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segunda-feira, 28 de abril de 2025

Globo: inimiga do Brasil e dos brasileiros

Comentário do blog:

Compartilho abaixo, texto do jornalista e escritor Fernando Morais, que enumera 60 fatos marcantes a respeito da história da emissora da família Roberto Marinho, emissora e grupo que há décadas se utilizam de seus veículos de comunicação para favorecer a si mesmos, as elites originárias das casas-grandes e para impedir que o Brasil e o povo brasileiro avancem política, econômica e socialmente.

Faço coro com Fernando Morais, a Globo é inimiga do Brasil e do povo brasileiro. É meu direito constitucional à opinião.

Ficarei feliz o dia que esse grupo de comunicação não existir mais ou existir sob controle de um grupo que use suas mídias em benefício do povo e do país.

William

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Imagem que usamos nas lutas populares
contra o golpe apoiado pela Globo em 2016.

Por: Fernando Morais (de sua página no Facebook)

As Organizações Globo e a família Marinho são inimigas do Brasil e dos brasileiros e assim devem ser tratadas.

1960-1970 (Gênese da Globo e apoio ao regime militar)

1.⁠ ⁠Firmou um acordo ilegal com o grupo Time-Life (1962–67)
2.⁠ ⁠Apoiou o golpe militar de 1964
3.⁠ ⁠Silenciou sobre a repressão no regime militar
4.⁠ ⁠Divulgou propaganda favorável ao AI-5 em 1968
5.⁠ ⁠Censurou jornalistas e políticos críticos à ditadura
6.⁠ ⁠Minimizou a importância da Passeata dos Cem Mil (1968)
7.⁠ ⁠Endossou o slogan "Brasil: Ame-o ou Deixe-o" (1970)
8.⁠ ⁠Promoveu o Milagre Econômico, ignorando a desigualdade
9.⁠ ⁠Ocultou mortes causadas por tortura nos anos de chumbo
10.⁠ ⁠Excluiu opositores da cobertura política durante a ditadura
11.⁠ ⁠Omitiu informações sobre corrupção nas grandes obras da ditadura
12.⁠ ⁠Consolidou um controle monopolista sobre o mercado de TV

1980-1990 (Ditadura e transição para a democracia)

13.⁠ ⁠Desconsiderou os primeiros comícios das Diretas Já (1984)
14.⁠ ⁠Blindou a eleição indireta de Tancredo Neves
15.⁠ ⁠Manipulou pesquisas Proconsult para prejudicar Brizola
16.⁠ ⁠Boicotou o governo Leonel Brizola e suas obras sociais
17.⁠ ⁠Endossou os primeiros planos econômicos do governo José Sarney contra a hiperinflação
18.⁠ ⁠Apoiou maciçamente a candidatura de Fernando Collor e criminalizou os líderes populares como Brizola e Lula
19.⁠ ⁠Manipulou a cobertura do debate eleitoral Lula x Collor (1989) no Jornal Nacional

1990-2000 (Redemocratização e ascensão neoliberal)

20.⁠ ⁠Defendeu o confisco da poupança no Plano Collor
21.⁠ ⁠Promoveu a abertura indiscriminada da economia brasileira
22.⁠ ⁠Escondeu escândalos durante o governo Collor até o impeachment
23.⁠ ⁠Veiculou o caso Escola Base (1994) sem verificar informações
24.⁠ ⁠Exaltou o Plano Real sem questioná-lo (1994)
25.⁠ ⁠Blindou as privatizações de FHC
26.⁠ ⁠Defendeu os bancos e o Proer durante a crise financeira
27.⁠ ⁠Apresentou apoio velado à Reforma da Previdência neoliberal de FHC
28.⁠ ⁠Ignorou o movimento "Fora FHC" no final dos anos 1990
29.⁠ ⁠Aceitou a emenda da reeleição de FHC e omitiu críticas ao câmbio artificial
30.⁠ ⁠Escondeu greves e protestos sociais durante os anos 90
31.⁠ ⁠Ignorou denúncias sobre trabalho escravo no campo
32.⁠ ⁠Criminalizou sistematicamente movimentos sociais

