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segunda-feira, 11 de março de 2024

Cuba (IV)


Heróis cubanos: Cuba preserva seu passado.

Refeição Cultural

Osasco, 11 de março de 2024. Segunda-feira.


DIFERENTE DO BRASIL, EM CUBA O GOVERNO FALA DA HISTÓRIA DA INDEPENDÊNCIA DO PAÍS TODOS OS DIAS!

Cuba e Brasil, Brasil e Cuba. Dois países com histórias seculares de dominação imperialista, dois países com uma violenta história de escravidão dos povos do continente africano, dois países com histórico de extermínio dos povos originários. Cuba e Brasil, países que mexem com o meu coração, com os meus sentimentos.

Até antes do golpe de Estado de 2016 contra a presidenta honesta Dilma Rousseff (PT), mesmo sendo um homem politizado de mais de quarenta anos de idade, eu tinha uma certa inocência política daquela mais comum no movimento organizado e nas pessoas no campo da esquerda, aquela inocência que prefere acreditar que nada de mal vai acontecer ao invés de analisar friamente a realidade e os dados materiais e se preparar para o golpe, a guerra, a morte lutando.

NO BRASIL, ACREDITA-SE DEMAIS NAS "INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS" E ELAS PARTICIPARAM DO GOLPE DE ESTADO EM 1964 E 2016

04/03/16, nas ruas defendendo
o governo Dilma.
 

Meu campo político no Brasil até que lutou contra a nova fase de golpes contra governos democráticos nas Américas e Caribe do último período, ficou nas ruas em pequenos grupos gritando "Não vai ter golpe!", duvidando que fossem prender o Lula, não acreditando que Bolsonaro poderia ser presidente do país. 

Boa parte da esquerda brasileira acreditava e segue apostando que as instituições vão funcionar e que não haverá golpe ou ruptura democrática de novo...

31/03/16, nas ruas contra o golpe,
52 anos depois de 1964.

Eu sigo com a leitura que tenho desde 2022 e 2023 de que nosso governo Lula terá dificuldade de terminar o mandato sem sofrer nova tentativa de golpe de Estado ou algum tipo de atentado contra o próprio presidente Lula. Concordo até com o jornalista Brian Mier (ouvi dele a ideia hoje na TV247) que o governo brasileiro deveria se informar com os governos cubano e venezuelano a respeito de proteção contra golpes e atentados, já que esses governos enfrentam isso com frequência.

17/04/16, nas ruas contra o golpe,
as instituições não funcionaram...

NO BRASIL, A ESQUERDA "PAGA PAU" PRA JUIZ DE DIREITA... ACHO ISSO UM EQUÍVOCO!

As pessoas do meu campo da esquerda até viraram tietes de um certo ministro da Suprema Corte colocado lá pelos traidores da pátria em 2016 e chamam ele por apelido... acho isso ridículo, um absurdo! 

O cara (o juiz apelidado) enfrentou os bolsonaristas em 2022 para salvar a própria pele, a pele deles daquela Corte, que aliás endossou o golpe de 2016 que desgraçou o país e a vida do povo brasileiro e manteve Lula preso numa masmorra por 580 dias. Mas somos assim aqui no Brasil.


EM CUBA, JOSÉ MARTÍ É A REFERÊNCIA, MARTÍ E FIDEL

Estátua de José Martí, em batalha pela
libertação de Cuba do domínio espanhol.

O povo cubano, desde o século 19, sofrendo os mesmos males e violências de todos os povos explorados das Américas e Caribe, se organizou e se rebelou para lutar por sua liberdade e autonomia em 1868, depois mais algumas vezes até 1895, quando morreu em combate uma das figuras intelectuais mais brilhantes que a espécie humana já produziu - José Martí -, e em 1898 os cubanos se libertaram dos espanhóis e já se deram conta de que não haviam se libertado do imperialismo. 


Nova luta de libertação começava, desta vez contra o mais novo império do Norte - os Estados Unidos da América -, que já estendiam suas garras sobre a maior das ilhas das Antilhas, Cuba.

EDUCAÇÃO CUBANA - Na minha opinião, várias coisas separam a história do povo cubano da história do povo brasileiro, a considerar do século 19 adiante: a Educação é uma delas. 

Os ideais martianos de liberdade e autonomia são a base da educação cubana há 150 anos. E após a Revolução, a história e a cultura fazem parte da pedagogia da educação no país.

Quando os jovens liderados por Fidel Castro se organizaram e decidiram que era a hora de enfrentar a ditadura de Fulgencio Batista em 1953 - Batista havia dado um golpe de Estado em 1952 e era bancado pelos Estados Unidos da América -, os jovens cubanos universitários eram martianos. 

Revolución es sentido del momento histórico...

Os jovens estudantes tinham como referência José Martí e a história das lutas de libertação do povo cubano desde o século anterior. E aquele processo de lutas martianas lideradas pelos jovens de 1953 no ataque ao Quartel Moncada culminou com as lutas revolucionários a partir da Sierra Maestra entre 1956 e 1º de janeiro de 1959, quando triunfa a Revolução Cubana.

Patria o muerte!

A HISTÓRIA FAZ PARTE DO COTIDIANO CUBANO

Eu acompanho as notícias de Cuba com mais atenção desde que me preparei para conhecer o país em 2023. É evidente que a forma como faço para ler do Brasil as notícias diárias da Ilha me dá a versão de um lado da história - a do regime socialista - porque leio e ouço os veículos de comunicação do governo cubano e do Partido Comunista Cubano. Mas leio críticas ao regime também, quando leio figuras como Leonardo Padura, escritor cubano importante.

No entanto, para ler e ouvir o outro lado - as versões antirrevolucionárias -, basta olhar o restante da mídia hegemônica e as mídias que os algoritmos das big techs do imperialismo apresentam a todos nós. Sempre será desproporcional a guerra cultural entre a fala da esquerda e ou dos pequenos grupos contrários ao sistema capitalista e as narrativas que falam para bilhões através das mídias do grande capital. 

O ódio à esquerda é o que mais dá likes e monetização para os direitistas e lucro para elas, as big techs.

Museu da Denúncia em Havana, Cuba.

CONHECER E ESTUDAR A HISTÓRIA É ESSENCIAL PARA A LIBERTAÇÃO DO POVO COM PASSADO COLONIAL

Enfim, o tema que me deu vontade de comentar ao refletir sobre os dois países que mexem com o meu coração - Brasil e Cuba - é a questão do momento - os 60 anos do golpe de 1964 no Brasil e os 65 anos da Revolução Cubana em 1959 - sobre falar ou não falar do passado, da história, de acontecimentos que marcaram para sempre a vida de um povo após ideias e fatos que mudaram a história.

No Brasil, o nosso governo decidiu e defende a ideia de que não se deve fazer manifestações e eventos institucionais e ou das principais organizações sociais de nosso campo da esquerda em relação aos 60 anos do golpe de Estado que colocou o país e o povo brasileiro por mais de duas décadas sob uma ditadura violenta, financiada e apoiada pelos Estados Unidos da América e pela elite do país.

