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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural 

Osasco, 14 de fevereiro de 2025. Sexta-feira. 


Saí de manhã para caminhar no Parque Continental, ver o estrago da tempestade de ontem e comprar algumas coisas no mercado.

Algumas árvores caíram na região, inclusive na frente de nosso condomínio. Lá no Parque caiu uma árvore gigante, partindo ao meio um poste de luz.

Ao descer para casa, vindo da Vila Yara, pensei no quanto minha saúde e condição física regrediram. O peso das compras agora importa, antes eu nem sofria. Sou novo, não é uma questão de idade. Talvez seja a intensidade com que vivi a vida.

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Meus problemas no quadril parecem apontar um futuro breve tenebroso. Quis o destino assim. Posso chamar a situação como "destino", casualidade. Sou o resultado da intensidade de tudo na minha vida. São as veredas que entrei e percorri.

Sobre meu sistema locomotor, tenho quase certeza que a volta ao Kung Fu aos 50 anos foi a causa da aceleração da destruição do meu quadril. Todo movimento repetitivo foi muito intenso, isso fodeu geral meu sistema articular. Destino? Acaso?

Voltar a praticar arte marcial foi uma decisão racional. Vejam as cenas nos noticiários de jovens espancando e matando pessoas mais velhas sem nenhum remorso ou receio. É um mundo bárbaro. Entendo que temos que estar preparados para não deixarmos nos matarem assim, na mão, de forma torpe. Treinei uns dois anos. É meu dever não deixar que me matem na porrada.

Sou teimoso, persistente. Ninguém pode me acusar do contrário. Posso ter sido pusilânime em vários momentos da vida, mas minha natureza é aguerrida, insistente quando persigo um objetivo. Foi assim para ser aluno de arte marcial aos 50 anos. Mas acho que paguei o preço.

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Neste momento, estou na academia do condomínio, escrevendo enquanto treino. Tenho conhecimentos na área de saúde, sei que musculação é importante para as pessoas. Estudei Educação Física e fui gestor de saúde. Tudo por acaso, mas esse saber faz parte de meu percurso de vida.

Ainda sobre saúde, tem uma história esquisita a minha vida: até uns 45 anos, eu não cuidava da saúde de forma preventiva, fazia esporte, mas não tinha consciência de saúde. Comia sal na mão tomando cerveja, bebia pra caralho, comia muita porcaria.

Nunca gostei de ir ao médico ou consultas e hospitais. Minha família só se fodia quando precisava de um atendimento ou salvamento em algum caso agudo. Meu pai e minha mãe quase morreram algumas vezes por não terem atendimento adequado. Meus pais são crônicos desde seus quarenta anos. Uma vez, fomos até os jornais denunciar que meu pai não conseguia atendimento numa crise renal.

Quando passei a ter acesso a atendimento médico como funcionário de banco público, tinha um mal-estar terrível pelo privilégio: por que eu tinha plano de saúde e meus pais e minha irmã não? Fiquei praticamente dos 22 aos 45 anos sem fazer nada preventivo, só usei a Cassi em casos agudos. E fazia os exames médicos do banco. 

Virei gestor de saúde, passei a dar exemplo como liderança dos trabalhadores nos exames preventivos, descobri que tinha pressão alta e me cuidei na última década. Talvez isso tenha me salvado a vida, evitado um infarto e ou AVC. Meu pai já teve tudo isso. Acaso? Destino?

Respondo a essas perguntas retóricas: acaso. Não acredito nessas narrativas das abstrações humanas.

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Escrevi essas lembranças do passado talvez porque esteja com uma impressão ruim do presente e do futuro. 

Tenho pensado na forma como o tio Léo adoeceu e faleceu, um homem forte como um touro, perdeu a força nas pernas e ficou numa cadeira de rodas; no meu pai que reclamava de dores crônicas desde antes de ter um plano de saúde, as dores eram no quadril; nas pessoas queridas que estão com alguma doença ou dificuldade física e querem melhorar... meu quadril bichado tem me feito pensar muita merda. 

Por falar em gente insistente e teimosa, meu pai é outro cara turrão pra caralho. Por isso que temos tantas discussões ruins. Acho que é de sangue isso... E minha mãe? Temos um trato que já dura uma vida inteira: eu me esforço pra viver e ela se esforça pra viver porque precisamos uns dos outros.

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Aí fico pensando no mundo no qual estamos enfiados, na falta de sinais de mudança de tendência do tempo escatológico no qual nos metemos: destruição da natureza pelos homens do capitalismo, a esquerda que não luta mais contra o capitalismo, eu que não caibo mais na esquerda que me politizou... tudo isso é foda!

Pra finalizar essas elucubrações do dia - depois que terminei minha série e me sentei sob o calor do sol de fim de tarde - fiquei pensando a vida... tem horas que penso naqueles objetivos que tinha traçado quando era outra pessoa, décadas atrás... quando se é jovem, os desejos e utopias são bem mais claros do que depois que ficamos velhos.

O que quero para esses dias? para fevereiro? para este ano? O que estou perseguindo agora? Vale querer o meu quadril de volta?

Queria e ainda quero um mundo mais justo para as pessoas. Saúde. Conhecimento e cultura. Amor. Ver as pessoas felizes (talvez até eu mesmo). Consideração. Me sentir parte de um projeto de mundo.

Caraca... pqp. Tenho a impressão que não vou alcançar meus objetivos...


(aquela cena do ciclista morrendo com um tiro por dois imbecis por causa de um celular... vai tomar no cu com esse mundo! Poderia ser eu ou você. Que merda de mundo é esse? Por causa de um celular?!)


Aí fico pensando se deixasse de existir de forma estúpida assim de um minuto para o outro... o que eu gostaria de fazer agora?


William 


terça-feira, 2 de julho de 2024

One Piece - Eiichiro Oda v.1



Refeição Cultural 

O mangá One Piece foi publicado pela primeira vez no Japão em 1997. A publicação saiu no Brasil pela Panini em 2012. 

Meu filho gosta do mangá e anime desde pequeno. Por incentivo dele, estamos assistindo ao anime e já passamos dos 300 episódios, terminamos os arcos Water 7 e Enies Lobby. Contei sobre essa aventura de assistir One Piece aqui.

Peguei o volume 1 do mangá para ler. O primeiro capítulo "Romance Dawn - O amanhecer de uma aventura", nos apresenta alguns personagens da saga: Monkey D. Luffy, o garoto do vilarejo; Gold Roger, o lendário "Rei dos Piratas"; Shanks, o ruivo, líder dos piratas do vilarejo; Makino, a dona do bar do vilarejo; e Higuna, líder dos bandidos da montanha. 

