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sábado, 29 de junho de 2024

35 de 100 dias



35. Trabalhando na organização de meus guardados velhos, encontrei minha medalha de participação na 83ª São Silvestre, ocorrida em 31/12/2007. Foi minha primeira participação na mais tradicional corrida de rua do país. 

Ano passado, após três anos sem participar da prova, inclusive por causa da pandemia mundial, tive a felicidade de correr e completar a 98ª São Silvestre. Foi outro momento incrível de realização pessoal. Até a semana do Natal, não tinha certeza se completaria o percurso de 15 Km. Clique aqui para ver essa história.


Entre a primeira São Silvestre e a mais recente, tenho um percurso intenso de superações pessoais nessa caminhada esportiva de 2007 até a chegada no MASP após a subidona da Brigadeiro em 31/12/2023.

Agora é a expectativa para este ano: será que farei uma boa participação?

William 


sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Diário e reflexões


Vila Caiçara, Praia Grande, SP.

Refeição Cultural

Osasco, 26 de janeiro de 2024. Noite de sexta-feira.


Vou dormir daqui a pouco em casa. Estávamos na Praia Grande, litoral paulista, nos últimos dias. Corpo cansado, por fazer atividades físicas. Consciência leve, porque faço a minha parte como animal racional para alongar minha existência, prorrogando a atuação do tempo e os efeitos do desgaste natural por sermos natureza. Minha herança genética e a forma intensa como vivi exponenciam meus riscos de interrupção da existência a qualquer momento (todos nós, mas alguns mais).

Estivemos na colônia dos professores do Sinpro São Paulo, um lugar simples, pequeno e que adoramos. Sentimos a ausência do filho, que não foi desta vez, mas conhecemos pessoas muito legais, professoras e professores. Enquanto a minha razão matuta ideias de fim das relações humanas - o tal pessimismo da razão -, a realidade nos apresenta pessoas que teimam em fazer a vida valer a pena. Muito interessante essa nossa espécie! Esperançar...

Colônia dos professores do
Sinpro São Paulo.

Correndo com um corpo gasto

Posso avaliar de diversas formas as coisas da vida. 

Um novo amigo, o professor Enrique, disse, por exemplo, que Deus (talvez a natureza) estragou os ossos do fêmur e quadril dele. Sob certo ponto de vista, poderíamos dizer que foi a vontade de Deus, dos deuses, do destino, da natureza etc. Aí vieram os animais humanos, a espécie animal que tem capacidade de alterar e controlar a natureza, que tem inteligência para criar coisas, e deram a ele nova estrutura de locomoção, próteses de cabeça de fêmur e encaixes no quadril. Achei a hipótese dele interessante. 

Qual foi a vontade de Deus e qual foi a do homem? A resposta depende das concepções de mundo de cada pessoa. O que posso dizer, por ser testemunha ao ouvir as pessoas, é o quanto a intervenção humana devolvendo a mobilidade e ou saúde a uma pessoa pode ser algo maravilhoso! O professor Enrique e várias pessoas que conheço estão felizes por voltarem a ter mobilidade.

No meu caso, estou com desgastes na estrutura locomotora também. Faz alguns anos que o prazer da corrida passou a ser uma mescla de dor e prazer ao me esforçar para correr, coisa que faço desde adolescente. E posso refletir sem falsa modéstia que, no mínimo, sou esforçado há décadas, e disciplinado, e pessoa com firmeza de propósito. 

Vamos tentando alongar a existência...

Não é pouca coisa! Se eu não fizesse atividade física, aeróbica, talvez eu já tivesse sido vítima de eventos cardiovasculares ou cerebrovasculares aos 54 anos (as maiores causas de mortes no Brasil). É minha natureza genética. Ao correr, adio os efeitos da natureza em relação ao meu colesterol ruim (LDL) e triglicérides, pressão alta, níveis de glicose, sobrepeso e obesidade, fatores centrais de doenças crônicas.

Nunca fui pessoa de aceitar com tranquilidade intervenções cirúrgicas. Entendo que intervenções invasivas em nossos corpos, só em último caso. Nem a cirurgia de miopia quis fazer tempos atrás, mesmo sendo moda e todo mundo fazendo. Aliás, se for falar de moda de cirurgia... fodeu! Eu gostava de práticas esportivas meio radicais, diriam, saltar de paraquedas, cachoeiras, cavernas etc e decidi não me arriscar a entrar para a estatística da pequena porcentagem de cirurgias de miopia que poderiam não dar certo. 

E depois de estabelecer minhas convicções e tendências sobre intervenções invasivas em meu corpo, ainda tive a oportunidade de ser gestor de saúde, de um modelo assistencial baseado em atenção primária e medicina de família: prevenção, promoção de saúde, controle de riscos, visão holística da pessoa etc. Aí que passei a ser mais cuidadoso ainda com essa questão de qualquer capitalista com diploma na área da saúde sugerir fazer uma "operaçãozinha" em você. Existem as intervenções necessárias e as desnecessárias... o difícil é saber como anda a ética do capitalista que vende essas intervenções cirúrgicas.

Enfim, toda essa verborragia acima é para dizer que se puder adiar fazer operações para colocação de próteses disso e ou daquilo, farei isso!

Depois que fiz a romaria de 80 Km ano passado (ler aqui), e depois que achei que não daria para correr a São Silvestre (15 Km) e corri, com uma história de superação incrível (ler aqui), entrei o Ano Novo imaginando coisas, esperançando ideias de corridas (já falei o quanto é fantástica essa invenção humana: o calendário e a contagem do tempo). Ano Novo, esperanças novas!

Vila Caiçara, Praia Grande.
Foto: William


Voltei com as corridas longas

Então, vou dormir com a sensação de dever cumprido em relação à minha saúde e às pessoas que são de minhas relações de afeto. Corri 10 Km na Praia Grande hoje, para me despedir da semana de férias na colônia dos professores. Foi incrível porque foi uma corrida bem tranquila. Minha energia estava ótima!

No domingo, saí para correr no calçadão da praia e não consegui fazer um longão. Depois de correr 5 Km, tive que parar porque se continuasse poderia me prejudicar. Foi ruim.

Eu já tinha corrido uma distância de 10 Km em janeiro, depois de correr a São Silvestre. Mas naquele dia na praia não deu.

Aí durante a semana no litoral choveu a cântaros. Mais de 300 mm de chuvas em quatro dias. Eu não me arriscaria a correr com chuva forte porque nos dias que ficamos na Praia Grande um raio matou uma senhora e feriu mais pessoas.

Como hoje era o último dia, a chuva virou chuvisco e a temperatura melhorou, saí para me despedir da praia. Que corrida gostosa! Que semana gostosa na colônia!

É isso! De volta a Osasco!

Seguimos a vida!

William


domingo, 31 de dezembro de 2023

São Silvestre 2023 - Minha história de superação


Fui, corri, completei os 15 Km.

Refeição Cultural

E no fim, corri para fazer uma pessoa feliz, alguém com o coração apertado... eu mesmo! A sensação de concluir o percurso da prova é incrível! Desejaria a emoção a todas as pessoas do mundo!