Para ser médico revolucionário ou
revolucionário, tem que haver Revolução! (CHE)

Eu considero essa atitude um equívoco do nosso governo neste momento da história. O presidente Lula é a nossa maior liderança política em toda a história do Brasil e eu sei porque o presidente acha melhor contemporizar com as forças conservadoras e de extrema-direita no país, pois Lula sabe que sua correlação de forças é muito aquém do que precisaria para seguir governando e entregando minimamente aquilo que se comprometeu a fazer, e está fazendo, por mais que a comunicação do governo não consiga se sobrepor à comunicação dos inimigos, que têm o suporte das big techs com eles.

Em Cuba, todos os dias - eu disse TODOS OS DIAS - os veículos de comunicação do país trazem matérias, reportagens, efemérides sobre os heróis do povo cubano, sobre datas históricas que mudaram a vida do povo de alguma forma, não há uma escola no país que não tenha o busto ou um quadro destacando a figura de José Martí, Apóstolo da Independência do país, e isso faz toda a diferença na construção de uma mentalidade ativa e altiva do povo cubano desde a mais tenra idade. 

Lançamento do livro de Maria Leite em 2023.

Ao ler o livro da professora Maria Leite - Cuba insurgente: identidade e educação (2023), no qual a especialista apresenta estudos de quatro décadas sobre a pedagogia cubana, fica claro para mim que sem o estudo da história o povo cubano jamais teria resistido até hoje às seis décadas de bloqueio criminoso por parte dos EUA para causar miséria e humilhação ao povo que se negou a ser uma ilha de exploração dos ricos e da máfia estadunidense. Ler sobre o livro aqui.

Fidel Castro e os revolucionários
eram seguidores das ideias de
liberdade de José Martí.

Já estive em Cuba duas vezes, por duas semanas em cada vez que estive lá, e conversando com o povo cubano percebe-se com facilidade que eles têm uma educação com saber histórico anos-luz à frente do saber histórico de nosso povo brasileiro, para o qual sempre foi negada a educação libertadora defendida por Paulo Freire e outras figuras importantes da educação brasileira.

Homenagem a Che Guevara, 
em Santa Clara. O passado faz
parte da história das lutas do povo.

Quando vejo o meu governo defendendo que não falemos sobre a história, sobre a trágica história do golpe de Estado de 1964, que quase se repetiu com sucesso em 8 de janeiro de 2023, com Lula já eleito contra toda uma máquina de dinheiro e fraudes para que Bolsonaro e sua casta de militares e empresários seguissem no poder, quando vejo um equívoco desse em nosso governo, me dá um aperto no coração, uma dor no peito, que não me mata porque me acostumei a isso ao viver entre lutas, vitórias e derrotas por quase três décadas de movimento sindical e político.

José Martí,
Apóstolo da Independência.

Não se pode negar ou esconder o passado, ainda mais quando vivemos uma era onde as falsas narrativas estão vencendo o tempo inteiro porque os meios pelos quais a população mundial tem acesso a informações e desinformações são os meios concentrados das big techs, que fazem parte da guerra cultural mundial do 1% contra os 99%.

Museo de la Denuncia, La Habana.

Viva Cuba e sua aposta na educação e na preservação da história de lutas de seu povo!

Aliás, não deixem de visitar em Havana o Centro Fidel Castro Ruz e o Memorial da Denúncia, são espaços fantásticos de educação e história.

Centro Fidel Castro Ruz, Havana.

E viva o Brasil e o povo brasileiro, viva o presidente Lula, que tenho como a maior figura política de nossa história!

Viva Lula e o povo brasileiro!
Foto: Ricardo Stuckert.

Mas temos que falar e refletir sobre a história para aprender com ela e a partir das referências históricas nos organizarmos para enfrentar os novos desafios pela manutenção dos direitos do povo e pela manutenção de algo que se possa chamar de democracia, não a democracia dos donos do poder econômico, pois isso nunca foi democracia.

William Mendes


Post Scriptum: na minha opinião, o governo Lula está sob ataque organizado da extrema-direita neste momento (guerra híbrida) e acho que Lula tem que ir pra cima e nos chamar para os embates com a direita fascista. A economia cresceu, direitos sociais estão voltando, emprego aumentando e a democracia está sendo exercida. Pra cima deles, Lula!

Post Scriptum II: o texto anterior sobre as viagens a Cuba pode ser lido clicando aqui.


segunda-feira, 20 de março de 2023

Leitura: O homem que amava os cachorros - Leonardo Padura



Refeição Cultural

Osasco, 20 de março de 2023. Segunda-feira.


INTRODUÇÃO

A leitura de O homem que amava os cachorros (2009), do escritor cubano Leonardo Padura, foi uma leitura difícil para mim, considerando que tenho relativa facilidade para ler grandes romances, grandes tanto no tamanho quanto na fama que carregam. 

Peguei o livro para ler no primeiro dia do ano e achei que a leitura seria mais fácil do que foi. Demorei dois meses para ler 20 capítulos, cerca de 360 páginas, parei por duas semanas e depois decidi ler de uma vez os 10 capítulos finais, mais 230 páginas.

Um dos motivos para escolher Leonardo Padura e este livro dele para ler no início do ano foi meu desejo de conhecer um pouco mais sobre Cuba e o povo cubano sob a ótica de um escritor consagrado e da atualidade, em plena produção literária. 

Quase nada sei sobre esse encantador país socialista, país de José Martí, de Alejo Carpentier, de Fidel Castro e de um dos povos mais aguerridos do mundo. Nem a poderosa URSS resistiu aos ataques ardilosos do império norte-americano e Cuba resiste até hoje! Foda isso! Enfim, só sei de Cuba o trivial que os menos ignorantes sabem.

Na leitura adotei uma estratégia de evitar saber qualquer coisa sobre a obra. Não li o prefácio do livro antes de acabar o romance, prefácio feito por ninguém menos que o professor Gilberto Maringoni, que admiro muito. Não li nem as orelhas do livro. Não li nada na internet sobre a obra. Me lembro do amigo Coelho me dizer muitos anos atrás que eu precisava ler este livro porque ele era demais. Agora, ao postar a foto do livro na rede social, vi que muitas pessoas gostaram muito do livro. E ele é bom mesmo, muito bom!

Este comentário sobre a minha leitura do livro é mais sobre o impacto que a obra teve em mim durante a leitura do que sobre aspectos do romance. Tem muita gente boa que escreveu sobre as características impactantes da arte de Padura neste romance histórico, neste "thriller histórico", como diz o professor Maringoni. 

