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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Instantes (11h30) - Leitura: Fidel Castro



Refeição Cultural

LEITURAS


Todos os dias, recebemos notícias de assassinatos de mulheres ou outras violências contra as mulheres. O Brasil enfrenta uma epidemia de feminicídio neste primeiro quarto de século XXI. 

O livro que estou lendo conta aos leitores a história da participação feminina nas lutas de libertação nacional do povo cubano, e lá estão as mulheres guerreiras e revolucionárias da maior das ilhas antilhanas.

O exército rebelde liderado pelo Comandante Fidel Castro Ruz, que se estabeleceu na Serra Maestra entre o final de 1956 e até 1958 e de lá iniciou a libertação do povo cubano, contou com um batalhão de guerreiras revolucionárias, o Batalhão das Marianas.

A inspiração daquelas jovens mulheres cubanas era a lendária patriota "Mariana Grajales Cuello, considerada a mãe da Pátria, que no dia 10 de outubro de 1868, ao repicar dos sinos do engenho açucareiro Demajagua, quando Carlos Manuel de Céspedes iniciou as guerras por nossa independência, fez toda a sua família jurar, ante uma imagem de Cristo, que lutariam até libertar a terra amada ou morrer" (p. 137/138)

Mariana Grajales colocou a serviço da Pátria toda a sua "tribo heroica", como diz o livro. "Seus 14 filhos lutaram nas fileiras mambisas, e apenas dois sobreviveram, com os corpos marcados pelos ferimentos de guerra." (p. 138)

Neste instante, estou em casa em Osasco, me inspirando através de feitos como esses do exército rebelde e libertador de Fidel Castro e do Batalhão das Marianas. Temos que acreditar nas causas justas e na mudança da realidade ruim para os povos do mundo.

Pessoas comuns como eu e vocês já realizaram grandes feitos em benefício do povo mais humilde e sem acesso aos direitos básicos da cidadania como alimentação, saúde e educação. 

Cuba sofre um bloqueio genocida promovido pela potência militar EUA porque há 67 anos, após a Revolução, fornece ao povo alimentação, saúde, educação, moradia e outros direitos humanos de forma coletiva e universal. 

Isso é um péssimo exemplo de sociedade fora do padrão capitalista de vender direitos humanos como serviços entregues a quem puder comprar.

No Brasil, onde prevalece a cultura do capitalismo bárbaro oriundo dos cinco séculos de escravidão e genocídio dos povos oprimidos, as mulheres não são consideradas pela casa-grande seres humanos plenos de direitos, são posses, são coisas, como os demais patrimônios dos homens brancos e seus jagunços. Por isso os homens no Brasil matam as mulheres.

Temos que dar um basta nessa violência e nesse abuso machista e sexista.

Que tenhamos mais pelotões de mulheres e homens lutando unidos contra essa barbárie oriunda dos homens brancos do capitalismo. 

William Mendes

16/02/26


Bibliografia:

RODRÍGUEZ, Roberto Escalona. Fidel Castro Comandante Invicto. Tradução: Maria do Carmo Luiz Caldas Leite. Prefácio: Beto Almeida. São Bento do Sapucaí, SP. Projeto Cultural Nossa América, 2025.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Instantes (12h04) - Leitura: Fidel Castro



Refeição Cultural

LEITURAS 

"Enquanto eu estive em El Hombrito, aconteceu o combate de Mar Verde, quando morreu Ciro Redondo. Quando o Che retornou, se reuniu conosco para informar sobre os resultados da ação. Quando falou dos companheiros caídos, escorreram lágrimas dos seus olhos, e isso me impactou profundamente, porque um grande guerreiro era capaz de chorar de emoção diante de uma perda tão dolorosa." (Teté Puebla, em citação no livro Fidel Castro Comandante Invicto, de Norberto Escalona Rodríguez, p. 151, Projeto Cultural Nossa América, 2025)


Ler os relatos e as histórias dos homens e mulheres que enfrentaram a ditadura de Fulgencio Batista, ditadura apoiada pelos Estados Unidos em meados do século XX, é um estímulo a todas as pessoas que militam nas causas libertárias dos povos oprimidos e explorados do mundo.

A libertação de Cuba foi realizada por pessoas comuns como eu e vocês que me leem. Pessoas comuns lideradas por grandes seres humanos como Fidel e Raúl Castro, Ernesto Che Guevara, Camilo Cienfuegos, Celia Sánchez e seus companheiros de luta.

Cuba e seu povo aguerrido enfrentam neste momento de sua história momentos difíceis para seguirem livres e soberanos. A maior potência bélica e terrorista do mundo sufoca o povo cubano neste momento com o bloqueio total à ilha. Os EUA querem matar de fome e miséria o povo cubano. 

Estamos todos convocados a apoiar a população da República Socialista de Cuba na luta por sua sobrevivência, liberdade e soberania. Apoiem com recursos financeiros as entidades que estão arrecadando contribuições para comprar e enviar medicamentos e outros itens básicos a Cuba como, por exemplo, o MST.

E se organizem para ir a Cuba, o turismo é uma fonte de recursos central para o governo manter de forma gratuita para o povo os três direitos humanos principais: alimentação, saúde e educação. 

Em breve, estarei em Cuba pela terceira vez, apoiando o governo e o povo cubano. 

William 

12/02/26

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Quinta-feira, 20 de novembro de 2025


CONSCIÊNCIA NEGRA E LUTA ANTIRRACISTA

O dia 20 de novembro é feriado nacional no Brasil por causa da Lei 14.759/2023, assinada pelo presidente Lula. Antes, a presidenta Dilma Rousseff, em 2011, sancionou a Lei 12.519, que estabeleceu o "Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra".

Duas pessoas estiveram em minhas lembranças e reflexões nesta data: minha irmã Telma Lúcia e o deputado estadual pelo Paraná, Renato Freitas, nosso companheiro do Partido dos Trabalhadores. Sou eleitor do PT desde 1988, militante e filiado há décadas.

Minha irmã e eu crescemos no Brasil da ditadura civil-militar dos anos setenta e fomos adolescentes no país ainda governado pelos desgraçados fardados e por seus mantenedores nos anos oitenta. Os mesmos apoiadores que seguiram no poder após o fim oficial da ditadura. 

Encerrada a ditadura dos milicos de merda em 1985, os donos do dinheiro e do poder político seguiram barbarizando o povo como sempre fizeram antes e seguem até hoje fazendo a vida de quase todos nós um inferno na terra chamada Brasil.


O companheiro Renato Freitas sofreu ontem mais uma das frequentes agressões racistas que enfrenta desde que nasceu e cresceu nas veredas periféricas de um dos países mais violentos e assassinos do povo negro no mundo. Renato precisa de todo o nosso apoio porque querem calar sua voz e quebrar sua resistência de sobrevivente. Renato, estamos contigo, irmão e companheiro!

Durante a maior parte de minha vida, décadas eu diria, não tive a menor ideia do que deve ter sido a vida de minha irmã Telma. Um branco heterossexual e que conseguiu estudar até a graduação jamais saberá o que é ser negro ou negra no Brasil. Jamais! Não é possível sentir o que sente uma pessoa oprimida e perseguida por preconceito ou discriminação, qualquer que seja o ódio que ela sofra.

Cresci num país violento, machista, racista, desigual, misógino, um país que nasceu sendo uma colônia de exploração de invasores que chegaram aqui, mataram os povos que viviam na terra, destruíram os biomas, trouxeram milhões de seres humanos raptados do continente africano para trabalharem como escravizados. 

Durante séculos, as crianças que nasceram aqui eram fruto de estupro de mulheres indígenas e escravizadas africanas. E durante séculos, e até hoje, os homens desta terra, não todos, mas uma grande maioria, se valeram de diversos estratagemas para a manutenção de sua violência contra as mulheres. Até as religiões fizeram parte dessas ferramentas de poder.