"Daqui alguns dias teremos no Brasil mais uma edição da tradicional Corrida de São Silvestre. Queria correr a prova. Não dou conta. A natureza e a realidade são implacáveis com os seres naturais. Fui para o Sabiá conversar com o meu corpo. Corri, andei, senti minhas energias. Para me arriscar numa empreitada que exigisse a quantidade de energia que o percurso da prova exige, teria que ser algo cuja finalidade fosse um feito grandioso, que valesse para a coletividade, ou para um coração apertado; gastaria toda essa energia para salvar uma vida, para lutar contra uma injustiça, para mudar o mundo, para fazer uma pessoa feliz." (minha reflexão em 23/12/23, em Uberlândia)


No filme icônico Forrest Gump - O contador de histórias (1994), o personagem Forrest (Tom Hanks), após uma grande tristeza em relação à mulher amada, decide pegar seu tênis, calçá-lo e sair correndo para lidar com a dor que está sentindo em seu peito. Corre, corre, corre de uma ponta a outra do país, vai de um oceano ao outro e volta. Depois, quando sua amada Jenny diz que gostaria de ter estado lá com ele, Forrest diz a ela que sim, ela estava lá... é uma das cenas mais lindas do cinema que eu conheço!

São Silvestre 2009.


Uma vez eu corri a São Silvestre como o personagem Forrest... teve até pessoas que gritaram pra mim - "run Forrest, run!". Foi legal!

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11ª participação na São Silvestre

Eu não corria a São Silvestre desde 2019, ano anterior à maior pandemia que o mundo viu em um século. Nós que estamos aqui sobrevivemos ao genocídio empreendido pelo governo brasileiro à época. Infelizmente, 700 mil pessoas morreram, muitos amig@s e pessoas queridas de cada um de nós. Somos pessoas de sorte! Eu sou uma pessoa de sorte, como diz a música I'm Lucky Man, da banda The Verve. Eu sempre registro isso, porque entendo que é uma realidade.

A minha condição física após a pandemia regrediu bastante. Percebi isso.

Neste ano, tentando retomar um pouco do condicionamento físico, pensando na saúde e na qualidade de vida, voltei a praticar algum tipo de atividade física. A corrida de rua é o meu esporte favorito. Apesar de saber que tenho desgaste na estrutura do quadril, decidi retomar a caminhada e a corrida em trote leve.

Fiz um treinamento intensivo de caminhadas antes de agosto para fazer uma romaria de cerca de 80 Km (ver aqui), romaria que não fazia também desde 2019. Deu tudo certo e acabei me animando no final de setembro para voltar à São Silvestre.

Assim que me inscrevi no início de outubro, vi que a coisa seria mais complicada para mim. Fiz um planejamento para treinar nos três meses até a prova no dia 31 de dezembro e na segunda corrida do treino (8/out) senti uma contusão. Fiquei arrasado... andar 80 Km sim, correr 15 Km, não!

Repensei tudo ainda em outubro. Passei semanas me recuperando e sem poder correr. Pedalei um pouco, fiz um pouco de musculação e andei, andei, andei. Decidi que precisaria diminuir meu peso para ficar mais leve para minha estrutura física. Cortei algumas coisas que sempre comi, o pastel da feira, carnes muito gordurosas, o pãozinho, diminuí o arroz, doces e chocolates etc.

Quando voltei a correr meus trotes no meio do mês de novembro, aí foi que vi que o buraco era mais embaixo... que dificuldade da porra pra correr pequenas distâncias. Não era só a estrutura musculoesquelética que estava ruim, a cardiorrespiratória também. Ferrou geral!

Meio que desistindo sem desistir, corri três vezes em novembro, distâncias bem pequenas, só para avaliar batimento cardíaco, energia corporal, músculos e tendões das pernas etc. E segui andando bastante e emagrecendo um pouco. Corri mais duas vezes na primeira quinzena de dezembro. Diminuí 3 Kg no peso. E assim fui para o Natal com a família em Uberlândia. Já não pensava mais correr a São Silvestre neste ano.

Pq. do Sabiá, o paraíso.


Aí, em Uberlândia, tudo mudou entre os dias 22 e 26 de dezembro. Sou apaixonado pelo Parque do Sabiá! Quem não conhece precisa conhecer um dia aquele lugar. Pista de 5K, banheiros limpos em diversos pontos, água gelada, natureza impecável. Sério, acho que se eu morasse lá, até uma maratona eu ainda correria, mesmo fodido do quadril.

No feriado do Natal, decidi ir para lá nos dias 22, 24 e 26. Queria ficar algumas horas lá. Além da questão mental que se cura lá, tem a pista pra correr e caminhar.

No dia 22, me concentrei e decidi correr um pouco. A ideia era ver se corria 5K e sentir minha energia. Corri a volta e andei mais uma. Terminei relativamente bem. Mas pensei nos 15 Km e decidi não correr a São Silvestre. Foi o dia que joguei a toalha (citação acima).

Aí no dia 24, fui pro Sabiá pensando em outra estratégia de treinamento e para encontrar minha energia vital perdida. Amig@s, corri 9 Km acompanhando a pulsação e andando alguns metros sempre que estava alta, para voltar ao aceitável. Fiquei tão admirado que pensei que se tivesse mais algumas semanas, eu correria os 15K da São Silvestre.

No dia 26, antes de ir embora, acordei bem cedo, tomei um café, e fui para o Parque do Sabiá me despedir daquele paraíso. Meio pesado do café, andei rápido o 1º Km sem trotar. Depois mergulhei no trote, chuva leve, silêncio e pouca gente naquela manhã. Completei os 10K de boa. A alegria que senti internamente, só quem corre pode entender...

Chegando em São Paulo, fui retirar o Kit da prova no dia 29. Aquele clima das pessoas na maior expectativa me deu uma comichão incrível! Fiquei daquela hora em diante pensando se iria ou não para a Paulista pelo menos para correr um pouco e parar caso achasse que estava sem energia para a prova toda.

Av. São João. BB, Banespa e
Martinelli. Parte de minha vida
está ali para sempre.


Amig@s, fiz minha corrida concentrado, tranquilo, andei um pouquinho quando precisou. Curti o percurso e a festa como todo mundo curtiu. O centro de São Paulo é lindo!!!

Subi a Brigadeiro correndo a maior parte do trajeto. Cheguei com tanto arrepio e emoção no corpo que repito o que disso no início. Desejaria que todas as pessoas do mundo sentissem o quanto é gostosa a sensação que os corredores e corredoras têm quando terminam uma prova... É de encher os olhos... de alegria, não de tristeza.

É isso! Depois de uma superação dessas, a gente termina o ano sonhando até em correr provas maiores em 2024, do jeitinho que a gente pode.

Feliz Ano Novo a todas, todos e todes! A gente pode muita coisa, basta acreditar e perseverar!

William


quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Diário e reflexões


Corrida de 10K no Pq. do Sabiá.

Refeição Cultural

Osasco, 27 de dezembro de 2023. Quarta-feira.


98ª São Silvestre e saúde

Depois de alguns anos sem participar da corrida de São Silvestre, neste ano acabei me inscrevendo para a prova de 15 Km que acontece no último dia do ano em São Paulo. 

Foi um repente que tive após conseguir realizar minha caminhada de 80 Km lá em Minas Gerais, em agosto. Apesar da minha condição física ruim, imaginei que conseguiria me preparar para o percurso da corrida em três meses.

O fato concreto é que não deu certo adquirir o condicionamento físico para percorrer um percurso de 15 Km em trote leve, ou seja, correndo. 

Logo que iniciei a preparação em outubro, senti uma contusão na parte inferior da perna direita. Precisei ficar algumas semanas sem correr. Vi que meu sistema músculo-esquelético estava muito aquém da condição exigida para 15 Km.

