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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Livro: Fidel Castro, comandante invicto - Norberto Escalona Rodríguez



Refeição Cultural

LITERATURA E HISTÓRIA


"Havia muitos guardas mortos, e me lembro de uma frase de Fidel que me comoveu muito. Quando percorria o campo de batalha, alguns companheiros zombavam dos cadáveres que ainda não tinham sido recolhidos, por conta da dinâmica do combate, dizendo coisas ofensivas. O Comandante em Chefe os ouviu e mandou que se calassem. Depois, disse algo mais ou menos assim: 'Estamos em uma guerra, onde eles estão errados e vêm nos combater, e temos de matá-los. Mas não se esqueçam de que são cubanos como nós, mesmo que não tenham razão'. Ele não permitiu que os companheiros desonrassem os inimigos mortos. Aquele gesto de humanidade nos impactou a todos." (Ada Bella, depoimento de uma das Marianas, p. 252)


Finalizei emocionado a leitura do livro Fidel Castro, comandante invicto: Serra Maestra pelo Quinteto Rebelde e Batalhão das Marianas. O momento no qual nos encontramos é de muita apreensão por causa do sofrimento imposto ao povo cubano por parte dos Estados Unidos e o bloqueio criminoso que vigora há mais de seis décadas - desde 1962 -, bloqueio recrudescido por Trump no período atual.

O livro tem um prefácio importante e esclarecedor de Beto Almeida, que engrandece o trabalho de pesquisa, entrevistas e organização da história da Revolução Cubana feito pelo jornalista e escritor Norberto Escalona Rodríguez. A tradução foi feita pela professora Maria Leite, especialista na área da educação em Cuba.

Tive a oportunidade de conhecer Cuba em duas visitas que fiz à ilha caribenha em 2023 e 2024. Foram experiências inesquecíveis e eu deixo a sugestão aos leitores e leitoras que se interessam pelas causas populares organizarem-se para visitar e conhecer pessoalmente o país e o povo cubano. 

Cuba é um dos raros países do mundo com poucos recursos que garante os três principais direitos humanos de forma gratuita ao povo: alimentação, saúde e educação. Isso graças à opção pelo socialismo.

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"Da relação do quinteto com o Exército Rebelde, surge o próprio nome do grupo e a ideia de usar melodias populares cubanas, como o famoso bolero La Barca, dotando-o de outra letra, com conteúdo sintonizado com a luta de libertação, com mensagens patrióticas, visando elevar o moral revolucionário." (Beto Almeida, no Prefácio, p. 14/15)


Norberto Escalona nos apresenta as histórias humanas dos músicos convocados pelos rebeldes para participarem da luta de libertação tocando e cantando através da Rádio Rebelde, cravada no meio da Serra Maestra. Os músicos criavam letras com as temáticas da guerrilha e os alto-falantes da rádio levavam suas mensagens até os soldados do ditador Batista. 

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"As jovens camponesas também foram incorporadas aos serviços de saúde, cuidavam dos feridos, ou trabalhavam na cozinha, ou buscando alimento na própria Serra. Também cumpriam funções muito arriscadas, como negociadoras com comandos do exército da ditadura, como é o caso de Teté, que com 16 anos desceu desarmada da Serra, com uma bandeirinha branca, enviada por Che a uma missão de negociar a libertação de feridos prisioneiros. E Teté assumiu a missão, mesmo sabendo que podia ser assassinada, como a advertiu o próprio Che. O próprio fato de ser uma mulher a negociadora já tinha efeito desmoralizador sobre o exército da ditadura." (Beto Almeida, no Prefácio, p. 13)


As histórias das jovens revolucionárias que foram para a Serra Maestra com o desejo de contribuir com a guerrilha para libertar suas famílias e o povo cubano das barbáries dos soldados do ditador Batista é pra lá de emocionante, é de nos encher de orgulho e esperança na capacidade de resistência e luta das mulheres, tantas vezes oprimidas e vítimas de um mundo machista e sexista.