Somos um povo de sobreviventes e quase todos nós temos em nosso passado o sangue de uma mulher violada ou abusada por homens que construíram instituições e leis para que os privilégios deles permanecessem para sempre, independente das lutas libertadoras e emancipatórias dos povos oprimidos que foram surgindo ao longo de séculos.

Só depois que tive a oportunidade de conhecer o movimento sindical brasileiro, depois que virei bancário, foi que passei a compreender melhor a vida social e política do povo trabalhador brasileiro. A convivência no movimento sindical cutista e os ensinamentos que vieram com o tempo me permitiram ser a pessoa que sou hoje, incompleta como ensina Paulo Freire, mas um pouco mais consciente.

Temos que lutar por uma sociedade humana onde não haja nenhuma forma de preconceito e discriminação e onde as pessoas vivam suas vidas em condições igualitárias, respeitando as diferenças que nos fazem humanos, seres diversos e únicos em nossas características.

Cresci numa sociedade que insistia em me fazer ter ódio e medo. Andei por caminhos sombrios e muitas vezes só o ódio me moveu. Encontrei luzes nos ensinamentos de minha mãe, de pessoas boas e em boas leituras. O ódio vive me tentando... ao ver um racista ou fascista, o ódio me tenta... mas devo resistir e pensar no amor, na humanidade.

Pensando em minha irmã Telma Lúcia, uma sobrevivente, e no companheiro Renato Freitas, um sobrevivente, penso em todas as pessoas que sofrem pelo racismo e pelos diversos tipos de preconceito e discriminação que depõem contra a sociedade humana.

A vida pode e deve ser boa e feliz para todas as pessoas. A vida humana pode ser vivida num ambiente terrestre que respeite as diversas formas de vida. Lutemos por isso.

William Mendes


Post Scriptum: sempre participo das atividades de rua em datas importantes. Hoje tinha prioridades com questões de saúde de minha família. Não estive na Av. Paulista, mas meu coração bateu forte pelas lutas e resistência do povo negro de nosso país.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Entrevista: Leonardo Boff (2005)



Refeição Cultural

A Fundação Perseu Abramo publicou em abril de 2006 o livro "Leituras da crise - Diálogos sobre o PT, a democracia brasileira e o socialismo". À época, a entrevista da filósofa Marilena Chaui foi fundamental para mim, dirigente sindical da categoria bancária. 

Estávamos no ano de eleições presidenciais e o primeiro governo Lula havia enfrentado uma crise política motivada principalmente pelas questões de financiamento de campanhas eleitorais, crise batizada pelos nossos inimigos de classe como crise do "mensalão", uma invenção do deputado Roberto Jefferson (PTB) em entrevista à Folha de S. Paulo, à Renata Lo Prete, em junho de 2005. 

A crise trouxe à público a questão do "caixa dois", prática de uso de recursos não contabilizados formalmente pelos partidos. Dirigentes do PT e aliados tiveram que responder a processos referentes a isso.

Feita a contextualização do momento no qual o livro foi lançado, registro a atualidade dos pensamentos e reflexões de Leonardo Boff, ao rever a entrevista. Mais ainda, a leitura de "A Carta da Terra", aprovada em 14/03/2000 pela Unesco, me fez lembrar o quanto é antigo e urgente o tema do colapso social e ambiental. O documento deveria ser adotado por todas as instituições da sociedade humana. 

Enfim, eu não teria condições de destacar na postagem tudo que considerei relevante, são dezenas de páginas de reflexões e ideias extraordinárias. 

Cito alguma coisa e sugiro aos leitores do blog que leiam na íntegra as 4 entrevistas do livro. Vocês vão se surpreender com a atualidade das reflexões de Chaui, Stedile, Wanderley Guilherme e Boff.

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UTOPIA

"A utopia pertence à realidade. A realidade nunca é apenas o dado empírico. Ela contém dentro de si infindas virtualidades e possibilidades."

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IMPORTÂNCIA DA BASE

"Ligados organicamente às bases, os políticos são continuamente educados, reeducados pelo povo e nele encontram mil razões para continuar a lutar por causas justas que atendam às demandas desse povo."

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INDIVÍDUO E REVOLUÇÃO 

"A revolução, para ser radical (mudança de rumo na história para atender às demandas da população sistematicamente negadas), precisa envolver todo o homem e todos os homens." (A palavra homem está aqui como genérica de homens e mulheres)

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"Cada sujeito deve ser envolvido nesse processo e ele mesmo mudar. Se não mudar, a revolução em algum momento mostrará seu impasse. Foi por não ter tido cuidado com esse processo global, que inclui o sujeito concreto e pessoal, que o socialismo, no meu entender, abortou seu projeto libertador."

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"O sujeito não pode ser entendido nos moldes do liberalismo e da visão burguesa da sociedade, em seu esplêndido isolamento e independência. O sujeito é sempre e concretamente um nó de relações, não apenas sociais (a tendência do pensamento de Marx), mas de relações totais e em todas as direções, até aquelas que incluem o transcendente e a sede de infinito."

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"Não basta que sejam transformadas apenas as relações sociais. Cada sujeito deve ser envolvido nesse processo e ele mesmo mudar."

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"Viva de tal maneira que aquilo que você vive possa ser válido para todos os demais seres humanos." (Kant)

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Sobre o PT 

"Pretendeu, na linha de Paulo Freire, fazer dos pobres e excluídos, uma vez conscientizados e organizados, os sujeitos do processo de libertação."

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TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO 

Nesta parte da entrevista, Boff explica o que é a Teologia da Libertação, fala sobre o papa Wojtyla (João Paulo II, inimigo da Teologia da Libertação) e Ratzinger (Depois Bento XVI), sobre marxismo e socialismo real etc. Muita informação relevante. 

"A Teologia da Libertação é uma teologia militante. Não se contenta em pensar a ortodoxia apenas como se faz normalmente nas faculdades de teologia. Quer a ortopráxis, quer dizer, incentiva uma prática que nasce do capital religioso do cristianismo, mas visa transformar a realidade social por considerá-la dissimétrica (analiticamente), injusta (eticamente) e pecaminosa (teologicamente). Essa libertação tem de ser libertação mesmo, quer dizer, não pode ser assistencialista e paternalista - que faz para os pobres, mas não se dá conta da força histórica dos pobres. Ela somente é libertadora se tiver os oprimidos (que são pobres e simultaneamente cristãos) como sujeitos de sua libertação, libertação com os pobres e a partir dos pobres. A igreja é apenas aliada e fornece os espaços institucionais aos pobres."

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Uma alternativa ao capitalismo 

"No fundo se pensava: o capitalismo não ocupa todo o espaço, há um antipoder, uma alternativa possível de organização das sociedades humanas, com limitações e avanços que não se podem desconhecer. Defendia-se não tanto o socialismo real, mas a oposição ao capitalismo."

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"A derrocada do socialismo atingiu a Teologia da Libertação, pois sabíamos que sem ele começaria a barbárie do capitalismo."

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A Teologia da Libertação e Marx

"A Teologia da Libertação nunca teve Marx como pai nem como padrinho. Ela bebeu primeiramente de sua própria fonte, que é a tradição judeu-cristã, que sempre deu centralidade aos pobres, ao tema da libertação do cativeiro egípcio e babilônico e à prática histórica de Jesus, que foi pobre e disse 'felizes de vocês pobres e ai de vós ricos'. E que não morreu tranquilamente na cama como um piedoso rabino cercado de discípulos, mas na cruz, fruto de um juízo político-religioso que o condenou com o castigo dado a revoltosos sociais."

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"Mas ela encontrou em Marx as boas razões para entender por que o pobre não é pobre, e sim um explorado e injustiçado. Ele é um empobrecido, feito pobre por fatores de ordem econômica, social e cultural, que hoje ganham corpo especialmente no capitalismo."

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Natureza e ambientalismo

"Precisamos de outro paradigma de civilização, que inaugure outro tipo de relação, não contra a natureza, mas em sinergia com ela."

