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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Leitura: O alienista - Machado de Assis



Refeição Cultural

LITERATURA BRASILEIRA


A obra do escritor Machado de Assis (1839-1908) é uma das mais fascinantes da literatura brasileira. O Bruxo do Cosme Velho é basicamente um autor do século XIX, publicou durante décadas, mas também escreveu textos marcantes nos primeiros anos do século XX, incluindo romances, contos e outros gêneros. Sua obra é de domínio público.

A primeira publicação deste blog de cultura Refeitório Cultural, em dezembro de 2007, foi "O alienista" (1882), do mestre criador da Academia Brasileira de Letras. Ler o conto aqui.

O texto de Machado era classificado por boa parte da crítica como conto, porém vem sendo considerado atualmente como uma novela. O autor o denomina conto e, se tivermos dúvidas, podemos acatar o escritor e criador da narrativa e seguir considerando a história do ilustre Dr. Simão Bacamarte como um conto. 

Reproduzo abaixo o texto de "Advertência" que Machado de Assis colocou no livro que reuniu contos que ele já havia publicado em folhetins. O livro Papéis Avulsos (1882) traz como primeiro conto "O alienista", que havia saído em "A Estação" entre outubro de 1881 e março de 1882.

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ADVERTÊNCIA

     Este título de Papéis Avulsos parece negar ao livro uma certa unidade; faz crer que o autor coligiu vários escritos de ordem diversa para o fim de os não perder. A verdade é essa, sem ser bem essa. Avulsos são eles, mas não vieram para aqui como passageiros, que acertam de entrar na mesma hospedaria. São pessoas de uma só família, que a obrigação do pai fez sentar à mesma mesa.

     Quanto ao gênero deles, não sei que diga que não seja inútil. O livro está nas mãos do leitor. Direi somente, que se há aqui páginas que parecem meros contos e outras que o não são, defendo-me das segundas com dizer que os leitores das outras podem achar nelas algum interesse, e das primeiras defendo-me com S. João e Diderot. O evangelista, descrevendo a famosa besta apocalíptica, acrescentava (XVII, 9): "E aqui há sentido, que tem sabedoria". Menos a sabedoria, cubro-me com aquela palavra. Quanto a Diderot, ninguém ignora que ele, não só escrevia contos, e alguns deliciosos, mas até aconselhava a um amigo que os escrevesse também. E eis a razão do enciclopedista: é que quando se faz um conto, o espírito fica alegre, o tempo escoa-se, e o conto da vida acaba, sem a gente dar por isso.

     Deste modo, venha donde vier o reproche, espero que daí mesmo virá a absolvição. 

                                        Machado de Assis

Outubro de 1882.

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COMENTÁRIO SOBRE A LEITURA

A advertência do escritor Machado de Assis ao reunir os contos que compõem Papéis Avulsos me lembrou uma passagem do próprio conto "O alienista", quando o Padre Lopes aponta uma qualidade do Dr. Simão Bacamarte:

"A assembleia insistiu; o alienista resistiu; finalmente o Padre Lopes explicou tudo com este conceito digno de um observador:

- Sabe a razão por que não vê as suas elevadas qualidades, que aliás todos nós admiramos? É porque tem ainda uma qualidade que realça as outras: - a modéstia."

A modéstia...

Na advertência ao Papéis Avulsos, Machado diz aos leitores algo digno da observação e análise do Dr. Simão Bacamarte...

"O evangelista, descrevendo a famosa besta apocalíptica, acrescentava (XVII, 9): 'E aqui há sentido, que tem sabedoria'. Menos a sabedoria, cubro-me com aquela palavra."

O nosso escritor é modesto, cita o evangelista e diz haver sentido em seus textos reunidos, menos a sabedoria... 

Machado com certeza seria recolhido à Casa Verde naquele segundo momento no qual o Dr. Bacamarte libertou 4/5 da cidade e região recolhidos por terem algum desequilíbrio das faculdades mentais e só aqueles com perfeito equilíbrio mental estavam recolhidos ao manicômio.

Não nos esqueçamos que nosso mestre, além de modesto, era um gênio da ironia.

Pelas minhas anotações, li "O alienista" pela oitenta vez desde que conheci a história do ilustre Dr. Simão Bacamarte. É leitura de prazer! De esperança na humanidade ao saber que nossa espécie pode escrever assim. 

A cada leitura, mais admiração tenho por Machado de Assis, por sua genialidade, por sua universalidade.

Todas as vezes que li este conto fiz o exercício de olhar ao meu redor e refletir sobre todas as questões colocadas sob análise na história do Dr. Simão Bacamarte, personagem que estudou a loucura sob o escrutínio da ciência. 

Estou assim, modestamente (rsrs) olhando a loucura e os mentecaptos ao meu redor. Talvez sejam todos normais e eu seja a pessoa com um (d)esequilíbrio das faculdades mentais...

William 

11/08/26

terça-feira, 28 de julho de 2026

Livro: caprichos & relaxos - paulo leminski



Refeição Cultural


"luxo saber


além destas telhas 

um céu de estrelas" (ideolágrimas)


Paulo Leminski foi um artista extraordinário! Os leitores tardios, que não o leram em vida, vão percebendo isso durante a leitura de seus poemas. 

Sou um desses leitores tardios. Leminski faleceu em 7 de junho de 1989. Eu nunca tinha lido nada dele, e já tinha vinte anos de idade. 

Só fui ler poesia depois dos trinta, por ter virado aluno de Letras. Conheci a obra poética dele em 2017, já com 48 anos. Li o livro Toda poesia (comentário aqui).

É muito interessante ver Leminski falando no curta-metragem "Ervilhas da fantasia", de 1985. 

Ele diz que tudo que leu, estantes e mais estantes de livros, as línguas que aprendeu, tudo foi para ter um repertório melhor de palavras para fazer poesia.

Diz que a poesia é também um dom, e faz analogia com o futebol: pode-se treinar alguém com todas as técnicas, mas isso não fará dessa pessoa um Zico ou um Pelé. 

Sendo um lutador de judô, diz que a poesia deve ser como um golpe de arte marcial: infalível, sem erro. 

Leminski foi um grande personagem da cultura brasileira. Um imortal!

