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sábado, 30 de setembro de 2023

Vendo filmes (VII)


Pôr do sol em Cuba. William.

Refeição Cultural

Osasco, 30 de setembro de 2023. 


Tenho procurado ver alguns filmes que abordem os temas que tenho estudado ultimamente. Essa sequência de filmes que cito abaixo tem essa característica.

Vi dois filmes que se passam na China, país asiático o qual tenho estudado um pouco. Também revi um filme fortíssimo sobre a tragédia da escravidão ao longo de séculos: Amistad

O recente filme O irlandês para mim retrata bem o que são os Estados Unidos. Bom filme!

Completam a lista de filmes um documentário sobre o golpe de Estado no Chile em 1973, golpe que assassinou o presidente Salvador Allende e colocou o país numa ditadura sangrenta. E um filme que se passa na Turquia, na década de setenta.

Os filmes me fizeram refletir bastante.

William

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FILMES

- O grande irmão: O dia que durou 21 anos II (2022) - Direção de Camilo Tavares. Documentário demonstra a participação ativa do governo brasileiro e do governo dos Estados Unidos, através da CIA, no golpe militar promovido no Chile em 1973. A ditadura de Pinochet seria uma das mais sangrentas da América Latina durante quase duas décadas.

COMENTÁRIO - O longa-metragem documentário é surpreendente pela documentação nova que apresenta após 4 anos de pesquisas nos arquivos do Itamarati no Brasil e do consulado brasileiro no Chile. O Brasil foi um agente central no golpe de Estado promovido no dia 11 de setembro de 1973, derrubando o governo de Salvador Allende, democraticamente eleito. Allende foi assassinado, milhares de pessoas foram presas, torturadas e desaparecidas ao longo de 17 anos de ditadura. Além disso, foi aplicado ao país toda a cartilha neoliberal de privatizações e eliminação de direitos sociais. 

Ao ver o documentário no dia 11 de setembro de 2023, 50 anos depois, percebi o quanto estamos num contexto semelhante de ameaça e risco de vivenciar novamente esse terror vivido pelo povo chileno. Na minha opinião, estamos à beira de novos golpes de Estado promovidos pelos Estados Unidos no mundo, incluindo o Brasil do 3º governo Lula, Brasil que já viveu golpe recente em 2016, orquestrado a partir de lá com a operação Lava Jato.

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- A fundação de uma República (2009) - Jian guo da ye, no original. Filme produzido na China e Hong Kong. Direção: Sanping Han e Huang Jianxin e com Tang Guoqiang no papel de Mao Tsé-Tung. Filme baseado em fatos reais sobre a história recente da China (recente ao considerar os milhares de anos da civilização chinesa), a guerra civil opondo o Partido Comunista, liderado por Mao Tsé-Tung, ao Partido Kuomintang, de Chiang Kai-Shek, conflito ocorrido entre 1946 e 1949 e ao final foi fundada a República Popular da China.

COMENTÁRIO: A indicação do filme foi feita pelo professor Elias Jabbour, com o qual fiz o curso "Compreendendo a China" no Instituto Conhecimento Liberta (ICL). Gostei do filme. Percebi que tenho muito que estudar ainda sobre a história da China e do povo chinês, pois se soubesse mais sobre o período abordado no enredo do filme, a experiência seria melhor ao assistir a obra. O filme está na internet e com legenda em português.

- A caminho de casa (2007) - Luo yi gui gen. Outro filme chinês que revi neste mês de setembro é um filme muito bonito e sentimental. Comentário aqui.

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- O expresso da meia-noite (1978) - Direção de Alan Parker e adaptação de Oliver Stone. Com Brad Davis. A história se passa na Turquia nos anos 70 e o filme diz ser baseado em fatos reais. Jovem é pego em aeroporto tentando embarcar cheio de pacotes de droga. Pegou 30 anos de sentença. 

COMENTÁRIO: Um jovem norte-americano comete a estupidez de tentar sair da Turquia com um monte de pacotes de haxixe. Foi pego, lógico! A partir daí, vamos conhecer o que é se ferrar e sofrer numa prisão turca. Dramático! Enquanto assistia ao filme, fiquei refletindo sobre o ser humano... é o único animal racional no reino animal e por mais racional que seja, é o animal que mais comete estupidez e idiotices na natureza. Por que o cara vai fazer uma coisa dessas? Ao conhecer a história de William Hayes (Billy), vemos que ele não precisava fazer uma cagada dessa com a vida dele. Enfim, somos assim, humanos!