Amigas e amigos leitores, os tempos são desafiadores. Diria que os tempos sempre foram difíceis e desafiadores para nós que não pertencemos ao pequeno grupo das elites da classe dominante do mundo. Para nós do povo, a vida é luta todos os dias.

O povo cubano é um dos maiores exemplos do mundo e da história das sociedades humanas de que lutar por sua liberdade e independência vale a pena, vale a vida, vale o esforço para se manter soberano, livre e decidindo por conta própria o destino.

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FIDEL CASTRO

"Não se pode negar o quanto Fidel sempre foi visionário. Ele tem algo que eu chamo de 'anjo', porque é muito previdente. Ele já sabia que faltava pouco tempo para o fim da guerra. Queria reivindicar o papel da mulher cubana, não o nosso em particular, por estarmos ali, embora fôssemos privilegiadas por estar mais próximas. Era desrespeitoso o que alguns homens diziam sobre as mulheres. Mas ele estava completamente certo de que cumpriríamos com nosso dever. Porque quem estava na Serra, independentemente do nível de instrução, tinha princípios e, de uma forma ou outra, havia sentido os rigores da ditadura." (Lilia Rielo, do Batalhão das Marianas, p. 209)


A postura do líder revolucionário Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz é um exemplo extraordinário para todos nós que lutamos por um mundo diferente deste no qual estamos, hegemonizado pelos valores do capitalismo - exploração dos seres humanos e da natureza e acumulação de lucros a qualquer custo -, uma sociedade sem ética, sem preocupação com o meio ambiente, sem justiça, sem igualdade, sem oportunidades para todas as pessoas.

Ao conversar com a população cubana, nas duas visitas que fiz à ilha caribenha, pude perceber o quanto o povo ama Fidel e o tem como referência de ser humano e líder.

Enfim, leitura essencial o livro de Norberto Escalona Rodríguez. Quanto mais conheço sobre Cuba e seu povo incrível, mais quero conhecer.

Em breve, estarei na ilha pela terceira vez, levando meu apoio e solidariedade aos nossos irmãos e irmãs cubanos.

William Mendes

18/02/26


Bibliografia:

RODRÍGUEZ, Norberto Escalona. Fidel Castro Comandante Invicto. Tradução: Maria do Carmo Luiz Caldas Leite. Prefácio: Beto Almeida. São Bento do Sapucaí, SP. Projeto Cultural Nossa América, 2025.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Instantes (11h30) - Leitura: Fidel Castro



Refeição Cultural

LEITURAS


Todos os dias, recebemos notícias de assassinatos de mulheres ou outras violências contra as mulheres. O Brasil enfrenta uma epidemia de feminicídio neste primeiro quarto de século XXI. 

O livro que estou lendo conta aos leitores a história da participação feminina nas lutas de libertação nacional do povo cubano, e lá estão as mulheres guerreiras e revolucionárias da maior das ilhas antilhanas.

O exército rebelde liderado pelo Comandante Fidel Castro Ruz, que se estabeleceu na Serra Maestra entre o final de 1956 e até 1958 e de lá iniciou a libertação do povo cubano, contou com um batalhão de guerreiras revolucionárias, o Batalhão das Marianas.

A inspiração daquelas jovens mulheres cubanas era a lendária patriota "Mariana Grajales Cuello, considerada a mãe da Pátria, que no dia 10 de outubro de 1868, ao repicar dos sinos do engenho açucareiro Demajagua, quando Carlos Manuel de Céspedes iniciou as guerras por nossa independência, fez toda a sua família jurar, ante uma imagem de Cristo, que lutariam até libertar a terra amada ou morrer" (p. 137/138)

Mariana Grajales colocou a serviço da Pátria toda a sua "tribo heroica", como diz o livro. "Seus 14 filhos lutaram nas fileiras mambisas, e apenas dois sobreviveram, com os corpos marcados pelos ferimentos de guerra." (p. 138)

Neste instante, estou em casa em Osasco, me inspirando através de feitos como esses do exército rebelde e libertador de Fidel Castro e do Batalhão das Marianas. Temos que acreditar nas causas justas e na mudança da realidade ruim para os povos do mundo.

