Neste 18 de julho, digo: 

- Nelson Mandela, presente! (nasceu em 18/7/1918)

- Augusto Campos, presente! (faleceu em 18/7/2017)

William


quarta-feira, 14 de julho de 2021

Por uma sociedade socialista



Refeição Cultural

A leitura de um pequeno livro sobre a vida e a obra do professor Florestan Fernandes reforçou minhas reflexões sobre a necessidade de lutar pelo fim do sistema capitalista e pela construção de uma sociedade socialista.

A humanidade e as demais formas de vida do planeta Terra correm sério risco de desaparecerem por causa da forma como a natureza vem sendo utilizada pela atual sociedade humana e o capitalismo está diretamente relacionado com a destruição das formas de vida em nosso único lugar de existência.

A espécie humana se desenvolveu de forma extraordinária ao longo do tempo de sua existência. Diferente das demais formas de vida, o homo sapiens criou o mundo que nós conhecemos hoje através da inteligência e da tecnologia. Nosso cérebro se desenvolveu e passou a criar abstrações, imaginou coisas e as criou. Assim sobrevivemos aos desafios da natureza e chegamos até aqui.

Nos últimos 250 anos, em linhas gerais, uma forma de produção de bens passou a dominar as diversas sociedades humanas espalhadas pelo planeta Terra, o modo de produção capitalista e tudo o que isso significa.

Nesse curto espaço de tempo, se considerarmos que nossa espécie já habita a Terra há alguns milhares de anos, nós exaurimos perigosamente o planeta.

A vida é uma oportunidade única para todas as espécies existentes, inclusive para a espécie humana. O conhecimento que produzimos nessa longa caminhada dos seres humanos nos permite estabelecer padrões de vida muito bons para toda a humanidade. Temos inteligência e tecnologia para atravessarmos os próximos séculos se tivermos responsabilidade.

A base do sistema capitalista é inviável à vida. 

Precisamos nos unir para lutar pela vida da espécie humana e pela diversidade de modos de vida na Terra, de forma que possamos ter um futuro. 

Durante décadas atuei nos movimentos organizados da classe trabalhadora. Os movimentos populares são bons espaços para reflexão sobre essa questão que estou trazendo: lutar pelo fim do capitalismo.

Tenho uma impressão que a questão de lutar pelo socialismo e pelo fim do capitalismo saiu das pautas prioritárias dos movimentos organizados. Quando se fala do tema é como se estivéssemos falando de algo absolutamente fora do horizonte, fora das metas pessoais e coletivas das pessoas, dos humanos.

Precisamos retomar a luta pelo socialismo, pelo cooperativismo, pelo associativismo, pela solidariedade, pela vida. O capitalismo é o oposto a tudo isso.

O socialismo deve fazer parte de nossos sonhos, de nossos esforços diários, de nossas metas.

Como indivíduos, somos um instante de vida, mas se pertencermos a uma coletividade com objetivos comuns seremos mais que indivíduos, nossos entes queridos não estarão sós e sem um braço amigo em nossa ausência.

Temos que lutar por uma sociedade socialista.

William

quinta-feira, 1 de julho de 2021

O verdadeiro criador de tudo - Miguel Nicolelis



Refeição Cultural

"Educação, oportunidades e justiça ilimitadas, não ganância, deveriam ser o mote que impulsiona o universo humano no futuro." (p. 355)

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"(...) o nosso cérebro permanece maleável ao longo de toda a vida. Isso implica que, por meio da educação crítica, pode-se desmistificar a natureza das abstrações mentais, como o mercado e o sistema financeiro, demonstrando que são apenas criações do ser humano, não produto de intervenção divina." (p. 355)


Terminei a leitura do livro do neurocientista Miguel Nicolelis muito emocionado, às lágrimas. Ganhei o livro O verdadeiro criador de tudo - Como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos (2020) no dia de meu aniversário. É um livro de ciência, mas é sobretudo um livro de um intelectual humanista, de um "homem cultivado", como diz Mircea Eliade. 

Desde pequeno tive o espírito curioso ou uma certa curiosidade filosófica em relação à existência e ao mundo. Ao longo das últimas décadas procurei respostas às minhas questões filosóficas nos mais variados espaços de conhecimentos: nas religiões, nos estudos formais, nas leituras literárias e nas leituras de áreas do saber humano. Nas lutas sociais e coletivas tive minha aprendizagem mais aprofundada que nunca.

Tive contato com diversas matrizes religiosas ocidentais, orientais e de origem africana. Estudei áreas variadas na educação formal: fiz Ciências Contábeis, fiz Educação Física e não concluí e fiz Letras. Estudei várias áreas do direito como concurseiro em certa época de minha vida. Nessas quase quatro décadas de adulto, sempre estive procurando respostas e sentidos.

A leitura do livro sobre o cérebro humano neste momento de minha vida e neste momento da sociedade humana foi algo que mexeu bastante comigo. Busquei muitas explicações para os acontecimentos do mundo e os comportamentos humanos nas leituras de História. Toda leitura feita me acrescentou alguma coisa, é verdade, mas avalio que Nicolelis me trouxe respostas sobre várias questões que martelam em nossa cabeça de cidadão curioso e politizado.