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OS SERES HUMANOS FAZEM A HISTÓRIA, MAS A FAZEM DE ACORDO COM AS CIRCUNSTÂNCIAS DA ÉPOCA HISTÓRICA

"Os homens fazem a sua própria história; contudo, não a fazem de livre e espontânea vontade, pois não são eles quem escolhem as circunstâncias sob as quais ela é feita, mas estas lhes foram transmitidas assim como se encontram." (Karl Marx. O 18 de brumário de Luís Bonaparte, São Paulo, Boitempo, 2011, p. 25)


Esta citação de Marx feita pelo professor Maringoni no prefácio ao livro de Leonardo Padura é central para eu tentar compreender meus sentimentos durante a leitura do romance que aborda a vida, o exílio e o assassinato de León Trótski pelo comunista espanhol Ramón Mercader a mando de Josef Stálin. O romance O homem que amava os cachorros tem esse enredo, com o acréscimo do ambiente cubano, pois a história se passa na ilha caribenha, dos anos 1970 até os anos iniciais deste século.

As leituras de História sempre são mais lentas para mim, ou as leituras de História mescladas com análises de outras ciências. O livro de Eric Hobsbawm, A era dos extremos, por exemplo, gastei um século para ler. Era foda ler mais que algumas páginas porque tomar conhecimento de tudo aquilo me estufava. Tinha que parar de ler e refletir, deglutir. O livro do filólogo sobrevivente do nazismo Victor Klemperer, LTI: A linguagem do 3º Reich, também foi dificílimo de ler. Cada capítulo era uma porrada nos sentidos e tinha que parar.

É engraçado como as coisas são meio sem padrão comigo (sem determinismos, sem certezas de resultados) porque quando li em 2021 (comentário aqui) em 15 dias as 150 páginas de trótski - a paixão segundo a revolução (1986), de Paulo Leminski, foi uma leitura rápida de um conteúdo complexo e abrangente sobre a história tanto da Rússia quanto do líder revolucionário, texto que incluiu uma análise dos personagens da obra fenomenal Os irmãos Karamázov, de Dostoiévisk. Enfim, tirando essa exceção de leitura complexa mais rápida, em geral demoro com textos que envolvem história, política, filosofia e ciências.

OS TRÊS CENÁRIOS DO ROMANCE

O romance começa introduzindo o personagem cubano Iván em sua dura vida de cidadão de país socialista vivendo as dificuldades econômicas, políticas e sociais de uma Cuba sob embargo econômico há décadas e sem os subsídios da União Soviética após o fim do regime comunista russo no início dos anos 90. A miséria cotidiana e a falta de alimentos básicos nos dão um mal-estar tremendo.

Em outro cenário e tempo histórico, vemos Liev Davidovich se deslocando no exílio pelas estepes geladas nos anos 30 e se lembrando do processo de coletivização das terras e bens dos povos que viviam na enorme extensão geográfica da Rússia. Uma frase me deixou pensando muito em como deve ter sido o processo (ver abaixo). De certa forma, o processo não foi muito diferente dos capitalistas que tomaram todas as terras dos camponeses na Inglaterra e demais países europeus nos séculos anteriores à Revolução de Outubro.

"Mas os ativistas políticos enviados por Moscou já andavam por aquelas terras, decididos a transformar as tribos nômades em trabalhadores de fazendas coletivas e suas cabras montesas em gado estatal, assim como a demonstrar a turcomanos, cazaques, uzbeques e quirguizes que o seu costume ancestral de adorar pedras ou árvores da estepe era uma atitude antimarxista deplorável a que deviam renunciar em favor do progresso de uma humanidade capaz de compreender que, ao fim e ao cabo, uma pedra é só uma pedra e que não se sente outra coisa além de um simples contato físico quando o frio e o esgotamento devoram as forças humanas e, no meio de um deserto gelado, um homem armado apenas de sua fé encontra um pedaço de rocha e o leva aos lábios." (p. 49)

Num terceiro cenário, conhecemos o jovem catalão Ramón Mercader, comunista lutando na Guerra Civil Espanhola (1936-39). Essa parte da história me enfiou nas recordações de minhas duas décadas de movimento sindical. Toda vez que o romance entrava no cenário espanhol, era só para o leitor tomar conhecimento da guerra fratricida no seio da militância da esquerda. Os "companheiros" e "companheiras" se destruíram uns aos outros, enquanto os nacionalistas, a extrema-direita e os fascistas avançavam até a vitória final e a derrota acachapante da esquerda e dos republicanos. 

Sobre o romance de Leonardo Padura, sintetizo minha opinião dizendo que a obra é fenomenal, exigiu muita pesquisa, muita amarração dos conteúdos estudados e uma criatividade de escritor que poucos teriam para preencher as lacunas que faltam nas narrativas que abordam contextos e histórias reais. Só os grandes escritores fazem isso com maestria. Machado de Assis falava sobre essa questão de preencher lacunas quando narrava histórias ou estórias ficcionais. Saramago também aborda muito isso, as lacunas preenchidas pelos escritores, é só ler A viagem do elefante (2008).

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ENTRE TROTSKISTAS, STALINISTAS E BOLHAS DIVERSAS DA ESQUERDA

Retomo a citação de Karl Marx para encerrar a postagem a respeito da leitura do livro O homem que amava os cachorros e os sentimentos diversos que senti ao longo da leitura.

"Os homens fazem a sua própria história; contudo, não a fazem de livre e espontânea vontade, pois não são eles quem escolhem as circunstâncias sob as quais ela é feita, mas estas lhes foram transmitidas assim como se encontram." (Karl Marx. O 18 de brumário de Luís Bonaparte, São Paulo, Boitempo, 2011, p. 25)


Quando cheguei ao movimento sindical como diretor eleito de um dos principais sindicatos do país, comecei a conviver com as direções do movimento, o que é diferente de pertencer às bases dos movimentos sociais. Eu já havia participado de várias ações episódicas do movimento sindical e estudantil, que também é uma experiência bem interessante. Contudo, nas cúpulas dos movimentos, a paixão e o romantismo que nos movem são intensificados até o limite do ideal.

Como não vou fazer uma retrospectiva histórica da minha experiência no movimento sindical, sintetizo um pouco pensando nas circunstâncias que não escolhemos quando fazemos parte de um período histórico, como explica Marx na citação acima.

Ao ler o romance histórico de Padura, com os personagens Iván, Liev Davidovich (Trótski), Ramón Mercader, dentre outras figuras reais ou ficcionais, o leitor se envolve com a trama, toma posição, escolhe lado, e assim também ocorre na vida real, normalmente. No romance de Padura, minha simpatia estava com Liev Davidovich, perseguido, escorraçado, exilado, humilhado, vítima de fake news, lawfare e julgamentos arbitrários e assassinado de forma covarde.

E na vida real em relação aos trotskistas, stalinistas, comunistas, socialistas, capitalistas, marxistas, fascistas, nazistas, esquerdistas, direitistas, liberais, conservadores, reacionários, privatistas, socialdemocratas, e outras nomenclaturas que têm diversas funções, para o bem e para o mal, de acordo com o uso delas? Esses nomes são parte integrante do que nós somos, homo sapiens, espécie animal que cria abstrações para organizar o mundo em tribos, em guetos, em antagonismos, e cria comunidades imaginárias o tempo todo, tanto para o bem comum quanto para o mal comum (dos outros).