Avaliei que teria que pensar uma estratégia diferente da que havia planejado: fazer umas oito corridas por mês, aumentando minha resistência paulatinamente até o dia 31 de dezembro. 

Tudo está diferente em meu corpo, essa realidade eu já sabia. Minha energia interna não é mais a mesma, tenho desgaste na estrutura do quadril, estar acima do peso também era fator prejudicial etc.

Decidi começar a andar bastante e forte durante os meses de outubro e novembro e perder um pouco de peso. Andei pra caramba! E consegui diminuir uns 3 Kg comendo menos e estando mais atento ao que comia e bebia. O pastel da feira, os dois pedaços de pizza, os pãezinhos e a quantidade de arroz, o chopp, tudo foi cortado ou diminuído.

E mantive uma série de exercícios de musculação para não perder a pouca massa magra que sobrou em mim. Fiz tudo sem exageros. Na questão da saúde não sou radical como sou nos princípios políticos. Aliás, pensando bem, sou firme nos princípios e flexível nas táticas, como se deve ser na política.

Ao voltar aos trotes, agora controlando frequência cardíaca, percebi a falta de condicionamento físico por ver minha pulsação ir às nuvens num trote lento que consideraria normal (coração vai a 180/185). Ou seja, tenho um longo caminho pela frente para correr quilômetros com uma frequência cardíaca confortável: no meu caso, seria mais ou menos entre 155 e 170 batidas por minuto.

Enfim, avaliando tudo isso, percebi que não teria como participar da São Silvestre neste ano. Avaliei não ter energia interna para correr 15 Km. Pensei comigo que a vida é assim mesmo. 

Evidente que vou lá buscar minha camiseta da prova porque os caras cobram caro pra caralho a participação formal na prova. Foram 240 reais! 240 reais! 

Na última vez que participei da prova em 2019, nem água suficiente tinha no percurso. Era desesperador ver aquela multidão com sede em um dos dias de mais de 30º de calor no verão brasileiro.

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Parque do Sabiá, Uberlândia, MG.

A MAGIA DO PARQUE DO SABIÁ 

Ao passar o Natal com familiares em Uberlândia (MG), fui para o Parque do Sabiá, dia sim, dia não. Sou apaixonado por aquele parque.

No dia 22, fui para correr um pouco e andar um pouco, sentir o parque, o cheiro da vegetação, o canto dos pássaros, o clima daquele lugar. Devagar, fiz meu trote de 5 Km. Eu já não corria essa distância fazia meses... corri a distância em 36' e continuei caminhando para descansar e sentir minha energia. Andei quase o mesmo percurso. Foram 93' em 9,34 Km. Percebi que não teria mesmo como correr a São Silvestre.

No dia 24, fui para testar minha energia e uma estratégia que imaginei: correr observando a frequência cardíaca para não me colocar em risco. Sempre que chegasse aos 180 eu andaria um pouco até voltar aos 160 e então voltaria ao trote. Vocês não imaginam a felicidade ao voltar a correr 9 Km em 68'35"... Foi incrível. Terminei com a energia controlada, cansaço razoável e sem fadiga alguma. Pensei comigo que se eu tivesse mais alguns dias como aquele, eu poderia até correr a São Silvestre.

No dia 26, mesmo sendo um pouco arriscado porque 48h não é o suficiente para descansar da carga que havia feito em 22 e 24, voltei para o parque para me despedir. Acordei bem cedo, tomei café no hotel e fui com chuva mesmo para o Sabiá.

Amig@s, com uma concentração enorme em mim mesmo, com chuvinha leve, iniciei meu trote quase caminhando o 1º Km - o peso do café da manhã rsrs - e fui para a intensidade do trote normal em seguida e, parando um pouquinho quando a pulsação estava no limite, tive energia para correr os 10 Km em 81' e terminei bem, sem fadiga e ainda viajei o dia todo sem sentir o corpo cansado. 

Foi incrível reencontrar um pouco da energia que sempre tive para atividades físicas. Mais algumas semanas nesta sequência que fiz e eu conseguiria retomar as corridas de fundo como a São Silvestre.

Pois é, vamos retirar o Kit da São Silvestre que eu quase corri...

William


sábado, 23 de dezembro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Uberlândia, 23 de dezembro de 2023. Dia frágil. Intolerâncias no ar...


O Parque do Sabiá é um refúgio. Pássaros tentam a sorte por lá. Peixes também. Ontem, vi um casal de seriemas perambulando pela grama. Seriemas nunca tinha visto por lá... deslumbramento! Teiús tentam a sorte. Também vi ontem três curicacas, falei oi pra elas. Estava de passagem correndo. Os pássaros-preto cantavam seus cantos de natureza. 

O Sabiá é um refúgio. A vontade é de passar horas por lá. Andar, quedar, andar, quedar, ouvir a natureza, sentir a solidão que habita o meu coração. O mundo está se transformando num lugar inóspito à vida, pelo menos à vida social. Onde há duas unidades da mesma espécie animal, a homo sapiens, há chances de rupturas, rusgas, intolerâncias. Nos tornamos seres intolerantes e intoleráveis.

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Os pais que vivem juntos há mais de meio século não se toleram mais. Pais e filhos não têm mais paciência uns com os outros. Amigos, colegas, companheiros, conhecidos, familiares... ninguém resiste a uma desavença. Tudo se resolve no grito, na expressão rude, na ruptura (cancela, bloqueia). O perdão é uma palavra que se não morta, está à beira da morte, sozinha numa cama de hospital entre lençóis brancos... até o perdão é uma palavra morrendo sozinha.

Um mundo de surdos, mesmo quando os ouvidos funcionam anatomicamente. Um mundo de cegos mesmo quando enxergam o que lhes convêm. Um mundo mudo porque todo mundo fala fala fala e ninguém se entende. A Babel da narrativa bíblica se realizou! Onde há dois, há desentendimento... uma incomunicabilidade nauseante na espécie humana. Que solidão dolorosa, que aperta o peito, que faz cachoeira nos olhos.

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É Natal no mundo ocidental. Natal... que Natal é esse no mundo humano? Natal das bombas matando os filhos de Deus na Palestina? Natal da miséria e abandono dos miseráveis na Argentina do governo eleito pelos miseráveis para trazer miséria com uma verve que convence até miseráveis que a melhor coisa é mais miséria, com muita encenação e grito e pose e retórica e algoritmo conspirando pela ampliação da mentira e da ignorância geral nas nações... Natal! Nasceu o menino Jesus numa favela e dessa vez vai ser foda sobreviver até a fase adulta.

É Natal no Brasil. Enquanto o cristão Lula se esforça para cumprir os compromissos que assumiu com o povo brasileiro cansado de tanta maldade, perversidade, miséria e destruição na longa noite que durou de 17 de abril de 2016 até 31 de dezembro de 2022, os caras da casa-grande e seus procuradores no parlamento se apropriam do orçamento público deixando claro para o Lula que não haverá recursos públicos suficientes para cumprir o que ele gostaria para saciar a fome do povo, gerar empregos e renda para os pobres e trabalhadores e fazer o país caminhar para o amanhã com um pouco mais de paz. Não haverá paz. Os tempos são de ódio e guerra e miséria. Natal...