Nicolelis escreve muito bem, a considerar que o livro passa a primeira metade falando sobre Biologia, Anatomia, Fisiologia, sistemas do corpo humano e demais áreas médicas e da ciência. Talvez meu conhecimento de Anatomia e estudos do corpo humano adquirido duas décadas atrás tenha contribuído para que minha leitura não fosse superficial na parte mais espinhosa do livro.

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"Do ponto de vista da visão cerebrocêntrica discutida neste livro, a era dos excessos de Hobsbawm (Era dos Extremos) pode ser descrita como o período em que uma abstração mental - o capitalismo - tornou-se poderosa o suficiente para reconfigurar a dinâmica das interações humanas em escala global, cruzando o perigoso patamar que, no limite, pode jogar a humanidade em um buraco negro do qual ela não mais se libertará." (p. 361)

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Na segunda parte do livro, o neurocientista Nicolelis nos faz pensar e pensar e refletir e avaliar a vida e a sociedade e ao final estamos profundamente imersos nos destinos da humanidade. Ou mudamos o rumo das coisas ou não haverá futuro para a espécie humana. Precisamos superar o modo de vida capitalista ou não seguiremos enquanto espécie no planeta Terra.

Tudo que existe na sociedade humana atual é fruto da criação do cérebro humano, todas as abstrações que nos pautam a vida, todas as coisas produzidas, tudo. O cérebro humano deu sentido às coisas que existem, além de criar tudo que há entre nós. 

Algumas abstrações se tornaram maiores que seus criadores como, por exemplo, a Igreja do Mercado e o deus dinheiro. Também a abstração Culto das Máquinas. Neste momento da história humana, ou retomamos a importância humana como centro das coisas ou pereceremos enquanto espécie.

Durante décadas tive receio em relação à Inteligência Artificial. Era uma das pessoas que temia que as máquinas adquiririam vida própria e colocariam sob ameaça as outras espécies animais, sobretudo a humana. Nicolelis me explicou a falácia da "Inteligência Artificial", algo impossível de se realizar. 

A inteligência é animal, uma máquina não pode ser inteligente no sentido da criação humana. Só nós somos inteligentes, por enquanto (pode ser que fiquemos limitados como as máquinas se não mudarmos o rumo das coisas).

Foi um dos livros mais esclarecedores que li na minha vida. Olho o mundo de forma diferente a partir da leitura de Nicolelis. Não fiquei nem mais triste nem mais feliz, mas me tornei uma pessoa mais consciente a respeito da existência das coisas. 

Já não havia espaço para visão mística em minha vida, mas agora as coisas estão mais claras do que nunca. Mas meu humanismo saiu reforçado após essa experiência. Como animal humano, ainda homo sapiens, podemos mudar o rumo da destruição de tudo, e isso é algo valioso, saber que podemos fazer coisas incríveis e aparentemente "impossíveis" como, por exemplo, nos livrarmos do capitalismo.

É isso. Professor Miguel Nicolelis, muito obrigado pela experiência e conhecimento compartilhados. Muito obrigado!

Mais que nunca, é fundamental lutar pela vida, pela educação, pela ciência, pela ética, pelo amor, pela solidariedade, pelo cooperativismo. E para seguirmos a vida é preciso gritar #ForaBolsonaro!

William


Bibliografia:

NICOLELIS, Miguel. O Verdadeiro Criador de Tudo - Como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos. São Paulo: Planeta, 2020.


domingo, 14 de fevereiro de 2021

140221 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Estava refletindo sobre os perfis das pessoas, reflexões provavelmente oriundas do esforço mental em tentar compreender as coisas, os porquês, a própria vida da gente e das pessoas ao nosso redor. 

As características pessoais que temos poderiam ser explicadas de diversas maneiras, podem nascer conosco, podem ser adquiridas a partir de exemplos externos a nós - a cultura -, podem aparecer em nós por acasos e acidentes de percurso das veredas da existência. Somos hoje o acúmulo de nossas vidas desde o início do viver.

Qual seria o meu perfil, a minha natureza, em relação às atitudes cotidianas no que diz respeito às atividades sociais como, por exemplo, trabalhar, estudar, me relacionar com as pessoas, dentre outras ações pessoais perante o mundo em que vivemos?

Quando olho para trás e tento me lembrar do que pensava, o que queria, o que não queria, o que era indiferente para mim, me vem à memória a ideia de que eu não queria ser um acumulador de dinheiro, um capitalista, um cara poderoso ou coisa do tipo. Nunca almejei isso, de verdade.

Me parece que tenho uma natureza de servidor público, de alguém que poderia encontrar a satisfação pessoal em realizar trabalhos úteis para as pessoas, para os outros. Essas invenções ideológicas dos capitalistas para enganar os miseráveis que não pertencem ao seleto grupo da família deles, de que todo mundo deve ser empreendedor, empresário, bilionário etc nunca me encantaram em nada.

