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segunda-feira, 14 de abril de 2025

Diário e reflexões


Genoino e Luna: inspiração e esperança.


Refeição Cultural 

Segunda, 14 de abril de 2025. Madrugada.


O mundo humano segue seu curso. A natureza segue impactada pelas ações do mundo humano. O ser humano segue sendo uma espécie extraordinária, capaz de realizações que nenhuma outra espécie seria capaz de fazer. Mas iniciamos uma nova semana sem mudança substancial na tendência de destruição do planeta e da sociabilidade humana. Na minha leitura de mundo, o mal segue vencendo disparado o duelo contra a vida.

O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) está em greve de fome em protesto contra os homens do mal que dominam a política brasileira e o parlamento nacional: querem cassar o mandato dele por denunciar o orçamento secreto e por ser uma das vozes honestas do povo. Estamos contigo, Glauber!

O direitista Noboa seguirá mandando na política do Equador. Trump... vocês já sabem. Bolsonaro passa bem, dizem que ele teve nó nas tripas de novo: sigo afirmando que ele não será preso, infelizmente. A Globo segue existindo e fazendo o mal que faz há cem anos ao Brasil: é uma doença pestilenta passada de geração a geração.

Meus familiares com dengue em Minas Gerais vão se recuperando. Minhas primas que passaram por cirurgias estão se recuperando. Minha mãe e meu pai nos dão a felicidade de estarem entre nós: cada um a seu modo influenciou a minha vida. 

Vivendo do passado... Por mais que tente evitar, não tem jeito. Estou com a cabeça no passado; até quando durmo, não me vejo livre do passado. Na minha memória, o passado teima em permanecer. Na vida concreta, no instante cotidiano, não tenho mais passado algum. O passado não existe. O que tenho é o presente: esta segunda-feira que começa e que seguirá para mim caso eu acorde nela.

Ações da semana 

Na quarta-feira, assisti pela internet, por mais de 3 horas, a apresentação do resultado do exercício de 2024 da nossa Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil. Fui gestor eleito da autogestão (2014-2018). Não vou registrar minhas impressões sobre o resultado e sobre a gestão: uma espécie de autocensura.

Participei de uma reunião política de nosso Partido dos Trabalhadores, do diretório zonal do Butantã, de boas-vindas aos quase trezentos novos filiados e filiadas (a maioria é de mulheres). Fui principalmente para ouvir duas pessoas que me inspiram e que simbolizam a esperança na luta política: o companheiro José Genoino e a companheira Luna Zarattini, duas gerações de militância que honram o PT.

Fomos visitar familiares no Rio Pequeno e o centro das atenções é a nova vida que aquece o coração de todo mundo: o Theo, um nenê de três meses de idade. Sempre que vejo crianças e mães, sinto um misto de esperança e frustração com a sociedade humana. A vida é oportunidade diária de coisas boas. O mundo humano é ruim porque é dominado por homens e pelo capitalismo. Poderíamos ter uma sociedade acolhedora às mães e seus bebês: não temos. Me solidarizo com todas as mulheres do mundo.

Aulas de teatro no Lélia Abramo sob
orientação do ator e diretor Celso Frateschi.

No domingo, a convite da companheira Deise Lessa, participei de um grupo de teatro amador e popular coordenado pelo grande ator e diretor Celso Frateschi. Foi uma manhã de muita energia criativa. Ainda lemos Bertolt Brecht.

Arte é uma habilidade humana extraordinária. Duas características que nos fazem humanos: educação e arte.

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Devo persistir no difícil trabalho de sistematizar os milhares de textos que produzi ao longo de duas décadas de blogs. Os cadernos do blog sindical e do blog de cultura devem ser meu foco neste ano. As leituras podem seguir, de forma lenta, o que eu não posso é deixar de organizar meus textos.

