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domingo, 2 de agosto de 2026

Leitura: Tal Pai Tal Filho



Refeição Cultural

Já faz alguns anos, meu pai me entregou um caderno de textos, organizados por ele mesmo, reunindo textos meus e textos dele. O caderno se chama Tal Pai Tal Filho.

Já li trechos do caderno várias vezes, mas nunca li o caderno inteiro. A gente tem o costume ruim de fazer isso com as pessoas queridas, amigos e familiares. Tudo no cotidiano é mais urgente e importante que as nossas relações de afeto.

Quando acordei neste domingo, uma semana antes do domingo dos pais, tive um impulso de pegar o caderno que meu pai idoso fez pra mim e lê-lo completamente, corretamente. É o mínimo que eu já deveria ter feito desde quando ele mo presenteou.

A primeira metade são textos meus retirados do blog Refeitório Cultural, textos que tratam de minha relação com os pais e com meu filho. São textos sobre pais e filhos. Alguns são incríveis! São declarações de amor, agradecimentos, reflexões em momentos de dor e angústia. 

Durante um curto período, meu pai passou a escrever bastante, já depois dos setenta anos. Até antes: "Divagando pela vida", ele finaliza aos 67 anos, no dia de seu aniversário. Ele conseguiu mexer com computador e internet até o período da pandemia mundial, já perto de seus oitenta anos. Naquele momento, meus textos tinham ao menos um leitor: meu pai!

A coletânea que ele fez pra ele e pra mim é incrível! Ao me entregar aquele caderno, anos atrás, meu pai pode ter querido dizer várias coisas, várias! Respeito por mim, amor, orgulho pelo filho que teve. Um pedido de socorro, por solidão em um ambiente de desentendimento na própria casa. Um chamado para que eu visse a história incrível da vida dele, que nunca havia sabido de forma tão organizada. 

De meus textos, ao relê-los, fiquei estupefato. Não me lembrava com detalhes daqueles acontecimentos e sentimentos. 

Escrevi um sobre idosos, estando na UTI com meu pai infartado em 2012. Imagino que seja um de meus melhores textos sobre a importância de se amar os idosos.

Meu pai reuniu textos nos quais falo de meu filho, de minha mãe, de mim e ele com nossas duras vidas vividas.

Aí começa a história da vida dele. Incrível! Dá vontade de ler em voz alta numa roda de amigos e familiares. De parar a cada parágrafo e comentar sobre aquela vida, aquela gente, aquele mundo de onde nós viemos. Qualquer pessoa minimamente conhecedora do Brasil do século vinte, sabe que aquela narrativa é sobre todos nós.

Enfim, neste momento, apenas comecei a leitura da história da vida de meu pai, de meus pais, dessa gente de onde viemos, de muitos de nós. 

A vida é um instante. Enquanto me afogo no catarro de uma gripe insistente, posso deixar de existir num instante. O mesmo com meu velho pai, próximo de completar 84 anos. O mesmo com meu filho, que num rolê com algum exagero na bebida, pode se pôr em risco desnecessário...

Fiz muitas das coisas que meu pai fez na juventude. Meu filho, idem. Bebemos mais do que o saudável. Meu pai ainda fumou por 37 anos. Cada vida é única. Cada história de vida, também. Os contextos e o mundo nunca são os mesmos, apesar das escolhas serem talvez parecidas.

Sou grato por estarmos vivos neste domingo. 

William 

02/08/26

terça-feira, 16 de setembro de 2025

O último poema

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O ÚLTIMO POEMA


O primeiro poema foi um balanço dos trinta anos.

A infância feliz e depois infeliz, do amor ao ódio.

Exploração infantil na venda do seu trabalho.

As relações de afeto, sempre regadas com lágrimas.


Aos trinta, já era pai e funcionário de banco público.

Formado, por acaso, em Contábeis. Não se formou

em Educação Física porque o salário não deu.

Passou no vestibular e entrou nas Letras...


A vida andou. Virou sindicalista. Se politizou.

Por duas décadas, outra vida, um novo homem.

Aos cinquenta, virada radical nos papéis sociais.

Saiu do BB. Da representação. Do espaço de atuação.


Aos cinquenta e seis anos, o mundo se desfaz.

Na política e na economia do seu país e do mundo, 

a extrema-direita e o capitalismo em crise estrutural

estão colapsando a sociedade humana e a Terra mãe.


No pessoal, o balanço da vida se parece com o mundo.

A saúde: bomba-relógio: genética e veredas da vida.

As relações: o retrato dos tempos: incomunicabilidades.

Teria contribuições a fazer... sente que não vai rolar.


William Mendes

16/09/25

terça-feira, 25 de junho de 2024

31 de 100 dias



31. Hoje completei um dos eixos investigativos sobre minha condição de saúde. Como meu cotidiano se transformou numa rotina de dores na região do quadril e sistema locomotor, incluindo até a região dorsal e abdominal, estou fazendo a minha parte para a manutenção de minha existência e procurando resolver a questão. Devo isso às pessoas de meu círculo familiar mais próximo.

Pelos exames e informações dos profissionais da área, estou com o sistema urinário em ordem. Exames de PSA e demais exames de imagem e físicos indicam que está tudo normal com rins, bexiga, ureter e próstata.

Por um lado, isso é bom e tira uma cisma que a pessoa com dores crônicas tem em seus pensamentos, achando que está com tudo quanto é coisa ruim. Estado de não saúde é foda! Lembrar que tem partes no corpo que incomodam porque doem é um saco!

Por outro lado, se está tudo bem com minha próstata e sistema urinário, agora é levar os exames de imagens sobre a condição de minha estrutura locomotora e do quadril para o profissional responsável por essa área. 

Essa coisa de saúde é tão esquisita que se o cara disser que tenho desgastes mesmo, mas que posso conviver com isso, ficarei satisfeito. Sigo a vida com as dores locais. 

Das experiências com estudos de anatomia do período que frequentei uma graduação de Educação Física com a experiência na gestão de saúde, prefiro evitar cirurgias e, se possível, fazer exercícios de reforço na região.

Enfim, sigamos. Depois de décadas de vida, uma vida cheia de veredas, aprendi que viver é uma oportunidade. E que os humanos são seres históricos (e posso seguir fazendo a minha), e que só se ensina gente, como diz Paulo Freire (e quero aprender coisas novas todos os dias), e seguirei fazendo a minha parte para estar no mundo com as pessoas.

Diferente do que pensei por muito tempo em minha existência, não desejo encurtar meu percurso na natureza.

William


sábado, 22 de junho de 2024

One Piece

 


Refeição Cultural 

Dois cinquentões que assistem One Piece com o filho 


Ao terminarmos mais uma saga* de One Piece, a Saga Water 7, composta pelos arcos Water 7 e Enies Lobby, podemos dizer que conhecemos um pouco a respeito do personagem Monkey D. Luffy e sua tripulação. Já assistimos 315 episódios do anime. Luffy quando criança comeu acidentalmente um fruto do diabo que deu a seu corpo as propriedades da borracha.

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CONEXÃO ENTRE PAI, MÃE E FILHO

Como começamos a ver animes?

Sempre gosto de me lembrar como foi que comecei a ver anos atrás animes com meu filho e com minha companheira. 

Eu trabalhava em Brasília, na autogestão em saúde dos funcionários do BB, e tinha uma agenda de muitas viagens às unidades nos Estados. Meu filho estudava no interior de São Paulo. Era comum cada um dos três estar longe um do outro.