Foi assim que minha vida se encaminhou nas quase quatro décadas em que trabalhei para os outros, em que vendi minha força de trabalho. Alguns trabalhos foram muito desgraçados, é verdade, e me fizeram odiar ser explorado pelos outros, me fizeram sentir que o mundo é injusto organizado como está, hegemonizado pelo modo de produção capitalista, no qual alguns humanos exploram todo o restante dos humanos e acumulam toda a riqueza produzida, às custas da miséria de bilhões de pessoas.

Minha vida fluiu assim, trabalhando para servir as pessoas. Neste momento, por diversos motivos e mudanças na minha vida pessoal e na vida de nosso país, não faço mais isso e me peguei completamente perdido, buscando sentidos para o viver.

Minha busca não é desesperada porque sou uma pessoa agraciada pelo acaso, pela deusa Fortuna como diziam algumas sociedades arcaicas. Minha busca não é desesperada, mas não pode durar a vida toda, que pode ser longa ou curta. Tenho que encontrar sentidos e projetos que deem sentidos ao viver. 

Depois das últimas décadas servindo aos projetos coletivos de sociedade e de mundo, não encontro conforto e paz interior para só viver minha vida e dane-se o mundo e as pessoas. Mas meu perfil não é de empreendedor, é de alguém colaborativo, que fez o que fez coletivamente porque estava inserido em projetos de mundo construídos a várias mãos, o movimento social.

Por isso sou tão grato ao trabalho de organização sindical de base, porque um dia pessoas engajadas em projetos coletivos me encontraram e me instigaram a entrar naquelas lutas e projetos coletivos. E eu aceitei e fui feliz e fiz algo que justificou minha existência.

Talvez eu escreva mais sobre isso, apesar do trabalho que dá escrever nos tempos em que as palavras e os textos e as ideias não têm mais espaço no tempo e no interesse das pessoas.

William


terça-feira, 30 de junho de 2020

Trabalhadores do mundo, uni-vos!





Sobre a greve dos entregadores de aplicativos em 1º de julho

Ao ler uma matéria da Rede Brasil Atual (reportagem no fim do comentário) sobre a greve dos entregadores de aplicativos, marcada para amanhã, quarta-feira, 1º de julho, e tomar conhecimento das condições de trabalho e o nível de super exploração a que estão submetidos milhões de pessoas, a vontade que temos é de chorar. É muita desgraça na nossa cara, no dia a dia e parece que não tem nada a ver conosco!

Mas vamos aos fatos. Chorar não vai sensibilizar os seres humanos exploradores que estão por trás da super exploração dos trabalhadores. Só a luta, só o incômodo, só a mobilização e o transtorno na vida ou nos lucros dos caras que lucram com a desgraça dos outros é que pode gerar alguma condição de mudança de realidade. 

Os explorados precisam se unir e lutar. Às vezes, viver sob certas condições de miséria e sofrimento nos faz até pensar se vale a pena viver. E vale! A vida é um amanhecer de possibilidades, de oportunidades e desafios. Temos que lutar pela vida, pela vida digna. Pela vida com justiça para todos. Com igualdade de oportunidades e tolerância entre as pessoas.

Leiam a reportagem e vejam se alguém decente poderia deixar de apoiar a greve e as reivindicações desses trabalhadores na luta por uma remuneração digna, direitos básicos, condições de trabalho. Nós temos que interromper essa super exploração que vivemos nesse momento de nossa história humana.

A intenção dos poucos humanos que detêm quase tudo, detêm pela força, pela herança, pela manipulação, pela ideologia - o chamado 1% e os lacaios que os mantêm onde estão no topo da cadeia de exploração -, é igualar toda a humanidade por baixo, querem que não existam mais profissões regulamentadas, direitos trabalhistas, previdenciários, sociais, civis, políticos, direitos humanos, para o restante da população fora das bolhas bilionárias nas quais eles se fecham. Vamos aceitar isso?

Não dá! Não dá mesmo! O povo tem que reagir!

William

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Desemprego levou a aumento da procura pela função,
derrubando os rendimentos. Foto: Roberto Parizotti.

Entregadores de aplicativos fazem greve nesta quarta-feira contra exploração


Queda no valor das entregas e fim dos bloqueios indevidos estão entre as principais reivindicações. Consumidor pode ajudar boicotando os aplicativos

Matéria de Tiago Pereira, da RBA. *


São Paulo – Para barrar a sanha dos aplicativos que se alimentam da exploração, entregadores prometem parar as atividades nas principais cidades do Brasil nesta quarta-feira (1º). A greve deve alcançar outros países da América Latina, como Argentina, Chile e México, já que as mesmas empresas estão presentes em diversos locais.

As principais reivindicações são o aumento do valor mínimo das entregas e dos pagamentos recebidos por quilômetro rodado. Eles querem o fim dos bloqueios indevidos. Por outro lado, também consideram injustos os sistemas de pontuação das plataformas.

Em meio à pandemia, pedem ainda o custeio pelas empresas dos equipamentos de proteção individual (EPIs) – luva, máscara, álcool em gel – e licença remunerada para os trabalhadores que foram contaminados. Além disso, os entregadores reivindicam benefícios, como vale-refeição e seguro contra roubo, acidente e de vida.