Quando comecei a entender no movimento sindical a qual grupo eu pertencia, passei a compreender como as coisas funcionavam nos movimentos sociais. Do ponto de vista do grupo no qual eu estava, me lembro que ser stalinista era algo pejorativo, que remetia a autoritarismo. Ser trotskista era algo que não iria a lugar algum, porque onde houvesse mais de um militante, haveria uma divisão e fragmentação do movimento (risos). 

Como todo grupo puxa sardinha pra sua rede, bom era o grupo político ao qual eu pertencia (risos), era democrático, plural, de massas, pela base, e exercia uma forma de decisão sempre focada no convencimento e só se votava como último recurso, pois votar de cara a proposta "A" contra a proposta "B" era chance de divisão, de rachas, de ressentimentos. Convencer politicamente era melhor que simplesmente votar e pronto (contar garrafinhas, qual grupo tem mais crachás), que os derrotados aceitem e acabou (a minoria se submete e pronto?). Chamávamos isso de consenso progressivo. Minha formação política foi essa. Hoje, nem assembleias presenciais existe mais para se fazer oposição a uma proposta da direção...

As circunstâncias históricas que nos foram transmitidas eram as novidades do Novo Sindicalismo, a criação da CUT, do Partido dos Trabalhadores, as Diretas Já e a luta contra a ditadura militar, a conciliação de classes - que vigorou durante esse período que foi do final dos anos 70 até o golpe de Estado em 2016. Me politizei de forma orgânica nessa época histórica, mais especificamente a dos anos noventa adiante, do neoliberalismo dos fernandos no Brasil e depois nos governos do PT.

Quantas vezes durante a leitura do romance de Padura não me peguei olhando para trás e vendo nossas divisões e rachas por questões tanto importantes de objetivos, estratégias e táticas, quanto por questões menores, de personalismo e prioridades corporativas que superavam e muito as questões de classe... Talvez por isso a leitura tenha sido tão truncada para mim. Pelas circunstâncias históricas que nos foram legadas ontem, quando eu fiz parte daquela história e naquelas condições, e pelas que nos foram legadas hoje, em 2023, absolutamente diferentes daquelas condições nas quais me formei politicamente.

É hora de terminar a postagem. O livro do escritor cubano Leonardo Padura me convenceu da qualidade excepcional de sua arte e vou ler outros livros dele. Em relação ao tempo histórico e às circunstâncias que nos foram transmitidas, eu sigo na torcida pelo nosso governo Lula e apoiando o que eu entendo ser correto - e ainda estou calado em relação ao que julgo estar errado -, mas tem coisas que saltam aos olhos em nosso governo e precisamos contribuir para que o governo dê certo porque os inimigos estão avançados em seus projetos de nos tirar do poder e de nos eliminar, porque o mundo é assim.

William


Bibliografia:

PADURA, Leonardo. O homem que amava os cachorros. Tradução de Helena Pitta. 2ª ed. - São Paulo: Boitempo, 2015.


segunda-feira, 13 de março de 2023

Diário e reflexões - Cuba XV (13/03/23)



Refeição Cultural - Cuba (XV)

Osasco, 13 de março de 2023. Segunda-feira chuvosa.


Ao decidir no início do ano conhecer um pouco mais sobre Cuba e o povo cubano, pensei em ler livros de autores cubanos ou com a temática e história do país. Com tal estratégia definida, acabei pegando um livro clássico do autor cubano Leonardo Padura: O homem que amava os cachorros (2009). O livro já havia sido indicado a mim por vários conhecidos e como o ganhei de presente de minha esposa, escolhi ele na estante.

Registro minha opinião de leitor até aqui (não acabei a leitura): não concordo com os leitores e comentadores que disseram que a obra é de leitura fluida e fácil. Não é! A obra é maravilhosa, mas não é de leitura fácil. Imagino como deve ter sido difícil pesquisar tudo o que Padura pesquisou para construir um romance tão bem alinhavado como esse.

O romance narra a história de León Trótski, um dos líderes da Revolução de Outubro, de seu exílio nos anos trinta e de seu assassinato a mando de Stálin em 1940. 

Leonardo Padura desenvolve o romance intercalando três cenários que se imbricam ao avançar na leitura da obra. Trótski e seu percurso entre a União Soviética e o México; o espanhol comunista Ramón Mercader, da Guerra Civil Espanhola à cena do crime e o período posterior; o escritor cubano Iván no presente da narrativa, décadas depois dos fatos ocorridos nos anos 30 e 40 e 70.

A estratégia de leitura que adotei desde o início do romance havia sido uma até agora. Li sem pressa 360 páginas, 20 capítulos, entre o início do ano e duas semanas atrás. Nesse ritmo, iria acabar a leitura no dia de São Nunca. Parei a leitura e até li um livro de quase 300 páginas nesses dias. Leitura fantástica, por sinal. Ler aqui comentário sobre o livro de André Singer sobre o lulismo.

Aí, neste domingo, retomei a leitura do livro de Leonardo Padura. A estratégia mudou. Tenho que pegar firme na leitura do romance até acabar... mas a leitura é densa, é lenta, exige deste leitor um certo tempo de degustação da história. É de fato uma refeição cultural.

Cobrei de mim mesmo uma disciplina atlética na leitura. No novo ritmo, avancei 4 capítulos entre ontem e hoje e, pasmem, foram 65 páginas! Faltam 165 páginas ainda... aff!

Enfim, o romance histórico é de uma riqueza incrível, me põe a pensar. Ver o preenchimento ficcional das lacunas na história de Trótski, Stálin, da Cuba revolucionária, da guerra fria, dentre outras questões de nossa história do século XX é fascinante. Impossível não olhar para trás e ver minha vida no movimento sindical, os rachas políticos, as guerras fratricidas entre nós da esquerda etc.

Seguimos. Vamos ver se acabo a leitura nos próximos dias. Difícil... mas quem sabe, né!

William


Post Scriptum: ler aqui a postagem anterior sobre essa temática cub.ista ou cuba.ista.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Diário e reflexões - Cuba XIV (23/02/23)



Refeição Cultural - Cuba (XIV)

Osasco, 23 de fevereiro de 2023. Quinta-feira.


"Para Hilda, o livro era uma ideia maravilhosa e ela se dispôs a ajudar Ernesto. Enquanto isso, os dois estabeleceram uma rotina doméstica amigável, inspirada num programa de leituras semelhante ao que Fidel tinha com Naty. Quando não trabalhavam na magnum opus de Ernesto, os dois falavam sobre poesia: Hilda emprestou a ele uma cópia dos poemas de César Vallejo e ele dividiu com ela o grande amor que tinha por Pablo Neruda, José Hernández e Sara de Ibáñez. Juntos, eles também liam obras políticas: Engels, Marx e Sartre, acima de tudo. 'Compartilhávamos a sensação de "náusea da vida"', relembra Hilda." (Fidel e Che. Reid-Henry, p. 120)


Peguei mais algumas fitas antigas em VHS para assistir. Numa delas estava escrito "Martín Fierro". Para melhorar a experiência ao ver o filme, comecei a reler o clássico poema do gaucho argentino, escrito por José Hernández (1834-1886). A caixinha da fita estava vazia... por sorte, encontrei na internet o filme completo (2005), dirigido por Gerardo Vallejo.

