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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Livro: O Hamas conta seu lado da história



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA 


"Nestas páginas, oferecemos ao leitor um conjunto de documentos e declarações que apresentam de maneira clara o que pensa o Hamas, e a sua versão dos acontecimentos do 7 de Outubro. Trata-se de uma verdade que forças poderosas trabalham para ocultar, para falsear, para distorcer. O resultado dessa operação fraudulenta é o de encobrir o genocídio do povo palestino." (Rui Costa Pimenta, na apresentação do livro)


Adquiri o livro O Hamas conta o seu lado da história (2024) nas manifestações do 30º Grito dos excluídos e excluídas, na Praça da Sé, em São Paulo. O livro foi organizado por Rui Costa Pimenta, presidente do PCO, e confeccionado pelas Edições Causa Operária.

Logo na apresentação do livro, um conceito importante é dito por Pimenta e vale a pena reproduzi-lo:

"É a opressão que dá legitimidade à luta pela liberdade, e não qualquer característica misteriosa dos que lutam. A luta contra a opressão - e estamos falando de uma das mais brutais e criminosas opressões contra todo um povo - é inerentemente libertária, independentemente de maiores considerações." (p. 13)

Li mais da metade do livro logo nas primeiras semanas de aquisição da obra em setembro de 2024, que é dividida em quatro partes, além da apresentação e prefácio. Naquele momento, o mundo já acompanhava de forma televisionada o bombardeio diário à população da Faixa de Gaza. Era algo indescritível! Milhares de crianças, mulheres, idosos e população civil em geral sendo dizimados diariamente pelas bombas do exército sionista.

Hoje, maio de 2026, praticamente não existe mais nada na Faixa de Gaza, nada, hospitais, escolas, habitações, água, comida, energia, nada. Centenas de milhares de palestinos estão cercados e morrendo porque até ajuda humanitária é proibida quando os povos do mundo tentam socorrer o povo palestino.

Ajuda humanitária através de grupos de pessoas e organizações é impedida de se realizar até com sequestro de embarcações em áreas marítimas internacionais. O mundo viu isso recentemente com o sequestro de pessoas de diversos países em flotilhas cercadas e capturadas pelos sionistas.

"Certamente é uma guerra, uma guerra entre um povo ocupado e os ocupantes. E esses ocupantes, infelizmente, quero dizer, estão todos armados, todos eles. O povo inteiro é um exército e tem um Estado. Ao contrário de todos os países do mundo, em que a norma é que o Estado tenha um exército, 'Israel' é um exército que tem um Estado e tem um sistema." (Dr. Musa Abu Marzuk, p. 38)

Na entrevista cedida a Rui Costa Pimenta, Abu Marzuk, intelectual palestino e dirigente político do Hamas, apresentou os pensamentos e objetivos das lutas lideradas pelo povo palestino em defesa das terras nas quais vivem há centenas de anos.

Cito abaixo um trecho da entrevista que, de certa forma, sintetiza um pouco a luta desenvolvida pelos palestinos há décadas, desde que foram expulsos de suas terras após o fim da 2ª Guerra Mundial.

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"Por que o Hamas considera necessário o recurso da luta armada?

     Acredito que a luta armada é necessária porque nenhuma ocupação no mundo lhe dará sua independência por meio de negociações. Nunca aconteceu na história uma ação política que libertasse um país, ou lhe desse independência. Temos a experiência dos nossos irmãos do Fatá e da OLP, que disseram: 'Não queremos resistência, queremos negociação política'. Então assinaram os Acordos de Oslo, em 1994, que previa sua implantação em cinco anos. O acordo previa, depois de cinco anos, a independência dos palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, e Al-Quds (Jerusalém) como capital.

     Hoje estamos em 2024, ou seja, já se passaram trinta anos desde esse acordo, e não avançamos um único passo, porque é impossível a ocupação dar, em palavras, um Estado. Por quê? Por que o daria a você, se você não consegue conquistá-lo? É sabido que a liberdade é conquistada, não é dada. Ninguém dá liberdade a ninguém. Ela deve ser conquistada com suas forças e defesas, e continuamos nossa resistência até obter nossa liberdade." (p. 39)

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Comentário do blog:

O povo cubano que o diga em relação a essa afirmação de Abu Marzuk! Para conseguir a liberdade e independência dos impérios que subjugavam a ilha e seu povo - primeiro a Espanha e depois os Estados Unidos -, foram séculos de lutas para a libertação em 1º de janeiro de 1959, através do exército rebelde liderado pelo Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz.

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Em outra entrevista, Rui Costa Pimenta, conversa com o doutor Basem Naim, membro do Birô Político do Hamas. Ele foi ministro da saúde do povo palestino.

Em uma parte da resposta à pergunta se a causa palestina estaria a caminho da vitória, Basem Naim aponta as dificuldades que seu povo vinha enfrentando por trinta anos pela estratégia do chamado "processo de paz", do qual diz que os palestinos foram enganados:

"Esta não é a nossa escolha. Se alguém puder nos ajudar a alcançar nossos objetivos de forma pacífica, por favor! Mas, se não, não podemos continuar a viver nessas condições desumanas. Portanto, quando Smotrich disse que os palestinos têm duas opções, sair ou serem mortos, nós respondemos. Também temos duas opções: viver aqui com liberdade e dignidade, ou morrer aqui de forma livre e digna. não há outra escolha." (p. 60)

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Na parte que trata da "Operação Dilúvio de Al-Aqsa", os leitores vão acessar os motivos acumulados ao longo de, pelo menos, 75 anos de ocupação e abusos que levaram os palestinos ao evento de 7 de outubro.

"A batalha do povo palestino contra a ocupação e o colonialismo não começou em 7 de outubro, mas sim há 105 anos, incluindo 30 anos de colonialismo britânico e 75 anos de ocupação sionista. Em 1918, o povo palestino possuía 98,5% das terras da Palestina e representava 92% da população na terra da Palestina, enquanto os judeus, que foram trazidos para a Palestina em campanhas massivas de imigração, em coordenação entre as autoridades coloniais britânicas e o Movimento Sionista, conseguiram controlar não mais que 6% das terras na Palestina e representavam 31% da população antes de 1948, quando a Entidade Sionista foi anunciada na histórica terra da Palestina. Naquela época, ao povo palestino foi negado o direito à autodeterminação, e as gangues sionistas empreenderam uma campanha de limpeza étnica contra o povo palestino, com o objetivo de expulsá-lo de suas terras e áreas. Como resultado, as gangues sionistas tomaram o controle à força de 77% da terra da Palestina, de onde expulsaram 57% do povo da Palestina e destruíram mais de 500 vilarejos e cidades palestinas, cometendo dezenas de massacres contra os palestinos, culminando na criação da Entidade Sionista em 1948. Além disso, em continuidade à agressão, as forças israelenses, em 1967, ocuparam o restante da Palestina, incluindo a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém, além de territórios árabes ao redor da Palestina." (p. 65/66)

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Convivência pacífica é possível entre os diferentes?

Acho interessante citar uma passagem do livro que me fez lembrar da convivência entre povos e credos diferentes em outras partes do mundo ao longo da história.

"O povo palestino sempre se posicionou contra a opressão, a injustiça e a prática de massacres contra civis, independentemente de quem os comete. E, com base em nossos valores religiosos e morais, afirmamos claramente nossa rejeição ao que os judeus sofreram nas mãos da Alemanha nazista. Aqui, lembramos que o problema judaico, em essência, era um problema europeu, enquanto o ambiente árabe e islâmico foi, ao longo da história, um refúgio seguro para o povo judeu e para outras pessoas de outras crenças e etnias. O ambiente árabe e islâmico foi um exemplo de convivência, interação cultural e liberdades religiosas. O conflito atual é causado pelo comportamento agressivo sionista e sua aliança com as potências coloniais ocidentais; portanto rejeitamos a exploração do sofrimento judaico na Europa, para justificar a opressão contra nosso povo na Palestina." (p. 75)

Como aceitar a situação na qual se encontra o povo palestino em Gaza?