Em São Paulo, os entregadores marcaram pontos de encontro, às 9h, em cada zona da cidade, na região central, e também em Barueri, Osasco, Embu das Artes e no ABC. Primeiramente, devem percorrer as respectivas regiões, buscando a adesão dos demais colegas. Na sequência, se encontrarão às 14h, na Avenida Paulista, onde realizam uma manifestação.

Posteriormente, ainda na parte da tarde, os entregadores se dirigem até a Ponte Estaiada, na Marginal Pinheiros, zona sul da cidade. Além de “brecar” as entregas do jantar, eles querem que a TV Globo faça a cobertura da manifestação, no horário do jornal local.


Competição

Ifood, Rappi, James, Uber Eats, por exemplo, se definem como empresas de tecnologia, sem vínculos com os trabalhadores. Quando surgiram, as remunerações satisfatórias e a flexibilidade da jornada eram os principais atrativos. Contudo, com o aumento do desemprego e da informalidade, muitos encontraram o seu ganha pão nessa função. Por outro lado, com maior oferta de mão de obra, a concorrência aumentou. Consequentemente, o valor pago aos entregadores caiu.

Pesquisa on-line realizada pela Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista (Remir Trabalho), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que 68,9% dos entregadores tiveram queda nos ganhos durante a pandemia. Antes, 17% diziam ganhar em torno de um salário mínimo (R$ 1.045). Agora, são 34%, um terço do total. Por outro lado, caiu para 26,7% a proporção dos que afirmavam ganhar acima de dois salários mínimos. Antes da pandemia, eram mais da metade (51%).


Insatisfeitos

A reportagem ouviu relatos de três entregadores para saber mais sobre as condições que levaram à greve. As insatisfações não são recentes. Para além da inexistência de direitos, eles reclamam que não recebem qualquer tipo de apoio das plataformas. Agora, com o aumento dos riscos para a saúde e a queda nos rendimentos, a situação se tornou insustentável.


“Motoca”

O entregador conhecido como Mineiro (preferiu não se identificar para evitar eventuais punições) conta que eles se articulam por meio de grupos de WhatsApp. As conversas com vistas à paralisação começaram há cerca de um mês. Ele tem 30 anos, e trabalha há três como entregador de aplicativo. É morador do Parque Bristol, zona sul de São Paulo, mas se desloca fazendo entregas por toda a região metropolitana.

Na sua percepção, o número de “motocas” aumentou cerca de três vezes nos últimos anos. “Se você parar num semáforo aqui, em São Paulo, tem no mínimo 20 motos naquela área reservada. Dessas 20, 19 são entregadores, entendeu?”. Com o aumento da concorrência, o valor pago pelo quilômetro rodado caiu de cerca de R$ 1,5 para R$ 0,93. “Eles estão de brincadeira com a nossa cara. A gasolina aumentou de novo. E a gente não tem condições de ficar bancando.”

Ele também reclama dos bloqueios indevidos. “Quando você é mandado embora de uma empresa, tem que ter uma justificativa. Mas não, eles simplesmente te bloqueiam. Se a pessoa fica doente, eles te bloqueiam. Sofre um acidente, te bloqueiam. Se o cliente reclama, a gente não tem defesa nenhuma, porque simplesmente não tem como falar com os aplicativos.”

Durante a pandemia, Mineiro diz que uma das empresas passou a oferecer máscaras e álcool em gel por apenas dois dias. Mesmo assim, só depois que cerca de 400 entregadores decidiram protestar. Sobre o auxílio para os trabalhadores contaminados, ficou na promessa. “Nunca foi repassado. Até hoje, o único auxílio que eles receberam foi um bloqueio na tela, sem justificativa.” Por esses motivos, ele espera uma adesão à paralisação de “pelo menos 98%” dos colegas.


Ex-empreendedor

Rafael Ferreira, de 33 anos, mora na região da Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Ele conta que começou a fazer entregas quando era sócio de um restaurante. Com o fim da sociedade, passou a se dedicar exclusivamente aos aplicativos. No início, há cerca de dois anos, trabalhava “no máximo seis horas por dia”, seis dias por semana. Era o suficiente para garantir o sustento da família.

“Agora, só saio da rua quando bato a minha meta em dinheiro. Pode ser 9 horas da noite, 10, 11. Num dia bom, acabo mais cedo. Não é uma coisa fixa. Mas, com certeza, é preciso trabalhar bem mais hoje para sobreviver do que antigamente.”

Rafael relata que trabalhava apenas com o Ifood. Hoje, está cadastrado em seis aplicativos de entrega. Em um deles, o Uber Eats, foi impedido de trabalhar. “Não me deram a menor justificativa. Simplesmente me bloquearam.”

O pagamento inferior a R$ 1 por quilômetro rodado torna a função praticamente inviável, segundo Rafael. Até porque as empresas não pagam pelo deslocamento até a coleta do produto. Também reclama da falta de infraestrutura para os entregadores, que não contam com elementos básicos, como banheiro e local para fazer as refeições.

Ele lembra que são empresas de entrega, mas que não têm uma única motocicleta. “Tomara que, no dia 1º, os entregadores consigam mostrar a sua força”, afirma. Mas ele teme que muitos colegas “furem a greve” para se beneficiar das melhores taxas oferecidas no dia.


