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terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

Diário e reflexões - CartaCapital 1293



Refeição Cultural - CartaCapital 1293

Osasco, 6 de fevereiro de 2024. Terça.


JUSTIÇA INCOMPLETA

Voltei a assinar o plano com a edição impressa da revista CartaCapital para apoiar o trabalho da equipe liderada pelo jornalista Mino Carta. Minha necessidade de informações atualmente é diferente da necessidade no passado, quando representava pessoas. Não tenho pressa nem precisão de saber o que se passa neste momento. E, se precisar, sei onde buscar informações, tenho algumas noções das coisas da política e do mundo. Só noções, mas já é alguma coisa.

Entretanto, caso consiga ler a edição semanal da revista mesmo após aquela semana em questão, estarei talvez mais bem informado do que muita gente, inclusive do meio político, por saber da qualidade da equipe de CartaCapital. Terei aquilo que afirmava ser o básico para as pessoas da classe trabalhadora que representava - noções das coisas -, afinal de contas, vivemos num mundo de gente sem noção de nada, de nada! 

E mais, vivemos num mundo que estimula a ignorância e cuja mídia hegemônica (da casa-grande) idiotiza as pessoas, mundo de explicações mitológicas e mentirosas para as coisas mais comezinhas da vida, explicadas há tempos pela ciência. Um mundo pior hoje que ontem, pois nunca houve uma máquina global de desinformação em escala e com rapidez como há na atualidade, através das big techs e seus poucos donos, humanos que acabam sendo os donos do mundo mesmo, pois são os donos das mentes de bilhões de animais humanos.

Reflexões rápidas sobre meu ato de ler revistas CartaCapital depois da semana que elas retrataram na edição "a" ou "b" em seus conteúdos.

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NOTÍCIAS DE DUAS SEMANAS ATRÁS SOBRE O BRASIL E O MUNDO

Justiça incompleta - Passado um ano, falta apontar os mentores do 8 de janeiro.

Gostei muito do artigo Os destrutivos "homenzinhos", de Luiz Gonzaga Belluzzo: que diz "O pequeno fascismo cotidiano floresce em indivíduos que carregam na alma as frustrações da sociedade de massa". A revista destaca uma ideia central do texto: "vítimas de um processo social que não compreendem, os ressentidos cultivam inimigos imaginários".

Nas matérias sobre o destaque da capa da revista, temos duas figuras que me enojam: o tal do Lira, em foto ao lado de Bolsonaro, e o tal ministro Múcio, "embaixador dos militares"... é um absurdo esse cara ainda ser ministro de Lula.

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Também gostei do artigo do Cláudio Couto: 

Inimigo X - Eis o problema: o bolsonarismo continua a ser o sujeito indeterminado da tramoia golpista. 

Ele tem razão!

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A matéria sobre "Ameaça tecnológica" na questão das eleições brasileiras aborda os riscos do uso da Inteligência Artificial na produção das fake news e manipulações das pessoas, coisas que tenho apontado em minhas reflexões. Todo mundo se preocupa com a questão... claro, né! Mas e a solução?

Aliás, registro aquilo que Chomsky e Nicolelis explicam o tempo todo: a tal IA não é nem inteligente, nem artificial. Tem um cara por trás da IA e dos algoritmos e ele não está necessariamente pensando em nosso bem-estar (nós humanos), mas sim no lucro da empresa que paga para ele manusear e criar aquilo.

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A matéria sobre as mineradoras que destroem o Brasil e a vida dos brasileiros é revoltante, nos deixa indignados. Que merda! Tanto as tragédias recentes não tiveram soluções satisfatórias para as vítimas, como existem centenas de outras possibilidades de novas tragédias e destruições. É uma guerra contra a natureza e os inimigos estão ganhando as batalhas todas.

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Na matéria sobre economia com a questão "Quem tem razão?", Haddad ou Gleisi Hoffmann, o articulista deixa claro que a presidenta do PT tem razão na divergência sobre déficit zero ou não. Eu estou com Gleisi, óbvio!

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Nas matérias internacionais da seção "Nosso Mundo" soubemos das merdas do Trump nos EUA, que enfrenta a justiça e as primárias ao mesmo tempo. É a tal "democracia liberal" norte-americana que os brasileiros analfabetos políticos pagam pau! Também li sobre o genocídio do povo palestino pelo governo sionista de Israel, na matéria falando das brigas com o Hezbollah, além do Hamas. E sobre a ascensão da extrema-direita AfD na Alemanha.

O mundo tá foda!

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Gostei também das notícias culturais da seção "Plural".

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COMENTÁRIO FINAL

Uma coisa é certa: não perdi nada em ler as 58 páginas da revista, pelo contrário, só ganhei com a leitura.

Sigamos lendo aunque sean los papeles rotos por las calles (Cervantes)... Que dirá materiais excelentes como a revista do Mino Carta.

William


Post Scriptum: comentário sobre a leitura da revista anterior aqui.


sábado, 7 de novembro de 2020

Mundo comemora o império norte-americano!



Opinião

Em 2010 eu me posicionei contra a panaceia daquele momento para resolver todos os males da humanidade e da política brasileira, a aprovação da lei da "ficha limpa". Aquilo era uma loucura! Mesmo assim, a quase totalidade da esquerda e dos movimentos populares, incluindo o Partido dos Trabalhadores, aderiu à tese e, a partir de então, a casa grande bem postada em todos os espaços de poder, se aproveitou daquilo para criminalizar toda e qualquer liderança popular antes ou depois de eleita em qualquer espaço político e as estratégias jurídicas avançaram até o atual estágio com o lawfare, que acabou com a política e com as democracias ocidentais, principalmente nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, sobretudo os latino-americanos.

A panaceia do momento nesse mundo em "desordem mundial", para lembrar do livro do intelectual Moniz Bandeira é a eleição presidencial dos Estados Unidos que, em tese, foi definida hoje com o anúncio da vitória dos democratas e a derrota dos republicanos. Os sujeitos que disputavam o pleito eram o ex-vice de Barack Obama, Joe Biden, e o atual presidente Donald Trump. Os democratas conseguiram a maioria no colégio eleitoral e venceram a corrida à Casa Branca. Pelo que sabemos, o mundo está comemorando. Aqui no Brasil, vemos comemorações emocionadas por parte dos partidos de esquerda e de lideranças que se posicionam no espectro dos "progressistas" e talvez "liberais". Além desses segmentos, temos a festa dos brancos da casa grande. Pois é! 

Peguei o livro do Moniz Bandeira, A desordem mundial (2016), e reli o capítulo quatro. Nele, vemos alguns dados sobre a eleição de Barack Obama, dos democratas, e alguns feitos dos Estados Unidos sob o governo do Prêmio Nobel da Paz em 2009. O autor nos mostra que sob Obama, que assumiu após dois mandados de George W. Bush, o império não mudou nada sua política em relação ao mundo; pelo contrário, ampliaram-se as guerras provocadas pela política norte-americana, os golpes de Estado, as desestabilizações de governos latino-americanos, africanos, e dos países do médio e extremo Oriente; os assassinatos por meios tecnológicos como drones de lideranças e grupos políticos de outros países foram multiplicados por cinco em relação ao republicanos anteriores (Bush), incluindo a morte de civis. Pois é!