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Golpes certeiros de Leminski:


caprichos & relaxos (saques, piques, toques & baques)


"(...)

quem está por fora

não segura

um olhar que demora" (p. 17)

*

"a árvore é um poema 

não está ali

para que valha a pena 


está lá 

ao vento porque trema

ao sol porque crema

à lua porque diadema


está apenas" (p. 27)

*

---

polonaises


"aqui


nesta pedra


alguém sentou

olhando o mar


o mar

não parou

pra ser olhado 


foi mar

pra tudo quanto é lado" (p. 50)

*

---

não fosse isso e era menos não fosse tanto e era quase 


"poema na página 

mordida de criança 

na fruta madura" (p. 67)

*

"en la lucha de clases

todas las armas son buenas

piedras

noches

poemas" (p. 77)

*

---


ideolágrimas


"   hoje à noite 

até as estrelas 

     cheiram a flor de laranjeira" (p. 100)

*

"verde a árvore caída 

vira amarelo

a última vez na vida" (p. 102)

*

---

sol-te


"eu te fiz

agora 


sou teu deus

poema


ajoelha

e

me

adora" 

(p. 136)


*


*

Comentário final 

Me encantei com Leminski em 2017 ao ler o livro Toda poesia, publicado um pouco antes.

Depois fiquei muito admirado com a profundidade do livro Trótski: a paixão segundo a revolução, de 1986. Ele desenvolve uma interpretação do povo russo a partir dos personagens de Irmãos Karamázov, de Dostoiévski. 

Agora, reli a reedição muito "caprichada e de relaxar qualquer leitor" de seu clássico de 1983, caprichos & relaxos.

Sigamos lendo, e nos fazendo humanos.

William 

28/07/26

terça-feira, 7 de julho de 2026

Livro: Esquerdismo, doença infantil do comunismo - Vladímir Ilitch Lênin



Refeição Cultural

LITERATURA POLÍTICA


INTRODUÇÃO 

As reflexões e ensinamentos do grande líder revolucionário russo Vladímir Ilitch Lênin, que além de ser um homem da práxis era um intelectual orgânico do movimento de esquerda internacional, sempre foram referências para nós da esquerda brasileira. 

A minha formação política não foi revolucionária, devo registrar essa questão logo de cara em meus comentários sobre a leitura do livro Esquerdismo, doença infantil do comunismo, texto escrito por Lênin em 1920. Fui politizado pelo movimento sindical bancário, na corrente política Articulação Sindical da CUT, corrente surgida em meados dos anos oitenta. 

Quando virei dirigente sindical da CUT, no início dos anos dois mil, já tinha mais de trinta anos de idade e uns doze anos de categoria bancária. Mesmo assim, foram necessários alguns anos de sindicalismo cutista para compreender o que eu era e representava, nossas concepções e práticas sindicais. 

O Novo Sindicalismo surgido nos anos setenta e oitenta, liderado por figuras como Lula dos metalúrgicos, Gushiken e Augusto Campos dos bancários, e outras lideranças da classe trabalhadora brasileira, tinha na sua práxis muito do que li nesta clássica obra de Lênin, mesmo não sendo um movimento revolucionário. 

A CUT nasceu com outra concepção sindical, principalmente sua corrente hegemônica, a Articulação Sindical. Os sindicatos tinham como prioridade conquistar direitos e melhores condições de trabalho e não o foco na revolução socialista, como um braço do partido revolucionário. 

Enfim, essa obra de Lênin sobre o esquerdismo infantil sempre balizou o nosso sindicalismo, principalmente no que diz respeito as estratégias e táticas para se alcançar os objetivos, tanto imediatos quanto históricos da classe trabalhadora. O que li não foi diferente do que ouvi, aprendi e pratiquei enquanto dirigente sindical cutista. 

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POR QUE LI AGORA O TEXTO DE LÊNIN?

Recentemente, em um evento internacional, o presidente Lula afirmou para lideranças políticas de grandes países, que nunca foi "esquerdista". Isso gerou diversas reações aos mais diversos espectros políticos que existem. 

Pela vivência e experiência ao ser militante cutista por décadas, entendi perfeitamente o que Lula disse, e é exatamente isso: Lula nunca foi um "esquerdista", num sentido muito parecido ao que Lênin desenvolve em seu texto: não fazer frentes com grupos diferentes mais à direita e ao centro; não disputar parlamentos e eleições burguesas; não fazer composições com pelegos para fazer parte de sindicatos etc.

A CUT e o PT também nunca foram "esquerdistas" no sentido leninista de táticas e estratégias. É a minha opinião. São de esquerda, mas construíram suas histórias de lutas e conquistas fazendo mobilizações com frentes amplas, compondo com forças políticas diferentes, participando de parlamentos e direções sindicais conservadores e "pelegos" em composições de chapas, organizando movimentos e negociando avanços para seus representados - a classe trabalhadora -, sempre construindo reivindicações que congregam questões imediatas e históricas e de interesse das classes populares. 

Comecei a ler o livro através de uma edição digital, no Kindle, e acabei comprando uma edição impressa, na qual finalizei a leitura. 

Aliás, edição espetacular a da série "Armas da crítica", Arsenal Lênin, da Boitempo, 2025. Recomendo!

Foi muito bom ler Esquerdismo, doença infantil do comunismo, de Vladímir Ilitch Lênin. 

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Apresentação 

O texto inicial de Atilio Borón na edição que adquiri da Boitempo foi muito esclarecedor sobre as ideias marxistas-leninistas.

Li a apresentação após o fim de minha leitura do livro e ensaio de Lênin no Kindle. São 30 páginas que agregam muita informação. 

Estava terminando a leitura na edição virtual quando decidi ter o livro "de verdade" rsrs, em edição impressa. 

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Apêndice - Sobre a doença infantil do "Esquerdismo" e o espírito pequeno-burguês

Texto de maio de 1918. Excelente e muito atual para pensarmos a China que chegou até aqui, na minha opinião.

Lênin aborda bastante o Capitalismo de Estado, etapa necessária para se chegar ao Socialismo de Estado. Algo assim, nas minhas palavras. 

Alguns excertos:

Correlação de forças 

"(...) Quando éramos representantes de uma classe oprimida, não adotávamos uma atitude leviana perante a defesa da pátria na guerra imperialista, negávamos por princípio essa defesa. Quando nos tornamos representantes da classe dominante que começou a organizar o socialismo, exigimos que todos tivessem uma atitude séria perante a defesa do país. E ter uma atitude séria perante a defesa do país significa preparar-se a fundo e ter rigorosamente em conta a correlação de forças. (...) Mas entre os 'comunistas de esquerda' não existe o menor indício de que compreendam a importância da questão da correlação de forças." (p. 162)

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Capitalismo ou Socialismo de Estado

"O socialismo é inconcebível sem a grande técnica capitalista baseada nas últimas descobertas da ciência moderna, sem uma organização estatal planificada que submeta dezenas de milhões de pessoas à mais rigorosa observância de uma norma única na produção e na distribuição dos produtos. Nós, marxistas, sempre falamos sobre isso, e não vale a pena perder nem sequer dois segundos conversando com gente que não compreende nem sequer isso (os anarquistas e uma boa parte dos socialistas-revolucionários de esquerda)." (p. 169)