Pedalando

Os jovens que fazem entregas com bicicletas recebem valores ainda menores. Adriano Negocek, de 23 anos, é estudante de Física na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Morador de Almirante Tamandaré, região metropolitana de Curitiba, ele pedala quase todos os dias cerca de 10 quilômetros até o centro da capital, na hora do almoço. Começou a trabalhar como entregador, no final de 2018, após ser demitido de seu emprego anterior. Apostou na flexibilidade da jornada para poder conciliar o trabalho com os estudos.

Ele conta que tirava, em média, R$ 60 por dia. Agora, durante a pandemia, o rendimento diário caiu para menos de R$ 20 reais. “O valor caiu muito, não só por conta da pandemia. Não sei se é menor o fluxo de pedidos, ou se é pela concorrência que aumentou.” Por conta das entregas, Adriano também revela o receio de contaminar a sua mãe, que é do grupo de risco.

Ele almoça no restaurante universitário, mas sabe que a alimentação é um problema para a maioria dos seus colegas entregadores. Seja pelo preço cobrado pelos restaurantes na região central, onde é maior a demanda por entregas, seja pela falta de um local adequado para aqueles que levam marmita. Adriano também teme que alguns colegas entregadores não participem da greve, com medo de sofrerem bloqueios posteriores.


O consumidor e a greve

Os consumidores também podem ajudar a luta dos entregadores. Acima de tudo, eles solicitam que as pessoas não peçam comida pelos aplicativos neste dia. Se não puderem cozinhar, que se dirijam diretamente aos restaurantes. Além disso, pedem que os consumidores avaliem com a menor nota esses aplicativos, nas lojas virtuais. E deixando também comentários para denunciar a exploração dos trabalhadores.


Fonte: RBA

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*Por que não deixo só o link para a matéria? Porque um tempo depois que as matérias e textos publicados na internet vão ao ar, você não encontra mais eles (Error), simplesmente porque atualizam a página, porque economizam na hospedagem nos servidores etc. Boa parte do conhecimento humano das últimas décadas está desaparecendo porque só estava on-line. Terrível isso!

sábado, 27 de junho de 2020

Nós não somos nada sem os outros




Ao refletir sobre os acontecimentos cotidianos de nossa vida em sociedade podemos permitir que nossa consciência nos demonstre uma coisa óbvia e pouco considerada pela nossa condição de autômatos e seres robotizados: não somos nada sem os outros, sem a ajuda das pessoas.

A pessoa está em casa, cumprindo o isolamento social devido à pandemia do novo coronavírus e de repente precisa do carro para alguma coisa. Ao tentar ligar o carro percebe que a bateria não funciona porque descarregou por falta de uso. Em poucos minutos você consegue a mobilização de duas pessoas que o ajudam a resolver o problema, trazendo cabos e fazendo uma "chupeta" na bateria para ligar o carro.

A pessoa está fazendo a sua declaração de imposto de renda e está cheia de dúvidas sobre questões diversas. Após falar com dois amigos de longa data, que se dispuseram a dedicar horas de seus dias para auxiliar no preenchimento do documento do fisco, você finaliza a tarefa e já pode cumprir o seu compromisso com o governo nos prazos regulamentares.

Quanta gente precisando de ajuda neste momento dramático de nossa vida nacional por estarmos vivendo uma tragédia por causa do golpe de Estado que destruiu as condições mínimas de vida e cidadania da população brasileira; e quanta gente neste momento está se preparando para na manhã de sábado colocar sua máscara contra Covid-19 e sair cedo para distribuir carinho e cestas básicas a partir de arrecadações de voluntários.

Por mais que estejamos cansados das más notícias oriundas ou a respeito do governo federal que representa o mal, neste minuto tem muita gente que ainda representa e faz o bem, sem esperar nada em troca a não ser o conforto que a ação do bem proporciona a si mesma e ao mundo.

Ajude as pessoas se você puder. Ajude inclusive fazendo o básico, não agredindo as pessoas com palavras, gestos ou violência física, algo que nem precisaria ser pedido aqui, não fosse o fato de termos nos tornado bichos estranhos após o envenenamento pelo ódio inoculado em nossos corpos ininterruptamente pelos meios de comunicação desde que o PT assumiu a presidência da república com Lula em janeiro de 2003, eleito pelo povo brasileiro, que contrariou a elite dona da comunicação nacional e local.

Não ser uma fera odiosa não é mais uma coisa simples, desde que viramos uma espécie de monstros sociais, bestas-feras, todos nós, seres que se acham autossuficientes e melhores que os outros, ou que devem cuidar de si mesmos e não ligar para nada ao redor, injustiças, misérias, violências, como se não precisássemos uns dos outros até para comprar o que comer e papel para limpar nossas bundas.

Nós não somos nada sem os outros

Pensem nisso e pensem também no exercício diário da solidariedade. Outro mundo em sociedade é possível, um mundo mais cooperativo, mais equânime, mais tolerante, com mais amor e amizade.

