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quarta-feira, 25 de junho de 2025

Vendo filmes (XXX)


Mães paralelas (2021)

Refeição Cultural

Ainda o universo de Pedro Almodóvar (IV)


"No hay historia muda. Por mucho que la quemen, por mucho que la rompan, por mucho que la mientan, la historia humana se niega a callarse la boca" (Eduardo Galeano)


As palavras de Galeano estão mais presentes que nunca nos dias atuais, dias de guerras e genocídio. Almodóvar citou essa sabedoria do escritor e pensador uruguaio no filme "Mães paralelas", pois o enredo nos traz as questões inconclusas da Guerra Civil Espanhola e seus milhares de desaparecidos até hoje.

Finalizei mais uma sequência de filmes do espanhol Pedro Almodóvar. Agora conheço 17 filmes do cineasta. Já me tornei um admirador da poética do diretor.

A sequência que vi desta vez inclui filmes mais recentes dele, incluindo "O quarto ao lado" (2024), filme tocante e que nos deixa reflexivos sobre vários aspectos tratados na estória como, por exemplo, amizade, morte e solidão.

O filme "Mães paralelas" (2021) é excepcional! Almodóvar tem grande talento em contar histórias de mulheres que enfrentam cotidianos dramáticos em suas vidas. Nos enredos do diretor, nos pegamos pensando o que faríamos se fôssemos as personagens.

Após ver uma parte da produção cultural do cineasta, o que afirmo é que ainda vou tentar ver os filmes dele que não conheço e rever os filmes que já vi, pois são muito bons.

No link aqui é possível ler uma das postagens anteriores sobre os filmes de Almodóvar. Nela se vai aos outros textos.

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FILMES


Pepi, Luci, Bom e outras garotas de montão (1980) - Direção e roteiro: Pedro Almodóvar. Com: Carmen Maura, Eva Siva e Olvido Gara.

SINOPSE (MUBI):

Na Madri contracultural dos anos 1980, três mulheres embarcam em loucas desventuras. Pepi (Carmen Maura), uma preguiçosa, torna-se um sucesso da noite para o dia no mundo da publicidade. Luci (Eva Siva), uma dona de casa, descobre seu lado masoquista oculto. Bom (Olvido Gara) é a lésbica punk que ensina Luci a encontrar prazer na dor.

COMENTÁRIO:

Achei o filme interessante. Compreende-se melhor as obras do diretor espanhol Pedro Almodóvar ao conhecermos o contexto no qual ele iniciou seus trabalhos autorais de longa-metragem, a Movida Madrileña, e sua proposta de subversão e contestação da antiga ordem estabelecida: o franquismo mancomunado com a igreja católica. Achei o filme divertido. Muito legal ver Carmen Maura no início de sua carreira de atriz.

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Ata-me (1990) - Direção: Pedro Almodóvar. Com Victoria Abril, Antonio Banderas, Julieta Serrano, Rossy de Palma...

SINOPSE (MUBI):

Recém-saído de um hospital psiquiátrico, Ricky tenta seduzir o amor de sua vida: Marina, uma atriz de filmes B. Diante da amnésia dela, Ricky toma medidas extremas e a ata para retomar o romance do passado. Ele está convencido de que é só uma questão de tempo até que sua amada retribua seu afeto.

COMENTÁRIO:

Outro grande filme de Almodóvar, na minha opinião. À medida em que vamos conhecendo a poética do diretor espanhol, vamos compreendendo melhor as estórias que seus filmes contam. Falo a respeito da "poética" de Almodóvar porque sim, as fotografias e cenários de seus filmes são obras de arte.

Nesta estória, Almodóvar nos apresenta um órfão em busca de uma família (como veremos depois em Carne Trêmula, 1997) e uma mulher que ainda não encontrou um porto seguro para ancorar, e vemos personagens que buscam a redenção.

O final surpreende o espectador, como surpreende Carne Trêmula, em relação à questão da redenção.