"(...) No curso da agressão em Gaza, a ocupação israelense privou nosso povo em Gaza de alimentos, água, medicamentos e combustível, privando-os simplesmente de todos os meios de vida..." (p. 75)

Na parte três os leitores têm acesso a documentos formais do Hamas e na parte quatro há um conjunto de artigos e reportagens sobre o evento de 7 de outubro e o período posterior.

Há diversas matérias de inúmeras fontes que alegam que parte das mortes de judeus ocorreu por ataques das próprias forças militares de Israel naquele dia 7 de outubro.

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LER PARA COMPREENDER

Enfim, a leitura do livro com a versão do povo palestino no conflito trágico da ocupação da Palestina desde 1948 agrega informações a qualquer pessoa que queira compreender melhor a questão.

Sigamos lendo, estudando e tentando compreender o mundo para influir nele e modificá-lo em busca da justiça, da verdade e da possibilidade de convivência sustentável, igualitária e pacífica entre todas as pessoas e demais formas de vida.

A vida na Terra pode ser melhor.

William

27/05/26


Bibliografia:

O Hamas conta o seu lado da história. Edição geral Rui Costa Pimenta. São Paulo: Editora Democritus, 2024. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Instantes (11h30) - Leitura: Fidel Castro



Refeição Cultural

LEITURAS


Todos os dias, recebemos notícias de assassinatos de mulheres ou outras violências contra as mulheres. O Brasil enfrenta uma epidemia de feminicídio neste primeiro quarto de século XXI. 

O livro que estou lendo conta aos leitores a história da participação feminina nas lutas de libertação nacional do povo cubano, e lá estão as mulheres guerreiras e revolucionárias da maior das ilhas antilhanas.

O exército rebelde liderado pelo Comandante Fidel Castro Ruz, que se estabeleceu na Serra Maestra entre o final de 1956 e até 1958 e de lá iniciou a libertação do povo cubano, contou com um batalhão de guerreiras revolucionárias, o Batalhão das Marianas.

A inspiração daquelas jovens mulheres cubanas era a lendária patriota "Mariana Grajales Cuello, considerada a mãe da Pátria, que no dia 10 de outubro de 1868, ao repicar dos sinos do engenho açucareiro Demajagua, quando Carlos Manuel de Céspedes iniciou as guerras por nossa independência, fez toda a sua família jurar, ante uma imagem de Cristo, que lutariam até libertar a terra amada ou morrer" (p. 137/138)

Mariana Grajales colocou a serviço da Pátria toda a sua "tribo heroica", como diz o livro. "Seus 14 filhos lutaram nas fileiras mambisas, e apenas dois sobreviveram, com os corpos marcados pelos ferimentos de guerra." (p. 138)

Neste instante, estou em casa em Osasco, me inspirando através de feitos como esses do exército rebelde e libertador de Fidel Castro e do Batalhão das Marianas. Temos que acreditar nas causas justas e na mudança da realidade ruim para os povos do mundo.

Pessoas comuns como eu e vocês já realizaram grandes feitos em benefício do povo mais humilde e sem acesso aos direitos básicos da cidadania como alimentação, saúde e educação. 

Cuba sofre um bloqueio genocida promovido pela potência militar EUA porque há 67 anos, após a Revolução, fornece ao povo alimentação, saúde, educação, moradia e outros direitos humanos de forma coletiva e universal. 

Isso é um péssimo exemplo de sociedade fora do padrão capitalista de vender direitos humanos como serviços entregues a quem puder comprar.

No Brasil, onde prevalece a cultura do capitalismo bárbaro oriundo dos cinco séculos de escravidão e genocídio dos povos oprimidos, as mulheres não são consideradas pela casa-grande seres humanos plenos de direitos, são posses, são coisas, como os demais patrimônios dos homens brancos e seus jagunços. Por isso os homens no Brasil matam as mulheres.

Temos que dar um basta nessa violência e nesse abuso machista e sexista.

Que tenhamos mais pelotões de mulheres e homens lutando unidos contra essa barbárie oriunda dos homens brancos do capitalismo. 

William Mendes

16/02/26


Bibliografia:

RODRÍGUEZ, Roberto Escalona. Fidel Castro Comandante Invicto. Tradução: Maria do Carmo Luiz Caldas Leite. Prefácio: Beto Almeida. São Bento do Sapucaí, SP. Projeto Cultural Nossa América, 2025.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Instantes (12h04) - Leitura: Fidel Castro



Refeição Cultural

LEITURAS 

"Enquanto eu estive em El Hombrito, aconteceu o combate de Mar Verde, quando morreu Ciro Redondo. Quando o Che retornou, se reuniu conosco para informar sobre os resultados da ação. Quando falou dos companheiros caídos, escorreram lágrimas dos seus olhos, e isso me impactou profundamente, porque um grande guerreiro era capaz de chorar de emoção diante de uma perda tão dolorosa." (Teté Puebla, em citação no livro Fidel Castro Comandante Invicto, de Norberto Escalona Rodríguez, p. 151, Projeto Cultural Nossa América, 2025)


Ler os relatos e as histórias dos homens e mulheres que enfrentaram a ditadura de Fulgencio Batista, ditadura apoiada pelos Estados Unidos em meados do século XX, é um estímulo a todas as pessoas que militam nas causas libertárias dos povos oprimidos e explorados do mundo.

A libertação de Cuba foi realizada por pessoas comuns como eu e vocês que me leem. Pessoas comuns lideradas por grandes seres humanos como Fidel e Raúl Castro, Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Celia Sánchez e seus companheiros de luta.

Cuba e seu povo aguerrido enfrentam neste momento de sua história momentos difíceis para seguirem livres e soberanos. A maior potência bélica e terrorista do mundo sufoca o povo cubano neste momento com o bloqueio total à ilha. Os EUA querem matar de fome e miséria o povo cubano. 

Estamos todos convocados a apoiar a população da República Socialista de Cuba na luta por sua sobrevivência, liberdade e soberania. Apoiem com recursos financeiros as entidades que estão arrecadando contribuições para comprar e enviar medicamentos e outros itens básicos a Cuba como, por exemplo, o MST.

E se organizem para ir a Cuba, o turismo é uma fonte de recursos central para o governo manter de forma gratuita para o povo os três direitos humanos principais: alimentação, saúde e educação. 

Em breve, estarei em Cuba pela terceira vez, apoiando o governo e o povo cubano. 

William 

12/02/26

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Quinta-feira, 20 de novembro de 2025


CONSCIÊNCIA NEGRA E LUTA ANTIRRACISTA

O dia 20 de novembro é feriado nacional no Brasil por causa da Lei 14.759/2023, assinada pelo presidente Lula. Antes, a presidenta Dilma Rousseff, em 2011, sancionou a Lei 12.519, que estabeleceu o "Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra".

Duas pessoas estiveram em minhas lembranças e reflexões nesta data: minha irmã Telma Lúcia e o deputado estadual pelo Paraná, Renato Freitas, nosso companheiro do Partido dos Trabalhadores. Sou eleitor do PT desde 1988, militante e filiado há décadas.

Minha irmã e eu crescemos no Brasil da ditadura civil-militar dos anos setenta e fomos adolescentes no país ainda governado pelos desgraçados fardados e por seus mantenedores nos anos oitenta. Os mesmos apoiadores que seguiram no poder após o fim oficial da ditadura. 

Encerrada a ditadura dos milicos de merda em 1985, os donos do dinheiro e do poder político seguiram barbarizando o povo como sempre fizeram antes e seguem até hoje fazendo a vida de quase todos nós um inferno na terra chamada Brasil.