O que definiu o homem que sou do homem que poderia ter sido foi a oportunidade que tive na vida de ser acolhido e me envolver com os movimentos dos trabalhadores. Essa oportunidade me salvou a vida. Me fez estar hoje do lado certo da história. A educação e a formação política me salvaram de não ser um apoiador do mal que se instalou no país.

Eu vi e vivi uma vida de lutas classistas envolvido com o movimento sindical e sei que a cooperação entre as pessoas é algo possível, que dá frutos e que gera o bem coletivo.

William

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Instantes (2h30)



A lua como uma luz na longa noite.
Foto de Ione.

Madrugada de segunda-feira, 8 de junho de 2020 (d.C.). 

O domingo trouxe ao menos uma momentânea esperança de um porvir diferente do que tem sido a mesmice da existência sob um país destroçado pelo golpe de Estado em 2016, golpe que retirou o PT do governo federal, que alterou a rota que o Brasil seguia com destino a ser uma das potências do século em que estamos. A esperança momentânea foi ver várias capitais do país recebendo atos com brasileiras e brasileiros indignados com o estado das coisas, milhares e milhares de pessoas que foram para as ruas protestarem contra o racismo, contra o fascismo, contra o bolsonarismo, contra os inumanos que tomaram o poder, foram para as ruas defenderem a democracia. Fico feliz pelos atos deste domingo e, neste momento, meus olhos se umedecem de emoção por ver essa pequena luz na longa noite que nos enfiaram ainda antes de 2016, quando os meios de comunicação da casa grande envenenaram o povo brasileiro e transformaram parte dele numa gente odienta, doente, ignorante, bárbara e sem cura.

Não fossem momentos de luz como ver as pessoas nas ruas lutando pelo bem, disputando espaço com os que vêm ocupando as ruas para defender o mal, a gente estaria mais triste do que já estamos. A gente sofre muito ao ver nossos jovens com seus caminhos interrompidos por esse mal em que nos jogaram. Isso dói. E a gente tem que ser forte, inclusive para auxiliar e apoiar aqueles que ainda têm toda uma vida pela frente e precisam acreditar em um amanhã melhor. Se uma década atrás a nossa vida estava melhorando e as perspectivas eram provenientes das decisões políticas da maioria do povo brasileiro, significa que se chegamos naquele momento uma vez, podemos chegar novamente. O ser humano é um animal absolutamente diferente de qualquer outro na natureza. O imponderável é a marca de nossa existência coletiva ao longo de dezenas de milhares de anos de vivência dos animais humanos. O amanhã sempre pode ser diferente, se não para mim, ou para você, porque somos breves, mas pode ser diferente para nós, que somos também legião, além de indivíduos.

Se estiver vivo nesses dias meses anos serei mais um do lado do bem, enfrentando todo esse mal que se abateu sobre nós como um pesadelo sem fim, mas que tem fim. Mesmo que não tenha mais um papel de representação coletiva, cada boa ação que fizer, pode valer alguma coisa, porque o bem pode vencer o mal, numa soma de pequenos atos.

Não aceite o mal como algo normal na sociedade humana! Não aceite o racismo, não aceite o comportamento odiento dos doentes que aderiram ao bolsonarismo, não aceite a destruição de nosso mundo como algo dado. A vida tem que valer a pena, e vale, porque viver já é possibilidade, já é chance para o imponderável.

William

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Lembranças - Capítulo 3



1º de Maio no Vale do Anhangabaú em 2019.

1º DE MAIO

Hoje é 1º de Maio de 2020, um dos dias mais importantes da classe trabalhadora mundial em relação ao calendário anual. Um dia de reflexões, de balanços, de lutas. Um dia de revigorar as utopias que movem os seres humanos que desejam um mundo mais justo e solidário, igualitário, sustentável, democrático e que tenha a paz mundial como um dos objetivos a serem alcançados. Não haverá evento presencial com trabalhadores e suas lideranças. Estamos enfrentando uma pandemia mundial de Covid-19 e a morte espreita por aí. A recomendação é isolamento social e quarentena.

O cenário brasileiro e mundial neste 1º de Maio é um dos mais adversos da história da classe trabalhadora em décadas de organização e lutas por um mundo com mais oportunidades para todos e com melhor distribuição da riqueza produzida pelos trabalhadores. O mundo do trabalho já enfrentava dificuldades desde a crise do subprime em 2007 quando os Estados nacionais deram trilhões de dinheiros para banqueiros e empresários e vinténs para milhões de pessoas que viviam de suas forças de trabalho. Aí veio a pandemia do novo coronavírus em 2020 e desgraçou de vez as condições de vida dos povos pelo mundo.

O Brasil e o povo brasileiro tiveram datas de 1º de Maio memoráveis durante os anos iniciais do século 21 (entre 2003 e 2015), anos em que o Partido dos Trabalhadores esteve na Presidência da República na data em questão, com Luiz Inácio Lula da Silva e com Dilma Rousseff. Só para lembrar: aumentos reais consecutivos do Salário Mínimo e dos salários das categorias profissionais, ampliação de direitos trabalhistas e de oportunidades de ascensão social através do financiamento público da educação em todos os níveis e criação de aproximadamente 15 milhões de empregos com carteira assinada. A taxa de desemprego em dezembro de 2014 foi de 4,3% (IBGE), um feito histórico.