"O que somos é feito do que fomos, de modo que convém aceitar com serenidade o peso negativo das etapas vencidas." (Antonio Candido)

Tenho dois momentos distintos em minha passagem pelo mundo: um, até uns trinta anos de idade, outro, após ter virado dirigente político da classe trabalhadora. Na vida antes dos trinta, sobrevivi ao ódio e à depressão por sorte e pelo amor. Na vida posterior, a politização me mudou bastante e fui alguém que interferiu positivamente na vida pública e coletiva das pessoas. Enfim, o que somos é feito do que fomos, como ensina o professor Antonio Candido.

Pensando em minha produção textual e no passado - o meu passado que só existe na minha memória e nos textos que produzi -, e muito impactado pelo filme "Meu pai" (2021), com Anthony Hopkins, que revi nesta semana, reforça em mim a necessidade de coletar e organizar o que tenho escrito.

Vamos para mais uma semana, se meu corpo animal permitir.

William


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Livro: Poemas 1913-1956 - Bertolt Brecht


Refeição Cultural

"A MINHA MÃE

Quando ela acabou, foi colocada na terra
Flores nascem, borboletas esvoejam por cima...
Leve, ela não fez pressão sobre a terra
Quanta dor foi preciso para que ficasse tão leve!
"

(BRECHT, 2012, p. 21)


Completei a leitura do livro Poemas 1913-1956 de Bertolt Brecht. A edição é da Editora 34; a seleção e tradução é de Paulo César de Souza. São 260 poemas abrangendo diversas fases da vida do escritor, dramaturgo e poeta alemão.

São poemas engajados, politizados e com fortes críticas à alienação, à religião e à falta de reação da classe trabalhadora e de suas lideranças em relação à exploração humilhante e assassina por parte dos burgueses e capitalistas. Os poemas são muito pertinentes para os tempos que vivemos, de necrocapitalismo, neoliberalismo, e ampliação da exploração das massas humanas no século 21.

1913-1926

Difícil citar só alguns poemas. A seleção já fala por si, afinal de contas é uma "seleção" organizada por Paulo César de Souza. Mesmo assim, cito alguns poemas ou alguns versos para se ter uma ideia da poética de Brecht.

O poema "Ó FALLADAH, AÍ ESTÁS PENDURADO!" tem como Eu lírico um cavalo de carroça, que após uma vida de fome, exploração e miséria cai na sarjeta, esgotado, e é cortado e comido ainda vivo pelo povo faminto, o mesmo povo que lhe dava comida quando parava por ali. A imagem é impressionante.

"Mal acabara de cair, no chão o pescoço
(O cocheiro criou asas)
Já saíam correndo das casas
Pessoas famintas; um pedaço de carne queriam obter
Com facas arrancaram-me a carne do osso
E eu que ainda vivia, não havia terminado de morrer
"

(p. 14)

Alguns poemas são bem ácidos em relação às personagens da religião cristã. O poema "MARIA" é um exemplo. Outro é o "HINO A DEUS", veja a primeira estrofe:

"No fundo dos vales escuros morrem os famintos.
Mas você lhes mostra o pão e os deixa morrer.
Mas você reina eterno e invisível
Radiante e cruel, sobre o plano infinito.
"

(p. 13)

Poemas do Manual de devoção de Bertolt Brecht

Dessa parte da seleção de poemas, um dos que são mais chocantes, na minha opinião, porque são poemas que nos incomodam, é o poema "DA COMPLACÊNCIA DA NATUREZA". Vejam uma estrofe:

"E à noite o gemido fundo e lascivo da mulher
Cobre o choro da criança no canto do quarto.
E na mão que bateu no menino cai carinhosa
A maçã da árvore mais exuberante de um ano farto.
"

(p. 44)

1926-1933

Nesta fase, os poemas são críticas agudas à ascensão do fascismo na Alemanha e na Europa. Os poemas têm como pano de fundo a miséria da crise econômica mundial.