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"(...) Pois o socialismo não é outra coisa senão o passo em frente seguinte a partir do monopólio capitalista de Estado. [...] O capitalismo monopolista de Estado é a mais completa preparação material do socialismo, é a sua antecâmara, é o degrau da escada da história sem nenhum degrau intermediário entre si e o degrau chamado socialismo.*" (p. 171/172)

*A catástrofe que nos ameaça e como combatê-la (1917), de Vladímir Ilitch Lênin 

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"De qualquer ponto que se aborde a questão, a conclusão é uma e só uma: o raciocínio dos 'comunistas de esquerda' sobre o 'capitalismo de Estado' ser uma ameaça é um completo erro econômico e uma prova clara de que eles são prisioneiros absolutos da ideologia pequeno-burguesa." (p. 172)

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Marx e a grande produção 

"(...) Marx tinha a mais profunda razão quando ensinava aos operários a importância de preservar a organização da grande produção para facilitar a transição ao socialismo..." (p. 174)

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"(...) Os operários não são pequenos burgueses. Não temem o grande 'capitalismo de Estado', apreciam-no como um instrumento seu, proletário, que o seu poder soviético utilizará contra a desagregação e desorganização dos pequenos proprietários." (p. 179)

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"(...) o socialismo é impossível sem aproveitar as conquistas da técnica e da cultura pelo grande capitalismo..." (p. 180)

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Lênin termina o texto explicando que os revolucionários russos precisaram naquele momento da história (1918 a 1920) dos conhecimentos dos capitalistas para aprenderem a técnica, coisa que os chineses fizeram por umas três décadas no final do século, até dominarem a economia mundial como vemos no século XXI.

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Comentário final 

Enfim, feita a leitura deste grande clássico da literatura política. Fiz mais três postagens no blog durante a leitura.

A obra de Lênin trouxe muitas explicações para o mundo que eu conheço na atualidade. Incrível!

Sigamos lendo e tentando conhecer a história e compreender o mundo. 

William 

06/07/26


Bibliografia:

LÊNIN, Vladímir Ilitch (1870-1934). Esquerdismo, doença infantil do comunismo. Tradução: Edições Avante!. 1. ed. - São Paulo: Boitempo, 2025.

domingo, 28 de junho de 2026

Meus cem clássicos de literatura universal



Refeição Cultural

Cem clássicos de literatura


Teve uma época difícil de minha existência na qual inventei coisas para me agarrar à vida. Defini, então, algumas coisas materiais que gostaria de adquirir, lugares que gostaria de ir, conhecimentos que desejaria aprender e coisas do tipo. Eram muletas para me apoiar durante a caminhada por caminhos que não existiam, veredas que tomaria para abrir caminhos no viver.

Essa época não é um período curto do meu viver. Pelo contrário, essa busca de sentidos para seguir por esses vales do mundo se estende do início da adolescência, ainda criança diria, e vai até perto de uns trinta anos de idade. É uma longa jornada convivendo com a depressão e o desânimo perante um mundo duro, sem recursos adequados, num país injusto, no qual a impressão que se tem é de que estamos sempre por nossa conta, sós.

Sobrevivi até aqui - sou um homem de sorte - e se passar mais uns três anos nesse mundão em acelerada fase de destruição pela nossa espécie, poderei até me tornar um idoso, conforme define a legislação em vigor no país onde habito.

As muletas que inventei para me apoiar e seguir vivendo foram de grande ajuda, hoje tenho plena consciência disso. Com os objetivos que fui inventando para não desistir de viver, por mais bobos ou difíceis que fossem de se alcançar, peguei uma birra danada de não me deixar morrer porque tinha alguma coisa que estava perseguindo... e eu tenho uma natureza turrona, sou muito obstinado quando encasqueto com alguma coisa.

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"Em lugar de estranha, a conscientização é natural ao ser que, inacabado, se sabe inacabado. A questão substantiva não está por isso no puro inacabamento ou na pura inconclusão. A inconclusão, repito, faz parte da natureza do fenômeno vital. Inconclusos somos nós, mulheres e homens, mas inconclusos são também as jabuticabeiras que enchem, na safra, o meu quintal de pássaros cantadores; inconclusos são estes pássaros como inconcluso é Eico, meu pastor alemão, que me 'saúda' contente no começo das manhãs." (Pedagogia da autonomia, Paulo freire)

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Na medida em que vamos sobrevivendo e vivendo a vida, vamos mudando, vamos nos moldando, e a cada dia podemos ser pessoas melhores, como nos ensina Paulo Freire ao dizer que somos seres inconclusos, não acabados ainda. Lógico que fui sobrevivendo por diversos motivos, inclusive pelas pessoas que nos amam e que amamos, mesmo sendo egoístas como somos às vezes.

Uma das coisas que tinha na minha lista de sobrevivência era ler cem clássicos da literatura universal (risos). Imaginem, o item já era uma sacanagem - ou uma busca por salvação - porque não seria algo a se cumprir num curto espaço de tempo, meses ou anos. Somos humanos e, no fundo no fundo, somos seres de esperança. Só queremos uma coisinha para nos agarrarmos à vida. 

Fui contar e refletir sobre livros que li, dias atrás, e não é que por meus critérios de leitor, por suposto, já li uma centena de obras clássicas em suas áreas de conhecimento humano!

A novidade é que a lista de desejos de leitura é enorme, absurda de grande, teria que viver centenas de anos com condições de ler e isso é uma coisa boa, só possível porque cheguei até aqui.

Quero viver porque a vida é uma oportunidade diária, a cada amanhecer. Quero ajudar as pessoas e a natureza de alguma forma, quero contribuir de alguma maneira para livrar o mundo da destruição em andamento, com o pouquíssimo que sei e aprendi nessas décadas de caminhada pela Terra. 

Eis a lista de meus primeiros cem clássicos da literatura universal. Que venham mais centenas de livros e leituras instigantes e renovadoras.

Os links serão acrescentados aos poucos à página - em cada obra -, assim como os próximos livros rumo à segunda centena.