Ao estudar mais a respeito de Cuba e sua história libertadora e revolucionária, vi que o jovem médico argentino, Ernesto Che Guevara era leitor de José Hernández. Que legal essa ligação entre uma leitura e outra!

Terminei a 1ª parte do livro Fidel e Che - Uma amizade revolucionária (2009), de Simon Reid-Henry. Li o livro em 2010 quando o ganhei de presente. A releitura é quase uma leitura nova.

Terminei a 1ª parte do romance do escritor cubano Leonardo Padura - O homem que amava os cachorros (2009) e já estou no terceiro capítulo da 2ª parte. A impressão que tenho é que o livro é grande demais para a história. Talvez seja porque fazer uma ficção histórica sobre León Trótski seja de fato algo enorme só de pensar, imagina então para completar as lacunas da história do assassinato do líder da Revolução Russa a mando de Josef Stálin?

Em relação ao estudo de línguas e linguagem, ando devagar. Comecei a estudar espanhol na plataforma do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) para relembrar minhas habilidades com a língua, mas ando a passos de tartaruga na sequência das aulas. Estou devagar também com as outras línguas que me esforço no aprendizado, o inglês e o japonês. Estudar pouco é melhor do que não estudar nada. Tenho lido e ouvido muito espanhol, de diversos acentos e isso é bom. Meu ouvido já está bem aguçado para as nuanças dos falares de cada país de língua espanhola.

É isso! Aprender algo diariamente e ser menos ignorante deveria ser o objetivo de toda pessoa que queira melhorar como ser humano e que queira melhorar o mundo no qual estamos também.

William


Post Scriptum: texto anterior dessa série cub.ista pode ser lido aqui.


Bibliografia:

REID-HENRY, Simon. Fidel e Che - Uma amizade revolucionária. Tradução: Beatriz Velloso. 1ª edição. Editora Globo. São Paulo, 2010.


sábado, 18 de fevereiro de 2023

Diário e reflexões - Cuba XIII (16/02/23)



Refeição Cultural - Cuba (XIII)

Osasco, 18 de fevereiro de 2023. Sábado de Carnaval de muita chuva.


Ando um pouco cansado por esses dias. Cansaço é cansaço, seja ele físico ou mental ou existencial. Mesmo assim, faço praticamente tudo que me toca fazer. Tenho ido a reuniões políticas do PT, fui à manifestação contra a taxa de juros extorsiva do Bacen, pego os livros que estou lendo e leio, vejo algumas coisas que planejei ver, faço atividades físicas... mas ando um pouco cansado. Banzo...

Um dos poucos objetivos traçados por mim para esses meses do viver é conhecer um pouco mais a respeito de Cuba e do maravilhoso povo cubano, um caso exemplar de resistência contra a hegemonia do imperialismo e do capitalismo. À medida que leio alguma coisa, aumenta a certeza sobre a minha ignorância incômoda por não saber nada a respeito da história cubana.

Vi nesta semana uma entrevista do Breno Altman a uma médica de família brasileira que me trouxe muita informação sobre Cuba. O programa "20 minutos entrevista" do Ópera Mundi do dia 07/02/23 ouviu a médica mineira Júlia Rocha, que esteve recentemente em Cuba e nos conta um pouco da experiência que viveu por lá. É uma entrevista esclarecedora! Vale a pena ver.

Em relação às leituras sobre Cuba, estou lendo 3 livros: uma antologia de José Martí, um romance de Leonardo Padura e um livro sobre a amizade entre Fidel Castro e Ernesto Che Guevara. Também está na fila o livro de Fernando Morais, A ilha

Outra atividade que estou desenvolvendo é relembrar as habilidades da língua espanhola, pois é natural que o idioma aprendido se perca se não praticamos a nova língua estrangeira apreendida.

Enfim, para o cansaço que estou já escrevi o bastante. Sigo com aquele banzo danado.

William


Post Scriptum: clique aqui caso tenha interesse em ler o texto anterior sobre meus descobrimentos cuba.istas.


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Diário e reflexões - Cuba XI (09/02/23)



Refeição Cultural - Cuba (XI)

Osasco, 09 de fevereiro de 2023. Fim de noite de quinta-feira.


Mais um dia de minha vida vai terminando. À minha esquerda, uma bonita lua ilumina o céu. A natureza é bela aos olhos do animal humano que pensa a respeito da lua, do sol e a respeito de tudo que está ao nosso redor. Somos natureza. Na Turquia e Síria, a natureza tremeu e mudou tudo em instantes. São mais de 20 mil mortos após o terremoto. A natureza é incontrolável! Estados Unidos e Otan querem aniquilar um país que possui bombas atômicas, a Rússia, que defende seu direito de existir. Isso pode dar uma merda global. A lua, o terremoto, a estupidez humana: tudo isso é a natureza.

Defini que iria estudar um pouco sobre Cuba e os cubanos nos primeiros meses deste ano. A história desse povo caribenho é fantástica e motivadora para nós que há séculos somos explorados pelos impérios do Norte e ainda hoje somos hegemonizados pelas ideologias dominantes desses imperialistas que pouco se importam conosco, povos do Sul, e com a vida na Terra. Estou perseguindo esse objetivo que tracei e sei um grama a mais sobre Cuba em relação ao ontem. Sei até sobre o Granma (rsrs).

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"(...) Liev Davidovitch contemplou a paisagem norueguesa e, como escreveria pouco depois, enquanto se afastavam do fiorde, fez em silêncio o balanço do seu exílio, para se certificar de que as perdas e frustrações superavam largamente os duvidosos ganhos. Nove anos de marginalização e ataques tinham conseguido transformá-lo num pária, num novo judeu errante condenado ao escárnio e à espera de uma morte infame que lhe chegaria quando a humilhação tivesse esgotado sua utilidade e sua cota de sadismo..." (p. 220/221)


Li nos últimos dias mais três capítulos do livro do escritor cubano Leonardo Padura - O homem que amava os cachorros. Foram mais de 70 páginas e o conteúdo é muito denso. A história é sobre o assassinato de Trótski. 

Já li textos parecidos sobre a história da Revolução Russa e seus líderes. Ao longo da militância no movimento sindical tive contato com diversos pontos de vista e não me censuro em relação a texto algum contra ou a favor de um ou outro grupo da esquerda mundial. 

Desde que conheci o pessoal do movimento sindical, convivi com a questão dos grupos stalinistas e trotskistas (e muitos outros), e afirmo ainda hoje que essa divisão é uma coisa que me incomoda há tempos: acho uma estupidez os rachas no campo da classe trabalhadora. 

Os caras das forças de esquerda se mataram uns aos outros ao longo da história e a direita e os capitalistas nos dominam até hoje. Vejam o exemplo do que aconteceu na Guerra Civil Espanhola! Era uma tragédia anunciada!