A história de Luffy começa com uma cena impactante: o garoto está na ponta da proa do navio, com uma faca na mão, e de repente se corta no rosto, ferimento próximo ao olho esquerdo. 

Mais adiante, vemos que o ato foi para provar sua coragem ao capitão Shanks, pois ele queria ir embora com os piratas, mas por ser muito novo não conseguiu realizar seu desejo.

Outra informação central na história foi saber que Luffy, sem querer, acabou comendo um fruto do diabo, um "akuma-no-mi", um dos tesouros dos mares. 

Luffy comeu uma fruta "gomugomu-no-mi" que transformou o garoto em homem-borracha. O problema disso foi que Luffy nunca vai aprender a nadar, uma habilidade considerada quase que indispensável para um pirata, como o capitão Shanks sugeria ao garoto quando negava levá-lo junto à tripulação do navio. 

A ação do primeiro capítulo se desenvolve quando o bandido das montanhas Higuna humilha Shanks e seu bando no bar de Makino. Shanks não reage às provocações de Higuna e o garoto Luffy fica indignado com o fato. Foi uma decepção para o menino não ver o capitão pirata reagir às provocações do bandido da montanha.



A AMIZADE, UM VALOR NOBRE

No final da ação, o que ficou demonstrado para os leitores foi que o capitão Shanks tem uma paciência enorme para provocações violentas de adversários, ele evita brigas e combates até o último instante. 

No entanto, quando alguém ameaçou um amigo de Shanks, a reação foi necessária. O bandido Higuna estava maltratando Luffy quando os piratas voltaram ao vilarejo. Nesse momento, os piratas reagiram às provocações do bando da montanha.

Shanks salva Luffy por duas vezes, primeiro do bandido Higuna e depois no mar, quando um monstro devoraria o garoto. A cena do salvamento de Luffy e de Shanks se expondo frente ao monstro é um marco na história da vida de Luffy e da saga One Piece.

Luffy promete a Shanks que vai se tornar um pirata quando crescer e que será o Rei dos Piratas. Antes de partir definitivamente, Shanks entrega a Luffy seu chapéu preferido, o Chapéu de Palha, e diz para o garoto guardar com ele o chapéu até esse dia no futuro em que Luffy será melhor que o bando dele, será o Rei dos Piratas.

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A FORÇA DAS IDEIAS E A FORÇA DA VIOLÊNCIA

Uma cena do primeiro capítulo de One Piece me fez lembrar um evento pessoal de meses atrás. Um evento triste.

Uma pessoa querida defendia a ideia que ao ser provocado num bar por tipos como Higuna a reação adequada seria resolver o problema com a força da violência ao invés da força das ideias, como fez Shanks naquele momento de humilhações no bar sem reagir a Higuna e seu bando.

O garoto Luffy ficou muito bravo com Shanks e ficou decepcionado com a não reação do capitão à provocação de Higuna. A atitude pareceu a Luffy covardia. Essa ideia era a que a pessoa querida defendia, que homem que é homem não poderia deixar de reagir perante uma provocação em uma cena de bar.

À época, eu tive a infeliz ideia de dar a minha opinião sobre essa questão de ser ou não ser homem através da atitude de reagir com violência ou não numa cena de provocação de bar. Foi uma merda. Ao dizer que isso era uma atitude de pessoas sem educação formal e formação cultural e sem ter tido contado com o mundo das ideias, a pessoa se sentiu ofendida. E nunca mais tivemos uma relação próxima como antes.

Eu não mudei de ideia, na essência do que quis dizer. Continuo achando que uma pessoa que teve acesso à cultura, que pôde alimentar as ideias e o espírito, deveria ser contra o império da força e da violência gratuita. Quem defende isso é o extremista de direita, é o fascismo.

O que mudei é que hoje eu não daria a minha opinião sem ser chamado a dá-la. O que tenho percebido é a mudança radical nos seres humanos da atualidade. Talvez tenhamos que tratar a todas as pessoas como estranhas, porque talvez todos sejamos estranhos uns aos outros. Sem intimidades ou ideias de laços inquebráveis pela convivência ou antiguidade da relação.

Me lembro quando criança os ensinamentos que eram repetidos ad nauseam pelo mestre de Kung Fu e seus discípulos que nós os alunos nunca deveríamos brigar nas ruas, deveríamos evitar ao máximo reagir com violência às provocações dos moleques na rua, eu tinha uns doze ou treze anos, porque vencedor era o que vencia sem lutar, mesmo tendo o dom de vencer lutando. No dojô tinha uma placa com esses dizeres na parede central da academia.

O que Shanks demonstrou ao garoto Luffy foi exatamente isso. Não valia a pena reagir com violência àquelas provocações no bar por tão pouco.

No entanto, o valor da amizade falou mais alto. Ao ver o mesmo bandido maltratando e ameaçando um amigo, Luffy, a reação de Shanks e seu bando foi outra.

Essa cena do primeiro capítulo de One Piece é uma carta de princípios, um valor a se defender, mesmo no mundo dos piratas: não se deve lutar sem necessidade e deve-se defender uma amizade a qualquer preço.

William


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Retrospectiva cultural 2021



Refeição Cultural

O ano de 2021 foi um ano de muita leitura para mim, felizmente. Li clássicos que há muito queria ler. Li muita poesia, inclusive conhecendo autores e poemas novos.

GÊNEROS DISCURSIVOS - No início do ano, imaginei que poderia escrever textos de ficção - contos -, cheguei a fazer três narrativas curtas em janeiro, mas depois não fiz mais. Meu perfil é mais para outros gêneros discursivos. 

Escrevi memórias, diários, textos políticos argumentativos e reflexivos, críticas literárias. Fiz 275 postagens neste blog de cultura. Acabei a revisão e impressão agora. Alguns textos são registros muito interessantes de leitura, de política e de vida.

ADEUS MARATONA E KUNG FU - Em relação às atividades humanas ligadas a esporte e saúde, comecei o ano acreditando que poderia continuar sonhando com algumas possibilidades de esportes como retomar o Kung Fu que interrompi no início da pandemia e treinar para correr a tão sonhada maratona (42K). Infelizmente, avalio que minha condição de saúde interrompeu para sempre esses objetivos. Meu quadril com desgaste não parece que vá melhorar e sim piorar a cada dia. Que triste isso!