O companheiro Renato Freitas sofreu ontem mais uma das frequentes agressões racistas que enfrenta desde que nasceu e cresceu nas veredas periféricas de um dos países mais violentos e assassinos do povo negro no mundo. Renato precisa de todo o nosso apoio porque querem calar sua voz e quebrar sua resistência de sobrevivente. Renato, estamos contigo, irmão e companheiro!

Durante a maior parte de minha vida, décadas eu diria, não tive a menor ideia do que deve ter sido a vida de minha irmã Telma. Um branco heterossexual e que conseguiu estudar até a graduação jamais saberá o que é ser negro ou negra no Brasil. Jamais! Não é possível sentir o que sente uma pessoa oprimida e perseguida por preconceito ou discriminação, qualquer que seja o ódio que ela sofra.

Cresci num país violento, machista, racista, desigual, misógino, um país que nasceu sendo uma colônia de exploração de invasores que chegaram aqui, mataram os povos que viviam na terra, destruíram os biomas, trouxeram milhões de seres humanos raptados do continente africano para trabalharem como escravizados. 

Durante séculos, as crianças que nasceram aqui eram fruto de estupro de mulheres indígenas e escravizadas africanas. E durante séculos, e até hoje, os homens desta terra, não todos, mas uma grande maioria, se valeram de diversos estratagemas para a manutenção de sua violência contra as mulheres. Até as religiões fizeram parte dessas ferramentas de poder.

Somos um povo de sobreviventes e quase todos nós temos em nosso passado o sangue de uma mulher violada ou abusada por homens que construíram instituições e leis para que os privilégios deles permanecessem para sempre, independente das lutas libertadoras e emancipatórias dos povos oprimidos que foram surgindo ao longo de séculos.

Só depois que tive a oportunidade de conhecer o movimento sindical brasileiro, depois que virei bancário, foi que passei a compreender melhor a vida social e política do povo trabalhador brasileiro. A convivência no movimento sindical cutista e os ensinamentos que vieram com o tempo me permitiram ser a pessoa que sou hoje, incompleta como ensina Paulo Freire, mas um pouco mais consciente.

Temos que lutar por uma sociedade humana onde não haja nenhuma forma de preconceito e discriminação e onde as pessoas vivam suas vidas em condições igualitárias, respeitando as diferenças que nos fazem humanos, seres diversos e únicos em nossas características.

Cresci numa sociedade que insistia em me fazer ter ódio e medo. Andei por caminhos sombrios e muitas vezes só o ódio me moveu. Encontrei luzes nos ensinamentos de minha mãe, de pessoas boas e em boas leituras. O ódio vive me tentando... ao ver um racista ou fascista, o ódio me tenta... mas devo resistir e pensar no amor, na humanidade.

Pensando em minha irmã Telma Lúcia, uma sobrevivente, e no companheiro Renato Freitas, um sobrevivente, penso em todas as pessoas que sofrem pelo racismo e pelos diversos tipos de preconceito e discriminação que depõem contra a sociedade humana.

A vida pode e deve ser boa e feliz para todas as pessoas. A vida humana pode ser vivida num ambiente terrestre que respeite as diversas formas de vida. Lutemos por isso.

William Mendes


Post Scriptum: sempre participo das atividades de rua em datas importantes. Hoje tinha prioridades com questões de saúde de minha família. Não estive na Av. Paulista, mas meu coração bateu forte pelas lutas e resistência do povo negro de nosso país.

domingo, 18 de maio de 2025

O Hamas conta seu lado da história (3)

 

Refeição Cultural 

Osasco, 18 de maio de 2025. Domingo.


"(...) Hoje é a Palestina, e amanhã será algum outro país ou países, pois o plano sionista não tem limites, e depois da Palestina pretenderão se expandir do Nilo até o Eufrates, e quando terminarem de devorar uma área, estarão famintos por novas expansões, e assim por diante, indefinidamente. O plano deles está exposto nos Protocolos dos Sábios de Sião, e o comportamento deles, no presente, é a melhor prova daquilo que lá está dito." (A Constituição do Hamas, de 1988, um documento histórico, e que foi atualizado em 2017, hoje menos rígido em algumas questões políticas. p. 131)


O exército sionista do Estado de Israel segue com o assassinato e expulsão dos árabes palestinos de suas terras na Palestina. 

É insuportável para qualquer pessoa decente e com princípios éticos aceitar o massacre de um povo com o intuito de roubar suas terras.

O que posso fazer a respeito estando do outro lado do mundo? 

Protestar, denunciar e me indignar a respeito desse crime bárbaro de lesa-humanidade. Não devemos pactuar com aquilo que fazem aos outros que não gostaríamos que fizessem a nós. 

O que os imperialistas dos Estados Unidos apoiadores do regime sionista de Netanyahu estão fazendo pode acontecer a qualquer um de nós. A QUALQUER UM DE NÓS!

Se decidirem roubar à força de armas as terras aqui do Parque Continental (Butantã, São Paulo) e Vila Yara (Osasco), onde estou há 25 anos, estaremos na mesma condição dos árabes palestinos de toda a Palestina, como fizeram em 1948 e seguem fazendo até hoje na Faixa de Gaza e Cisjordânia. 

Pensem nisso! O imperialismo é assim!

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O livro que estou lendo "O Hamas conta seu lado da história" foi adquirido no Grito dos Excluídos, em 7 de setembro de 2024. É bem atualizado e nos conta um pouco da luta de um povo por sua vida e seu lugar no mundo.

A postagem anterior com informações sobre essa história pode ser lida aqui.

William 


quarta-feira, 18 de setembro de 2024

O Hamas conta seu lado da história (2)



Refeição Cultural 

"Aqui, lembramos que o problema judaico, em essência, era um problema europeu, enquanto o ambiente árabe e islâmico foi, ao longo da história, um refúgio seguro para o povo judeu e para outras pessoas de outras crenças e etnias. O ambiente árabe e islâmico foi um exemplo de convivência, interação cultural e liberdades religiosas." (p. 75)


O regime político sionista que governa a região da Palestina como ocupante invasor, denominado hoje Estado de Israel, de Benjamin Netanyahu, segue matando diariamente palestinos e árabes dentro e fora da Palestina de todas as formas conhecidas e ainda inovadoras na forma de matar.

Entre ontem e hoje, centenas de pessoas árabes foram vítimas no Líbano de explosões simultâneas de aparelhos pagers e walkie-talkies de membros do Hezbollah. 

Os atentados foram atribuídos pelas vítimas ao governo de Israel. Morreram mais de 20 pessoas, entre elas crianças, e centenas tiveram ferimentos nas mãos, nos rostos e na região do abdômen. 

Semanas atrás, uma das principais lideranças políticas dos palestinos, Ismail Hanié, foi assassinado no Irã. 

Leio as declarações e versões dos palestinos, através de suas lideranças do Hamas neste livro, como alguém preocupado em ouvir os dois lados do conflito. 

Pergunto a vocês, amigas e amigos leitores do blog, se vocês têm facilidade de acesso ao que dizem os palestinos? Sei que não. Só nos chega a voz do colonizador, do invasor, dos donos do poder hegemônico do mundo ocidental, a voz dos capitalistas imperialistas.

Então, é importante a leitura do lado massacrado deste conflito, a versão dos povos árabes e palestinos.

Informa o Hamas:

1. O Movimento de Residência Islâmica "Hamas" é um movimento palestino de libertação nacional e resistência islâmica. Seu objetivo é libertar a Palestina e confrontar o projeto sionista. Sua referência é o Islã, que determina seus princípios, objetivos e meios. O Hamas rejeita a perseguição a qualquer ser humano ou a subversão de seus direitos, por motivos nacionalistas, religiosos ou sectários. (p.74/75)

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Ler e estudar, ouvir todos os lados e pensamentos, é parte da formação política da cidadania de um mundo democrático. 