"As Overseas Contingency Operations recresceram, desde que o presidente Barack Obama inaugurou sua administração. Em 2009, ano em que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, o Pentágono e a CIA lançaram 291 ataques com drones e eliminaram, até janeiro de 2013, entre 1.299 e 2.264 militantes ou supostos militantes terroristas, enquanto comandos do Navy SEALs Team 6 executaram 675, em 2009; e 2.200, em 2011. Segundo o Bureau of Investigative Journalism, do total de 413 ataques com drones realizados, pela CIA, contra Talibãs e membros ou suspeitos de pertencerem à al-Qa'ida, desde 2004, até 31 de janeiro de 2015, 362 ocorreram durante a administração do presidente Obama iniciada em 20 de janeiro de 2009, e mataram entre 2.342 e 3.789 pessoas, das quais entre 416 e 957 eram civis. Essa guerra não declarada estendeu-se do Afeganistão e Paquistão ao Iêmen e Somália." (MONIZ BANDEIRA, 2018, p. 94)

Enfim, na época dos governos de George W. Bush e Barack Obama eu era dirigente da classe trabalhadora e estava bastante envolvido com o dia a dia da política nacional e internacional. Para não me alongar, cito aqui só dois eventos sob a administração Obama que foram definidores da desgraça que se abateu sobre nosso destruído Brasil e que tiveram ampla divulgação na época nos meios de comunicação. A nossa maior empresa pública, a Petrobras, foi espionada por empresas e agências norte-americanas e teve dados sigilosos roubados logo após a descoberta do Pré-sal e nós vimos toda uma operação de destruição da estatal. Departamentos americanos treinaram uns sujeitos vira-latas do Brasil para desestabilizar os governos de Dilma Rousseff, treinamento que teve como consequência o golpe de Estado em 2016 e a entrega do Pré-sal para as empresas de petróleo estrangeiras. Tivemos também os grampos vergonhosos de lideranças políticas internacionais, inclusive da presidenta do Brasil, com o mesmo intuito de atacar e destruir a soberania nacional.

O Brasil hoje é um quintal dos norte-americanos, mais que um quintal, é um campo de exploração de bens primários. É também um pasto dos países do primeiro mundo. Antes de virarmos um deserto maior que o do Saara, ainda vamos fazer a felicidade dos outros povos do mundo. O crime organizado e todos os tipos de manipuladores profissionais dominaram os espaços de poder e não temos mais democracia nem instituições que possam socorrer o povo brasileiro que não pertence ao seleto grupo de uns 5% dono de tudo ou a serviço dos donos do poder.

Semana que vem, teremos eleições nos mais de 5.500 municípios brasileiros. As eleições no Brasil são de faz de conta. Desde o golpe de 2016, articulado com a participação de representantes de praticamente todas as instituições do Estado, públicas e privadas, e com o fim da democracia capenga que tínhamos, não há segurança alguma de garantia de respeito ao voto de qualquer eleitor(a) nesta terra de exploração. A gente tem simpatia por diversas candidaturas, mas o voto em candidatos ou partidos que incomodem os donos do poder é um voto nulo de nascimento. Meia dúzia de sujeitos podem organizar a cassação de mandatos com n técnicas de lawfare. E ainda prendem o(a) coitado(a) do(a) candidato(a) eleito(a), tiram sua liberdade, seus recursos e destroem sua vida e de sua família.

Eu fico estupefato de ver tanta comemoração de petistas, gente de esquerda, e lideranças diversas do mundo da política com a vitória dos democratas nas eleições americanas. Na guerra atual entre opressores e oprimidos, sabemos que os sujeitos no poder desde o golpe governam por atos de tortura, o tempo todo, e isso tem um efeito profundo no outro lado, nós que não compactuamos com a ultradireita no poder. Mas comemorar tanto só por ver um pouquinho de sofrimento do bolsonarismo pela derrota do chefe deles não vai alterar os planos do imperialismo na guerra de dominação que o império norte-americano empreende contra o mundo todo. Não vai.

Fica registrado. Eu não vejo motivo pra comemorar nada em favor do império norte-americano.

William


Bibliografia:

MONIZ BANDEIRA, Luiz Alberto. A desordem mundial - O espectro da total dominação - Guerras por procuração, terror, caos e catástrofes humanitárias. 5ª edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.


quinta-feira, 18 de abril de 2019

Relembrando A Montanha Mágica - Thomas Mann



Refeição Cultural

"O segredo e a existência da nossa era não são a libertação e o desenvolvimento do eu. O que ela necessita, o que deseja, o que criará é: o terror." (Naphta, personagem de A Montanha Mágica)


Eu tive o privilégio de ler entre 2008 e 2009 esta obra monumental do escritor alemão Thomas Mann. A obra foi publicada em 1924, após a 1ª Guerra Mundial, mas o autor começou a escrevê-la no início da década de dez. O livro narra a história de um jovem chamado Hans Castorp, que passa um longo tempo nas altas e nevadas montanhas em Davos, na Suíça, cuidando de uma tuberculose.

Uma das temáticas que mais me chamaram a atenção na obra foi a questão das reflexões a respeito da subjetividade do tempo. Ao longo da minha existência, o tempo tem sido um fator de incômodo ao pensar na existência humana, na vida no planeta, no Universo. O tempo pode ser longo, pode ser curto. Muito mais que o tempo cronológico apurado através das leis da física, o tempo subjetivo é algo que fascina e ao mesmo tempo incomoda e assusta a todos nós humanos.

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"Lia-se avidamente nos alpendres de repouso e nas sacadas particulares do Sanatório Internacional Berghof - sobretudo entre os novatos e os pensionistas de curto prazo, pois os pacientes que ali permaneciam por muitos meses ou mesmo por vários anos, havia muito que tinham aprendido a matar o tempo sem distrações nem esforços intelectuais e a deixá-lo atrás graças a um virtuosismo interior. Declaravam até que era uma falta de habilidade, própria de sarrafaçais, essa de se agarrar à leitura. Quando muito admitiam que um livro repousasse sobre os joelhos ou na mesinha, o que já era suficiente para as pessoas sentirem-se abastecidas..." (p. 366)
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A minha edição da Nova Fronteira (2006) tem quase mil páginas, com tradução de Herbert Caro e apresentação de Antonio Cicero. É fascinante!

O livro tem passagens profundas de debates filosóficos em voga. E tem questões triviais que nos tocam, como a passagem abaixo. Eu não gosto de ler livros emprestados - nem de bibliotecas, nem de conhecidos - porque eu tenho por hábito meter o rabisco e anotações nos livros que leio.