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RETOMAR O CONTATO VIVO COM AS BASES

"Os membros do PT encontrarão mil razões para viver, para continuar no PT, quando se ligarem à vida concreta do povo."

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"A insensibilidade social dos estratos poderosos de nosso país é simplesmente criminosa."

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A LUTA PELA SUPERAÇÃO DAS DESIGUALDADES 

"O que escandaliza no Brasil não é tanto a pobreza mas a desigualdade social, porque ela esconde uma grave distorção política e ética da sociedade. Politicamente, significa que a sociedade não foi pensada para todos, mas fundamentalmente para atender às demandas das elites e dos incluídos no sistema de acumulação. Eticamente, significa uma falta perversa de humanidade, de solidariedade social e de compaixão para com a desgraça dos demais concidadãos."

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"Tudo o que se fizer para salvar vidas que estão sob risco não é assistencialismo nem paternalismo mas humanitarismo básico, em grau zero. Se falto a esse gesto me torno inumano e me faço inimigo de minha própria humanidade."

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Fé-libertação 

"O povo é pobre e religioso. Durante séculos vivia uma fé-resignação. A partir dos anos 1960 começou a viver uma fé-libertação."

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DEMOCRACIA SEM FIM E ÉTICA 

"Em ética não podemos ser ambíguos nem tergiversar. É de sua natureza a inteireza e a transparência."

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"Neste ponto prefiro ser kantiano: 'Age de tal maneira que tua ação possa ser válida para todos'. Se o PT aceitar o jogo da ética dominante, utilitarista e a serviço de interesses não coletivos, ele jamais inaugurará uma ruptura ética na política e perpetuará a sociedade que queremos exatamente superar..."

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CRISE ECOLÓGICA GLOBAL 

"A grande maioria da humanidade não se conscientizou suficientemente da singularidade do momento histórico que estamos vivendo. Nunca uma civilização como a nossa se propôs como meta explorar a Terra e seus recursos de forma ilimitada como no capitalismo..."

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COMENTÁRIO FINAL 

Enfim, amig@s leitores, a resenha ficou grande, e deu trabalho fazê-la. 

Como digo a vocês, leiam a entrevista inteira. Nem parece que foi feita há 20 anos, de tão atual.

Sigamos estudando e compartilhando conhecimento. 

Podemos salvar a humanidade e o planeta através da educação, ciência e cultura. 

William 

domingo, 11 de maio de 2025

Poema 28: Igualdade às mães e mulheres do mundo


IGUALDADE ÀS MÃES E MULHERES DO MUNDO


O domingo foi de homenagem às mães

em várias comunidades humanas do mundo.

As homenagens são justas e necessárias

e deveriam vir com mudanças culturais.

Só existimos por causa das mães do mundo:

somos todos filhos das mães, filhos das mulheres. 

Do passado remoto aos dias atuais da humanidade,

toda cria humana foi cuidada pelas mulheres

e muitas vezes, criadas só pelas mulheres.

E até hoje a manutenção da espécie humana

não é reconhecida economicamente

pelas sociedades dos machos ignorantes.

Dizem por aí que "não fazem nada" as mães dos lares.

Toda a produção de riqueza humana deve ser

distribuída igualitariamente entre mulheres e homens.

E todos os direitos civis, sociais e políticos

criados pela espécie humana em sociedade

devem ser absolutamente iguais entre as pessoas,

sejam elas mulheres ou homens na biologia

e ou nas suas diversas identidades de gênero.

A desigualdade entre mulheres e homens

não pode seguir existindo na humanidade.

O corpo de uma mulher pertence a ela

assim como o de um homem a si pertence.

A violência contra as mulheres do mundo

não pode ser tolerada, sequer normalizada.

Compete à política e às leis das sociedades

assegurar condições iguais de existência às mães,

e às pessoas nas suas diversidades humanas.

Igualdade às mães e mulheres do mundo!


William 

11/05/25

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Poema 7: Envelhecemos


ENVELHECEMOS


Eu a via andando pela passarela

da estação de trem do Altino,

muito pequenininha que era;

crianças largadas ao destino.


Eu passava por ela indo para o sindicato.

Ela e a família mulambenta

iam e vinham brigando e brincando;

vidas sem oportunidades.

Quede o governo, o Estado?


O tempo foi passando... seguimos pelas ruas;

um quarto de século de encontros e desencontros:

"Tio, paga um lanche pra mim?"


A criança envelheceu rápido, sobreviveu como pode.

Quando a via pelas ruas, já no corpo adolescente,

na lembrança via a carinha da infância, sempre.


Hoje quando a vi, se levantando da calçada,

doeu fundo o coração ao ver aquela senhora.

Ia eu com minhas dores no quadril,

vinha ela toda encolhida e mulambenta.


Envelhecemos pelas ruas.

As oportunidades que tive

não teve aquela criança. 

Dois animais humanos

numa sociedade desumana.


Podemos mudar tudo isso.

A sociedade do amanhã depende

das oportunidades oferecidas 

para as crianças do presente.


William 

02/02/25


sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Frei Betto: una biografía



Refeição Cultural 

Um dos livros que trouxe de minha segunda viagem a Cuba foi a biografia do dominicano Frei Betto, que completou dias atrás 80 anos de vida.

Já li quase trezentas páginas do excelente livro produzido por Evanize Sydow e Américo Freire, cuja primeira edição é de 2016.

O livro me foi presenteado pelo estande onde estava disponível na 32ª Feira Internacional do Livro de Havana. Ganhei outros livros de Betto. Eu estava acompanhando o Frei na ocasião. 

Amigas e amigos leitores, estar com Frei Betto, ouvi-lo palestrar e trocar ideias com ele é uma experiência transformadora. 

Tive essa oportunidade em Havana, por estar com uma amiga de Betto, nossa companheira Telma Araújo, mineira que organiza Brigadas de Solidariedade a Cuba.

Imaginem vocês a emoção que senti ao ler o prólogo escrito por seu amigo revolucionário, o Comandante em Chefe Fidel Castro Ruz! 

Fidel e Betto foram amigos por décadas. O Comandante diz sobre o amigo dominicano:

"Hombre sencillo, de habla pausada, con la modestia y la humildad que enaltece su condición de fraile, se identificó con los valores genuinos de nuestra revolución que, según afirma, son también los de la religión que él profesa: justicia, igualdad, compromiso con los pobres y discriminados."

Ao conhecer o que já li de sua biografia e ao ouvir e ler seus ensinamentos, me tornei um grande admirador de Frei Betto. Tê-lo entre nós é uma honra e uma oportunidade. 

Sigamos aprendendo com este grande ser humano. 

William Mendes 


sexta-feira, 23 de agosto de 2024

90 de 100 dias



ELEIÇÕES MUNICIPAIS 

Opinião

90. Ouvi nesta semana algumas avaliações políticas que me deixaram pensativo. Desde que me politizei com os bancários da CUT, passei a manter a mente aberta às argumentações das pessoas. Estar aberto a ideias diferentes das minhas quer dizer aceitar a possibilidade de ser convencido a mudar de opinião e incorporar a proposição do outro.

Ao ouvir o jurista Pedro Serrano desenvolver suas opiniões sobre mais ou menos interferência do poder judiciário na política, enquanto princípio, concordei com ele. Ele acha que sujeitos como esses bolsonaristas extremistas deveriam ser derrotados na política, nas ruas. 

Ele respondia a jornalistas sobre aquele desqualificado que está disputando as eleições paulistanas e que comete barbaridades o tempo inteiro como ato estratégico de campanha para capturar a atenção das pessoas pelo grotesco e bizarro.

O "coach" vem crescendo nas pesquisas com seu jeito criminoso de fazer campanha. Pelo que se sabe até agora, pela imprensa progressista, o cara não poderia seguir candidato pelas ilegalidades que já cometeu. Vamos ver o que vai dar. 