1. El ingenioso hidalgo Don Quijote de La Mancha - Miguel de Cervantes

2. A montanha mágica - Thomas Mann

3. Ulisses - James Joyce

4. Grande Sertão: Veredas - João Guimarães Rosa

5. Os irmãos Karamazov - Fiódor Dostoiévski

6. Vidas secas - Graciliano Ramos

7. Alguma poesia - Carlos Drummond de Andrade

8. Hamlet, o príncipe da Dinamarca - William Shakespeare

9. Era dos extremos - Eric Hobsbawm

10. Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez

11. O velho e o mar - Ernest Hemingway

12. A viagem do elefante - José Saramago

13. Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

14. Decamerão - Giovanni Boccaccio

15. Razão e sensibilidade - Jane Austen

16. La Celestina - Fernando de Rojas

17. Libertinagem - Manuel Bandeira

18. O vermelho e o negro - Stendhal

19. O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

20. Adeus às armas - Ernest Hemingway

21. Odisseia - Homero

22. Os Lusíadas - Luís de Camões

23. Utopia - Thomas More

24. Macbeth - William Shakespeare

25. Otelo, o mouro de Veneza - William Shakespeare

26. Admirável mundo novo - Aldous Huxley

27. 1984 - George Orwell

28. Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

29. Metamorfose - Franz Kafka

30. A guerra dos mundos - H. G. Wells

31. O Guarani - José de Alencar

32. Senhora - José de Alencar

33. Memórias de um sargento de milícias - Manuel Antônio de Almeida

34. Triste fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto

35. Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

36. Dom Casmurro - Machado de Assis

37. Os sertões - Euclides da Cunha

38. Macunaíma - Mário de Andrade

39. Pauliceia desvairada - Mário de Andrade

40. São Bernardo - Graciliano Ramos

41. Viagem - Cecília Meireles

42. Moby Dick - Herman Melville

43. Bagagem - Adélia Prado

44. As aventuras de Robinson Crusoe - Daniel Defoe

45. Minhas vidas - Shirley Maclane

46. Mar morto - Jorge Amado

47. Las genealogías - Margo Glantz

48. O cemitério - Stephen King

49. A hora da estrela - Clarice Lispector

50. Becos da memória - Conceição Evaristo

51. Operação Cavalo de Troia - J. J. Benítez

52. Eram os deuses astronautas? - Erich Von Däniken

53. O caso dos dez negrinhos - Agatha Christie

54. Pedro Páramo - Juan Rulfo

55. A jangada de pedra - José Saramago

56. Las venas abiertas de América Latina - Eduardo Galeano

57. Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado

58. Nada de novo no front - Rene Maria Remarque

59. Por quem os sinos dobram - Ernest Hemingway

60. A rosa do povo - Carlos Drummond de Andrade

61. As aventuras de Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll

62. O Mágico de Oz - L. Frank Bawm

63. O Pequeno Príncipe - Antoine Saint-Exupéry

64. Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach

65. A revolução dos bichos - George Orwell

66. Capitães da areia - Jorge Amado

67. A volta ao mundo em 80 dias - Júlio Verne

68. A morte e a morte de Quincas Berro d'Água - Jorge Amado

69. O grande mentecapto - Fernando Sabino

70. O menino no espelho - Fernando Sabino

71. Enterrem meu coração na curva do rio - Dee Brown

72. O mundo de Sofia - Jostein Gaarder

73. O apanhador no campo de centeio - J. D. Salinger

74. As aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain

75. Serafim Ponte Grande - Oswald de Andrade

76. Memórias sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade

77. A língua de Eulália - Marcos Bagno

78. O Ateneu - Raul Pompeia

79. Lolita - Vladimir Nabokov

80. Os cavalinhos de Platiplanto - José J. Veiga

81. Romeu e Julieta - William Shakespeare

82. A morte de Ivan Ilitch - Liev Tolstói

83. Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto

84. Crónica de una muerte anunciada - Gabriel García Márquez

85. Madame Bovary - Gustave Flaubert

86. O homem que amava os cachorros - Leonardo Padura

87. Carrie, a estranha - Stephen King

88. Os mortos vivos - Peter Straub

89. O diário de Anne Frank - Otto Frank e Mirjam Pressler

90. As intermitências da morte - José Saramago

91. Nocturno de Chile - Roberto Bolaño

92. O primo Basílio - Eça de Queiroz

93. Dublinenses - James Joyce

94. Fausto - Goethe

95. Sagarana - João Guimarães Rosa

96. Lazarillo de Tormes - Anônimo

97. A mulher de trinta anos - Honore de Balzac

98. Kolstomer (a história de um cavalo) - Liev Tolstói

99. A Ilha - Fernando Morais

100. O caçador de pipas - Khaled Rosseini


Que venham as próximas leituras! Faz um mês que tive um descolamento do humor vítreo do olho esquerdo, uma porcaria que me fez ver pior que antes, mas ainda estou aqui, ainda posso ler, escrever, falar e caminhar.

Seguimos nas lutas! E na defesa dos direitos da classe trabalhadora e do planeta e suas diversidades!


William

28/06/26

quarta-feira, 17 de junho de 2026

100 clássicos da literatura universal



Refeição Cultural

LITERATURA


Com a lista de obras citadas abaixo, completei a contagem de 100 clássicos da literatura universal, obras que tive a oportunidade de ler ao longo da vida.

Nesta sequência, me lembrei de romances e narrativas que, de alguma forma, abordam a temática da morte na primeira dezena de livros e, na segunda parte, listei um clássico em cada país de origem de seu autor.

Como disse na lista anterior com 20 clássicos (comentário aqui), compreendi que o mais difícil será ler a lista de desejos de leitura que tenho pela frente, a começar pelos livros que já adquiri nessa jornada de leitor. 

Quando cheguei a São Paulo em 1987, de volta à terra natal depois de passar sete anos em Uberlândia (MG), onde cresci, trouxe na mochila praticamente algumas roupas e mais nada. Nada de livros ou coisas que ocupassem muito espaço na casa coletiva na qual morei, de minha avó Deolinda.

Já tinha o hábito da leitura, mas o tempo disponível para ler era pouco e o cansaço me dominava, pois a prioridade era a sobrevivência com a venda de minhas horas de trabalho e a dedicação ao estudo formal.

Até me fixar numa casa própria, em 1999, morei em mais de uma dezena de lugares em doze anos. Toda hora era mudança de um canto para o outro e nas mudanças quanto mais coisa pra carregar, pior.

Mesmo assim, de pouco em pouco, de desejo em desejo, fui comprando um livro aqui, outro ali, em bancas, sebos e livrarias e hoje tenho livros suficientes para ler por um bom tempo. Sem contar que para um leitor todo dia é dia de desejo novo de livro.

Eis a lista que completa minha centena de textos que para mim são obras clássicas em alguma dimensão do mundo da cultura e conhecimento humano:


81. Romeu e Julieta - Shakespeare

82. A morte de Ivan Ilitch - Liev Tolstói

83. Morte e Vida Severina - João Cabral de Melo Neto

84. Crônica de uma morte anunciada - Gabriel García Márquez

85. Madame Bovary - Gustave Flaubert

86. O homem que amava os cachorros - Leonardo Padura

87. Carrie, a estranha - Stephen King

88. Os mortos vivos - Peter Straub

89. O Diário de Anne Frank - Otto H. Frank e Mirjan Pressler

90. As intermitências da morte - José Saramago

91. Noturno do Chile - Roberto Bolaño

92. Primo Basílio - Eça de Queiroz

93. Os dublinenses - James Joyce

94. Fausto - Goethe

95. Sagarana - João Guimarães Rosa

96. Lazarillo de Tormes - anônimo 

97. A mulher de trinta anos - Honoré de Balzac

98. Kolstomer (História de um cavalo) - Liev Tolstói

99. A Ilha - Fernando Morais 

100. O caçador de pipas - Khaled Hosseini

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Fiquei contente em enumerar uma centena de obras que li e que são referências em dimensões culturais de todos nós que apreciamos literatura, ciências sociais e conhecimento humano.