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Daqui alguns dias teremos no Brasil mais uma edição da tradicional Corrida de São Silvestre. Queria correr a prova. Não dou conta. A natureza e a realidade são implacáveis com os seres naturais. Fui para o Sabiá conversar com o meu corpo. Corri, andei, senti minhas energias. Para me arriscar numa empreitada que exigisse a quantidade de energia que o percurso da prova exige, teria que ser algo cuja finalidade fosse um feito grandioso, que valesse para a coletividade, ou para um coração apertado; gastaria toda essa energia para salvar uma vida, para lutar contra uma injustiça, para mudar o mundo, para fazer uma pessoa feliz.

Não vale a pena me arriscar a gastar mais energia do que sinto que tenho neste momento só para uma birra pessoal. Por incrível que pareça, tenho consciência a respeito da liberdade e da responsabilidade que é só minha e de mais ninguém. Ainda tenho que me manter vivo porque ainda tenho coisas pra fazer, tenho pessoas que dependem de mim. Por mais que o mundo hoje seja o império da arrogância e da ilusão da autossuficiência, vivo ainda tenho alguma coisa por fazer por alguém.

Não vou correr a São Silvestre.

Natal! Natais...

William


quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Diário e reflexões - Novembro



Refeição Cultural - Novembro

Tamandaré (PE), 30 de novembro de 2023. Quinta-feira. Praia dos Carneiros.


"Gosto de ser homem, de ser gente, porque não está dado como certo, inequívoco, irrevogável que sou ou serei decente, que testemunharei sempre gestos puros, que sou e que serei justo, que respeitarei os outros, que não mentirei escondendo o seu valor porque a inveja de sua presença no mundo me incomoda e me enraivece. Gosto de ser homem, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida. Que o meu “destino” não é um dado, mas algo que precisa ser feito e de cuja responsabilidade não posso me eximir. Gosto de ser gente porque a história em que me faço com os outros e de cuja feitura tomo parte é um tempo de possibilidades, e não de determinismo. Daí que insista tanto na problematização do futuro e recuse sua inexorabilidade." (from "Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa" by Paulo Freire) 

Post Scriptum: inseri esse pensamento de Paulo Freire depois da publicação do texto (em 01/12/23, às 8h53). É que o conceito se encaixou perfeitamente no sentido do que estou refletindo.


INTRODUÇÃO

Mais um mês do ano se encerra hoje. Sobrevivi mais um mês num mundo que caminha rapidamente para se tornar um lugar de difícil sobrevivência para milhões de espécies, para milhões de seres humanos. Provavelmente, sobrevivi por diversos privilégios que tenho em relação a milhões de pessoas expostas a mais riscos do que eu. Viver é muito perigoso, já dizia Riobaldo Tatarana.

A cor da minha pele infelizmente é fator de privilégio em um dos países mais racistas do mundo. Por minha pele ser branca, estou menos exposto ao risco de as forças repressivas do Estado abusarem de mim só por me verem andando pelas ruas como qualquer cidadão. Se minha pele fosse preta ou parda, maior seria o risco de ser humilhado por alguns brucutus fardados me dando uma geral, talvez batendo na minha cara, até me agredindo e inventando posse de coisas que não estavam comigo. Minha cor é um privilégio no Brasil.

Passei o mês sem ter um acidente comum aos humanos do mundo onde vivo. No Brasil e no mundo, grande parte da população está acumulando fatores de risco de morte ou adoecimento sério por causa dos hábitos alimentares e de vida e por dificuldades em se obter informação e acesso a uma boa alimentação e a uma boa condição de vida. Não tive nenhum acidente vascular cerebral, não tive um infarto do miocárdio, mas sigo acumulando riscos para ter um treco desses qualquer dia. Estou tentando diminuir o peso, a circunferência do abdômen e readquirir um pouco de massa muscular. Cara, nunca pensei no passado que seria tão difícil fazer isso após meio século de vida.

Minha família sentiu a tristeza da perda de nosso tio Léo, que lutou bravamente para sobreviver um bom tempo ao lado da família e amigos após o diagnóstico da doença degenerativa. 

Quando penso na vida e na morte, reflito a respeito de minha própria vida e da consciência que tenho a respeito da fragilidade do viver, sendo eu um materialista como sou. Todos os dias busco um sentido para o esforço de viver. A resposta sempre brota de minha responsabilidade como uma pessoa estudada e menos ignorante que a média, apesar de saber que não sei nada. Viver é uma oportunidade de fazer algo pela coletividade humana, pela natureza, e até por si mesmo. Sigamos lutando pela vida e por um mundo mais justo para todes.

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O BRASIL E O MUNDO EM COLAPSO CIVILIZACIONAL

Estamos fechando o penúltimo mês do ano de 2023, o ano no qual pensamos acordar do pesadelo da longa noite de terror iniciada naquele domingo 17 de abril de 2016. Aquele ano duraria muitos anos. Vivenciamos as consequências nefastas do golpe de 2016, ano após ano, com os desgovernos de Temer e Bolsonaro. 

Aliás, esse animal que vociferou elogios ao torturador de Dilma Rousseff não saiu preso daquela sessão, virou líder popular da extrema-direita e presidente do país. Bolsonaro aglutinou milhões de pessoas que reúnem o que há de pior no ser humano. E mesmo sendo Lula o adversário desse monstro, ele obteve 49% dos votos dos brasileiros em outubro de 2022. Dizem que esse poder aglutinador arrefeceu... eu discordo dessa leitura.

REVOLUÇÃO BRASILEIRA - Aqueles regimes golpistas (2016-2022) realizaram uma revolução reacionária no Brasil. Tenho uma leitura que o meu campo político não se deu conta de que houve uma revolução no país. Talvez por isso a esquerda, o governo Lula e os movimentos sociais continuem fazendo as mesmas coisas e sonhando com resultados diferentes. Não entenderam que houve uma revolução e só uma nova revolução pode alterar os efeitos da revolução anterior.

O FUTURO SERÁ PIOR - Por causa das consequências da atual fase do capitalismo, que mudou as perspectivas de sobrevivência no mundo para humanos e demais espécies, quem consegue capturar melhor a frustração das massas miseráveis acaba se aproveitando disso. Quem prega a mudança, não importa para onde porque as pessoas estão cada vez mais ignorantes de mundo, quem prega palavras de ordem contra o "sistema" (mesmo sendo o sistema) ganha a adesão das massas. Bolsonaristas, aquele sujeito da Argentina, o bilionário Trump, outros bilionários, estão fazendo a festa nos processos eleitorais. Enquanto isso, a esquerda quer seguir buscando conciliar, ser limpinha e cheirosinha... Quer fazer "reformas" no capitalismo... quer entregar ao "mercado" (o sistema) o que é do povo miserável... Fala sério! Aonde vamos com isso? (pro buraco)

O governo Lula buscou nesses onze meses consertar ou refazer diversas políticas sociais em áreas nevrálgicas da vida do povo brasileiro não proprietário das riquezas do país, concentradas nas mãos de umas poucas famílias de brancos e gringos, gente que nem aqui vive, só explora e destrói nosso país.

Lula devolveu um mínimo de dignidade ao povo ao destinar verbas públicas para a educação, para as políticas sociais, para a saúde, para o enfrentamento à destruição dos biomas, e para construir uma política de geração de empregos e renda. O foco absoluto do 3º governo Lula é melhorar a vida do povo não proprietário de tudo, como são as castas da eterna casa-grande. O Brasil nunca deixou de ser uma terra de capitanias hereditárias, de privilégios para poucos e nada para quase 99% do povo.