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"Tratava-se de livros de anatomia, fisiologia, biologia, redigidos em vários idiomas - alemão, francês, inglês - e que lhe tinham sido remetidos um belo dia pelo livreiro do lugar, evidentemente porque Hans Castorp os encomendara por sua própria iniciativa e clandestinamente, durante um passeio que dera até 'Platz' (...) Joachim perguntou por que Hans Castorp, se desejava ler esse tipo de literatura, não o pedira emprestado ao dr. Behrens, que certamente dispunha de um rico sortimento. Mas Hans Castorp replicou que preferia possuir os livros, e que a leitura era bem diferente quando o livro lhe pertencia; além disso, gostava de sublinhar e assinalar certos trechos a lápis. Durante horas a fio, Joachim ouvia do compartimento de sacada do primo o ruído da espátula que ia abrindo as folhas." (p. 368)
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Thomas Mann era um homem de seu tempo, um alemão de seu tempo naquele início de século XX. Vemos nas personagens encerradas naquelas montanhas por longo tempo as visões do mundo que surgia do século XIX e que culminariam na destruição total da civilização ocidental através das guerras mundiais. Veja abaixo uma passagem sobre a questão da ciência e da vida:

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"Que era a vida? Ninguém sabia. Ninguém conhecia o ponto donde brotava a natureza, e no qual ela se acendia. A partir desse ponto, nada havia na vida que não estivesse motivado ou o estivesse apenas insuficientemente; mas a própria vida parecia não ter motivo. A única coisa que se podia, talvez, afirmar a seu respeito, era que a sua estrutura devia ser de tal modo evoluída que não tinha, nem de longe, igual no mundo inanimado. Entre o pseudópode da ameba e o animal vertebrado, a distância era insignificante, desprezível, em comparação com aquela que existe entre o fenômeno mais simples da vida e a outra parte da natureza que nem sequer mereceria ser qualificada de morta, uma vez que era inorgânica. Pois a morte não era senão a negação lógica da vida; entre esta, porém, e a natureza inanimada abria-se um abismo por cima do qual a ciência em vão se empenhava em lançar uma ponte..." (p. 370)
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Interessante. Eu peguei o livro na estante porque reli uma curta postagem minha no blog (junho de 2008), onde comentava que estava lendo a obra de Mann. Reli, então, algumas passagens do episódio "Pesquisas", contido no capítulo 5. Reli também a apresentação de Antonio Cicero.

Amig@s leitores, é impressionante a sensação nítida de déjà vu que senti ao refletir que vivemos hoje o clima de intolerância e ódio estimulado que o mundo viveu nas décadas iniciais do século XX, e que levou à guerra que destruiria a Europa e mataria milhões de pessoas.

O final da história de Hans Castorp me levou à catarse, fiquei emocionado e arrepiado de forma que nunca me esqueci. Só de manusear a obra novamente, senti a mesma coisa.

O mundo em que vivemos hoje, o mundo da mentira que passou a ser a forma de vivência, que passou a ser aceita pelas pessoas de forma cínica, de forma burra, de forma inocente e o fim do papel das instituições políticas, sociais e estatais que regularam o mundo do pós guerras mundiais, como a ONU e um determinado estado de bem estar social, com respeito à alteridade e com freios e contrapesos, vai nos levar a uma terceira guerra envolvendo diversos países e povos, e creio que o mundo humano não sairá o mesmo como ainda saiu das duas primeiras guerras.

É isso! Quem não tiver lido ainda A Montanha Mágica, o momento mundial é muito propício para o contato com a obra de Thomas Mann, que é um romance de ficção, mas que nos leva a reflexões profundas sobre a realidade material.

William
Um leitor

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Releitura: Lula, o filho do Brasil (2002) - Denise Paraná


Lula é luz, e estamos vivendo um período de trevas,
mas nada dura para sempre. Temos que libertar Lula.

Refeição Cultural

"Espero que se o Lula ganhar para presidente da República ele ajude o povo em geral. E não tem esse negócio de ajudar parente, não. Ele vai cuidar do povo. O resto, os parentes, cada um tem que se viver por si. Do Lula eu só quero só a amizade e o carinho que ele tem pela gente. Eu quero que o Lula faça bem é para o Brasil todo. Não é para mim, para minhas irmãs, para os meus irmãos, para a turma, não. Se ele ganhar e fizer um bom governo, já está bom demais, não precisa ajudar ninguém da família. Ninguém admite o cara ser do agreste, do sertão do Norte. Sair do sertão do Norte do jeito que nós saímos e chegar à posição que o Lula chegou hoje... Eles têm inveja, é tudo inveja. Porque dinheiro não compra nada, não compra dignidade, não compra moral, não compra honestidade, não compra nada de ninguém. Tem muita ignorância nessa gente que não admite que um peão, um operário, tenha chegado onde chegou. E no Congresso tem pouca gente que pensa no povo

(Fala de Vavá, irmão de Lula, em entrevista realizada por Denise Paraná nos dias 3 e 7 de setembro de 1993. Uma década depois, Lula seria presidente e faria um governo voltado para o povo, exatamente como queria Vavá)

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Hoje, 3 de fevereiro de 2019, faz dois anos que Dona Marisa faleceu. Nesta semana que passou, faleceu também o irmão de Lula, o Vavá, no dia 29 de janeiro de 2019. Não permitiram que o ex-presidente Lula fosse ao velório e enterro de seu irmão querido, algo inimaginável num estado democrático de direito, já que a lei de execução penal permite tal fato e milhares de presos exercem esse direito todos os meses do ano.

A perda desses entes queridos na vida do presidente Lula é cercada de uma dramaticidade inacreditável e desumana ao se considerar os fatos circunscritos às duas mortes. Ambos tiveram suas vidas destruídas de forma vil e desproporcional por parte de agentes do Estado brasileiro. Dona Marisa passou por todo tipo de humilhação, exposição, assédio e agressão, vendo a perseguição implacável de sua família, casa invadida, marido filhos e netos execrados publicamente. Vavá também teve casa invadida, vida exposta e todo tipo de humilhação, só por ser da família do presidente mais querido e popular que o Brasil teve em sua história. Vavá morreu pedindo para ver Lula e não foi possível, pois Lula está preso injustamente desde abril do ano passado.

A impotência que sentimos é adoecedora ao ver essa situação na qual Lula se encontra. A dor e a vergonha que cada um de nós que temos consciência política sentimos é grande, é dilacerante, a ponto que nos pegamos sem rumo, sem saber como agir para mudar essa situação absurda em nossa vida nacional.

O livro de Denise Paraná é uma obra de arte, uma preciosidade. O objeto dos estudos de Denise é a vida de Lula e de seus familiares mais próximos desde o nascimento de Lula no sertão nordestino nos anos quarenta até o início dos anos dois mil, quando o líder popular chegou à presidência da república após quatro disputas desde 1989. Uma parte do livro é feita através de entrevistas com Lula e seus familiares entre os anos de 1993 e 1994, logo após as Caravanas da Cidadania. A outra parte é um estudo sociológico muito bem feito por parte da autora. Envolve história oral e teses desenvolvidas por ela com muita proficiência.


Deixo aqui a minha homenagem a essa figura simples,
o cidadão Vavá, que queria ver o irmão Lula. Descanse em paz!

Nesta semana em que faleceu Vavá, eu senti a necessidade de voltar ao livro, cuja leitura terminei em fevereiro de 2017, justamente quando faleceu Dona Marisa Letícia. Faleceu por sofrimento e acúmulo de violências contra ela e família. Como o livro é composto pelas próprias falas desses personagens brasileiros de origem simples e no povo, revi a entrevista com Vavá e Frei Chico, com Dona Marisa, e revi alguns outros pontos do livro.

Amig@s leitores, é muito duro ler o depoimento dessas pessoas simples e sermos testemunhas da violência estatal contra essa família, o Leviatã (de Hobbes) atuando de forma aniquiladora contra cidadãos indefesos. É terrível, é vergonhoso! Coloca sobre nossos ombros parte da responsabilidade do que estão fazendo com essas pessoas, Lula e seus familiares.