Estou trabalhando minha memorização e já que foi interessante fixar na memória uma centena de livros, pretendo continuar fazendo listas de obras que já li e que ainda vou ler e seguir exercitando meu cérebro, o verdadeiro criador de tudo, como nos ensina o neurocientista e escritor Miguel Nicolelis.

Sigamos lendo em busca de mais conhecimento e autoconhecimento para podermos contribuir de alguma forma para a sociedade humana, para a coletividade e para a busca de uma convivência sustentável com o nosso planeta Terra.

William

17/06/26

domingo, 14 de junho de 2026

Com nova lista, agora são 80 clássicos


Flores e livros: gosto!

Refeição Cultural

LITERATURA 


Ao refletir sobre obras que considero clássicas em seu gênero, época ou temática, desta vez foquei na seleção histórias que tenham crianças ou adolescentes, sejam através de personagens das narrativas ou como público-alvo, ou ainda que de alguma forma tenham importância no universo infanto-juvenil como, por exemplo, o clássico de Dee Brown sobre os povos originários da América do Norte: a história é passada de geração em geração, desde a mais tenra idade.

O fato interessante é que aos poucos vou me aproximando da centena de clássicos que estabeleci lá no passado que gostaria de ler, na minha lista de objetivos a perseguir, feita perto dos vinte anos, um pouco mais, talvez. Como a vida toda foi de obrigações imediatas, ou seja, a sobrevivência deste proletário que se expressa através do blog, nunca havia parado para enumerar obras que eu considero uma leitura clássica em sua área.

Agora percebo que a lista infindável, que não teria fim e quase irrealizável para uma vida humana é a de livros que gostaria de ler e não li ainda e que provavelmente nunca chegarei perto de um número razoável de leituras do que me faltam ler. Fazer o que, né?

Uma coisa legal na definição dessas listas de clássicos que já li é que estou memorizando tudo que já selecionei. Ao elencar mais vinte, agora serão oitenta obras que cito e que tenho na memória. É uma forma de exercitar meus neurônios, a essência do que sou, local onde reside meu eu, minha persona.

Enfim, eis abaixo mais alguns livros que já tive a oportunidade de ler até aqui.


61. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll

62. O Mágico de Oz - L. Frank Baum

63. O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-Exupéry

64. Fernão Capelo Gaivota - Richard Bach

65. A Revolução dos Bichos - George Orwell

66. Capitães da Areia - Jorge Amado

67. A volta ao mundo em 80 dias - Júlio Verne

68. A morte e a morte de Quincas Berro d'Água - Jorge Amado

69. O Grande Mentecapto - Fernando Sabino

70. O Menino no Espelho - Fernando Sabino

71. Enterrem meu coração na curva do rio - Dee Brown

72. O Mundo de Sofia - Jostein Gaarder

73. O Apanhador no Campo de Centeio - J. D. Salinger

74. As Aventuras de Tom Sawyer - Mark Twain

75. Serafim Ponte Grande - Oswald de Andrade

76. Memórias Sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade

77. A Língua de Eulália - Marcos Bagno

78. O Ateneu - Raul Pompéia

79. Lolita - Vladimir Nabokov

80. Os Cavalinhos de Platiplanto - José J. Veiga


Com a próxima lista, se me lembrar de mais vinte obras, completarei a tão sonhada centena de clássicos da literatura universal ou clássicos em suas áreas de referência.

A lista anterior pode ser lida aqui.

William

14/06/26

sábado, 13 de junho de 2026

Ainda elencando clássicos da literatura universal



Refeição Cultural

LITERATURA 


"Motivo - Cecília Meireles 


Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre nem sou triste:

sou poeta.


Irmão das coisas fugídias,

não sinto gozo nem tormento.

Atravesso noites e dias

no vento.


Se desmorono ou edifico,

se permaneço ou me desfaço,

- não sei, não sei. Não sei se fico

ou passo.


Sei que canto. E a canção é tudo. 

Tem sangue eterno e asa ritmada.

E um dia sei que estarei mudo:

- mais nada."


Sigo refletindo e sistematizando o percurso percorrido, a vida.

A existência dos seres vivos é uma viagem, às vezes curta, às vezes longa. Uma viagem. 

Ando repassando na memória a trajetória das leituras feitas por esse leitor da classe trabalhadora. 

Certa vez, cismei de perseguir um objetivo nobre, queria ler uma centena de clássicos de literatura universal. E o tempo passou.

Dias atrás, dentro de uma máquina de ressonância magnética, me peguei a enumerar clássicos já conhecidos por mim.

Comecei a lista de vinte clássicos com Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, e terminei com Ernest Hemingway e seu "Adeus às armas". (ler aqui)

Depois, enquanto caminhava, ou melhor, flanava, elenquei uma segunda lista de vinte, começando com a Odisseia, atribuída ao aedo Homero, e finalizada com o duríssimo São Bernardo, de Graciano Ramos. (ler aqui)

Nesta terceira lista, associei as obras clássicas ao tema das viagens, sejam elas por espaços físicos ou imaginários, sejam viagens temporais ao passado pessoal ou histórico.

Percebi na confecção da lista que tenho uma lacuna cultural enorme em relação à leitura de escritoras. Se a natureza permitir - e a ciência -, talvez leia mais clássicos de mulheres.

Após o processo de memorização da terceira lista de clássicos, finalizo a postagem.  