Gostei! Almodóvar nos faz querer conhecer toda a sua obra! Sigamos na jornada!

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Mães Paralelas (2021) - Direção: Pedro Almodóvar Com: Penélope Cruz, Milena Smit, Israel Elejalde, Rossy de Palma, Julieta Serrano... 

SINOPSE (NETFLIX): 

Pedro Almodóvar levou duas décadas para criar este drama emocionante, que combina um dilema moral, a solidão da maternidade e o passado sombrio de um país.

COMENTÁRIO:

O enredo do filme tem como pano de fundo as consequências da trágica Guerra Civil Espanhola. Janis Martinez (Penélope Cruz) procura ajuda para encontrar os restos mortais de seu bisavô, morto pelos falangistas de Franco. As feridas da guerra estão presentes até hoje na sociedade espanhola.

Janis conhece na maternidade Ana Manso Ferreras (Milena Smit), uma adolescente que divide o quarto com ela. Ambas têm as filhas no mesmo dia e após a saída do hospital acabam se tornando próximas uma da outra. A partir daí se desenvolve os dramas e dilemas que veremos na estória.

Eu já me tornei um fã dos filmes de Pedro Almodóvar, o cara é muito bom! A história de Janis e Ana é comovente, nos faz pensar e nos coloca no lugar delas em diversos momentos: o que faríamos se fôssemos Janis ou Ana?

As cenas finais do filme deixam a gente arrepiado por minutos... 

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Estranha forma de vida (2023) - Direção: Pedro Almodóvar. Com Ethan Hawke e Pedro Pascal.

SINOPSE (MUBI):

Após 25 anos separados, o fazendeiro Silva (Pedro Pascal) atravessa o deserto a cavalo para visitar uma antiga paixão, o xerife Jake (Ethan Hawke). Mas após uma noite de intimidade, recordações e reconciliação, a revelação de que ambos estão ligados a um crime local sugere que o reencontro não foi apenas para matar a saudade.

COMENTÁRIO:

O cenário do filme é espetacular! E adivinhem... Almodóvar rodou o faroeste no famoso Deserto de Tabernas, na Espanha. O local já foi cenário de grandes clássicos do faroeste de Sergio Leone e também é o local onde foi rodado Lawrence da Arábia (1962), Cleópatra (1963) e Conan, o bárbaro (1982). Essas informações são da Wikipedia.

Entre o primeiro filme de Almodóvar que vi, de 1980, e este são 43 anos de evolução na arte da direção por parte do cineasta espanhol. Ao maratonar mais de uma dúzia de filmes de Almodóvar, aprendi a gostar de sua técnica e sua poética. 

O diretor nos apresenta personagens e situações que, em geral, incomodam as sociedades estabelecidas e predominantes. Seus personagens são as maiorias tornadas minorias na questão dos direitos, as pessoas situadas fora da padronização estabelecida pelos donos dos poderes constituídos.

Viva Almodóvar, seus filmes e seus personagens!

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O quarto ao lado (2024) - Direção: Pedro Almodóvar - Elenco: Tilda Swinton, Julianne Moore, John Turturro.

SINOPSE (NETFLIX):

O diretor Pedro Almodóvar traz seu estilo sensível e único a esta história repleta de camadas sobre amizade, lembranças e mortalidade.

COMENTÁRIO:

Os filmes de Pedro Almodóvar se tornaram para mim filmes que me fazem refletir sobre as estórias que ele nos conta. Este não foi diferente. Fiquei pensando nas personagens Martha (Swinton) e Ingrid (Moore). Dois grandes seres humanos.

Enquanto refletia, fiquei tentando me colocar no lugar de Martha e depois no lugar de Ingrid. Difícil decidir o que fazer no lugar das duas. São mulheres de muita coragem, de muita ética e com uma cumplicidade com a outra pessoa fora de moda no mundo atual.

Martha se encontra em tratamento de câncer. Foi uma jornalista de sucesso, trabalhou na cobertura de guerras, repórter da linha de frente, do front onde a morte não permite poesia. Agora experimenta a solidão da doença e do rompimento com sua filha, Michelle.