Eu recomendo a leitura do livro de Denise Paraná, para que vocês conheçam Lula e tenham a certeza de que ele e seus familiares jamais se desviariam do bom caminho. Esse é o fato, e esse é o crime deles num mundo cão, num mundo dominado por homens maus. Todos os bandidos estão livres, todas as provas que condenariam os bandidos soltos não servem pra nada. Só Lula e seus familiares, e membros de seu partido são presos e condenados sem provas.

É desesperador cada dia que passa e Lula segue naquela masmorra, incomunicável, porque ele significa a esperança de um Brasil soberano e voltado para o povo mais necessitado do Estado, num mundo que poderia ser mais justo, mais solidário, com paz e justiça social. Lula significa amor, felicidade e simplicidade, e isso é intolerável no sistema hegemônico mundial onde uma pequena elite jamais toleraria a felicidade do povo através do acesso aos bens materiais e imateriais da sociedade humana.

William

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos


Bordado Lula Livre e
Declaração Universal dos Direitos Humanos.

"Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei" (Artigo 8)

"Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado" (Artigo 9)

"Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus direitos e deveres ou fundamento de qualquer acusação criminal contra ele" (Artigo 10)

"Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa..." (Artigo 11)

"1.Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos. 2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país. 3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo, essa vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto." (Artigo 21)


10 de dezembro de 2018

Luiz Inácio Lula da Silva não foi diplomado hoje presidente do Brasil pela 3ª vez. 

Luiz Inácio Lula da Silva é homenageado por lideranças do mundo todo como um cidadão que contribuiu enormemente para o avanço dos direitos humanos contidos na Declaração que hoje completa 70 anos.

Luiz Inácio Lula da Silva foi impedido de concorrer às eleições presidenciais brasileiras quando as pesquisas de opinião indicavam forte possibilidade de ser eleito ainda no primeiro turno.

Luiz Inácio Lula da Silva está preso há mais de oito meses por condenações em primeira e segunda instâncias sem provas, por "atos indeterminados", em processos que correram mais rápido que quaisquer outros de mesmo tipo.

Luiz Inácio Lula da Silva está sem direito a voz, não pode falar ou dar entrevistas, enquanto qualquer criminoso do país tem o direito de se expressar como vários já o fizeram.

Luiz Inácio Lula da Silva nunca teve um caso de dinheiro em contas em seu nome no exterior, sua família nunca teve um centavo de crédito irregular creditado em conta nenhuma, como vasta comprovação em contas de políticos de diversos partidos e níveis de importância.

Lula é um preso político.


Foi diplomado presidente nesta data um sujeito que é declaradamente contra os direitos humanos. Um sujeito que junto com sua família política defende e pratica o oposto do que as nações do mundo declararam há 70 anos sobre os direitos humanos. Um sujeito que só ganhou a eleição porque o preferido do povo foi impedido de concorrer. E pode ter ganho porque há fortes indícios de irregularidades no processo e favorecimento de setores da justiça a esse candidato como apontam diversos veículos de comunicação.


- Hipócritas!

Eu acuso de hipócrita qualquer pessoa que faça de conta que não saiba ou perceba a diferença de tratamento dada ao cidadão Lula em relação a políticos e bilionários da elite brasileira por parte dos poderes instituídos no Brasil e por parte da imprensa chamada de 4º poder, pertencente toda ela a poucos magnatas há décadas.

Desejo que cada hipócrita que faz de conta que é correto o que estão fazendo com Lula e com o povo trabalhador e pobre fique marcado em sua história pessoal, familiar e grupal por esse papel de apoiar a injustiça. Um dia a história vai cobrar dessas pessoas; os descendentes vão cobrar dessas pessoas. 

Por mais triste que estejamos nós que estamos indignados com a injustiça cometida com Lula, sua família e com a instituição Partido dos Trabalhadores por causa da perseguição, (im)parcialidade e desejo de liquidação dessa representação legítima de setores da vida nacional, nós sabemos que estamos do lado certo da história.

Lutemos pelos direitos humanos, pela paz, pela igualdade, pela democracia, pela liberdade, pela solidariedade, pela justiça.

Lutemos pelo tratamento isonômico a Lula, lutemos por Lula Livre.

William


Post Scriptum:

Estive hoje no ato ecumênico na Catedral da Sé pela comemoração dos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O ato foi muito emocionante. Hoje foi dia de todas as pessoas progressistas e lutadoras pelos direitos humanos estarem nas ruas.

Não pude ir no ato em São Bernardo, no Sindicato dos Metalúrgicos, mas assisti pela internet. Foi muito emocionante. Lula Livre! Por uma questão de justiça!

domingo, 18 de novembro de 2018

Carta Maior - Campanha de assinaturas solidárias




Olá prezad@s amig@s e leitores do blog Refeitório Cultural,

Uma das fontes de conhecimento onde busquei informação desde o início dos anos dois mil (faz quase duas décadas), o site de esquerda Carta Maior, precisa de nós para continuar produzindo textos de alto nível nas mais diversas áreas de conhecimento.

Eu peço encarecidamente que vocês leiam o pedido de ajuda de Carta Maior, que reproduzo abaixo, e peço para aqueles que puderam que façam a assinatura solidária e conversem com seus amigos, familiares e conhecidos para que também apoiem esse importante veículo de informação.

Eu fiz minha assinatura mensal e isso é solidariedade e compromisso com o direito humano à informação e à liberdade de expressão, pois sem a contribuição dos próprios trabalhadores e cidadãos não haverá uma comunicação que de visibilidade às nossas demandas e visões de sociedade e de mundo.

Hoje, dos 700 mil leitores do site, cerca de 1.300 são parceiros-doadores, mas é necessário chegarmos a 2.000 assinantes para a manutenção das atividades. Faltam mais ou menos 700 pessoas. O leitor pode ser assinante mensal como também fazer doações anuais.

Vamos ajudar Carta Maior a seguir contribuindo com os textos excelentes que produz para nós que optamos por sermos pessoas conscientes politicamente e dispostas a lutar por um mundo mais justo, livre, igualitário e solidário.

Abraços, William

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(reprodução do site)

Carta Maior precisa de você

Por: Joaquim Ernesto Palhares
Diretor de Carta Maior

Meus queridos,

Em primeiro lugar, agradeço a todos que, compreendendo os desafios que temos pela frente, tornaram-se parceiros da Carta Maior nas últimas semanas. Graças a vocês, passamos de 1.239 para 1.297 parceiros-doadores. Uma resposta que traz ânimo e força à luta que travamos diariamente neste espaço. 

Nos últimos trinta dias, Carta Maior conseguiu alcançar a marca de 751 mil visitantes únicos (google analytics). Para quem já teve 1,8 milhão em 2014, este número é um desastre; porém, diante de todas as dificuldades, da crise e do golpe, e considerando que chegamos, no final de 2016, a 250 mil visitantes únicos, posso afirmar que os números de hoje são um extraordinário sucesso.

Você conhece a Carta Maior, não somos um veículo de guerrilha, não disputamos notícias, não cobrimos o dia a dia da política. A nossa especialidade é a análise profunda, sistemática e ideológica da política, da economia, dos direitos humanos, da mídia, notadamente da área internacional com nossas Cartas do Mundo, o Clipping Internacional e a editoria de Poder e Contrapoder.