Ao pensarmos uma forma de fazermos algo juntos, meu filho sugeriu vermos anime. Deu certo! Os três colocavam o episódio no ponto e: um, dois, três e já...

Por muito tempo, vimos assim episódios de algum anime, cada um num canto do país, mas ligados por uma sessão simultânea de anime, e depois comentávamos a respeito do episódio. 

Foi assim que Ione e eu já vimos dezenas ou centenas de episódios de diversos animes.

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OS PIRATAS DO CHAPÉU DE PALHA

O final da Saga Water 7 me levou às lágrimas! Impossível não se envolver emocionalmente com os personagens do bando de piratas do Chapéu de Palha.

Em casa, cada um tem seus personagens favoritos e alguns deles têm alguma característica que chama a atenção da gente.

Eu, por exemplo, fico puto com o comportamento do Sanji quando o assunto é mulher. Caraca, o cara não se emenda! Uma coisa é o personagem ser cavalheiro, gentil etc. Outra coisa é quase pôr tudo a perder quando o inimigo é do sexo feminino (ou quando faz de conta que é) e o cara não cumpre com suas obrigações com os Chapéu de Palha por causa do inimigo ser uma mulher. É algo irritante isso.

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A TRIPULAÇÃO DE PIRATAS DO CHAPÉU DE PALHA ATÉ A PARTE QUE CONHECEMOS

Nas primeiras sagas, vamos vendo Luffy constituindo sua tripulação de piratas.

O primeiro companheiro de Luffy é o espadachim Roronoa Zoro, na primeira Saga: East Blue.

Depois, da forma mais inusitada possível, uma ladra se junta a eles, Nami. Ela será a navegadora de Luffy.

O trio está em busca de um navio. É quando conhecem um mentiroso chamado Usopp. 

O bando consegue além de um tripulante mentiroso atirador de estilingue, o navio: Going Merry.

No próximo arco de East Blue, conheceremos o cozinheiro Sanji, que se junta aos piratas do Chapéu de Palha. 

Formada a tripulação inicial do jovem Monkey D. Luffy e já possuindo o navio Going Merry, os piratas do Chapéu de Palha saem em busca de seus objetivos: encontrar o tesouro One Piece.

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NOVOS TRIPULANTES NAS SAGAS ALABASTA E SKYPIEA

Enfim, depois se juntaram ao bando dos Chapéu de Palha mais dois tripulantes: Chopper, a rena com características humanas, que será o médico do navio, e Nico Robin, uma arqueóloga. 

E agora terminamos a Saga Water 7.

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COMENTÁRIO BREVE

O anime One Piece, de Eiichiro Oda, é uma epopeia contemporânea incrível.

Nela encontramos grandes questões e dilemas da sociedade humana: amizade, determinação, ética, traição, ganância, entre outros sentimentos e comportamentos humanos. 

O tempo todo, a cada arco de aventura, podemos refletir sobre política, história, tradições e costumes, organização social etc.

Antes de conhecer os animes e mangás, eu não imaginaria a profundidade e a complexidade por trás das histórias dos personagens dessas Histórias em Quadrinhos. 

Seguiremos conhecendo mais essa forma de cultura universal. 

William


*Post Scriptum: meu filho me explicou que essa questão de divisões por sagas não é consensual, que seria melhor falar só dos arcos. Pelo pouco que havia pesquisado, o filhão tem razão. Não sou um entendido em animes, muito menos no One Piece (tanto é que, por desatenção, havia escrito errado o nome na hora que fiz o texto). Acabei usando como fonte de dados uma linha que dividia os episódios ou as aventuras em sagas e arcos. Se for retirar a citação à "saga" teria que refazer o texto todo. Enfim, como disse, após 315 episódios do anime, a gente conhece um pouco a respeito do personagem Monkey D. Luffy e seus companheiros e companheiras. Só isso. Seguiremos aprendendo mais.


quarta-feira, 3 de abril de 2024

Acaso 55



Refeição Cultural

Osasco, 3 de abril de 2024. Quarta-feira.


Acaso 55

 

Por puro acaso cheguei aos cinquenta e cinco anos de existência.

Foi por acaso que antes dos cinquenta eu passei a controlar a pressão arterial antes de infartar ou ter um acidente vascular cerebral. Poderia já ter morrido antes não fosse isso. Na época das bebedeiras era tão ignorante que comia sal na mão com cerveja.

Foi um acaso eu ter virado gestor de saúde e, como pessoa da área, fazer os acompanhamentos primários e descobrir que era hipertenso e passar a controlar a pressão, uma das doenças crônicas que agravam e matam boa parte da população mundial.

Foi por acaso que ao ser convidado para disponibilizar meu nome para compor uma chapa nas eleições de uma autogestão em saúde, como candidato a diretor e encabeçar a chapa por entenderem que meu nome agregava, eu tinha um diploma de graduação em Ciências Contábeis, exigência protocolar para a inscrição da chapa.

Foi por acaso que eu me formei em Ciências Contábeis. Quando terminei o segundo grau não estava pensando em fazer faculdade naquele momento da vida. Um vizinho conhecido, um certo dia, me chamou para fazer um vestibular na região, Osasco, e acabei escolhendo um dos três cursos disponíveis e fiz a prova e entrei e me formei. Isso depois de organizar greve estudantil. Que orgulho tenho ao lembrar que uma turma de cem alunos me escolheu para ser o orador.

 

Por puro acaso cheguei aos cinquenta e cinco anos de existência.

Foi por acaso que fui parar em São Paulo antes dos dezoito anos. Me lembro que discuti em casa e acabei indo embora. Mas tinha outros motivos, penso eu. Não se conseguia trabalho em Uberlândia nos anos oitenta e eu estava cansado de trabalhos braçais e humilhantes, eu estava a fim de uma garota em São Paulo, apesar de saber que seria difícil conquistá-la. Soube que teria um lugar pra ficar no início se fosse pra SP.

Foi por acaso que ao visitar familiares em São Paulo, fiquei sabendo que haveria uma vaga na casa de minha avó após o casamento de um dos primos que moravam com ela, em uma das casas de meu tio. Era uma espécie de república, os primos dividiam as despesas da casa. Sairia um, entraria outro, eu.

Foi por acaso virar bancário depois de uns serviços gerais em Sampa. No começo, o trampo foi pesado, descarregar caixas de palmito de caminhões com umas vinte toneladas e entregar por toda a grande São Paulo. Depois, fui caixa de lanchonete no Itaim Bibi, a noite toda vendo a playboyzada na farra. Não me lembro como, mas virei bancário do Unibanco.

Foi por acaso que dei atenção ao pessoal do sindicato e passei a ajudar na organização de uma greve. E me sindicalizei e passei a sindicalizar todo mundo. Por acaso mesmo, porque quase todo mundo trabalhava em banco, como meus primos e primas e amigos, e nem por isso o pessoal dava bola para o sindicato. Poderia ser um bosta bolsonarista décadas depois se não tivesse me politizado com o sindicato.

 

Por puro acaso cheguei aos cinquenta e cinco anos de existência.