Ingrid é escritora de sucesso. Trabalhou com Martha em uma revista no passado. É público que ela morre de medo da morte, já escreveu sobre isso. Soube durante o lançamento de seu livro que Martha está com câncer e vai rever a amiga depois de muito tempo sem se verem.

Do reencontro entre elas, vai se desenvolver o enredo do filme. 

Almodóvar mostrou mais uma vez seu talento em costurar histórias de pessoas comuns de uma forma única. Estou até agora pensando se teria a coragem de fazer o que Martha planeja; se teria a coragem de ser tão amigo de alguém num momento difícil como fez Ingrid. Que mulheres incríveis!

Martha gosta de James Joyce. Ela cita passagens do conto "Os mortos" e isso foi emocionante. Ela fala da neve caindo no cemitério. Eu me lembro da estória, pois já li várias vezes os contos de "Dublinenses" (1914).

Valeu, Pedro Almodóvar! Valeu Tilda Swinton e Julianne Moore!

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COMENTÁRIO FINAL

Sigamos vendo bons filmes e comentando algo que me tenha chamado a atenção ou me feito refletir.

A postagem anterior desta série pode ser lida aqui.

William Mendes


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Vendo filmes (XXVI)


Cena de "A flor do meu segredo", de 1995.


Refeição Cultural

O universo de Pedro Almodóvar (II)


ANOS 90

Após o mergulho nos primeiros filmes do ator, roteirista e diretor Pedro Almodóvar, tendo visto quatro filmes dos anos oitenta (comentário aqui), embarquei na incrível viagem das personagens almodovarianas dos anos noventa... e que viagem foi essa!

Fiquei impressionado com as histórias dramáticas e muitas vezes engraçadas que Pedro Almodóvar nos conta através de seus filmes. 

Cada filme citado abaixo trata diversos temas ao mesmo tempo, tendo como centro o universo feminino e das pessoas LGBT.

Assisti aos filmes "De salto alto" (1991), "Kika" (1993), "A flor do meu segredo" (1995), "Carne trêmula" (1997) e "Tudo sobre minha mãe" (1999). Todos eles muito bons!

Difícil escolher quais gostei mais desta sequência de filmes. Pela emoção, diria que Carne Trêmula e Tudo sobre minha mãe me emocionaram muito. Victor e Manuela são personagens universais entre as classes populares, é gente como a gente lutando pela sobrevivência neste mundo cão.

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FILMES


De salto alto (Tacones lejanos), de 1991

SINOPSE: 

Filha de cantora famosa aguarda no aeroporto a volta de sua mãe após 15 anos vivendo no exterior. Rebeca (Victoria Abril) é âncora em um programa de notícias e sua mãe é Becky del Páramo (Marisa Paredes). Rebeca está casada com Manuel (Féodor Atkine), dono da TV e ex-amante de Becky. Na primeira noite de reencontro, os três vão a uma apresentação da transformista Femme Letal (Miguel Bosé), que tem como repertório central a imitação de Becky del Páramo. Rebeca ama sua mãe, esperou 15 anos por ela, mas guarda mágoa pelo abandono. O reencontro trará acontecimentos inesperados na vida de todos os personagens. 

COMENTÁRIO:

Roteiro impecável! Gostei muito do filme. 

Além das belas interpretações musicais das personagens Becky del Páramo e Femme Letal, o enredo nos aproxima por empatia à filha carente Rebeca.

A amarração da trama e a forma como termina a história são geniais. Não dá pra dar spoiler aqui.

Lógico que no filme estão todas as questões tratadas por Almodóvar: a condição das mulheres, traição, paixão, abandono, drogas, personagens do mundo periférico e toda a hipocrisia da sociedade humana. 

Revejo o filme tranquilamente. 