2000-2010 (Oposição ao governo Lula)

33.⁠ ⁠Liderou uma campanha contra Lula nas eleições de 2002
34.⁠ ⁠Estigmatizou o MST e outros movimentos sociais
35.⁠ ⁠Distorceu a cobertura do "mensalão" (2005)
36.⁠ ⁠Perseguiu figuras históricas do PT, como José Dirceu, José Genoino, entre outros
37.⁠ ⁠Favoreceu candidatos tucanos nas campanhas de 2006 e 2010

2010-2025 (Impeachment da Dilma e ascensão da extrema direita)

38.⁠ ⁠Rotulou manifestantes de 2013 como "vândalos"
39.⁠ ⁠Apoiou Aécio Neves à candidatura presidencial
40.⁠ ⁠Exaltou misoginia contra Dilma Rousseff durante a posse presidencial
41.⁠ ⁠Reforçou a narrativa favorável ao impeachment de Dilma Rousseff
42.⁠ ⁠Deu apoio irrestrito à operação Lava Jato
43.⁠ ⁠Divulgou os vazamentos seletivos da Lava Jato
44.⁠ ⁠Fortaleceu a narrativa anti-PT e criminalização do partido
45.⁠ ⁠Tratou o juiz Sergio Moro como um herói, ignorando sua parcialidade
46.⁠ ⁠Deu amplo espaço ao PowerPoint de Dallagnol
47.⁠ ⁠Chamou a tragédia de Brumadinho de "acidente"
48.⁠ ⁠Vazou conversa gravada ilegalmente entre Dilma Rousseff e Lula
49.⁠ ⁠Apoiou indiscriminadamente a prisão de Lula, que o excluiu da eleição de 2018
50.⁠ ⁠Ignorou o conluio entre Moro e Dallagnol e a Vaza Jato
51.⁠ ⁠Defendeu a Reforma Trabalhista e da Previdência de Temer
52.⁠ ⁠Endossou a entrega do pré-sal ao capital estrangeiro
53.⁠ ⁠Se aproximou oportunisticamente de Bolsonaro
54.⁠ ⁠Fez apologia ao agronegócio e ignorou sua destruição ambiental
55.⁠ ⁠Omitiu informações sobre as fake news nas eleições de 2018
56.⁠ ⁠Deu espaço a discursos antivacina e negacionistas
57.⁠ ⁠Continuou contratos publicitários com governos investigados
58.⁠ ⁠Apoiou a venda de estatais, como a Eletrobras, BR Distribuidora e refinarias
59.⁠ ⁠Fez campanha pelo Banco Central independente
60.⁠ ⁠Nunca fez uma autocrítica verdadeira sobre seu monopólio midiático

Fonte: Facebook de Fernando Morais

sábado, 25 de março de 2023

Leitura: A Ilha - Fernando Morais



Refeição Cultural

Guarapari, 25 de março de 2023. Sábado ensolarado.


"Uma vez eu estava em um barraco, numa clareira, num lugar sem árvores, que seria um alvo formidável para a aviação da ditadura. Fidel viu aquela movimentação em volta da minha mesa e me disse: 'Olha, vê se você se mete logo dentro do bosque com essa gente, porque se um avião nos localiza aqui não sobra ninguém". A partir desse dia, passei a montar minha barraquinha de médico sempre dentro de algum matagal bem coberto por árvores. E Fidel aproveitava esse tempo para fazer propaganda política. Enquanto eu, de um lado, atendia os doentes, ele aproveitava os que esperavam, ou que já tinham sido atendidos, para conversar. E lhes falava que íamos fazer a reforma agrária, que eles não deviam mais pagar aluguel aos donos da terra, que enquanto estivéssemos na serra eles não tinham mais obrigações de pagar aos donos - e que depois que descêssemos à cidade, aí sim, eles seriam definitivamente donos da terra. Ele insistia em que a terra era de quem trabalhava nela, não do dono que a alugava. E o poder de persuasão desse homem é tão grande que eu vi centenas e centenas de camponeses que eram batistianos se transformarem em fidelistas depois de alguns discursos dele." (Depoimento do médico Julio Martinez Paes, in: "O médico da Sierra Maestra", pág. 221)