Foi por acaso que não morri algumas vezes por aí, alimentando estatísticas das mortes de homens jovens. Já dirigi um carro em estrada por dezenas de quilômetros com curto na parte elétrica, sem luz nenhuma, farol, lanterna, uma loucura irresponsável. E com muito sono. Por muito tempo dirigi minhas motos alcoolizado entre os dezoito e os trinta anos. Coloquei minha vida em risco inúmeras vezes. E por acaso fui vivendo.

Foi por acaso, imagino, as vezes em que quase morri mesmo sem ter culpa ou fazer alguma loucura. A vida tem um quê de acaso. Ir e voltar para Mogi das Cruzes por meses, de moto, com chuva, de noite, naquelas curvas da estrada, cento e cinquenta quilômetros por dia, foi uma sorte da porra sair ileso disso. Foram tantas finas e tantos sustos. Puta merda!

Foi por acaso, talvez, me levarem para o hospital quando morava sozinho e estava me desmanchando em vômito e diarreia após uma intoxicação alimentar, salmonela se não me engano, e quando acordei de madrugada no hospital me disseram que foram horas no soro para recuperar minha pressão que chegou a 8x3 ou coisa do tipo.

Não sei se foi por acaso, mas tem o acaso nisso, ter passado tantos anos de minha vida querendo morrer e não ter morrido. Cheguei a pensar em interromper a vida e cheguei a falar essa merda para a minha mãe. Anos depois, fui entender que provavelmente passei a adolescência e uma fase de adulto com uma forte depressão sem nunca ter tratado isso um dia sequer. Sobrevivi.

Aí já é uma viagem dessas quase místicas, ou do acaso bem acaso, que após meus pais não conseguirem ter filhos porque minha mãe perdia em abortos espontâneos, uma gravidez acabou vingando, a gravidez da qual nasci. E um dia eu iria dizer àquela mãe que não queria mais viver... os filhos são foda algumas vezes nesse mundo dos humanos.

 

Por puro acaso cheguei aos cinquenta e cinco anos de existência.

De acaso em acaso fui vivendo. Imaginem, depois de uma adolescência dura num país miserável e violento, percebi após os trinta anos que a cor branca de minha pele fez a diferença nas estatísticas, os jovens pretos e pardos morriam em número muito acima da média nas estatísticas das mortes de brasileiros. Os de pele branca já nasciam “com o cu pra lua” por causa da cor da pele. Minha irmã negra sobreviveu, mas comeu o pão que o diabo amassou. Nunca saberei o que uma pessoa preta sofre por causa da cor da pele.

Foi por acaso que escolhi o Banco do Brasil e não a CET ao passar nos dois concursos ao mesmo tempo no início dos anos noventa. O fato de ter sido bancário por dois anos no Unibanco e o fato de a jornada de trabalho ser de seis horas fizeram toda a diferença. Eu me lembro que odiava trabalhar, trabalho para mim era a lembrança de humilhação e cansaço e falta de tempo para fazer o que eu gostaria de fazer. Voltei à categoria por acaso.

Foi por acaso que aconteceu tanta coisa na minha existência que ficaria aqui, de vereda em vereda, avaliando os caminhos que trilhei e fui sobrevivendo.

 

Por puro acaso cheguei aos cinquenta e cinco anos de existência

Foi por acaso que virei sindicalista, foi por acaso que escolhi fazer Letras após um amigo do Banco do Brasil me convidar para assistir aulas de ouvinte na USP. No entanto, foi com muito esforço que estudei pra passar na Fuvest. E foi com escolhas difíceis que priorizei a representação sindical em prejuízo do curso de Letras.

Foi por acaso que entrei numa faculdade de Educação Física, me apaixonei pelo curso e não pude terminar porque não tinha dinheiro para pagar a mensalidade. Uma das maiores tristezas da vida. Nunca me esqueci das aulas de anatomia, biologia, da turma e do contexto que me levou à faculdade.

Foi por acaso que vivi amores, esses acasos, os do coração, são os melhores acasos da vida humana. Foi por acaso que me tornei pai. Foi por acaso que me humanizei e a fúria diminuiu.

Foi por acaso que viajei e fiz as melhores aventuras de minha vida. Sempre o acaso colocou uma vereda que me levava à natureza, ao rapel, à cachoeiras, cavernas, ao paraquedismo, aos acampamentos e regiões de mato – que adoro -, às praias e biomas diversos.

 

Por puro acaso cheguei aos cinquenta e cinco anos de existência

Foi por acaso que conheci a Itália e a Espanha. Foi por puro acaso que me peguei nos Estados Unidos a trabalho. Foi por acaso o convite para ir a Cuba.

Por acaso fiz a habilitação em espanhol. Me encantei com a língua durante o Ciclo Básico. Entrei na USP pensando em fazer inglês. Aliás, aprendi a falar inglês para o gasto porque queria ir embora do Brasil como muitos jovens queriam na época.

Foi por acaso que me humanizei num dos momentos mais duros da vida, tempos de fúria, tempos de revolta. Aí virei sindicalista e a formação política me salvou, talvez tenha salvo a sequência de minha existência após os trinta anos.

 

Por puro acaso cheguei aos cinquenta e cinco anos de existência.

Foi por acaso que entrei como cotista numa cooperativa e comprei a tão sonhada casa própria, um apartamento em Osasco.

Foi por acaso que passei a vida ouvindo mais música estrangeira do que música brasileira. Não posso me culpar por isso. Minha origem foi diferente da origem da maioria dos sindicalistas que conheci. Enquanto muitos cresceram em ambientes de militância, eu vivia num bairro miserável na adolescência sem ninguém de esquerda na família.

 

Acasos e esforços... e agora?

Passei o dia do aniversário pensando na vida, no passado que não me pertence, no futuro que não existe, só se eu acordar amanhã, e no presente, que passei pensando na vida no dia 3 de abril, pensando nas veredas que trilhei, nas que não pude trilhar, no que fiz e no que não fiz. Na lista do que queria e não quero mais.

Lembrar de tantos acasos na minha existência não diminui meu esforço honesto e muitas vezes quase impossível para superar as merdas da sobrevivência que quase nos fazem desistir de seguir. A partir dos acasos, tenho a clareza que teve muito esforço de minha parte, muito. Não me diminuo. Sei o meu valor.

 

Sei do esforço de voltar à construção onde passei a manhã quebrando concreto no primeiro dia de ajudante de encanador. Sei do esforço de não desistir quando tinha que furar aquelas latas de palmito podre.

Sei do esforço de não desistir quando o cansaço me fazia chorar e eu seguia. Fiz o que tinha que ser feito desde muito jovem. Passar em vestibulares de faculdades privadas e públicas, concursos públicos, todo guaraná em pó que tomei pra ficar acordado teve sua importância.

 

E sei que por ser branco tive vantagem em relação aos meus pares da classe subalterna à qual pertencíamos, classe trabalhadora explorada. Minha irmã sofreu as consequências da falta de oportunidade por ser negra. E as mulheres sempre foram preteridas por serem mulheres, tive vantagem nisso também. No Brasil, já é sorte nascer homem e branco por causa de nossa história violenta e miserável. Absurdo isso! Sorte ou azar por ser homem ou mulher, branco ou preto...

Me lembro da dona da escola de idiomas onde trabalhei me dizer para não contratar mulher porque mulher só dava dor de cabeça, menstruava, tinha enxaqueca, filhos, faltava muito etc. Dona Glória não era uma mulher naquele contexto, era uma capitalista. E o gerente do BB que me fez aprender serviço de funcionário sendo eu estagiário porque ele dizia que não iria ensinar nada para a colega do banco porque ela era mulher... que safado fdp!