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- O irlandês (2019) - Direção de Martin Scorsese. Com Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci. Filme conta a história do caminhoneiro Frank "The Irishman" Sheeran, sindicalista ligado ao crime organizado. Frank trabalha para a família mafiosa Bufalino (Joe Pesci) e também se torna amigo e apoiador do líder sindical Jimmy Hoffa (Al Pacino). O roteiro é apresentado como um relato das memórias de Frank, já idoso e retirado de cena.

COMENTÁRIO: O filme tem uma grande história e um grande enredo, como o clássico de Mario Puzo e Coppolla (O poderoso chefão). Ao assistir ao filme, uma das coisas que não saíram de minha cabeça foi o que a história deixa claro: o que são os Estados Unidos da América, um país que nasceu e se sustenta até hoje através da violência das armas, e tudo naquele país é uma mentira, uma invenção, um mito. Outra coisa que fiquei pensando... como alguém pode confiar numa pessoa nascida e criada na cultura norte-americana? O momento mais forte do filme, para mim, é o momento no qual vemos que toda vida tem um preço nos EUA, tudo tem um preço, tudo é business... Enfim, atuações brilhantes dos protagonistas!

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- Amistad (1997) - Direção: Steven Spielberg. Com Djimon Hounsou, Matthew McConaughey, Morgan Freeman e Anthony Hopkins. O ano é 1839, um navio parte de Cuba repleto de homens e mulheres sequestrados do Continente Africano e vendidos como escravos. Cinqué (Djimon) lidera uma rebelião no navio e liberta os escravizados. O navio é interceptado por um navio norte-americano e a partir daí veremos um grande debate na justiça dos EUA sobre o destino final daquelas pessoas. 

COMENTÁRIO: Filmaço! Estou lendo muitos livros e autores para conhecer um pouco mais sobre a história vergonhosa do sequestro e venda de seres humanos no Continente Africano ao longo de séculos. Dois autores que vieram à minha memória durante a história de Cinqué e aquelas dezenas de mulheres e homens foram Luiz Gama e Abdias Nascimento, grandes intelectuais brasileiros negros, um do século 19 e outro do século 20, heróis brasileiros na luta pela igualdade para o povo negro no Brasil. O filme é uma aula de história! Vale rever sempre! É impossível não sentir fortes emoções ao ver tanta maldade e covardia com nossos irmãos. Quando nos lembramos que a escravidão foi real e durou séculos, e ainda hoje não conseguimos resolver a desigualdade oriunda de séculos de exploração, sentimos mais ainda o coração apertado ao assistir ao filme.

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Post Scriptum: clique aqui para ver o comentário anterior sobre filmes.


domingo, 25 de setembro de 2011

A vida de David Gale - a questão da pena de morte


No dia 21 de setembro de 2011, os EUA assassinaram mais um homem (negro) no estado sulista da Geórgia: Troy Davis. Ele morreu com uma injeção letal aplicada pelo Estado. É um dos casos mais polêmicos dos últimos anos porque seu processo é eivado de senões e falsos testemunhos.
O texto brilhante de Eric Nepomuceno publicado na Carta Maior me deixou deprimido com o fato. Estava nos meus planos assistir a outra coisa neste fim de semana – vinha assistindo aos cinco filmes da série Planeta dos Macacos dos anos setenta. Mas busquei em minha estante o filme de Alan Parker sobre o tema pena de morte.
Quando vi o filme pela primeira vez, fiquei muito incomodado. Eu ainda estava repensando meu posicionamento a respeito do tema, pois até os anos noventa era favorável à pena de morte. Faltava-me muita cultura humanista, indispensável ao ser humano, e eu era muito ignorante.
Assisti ao filme desta vez com muito mais atenção. Como é importante assistir a bons filmes mais de uma vez! Além da direção de Alan Parker ser muito boa, as atuações de Kate Winslet e Kevin Spacey são brilhantes. Não conheço filme algum de Spacey que não seja de uma interpretação impecável.