Mas, enquanto princípio, concordo com Pedro Serrano que a esquerda e os movimentos populares deveriam apostar mais nas ruas e não no poder da justiça burguesa, que é conservadora e reacionária. Mudanças sociais só se darão pela participação popular, pela pressão das ruas. E a esquerda, está chamando o povo para as ruas?

Aliás, multipliquem esse caso de destaque, o "coach" que indicava vítimas para serem roubadas - candidatura com visibilidade grande por se tratar da gigante cidade de São Paulo - por centenas de casos semelhantes Brasil afora. Como parar isso? Como chamar isso de "democracia"? 

Já se demonstram nas notícias os esquemas de abuso de poder econômico na candidatura do cara. Democracia ou plutocracia? Onde está a igualdade de condições?

A esquerda deveria estar politizando os trabalhadores, explicando e pautando, defendendo que eleições não podem ter nenhum recurso financeiro e econômico além do conhecimento que as pessoas tenham em suas comunidades por alguma referência que elas sejam. Se tiver financiamento, que seja 100% público e isonômico a todas as candidaturas. (e com suspensão das plataformas digitais no período eleitoral: 99% dos que se destacam é pelo poder do dinheiro)

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A "ESQUERDA" DEVE VOLTAR A SER DE ESQUERDA 

Nosso campo político está burocratizado, perdeu a referência histórica de nosso papel em relação ao mundo que queremos, que defendemos, um mundo socialista ou comunista. Sem recuperar nossa postura, nada de relevante vai mudar na sociedade humana. 

Se nosso campo seguir defendendo o capitalismo, o neoliberalismo, a balela de "humanizar" o capitalismo!, as instituições do Estado capitalista e neoliberal, o povo que está se ferrando com o capitalismo e o neoliberalismo não voltará a dar atenção para nós que nos denominamos de "esquerda". Esquerda defendendo o "sistema"? Acordem! Temos que ser antissistema!

Isso está claro no mundo todo. 

Eu quero o fim do capitalismo e do neoliberalismo. Mas quem quer isso hoje no nosso campo da "esquerda"?

Se quer, por que não fala e defende isso abertamente?

Na luta contra o imperialismo estadunidense, estou com Cuba, com o chavismo, estou com os palestinos! Caramba, isso é básico pra alguém de esquerda!

Assim como esses três exemplos acima, muitos outros não deveriam dividir a "esquerda" nessa quadra da história! O direito ao aborto, políticas de cotas, ser antirracista e anticolonialista etc.

É isso! Estamos em período eleitoral. Em São Paulo, precisamos eleger dezenas de vereadoras e vereadores de esquerda. E Boulos prefeito! O mesmo em todas as cidades brasileiras, companheirada!

Peço voto e apoio a Luna Zarattini 13131.

William Mendes 


terça-feira, 13 de agosto de 2024

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 13 de agosto de 2024. Terça-feira.


FIDEL VIVE!

No dia de hoje, comemoramos o nascimento de um dos maiores heróis do povo latino-americano do século XX e da história de Nuestra América, o Comandante em Chefe Fidel Castro. Ele completaria 98 anos de idade. Fidel vive!

Durante o dia, li e apreciei os dois livros fotográficos sobre Fidel que trouxe de Cuba. Imagens magníficas e emocionantes. Junto ao Comandante Fidel, figuras como Che Guevara, Raúl Castro e líderes mundiais.

Nos últimos dias, li também sobre um grande amigo de Cuba, um homem extraordinário, Frei Betto, que completou nesses dias 80 anos de idade.

Estou refletindo a respeito de minha terceira viagem a Cuba, sou admirador e apoiador do povo cubano em sua busca por liberdade e autonomia sem interferência dos Estados Unidos, que mantêm um bloqueio criminoso ao país com o intuito de causar miséria e desesperança a milhões de pessoas.

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Revolução Bolivariana na Venezuela sob ataque

Eu sigo não concordando com o comportamento do governo brasileiro em relação às eleições presidenciais na Venezuela. Depois de tudo que aconteceu nas últimas semanas, até o mundo mineral sabe que o chavismo está sob ataque do imperialismo e está resistindo a mais um Golpe de Estado patrocinado pelos Estados Unidos. 

É inacreditável se for verdade que a diplomacia brasileira e o governo Lula avaliam sugerir novas eleições no país. Minha decepção com a postura do Brasil chega ao ponto de pensar em romper com o nosso governo. Não faria isso no calor dos acontecimentos, mas num mundo em disputa como o que vemos neste momento não há espaço para pusilanimidade contra a extrema-direita internacional. Estamos falando do fascismo! Lula pede unidade do mundo contra esses extremistas e acaba apoiando os extremistas que só querem o petróleo da Venezuela. Francamente!

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Bolsonaro livre...

Como venho dizendo faz tempo, desde o ano de 2023, existe uma construção por cima para que nenhum bolsonarista seja punido pelo que fez. Os caras são inimputáveis!

Assim como venho escrevendo a respeito da impossibilidade da democracia na atualidade, vejo claramente que além da plutocracia ser a forma autoritária de governos atuais, vide EUA, França, Alemanha, Brasil do Centrão e do orçamento secreto, entre outros, as "leis" e os "direitos" serão cada vez mais para proteger de qualquer crime o 1% e seus apaniguados, os bilionários e os milionários, e para prender e arrebentar o restante do povo, os noventa e tantos por cento de pessoas, a patuleia, a malta, a plebe, como todos nós.

Que desânimo!

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Eleições municipais brasileiras

Como fazer campanha eleitoral sabendo que não há democracia no Brasil? Como lutar para eleger pessoas decentes e interessadas no bem comum como várias candidaturas que conheço do campo progressista?

Que dureza!

Vamos fazer a nossa parte e fazer o bom combate, claro!

Mas que é meio ilusório, isso é!

William


sexta-feira, 9 de agosto de 2024

Leituras Capitais




Refeição Cultural - CartaCapital ed. 1322

A revista semanal liderada por Mino Carta é sempre uma leitura para nos dar noções do que se passou de relevante nos últimos dias na política, na economia e na cultura de nosso país, e ainda traz duas ou três matérias relativas a outras nações do mundo.

Não é toda semana que leio a revista, mas sempre que posso, leio CartaCapital da primeira à última página. Com isso, fico bem inteirado sobre temas relevantes do momento. Eu não leio noticiários em páginas de internet diariamente. Preservo um pouco de minha sanidade fazendo isso.

Nesta edição, li as matérias sobre as eleições da Venezuela e respeito a opinião dos articulistas, porém discordo da análise deles. É assim que funciona o debate respeitoso sobre política.

Uma das matérias mais interessantes desta edição foi o artigo do senador Jaques Wagner (PT) trazendo luz sobre os investimentos públicos no esporte olímpico e paraolímpico.

Enfim, sigamos nos informando em boas fontes jornalísticas e atuemos contra notícias falsas ou com clara intenção de manipular pessoas.

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"E AGORA, MADURO?

A falta de transparência do processo eleitoral coloca a Venezuela em pé de guerra" 

Com esse título, a revista CartaCapital tomou posição e lado, na minha opinião de leitor. Não vejo isso como problema, a revista sempre foi clara com seus leitores. 

Aliás, me posiciono de cara: não é verdade que "a falta de transparência" colocou o país em pé de guerra. É só vermos o comportamento dos EUA reconhecendo a "vitória" de quem não ganhou (outro Juan Guaidó) e seus lacaios venezuelanos, os atuais fantoches Corina e González, que estimulam uma guerra civil em carta dias depois do resultado, para ter claro que nunca foi uma questão de "transparência" ou "atas".

Dito isso, reafirmo que estou do outro lado da opinião de CartaCapital, eu me posiciono em favor da Revolução Bolivariana, do chavismo e da soberania do povo venezuelano. Há um golpe imperialista em andamento, para se apropriar do petróleo do país e não existe mais "perdão" para supostas inocências democráticas. 