William 


domingo, 8 de setembro de 2024

O Hamas conta seu lado da história (1)



Refeição Cultural 

"Certamente é uma guerra, uma guerra entre um povo ocupado e os ocupantes. E esses ocupantes, infelizmente, quero dizer, estão todos armados, todos eles. O povo inteiro é um exército e tem um Estado. Ao contrário de todos os países do mundo, em que a norma é que o Estado tenha um exército, 'Israel' é um exército que tem um Estado e tem um sistema." (Dr. Musa Abu Marzuk, chanceler do Hamas, p. 38)


Ao participar ontem, 7 de setembro, do 30° Grito dos Excluídos e Excluídas, na Praça da Sé, conversei com diversas pessoas que panfletam e disponibilizam jornais e documentos de causas libertárias e de movimentos que lutam por um mundo alternativo ao qual nos encontramos. 

A causa palestina deve ser abraçada por todos nós que lutamos contra as injustiças e por direitos humanos. 

Adquiri este livro editado e publicado em julho deste ano pela editora do PCO e um dos objetivos do livro é dar voz aos palestinos e suas lideranças, pois o que temos disponível na mídia hegemonizada pelos capitalistas e imperialistas é a versão dos sionistas, grupo político que domina as questões políticas do povo judeu na atualidade.

Li duas entrevistas muito esclarecedoras: uma com o Dr. Musa Abu Marzuk, chanceler do Hamas, e outra com Basem Naim, do Birô Político do Hamas.

"Esta não é a nossa escolha. Se alguém puder nos ajudar a alcançar nossos objetivos de forma pacífica, por favor! Mas, se não, não podemos continuar a viver nessas condições desumanas. Portanto, quando Smotrich disse que os palestinos têm duas opções, sair ou serem mortos, nós respondemos. Também temos duas opções: viver aqui com liberdade e dignidade, ou morrer aqui de forma livre e digna. Não há outra escolha." (Basen Naim, p. 60)

Também li a declaração de Ismail Hanié, líder do Hamas, ao povo brasileiro. 

"O primeiro ponto é que o Movimento de Resistência Islâmica, Hamas, na Palestina, é um movimento de libertação nacional palestino que limita sua resistência e luta dentro da Palestina ocupada, e não fora da Palestina, e contra a ocupação israelense. Não é hostil a ninguém, mesmo que discordemos, mas foca na sua causa, no seu povo, no seu direito firme e inerente, dentro da terra abençoada da Palestina." (Ismail Hanié, p. 27)

A declaração foi feita em um encontro com Rui Costa Pimenta e lideranças do PCO, meses antes do assassinato de Ismail Hanié no último dia 31 de julho, no Irã.

Enfim, sigamos lendo e estudando para compreendermos melhor o mundo e sabermos nos posicionar sobre as questões da sociedade humana. 

William Mendes 


terça-feira, 27 de agosto de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Osasco, 27 de agosto de 2024. Terça-feira. 


Ao acordar, encolhi minhas pernas e senti que elas já não são as mesmas pernas que me trouxeram até aqui. Endurecidas, doloridas, não confio mais em minhas pernas...

Ainda na cama, pensei em não me conectar ao mundo digital, assim não seria capturado logo ao despertar. Poderia deixar minha mente pensar por um tempo. Pensei muitas coisas em algumas horas sem ser bateria da Matrix.

Até os anos noventa, vivemos sem essa realidade do mundo digital interligado por algumas plataformas que passaram a manipular o conjunto da sociedade humana. Os humanos estão sendo desfeitos e nossa espécie vai se autodestruir.

Desconectado, li um poema de um colega do banco desconhecido (pra mim), poema muito bom: adquiri seu livro num sarau. Fiquei tocado. Aí li dois textos de Ray Bradbury, um sobre Fahrenheit 451, trinta e dois anos depois, o outro sobre qualquer tipo de censura à arte, à estética. De novo, o tema de Fahrenheit 451. Fiquei olhando para a zona da minha casa e pensando na vida. 

O que faço em relação à minha insatisfação que dilacera o restante de meus dias na Terra? O que faço? 

Inventei semanas atrás uma contagem de cem dias para procurar mudanças e sentidos para a minha existência. Faltam 7 dias... 

Uma semana para encontrar o que não encontrei em cem dias. O que não encontrei talvez em toda a existência, que se deu sem o meu controle, sem o meu desejo, sem o meu planejamento. Uma existência que se deu a esmo.

Eu realmente gostaria de tomar uma decisão nessa uma semana, tipo algo firme, definitiva decisão. A partir daquele instante decisivo as coisas seguirão assim... vou viver em função disso ou daquilo. O que foram esses 55 anos... nada disso! Queria ser isso, fui ser aquilo. Ou melhor, pior quero dizer, não queria ser porra nenhuma, e fui sendo alguma coisa, ora ruim, ora nada de nada, ora boa. Já fui coisa boa também. No momento... nonada.

E se eu mergulhasse em mim nessa etapa da existência? Existência que avança para a inexistência...

Estou muito indignado com o mundo exterior a mim, meu mundo, o mundo onde habito. No entanto, depois de estar preso a um nome em uma gaiola, como nos explicou o cronista Rubem Alves, é difícil fugir às expectativas do que esperam de mim, o sujeito chamado pelo meu nome. Difícil! (texto de Alves pode ser lido aqui)

E no entanto, posso deixar de ser o que sou a qualquer momento, num instante. Basta uma explosão de ira qualquer e algo pode se explodir dentro de mim... e já nem seria mais o que sou.

Posso acordar e minhas pernas duras não me atenderem mais. Posso "acordar" preso dentro de um corpo que não me obedeça mais. Que contribuição estou dando que vá significar alguma coisa hoje como já imagino ter contribuído algum dia quando fui coisa boa?

Ainda estou tocado pela questão do cortador de grama e o jardineiro, ao final de Fahrenheit 451. Fui jardineiro ou cortador de grama? Por que só consigo usar os verbos no passado? Não há presente e futuro pra mim?

...

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

93 de 100 dias



DIPLOMAÇÃO DA RESISTÊNCIA

93. Estive hoje em nossa Universidade de São Paulo, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), para uma reparação histórica, a Diplomação da Resistência a 15 jovens estudantes que foram vítimas da ditadura brasileira, a diplomação é um projeto de iniciativa do mandato da vereadora Luna Zarattini (PT), presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo, em parceria com a USP, em especial com a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento e o IGc-USP).

Foi uma data histórica e necessária a Diplomação das jovens mulheres e homens que lutaram pela liberdade de todos nós e não puderam concluir suas graduações por causa da violência da ditadura civil-militar que se instalou no Brasil a partir de 1964. A iniciativa é um resgate da trajetória desses estudantes e contribui para a manutenção da memória coletiva de todos nós.

Linhas de Sampa,
sempre presente!

O evento foi muito emotivo! Como um cidadão paulistano formado pela FFLCH-USP e militante do movimento estudantil e sindical senti fortes emoções durante a cerimônia de reparação histórica e diplomação das guerreiras e guerreiros que lutaram por todos nós. A reparação e o resgate histórico demoraram décadas, mas foi uma homenagem importante aos familiares e amig@s das e dos estudantes.

Conforme informação do site da Universidade (publicação de 12/8/24):

"A iniciativa faz parte de um projeto mais amplo, a Diplomação da Resistência, que busca homenagear ao todo 31 estudantes da USP e é fruto de uma parceria entre a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (PRIP), Pró-Reitoria de Graduação (PRG), Gabinete da vereadora e ex-aluna da USP Luna Zarattini e o coletivo de estudantes Vermelhecer. 'Essa homenagem concedida aos ex-estudantes da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que foi substituída pela atual FFLCH, tem uma importância simbólica imensa', destaca Paulo Martins, professor e diretor da FFLCH."