"QUEM SE DEFENDE

Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem
              [não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos
              [todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.
"

(p. 73)

O poema "SOBRE A MANEIRA DE CONSTRUIR OBRAS DURADOURAS" nos coloca a pensar sobre a questão do tempo, da necessidade de lidar com os tempos duríssimos que estamos enfrentando no Brasil. Não devemos nos acomodar, mas temos que ter paciência porque as coisas talvez demorem muito para mudar e temos que resistir. 

No entanto, outro poema de Brecht, do mesmo período, nos relembra daquele conceito de Paulo Freire, que esperança não é esperar, é esperançar, é uma atitude ativa, de fazer, de organizar, de criar o futuro desejado.

"OS ESPERANÇOSOS

Pelo que esperam?
Que os surdos se deixem convencer
E que os insaciáveis
Lhes devolvam algo?
Os lobos os alimentarão, em vez de devorá-los!
Por amizade
Os tigres convidarão
A lhes arrancarem os dentes!
É por isso que esperam!
"

(p. 102)

Há muitos outros poemas que refletem os tempos que correm, de guerras, de perseguições, de ódio e violência, de incertezas no amanhã.

Esse período até 1933, tem muitos poemas marcantes. O livro fecha o período com "ELOGIO DO APRENDIZADO", "ELOGIO DO PARTIDO" e "MAS QUEM É O PARTIDO", seguidos pelo poema "ALEMANHA".

A questão da importância do coletivo é muito forte. Também a importância do estudo, sobre aprender sempre.

Vou terminar a postagem porque ela ficaria enorme se eu fosse perpassar período por período da seleção de poemas de Brecht. São 260 poemas e devem ser relidos com prazer.

Os outros períodos são: "1933-1938", "Dos Poemas de Svendborg", "1938-1941", "1941-1947" e "1947-1956". Ao fazer a postagem, acabei relendo a primeira parte que havia lido em 2018, foram mais 100 páginas de leituras.

Vale a pena conhecer e ler Bertolt Brecht.

Seguimos esperançosos na vida e no remédio que o tempo nos proporciona. Uma hora esse período de ascensão e predomínio do mal aqui no Brasil vai passar, esses genocidas e gente bandida e desprezível serão retirados das posições de poder e outros tempos virão. 

A pandemia de Covid-19 vai passar, demore ou não a vacina. E se tivermos as condições básicas para ficarmos em casa e evitar aglomerações, devemos seguir as recomendações de distanciamento social, uso de máscaras, higienização etc. 

E como diz o poema "PASSAGEM DA NOITE", de Drummond: 

"Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos.
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!
"


William


Bibliografia:

BRECHT, Bertolt. Poemas 1913-1956. Seleção e tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Editora 34, 2012 (7ª Edição). A 1ª ed. é de 1986.


domingo, 3 de janeiro de 2021

030121 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

Domingo, dia 3 do segundo ano do aparecimento da pandemia mundial do novo coronavírus (03/01/02 d.C - depois do Covid-19). Ou quase poderíamos dizer que hoje é o dia 03/13/2020 (d.C.). Mas não é assim. Por convenção, estamos no 3º dia do mês de janeiro do ano de 2021. Mudamos até a década. Agora começamos a terceira década do século 21 após a marcação do tempo baseada na data de nascimento do judeu Jesus de Nazaré, o Cristo. Este é o terceiro milênio após essa referência religiosa, do homem Jesus de Nazaré ou do filho de Deus, Jesus Cristo.

Enfim, estamos por aqui. Vivos e vivendo a vida do jeito que se é possível viver. Neste instante, registro alguns pensamentos e algumas coisas pessoais e diria até coletivas, pois tudo está interligado no Universo, eu inclusive com tudo ao meu redor. Neste momento respiro bem, não tenho sinais de infecção pelo tal vírus. Tenho outros problemas de saúde como a maior parte das pessoas, mas luto para viver porque tenho amor pelas pessoas e a vida é uma oportunidade única.