Qualquer pessoa minimamente alfabetizada e politizada sabe que é do petróleo que se trata a intromissão dos EUA nas eleições venezuelanas.

Vão pedir transparência ao Biden, Trump, Kamala, Macron, ao genocida Netanyahu e ao raio que parta essa gente e esses países do Norte imperialista!

E repito a minha vergonha e decepção com a postura de nosso governo em não se posicionar a favor de Maduro como os EUA fizeram em favor da oposição bancada por eles, que inventou um resultado e o império decadente e seus lacaios estão aceitando como "verdadeiro".

It's the economy, stupid!... (lembram-se disso?)

Enfim, dos três textos referentes à matéria de capa, só gostei do tom do texto do professor Belluzzo, resgatando a história da Venezuela. O de Sergio Lirio e o do professor Aldo Fornazieri, não gostei. Atenção: não gostei dos textos e das opiniões deles. Sigo respeitando muito ambos, são opiniões diferentes. 

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ESPORTE TAMBÉM É POLÍTICA 

Como disse na abertura, é esclarecedor o artigo do senador Jaques Wagner (p. 29) nos informando sobre os números e resultados dos 20 anos de criação do programa Bolsa Atleta pelo presidente Lula (criado em 2004). 

Além do Bolsa Atleta, o senador informa sobre os outros programas e montantes de recursos públicos que beneficiaram (98%) ou beneficiam ainda (87,3%) a quase totalidade dos atletas da delegação brasileira (276) nas Olimpíadas de Paris, França. 

O Brasil ganhou mais medalhas nesses 20 anos de patrocínio do governo federal aos atletas olímpicos (84) e paraolímpicos (267), em 5 edições com Bolsa Atleta, do que em 80 anos sem apoio governamental aos atletas. Foram 66 medalhas em 15 edições antes de Lula (PT). Isso significa IGUALDADE DE OPORTUNIDADES! Por isso temos visto tantas pretas e pretos e pessoas periféricas levantando medalhas. Nossa delegação tem 153 mulheres em 276 atletas (55%). 

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OUTRAS SEÇÕES DA REVISTA

Gostei da matéria de política falando sobre as estratégias do Partido dos Trabalhadores no Nordeste para ampliar o número de prefeitos nos Estados nordestinos.

Eu compreendo as concepções e práticas do partido por ter passado mais de duas décadas de minha vida de representação estudando um pouco a origem e as características do PT e de suas principais lideranças desde a sua fundação em 1980.

Aliás, sempre votei no PT, mesmo quando não era filiado ao partido. Dia desses, escrevi sobre isso (ver aqui). Neste período de eleições municipais, vou escrever sobre política no blog A Categoria Bancária (aqui) e vou apoiar a candidatura de Guilherme Boulos e Luna Zarattini (vereadora) em São Paulo, cidade onde nasci, e vou apoiar a candidatura de Emídio de Souza em Osasco, onde resido.

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CULTURA

A edição veio recheada de boas reportagens sobre cultura. Os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia em nova turnê após décadas é uma maravilha. Eu me lembro que foi através de CartaCapital que vi o lançamento do álbum novo "Noturno", de Bethânia, durante a pandemia de Covid-19 que ouvi e adorei.

Todas as matérias são interessantes e estimulantes.

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SAÚDE

O artigo "Uma questão de classe", de Arthur Chioro, sobre as eleições no Conselho Federal de Medicina (CFM) é elucidativo para as pessoas que não acompanham o dia a dia do setor de saúde brasileiro.

Chioro cita um certo número de casos na área da saúde para demonstrar o quanto regredimos em relação à ética profissional no setor. Depois dos casos absurdos, ele nos explica a importância do CFM como um órgão público de fiscalização.

"No Brasil, desde 1951, essa responsabilidade é atribuída, por lei, a uma autarquia federal, o Conselho Federal de Medicina (CFM), que possui o papel de fiscalizar e normatizar a prática médica e é formado por dois médicos (um titular e um suplente) de cada unidade federada, eleitos por seus pares".

E as eleições se deram nesta semana que passou e os resultados nos Estados e DF foram muito ruins, o conservadorismo prevaleceu e os riscos seguirão altos, tanto para os profissionais da área quanto para a população brasileira exposta a práticas questionáveis e não científicas.

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É isso! Foi uma leitura que me deixou com noções boas sobre os temas que abordou.

William Mendes

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

72 de 100 dias



72. Nesta segunda-feira pela manhã, enquanto ouvia no programa "Cubanias", nº 155, a excelente entrevista de Lina Noronha ao "youtuber" cubano Gilo Fezzo (ver programa aqui), soube da conquista de mais uma medalha de nossa atleta Rebeca Andrade, agora de ouro. Que legal ver nossas brasileiras e brasileiros estarem competindo porque tiveram oportunidade para isso!

ESPORTE TAMBÉM É POLÍTICA 

Na edição desta semana da revista CartaCapital (n° 1322), há um excelente artigo do senador Jaques Wagner (p. 29) nos informando sobre os números e resultados dos 20 anos de criação do programa Bolsa Atleta pelo presidente Lula (criado em 2004). 

Além do Bolsa Atleta, o senador informa sobre os outros programas e montantes de recursos públicos que beneficiaram (98%) ou beneficiam ainda (87,3%) a quase totalidade dos atletas da delegação brasileira (276) nas Olimpíadas de Paris, França. 

O Brasil ganhou mais medalhas nesses 20 anos de patrocínio do governo federal aos atletas olímpicos (84) e paraolímpicos (267), em 5 edições com Bolsa Atleta, do que em 80 anos sem apoio governamental aos atletas. Foram 66 medalhas em 15 edições antes de Lula (PT). Isso significa IGUALDADE DE OPORTUNIDADES! Por isso temos visto tantas pretas e pretos e pessoas periféricas levantando medalhas. Nossa delegação tem 153 mulheres em 276 atletas (55%). 

ATLETISMO CUBANO É VÍTIMA DO BLOQUEIO IMPERIALISTA

Por outro lado, achei muito importante a explicação de Gilo Fezzo sobre os motivos pelos quais Cuba não é hoje uma potência mundial nas Olimpíadas como era décadas atrás. Após mais de 6 décadas de bloqueio dos EUA com o objetivo de causar miséria ao povo cubano por ter escolhido o socialismo como modelo econômico, político e social, o país precisa focar seus recursos disponíveis nas questões mais vitais como rede e insumos hospitalares, alimentação, educação, moradia etc. Esporte de competição exigiria um investimento em recursos que o país não dispõe no momento. 

Por isso sempre acusamos aqui o crime de lesa-humanidade do imperialismo com esses embargos e bloqueios a outros povos e países do mundo. Cuba e Venezuela sofrem no momento um embargo criminoso e injustificável por parte dos Estados Unidos da América que inviabiliza a normalidade econômica, política e social desses países. Isso em nome de uma suposta "democracia" em um país cujo sistema político é uma PLUTOCRACIA, os ricos e suas empresas estão no poder, não o povo.

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CAPITALISMO OU SOCIALISMO?

É isso! Reflitam sobre essas questões que apontei aqui. 

Onde está a democracia (povo no poder) arrotada pelos Estados Unidos? 

Que sistema causa miséria generalizada em mais de 90% da população (beneficiando o 1%) e qual modelo traz mais justiça social e igualdade de oportunidades? O modelo do cada um por si ou o modelo da solidariedade?

William Mendes 


quinta-feira, 23 de maio de 2024

Os miseráveis - Victor Hugo (12)



Refeição Cultural

Osasco, 23 de maio de 2024. Quinta-feira.


Os miseráveis. Que denominação mais certeira essa do escritor Victor Hugo para descrever a condição das massas humanas reunidas em sociedades organizadas sob a ideologia do dinheiro, do capital, as sociedades capitalistas!