Aula de filosofia do professor Gale
Anotei uma parte da exposição da aula do professor David Gale aos jovens universitários. Ele falava sobre os desejos e os objetivos em nossas vidas.
Explicava sobre a importância dos desejos serem quase inatingíveis, pois muitas vezes alcançamos os nossos sonhos e quando o objeto do desejo é conquistado já não nos interessa mais. Após mais algumas explicações, falou o seguinte sobre Lacan:
“A lição de Lacan é... viver de desejos não traz a felicidade. O verdadeiro significado do ser humano é a luta para viver por ideias e ideais... e não para medirmos a vida pelo que obtivemos em termos de desejos, mas pelos momentos de integridade, compaixão, racionalidade e até... auto-sacrifício. Porque no final, a única forma de medir o significado de nossas vidas é valorizando a vida dos outros”
Cara, essa cena da aula e este debate filosófico é a chave para tudo o que se passa no filme A vida de David Gale.
Não contarei o desfecho da história, pois assim como ocorre comigo ao não conhecer muitos filmes bons, várias pessoas podem ainda não terem visto esse excelente filme. Tem sido assim cada vez que busco um filme já antigo e inédito para mim que aborda um determinado tema. Fiquei muito impressionado quando assisti também sobre pena de morte o filme – Os últimos passos de um homem -, com Sean Penn e Susan Sarandon, de 1995.
Fiquei novamente cismando sobre várias coisas após o filme. Na primeira vez que o vi, busquei imediatamente em minha estante A apologia de Sócrates, texto que aborda o julgamento do filósofo grego Sócrates. Li as duas versões que tenho: a de Platão e a de Xenofonte.
Nesta vez, estou aqui pensando sobre ideias e ideais. Sobre fazer valer a pena a nossa existência, nem que seja para tornar a vida dos outros melhor.
A dura decisão das personagens desse filme nos ensina alguma coisa. Não tenho de forma alguma a vida que gostaria, não tenho. Mas procuro levar uma vida que ao menos tente melhorar o mundo em que vivemos e a vida das pessoas que nele habitam.
No final sei que somos só um fragmento ínfimo, mas pertencemos a um todo.


Vejam também o artigo de Eric Nepomuceno.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mississipi em chamas... E o mundo segue racista!




Refeição Cultural

Cara, sigo a cada instante buscando preencher lacunas e mais lacunas culturais, sejam elas sobre filmes, livros, músicas; sejam elas lacunas científicas, sociológicas etc e tal.

Continuo buscando obras sempre muito comentadas, referenciais e que nos fazem falta por não conhecê-las.

Finalmente, assisti ao filme Mississipi em chamas, vinte anos depois de seu lançamento. Nada mal: lançado quando eu tinha 19 anos e assistido outro tanto de tempo depois.

Ficha Técnica

Mississipi em Chamas (Mississipi Burning)

País/Ano de produção: Estados Unidos, 1988
Duração/Gênero: 122 minutos, Drama/Policial
Direção de Alan Parker
Roteiro de Chris Gerolmo
Elenco: Gene Hackman, Willem Dafoe, Frances McDormand,
Brad Dourif, R. Lee Ermey, Gailard Sartain, Michael Rooker, Stephen Tobolowsky.

COMENTÁRIO

O filme é muito bom.

Nos põe a refletir mesmo: de onde vem tanto ódio? Tanta intolerância ao outro?

Estamos em 2008. Quase meio século depois dos fatos que motivaram aquele "Verão da liberdade"; temos um presidente norte-americano recém-eleito de pele negra. Isso é muito bom para todos nós desta aldeia global.

No entanto, também como no século XX, aumenta por todo o mundo a intolerância ao outro, ao diferente. O mundo volta a respirar todas as formas de discriminação e fobia.

É engraçado e muito triste. A ciência avança e as coisas não mudam. Sabemos que somos todos iguais como raça humana e diferentes como grupos culturais e sociais, e a coisa continua na mesma.

Onde vamos parar?

Lembro aqui o dístico do grupo Alphaville: 

"Hoping for the best 
but expecting the worst" (Forever Young)


That's all!!

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Post Scriptum (5/4/20):

Respondendo à pergunta que fiz ao final da reflexão, "Onde vamos parar?", hoje é possível dizer, mesmo não sabendo ainda aonde vai chegar a distopia atual: com o ódio e intolerância, em 2020, paramos em Trump e Bolsonaro. Mas tem espaço pra piorar; quem sabe até a gente extinguir a raça humana, que parece não ter dado certo no mundo...