Mesmo assim, as tais pesquisas de popularidade do governo apontam que a aprovação de Lula e de seu governo estão baixas, muito aquém do que imaginaríamos após a tragédia que vivemos com Temer e Bolsonaro. 

As hostes raivosas, violentas e animalescas de bolsonaristas não estão para conciliação. Acabaram os tempos de conciliação. Aquelas poucas famílias bilionárias das capitanias hereditárias e das casas-grandes, chamadas hoje de "mercado" e "Faria Lima" e os latifundiários do "agro pop", estão associadas às hostes bolsonaristas. A política formal, a formal!, hoje é dominada por esse segmento que estando nos espaços da política não quer política, quer a guerra. 

Não há chances de convivência pacífica com a extrema-direita e com os ricos. Não há! O presidente Lula não consegue mais ser o Lula num mundo de gentes bolsonaristas. Não há respeito mínimo como havia entre direita e esquerda, liberais e conservadores, e nomenclaturas do tipo pós 2ª Guerra Mundial. Isso acabou! Houve uma revolução no Brasil e a esquerda tem que entender isso.

"LULA LADRÃO" - Enquanto a esquerda discute cargos e espaços de poder na estrutura formal do Estado porque Lula venceu Bolsonaro pela diferença de 1%, a conversa aberta ou fechada no cotidiano das gentes é a mesma conversa disseminada por quem tem mais poder de disseminar ideias, não importa se verdadeiras ou falsas, é o que chamamos de pós-verdade, quem tem mais capacidade de comunicação cria a "realidade". Se já não bastassem as centrais de disparos de milhões de fake news via redes sociais, temos as mentiras sendo produzidas diariamente pela imprensa golpista como, por exemplo, a Globo na cobertura da guerra na Palestina e o Estadão sobre o governo Lula. E com isso, nas ideias populares, a percepção dos comuns é a imagem de que Lula é ladrão. É triste, mas é a realidade. 

Pessoas como nós, o povão que trabalha e que dá duro para sobreviver, sejam aquelas pessoas em condições miseráveis, sejam aquelas pessoas situadas nas chamadas classes médias, que têm recursos para sobreviver, quando você menos espera, numa conversa informal, ou ouvindo numa mesa ao lado da sua, arrotam suas crenças e ideias sobre Lula e sobre nós que não somos do grupo apoiador da direita e do conservadorismo. O neurocientista Miguel Nicolelis chama de vírus informacional essas ideias que aglutinam milhares e milhões de cérebros humanos num mesmo sentido de percepção de mundo, uma brainet.

Ontem, na mesa do restaurante na pousada onde estamos, ficamos ouvindo três senhoras falando sobre Lula e Bolsonaro, é uma conversa tão distópica, tão sem pé nem cabeça que a gente nem quer acreditar. Lula é ladrão, o comunismo... ainda é melhor alguém que defende deus pátria e família que a miséria que Lula significa... É o que temos na realidade. E olha que elas disseram que só indo para as ruas para enfrentar esse fantasma do comunismo... as tias do zap é que vão para as ruas hoje!

Outro dia, papo vai papo vem com um conhecido de longa data - que vende churros -, ele me solta que o mundo é foda e o Brasil tá foda por causa da política... "não tiraram o Lula da cadeia pra voltar a merda de antes!"... Eu nem imaginava que ele pensava assim. E o rapaz que se hospedou em casa e que não aguentou nosso comentário na sala sobre uma matéria que falava de uma absolvição de Lula e correu da cozinha para dizer que era um absurdo isso, porque Lula era ladrão. Não adiantou argumentos civilizados, provas etc. Lula é ladrão porque é ladrão. Ele e sua família acredita nisso e pronto.

Enfim, se observo racionalmente os objetivos, estratégias e táticas do campo ao qual dediquei a minha vida, percebo que meus conhecidos estão se esforçando da forma deles em conseguir algum avanço para as classes populares, mas é claro e notório que o efeito de se fecharem em bolhas de concordância e subserviência de amigos e pessoas que só dizem amém e elogios à hierarquia pode não ser a forma ideal de mudar alguma coisa de fato e de forma duradoura para a classe a qual nós pertencemos e deveríamos politizar, as classes trabalhadoras. 

Os cancelamentos no nosso campo, até entre amigos, além da questão do antigo companheirismo das lutas, é algo trágico, até ridículo. O ano vai terminando e eu não fui chamado sequer para dar um depoimento elogioso na comemoração dos 100 anos do Sindicato ao qual ajudei a fortalecer por mais de 30 anos... isso é algo tão pequeno... até comentar isso é ridículo. No entanto, isso dói porque a disputa pelo futuro da humanidade está muito séria e essas bobagens pautam o dia a dia das organizações principais da classe trabalhadora brasileira. Picuinha interna.

Vida que segue, como diz o Kotscho.

Post Scriptum: é imperativo registrar o genocídio do povo palestino pelo Estado de Israel. O mês de novembro foi um mês de massacre e expulsão do povo palestino da terra onde eles viviam: a Palestina. O governo sionista de Netanyahu é um regime racista e de extrema-direita. Ser antissionista não tem relação alguma com a confusão que os sionistas fazem tentando chamar de antissemitas quem é contra o grupo político no poder em Israel.

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CULTURA E BUSCA POR CONHECIMENTO

Para finalizar esse breve registro sobre o mês que passou, anoto para rememorar no futuro alguns atos e fatos pessoais deste blogueiro, que lê, reflete e escreve sobre as coisas.

Em relação à saúde e condicionamento físico, e ao projeto de participar da Corrida de São Silvestre deste ano, percebi que dificilmente realizarei o objetivo traçado. Estou muito mal e não acredito que possa correr em trote 15 Km no último dia do ano. Triste isso, mas uma pessoa consciente precisa avaliar a realidade, gostando ou não dela.

Terminei neste mês a leitura de mais alguns livros. Com o livro do Carlindo Oliveira (ver aqui), completei 30 livros lidos até agora. Acho difícil ler mais 6 e chegar ao que projetei. Estou lendo alguns livros ainda. Um do colega do BB, Arnaldo Onça, e um de Paulo Freire. Esses devo acabar a leitura. O que importa é que cada leitura na atualidade tem sido percebida de forma muito mais consciente que antes.

EDIÇÃO DE LIVROS - Estou produzindo um livro para publicação em breve. É um livro de memórias das lutas sindicais. Outro que estou editando também é sobre o trabalho que realizamos na Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, a Cassi. É um livro que resgata o balanço do que realizamos na área da saúde. Por mais que sejam tempos difíceis no mundo humano e das relações sociais na política, os relatos nesses livros resgatam uma época, um fazer político e sindical, e as contribuições daquele sujeito histórico foram reais para a nossa coletividade enquanto classe. Vamos ver o que vai dar.

Acho que é isso. Paro o registro por aqui. Já escrevi bastante para falar dos fatos e sentimentos neste mês de novembro.

William Mendes


Post Scriptum - Para ler sobre a postagem anterior desta série, é só clicar aqui.


terça-feira, 31 de outubro de 2023

Diário e reflexões - Outubro



Refeição Cultural - Outubro

Osasco, 31 de outubro de 2023. Terça-feira.


Opinião


INTRODUÇÃO

Nada no horizonte indica a interrupção das guerras e uma pausa na destruição da natureza. As relações humanas utilitárias seguem destruindo o que nos constituía como os tais seres sociais humanos. Temos que mudar essa realidade. 