Aglomerações humanas de miseráveis, convivendo com uma pequena parcela de privilegiados. Sociedades capitalistas são sociedades de privilegiados. Desde o início dessa forma de organização das sociedades, o privilégio de poucos é a regra no e do capitalismo.

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Comecei a leitura do clássico de Victor Hugo no ano de 2023, sabendo que a leitura de uma obra de mil e quinhentas páginas seria uma leitura lenta, como se fosse uma novela ou série com centenas de episódios. Assim será a minha leitura de Os miseráveis. Lenta. Não tenho pressa. Vou sofrer lentamente com o martírio das personagens. Já sofro assim ao perceber o mundo ao meu redor.

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Durante a leitura da Parte 1 "Fantine", dos livros I (Um justo), II (A queda) e III (No ano de 1817) fiz postagens com alguns dados da narrativa, e com algumas reflexões. As postagens trazem informações essenciais sobre o romance. Pena que as postagens de literatura não são as mais acessadas no blog. As pessoas preferem outros tipos de textos.

Como o objetivo do blog desde o início é compartilhar conhecimento e cultura, vou ler Os miseráveis fazendo postagens a partir das leituras do livro. A primeira postagem, com link para a postagem seguinte, pode ser lida clicando aqui.

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PRIMEIRA PARTE - FANTINE

LIVRO IV: CONFIAR É, ÀS VEZES, ENTREGAR


I. Uma mãe encontra outra

"Fantine ficara só. O pai de sua filha estava longe - infelizmente esses rompimentos são irrevogáveis -, ela viu-se absolutamente isolada, com o hábito do trabalho a menos e o gosto pelo prazer a mais..." (p. 190)

Hoje dei sequência à leitura do clássico de Victor Hugo. Já havia conhecido o Monsenhor Bienvenu, Jean Valjean e Fantine. Agora conheci a pequena Cosette, ou a Cotovia.


"Teve a ideia de regressar a sua cidade natal, Montreuil-sur-Mer, onde talvez alguém a conhecesse e lhe arranjasse trabalho. Sim, mas precisava ocultar sua falta. E entrevia confusamente a possível necessidade de uma separação mais dolorosa ainda do que a primeira. Ficou com o coração apertado, mas decidiu. Fantine, como veremos, tinha a bravura feroz da vida. Já havia renunciado resolutamente à aparência, vestindo-se de chita e colocando toda a sua seda, os seus enfeites, fitas e rendas sobre a filha, única e santa vaidade que lhe restara (...) Aos vinte e dois anos, em uma bela manhã de primavera, deixava Paris, levando a filhinha. Quem quer que as visse passar, teria compaixão. Aquela mulher só tinha aquela criança no mundo e aquela criança só tinha aquela mulher no mundo. Fantine amamentara a filha, o que havia cansado seu peito, ela tossia um pouco." (p. 191)

A qualidade da crítica de Victor Hugo na forma como ele narra os acontecimentos do romance é impressionante! 

É difícil não sofrermos com os acontecimentos em alguns momentos dos três capítulos nos quais nos são apresentados Cosette, o casal que ficará com ela de forma provisória a pedido de Fantine e a condição miserável na qual é colocada a pequena Cosette.

Ao ver a condição de Fantine e Cosette, vemos milhões de mães colocadas em condição semelhante pelos homens donos do poder nas sociedades capitalistas, cuja base das ideias e dos costumes é a propriedade do dinheiro.


"Cosette, leia-se Euphrasie. A pequena chamava-se Euphrasie, que a mãe fez Cosette por esse doce instinto das mães e do povo, que faz de Josefa, Pepita e de Françoise, Sillette. Este é um gênero de derivados que atrapalha e desconcerta toda a ciência dos etimologistas. Conhecemos uma avó que conseguiu fazer de Théodore, Gnon." (p. 193)

O tempo todo, o narrador faz essas observações inerentes às mais diversas dimensões da vida social francesa daquele momento histórico no qual se passam os acontecimentos no romance.


II. Primeiro esboço de duas figuras suspeitas

"Essas pessoas pertenciam àquela classe bastarda, composta de gente grosseira que subiu na vida e de gente inteligente decaída, que está entre as chamadas classe média e classe inferior, e que combina alguns dos defeitos da segunda com quase todos os vícios da primeira, sem ter o generoso impulso do operário, nem a honesta ordem do burguês." (p. 195)

Viram a intensão de análise antropológica e sociológica de tipos daquela sociedade francesa no ano de 1817?


"De resto, diga-se de passagem, nem tudo é ridículo e superficial nessa curiosa época à qual aqui fazemos alusão, no que poderíamos chamar de anarquia dos nomes de batismo. Ao lado do elemento romanesco, que acabamos de citar, existe o sintoma social. Não é raro hoje em dia que um vaqueiro se chame Arthur, Alfred ou Alphonse, e o visconde, se é que ainda há viscondes, Thomas, Pierre ou Jacques. Este deslocamento, que dá ao plebeu um nome 'elegante', e um nome camponês ao aristocrata, nada mais é que um borbulhar de igualdade. A irresistível penetração do novo sopro está nisso como em tudo o mais. Sob essa aparente discordância, existe uma coisa grande e profunda: a Revolução Francesa." (p. 197)

O narrador aproveitou a crítica que fez aos nomes das filhas do casal Thénardier, Éponine e Azelma (que quase se chamou Gulnare), para tecer um comentário a respeito das mudanças oriundas da recente Revolução Francesa em relação ao tempo histórico da história do romance.


III. A Cotovia

"Na aldeia a chamavam de Cotovia. Agradou ao povo, que gosta de imagens, denominar assim aquela criaturinha, pouco maior que um passarinho, trêmula, assustada, medrosa, primeira a se levantar toda manhã, não só na casa, mas em toda a aldeia, e sempre na rua ou nos campos antes da aurora. Mas a pobre Cotovia jamais cantava." (p. 199)

É uma dureza saber o que o casal Thénardier faz com a pequena Cosette sem o conhecimento de sua mãe, Fantine, que paga religiosamente valores mensais para que a filha seja criada enquanto ela não pode ir buscá-la.

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COMENTÁRIO FINAL

Enfim, retomei a leitura do clássico de Victor Hugo, um romance de temática bastante atual no ano de 2024, a considerar os bilhões de miseráveis do mundo hegemonizado pela ideologia capitalista.

A cada página que leio mais me convenço do ensinamento de Italo Calvino sobre os clássicos: é melhor ler que não ler os clássicos!

Seguiremos lendo.

William Mendes


Bibliografia:

HUGO, Victor. Os miseráveis. Tradução de Regina Célia de Oliveira. Edição especial. São Paulo: Martin Claret, 2014.

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Livro: Mulheres são tudo isso e muito mais - Org. Cleusa Slaviero



Refeição Cultural

Osasco, 25 de abril de 2024. Quinta-feira.


As crônicas e artigos do livro Mulheres são tudo isso e muito mais (2024) são emocionantes, marcantes e de arrepiar leitoras e leitores. Os relatos, as histórias e as confissões constantes nos textos me fizeram pensar muito, me peguei refletindo sobre vários deles.

O livro é mais uma coletânea organizada pela excelente editora Cleusa Slaviero e sua equipe. Nesta edição com a temática relevante sobre as mulheres, tive a oportunidade de ler contribuições de companheiras que conheço de longa data, e que textos potentes! 

O projeto de livros coletivos, da Editora ComPactos, é uma ideia muito legal. Eu conheci o trabalho através da companheira e amiga Marisa Stedile, grande liderança da classe trabalhadora, ex-presidenta do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. Aliás, os artigos que ela nos presenteia nos livros são sempre impactantes. Nesta edição, não foi diferente!

Ao escrever minha contribuição, pensei muito no quanto eu fui me modificando como homem e cidadão ao longo de décadas por influência de mulheres que marcaram minha vida e me ajudaram a ser o que sou hoje. A educação e a formação política me ajudaram a superar os anos de fúria e ignorância. Sou grato por isso.