Seguindo meu desejo de conhecer um pouco mais a respeito da história do povo cubano, desta vez li um livro reportagem de Fernando Morais, A Ilha, livro publicado em 1976, fruto de uma viagem do jornalista a Cuba uns 16 anos após a revolução. O mundo vivia ainda o clima de guerra fria entre países capitalistas e socialistas. 

A edição que tenho, a 30ª (2001), traz textos extras muito bons. Ela inclui um prefácio do autor - "Cuba revisitada, um quarto de século depois" - e mais 4 textos excepcionais, incluindo uma entrevista com Fidel Castro em 1977 e uma com um médico que esteve praticamente todo o período vivido pelos revolucionários na Sierra Maestra. Aulas de resistência e determinação! 

A leitura foi rápida, intensa, e me pôs a pensar bastante no que estamos vivendo no mundo neste exato momento. Alguns capítulos do livro me colocaram a pensar sobre a encruzilhada histórica em que estamos enfiados. Ou a esquerda volta a ter como horizonte de lutas o socialismo ou a humanidade será extinta muito rapidamente! É chocante ver sair da agenda dos partidos e sindicatos o socialismo como objetivo histórico!

Enquanto lia cada capítulo com uma temática específica sobre a vida no país após a Revolução Cubana de 1959, o antes e o depois do fim da ditadura de Batista, e após os embargos econômicos norte-americanos em retaliação à ilha, me vinha à cabeça alguma lembrança sobre a nossa própria miséria capitalista porque aqui não há embargo econômico e não vivemos sob o regime socialista e o povo brasileiro viveu sua história de 5 séculos sob a mais absoluta miséria capitalista, exceção somente no período dos 3 governos do PT, de Lula e Dilma.

Fernando Morais conversou com o povo cubano durante 3 meses em meados dos anos 70 e ao lermos sua reportagem podemos ver o quanto a vida do povo de forma geral melhorou após a revolução, que só após dois anos é que tomou a dimensão formal de ser uma revolução socialista. 

EDUCAÇÃO, SAÚDE, ELEIÇÕES E JUSTIÇA

Os capítulos que abordaram as questões relativas à Educação, Saúde, Eleições (Democracia) e Justiça me fizeram pensar muito sobre as duas décadas que vivi entre a militância política do movimento sindical, partidário e estudantil. Não fossem as estratégias adotadas pela revolução e seus líderes, Cuba jamais teria sobrevivido todos esses anos aos constantes ataques ao seu modelo e sistema político, jamais!

EDUCAÇÃO

"(...) No fim do primeiro ano de trabalho, o país, que era chamado pelos revolucionários de 'Território Livre do Imperialismo', passou a ser conhecido pelo povo como 'Território Livre do Analfabetismo'. Os índices de analfabetos no país tinham sido reduzidos de 35% para 5% - e hoje é de cerca de 2%." (p. 85)

SAÚDE

Fernando Morais queria uma aspirina e tentou comprar o remédio na farmácia sem receita médica e a balconista pediu que ele fosse a um posto de saúde, que tinha a poucos metros dali, para que um profissional da área lhe desse a receita caso fosse necessária a medicação (o sublinhado é meu):

"Compañero, este é um país muito pobre, que não pode se dar ao luxo de estar vendendo remédios a quem acha que precisa deles. Quem sabe se você deve tomar aspirina é o médico. E ser estrangeiro não muda nada: ali na esquina há um posto médico aberto, lá você obterá a receita." (p. 93)

Ao ler o relato de Morais sobre o tema saúde, e isso em meados dos anos 70, me lembrei demais do que pretendíamos implantar na Cassi (Caixa de Assistência) dos funcionários do BB pelo menos até o período no qual fui gestor de saúde da autogestão entre 2014 e 2018. Um modelo preventivo de saúde da família, conhecedor de seu público assistido, racional no uso dos recursos, e com foco em cuidar dos participantes ao longo da vida deles, orientando o uso do sistema desde uma simples necessidade até as demandas mais complexas de cura.