Este mês de outubro foi um mês de bad, de um forte banzo apertando o peito. Eu não me lembro nos estudos de história da civilização humana de um Estado mandar assassinar crianças em massa, milhares de crianças, como o Estado de Israel vem fazendo desde o início da guerra na Palestina. Pelo menos de forma pública e aberta como estão sendo assassinadas as crianças palestinas.

Estamos assistindo ao assassinato de crianças, mulheres, idosos e civis por um Estado, na maior cara de pau e tudo ao vivo e à cores. Israel tem um governo sionista de extrema-direita. Tudo indica que Israel quer se apropriar totalmente das terras palestinas da Faixa de Gaza e da Cisjordânia expulsando milhões de palestinos que já ocupavam o território antes de 1947. E o império decadente norte-americano foi lá para apertar as mãos do genocida e dizer que apoia incondicionalmente o extermínio da população civil.

Sim, temos outros assassinatos em massa de crianças na história e nas tradições culturais. É de conhecimento da história o Estado da Alemanha mandar assassinar crianças judias durante o governo nazista de Adolf Hitler (1933-45). Também é conhecida a história bíblica, nos relatos de Mateus, sobre o assassinato de bebês pelo rei da Judeia Herodes, o Grande. Ao se sentir enganado pelos Reis Magos, que não disseram a ele quem era o recém-nascido que seria "Rei dos Judeus", Herodes mandou matar todos os meninos com até dois anos de idade em Belém e região.

Enfim, nosso mês de outubro tem sido assim... dezenas de pessoas no mundo mortas diariamente, centenas e milhares, crianças e pessoas indefesas sendo trucidadas por bombas por ordem de alguns homens brancos donos do poder. Difícil alguém consciente sentir uma felicidade pessoal plena como ser humano... o mundo humano tá uma merda!

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EMERGÊNCIA CLIMÁTICA (O CAPITALISMO CONSUMINDO O MUNDO)

A Amazônia enfrenta uma seca violenta neste momento. Rios seculares e caudalosos estão praticamente secos. Incêndios consomem biomas importantes. As camadas de gelo derretem onde elas existem há milhares de anos. A temperatura do planeta Terra aquece perigosamente. Bilhões de seres humanos estão sob risco de morte por absoluta falta de condições de sobrevivência. Estamos presenciando uma extinção em massa de seres vivos na Terra. E o sistema responsável por isso, que consome o planeta em benefício de alguns milhares de homens e suas famílias e agregados não é sequer citado pelas esquerdas e pelos povos do mundo como o responsável por tudo isso. Não se aponta o culpado e não se muda a rota do fim... o capitalismo é o monstro mais poderoso que já apareceu no planeta Terra. Não há conciliação nem reforma no capitalismo que impeça o fim da Terra e, no entanto, vai falar isso com a "esquerda" que você conhece... vai falar de socialismo...

Sem perspectivas de mudança à vista...

Mas não podemos desistir de mudar pessoas e mudar a rota do mundo para o fim.

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IMPACIÊNCIA COM O DESPREZO E A INGRATIDÃO

Em meio a tudo isso que descrevi acima, o mundo no qual vivemos, estou menos resiliente em relação ao desprezo pelo qual todas as pessoas acabam passando em determinados momentos de suas vidas. A forma utilitarista pela qual as relações humanas passaram a se balizar na sociedade me incomoda, me enoja, e até sei que temos que continuar fazendo cara de paisagem ao sermos desprezados, mas o incômodo começa a exigir de mim mudanças para que eu continue a caminhada por esse mundo mundo vasto mundo drummondiano.

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SÃO SILVESTRE, SAÚDE E CONDICIONAMENTO FÍSICO

No início de outubro, decidi me inscrever e correr na 98ª edição da Corrida de São Silvestre (comentário aqui). Ao finalizar o primeiro dos três meses de treinamento, percebi que a realização deste objetivo será mais complicada do que imaginei.

Desenhei uma estratégia de fazer oito treinos de corrida em cada um dos três meses. Deu errado! Já na segunda corrida, dia 8 de outubro, senti uma lesão na parte posterior da perna direita. Foi uma tristeza geral, fiquei bem decepcionado comigo mesmo.

Fechando o mês, analisei a situação, avaliei a mim mesmo, e redefini a estratégia de treinamento possível para atingir um condicionamento físico que me permita percorrer em trote leve os 15 Km da prova no dia 31 de dezembro.

Tenho que diminuir um pouco meu peso porque minha estrutura óssea e muscular do aparelho locomotor não é mais a mesma. A tarefa é difícil porque tenho um peso estável há décadas. Teria que emagrecer uns 3 Kg que adquiri nos últimos anos. Vou fazer um esforço para isso. 

Está difícil lutar contra minha genética (natureza). Tenho que diminuir o volume do abdômen (98 cm) e reduzir meus 76,2 Kg. Preciso mudar minha alimentação, meus horários cotidianos e rotinas. Meus hábitos são muito ruins, durmo tarde, durmo pouco e os horários das refeições são pouco usuais.

Vou estabelecer uma rotina de caminhadas contra o relógio, diminuir o tempo dos quilômetros na caminhada. Isso vai melhorar meu condicionamento cardiorrespiratório e vai me fazer queimar calorias. E vou manter um pouco de musculação para a região do tronco (core) e pernas. Estou saindo de 13' o Km para 10' e isso dá uma diferença grande na caminhada.

Até dezembro, calculo correr umas 12 vezes, ao invés das 24 vezes que havia pensado para os três meses, mais ou menos a metade das corridas, do final do mês de novembro até perto da prova. Vou tentar nadar uma vez por semana também para melhorar o condicionamento físico geral.

Vamos ver o que rola nesta nova estratégia.

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LEITURAS E DEMAIS EXPERIÊNCIAS CULTURAIS

As leituras de livros estão mais lentas em relação ao primeiro semestre deste ano. Eu havia previsto isso.

Já finalizei neste ano a leitura de 28 livros, e não considero isso pouca coisa. Li livros difíceis, densos, que mudam a visão de seus leitores. Quando penso nas leituras políticas que fiz, compreendo por que estou tão modificado em relação ao que avalio que era tempos atrás.

Terminei a leitura de Abdias Nascimento (comentário aqui) e li uma obra sobre Luiz Gama (comentário aqui). Se somar os conhecimentos dessas leituras ao que aprendo com o intelectual Jessé Souza (ler aqui), fica claro por que não consigo mais manter certa inocência que até nós do movimento sindical tínhamos no desempenho de nossos papéis de organizadores e representantes de classe.

Francamente, ao conhecer a história do povo afrodescendente sequestrado e escravizado no Brasil e nas Américas por séculos, ao conhecer as artimanhas dos brancos da casa-grande brasileira ainda hoje, é impossível continuar acreditando de forma quase pueril na conciliação de classes que meu querido presidente Lula acredita, um pacifista que sempre foi uma referência para mim. 

E, no entanto, não temos correlação de forças para mudar o status quo pela força... foda isso! Nossos inimigos de classe detêm todas as formas de violência estatal e privada.