Você sabe que para nós a informação nunca foi uma mercadoria, mas sim um bem público. Graças à consciência política de nossos colaboradores e parceiros, Carta Maior vem cumprindo a missão que a anima há mais de 17 anos: divulgar o pensamento da esquerda nacional e internacional, dotando seus leitores de argumentos sólidos junto à opinião pública.

Concebendo a informação como bem público, Carta Maior vem garantido um conteúdo de altíssima qualidade e fortemente crítico à narrativa neoliberal disseminada pelos veículos de comunicação da chamada “grande mídia”.

Na prática, veículos que elegeram o capitão à presidência do Brasil, promovendo desde sempre a criminalização da política e da esquerda; a naturalização do golpe e do austericídio econômico que interdita ao povo brasileiro qualquer oportunidade de ascensão econômica e social, de melhoria de vida, e direitos básicos como saúde, educação e trabalho.

Não tenhamos dúvidas: somente o esclarecimento, o livre pensamento, o debate e o diálogo poderão construir uma efetiva resistência contra os ataques do neoliberalismo e das novas formas de fascismo. 

Importante destacar que Carta Maior sobrevive exclusivamente da doação de seus leitores. Desses 751 mil leitores únicos mês, apenas 1.297 são parceiros doadores da Carta Maior. Esse número inviabiliza qualquer atividade nossa. Na prática, 1.297 pessoas estão pagando para que mais de 700 mil leiam o nosso conteúdo. Isso é inviável. 

Em nome da manutenção do site no ar, fui obrigado a suspender as traduções de textos do espanhol, francês e inglês. A partir de agora, eles serão publicados em sua língua original. Isso significa, em primeiro lugar, que três colaboradores perderam emprego. Em segundo, que rompemos com uma tradição de 17 anos, a de traduzir para o português textos de extrema relevância.

Há mais de dois anos, venho lutando para não encerrar as atividades da Carta Maior e para manter nosso conteúdo aberto para todos. A guerra está em curso e as condições de luta são completamente desfavoráveis para a Mídia Alternativa. 

Lutamos contra um aparato de comunicação que tem garantidas suas fontes de financiamento, inclusive, a publicidade estatal, interditada aos veículos progressistas já nas primeiras semanas do governo Temer.

O que fazer?


Frente ao fato de que todas as nossas atividades são 100% financiadas por nossos leitores, só vejo uma alternativa: multiplicar o número de doadores parceiros, para não ver esse lindo projeto desmoronar até encerrar definitivamente as suas atividades. 

Aliás, isso já aconteceu com outros veículos de esquerda. No passado, tiveram o mesmo destino o jornal Opinião, o Pasquim e, mais recentemente, a revista Caros Amigos que foi publicada por mais de vinte anos.

No ano de 2004, a Carta Maior tinha uma redação em São Paulo, com 22 jornalistas; uma sucursal em Brasília com seis jornalistas; correspondentes em Porto Alegre e Rio de Janeiro. A crise do mensalão que levou as estatais a suspenderem a publicidade na CM, nos fez reduzir 70% de tamanho e, a crise de 2016, nos fez trabalhar em home office com uma equipe muito reduzida que, agora, perde mais três colaboradores.

Não quero tomar essa decisão isoladamente, até porque o compromisso da Carta Maior não é somente com seus parceiros doadores, mas também com seus leitores. Ou encerramos ou prosseguimos. 

Como já alertei várias vezes, 2019 será um dos piores anos para o Brasil, em particular, para o nosso campo. Nunca foi preciso tanta união como neste momento. E como todos sabemos, sem comunicação, não vamos a lugar algum. 

Mas é preciso decidir: ou fechamos ou prosseguimos.

Se você acha que devemos prosseguir, ajude-nos a continuar fazendo o tipo de jornalismo que 2019 exige. Venha conosco nessa luta: torne-se um parceiro da Carta Maior. Com apenas R$1,00 por dia (R$30,00/mês) você garantirá a continuidade desse trabalho. 

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Pedimos também aos leitores já parceiros que compartilhem este texto junto a seus contatos, redes, parentes, amigos, colegas e camaradas para que possamos fortalecer essa campanha de doação. 

Nossa meta é chegar a 2.000 parceiros doadores de Carta Maior. Ajude-nos a alcançá-la. 

E não se esqueça de se cadastrar no nosso site (clique aqui) para receber nossos boletins. Neste momento, é fundamental que estejamos conectados frente a qualquer eventualidade.

Sigamos juntos,

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior

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Post Scriptum (26/09/22):

Infelizmente, o nosso principal site da esquerda, Carta Maior, saiu do ar no primeiro semestre de 2022. Fui parceiro até o fim, mas perdemos essa batalha.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Por que o fascismo prevaleceu após a 1a Guerra Mundial?


Historiador Eric Hobsbawm.

Frases que nos colocam a pensar:

"O que deu ao fascismo sua oportunidade após a Primeira Guerra Mundial foi o colapso dos velhos regimes, e com eles das velhas classes dominantes e seu maquinário de poder, influência e hegemonia. Onde estas permaneceram em boa ordem de funcionamento, não houve necessidade de fascismo...." (Pág. 129)

(HOBWBAWM, Eric. Era dos Extremos. In: Capítulo 4 - A queda do liberalismo, Companhia das Letras, 2ª Edição, 33ª reimpressão)


Pergunto aos amigos leitores: seriam Trump e Bolsonaro consequências de processos semelhantes um século depois? 


(Além, é claro, das fraudes nos processos "democráticos", pois lá no Norte os sistemas de algoritmos influenciando comportamentos e fake news via Cambridge Analytica foram denunciados após as eleições em 2016 e, aqui no Sul, as castas golpistas de 2016 impediram por zilhões de fraudes processuais o ex-presidente Lula de disputar e vencer as eleições no primeiro turno, e as fake news de Bolsonaro, financiadas por caixa 2, via empresários apoiadores do B17, conforme denúncia da Folha de São Paulo, pesaram decisivamente no resultado do processo eleitoral)


Post Scriptum (pouco depois da postagem inicial):

Vejam aqui mais uma análise de Hobwbawm sobre aquela época que, na minha opinião, muito se assemelha ao contexto dos anos 2016-2018 do século seguinte à 1ª GM:

"As condições ideais para o triunfo da ultradireita alucinada eram um Estado velho, com seus mecanismos dirigentes não mais funcionando; uma massa de cidadãos desencantados, desorientados e descontentes, não mais sabendo a quem ser leais; fortes movimentos socialistas ameaçando ou parecendo ameaçar com a revolução social, mas não de fato em posição de realizá-la; e uma inclinação do ressentimento nacionalista contra os tratados de paz de 1918-20. Essas eram as condições sob as quais as velhas elites governantes desamparadas sentiam-se tentadas a recorrer aos ultra-radicais, como fizeram os liberais italianos aos fascistas de Mussolini em 1920-22, e aos alemães aos nacional-socialistas de Hitler em 1932-3. Essas, pelo mesmo princípio, foram as condições que transformaram movimentos da direita radical em poderosas forças organizadas e às vezes uniformizadas e paramilitares (squadristi; as tropas de assalto), ou, como na Alemanha durante a Grande Depressão, em maciços exércitos eleitorais. Contudo, em nenhum dos dois Estados fascistas o fascismo 'conquistou o poder', embora na Itália e na Alemanha se explorasse muito a retórica de se 'tomar as ruas' e 'marchar sobre Roma'. Nos dois casos, o fascismo chegou ao poder pela conivência com, e na verdade (como na Itália) por iniciativa do velho regime, ou seja, de uma forma 'constitucional'." (Pág. 130)


Comentário do blog - Há semelhanças impressionantes com o contexto da tragédia farsesca que ocorreu no Brasil nas eleições de 2018.


sábado, 10 de novembro de 2018

Rumo ao abismo econômico e a uma era de extremos



Texto de opinião:

"Mas, à medida que crescia a maré do fascismo com a Grande Depressão, tornava-se cada vez mais claro que na Era da Catástrofe não apenas a paz, a estabilidade social e a economia, como também as instituições políticas e os valores intelectuais da sociedade liberal burguesa do século XIX entraram em decadência ou colapso..."