ELEIÇÃO, JUSTIÇA, ORGANIZAÇÃO DE BASE

Esse pequeno capítulo é fantástico. Os processos eleitorais e de justiça contam com uma organização e participação popular incríveis. Me lembrei de Nelson Mandela contando como se deram os processos de organização por ruas, logradouros e pequenos segmentos durante as lutas do Congresso Nacional Africano (CNA) contra o governo da minoria de brancos e do regime do Apartheid.

O governo socialista de Cuba decidiu instituir processos democráticos de eleição de representantes em 1974 e começou pela província de Matanzas porque ali havia uma organização popular bem avançada. Foi o povo dali que ajudou a derrotar os mercenários contratados pelos Estados Unidos na chamada "invasão da Baía dos Porcos": "O povo desceu em massa para o litoral para expulsar os mercenários contratados pela CIA." (p. 115)

Os Comitês de Defesa da Revolução (CDR) me lembraram o esforço que nós fazíamos no movimento sindical para criar as representações nos locais de trabalho (OLT). Fernando Morais reporta que nada acontece no país sem que os CDR saibam.

"(...) Acontece que nada ocorre no país, nem na mais remota aldeia, sem que um membro do CDR tome conhecimento. Funcionando como uma espécie de síndico de quadra, o presidente do CDR (normalmente um aposentado ou uma dona de casa) passa o dia atento para algum eventual desocupado da vizinhança (em Cuba há uma lei contra a vadiagem que é efetivamente aplicada e que pode condenar o acusado até a dois anos de prisão) ou mesmo cuidando para que as crianças não faltem à aula. Sem nunca desviar os olhos dos possíveis contrarrevolucionários - cada vez mais raros...". (p. 139/140)

IMPRENSA

Outra coisa que me fez rir foi o capítulo sobre "imprensa", e me fez pensar sobre o momento no Brasil, dia 25 de março de 2023, menos de 3 meses de mandato do presidente Lula, pois já estamos assistindo ao conluio da grande mídia, a "imprensa", manipulando canalhices, mentiras e merdas do tipo para constranger Lula e tentar derrubá-lo ou frear qualquer iniciativa popular do presidente. Veja o que Morais ouviu de jornalistas cubanos naquela época:

"Quando perguntei a um influente jornalista cubano se lá existe liberdade de imprensa, ele deu uma gargalhada e respondeu: 'Claro que não'. E completou, com naturalidade: 'Liberdade de imprensa é apenas um eufemismo burguês. Só um idiota não é capaz de ver que a imprensa está sempre a serviço de quem detém o poder. E aqui em Cuba quem detém o poder é o proletariado. Estamos todos os jornalistas cubanos, portanto, a serviço do proletariado'." (p. 101)

Vendo o comportamento "eterno" enquanto houver imprensa capitalista eu fico com aquela máxima "Al carajo con la libertad de prensa! (dos capitalistas)".

No final do capítulo o jornalista cubano diz:

"Charuto na boca, precocemente calvo, Angel Guerra repete: 'Liberdade de imprensa para atacar um governo voltado para o proletariado? Isso nós não temos. E nos orgulhamos muito de não ter'." (p. 105)

E eu rabisquei o comentário abaixo:

Há que se pensar nisso! Os R$ 0,20 de junho de 2013 serviram de pretexto para a imprensa manipular o povo brasileiro e derrubar um governo voltado à melhoria de vida da classe trabalhadora. O golpe foi em benefício do 1% dono de todos os meios, inclusive da "imprensa livre" (PIG). Foi o caos a destruição do Brasil após o Golpe de Estado: 200 milhões se foderam... imprensa livre o caralho!

