Mostrando postagens com marcador Hipócrates. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Hipócrates. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de setembro de 2013

Juramento de Hipócrates (e não de hipócritas...)



Hipócrates, retratado por 
Peter Paul Rubens (1638).
Fonte: Wikipedia

Apresento abaixo o juramento atribuído a Hipócrates. Pesquisei na rede mundial para escolher o texto que achei mais adequado e que carrega um histórico de tradução mais condizente com o espírito da mensagem clássica.

A leitura que fiz foi muito interessante e me esclareceu muita coisa. Aprendi um pouco mais. Fiquei um pouco menos ignorante.

Recomendo a leitura mais aprofundada e a pesquisa aos homens e mulheres que atuam ou que pretendem atuar na área da medicina. 

Recomendo a leitura principalmente para as pessoas que estão fazendo um papelão, ofendendo e discriminando médicos de outros países, vindos principalmente de Cuba, que estão atendendo ao chamado do programa brasileiro Mais Médicos e estão vindo atuar nas regiões onde parte dos médicos brasileiros não quer atuar para atender aos mais carentes e necessitados.

Não sou hipócrita em dissimular a realidade objetiva sobre a falta de estrutura física e condições ideais para atuar no atendimento à população em grande parte do território nacional. No entanto, quem escolhe a profissão de médico, precisa ter em si uma energia e uma gana de querer curar as pessoas (todas, não somente algumas e visando o enriquecimento). Em situações extremas como nas guerras e nas catástrofes, sempre temos pessoas obstinadas e profissionais que se doam em salvar vidas da maneira que lhes for possível fazer.

Para mim, educação e medicina são as profissões mais importantes em uma sociedade humana. As pessoas que escolhem essas profissões, deveriam ter um amor e um espírito de doação ao outro que extrapolaria qualquer dificuldade estrutural.

Essa é minha opinião.



William


Juramento de Hipócrates

        "Juro por Apolo Médico, por Esculápio, por Higéia, por Panacéia e por todos os deuses e deusas, tomando-os como testemunhas, obedecer, de acordo com meus conhecimentos e meu critério, este juramento: 

Considerar meu mestre nesta arte igual aos meus pais, fazê-lo participar dos meios de subsistência que dispuser, e, quando necessitado com ele dividir os meus recursos; considerar seus descendentes iguais aos meus irmãos; ensinar-lhes esta arte se desejarem aprender, sem honorários nem contratos; transmitir preceitos, instruções orais e todos outros ensinamentos aos meus filhos, aos filhos do meu mestre e aos discípulos que se comprometerem e jurarem obedecer a Lei dos Médicos, porém, a mais ninguém. Aplicar os tratamentos para ajudar os doentes conforme minha habilidade e minha capacidade, e jamais usá-los para causar dano ou malefício. Não dar veneno a ninguém, embora solicitado a assim fazer, nem aconselhar tal procedimento. Da mesma maneira não aplicar pessário em mulher para provocar aborto. Em pureza e santidade guardar minha vida e minha arte. Não usar da faca nos doentes com cálculos, mas ceder o lugar aos nisso habilitados. Nas casas em que ingressar apenas socorrer o doente, resguardando-me de fazer qualquer mal intencional, especialmente ato sexual com mulher ou homem, escravo ou livre. Não relatar o que no exercício do meu mister ou fora dele no convívio social eu veja ou ouça e que não deva ser divulgado, mas considerar tais coisas como segredos sagrados. Então, se eu mantiver este juramento e não o quebrar, possa desfrutar honrarias na minha vida e na minha arte, entre todos os homens e por todo o tempo; porém, se transigir e cair em perjúrio, aconteça-me o contrário".