Diplomação

Alexandre Vannucchi Leme, Instituto de Geociências (IGc) (dez/2023)
Ronaldo Queiroz, Instituto de Geociências (IGc) (dez/2023)

e hoje:

Antonio Benetazzo, Filosofia
Carlos Eduardo Pires Fleury, Filosofia
Catarina Helena Abi-Eçab, Filosofia
Fernando Borges de Paula Ferreira, Ciências Sociais
Francisco José de Oliveira, Ciências Sociais
Helenira Resende de Souza Nazareth, Letras
Ísis Dias de Oliveira, Ciências Sociais
Jane Vanini, Ciências Sociais
João Antônio Santos Abi-Eçab, Filosofia
Luiz Eduardo da Rocha Merlino, História
Maria Regina Marcondes Pinto, Ciências Sociais
Ruy Carlos Vieira Berbert, Letras
Sérgio Roberto Corrêa, Ciências Sociais
Suely Yumiko Kanayama, Letras
Tito de Alencar Lima, Ciências Sociais
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Como aluno da FFLCH e militante das causas populares, deixo aqui a minha gratidão a cada pessoa que participou dessa luta histórica. Deixo meu agradecimento especial para a companheira Luna Zarattini, que honra a memória de seu avô e todas as lideranças que lutaram pela nossa democracia e liberdade.

William Mendes


Fonte das informações: site da USP e página do mandato de Luna Zarattini

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 11 de julho de 2024. Quinta-feira.


BUDAPESTE - COMUNISMO COM TANQUES

Vou caminhando para os últimos episódios da série "Grandes dias do século XX", a Coleção História Viva que tenho guardada comigo há muito tempo, sem eu nunca ter reservado um tempo para assistir aos 12 DVDs. 

Como digo em minhas reflexões, sendo apreciador de história e cultura desde jovem adulto, fui adquirindo materiais de estudo por desejo de saber e nunca tive tempo suficiente para apreciar os materiais que tinha em casa.

Não sou inocente hoje como talvez tenha sido antes de ter a oportunidade de me politizar como membro da classe trabalhadora sindicalizado e depois como militante nas lutas por direitos. Toda fonte de informação tem um viés, um ponto de vista, uma preferência política e ideológica no mundo humano. Esse material que estou vendo não é diferente.

Este episódio 9 deixa claro o viés da produção do audiovisual, um viés contra o comunismo e as experiências reais de socialismo que o mundo vivenciou no século XX. Não é por isso que eu, como um cidadão de esquerda, vou deixar de assistir e avaliar o material.

Sigo com a opinião que a qualidade da coleção é muito boa e as imagens que esses documentários reuniram são extraordinárias. Que interessante ter em casa uma coletânea dessas!

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Sinopse:

Com o fim da Segunda Guerra Mundial e o redesenho da Europa na Conferência de Yalta, o comunismo se estabeleceu na Hungria. A dureza do regime, porém, criou uma onda de descontentamento, que se materializou em uma insurreição, iniciada em 23 de outubro de 1956, em Budapeste. A URSS já não estava sob o comando de Stálin, morto em 1953. Mas o stalinismo ainda estava suficientemente entranhado no aparelho repressivo soviético para massacrar o movimento civil. A semente da liberdade, porém, havia sido plantada. Não demoraria para que Tchecoslováquia e Polônia também desafiassem Moscou, num claro sinal de que, cedo ou tarde, a Cortina de Ferro se abriria.

O episódio 9 se divide nos seguintes capítulos: "Josef Stálin", "Gomulka", "Sputnik" e "Dubcek".

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CAPITALISMO COM TANQUES

Vi com atenção o documentário sobre os países citados neste episódio dos "Grandes dias do século XX". O foco no stalinismo e na União Soviética e à "falta de liberdades" do lado contrário ao capitalismo etc. Pois é!

Será que tem uma série com o foco no "capitalismo com tanques"? Os Estados Unidos da América são os responsáveis por dezenas de guerras cruentas e mortíferas ao longo do século XX e no quarto de século atual, usando a desculpa da "liberdade" para tomar posse das riquezas dos países dos outros em benefícios deles próprios. Pois é!

Só a título de exemplo, na mesma época abrangida pelo episódio, abordando Hungria, Tchecoslováquia e Polônia em "busca de liberdade", temos no mundo o Vietnã em busca de liberdade e sendo massacrado pelas bombas dos Estados Unidos para implantar lá o capitalismo. E aí?

Tenho minha opinião e algumas impressões sobre a história da sociedade humana. E uma de minhas certezas é a de que o mundo não ficou melhor para a classe trabalhadora com o fim da URSS e com a supremacia única do capitalismo violento de estado dos Estados Unidos. Ficou bem pior a vida do povo no mundo com o domínio do 1% de poderosos capitalistas fdp sem limites para seus abusos contra a humanidade.

Com a experiência de vida que tenho hoje, como uma pessoa da classe trabalhadora do final do século XX e das primeiras décadas do século XXI, do período mundial conhecido por ter deixado de ser bipolar - Estados Unidos e União Soviética ou de dois modelos sociais: capitalismo e socialismo - e ter se tornado unipolar, só os norte-americanos mandando no mundo, vejo que a humanidade caminha a passos largos para o fim. E isso é culpa do capitalismo, isso é culpa em grande parte dos governos dos EUA.

Se quisermos ter uma chance como espécie de podermos ver sobre a história do século XXI e XXII lá no século XXIII, teremos que derrotar o capitalismo neoliberal e o imperialismo de uns poucos fdp decidindo destruir o planeta e a vida na terra para atender alguns desejos pessoais dessa gente egoísta, bárbara e perigosa.

É o que penso.

William


47 de 100 dias



47. Estava sonhando com o passado. Não queria isso. Antes de dormir, estava lendo sobre Eça de Queirós, movimentos literários, estudando cultura. Me iludi, pensei que enganaria meu cérebro pondo ele a pensar o presente com informações novas. Mas não. Como acontece há anos, ao dormir, volto ao passado. Estava no sindicato, estava num evento num auditório do sindicato com gente do sindicato. Como não controlamos sonhos, no meio da gente do sindicato estavam pessoas da família que não vejo há séculos. Passado. Tudo é passado. A gente da família misturada com a gente do sindicato tem algum sentido no cenário onírico dos sonhos sem sentidos. Coloquei o despertador porque vamos a um velório na família daqui a pouco. Talvez encontre gente do passado que tenha frequentado meu sonho de há pouco. Passado. Tento enganar meu cérebro. Não necessariamente enganar. Tento dar estímulos novos ao cérebro, estudo todos os dias. Mesmo aos 55 anos. Tento mudar tendências biológicas por conhecer um pouco das coisas. Não estou obtendo resultados satisfatórios pelo visto. Por mais que estimule meu cérebro, meu centro biológico do viver, minha essência se sobressai e o passado se impõe. É só fechar os olhos e perder o "controle" racional que acho que tenho sobre eu mesmo e pronto: de volta ao passado. Como escapar do passado? Num mundo sem futuro, talvez não tenha como fugir ao passado. Ou talvez a questão seja outra, a prisão seja outra: num corpo sem futuro, talvez não haja outra coisa que não seja o passado. Talvez por isso não adiantem os estímulos para o cérebro trabalhar com o novo. Ter lido sobre o Eça, algo do passado, não me parece o motivo de voltar ao passado toda vez que durmo nos últimos anos. Acontece o mesmo quando os estímulos são informações novas, uma língua japonesa, um estudo sobre geografia, um filme etc. Talvez o meu cérebro esteja se perdendo no passado para sempre. Que merda se for isso. O velório que vamos é de uma pessoa da família que faleceu após um processo de morte do eu, do cérebro, antes do corpo. Alzheimer. Tenho medo de morrer meu eu antes do meu corpo. Torço para que meu corpo morra antes do meu eu. É hora de me levantar e me aprontar para a tarefa da despedida e do consolo fraterno às pessoas mais próximas em laços com a falecida, a Esther. Meu cérebro raciocina ainda. Quando pensei em escrever este texto, raciocinando, meu cérebro avaliou se queria umas dez ou dezenas de leituras deste registro, por raciocinar, sabendo que pelo título e pelos algoritmos defino a quantidade de acessos ao texto. Escolhi o título da tendência de dez acessos, não dezenas. É um texto para os íntimos...