Pessoas comuns como eu e vocês já realizaram grandes feitos em benefício do povo mais humilde e sem acesso aos direitos básicos da cidadania como alimentação, saúde e educação. 

Cuba sofre um bloqueio genocida promovido pela potência militar EUA porque há 67 anos, após a Revolução, fornece ao povo alimentação, saúde, educação, moradia e outros direitos humanos de forma coletiva e universal. 

Isso é um péssimo exemplo de sociedade fora do padrão capitalista de vender direitos humanos como serviços entregues a quem puder comprar.

No Brasil, onde prevalece a cultura do capitalismo bárbaro oriundo dos cinco séculos de escravidão e genocídio dos povos oprimidos, as mulheres não são consideradas pela casa-grande seres humanos plenos de direitos, são posses, são coisas, como os demais patrimônios dos homens brancos e seus jagunços. Por isso os homens no Brasil matam as mulheres.

Temos que dar um basta nessa violência e nesse abuso machista e sexista.

Que tenhamos mais pelotões de mulheres e homens lutando unidos contra essa barbárie oriunda dos homens brancos do capitalismo. 

William Mendes

16/02/26


Bibliografia:

RODRÍGUEZ, Roberto Escalona. Fidel Castro Comandante Invicto. Tradução: Maria do Carmo Luiz Caldas Leite. Prefácio: Beto Almeida. São Bento do Sapucaí, SP. Projeto Cultural Nossa América, 2025.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Instantes (12h04) - Leitura: Fidel Castro



Refeição Cultural

LEITURAS 

"Enquanto eu estive em El Hombrito, aconteceu o combate de Mar Verde, quando morreu Ciro Redondo. Quando o Che retornou, se reuniu conosco para informar sobre os resultados da ação. Quando falou dos companheiros caídos, escorreram lágrimas dos seus olhos, e isso me impactou profundamente, porque um grande guerreiro era capaz de chorar de emoção diante de uma perda tão dolorosa." (Teté Puebla, em citação no livro Fidel Castro Comandante Invicto, de Norberto Escalona Rodríguez, p. 151, Projeto Cultural Nossa América, 2025)


Ler os relatos e as histórias dos homens e mulheres que enfrentaram a ditadura de Fulgencio Batista, ditadura apoiada pelos Estados Unidos em meados do século XX, é um estímulo a todas as pessoas que militam nas causas libertárias dos povos oprimidos e explorados do mundo.

A libertação de Cuba foi realizada por pessoas comuns como eu e vocês que me leem. Pessoas comuns lideradas por grandes seres humanos como Fidel e Raúl Castro, Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Celia Sánchez e seus companheiros de luta.

Cuba e seu povo aguerrido enfrentam neste momento de sua história momentos difíceis para seguirem livres e soberanos. A maior potência bélica e terrorista do mundo sufoca o povo cubano neste momento com o bloqueio total à ilha. Os EUA querem matar de fome e miséria o povo cubano. 

Estamos todos convocados a apoiar a população da República Socialista de Cuba na luta por sua sobrevivência, liberdade e soberania. Apoiem com recursos financeiros as entidades que estão arrecadando contribuições para comprar e enviar medicamentos e outros itens básicos a Cuba como, por exemplo, o MST.

E se organizem para ir a Cuba, o turismo é uma fonte de recursos central para o governo manter de forma gratuita para o povo os três direitos humanos principais: alimentação, saúde e educação. 

Em breve, estarei em Cuba pela terceira vez, apoiando o governo e o povo cubano. 

William 

12/02/26