 

Eu não posso escrever tudo o que pensei durante o dia. Não posso escrever muita coisa que penso, que sinto ultimamente, neste momento.

Nunca imaginei na minha vida, quando olho para trás, quando me vejo antes dos vinte, entre os vinte e os trinta, e até depois disso, mesmo tendo mudado como ser humano, nunca imaginei chegar aos 55 anos de idade.

Espero ter vivido dignamente a maior parte de minha existência, de ter feito coisas boas e de não ter feito merdas que tenham prejudicado pessoas. Se prejudiquei alguém, peço desculpas.

 

Sem pertencimento

Estou num momento de reflexão e de procura, algo muito pessoal, de muita solidão. Mas sou politizado e a consciência me ajuda hoje a seguir adiante. Tenho uma leitura pessimista do futuro da humanidade, mas não é algo determinista, que imobilize a ponto de deixar as coisas como estão.

O ser humano é um animal fantástico e poderia e pode mudar as coisas de uma hora para outra, se quiser e se realizar um conjunto de coisas. Educação pode mudar as pessoas e as pessoas mudarem o mundo. Como diz Paulo Freire, só se educa gente!

Minha mente está como um caleidoscópio de imagens e coisas. Eu poderia fazer muita coisa pela experiência que adquiri nesta caminhada de 55 anos de acasos e esforços. Poderia, mas percebi que o melhor que fiz, por acaso, foi ser sindicalista dos bancários. Me perdi depois disso.

Não sei se farei alguma coisa ainda. Mas estando por aqui, estou cuidando dos meus. E não fazendo mal a ninguém, espero.

william


sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Romarias a Água Suja

Santuário N. Sra. da Abadia de Água Suja, MG.

Refeição Cultural

Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.


Vou pegar a estrada nesta sexta-feira 11 para tentar andar um percurso de quase 80 Km até a cidade de Água Suja, região do Triângulo Mineiro. Fiz essa romaria por décadas. A última vez que a fiz foi em 2019, antes da pandemia mundial de Covid-19. Estou cheio de incertezas ao iniciar essa caminhada porque não sei se chegarei ao destino final. No entanto, vou iniciar a caminhada com todo o cuidado e muita concentração em mim mesmo como sempre fiz ao realizar longas caminhadas.

Me lembro bem da primeira vez que fiz a romaria de Água Suja. Eu ainda morava em Uberlândia, ou seja, foi antes dos 17 anos de idade. Meu primo e eu decidimos fazer a romaria meio na porraloquice. Vamos? Vamos! E saímos pela estrada sem planejamento algum. Foi uma experiência dura! Antes de chegar ao Rio Araguari, primeiros 25 km saindo do bairro onde morávamos, já estávamos arrebentados, bolhas nos pés etc. Com muito sacrifício, consegui convencer meu primo a seguir até a Antena. De lá, ele desistiu e voltou. Eu só cheguei ao destino no domingo, tínhamos saído na sexta.

Depois da primeira experiência, passei a fazer a romaria sempre sozinho. Uma única vez, ao longo das décadas de caminhadas, fiz a romaria com um grupo de romeiros. Saímos de Uberlândia alguns primos e conhecidos. Foi diferente andar em grupo: interessante ver a reação de cada um durante o percurso. Um dos primos chegou na raiva (risos). Dizendo que nunca mais faria aquilo. Uma prima torceu o pé antes dos 10 Km e seguiu até a Água Suja, e nos ensinou que com fé tudo era possível. Mancou até lá, mas chegou. Como digo sempre, cada caminhada, cada vez, é única.

Até uns quarenta anos de idade, saí a maior parte das vezes da casa de meus pais, o que dá um percurso de quase 90 Km, uns 87 Km imagino eu. Algumas vezes saí do Trevo para Araxá, saída de Uberlândia. Mais recentemente, última década, sempre que faço a romaria, saio do trevo, o que dá uns 75 Km. 

Uma das experiências mais gostosas que tive foi fazer a romaria com o meu filho. Foi muito legal a energia mútua que trocamos durante o percurso.

O Atalho no eucaliptal.

Já teve vez que não tive bolha alguma. Já teve vez que tive tanta bolha e tão grandes que fiquei dias com os pés em recuperação. Já fiz os 75 Km em menos de 19 horas, já fiz os 87 Km em 21 horas. Com o passar do tempo, e nos últimos anos, tenho precisado de um dia todo para fazer o percurso saindo do trevo. E as paradas precisam ser maiores também. E isso não é uma questão de idade, é uma questão de condicionamento físico e saúde, que é algo muito particular, cada pessoa é única. O meu desgaste no quadril acabou com o meu barato nas corridas e caminhadas.

Quando eu comecei a fazer romarias eu era uma pessoa muito religiosa, tinha uma concepção de mundo exatamente igual à concepção de mundo do ambiente onde nasci e cresci: predominância da religião católica apostólica romana mesclada com o sincretismo religioso tão característico do nosso país. Ao mesmo tempo em que era cristão, frequentava centros espíritas e religiões de matriz africana. Fui assim até perto dos trinta anos de idade. Quando passei a ter outra concepção de mundo, materialista, passei a compreender melhor a cultura de meu país e por que as coisas são como são.

Assistência - Mais um registro sobre as romarias para Água Suja. Uma coisa que auxilia muito o romeiro é ele poder contar com uma assistência ao longo da viagem. Isso é muito comum na estrada. Um grupo ou uma pessoa sai para fazer a romaria e alguém acompanha de carro os peregrinos, levando as mochilas, as coisas para comer e beber, até colchões para algum descanso. Eu sempre tive que chegar à cidade e ainda ir procurar condução para voltar, ônibus normalmente. Isso acrescenta muitas horas a mais acordado. Desde que meu filho foi com um amigo, em 2015, passamos a ter a assistência de meu cunhado. Ele já nos ajudou muito nestes anos todos. Somos muito gratos a ele. Este ano, apesar das dificuldades que ele tem, Túlio vai me acompanhar na estrada. Solidariedade é uma das maiores lições que aprendemos nas romarias.

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É isso. Como disse em outro texto reflexivo (ler aqui), não estou em paz. No entanto, sigo perseverando todos os dias quando acordo e percebo que a vida está aí, somos natureza, e a vida é oportunidade.

É com esse espírito que vou acordar nesta sexta, tomar um banho, tomar um café, depois almoçar levemente e passar um dia andando e observando tudo dentro de mim e ao meu redor. Preciso queimar algumas coisas que estão me consumindo por dentro e preciso buscar sentidos para os dias do viver.

A vida não tem que ter sentidos, a vida simplesmente é (um pouco do que já ouvi do filósofo Ailton Krenak), contudo podemos dar valor e significação ao viver, é isso que estou procurando.

William

Um peregrino


Post Scriptum: correu tudo bem na romaria. Consegui completar o percurso em 25 horas, não tive bolha alguma nos pés, e mais uma vez a experiência foi única, me deixou cheio de reflexões sobre a vida e sobre o entendimento das coisas do mundo. O vídeo que fiz pode ser visto aqui e o texto relativo à romaria pode ser lido aqui.


sábado, 4 de fevereiro de 2023

Leitura: rio pequeno - floresta



Refeição Cultural

Osasco, 4 de fevereiro de 2023. Manhã de sábado. Noite mal dormida.