William (seguirei estimulando meu cérebro. Não estou preso ao passado porque quero. É porque estou preso)

quarta-feira, 26 de junho de 2024

32 de 100 dias



32. A verdade é que não estou avançando na velocidade que deveria na solução da desordem pessoal, na melhoria ou mudança do meu mundo desorganizado e caótico. Não estou.

Tudo que mexo para me desfazer, mexo, mexo, arrumo pretexto, começo a ler, ver, ouvir, e não me desfaço. Que saco! Continuo espremido e sufocado. Vão se passar os cem dias e tudo estará na mesma no meu mundo entulhado...

Cada página do que leio me parece importante para salvar a cultura, a história e a humanidade dos bárbaros dominando tudo, impondo leis e decretos medievais no Estado de São Paulo, nos estados, no Brasil, no mundo.

Daqui alguns dias meses anos terão leis contra minha liberdade de ser ateu, de ser bocudo, contestador, de ir contra a ordem vigente imposta pelos desgraçados da casa-grande, donos do capital, das máquinas ideológicas e da força de repressão...

Não poderei mais ser eu. Por isso esse medo de me desfazer dessa cultura toda empilhada em casa, junto com as bugigangas mercadorias das outras pessoas do ambiente. 

Não estou avançando bem nos cem dias... essa é a verdade.

William 


terça-feira, 25 de junho de 2024

Vendo filmes (XVIII)



Refeição Cultural

Os Estados Unidos são uma nação cuja essência é a liberdade para se praticar a violência contra tudo e todos, liberdade baseada na ideia de um indivíduo não ter limites sobre o restante do universo 


Dois filmes que retratam a sociedade norte-americana me proporcionaram nesses dias momentos de catarse. Saí deles pensando a respeito da sociedade humana e concluí que não é justo e não devemos concordar com o desejo de um grupo de pessoas de um país - os bilionários norte-americanos e seus operadores - querer impor sua cultura ao mundo todo.

Um dos filmes retrata os Estados Unidos no século 21, na fase atual do capitalismo selvagem, implacável em sua fúria pelo lucro rápido e a qualquer preço, ainda mais se o preço for eliminar empregos e pessoas cujas vidas foram dedicadas a uma grande empresa norte-americana, base econômica do "país das oportunidades". Será que a terra da liberdade ainda é o país das oportunidades? 

Enquanto a "Revista Life" é reestruturada por uns executivos babacas, o personagem Walter Mitty dá o encanto ao filme ao nos lembrar que o que importa são as pessoas. Aliás, critico os governos dos EUA e não o conjunto da população, pois lá existe a classe trabalhadora oprimida e explorada como toda a classe trabalhadora do mundo capitalista. 

O outro filme retrata a origem e os motivos pelos quais os Estados Unidos sempre foram uma nação violenta, com uma cultura de só saber resolver as coisas na guerra, na bala, na eliminação do outro, supostamente inferior sob a ótica estadunidense.

Se fizermos uma linha do tempo entre o passado que definiu a essência da cultura violenta daquele povo e um hipotético futuro da sociedade norte-americana com os filmes "O Regresso" (2015) e "Guerra Civil" (2024) - que vi recentemente -, veremos o quão profético pode ser o último, pois nada mudou nesses dois séculos de pouco diálogo e muita solução na base da violência. 

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FILMES

A vida secreta de Walter Mitty (2013) - Direção: Ben Stiller. Com: Ben Stiller, Kristen Wiig, Shirley MacLaine, Sean Penn.

Sinopse: o tímido Walter Mitty está sempre sonhando acordado para escapar da sua vida monótona, mas uma aventura muito real prova que ser herói não é tão fácil quanto parece. (Netflix)

Comentário: alguns filmes pegam a gente em cheio. É o meu caso com o longa de Ben Stiller. Desde a primeira vez que o vi, fiquei encantado com diversas passagens do filme. Poucas vezes tenho contato com obras culturais que me fazem rir e chorar ao mesmo tempo. Esse filme é uma das exceções.

A estória em si já é uma tragédia do capitalismo: essas reestruturações empresariais que enxugam postos de trabalho e dispensam as pessoas como se elas não fossem nada, como se fossem jogar papel amassado no lixo. Já nos sensibilizamos com o enredo por isso.

Aí temos a questão do personagem que perdeu o pai ainda jovem, da mudança radical de vida naquela fase, da timidez que quase inviabiliza as relações de Walter Mitty.

E por fim, o roteiro, a fotografia, a trilha sonora, os efeitos nas cenas de ação. É uma soma incrível de acertos. Groelândia, Islândia, Afeganistão, Himalaia... erupções vulcânicas, skate no asfalto entre vales, uma partida de futebol nas estepes do topo do mundo... luzes e som, sombras. As imagens perfeitas. A música "Major Tom", de David Bowie, nunca mais foi a mesma para mim.

A mensagem do fotógrafo Sean O'Connell nos coloca a pensar: em alguns momentos, as imagens são tão perfeitas que nem se deve perder o instante por trás da lente de uma câmera. A pessoa deve aproveitar o momento e só estar lá, no meio e instante daquele acontecimento único.

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O Regresso (2015) - Direção: Alejandro González Iñárritu. Com: Leonardo DiCaprio e Tom Hardy.

Sinopse: filme conta a história do caçador de peles Hugh Glass (DiCaprio), que é deixado para trás para morrer após ser atacado por uma ursa parda no meio da floresta congelada. A estória se passa nos Estados Unidos do início do século XIX, pouco depois da declaração de independência formal do país. Na prática, imigrantes, colonos, escravizados e indígenas ainda disputavam espaço no território que se constituiria enquanto nação décadas depois. 

Comentário: quando vi esse filme pela primeira vez, fiquei meio passado. Que estória brutal! Mas reconheci que foi um tremendo filme. O desempenho de DiCaprio como Hugh Glass, o caçador norte-americano do início do século XIX, foi estupendo. Ele mereceu a estatueta! 

E o que mais pega o telespectador no longa é o cenário e a fotografia, uma obra de arte de Emmanuel Lubezki, que ganhou o Oscar por seu trabalho.

Após ver "O Regresso" afirmei a mim mesmo que esse não era o tipo de filme que eu assistiria de novo. Foi muito sofrimento por horas! 

Pois é, vi de novo...

Nesta segunda vez, o que não me saiu da cabeça é o quanto o filme sintetiza a gênese da natureza da sociedade norte-americana desde sua origem: a violência como base das relações dos homens com a natureza e nas relações sociais. Aquela sociedade que surgiu nas primeiras décadas desde a independência é a mesma de hoje.

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É isso! Sigamos comentando filmes que nos põem a pensar o mundo e a vida.

William Mendes


Post Scriptum: o texto anterior desta série, comentários sobre filmes, pode ser lido aqui.


quinta-feira, 13 de junho de 2024

19 de 100 dias



19. Uma das coisas que sei que devem ser mais frequentes na minha vida é estar com pessoas presencialmente. Nos próximos dias estarei com meus pais e familiares de Minas Gerais. Isso é imprescindível.