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É isso!

O nosso presidente Lula desembarcou nos Estados Unidos hoje para se encontrar com o presidente norte-americano, Biden. 

Que a memória de lutadores históricos como José Martí, Fidel Castro, Ernesto Che Guevara, Hugo Chávez, Leonel Brizola, Luiz Gama e tantas lideranças de Nuestra América iluminem nosso querido presidente Lula para realizarmos reuniões ativas e altivas em defesa dos interesses de nossa Pátria Grande, como Lula fez nos seus dois primeiros mandatos.

O texto anterior com a temática cubana pode ser lido aqui.

William



Bibliografia:

PADURA, Leonardo. O homem que amava os cachorros. Tradução de Helena Pitta. 2ª ed. - São Paulo: Boitempo, 2015.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

Diário e reflexões - Cuba IX (04/02/23)



Refeição Cultural - Cuba (IX)

Osasco, 04 de fevereiro de 2023. Noite de sábado.


Duas leituras a respeito de organização política e social e com temáticas sobre independência e liberdade abordam aspectos antagônicos de certa forma no que diz respeito a experiências no campo da esquerda. Unidade com foco em objetivos comuns ou fragmentações diversas dos grupos de esquerda?

A leitura de José Martí demonstra o quanto um líder pode ser inspirador em seu clamor por unidade na luta do povo cubano por sua independência da coroa espanhola no século XIX. Já a leitura do romance de Leonardo Padura - O homem que amava os cachorros - aborda a quantidade incrível de divisões no campo da esquerda durante a guerra civil espanhola no século XX e durante as primeiras etapas da constituição da URSS.

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A FRAGMENTAÇÃO DA ESQUERDA ERA UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA NA ESPANHA

"No caminho para o centro, foi evitando as ruas em que tinham sido montadas as barricadas, de onde se davam tiros esporádicos. Bondes e ônibus detidos cortavam o tráfego e por toda a parte se exibiam bandeiras que revelavam a filiação política dos defensores de cada esquina: comunistas, socialistas, anarquistas, poumistas, catalanistas, sindicalistas da CNT, tropas regulares, milícias e polícia, num caleidoscópio centrífugo que convenceu o jovem da necessidade daquela batida: nenhuma guerra podia ser ganha com uma retaguarda tão caótica e dividida." (p. 193)

Este é o cenário das forças de esquerda na Espanha governada pelos socialistas de Largo Caballero e depois de sua queda por Negrín, que colocou na ilegalidade os trotskistas do Poum. (meados dos anos 30)

"Largo Caballero, acossado por todos os lados, ou talvez finalmente assumindo sua incapacidade para resolver os problemas da guerra e da República, apresentou sua demissão. Nessa altura, com o apoio dos comunistas e dos assessores, Negrín assumiu a chefia do governo e, quase como primeira medida, anunciou a ilegalidade do Poum e a intenção de julgar seus líderes." (p. 194)

Essa divisão no campo da esquerda é mais antiga que andar pra frente, como diziam na minha adolescência.

A leitura do capítulo 11 é densa em relação ao contexto no qual se encontravam as diversas forças reunidas na República Espanhola.

Curiosidade - No romance, Padura nos conta que o escritor e jornalista inglês George Orwell, que estava na Espanha naquela época, gostava de cachorros da raça galgos borzóis (págs. 185/186)

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JOSÉ MARTÍ CLAMA POR UNIDADE DO POVO CUBANO NA LUTA PELA INDEPENDÊNCIA


Ao ler os textos de Martí percebemos o quanto ele trabalhou pela unidade do povo cubano para lutarem pelo que eram os objetivos comuns, a independência do país.

"¡Unámonos, cubanos, en esta otra fe: con todos, y para todos: la guerra inevitable, de modo que la respete y la desee y la ayude la patria, y no nos la mate, en flor, por local o por personal o por incompleta, el enemigo: la revolución de justicia y de realidad, para el reconocimiento y la práctica franca de las libertades verdaderas!" (from "Martí en su universo: Una antología (Spanish Edition)" by José Martí)

Vejam abaixo que forma inteligente e apaixonada de enaltecer um povo e dar coesão para a unidade na luta por objetivos comuns:

"¡De todos los cubanos! ¡Yo no sé qué misterio de ternura tiene esta dulcísima palabra, ni qué sabor tan puro sobre el de la palabra misma de hombre, que es ya tan bella, que si se la pronuncia como se debe, parece que es el aire como nimbo de oro, y es trono o cumbre de monte la naturaleza! ¡Se dice cubano, y una dulzura como de suave hermandad se esparce por nuestras entrañas, y se abre sola la caja de nuestros ahorros, y nos apretamos para hacer un puesto más en la mesa, y echa las alas el corazón enamorado para amparar al que nació en la misma tierra que nosotros, aunque el pecado lo trastorne, o la ignorancia lo extravíe, o la ira lo enfurezca, o lo ensangriente el crimen! ¡Como que unos brazos divinos que no vemos nos aprietan a todos sobre un pecho en que todavía corre la sangre y se oye todavía sollozar el corazón! ¡Créese allá en nuestra patria, para darnos luego trabajo de piedad, créese, donde el dueño corrompido pudre cuanto mira, un alma cubana nueva, erizada y hostil, un alma hosca, distinta de aquella alma casera y magnánima de nuestros padres e hija natural de la miseria que ve triunfar al vicio impune, y de la cultura inútil, que solo halla empleo en la contemplación sorda de sí misma! ¡Acá, donde vigilamos por los ausentes, donde reponemos la casa que allá se nos cae encima, donde creamos lo que ha de reemplazar a lo que allí se nos destruye, acá no hay palabra que se asemeje más a la luz del amanecer, ni consuelo que se entre con más dicha por nuestro corazón, que esta palabra inefable y ardiente de cubano!" (from "Martí en su universo: Una antología (Spanish Edition)" by José Martí)

Sigamos lendo Martí e Padura e notícias diárias de Cuba e desse povo guerreiro, o povo cubano. Minha postagem anterior está aqui.

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UNIDADE É FUNDAMENTAL NO CAMPO DA ESQUERDA

Por mais de duas décadas, militei no movimento sindical bancário brasileiro. A escola política na qual me formei foi importante para que eu me tornasse a pessoa que sou. Uma das orientações que marcaram a minha formação era buscar o consenso progressivo e evitar o voto em qualquer questão sem antes esgotar as possibilidades de acordos. Isso era fundamental porque nenhum proponente se sentia derrotado e a unidade na ação era o resultado do processo político.

Pena que isso foi mudando. As pessoas foram perdendo a paciência necessária para se fazer as discussões políticas e passou-se a votar por qualquer tema sem antes tentar o consenso progressivo. Alguns "caciques" já chegavam dizendo que tinham maioria de votos e mandavam votar sem esgotar os debates.

Perdemos todos com essa forma de ganhar votações estabelecida por aquel@s que tinham mais "garrafinhas" como diziam e os rachas nos grupos foram acontecendo e a fragmentação política nos enfraqueceu e com isso nós facilitamos a nossa derrota para as representações patronais e para as forças de extrema-direita no Brasil.