"pedra de amolar

amolar muito bem as facas
uma a uma na pedra
afiar a lâmina da minha língua
como quem vai pra guerra
" (floresta)


Após dormir um sono picado, dormindo e acordando, porque o filho saiu pra um rolê e não voltou, um sono de poucas horas, me levantei, fiz um café preto no copo e peguei o livro de poesias rio pequeno (2022), de floresta. Sim, @ poeta grafou tudo com letras minúsculas. Li do início ao fim.

Que obra interessante! Poemas intimistas, linguagem prosaica, poemas que envolvem o leitor no cenário do eu-lírico. Imaginem um leitor como eu, que nasci no cenário descrito por floresta. Cara, que viagem ao passado e que viagem ao mundo atual através das palavras e imagens criadas por floresta!

O livro me foi sugerido por um amigo poeta, Sérgio Gouveia, e agradeço a ele pela indicação. Gostei dos poemas, gostei das temáticas, gostei da poética de floresta.

Gostei de muitos poemas do rio pequeno, de muitos! Vou deixar dois aqui na postagem e convidar a leitora e o leitor a lerem a obra toda, é um livro muito bom, conteúdo e edição. 

O projeto  "Círculo de poemas" é bem legal. Junto ao livro rio pequeno veio outro livro de poesias - Rastros - de Prisca Agustoni, poemas feitos a partir de uma pintura rupestre na Patagônia.


No pontinho vermelho, minhas
próprias enchentes da infância

"alagado

a memória das águas
invadiu ontem minha casa
com este medo até de chuva rala
e inunda
ainda inunda
2 metros d'água

naquele dia molhou as canelas
apenas
salvei meus livros
no chão do quarto
ou que dentro da cabeça
conservaram intactas
suas páginas

enchente é como eles chamam
eu digo é medo
até de chuva rala
que mesmo hoje
me gasta

o córrego do jaguaré
não dava pé
nem dentro de casa
e ainda hoje quando chove
corro a fechar janelas

a memória
não me falha
"


O poema "alagado" me levou direto à infância. Nunca me esqueci de uma das enchentes no Rio Pequeno na qual vi pela janela um barquinho azul navegando naquela água marrom. Eu tanto insisti para que pegassem o barquinho pra mim que pegaram. Eu tive aquele barquinho azul até bem depois da adolescência.

"depois de muito

meu pai saiu de casa
eu não tinha nem nascido
meu pai saiu porque
a um homem como ele
não é permitido ficar
eles não têm lugar no mundo
vim saber depois de muito
e minha mãe queria
eu também gostaria
se tivesse vontade ali
naquela barriga
uma vontade maior
que espreguiçar
e me alimentar
das substâncias que eram
minha mãe
e seu desejo de que ele ficasse

penso se meu pai
um dia não quis voltar
penso se meu pai um dia
não quis ter seu lugar
no mundo
que ele não teve
"


Dedico o poema "depois de muito" ao meu filho e a sua mãe. O Rio Pequeno foi palco de tempos duros, tanto na minha infância quanto na minha vida madura. Ao menos da infância guardo boas lembranças, fui feliz mesmo com as enchentes.

William


Bibliografia:

floresta. rio pequeno. São Paulo: Círculo de poemas, 2022. Editoras Luna Parque & Fósforo.


sábado, 11 de setembro de 2021

Happiness only real when shared



Refeição Cultural

Em maio de 1990, eu fui demitido do Unibanco. Eu estava meio de saco cheio daquele trabalho e daquele lugar. Mandei meu chefe à merda após ele mandar eu me mudar de mesa de trabalho. Achei que era implicância dele e me neguei a mudar de lugar. Zé Fernandes era gente boa, um cara humilde, me demitiu todo sem jeito porque eu exagerei na situação. Eu tinha 21 anos. Hoje eu tenho essa leitura, era um trabalhador assim como eu.

Em setembro de 1992, eu tomei posse de minha vaga concursada no Banco do Brasil. Depois de um período de incertezas, eu me tornava um trabalhador de empresa pública e passava a vislumbrar uma vida um pouco mais estável. Um ano antes, eu havia passado no concurso e após comemorar a conquista, o concurso foi cancelado por fraude de uns filhinhos de papai em Brasília. Só seria bancário do BB se passasse de novo no concurso com um milhão de inscritos. Deu certo. Passei de novo. Eu tinha 23 anos.

Entre a adolescência e a suposta estabilidade do emprego em empresa pública, foram anos de incertezas, revoltas, desilusões na vida. Aprendi inglês pensando em ir embora do país. Pensei o que todo jovem pensava na época, ir para o Japão, trabalhar em outro país. Tentei até trabalhar na construtora Mendes Júnior, na época, e quase fui pro Iraque, mas só tinha vagas de motoristas de caminhão. A família Bush iria bombardear o país tempos depois. Os anos oitenta e noventa foram foda para a classe trabalhadora brasileira.

Essa introdução na forma de lembranças foi para situar coisas que pensei quando conheci a história de Chris McCandless após 2007. A história social dele não tem nada a ver com a minha. Ele era filho de classe média nos Estados Unidos. Tinha caminho aberto para seguir os padrões de sucesso da sociedade capitalista. Mas era jovem contestador e queria outra forma de vida, não o acúmulo de coisas do modelo capitalista.

Um dia a companheira Deise Recoaro, do movimento sindical, me sugeriu assistir ao filme sobre o jovem americano. Quando vi o filme Na natureza selvagem (2007), dirigido por Sean Penn, quando li em seguida o livro de Jon Krakauer - Na natureza selvagem (1996) - e quando passei meses ouvindo as músicas da trilha sonora do filme, produzida por Eddie Vedder, fiquei bolado, fiquei mals, fiquei muito tempo impactado pela história do jovem andarilho Alex Supertramp. 

Ao ler o livro reportagem, me lembrei de minha busca por um lugar ao sol, um lugar na sociedade daqueles anos. McCandless estava justamente fazendo isso entre maio de 1990 e agosto de 1992, quando descobriu e escreveu num livro que "Happiness only real when shared" (a felicidade só é verdadeira/real quando compartilhada). Eu fiquei muito tempo pensando nessa mensagem de McCandless, uma mensagem refletida no meio da solidão do Alasca, preso pelas condições climáticas e sem poder voltar para a sociedade, para as pessoas.

Olhei minha vida em retrospectiva e fiquei pensando sobre os momentos felizes que a gente tem nessa vida dura e normalmente difícil ao longo da maior parte do cotidiano. Apesar de ser apaixonado pela natureza, por montanhas, rios, mato e acampamento, percebi que McCandless tinha razão. Os momentos mais felizes de minha vida tiveram pessoas ao meu lado. Não foram de solidão, não foram. 

Estou pensando muita coisa nesse instante. Revi hoje o filme. Estou emotivo, olhos úmidos. Não devo escrever a outra parte dessa refeição cultural. Ela tem sentimentos de amor, filho, família, amigos, companheirismo de lutas e trabalho. Mas são muito pessoais. 

Mas realmente a mensagem do jovem McCandless - Alex Supertramp - é uma mensagem de sabedoria. Hoje tenho isso claro. 

Felicidade mesmo só é alcançada, só é verdadeira e real quando é compartilhada, até porque somos humanos.

William


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

260919 - Diário e reflexões



Não está nos céus nossa salvação...