Dentro do conceito de "carpe diem", avalio que devemos estar sempre que possível com pessoas queridas e que acrescentem algo positivo em nossa existência.

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FREI BETTO

Na estrada, lendo a biografia do dominicano Frei Betto, na parte na qual ele e companheiros estão como presos políticos no presídio paulista de Presidente Venceslau, no Natal de 1972, tem uma cena emocionante quando a advogada Eny Moreira promove um abraço aos 400 presos, durante a Missa do Galo (p. 203). 

Eu me lembrei de minha palestra em Curitiba, em 2019, quando promovi também um abraço coletivo para despertar os participantes do encontro - era um final de tarde e o pessoal estava cansado pelos debates do dia. 

Nada como um bom e carinhoso abraço para energizar as pessoas!

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O capítulo "Libertad aplazada", termina com a liberdade dos dominicanos, após cumprirem pena de prisão política, e com Frei Betto recebendo a notícia em agosto de 1974 da morte de Frei Tito, na França. O suicídio foi a única maneira que a vítima encontrou de se ver livre de seu torturador Sérgio Paranhos Fleury.

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O capítulo seguinte é muito didático ao falar sobre a Teologia da Libertação (TdL): "La Teología de la Liberación y la nueva Iglesia".

Frei Betto desenvolveu uma prática em seu cotidiano no cárcere que o auxiliou em suas reflexões e descobertas pessoais: a produção de cartas para o contato com o mundo exterior. 

Estou ficando sem luz solar no ônibus ao final de tarde na estrada. Vou encerrar a leitura e a postagem sobre meus dias de buscas.

Não consigo fazer citações do livro sobre Frei Betto. 

Gostei de uma passagem do capítulo que explica a essência da Teologia da Libertação, que coloca a injustiça social como pecado praticado por aqueles que exploram o povo. 

Houve uma conferência católica na Colômbia em 1968 que definiu as bases da TdL. Os irmãos Leonardo Boff e Clodovis Boff foram importantes formuladores da TdL.

Os cristãos devem se empenhar em combater as estruturas sociais que causam a miséria do povo.

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Enfim, pôr do sol na estrada. Vamos abraçar os familiares em Uberlândia. 

William 


Post Scriptum: é a primeira vez que faço postagem diretamente do celular, não tinha esse hábito. 


domingo, 19 de maio de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 19 de maio de 2024. Domingo.


JOSÉ MARTÍ

A efeméride do dia é sobre José Martí, o apóstolo da libertação de Cuba. Rendo minha homenagem a essa figura humana extraordinária! Martí faleceu em combate no dia 19 de maio de 1895, aos 42 anos de idade, quando liderava o povo cubano nas lutas de independência do domínio espanhol.

Para marcar a data, li um de seus textos na obra "La Edad de Oro". O texto "Tres Héroes" nos conta sobre homens que marcaram a nossa história de independência em relação ao jugo europeu: Simón Bolívar, da Venezuela, San Martín, do Rio da Prata, e Hidalgo, do México. No artigo, Martí descreve os feitos e a liderança desses libertadores das Américas.

Viva Martí! Viva a liberdade e autonomia do povo cubano e dos povos de Nuestra América!

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AABB - ESPORTE E SAÚDE

Hoje participei da 16ª Corrida da AABB SP.

Já fazia um tempo que eu não participava desse evento esportivo importante no calendário de nossa Associação Atlética do Banco do Brasil. 

Me lembro das primeiras edições das corridas, quando estimulava a participação de uma equipe de pessoas do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

Só tenho elogios à organização e ao clube. Nesta prova de hoje, o percurso foi de 5,6 Km e tivemos também equipes de revezamento e uma caminhada.

Na minha atual condição de dores na estrutura do quadril, fico feliz de ainda poder completar um percurso de corrida, mesmo que seja num trote lento e contínuo. Sou natureza e como tal enfrento hoje as consequências do existir. Cada percurso de um ser vivo é único.

No final da prova, não faltaram frutas e sucos e toda estrutura de apoio aos participantes. Foi bem legal.

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ESTUDOS E PRODUÇÃO TEXTUAL

Nesta semana que passou, tentei minimamente estabelecer uma agenda de leitura e estudos. Percebi como tenho dificuldade de controlar de forma satisfatória o tempo. O tempo...

Defini que durante a semana gostaria de avançar nas leituras de alguns livros e textos, que iria estudar alguns temas e escrever um pouco também. Fiz cinco textos na semana e estudei um pouco a Cassi, nossa Caixa de Assistência da comunidade BB.

Um dos objetivos de produção textual deu trabalho e não consegui finalizar a tarefa: a revisão das 140 páginas dos meus textos de memórias sindicais para a edição impressa de um pequeno livro. Quase acabei a revisão, mas ainda faltam umas vinte e poucas páginas. 

Para retomar a leitura do clássico de Victor Hugo, Os miseráveis, estou relendo todas as postagens que fiz ano passado no blog sobre a obra. As postagens estão muito boas, modéstia à parte. Mas não terminei a leitura de todas elas. (post scriptum: terminei no dia seguinte de manhã. Interessados podem ler as onze postagens aqui, cada uma tem um link para a seguinte)

Os livros sobre José Dirceu e Frei Betto estão nos objetivos de leitura também. Os livros são enormes, os dois somam mil páginas... é trabalho de fôlego.

E pretendo ler e falar sobre a nossa Caixa de Assistência todas as semanas. É algo que tenho conhecimento e tem dias que me sinto na obrigação de falar algo a respeito. Os textos nos blogs são contribuições. Lê quem tiver interesse. A série que farei sobre a Cassi será no blog A Categoria Bancária (link aqui).

Por fim, tenho que ter disciplina para trabalhar na revisão e impressão de meus textos nos blogs. São mais de cinco mil textos e uma parte deles tem valor. Venho trabalhando na revisão e impressão faz tempo, mas devo ter disciplina. Já tenho alguns cadernos impressos. Falta muiiiito ainda.

Enfim, vamos para mais uma semana de vida. Avalio que escrever seja algo de útil de minha parte em relação à sociedade humana à qual pertenço. Duas coisas chamam a minha atenção: meus olhos e minha capacidade de locomoção. Não sei até quando terei essas habilidades centrais na minha vida. Ver e caminhar. O amanhã não existe, a não ser que eu acorde nele. E quero acordar vendo e andando.

Como é bom ver e como é bom andar. Aproveitem essas habilidades vocês que às têm. Leiam, olhem com atenção e caminhem.

É isso!

William Mendes


quinta-feira, 18 de abril de 2024

Cuba (V)



Refeição Cultural

Osasco, 18 de abril de 2024. Quinta-feira.


CUBA: PAÍS E POVO INESQUECÍVEIS

Mesmo sem ter feito um planejamento específico para visitar Cuba, acabei tendo o privilégio de conhecer a República Socialista, indo ao país caribenho em 2023 e 2024. Foram experiências marcantes em minha vida. O fato de não ter ido só, ter ido em grupo, ampliou em muito as minhas possibilidades de contatos com a história e a cultura do povo cubano.

A primeira oportunidade apareceu ao ver em uma rede social uma companheira aposentada do Banco do Brasil - Miriam Goes Shibata -, militante antiga das causas populares, organizando um grupo para ir a Cuba para o 1º de maio de 2023. Me interessei, entrei em contato com ela, e realizei o sonho de conhecer uma das mais longevas experiências de sociedade organizada fora da lógica capitalista de exploração dos homens e mulheres por poucos homens (a regra capitalista). Imaginem a felicidade de ter levado meu filho comigo nessa experiência!

A segunda experiência não foi muito diferente da primeira em relação à casualidade ao ver a oportunidade de retornar ao país: anúncio em rede social. 