BACHAREL EM LETRAS - Depois de uma vida estudantil dentro de nossa querida Universidade de São Paulo, na mais querida ainda Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), que comecei a frequentar como aluno em 2001, concluí os créditos que faltavam e me formei bacharel em Letras, com habilitações em Português e Espanhol. 

Após cursar as últimas disciplinas em 2010, não colei grau na época. Ao pedir o diploma anos depois, descobri que houve uma divergência nos créditos totais e foi preciso voltar à graduação em 2019. Frequentei a USP nos últimos dois anos e foram momentos de muito prazer por gostar tanto daquele espaço de vida e cultura, mesmo tendo finalizado as disciplinas através de aulas virtuais por causa da pandemia mundial.

Agora sou bacharel em Letras e Ciências Contábeis. Não sou especialista em nada. Sigo desejando ser um homem cultivado (conceito de Mircea Eliade). Se for possível, gostaria de ser menos ignorante e um pouco mais sábio. E sabedoria não é uma aquisição fácil, não se adquire só com erudição. Sei de minhas limitações. Enquanto viver, prometo a mim mesmo estudar e aprender o que for possível.

SOBREVIVENDO AO COVID-19 E ÀS OUTRAS MORTES SEVERINAS - Mortes pelo coronavírus saltaram de 200 mil no início do ano para mais de 600 mil no final de 2021. Os meses de março e abril foram os meses que mais se morreram pessoas no Brasil em sua história. Mortes diversas, mortes severinas.

Até meados do ano passado a incerteza sobre termos vacina para todos ou não era uma realidade. O regime genocida não queria que o povo brasileiro se vacinasse. A CPI mostrou que agentes do governo recusavam ofertas de vacinas das empresas produtoras para negociarem propinas através de outros fornecedores. Enquanto isso, nossos conhecidos morriam por consequências do Covid-19. 

Felizmente, sobrevivi nesses dois anos de pandemia mundial do coronavírus, eu e meus familiares mais próximos. Pelas condições, posso dizer que sou um privilegiado por estar vivo. Milhares de mortos também seguiam as recomendações da ciência, mas suas condições os expuseram a mais riscos (a necessidade de sobreviver como classe trabalhadora). A imensa maioria dos mortos é o povo da base da pirâmide social brasileira.

O SUSTO: no fim do ano, ao investigar uma pinta ou mancha na cabeça que cresceu e ficou esquisita, os profissionais da saúde decidiram meter a faca e arrancar aquilo. Arrancaram um pedacinho de mim quase do tamanho de um artelho de dedinho da mão. Semanas depois, os exames apontaram aquilo como carcinoma basocelular (câncer de pele!). Caraca! Não falo que sou um privilegiado! Por acaso minha condição permitiu descobrir aquilo. Parece que não ficaram resquícios dessa merda. Ufa!

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LEITURA DE LIVROS (57 OBRAS)

Janeiro

Completei a leitura de 3 livros. Para ler a postagem a respeito da leitura é só clicar na palavra "comentário" na frente de cada livro:

1 - Poemas 1913-1956 - Bertolt Brecht, 1986 (comentário)

2 - Las armas secretas - Julio Cortázar, 1959 (comentário)

3 - Aquele mundo de Vasabarros - José J. Veiga, 1982 (comentário)

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Fevereiro

Reli clássicos e terminei leituras começadas fazia tempo. A releitura de Mario Puzo foi para assistir aos 3 filmes dirigidos por Coppola e com roteiros de Puzo. Também assisti a uma versão do clássico de Kafka, O processo. O filme que vi foi dirigido por Orson Welles e estrelado por Anthony Perkins. Finalmente me empenhei e li o clássico de Flaubert, foram vinte anos de procrastinação. Dias atrás, assisti a uma versão cinematográfica do clássico de Flaubert (Direção de Claude Chabrol, com Isabelle Huppert, 1991):

4 - O processo - Franz Kafka, 1925 (comentário)

5 - Madame Bovary - Gustave Flaubert, 1856 (comentário)

6 - O chefão - Mario Puzo, 1969 (comentário)

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Março

Comecei a ler o grande clássico de Melville, Moby Dick. Li 3 livros de grande impacto psicológico pela qualidade de seus autores, livros pequenos no volume e grandes na mensagem - Conceição Evaristo, Saint-Exupéry e Plínio Marcos. No fim do mês, comecei a releitura de Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda.

7 - Becos da memória - Conceição Evaristo, 2006 (comentário)

8 - O pequeno príncipe - Saint-Exupéry, 1943 (comentário)

9 - Querô (uma reportagem maldita) - Plínio Marcos, 1976 (comentário)

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Abril

Fiz a releitura de diversos clássicos do modernismo brasileiro. Iniciei a leitura do livro do professor, cientista e neurologista Miguel Nicolelis, livro que mudaria minha visão de mundo. Comecei também a leitura da Odisseia de Homero, em versos, na excepcional tradução (ou transcriação) de Odorico Mendes. E... terminei a leitura de Moby Dick!

10 - Raízes do Brasil - Sérgio B. de Holanda, 1936 (comentário)

11 - Memórias sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade, 1924 (comentário)

12 - Pau-Brasil - Oswald de Andrade, 1924 (comentário)

13 - Serafim Ponte Grande - Oswald de Andrade, 1933 (comentário)

14 - Pauliceia Desvairada - Mário de Andrade, 1922 (comentário)

15 - Losango Cáqui - Mário de Andrade, 1926 (comentário)

16 - Libertinagem - Manuel Bandeira, 1930 (comentário)

17 - Moby Dick - Herman Melville, 1851 (comentário)

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Maio

Comecei a releitura de Ulysses, de James Joyce. Por estar lendo Ulysses e a Odisseia, de Homero, li vários clássicos da antiguidade.

18 - Cenas de Nova York & outras viagens - Jack Kerouac, edição de 2012 (comentário)

19 - Édipo Rei - Sófocles, 430 a.C. (comentário)

20 - A obra-prima ignorada e Um episódio durante o terror - Honoré de Balzac, séc. XIX (comentário)

21 - O conto da ilha desconhecida - José Saramago, 1998 (comentário)

22 - Antígona - Sófocles, 444 a.C. (comentário)

23 - Prometeu Acorrentado - Ésquilo, séc. V a.C. (comentário)

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Junho

As leituras de junho incluíram o bardo Shakespeare (releituras) e terminei a autobiografia do líder sul-africano Nelson Mandela. A leitura de Mandela pautou boa parte dos textos de diário e reflexões que fiz no mês. 