Os ambientes aos quais estive exposto indicavam um caminho de violência, machismo e intolerância: o próprio lugar onde nasci, o Brasil da ditadura, o Brasil da escravidão longeva e do racismo estrutural, o país que mais mata pessoas trans no mundo. Fui salvo por minha mãe, e depois fui sendo salvo a vida toda pelas veredas que peguei, sempre influenciado por uma mulher potente.

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AS MULHERES DEVEM ESTAR NOS LUGARES QUE QUISEREM E COM CONDIÇÕES PARA ISSO

A temática do livro é fundamental num momento de disputa de hegemonia mundial sobre as ideias que dominam a pauta e a agenda da comunidade humana. 

Ao mesmo tempo em que vemos avanços nas pautas das discussões identitárias e de gênero, resultado de séculos de enfrentamento feminino ao mundo do macho alfa branco proprietário dos meios, vemos retrocessos inaceitáveis nas conquistas e nos direitos das mulheres, retrocessos pautados pela extrema-direita mundial, disfarçada nas mais variadas formas em cada sociedade.

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JÁ IMAGINARAM HOMEM REIVINDICANDO DIREITO AO PRÓPRIO CORPO? (para além da questão de pessoas escravizadas)

Peguemos como exemplo a questão do direito ao próprio corpo, um debate secular da pauta de gênero. A questão de interromper ou não uma gravidez indesejada ou com risco de morte para a mãe. Fico imaginando qual seria a posição e o comportamento dos homens caso eles engravidassem... 

Já imaginaram como seria tratada a questão do aborto caso a forma de reprodução nos animais mamíferos homo sapiens se desse através de beijo na boca? 

Se a reprodução humana ocorresse tanto em corpos de homens como de mulheres e a forma de concepção fosse através de trocas corporais pela boca? 

Será que existiria alguma divergência na sociedade sobre interrupção ou não de gravidez se homens de repente se pegassem grávidos?

Pois é! Imaginar a questão da gravidez em homens é para exercitar a antiga forma de se colocar no lugar da outra pessoa para tentar se sensibilizar com o que as outras pessoas sentem ou enfrentam nos dilemas diários da vida humana.

Nunca me esqueço dos ensinamentos que aprendi no movimento sindical sobre as diversas temáticas identitárias. 

RACISMO - Um branco como eu jamais vai saber o que uma pessoa negra como minha irmã, por exemplo, sentiu ou sente todas as vezes ao longo de sua vida em que ela foi ou é vítima do racismo nojento dessa sociedade brasileira hipócrita na sua parte que não reconhece o racismo estrutural vigente há séculos.

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CRÔNICAS QUE NOS FAZEM REFLETIR E QUE NOS EMOCIONAM

Enfim, exemplifiquei duas questões cotidianas na vida das pessoas em convívio social, a questão de gênero e a questão do racismo.

O livro veio num momento central de nossa história humana. A temática foi certeira. Cada um dos trinta textos mexe com a gente.

Recomendo a leitura e parabenizo todas as pessoas envolvidas no projeto.

William Mendes

25/04/24

sábado, 10 de junho de 2023

Os miseráveis - Victor Hugo (1)



Refeição Cultural

Osasco, 10 de junho de 2023. Sábado.


"ENQUANTO, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século - a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância - não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis." (Victor Hugo, no prefácio de Os miseráveis)


Os miseráveis... os miseráveis. Só pela expressão já sabemos o quão atual e necessária é a temática ficcional e histórica abordada pelo escritor francês Victor Hugo. Os miseráveis...

Victor Hugo foi romancista, poeta, dramaturgo, desenhista, pintor e político. Victor Hugo registrou de forma ficcional nesta obra, em 1862, fatos históricos a respeito da sociedade humana sob a égide do regime capitalista.

Os miseráveis acabaram sendo o resultado da revolução burguesa ocorrida décadas antes na França. Dito de outra forma, a miséria da maioria esmagadora da população foi o resultado da revolução burguesa. Era pra ser outro o resultado da Revolução... era. 

Liberdade, Igualdade, Fraternidade... Os burgueses deram um jeito de transformar os lemas da Revolução Francesa em um só: Liberdade. Igualdade e Fraternidade viraram peças de propaganda e manipulação das massas. Até hoje é assim!

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COMENTÁRIO

Inicio a leitura da obra monumental de Victor Hugo, Os miseráveis. Não posso adiar mais a leitura desse clássico. O prefácio já diz tudo. Vivemos numa época de plena "proscrição social". 

Um século e meio depois da denúncia de Victor Hugo sobre os efeitos do capitalismo sobre a sociedade humana, o que temos no mundo é um número inimaginável de miseráveis, e com viés de aumento na tendência a termos cada dia mais miseráveis numa sociedade global capitalista falimentar.

Os miseráveis...

Serão meses de leitura, meses. Dessa vez não vou parar a leitura. Vou ler até o fim. 

Como diz Victor Hugo "enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis".

Finalizo este primeiro comentário sobre a leitura do livro com a reflexão de Jean Pierre Chauvin, na introdução da edição que vou ler.

"Dir-se-ia que esta obra pretende demover o leitor de seu confortável espaldar, sorvendo o seu café, ao abrigo das intempéries que acontecem nas ruas. O narrador está à beira de sugerir que se tome alguma atitude, com o fito de minorar as dificuldades enfrentadas por aqueles que não frequentam os mesmos ambientes que os próprios leitores, aliás."

Pois é! Meus conhecidos são bancários da ativa e aposentados, são professores, são profissionais liberais e gente da chamada classe média urbana brasileira. Pensando na observação de Chauvin, diria que meus contatos não se veriam na condição de miseráveis...

Eu me pergunto se é suficiente termos votado em Lula em outubro de 2022 e de termos ajudado a interromper o mandato formal do miliciano genocida. Isso foi o suficiente para a gente de minha classe social? Não deveríamos estar nas ruas, todas as semanas, defendendo as pautas pelas quais votamos em outubro de 2022? O Legislativo e o Judiciário não são nossos, são dos burgueses capitalistas. 

Estamos preparados para enfrentar a ofensiva deles para retomar o poder formal do Estado, o Executivo onde está Lula? Estamos preparados para enfrentar nossos inimigos de classe ou ao menos cientes de que a reação deles está em andamento? Era pra estarmos nas ruas em milhões de pessoas, todas as semanas... qualquer dia vem o golpe e não faremos nada... já vimos isso e não aprendemos.

Vou ler Os miseráveis de Hugo e temos que refletir sobre como lidar com o contexto atual do mundo no qual os miseráveis estão aí ao nosso redor, e não estão politizados, são facilmente manipuláveis, fechemos os olhos ou não para essa realidade.

William


Post Scriptum: aos leitores do blog que tiverem interesse, será possível ler os comentários sobre a minha leitura do clássico de Victor Hugo, a partir das postagens que farei. A cada postagem de leitura, deixarei ao final o link da postagem seguinte. A próxima pode ser lida aqui.


Bibliografia:

HUGO, Victor. Os miseráveis. Tradução de Regina Célia de Oliveira. Edição especial. São Paulo: Martin Claret, 2014.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

BB - Nunca antes na história do Brasil...


Maria Rita Serrano, Lula, Tarciana Medeiros e Haddad.

Opinião

Osasco, 16 de janeiro de 2023. Uma segunda-feira diferente na história do Brasil e do maior banco público do país.


A bancária Tarciana Medeiros assumiu hoje a presidência do Banco do Brasil, indicada pelo presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores


A posse da bancária Tarciana na presidência do BB marca um dia importante em nossa história. Nosso banco público mais antigo - são 214 anos de apoio ao desenvolvimento do país - tem uma longa história de machismo. O presidente Lula mais uma vez acerta na indicação e na simbologia que vem empreendendo em seu 3º governo, um governo de frente ampla e reconstrução nacional.