Novamente, vi um anúncio de uma militante das causas populares e coordenadora de brigadas internacionais montando um grupo de pessoas para ir a Cuba - Telma Araújo -, viagem que teria toda a estrutura de apoio do Icap, a partir da Amistur, por ocasião da realização da 32ª Feira Internacional do Livro de Havana. Consegui me organizar para retornar à Ilha e aprender um pouco mais sobre a história de um povo que luta por liberdade, soberania e dignidade há séculos.

Nesta postagem, faço uma retrospectiva breve dessas duas viagens que acrescentaram muitas informações às reflexões e estudos que venho desenvolvendo nos últimos anos sobre a sociedade humana. A retrospectiva foi feita a partir da leitura de meus próprios textos no blog.

 

Como iria participar do programa "Cubanias", de Lina Noronha (que ocorreu na segunda, 15/4, às 10h), achei interessante rever no dia anterior minhas impressões sobre as duas viagens. Agradeço muito o convite feito por Lina e espero ter contribuído de alguma forma para as causas da classe trabalhadora em geral e do povo cubano em particular. Para ver o programa é só acessar o link aqui.

As minhas impressões e reflexões, desenvolvidas a partir das viagens a Cuba e de estudos que venho realizando, estão em uma série de postagens que fiz aqui no blog desde o início do ano de 2023, quando comecei a ler mídias a respeito da história de Cuba e do povo cubano. No blog foram dez textos sobre a primeira viagem e mais quatro textos referentes à viagem mais recente. 

Fiz também muitos textos sobre tudo que lia e estudava relativo ao tema. Devo ter no blog dezenas de artigos relacionados com a temática cubana: livros lidos, personagens estudados, histórias sobre a revolução etc.

Caso alguma leitora ou leitor queira ler mais postagens sobre o tema é só clicar em qualquer um dos textos com a categorização "Cuba" (tag) que acaba indo para outros textos, que são todos independentes, são completos no tema tratado. 

(Atenção: em celular, os leitores devem descer a tela até o final da última matéria e clicar "ver versão para a web", para poder acessar o formato do blog para computadores, notebooks e tablets, com as colunas laterais onde estão as categorizações em ordem alfabéticas)

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José Martí e Museu da Revolução.

CUBA, UM PAÍS QUE PRESERVA E VALORIZA SUA HISTÓRIA

As primeiras postagens feitas após retornar da viagem feita em 2023 já demonstram a boa impressão que tive sobre o esforço do governo e da população em preservar a extraordinária história de lutas pela libertação da Ilha do jugo imperialista, tanto o espanhol (até s. XIX) quanto o estadunidense (no s. XX).

O foco na educação em todos os níveis é prioridade do governo cubano, comento isso na primeira postagem (aqui). Na segunda, comento um pouco sobre a preservação arquitetônica em Havana Velha e observo a diferença entre a Cuba que se preocupa com seu povo e a cidade de São Paulo das dezenas de milhares de pessoas morando nas ruas (aqui). Na terceira, anoto minha admiração pela preservação do patrimônio material e imaterial em Cuba (aqui).

Nas postagens seguintes, comento a visita ao Centro Fidel Castro Ruz e uma caminhada pelo Malecón (aqui), e nossa ida à Plaza de la Revolución, lugar com uma significação imensa (aqui). Nessa mesma postagem, dou minha opinião sobre a questão da "liberdade de imprensa", normalmente confundida com liberdade de expressão das pessoas físicas. A "imprensa" monopolista capitalista ilude as pessoas sobre conceitos básicos de expressão e comunicação.

Na sexta postagem (aqui), comento sobre as andanças que meu filho e eu fizemos no feriado de 1º de maio e depois opino um pouco sobre as narrativas impostas goela abaixo pela grande imprensa capitalista em haver democracia no Brasil e Estados Unidos e não haver democracia em Cuba, que tem um sistema de representação popular bem interessante, com eleições constantes e representatividade muito mais real que a nossa ou que a dos norte-americanos.

Che com a criança nos braços,
em frente ao Comitê do Partido
Comunista de Cuba, em Santa Clara.

Na sétima postagem (aqui), falo da emocionante visita à Santa Clara, local histórico onde se desenvolveu a batalha de tomada do trem blindado e a vitória final da Revolução Cubana, e onde se encontra o Memorial, Museu e Mausoléu de Che Guevara. Foi uma emoção inesquecível!

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"A visita a Santa Clara foi, para mim, um dos momentos mais emocionantes da viagem a Cuba. Parti da cidade com um sentimento de gratidão imensa àqueles homens e mulheres revolucionários que libertaram a Ilha do imperialismo como sonharam e lutaram por isso gerações de cubanos como José Martí e iniciaram a partir de 1959 uma sociedade em outras bases e princípios, antagônicos ao capitalismo."

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Na oitava postagem (aqui), descrevo nosso 6º dia em Havana. A visita ao anexo do Museu da Revolução (que está em reforma), onde estão equipamentos de guerra e o Iate Granma, fez parte das andanças por Havana Velha naquele dia, sob o comando do senhor Luis Caballero, que nos contou muita história e conquistas do povo cubano. Na manhã seguinte, iríamos para Trinidad.

As postagens finais relativas à primeira viagem a Cuba (2023), acabei fazendo na véspera de embarcar para a segunda experiência neste ano de 2024. Na 9ª (aqui), relato a nossa estadia em Trinidad e a emoção inesquecível das celebrações do 1º de Maio em Cuba. 

Na 10ª postagem, na qual finalizo os relatos sobre a viagem do ano passado, conto sobre nossa estadia em Varadero, cidade turística com praias incríveis. Comento também os últimos passeios em Havana, fomos à Finca de Hemingway, à Fusterlândia e ao Memorial da Denúncia (aqui).

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Plaza de la Revolución... emoção!

VIAGEM A CUBA PARA PARTICIPAR DA 32ª FEIRA INTERNACIONAL DO LIVRO DE HAVANA

Em relação à segunda visita à Cuba (2024), estou escrevendo minhas impressões e experiências ainda. Até o momento, já fiz quatro postagens.

Diferente da primeira viagem, nesta foram oito dias incluídos em um pacote com tudo pago, facilitando enormemente as coisas para o turista. Só precisei comprar as passagens de ida e volta. A primeira postagem pode ser lida aqui.

No pacote estavam incluídas todas as refeições, transporte para todos os lugares programados, a hospedagem em hotel, uma credencial para frequentar a feira do livro e os eventos relativos a ela nos dez dias, e ainda o transporte e estadia para as viagens que fizemos até Trinidad e Cienfuegos. Achei excelentes essas facilidades. Mais detalhes podem ser lidos aqui.

Nos outros dias que fiquei em Havana, é claro que estive hospedado na Casa de Isabel, onde pude rever os amigos cubanos e aproveitei para andar pela cidade nos dias finais da viagem.

A terceira postagem desta viagem (aqui), acabei falando sobre minha experiência de estar próximo ao grande brasileiro Frei Betto por alguns dias. Tive a oportunidade de ouvir palestras dele e voltei com alguns livros do dominicano para ler. 

Na quarta matéria da série sobre a viagem a Cuba neste ano abordei a questão da importância da história para o povo cubano e acabei fazendo um breve retrospecto da história recente do golpe de 2016 no Brasil. 

Estávamos no mês de março à época da postagem e uma das polêmicas que vivíamos no período no Brasil era a questão dos 60 anos do 31 de março, data do golpe de 1964. Ler postagem aqui.

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¡HASTA LA VICTORIA, SIEMPRE!

Ufa! Como deu trabalho fazer essa síntese, amigas e amigos leitores! Tive que reler as quatorze postagens que fiz.

É isso!

Viva o povo cubano! Pelo fim do embargo criminoso dos EUA contra Cuba!

William