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UM POVO ORGANIZADO PARA DEFENDER SEU PAÍS E SEU REGIME POLÍTICO

"O CDR tem, também, uma inacreditável capacidade de mobilização armada dos quase 5 milhões de adultos (maiores de dezessete anos), para formar contingentes auxiliares das Forças Armadas, se for o caso...". (p. 141)

Enquanto o povo cubano pega pra si a responsabilidade de manter as conquistas da revolução popular e depois adaptada para organizar um país socialista, resistindo bravamente a um embargo econômico criminoso e genocida há mais de seis décadas, no Brasil mal deu tempo de derrotar o regime criminoso e genocida do clã bolsonaro e seus apoiadores, governo que sucedeu o do golpista Temer, e já vemos sinais dos mesmos conluios se formando para derrubar um governo claramente voltado para melhorar a vida do povo pobre e da classe trabalhadora.

Estamos minimamente organizados para enfrentar nossos inimigos de classe? Claro que não estamos! Não estamos. Avalio que as nossas organizações de classe, nossas lideranças inclusive, ainda não organizaram a nossa resistência e as estratégias de enfrentamento para a eventualidade de iniciarem novo golpe contra nós, o povo. Quisera eu estar errado...

William


Bibliografia:

MORAIS, Fernando. A Ilha - Um repórter brasileiro no país de Fidel Castro. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.


domingo, 15 de janeiro de 2023

Diário e reflexões - Cuba IV (15/01/23)


Trótski, capa interna do livro de Padura.

Refeição Cultural - Cuba (IV)

Osasco, 15 de janeiro de 2023. Manhã ensolarada. Li com a pálpebra pesada pela sonolência de uma noite mal dormida.


Defini que nestes primeiros meses do ano irei ler e estudar um pouco a respeito da história de Cuba, de seu povo e de figuras destacadas da ilha caribenha ao longo do tempo. Hoje já sei alguma coisa a mais do que sabia ontem sobre esse país fantástico, sobre seu povo aguerrido que resiste ao embargo imperialista de décadas, povo que persegue os objetivos históricos de construir uma sociedade mais justa e igualitária.

Optei por começar a leitura de um livro que já é considerado um clássico da literatura, apesar de ser um romance contemporâneo, lançado em 2009 pelo escritor cubano Leonardo Padura. O livro O homem que amava os cachorros é um livro que mescla história com ficção, e temos no enredo a lendária figura de um dos líderes da Revolução de Outubro, Trótski. É um livrão, denso, de leitura lenta. Levarei semanas na leitura.

Também decidi ler José Martí, figura histórica e muito importante na história de Cuba, na história de Nuestra América e na história da intelectualidade porque ele é escritor, ensaísta, poeta, político, diplomata e um dos líderes da independência da ilha caribenha em relação à Espanha no final do século XIX. Adquiri uma obra comemorativa organizada pela Real Academia Espanhola (RAE) e demais academias da Língua Espanhola (ASALE). Se trata do livro Martí en su universo. Una antología (2021). Já li os ensaios que abrem o livro e agora vou começar a leitura de seus textos. É leitura pra muito tempo também.

Estou pra receber um terceiro livro com a temática relativa a Cuba. Se trata do livro reportagem de nosso querido escritor Fernando Morais - A ilha (1976). Assim que chegar eu começo a leitura também. Dessa maneira, vou alternando diferentes visões a respeito de Cuba e de sua história, visões de hoje e do passado.

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AOS HUMANOS O QUE SÃO DOS HUMANOS: OS SENTIMENTOS DIVERSOS, AS CONTRADIÇÕES, ESPERANÇAS E DESESPERANÇAS, UTOPIAS E DECEPÇÕES

Cenário 1 - No romance que estou lendo - li os capítulos 6 e 7 -, o personagem Liev Davidovitch vive dramas pessoais como quaisquer dos mortais humanos. Para a história das sociedades humanas dos séculos XX e XXI, Trótski foi uma figura lendária, foi um dos artífices de uma das maiores revoluções da história humana. Um pensador, articulador, organizador das massas. Em um momento, estava numa condição de liderança e condução da revolução. Noutro momento, estava exilado, expurgado, perseguido. Era mantido vivo para ser a justificativa de seu perseguidor em aprofundar o expurgo e a repressão contra ideias dissonantes do regime socialista: o ex-líder seria uma espécie de "contrarrevolucionário". Liev Davidovitch viu sua família se dividir, filhos e filhas e netos sofrerem as consequências de sua vida política. Esse homem sofreu as dores e alegrias de conciliar sua vida com a vida de seu personagem na história.