24 - Romeu e Julieta - William Shakespeare, 1594 (comentário)

25 - Hamleto - William Shakespeare, 1600 (comentário)

26 - Longa caminhada até a liberdade - Nelson Mandela, 2012 (comentário)

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Julho

O mês foi de leituras políticas interessantes: Florestan Fernandes, Lula, e uma excelente biografia sobre Trótski, feita por um poeta, Leminski. Foi neste mês que terminei a leitura da Odisseia de Homero na tradução de Odorico Mendes. Foi um feito para mim!

27 - O verdadeiro criador de tudo - como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos - Miguel Nicolelis, 2020 (comentário)

28 - Florestan Fernandes - vida e obra - Laurez Cerqueira, 2004 (comentário)

29 - Odisseia - Homero, século VIII a.C. (comentário)

30 - O caminho da vitória - Jesus Carlos et al., 2003 (comentário)

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Agosto

Neste mês li contos de Machado de Assis e segui com as leituras que já vinha fazendo nos meses anteriores. Comecei a reler Brás Cubas. Preenchi lacunas culturais também, desta vez com o poeta Castro Alves.

31 - Distraídos venceremos - Paulo Leminski, 1987 (comentário)

32 - Retrato do artista quando jovem - James Joyce, 1916 (comentário)

33 - Trótski - A paixão segundo a revolução - Paulo Leminski, 1986 (comentário)

34 - Espumas flutuantes - Castro Alves, 1870 (comentário)

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Setembro

O mês foi de muita leitura de Machado de Assis. Estava relendo Memórias póstumas de Brás Cubas e contos diversos.

35 - Tajá e sua gente - José J. Veiga, 1986 (comentário)

36 - Superman: entre a foice e o martelo - Mark Millar, 2003 (comentário)

37 - Ulysses - James Joyce, 1922 (comentário)

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Outubro

Neste mês, preenchi lacunas culturais muito antigas. Li os romances clássicos sobre as jovens Alice e Dorothy, a garota inglesa e a garota americana, dois ícones da cultura de seus países. Reli um best sellers de minha adolescência, um clássico de terror. Li um livro autobiográfico de um colega do BB.

38 - Câncer, eu? - Riede, 2020 (comentário)

39 - Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll, 1865 (comentário)

40 - Através do espelho e o que Alice encontrou por lá - Lewis Carroll, 1871 (comentário)

41 - O mágico de Oz - L. Frank Baum, 1900 (comentário)

42 - Horror em Amityville - Jay Anson, 1977 (comentário)

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Novembro

Tirei o mês para ler poesia. Reli os dois primeiros livros de Cecília Meireles (lidos em 2019), e depois fui lendo os livros da poeta que não conhecia ainda. Ao todo, li 7 obras dela. Reli Drummond. E li mais um livro de terror. Acabei a releitura de Brás Cubas.

43 - Espectros - Cecília Meireles, 1919 (comentário)

44 - Nunca mais... e Poema dos poemas - Cecília Meireles, 1923 (comentário)

45 - Baladas para El-Rei - Cecília Meireles, 1925 (comentário)

46 - Alguma poesia - Carlos Drummond de Andrade, 1930 (comentário)

47 - Cânticos - Cecília Meireles, 1927 (comentário)

48 - 666 O limiar do inferno - Jay Anson, 1981 (comentário)

49 - Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis, 1881 (comentário)

50 - A festa das letras - Cecília Meireles, 1937 (comentário)

51 - Brejo das Almas - Carlos Drummond de Andrade, 1934 (comentário)

52 - Morena, pena de amor - Cecília Meireles, 1939 (comentário)

53 - Sentimento do mundo - Carlos Drummond de Andrade, 1940 (comentário)

54 - Viagem - Cecília Meireles, 1939 (comentário)

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Dezembro

Pra não dizer que não registrei nada sobre esse último mês do ano de 2021, registro que vivi meu último inferno astral sindical. A direção do movimento da minha base política aprontou mais uma comigo. Como deve ser, a vida seguiu. E Drummond me deu a receita da superação mais uma vez...

55 - José - Carlos Drummond de Andrade, 1942 (comentário)

56 - As aventuras de Robinson Crusoé - Daniel Defoe, 1719 (comentário)

57 - A rosa do povo - Carlos Drummond de Andrade, 1945 (comentário)

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THE END (POR ENQUANTO)

Fim desta retrospectiva. Sobrevivi. Li. Vivi. Seguimos!

Não vou ler assim em 2022. Tenho que fazer coisas para as quais procrastinei por anos. Parece que estou me mudando há anos. Anos! Preciso acabar algumas coisas. As leituras de fôlego ficam para o caso de sobrevivermos a mais este ano. Preciso virar algumas páginas... do livro da vida.

William


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

080221 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Segunda-feira, 8 de fevereiro do 2º ano da pandemia mundial do novo coronavírus (Covid-19). Noite de clima ameno em Osasco (18º). Apesar do clima leve, o ar que respiramos é pesado porque há semanas que vemos morrer mais de mil pessoas por dia por causa da pandemia (média dos últimos 19 dias). São mais de 231 mil brasileiros mortos. E o que se vê nas ruas e por parte das autoridades é descaso e comemoração (!?). Normalizou-se a barbárie.

Acabou. Entreguei o trabalho da disciplina que fiz no semestre passado na faculdade. Em tese, foi a última disciplina que fiz para completar os créditos necessários para concluir as duas habilitações que fiz na graduação de Letras na Universidade de São Paulo. É difícil definir o que estou sentindo. Nem quero escrever sobre isso. 

O que sei é que após uma vida que levava centrada na luta política, tive duas ocupações depois que voltei para Osasco ao sair do movimento social: as aulas na faculdade e o treinamento físico através da disciplina do Kung Fu. A pandemia estragou tudo, tudo. Adorei frequentar a USP até que a pandemia acabou com isso. Nunca mais pude entrar no tatame para treinar.

E agora, José?

E agora? 

Como as coisas são como são, é buscar sentidos nas coisas como são.

William

(o tempo escorre... voa... diminui o tempo)


sábado, 14 de dezembro de 2019

141219 - Diário e reflexões



Tempos de tempestades, na vida e na política.

Refeição Cultural

Sábado, cidade de Osasco.

Recebi em casa a visita de meu pai, que ficou conosco entre segunda e quarta-feira. Ele conseguiu realizar os compromissos que havia planejado em São Paulo. Para não fechar a viagem com chave de ouro, o idoso de 77 anos passou por um problemão na hora de retornar a sua cidade em Minas Gerais. O que seria um voo de uma hora se transformou em uma novela de 24h para sair de SP e chegar a sua casa. Foi horrível e por pouco meu pai não teve outro AVC ou outro infarto, de tanto estresse que viveu entre atrasos, voos cancelados, insistências para que respeitassem seus direitos etc. Nós cidadãos somos absolutamente impotentes diante das falhas do sistema social em que vivemos. Somos coisas num mundo coisificado pelo capital.