Desejo que reaprendamos a construir a unidade no campo da esquerda. 

E por falar em unidade, estive hoje numa excelente reunião com dezenas de lideranças comunitárias e militantes de partidos de esquerda da região onde estou militando. Vamos ver se consigo me envolver novamente com as lutas sociais organizadas.

William


Bibliografia:

PADURA, Leonardo. O homem que amava os cachorros. Tradução de Helena Pitta. 2ª ed. - São Paulo: Boitempo, 2015.

MARTÍ EN SU UNIVERSO - UNA ANTOLOGÍA. Edición Conmemorativa. Real Academia Española e Asociación de Academias de La Lengua Española. Alfaguara - Lengua Viva, Madrid.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Diário e reflexões - Cuba VIII (01/02/23)



Refeição Cultural - Cuba (VIII)

Osasco, 01 de fevereiro de 2023. Noite de quarta-feira.


Li mais um capítulo do livro do escritor cubano Leonardo Padura, O homem que amava os cachorros. O capítulo 10 se passa nos anos trinta e nele vemos Liev Davidovitch, Trótski, exilado de um lugar pra outro. Após uns 4 anos numa ilha em Istambul, Turquia, ele vai para uma pequena cidade da França e termina o período abordado no capítulo na Noruega.

O livro vai alternando períodos e personagens e locais da história. A cada capítulo o leitor vai aos anos 30, aos anos 70, aos anos 2000. Vai à União Soviética, vai a Barcelona, na Catalunha, e a Madri, vai aos países por onde Trótski viveu exilado, vai a Cuba no passado e no presente da narrativa. 

É um livro de ficção e de história, é um enredo fenomenal. Como disse, é uma leitura de fôlego. Quis ler 3 capítulos hoje, umas 50 páginas... Não é tão simples assim! Foi difícil ler um capítulo inteiro, esse com o foco em Trótski.

No capítulo anterior, o nono, o foco foi em Cuba nos anos 70. Também foi uma leitura concentrada. O leitor começa a conhecer mais a respeito do "homem que amava os cachorros", apelido dado por Iván ao estranho que ele conheceu na praia, que andava com dois cachorros belíssimos, galgos borzóis, Ix e Dax.

No capítulo 10, sentimos a tristeza de Trótski ao enterrar sua borzói Maya, que morreu aos 9 anos de idade. O revolucionário russo vinha de uma sequência de perdas pessoais terríveis. 

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Momentos de leitura

No capítulo 9, com foco no personagem cubano Iván, ficamos sabendo que ele tinha um irmão, William, que sofreu consequências severas em sua vida por ser homossexual. Ele era universitário e ao assumir sua orientação sexual foi apenado pelo Estado. O estudante tinha uma relação com seu professor.

"Mas William, depois de rejeitar durante semanas e com enorme veemência aquela acusação, lançou mão de uma coragem que eu desconhecia, revoltou-se contra uma clandestinidade desgastante e repressiva e disse que sim, que era homossexual, que desde os treze anos agia como tal, ativa e passivamente, embora tenha se recusado a confessar com quem tinha realizado semelhante atividade porque esse era um assunto privado que só interessava a ele e a mais ninguém. Ainda que não tenha sido possível relacionar as inclinações sexuais dos processados com suas atitudes como professor e estudante, apesar de os resultados laborais e docentes de cada um serem notáveis, a sentença estava decidida de antemão, e a comissão de representantes aplicou suas medidas: o professor seria expulso indefinidamente do Partido e do sistema nacional de ensino, e William seria afastado por dois anos da universidade, mas definitivamente dos estudos de Medicina." (p. 147/148)

Que foda! E pensar que a esquerda agiu assim por décadas!

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No capítulo 10, num certo momento, Trótski fica indignado ao saber que os comunistas apoiaram o partido nazista. A história se passa em meados dos anos trinta, Hitler já encaminhava seus projetos de poder.

"A indignação de Liev Davidovitch explodiu quando soube que o Executivo da Internacional Comunista tinha emitido uma declaração vergonhosa de apoio ao Partido alemão, qualificando sua estratégia política como irrepreensível e repetindo que a vitória dos nazis era apenas uma conjuntura transitória, da qual as forças progressistas sairiam vitoriosas. O mais preocupante era o fato de os domesticados alemães, tal como o restante dos partidos filiados ao Comintern, terem acatado em silêncio aquele documento, revelador de um suicídio político de consequências previsíveis..." (p. 155)

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BRASIL, 1º/02/23. 

ELEIÇÃO DAS MESAS DO CONGRESSO NACIONAL

Naquela hora da leitura, de manhã, fiquei pensando na votação no Congresso Nacional do Brasil para eleger o presidente da Câmara no dia de hoje, 1º de fevereiro. 

O governo Lula e quase todo mundo apoiou a reeleição do tal deputado bolsonarista Arthur Lira, o cara que comandou o orçamento secreto por anos, o cara que só está com mandato por liminar da justiça, acusado de ser ficha-suja, o cara que foi o braço direito do governo fascista dos milicianos do clã Bolsonaro até dias atrás. O cara que junto com Eduardo Cunha derrubou a presidenta Dilma e o governo do Partido dos Trabalhadores. 

É assustador! Lira foi eleito com 90% dos votos da Câmara para presidente (464 votos em 513 possíveis). 

É assustador! Isso não vai acabar bem para nós, não pode acabar bem! Tá na cara!

Sem mais comentários...

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Sigo estudando história, literatura, linguagens humanas; sigo conhecendo um pouco mais sobre Cuba e os cubanos. E, claro, sobre a história das experiências socialistas e alternativas ao capitalismo, essa desgraça que vai acabar com a humanidade.

As postagens anteriores a respeito de leituras cubanas podem ser lidas a partir daqui.

William


Bibliografia:

PADURA, Leonardo. O homem que amava os cachorros. Tradução de Helena Pitta. 2ª ed. - São Paulo: Boitempo, 2015.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Diário e reflexões - Cuba VI (27/01/23)



Refeição Cultural - Cuba (VI)

Osasco, 27 de janeiro de 2023. Fim de noite de sexta-feira.


Neste início de ano incluí em meus temas de interesse conhecer mais sobre Cuba e o povo cubano, sua história, seus momentos marcantes, suas personalidades, sua cultura, seu sistema político e social. 

Tenho comigo que é melhor estudar e conhecer mais sobre o mundo e a vida do que não estudar. Observo que o ser humano está emburrecendo. A espécie homo sapiens deixará de existir. Não me dobro a essa lógica, vou até o fim de meus dias tentando ser menos ignorante em todos os sentidos.

Estou lendo um livro de um autor cubano, Leonardo Padura, autor da atualidade, que se encontra na plenitude de sua produção literária. O livro O homem que amava os cachorros é um romance que aborda a vida de Trótski. A leitura vai demorar bastante. 