Em 2016 veio o Golpe de Estado e a abertura da Caixa de Pandora. Sai de cena governos democráticos e populares com identificação histórica com as classes populares e ao iniciarmos um período de exceção (que gente vil e incautos seguiram chamando de "democracia") entram em cena no comando das instituições do país todas as espécies de gente que não presta - mafiosos, corruptos de colarinho branco, milicianos, estelionatários, manipuladores da fé, uma horda de gente violenta e sem cultura, bárbaros de toda espécie. Um dos organizadores do Golpe assume o governo e começam as reformas que viriam a destruir os direitos dos trabalhadores brasileiros. O coroamento da desgraça toda viria com as eleições fraudulentas de 2018, que nos colocou na situação em que estamos neste 1º de Maio.

Enfim, esses registros de lembranças que comecei a fazer após conhecer há pouco tempo um livro muito interessante de Margo Glantz - Yo también me acuerdo (2014) - não são para escrever sobre a história do Brasil nem da classe trabalhadora brasileira, eu não teria saco para isso nesta altura de minha vida, mesmo que tivesse competência para tal. São para registrar momentos que vivi enquanto cidadão ao longo das últimas décadas. Todos fazemos parte da história porque a história se desenvolve através do cotidiano das gentes. Nada nada fui dirigente eleito por 16 anos de uma das categorias profissionais mais organizadas do país, os bancários. Fiz parte da organização de greves importantes do movimento estudantil como a da FFLCH-USP em 2002. E vivi muitos 1º de Maio, inclusive os debates organizativos do mês que antecedia à organização dos eventos.

Me deu vontade de registrar algumas lembranças que vivi nesta data tão importante para a classe trabalhadora. Não tenho muito fôlego para escrever várias datas, mas algumas não custa tentar.

DIAS D@S TRABALHADORES

2006

ME LEMBRO que em 2006 eu assumi novos desafios no movimento sindical brasileiro. Os bancários decidiram ampliar o escopo de representação da estrutura sindical da categoria para fazer frente às novas formas de exploração por parte dos patrões do setor, os banqueiros. Eles já vinham se organizando em holdings e corporações e ao longo de anos foram retirando os trabalhadores da cobertura da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários (CCT/CUT). Criamos a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e seu primeiro Congresso foi em abril de 2006. Tive a honra e o privilégio de fazer parte dessa história e fui eleito secretário de comunicação da entidade. A experiência seria engrandecedora para mim e por 9 anos (3 gestões) fiz parte da organização nacional dos bancários. O 1º de Maio de 2006 foi na Av. Paulista, com mais de 1 milhão de participantes. Os eixos temáticos eram: fortalecer a democracia, mais e melhores empregos, renda e ampliação de direitos.

Me LEMBRO que o desafio das comunicações me levou a pensar diversas estratégias para aprofundar meus conhecimentos na área. Eu passei a participar de diversos fóruns sobre comunicações, imprensa, jornalismo, mídia etc. Participei do Movimento dos Sem Mídia. Li livros sobre o tema e me aproximei muito do dia a dia da CUT Nacional, sem descuidar do que aprendi com meus companheiros do coletivo do Banco do Brasil no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região: nunca perder o contato com a base, tanto os locais de trabalho quanto o seu sindicato de origem. Participava de todas as reuniões da direção do Sindicato e fazia visita às agências e departamentos do BB - era bom sindicalizador, levava bancários para cursos de formação, para assembleias de base e escrevia muito, muito.

ME LEMBRO que tive o privilégio de atuar na secretaria de comunicação com profissionais da mais alta competência, grandes jornalistas e militantes das comunicações e das causas populares. Até definirmos o modelo de gestão na secretaria da Confederação, aprendi muito tanto com o pessoal da Fórum, sob a liderança do Renato Rovai, quanto sob a liderança do Coelho, amigo de décadas, em outra etapa da secretaria. No mandato seguinte, quando fui para a área de formação, teria a oportunidade de ver na comunicação o brilhantismo do companheiro Ademir. Ou seja, imaginem vocês como fui um privilegiado pela oportunidade de compartilhar os aprendizados e experiências dessas figuras e suas equipes de trabalho.

2007

ME LEMBRO que o ano de 2007 foi um ano intenso para nós do Banco do Brasil. Tivemos mobilizações do movimento e negociações com a Caixa de Assistência dos Funcionários, a Cassi. No dia 9 de abril daquele ano, a Contraf-CUT enviou ofício ao Banco questionando diversas retiradas de direitos dos associados por parte do CD da Cassi (veja reprodução do teor do ofício aqui) e a pressão do movimento sindical fez o Banco e a direção da Cassi voltarem atrás. Ainda sobre a Cassi, participei da Conferência de Saúde da Cassi SP na AABB, no sábado 14 de abril. Neste ano, eu fazia a posse de funcionário novos do BB na Gepes para apresentar o Sindicato a eles e sindicalizava muitos bancários no 1º dia de trabalho. Eu era responsável também pela confecção da revista nacional O Espelho, dedicada aos temas do funcionalismo do Banco do Brasil. Olhando o registro de prestação de contas que eu fazia no blog A Categoria Bancária (mês de abril/2007: ver aqui) percebi que passei vários dias do mês estudando a história de lutas no Banco do Brasil para escrever tese e ou projeto para o BB e os trabalhadores. Nessa época, eu já escrevia bastante para o movimento sindical. O 1º de Maio tinha como um de seus temas o veto do Presidente Lula à Emenda 3, que atacava diversos direitos trabalhistas como férias, 13º salário, FGTS etc. Eu não fui aos atos porque estava terminando os textos sobre o Banco do Brasil.