Quando falo da longa história de machismo em nosso banco público, falo pensando por exemplo no pouco tempo que faz que a empresa passou a permitir que mulheres pudessem ser admitidas como bancárias na instituição (1970). Imaginem vocês, as brasileiras conquistaram o direito ao voto (CF 1934) bem antes de conquistarem o direito de prestarem concursos públicos para serem funcionárias do BB.

Dias atrás, a bancária Maria Rita Serrano assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal, uma empresa pública com 162 anos de atuação em benefício do Brasil e dos brasileiros. Rita não é a primeira presidenta da Caixa, é a quarta mulher a dirigir a estatal. 

Desejo uma boa gestão para a nossa presidenta do BB, Tarciana Medeiros, e desejo uma boa gestão para a nossa presidenta da Caixa, Maria Rita Serrano.

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O Brasil e nossas empresas brasileiras precisam muito da inteligência e das capacidades múltiplas que as mulheres têm


Eu me lembro dessa questão incômoda do machismo no Banco do Brasil e em tudo quanto é espaço social brasileiro - machismo devido à nossa história e constituição como terra de exploração -, me lembro de quando ainda era estagiário do Banco do Brasil na agência do Ceagesp (0663), no ano de 1992.

Como havia começado a fazer faculdade de Ciências Contábeis em 1991 pude estagiar no BB e me lembro de ter me desligado do estágio numa sexta-feira para tomar posse no cargo de escriturário no banco na segunda-feira seguinte, 09/09/1992, na agência Rua Clélia (3326).

No Ceagesp, eu estagiava no suporte e nós tínhamos um chefe muito machista. Certa vez, o cara me mandou aprender diversos serviços do setor e disse na cara dura que não iria passar os serviços para a funcionária C. porque ela era mulher... Ainda no início dos anos 90, o banco público respirava um ar bem autoritário que vinha das décadas da ditadura de 1964-85.

Já funcionário do banco, na agência Rua Clélia, era sabido pelo funcionalismo que os primeiros gestores das dependências do BB eram inevitavelmente homens. E isso não tinha relação alguma com critérios técnicos de competência. É inegável que temos homens e mulheres competentes, e também o inverso, homens e mulheres com menos competência para determinadas tarefas.

Eu tive o privilégio de trabalhar com muitas mulheres que colocavam os caras no chinelo quando o assunto era competência. Tenho uma recordação carinhosa de diversas colegas da agência Rua Clélia, meu primeiro local de trabalho como funci. Laura, Magaly, Ana Lúcia são algumas das colegas que me lembro com saudades. Quando foram minhas chefes na gerência média, elas tiveram uma paciência infinita com o jovem bancário que fui (brigão, contato do sindicato etc). A mesma competência e acolhimento encontrei nas colegas bancárias nas demais dependências onde trabalhei.

Já no movimento sindical, pude me politizar e obter uma consciência bem maior sobre a questão da discriminação e do preconceito em todas as suas formas perversas e injustas, incluindo aí a questão de gênero e raça. Tive o privilégio de ser diretor de um dos maiores e mais importantes sindicatos de bancários do país, e já no 1º mandato pude participar da Diretoria Executiva da entidade, experiência central em minha formação e, felizmente, a metade das lideranças era composta por mulheres.

Acompanhei por praticamente duas décadas a questão central dos temas identitários e de igualdade de oportunidades. Nunca me esqueço das lições da companheira Deise Recoaro ao explicar em palestras e seminários que preconceito gera discriminação, discriminação gera falta de oportunidades e falta de oportunidades gera desigualdade social. Estão aí os números vergonhosos da baixa representação de pessoas pretas e de mulheres nos mais diversos espaços de poder na sociedade brasileira.

Como coordenador da comissão de empresa dos funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e negociador nacional representando a Contraf-CUT entre 2012 e 2014, tive a oportunidade de conviver com grandes lideranças femininas no Comando Nacional dos Bancários e registro também a excelência das representações do banco na figura das duas gerentes executivas do BB responsáveis pelas negociações durante meu período de coordenador, me refiro às colegas Sandra Navarro e Áurea F. Martins. 

Por fim, tive a oportunidade de ser gestor eleito de uma grande associação da comunidade Banco do Brasil, a nossa Caixa de Assistência (Cassi), uma autogestão em saúde. Fizemos tudo que esteve ao nosso alcance no que se referia a colocar em prática aquilo que defendíamos nas lutas por igualdade nos espaços de gestão e poder da classe trabalhadora. 

Na questão da igualdade de gênero, das 35 posições de gerência que estavam sob nossa responsabilidade na estrutura organizacional da Cassi, tivemos ao final do mandato a seguinte composição de poder: 16 homens, 15 mulheres e quatro vagas em aberto para o gestor seguinte nomear. Essa informação consta em um dos textos de balanço de gestão que fiz (ver aqui). 

Finalizo o registro desse dia importante e histórico na política brasileira e na luta por igualdade em todos os sentidos. O presidente Lula e sua equipe de governo, incluindo homens e mulheres nas principais posições de comando, têm a nossa torcida e o nosso apoio quando entendermos que as decisões estão no caminho correto em prol do projeto que ajudamos a eleger.

William Mendes


quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Governo Lula, o governo da diversidade!



Refeição Cultural 

Osasco, 11 de janeiro de 2023. Quarta-feira.


No fim da tarde desta quarta, assisti pela internet à posse das Ministras de Estado Sonia Guajajara, do Ministério dos Povos Indígenas, e Anielle Franco, do Ministério da Igualdade Racial. Chorei de emoção ao ver nomeações tão simbólicas do governo do presidente Lula. Conhecer a constituição e a história da sociedade brasileira me faz ter noção clara da importância dessas nomeações. Lula, obrigado!

Já havia me emocionado muito com a posse do Ministro Silvio Almeida, do Ministério dos Direitos Humanos. E tenho consciência da importância política da nomeação da Ministra Marina Silva, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática. Presidente Lula, obrigado mais uma vez!

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CRIME DE INJÚRIA RACIAL É EQUIPARADO A RACISMO

O presidente Lula sancionou hoje lei que equipara o crime de injúria racial ao crime de racismo, que é inafiançável e imprescritível. Antes, era comum pessoas com "costas quentes" ou com algum tipo de poder conseguir se esquivar da acusação de racismo para a de injúria racial, ficando livre das penas mais severas da lei.

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O mundo humano é todo ele constituído de símbolos e abstrações, somos animais da espécie homo sapiens, com cérebros desenvolvidos através da evolução das espécies ocorrida nos últimos milhões de anos. Hoje compreendo muito melhor o mundo e a vida em relação à compreensão que tinha décadas atrás.

A posse do presidente Lula no domingo foi marcada por muita simbologia também. A subida da rampa do Planalto e a passagem da faixa presidencial com representações tão significativas do povo brasileiro foi inesquecível e ficará registrada na história. Os pronunciamentos do nosso presidente também foram muito contundentes em relação às necessidades do povo e demonstraram que novamente teremos um governo ativo e altivo.

A invasão e destruição dos prédios dos 3 poderes no último domingo 8, ato de terrorismo praticado pelos bolsonaristas e em conluio com setores das forças policiais, algumas autoridades políticas e do GDF também marcarão de forma negativa a história de nosso país. Mas acredito que vamos superar aquelas cenas bárbaras e sairemos mais fortes na defesa do Estado Democrático de Direito.

É isso, seguimos na defesa do presidente Lula e na reconstrução do país. Estive na 1ª manifestação popular promovida pelos movimentos sociais e pelos democratas no dia seguinte aos atos de destruição promovidos pelos fascistas bolsonaristas. Aqui em São Paulo fizemos um ato com mais de 50 mil pessoas na Avenida Paulista.

Sigo procurando sentidos para o viver, com a consciência que acumulei em décadas de estudos e experiências reais que a vida me proporcionou.

William Mendes