Terminei a leitura de mais um livro, um livro de poesias do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. São 260 poemas. Alguns me levaram a pensar muito. Boa parte deles me fez sentir indignação, mal-estar com a sociedade humana sob o capitalismo, sob as guerras. Percebi que não conheço nada de Brecht. Agora conheço esses poemas selecionados. Valeu a pena a leitura.

Fiquei pensando muito nas reflexões do filósofo Ailton Krenak, após ler sua entrevista na revista Carta Capital. Ele afirma que o capitalismo e seus arquitetos planejam um mundo onde a metade da população seja exterminada, uns 4 bilhões de pessoas. Acho que isso tem sentido e é muito sério. A tecnologia e a acumulação do presente permitem esse extermínio. A nossa vida não vale mais nada para o capitalismo, nem como mão de obra barata, já que a tecnologia mudou isso e nossa reprodução é mais cara que nos eliminar. No entanto, eu acho que a vida é o bem mais precioso e a vida de todas as pessoas. Temos que arregimentar pessoas que queiram se unir para derrotar o capitalismo e os capitalistas. São eles contra nós e o planeta. De que lado você está?

Eu aprendi durante duas décadas de convivência com as lutas da classe trabalhadora que é possível lutar por um mundo justo, solidário, desenvolvido e igualitário na distribuição da riqueza produzida. É possível!

É possível mudar as pessoas e mudar o mundo. É possível ser feliz e pertencer a projetos coletivos que simbolizem a vida. Vocês não acham?

Bom domingo a vocês!

William


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

010121 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

"1
É verdade, eu vivo em tempos negros.
Palavra inocente é tolice. Uma testa sem rugas
Indica insensibilidade. Aquele que ri
Apenas não recebeu ainda
A terrível notícia.

Que tempos são esses, em que
Falar de árvores é quase um crime
Pois implica silenciar sobre tantas barbaridades?
Aquele que atravessa a rua tranquilo
Não está mais ao alcance de seus amigos
Necessitados?
"

("Aos que vão nascer", Bertolt Brecht)


Primeiro dia do ano de 2021. Osasco, São Paulo.

Estou lendo Bertolt Brecht, um livro de poemas selecionados e traduzidos por Paulo César de Souza, publicado pela Editora 34. Ao ler a respeito do autor na "Cronologia da vida e da obra de Brecht", à página 345 da edição, fiquei surpreso. Que história; que vida! Que produção na dramaturgia! E eu sou um completo desconhecedor de sua obra. É uma confissão necessária.

Eu adquiri o livro entre o final de 2017 e início de 2018. Ao reler postagens do blog, vi que os poemas de Brecht foram escolhidos por mim para me acompanharem nas viagens pelo Brasil durante a campanha eleitoral da Cassi, a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, entre fevereiro e março daquele ano. Fiz duas postagens na época, ler aqui e aqui. Naquela oportunidade, li cerca de 150 páginas do livro. Agora, retomei para acabar a leitura.

Brecht nasceu na Alemanha em 1898 e morreu vítima de um enfarte em 1956, ou seja, morreu relativamente novo, aos 58 anos. Foi um dramaturgo e poeta que viveu as duas grandes guerras, a grande depressão econômica dos anos 30 e a Guerra Fria. Aos 26 anos, já tinha 3 filhos com 3 mulheres diferentes. Leu O Capital, de Karl Marx aos 28 anos. Leu Ulisses, de James Joyce, aos 30. Foi amigo de Walter Benjamin. Como refugiado, viveu em diversos países. Foi uma vida intensa e uma produção importante para nós que nos situamos na classe trabalhadora.

A leitura de seus poemas nos faz pensar muito, além de nos fazer sentir as emoções que a leitura de poesia nos faz.