E o livro da jornalista, escritora e documentarista Eliane Brum (comentário aqui)? Impossível não sentir o banzo que havia aprendido com a leitura de nossa querida Conceição Evaristo (comentário aqui). Banzeiro òkòtó é uma catarse só, nos modifica a cada capítulo do livro-denúncia, do livro-diário, do livro-chamamento para salvar o mundo. O desejo de mudança que falo na introdução fica patente ao ler cada página de Brum. Algo tem que mudar, tem que ser feito!

Enfim, tenho lido obras que gostaria que todas as pessoas deste país lessem, livros que fossem lidos pelas lideranças do movimento dos trabalhadores, lidos pela esquerda e pelos progressistas. Lidos pelas pessoas comuns, pela classe trabalhadora... 

Infelizmente, a imensa maioria só faz trabalhar ininterruptamente de manhã, tarde e noite em trabalhos precários para comer e morar e comprar os itens básicos do viver. Como um motoboy iria ler se trabalha umas 18 horas por dia?

Cada leitura e cada nova tomada de consciência me obriga a ficar vivo! Me obriga a seguir porque é uma ética e uma responsabilidade seguir vivendo e contribuindo de alguma forma para salvar a humanidade e o planeta Terra e até a mim mesmo, um ser vivo. 

Cada dia de estudo me obriga a amar as pessoas, a ser solidário e querer que a vida seja melhor para todas e todos. Me dá consciência e obrigação moral de ser contra a continuidade do capitalismo! Como pode não ser mais o horizonte de lutas da esquerda o fim do capitalismo e a luta pelo socialismo?

Sobre leituras e cultura é isso.

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CONCLUO

Sempre se tem o que dizer sobre mais coisas relevantes do mundo. O Brasil, por exemplo, muito se poderia dizer sobre ele. 

A postagem, no entanto, fica por aqui, já está de bom tamanho para quando olhar para trás, num futuro incerto, aquele outubro de 2023.

Sobre a política, só registro minha tristeza pela entrega da direção da Caixa Econômica Federal aos corruptos do Congresso. Por duas décadas, só havia visto nossa empresa pública nas mãos da direita - parceira da "governabilidade" dos governos do PT - durante os governos dos golpistas, entre 2016 e 2022.

Lula faz o que pode, eu sei. Nós não temos apoio na sociedade para quase nada. A esquerda não tem neste momento capacidade de conquistar maioria neste lugar do mundo, um dos países de formação mais violenta no mundo, racista, misógino, xenófobo e com uma elite branca que odeia a classe trabalhadora e o próprio país.

Viver é uma necessidade! Sigamos!

William


terça-feira, 3 de outubro de 2023

Diário e reflexões



Refeição Cultural

Osasco, 3 de outubro de 2023. Terça-feira, fim de noite.


Primeiro registro do mês de outubro. Sobre o que poderia escrever e refletir aqui no blog?

SÃO SILVESTRE

Me inscrevi para participar da 98ª Corrida de São Silvestre. Faltam três meses para a prova de 15 Km. Faz alguns anos que não corro a mais tradicional corrida brasileira. 

Depois de dez participações, a inscrição neste ano foi uma ideia que tive para desafiar a mim mesmo depois de conseguir fazer a romaria de quase 80 Km em agosto (ler aqui). Só que a corrida de 15 Km vai ser bem mais difícil que a caminhada da romaria.

Não estou com condicionamento físico adequado para a prova neste momento. Tenho corrido poucas vezes por mês e os percursos são pequenos, de até 5 Km.

Além disso, minha resistência física está ruim. Este mês de outubro será importante para avaliar se meu corpo está em condições de se adaptar para correr 15 Km ou não. 

Minha ideia é correr umas 8 vezes em cada um dos meses de adaptação. O normal é que ocorra uma melhora de condicionamento físico ao treinar, se alimentar e descansar adequadamente. Se isso não ocorrer, algo não vai bem comigo.

Eu não estou velho em termos de idade, mas minha vitalidade mudou nos últimos anos. A natureza segue seu percurso, mudanças diárias.

Hoje corri 4,5 Km em 33' com dia quente e percebi que o treinamento será duro para sair da condição atual para a condição ideal para mim até 31 de dezembro. 

Tenho que intercalar uma corrida rápida e uma de resistência semanal com atividade de reforço muscular nas pernas e na estrutura do tronco. E tenho aquele desgaste infeliz no quadril, que me traz dor e limitações.

Vamos ver o que eu arranjo nas próximas semanas... vamos ver onde meus pés me levam...

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CONDICIONAMENTO MENTAL

Além de estabelecer um objetivo esportivo para me disciplinar a ter uma rotina de treinamento para melhorar meu condicionamento físico até o fim do ano, também decidi desenvolver meu cérebro e ver se ainda é possível melhorar meu condicionamento mental.

Sendo assim, decidi estudar por conta própria algumas matérias que exigirão de mim melhora na capacidade de memória e criatividade.

LÍNGUA ITALIANA

Estou estudando um idioma novo, o italiano. Vamos ver se aprendo as quatro habilidades: ler, escrever, falar e ouvir a língua italiana. Trouxe um livro de literatura da Itália, quando estive lá em 2009. 

Se aprender a língua, pretendo visitar a Itália de novo e desta vez quero me comunicar normalmente por lá, como faço quando vou a um país de língua castelhana.

E pretendo ler meu romance I Malavoglia, de Giovanni Verga.

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É isso! 

William


domingo, 24 de janeiro de 2021

Maratona - Feliz ao correr 15K (um dia, serão 42K)



Domingo acabando. Noite fresquinha em Osasco.

Após uma cochilada, o ácido lático e o corpo dolorido me lembram que estou vivo, como diz o velho Santiago no clássico de Hemingway. Dor para lembrar que estamos vivos.

Fiz uma corrida que me proporcionou alegria e felicidade porque percorri o percurso que pensei e porque consegui aguentar. Foram 100 minutos de corrida pelas ruas da Vila São Francisco e de Osasco, Zona Oeste da Grande São Paulo.

Tomei todos os cuidados devidos para não passar perto de ninguém durante os 15K que corri. Os tempos são de pandemia de Covid-19. A morte espreita por aí. E corro para sobreviver e não para morrer. Então me cuido da melhor forma possível.

Comecei a corrida com uma subida de 1K, a Franz Voegeli. Passei pela Vila Iara e desci a Av. Corifeu de Azevedo Marques. Nova subida pela Av. Dr. Candido Motta Filho, passei em frente da pequena Capela São Francisco de Assis e do Pq. Colina de São Francisco. Primeira meia hora.

Desci a Dr. Martin Luther King sentindo o cheiro bom da vegetação. Segui correndo e atravessando a região do campo de golfe, passei em frente ao Centro de Gerenciamento da Caixa (me lembrei dos tempos do Sindicato, quando fazia reuniões e paralisações lá). Trote leve e ritmado. Segui para a Padre Vicente Melillo.

Na Av. Padre Vicente Melillo, segui para a Rua Aurora Soares Barbosa, contornando a Cidade de Deus, do Bradesco. Na rua do rio, fui embora passando em frente ao portão do banco, onde atuei muitas vezes com os diretores do Sindicato. Corri até a PMO, quase completando a 2ª meia hora. Tomei um sachê de carboidratos e segui correndo.

Passei por baixo da Ponte Metálica, e segui meu trote pela Av. Domingo Odália filho, ainda a do riozinho. Passei pelo Super Shopping e corri pela lateral do Viaduto Guerino Spitaleti até os muros da CPTM. Contornei a área do Cyttiplex Osasco e segui pela R. Gen. Manoel de A. Brilhante. Fiz a rotatória e segui correndo pela Av. Hilário Pereira de Souza. Estava bem fisicamente.