Nesta semana aconteceram discussões políticas nas entidades sindicais que ajudei a construir e fortalecer por décadas. Não pude participar das discussões por causa dos compromissos com meu pai, prioridade evidente sendo eu a única pessoa que poderia cuidar dele durante os três dias. No entanto, caso houvesse interesse em nos ouvir, existem meios tecnológicos para isso. Uma coisa eu aprendi ao longo de nossa história com o movimento de lutas dos trabalhadores: a gente não pode perder a capacidade de se surpreender com as coisas que os seres humanos podem fazer. Eu fiquei bastante surpreso com as informações que recebi a respeito dos debates feitos. Efetivamente, me parece que todas as concepções, princípios e práticas sindicais que aprendi e exerci ao longo de décadas de formação política não existem mais, foram esquecidas ou simplesmente descartadas. Acho que todos nós da classe trabalhadora estamos perdidos e não conseguimos nos encontrar ainda. Perdemos todos com isso. A unidade parece estar cada vez mais distante no campo dos trabalhadores. Uma pena para nós! Uma ótima notícia para os inimigos!

CULTURAS

Falando de coisas boas, acontecimentos culturais. Nesta semana, reli o livro de contos Olhos d'água (2014), da escritora mineira Conceição Evaristo. Muito atual, muito reflexivo. Caso queiram ouvir o comentário que fiz em vídeo, está disponível aqui. Se tiverem interesse em ler os dois comentários que fiz a respeito de livros que li dela, ler aqui.

Em relação ao esporte e saúde, não consegui dedicar a semana aos treinos para a corrida de São Silvestre porque a prioridade foi dedicar o tempo e as energias para o exame de faixa que faremos neste domingo. Treinei quase todos os dias da semana as sequências de movimentos que já aprendemos na arte marcial que estudamos, o Kung Fu.

É isso! Vamos dormir para acordarmos com disposição e memória boa para este domingo.

William


terça-feira, 29 de setembro de 2015

Diário - 290915





Refeição Cultural

Quando acordei hoje, terça-feira, levantei-me com dificuldade e me preparei para sair para o trabalho. O corpo estava todo pedrado, como tem sido há tempos. Na véspera, trabalhei sentado cerca de 16 horas, com leituras e confecção de textos. Minutos depois, enquanto olhava pela janela e brindava a manhã úmida de Brasília, tomei uma decisão difícil, mas necessária. Não vou insistir em correr daqui a poucos dias minha primeira meia maratona. Tenho que reconhecer o contexto, ouvir o cansaço de meu corpo e aceitar que o mais importante neste momento é preservar minha saúde. Em termos psicológicos, decisões assim são muito difíceis, interromper projetos de vida. Para esportistas ou pessoas que vivem no limite, no limiar do risco à vida, saber reconhecer o momento de dar um passo atrás e recuar nos projetos é o momento de maior coragem e humildade, e depois transformar isso em crescimento interior e conhecimento de si mesmo. Esse momento de tristeza no recuo é o que muitas vezes impede um alpinista de sobreviver e não ir para a última etapa, por não aceitar os sinais que a montanha lhe deu. O mesmo vale para qualquer esporte radical. O mesmo vale para qualquer atividade física em que seu corpo é o veículo da ação. Foi ouvindo meu corpo que decidi a hora de parar com o kung fu depois de anos de prática na adolescência, o treino tinha mais contusões que prazer. Foi ouvindo meu corpo que parei com a musculação anos depois, porque era horrível chegar tão esgotado do trabalho na academia. Na corrida, sempre encontrei meu escape. Quando voltei a correr ano passado, foi porque meu corpo me avisou que meu trabalho poderia me quebrar. Com a corrida, reequilibrei meu organismo, eliminando as toxinas do estresse intenso e ininterrupto do dia a dia, mês a mês, do ano. Mas os projetos de corrida, dentro do planejamento de salvar a mim mesmo, não podem me tirar do centro. No momento, preciso correr, mas sem metas de corridas, não dou conta. Tenho que correr para salvar a minha vida, como fiz na retomada. Sem planilhas de distâncias. Vou descansar as dores todas e correr pensando em meu sistema cardio-respiratório, circulatório, muscular e cerebral. Eu não vou quebrar, vou resistir, e ainda tenho muito o que fazer por mim e principalmente pelos meus entes queridos e pessoas que gostam de mim.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Bruce Lee - O dragão chinês (1971) / Reflexões




REFEIÇÃO CULTURAL

SINOPSE

Cheng (Bruce Lee) é trazido de Hong Kong a Bancok por seu tio para trabalhar e ali viver sem utilizar seus dons de arte marcial e arrumar confusão e brigas. Ele vai morar com primos e trabalhar numa fábrica de gelo onde todos trabalham.

Ele carrega um amuleto no pescoço para se lembrar da promessa de não lutar e não se meter em confusões.

A fábrica de gelo é uma fachada para encobrir o tráfico de drogas por parte do dono e seus capatazes.

Seus primos começam a desaparecer e a partir de inúmeras tentativas de não se meter em confusão e utilizar seus dons de arte marcial, ele acaba sendo obrigado a lutar inclusive por sua vida e de seus parentes e amigos.

REMINISCÊNCIAS DA ADOLESCÊNCIA

O filme (The big boss) é um dos primeiros filmes de Bruce Lee. Uma lenda da arte marcial. Acredito que qualquer interessado em artes marciais não se canse de observar e tentar analisar cada segundo de um movimento de Bruce Lee. É a perfeição na conjugação de velocidade, força e precisão no golpe que imobiliza ou inviabiliza reação.

Tive na adolescência o privilégio de conviver com o Kung Fu. Minha vida foi um "vai pra lá, vai pra cá" absurdo. Eu poderia ter sido tanta coisa. 

Como cresci num ambiente humilde, às vezes, miserável, predominava na rua a lei do mais forte (ou adaptado). Quando ali cheguei aos dez anos, tinha os moleques que dominavam a rua e o bairro Marta Helena, em Uberlândia.

Aliás, como o mundo dos anos oitenta era diferente de hoje (o mundo anda...)! Nós ficávamos na rua desde os seis, sete anos de idade. Hoje só estão na rua com essa idade, as crianças em situação de rua, que não estão no círculo de proteção da família.