Vamos ver se dedico esse período que se inicia hoje, o dificílimo ano de 2021 (com pandemia e sem vacina, com Bolsonaro e bolsonarismo, sem emprego e sem auxílio emergencial para o povo), com muita leitura, muitos estudos e com algum tipo de produção textual inovadora, que traga algo de novo para os leitores que acessarem o blog. A narrativa curta que produzi hoje tem esse intuito (ler aqui). Vamos ver se crio algo interessante no campo da ficção literária.

Temos que vencer o ódio e o medo, que nos cegam e imobilizam, e temos que vencer a divisão da classe trabalhadora. Só assim nascerá uma perspectiva de reverter a destruição do país e a miséria absoluta na qual o povo foi colocado após o golpe de Estado em 2016, o ano que ainda não terminou.

Abraços e boas leituras neste ano de 2021. Que eu e vocês encontremos amor, tolerância, resistência e imaginação.

William


Bibliografia:

BRECHT, Bertolt. Poemas 1913-1956. Seleção e tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Editora 34, 2012 (7ª edição).


domingo, 27 de dezembro de 2020

271220 - Diário e reflexões



Refeição Cultural

"Como se levantaria pela manhã o homem
Sem o deslembrar da noite que desfaz o rastro?
Como se ergueria pela sétima vez
Aquele derrubado seis vezes
Para lavrar o chão pedroso, voar
O céu perigoso?

A fraqueza da memória
Dá força ao homem.
"

("Elogio do esquecimento", Bertolt Brecht)


Domingo, último do fatídico ano da peste, das pestes. Ano de pandemia mundial de Covid-19. Segundo ano da desgraça do regime neofascista do clã miliciano no poder. Estamos em 2016, em 2018, em 2020 e seguiremos nesse mesmo período sem fim do pós golpe de Estado. 

Os políticos canalhas e venais do Congresso sentaram em cima de 54 pedidos de impeachment e o sujeito na presidência segue ampliando seu poder, ocupando todos os espaços locais de poder no país (como fizeram Salazar, Pinochet, Franco etc). Jornalistas progressistas estão morrendo como PHA, sendo perseguidos como Nassif, aniquilados financeiramente como vários e, em breve, talvez ninguém mais fale mal do regime.

Não há mudanças à vista, mudanças daquelas que as pessoas sonham com a passagem de data no calendário: desejos de paz, saúde, fraternidade, solidariedade, prosperidade, amizade, amor, felicidades. Que pena! Nada disso está no cenário dos dias que virão após o dia de passagem de ano para o Ano Novo.

Teremos que encontrar energias positivas em nosso ser para seguir adiante e superar os tempos duros que se avizinham. A miséria será maior para o povo brasileiro com o fim do auxílio emergencial de 600 reais (imposto ao Governo pelo Congresso em 2020, por pressão da esquerda) e sem retomada da economia, pelo menos é o que se desenha com a continuação da crise por causa da pandemia de Covid-19 sem vacinas e insumos para livrar o povo dessa peste. Aqui é Bolsonaro, o vírus é estratégico para o regime.

As mudanças terão que partir de nós mesmos, de cada um de nós. O que podemos fazer para mudarmos algo em nossas vidas pessoais e quiçá na vivência coletiva? Sem sermos vacinados, sem nos vermos livres da ameaça de morte a qualquer momento por Covid-19, sem retomarmos a liberdade de circulação, temos que pensar formas de sermos menos infelizes porque isso também está nos matando, todo dia um pouco, ou muito, mais que a morte normal da passagem do tempo. Que fazer?

Sei que não adianta fugir da realidade, se alienar, não me inteirando sobre as desgraças diárias sob o regime dos golpistas que dominam as pautas, os poderes instituídos, as ruas e os espaços públicos que ainda sobram. O poder está com eles. A grande imprensa é toda bolsonarista, mesmo enganando parte das pessoas que caem na lorota de achar que a mídia bate no governo. E a força de repressão e opressão também está com o regime. Vou me informar, mas não posso deixar que meu dia seja tomado e pautado por essas desgraças que nos matam aceleradamente.