(Era dos Extremos, Eric Hobsbawm)


O historiador Hobsbawm sempre nos alertou sobre a necessidade que os políticos e economistas teriam de ouvir os historiadores para se evitar as tragédias do passado. Mas não tem jeito. Quase ninguém liga para história.

Eu reli o capítulo "Rumo ao abismo econômico" em 2016, na época da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e do golpe de Estado no Brasil. Depois eu reli o capítulo em 2017, vendo a destruição dos direitos sociais e econômicos dos trabalhadores brasileiros. Hoje reli o capítulo, após a tragédia na forma de farsa das eleições brasileiras.

"(...) embora se deva dizer logo que a quase simultânea vitória de regimes nacionalistas, belicosos e agressivos em duas grandes potências militares - Japão (1931) e Alemanha (1933) - constituiu a consequência política mais sinistra e de mais longo alcance da Grande Depressão. Os portões para a Segunda Guerra Mundial foram abertos em 1931."

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A comparação hoje valeria mais ou menos para Trump - tudo pra nós e dane-se o resto -, mas não para Bolsonaro, que é só belicoso e agressivo, mas entreguista da soberania nacional e que bate continência à bandeira americana, além de o Brasil não ter capacidade de enfrentamento militar com país algum no mundo.
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O capítulo é muito, muito bom. Ele fala de economia, e fala das consequências das decisões políticas e econômicas em relação ao comércio mundial. Fala do entre guerras e a depressão econômica (Crash de 1929). Fala da ascensão do fascismo. A concentração de renda nos anos 20 e 30 às custas de ataques aos sindicatos e direitos dos trabalhadores que impactou muito na depressão econômica e na quebra da bolsa de Nova Iorque, dentre outros panoramas gerais da época.

Amig@s leitores, são cerca de vinte páginas. À medida que vamos lendo, vamos vendo os dias de hoje - Crise do subprime, Trump e a destruição do comércio mundial com mega protecionismo americano; o lawfare chamado de impeachment da presidenta brasileira e a questão da encomenda de destruição da Petrobras e entrega do Pré-sal; as consequências dramáticas aos direitos dos trabalhadores e patrimônio público com a ascensão de Temer e Bolsonaro; o gigante mundial China e a sempre sempre Rússia; o Brexit na Inglaterra e a ameaça de ruptura da comunidade europeia; as "primaveras árabes" para derrubar governos e colocar empresas de petróleo no poder etc.

As questões econômicas dos anos 20 e 30 da Era das Catástrofes são idênticas às das duas primeiras décadas do século XXI. Mama mia! Isso vai dar merda! Sempre deu. A falácia do "livre mercado" que se ajusta sozinho destruiu tanto a economia americana, potência única após a 1ª Guerra Mundial, quanto a economia dos demais países exportadores de commodities do comércio mundial daquela época. 

Foi difícil colocar na cabeça dos economistas e políticos da época as ideias relevantes do Keynesianismo (Teoria geral do emprego, juro e dinheiro), que teria influência por décadas após o Crash de 1929, ideias que contribuíram para os anos dourados da economia mundial até início dos anos setenta.

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É necessário que as pessoas compreendam o que significam as ideias ultraliberais absurdas do suposto futuro super ministro de Bolsonaro -, o que significa o fim dos direitos trabalhistas e da previdência pública, olhando o que aconteceu lá no passado e que levou ao fascismo, ao nazismo e à 2ª Guerra Mundial.
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Eu sugiro que as lideranças populares e cientes da gravidade do momento reúnam as pessoas em sindicatos e movimentos sociais, nos partidos do campo popular e democrático, nas comunidades acadêmicas e leiam juntos este capítulo de Hobsbawm para debate estratégico após tomada de consciência do que está colocado diante de nós e que caminha para uma nova catástrofe social e humana.

Abraços a tod@s, e me coloco à disposição para lermos juntos esse texto. Nos cursos de formação que fizemos por mais de cinco anos na Contraf-CUT, em parceria com a equipe do Dieese, nós fazíamos leitura de textos como esse em voz alta e juntos. É muito bom!

Amig@s progressistas e democratas, nós precisamos salvar o mundo da demência coletiva que tomou conta de nossa época.

William

sábado, 27 de outubro de 2018

Eleições 2018 – Sociedade progressista vota Haddad pela democracia


Henfil

Pela democracia, pela tolerância à liberdade de opinião e contra o terror do totalitarismo e risco fascista, peço sua reflexão

Artigo de opinião


Olá prezad@ leitor(a), o momento que o Brasil vai viver no domingo 28/10 é definidor de nossas vidas por um longo período. A nossa vida e nossa liberdade nunca estiveram tão ameaças como agora. É por isso que artistas, intelectuais e diversas lideranças e simpatizantes de partidos não-petistas pedem voto em Haddad.

Votar contra a candidatura de cunho fascista, de ultradireita, não é fazer uma opção pelo PT nem ser petista. A sociedade civil acordou nos últimos dias para o risco de eleger um candidato que afirma que vai prender ou expurgar quem não o apoia. Isso é um horror! É a ditadura explícita. Se um filho nosso estiver na balada à noite e for pego por forças de repressão bolsonarista acontece o quê? Será eliminado? A tortura estará liberada?

Várias lideranças partidárias e sociais que não gostam do PT já fizeram a opção de votar em Haddad para defender a democracia e evitar que o Brasil se torne uma nova Alemanha nazista. Votam para evitar o mal maior, basta ver as declarações de artistas e intelectuais não-petistas, lideranças tucanas e de partidos de oposição ao PT. E não basta ser neutro, votar nulo ou branco e não votar. É preciso virar e votar Haddad.

Prezado(a) leitor(a), peço sua reflexão e o voto a favor da democracia e da liberdade em nosso país. Está claro para setores esclarecidos que votar contra Bolsonaro é evitar a barbárie que já está tomando conta do país, barbárie que atinge a nós todos e nossos filhos. Até universidades estão sendo invadidas por bolsonaristas para não permitir a liberdade de estudos e ciências. A violência e agressão contra pessoas já é de conhecimento público nas últimas semanas.