Refeição Cultural

Fiquei pensativo ao ouvir as explicações da professora Adriana sobre as temáticas envolvidas na obra de Margo Glantz, Las Genealogías (aula desta quinta de manhã). São tratadas na obra questões profundas de memória, de história pessoal e coletiva, de exílios, chegadas e partidas; do lugar de cada um num espaço-mundo e da ausência de lugar; a questão do pertencimento, quem somos, de onde viemos e a que nos ligamos; fiquei pensando num monte de coisas neste momento: em meu filho, meus sobrinhos e os amigos deles, na juventude brasileira cujas perspectivas de futuro estão sendo destruídas; fiquei pensando nos meus entes queridos, o vírus inoculado em nós pelos estrategistas do capital destruíram até a hipotética sociabilidade das famílias: estamos muito sós, sem família, sem amigos, só telas de ódio e mentiras; ando sofrendo pela destruição do nosso país e de nossas históricas construções coletivas - patrimônios públicos, direitos sociais, sociabilidade e tolerância com a alteridade; pensando no fim do Banco do Brasil e de nossa autogestão em saúde - a Cassi. O inimigo está tão à vontade que não esconde saber que não estamos organizados para resistir; pelo contrário, sabe que o vírus do ódio e da discórdia contagiou a todos e não haverá unidade alguma naquela fauna da comunidade atacada. Onde é o nosso lugar em meio a tudo isso? Como lidar com a percepção da chegada do fim de tanta coisa, inclusive das vidas, sem que tenhamos potência para reverter tudo isso ou ao menos reter a destruição do que sobrou neste minuto? Se tem uma imagem que poderia ilustrar bem o que viramos após a inoculação do vírus da raiva, seria a daqueles corpos de humanos na forma de zumbis ou bestas-feras que gritam e mordem aqueles ainda não infectados que aparecem nos filmes de suspense e terror. Sintomas de fim da humanidade. Sem diálogo possível, grrr nnmmhh.

Não vou me deixar matar. Sabemos que sozinhos somos vulneráveis, os corpos de humanos infectados pelo ódio na forma de zumbis chegam aos montes, gritando e nos mordem e nos comem. Mas não vou me deixar matar. Como no Guerra dos Mundos, o inimigo é muito poderoso, quase indestrutível, e estamos sozinhos, mas o amanhã sempre existe, para quem está vivo. Os inimigos podem cair também, pois os desgraçados são reles animais, eles também sangram, como todos nós. Vírus pega todo mundo (ainda mais na nova idade média sem vacina), se não é o vírus que nos infecta que os devoram, os devoram as bestas-feras resultantes do vírus. Não podemos nos deixar matar. Resistir, mesmo sozinhos, já que não cabemos mais nos lugares aos quais pertencíamos.

Post Scriptum (28/9/19): e por falar em não cabermos mais nos lugares aos quais pertencíamos, os tempos são de inversões totais. Num evento num espaço ao qual pertencia, um dos palestrantes tentou me calar quando era dirigente, me perseguiu de forma desleal. Outro palestrante foi pivô de um imbróglio na gestão na qual eu participava, que me trouxe muitos dissabores, um dos envolvidos no imbróglio era o primeiro palestrante. Um terceiro palestrante foi destacado num momento de crise na gestão em que atuávamos para dar uma opinião "técnica" na forma de ameaça e terror, caso os eleitos não aceitassem as propostas do patrão. É interessante, adversários que enfrentei em nome dos trabalhadores hoje viram palestrantes no espaço de onde saí. Fico imaginando que dia o dr. Moro vai ser convidado para dar palestra em eventos jurídicos no partido do ex-presidente Lula. (preciso esquecer essas agulhadas embaixo de minhas unhas, senão não consigo fazer nada, ler escrever tentar ser feliz)

domingo, 22 de setembro de 2019

220919 - Diário e reflexões


A sombra da resiliência.

Post Scriptum, a título de epigrama 
(em 23/9/19, às 12h47)

"Passagem da noite

(...)
Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!
Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.
Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos.
Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!"

(A rosa do povo, 1945, Carlos Drummond de Andrade)


Preciso mudar alguma coisa na minha vida. Hoje. Amanhã. Depois de amanhã. Vejo as pessoas queridas com grandes sofrimentos. Tenho que estar pronto para suportar todas as tristezas do mundo. Depressões diversas tomam conta da psique das pessoas que estimo e que me dão sentido para viver. Eu próprio convivi com os altos e baixos de algum tipo de depressão ao longo de décadas. Não penso mais em suicídio há muito tempo, desde que me engajei em projetos pessoais e coletivos de existência. Sobrevivi. Mesmo a tristeza nunca tendo me abandonado, segui realizando coisas. Acredito que valeu a pena ter sobrevivido até aqui porque não fiz mal intencional a ninguém. Quando magoei pessoas foi em meus momentos de fúria. E vivo, participei de ações coletivas que contribuíram para a vida de várias gentes, ainda que isso não seja sequer percebido pelas pessoas da classe trabalhadora onde atuei. E vivo, busquei resgatar de alguma forma os danos e mágoas que causei a pessoas em momentos de fúria. Tudo muda o tempo todo. Mudança é o instante que estamos, é o instante que vem. Se não participei do exame de faixa hoje é porque uma lesão mudou a minha agenda para o domingo que termina. Se não corro há vários dias é porque faço outro esporte que me lesionou o pé e me impediu de seguir correndo diariamente para baixar a pressão arterial que mudou por causa de vários fatores nos últimos tempos, incluindo desleixo alimentar, mudanças no corpo que envelhece e caminha para o seu fim em alguns dias, meses, anos, dezenas de anos. Tudo muda a todo instante. Se estou lendo diversos textos obrigatórios de graduação em Letras é porque a Universidade me aceitou de volta. Se não estou lendo os clássicos que gostaria é porque os textos obrigatórios dominam o meu tempo de leitura. Fazer o que? Tudo é mudança na vida, até daquilo que planejamos. Num dia você acorda e vai até a Universidade e faz um pedido e é aceito e tudo muda. Ontem, o Brasil era soberano, pesquisas apontavam o povo feliz, os governantes pensavam e reverberavam agendas de paz, de amor, de solidariedade. Distribuía-se renda. Mudou. Mudou-se tudo por golpe, envenenaram o povo com mentiras, com peçonha, com manipulação. Hoje, a agenda é ódio, é arma bala assassinato. Educação e ciência são inimigas dos homens do ódio no poder. Ironia do destino: tudo em nome de Deus: mata-se índio, criança, florestas, negros, gays, pobres; pessoas que defendem partilhar riquezas e direitos são inimigas a serem caçadas por seguidores de Deus. Amém? Amém o caralho! É preciso derrubar do poder esses fascistas desgraçados que roubaram a alegria, a esperança e o futuro dos brasileiros. Tenho que mudar algo hoje. Amanhã. Depois de amanhã. Não posso cair. Tenho que respirar, comer, acordar e deitar. Não sei como ajudar os meus entes queridos que estão sofrendo do coração, da psique, da alma. As pessoas sensíveis ao caos estão sofrendo, desiludidas com o amanhã que lhes foi roubado. Se pudesse, daria esperança a elas. Mas isso é experiência muito pessoal. Tenho que mudar. Alguma coisa é preciso mudar para seguir. Sobreviver é preciso porque amamos pessoas. Não sei, mas algo precisa mudar. Eu desejo que cada pessoa que sofre neste momento com toda a maldade e destruição que lhe tenham nublado o presente e o futuro, que resista, que respire, coma, acorde e deite. O amanhã é sempre um começar e o fim do dia pode trazer algo de mudança. Eu vi isso acontecer por décadas, vi porque sobrevivi ao tempo de cinquenta anos nesse mundo perigoso de se viver. Filho, eu te amo! Desejo a você amanhãs de alegrias, amanhãs de descobertas, dias de resistência, como seus personagens favoritos dizem. Mãezinha, siga resistente, siga agarrada à vida. Pai, resista a essas dores que lhe abatem a paciência e a tolerância. Encontre a cordialidade em meio a essas dores, mesmo sendo tão difícil. Todos estamos com muita raiva do mundo, de tudo. Resistamos todos em meio a tanta tristeza, em meio a tanta mudança em tão pouco tempo. Eu vou mudar algo. Mas não vou perder minha essência que evoluiu com a experiência da vivência. Temos que ser bons e viver para o bem. 