The oath by Hippocrates 

(Translated by Francis Adams)


        "I SWEAR by Apollo the physician, and Aesculapius, and Health, and All-heal, and all the gods and goddesses, that, according to my ability and judgment, I will keep this Oath and this stipulation- to reckon him who taught me this Art equally dear to me as my parents, to share my substance with him, and relieve his necessities if required; to look upon his offspring in the same footing as my own brothers, and to teach them this art, if they shall wish to learn it, without fee or stipulation; and that by precept, lecture, and every other mode of instruction, I will impart a knowledge of the Art to my own sons, and those of my teachers, and to disciples bound by a stipulation and oath according to the law of medicine, but to none others. I will follow that system of regimen which, according to my ability and judgment, I consider for the benefit of my patients, and abstain from whatever is deleterious and mischievous. I will give no deadly medicine to any one if asked, nor suggest any such counsel; and in like manner I will not give to a woman a pessary to produce abortion. With purity and with holiness I will pass my life and practice my Art. I will not cut persons laboring under the stone, but will leave this to be done by men who are practitioners of this work. Into whatever houses I enter, I will go into them for the benefit of the sick, and will abstain from every voluntary act of mischief and corruption; and, further from the seduction of females or males, of freemen and slaves. Whatever, in connection with my professional practice or not, in connection with it, I see or hear, in the life of men, which ought not to be spoken of abroad, I will not divulge, as reckoning that all such should be kept secret. While I continue to keep this Oath unviolated, may it be granted to me to enjoy life and the practice of the art, respected by all men, in all times! But should I trespass and violate this Oath, may the reverse be my lot." 


A fonte de onde escolhi esta versão tem uma explicação etimológica e filológica bem legal. Vale a pena o estudo.


Fonte: Usuários.cultura.com.br (fui verificar em 2017 e não existe mais)

sábado, 27 de junho de 2009

Releitura: O mundo de Sofia, de Jostein Gaarder, 1991



Refeição Cultural

Romance da história da filosofia

Li este livro na década de 90 e gostei bastante. Quando o folheio e leio certas partes destacadas por mim, vejo que o livro é uma referência para aqueles que não tinham ideia do que é a filosofia e é também um belo convite ao filosofar.

Assisti agora ao filme baseado na obra. É bem mais sucinto em termos de conteúdo, entretanto ele consegue manter o convite ao filosofar.

Refletindo sobre as características necessárias ao filósofo, percebo que desde muito novo eu as possuía.

“Quem é você?”

“De onde vem o mundo?”

“O que é filosofia?”

O ser humano traz consigo uma necessidade diferente dos demais seres da natureza, que é descobrir-se a si mesmo e também buscar compreender o porquê da existência.

O que se precisa para ser um filósofo?

“A única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas” p. 27

FILÓSOFOS E CRIANÇAS

Ambos possuem a característica de estarem receptivos e sensíveis às coisas ao seu redor.

OS MITOS

Um equilíbrio precário entre as forças do bem e do mal... (p. 34)

Os mitos têm a finalidade de (tentar) explicar o porquê de as coisas serem como são. Os povos acabam criando rituais para isso.

DEUS CRIOU O HOMEM x O HOMEM CRIOU DEUS

Xenófanes, nascido por volta de 570 a.C., ao criticar os mitos disse que o homem teria criado os deuses à sua imagem e semelhança. p. 39

O pensar filosófico vai substituindo os mitos: “O objetivo dos primeiros filósofos gregos era o de encontrar explicações naturais para os processos da natureza” p. 40

OS FILÓSOFOS DA NATUREZA

Nada pode surgir do nada... (p. 41)

ALGO SE TRANSFORMA EM ALGO

“Os primeiros filósofos tinham uma coisa em comum: eles acreditavam que determinada substância básica estava por trás de todas essas transformações” p. 44

TRÊS FILÓSOFOS DE MILETO

Tales: a água como origem de todas as coisas.

Anaximandro: as coisas surgem e se dissolvem no infinito.

Anaxímenes: o ar ou o sopro de ar era a substância básica de todas as coisas.

Parmênides (c. 540-480 a.C.) era um dos eleatas (da colônia grega de Eleia) que acreditava que tudo o que existe sempre existiu. Mas não achava que uma coisa se transformava em outra, pois isso iria contra a “razão”.