Me lembro de uma briga de rua de rolar no chão que tive na porta do Colégio Hortêncio Diniz. Devia ter, sei lá, uns doze anos. Depois me lembro do dia que cansei de ser ameaçado por outro moleque que morava na frente de casa e que era considerado o terror ali. Nos pegamos na porrada e só saí de cima dele aos socos quando a mãe dele chegou. Ali, eu me libertei...

Na academia de Kung Fu, o mestre e os auxiliares nas aulas eram enfáticos: não é para brigar na rua! (as minhas brigas de rua foram antes de entrar para a academia)

A frase estampada no quadro na parede do dojo dizia: "Vencedor é aquele que vence sem lutar, mesmo tendo o dom de vencer lutando".

Aprendi muito naqueles anos da adolescência a administrar o ódio e a raiva que tinha, a dor, e a ter uma disciplina interior intensa.

GOLPES DE BRUCE LEE QUE CHAMAM A ATENÇÃO

Vendo o filme, me lembrei de alguns ensinamentos que tínhamos nos treinamentos e na filosofia do Kung Fu.

- evite lutar, encontre outras formas de achar solução para os problemas e as divergências;

- aprenda a se defender, de preferência sem causar danos aos outros;

- se, numa situação de risco, ameaça e ataque, você tiver que lutar, seja rápido, inteligente, feroz e elimine a possibilidade do adversário continuar te atacando. Principalmente se for mais de um.

- a técnica e a habilidade não têm relação alguma com a ética, o caráter e a postura do cidadão. O "especialista", o "técnico" pode ser ou não ser um exemplo a seguir. Um mestre de Kung Fu, um médico, um engenheiro, um professor, um padre etc, pode ser honesto, desonesto, de esquerda, de direita, reacionário, libertário e por aí vai...


No filme Cheng lida com todas essas questões.

Ele evitou lutar o quanto foi possível. Mas é impressionante a rapidez e precisão de um só golpe dele para por fora de combate o adversário.

Me chamou a atenção a cena do atacante com a faca na mão na fábrica de gelo, quando Cheng lutou pela primeira vez. Em uma fração de segundos, a mesma perna usada para o chute que tirou a faca da mão do oponente, é aquela que termina o golpe eliminando o atacante.

Várias cenas mostram isso.

Um dos ensinamentos da arte marcial que para mim tem muito sentido é a energia colocada em um único e decisivo golpe. Deve ser concentrada e total. É famoso o soco de uma polegada de Bruce Lee. 

Também chamou a minha atenção, o fato do personagem Cheng ser cooptado por seu chefe inicialmente. Enquanto se espera atitudes melhores do "mocinho", ideologicamente falando, ele se pega entrando no jogo do patrão. A questão da alienação de classe se mostrou presente no filme perfeitamente. (Ai ai ai, como isso é real e presente ao nosso redor)

Por fim, é muito interessante rever filmes de arte marcial. Não gosto do que se vende hoje como esporte de luta. Quando convivi com isso, era para você mudar para melhor como pessoa e se defender, se necessário fosse.

É isso!

Post Scriptum - Morte de Bruce Lee

Uma coisa que não saiu de minha cabeça, foi relembrar sobre a morte desse fenômeno de força, potência e agilidade nas artes marciais chamado Bruce Lee. 

Ele não morreu em combate, não teve morte violenta. Tomou um comprimido para dor de cabeça aos 33 anos e teve um efeito adverso, entrou em coma e morreu. Simples assim. 

Isso nos coloca a pensar. O que somos? Somos fortes, somos resistentes. Somos frágeis por natureza e morremos ao instante seguinte... é pra pensar! Principalmente quando tudo ao nosso redor é por dinheiro, poder, sexo, ganância. A pessoa pode morrer ali, no segundo seguinte... Fala sério! 

Nossos valores deveriam ser mais coletivos e menos individuais. Ao final, William e João e Maria morrem e talvez fique algo bom que eles tenham feito para a coletividade.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Corro porque preciso do coração forte e resistente





Refeição Cultural

E então cheguei nesta quarta-feira 11 do trabalho às 20 horas e, cansadaço, saí para correr nas ruas e alamedas de Brasília. Havia feito o mesmo na segunda-feira 9. É que as coisas estão duras, diria que os tempos são de tempestades e fortes ventanias. Eu serei mais duro ainda e resistente como os finos troncos e caules que vergam, e não quebram. Resistem às piores tempestades e ventanias.

Nos minutos que paro e quedo a pensar na conjuntura e nas frentes de batalha em que estou, fico a pensar nas estratégias para não quebrar e seguir nos desafios como um guerreiro que não larga a missão nunca, nunca.

Hoje, ao sair para correr uma meia hora, ou 5 km, fiquei pensando na vida profissional, política e pessoal. 

Ao refletir sobre uma das frentes de batalha em que estou sendo atacado por forças antes aliadas, reforcei minha decisão de dias antes e não vou perder meu tempo disputando uma terra em que o solo empederniu, mesmo tendo sido adubado e arado, porém a erva daninha germinou, fortaleceu e dominou o solo.

Fiquei pensando na época em que meu querido pai, brigador contra coisas erradas, não resistiu a tantas batalhas por justiça e quedou com forte depressão e custou a sarar. Melhorou.

Eu já tenho dois grandes campos a arar, adubar, plantar, combater as diversas ervas daninhas, e ver germinar a semente que plantamos e ser incansável no cuidado para ver os frutos ou pelo menos as árvores crescendo.

Minha família está precisando de mim e eu fiquei mais longe ainda por causa de minha tarefa profissional. E minha tarefa profissional não deixará de ser meu foco e objetivo em dia nenhum de minha vida.

Quando a corrida é leve, dá para pensar. Refleti também e matutei o quanto é absurda a falta de competência e, quiça inteligência, nos espaços sociais e profissionais da atualidade.

A impressão clara é que estamos numa época "estranha, com gente esquisita..." (como diria a Legião Urbana).

Enfim, na segunda-feira, também tive um longo dia de trabalho, mas o resultado foi muito positivo porque estivemos em um debate nacional sobre a entidade de saúde onde sou gestor eleito pelos trabalhadores e mesmo estando em um fórum com mais de cem pessoas de dezenas de entidades associativas dos mais diversos campos de pensamento, acho que o resultado foi alcançado: municiar com informações as pessoas e entidades que lá estiveram e defender nossas propostas, princípios e agregar pessoas para os projetos de saúde. (ler sobre encontro que debateu Cassi AQUI)

Saí deste encontro nacional tão exaurido que busquei minha energia guerreira ao chegar a minha casa, coloquei calção e tênis e fui para a rua salvar minha pele e meu coração. Corri 4,5 km em 26 minutos.