2008

ME LEMBRO que neste ano tivemos eleições no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região. Como dirigente da Executiva da Contraf-CUT e do Sindicato, eu já me dividia entre as atividades das duas entidades. Minhas jornadas eram longas, quando ia para a secretaria à tarde é porque já havia estudado a manhã toda ou participado de eventos do Sindicato. Ao rememorar o meu mês de abril de 2008, consultando o blog (mês de abril/2008: ver aqui) percebi que fiz reuniões com os trabalhadores na base ao longo do mês, além das atividades de estudos e construção de conteúdo nacional para os sindicatos filiados à Confederação. O 1º de Maio desse ano tinha como temas centrais a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e a luta pela ratificação das Convenções 151 e 158 da OIT. Os trabalhadores brasileiros tinham uma pauta de avanços nos direitos e não de redução como passou a ser após o Golpe de 2016. 

2009

ME LEMBRO que nesse ano meus desafios no movimento sindical se ampliaram, porque tivemos o 2º Congresso da Contraf-CUT em abril e fui eleito secretário de formação. Ali se iniciava uma das etapas mais produtivas e prazerosas que vivi no movimento sindical, ao lado de valios@s companheir@s do Dieese e de sindicatos de todo o país. Olhando o mês de abril, que antecede o 1º de Maio, vi através do blog uma agenda cheia e produtiva (mês de abril/2009: ver aqui). Realizamos o 20º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil em Brasília (DF); eu fiz um artigo de contribuição aos debates naquela semana. (ler aqui). O papel do BB e as incorporações era um dos eixos temáticos. Meu artigo fala sobre remuneração e condições de trabalho e estratégias de luta. Fiz outro artigo sobre comunicação e formação (ler aqui). O 1º de Maio teve como tema "1º de Maio de luta - Pelo Desenvolvimento com Trabalho, Renda e Direitos" e os eventos foram descentralizados e sem o patrocínio de grandes empresas. O mundo vivia a crise do subprime e nós defendíamos que não eram os trabalhadores que tinham que pagar pela crise. Eu participei das atividades da CUT na Cidade Dutra, zona Sul de São Paulo. Participei também no domingo dia 3 da II Etapa do Circuito Osasco de Corrida de Rua - I Desafio dos Trabalhadores (corri 8k). O nosso Sindicato ajudou a promover a prova e incluiu centenas de bancários no evento. Eu era uma das pessoas voluntárias no Sindicato a sugerir ideias de atividades culturais, de esporte e saúde para aproximar os bancários do dia a dia do Sindicato e apostamos em algumas parcerias em corridas de ruas. Foi um sucesso a iniciativa.

APENAS LEMBRANÇAS E REGISTROS

Passei algumas horas de ontem, 30 de abril, até agora, tarde de 1º de Maio de 2020, Dia dos trabalhadores e trabalhadoras, relembrando dias de lutas, dias de vida. Mas vou parar, por enquanto. Para uma postagem, já está bom. 

Como representante eleito da classe trabalhadora, busquei ao longo de quase duas décadas criar estratégias de politização, formação e informação de meus pares. Os dois blogs que criei tinham esse objetivo. 

O auge dos blogs foi atingido durante o mandato que exerci na Cassi. Naquele momento, cada postagem tinha centenas ou milhares de acessos. Ali eu atingi o objetivo de criar leitores e manter uma relação fiel com eles. Agora isso passou.

Na atualidade, se eu mando o texto produzido por mim para dezenas de pessoas de meu contato ou compartilho em um monte de grupos de Facebook ou WhatsApp, acabo conseguindo que algumas pessoas leiam o texto, chegando a algumas dezenas de acessos. Se eu não divulgo o texto dessa forma, não tem quem os leia. Tenho pensado em não mandar mais pra ninguém. O dia que mando ainda é porque a vaidade falou mais alto.

Palavras, palavras, palavras. Na realidade o que temos aqui no blog é um amontoado de palavras, que tentam contar histórias de luta, reflexões e alguns desabafos, às vezes.

Abraços aos leitores e viva a classe trabalhadora!

William


Post Scriptum:

Para aquel@s que tiverem a curiosidade de ler os outros dois capítulos dessas lembranças, aqui estão os links. Clique aqui para o 1º texto e aqui para o 2º.

 
Fontes de informações:

Blog Categoria Bancária: http://categoriabancaria.blogspot.com/

Cedoc da CUT: http://cedoc.cut.org.br/cronologia-das-lutas

CUT: https://www.cut.org.br/noticias/rumo-ao-1-de-maio-ab21