Com Haddad nós podemos ao menos seguir divergindo e debatendo o que cada um pensa. Haddad é a defesa de nossos bancos e empresas públicas. É a defesa da Educação. É o direito ao contraditório. Nos governos do PT não houve fechamento ou censura à imprensa. Não houve perseguição a ninguém, nem ameaça à vida de setores da sociedade.

Com Bolsonaro e família, será armar a população para nos matarmos por qualquer raiva que tivermos, sem contar que os trabalhadores policiais serão mortos pelas costas por armar a sociedade civil. Seremos um país com milícias, e todo mundo perde com isso. Nossos filhos e jovens principalmente. A família dele diz que vai fazer guerra contra a Venezuela: como assim? Matar nossos jovens à toa? Só para pagar compromissos bolsonaristas com as indústrias das armas e com os EUA?

Aliás, nunca na história, um candidato a presidência se escondeu dessa forma, mandando suas palavras de ordem por vídeo de dentro de algum porão e evitou debater em público para milhões de eleitores verem o debate de propostas para o país ao vivo. O que é isso!? Só por WhatsApp? E com milhões de mentiras financiadas por caixa 2 de empresários (denúncia de jornalista da Folha de São Paulo)? Um eventual presidente assim?

Peço sua reflexão e de seus entes queridos e vamos dar uma chance a democracia votando em Haddad. Votar 13 neste domingo não é ser petista. Já teremos um Congresso com mais de 300 parlamentares contra os trabalhadores (ruralistas, empresários, banqueiros etc). Será duro governar a favor do povo. Imagine então com todos do mesmo lado - Executivo e Legislativo -, sem o contraditório?

Se concorda com a reflexão que faço, por favor, compartilhe.

Abraços, William Mendes

Voto #Haddad13

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Eleições 2018 - Carta de Lula ao povo brasileiro


“Nosso nome agora é Haddad”: em carta, Lula e PT indicam candidato

Anúncio foi feito nesta terça (11), em um ato emocionante em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba com a presença de líderes e militantes



Carta de Lula ao Povo Brasileiro

“Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República”


Meus amigos e minhas amigas,

Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do país.

Nunca aceitei a injustiça nem vou aceitar. Há mais de 40 anos ando junto com o povo, defendendo a igualdade e a transformação do Brasil num país melhor e mais justo. E foi andando pelo nosso país que vi de perto o sofrimento queimando na alma e a esperança brilhando de novo nos olhos da nossa gente. Vi a indignação com as coisas muito erradas que estão acontecendo e a vontade de melhorar de vida outra vez.

Foi para corrigir tantos erros e renovar a esperança no futuro que decidi ser candidato a presidente. E apesar das mentiras e da perseguição, o povo nos abraçou nas ruas e nos levou à liderança disparada em todas as pesquisas.

Há mais de cinco meses estou preso injustamente. Não cometi nenhum crime e fui condenado pela imprensa muito antes de ser julgado. Continuo desafiando os procuradores da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro e o TRF-4 a apresentarem uma única prova contra mim, pois não se pode condenar ninguém por crimes que não praticou, por dinheiro que não desviou, por atos indeterminados.

Minha condenação é uma farsa judicial, uma vingança política, sempre usando medidas de exceção contra mim. Eles não querem prender e interditar apenas o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva. Querem prender e interditar o projeto de Brasil que a maioria aprovou em quatro eleições consecutivas, e que só foi interrompido por um golpe contra uma presidenta legitimamente eleita, que não cometeu crime de responsabilidade, jogando o país no caos.

Vocês me conhecem e sabem que eu jamais desistiria de lutar. Perdi minha companheira Marisa, amargurada com tudo o que aconteceu a nossa família, mas não desisti, até em homenagem a sua memória. Enfrentei as acusações com base na lei e no direito. Denunciei as mentiras e os abusos de autoridade em todos os tribunais, inclusive no Comitê de Direitos Humanos da ONU, que reconheceu meu direito de ser candidato.

A comunidade jurídica, dentro e fora do país, indignou-se com as aberrações cometidas por Sérgio Moro e pelo Tribunal de Porto Alegre. Lideranças de todo o mundo denunciaram o atentado à democracia em que meu processo se transformou. A imprensa internacional mostrou ao mundo o que a Globo tentou esconder.

E mesmo assim os tribunais brasileiros me negaram o direito que é garantido pela Constituição a qualquer cidadão, desde que não se chame Luiz Inácio Lula da Silva. Negaram a decisão da ONU, desrespeitando o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos que o Brasil assinou soberanamente.

Por ação, omissão e protelação, o Judiciário brasileiro privou o país de um processo eleitoral com a presença de todas as forças políticas. Cassaram o direito do povo de votar livremente. Agora querem me proibir de falar ao povo e até de aparecer na televisão. Me censuram, como na época da ditadura.

Talvez nada disso tivesse acontecido se eu não liderasse todas as pesquisas de intenção de votos. Talvez eu não estivesse preso se aceitasse abrir mão da minha candidatura. Mas eu jamais trocaria a minha dignidade pela minha liberdade, pelo compromisso que tenho com o povo brasileiro.

Fui incluído artificialmente na Lei da Ficha Limpa para ser arbitrariamente arrancado da disputa eleitoral, mas não deixarei que façam disto pretexto para aprisionar o futuro do Brasil.

É diante dessas circunstâncias que tenho de tomar uma decisão, no prazo que foi imposto de forma arbitrária. Estou indicando ao PT e à Coligação “O Povo Feliz de Novo” a substituição da minha candidatura pela do companheiro Fernando Haddad, que até este momento desempenhou com extrema lealdade a posição de candidato a vice-presidente.

Haddad e Lula. Foto: Ricardo Stuckert.

Fernando Haddad, ministro da Educação em meu governo, foi responsável por uma das mais importantes transformações em nosso país. Juntos, abrimos as portas da Universidade para quase 4 milhões de alunos de escolas públicas, negros, indígenas, filhos de trabalhadores que nunca tiveram antes esta oportunidade. Juntos criamos o Prouni, o novo Fies, as cotas, o Fundeb, o Enem, o Plano Nacional de Educação, o Pronatec e fizemos quatro vezes mais escolas técnicas do que fizeram antes em cem anos. Criamos o futuro.

Haddad é o coordenador do nosso Plano de Governo para tirar o país da crise, recebendo contribuições de milhares de pessoas e discutindo cada ponto comigo. Ele será meu representante nessa batalha para retomarmos o rumo do desenvolvimento e da justiça social.

Se querem calar nossa voz e derrotar nosso projeto para o País, estão muito enganados. Nós continuamos vivos, no coração e na memória do povo. E o nosso nome agora é Haddad.

Ao lado dele, como candidata a vice-presidente, teremos a companheira Manuela D’Ávila, confirmando nossa aliança histórica com o PCdoB, e que também conta com outras forças, como o PROS, setores do PSB, lideranças de outros partidos e, principalmente, com os movimentos sociais, trabalhadores da cidade e do campo, expoentes das forças democráticas e populares.

A nossa lealdade, minha, do Haddad e da Manuela, é com o povo em primeiro lugar. É com os sonhos de quem quer viver outra vez num país em que todos tenham comida na mesa, em que haja emprego, salário digno e proteção da lei para quem trabalha; em que as crianças tenham escola e os jovens tenham futuro; em que as famílias possam comprar o carro, a casa e continuar sonhando e realizando cada vez mais. Um país em que todos tenham oportunidades e ninguém tenha privilégios.

Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo.

Quero agradecer a solidariedade dos que me enviam mensagens e cartas, fazem orações e atos públicos pela minha liberdade, que protestam no mundo inteiro contra a perseguição e pela democracia, e especialmente aos que me acompanham diariamente na vigília em frente ao lugar onde estou.

Um homem pode ser injustamente preso, mas as suas ideias, não. Nenhum opressor pode ser maior que o povo. Por isso, nossas ideias vão chegar a todo mundo pela voz do povo, mais alta e mais forte que as mentiras da Globo.

Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para Presidente da República. E peço que votem nos nossos candidatos a governador, deputado e senador para construirmos um país mais democrático, com soberania, sem a privatização das empresas públicas, com mais justiça social, mais educação, cultura, ciência e tecnologia, com mais segurança, moradia e saúde, com mais emprego, salário digno e reforma agrária.

Nós já somos milhões de Lulas e, de hoje em diante, Fernando Haddad será Lula para milhões de brasileiros.

Até breve, meus amigos e minhas amigas. Até a vitória!

Um abraço do companheiro de sempre,

Luiz Inácio Lula da Silva


Fonte: site do PT

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Ligando os pontos do que parecia ser teoria da conspiração, por Florestan Fernandes Jr.


Comentário do Blog:

Olá prezad@s leitores e amig@s.

Compartilho com vocês excelente texto de Florestan Fernandes Jr. que "liga os pontos" de eventos ocorridos na última década e dão fortes indícios sobre o que temos defendido aqui neste espaço. O Golpe de Estado contra nós povo brasileiro foi projetado dentro de um cenário internacional de disputa de hegemonia por petróleo e contra a soberania e altivez conquistadas pelo Brasil com a chegada do PT à presidência do país. Só foi preciso por parte do imperialismo comprar alguns brasileiros vira-latas e lesas-pátrias para destruir uma nação. 

Sem reação do povo, o Brasil terá o destino que teve o México, um país gigante com 120 milhões de pessoas que desapareceu do cenário político após ser subjugado pelos Estados Unidos e por esse 1% de humanos que destrói tudo. Alguém lembra do México hoje nas políticas internacionais? Ou virou quase que uma colônia de passeio de gringos como vários países da América Central? Não que esses povos não tenham lutado, mas suas lideranças e resistências foram eliminadas pelos imperialistas, eliminadas moralmente e fisicamente.

A dor sentida é imensa por aquel@s como eu que atuam com política, com organização social, com a luta e a resistência em defesa do povo trabalhador. Ter conhecimento dessa engrenagem global de como poucos donos do mundo manuseiam e manipulam as classes alienadas e desinformadas politicamente dói profundamente. Os que não quebram psicologicamente e fisicamente é por alguma coisa que carregam dentro de si de não desistir nunca e saber que não resta outra alternativa que acordar, levantar e sair para enfrentar toda essa merda contra nós o povo trabalhador.

Como diz o presidente Lula só vamos parar de lutar pelo povo e por um mundo mais justo e solidário para o povo se morrermos. Enquanto estamos vivos e vendo toda essa destruição e injustiça é obrigação nossa sentir aversão a essa desigualdade e injustiça que vendem ideologicamente como "natural". As instituições formais do Estado brasileiro hoje estão tomadas pelas forças que aplicaram o golpe contra o povo. Ao mesmo tempo que neste instante vejo a burocracia do Estado ser usada como força repressora contra o povo, vejo que o povo pode reverter isso com a ocupação das ruas.

Quero acreditar que cada pessoa manipulada e enganada ontem pelos meios midiáticos dos donos do mundo pode acordar hoje para a realidade de sua situação de classe e se somar com aqueles que estão chamando o povo para a luta contra essa injustiça de alguns seres humanos (o 1%), que são humanos e não imortais, porque esses poucos estão destruindo as perspectivas de vida e felicidade dos 99% dos demais humanos do mundo, nós.

Seguimos com desejo de lutar por um mundo melhor para tod@s.

William


(reprodução de artigo do Viomundo)


Ligando os pontos

Em 2007 a Petrobras descobre campos enormes de petróleo em águas ultra-profundas do nosso litoral. Uma reserva de mais de 80 bilhões de barris de petróleo.

Um ano depois, em janeiro de 2008 foram roubados 4 laptops e 2 HDs com informações sigilosas da bacia de Santos.

Dados de 30 anos de pesquisas da Petrobras no valor estimado de 2 bilhões de dólares.

Em 30 de outubro de 2009, o WikiLeaks uma organização transnacional com sede na Suécia publica em sua página informações “vazadas” de governos e empresas assuntos estratégicos de interesse público.

No documento, o nome do juiz Sérgio Moro é citado como participante de uma conferência promovida pelo programa Bridges Project (“Projeto Pontes”), vinculado ao Departamento de Estado Norte-Americano, cujo objetivo era “consolidar o treinamento bilateral [entre Estados Unidos e Brasil] para aplicação da lei”.

Em 2013, uma semana após notícias de que a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi espionada pela CIA, o ex-consultor da agência de inteligência americana Edward Snowden indicou que os EUA espionavam também a Petrobras.

Em junho de 2013 a “Operação Lava Jato” tem início com o monitoramento das conversas de doleiros no Paraná.

Em março de 2014 é deflagrada a primeira fase ofensiva da operação que iria derrubar a presidente da República, paralisar a Petrobras, a economia do país e, sucatear os estaleiros responsáveis pela construção de plataformas e as fabricas de sondas de perfuração.

Tudo com a cobertura massificante dos nossos meios de comunicação.

Lá se vão 4 anos de uma lavagem que levou para o ralo, milhões de empregos, milhares de empresas públicas e privadas e quase todos os avanços sociais e econômicos.

O “novo” velho governo já extingue uma reserva ambiental em território de quase quatro milhões de hectares para atividades privadas de mineração. Anunciou a venda da gigante de energia elétrica Eletrobras, da Casa da Moeda e pasmem, vai oferecer ao mercado em leilões que pretende realizar a partir de 2018 campos de óleo e gás da Petrobras.

Ao todo, 21 áreas, com descobertas de petróleo e gás serão liberadas para petroleiras internacionais.

Parte destes poços estão localizados nas três bacias produtoras mais nobres da empresa brasileira — Campos, Santos e Espírito Santo.

Nesta quarta-feira 6*, o ex-ministro Antonio Palocci afirmou em seu depoimento ao juiz Sérgio Moro que a descoberta do pré-sal fez mal para o Brasil.

Como o pré-sal, responsável por mais da metade da produção brasileira poderia fazer mal ao país?

A afirmação é um claro sinal de submissão aos interesses estratégicos das forças que patrocinam a venda da empresa brasileira.

Para que o Brasil permaneça de joelhos é necessário agora impedir a chegada ao poder de grupos desenvolvimentistas comprometidos com a defesa das nossas riquezas. Por isso a eleição de 2018 é incerta e temerosa.

Como disse está semana o ex-ministro Bresser Pereira: “O Brasil está se condenando a ser uma economia de propriedade dos países ricos. E nós seremos todos empregados”.

(*Não dá para saber ao certo a qual data Florestan se refere)

Fonte: Viomundo