Estou buscando no fundo de minhas memórias meus ensinamentos dos anos convividos com a arte marcial Kung Fu. Foram anos de convívio com mestres que nos preparavam para resistir, para não lutar fisicamente com as pessoas, para sermos fortes interiormente, na mente e no espírito e para termos ética e caráter.

Cada dia, busco mais esse equilíbrio para tentar levar equilíbrio ao meu entorno.

Vamos dormir que a quinta-feira 12 será de muito trabalho...

William

domingo, 23 de novembro de 2014

Rocky - A veia de lutador que habita em cada um de nós




Refeição Cultural


“Não é só uma questão de bater mais forte... é uma questão de saber suportar a dor... de persistência...” (personagem Rocky Balboa)

Não adianta negar o óbvio: que a história de cada um de nós é marcada e moldada por personagens que contatamos no passado, tanto na vida real quanto na fictícia, que nós somos hoje a soma de eventos ocorridos ao longo de nossa existência.


"O que somos é feito do que fomos, de modo que convém aceitar com serenidade o peso negativo das etapas vencidas." (Antônio Candido)


Somos hoje a soma de nosso viver. Também podemos dizer que somos fruto de nosso meio e ambiência cultural.

E olha que isso vale para tudo. Vale para nossa condição de saúde porque somos hoje o reflexo de uma vida alimentar regrada ou desregrada, bem como o hoje reflete se cuidamos de nosso corpo ou se abusamos dele. E não falo somente da questão do autocuidado.


Marcas de nossa herança proletária

Cada um de nós carrega os reflexos negativos das condições de trabalho a que fomos submetidos ao longo da nossa história proletária de venda da força de trabalho para os exploradores capitalistas.

Será que minha vista seca não é consequência das paredes e concreto que quebrei nas construções sem proteção alguma? Comi e respirei muito pó de cimento e tijolo na minha adolescência como ajudante de encanador.

Por que será que não tenho um olfato aguçado? Quantos têm noção do que é trabalhar com esgoto?

Aliás, minha história olfativa teve uma segunda dose de necessidade de bloqueio mental ao ato de cheirar: quando trabalhei em SP em distribuidora de palmitos, também na adolescência, tinha o momento pesado de descarregar caminhão com toneladas de caixas de palmito, e tinha os momentos mais “pesados” ainda – abrir latas estufadas de palmitos podres num canto isolado da empresa porque não se podia jogar fora a lata. Tive que conviver com o maior fedor do mundo...

Acho que sei porque meu cérebro bloqueou parte de meu olfato...



Personagens da primeira infância, da literatura e do cinema forjam nossa psique

Imaginem então quando falamos de personagens da literatura, do cinema, da vida política, das pessoas que tiveram alguma relação conosco durante o nosso crescimento como, por exemplo, nossos pais, nossos professores, familiares, vizinhos e amigos.

Nunca me esqueci do professor Glicério, de química, que nos ensinava a prestar atenção nas perguntas das provas para acharmos a solução adequada nas respostas... as perguntas são muito importantes mesmo!

A adolescência em condições difíceis nos anos oitenta me trouxe várias referências para suportar a vida, a dor, a tristeza, a raiva e não cair, não ficar pelo caminho. Pode não ser algo para se orgulhar ter se inspirado à esmo em personagens durões da vida real em meu entorno ou da ficção. Mas sobrevivi para depois ter outras oportunidades na vida a partir dos vinte e poucos anos.

Bom, por fim, tive boas inspirações também ao ver diariamente meus pais enfrentando com honra, ética, gana e humildade as dificuldades daquela época. É verdade que me inspirei em suportar a dor em personagens do cinema e da literatura, mas também através da arte marcial Kung Fu que tive a sorte de frequentar durante a adolescência e que me trouxe estabilidade de comportamento social.


A revisita ao passado também serve para enrijecer corpo e mente

A vida que levo há anos como militante de causas sociais é uma existência que exige uma grande energia interior, muito além daquela energia média do dia a dia de quem só está curtindo a vida e que tanto faz como tanto fez qualquer coisa. Sem nenhum demérito para a ampla maioria que vive assim. A escolha de ser militante do movimento social foi minha e eu assumo isso.

Mas para amanhecer diariamente e encaminhar as lutas para as quais nos dispusemos, é necessário encontrar força interior, equilíbrio e foco para suportar os movimentos de ataques e contra-ataques das posições contrárias no tabuleiro das lutas. É o nosso entorno diário. E é assim mesmo!

Vez por outra, revisito meus livros, meus filmes, meus personagens, testo minha resistência às dores físicas e psicológicas, enfim, me faço um guerreiro. Seja caminhando dezenas de quilômetros, seja testando o quanto ainda posso fisicamente, seja relendo livros de sociedades distópicas, seja revendo personagens como o velho pescador Santiago, ou os fantásticos e inspiradores Dom Quixote e Sancho Pança, ou também, revendo personagens dos filmes óliudianos das guerras, dos amores, das resistências.

Cada um tem seu jeito de se fortalecer.

E agora, vamos sair e tentar suportar o cansaço e cumprir meu objetivo de corrida. Vamos pra rua.

William


Post Scriptum

“A tua piscina tá cheia de ratos
tuas ideias não correspondem aos fatos...” (Cazuza)



Por falar nisso, conheço algumas figuras que adoram citar grandes políticos, filósofos e líderes religiosos como sendo suas referências – tipo Marx, Lênin, Jesus – mas que, convenhamos, acabam por ser completas aberrações entre o que pregam tais referências com a prática das figuras que as citam... vai entender, né!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O grande mestre, 2008 (reflexões e reminiscências)



Imagem de divulgação do filme de 2008.

Refeição Cultural

Sinopse:

O filme narra a história de Yip Man, desde o ano de 1935 até o período da ocupação japonesa da China entre os anos 1937-1945. Yip Man foi um mestre chinês de Wing Chu - um estilo da arte marcial Kung Fu. Seu estilo, sua filosofia e seu exemplo de vida deixaram milhões de seguidores pelo mundo e um dos mais famosos alunos do mestre Yip Man foi Bruce Lee.


Reflexões e reminiscências

Por algum motivo, este filme me fez percorrer o túnel do tempo de minha vida e ver instantes de possibilidades que não foram realizadas porque ficaram do lado que não escolhi nas encruzilhadas diárias da vida. Neste caso, eu poderia na adolescência ter seguido a vida como um professor de arte marcial se não tivesse ido tentar a sorte na minha cidade natal, São Paulo. 