Cenário 2 - Após uma noite mal dormida, preocupado com o filho que não voltou pra casa, vejo pela manhã diversas mensagens e tentativas de ligações de minha mãe informando a piora do estado de saúde do irmão, nosso tio. Nesse meio tempo, o filho chega e vai dormir. A manhã se consome entre decidir viajar ou não para a cidade onde está o familiar adoecido e de que forma. Meu papel é mais ou menos o de tentar ajudar a família da forma mais adequada. As tratativas do que fazer são tensas porque a cada dia está mais difícil lidar com os seres humanos, além da dificuldade das dores e tristezas que deixam a todos sem saber o que fazer, temos a intolerância que nos dominou como animais humanos. As casas brasileiras nas quais não são as mulheres que suportam e sustentam tudo - nestas, os ambientes são mais tolerantes e acolhedores -, é comum haver machos alfa cheios de intolerância e de comportamento opressor. É o caso da casa de meus pais. A família está toda distante uns dos outros, centenas de quilômetros (distância física e psicológica). Decidir se alguns viajam, quem, quando é um quebra-cabeça. Nenhum humano escapa dessas horas na vida.

Cenário X - Para cada ser humano tem-se um cenário de situações complexas, contraditórias, difíceis de se resolver. Esteja a pessoa bem-posicionada na escala social, esteja na pior das condições sociais, o viver é uma complexidade sem tamanho. O presidente Lula viveu um dos momentos inesquecíveis de sua vida no domingo 1º de janeiro, dia de sua posse do mandato popular e com a população no comando, inclusive na transmissão da faixa presidencial. No domingo seguinte, o homem e o político sentiram uma dor inenarrável, pois é difícil imaginarmos o que sentiu Lula ao ver toda aquela destruição dos símbolos dos poderes da república e saber que aquilo contou com a organização e conivência de certas autoridades do Estado nacional que deveriam proteger aquelas instituições. 

E assim é a vida para cada ser humano, liderança política ou pessoa simples do povo, rico ou pobre. Um bilionário pode se achar grande coisa e num instante sofrer uma tragédia pessoal indescritível. Às vezes, nem o dinheiro, essa criação humana, tira a sensação de impotência e miséria dos seres humanos.

Citei esses cenários comuns dos contextos humanos porque a vida me parece ser exatamente isso o tempo todo - oportunidades de acontecimentos bons e situações difíceis a todo momento do viver - e desde que nós homo sapiens passamos a existir e observar e tentar racionalizar a vida e o ambiente onde vivemos lidamos com os antagonismos, as contradições, as alterações de bons e maus momentos e situações.

PRA FINALIZAR O REGISTRO DO INSTANTE

Eu, por exemplo, tento racionalizar o viver. Compreendo bem melhor a existência hoje do que ontem. Neste instante, já não tenho tantas perguntas sem respostas como tive por décadas. Não acharia que isso fosse possível se me colocasse no meu lugar tempos atrás.

Apesar de não concordar com um monte de coisas e não aceitar as coisas como elas são, tenho uma compreensão melhor do porquê as coisas são como são. A busca de sabedoria no existir do ser humano é seguir tentando identificar o que é passível de mudança e o que não é...

É isso! Sigo estudando, observando, quando possível interferindo nas coisas.

Sigo lendo sobre Cuba e os cubanos. A postagem anterior está aqui. Ao final das leituras saberei um pouco mais do que sei hoje.

William (revisão final do texto às 15h23)