41. Viagem - Cecília Meireles 

42. Moby Dick - Herman Melville

43. Bagagem - Adélia Prado

44. Robinson Crusoe - Daniel Defoe

45. Minhas vidas - Shirley Maclaine

46. Mar morto - Jorge Amado

47. Las genealogías - Margo Glantz

48. O cemitério - Stephen King

49. A hora da estrela - Clarice Lispector 

50. Becos da memória - Conceição Evaristo 

51. Operação Cavalo de Troia - J. J. Benítez

52. Eram os deuses astronautas? - Erich Von Däniken

53. O caso dos dez negrinhos - Agatha Christie

54. Pedro Páramo - Juan Rulfo

55. A jangada de pedra - José Saramago 

56. Las venas abiertas de América Latina - Eduardo Galeano

57. Formação Econômica do Brasil - Celso Furtado

58. Nada de novo no front - Erich Maria Remarque

59. Por quem os sinos dobram - Ernest Hemingway

60. A rosa do povo - Carlos Drummond de Andrade 

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A memorização

Viagem (41) começou pelos mares em busca da baleia Moby Dick (42), na Bagagem (43) o sonho dos clássicos. Conquistadores detestáveis como Robinson Crusoe (44) atravessaram meu caminho em busca de sentidos, e Minhas vidas (45) me levaram ao Mar morto (46) na procura de portos e origens (Las genealogías - 47). Os viajantes retirantes encontraram os portos fechados nos EUA (Glantz) e o México foi o destino. O México nos remete à lembrança de povos originários das Américas e suas tradições. O cemitério (48) é o mundo dos mortos. Os retirantes como Macabéa querem sua A hora da estrela (49). Para buscar a história nos Becos da memória (50), uma Operação Cavalo de Troia (51) é feita para se voltar ao passado. Fica a pergunta: Eram os deuses astronautas? (52) Sei não, mas voltando ao mundo dos vivos e mortos, tem O caso dos dez negrinhos (53), naquela ilha imaginária de Christie. E tem os mortos que falam na Comala de Pedro Páramo (54). Pensando em conquistadores e origens, A jangada de pedra (55) da Península Ibérica atravessa os mares e vem deixar As veias abertas da América Latina (56), e a Formação Econômica do Brasil (57) é mais um exemplo das merdas dos conquistadores que fizeram as guerras como a 1ª GM que não tinha Nada de novo no front (58), como a Guerra Civil Espanhola e as pessoas Por quem os sinos dobram (59) e tudo termina na 2ª Guerra com poemas duríssimos da época em A rosa do povo (60).


Sigamos lendo, já que navegar é preciso.

William 

13/06/26

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Pensando sobre os cem clássicos da literatura universal



Refeição Cultural

LITERATURA


Dias atrás, enquanto passava um tempo dentro de um buraco com sons horríveis, uma máquina de ressonância magnética, pensei sobre literatura, leituras e cultura universal. Fiz uma seleção e memorização de 20 livros lidos por mim que considero clássicos (ler aqui). Faz tempo estabeleci que gostaria de ler cem clássicos da literatura universal.

Hoje, enquanto caminhava sob um sol morno, indo até o mercadinho local, pensei em fazer mais uma lista de livros lidos que considero clássicos. Enquanto exercitava a memória, repassava mentalmente obras que de alguma forma me acrescentaram algum conhecimento ou experiência nova.

Na primeira memorização, liguei os números de um a vinte aos livros para memorizá-los. Desta vez, fiz uma breve história ligando um livro ao outro para memorizar os vinte. Trabalhar a memória com essas estratégias de imagens e narrativas ajuda qualquer pessoa a guardar informações mentalmente.

Eis a segunda lista de clássicos lidos por mim:

21. Odisseia - Homero

22. Os Lusíadas - Luís de Camões

23. Utopia - Thomas More

24. Macbeth - William Shakespeare

25. Otelo - William Shakespeare

26. Admirável mundo novo - Aldous Huxley

27. 1984 - George Orwell

28. Fahrenheit 451 - Ray Bradbury

29. Metamorfose - Franz Kafka

30. Guerra dos mundos - H. G. Wells

31. O Guarani - José de Alencar

32. Senhora - José de Alencar

33. Memórias de um sargento de milícias - Manuel Antônio de Almeida

34. Triste fim de Policarpo Quaresma - Lima Barreto

35. Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis

36. Dom Casmurro - Machado de Assis

37. Os sertões - Euclides da Cunha

38. Macunaíma - Mário de Andrade

39. Pauliceia desvairada - Mário de Andrade

40. São Bernardo - Graciliano Ramos

-

Tendo clareza a respeito da finitude da existência e do imponderável na vida de qualquer ser que vive na natureza, o leitor e escritor do blog precisa acelerar as leituras e as coisas que pretende escrever porque viver não é preciso... ler e refletir é necessário.

William

10/06/26

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Ressonância magnética - Pensei nos clássicos da literatura dentro daquela máquina



Refeição Cultural

Instantes intermináveis no buraco da máquina de ressonância magnética


Estive por quase duas horas enfiado naquela máquina assustadora de ressonância magnética para verificar como andam as coisas dentro do corpo deste animal mamífero bípede com telencéfalo altamente desenvolvido e com polegar opositor, um animal humano, como nos descreveu tão bem Jorge Furtado no clássico "Ilha das Flores" (1989).

Primeiro, entrei com a cabeça para dentro da máquina estreita. Depois, entrei com os pés. Em cada sessão, foram cerca de quarenta minutos dentro daquele tubo com sons horríveis, altos, e sem poder me mexer. Fiquei imaginando o quanto pessoas com problemas de claustrofobia sofrem para fazer ressonância magnética. Me disseram que a pessoa toma um remedinho para apagar.

O jeito foi pensar em algo que vale a pena: a literatura. 

Brinquei com o truque de memorização que aprendi muito tempo atrás e fiz uma lista com vinte clássicos da literatura universal que li e que me marcaram para sempre. 

1. O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha - Miguel de Cervantes

2. A montanha mágica - Thomas Mann

3. Ulisses - James Joyce

4. Grande Sertão: Veredas - João Guimarães Rosa

5. Os irmãos Karamazov - Fiódor Dostoiévisk

6. Vidas secas - Graciliano Ramos

7. Alguma poesia - Carlos Drummond de Andrade

8. Hamlet - William Shakespeare

9. Era dos extremos - Eric Hobsbawm

10. Cem anos de solidão - Gabriel García Márquez

11. O velho e o mar - Ernest Hemingway

12. A viagem do elefante - José Saramago

13. Ensaio sobre a cegueira - José Saramago

14. Decamerão - Giovanni Boccaccio

15. Razão e sensibilidade - Jane Austen

16. La Celestina - Fernando de Rojas

17. Libertinagem - Manuel Bandeira

18. O vermelho e o negro - Stendhal

19. O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

20. Adeus às armas - Ernest Hemingway

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Ao final das sessões de ressonância, tomamos um café e fomos embora. 

Horas depois fiz o teste mental para saber se havia memorizado a lista com os vinte clássicos da literatura. 

Sim, inclusive em qualquer ordem, do primeiro para o último livro, o inverso, e perguntando aleatoriamente, o quinto, o décimo terceiro etc.

A mente humana é incrível! O mamífero bípede com polegar opositor e telencéfalo altamente desenvolvido tem liberdade para fazer o mundo um lugar bem melhor do que vemos na realidade...

Não tenho o direito de desistir da vida, da sociedade humana e do planeta Terra. Podemos mudar a realidade. Podemos. 

William 

08/06/26

domingo, 17 de agosto de 2025

O sentido da vida (6)



Buscar sentidos na leitura

Foram vários dias lendo e diagramando quase trezentos textos. O caderno impresso daquele ano ficou com quinhentas páginas. 

A sistematização das quase duas décadas de produção textual ainda levará muito tempo. São mais de cinco mil postagens. 