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Kika (Kika), de 1993

SINOPSE: 

Kika (Verónica Forqué) é uma maquiadora ingênua contratada pelo padrasto de Ramón (Àlex Casanovas) para maquiar o rapaz morto. Ela o desperta porque ele não estava morto e sim num estado catatônico. Kika havia dado seu cartão ao escritor estrangeiro Nicholas Pierce (Peter Coyote) por ter se interessado por ele. Após "ressuscitar" Ramón, ela acaba ficando com o fotógrafo. Ramón suspeita que Nicholas é responsável pela morte de sua mãe. Ramón é um fotógrafo com hábito de espiar pessoas; Nicholas está escrevendo um romance sobre um assassino de mulheres; e tem ainda na trama uma apresentadora de programa de TV que é doida de doer, Andrea Caracortada (Victoria Abril), que foi psicóloga e amante de Ramón, se automutilou por ele e ainda o persegue.

COMENTÁRIO:

O filme é uma comédia misturada a outros gêneros, pois temos crimes a serem esclarecidos, amores e traições, traumas psicológicos das personagens e psicopatias sérias no enredo. 

A amarração de Almodóvar é muito boa e da mesma forma que nos filmes anteriores, o final surpreende o espectador. 

Os papéis desempenhados por Santiago Lajusticia (personagem Paul Bazzo, maníaco sexual e ex-ator pornô) e Rossy de Palma (personagem Juana, empregada de Kika), irmãos na história, impressionam a gente. Imagino ainda em 1993 o choque das cenas protagonizadas pelo estupro de Kika.

Bom filme!

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A flor do meu segredo (Flor de mi secreto), de 1995

SINOPSE: 

A escritora de romances de amor, Leo Macías (Marisa Paredes), que escreve sob o pseudônimo de Amanda Gris, está passando por crise conjugal e não quer mais escrever aquele gênero literário. Só que ela tem contrato para escrever cinco romances por ano e sem poder falar de questões sociais, políticas e politizantes (tipo o "sertanejo universitário" bancado pelo agro no Brasil). Seu marido militar, Paco (Imanol Arias), quer o divórcio e sua amiga principal, Betty (Carme Elías), é amante dele. Para completar a trama, Leo conhece o editor Ángel (Juan Echanove), do jornal El País, que a quer como crítica literária. Ela lhe entrega uma cópia de seu novo romance, e ele quer publicá-lo, só que o romance aparece no mundo literário antes: quem plagiou? Como termina esta história?

COMENTÁRIO:

Neste filme de Almodóvar, a comédia dramática dá lugar ao melodrama. 

As crises diversas da vida cotidiana dominam o enredo. Até as cenas de briga entre a irmã Rosa (Rossy de Palma) e a mãe da protagonista (Chus Lampreave) nos fazem lembrar de nosso cotidiano familiar, inescapável!

A escritora quer mudar o estilo de texto e não pode porque é paga para fazer romances água com açúcar, que não quer mais... mas o sustento dela e de seus dependentes vem daquela forma de escrever antiga.

Gostei dos temas e da amarração da história. Faz a gente pensar. Final redentor.

Genial - Muito interessante em um filme de 1995 a personagem descrever uma história que só viria ao mundo uma década depois ("Volver"). Numa discussão entre a escritora e sua equipe editorial, a editora critica uma história cuja filha mata o pai, que tentou violá-la, a mãe coloca o corpo do marido em um refrigerador etc. A editora diz que isso não é uma história de amor, tema previsto no contrato. A escritora discorda, dizendo que nada é mais forte do que essa cena, o amor de mãe... Cara, muito legal!

