Mostrando postagens com marcador Arcadismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arcadismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de dezembro de 2024

Leitura de poesia (14) - Marília de Dirceu, Lira XVIII, Parte 1, Tomás Antônio Gonzaga



MARÍLIA DE DIRCEU, LIRA XVIII, PARTE 1 - TOMÁS ANTÔNIO GONZAGA


"Não vês aquele velho respeitável

          Que à muleta encostado

Apenas mal se move e mal se arrasta?

Oh! quanto estrago não lhe fez o tempo!

          O tempo arrebatado,

          Que o mesmo bronze gasta.


Enrugaram-se as faces, e perderam

          Seus olhos a viveza;

Voltou-se o seu cabelo em branca neve;

Já lhe treme a cabeça, a mão, o queixo;

          Nem tem uma beleza 

          Das belezas, que teve.

Assim também serei, minha Marília, 

          Daqui a poucos anos, 

Que o ímpio tempo para todos corre:

Os dentes cairão e os meus cabelos. 

          Ah! sentirei os danos

          Que evita só quem morre." (Lira XVIII, Parte 1)

---

COMENTÁRIO:

Comecei a ler Tomás Antônio Gonzaga em setembro deste ano. Coincidentemente, estava em Uberlândia. Não terminei ainda as três partes de Marília de Dirceu.

Para essa leitura de poesia diária em dezembro, de autores ou obras ainda não conhecidas por mim, reli os primeiros dezoito poemas do livro, e de todos eles, de fato o que mais gostei e me identifiquei com a temática foi essa Lira XVIII.

O tema sobre o envelhecimento e a efemeridade da beleza e da saúde é atualíssimo. Tenho pensado muito nesses dias sobre a brevidade da vida, e a importância do carpe diem! Aliás, um dos motes do arcadismo.

É isso! Sigamos lendo poesia em dezembro. Depois de um dia cansativo aqui em Uberlândia, estou precisando dormir. Queria refletir mais sobre esta Lira, mas tô cansadão.

William Mendes


domingo, 22 de setembro de 2024

Marília de Dirceu - Tomás Antônio Gonzaga



Refeição Cultural 

"Não vês aquele velho respeitável

          Que à muleta encostado

Apenas mal se move e mal se arrasta?

Oh! quanto estrago não lhe fez o tempo!

          O tempo arrebatado,

          Que o mesmo bronze gasta.


Enrugaram-se as faces, e perderam

          Seus olhos a viveza;

Voltou-se o seu cabelo em branca neve;

Já lhe treme a cabeça, a mão, o queixo;

          Nem tem uma beleza 

          Das belezas, que teve.

Assim também serei, minha Marília, 

          Daqui a poucos anos, 

Que o ímpio tempo para todos corre:

Os dentes cairão e os meus cabelos. 

          Ah! sentirei os danos

          Que evita só quem morre." (Lira XVIII, Parte 1)


Que lira fantástica!

Ao ler me identifiquei com o eu-lírico e me vi também como o objeto em estudo. Me vi adiante sob o implacável efeito do tempo.

Enquanto passava o dia na estrada, indo de São Paulo a Uberlândia, fiz o download (é de domínio público) do clássico "Marília de Dirceu", publicado em Lisboa em 1792.

O poema é dividido em três partes, sendo a primeira com 33 liras, a segunda com 38 liras e a terceira com 9 liras e 13 sonetos. 

Terminei a primeira parte.

Ao chegar à casa dos pais em Minas Gerais, o tempo do ócio inexistiu. Foram só tensões e doenças na família...

Sigamos na leitura quando possível for.

William