O desejo é completar essa tarefa trabalhosa que sintetiza quase a metade de sua existência, textos que resumem ao menos sua fase mais produtiva como adulto em convívio social. 

Cumprida a missão, a ideia é dedicar sua vida à leitura e à reflexão filosófica. O foco principal será a literatura. Escrever também está no horizonte. 

Ler os clássicos que não conhece é um sonho ainda realizável. Que a vida lhe dê olhos e saúde mental para isso.

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segunda-feira, 16 de junho de 2025

Bloomsday



Refeição Cultural 

O dia 16 de junho é uma efeméride que homenageia o clássico Ulisses, de James Joyce. É uma data comemorativa tanto para a Irlanda quanto para os amantes da literatura. 

O livro retrata um dia na vida do personagem judeu Leopold Bloom andando pelas ruas da Dublin do início do século XX.

A obra de 900 páginas é uma epopeia literária para qualquer leitor(a). Imagino não ser Ulisses um dos clássicos mais lidos do mundo. 

Sou um privilegiado neste caso, pois se poucas pessoas leram o romance uma vez na vida, eu li a obra duas vezes, aos trinta e aos cinquenta anos. 

Quando venci o desafio da primeira leitura, confesso que me senti como o super-homem, porque para pegar o ritmo lia e voltava dezenas de páginas, até que peguei o jeito e fui até o fim, ao antológico fluxo de pensamento de Molly Bloom.

Ler Ulisses foi uma realização literária em minha modesta vida de leitor. 

Viva o Bloomsday!

William Mendes 

16/06/25 (23h02)

sábado, 3 de maio de 2025

Livro: Primeiras Estórias - João Guimarães Rosa



Refeição Cultural

"Sua mulher, Tia Liduína, então morreu, quase de repente, no entrecorte de um suspiro sem ai e uma ave-maria interrupta..." (Nada e a nossa condição, Rosa, p. 74)


Sabadão... eu indeciso se sigo lendo mais uns contos de Rosa, se me perco na política - meu tempo tá encurtando à jato (e já não apito nada) -, se pego firme na sistematização de meus textos de uma vida, ameaçados de inexistir nas nuvens inimigas. Dilemas de quem tem a noção do tempo indo.

Quisera eu, quando meu fim chegar, daqui a um minuto ou vinte anos, que fosse ao modo de dona Liduína. Sonho de consumo daqueles que sabem da morte como parte da vida.

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NADA E A NOSSA CONDIÇÃO

Eu fiquei pensando no nome do conto de Rosa... "Nada e a nossa condição".

No fim, o nada é algo que faz parte do todo. Os nadas fazem parte do todo. Eu sou nada. E, no entanto, pertenço ao todo. Natureza...

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UM MOÇO MUITO BRANCO

"Ela, que, a partir dessa hora, despertou em si um enfim de alegria, para todo o restante de sua vida, donde um dom..." (p. 94)

Alegria

Ao ler o conto, me lembrei da resposta de Rubem Alves ao entrevistador Abujamra, que lhe perguntou certa vez "A vida é uma causa perdida?", e Alves responde que sim por sabermos que vamos morrer, mas cita Guimarães Rosa que falava da alegria nos momentos de distração. 

A moça do conto, ganhou em sua vida, o dom da alegria.

Profundo isso!

Gostaria de ter tido esse dom.

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LUAS-DE-MEL

"No mais, mesmo, da mesmice, sempre vem a novidade. Naquela véspera, eu andava meio relaxo, fraco; eu já declinava para nãoezas? Nos primeiros de novembro. Sou quase de paz, o quanto posso..." (p. 96)

É sempre isso. Quando leio Guimarães Rosa, automaticamente me vem à cabeça Uberlândia, me vem o Mato Grosso, anos oitenta, minha família e o mundo onde cresci.

Apesar de ser, em suas narrativas, uma língua inventada pelo escritor, em grande parte, relembro a língua de onde vivi nos anos oitenta.

Guimarães Rosa me transporta ao passado do Brasil onde vivi.

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Comecei a ler esse pequeno livro de contos de Guimarães Rosa há mais de vinte anos. Nunca terminei.

Li pela primeira vez "As margens da alegria" em 2003. Alguns contos eu já li várias vezes nesse tempo todo. 

Agora, decidi ler os contos que não havia lido ainda. 

Uma vez, li em voz alta, na cozinha da casa de meus pais em Uberlândia, o conto "A terceira margem do rio". De repente, comecei a chorar, soluçar... e quase não consegui acabar a estória. 

Com "Sorôco, sua mãe, sua filha" a emoção também é no limite.

"Famigerado" é um dos contos mais marcantes do livro.

E assim, vou finalizar minha leitura do Primeiras Estórias (1962), do mestre Guimarães Rosa. Já é tempo de finalizar coisas antigas não concluídas.

Retomarei o trabalho de sistematização dos meus textos em seguida.

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Post Scriptum:

DARANDINA

"Pois, de repente, sem espera, enquanto o outro perorava, ele se despia. Deu-se à luz, o fato sendo, pingo por pingo. Sobre nós, sucessivos, esvoaçantes - paletó, cueca, calças - tudo a bandeiras despregadas. retombando-lhe a camisa, por fim, panda, aérea, aeriforme, alva. E feito o forró! - foi - balbúrdias. Na multidão havia mulheres, velhas, moças, gritos, mouxe-trouxe, e trouxe-mouxe, desmaios. Era, no levantar os olhos, e o desrespeitável público assistia - a ele in puris naturalibus..." (p. 132)

A gente sabe tão pouca coisa nesta vida, tão nada, que às vezes até se surpreende, mesmo entrado décadas na existência.

Após ler este conto de Guimarães Rosa, Darandina, eu fui pesquisar alguma coisa sobre ele e me surpreendi com a grandeza da estória. Tem revista universitária com o nome do conto, tem diversos trabalhos acadêmicos e ensaios muito interessantes sobre ele. O texto é gigante! Eu nunca tinha me dado conta dele... tão nada, tão pequeno somos quando se trata de conhecer literatura... (eu, né, eu, não falo pelos outros, só por mim).

Teria que renascer e ter foco na literatura desde que me entendesse por gente para poder dar conta de um mínimo que queria conhecer sobre literatura... (mas como não há mágica na vida, minha única unicazinha vida foi essa que já se vai definhando...)

Li um estudo acadêmico analisando o conto "Darandina" e o conto "O alienista", do bruxo do Cosme Velho. A temática da loucura, ou da razão, ou da "desrazão", e fiquei encantado com o texto e as interpretações do autor.

Fiquei pensando uns instantes sobre os 21 contos do livro Primeiras Estórias, de 1962. Muitos personagens e casos contados no livro são exatamente essa questão da razão e "desrazão" das coisas humanas.