Hoje é o segundo dia que não ligo o celular desde ontem de noite. As notícias são as mesmas, ad nauseam.

Os dois dias sem celular e redes sociais pelas horas da manhã foram dias em que li dois terços de um novo livro de Saramago, As intermitências da morte, que é fantástico! Demais! Já me fez pensar muito! E já dei boas risadas também com a estória da morte como personagem central. E hoje, ainda li um pouco de poemas de Bertolt Brecht, que estou conhecendo. E reli alguns textos meus, dos blogs. Agora vou me conectar um pouco, mas não vou ficar longo tempo nisso não. Alguns minutos de silêncio nesta manhã de domingo foram preciosos.

É isso. Acho que vou pedalar agora. Às vezes, esquecer um pouco as coisas, como nos ensina o poeta, pode nos dar força... e, às vezes, na escuridão pode estar o ponto de luz que nos ilumina, assim como na bonança também está o início das tragédias porque nada é para sempre. Tudo muda o tempo todo. 

William


segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Diário e reflexões - 260218 (Com Brecht, pensando a vida)




Refeição Cultural


"Não desperdicem um só pensamento

1

Não desperdicem um só pensamento
Com o que não pode mudar!
Não levantem um dedo
Para o que não pode ser melhorado!
Com o que não pode ser salvo.
Não vertam uma lágrima! Mas
O que existe distribuam aos famintos
Façam realizar-se o possível e esmaguem
Esmaguem o patife egoísta que lhes atrapalha 
                             [os movimentos
Quando retiram do poço seu irmão, com as cordas 
                            [que existem em abundância.
Não desperdicem um só pensamento com o que 
                           [não muda!
Mas retirem toda a humanidade sofredora do poço
Com as cordas que existem em abundância!

(...)"

(Bertolt Brecht, Poemas 1913-1956, Editora 34)


Já é madrugada de segunda-feira, 26 de fevereiro. Estou em João Pessoa, Paraíba. 

Saí de Brasília, onde mal parei no sábado à noite, para dormir. Passei o dia na estrada, indo e voltando a Goiânia, onde fui falar sobre a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil (Cassi) e nossas propostas para ela. Estamos em processo eleitoral.

A semana foi de muito esforço físico e mental e pouco dormir. Não me alimentei adequadamente também. Visitei e conversei com centenas de bancários do Ceará, Piauí, Brasília, Goiás, Tocantins. Serão umas quatro semanas assim.

Isso que relatei da agenda e da rotina, eu levo de boa. Estou acostumado a atuar assim na minha vida de lutas em defesa dos direitos dos trabalhadores. Vejam cada palavra do poema de Brecht acima: eu luto e ponho meu pensamento naquilo que acredito que pode ser mudado, melhorado.

O triste é ver a degeneração dos valores humanos nos últimos anos, tanto no Brasil sob golpe de Estado, como no mundo todo. O triste é ver a destruição de meu país e das oportunidades de melhoria de vida para o povo brasileiro que amo e respeito.

Após o golpe é nítido como o país foi destruído em dois anos e a volta da miséria para o povo ao qual pertenço, o povo da classe trabalhadora, me entristece profundamente. Me dá raiva!

Algo tem que ser feito contra os poucos que destruíram os avanços, as oportunidades e as perspectivas de dias melhores para o povo brasileiro que depende do trabalho e dos direitos sociais, que precisa de um Estado forte e acolhedor para o povo.

Eu estou triste e revoltado com o que vejo. O que me coloca no centro do equilíbrio ainda é ter uma causa pela qual venho dedicando minha vida no último período. Sou movido por causas a defender. Nos últimos anos, foram os direitos dos trabalhadores bancários e as melhorias do país para o povo.

Vamos dormir um pouco e conversar com os trabalhadores nesta semana em algumas regiões do país. A causa que representei neste período que se encerra, direitos em saúde, abrange quase um milhão de vidas. Eu estou me colocando à disposição dos associados da entidade que defendi neste período.