“Esta forte crença na razão humana é chamada de racionalismo. Um racionalista é aquele que tem grande confiança na razão humana enquanto fonte de conhecimento do mundo” p. 47

TUDO FLUI

Heráclito de Éfeso (c. 540-480 a.C.) dizia “tudo flui”. Por isso “não podemos entrar duas vezes no mesmo rio” p. 47

O mundo está impregnado de constantes opostos: a doença nos mostra a saúde; a fome nos dá consciência de saciá-la com o alimento; a guerra nos faz dar valor à paz etc.

RAZÃO UNIVERSAL

Para Heráclito há algo como um Deus ou logos (razão) que está subjacente a tudo no universo.

QUATRO ELEMENTOS BÁSICOS

Empédocles (c. 494-434 a.C.) acreditava que a natureza possuía ao todo quatro elementos básicos, ou raízes: a terra, o ar, o fogo e a água.

UM POUCO DE TUDO EM TUDO

Anaxágoras (c.500-428 a.C.) achava que “a natureza era composta por uma infinidade de partículas minúsculas, invisíveis a olho nu. Tudo pode ser dividido em partes menores, mas mesmo na menor das partes existe um pouco de tudo” p. 51

DEMÓCRITO (c.460-370 a.C.)

O brinquedo mais genial do mundo...

“Ele presumiu que todas as coisas eram constituídas por uma infinidade de pedrinhas minúsculas, invisíveis, cada uma delas sendo eterna e imutável. A estas unidades mínimas Demócrito deu o nome de átomos (indivisível)” p. 57

Como Demócrito não acreditava em “força” ou “inteligência” para intervir nos processos da natureza, pois para ele as únicas coisas que existem são átomos e vácuo, ele é chamado MATERIALISTA. As questões do “elemento básico” e das “transformações” foram resolvidas pela RAZÃO.

O DESTINO

O adivinho tenta adivinhar algo que na verdade não dá para adivinhar...

Os gregos eram fatalistas e achavam que o destino já vinha traçado pelos deuses. Acreditavam no ORÁCULO DE DELFOS, do deus APOLO e sua sacerdotisa PÍTIA.

Atribui-se a HIPÓCRATES a fundação da ciência médica. “O caminho para a saúde do homem está na moderação, na harmonia e ‘na mente sã e corpo são’ ” p. 68

É famoso até hoje o JURAMENTO DE HIPÓCRATES (é uma pena que raros são os médicos que o cumprem)

SÓCRATES

Mais inteligente é aquele que sabe que não sabe...

OS SOFISTAS

“O homem é a medida de todas as coisas”, disse o sofista Protágoras (c.487-420 a.C.)

AGNÓSTICO: é aquele que não é capaz de afirmar categoricamente se existe ou não um Deus.

OS TRÊS MAIORES FILÓSOFOS DA ANTIGUIDADE: SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES

Quem foi SÓCRATES?

“Sócrates (470-399 a.C.) talvez seja a personagem mais enigmática de toda a história da filosofia. Ele não escreveu uma única linha e, não obstante, está entre os que maior influência exerceram sobre o pensamento europeu. Seu fim trágico talvez seja o que o tornou famoso até mesmo entre os que conhecem pouco de filosofia” p. 79

A técnica filosófica de Sócrates era o diálogo. Ele não assumia a posição de professor. Ele dialogava, discutia.

IRONIA SOCRÁTICA: Sócrates era capaz de se fingir ignorante, ou de mostrar-se mais tolo do que realmente era.

No ano de 399 a.C. ele foi acusado de “corromper a juventude” e de “não reconhecer a existência dos deuses” p. 81

Sócrates não se considerava um sofista, isto é, uma pessoa instruída, sábia. Ele se autodenominava filósofo, no sentido mais verdadeiro da palavra. Um “filo-sofo” é, na verdade, um “amante da sabedoria”, alguém cujo objetivo é chegar à sabedoria. p. 82

Um filósofo, portanto, é uma pessoa que reconhece que há muita coisa além do que pode entender e vive atormentado por isto.

UM FILÓSOFO SABE MUITO BEM QUE NO FUNDO SABE MUITO POUCO.

Esta característica lhe causou muitos problemas, pois “Os que questionam são sempre os mais perigosos”.

É um belo livro. Vale a pena a revisita a qualquer instante.

William