Olha, nenhuma frase ou texto comentando obras como essa de Guimarães Rosa dá conta da imensidão de coisas contidas ali. Dá não!

Temos que lidar com humildade com o nosso pouco saber das coisas.

Sigamos lendo alguma coisinha enquanto somos, estamos.

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É isso! 

Will i am 


Bibliografia:

ROSA, Guimarães. Primeiras Estórias. Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1988.

sexta-feira, 18 de abril de 2025

Livro: A morte de Ivan Ilitch - Lev Tolstói



Refeição Cultural 

"'Aí está, morreu; e eu não' - pensou ou sentiu cada um. Quanto aos conhecidos mais próximos, os assim chamados amigos de Ivan Ilitch, pensaram então involuntariamente também que precisavam, agora, cumprir umas obrigações muito cacetes, ir às exéquias, e também fazer uma visita de pêsames à viúva." (A morte de Ivan Ilitch, Lev Tolstói, 2015, p. 9)


Peguei Lev Tolstói para ler novamente a história de Ivan Ilitch.

Estou me sentindo meio Ivan Ilitch. Deve ser por isso que peguei Lev Tolstói. 

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O primeiro capítulo já começa contando aos leitores que Ivan Ilitch morreu. Deu no jornal. 

As pessoas da relação cotidiana no trabalho de Ivan Ilitch souberam da notícia e tiveram que fazer as exéquias ao morto e família. 

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No segundo capítulo, conhecemos a história de Ivan Ilitch: 

"um homem capaz, alegre, bonachão, comunicativo, mas um severo cumpridor daquilo que considerava seu dever; e considerava como seu dever tudo aquilo que consideravam como tal as pessoas mais altamente colocadas. Não era um adulador quer quando menino, quer já homem feito..." (p. 18)

Ivan Ilitch cresceu profissionalmente, casou-se, formou família. 

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"(...) Quando a instalação ia em meio, já superava a sua expectativa. Compreendeu o caráter comme il fault, elegante, nada vulgar, que tudo assumiria depois de pronto. (...) De uma feita, subiu numa escadinha, a fim de mostrar ao forrador de paredes, que não o estava compreendendo, como ele queria o serviço, tropeçou e caiu, mas, sendo forte e ágil, conseguiu segurar-se e chocou-se apenas de lado com o ressalto de uma moldura. O machucado lhe doeu, mas a dor passou logo. Durante todo esse tempo, Ivan Ilitch sentia-se particularmente alegre e com saúde..." (p. 30/31)

E então, certo dia, Ivan Ilitch sofre um pequeno acidente doméstico, uma queda. Aparentemente, sem consequências, deixando nele um pequeno hematoma na região. 

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Os prazeres 

"(...) Quanto aos prazeres de Ivan Ilitch, consistiam nos pequenos jantares, para os quais ele convidava senhoras e cavalheiros de elevada posição social, e essa maneira de passar o tempo com eles assemelhava-se à maneira habitual pela qual estes o passavam, de tal modo como a sua sala de visitas assemelhava-se a todas as salas de visitas." (p. 34)

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As alegrias 

"(...) As alegrias no serviço eram alegrias do amor-próprio; as alegrias em sociedade eram alegrias da vaidade; mas as verdadeiras alegrias de Ivan Ilitch eram as do uíste..." (p. 34/35)

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A doença 

"- Nós, doentes, provavelmente fazemos ao senhor muitas vezes perguntas inconvenientes. Num sentido genérico, é uma doença perigosa ou não?...

O médico olhou-o com severidade, com um olho só, por trás dos óculos, como se dissesse: acusado, se o senhor não se mantiver nos limites das perguntas que lhe são apresentadas, serei obrigado a tomar providências para o seu afastamento da sala das sessões..." (p. 38)

Com o passar do tempo, Ivan Ilitch se torna uma pessoa irritadiça, com certo gosto amargo na boca e indisposição às refeições. 

Isso afeta as relações de todos na família. 

Ivan Ilitch sente na consulta com o médico famoso o que imagina (agora na condição subalterna) sentir as pessoas sob seu crivo quando está exercendo sua autoridade de juiz: um bosta.

Saiu da consulta sem saber se era grave ou não o que tinha.

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Caio é mortal... mas Ivan também?

"O exemplo do silogismo que ele aprendera na Lógica de Kiesewetter: Caio é um homem, os homens são mortais, logo Caio é mortal, parecera-lhe, durante toda a sua vida, correto somente em relação a Caio, mas de modo algum em relação a ele. Tratava-se de Caio-homem, um homem em geral, e nesse caso era absolutamente justo; mas ele não era Caio, não era um homem em geral, sempre fora um ser completa e absolutamente distinto dos demais, ele era Vânia (diminutivo de Ivan), com mamãe, com papai..." (p. 49)

Os médicos divergiam quanto ao diagnóstico da doença de Ivan Ilitch (lembrando que estamos na década de 1880).

Segundo alguns diagnósticos, o problema poderia ser no ceco. 

O ceco é uma das partes do intestino grosso, órgão composto pelos cólons ascendente, transverso, descendente, sigmoide, reto e ânus. O ceco fica ao lado do apêndice. Imaginem o tratamento do sistema digestório no século XIX...

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Acolhido pelo mujique Guerássim

"(...) via que ninguém haveria de compadecer-se dele, porque ninguém queria sequer compreender a sua situação. Guerássim era o único a compreendê-la e a compadecer-se dele..." (p. 56)

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O silêncio constrangedor (e o blá blá blá da mentira)

"No meio da conversa, Fiódor Pietróvitch lançou um olhar a Ivan Ilitch e calou-se. Os demais olharam o doente e calaram-se também. Ivan Ilitch dirigia para frente os seus olhos brilhantes, provavelmente indignação com todos. Precisava-se consertar isto, mas não havia nenhum jeito de consegui-lo. Devia-se de algum modo romper aquele silêncio. Ninguém se decidia, e todos estavam com medo de que de repente fosse rompida a mentira decente, e se tornasse claro a todos aquilo que na realidade existia..." (p. 64)

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O fim

A novela caminho para o fim, ou seja, o início: a morte de Ivan Ilitch. 

O ser humano moribundo vivência seus últimos momentos na Terra. 

Tolstói descreve de maneira única e sensível os últimos dias de um moribundo. 

Eu fico por aqui na postagem. A riqueza de detalhes fica para cada leitor(a).

Foi minha terceira leitura de "A morte de Ivan Ilitch" (1886).

Ando me sentindo meio Ivan Ilitch... espero viver bastante e ter um fim diferente do fim do personagem clássico.

William 


Bibliografia:

TOLSTÓI, Lev. A morte de Ivan Ilitch. Tradução, posfácio e notas de Boris Schnaiderman. Texto em apêndice: Paulo Rónai. São Paulo: Editora 34, 2009 (2a edição).