Vim para a Paraíba lendo no voo os poemas de Bertolt Brecht. Nesta fase em que estou de sua obra, os poemas entre 1926-1933, encontrei diversos poemas que refletem fortemente a realidade e o momento por que passam o mundo, o Brasil, o povo brasileiro, o Banco do Brasil, a Cassi, nossas famílias (todos nós ainda temos as dificuldades e tristezas na família).

O poeta e dramaturgo é muito bom. Está valendo a pena conhecer sua obra.

Vamos dormir...

William

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Vamos viajar pelo país na companhia de Bertolt Brecht


Vamos viajar o país na companhia de Brecht.

Refeição Cultural

"Quem se defende

Quem se defende porque lhe tiram o ar

Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come 
                     [o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que 
                     [morre
Não lhe é permitido se defender."

(Bertolt Brecht, Poemas 1913-1956. Editora 34)


Noite de domingo. Cheguei há pouco em Osasco, São Paulo, para pernoitar e começar uma jornada de mais ou menos cinco semanas de viagens pelo Brasil para participar do processo democrático de consulta aos associados de nossa querida Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, que vai renovar parte da governança da entidade de saúde, que pertence aos trabalhadores associados.

Ao mesmo tempo em que ficamos tristes ao ver o nosso país passando por uma de suas piores crises políticas na história, ficamos esperançosos em participar de um processo democrático que envolve quase duzentos mil cidadãs e cidadãos brasileiros. Somos oriundos e formados no movimento social desde muito jovem e acreditamos na democracia e na solução pacífica das controvérsias e divergências.

Serão semanas em que dormiremos pouco e viajaremos muito. Correria total. No entanto, eu já exerço um mandato de representação no qual procurei estar presente nas bases sociais ao longo desses quatro anos. Para mim é sempre uma alegria conversar com os trabalhadores. Vamos com o coração leve para o bom debate de ideias. Se depender de nós, o nível da campanha será alto, porque é nossa forma de fazer política.

Nestas primeiras semanas vou levar comigo Bertolt Brecht, o dramaturgo e poeta alemão que viveu um dos períodos mais conturbados do século vinte: as duas Grandes Guerras Mundiais e as crises políticas e econômicas da primeira metade do século passado. 

Eu não sou conhecedor de sua obra. Achei então que ele seria uma boa companhia de viagem, Brecht e sua vasta poética. O contexto que vivemos no Brasil e no mundo é complexo e de grandes riscos e ameaças aos povos como foi a primeira metade do século vinte, que gerou aquelas tragédias humanitárias.

O livro que adquiri tem 260 poemas de Brecht e já estou lendo. Conheci poemas interessantes.

É isso. Vamos seguir em frente e conversar com as pessoas, conversar com nossos colegas da ativa e aposentados da comunidade de trabalhadores a qual pertencemos. 

Eu terminei hoje um conjunto de textos de balanço do mandato que estamos encerrando em maio na gestão da nossa entidade de saúde. Publiquei os textos entre o fim de dezembro e hoje. 

Percorremos um período turbulento no setor de saúde e na própria Caixa de Assistência (e no Brasil), mas fizemos um mandato de resistência e manutenção dos direitos, e atuamos para fortalecer o modelo assistencial da entidade e a participação social. 

Quem se interessar em ler os textos de balanço é só clicar AQUI.

Abraços aos leitores amig@s.

William

terça-feira, 3 de março de 2009

Poema: A indiferença - Bertolt Brecht




Bertolt Brecht

A INDIFERENÇA

Primeiro, levaram os comunistas,
mas eu não me importei
porque não era nada comigo.

Em seguida, levaram alguns operários
mas, a mim não me afetou
porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas
mas, eu não me incomodei
porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
de alguns padres mas,
como nunca fui religioso,
também não liguei.

Agora, levaram-me a mim
e, quando me apercebi,
já era tarde.