sábado, 7 de setembro de 2019

070919 - Diário e reflexões



Livros: nos tornam mais humanos, menos ignorantes.

Refeição Cultural

Minhas leituras de textos obrigatórios das quatro disciplinas que estou cursando na graduação de Letras avançaram um pouco nos últimos dias.

Consegui ler os dois livros de Roberto Bolaño que constam no cronograma das aulas já realizadas e da próxima aula: El espíritu de la ciencia-ficción (2016) e Monsieur Pain (1999). Já comecei a leitura do terceiro livro do autor - Chamadas telefônicas (1997). Também já vi duas entrevistas com ele, disponíveis na internet, e li alguma coisa sobre o autor chileno.

Hoje li o primeiro livro de poesia de Cecília Meireles, Espectro (1919). Gostei bastante! Mas quero ler vários livros dela, em ordem cronológica, até chegar ao livro que contém o poema que analisamos em sala de aula: se trata do poema "Encomenda" do livro Vaga Música (1942).

Já em relação à escritora mexicana Margo Glantz, li cerca de 50 páginas de um de seus livros - Las Genealogías (1981), que analisaremos em classe na próxima semana. Ainda preciso ler muita coisa. Faltam umas 150 páginas. E tenho outro livro de contos dela para ler também. Já vimos dois contos em classe. Se trata do livro Historia de una mujer que caminó por la vida con zapatos de diseñador (2005).

As leituras não têm sido fáceis para mim porque minha resistência para leituras não anda boa. Com pouco tempo começo a ter sono. É incrível como isso nos deixa frustrados. Mas tenho que superar essa questão.

Outro problema que tenho que administrar é a minha pressão arterial ter se alterado perigosamente nas últimas semanas. Que merda! Desde 2015 minha pressão estava controlada. 

A destruição do nosso país pelos fascistas que tomaram o poder por golpe e a ameaça à existência da entidade de saúde a qual pertenço como associado têm relação com a tristeza e depressão que afeta nossa saúde. Não tenho dúvidas disso.

Estou tentando controlar a pressão com atividades aeróbicas. Voltei a correr quase todos os dias. Espero que isso faça efeito. Também estou mais atento a alimentação. Eu sei que abusei de tudo que não pode nos últimos meses.

Que foda! A vida é um instante, e nesse momento estamos aqui e no seguinte já não estamos mais. E sabemos disso. Eu estaria mais conformado se não tivessem destruído nosso país e nosso mundo. 

Passei a maior parte da minha vida lutando pelo Brasil, pelos direitos do povo e pelos trabalhadores bancários, principalmente os do Banco do Brasil. É realmente adoecedor ver toda a destruição causada pela Lava Jato, pela imprensa golpista e pelo bolsonarismo.

Por enquanto é isso. Registro porque algo me diz que devemos registrar nossas impressões sobre tudo isso, tanto de nossa vida pessoal porque fomos uma pessoa pública por muito tempo, quanto de nossa vida coletiva e social, pois o Brasil está sendo desfeito como nunca antes em nossa história.


segunda-feira, 30 de julho de 2018

Conhecendo animes perto dos 50 anos




Refeição Cultural

Num esforço para ampliar minha capacidade de comunicação com os mais jovens, em especial com o meu filho, tenho procurado conhecer novas linguagens e meios expressivos como os animes e mangás.

Minha primeira experiência em animes foi assistir a Death Note (2006), com 37 episódios, e depois passei a assistir aos animes de Naruto (que estreou no Brasil em 2006) e atualmente está na Netflix. Os animes são sugeridos pelo meu filho e acabam sendo uma forma de vermos algo juntos. 

De um tempo pra cá, uns dois anos, passamos a ver os episódios à noite, cada um num lugar físico, mas vendo ao mesmo tempo. Foi comum assistirmos Naruto eu num lugar, meu filho noutro, e a mãe dele num terceiro lugar. Mas unidos ao longo de dezenas de episódios. Estamos terminando mais de uma centena de episódios de Naruto, praticamente só faltam alguns episódios da saga "clássica" (a parte na qual os personagens ainda são pré-adolescentes).

Nestes dias de férias escolares de julho, em que estamos juntos no recesso da faculdade de meu filho, assistimos aos 13 episódios de Angel Beats (2010). No início foi difícil pegar o ritmo, a ação do anime era muito doida, mas aos poucos a estória começou a ter sentido. Ao caminhar para o fim foi ficando emocionante, e a cada episódio, o anime nos deixou mais reflexivos sobre a vida e a morte.

Em um dos episódios, em que o enredo encaminha o desfecho relativo a uma das personagens principais, Yuri (ou Yurippe), me peguei pensando no que foi a minha vida nos últimos anos e como está sendo difícil o desapego da missão que eu tinha e que movia toda a minha existência até o final de maio passado. Mas é preciso se deixar "obliterar" e seguir para outra etapa das existências.



Por fim, ainda na linguagem de animes, vimos o longa-metragem Your Name (Kimi no na wa, 2016). Novamente, que produção linda, emotiva, que nos põe a refletir. A estória tem amor, tradição, medos e dilemas dos jovens, e beleza no desenho, nas paisagens, nas personagens. Bem ao estilo do diretor Makoto Shinkai, de obras como Jardim das palavras (2013), que também assistimos.

Após assistir a esses dois animes, ainda vi, de quebra, ao filme Gênio Indomável (1997). Que soco no estômago. Me lembro de ter sido muito impactado pela estória do jovem Will (Matt Damon) quando eu mesmo era um jovem revoltado no final dos noventa e início dos anos dois mil.

Como escrevi na última postagem dias atrás (ler AQUI), não sei ainda o que vou fazer com meus blogs após o fim de um ciclo de quase duas décadas de vida política e representativa como eleito por trabalhadores em mandatos sindicais e de gestão em saúde.

Essa foi minha refeição cultural. Apesar do silêncio autoimposto e pela decepção que me domina em relação ao fim da democracia brasileira e a destruição de meu país após o golpe de Estado, ainda busco um sentido para escrever.


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Diário e reflexões - 301117 (Alguns números de um mês de lutas)





Refeição Cultural

Novembro - Números da agenda de lutas de um cidadão brasileiro, bancário, gestor eleito de saúde, pai de família, blogueiro, militante social por um mundo mais justo e solidário, sem exploração de alguns humanos sobre todos os outros bilhões de humanos.