Para completar o percurso que mentalizei, no final da Hilário, subi de novo a Franz Voegeli até um dos contornos, desci, retomei a Hilário, fui até o final e voltei correndo até a estação Presidente Altino, completando mais 40 minutos. 

Ufa! Foi uma corrida que me deixou realizado. Consegui. Ainda posso alguma coisa! Corri o equivalente a uma São Silvestre. E teve boas subidas também.

É isso. Para correr um dia 42 Km, terei que seguir adaptando meu corpo para correr 20K, depois 25 a 30K, até chegar aos 40K. Correr 2 horas, depois 3 horas, depois 4 horas e por aí vai.

Fim do registro de um dia de corrida feliz.

William


terça-feira, 31 de dezembro de 2019

95ª São Silvestre: deu tudo certo pra mim!



Pensa o trabalho que dá pra percorrer
o caminho que leva a essa medalha...

Refeição Cultural

Correu tudo bem na minha 10ª participação na corrida de São Silvestre, que este ano completou 95 edições. Poderia dizer que as ondas de arrepio que percorrem nosso corpo nos quilômetros finais traduzem a sensação gostosa de vencer o desafio de correr 15 Km num dia de quase 30º de calor na cidade concreto São Paulo.

Eu estava muito ansioso em relação à minha participação e sequer consegui dormir à noite. Uma mescla de receio de me contundir no meio da prova e não completá-la e a expectativa de voltar à prova mais charmosa do calendário anual, com uma multidão de cerca de 35 mil inscritos se apertando pelas ruas e pontos históricos de São Paulo; isso fez com que eu ficasse bem tenso nos últimos dias.

Ao reler a postagem que fiz em 2016, me despedindo da prova por causa das péssimas condições da organização do evento, desrespeitando os participantes que não tiveram sequer água para se hidratarem direito (ler aqui), posso dizer que neste ano a organização se saiu melhor. Não faltou água em nenhum dos 7 postos programados, a entrega da medalha foi bem tranquila e, antes da prova, a retirada do kit também foi eficiente, não houve filas gigantes.


Pensa uma multidão...

Na questão de avaliação pessoal, completar a prova e no tempo médio que sempre fiz foi algo que me deixou feliz. Completei a prova em 1h55. 

O ano em que completei 50 anos trouxe-me surpresas desagradáveis em relação à saúde. Foi um ano de dores no quadril, na coluna e de mudanças físicas. De uma hora para outra, o corpo já não responde como era até ontem. E a gente tem que aprender a lidar com isso. Somos hoje o que sobrou de ontem. Essa é uma frase que conheço desde muito jovem.

Em relação ao futuro, a fazer planos e planejar metas esportivas e desafios corporais, as coisas estão muito estranhas em minha cabeça. Da mesma forma que senti algo estranho ao fazer pela enésima vez a Romaria em agosto, senti hoje a mesma coisa. Não sei se farei de novo a Romaria, não sei se correrei de novo a São Silvestre. Não sei se vou seguir correndo provas no próximo ano ou se vou fazer caminhadas introspectivas.

Meu ser está todo contaminado pela destruição de nosso mundo a partir do golpe de Estado em 2016, a partir da descoberta que parte de nosso povo é má, sempre foi, e agora está claro isso. Quando olho para trás, através dos ensaios literários, antropológicos e filosóficos sobre o Brasil, e também refletindo sobre a maldade nas pessoas da família, nos vizinhos, nos colegas de trabalho, nas pessoas comuns do cotidiano, fica evidente que nos enganávamos. O bolsonarismo é o espelho de parte de nosso povo. Não sei como aceitar isso e ser feliz.

Bem, deu tudo certo na São Silvestre. Não me contundi. Conversei muito com meu corpo. Nunca me concentrei tanto. Neste ano, sequer vi as coisas engraçadas ao redor, de tanto que estava focado em mim, na minha energia, na minha corrida. No entanto, passada a emoção, o prazer do objetivo alcançado, as coisas voltam ao normal, estão sem sentido.

Não desisti de nada. Quero encontrar sentidos. Só que o país, o povo, o contexto, o momento mundial não ajudam. Sigo procurando mesmo assim.

I still haven't found what I'm looking for...

William

Post Scriptum:

Decidi correr a São Silvestre no início de novembro, justamente para buscar sentidos. Durante os dois meses, fiz um treinamento monitorado por mim mesmo. Foram 18 treinos e percorri cerca de 90 Km durante o período. Isso foi fundamental para a realização da corrida hoje. Ver aqui a postagem sobre o treinamento.

sábado, 14 de dezembro de 2019

141219 - Diário e reflexões



Tempos de tempestades, na vida e na política.

Refeição Cultural

Sábado, cidade de Osasco.

Recebi em casa a visita de meu pai, que ficou conosco entre segunda e quarta-feira. Ele conseguiu realizar os compromissos que havia planejado em São Paulo. Para não fechar a viagem com chave de ouro, o idoso de 77 anos passou por um problemão na hora de retornar a sua cidade em Minas Gerais. O que seria um voo de uma hora se transformou em uma novela de 24h para sair de SP e chegar a sua casa. Foi horrível e por pouco meu pai não teve outro AVC ou outro infarto, de tanto estresse que viveu entre atrasos, voos cancelados, insistências para que respeitassem seus direitos etc. Nós cidadãos somos absolutamente impotentes diante das falhas do sistema social em que vivemos. Somos coisas num mundo coisificado pelo capital.

Nesta semana aconteceram discussões políticas nas entidades sindicais que ajudei a construir e fortalecer por décadas. Não pude participar das discussões por causa dos compromissos com meu pai, prioridade evidente sendo eu a única pessoa que poderia cuidar dele durante os três dias. No entanto, caso houvesse interesse em nos ouvir, existem meios tecnológicos para isso. Uma coisa eu aprendi ao longo de nossa história com o movimento de lutas dos trabalhadores: a gente não pode perder a capacidade de se surpreender com as coisas que os seres humanos podem fazer. Eu fiquei bastante surpreso com as informações que recebi a respeito dos debates feitos. Efetivamente, me parece que todas as concepções, princípios e práticas sindicais que aprendi e exerci ao longo de décadas de formação política não existem mais, foram esquecidas ou simplesmente descartadas. Acho que todos nós da classe trabalhadora estamos perdidos e não conseguimos nos encontrar ainda. Perdemos todos com isso. A unidade parece estar cada vez mais distante no campo dos trabalhadores. Uma pena para nós! Uma ótima notícia para os inimigos!

CULTURAS

Falando de coisas boas, acontecimentos culturais. Nesta semana, reli o livro de contos Olhos d'água (2014), da escritora mineira Conceição Evaristo. Muito atual, muito reflexivo. Caso queiram ouvir o comentário que fiz em vídeo, está disponível aqui. Se tiverem interesse em ler os dois comentários que fiz a respeito de livros que li dela, ler aqui.

Em relação ao esporte e saúde, não consegui dedicar a semana aos treinos para a corrida de São Silvestre porque a prioridade foi dedicar o tempo e as energias para o exame de faixa que faremos neste domingo. Treinei quase todos os dias da semana as sequências de movimentos que já aprendemos na arte marcial que estudamos, o Kung Fu.

É isso! Vamos dormir para acordarmos com disposição e memória boa para este domingo.

William