Estou lendo José Martí e sobre José Martí. Comprei um livro de antologia de seus textos, porém comprei a edição virtual. Já me arrependi por não ter adquirido a edição impressa. Dá até vontade de deixar a virtual de lado e comprar de novo em papel. Não me adapto a essa forma de mídia.

A data é comemorativa do aniversário de 170 anos do nascimento de José Martí, o apóstolo da liberdade cubana. Ainda não entendi se ele nasceu no dia 27 ou 28 de janeiro de 1853, mas as comemorações estão acontecendo entre hoje e amanhã.

Estou lendo matérias jornalísticas sobre o dia a dia de Cuba em dois veículos de informação de lá: cubadebate.cu e granma.cu e tenho gostado bastante dos conteúdos.

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Eu tenho uma certeza: sou anti-imperialista e anticapitalista. 

O capitalismo será o responsável pelo fim da possibilidade de vida no planeta Terra.

A espécie humana se quiser seguir existindo terá que superar essa forma de organizar as sociedades humanas. 

Minha postagem anterior sobre o tema Cuba pode ser lida aqui.

William


terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Diário e reflexões - Cuba V (17/01/23)


Seguem os estudos sobre Cuba.

Refeição Cultural - Cuba (V)

Osasco, 17 de janeiro de 2023. Noite de terça-feira.


Li hoje mais um capítulo do livro do escritor cubano Leonardo Padura. A cada capítulo que leio, percebo o quanto a leitura é densa. Li o capítulo 8. Esse que li e o capítulo 6 se passam num cenário espanhol, anos trinta, e a Espanha está em guerra civil. O personagem focado é Ramón Mercader.

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DIGRESSÃO DE LEITOR

Antes de seguir com algum comentário ou anotação sobre a leitura do romance de Padura, fiquei pensando numa questão de leitor: cara, não sou leitor pra essas coisas digitais e virtuais, o Kindle. Não sou! Que saco! Até estou me esforçando, mas como é ruim não ter o livro impresso na mão!

Já li alguns livros que acabei comprando ou baixando gratuitamente no Kindle, mas é como se eu não tivesse o livro. O último que adquiri foi o livro comemorativo com textos do escritor cubano José Martí (1853-95), uma antologia. Já me arrependi. Deveria ter comprado o livro impresso. Que saco!

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REVOLUÇÕES

Voltando à leitura do livro O homem que amava os cachorros, o romance alterna idas e vindas no tempo histórico, e a parte que conta a história da revolução russa e demais revoluções em andamento e seus personagens é uma parte fascinante e me lembra um pouco o excelente texto "Trótski - A paixão segundo a revolução", do poeta e intelectual paranaense Paulo Leminski. (ler comentário aqui)

Aliás, a difícil questão das divisões históricas entre nós do campo da esquerda é bem retratada na obra de Padura e me faz lembrar o tempo todo os mais de 20 anos envolvidos na militância sindical bancária, inclusive como dirigente eleito por 16 anos, atuando na corrente Articulação Sindical da CUT. 

Ontem e hoje, me parece não haver mudanças significativas nas concepções e práticas das mais diversas correntes políticas no campo da esquerda brasileira e mundial. A divisão é a regra, é quase como a lei da gravidade na Física...

Nos capítulos já lidos, relativos ao cenário espanhol dos anos trinta, o embate entre a direita e os fascistas versus a esquerda e um conjunto de grupos diferentes - republicanos, anarquistas, socialistas, comunistas, trotskistas - me passa a impressão que a história da esquerda no mundo nunca mudou: a unidade é impossível, quando é construída a duras penas tem duração pequena, é uma unidade efêmera.

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Alguns excertos interessantes do romance O homem que amava os cachorros:

ESPANHA: ANOS 30

"A orientação partidária do momento era primeiro consolidar uma república para mais tarde radicalizá-la, e por isso, os jovens comunistas apoiaram naquele instante crítico as acanhadas medidas do governo contra os latifundiários e o poder da Igreja, pela igualdade entre mulheres e homens, pelos direitos dos trabalhadores e, sobretudo, da grande massa camponesa espanhola, atrasada e paupérrima..." (p. 102)

TROTSKISTAS X COMUNISTAS

"(...) afirmou sua convicção de que os trotskistas eram os mais sibilinos inimigos dos comunistas e de que anarquistas e sindicalistas só podiam ser encarados como companheiros de viagem descartáveis na escalada em direção aos grandes objetivos, que seriam divergentes quando eles, comunistas, estivessem em condições de promover a verdadeira Revolução, que conduziria a uma necessária ditadura do proletariado." (p. 103)

REVOLUÇÃO NO AR

"(...) Madri, onde os partidos da Frente Popular tinham organizado uma grande manifestação para comemorar a vitória e a formação do novo governo. Na capital, encontraram aquele ambiente festivo e nervoso que imperou na Espanha até o início da guerra. Os galões de vinho saltavam das calçadas para os caminhões dos recém-libertados, as moças atiravam-lhes flores, cruzavam-se vivas à liberdade e morte à monarquia, à burguesia, aos latifundiários e à Igreja. Podia-se sentir a revolução no ar." (p. 108)

BARCELONA

"Ser trabalhador, militante, miliciano ou soldado da República transformara-se num sinal de distinção..." (p.130)

DIVISIONISMO

"O maior perigo que as forças republicanas enfrentavam, segundo a jovem, era o divisionismo, exacerbado desde o início da guerra. Nacionalistas catalães, sindicalistas de tendência anarquista ou de filiação socialista e renegados trotskistas como os do Partido Operário de Unificação Marxista (Poum) - à frente do qual estava agora a espinha atravessada do obstinado Andreu Nin, membro do próprio governo da Generalitat - já se opunham à estratégia comunista e tinham colocado sobre a mesa a questão mais transcendente do momento: a guerra com revolução ou a guerra com vitória mas sem revolução." (p.130/131)

Enfim...

O capítulo descreve as divisões, as desconfianças e as traições que iriam movimentar o atribulado campo da esquerda naquele período.

Os comunistas sob ordens diretas dos soviéticos estavam insatisfeitos com o governo socialista de Largo Caballero, etc.

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ESTUDAR É MELHOR QUE NÃO ESTUDAR, SEMPRE!

Seguimos lendo e estudando e observando o que ocorre no mundo da política em nosso Brasil do governo Lula. E a cada dia vou conhecendo um pouco mais sobre Cuba e o povo cubano. Já estou ouvindo, também, canções de Pablo Milanés, recém-falecido. 

Estudos cubanos anteriores podem ser lidos aqui. Meu blog é uma espécie de fichário de estudos, consigo rever várias coisas nele. Estudar é sempre melhor que não estudar. 

Não consigo entender a perda de interesse nos estudos como vejo ao meu redor nos tristes dias que correm. Há uma espécie de incentivo à ignorância! É assustadora a ignorância (não saber) em tanta gente por aí.

William


Bibliografia:

PADURA, Leonardo. O homem que amava os cachorros. Tradução de Helena Pitta. 2ª ed. - São Paulo: Boitempo, 2015.