O filme me fez pensar muito também no que sou, na formação de meu caráter e de minha ética. A todo instante, estou buscando respostas no passado para compreender meu presente, meus valores.

A arte marcial na sua mais pura tradição oriental é uma arte filosófica. É uma forma de aprender a se conhecer, a se dominar, a se superar e resistir à dor. Também é uma filosofia de vida para se viver em harmonia com o mundo ao nosso redor (não é essa violência de ataque gratuito que se vê por aí na atualidade).

Vendo flashbacks de minha vida durante o filme, vi instantes de um garoto como tantos outros vivendo nos anos 70 e 80 em um país com má distribuição de renda, sem liberdades, sob o regime militar (instalado a pedido de uma elite civil tacanha nos anos 60). Um garoto filho de pais simples, sem formação alguma, costureira e taxista. Um mundo de dificuldades básicas de sobrevivência e de intolerância ao seu redor.

Fui viver em Uberlândia (MG) com dez anos de idade. A infância paulistana até ali era repleta de bons momentos. Deixei meus pais em MG e voltei para SP com dezessete anos para viver primeiro com avó e primos, depois em república com estranhos e por fim sozinho em vários locais. Assim como foi até ali desde uns doze anos de idade, trabalhava no que oferecessem de serviço, por tostões e sem carteira assinada.

A lembrança que tenho de minha adolescência é de raiva e ódio. Para me estabelecer e frequentar as ruas do lugar onde cheguei, precisei aprender rápido. Me lembro logo de uma briga de rolar no chão na porta da escola Hortêncio Diniz com outro moleque. Estava na 5ª ou 6ª série. Eu era magricelo e branquelo. Vivia com medo dos outros. Até que chegou o dia em que eu encarei o moleque mais temido da minha rua e o cobri de porrada até a mãe dele vir apartar. Foi minha libertação. Ganhei respeito e minha liberdade.


Kung Fu – aprender a lutar para não lutar

“Vencedor é aquele que vence sem lutar,
mesmo tendo o dom de vencer lutando”

(frase que li por anos na parede frontal do dojô que frequentei)


Entrei em uma academia de Kung Fu quando tinha uns doze ou treze anos*. Olhando para trás e refletindo a respeito da filosofia desta arte marcial, acredito que devo ter sido salvo pelos ensinamentos que tive naqueles 4 ou 5 anos em que pratiquei o Kung Fu. Não tenho dúvidas de que os ensinamentos de meus pais também me salvaram e me fizeram sobreviver a um dos momentos de maior risco na vida humana: a adolescência.

* um adolescente dos anos 2014 não deve se balizar nos 12 ou 13 anos de idade de hoje (atualmente, acho que se é adolescente até uns 35). Nos anos 80, já trabalhávamos com 12 anos entre 8 e 12 horas por dia.

Eu aprendi a administrar meu ódio e minha raiva contra o mundo miserável e injusto em que vivemos, ouvindo por centenas de horas naqueles anos o mestre e seus auxiliares dizerem que não devemos lutar sem necessidade. Que não era para bater em ninguém nas ruas. Que tínhamos que aprender a dominar o corpo e suportar a dor. Eram centenas de abdominais por dia. Dezenas de flexões, barras e exercícios de abertura e de chutes e socos até chegar à perfeição dos movimentos. “Sem dor, sem dor...”

Mas a lição era dura também em relação ao adversário: se tiver que se defender e dar um golpe, que seja o mais eficiente possível para derrubar de vez o oponente.

Meu ódio pelo mundo injusto não diminuiu, mas foi administrado com inteligência e canalizado para fazer o bem. Parei de brigar na rua. Andava no meio das turmas (gangues) que frequentavam as ruas dos bairros Marta Helena, Industrial, Brasil, Roosevelt etc. Nas brigas violentas, eu ficava na minha. Nunca tive a índole de dar chute na cara de ninguém, ferir as pessoas. Fico muito feliz quando olho para trás e reflito sobre isso. Hoje sou representante eleito pelos trabalhadores e busco mudar a vida das pessoas através da política.


“A prática é o critério da verdade...”

(ouço essa frase o tempo todo de pessoas do movimento sindical)


Meu grande mestre.
PAI - Eu acho que dei muita sorte pelo pai que tive porque ele me ensinou - com exemplos - a brigar pelo que é certo, e ele tem a 3ª série primária. Assim, vi meu pai frequentar os órgãos de defesa do consumidor quando era lesado. Vi meu pai organizar vizinhos para brigar por algo errado no bairro. Entrar na justiça contra safados donos de empreendimentos imobiliários que lesaram centenas de pessoas. Vi a vida inteira meu pai brigar com o mundo para tentar conseguir atendimento em hospitais públicos e privados.

Não deu outra. Desde a 5ª série, lá estava eu organizando sala de aula nas escolas por onde andei. Depois na primeira faculdade no FITO em 1992. No Náutico em 1997, comprei briga com o diretor por fechar o portão e deixar de fora dezenas de alunos que pegavam trânsito em São Paulo para chegar a Mogi das Cruzes; também achei cópia de carta que fiz lá defendendo alunos maltratados por estarem inadimplentes. Depois na FFLCH-USP em 2002 na greve de 104 dias... depois no movimento sindical onde me encontro.

Minha grande mestra.
MÃE - Eu acho que dei muita sorte pela mãe que tive porque ela me ensinou, no seu jeito simples, a não violência. Enquanto meus colegas de infância e primos eram espancados em suas casas e até na frente dos outros, eu nunca apanhei. Só ficava de castigo. O critério ensinado a mim para lidar com o ser humano foi: não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você. E assim acho que fui crescendo naquele mundo miserável e violento, passando por ele, mas de forma honesta, humana e inteligente. Eu nem religião tenho, mas acredito que os ensinamentos cristãos de minha mãe ficaram em meu caráter e é provável que os siga mais do que muito religioso por aí.


Grandes mestres: sou grato a meus pais e à filosofia do Kung Fu

É isso.

Olhando para trás, acredito que a filosofia e os ensinamentos da arte marcial influenciaram aquele garoto que fui, numa época e local difícil de minha vida. Nunca mais pratiquei Kung Fu depois da adolescência, mas quando a base é boa, não perdemos os valores que adquirimos.


Cada um de nós é o resultado de uma vida. É resultado de acontecimentos diários e fortuitos e da formação recebida, tanto em casa quanto pelas oportunidades e dificuldades ao nosso redor.