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Carne trêmula (Carne trémula), de 1997

SINOPSE: 

Janeiro de 1970, Madri. A cena inicial do filme se passa na Espanha franquista, sob estado de exceção. Uma jovem pobre (Penélope Cruz) tem um filho dentro do ônibus e lhe dá o nome de Victor. Vinte anos depois, agora adulto, Victor (Liberto Rabal) desce de um ônibus em busca de Elena (Francesca Neri) que conheceu num rolê, eles transaram e Victor ficou apaixonado pela jovem (foi a primeira transa dele). Elena não quer nada com o rapaz, e como ele entrou em seu apartamento, ela o ameaça com uma arma. Na discussão, aparecem dois policiais, David (Javier Bardem) e Sancho (José Sancho). Na confusão, David toma um tiro e fica paraplégico. Victor pega seis anos de prisão. Elena casa com David. Sancho é alcoólatra e é casado com Clara (Ángela Molina), que é espancada por ele com frequência. Victor é solto e vai prestar homenagem a sua falecida mãe no cemitério da cidade. Ela morreu de câncer, deixando pra ele uma pequena quantia de herança: ela era prostituta. Estando no cemitério, ele vê o enterro do pai de Elena, e vai até ela cumprimentá-la. Após a cerimônia funeral, Clara pede ajuda a Victor para sair do cemitério, está perdida. Eles se tornam amantes. Daí adiante, as vidas das personagens vão se cruzar de forma dramática.

COMENTÁRIO:

Achei o filme extraordinário! Surpreendente enredo e final eletrizante. Foi um dos melhores filmes que vi de Almodóvar até agora.

Nada é tão simples como parece ser. Essa é a chave do enredo. Davi é o mocinho da história? Dá pra dizer que no casamento de Sancho e Clara tem algum culpado pelo fim da relação? Victor é um stalker obcecado por Elena? Na vida real das pessoas comuns o cotidiano é complexo. Todo mundo tem que dar seus pulos pra sobreviver.

E não poderia faltar as cenas de sensualidade numa história de Almodóvar, só que o diretor caprichou neste filme!

Demais! A mensagem final numa Espanha liberta do obscuro fascismo de Franco emociona a gente.

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Tudo sobre minha mãe (Todo sobre mi madre), de 1999

SINOPSE: 

Manuela (Cecilia Roth) é uma enfermeira que supervisiona o sistema de transplantes de órgãos. Ela é mãe solteira de Esteban (Eloy Azorín), garoto que quer ser escritor e passa o tempo todo com seu caderno de anotações. No dia do aniversário de 17 anos de Esteban, eles vão comemorar assistindo a uma peça clássica de teatro "Um bonde chamado desejo". A atriz principal é Huma Rojo (Marisa Paredes), que na saída do teatro, sob forte chuva, vê um garoto bater no vidro do carro pedindo um autógrafo. Ela não o atende. Ele sai correndo atrás do táxi e morre atropelado. Assim começa a trama, com Manuela chorando a morte do filho sob chuva no dia de seu aniversário. Minutos antes, ela havia prometido contar a ele quem era seu pai e sua história... 

COMENTÁRIO: 

Um filme essencial para conhecer e compreender o universo de Almodóvar. Filme belíssimo. Difícil não se comover com as histórias das personagens criadas por ele.

O filme trata temas centrais do complexo mundo humano das últimas décadas: a Aids, a dependência das drogas, as questões de identidade de gênero, a condição da mulher, as diversas formas de fé e religiosidade, e por que não dizer as questões existencialistas da vida.

Tudo sobre minha mãe foi considerado um dos melhores filmes do ano de 1999 e um dos melhores filmes espanhóis do século XX. Aliás, 1999 foi um ano excepcional no lançamento de grandes histórias do cinema.

A grandeza da personagem Manuela é algo tão cativante, que toca o coração da gente. Em meio a tragédias cotidianas, ela não titubeia em ajudar cada pessoa que precisa dela naquele momento. Que figura incrível!

Outra personagem apaixonante é Agrado (Antonia San Juan), uma trans trabalhadora do sexo que traz uma leveza incrível em um enredo dramático.

Adorei o filme. É de arrepiar!

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Comentário final

Ufa! Agora falta a postagem sobre alguns filmes que vi dos anos dois mil. Já sou fã de carteirinha de Pedro Almodóvar!

O texto anterior desta série pode ser lido clicando aqui.

William