Hoje termina o mês de novembro de 2017. Hoje completo 3 anos e meio de mandato como Diretor de Saúde da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, eleito pelos trabalhadores associados. 

Tenho revisado minhas postagens nos blogs e com isso vejo nosso percurso de trabalho desde 2014 - foi o mais intenso de minha vida! Basta olhar os números deste mês e dá para se ter uma ideia do quanto nossa missão foi intensa e focada em nossas tarefas. Mas não podia ser de outro jeito.

Neste mês, meus compromissos de trabalho e representação como gestor da área de saúde da Cassi me levaram a algumas bases sociais. 

Fui a Londrina (PR) e tive reuniões com os funcionários, com os participantes associados e com as lideranças do Sindicato. Fui ao Rio de Janeiro e conversamos com os funcionários da Cassi e os participantes de nossa autogestão. Em São Paulo capital idem, estivemos com centenas de associados da Cassi e almocei com a equipe de gestores da Unidade.

Voltei ao Paraná, desta vez em Curitiba, para dois dias de agenda de gestão e Conferência de Saúde, assim como as Conferências de SP e RJ.

Fui a São Paulo mais duas vezes, para eventos que debateram a nossa Cassi. Na capital, estive na Fetec SP reunido com representantes de sindicados do Estado (a convite das entidades). Fui a Ribeirão Preto para conversar com associados e participantes da Cassi, a convite das entidades de aposentados e associações.

Ontem, me reuni com os conselheiros de usuários da Cassi DF. 

Ou seja, neste mês, tive o privilégio de prestar contas, tirar dúvidas, ouvir lideranças e associados de capitais e interiores de várias Unidades da Federação - SP, RJ, PR, DF.

Teve semana em que dormi menos de 20 horas, entre segunda e sexta. 

Na parte de prestação de contas, informação, formação e comunicação, fizemos 10 matérias no Blog Categoria Bancária (acessar AQUI), o boletim do mês Prestando Contas Cassi (ler AQUI) e estou fechando novembro com 6 textos neste Blog.

Além dessa forma de fazer o mandato de representação, com presença na base social e prestando contas o tempo todo, tenho uma agenda pesada na rotina da governança.

Em novembro, tivemos 4 reuniões de Diretoria Executiva, onde estudamos e apreciamos 101 documentos técnicos com centenas de páginas e anexos. Tivemos oficina de trabalho da direção da Cassi com a consultoria contratada após o Acordo entre BB e entidades representativas do funcionalismo. E estamos com encontros de capacitação de gestores das unidades Cassi dos Estados e DF.

Eu juro pra vocês que essa agenda de novembro representa exatamente o que eu fiz ao longo desses 3 anos e meio. É só ler nas postagens dos dois blogs que mantenho.


E o cidadão?

Bom, como eu havia refletido no início do segundo semestre, não foi possível ler literatura e livros neste período, como havia feito no semestre anterior. Só alguns capítulos de alguns livros. O tempo livre que tinha em finais de semana estou usando para trabalhar nos blogs e reforçar a nossa memória das lutas vividas.

O saldo do afago familiar possível foi ter visto em novembro meus pais e familiares de Uberlândia em um fim de semana. Também só vi meu filho em um fim de semana. Vi minha esposa menos da metade do mês.

Para compensar e manter algo junto com meu filho querido, que estuda em outro Estado (SP), estamos assistindo juntos um anime (Naruto) em algumas noites e dias da semana. Enquanto eu e esposa conhecemos a saga do garoto ninja, meu filho mata saudades da infância. Chegamos a assistir um episódio eu num hotel (PR), ele na cidade que estuda e minha esposa em Brasília. Mas dessa forma (distantes) já vimos 31 episódios. Não basta ser pai, tem que participar...

Por fim, neste mês de novembro completaram 3 anos que voltei a correr com regularidade. Lá em novembro de 2014 vi que se não voltasse para as corridas, eu teria sérias consequências em minha saúde e na minha vida estressada e de lutas (ler postagem AQUI).

Ao correr hoje, completei 50k em 10 corridas no mês. Sei que isso é fundamental para salvar a minha vida e ter energia para suportar tudo que enfrento em um mês de lutas. Me virei pra correr:

6k no Eixão (dia 2), 4k DF (dia 4), 7k no Eixão (5), 7,5k na AABB SP (12), 2k no Pq. Continental SP (13), 2k e pedal no Eixão (15), 4k DF (17), 6k no Eixão (19), 8k no Pq. do Sabiá MG (26) e 4k DF (30).


O mundo está desabando para a classe trabalhadora à qual pertenço e represento após o Golpe de Estado em nosso querido Brasil. Mas desistir não é uma opção, por mais triste que estejamos ao longo de nossa jornada e existência.

Estou firme nas lutas!

William

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Poema - Saudades




Saudades de meu filho.
Saudades de meus pais.
Saudades de minha avó.
Saudades de minha tia.
Saudades de uma família.

Saudades do sindicalismo que vivi.
Saudades do país que ajudei a construir.
Saudades dos tempos de convívio estudantil.

Estou com saudades.

Não tenho saudades de minhas ignorâncias.
Não tenho saudades de minha alienação.
Não tenho saudades das ilusões.

Saudades é um sentimento.
Então vamos sentir.
E resistir.

A luta segue!

William

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Diário e reflexões - 040917 (amor e pertencimento)




Refeição Cultural

Hoje é aniversário de minha querida mãe, Dirce Mendes, que completa 71 anos de idade.

Estava neste instante em meu computador, lendo uma pauta com itens extremamente complexos para serem apreciados e deliberados amanhã na reunião da Diretoria Executiva da Cassi, quando me lembrei de parar e postar um texto a respeito dessa pessoa maravilhosa e referência em minha vida.

Semana passada postei um texto (ler AQUI) em homenagem ao meu querido pai, que completou 75 anos de idade no dia 30 de agosto. Minha mãe e meu pai são referências e bases sólidas daquilo que me transformei como pessoa e cidadão do mundo.

Tenho muito que agradecer à minha mãe por ter sido aquela que me freou nos impulsos dos momentos de maior raiva do mundo por não aceitar as injustiças que vi e vivi desde a tenra adolescência. 

Se de meu pai herdei a atitude de não aceitar coisas erradas contra os mais humildes, de minha mãe herdei a paciência e a tolerância de não explodir por qualquer motivo, podendo fazer algo que não tivesse retorno das consequências.

Hoje, como pai que vive distante do filho adolescente, fico imaginando o que sofreu o coração desta mãe ao ver o filho sair de casa com menos de 18 anos em uma época em que a comunicação era tão rara e escassa. 

O que sofremos com a preocupação e as inconstâncias da vida de nosso jovem filho buscando se estabelecer no mundo, mesmo tendo comunicação instantânea, me faz pensar como coração de mãe ao longo da história da humanidade aguenta tamanha dor da distância e da espera de notícias, até das imponderáveis.

Mãe, te amo muito e a senhora segue sendo um freio para mim, mesmo tendo eu quase meio século de existência. 

Ter uma família tão querida como eu tenho, contribui na minha paciência e tolerância nas guerras que enfrento como um militante social da classe trabalhadora em frentes de batalha cada dia mais duras contra os desgraçados que avançam destruindo o povo e o mundo que represento.

Obrigado por tudo, mãezinha, e vida longa pra senhora.

William